quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Aula básica sobre Champagne – para não errar no Réveillon

"Ano Velho,
Nunca mais veremos.
Ano novo,
Logo receberemos.
[...]
Vê, vê o que nos
fez o bondoso Deus."
Virgília Peixoto

Os trechos desta canção são conhecidos por algumas pessoas. Mas é nesta época do ano que eles mais se propagam, quando as sociedades se reúnem para celebrar o Ano Novo - simbolicamente representado por uma criança recém-nascida – e se despedir do Ano Velho – representado por um velho.


Eu poderia ficar horas escrevendo sobre as riquezas das manifestações culturais referentes à passagem do Ano Novo. Porque elas variam de uma cultura para outra – porém, é uma comemoração universal.
É evidente que o tempo é o grande homenageado nesta ocasião. O velho deus CHRONOS surge para mostrar todo o seu poder de transformar as vidas. Isso me deixa feliz!
Fico feliz, mesmo, sempre que encontro uma raiz das religiões antigas para fundamentar (ou simplesmente para ilustrar alegoricamente – assim deve escrever os mais cultos e mais práticos) celebrações da atualidade. Eu, particularmente, acredito em muita coisa e, por isso, vejo mais simbolismo nesta época ligada ao deus grego Chronos (Saturno, para os romanos) onde podemos nos referir às imagens do tempo, derivadas dos Orientais, tão freqüentes, no Baixo Império Romano.

Estátua de Chronos
Chronos em algumas representações aparece com quatro asas, duas estendidas como se estivessem a voar e duas presas como se permanecessem quietas, aludindo, assim, ao dualismo do tempo como transcurso e como êxtase. Também se lhe atribuem quatro olhos, dois na frente e dois atrás, símbolo de simultaneidade e do presente entre o passado e o futuro, sentido que possuem também os rostos de Jano.
Mais característico é o CHRONOS mitraico, deificação do tempo infinito, que deriva do Zurvan Akarana dos persas. Sua figura é humana e rígida, às vezes bisómata (cabeça de leão). 
Zurvan
Quando tem cabeça humana, a testa de leão aparece situada sobre o peito. O corpo da efígie aparece envolto nas cinco voltas de uma enorme serpente (de novo o sentimento dual do tempo: o transcurso enroscado à eternidade), que, segundo Macróbio, representa o curso do Deus na elíptica do tempo. 


O leão, em geral, é associado aos cultos solares e o emblema do tempo enquanto representa sua destruição e a devoração (CIRLOT, 1971). Fonte: Cirlot, Juan Eduardo (1971) [1962]. A Dictionary of Symbols. translated by Jack Sage, forward by Herbert Read (2nd ed.). New York: Philosophical Library.
Depois de todo este simbolismo, não é difícil de compreender porque os rituais do Ano Novo se revestem, na época atual, de um período cheio magia e encanto para celebrar a chegada de um tempo novo.
Magia e ritual sempre estiveram presentes na história da humanidade e envolvem aspectos culturais que vão desde a mesa, com suas comidas especiais, às vestimentas, à casa, ao espírito de paz e alegria, à situação financeira, etc.


O réveillon é um destes períodos onde o tempo tem fundamental importância. É uma noite das mais esperadas em todo mundo (mesmo para aqueles que comemoram numa época diferente). É um período em que todas as pessoas parecem renovar suas esperanças e desejar coisas boas. Geralmente é uma noite de alegria onde as pessoas fazem festa e os excessos são permitidos, principalmente quando se trata de comida e bebida. É tempo de estar ao lado das pessoas que mais se tem afinidade para curtir e celebrar o tempo passado e o futuro da vida.
O Réveillon é o tipo de festividade que reúne todo o lado bacana da gastronomia. Talvez porque as pessoas querem apresentar as melhores idéias, os melhores pratos, as melhores bebidas – e ainda fazem simpatias e as comidinhas tradicionais para atrair sorte, saúde, amor, dinheiro, etc.


Um elemento em particular não pode faltar nesta celebração: o Champagne. Ele é o rei da festa, envolve as pessoas em suas borbulhas, anima os mais tímidos, aguça os paladares e derruba os menos preparados. Sem o Champagne, réveillon não tem a mesma graça. O champanhe é utilizado em todo o mundo como uma maneira de comemoração, ele simboliza harmonia, elegância e alegria em nossas vidas.
Só pode ser chamado de Champagne o espumante produzido na região de Champagne na França. É uma denominação de origem protegida, uma artimanha criada pelos franceses para proteger a origem e a qualidade desta bebida, por isso o preço às vezes exorbitante. Porém, no Brasil, pra quem não quer gastar muito, existem ótimas opções de espumantes.
 Um bom champanhe ou um vinho espumante é caracterizado por umas fiadas consistentes de correntes de bolinhas ascendendo do fundo do copo até ao topo. Este gênero de vinho - ao contrário do que se julga - não deve ser colocado na geladeira para ser arrefecido; deve sim ser colocado, antes de ser bebido, cerca de 20 minutos num balde de gelo até metade da garrafa.  



Um Champagne vintage – denominado millésime na garrafa – significa que as uvas são de uma colheita de um ano específico. Um vinho que não seja vintage – NV no rótulo – significa que é uma mistura de vários anos, normalmente mais barato que o vintage.


Todo o Champagne é espumante, mas nem tecnicamente nem todo o vinho espumante é champanhe; só se este for oriundo da região do norte de França, e adicionalmente mencionar método Champenoise, ou seja, méthode tradicionnelle (fermentação dentro da própria garrafa). Tudo o resto não importa o quanto delicioso ou caro possa ser, é simplesmente espumante.
Um Champagne bruto é seco e combina com hors d’oeuvres e comidas muito condimentadas (Hors d’Oeuvres é um termo francês para aqueles aperitivos servidos antes das refeições. Por exemplo, os salgadinhos servidos num coquetel são hors d’oeuvres). Com os hors d’oeuvres e as entradas podem experimentar um vinho espumante Murganheira Millesimé bruto ou um Champagne bruto Nicolas Feuillatte. 


Com a sobremesa considerem um Piper- Heidsieck Red Label extra-seco, ou um Champagne Néctar Imperial Moet Chandon.



Champagne rotulado de extra-seco é um Champagne mais doce que o bruto e funciona muito bem como aperitivo, ou a acompanhar sobremesas. Um semi-seco é um ótimo a acompanhar uma sobremesa.

Guardando
Muito Champagne pode ser conservado por períodos de 3 a 4 anos, mas pode deteriorar-se se for conservado por mais tempo. O Champagne vintage (datado com o ano no rótulo) poderá conservar-se por mais tempo, mas não deve exceder os 10 anos.
Logo que uma garrafa de Champagne seja aberta, necessita que lhe coloquem uma rolha especial de metal. Contudo, existe um truque que mantém as bolhinhas do Champagne vivas; colocar uma colher de prata no gargalo com o cabo introduzido na garrafa, manterá o Champagne vivo na geladeira, durante cerca de um dia ou dois.

Estiloso – morangos com champagne
Se pretendem rodear-se de alguns morangos, o champanhe rose Dom Pérignon Rosé de 1995 ou 1998 - uma séria demonstração do estilo e delicadeza desta marca - é o ideal, para não dizer o melhor e o mais exclusivo.


Futilidade - Champagne das estrelas
Uma das marcas mais exclusivas e procuradas no momento é a marca de champagne Cristal Louis Roederer; um vintage com uma qualidade aliada à edição limitada das garrafas disponíveis no mercado. Se desejar celebrar com esta champagne prepare o bolso (risos).


E para deixar sua comemoração com champagne mais saborosa, aprenda a fazer coktails deliciosos.

O cocktail clássico de champagne é uma das bebidas mais apreciadas na festa de fim de ano e vai tornar o seu réveillon ainda mais inesquecível. Surpreenda os seus convidados com uma bebida exclusiva, que irá certamente marcar a festa.

3 gotas de sumo de limão
1 cubo de açúcar
30 ml de conhaque
12 cl de champanhe gelado

Modo de preparação
O cocktail clássico de champagne é uma bebida de fácil preparação. É preciso espremer três gotas de limão para um cubo de açúcar e colocá-lo num copo de champagne. Depois, basta adicionar o conhaque e o espumante bem gelado e servir nesse mesmo momento. Se pretender, pode colocar raspas de limão ou de laranja a enfeitar o copo. Trata-se de um cocktail simplesmente delicioso!

O cocktail italiano Sgroppino é uma bebida alcoólica muito refrescante que poderá fazer um enorme sucesso no seu réveillon. Trata-se de um cocktail com sabores únicos e demora menos de 5 minutos a ser preparado.

2 colheres de sopa de vodka
1/3 de xícara de sorbet de limão
1/4 de colher de chá de folhas de menta picadas
Champagne ou vinho Prosecco gelado

Modo de preparação
Coloque o champagne ou o vinho Prosecco e a vodka num copo de champagne. Em seguida, coloque o sorvete de limão e, por último, adicione as folhas de menta picadas. Sirva este cocktail bem fresco e surpreenda o palato dos seus familiares e amigos mais próximos.

O cocktail de champanhe e framboesa com sumo de pêra é uma bebida muito leve e doce que deverá constar em qualquer festa ao longo do ano, especialmente no réveillon. Trata-se de uma bebida que também pode utilizar vinho em vez do tradicional champagne.

2 colheres de framboesas
1/2 chávena de sumo de pera
Champagne ou vinho gelado
Ramos pequenos de alecrim fresco

Modo de preparação
Para incorporar a fruta nos cocktails é necessário saber combinar todos os ingredientes. Assim sendo, deverá colocar as framboesas numa tigela pequena e adicionar duas colheres de sopa de água quente. Mantenha as framboesas na água quente durante um período máximo de 15 minutos, depois retire-as e leve-as a geladeira durante aproximadamente duas horas. Quando chegar o momento de servir o cocktail, deve colocar o sumo de pera no copo de champagne e adicionar lentamente o vinho ou o espumante. Depois, enfeite com os ramos de alecrim e com as framboesas que estavam no frigorífico.

O cocktail de champanhe de sorvete de framboesa é uma bebida fantástica que pode ser utilizada em qualquer festa ou comemoração especial. O sorvete tem um sabor doce que, ao ser misturado com o champagne, resulta numa bebida excepcional.

1 colher de chá de sorvete (framboesa ou maracujá)
Champagne ou vinho Prosecco gelado

Modo de preparação
Para preparar o cocktail de champagne de sorvete de framboesa é preciso colocar o sorvete numa taça de champagne ou num copo alto e enchê-lo com espumante ou vinho Prosecco gelado. Em seguida, deve agitar o cocktail com consistência e servi-lo de imediato.


O ponche de champagne e romã é uma bebida excelente para ir bebendo ao longo da noite de réveillon. No entanto, deve bebê-la com moderação, uma vez que se trata de uma bebida alcoólica.

1/2 xícara de água
1/2 xícara de açúcar
2 garrafas de 750 ml de champagne bruto
1 1/2 xícara de rum
1 1/4 de sumo de romã
Um limão fatiado
Sementes de romã
Folhas de menta fresca
Gelo

Modo de preparação
Em primeiro lugar, dissolva o açúcar na água e ferva-o em fogo brando dentro de uma panela pequena. Depois, aguarde que o preparado arrefeça e coloque-o com o champagne, o rum e o sumo de romã numa tigela grande. Adicione as rodelas de limão, sementes de romã e as folhas de menta e o gelo e sirva bem fresco aos seus convidados.


Depois destas deliciosas opções para servir Champagne na sua festa, não posso deixar de fazer um brinde a todos vocês por prestigiarem este blog por mais um ano. Desejo a todos vocês um 2012 repleto de felicidade, saúde, realizações, amor e, acima de tudo, que no ano vindouro muitas delícias gastronômicas venham surpreender seu  paladar. Feliz Ano Novo!

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

A compota do prazer e uma dieta diferente

Olá amigos (as) confrades, como se foram de Natal? Espero que bem...
Hoje eu estava pensando no que escrever aqui – e confesso que não me vinha outra coisa à mente que não fosse “dietas”.



Depois das farras gastronômicas natalinas, de tanto eu ouvir por aí o povo dizendo que tem que fazer dieta para compensar os excessos de gula no Natal, eu queria escrever sobre este assunto, mas de uma forma diferente. Eu queria mostrar uma dieta mais  fácil, que fosse interessante para ser feita e que não tivesse reclamações. Mas vi que isso era querer demais (risos)... daí o  jeito foi ser do contra mesmo, postar um doce, pra acabar de evz com a festa desse povo que só pensa em magreza.
Pra isso fiz melhor: fui pesquisar alguma destas simpatias pro Ano Novo e acabei descobrindo uma receita deliciosa chamada Compota do Prazer (retirada de um site bacana, que traz um montão de dicas legais para a entrada do ano novo (http://www.gilsonchveidoen.com.br/mantra2012. html#Algumas).


De acordo com o site acima citado esta receita da Compota do Prazer é muito antiga e, provavelmente, já é feita há mais de 6000 anos. Evidentemente, seus ingredientes foram adaptados a época em que vivemos de forma que a receita atual refletisse com bastante precisão os conteúdos de experiências que o seu saborear promove nas 9 Salas do Inconsciente Humano. Foram usados como referência relatos, a este respeito, descritos em pergaminhos muito antigos, descobertos no século XX por pesquisas arqueológicas realizadas no Oriente Médio.
Quem acredita nos poderes místicos da compota deve experimentar umas colheradas dela logo nas primeiras horas do ano novo – e que não acredita, bom, estes podem se esbaldar porque ela é uma delícia.
E só pra não ficar com a consciência pesada, por não falar de dietas (risos) segue abaixo um texto sobre uma dieta que eu recomendaria pra todo mundo.


UMA DIETA DIFERENTE - Autora: Cristina Fogaça, Gerontologa

O fim do ano está aí e sempre prometemos começar uma dieta no ano que vem. Que tal essa dieta? A DIETA DOS RELACIONAMENTOS
Você deve pensar: essa emagrece? Certamente mais que emagrecer, as pessoas estejam precisando fazer dieta dos relacionamentos. O que é isso? Como se faz? Vou tentar explicar, pois uma coisa é certa, você perde peso do que você carrega na vida. E não há emagrecimento melhor. Do que adianta você emagrecer, ficar bonito diante do espelho, mas no seu interior se sentir pesado?
Sabemos que quando o corpo acumula peso além do normal, é conseqüência do acúmulo de coisas variadas (açúcares, gorduras, etc) que precisam ser eliminadas, pois fazem mal a saúde. Então, logo pensamos em fazer dietas para emagrecer. Sofremos o que for preciso para perder alguns quilinhos.
As pessoas falam de tantas dietas: da lua, da sopa, jejum, do líquido, da USP e assim por diante. Mas também podemos pensar na dieta dos relacionamentos.

A dieta dos relacionamentos está relacionada às impurezas (sentimentos negativos, ódio, vingança, mágoa, inveja, egoísmos, etc), aos conflitos internos e das relações, do respeito às diversidades, da escalas de valores, o ego como produtor de impurezas em nossa vida. Certamente você deve ter alguém que um dia lhe deixou uma mágoa e que você gostaria de conversar e até hoje está engasgado e sempre ela vem no seu pensamento, incomoda, e você não teve a iniciativa de procurá-la. Não sabe o porquê do acontecimento, ou talvez saiba, mas por orgulho, não queira ir atrás.
Pare para pensar. Nada será resolvido, nada será passado a limpo, mesmo que seja para terminar uma amizade, uma relação, mas um peso ficará entre vocês. Então procure essa pessoa, converse e perca alguns quilos, mesmo que termine por aí.
Acho que todas as páginas de nossa vida devem ser viradas. Se alguma ficar dobrada, essa certamente ficará pesada e fazendo mal para nós mesmo. Não se preocupe com o que o outro irá pensar. Pense que você quer tirar essa impureza de dentro de você. Liberte os sentimentos negativos de dentro de você, saiba perdoar, não guarde ódio, não tenha inveja, não passe por cima das pessoas, não seja egoísta, não pense em somente si próprio, não seja negativo, mal humorado. Esses pesos, além de tudo, trazem doenças para seu organismo.
Como fazer? Esse é um treino que devemos ter paciência, pois levamos anos adquirindo esses pesos e não podemos querer perdê-los rapidamente. Devemos lembrar todo dia, em cada atitude. Assim como colocamos um objetivo de quantos quilos queremos perder, devemos colocar esses objetivos e lembrá-los sempre. Cairemos de vez em quando, mas voltaremos a eles e seguiremos. É treino e paciência. É ter consciência de que não somos os donos do mundo, apenas pensamos ser.
Mas mexer com essas coisas, talvez não seja fácil. Porém, quando conseguimos, a sensação que temos é que perdemos muito mais quilos do que nas dietas para perder peso. Isso só é possível através da abnegação. Abnegação não significa ódio a si mesmo, auto desprezo ou rejeição do ego. É a recusa em deixar que os interesses ou as vantagens pessoais governem o curso da vida de uma pessoa. E nada como o começo do ano, quando prometemos coisas novas em nossas vidas, até mesmo o famoso regime, mas nunca pensamos na dieta dos relacionamentos.
Pense nisso para 2012 em sua vida, ou melhor, para o resto da sua vida. A dieta dos relacionamentos restabelece a energia do amor. Assim como precisamos eliminar as impurezas que afetam o corpo, precisamos também eliminar as impurezas que afetam as nossas relações, Não deixe que os interesses ou vantagens pessoais governem o curso da sua vida. Aprendi com uma pessoa o seguinte: "ninguém pode ver os laços que nos unem, mas todos podem ver as intrigas que nos separam”. O ego é o maior produtor de impurezas da nossa vida. Para se satisfazer ele precisa se alimentar da gordura da realização dos nossos interesses e do açúcar da aparência de quem não somos.
Eu já estou fazendo a minha e sinto-me muito melhor. Que tal, iniciar esta dieta para uma melhor qualidade de vida? Então, comece agora.


Dito isso, já começo desejando dias saborosos para todos vocês em 2012. E para tanto, segue a receitinha da compota do prazer para que você a prepare com a intenção de já começar o ano novo com toda a energia positiva que o prazer de comer pode lhe proporcionar. Que ao se deleitar com esta compota vocês possam dar mais um impulso na direção dos objetivos para a felicidade almejada, dando assim inicio a belos dias de vida cheia de prazeres.


Ingredientes:
300 gramas de ameixas pretas e sem caroço
100 gramas de maçã desidratada
100 gramas de pêra desidratada
100 gramas de passas brancas
100 gramas de cerejas ao marrasquino, inteiras com toda a calda
100 gramas de nozes picadas
100 gramas de castanhas do Pará picadas
100 gramas de amêndoas sem pele picadas
um pouquinho de canela em pau
um pouquinho de cravo
1 rodela de limão
1 cálice de vinho tinto

Modo de Fazer: Faça uma calda colocando numa panela 2 xícaras de chá de açúcar para caramelizar. Então, 1 litro e meio de água fervendo. Misture bem o açúcar caramelizado com a água fervendo e coloque primeiro a maçã e a pêra desidratadas. Depois que estiverem quase cozidas, coloque o restante dos ingredientes começando pela ameixa. No final coloque o vinho. Deixe a Compota apurar por mais ou menos 40 minutos.
Algumas Observações: Se você resolver aumentar a quantidade dos ingredientes aumente, também, proporcionalmente a quantidade de calda. Se depois da Compota ficar pronta você achar que ela ficou com pouca calda, faça em uma outra panela mais uma medida de calda e quando ela estiver bem dissolvida a acrescente a Compota já pronta. E assim estará pronta a sua Compota do Prazer, que posta na geladeira poderá durar de 1 a 2 meses.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Mastiha: a incrível (e quase desconhecida) lágrima grega



A esta altura muitos de vocês já devem estar fazendo os preparativos de compras para a ceia do Natal. Acho tão bom sair para comprar ingredientes para as datas festivas porque sempre me pego observando as reações dos consumidores – e com isso, indiretamente, acabo percebendo alguns costumes á mesa.


Na ceia de Natal, geralmente, as pessoas querem impressionar os convidados, a família. E assim, todo ano as pessoas incluem uma novidade nos pratos que preparam. Basta ir ao supermercado para comprovar esta minha tese: lá, as pessoas ficam procurando ingredientes diversos, sofisticados, e a gôndola e as prateleiras das ervas e especiarias estão entre os lugares mais disputados – sendo seguidos pela prateleira dos panetones, pela gôndola das aves e carnes com corte de festa (tender, pernil, lombo, etc), pelas prateleiras de vinhos e pelas tendas que trazem todo tipo de nozes e frutas secas (vale lembrar que esta informação é uma análise do meu ponto de vista a partir do que vejo quando estou em compras).
Uma vez escutei de uma senhora furiosa que, “as pessoas se preocupavam mais com a ceia de Natal do que com o sentido dele”.  Aquela senhora bem poderia estar com a razão se não fosse pelo fato de que para algumas pessoas a ceia natalina está ligada à última ceia de Cristo ao lado de seus discípulos. E assim, de alguma forma, a ceia não seria de todo uma blasfêmia e talvez tenha alguma ligação religiosa mais profunda – mas não podemos negar que para outras pessoas o importante é a diversão, a comida e a bebida.
Sabe-se que a origem da Ceia de Natal surgiu de um antigo costume europeu de deixar as portas das casas abertas no dia de Natal para receber viajantes e peregrinos, e esses, juntamente com a família hospedeira, confraternizavam aquela data tão significativa para os cristãos. Para essa comemoração era preparada bastante comida, composta por diversos pratos. Essa tradição foi se espalhando pelo mundo e cada região acrescentando uma particularidade local, como, por exemplo, a adição do peru na ceia norte-americana, peculiaridade que logo passou a fazer parte dos costumes de outros países, como no Brasil.
É pensando na “adição de novos ingredientes para surpreender os paladares” que hoje venho falar de um ingrediente luxuoso, trata-se de  um dos produtos mais antigos comercializados pelos gregos e usado na gastronomia desde o Império Romano, que continua fazendo sucesso até hoje: A MASTIHA, resina aromática e de sabor único.

Mastiha
Mastiha (do grego: μαστίχα, significa claro), elemento onipresente na ilha grega de Chios, retirada da árvore skhinos (nome grego dado à árvore),  sendo seu principal produto de exportação – é o que sustenta a população rural e o orgulho dessa terra deslumbrante e aromática.
Chios - Grécia
Pouquíssimo conhecida no Brasil, a Mastiha, uma resina proveniente da espécie Pistacia lentiscus (primo do pistache) existe em todo o Mediterrâneo, mas só “chora” mastiha no solo do sul de Chios. É usada como especiaria e matéria-prima de produtos de beleza desde 189 a.C., época na qual era vendida em grandes quantidades para o Império Romano. Pela localização estratégica da ilha, situada no Mar Egeu bem no meio do caminho entre Grécia e Turquia, a mastiha (lá chamada miski) começou a se espalhar pelo Oriente Médio no século 6 d.C.
Flores da árvore skhinos
Lágrima de mastiha

E o que seria tão luxuoso neste produto? Primeiro, por ter um sabor e aroma peculiar. Segundo, por apresentar diversas propriedades terapêuticas comprovadas por pesquisas em todo o mundo (antibactericida, antioxidante, rica em zinco, age contra a arterioesclerose e disfunções do sistema digestivo, forte ação cicatrizante — é usada como princípio ativo em curativos hospitalares). 


Cada das árvores produz cerca de 150 gramas de resina por ano, somente durante o verão. Quando  é um corte nas árvores a cada quinze dias para não cansá-las. As incisões são precisas na parte inferior do tronco, e as primeiras gotas viscosas escorrerem lentamente (“choram”) até atingirem o chão calçado com cal. Porque a cal ao redor da raiz? Para refletir melhor a luz do sol e acelerar o processo de secagem da resina. Ela demora cerca de 15 dias para ficar no ponto certo de ser processada. Por “processada” entenda-se passar por limpeza para retirada de impurezas do solo e quebrada em pequenos pedaços, que são ensacados, transformados em pó ou mascados como chiclete por conta de sua ação anticéptica (aliás, ela foi a primeira goma de mascar do mundo)— mastiha é um produto natural, comercializado com o  selo PDO (Protected designation of origin) nas mais variadas formas, inclusive em pó para uso culinário. 

Resina de mastiha bruta, no chão com cal
Existe uma loja grega, em Chios, especializada em vender todo tipod e produtos com mastiha (sabonetes, cremes para o rosto, pasta de dentes, protetor solar, xampu, chá, massa de macarrão, petit four, azeite de oliva, chocolate, geleia, pasta de alho, etc.), a Mastihashop. Também disponível na internet (http://www.mastihashop.com), com entregas para todo o mundo, o empreendimento ocupa um imóvel de frente para o mar na avenida mais movimentada do centro da capital, a Aplotaria.
No Brasil, é possível comprar mastiha para uso culinário em algumas unidades da rede Arábia (http://www.arabia.com.br/site/);
A mastiha faz parte da cultura grega e do dia a dia dos moradores de Chios. Mais que isso, é um forte elemento cultural que resistiu ao tempo para provar o  amor dos gregos pelo sabor inconfundível e perfumado da mastiha – um ingrediente com personalidade forte, no melhor estilo grego de ser.

Licor de mastiha
Vale a pena experimentar incluir mastiha nas suas receitas de fim de ano. Eu  bem poderia ter colocado  este poste no  início do mês para que voces providenciassem logo, não é? Peço desculpa por isso, mas insisto, experimente Mastiha, comprem pelo menos  o licor, pela internet. Garanto qu e vão se apaixonar.
Abaixo deixo algumas receitas provenientes da Associação dos Plantadores de Mastiha (http://www.gummastic.gr/index.html ).  Obs.: Receitas de chefs consultores da Associação de Plantadores de Mastiha, de Chios, Grécia.

Submarino de mastiha (drink)

1 colher de chá de pasta de açúcar de Mastiha
gelo picado
1 / 4 xícara de licor Chios Mastiha
2 colheres de sopa de vermute seco

Na Grécia, um "Submarino" é uma colher de pasta de açúcar, aromatizada, branca como mármore, macia e mastigável. Seu nome deriva do fato de que a colher com pasta de açúcar é literalmente submersa em um copo de  água freca. Aqui, a idéia aqui é a mesma, mas em vez de água faremso uma especie de Martino modificado.

Preparo: Coloque 1 colher de chá de pasta de açúcar em um copo de martini cheio de gelo picado. Despeje o licor de Chios Mastiha e vermute numa coqueteleira, agite 4 vezes e despeje na taça de martini. Servir.


 Tabule morno de vegetais com mastiha

4 porções
200 g de trigo bulgur
200 ml de água ou de caldo de galinha
2 xícaras (chá) de água
6 colheres (sopa) de azeite extra virgem
1 colher (sopa) de abobrinha picada em pequenos quadrados 
1 colher (sopa) de cenoura picada em pequenos quadrados 
1 colher (sopa) de pimentão vermelho picado em pequenos quadrados 
1 colher (sopa) de pimentão verde picado em pequenos quadrados 
1 colher (sopa) de pimentão amarelo picado em pequenos quadrados 
1 colher (sopa) de cogumelos picados em pequenos quadrados 
1 colher (sopa) de azeite com infusão de mastiha
3 gotas de óleo essencial de mastiha
1/2 tomate picado em pequenos quadrados
Sal, azeite de oliva e pimenta a gosto

Preparo: Mergulhe o bulgur em água fria por cerca de 2 horas até que a água seja absorvida e o trigo fique suave e macio. Refogue no azeite durante 3 minutos todos os legumes cortados pequenos. Adicione o tomate, a água (ou caldo), e tempere com sal e pimenta. Assim que a água estiver borbulhando, abaixe o fogo e adicione o óleo de mastiha e o trigo; mexa bem. Retire quando o trigo estiver cozido; sirva quente, regado com um pouco de azeite e polvilhado com salsinha picada.

 Salmão em crosta de molho de mastiha

4 porções
1 kg de filés de salmão cortados em fatias grossas
100 g de farelo de pão tostado
150 ml de vinho branco seco
20 grãos de pimenta-rosa
1/3 de xícara (chá) de salsinha picada fresca
1/4 de xícara (chá) de azeite extravirgem
4 colheres (sopa) de pinhão cozido
2 colheres (sopa) de suco de limão
5 cebolas pequenas, brancas e roxas, finamente picadas
Sal e pimenta a gosto
Molho
150 ml de vinho branco seco
50 g de manteiga sem sal
2 colheres (sopa) de suco de limão
1/2 colher (sopa) de farinha de trigo
1 colher (chá) de mastiha finamente moída
2 gemas de ovo levemente batidas
Salsa para decorar

Preparo: Preaqueça o forno em temperatura alta. Tempere as fatias de salmão com sal e pimenta e coloque em uma assadeira. Misture azeite, suco de limão e vinho branco seco. Misture salsinha, cebolinha, pinhões, pão ralado e pimenta. Espalhe a mistura uniformemente sobre cada um dos pedaços de peixe. Asse-os, cobertos por papel-alumínio, até o peixe ficar macio ao toque do garfo. Molho: Em uma panela média, aqueça a manteiga em fogo baixo e, lentamente, adicione a farinha, mexendo para que não se aglutine. Cozinhe a farinha, mexendo sempre, até que ganhe um tom dourado. Lentamente, incorpore o vinho e o suco de limão; misture até que o molho fique cremoso. Retire do fogo e, imediatamente, incorpore os ovos e bata vigorosamente com um fouet.

 Filé-mignon com moscatel e mastiha

4 porções
4 pedaços de filé-mignon de cerca de 250 g cada um
1 copo (200 ml) de vinho Moscatel
4 colheres (sopa) de vinagre de vinho branco
2 colheres (sopa) de açúcar mascavo
1 colher (sopa) de azeite extravirgem
1/2 colher (chá) de mastiha moída na hora
Sal e pimenta a gosto

Preparo: Unte uma frigideira antiaderente com azeite e aqueça em fogo alto. Grelhe os filés por cerca de 3 minutos de cada lado. Tempere a gosto com sal e pimenta, retire do calor e coloque-os em prato aquecido. Na mesma frigideira, coloque o vinagre e o açúcar, reduza o fogo para médio, mexa e deixe cozinhar por 3 minutos. Despeje o vinho. Adicione o pó de mastiha, sal e pimenta; deixe o molho ferver por cerca de 4 minutos para que os sabores se fundam. Retire do fogo; sirva os filés em pratos individuais; coloque o molho sobre eles.

 Mastiha cheesecake

6 a 8 porções
420 g de cream cheese
100 g de açúcar
300 ml de creme de leite batido em chantilly
4 a 6 colheres (sopa) de calda de morango para guarnecer
2 colheres (sopa) de aceto balsâmico
2 cálices de licor de mastiha
2 folhas de gelatina incolor embebidas em água para amolecer
2 colheres (sopa) de iogurte grego
8 folhas de hortelã fresca, picada
3 gemas de ovo
3 claras de ovo
Morangos frescos para decorar

Preparo: Em banho-maria, com um fouet, bata as gemas, o açúcar e o licor de mastiha até a mistura ficar cremosa e pálida. Derreta a gelatina em um pouco de água quente e coloque-a na mistura do ovo. Adicione o cream cheese, o iogurte e as folhas de hortelã. Em outra vasilha, bata as claras até obter picos firmes e incorpore-as delicadamente na mistura de ovo. Despeje em formas individuais e refrigere por pelo menos 4 horas. Para servir, vire em um prato e decore com alguns morangos, calda de morango e vinagre balsâmico.

 Chocolate parfait com mastiha

6 porções

500 g de chocolate amargo, corte em pedaços pequenos
200 g de açúcar
500 ml de creme de leite
100 ml de água
2 colheres (sopa) de suco de limão
1/2 colher (chá) de mastiha moída
10 gemas de ovo

Preparo: Coloque açúcar, água, suco de limão e mastiha em pó em uma panela e, mexendo sempre, aqueça em fogo médio até que vire uma calda. Bata as gemas em uma batedeira até que fiquem amarelas e cremosas. Derreta o chocolate em banho-maria. Em um gotejamento lento, constante, bata o tempo todo e adicione a calda quente de gemas de ovo batido. Lentamente adicione o chocolate derretido e bata vigorosamente por mais 10 minutos em fogo baixo. Despeje o creme de leite e mexa levemente para combinar. Deixe a mistura esfriar à temperatura ambiente e coloque no congelador em um recipiente de metal ou de plástico; congele durante a noite e sirva.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

A Ávore de Yule: origens da ávore de Natal e os pinheirinhos trufados




Quisera Senhor, neste Natal armar uma árvore dentro do meu coração e nela pendurar, em vez de presentes os nomes de todos os meus amigos. Os antigos e os mais recentes. Aqueles que vejo a cada dia e os que raramente encontro. Os sempre lembrados e os que às vezes ficam esquecidos. Os constantes e os intermitentes. Os das horas difíceis e os das horas alegres. Os que sem querer eu magoei, ou sem querer me magoaram. Aqueles a quem conheço profundamente e aqueles a quem conheço apenas as aparências. Os que pouco me devem e aqueles a quem muito devo. Meus amigos humildes e meus amigos importantes. Os nomes de todos que já passaram por minha vida. Uma árvore de raiz muito profunda para que seus nomes nunca mais sejam arrancados do meu coração. De ramos muito extensos, para que novos nomes vindos de todas as partes venham juntar-se aos existentes. De sombras muito agradáveis para que nossa amizade seja um aumento de repouso nas lutas da vida.


É com este texto de autor desconhecido que abro o post de hoje para falar de uma das minhas paixões de Natal: Á arvore. Antes, preciso me desengasgar com uma coisa que está presa na minha garganta, e que pode ser motivo para alguém pensar que eu não entendo o significado verdadeiro do Natal, por estar dedicando  um escrito às árvores de natalinas....
Eu sei perfeitamente que o real sentido do Natal é a Natividade de Cristo e todo o seu contexto expressivo para as religiões cristãs. Sei também que, atualmente, a maioria das pessoas está voltada para o consumismo do que para o sentido real da comemoração (Não que eu seja a favor disso – o que eu não posso é sair por aí julgando ninguém pelo que faz ou acredita, ou pelo que deixa de fazer ou acreditar).
Normalmente quando alguém vai falar do Natal eu sempre vejo uma ponta de ressentimento e julgamento nas falas, escondidas lá no fundo, geralmente encobertas com palavras maquiadas para as pessoas não se ofenderem logo de cara, mas elas estão lá, acusando, julgando, ditando o que se deve fazer na época do Natal. Acho interessantes as falas dos religiosos nos sermões de dezembro... Por um lado eles realmente estão certos quanto ao fato da sociedade não estar tão voltada para o sentido original do Natal. Mas condenar a sociedade também não ajuda. E simplesmente, orientar a população, somente na época próxima ao natal, muito menos.



Ainda posso falar de como os hábitos culturais se envolvem neste contexto natalino capitalista, mas eu iria me desviar do meu foco – que é somente para registrar minha indignação com toda e qualquer pessoa que, na época do Natal se preocupam mais em reparar o que os outros não fazem, quando na realidade deveriam pregar o sentido do Natal e o estender até as outras épocas do ano. Eu penso na natividade, mas não posso fugir do capitalismo, nem a Igreja pode. E, acima disso tudo eu ME NEGO a ir contra a herança cultural.
Justamente por isso eu falo hoje sobre a árvore de Natal. Por vários motivos: por ela representar esperança; por ela ser um dos símbolos natalinos; por ela ser um elemento cultural de uma crença mais antiga que a minha e que foi adotado pela Igreja com símbolo unificador de crenças, etc.
De acordo com Mircea Eliade(2) as imagens das árvores em diversas culturas, além de serem escolhidas para simbolizar o Cosmos, também serviam para expressar a vida, a juventude, a imortalidade, a sapiência. Para o autor, a existência do homo religiosus é aberta para o mundo: o homem religioso nunca está só, pois vive nele uma parte do Mundo. Jacques Brosse recorda-nos (3) que para o selvagem - o habitante da floresta, da selva -, tal como para o sábio, a árvore é verdadeiramente a primeira das criaturas terrestres e o ser vivo que une a terra e o céu, indicando o caminho dos deuses. Na Índia védica, conta a lenda que Varuna, deus do céu noturno e das águas, obtinha soma, ou amrta, o elixir da imortalidade, espremendo o fruto da árvore da vida entre duas pedras (4).
Assim podemos perceber que há inúmeros relatos de árvores sagradas em muitas culturas: Yggdrasill era o freixo gigante da mitologia nórdica, o mensageiro de Ygg, um dos nomes de Odin, o pai dos deuses; enquanto que em Creta o freixo era consagrado a Poseidon, o cipreste a Hades e o carvalho a Zeus; o carvalho de Dodona, interpretado pelas Plêiades, constituía o oráculo mais poderoso da região (5) e sob a sua casca viviam as dríades, uma das categorias de ninfas.


Oráculo de Zeus - O Carvalho de Dodona
A tradição cristã da árvore de Natal tem suas origens nas celebrações pagãs de Yule. Mas os pinheiros usando como decoração já eram encontrados nas culturas grega e romana durante as celebrações de inverno.
Também conhecido como Natal, Ritual de Inverno, Meio do Inverno, Yule e Alban Arthan, o Sabbat do Solstício do Inverno é a noite mais longa do ano, marcando a época em que os dias começam a crescer, e as horas de escuridão a diminuir. é o festival do renascimento do sol e o tempo de glorificar o Deus. (O aspecto do Deus invocado nesse Sabbat por certas tradições wiccanas é Frey, o deus escandinavo da fertilidade, deidade associada à paz e à prosperidade.) São também celebrados o amor, a união da família e as realizações do ano que passou. Nesse Sabbat os Bruxos dão adeus à Grande Mãe e bendizem o Deus renascido que governa a "metade escura do ano". Nos tempos antigos, o Solstício do Inverno correspondia à Saturnália romana (17 a 24 de dezembro), a ritos de fertilidade pagãos e a vários ritos de adoração ao sol.

O QUE È O YULE
Yule é uma celebração do Norte da Europa que existe deste dos tempos pré-Cristãos. Os pagãos Germânicos celebravam o Yule desde os finais de Dezembro até aos primeiros dias de Janeiro, abrangendo o Solstício de Inverno. Foi a primeira festa sazonal comemorada pelas tribos neolíticas do norte da Europa, e é até hoje considerado o inicio da roda do ano por muitas tradições Pagãs. Atualmente é um dos oito feriados solares ou Sabbats do Neopaganismo. No Neopaganismo moderno, o Yule é celebrado no Solstício de Inverno, por volta de dia 21 de Dezembro no hemisfério Norte e por volta do dia 21 de Junho no hemisfério Sul. Os costumes modernos que estão associados ao dia cristão do Natal, como a decoração da árvore, o ato de pendurar o visco e o azevinho, queimar a acha de Natal, são belos costumes pagãos que datam da era pré-cristã. (O Natal, que acontece alguns dias após o Solstício de Inverno e que celebra o nascimento espiritual de Jesus Cristo, é realmente a versão cristianizada da antiga festa pagã da época do Natal.) A queima da acha de Natal originou-se do antigo costume da fogueira de Natal que era acesa para dar vida e poder ao sol, que, pensava-se, renascia no Solstício do Inverno. Tempos mais tarde, o costume da fogueira ao ar livre foi substituído pela queima dentro de casa de uma acha e por longas velas vermelhas gravadas com esculturas de motivos solares e outros símbolos mágicos. Como o carvalho era considerado a árvore Cósmica da Vida pelos antigos druidas, a acha de Natal é tradicionalmente de carvalho. Algumas tradições wiccanas usam a acha de pinheiro para simbolizar os deuses agonizantes Attis, Dionísio ou Woden. Antigamente as cinzas da acha de Natal eram misturadas à ração das vacas, para auxiliar numa reprodução simbólica, e eram espargidas sobre os campos para assegurar uma nova vida e uma Primavera fértil. Pendurar visco sobre a porta é uma das tradições favoritas do Natal, repleta de simbolismo pagão, e outro exemplo de como o Cristianismo moderno adaptou vários dos costumes antigos da Religião Antiga dos pagãos. O visco era considerado extremamente mágico pelos druidas, que o chamavam de "árvore Dourada". Eles acreditavam que ela possuía grandes poderes curadores e concedia aos mortais o acesso ao Submundo. Houve um tempo em que se pensava que a planta viva, que é na verdade um arbusto parasita com folhas coriáceas sempre verdes e frutos brancos revestidos de cera, era a genitália do grande deus Zeus, cuja árvore sagrada é o carvalho. O significado fálico do visco originou-se da idéia de que seus frutos brancos eram gotas do sêmen divino do Deus em contraste com os frutos vermelhos do azevinho, iguais ao sangue menstrual sagrado da Deusa. A essência doadora de vida que o visco sugere fornece uma substância divina simbólica e um sentido de imortalidade para aqueles que o seguram na época do Natal. Nos tempos antigos, as orgias de êxtase sexual acompanhavam freqüentemente os ritos do deus-carvalho; hoje, contudo, o costume de beijar sob o visco é tudo o que restou desse rito. A tradição relativamente moderna de decorar árvores de Natal é costume que se desenvolveu dos bosques de pinheiro associados à Grande Deusa Mãe. As luzes e os enfeites pendurados na árvore como decoração são, na verdade, símbolos do sol, da lua e das estrelas, como aparecem na árvore Cósmica da Vida. Representam também as almas que já partiram e que são lembradas no final do ano. Os presentes sagrados (que evoluíram para os atuais presentes de Natal) eram também pendurados na árvore como oferendas a várias deidades, como Attis e Dionísio. Outro exemplo das raízes pagãs das festas de Natal está na moderna personificação do espírito do Natal, conhecido como Santa Claus (o Papai Noel) que foi, em determinada época, o deus pagão do Natal. Para os escandinavos, ele já foi conhecido como o "Cristo na Roda", um antigo título nórdico para o Deus Sol, que renascia na época do Solstício de Inverno. Colocar bolos nos galhos das macieiras mais velhas do pomar e derramar sidra como uma libação consistiam num antigo costume pagão da época do Natal praticado na Inglaterra e conhecido como "beber à saúde das árvores do pomar". Diz-se que a cidra era um substituto do sangue humano ou animal oferecido nos tempos primitivos como parte de um rito de fertilidade do Solstício do Inverno. Após oferecer um brinde à mais saudável das macieiras e agradecer a ela por produzir frutos, os fazendeiros ordenavam às árvores que continuassem a produzir abundantemente. Os alimentos pagãos tradicionais do Sabbat do Solstício do Inverno são o peru assado, nozes, bolos de fruta, bolos redondos de alcaravia, gemada e vinho quente com especiarias. Incensos: louro, cedro, pinho e alecrim. Cores das velas: dourada, verde, vermelha, branca. Pedras preciosas sagradas: olho-de-gato e rubi. Ervas ritualísticas tradicionais: louro, fruto do loureiro, cardo santo, cedro, camomila, sempre-viva, olíbano, azevinho, junípero, visco, musgo, carvalho, pinhas, alecrim e sálvia.

O ato de cortar as árvores para enfeitá-las é bem antigo. Vejamos o que diz o profeta Jeremias (10:3 e 4): "...porque os costumes dos povos são vaidades, pois cortam do bosque um madeiro, obra das mãos do artífice, com machado. Com prata e com ouro o enfeitam, com pregos e com martelos o firmam para que não se movam...". Quando os pagãos se tornaram cristãos, normalmente sem uma profunda experiência com Cristo, levaram consigo todos os costumes pagãos.
As árvores de Yule eram cortadas e decoradas com imagens do que desejamos receber durante o próximo ano, como amuletos de amor para atrair o amor, nozes para a fertilidade, frutos de uma colheita bem sucedida, ou moedas para garantir riqueza e prosperidade.
Os escandinavos adoravam árvores e sacrifícios eram feitos debaixo das árvores ao deus Thor.

O carvalho, muitas vezes representado pelo roble, ficou sucessivamente associado a Júpiter e na mitologia nórdica a Donar-Thor, o deus dos raios e trovões. É o signo basal da astrologia celta, onde o nome druida, semelhante ao termo grego para carvalho sagrado, drus, significa sabedoria da árvore. Há autores que referem (6) que a palavra filósofo pode ser considerada uma tradução grega do celta dru-uids, literalmente: vidente, muito sábio; em irlandês o termo é drui, do genitivo drúad, sendo que aquele a quem se crê sábio ama a ciência e a confunde com a sabedoria; os druidas atuavam como juízes ou árbitros em todas as disputas (7).

A Enciclopédia Barsa descreve que a árvore de Natal tem origem germânica, datando do tempo de São Bonifácio (século VIII d.C.). Mesma época onde os pagãos germânicos faziam sacrifícios ao carvalho sagrado dedicado a Odin e ao seu filho Thor.


São Bonifácio
A lenda conta que São Bonifácio estava tentando converter um grupo de druidas. Ele tentou tudo o que ele poderia pensar em convencer os druidas que a árvore de carvalho não era sagrada ou invencível. Ele finalmente tentou uma última medida desesperada... Ele cortou o carvalho. Dizem que com a derrubada da árvore toda sãs outras que estavam no seu  caminho caíram salvando-se apenas um pinheiro pequenino. São Bonifácio declarou que havia ocorrido ali um milagre e que o pinheiro passaria a ser  sagrado para o Cristo-criança. E assim os pinheiros passaram a ser levados para as casas cristas e eram decorados.
Fugindo um pouco da lenda e seguindo para a realidade, a história real diz o seguinte:

Um acontecimento-chave da sua vida ocorreu em 723, quando derrubou o carvalho sagrado dedicado ao deus Thor, perto da moderna cidade de Fritzlar, no Norte do Hesse, e construiu uma pequena capela a partir da sua madeira, no local onde hoje se ergue a catedral de Fritzlar, e onde se viria a estabelcer a primeira sede de bispado na Alemanha a norte do antigo limes romano, junto do povoado fortificado franco de Büraburg, numa montanha próxima da cidade, junto do rio Éder. Este acontecimento é considerado como o início formal da cristianização da Germânia.

De toda forma, a partir do ocorrido famílias pagãs e cristãs passaram a levar para casa  os pinheiros naturais para que os espíritos de madeira tivessem um lugar para se aquecer durante os meses frios do inverno. Sinos foram pendurados nos ramos para poder avisar quando um  estivesse presente. Alimentos e guloseimas foram pendurados nos galhos para os espíritos para comer e uma estrela de cinco pontas, o pentagrama, símbolo dos cinco elementos, foi colocado no topo da árvore. As cores da temporada, vermelho e verde, também são de origem pagã, como é o costume de trocar presentes.


A Fada do Natal
Outra razão que as árvores foram pela primeira vez decorada com frutas e flores artificiais eram trazer o retorno da primavera e a fertilidade, calor e luz, e para restaurar e manter o equilíbrio entre a escuridão e a luz, frio e calor, e da morte e do renascimento.
Outra lenda, ainda conta que, quando Jesus nasceu as árvores floresceram; daí que se dê destaque aos pinheiros, árvores que estão verdejantes todo o ano mas que não possuem flores. As estrelas vendo a tristeza do pinheiro por não ter flores para agraciar o Cristo, resolveram descer e enfeitar seus ramos, tornando-se a arvora mais bela de todas. E simbolizando na perfeição a uma vida nova cheia de esperança.
A quem diga que foi Martinho Lutero, no século XVI, o primeiro a adornar uma árvore com luzes no dia de Natal, como símbolo do nascimento da Luz do mundo (Jesus). Este ato depressa se difundiu, conquistando inúmeros adeptos. A verdade é que neste século já era costume na Alemanha enfeitar-se uma árvore com luzes, doces, frutos e papéis nesta altura do ano para comemorar o Yule.
A adoção do pinheiro como árvore símbolo do Natal por parte da religião cristã foi realizada também a partir de simbolismo: passou a ser um abeto ( árvores coníferas da família Pinaceae), tinha uma forma triangular que aludia à Santíssima Trindade. Assim se desvaneceu a simbologia pagã da árvore. Com a cristianização, as velas passaram a simbolizar o Menino Jesus e faziam-se figuras em papel aludindo às restantes personagens do presépio.



Atualmente é mais  comum encontrarmos uma árvore de Natal enfeitando a sala de uma casa cristã, do que achar uma imagem que represente a Natividade. Podemos culpar as pessoas por isso? Afinal, o arvore de Natal não é um simbolismo ao nascimento do Cristo? Deixo essa pergunta pra vocês responderem no seu consciente, tendo minha consciência tranqüila de que minhas crenças são mais fortes do que o capitalismo e mais fortes do que os próprios comandantes das igrejas. E chega a ser tão forte, que até na mesa ela se fará presente este ano: que tal comer um pinheirinho trufado?

Pinheirinhos trufados

base para os pinheiros:
Casquinha para sorvete
300 g de chocolate branco fracionado
Trufa de Natal:
1 pão-de-ló pequeno esfarelado
150 ml de leite fervido e morno
300 g de chocolate branco derretido
1 colher (sopa) de pasta de amêndoa concentrada
100 g de amêndoas moídas
100 g de damascos cozidos e picadinhos
3 colheres (sopa) de rum
2 colheres (sopa) de glucose
 Decoração:
Chantilly batido ou glacê real industrializado batido
Corante em gel verde folha
Corante em pó dourado
Álcool de cereais
Pó brilhante comestível pérola
Bolinhas de cereais de chocolate
Base de papelão dourada
Bico folha número 75 e 72
Modo de preparo
Base para os pinheirinhos: Derreta o chocolate e banhe as casquinhas retirando o excesso de chocolate. Coloque sobre um papel manteiga para secar e reserve. Trufa de Natal: Misture o leite morno com o chocolate derretido, mexa com a colher, junte a pasta de amêndoa, as amêndoas moídas, os damascos picadinhos, o rum, a glucose e mexa bem até ficar homogêneo, por último junte o pão de ló esfarelado mexendo com a colher. Coloque a mistura em um saco de confeitar descartável e reserve. Montagem: Preencha cada casquinha de sorvete já banhada no chocolate e seca com a trufa até a borda. Fechar a borda com chocolate derretido e coloque sobre um papel manteiga para secar. Decoração: Cole com chocolate derretido o pinheirinho já recheado na plaquinha de chocolate. Tingir o chocolate ou o glacê real com o corante verde folha até a tonalidade desejada. Coloque em um saco de confeitar com bico folha nº 75 e preencha o pinheirinho com glacê ou chantilly. Passe o pó dourado diluído em álcool de cereais nas bolinhas de cereais e coloque alternadamente no pinheirinho (como bolas de natal ). Coloque a estrela em cima e jogue pó brilhante perolado em cima. Rendimento: 10 pinheirinhos em casca de sorvete.

OBS.: você pode fazer pinheiros mais simples, utilizando canudinhos (aqueles cones de massa frita ou assada) recheados com a trufa e banhados em chocolate ao leite para ser decorados com drageados – como na foto abaixo.   Isso é simples, e tão gostosos quanto o outro

Referência Bibliográfica:

(1) Jardinar com Francis Bacon in Jardins do Mundo – Discursos e Práticas (coord: José Eduardo Franco e Ana Cristina da Costa Gomes). Gradiva, Lisboa, 2008, pag 163-168.

(2) Mircea Eliade (1957). O Sagrado e o Profano – a essência das religiões. Martins Fontes, São Paulo, 2001

(3) Jacques Brosse, Mythologie des Arbres. Librairie Plon, Paris, 1989

(4) Lima de Freitas, Prefácio in A Árvore, editores: Rosa Ramos e Nuno Calvet. Intermezzo Audiovisuais, Lda., Lisboa, 1996


(6) Henri de Jubainville (1905), Os Druidas e os Deuses Celtas sob Forma de Animais. Zéfiro, Sintra, 2009

(7) Miranda J. Green, Dictionary of Celtic Myth and Legend. Thames and Hudson Ltd, London, 1993