quarta-feira, 29 de junho de 2011

E se a Cuca te pega?

Prefácio
Já repararam que no Brasil as coisas são bem mais distintas do que em qualquer outro país do mundo. Parece que já nascemos com uma carga genética de baixa auto-estima – pois, basicamente, tudo fora do Brasil é “bom” e tudo daqui seria “ruim”. E quando vemos uma coisa bacana, bem feita, que funciona direitinho, nós dizemos: “nem parece no Brasil”.
Alguns antropólogos comentam que uma das origens deste autoflagelo que nos impomos falando mal de nós próprios, viria desde infância. Como?
Imaginem: ao redor do mundo as crianças, para dormir, são embaladas com musiquetas que acalentam o espírito e tem uma doce melodia. O famoso “Acalanto de Brahms” diz:
“Boa noite, meu bem, dorme um sono tranqüilo. Boa noite, meu amor, meu filhinho encantador... que uma doce canção venha o sono embalar”.
Mas como adormece uma criança no Brasil?

“Dorme neném que a cuca vem pegar, papai foi pra roça, mamãe foi trabalhar...”
“Boi, boi, boi, boi da cara preta, pega essa menina que tem medo de careta!”
Traduzindo: 
Os pais largaram a criança sozinha em casa ou a abandonaram com um mau caráter assustador; ou, com um impaciente que já vai logo avisando que se a criança não dormir rapidamente, virá um boi pegar ela - pra fazer o que, não se sabe.


É tudo assustador e o trauma continua com o decorrer da vida :
Caluniam ou  acusam a criancinha de ter virado uma canoa: 
“A canoa virou, por deixá-la virar, foi por culpa do (nome da criança) que não soube remar.”
Acusando a criancinha de dar coisas sem valor pra em seguida dizer que ela não sabe  amar – sem ao menos ela entender o que é o amor: 
“Ciranda, cirandinha.... o anel que tu me deste era vidro e se quebrou, o amor que tu me tinhas era pouco e se acabou".
Mostrando violência e briga, por nada, desde cedo: 
“O cravo brigou com a rosa.... O cravo ficou ferido e a rosa despetalada!”
E por aí vai... sem nada de ternura, doçura ou afins. O negócio e mandar ‘a pestes da criança’ dormir. Porque a vida é dura e ninguém está ali pra ajudar quando ela precisar. Depois de tanta pressão, com a infância cheia de histórias macabras, vitimando as crianças, mostrando que o bom sai perdendo, que a punição é certa e o fracasso inevitável, alguém ainda quer que o brasileiro tenha auto-estima elevada.
E assim ao longo da vida, crescemos com essa auto-estima baixa, esperando pela Cuca que um dia virá nos pegar, E se ela não vir tem um tal de boi da cara-preta a nos esperar.... 

Usei este prefácio, criado a partir de uma crítica sobre como os tempos mudaram em relação as visões deturpada das coisas. e resolvi  abrir este post com ele para tratar de um papão (bicho papão) que adoro: a tal da CUCA. 
Eu sei... podem dizer que sou do contra. Mas o “lado negro da força” sempre me fez estudar, pesquisar, para compreender melhor o mundo a minha volta. E a Cuca, pra mim, está mais pra comédia do que pra terror.
A Cuca é um dos principais seres mitológicos do folclore brasileiro. É popularmente conhecida como uma velha feia na forma de jacaré que rouba as crianças malinas e arteiras (estes termos são os novos - risos - significam desobedientes pra quem não entendeu o  vocabulário arcaíco).
A origem desta lenda está num dragão, a “Coca” das lendas portuguesas e espanholas. Nestes países, ela era representada por um dragão que havia sido morto por um santo. E aparecia principalmente nas procissões. 

Lenda da COCA de Monção:
Era uma vez um jovem que nasceu de pais novos e ricos, nasceu lá para os lados do oriente, a quem deram o nome de Jorge. Desde novo de dedicou às armas, servindo o imperador Diocleciano no seu exército. Era estimado por todos devido ao seu valor e coragem. Mas o imperador que servia moveu uma impiedosa perseguição aos cristãos. S. Jorge converteu-se a Cristo e jurou servir a sua vontade. Andava um dia S. Jorge nas terras de Líbia, quando escutou um grito desesperado. Acorreu e quando chegou junto do local do grito, deparou com um terrível animal e uma jovem donzela. Era um dragão que tentava devorar a jovem . S. Jorge avançou de lança em punho e feriu de morte a fera assassina. Perante tal ato, a jovem, que era uma princesa filha do rei da Líbia, impressionada pela heroicidade do cavaleiro, descobre a fé do santo, vindo ela a converter-se. Foram ainda muitos os feitos deste santo. Por esta razão o povo de Monção celebra a vitória de S. Jorge sobre o dragão (Coca).
Vejamos um versinho português que trata do assunto:

Vai-te, coca, sai daqui
Para cima do telhado
Deixa o menino
Dormir sossegado
          Lá, ao menos, eles espantam a Coca pro menino poder dormir. (risos). 
        A coca veio parar no Brasil na época da colonização  e passou a ser representada, em muitas regiões, como uma velha brava com cabelos compridos e desgrenhados, semelhante a uma bruxa. Ela foi incorporada as nossas tradições, e acabou virando  bicho, trocando de identidade,e acabou  virando  CUCA.

No Brasil, foram as obras do escritor brasileiro Monteiro Lobato onde a Cuca ganhou notoriedade. No "Sitio do Pica-pau amarelo", transformado em série de TV no final dos anos 70 e começo dos 80, a Cuca passou a ser conhecida nos quatro cantos do país. 
Na Tv, a Cuca era um jacaré bípede com cabelo amarelo e uma voz horripilante, que tinha a ajuda do Saci-Pererê. Malvada, morava numa caverna escura onde, como boa bruxa, sempre aparecia confabulando maldades e preparando poções mágicas.
No livro original “O Saci” escrito por Monteiro Lobato em 1921, a personagem é descrita apenas como uma bruxa velha com rosto de jacaré, e unhas compridas como as de um gavião. 
Cucas  Modernas
Mas como estamos no Brasil –  que mais parece o quintal do Sítio do Pica Pau Amarelo, onde tudo pode acontecer - , não seria estranho nos depararmos com uma Cuca por aí. 
Eu sempre achei a Cuca do Lobato, da primeira versão, muito hilária. Ela fazia maldades mas era engraçadíssimas, me fazia rir aos montes.
Eu realmente adorava a Dorinha Duval interpretando a Cuca – ela em 1977 interpretou a primeira cuca do pica pau amarelo para a TV. E ela interpretou tão bem o papel que  na vida real ela fez artes de cuca: Dorinha Duval,nome artistico de Dora Teixeira, foi atriz e vedete brasileira . Em 2020 lançou suas memórias autobiográficas num livro intitulado "Em busca da luz". Na obra narra como foi a experiência de ter sido violentada aos quinze anos de idade, ter sofrido um aborto e se prostituido. Dorinha também revela que tentou o suicídio depois da separação de daniel Filho, além de contar por que matou seu segundo marido, o cineasta Paulo Sérgio Alcântara, durante uma discussão em 1980. Atualmente, Dorinha é artista plástica, embora continue contratada pela Rede Globo.
Porém, atualmente, a Cuca é outra, voltou a ser loira e continua fazendo seus feitiços de se travestir de humano, como descrevia Lobato nos seus escritos (e que foi imortalizado pelo episódio abaixo).


Fantasiada de humano pra que Cuca melhor do que a figura da procuradora Vera Lúcia Gomes, para atormentar não só as criancinhas, e revelar as diferenças e o poder da hipocrizia no Brasil – onde quem tem dinheiro esta acima de qualquer suspeita.

 Aqui cabe bem a musica tema da Cuca:
Cuidado Com a Cuca
Que a Cuca te pega
Te pega daqui, Te pega de lá

A Cuca é malvada
E se fica irritada
A Cuca zangada
Cuidado com ela
A Cuca é matreira

E se fica zangada
A Cuca é danada
Cuidado com ela
Cuidado com a Cuca
Que a Cuca te pega
Te pega daqui, Te de lá
A Cuca é malvada
E se fica irritada
A Cuca zangada
Cuidado com ela.
Cuidado com a Cuca
Que a Cuca te pega
A Cuca é danada
Ela vai te pegar
E insistindo que no Brasil tudo pode acontecer, a Cuca foi parar na Cozinha e acabou  virando doce. Isso mesmo, não é lenda, é pura realidade.
Na língua tupi a palavra Cuca significa tragar ou engolir de uma vez só. Esta ultima ação faz jus a vontade que se tem quando se ver uma Cuca (de comer).
Mas a Cuca não é tupi. É um bolo de origem alemã, muito conhecido no Sul do Brasil. Preparado com uma massa fermentada de pão, com cobertura de farofa crocante. Geralmente servido no café da manhã, no chá ou no café colonial.
Seu nome origina-se da palavra alemã Streuselkuchen (lit. "bolo de flocos", em alemão: Kuchen = " bolo", Streusel = "granulado", "flocos").
A base do bolo é uma massa de levedura coberta com flocos (Streusel). Os principais ingredientes da cobertura granulada são farinha, açúcar e manteiga. Porém, a cobertura pode variar, adicionando-se aos flocos açúcar de baunilha ou canela em pó. Outra variação é cobrir a massa de levedura com pedaços de frutas, geralmente de maçã, e só em seguida cobrir as frutas com os flocos como cobertura final.
O Streuselkuchen supostamente originou-se na Silésia, uma região que hoje em dia é parte da Polônia. Atualmente o bolo é bastante comum em grande parte da região germanófona com suas variedades regionais.
Então se a Cuca ainda não veio lhe pegar, melhor você pegar ela primeiro – o difícil é você se contentar só com uma.

Streuselkuchen (Cuca Alemã)
Farofa
1 xícara (chá) de farinha de trigo (120g)
10 colheres (sopa) de açúcar (120 g)
1 colher (chá) de canela em pó (1,5 g)
5 colheres (sopa) de manteiga (60 g)
Massa
1 xícara (chá) de leite (240 ml)
2 tabletes de fermento biológico (30 g)
1/2 xícara (chá) de açúcar (180 g)
5 xícaras (chá) de farinha de trigo (600 g)
1 colher (chá) de sal (2,5 g)
1/2 xícara (chá) de manteiga (100 g)
3 ovos
100 g de uvas passas sem sementes
100 g de frutas cristalizadas
3 maçãs médias sem sementes em gomos
Preparo: Numa tigela, misture o leite morno com o fermento e metade do açúcar. Junte 1 xícara (chá) de farinha e mexa até ficar homogêneo. Cubra com filme plástico e deixe crescer em local aquecido por 30 minutos. Em seguida, peneire em outra tigela a farinha e o açúcar restantes com o sal e adicione, aos poucos, à massa crescida. Acrescente a manteiga (reserve 2 colheres de chá) e os ovos. Amasse bem e transfira a massa para uma superfície enfarinhada. Sove-a por 10 minutos, ou até ficar lisa e soltar das mãos. Volte a massa para a tigela e cubra-a com filme plástico. Deixe crescer por mais 30 minutos em local aquecido. A seguir, misture cuidadosamente as uvas passas e as frutas cristalizadas. Unte uma assadeira de 23 cm x 33 cm com a manteiga reservada e polvilhe farinha de trigo. Abra a massa na assadeira, alise-a e deixe crescer por mais 30 minutos. Ligue o forno à temperatura média. Disponha os gomos de maçã sobre a massa e reserve. Farofa: peneire numa tigela a farinha de trigo com o açúcar e a canela e misture a manteiga derretida. Mexa com as pontas dos dedos até obter uma farofa e espalhe-a sobre a massa. Leve ao forno por 45 minutos, ou até a massa dourar. Retire do forno e, depois de morna, corte a cuca em pedaços e sirva.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Bolo salgado caipira pra homenagear São João - O batista.

Capelinha de Melão é de São João
É de Cravo é de Rosa é de Manjericão
São João está dormindo
Não acorda não!
Acordai, acordai, acordai João!
Eu me lembro bem das festas de São João no interior... Tempo bom aquele onde eu me acabava nas quadrilhas, os vizinhos faziam fogueiras animadas e cheias de delicias para fazer a festa varar a noite toda.
Cheguei até a participar dos festivais de quadrilhas tão populares por estas bandas do país. Era hilário, aventureiro e muito divertido. Definitivamente não existe festa junina como as do nordeste. E tem mais: são sempre as do dia 24 de junho as mais animadas; não sei explicar o por que isso se dá assim. Vai ver São João é realmente muito popular.
São João além de ter sido o primeiro batista é considerado santo protetor das mulheres grávidas. João, segundo a Bíblia, era primo em segundo grau de Jesus, pois Isabel era prima de Maria. Foi João quem batizou Jesus nas águas do rio Jordão, rio que hoje faz a fronteira entre Israel e a Jordânia e entre esta e a Cisjordânia.
Encontramos a sua história narrada no evangelho de São Lucas, onde ele descreveu que havia, no tempo de Herodes, rei da Judéia, um sacerdote chamado Zacarias, da classe de Abias; a sua mulher pertencia à descendência de Aarão e se chamava Isabel. Eles viviam na aldeia de Ain-Karim e tinham parentesco com a Sagrada Família de Nazaré.

Foram escolhidos por Deus por sua fé inabalável, pureza de coração e o grande amor que dedicavam ao próximo. Isabel, apesar de sua santidade, era estéril: uma vergonha para uma mulher hebréia, que era prestigiada somente através da maternidade. Mas foi por sua esterilidade que ela se tornou uma grande personagem feminina na historia religiosa do Povo de Deus. Juntos, foram os protagonistas dos momentos que antecederam o mais incrível advento da historia da humanidade: a encarnação de Deus entre os seres humanos.
Estavam velhos, com idade avançada, e como não tinham filhos, julgavam essa graça impossível de ser alcançada. Foi quando o anjo do Senhor apareceu ao velho sacerdote Zacarias no templo e disse-lhe que sua mulher, Isabel, teria um filho que teria o nome de João, que significa "o Senhor faz graça". O menino seria repleto do Espírito Santo desde a gestação de sua mãe, reconduziria muitos dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus e seria precursor do Messias.
Zacarias, inicialmente, manteve-se incrédulo ante o anúncio celeste do nascimento de um filho pelo qual havia rezado com tanto ardor; para que pudesse crer, precisou de um sinal: ele ficou mudo até que João veio à luz do mundo. Na ocasião, sua voz voltou e ele entoou o salmo profético em que, repleto do Espírito Santo, profetizou a missão do filho.
Enquanto isso, devido à proximidade da maternidade, Isabel recolheu-se por cinco meses, para estar em união com Deus. Os dias ela dividia em três períodos: de silêncio, oração e meditação. E foi assim que Isabel, grávida de João e inspirada pelo Espírito Santo, anunciou à Virgem Maria, sua prima, quando esta a visitou: "Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre (Jesus)".
Maria em visita á Isabel
          Após o nascimento de João, Zacarias e Isabel recolheram-se à sombra da fama do filho, como convém aos que sabem ser o instrumento do Criador. Com humildade, alegraram-se e satisfizeram-se com a santidade da missão dada ao filho (João Batista), sendo fiéis a Deus até a morte."
Mas as tradições juninas (ou joaninas) se deram a partir da seguinte lenda: Isabel, mãe de São João era prima da Virgem Maria. São João não havia nascido ainda, mas era esperado. Isabel prometeu à Virgem avisá-la logo que criança nascesse. As duas casas não eram muito distantes, de modo que de uma se avistava a outra, com um pouco de esforço.
Numa noite bonita, de céu estrelado, São João nasceu. Para avisar a Virgem, Isabel mandou erguer, na porta de sua casa, um mastro e acendeu uma fogueira que o iluminava. Era o aviso combinado.
Mastro de São João
          A Virgem Maria correu logo a visitar a prima. Levou-lhe de presente uma capelinha, um feixe de folhas secas e folhas perfumadas para a caminha do recém-nascido”.
João Batista é descrito na Bíblia como pessoa solitária, um profeta de grande popularidade. Fez severas críticas à família real da época, a do rei Herodes Antipas, da Galiléia, pois o rei era amante da sua cunhada, Herodíades. Segundo o evangelho de São Marcos (cap. 6, vers. 17-28) Salomé, filha de Herodíades, dançou tão bonito diante de Herodes que este lhe prometeu o presente que quisesse. A mãe de Salomé aproveitou a oportunidade para se vingar: anunciou que o presente seria a cabeça de João Batista, que se encontrava preso. O “presente” foi trazido em uma bandeja de prata.
A imagem de São João Batista é geralmente apresentada como um menino com um carneiro no colo, já que segundo a Bíblia, ele anunciou a chegada cordeiro de Deus. Alguns símbolos são conhecidos por remeterem ao nascimento de São João, como a fogueira, o mastro, os fogos, a capelinha, a palha e o manjericão.
Dizem que São João adora uma festa, mas que é preciso muitos fogos e uma fogueira bem bonita para ele ficar feliz.

Existe ainda uma lenda que diz que os fogos de artifício soltados no dia 24 são "para acordar São João". A tradição acrescenta que ele adormece no seu dia, pois, se ficasse acordado vendo as fogueiras que são acesas em sua homenagem, não resistiria e desceria à terra. As fogueiras dedicadas a esse santo têm forma de uma pirâmide com a base arredondada.
O levantamento do mastro de São João se dá no anoitecer da véspera do dia 24. O mastro, composto por uma madeira resistente, roliça, uniforme e lisa, carrega uma bandeira que pode ter dois formatos, em triângulo com a imagem dos três santos, São João, Santo Antônio e São Pedro; ou em forma de caixa, com apenas a figura de São João do carneirinho. A bandeira é colocada no topo do mastro.
O responsável pelo mastro, que é chamado de "capitão" deve, juntamente com o "alferes da bandeira", responsável pela mesma, sair da véspera do dia em direção ao local onde será levantado o mastro. Conta a tradição que a bandeira deve ser colocada por uma criança que lembre as feições do santo. O levantamento é acompanhado pelos devotos e por um padre que realiza as orações e benze o mastro.
Outra tradição muito comum é a lavagem do santo, que é feita por seu padrinho, pessoa que está pagando por alguma graça alcançada. A lavagem geralmente é feita à meia-noite da véspera do dia 24 em um rio, riacho, lagoa ou córrego. O padrinho recebe da madrinha a imagem do santo e lava-o com uma cuia, caneca ou concha.
Depois da lavagem, o padrinho entrega a imagem à madrinha que a seca com uma toalha de linho. Durante a lavagem é comum lavar os pés, rosto e mãos dos santos com o intuito de proteção, porém, diz a tradição que se alguma pessoa olhar a imagem de São João refletida na água iluminada pelas velas da procissão, não estará vivo para a procissão do ano seguinte.
E para que a noite de hoje seja, além de divertida, gostosa, deixo a receita do bolo salgado caipira, encontrado por aqui nas quitandas mais requintadas. 

Bolo Salgado Caipira

Massa:
1 xícara (chá) de leite
1 tablete de margarina (100 g)
1 xícara (chá) de farinha de trigo
1 xícara (chá) de fubá
1 colher (chá) de sal
1 colher (sopa) de fermento em pó
1 ovo batido
Recheio:
1 colher (sopa) de margarina
1 peito médio de frango cortado em cubos pequenos
1 tomate, sem sementes, cortado em cubos pequenos
1 lata de ervilha escorrida
1 xícara (chá) de água fervente
1 colher (sopa) de cheiro-verde ou cebolinha picada
1 frasco de maionese (250 g)
Para untar e enfarinhar: azeite de oliva e fubá
Modo de preparo: Pre-aqueça o forno em temperatura média (180°C). Unte e enfarinhe uma assadeira pequena (28 x 18 cm) e reserve. Em uma panela pequena, aqueça o leite e junte a margarina. Misture e deixe esfriar. Em uma tigela grande, peneire juntos a farinha de trigo, o fubá, o sal e o fermento em pó. Acrescente o leite reservado e o ovo. Misture com uma colher até que a massa fique homogênea. Despeje a massa na assadeira reservada e leve ao forno por 30 minutos ou até que um palito, depois de espetado na massa, saia limpo. Retire do forno e deixe esfriar. Para o Recheio Em uma panela média, aqueça a margarina e refogue o frango por 5 minutos ou até dourar. Junte o tomate, a ervilha, a água e o cheiro-verde e cozinhe por 15 minutos ou até o frango ficar macio e o líquido secar. Reserve até esfriar. Acrescente a maionese e misture até formar um recheio cremoso. Montagem do bolo Desenforme o bolo e corte-o ao meio no sentido do lado maior. Espalhe o recheio sobre metade do bolo e cubra com a outra metade. Corte-o em cubos decore com uma folha de salsinha. Fica ainda mais bonito se os pedaços de bolo forem colocados em forminhas de papel frisado.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Comme le dit en français: Gâteau Saint Honoré

         
Je suis un imbécile pour sucrés.
J'aime une bonne pâtisserie. J'admire ceux qui font un bon gâteau.
Bénis sont ceux qui se consacrent à préparer les merveilles de pâtisseries. 


         Recentemente este Barão foi acometido por uma crise renal que lhe tem me tirado do sério... Não vem ao caso me estressar aqui contando mais esta cruz...
No entanto, devido o tempo que abandonei esta Confraria para cuidar da saúde fiquei com vontade de comer um pedaço de uma delicia que muito aprecio: Gâteau Saint Honoré – infelizmente ainda não pude realizar meu desejo porque, devido ordens médicas, ainda não posso consumir muito açúcar.

Aproveito este post para agradecer a todos que cuidaram e comigo se preocuparam. Obrigado a todos!!!
A torta Saint Honoré é talvez um dos doces mais significativos para a confeitaria francesa e um pouco da sua historia está escrita em um livro, que por sinal é um dos meus desejos de aquisição literária, e que ainda não consegui encontrar por aqui, que traz alguns recortes sobre a origem das maravilhas da confeitaria: O livro História da Confeitaria no Mundo - de Angelo Sabatino Perrela e Myrian Castanheira Perrela - Editora Livro Pleno. Sem o livro, porém, seguem as informações que tenho em meus arquivos pessoais sobre o tema.
E Torta Saint Honoré é um elemento tradicional da confeitaria francesa, foi criada pelo confeiteiro Chiboust em 1846, quando ele desenvolveu um creme (batizado com seu próprio nome, creme Chiboust) para rechear uma torta que ele inventara.
A origem do nome da torta tem duas explicações:
I) batizado com o nome do Santo Honório (Saint Honoré de Amiens ou ainda Honotarus de Amiens) Padroeiro dos padeiros e confeiteiros;
Saint Honoré
II) O criador da receita, o Chef Chiboust , Trabalhava em uma Patisserie que pertencia aos irmãos Julien, chamada `Place de La Bourse`, localizada na Rue Saint Honoré, em Paris.


        Gateau Saint Honoré é uma torta verdadeiramente espetacular.
Apesar de seu tempo de preparação ser longo, a elaboração da receita não é muito difícil. É geralmente vendida na seguinte forma: um círculo de massa folhada assada tendo creme chiboust no centro, adornada por carolinas caramelizadas.
De certo que atualmente encontramos modificações absurdas nas tortas Saint Honoré que encontramos por aí. E por este motivo deixo abaixo como se prepara o original creme Chiboust para que vocês, caros leitores, possam optar na sua preparação. Ressalto que a receita que deixarei traz a inclusão do leite condensado que não vem na receita tradicional.
O Creme Chiboust é um derivado do creme de confeiteiro, podendo ser também aromatizado com baunilha, raspas de laranja ou licores.
Crème Chiboust se prepara assim: 1 Parte de creme de confeiteiro; ½ Parte de merengue italiano; 1% a 2% da preparação total de Gelatina sem sabor
Preparo: Junte ao creme de confeiteiro a gelatina, e por ultimo o merengue, usando movimentos envolventes para agregar bem.
Creme de confeiteiro:
Meio litro de leite; 125g de açúcar refinado; 4 gemas; 40g de amido de milho; Baunilha a gosto
Preparo: Amornar o leite a fava de baunilha com metade do açúcar. Em uma tigela bata as gemas com o restante do açúcar e junte o amido. Acrescente a metade do leite morno à mistura de gemas e misture. Volte a mistura a outra metade do leite. Leve ao fogo mexendo sempre até que o creme engrosse e cozinhe o amido, mais ou menos 1 minuto depois que ferver.
Merengue italiano: 105g de Clara de ovo; 210g de Açúcar refinado; 70ml de Água
Preparo: Faça uma com parte do açúcar e a água. Com o restante do açúcar bata as claras até conseguir uma consistência boa, não muito firme. Deixe a calda esfriar um pouco e junte em fio sobre as claras. Continue batendo até que a mistura amorne e fique consistente, no ponto de espuma de barbear. 
Gâteau Saint Honoré
Massa:
3 discos de massa folhada de 20 cm de diâmetro (250 g) assados
        Carolinas:
         3 colheres (sopa) de manteiga
1/2 xícara (chá) de farinha de trigo peneirada
2 a 3 ovos
1 pitada de sal
Creme de baunilha:
1 lata de leite condensado
1/2 lata de leite
2 gemas
1 colher (café) de essência de baunilha
Creme de licor:
1 lata de leite condensado
1/2 lata de leite
3 ovos
1/2 lata de creme de leite
1 colher (sopa) de Cointreau
2 colheres (sopa) de açúcar
Caramelo:
         3/4 xícara (chá) de açúcar (125 g)
3 colheres (sopa) de água
Modo de Preparar

Carolinas: Leve ao fogo uma panela com a manteiga e o sal. Junte meia xícara (chá) de água morna e deixe ferver. Retire do fogo, junte a farinha, mexendo rapidamente com uma colher de pau. Leve novamente ao fogo mexendo sempre até formar uma bola e soltar do fundo da panela. Retire do fogo e coloque numa tigela, junte os ovos, uma a um incorporando-os à massa em cada adição. Estará no ponto quando formar longas pontas ao cair da colher. Coloque a massa em um saco de confeitar e faça carolinas de 3 cm de diâmetro aproximadamente, diretamente em assadeira untada e polvilhada. Leve ao forno preaquecido 180°, por 25 minutos, até que elas tenham dobrado de volume e dourem. Desligue o forno e deixe a porta entreaberta para as carolinas secarem um pouco.

Creme de baunilha:Misture o leite condensado, as gemas peneiradas, o leite, a baunilha e leve ao fogo baixo para engrossar, mexendo sempre. Deixe esfriar e leve à geladeira coberto por filme plástico.

Creme de licor: Misture o leite condensado, as 3 gemas e o leite e leve ao fogo baixo, mexendo até engrossar (mais ou menos 15 minutos). Apague o fogo, adicione o Cointreau e o creme de leite e misture. Passe por uma peneira e reserve. Bata as claras em neve, acrescente o açúcar aos poucos até ficar bem firme. Incorpore-as delicadamente ao creme de licor e leve à geladeira. 
Montagem da torta: Coloque um disco de massa folhada assada num prato para bolo e espalhe sobre ele o creme de baunilha. Cubra com outro disco e espalhe sobre ele metade do creme de licor, reservando o restante para rechear as carolinas e cobrir a última camada. Coloque o último disco e leve a torta à geladeira. Recheie então as carolinas: com o auxílio de um saco de confeitar, pressione-as com o bico, recheando pelo fundo com o creme de licor.
          Caramelo: Misture o açúcar com a água, numa panela de fundo grosso e leve ao fogo baixo mexendo até o açúcar dissolver. Aumente a chama e deixe a calda ferver até adquirir a cor dourada. Aproximadamente 5 minutos após a fervura. Apague o fogo, retire a torta da geladeira, mergulhe o fundo das carolinas no caramelo grudando-as em volta da borda do último disco de massa folhada. Despeje o restante do creme de licor no centro da torta. As carolinas impedirão que ele escorra. Com um garfo, pegue uma porção da calda de caramelo, espere amornar e faça fios, puxando com os dedos, em cima das carolinas, formando um gradeado. Mantenha a torta na geladeira até a hora de servir.
Dicas: Não prepare a receita com muita antecedência, pois o caramelo tende a derreter e a massa folhada pode murchar. Verifique o ponto da calda de açúcar para fazer os fios. Mergulhe o garfo na panela erguendo-o em seguida. Deve se formar um fio que ao ser puxado com as mãos forma a escultura com maior facilidade.  Se não quiser preparar as carolinas, elas podem ser encomendadas em padarias e confeitarias. Somente recheá-las reduz bastante o trabalho na preparação da torta.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Os pés de moleque e as delícias juninas tamanho GG

         Quando junho chega o  nordeste se transforma. Ganha mais cores, mais animação, mais música e diversão – sem falar na fartura de comidas típicas das festas juninas. Mas a gente só se da conta disto, depois de muito tempo, depois que se viaja muito e se tem possibilidades de experienciar outras culturas. E de repente, você percebe que não existe “junho” como no nordeste.

Segundo historiadores, a tradição das festas juninas -que antes eram chamadas de joaninas- surgiu na Europa durante o século 14. No Brasil, de acordo com o antropólogo Roberto Albergaria, os costumes de homenagear os santos do mês de junho foram trazidos pelos portugueses e readaptados com a inserção de valores de negros e indígenas, como o boi-bumbá, a utilização da mandioca para a composição de pratos típicos e algumas danças.
A tradição das fogueiras também foi trazida do continente europeu e representava o aviso a Maria do nascimento de João, filho de Isabel. Os fogos de artifício, por sua vez, representam para alguns o despertar de João. Em Portugal, o uso das bombas e rojões serve para espantar os maus espíritos.  A religiosidade ajuda a manter as tradições juninas de honrar os santos ao qual o mês é dedicado.
Santo Antônio

Santo Antonio, considerado o 'Santo Casamenteiro', é o primeiro homenageado do mês com suas trezenas (13 noites de reza, de 1º a 13 de junho). O ritual é realizado paralelamente em inúmeras casas e igrejas pelos devotos.  Segundo uma antiga lenda, o santo português -que teria nascido em 1195 e morrido em 13 de junho de 1231- ajuda as mulheres e homens que estão "condenados" a ficar solteiros a realizar os tão sonhados casamentos. Os devotos que perdem a paciência acrescentam algumas simpatias ao hábito de rezar por 13 noites. A principal delas é colocar a imagem de Santo Antonio de ponta-cabeça, mergulhada em um recipiente com água, até o dia do casamento.
São João

O segundo e principal santo católico reverenciado pelos nordestinos é São João, cuja data, 24 de junho, é feriado regional. Além das celebrações católicas, a data é comemorada a partir da noite do dia 23 com muitas festas animadas, com fogueira, fogos de artifício e forró e regadas a bebidas e comidas típicas, como bolos, doces, licores, milho (cozido e assado na fogueira), canjica e quentão. A maioria das quadrilhas e maiores festas juninas são realizadas no di a de São João.
São Pedro

Não menos popular que São João e Santo Antonio, São Pedro é o último a receber as homenagens durante o mês de junho. Homenageado no dia 29, o principal apóstolo de Jesus Cristo é fiel depositário de todas as esperanças de chuva dos nordestinos. Segundo a tradição, é obrigação dos viúvos e das viúvas acender uma fogueira na porta de casa durante a noite do dia 29. O dia de São Pedro também representa o fim do principal período festivo dos municípios do interior do Nordeste.
Puxando o assunto para o lado gastronômico, as festas juninas apresentam uma enorme quantidade de iguarias – que na maioria das vezes, não são somente encontradas no período junino. E os bolos juninos, talvez, sejam os que mais têm vaga garantida nas mesas e barracas juninas. Esses bolos não são recheados e  nem se apresentam cheios de coberturas delicadas ou extravagantes – são bolos caseiros feitso com milho, mandioca, cono, massa puba, com jeitinho de bolo da vovó e que matem tradição desde a época do período açucareiro, quando o nordeste era uma potencial mundial na produção do açúcar.
Hoje esta confraria trás o bolo pé de moleque – um dos bolos nordestinos mais gostosos, de massa úmida, temperado com especiarias.
Bolo pé de moleque
O Pé de Moleque é um doce original da culinária brasileira que surgiu por volta do século XVI com a chegada da cana-de-açúcar à Capitania de São Vicente, trazida pelo navegador Martin Afonso de Sousa.
Nas regiões sul e sudeste do Brasil, o pé de moleque é um doce bastante relacionado às culturas caipira e açoriana e se relaciona ao pé de um moleque. Em outras regiões do Brasil, o doce sofre variações nos ingredientes de sua fórmula.
Eu, particularmente, gosto do pé de moleque na suas duas versões: tijolinho (tablete feito de amendoim com rapadura) e o bolo.
  
No nordeste brasileiro, o bolo faz parte da culinária junina, mas pode ser encontrado em todas as épocas do ano, nas padarias. Ele é feito com massa puba (massa de macaxeira que passou pelo processo de fermentação), açúcar, ovos, manteiga ou margarina, coco ralado, café, castanhas de cajú, cravo e erva-doce e leite, entre outros. Após serem misturados todos os ingredientes, a massa é colocada em porções geralmente ao comprido e enrolada na folha verde da bananeira, e em seguida é assada no forno – a mordernidade jápermite assar o bolo em assadeiras convencionais, no entanto, no periodo junino, para reforçar as tradições, se encontra bolos enrrolados na folha da bananeira.

Bolos assados na folha de bananeira

Acredita-se que existam três versões para a origem do nome deste doce. A primeira delas diz que a própria aparência do doce depois de pronto, tem semelhança com a cor de sujo e apresenta os calos (alusão criada a partir das bandas do amendoim) dos pés dos moleques que viviam correndo descalços pelas ruas de terra batida.
A segunda versão, fala das cozinheiras das fazendas que eram assediadas pelas crianças da vizinhança que suplicavam por um pouco de doce enquanto as cozinheiras mexiam seus tachos no preparo da massa. Nestes momentos elas diziam a eles: – Pede, moleque!
A terceira, diz-se que a origem do nome desse doce vem dos tempos do Império, tempo em que as "baianas vestidas à caráter" ficavam com seus tabuleiros vendendo , cocadas e outras delícias nas praças. Quando as baianas se distraíam atendendo algum freguês, os moleques "pegavam" o doce e saiam correndo. As baianas então gritavam: Pede, moleque, pede, moleque! Alertando aos moleques de que eles não precisam fazer aquilo, que bastava pedir o doce. Dizem que os gritos das baianas terminaram por ter seu significado transformado e virou o nome do doce: Pé de moleque.
Independentemente de qual for a verdadeira origem do nome, o mais importante é o fato de que este é um dos doces mais apreciados no país, sendo bastante consumido, principalmente, nas festas juninas e julinas pelo Brasil afora.
Não bastassem as versões distintas do doce, e da origem do nome, o pé de moleque ainda é motivo de conflitos ortográficos:
O doce pode ser encontrado ainda na literatura, tal como em “O dialeto Caipira” de Amadeu Amaral, há referência ao pé-de-muleque.
Contudo, o professor e ortógrafo cearense Vicente Martins, a palavra "pé de moleque", datada de 1889, a partir do Acordo ortográfico de 1990, deve ser grafada sem hífen, assim: pé de moleque. Em 2009, O Vocabulário Ortográfico da Academia Brasileira de Letras (ABL) também ratifica as bases do Acordo Ortográfico, estabelecendo que a palavra seja grafada sem hífen - e esta confraria, portanto, segue as normas da ABL.
Fonte:
Amaral, Amadeu. O dialeto caipira. São Paulo: HUCITEC, 1976.
Martins, Vicente. Elucidário ortográfico.  [S.l.]: Sobral, 2009.
Comidas juninas tamanho GG
Diz a “lenda” que as comidas GG de Caruaru começaram a partir de uma pamonha, ainda na década de 80. Seu Moacir resolveu fazer e dividir com o pessoal do bairro, para comemorar o São João.

Seu Augusto gostou da idéia e fez também um cuscuz, mas em outro bairro e também em quantidade grande, para não faltar para ninguém. Hoje, cada bairro de Caruaru tem uma comida que chama de sua e faz muito bem. Canjica, quentão, arroz-doce… sempre em quantidades gigantescas, para combinar com a grandeza de São João.
O maior cozido de milho foi feito com 2 mil espigas.

O maior cuscuz do mundo, em 2010, foi feito com 600 quilso de flocão de milho.
Já o maior bolo PE de moleque foi  feito Dona Maria Eugênia da Silva – que relata a seguinte a história: Quando era menor, a filha dela queria visitar as festas dos bairros, mas Dna Maria não deixava. Como boa mãe, resolveu acalentar a filha trazendo a festa para perto dela, e fez um bolinho básico, de 3 metros. Isso foi em 1998, e desde então, o bolo não parou de crescer, até chegar aos 3.000 ovos e 500kg de massa de hoje.
Dona Maria e seus premios pelo maior bolo pé de moleque do mundo
Para assar tanto bolo é preciso 5 dias de trabalho com a mão na massa e mais tantos outros de planejamento. Às vezes algumas empresas patrocinam o evento, mas o mais comum é que a ajuda venha dos moradores do bairro. Com ou sem patrocínio, Dona Maria do Bolo persiste, e já recebeu prêmios merecidos por seu esforço. A montagem do bolo se dá a partir de 56 formas de massa assada, numeradas e montadas como um enorme quebra-cabeça em formato de pé. 
Pé de Moleque da Cidade de Piranguinho

A produção artesanal e o alto grau de qualidade dos produtos fizeram com que a cidade de Piranguinho passasse a ser reconhecida como a Capital do pé de moleque (tijolinho).
Com 15m de comprimento, 60cm de largura, 2cm de altura e peso total de 232,6kg, o Maior pé de moleque do país foi feito com amendoim e rapadura, e apresentado durante a V Festa do Pé de Moleque, que aconteceu em 2010.
Já há alguns anos a cidade tem promovido uma festa dedicada exclusivamente ao seu mais famoso produto. Nesta festa, as coloridas barracas de pé-de-moleque da cidade montam pequenos stands na Praça Matriz, no centro da cidade, para venderam o produto e outros doces derivados.
 
Pé de moleque – tijolinho
1 rapadura escura
meio quilo de amendoim (cru ou torrado) sem casca e quebrado grosseiramente
1 xícara de café de leite
1 pedaço (pequeno) de gengibre cortado miúdo
Margarina para untar

Como fazer: Picar bem a rapadura e levar ao fogo para derreter, juntamente com o leite e o gengibre; mexendo com uma colher de pau.  Quando desmanchar e formar um "melado", colocar um pouco deste numa xícara com água - se estiver no "ponto de puxar", formará uma "bolinha" consistente.  Apagar o fogo, colocar o amendoim e bater bem. Quando o fundo da panela começar a ficar esbranquiçado, despejar no mármore, untado com manteiga.  Deixar esfriar e cortar.

Bolo  Pé de Moleque
3 xícaras de castanha de caju torrada e triturada (reserve algumas inteiras para decorar)
2 e 1/2 xícaras de água
2 xícaras de leite de coco
1/2 xícara de manteiga (100 g)
1/2 colher (sopa) de café solúvel
1/2 colher (sopa) de canela em pó
1/2 colher (sopa) de cravo triturado
1/2 colher (sopa) de erva-doce triturada
1/2 colher (chá) de sal
1 kg de massa de mandioca úmida e peneirada
500 g de rapadura escura em pedaços
4 ovos  
Preparo: Bata no liquidificador a rapadura com a água até dissolver.  Leve ao fogo até ferver, desligue e acrescente a manteiga, a erva-doce, o cravo, a canela e o café. Misture bem, deixe esfriar e reserve.  Bata os ovos e o sal até espumar. Com a batedeira desligada, coloque a massa de mandioca e misture com uma colher de pau. Com a batedeira ligada, junte aos poucos o leite de coco, até ficar homogêneo.  Desligue a batedeira e acrescente a rapadura já fria. Misture bem. Volte à batedeira, em velocidade baixa, e acrescente a castanha triturada. Bata até obter uma mistura homogênea. Aqueça o forno em temperatura média. Unte a fôrma com manteiga e, se desejar, coloque um pouco de leite de coco nos lados da fôrma, sobre a manteiga. Ponha a massa. Leve ao forno médio, por 1 hora e 40 minutos ou até que, ao espetar um palito, ele saia quase limpo. Retire do forno e deixe esfriar. Desenforme sobre um prato e decore com as castanhas reservadas. 

domingo, 5 de junho de 2011

Junho e o Aluá: A "coca-cola" do Primeiro Império Brasileiro

Junho é o mês do primeiro solstício do ano, trazendo a estação quente ao hemisfério boreal e a fria ao hemisfério austral. Quando o Sol atingir o ponto mais ao norte da sua trajetória, a partir do dia 21 de Junho, teremos o solstício, que trará o dia mais longo do ano no hemisfério norte, iniciando o verão, e o menor dia do ano no hemisfério sul, iniciando o inverno.
Sexto mês do ano do calendário gregoriano, com 30 dias, Junho tem o seu nome derivado da deusa Juno, rainha dos deuses, mulher do poderoso Júpiter. Juno corresponde à deusa Hera da mitologia grega. Juno era a deusa que protegia a mulher casada e às suas obrigações seculares. Além de proteger o casamento, a deusa protegia e fortalecia o feto, protegia a mulher na hora do parto, aliviando-a. Por este motivo, Junho tradicionalmente, é tido como o mês ideal para realizar bons casamentos.
Juno
Marcando o fim da primavera ou do outono, Junho começa o seu ponto astrológico com sinal em Gêmeos e termina com sinal em Câncer.
O nome do mês de Junho tem outra possível origem: seria homenagem a Lúcio Júnio Bruto – em latim Junius, considerado o  fundador da Republica Romana.
Na Grécia no mês de junho era festejado Júpiter Olímpico, mês de festas e jogos que teriam sido iniciados por Hércules. Entre nós é o mês dos santos populares, das fogueiras e das canções invocando os seus milagres.
Este mês é representado por um jovem coberto com um manto verde escuro, com um cesto de fruta no braço e na mão uma águia.
Este mês também é consagrado as BORBOLETAS, símbolo de transformação, do Renascimento.  Acredita-se que se alguém conseguir ver ao menos uma borboleta por dia durante este mês, será contemplado com muita boa sorte.

No Brasil, Junho é mês de festa – as festas juninas. E este termo também apresenta duas explicações: A primeira é em função das festividades que ocorrem durante o mês de junho.  Outra versão diz que esta festa tem origem em países católicos da Europa e, portanto, seria em homenagem a São João. No princípio, a festa era chamada de Joanina.
São João
Apesar de hoje serem festas católicas, as comemorações juninas antecedem o nascimento de Cristo. Em certa época e durante muito tempo os católicos passaram a associar esta celebração ao aniversário de São João, no dia 24 de junho, mais tarde, os festejos incluíram os dias de Santo Antônio (dia 13) e São Pedro (dia 29).
Ao longo dos anos, cada região do Brasil comemora de um jeito diferente. O que importa é o ingrediente principal: a alegria.
Hoje, as festas juninas são entendidas como uma oportunidade para juntar os amigos e a família e se divertir. E de experimentar maravilhas gastronômicas típicas desta data. Uma delas é o Aluá, bebida exótica de origem indígena, que encanta os paladares mais requintados.

Segundo o folclorista Luís da Câmara Cascudo, esse nome pode ser uma corruptela de “ao luar”, porque os escravos preparavam esse refresco à noite, ou que viria de uma comida árabe parecida com o manjar branco, chamada heluon - Doce bastante apreciado no Oriente, composto de farinha de arroz, manteiga e jogra, que é o açúcar retirado.
O aluá foi a coca-cola do Primeiro Império brasileiro. Por ser uma bebida muito refrescante, virou mania tomar aluá na Corte de Dom Pedro I. Mas essa bebida chegou primeiro na Amazônia, Ceará, Pernambuco, Paraíba e no Rio Grande do Norte. Era uma bebida portuguesa, mas que sofreu alterações por aqui. E era adoçada com rapadura.
Até mesmo na capital do Império, o aluá teve sua vez. Câmara Cascudo informa que em 1881, França Júnior, cronista do séc. XIX, evoca a popularidade do aluá durante o reinado de Pedro I na capital do Império: "No primeiro reinado o refresco em voga foi o aluá. O pote de aluá saía para o meio da rua, e o povo refrescava se ao ar livre, a vintém por cachaça". Uma senhora, amiga, relembrou da sua infância no interior do Ceará, quando o aluá era feito em todas as casas onde haviam festejos juninos. "Não se fazia quadrilha sem ter aluá em casa para servir ao povo todo".
O Aluá feito em Portugal era uma bebida adicionada de bagaceira, que é a cachaça feita de uva e que muita gente conhece também como grapa. Só que os índios da Amazônia também faziam um suco parecido, com abacaxi e com teor alcoólico bem mais baixo, porque eles usavam o abacaxi fermentado, que gerava uma pequena graduação alcoólica de 3%, metade da de uma cerveja Pilsen.
Então o aluá brasileiro misturou o culto religioso dos africanos, a colonização portuguesa e a culinária indígena. Daí, temos uma bebida genuinamente brasileira ou, no mínimo, a mais tradicional feita por aqui.
Hoje em dia você não encontra aluá em todas as esquinas, mas nos festejos juninos ela é uma bebida tradicional. Na Umbanda e no candomblé, o aluá é oferecido a Yemanjá.
Casa de Mãe Betinha
Na casa de Mãe Betinha de Iemanjá Sabá (essa foto antiga é de lá), era tradicional servir aluá (lá chamados garaxó, de abacaxi ou milho). Eram jarras enormes, servidas nas festas para Ibeji, quando os erês se fartavam (e nós, mais crescidos um pouco, também). Nunca ouvi falar de outro terreiro em Pernambuco, com esta tradição que só ouvi falar de terem existido em casas muito antigas da Bahia.
Em Minas Gerais, ele ainda é servido nos rituais de fé da Igreja Católica, geralmente nas irmandades e não pode ser vendido. No Nordeste, o aluá é bebido em algumas cidades do sertão, nas novenas, nas festas das padroeiras.

 Aluá

Casca de 2 abacaxis bem maduros e lavados 
2 litros de água filtrada 
1 xícara de açúcar mascavo 
6 cravos-da-índia 
1 colher (chá) de gengibre ralado. 

Modo de Preparo: Ponha as cascas de abacaxi em uma tigela grande e cubra com água. Cubra a panela com pano limpo e deixe descansar até o dia seguinte. Junte os demais ingredientes e deixe descansar por mais um dia. Coe a bebida para uma jarra e deixe na geladeira até o momento de servir, de preferência, num dia de muito calor.

 Aluá 2
Jarra de barro
Água
1 kg de milho seco
1 kg de açúcar mascavo
Cravo
Gengibre
Erva doce 

Modo de preparo: Torre o milho no forno por 20 minutos. Em seguida, moa os grãos, despeje-os em uma jarra de barro com água e acrescente o açucar. Deixe a mistura descansar por 24 horas. Depois acrescente o cravo, o gengibre e a erva doce, também batidos, e deixe por mais um dia. Coloque gelo e a bebida está pronta para ser servida.

 Aluá 3

450 gr de milho verde
2 litro(s) de água
500 gr de rapadura
3 unidade(s) de limão
200 gr de casca de abacaxi  

Modo de Preparo: Escolha, lave e leve o milho ao sol, para secar. Bote uma caçarola, sem gordura nenhuma, ao fogo, coloque o milho e mexa para tostar todo por igual e depois retire do fogo e deixe esfriar. Ponha a água numa jarra com o milho já frio. Tampe bem a jarra e deixe em Infusão durante oito a dez dias, todos os dias dê uma mexida e, logo em seguida, tampe a jarra. No dia de servir, raspe ou corte em pedaços pequenos as rapaduras e coloque tudo dentro da jarra, já com a água e o milho. Mexa bem até dissolver as rapaduras e as cascas de abacaxi. Coe num coador de pano. Coloque o suco dos limões. Caso prefira mais doce, pode botar mais açúcar, de acordo com o gosto da pessoa. 0 aluá também pode ser feito com açúcar comum.