sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Comida de santo: caruru para Cosme e Damião


Hoje é dia de receber doces – e ainda não é o halloween. É dia de Cosme e Damião, santos conhecidos como protetores das crianças. E como eu ainda me considero uma criança [risos] não poderia deixar de falar deles nesta data.  E se você receber doces no dia de hoje faça um pedido e ele logo se realizará – pelo menos é o que dizem. 
Mas apesar de eu amar doces, hoje vou falar de salgado e, particularmente de um ingrediente que muita gente detesta: o quiabo, elemento base do Caruru - considerado um quitute dedicado a Cosme e Damião. Porem para entendermos melhor esta ligação, faz necessárias algumas explicações.


Popularmente conhecidos como os santos meninos, os gêmeos Cosme e Damião, na verdade, chamavam-se Acta e Passio e eram médicos árabes. Eles viveram em plena época do Império Romano e realizavam verdadeiros milagres, não cobrando pelas suas consultas. Toda essa fama dos irmãos incomodou o imperador Deocleciano, que mandou prender os dois que, depois de mortos, passaram a ser os padroeiros das crianças.


No Candomblé e na Umbanda, o dia de Cosme e Damião é 27 de setembro. Nessas crenças, eles são conhecidos como os orixás Ibejis. São filhos gêmeos de Xangô e Iansã. Os devotos e simpatizantes têm o costume de fazer caruru (uma comida típica da tradição afro-brasileira), chamado também de “Caruru dos Santos” e “Caruru dos sete meninos” que representam os sete irmãos (Cosme, Damião, Dou, Alabá, Crispim, Crispiniano e Talabi), e dar para as crianças.

Numa antiga lenda africana, dois príncipes gêmeos traziam sorte para o reino, resolvendo todo tipo de problema, pedindo em troca apenas doces, balas e brinquedos. Bastante bagunceiros, um deles se acidentou ao brincar numa cachoeira. O irmão que sobrou ficou tão triste que pediu para se encontrar com o outro no céu. Assim, Orunmilá atendeu o desejo do pequeno príncipe, deixando na terra duas imagens feita de barro, representando os meninos.




O caruru de Cosme e Damião está inserido nos cultos afro-brasileiros que celebram os santos gêmeos a 27 de setembro, um dia após os mesmos serem lembrados pela Igreja Católica. Os santos Acta e Passio, alguns dizem que eram originários da Síria e Armênia, pregavam o cristianismo, "curando as doenças em nome de Jesus Cristo e pelo seu poder". Passaram depois a ser conhecidos como Cosme (O Enfeitado) e Damião (O Popular). Foram perseguidos e mortos por Diocleciano (303), acabaram padroeiros de cirurgiões, físicos, farmacêuticos e faculdades de medicina em geral. Além de barbeiros e cabeleireiros.
Veremos a seguir que Cosme e Damião acabaram juntando crenças dos três povos que formaram a base da nação brasileira: índios, brancos e negros. A devoção em Cosme e Damião foi trazida pelos colonizadores portugueses, mas os escravos que aqui vieram, todos da África Ocidental (Angola, Costa do Marfim, Guiné, Congo), mantiveram os rituais religiosos e a fé nos deuses de sua terra distante. Inclusive nos orixás-meninos (Ibejís). Os africanos então aprenderam a sincretizar seus orixás com os santos católicos, cujos cultos lhes eram impostos.


Na festa manda a tradição distribuir brinquedos e doces com a criançada; porque, segundo se acredita, só assim serão atendidos os pedidos feitos aos Santos. Em muitos lugares, especialmente na Bahia, a celebração se faz sobretudo com mesa farta, servindo-se pratos preparados com azeite (de dendê, claro), usado sobretudo em peixes, mariscos e vegetais, próprios para dias de abstinência e jejum. Entre eles abará, acarajé, bobó de camarão, efó, frigideiras, maxixadas, moquecas, vatapá, xinxim de galinha; e, principalmente, o Caruru. Diz a tradição que primeiro caruru deve-se se servir a sete crianças (preferencialmente meninos) que o comem com as mãos, sentadas no chão.
O termo caruru vem de caá (folha) ruru (inchada), receita indígena feita originalmente apenas de ervas socadas com pimenta, no pilão. Os escravos africanos foram acrescentando novos ingredientes: amendoim, azeite de dendê, camarão seco, castanha de caju, cebola, gengibre, quiabo. E quanto mais quiabo tenha o caruru, mais importante é o prato. A receita foi depois levada de volta para África, em cada lugar recebendo nomes diferentes: calulu em Moçambique, Congo, Cabinda e São Tomé; funji de peixe, em Luanda; obbé em Nigéria e Daomé.

O caruru "completo" é servido em pratos de najé, acompanhado por xinxim de galinha, vatapá, arroz, milho branco, feijão fradinho, feijão preto, farofa, acarajé, abará, banana-da-terra frita, rapadura, inhame e pipoca.
A história da devoção a São Cosme e São Damião é antiga e atravessa continentes. Na Bahia, a fé nos santos irmãos ganhou importância principalmente pelo sincretismo com Ibeji, o orixá duplo dos nagôs, que representa os gêmeos. A mistura foi tão completa que ultrapassou a fronteira das religiões e classes: católicos e adeptos do candomblé, ricos e pobres oferecem a mesma comida sacrificial do candomblé às imagens dos santos cristãos. E mais, chega-se a fabricar imagens dos santos que incorporam uma terceira figura – Doú – uma corruptela de “idowu”, o nome dado, numa família nagô, àquele que nasce depois de um par de gêmeos. “Sempre tidos como muito traquinas, os idou deram origem ao ditado nagô: Exu lehin Ibeji – Exu vem depois dos Ibeji”.

Ibeji
Os santos são católicos, mas a forma de homenageá-los é africana. Os iorubás, em suas várias etnias, entendem o sacrifício, o ebó, como a forma essencial da sua comunicação com os orixás”. O caruru – dos Ibeji ou de São Cosme e São Damião “seria, então, mais do que uma oferenda, mas um sacrifício: o que na Bahia, o povo-de-santo chama de ‘obrigação’, que tem um preço e custa dinheiro. É como se desfazer de algo muito valioso.
Nas últimas décadas, tem sido feita frequentemente uma associação entre os santos católicos e os erês, que é um estado infantilizado do transe no candomblé. Por isso, inclui-se a distribuição de balas, doces e refrigerantes nas homenagens aos santos, especialmente no Rio de Janeiro. Mas são poucas as casas de candomblé que fazem obrigações para os Ibeji, geralmente discretas e não necessariamente em setembro. Outro detalhe é que não se tem notícias de filhos-de-santo de Ibeji na Bahia.

Pontos interessantes dessa história toda:


A fertilidade das iorubás, que tem inclusive motivado pesquisas médicas, provavelmente é um dos motivos da importância dos santos e orixás irmãos. A Nigéria, inclusive, é o país com o maior índice de nascimento de gêmeos no mundo inteiro.

No modo africano de homenagear os Ibeji e também outros orixás, o pedido de esmola para a preparação da comida é um ponto fundamental. A mesma tradição já existiu na Bahia, mas foi abandonada pela maioria das pessoas. Entretanto, ainda é possível encontrar quem mantenha esse costume, inclusive fora da Bahia.

Existem várias recomendações para quem faz o caruru, que cada um escolhe obedecer ou adaptar. Quem oferece o caruru deve cortar o primeiro quiabo e, depois de pronto, colocar a comida aos pés dos santos em vasilhas novas e fazer um pedido. A galinha do xinxim não pode ser comprada morta. Durante a festa não deve ser servida bebida alcoólica. E quem encontrar no prato um quiabo inteiro deve oferecer um caruru no próximo ano.

E se você se interessou por esta historia poderá descobrir mais com as indicações de leitura abaixo. E, apesar de eu não ser do candomblé ou da umbanda, não custa nada distribuir uns docinhos e nem preparar um caruru.

LIMA, Vivaldo da Costa. Cosme e Damião: o culto aos santos gêmeos no Brasil e na África. Salvador: Corrupio, 2005.
____. Oferendas e sacrifícios: uma abordagem antropológica. In: FORMIGLI, Ana Lúcia (Org). Parque Metropolitano de Pirajá: história, natureza e cultura. Salvador: Centro de Educação Ambiental São Bartolomeu/Editora do Parque, 1998, p. 57-65.
TAVARES, Odorico. Bahia: imagens da terra e do povo. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1951..


CARURU


Ingredientes
2 kg de quiabo
5 cebolas
300 gr de camarão seco
250 gr de amendoim
250 gr de castanha de caju
1 colher de chá de gengibre ralado
1 xícara de azeite de dendê
Sal


Preparo: Lave o quiabo, deixe escorrer e seque bem. Pique bem miúdo. Reserve. Passe as cebolas no processador. Reserve. Passe metade do camarão seco no processador. Reserve. Bata no liquidificador o amendoim e a castanha com meio copo de água. Reserve. Em uma panela coloque azeite de dendê. Refogue cebola e quiabo. Junte os camarões secos (os triturados e os inteiros). Depois, junte também gengibre, castanha e amendoim. Se necessário, coloque sal. Deixe no fogo, até engrossar e os caroços do quiabo estiverem meio rosados. Retire do fogo e sirva com arroz branco.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

A sagrada Ghee (manteiga clarificada)


A mitologia sempre esteve presente na minha vida – e se apresentava nas suas formas mais variadas. Desde criança, quando eu comecei a me interessar e pesquisar sobre o assunto eu já defendia (com unhas e dentes) o respeito por esta área do conhecimento humano. Sempre vi algumas pessoas desprezando o conteúdo mitológico, sempre o marginalizando, colocando-o como “coisa de todo ficcional e/ou criação mentirosa”. No entanto, eu via a mitologia como uma religião, a religião dos antigos, que foi sendo dominada por novas crenças, dizimada pela força e até pela guerra – e que, por estes mesmos motivos, já merecia meu respeito. Quem garante que daqui a algumas décadas as nossas religiões atuais não venham a configurar nos verbetes do dicionário como mitologia?
Pensando nesse assunto a receita de hoje vem totalmente impregnada de mitologia. Fui buscar na mitologia hindu, uma sobrevivente neste mundo louco, e que nos fornece ainda a matéria-prima sagrada para a confecção de muitos produtos gastronômicos e medicinais típicos daquele região: a Ghee, tema desta postagem.


Na Índia, a manteiga clarificada é chamada de ghee. É a substância mais preciosa fornecida pelo animal mais sagrado da Terra, a vaca. De acordo com a mitologia hindu, Prajapati, Senhor das Criaturas, cria a ghee pela fricção de suas mãos e, em seguida, derramou no fogo para gerar sua descendência; assim, simbolicamente, sempre que o ritual védico é realizado se observa alguém vertendo ghee no fogo, como uma encenação da criação. Ressalta-se aqui que manteiga, em mitologias de todo o mundo, é um símbolo de sêmen: sua agitação representa o ato sexual, e também a formação de uma criança no ventre de sua mãe.
Mas voltando ao que conta a mitologia, diz-se que mais tarde, depois daquele ato de Prajapati, durante o dilúvio, o elixir-de-mel da imortalidade chamado amrita se perdeu no oceano cósmico de leite. Os deuses e os demônios uniram forças para salvá-lo; dentre as ações que eles precisavam executar precisariam fazer a vaca sagrada Surabhi dar leite para a produção da ghee sagrada que teria a função de iniciar o ritual do fogo e transformar o terrível veneno de plantas em amrita; assim a árvore coral que perfuma o mundo apareceu, a deusa da beleza segurando uma flor de lótus, e finalmente o médico dos deuses passou cuidadosamente para a frente, carregando uma tigela de leite branco cheio de amrita.

Surabhi
A vaca sagrada Surabhi nessa história é de fundamental importância para para o equilíbrio das forças, para dar leite e fornecer a ghee ("manteiga clarificada") para o ritual dos sacrifícios de fogo – inicio das preparações sagradas para a continuação da produção do elixir sagrado. O Parva Anushasana. livro do épico narra que Surabhi nasceu do arroto do "criador" (Prajapati) depois que ele bebeu o Amrita que ressuscitou dos manthan Samudra. Além disso, Surabhi deu à luz a muitas vacas douradas chamadas vacas Kapila, que foram chamadas as mães do mundo.
De acordo com o Ramayana, Surabhi é a filha do sábio Kashyapa e sua esposa Krodhavasa, a filha de Daksha. Suas filhas Rohini e Gandharvi são as mães de gado e cavalos, respectivamente. Ainda assim, é Surabhi que é descrita como a mãe de todas as vacas no texto. No entanto, nos Puranas como Vishnu Purana e Bhagavata Purana, Surabhi é descrita como a filha de Daksha e a esposa de Kashyapa, como bem como a mãe de vacas e búfalos. O Matsya Purana observa duas descrições conflitantes de Surabhi. Em um capítulo, descreve Surabhi como a consorte de Brahma e sua união produziu a vaca Yogishvari, os onze Rudras, "animais inferiores", cabras, cisnes e "drogas de classe alta. Ela é, então, descrita como a mãe de vacas e quadrúpedes.O Harivamsa, um apêndice do Mahabharata, chama Surabhi a mãe da Amrita, dos brâmanes, das vacas e Rudras.


Na mitologia hindu, Surabhi pode apresentar nomes variados, dentre os quais Kamadhenu é um dos principais. Dentre suas características sua forma de vaca com busto de mulher e rabo de pavão é muito conhecida. Frequentemente é associada com o brâmane ("classe sacerdotal", incluindo os sábios), cuja riqueza ela simboliza. O leite de vaca e seus derivados, tais como ghee são partes integrantes de sacrifícios védicos de fogo, os quais são conduzidos por sacerdotes brâmanes. Além disso, a vaca também oferece proteção de luta para o brâmane, a deusa se torna um guerreiro, e gera a criação de exércitos para proteger seu mestre e ela mesma.

Amrita É a água da vida. O termo é conhecido nos Vedas, e parece se aplicar em várias coisas oferecidas em sacrifício, mas mais especialmente como Soma. Ele é também chamado de Nir-jara e Piyusha. Nos tempos remotos ele era água da vida produzida pela agitação do oceano por deuses e demônios, com algumas variações no Ramayana, o Maha-bharata e as puranas. É através deste liquido que os deuses, adquirem a imortalidade. A palavra significa literalmente "sem morte". É também um nome comum na Índia e Nepal, "Amrit"(masculino e "Amrita" (feminino). Os deuses, sentindo sua fraqueza, tendo sido derrotados por demônios, ou de acordo com as escrituras, sob a interdição de um santo sábio, pediram ajuda a Vishnu, implorando a ele que revelasse o vigor e a dadiva da imortalidade. A história é contada na Vishnu Purana tendo sido resumida como: Os deuses endereçaram o poderoso Vishnu -' aquele que conquistou por batalha os demônios malignos, Nós aclamamos o teu socorro, alma de todos; Piedade, e ao vosso poder nós nos entregamos!' Hari, o senhor, criador do mundo, Assim aos deuses imploramos, e o todo poderoso respondeu-' Sua força será restaurada, deuses de ye; Só façam o que eu mandar agora. Unam se em união pacífica com seus inimigos, colham todas as plantas e as ervas das mais diversas espécies de todo o lugar; as misturando em um mar de leitoso. levam Mandara, A montanha, com uma vara, e tornem Vasuki, A serpente em uma corda; no oceano juntem tudo para produzir a bebida- Fonte de toda força e imortalidade- então contem com minha ajuda; cuidarei para que seus inimigos ajudem em seu trabalho duro, mas não tomem parte da recompensa, nem bebam da fonte da imortalidade.'

Um dos hinos do Rg Veda (cerca de 1500 aC) é em louvor da ghee, e se destina a ser acompanhada de libações rituais da substância ouro no fogo. Estas são algumas das palavras:
This is the secret name of Butter:
"Tongue of the gods," "navel of immortality."
We will proclaim the name of Butter;
We will sustain it in this sacrifice by bowing low.
These waves of Butter flow like gazelles before the hunter...
Streams of Butter caress the burning wood.
Agni, the fire, loves them and is satisfied.

Nos versos acima a manteiga ghee é a fertilização das sementes, a língua dos deuses, um regenerador de riquezas, também representa a energia pura de oração comunitária e de inspiração para o misticismo e poesia.
Os hindus ritualmente ungem as estátuas de Vishnu e Krishna são ritualmente ungido com duas misturas intensamente sagradas de cinco substâncias, uma chamada pançamrita: leite, coalhada, ghee, mel e açúcar, e os outros ", os cinco produtos da vaca": leite, coalhada, manteiga, urina e o estrume. Ambos podem ser usados para purificar as pessoas que tenham cometido delitos temporariamente poluentes, ou como antídotos para venenos e doenças.
As lâmpadas que iluminam os lugares mais sagrados templos hindus tem pavios ardendo em ghee -como são as lâmpadas que estão diante das imagens de várias divindades, ou as que iluminam o grande Festival das Luzes em honra de Lakshmi e Rama.

Lamparinas de ghee
No que tange a gastronomia hindu a ghee tem presença fundamental em quase tudo que é produzido. Os hindus acreditam que não podem comer alimentos "inferiores", como arroz e lentilhas, por exemplo, que foram tocados por alguém de uma casta mais baixa do que sua. Mas os alimentos inferiores se preparados e cozidos em ghee instantaneamente se torna pakka, "completo" ou "superior", e assim se tornam comestíveis até mesmo por um brâmane. Um brâmane em viagem que não sabe quem tocou a comida disponível para ele, deve receber tudo o que ele ganhou de forma crua e ainda com casca, a menos que os vendedores de alimentos possam demonstrar que seus produtos são cozidos em ghee.


Ghee é muito procurada e consumida, por causa de seu status exaltado e sagrado. Em casamentos hindus os homens são esperados para competir uns com os outros para ver quem pode comer mais ghee: consumir um quilo ou mais é considerado uma prova de virilidade.A ocasião e as conotações sexuais de ghee transformam a competição em uma espécie de ritual de fertilidade.
Não é difícil preparar a ghee, você vai comprovar isso abaixo. E vai poder ter em casa um pouco dos alimentos sagrados para deixar seus preparos ainda mais cheios de simbologia e delicadeza.

A história completa do “batimento do oceano de leite”


Numa época remota, existia um grande Asceta, o Sábio Durvasa. Um dia, ele estava caminhando com uma guirlanda de flores na mão, que na Índia se chama "Santanaka" para oferecê-la a Indra. Indra que vinha na posição oposta cavalgando o elefante Airavata, passou pelo sábio e o ignorou. Indra fez com que Airavata pisasse e rasgasse a guirlanda de flores. Durvasa se encheu de ira e rogou uma praga em Indra:
"O orgulho da riqueza subiu à sua cabeça, Lakshmi irá te abandonar."
Então Indra, que havia percebido a loucura que tinha feito, se curvou perante Durvasa e pediu seu perdão. Durvasa disse: "Que Vishnu o faça feliz" e partiu.
Por causa da maldição de Durvasa, Lakshmi deixou Indra e desapareceu. Como Lakshmi, a deusa da prosperidade, poder e coragem, desapareceu, a vida dos Devas se tornou miserável. Os Assuras depois dessa oportunidade, invadiram o paraíso, derrotaram Indra e os Devas em uma guerra e ocuparam o paraíso. Indra perdeu seu reino e todo seu poder para os Assuras, e os Devas perderam sua imortalidade e seu valor.
Vários anos se passaram. O mestre de Indra, Brihaspati pensou num caminho para acabar com os problemas de Indra. Então ele foi juntamente com os Devas falar com Brahma, que os levou até Vishnu, de acordo com os desejos dos Devas. Então Vishnu disse: "Não tenham medo, eu lhes mostrarei uma maneira, o mar de leite precisa ser agitado. É certamente uma tarefa muito difícil, então façam amizade com os Assuras, e peçam sua ajuda. Usem a montanha Mandara como poste, e Vasuki, o rei das serpentes como corda. Eu irei ajudar na hora certa. Quando o oceano é agitado, o Amrita emerge das profundezas, bebam ele e sejam imortais, vocês ganharam força e poderão derrotar os Assuras. Quando o mar for agitado, Lakshmi que havia desaparecido, reaparecerá e derramará sua graça sobre vós".
Brihaspati foi muito inteligente. Ele foi ter com os Assuras, e com astucidade conseguiu fazer amizade com os mesmos. Então ele pediu que os ajudassem no Batimento do mar de Leite. Os Assuras aceitaram, porque secretamente queriam o Amrita para eles. Depois de conseguirem a ajuda dos Assuras, eles começaram a fazer oferendas ao Oceano de leite. Os Devas e os Assuras ofereceram toda sorte de ervas e plantas para o Oceano. Todos se juntaram para realizar a tarefa de adquirir o Monte Mandara. Eles alcançaram a planície onde o majestoso monte estava posto. Depois de grande trabalho de cavar, conseguiram desarraigar o monte da terra. Eles então tentaram carregar a montanha Mandara para o oceano, mas o peso da montanha era demais para eles, muitos morreram e muitos se machucaram. Pouco tempo depois Vishnu chegou e com um olhar ressuscitou todos os mortos e curou todos os feridos. Então ele mandou Garuda carregar o monte mandara para o oceano. Garuda carregou o monte Mandara nas suas costas até a beira-mar, então o imergiu no oceano de leite. Ele amarrou Vasuki o rei das cobras como corda no monte.


Os Assuras e os Devas ficaram cada um com uma ponta da serpente, então começaram a bater no oceano. O batimento continuou por um longo tempo sem que nada emergisse dele, até que o monte começava a deslizar para o fundo do oceano. Os Devas e os Assuras não poderiam continuar com o batimento sem o monte mandara. Até que eles foram abençoados com a Misericórdia de Vishnu. Vishnu, escutou o choro deles e veio logo ao resgate. Então ele tomou a forma de Kurma, seu Avatar com forma de tartaruga, colocou o monte nas costas e o levou de volta à superfície. Os Devas e os Assuras respiraram aliviados, pois agora poderiam continuar com o batimento do oceano. O Batimento do oceano de leite continuou com vigor. Então surgiu do fundo do oceano uma nuvem de fumaça que sufocava os Devas e os Assuras. Então eles começaram a clamar por socorro, pois estavam sem saber o motivo do sufocamento, até que descobriram que o Oceano tinha expelido o "Kalakuta", um veneno mortal. Todos estavam amedrontados diante da ferocidade do veneno. Os Devas oraram fervorosamente por Shiva e esperaram que ele poderia vir para ajudá-los, pois era uma substância que corroía tudo que tocava, e Shiva era o mais resistente dos Deuses. Shiva escutando o clamor dos Devas, rapidamente veio ao local, então, como foi pedido pelos Devas, Shiva concordou em beber o veneno. Shiva reteve o veneno em sua garganta, e salvou os Devas da destruição. O veneno era muito poderoso, tanto que fez com que a garganta de Shiva ficasse azul, por isso até hoje ele é chamado de "Neel-Kantha", que significa "aquele que tem a garganta azul". Depois que o veneno foi consumido por Shiva, os Devas e os Assuras continuaram mais uma vez com o Batimento do Oceano de leite. Passado algum tempo com o batimento do oceano, os Presentes Celestiais tomaram forma, o batimento trouxe à tona vários tesouros perdidos:
Sura (deus do vinho); Chandra (a lua); Apsaras (ninfas celestiais); Kaustabha (uma jóia preciosa para o corpo de Vishnu); Uchchaihshravas (o cavalo divino); Parijata (a árvore dos desejos); Kamadhenu (a vaca sagrada); Dhanvantari (o médico dos deuses) Airavata (o elefante de quatro trombas) Panchajanya (concha sagrada de Vishnu) Sharanga (o arco invencível)


Continuando com o batimento, no meio das ondas do oceano de leite, uma deusa angelical apareceu, ela estava sentada em cima de um lótus desabrochado com um colar de flores de lótus no pescoço e segurando um lótus na mão. Sua aparição foi a mais atraente de todas. Em sua face havia um sorriso brilhante, era a própria Lakshmi!
Os sábios começaram a entoar cânticos em honra de Lakshmi, enquanto as apsaras dançavam. Os elefantes esguichavam água sagrada nela, ela adquiriu o nome de Gajalakshmi. O rei do oceano apareceu em sua forma natural e revelou que Lakshmi era sua filha. O rei presenteou Lakshmi com jóias e roupas, dando-lhe uma guirlanda de flores de lótus. Quando todos os Devas olhavam surpresos, Lakshmi colocou a guirlanda no pescoço de Vishnu e, a partir daí, começou a habitar seu coração. Quando Lakshmi olhou para Indra ele logo adquiriu vigor e um brilho extraordinário.
Os Devas e os Assuras continuaram a bater no oceano, até que finalmente Dhanvantari emergiu do mar. Dhanvantari é o médico dos Devas. Ele carrega um pote sagrado nas mãos, esse pote continha o Amrita, néctar que garante imortalidade a quem bebesse. Quando os Assuras viram o que tinha acontecido, correram e tomaram o pote das mãos de Dhanvantari! Aqui começa a luta entre os Assuras e os Devas. Vishnu que via tudo, resolveu ajudar os Devas. Ele se disfarçou de Mohini. Mohini emergiu do oceano com beleza e graça. Ela chegou para os Assuras e perguntou:
"Porque vocês estão lutando?"
Eles responderam:
"Nós lutamos porque queremos o Amrita!"
Mohini sorrindo disse:
"Não briguem pelo Amrita! Se vocês aceitarem, eu mesmo sirvo ele pra vocês! Façam duas filas, uma de Devas e outra de Assuras!"
Os Assuras encantados aceitaram a proposta, assim como os Devas. Mohini, com seus truques, serviu veneno aos Assuras e Amrita aos Devas. Os Assuras encantados nem se tocaram do truque que havia sido usado. Os Devas beberam o Amrita e ganharam imortalidade, então começaram uma guerra com os Assuras, os quais foram derrotados facilmente.

Ghee

obtido (aprox.): 425 gramas
Tempo de preparo (aprox.): 25 minutos

500 gramas de manteiga sem sal
uma pitada de sal

Preparo: Leve a manteiga com o sal em uma panela ao fogo médio. Leve a manteiga com o sal em uma panela ao fogo médio. Reduza a temperatura quanto a manteiga derretida começar a borbulhar. Mantenha em fogo baixo, mexendo constantemente, por cerca de 15 minutos até que o resíduo fique levemente marrom e esteja bem aromático. Deixe descansar por 10 minutos. Coe e armazene em uma garrafa. Descarte o resíduo. Conserve em geladeira. DICA: O segredo para se fazer um ghee aromático é dourar cuidadosamente em fogo baixo mexendo constantemente. Quanto mais escuro o resíduo ficar, mais aromático o ghee será.

Bolo de ghee

2 xícaras de Farinha tipo Maida (ou farinha de trigo comum)
1 colher de chá de fermento em pó
1/4 colher de chá de bicarbonato de sódio
250 gramas de ghee
250gms de açúcar em pó
4 Ovos-4 nos (claras e gemas separadas)
½ xícara de leite
2 colheres de chá de açúcar
Essência de baunilha-1/2 colher de chá


Preparo: Em uma tigela peneire a farinha, o bicarbonato e o fermento. Em outra tigela, bata o açúcar e ghee em pó com uma batedeira em velocidade média até formar um creme. Em seguida, adicione as gemas uma de cada vez, batendo bem após cada inclusão. Com a batedeira em velocidade baixa, adicione alternadamente a farinha e o leite à mistura de Ghee, começando e terminando com a farinha. Em outra tigela bata as claras em neve, adicione aos poucos 2 colheres de chá de açúcar e a essência de baunilha e continue a bater até ficarem firmes. Depois misturar cuidadosamente com o creme já batido anteriormente. Levar para assar numa assadeira untada e polvilhada. 

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Sexta-feira 13: é dia de azar desde um banquete da mitologia escandinava


  
Muita gente tem medo de uma sexta-feira 13. Os supersticiosos de plantão ficam apavorados quando o calendário apresenta esta data repetidas vezes. O que até então ninguém tinha me explicado é o motivo da sexta-feira treze ser considerado um dia de azar. Daí, lá fui eu pesquisar o assunto e acabei descobrindo que isso tudo derivou de um banquete da mitologia nórdica.



Os estudiosos da mitologia apresentam duas explicações mitológicas para este fato:
A primeira delas, houve, no Valhalla - a morada celestial das divindades -, um banquete para 12 convidados. Loki, espírito do mal e da discórdia, apareceu sem ser chamado e armou uma briga em que morreu Balder, o favorito dos deuses. Instituiu-se, então, a superstição de que convidar 13 pessoas para jantar era desgraça na certa e esse número ficou marcado como símbolo do azar. Há também quem acredite que convidar 13 pessoas para um jantar é uma desgraça, simplesmente porque os conjuntos de mesa são constituídos, regra geral, por 12 copos, 12 talheres e 12 pratos.


A morte de Balder
A segunda, é protagonizada pela deusa do amor e da beleza, Friga, cujo nome deu origem às palavras friadagr e friday, "sexta-feira" em escandinavo e inglês. Quando as tribos nórdicas se converteram ao cristianismo, a personagem foi transformada em uma bruxa exilada no alto de uma montanha. Para se vingar, Friga passou a se reunir, todas as sextas-feiras, com outras 11 feiticeiras, mais o próprio Satanás, num total de 13 participantes, para rogar pragas sobre a humanidade.
Da Escandinávia, a superstição espalhou-se por toda a Europa, reforçada pelo relato bíblico da Última Ceia, quando havia 13 pessoas à mesa, na véspera da crucificação de Cristo - que aconteceu numa sexta-feira.
No Antigo Testamento judaico, inclusive, a sexta-feira já era um dia problemático desde os primeiros seres humanos. Eva teria oferecido a maçã a Adão numa sexta-feira e o grande dilúvio teria começado no mesmo dia da semana.
No cristianismo é relatado um evento de má sorte em 13 de Outubro de 1307, sexta-feira, quando a Ordem dos Templários foi declarada ilegal pelo rei Filipe IV de França. Os seus membros foram presos simultaneamente em todo o país e alguns torturados e, mais tarde, executados por heresia.
Outra possibilidade para esta crença está no fato de que Jesus Cristo provavelmente foi morto numa sexta-feira 13, uma vez que a Páscoa judaica é celebrada no dia 14 do mês de Nissan, no calendário hebraico.
Recorde-se ainda que na Santa Ceia sentaram-se à mesa treze pessoas, sendo que duas delas, Jesus e Judas Iscariotes, morreram em seguida, por mortes trágicas, Jesus por crucificação e Judas provavelmente por suicídio.
Note-se também que, no Tarô, a carta de número 13 representa a Morte.



O número 13
A crença na má sorte do número 13 parece ter tido sua origem na Sagrada Escritura. Esse testemunho, porém, é tão arbitrariamente entendido que o mesmo algarismo, em vastas regiões do planeta até em países cristãos  é estimado como símbolo de boa sorte. O argumento dos otimistas se baseia no fato de que o 13 é um número afim ao 4 (1 + 3 = 4), sendo este símbolo de próspera sorte. Assim o 13 é um número religioso muito apreciado, os pagodes hindus apresentam normalmente 13 estátuas de Buda.
Na China, não raro os dísticos místicos dos templos são encabeçados pelo número 13. Também os mexicanos primitivos consideravam o número 13 como algo santo; adoravam, por exemplo, 13 cabras sagradas.
Reportando-nos agora à civilização cristã, lembramos que nos Estados Unidos o número 13 goza de estima, pois 13 eram os Estados que inicialmente constituíam a Federação norte-americana. Além disso, o lema latino da Federação, "E pluribus unum" (de muitos se faz um só), consta de 13 letras; a águia norte-americana está revestida de 13 penas em cada asa.

Eu particularmente não vejo a sexta-feira 13 com olhos supersticiosos. Acredito que o número 13 até seja um número de sorte. Mas, de toda forma não cruze com um gato preto e nem passe embaixo de escadas num dia como hoje [melhor prevenir]; abaixo, deixo a receita de uma sopa dos vikings antigos para que voce prepare e volte no tempo, descobrindo assim um dos sabores presentes nos banquetes daquele tempo.

Sopa viking (de Espinafre)

200ml de creme de leite fresco
3 molhos de espinafres
2 colheres de sopa de manteiga
3 colheres de sopa de farinha de trigo
1 colher de sopa de queijo ralado
1 litro de caldo de carne
2 gemas
sal

Preparo: coza os espinafres em água temperada com um pouco de sal. Escorra e passe por um espremedor ou peneira. Reserve. De seguida, leve 1 colher de manteiga ao fogo para derreter, junte-lhe de uma só vez a farinha. Envolva muito bem e mexendo sempre, regue com ocreme de leite, e junte ainda o queijo ralado. deixe cozer até obter um preparado bem espesso. Misture os espinafres e o caldo de carne. Retifique o tempero, mexa bem e retire do fogo. Por fim, coloque numa sopeira, a restante manteiga e as gemas de ovos. Mexa bem e junte aos poucos, o creme de espinafres ainda quente. Sirva em seguida.

As Bodas de flores e frutas desta confraria

Caros amigos, bom dia!
Escolhi o dia de hoje por considerar que 13 é um número da sorte, e gostaria de agradecer a todos pelas visitas e comentários que têm feito a este blog.
No dia 6 de setembro de 2010 comecei esta empreitada, despretensiosamente, com um intuito de “guardar informação” sobre cultura gastronômica. E assim, já se passaram quatro anos... Nesse período muita coisa aconteceu comigo, algumas mudanças foram feitas no layout do blog, mas a ideia inicial foi modificada: o que antes era apenas uma ferramenta de “guarda-memória” passou a ser um veículo de comunicação que já tem ajudado algumas centenas de pessoas não só a conhecer a cultura gastronômica, mas a valorizar a gastronomia e a identidade gastronômica como elemento importante para a sociedade.



Ao longo desses anos vimos, por exemplo, que a gastronomia está cada vez mais sendo assunto corriqueiro nas mídias, nos âmbitos acadêmicos e na formação profissional; vimos elementos gastronômicos como, a gastronomia francesa, a culinária típica mexicana, a dieta mediterrânea e o pão de mel/especiarias croata serem elevados como patrimônio imaterial da humanidade; vimos o crescente fascínio das pessoas pela profissão de chef; e, sobretudo, continuamos a nos surpreender com a criatividade dos grandes chefs do mundo no seu trabalho de mostrar pratos sofisticados utilizando produtos regionalizados. Este cenário me orgulha e me faz querer continuar com meu trabalho de formiguinha, de pesquisar temas interessantes, fundamentados, para dividir com vocês.
Minhas perspectivas de futuro para este blog estão cheias de ânimo e com projetos mirabolantes na cabeça – só preciso encontrar um meio de coloca-los em pratica o mais rapidamente possível, para acompanhar o ritmo acelerado do mundo.
Hoje, este post está celebrando minhas Bodas de Flores e Frutos com a blogosfera. Quatro anos de dedicação que já me trouxeram bons frutos. Um deles, a indicação ao V Prêmio Top Blog, que escolhe o melhor blog do Brasil. Estamos concorrendo na categoria gastronomia e esperamos seu apoio nesta votação – que ocorre on line (Para participar e nos ajudar a estar entre os “grandes” basta você clicar no ícone de link para a cotação que se encontra no lado superior esquerdo deste blog, escolher a forma pela qual deseja votar [se por email ou facebook] e realizar seu voto. Conto com seu apoio. Abaixo segue a imagem do link para facilitar seu trabalho de busca).


E como não existe postagem aqui que não tenha uma boa receita e nem uma boa música a receita de hoje é especialmente diferente, uma torta crua de flores, sementes e frutas para celebrar estas bodas. Espero que gostem.
Obrigador por sua atenção,
                                            Continue nos visitando.
                                                                  Barão de Gourmandise.

Torta de Bodas de Flores e Frutos do barão de Gourmandise


crosta
1 1/2 xícaras ( 225 g ), amêndoas
1/2 xícara de Sementes de girassol
2 colheres de sopa de sementes de cânhamo
12 tâmaras frescas, sem caroço
2 colheres de sopa de óleo de coco virgem
1 colher de chá de sal marinho
Recheio
1 ½ xícaras de castanha de caju, embebidas no suco de caju ou em água, por pelo menos 2 horas, ou mais se você tiver tempo
2 limões orgânicos , suco e raspas
1 colher de chá de pó de baunilha aterrada ou 1/2 vagem de baunilha
1/3 xícara de óleo de coco
1/3 xícara de mel ou néctar de agave
1 colher de sopa de rosa mosqueta em pó (opcional)
cobertura
2 romãs de tamanho médio, sementes
1/3 xícara framboesas congeladas
Suco de 1/2 limão
decoração
Flores comestíveis frescas (flores de capuchinha, amor-perfeito, borago, viola, calêndula, rosas, rosa mosqueta, dentes de leão, cravos, lavanda, gerânios, Centáureas, flores de ervilha, lírios de dia, camomila amarela, pétalas de girassol,  etc.)

Preparo: Fazendo a crosta: Triture as nozes e sementes em um liquidificador ou processador de alimentos por cerca de um minuto. Adicione as tâmaras, óleo de coco e sal marinho e misturar no processador até que tudo esteja bem ligado. Colocar a mistura numa forma de fundo falso, pressionando bem apenas no fundo da forma. Conservar na geladeira enquanto faz o recheio. Fazer o recheio: Aqueça o óleo de coco e o mel em uma panela pequena em fogo baixo até ficar bem líquido, misture um pouco com a colher para juntar a mistura.  Coloque as castanhas de caju embebidas, o suco e as raspas de limão, a baunilha, a mistura de óleo de coco com mel quente e a rosa mosqueta no liquidificador ou processador de alimentos e bata em alta velocidade até ficar homogêneo e engrossar (tipo maionese - isso pode demorar alguns minutos). Despeje o recheio sobre a massa e coloque no freezer por 30 minutos ou até endurecer. Fazer a cobertura: coloque as sementes de romã, as framboesas e o suco de limão em um processador ou liquidificador e bata até ficar homogêneo. Despeje a cobertura por cima do bolo e volta ao freezer por cerca de 30 minutos. Servir a torta: Retire do freezer e desenforme (fica excelente se retirada 30 minutos antes de servir). Decore com flores frescas e sirva.
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sábado, 7 de setembro de 2013

Ab ovo: a omelete do barão de Gourmandise


Tem dias que a gente resolve se permitir ter certos pensamentos e se doar a certas atitudes, que em dias “normais” não se permitiria ter tais reações. Hoje é dia da independência do Brasil, e eu acordei puto: puto pela quantidade de idiotas encapuzados criando confusão Brasil à fora; puto com essa política e economia brasileira; puto com os professores de história que ensinam nas escolas que foi Pedro I o responsável pela independência, porque não contam a verdade? Porque não se permitem contar a história tal como ela aconteceu, e dizer que foi a imperatriz Leopoldina é a real benfeitora desta Nação?; puto com alguns amigos... e estou tão puto, puto com tanta coisa, que nem cozinhar hoje me satisfaria!

Nessas horas misturar o que vem na frente pra matar a fome (já que não pode matar algumas pessoas) sempre me rende um belo AB OVO. É assim que eu chamo a omelete – só quando eu estou puto (risos). Mas este meu apelido pra omelete tem fundamento:
Ab ovo é uma expressão latina que significa "desde o ovo" (ou seja, "desde o início", "desde a origem"). A expressão tornou-se famosa por ter sido empregada pelo poeta romano Horácio em sua obra Arte Poética, referindo-se a Homero que, ao escrever sobre a destruição de Troia não começou "ab ovo", ou seja, do nascimento lendário de Helena de Troia a partir de um ovo, mas sim descreve os acontecimentos no campo de batalha, e no último dos dez anos da Guerra de Troia.

De acordo com a mitologia clássica, Helena, a mulher mais bonita da Terra nasceu de um ovo posto pela deusa Nêmesis. Esta, por sua vez, despertou o encantamento do deus Zeus, por ser muito bonita. Não querendo nada com o deus, ela se transformou em uma gansa. Zeus não deixou por menos e se transformou em um cisne e acabou copulando com Nêmesis, que botou um ovo por causa daquela união com Zeus. Porem ela abandonou o ovo logo em seguida. Dizem que o pastor encontrou o ovo que acabou o entregando à Leda, que por seus cuidados, acabou chocando o ovo nascendo dele a linda Helena de Esparta – mais tarde conhecida como Helena de Troia.


Outra teoria para a origem de "ab ovo" sugere que ela faria parte de uma expressão latina maior, ab ovo usque ad mala (ou "do ovo às maçãs"), que se referia originalmente ao início e fim de um banquete romano (começando pelo antepasto - ovos - e terminando na sobremesa - maçãs).
Todavia, é quase certo que o uso da expressão na literatura vem mesmo da obra de Horácio, como se pode notar, por exemplo, na introdução de "Esaú e Jacó" de Machado de Assis, ou de "Guerra e Paz" de Leon Tolstói.
Na crítica literária a expressão é utilizada para determinar uma história que se inicia no nascimento do personagem principal, em oposição à expressão in media res (latim para "no meio das coisas").
Os termos in medias res e ab ovo provém das linhas 147–148 da Ars Poetica do poeta romano Horácio, onde ele descreve seu poeta épico ideal:
Nem deve ele começar a Guerra de Troia a partir do Ab ovo, mas sempre adiantar-se na ação e agarrar o ouvinte no meio das coisas…

Quanto ao meu Ab ovo, a omelete, acredita-se que a omelete surgiu na antiga Pérsia. Onde ovos batidos eram misturados com ervas picadas, fritos até ficarem firmes, e depois cortados em pedaços, para formar um prato conhecido como 'kookoo'. Acredita-se que tal receita alcançou a Europa através do Médio Oriente e da África do Norte, onde sofreu adaptações e originou a frittata italiana, a tortilla espanhola e a omelette francesa.
Na França, sua criação é atribuída a Annette Poulard, em 1888, no Monte Saint-Michel, na Normandia. Ela elaborou uma refeição nutritiva e fácil de preparar para os famintos peregrinos que chegavam ao Santuário de São Miguel. Hoje, na entrada do local, existe o restaurante Mére Poulard.

Vou logo fazer meu ab ovo antes que eu fique mais puto ainda – porque quando eu estou com fome eu fico irritadíssimo...

Ab ovo do Barão


2 ovos
1 colher de manteiga
Cheiro verde picado
Azeite e manteiga para fritar
Queijo mozzarella (ou outro da sua preferência)
Presunto
Queijo parmesão ralado
Meio tomate e ¼ de pimentão bem picadinhos
Sal e pimenta do reino a gosto


Preparo: Em uma tigela bata bem os ovos. Junte o queijo, o presunto, o cheiro verde, o tomate e o pimentão, acrescente o sal e mexa bem. Em um frigideira aqueça o azeite e a manteiga. Jogue os ovos batidos que estão misturados com os outros ingredientes. Quando a parte de baixo estiver dourada vire para dourar o outro lado (nessa hora se você tiver uma omeleteira em casa, você não vai ficar puto na hora de virar [risos]); Depois que dourar os dois lados, jogue um pouco de queijo parmesão ralado por cima, ou outro queijo de sua preferência. Salpique um pouco de pimenta do reino por cima, caso goste.