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sábado, 25 de julho de 2015

SEMLA - um ícone gastronômico sueco


Comidas tradicionais sempre são bem-vindas para minha apreciação, principalmente aquelas que eu ainda não conheço. Por isso, hoje, este post fala sobre SEMLA, um pequeno pão feito de trigo, aromatizado com cardamomo e preenchidos com pasta de amêndoa e chantilly, um ícone gastronômico sueco.


Semla deriva do Latin” semilia”, termo usado para designar a mais fina farinha de trigo ou semolina. Embora a semla tenha surgido na Roma antiga, e tenha sido saboreada em quase toda a Europa, é na Escandinávia que a tradição se mantem, sendo a Suécia um dos principais países da região a manter a tradição, tendo inclusive uma academia dedicada a essa iguaria: a Svenska Semleakademin.


A semla é uma produção culinária típica da terça feira gorda, dia em que é quase obrigatório comer esse pão que também é conhecido como "fettisdagsbulle”, ou seja, bolinho ou pãozinho da terça feira gorda, que é encontrado todas as confeitarias, padarias e supermercados suecos. Os suecos mais tradicionais, para manter as tradições, gostam de comer semla em uma tigela de leite quente – essa combinação é popularmente conhecida como “hetvägg” (literalmente, parede quente). Porém, na atualidade, a semla (ou semlor, plural de semla) é acompanhada por chá ou café.




Inicialmente a tradição sueca instituía que a semla fosse comida na terça feira gorda, em tempos antigos, período onde o jejum era uma prática comum. Mais tarde, quando o interesse dos suecos pelo jejum diminuiu, tornou-se tradição comer semla toda terça feira durante um período de 7 semanas, nas quais o jejum era instituído.

Há quem diga que a semla, inicialmente, fora um pão achatado e sem nenhum tipo de recheio, sendo uma das poucas preparações que os suecos poderiam comer nos períodos de jejum. Para burlar esta prática as pessoas começaram a fazer buracos na semla para esconder algum tipo de guloseima dentro do pão.


Um fato histórico importante envolvendo semla ocorreu em 1771: Após um lauto jantar, composto de lagosta, caviar, chucrute, arenque defumado e champanhe, encerrado com 14 porções de sua sobremesa favorita “hetvägg”, o rei sueco Adolf Frederick morreu de indigestão no dia 12 de fevereiro de 1771. 


Esse acontecimento quase iniciou uma espécie da caça às bruxas em relação a semla, que foi considerada como uma das causas da morte do rei. As crianças suecas aprendem na escola, até hoje, que o reio Adolf é lembrado por como "o rei que comeu até morrer". Mas isso não impediu que ela se tornasse uma das iguarias mais populares da Suécia, sendo consumida principalmente de janeiro até a Páscoa. Esse pãozinho deve realmente ser gostoso e não é difícil de fazer. Confira a receita abaixo.

Semla (12-15 porções)

Pasta de amêndoa:
125g amêndoa sem casca e laminada
100ml leite
100ml açúcar de confeiteiro

Corbertura:
300ml chantilly
50ml leite
1 colher de chá de açúcar ou essência de baunilha

Semlor (Massa):
100g manteiga ou margarina sem sal
300ml leite
50g fermento biológico seco
1/2 colher de chá sal
100ml açúcar
1 ovo
Em torno de 1 litro (560g ou 4 xícaras de 250ml) de farinha 
1 colher de chá cardamomo
1 ovo extra para pincelar


Preparo pasta de amêndoa: Triturar o máximo possível as amêndoas até ficar uma farinha. Misturar com o açúcar e depois com o leite. Preparo cobertura: Misture tudo delicadamente e reserve. Preparo Massa: Pré-aquecer o forno à 250 C. Derreter a manteiga e despejar o leite. Aquecer até atingir 37C (quando colocar o dedo, tem que estar quente, mas não muito). Despejar o fermento em um bowl. Colocar o sal, o açúcar e o ovo. Colocar a mistura de manteiga e leite e misturar com uma colher de madeira. Colocar a farinha aos poucos e trabalhar a massa com as mãos até ficar lisa e branquinha. Deixar descansar por 30 minutos no bowl coberto com uma toalha. Sovar a massa mais um pouco, por uns 5 minutos. Dividir em pequenas bolinhas. Colocar em uma forma untada ou com papel manteiga. Deixar descansar de 10-20 minutos até crescer mais um pouco. Pincelar com um ovo rapidamente batido. Assar os pãezinhos de 10-15 minutos. Retirar do forno e deixar esfriar. Cortar as “tampinhas” deles. Retirar um pouco do miolo ou apenas amassar com os dedos formando um buraco. Rechear com a pasta de amêndoa. Colocar o chantilly por cima. Tampar e polvilhar açúcar de confeiteiro.  

sábado, 6 de setembro de 2014

Bodas de Madeira da Confraria Gastronômica do Barão de Gourmandise

Hoje o dia é de festa! Esta Confraria celebra cinco anos de existência. E eu, celebro bodas de madeira com ela.


A simbologia da madeira é muito forte. Inicialmente, quando se pensa em madeira, se projeta a imagem de árvores frondosas com troncos fortes, mas a simbologia vai além.
Florestas são consideradas reservatórios de vida e sabedoria, são locais de meditação, adoração, de purificação e de reencontro coma essência. Geralmente há uma arvore, que se destaca dentre outras, e ela torna-se a anciã, cheia de sabedoria, de poder. Bosques eram “sagrados”, na Antiguidade, sendo dedicados a deuses cujas arvores de diferentes espécies os personificava. E ainda existe a filomancia, estudo capaz de prever o futuro através dos sons que as árvores e folhas fazem com o rajar dos ventos. 


A madeira ainda representa calor, energia sexual e criatividade. Tais características foram adquiridas com as mitológicas ninfas gregas que habitavam árvores e plantas, fecundando a natureza. Madeira também serve pra espantar coisas ruins. Quem nunca “bateu na madeira” para afastar maus pensamentos? Essa superstição oriunda da antiga tradição de se invocar o espírito de uma árvore para se ter boa sorte.
Por essa simbologia, a madeira se faz presente hoje nessas bodas, com todos os seus significados fortalecendo e evoluindo este espaço de guarda-memória, fortalecendo também quem aqui  vem beber
A madeira é um de nossos recursos naturais mais preciosos. Ela representa força, solidez, vida e sabedoria. O quinto aniversário é um marco em qualquer casamento. É o primeiro quinquênio de muitos outros. Com cinco anos a relação entre marido e mulher é, sem dúvida, mais sólida e forte, como resultado de um crescimento conjunto! Símbolo certo para a ocasião certa, como todos os outros!
Outro episódio simbólico envolve árvores, e um dos mais bonitos que eu, particularmente, conheço a história de um iluminado.

O nascimento de Buda
Bodhgaya ou Bodh Gaya, na Índia, é um dos locais mais sagrados do Budismo, por ser o lugar Sidarta Gautama, alcançou a iluminação por volta do século V a.C. São quatro os principais lugares ligados a Buda Gautama: Lumbini, local onde ele nasceu; Bodhgaya, local onde ele alcançou a iluminação; Sarnath, local de seu primeiro sermão; Kushinara, local onde ele morreu. Porém Bodhgaya é considerado o mais sagrado desses quatro locais por ser onde o o Príncipe Sidarta Gautama alcançou sua iluminação espiritual. Depois de 49 dias e 49 noites em meditação; Desde então, ele passou a ser chamado de Buda, termo derivado do sânscrito, que significa “desperto, iluminado, o que sabe”. Ele é conhecido no Budismo como Buda Gautama ou Buda Sakyamuni, o Iluminado da tribo dos Shakya.

Bodgaya
Reza a lenda que em Bodhgaya , Buda se iluminou sob uma figueira, e ali foi construído um santuário, chamado de Animisalocana Cetiya. O local passou a ser chamado de Bodhgaya e, desde então, é visitado, principalmente, por seguidores do Budismo. A figueira sob a qual Sidarta se iluminou é chamada de Árvore Bodhi.

A Figueira Sagrada, a árvore de Bodhi

A atual figueira sagrada em Bodhgaya, uma descendente da figueira original (Internet)
A figueira original sob a qual Gautama se iluminou já não existe. Em seu lugar foi plantada outra originária de uma muda de uma figueira (Sri Maha Bodhi) do Sri Lanka, que se originou da Árvore Bodhi sob a qual Buda se iluminou.


O rei Asoka, que reinou de 273 a 232 a.C., foi o primeiro soberano indiano a se converter ao Budismo e tornou-se um grande propagador da religião pela Ásia. Ele tinha reverência especial pela Árvore Bodhi. Todos os anos, no mês de kattika, ele promovia uma festividade em reverência ao que essa árvore significava. Entretanto, segundo se conta, a rainha de Asoka, sua esposa, num momento de raiva do marido, mandou envenenar a figueira que tanto seu marido estimava. A árvore quase morreu, mas renasceu. Depois disso, por precaução, Asoka mandou respeitosamente plantar mudas da Árvore de Bodhi no Sri Lanka e em outros locais.
Na cidade de Anandabodhi, existe outra figueira derivada da original, cujo plantio foi autorizado pelo próprio Buda a seu discípulo Ananda. São figueiras consideradas sagradas assim como a original. Lamentavelmente, a Árvore Bodhi original foi arrancada pelo Rei Pusyamitra Sunga, no século II a.C. Uma muda de uma das árvores derivadas da original foi plantada no local e cresceu, mas foi arrancada pelo Rei Shashanka por volta do ano 600 d.C. As figueiras que foram plantadas em substituição às arrancadas são de figueiras descentes diretamente da original. 

Os monges budistas recebendo ensinamentos na figueira sagrada
A atual Árvore Bodhi de Bodhgaya é de uma muda da do Sri Lanka, e cresce firme e protegida. Essa Árvore Bodhi está bem ao lado do atual Templo Mahabodhi, bem no local onde Buda Gautama se iluminou. Em 2002, o Templo Mahabodhi tornou-se um Patrimônio da Humanidade, pela UNESCO.
As arvores estariam ligada a Buda noutro episódio crucial, o de sua morte. Aos oitenta anos, acometido por uma doença possivelmente ocasionada pela ingestão de comida envenenada. Muito ruim e percebendo a iminência da morte Buda pediu que fosse colocado  sob a copa de duas arvores .As últimas palavras que dirigiu aos discípulos, foram: "O fim e inerente a todos os seres! Procurem a sua salvação com persistência!"
A lenda budista afirma que as duas arvores sala gêmeas transformaram-se em flores, desabrochando fora da estação. Houve uma chuva de flores e pó de sândalo, que cobriram todo o corpo de Buda, e a música celeste soou pelos ares...


A beleza da representatividade desse episódio é muito significativa pra mim. Permite que eu deseje a iluminação e coisas boas para todos nós, amigos leitores. Agradeço a todos que dedicam parte do seu tempo para ler o que eu escrevo aqui; agradeço aqueles que, vez por outra, se incomodam com o que leem e me escrevem xingando; agradeço pela oportunidade de adquirir conhecimento e de transmiti-lo
Abaixo fica um bolo de figos com vinho madeira, representando toda a simbologia desta data. Prepare enquanto ouve a canção inspirado no fim desta postagem. Eque a evolução, a iluminação seja uma constante em nossas vidas, e que possamos estar sempre produzindo boas coisas para chegarmos a iluminação. Obrigado.

Bolo de figo com vinho madeira

5 ovos
500 gr de açúcar
150 gr de manteiga
1/2 xicara de óleo
2 cálices de vinho madeira
1 xícara de leite
250 gr de figo seco triturado grosseiramente
2 colheres de chá de fermento
450 gr de farinha
1 frasco de 250 gr de doce de uva

Preparo: Batem-se as gemas com o açúcar e a manteiga. Adiciona-se o figo triturado e bate-se mais um bocado. Junta-se o doce de uva, o vinho madeira, a farinha e o fermento aos poucos, o óleo e o leite. Assar por aproximadamente uma hora em forno preaquecido a 180 graus.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Tsouréki – O Pão doce da Páscoa Grega


Na postagem passada tratei dos ovos vermelhos da páscoa grega (veja AQUI) e não me contive, fui pesquisar mais umas coisinhas sobre a páscoa dos gregos– cuja cultura sempre admirei. Pra minha sorte os gregos sempre têm muitas coisas pra se desvendar.
Descobri um pão de páscoa grego interessante, uma espécie de brioche, e bastante popular por lá. Esse pão da páscoa grega se chama Tsouréki e pra ficar ainda mais tradicional exige a presença dos ovos vermelhos na sua apresentação – o que é bacana pois já passei o preparo deles e agora você já pode preparar essa delícia pra incrementar seu cardápio pascal.


O mais bacana na minhas pesquisa sobre as origens do Tsouréki é que cheguei à conclusão e que a Páscoa é a celebração mais importante para os gregos – mais até que o Natal. E isso é tão verdade que os preparativos para ela começam dois meses antes; e, como no Brasil, a Semana Santa é o auge dessa atividade sobretudo para os preparos gastronômicos. Assim começa a páscoa grega:
De acordo com a tradição Ortodoxa grega, os ovos vermelhos simbólicos na Páscoa são tingidos na Quinta-feira Santa. Assim como também é na quinta-feira Santa que as mulheres também preparam o Tsoureki - o pão doce tradicional da Páscoa.



Na Sexta-feira Santa ou Grande sexta-feira, bandeiras nas casas e prédios do governo são definidos a meio mastro para marcar o dia triste.  Depois há a procissão do Epitáfio de Cristo (o Epitaphio lamenta a morte de Cristo na Cruz com o caixão simbólico, decorados com milhares de flores, tirado para fora da igreja e levado pelas ruas pelos fiéis que seguem até o cemitério, onde todos acendem uma vela para os mortos; então o Epitaphio com seu cortejo retorna à igreja onde os fiéis beijam a imagem do Cristo.



Durante a noite do Sábado Santo (Megalo Savato), as pessoas, vestidas com seus trajes formais, começam a se reunir nas igrejas por 23:00 para os serviços de Páscoa, carregando grandes velas brancas ou lamparinas. Pouco antes da meia-noite, todas as luzes das igrejas são desligadas, simbolizando a escuridão e o silêncio do túmulo. À meia-noite, o sacerdote acende uma vela a partir da Chama Eterna, canta "Christos Anesti" (Cristo ressuscitou, você poderá ouvir no fim deste post) e oferece a chama para acender a vela para as pessoas que estão o mais próximo a ele. Todo mundo passa a chama um para o outro, enquanto o clero canta o canto bizantino Christos Anesti. Então, todo mundo sai da igreja para as ruas. Sinos da igreja tocam continuamente e as pessoas dizem uns aos outros "Christos Anesti", a que a resposta é "Alithos Anesti" (verdadeiramente Ele ressuscitou).



Em seguida, os fiéis vão para casa ou para as casas de parentes e amigos para compartilhar as refeições da Ressurreição. As velas que eles carregam são colocados em cada casa e queimar durante a noite para simbolizar o retorno da Luz para o mundo. A quebra de ovos é um jogo tradicional, onde os adversários tentam quebrar ovos uns dos outros. A quebra dos ovos é utilizado para simbolizar Cristo saindo do túmulo. A pessoa cujo ovo dura mais tempo é garantido boa sorte para o resto do ano.
O dia seguinte, Domingo de Páscoa, é gasto novamente com a família e amigos. A refeição da Páscoa é uma verdadeira festa com um monte de saladas, vegetais e pratos de arroz, pães, bolos, biscoitos, e abundância de vinhos e ouzo. 




O aspecto do Uzo é leitoso quando misturado com gelo ou água
O Uzo (ele também é conhecido por esta grafia) é uma bebida alcoólica grega a base de anis É transparente e incolor, mas fica com aspeto leitoso quando é misturado com gelo ou água. Tradicionalmente é servida com meze Tem uma graduação alcoólica entre os 37º e os 50º. Constitui uma Denominação de Origem protegida, de acordo com as normas da União Europeia. O prato principal na mesa de Páscoa, no entanto, é o cordeiro assado, (muitas vezes entregues valas abertas), e servido em honra do Cordeiro de Deus, que foi sacrificado e ressuscitou na Páscoa.
O tsouréki (lê-se tsuréki, do grego moderno τσουρέκι) é apenas um dos vários pães de festas tradicionais gregas, mas provavelmente o mais conhecido.



Além do tsouréki existem outras variedades de pães de páscoa como a lambrokouloura (λαμπροκούλουρα) (Rosca da Luz) ou do lambrópsomo (λαμπρόψωμο) (Pão da Luz) ou com outros nomes conforme a tradição da região onde são feitos.
O nome tsouréki provém do termo turco corek que que se refere a qualquer tipo de pão feito com massa com o uso de fermento (Cabe aqui uma ressalva, para explicar que, muitos nomes para alimentos usados no grego moderno são provenientes de outras línguas sobretudo o Turco que é usado frequentemente usado por causa dos 400 anos de domínio otomano). A simbologia do pão o deixa mais especial, pois representa a ressurreição de Cristo - onde a farinha ganha vida e se transforma em pão. E, apesar de poder encontrar o Tsouréki durante todo o ano na Grécia, é na Páscoa que o seu significado é ainda mais valorizado.

Sabe-se que o pão simbolizava a vida também na tradição pagã e pode-se encontrar vestígios dessa crença ainda hoje sobretudo quando se observa o costume com caráter religiosos de ofertar pães doces na páscoa para pessoas queridas – tal como ocorre com o pão de coco, aqui no Ceará – já tratamos disso aqui AQUI.
O formato do Pão Doce de Páscoa varia conforme as tradições regionais. O mais conhecido é a trança com ou sem ovo vermelho. As tranças e os nós (outro formato) provêm da época pagã como símbolos para afastamento dos maus espíritos. Conforme o formato que lhes davam antigamente, tinham também diversos nomes: kofínia (κοφίνια - cesto), kalathákia (καλαθάκια - cestinhas), e formatos, vejamos alguns:

Kokona (senhora), koutsouna (boneca)


krios (Aries - carneiro)


kalathaki (cesta)


Pé de Jesus


Cobras enroladas


Na forma de 8



Roscas semelhantes eram feitas na época bizantina, as kolyrides (κολλυρίδες), e eram pães específicos para a Páscoa, em diversos formatos, que tinham no centro um ovo vermelho.



Então sugiro a você, amigos confrades e leitores amigos, que o prepare como manda a tradição: na quinta-feira, véspera da Paixão.

Tsouréki (Tsuréki)
Τσουρέκι

1 kg de farinha de trigo
8 ovos
250 gr de manteiga
2 xícaras de chá de açúcar
100 gr de fermento biológico fresco
1 xícara de chá de leite
½ xícara de chá de óleo
Suco de 2 laranjas
Raspas de laranja
Erva doce
Maxlépi
Mastixa (já falamos dela aqui AQUI )

Preparo: Bata todos os ingredientes exceto a farinha, a manteiga e o óleo no liquidificador. Incorpore os ingredientes batidos à farinha pouco a pouco. Trabalhe a massa adicionando a manteiga e o óleo aos poucos. Deixe descansar até dobrar de volume. Separe a massa em três partes, faça rolos e monte uma trança, coloque ovos vermelhos entre os espaços da trança (a quantidade você escolhe). Deixe descansar novamente até dobrar o volume. Pincele com a gema de ovo batida e asse em forno bem quente até dourar.


Dicas: Quanto mais trabalhada a massa, mais macia fica; Os temperos maxlépi e mastixa são difíceis de encontrar no Brasil. Não há substitutos então, se não tiver, não ponha; Se desejar, polvilhe nozes picadas ou amêndoas em fatias, ou gergelim, ou o que vier à sua cabeça.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Os Ovos Vermelhos da Páscoa Grega ( Κόκκινα πασχαλινά αυγά )


Eu estava aqui me lembrando da minha infância... e recordei de ovos coloridos. Quem nunca comeu um ovo colorido, daqueles que a gente encontra num botequim? Pois eu comi muitos quando criança. Meu tio Mário, vez por outra, me levava a uns lugares com ele, e me lembro de uma bodega que servia esses ovos coloridos – mas o que eu gostava mesmo era de comer ovos moles com pimenta do reino e sal [delícia].
Naquela época eu já era um curioso e já quis saber como aqueles ovos eram feitos. Me lembro que um dia perguntei isso ao dono da bodega e ele me disse que pintava os ovos – e a minha mente infantil imaginou o cara com potes de tinta guache aquarelando os ovos...
O tempo passou, eu cresci, e descobri que os ovos pintados são mais velhos do que eu pensava. Já existia essa mania de pintar ovos desde a antiguidade, sobretudo na época pascal.Mas hoje eu quero falar especialmente dos ovos vermelhos. Não por que o vermelho seja uma das cores que mais gosto, mas porque ovos vermelhos são símbolo de páscoa na Grécia.


Eu sei bem que os ovos de páscoa feitos de chocolate é que são a vedete desta estação, inclusive na Grécia eles também existem, mas por lá existe a tradição de presentear com Ovos Vermelhos de Páscoa ou Κόκκινα πασχαλινά αυγά (Kókina pasxaliná avgá - Kókina pasxhaliná avghá) – tradição essa que vem desde a antiguidade.
Naquela época presentear com ovos tinha um significado importante, eles eram considerados os presentes perfeitos da natureza e simbolizavam a chegada da primavera, sendo utilizados como objetos de comemoração. Representavam a vida, o surgimento do mundo em diversas crenças. O ovo teria o poder da vida e acreditava-se que se podia repassar esse pode a tudo que fosse vivo (plantas, animais e homens).



Na antiguidade esse trabalho de tingimento dos ovos começava na madrugada, o que marcava o começo de um novo dia; a panela que era utilizada para o cozimento dos ovos deveria ser novam o número de ovos era determinado anteriormente e a tinta que restava da pintura era guardada pro quarenta dias e não poderia ser jogada fora de casa.
Para os Cristão Gregos ortodoxos existe também um ritual para se tingir os futuros ovos de presente: o tingimento dos ovos deve acontecer sempre na quinta-feira que antecede a Páscoa (Μεγάλη Πέμπτη - Megháli Penpti ou Grande Quinta) e por isso é chamada de Κοκκινοπέφτη (Kokinopéfti - quinta vermelha) – essa data relembra o episódio do derramamento do sangue de Cristo.



O milagre do Ovo vermelho realizado por Maria Madalena

Nasceu em Magdalena (de onde surge o seu nome), uma vila a 4 km ao Norte de Tiberíade, na Síria. Na juventude foi possuída por forças do mal, mas quando recebida na fé cristã tornou-se sã. O Evangelho narra que Cristo passou pelas cidades e vilas proclamando a Boa Nova sobre o Reino dos Céus e iam com Ele os doze apóstolos e algumas senhoras, as quais Ele curou dos espíritos malignos e de doenças: “Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios, Joanna, esposa de Cuza, procurador de Herodes e Suzana e muitas outras que O serviam com seus bens (Lc. 8,3)”.
Maria Madalena foi zelosa cristã cuja fé e amor por Cristo nada podia derrotar ou abalar no mundo. A Santa, como fiel discípula, foi com Seu Senhor, acompanhou-O até o Gólgota e foi a primeira a encontrar o túmulo vazio “... dois anjos vestidos de branco, sentados...” os quais anunciaram-na a Ressurreição de Cristo. Assim como foi a primeira para quem o Senhor Ressuscitado se manifestou e enviou-a aos discípulos com a Boa Nova.


Madalena entregando o ovo vermelho a Tibério - Afresco.
A Tradição relata que pregando em Roma, ela chegou ao palácio do imperador Tibério. Na audiência com o imperador ela lhe contou sobre o Senhor Jesus Cristo sobre seu ensinamento e ressurreição dos mortos. O imperador duvidou do milagre da ressurreição e pedia provas a Maria Madalena. Então ela pegou um ovo cozido que estava em cima da mesa e entregando-o ao imperador disse “Cristo Ressuscitou!” Durante estas palavras o ovo branco ficou vermelho carmim nas mãos do imperador. Este evento é registrado no mosteiro de Santa Maria Madalena, localizado em Jerusalém . O mosteiro foi construído em 1885. Neste há um afresco de Maria Madalena na frente de Tibério César
Depois, como os apóstolos, viajou pregando a Boa Nova aos países entre a Itália e a Ásia Menor. Quando aportou em Éfeso, uniu-se ao Apóstolo João, o teólogo, a fim de junto com ele propagar a Fé Cristã, e assim até o fim de sua vida. Morreu em Éfeso e as sua relíquias em 899 foram trazidas pelo Imperador Bizantino Leão VI, o sábio, para Constantinopla.
Conforme a tradição Maria Madalena foi chamada “igual aos apóstolos”, e seu culto é, em geral, na Igreja Ortodoxa como na Igreja Romana.


Ovos vermelhos ou coloridos?

Quanto as cores usadas para o tingimento, elas vinham de meios naturais: a cor de mel era obtida a partir das cascas de cebola, a cor amarela das folhas de amendoeira, o vermelho vivo das papoulas. Contudo a cor vermelha era a mais usada, pelo seu significado (sangue do Cristo, o que dá a vida). Hoje em dia ficou mais fácil fazer o tingimento de comidas, inclusive dos ovos, pois existem muitos tipos de anilinas comestíveis que se pode encontrar em qualquer supermercados.
Outro ritual envolvendo os ovos tingidos acontece a missa da Ressurreição e se repete ao longo de todo o dia de Páscoa: é a quebra dos ovos. Cada pessoa ganha um ovo e segura firmemente envolto na mão, então bate no ovo que está na mão da outra pessoa e ao quebrar um dos ovos diz Χριστός Ανέστη (Xhristós Anésti) - Cristo ressuscitou, e a outra pessoa responde Αληθώς Ανέστη (Alithós Anésti) - Na verdade, ressuscitou. A quebra dos ovos vermelhos simboliza a Ressurreição de Cristo.



Tão bonito, tão poético, tão simbólico que deu vontade de fazer por estas terras brasileiras. Sem contar que a presença desses ovos vermelhos ainda é arte de um pão grego de páscoa que será tema da próxima postagem (aguardem). Até lá, deixo a receita pra tingir os ovos de vermelho,

Ovos Vermelhos de Páscoa
Kókina pascaliná avgá
Κόκκινα πασχαλινά αυγά

1 dúzia de ovos brancos médios
Anilina vermelha o quanto baste (coloque o bastante pra ficar com uma cor viva)
2 colheres de sopa de vinagre
2 folhas de papel absorvente
Óleo para dar acabamento

Preparo: Coloque uma ou duas folhas de papel absorvente no fundo de uma panela. Coloque os ovos sobre o papel com cuidado ajeitando para não ficarem batendo uns nos outros. Cubra os ovos com água até um dedo acima do nível dos ovos e inicie o aquecimento. Quando iniciar a fervura, abaixe o fogo até um ponto em que a água continue borbulhando e cozinhe os ovos por 10 minutos. Dissolva a anilina em um copo com pouca água conforme as instruções da embalagem, misture o vinagre e adicione aos ovos. Deixe ferver por mais 5 a 10 minutos. Apague o fogo e retire os ovos colocando num aparador forrado com papel absorvente. Deixe esfriar um pouco, molhe um papel absorvente com um pouco de óleo e passe sobre toda a superfície dos ovos para dar brilho. Retire o excesso de óleo com outro papel absorvente.
Dicas: Caso precise colocar os ovos uns sobre os outros, coloque sempre um papel absorvente entre eles para não quebrarem enquanto cozinham. Escolha ovos pequenos para tingir, quanto menores mais grossa é a casca. Ovos naturalmente vermelhos não pegam bem a tintura, mas os brancos tem a casca mais fina e quebram com mais facilidade, por isso melhor usar o papel absorvente para evitar que quebrem.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

O Natal entre os estônios


Ultimamente eu tenho ficado vidrado numa cantora estoniana, Iiris (escutem a música dela no fim deste post). E quando eu gosto de algo, ou alguém, procuro me informar mais sobre este algo (ou alguém), saber sobre sua cultura, seus gostos, sua curiosidades. Isso me fascina. Desta forma, e movido pelo clima natalino, fui em busca de descobrir um pouco sobre o Natal entre os estonianos.



Tallinn, a capital da Estônia 
O Kadriorg, em Tallinn, um jardim inglês fundado por Pedro, o Grande. Lá, você encontrará o Palácio Kadriorg, construído em 1718 como um de seus palácios de verão. Ele fecha às segundas-feiras, exceto para excursões da Royal Caribbean Cruise Line.
castelo de Toompea, na parte alta da cidade velha. Datado da primeira metade do século XIII, o castelo passou por várias reconstruções e agora está em frente à casa rosada do Parlamento, construída em 1773.
Na língua Estônia, a palavra para designar o Natal é Jōulud. Por lá, o dia do nascimento de Cristo é assinalado por essa palavra, anterior à introdução do Cristianismo no mundo.
O Jōulud já era festejado na Estónia antes da chegada do Cristianismo naquelas terras, e para os estónios antigos era uma festa que se prolongava por 17 dias, onde eles festejavam o solstício de Inverno — o nascimento do Sol (é a partir do solstício de Inverno que os dias tronam-se mais longos, e o Sol erguer-se mais alto no céu).

O tradicional mercado de Natal de Tallinn



Durante o Jōulud os estonianos cometiam excessos no que diz respeito à alimentação e eram proibidos certos tipos de trabalhos, pois era considerado um tempo de descanso no meio do longo Inverno sombrio. Mas, o Jōulud foi sempre uma festa dedicada à família e era considerado um tempo de recolhimento.
Em épocas remotas, nenhum estranho entrava em casa durante o primeiro dia das festividades. Pior ainda, se fosse uma mulher, considerava-se o fato um mau presságio. A mesma crença era válida para a véspera de Ano Novo. Mas hoje, o Natal é uma mistura de tradicionalismo e de modernidade, uma fusão do profano com o religioso. As festas concentram-se sobretudo na Véspera de Natal, embora a época natalícia tenha início no Advento, quando as pessoas compram calendários de Natal e acendem velas.
Na Estônia, o Natal hoje é uma festa alegre, mas para viver principalmente entre a família e os amigos mais chegados (como na maior parte das sociedades que celebram esta data). Muitas vezes a noite de Natal é passada em casa dos avós ou parentes, para, na noite do dia 24 de Dezembro, ter com os entes queridos um jantar de Natal. Depois de ter ido à missa.



A figura do Papai Noel é presente naquela região por conta da proximidade com o lugar ao qual o censo comum, credita, como terra de origem do Papai Noel, a Lapônia, (Mas não vamos aqui discutir a origem do bom velhinho, mesmo porque ainda existem os que acreditam que ele vive no Polo Norte... e eu não mexo com crenças, nem com fantasias...)
Na noite de Natal, as famílias estonianas com crianças, costumam ter uma visita do Jõuluvana (Pai Natal, ou Papai Noel), que se desloca num trenó com as suas renas da Lapónia, Finlândia, para distribuir as prendas para os mais novos. As crianças com direito a prenda, têm de cantar ou recitar poemas, o mesmo aplica-se aos adultos. Para os mais indisciplinados, assim como para os pais, o Pai Natal traz uma vara, habitualmente sem uso.
Se por alguma razão o Pai Natal não chegar a todas as crianças, as prendas são levadas para debaixo da árvore de Natal pelos seus ajudantes, os pequenos Duendes. Cabe aos Duendes vigiar secretamente as crianças durante o ano todo e tomar as devidas notas, para o Papai Noel saber quem se portou bem ou mal.
No início do mês de Natal as crianças escrevem uma carta ao Pai Natal onde expressam o que gostariam de receber. A carta pode ser enviada por correio, para a Lapónia, ou deixada no peitoril da janela para os Duendes a entregarem ao Papai Noel. Também no peitoril, as crianças estonianas deixam cada noite de Dezembro as suas pantufas, para os Duendes colocarem prendinhas ou guloseimas dentro das pantufas. Este privilégio é destinado às crianças bem comportadas.
Durante o mês de Dezembro, as crianças aprendem as canções e poemas Natalinos, para na noite de Natal atuarem para o Papai Noel. Em Dezembro, decorrerão concertos e peças alegres em todas as escolas, creches e locais de trabalho dos pais, onde são distribuídas guloseimas e prendas para os mais novos.

Curiosidades:

A primeira Árvore de Natal público foi erguida na Praça do Município, em Tallinn, no ano remoto de 1441. A tradição de levar para casa uma árvore de Natal difundiu-se no país durante o século XIX. A árvore de Natal é um abeto verde. As primeiras decorações usadas na árvore de Natal eram brinquedos, doces, maçãs e, já mais tarde, velas.
A árvore de Natal mais famosa fica no centro de Tallinn, onde se realiza o mercado de Tallinn, famoso por sua feira natalina.


Tradições

Por que razão as pessoas os estonianos comiam (ainda há os que fazem isso) 7, 9, e mesmo 12 vezes, na Véspera de Natal?
Estes números eram mágicos, e a alimentação em excesso garantia fartura para o ano seguinte. Se os homens comessem sete vezes na Véspera de Natal dizia-se que no ano seguinte teriam a força de sete homens.

Por que razão a comida tinha de ficar em cima da mesa durante toda a noite?
Acreditava-se que os antepassados e outros espíritos apareciam em casa na noite de Natal, bem como na noite de Ano Novo e na Epifania.

Há 350 anos que existe na Estónia o costume de declarar a Paz de Natal
No dia 24 de Dezembro de cada ano, o Presidente da Estónia proclama a Paz de Natal e assiste a uma missa. Esta tradição iniciou-se no século XVII, por ordem da Rainha Cristina, da Suécia.


Pratos típicos

Uma ceia de Natal tipicamente estoniana
No Natal, é tradição os estonianos comerem carne de porco com chucrute, ou chucrute estônio (mulgikapsad), batatas cozidas, grelos de nabo e cabeça de porco, salsichas e chouriço de sangue, galantina de porco ou de vaca, salada de batatas com beterraba roxa e patês. Entre as sobremesas, os biscoitos de gengibre (piparkoogid) e o maçapão são os mais populares.
As bebidas mais apreciadas nesta época costumavam ser a cerveja e o hidromel fermentado em casa. A cerveja de hidromel fermentada no dia de S. Tomás tinha de durar até à Epifania. A fermentação da cerveja era trabalho dos homens, e tinha de ser começada a meio da noite, para que não lhe deitassem mau-olhado. A cerveja fazia-se com centeio, cevada, trigo e aveia. O malte de centeio era o ingrediente mais usado no fabrico da cerveja. Presentemente o vinho aquecido também se popularizou.

Abaixo você vai encontrar algumas iguarias tradicionais desta época para festejar o Natal à maneira dos estonianos.

Piparkoogid (biscoitos de gengibre)

250 gramas de mel ou de melaço
100 gramas de açúcar
50 gramas de manteiga
2 colheres de chá de mescla de especiarias (canela, cravinho, cardamomo, gengibre, noz-moscada),
um pouco de sal
1 ovo
300-500 gramas de farinha
2 colheres de chá de fermento em pó
Preparo: Ferve-se o melaço com o açúcar e a manteiga, sem nunca deixar de mexer. Juntam-se as especiarias e bate-se para arrefecer. Adiciona-se o ovo já batido e a farinha misturada com o fermento. Bater até conseguir uma massa sólida. Deixar repousar em lugar fresco. Enrolar a massa. Untar a grelha, enformar os bolos usando formas de biscoito (mais tipicamente a forma de estrela, coração, lua ou homenzinho) e colocá-los sobre a grelha para assar. Depois de prontos, os biscoitos podem ser decorados com o glacé colorido.

Patê de fígado

500 gramas de fígado de vitela
200 gramas de toucinho defumado
2 cebolas
2 cenouras
Pimenta, noz-moscada
1 copo de água
100 gramas de manteiga
Açúcar
Conhaque, aguardente ou rum
Preparo: Corta-se o toucinho e frita-se com os vegetais cortados às rodelas. Adiciona-se o fígado cortado em fatias e mexe-se até a mistura adquirir a cor castanha. Juntar a água e os temperos e deixar ferver até todos os ingredientes ficarem macios. Passar pelo passe-vite. Acrescentar a manteiga e bater. Colocar em tigelas e armazenar num local fresco.


Rosolje (Salada de batata com beterraba)

700 gramas de beterrabas cozidas
400 gramas de batatas cozidas
200 gramas de cenouras cozidas
1 arenque não muito salgado (pode ser salmão)
1 ou 2 pepinos em vinagre
200 gramas de carne de porco ou de vaca, assada.
2 a 3 ovos cozidos
6 dl de requeijão
Sal, conforme o paladar
½ colher de chá de mostarda
Um pouco de açúcar
Cebolinhas para enfeitar
Preparo: Salada para 10 a 12 pessoas. Esta salada contém uma abundante quantidade de beterraba roxa cozida, cujo sabor adocicado combina bem com o arenque salgado e os pepinos em vinagre. Descascar as batatas, as cenouras e as beterrabas; descascar as maçãs e tirar-lhes o caroço. Cortar o arenque às fatias, tirando a pele e até as espinhas mais pequenas. Cortar tudo (exceto os ovos), em cubos muito pequenos. Preparar um molho com o requeijão, a mostarda, o sal e o açúcar. Despejar os ingredientes dentro do molho e deixar tapado no frigorífico durante uma ou duas horas; tirar uma hora antes de servir à mesa. Pôr um monte de salada em cada prato, cobrir com os ovos cortados em rodelas muito finas e decorar com as cebolinhas cortadas.

 Sült (Galantina de porco ou de vaca)

2 a 2,5 quilos de carne de porco ou vitela com ossos e peles (podem acrescentar-se pezinhos de porco ou mão de vaca)
1 cebola amarela cortada com a casca (para dar cor)
1 cenoura, cortada
8 a 10 grãos de pimenta
6 grãos de pimenta da Jamaica
1 folha de louro
Sal
Preparo: Lavar a carne e metê-la numa caçarola com água fria. Deixar levantar fervura e ferver durante 1 ou 2 minutos; despejar a água e lavar a carne e a caçarola, de modo a que não fique espuma. Despejar água limpa a ferver sobre a carne e deixar em fogo brando, sem a tampa, até que a carne se desligue dos ossos (3 a 4 horas). Não ferver demasiado depressa, se não a galantina não ficará transparente. Tirar a gordura à medida em que ela for subindo à superfície, e acrescentar mais água a ferver, se necessário. Ao fim de uma ou duas horas, juntar a cenoura e a cebola, as especiarias e 2 a 3 colheres de chá de sal durante os últimos 10 minutos. Retirar a carne, deixar arrefecer e cortar em pedaços pequenos. Coar o caldo, pôr a carne e o caldo numa panela e adicionar uma boa dose de sal, porque o arrefecimento atenua o gosto. Ferver outra vez, deixar arrefecer durante alguns minutos e colocar em formas ou em pequenas tigelas, previamente passadas por água fria. Cobrir com folha de plástico ou de alumínio e guardar num local fresco. A galantina tanto se serve ao jantar, acompanhada com batatas quentes, como num buffet frio. Em qualquer dos casos acompanha-se com mostarda, vinagre suave ou rábanos em vinagre.

 Verivorst (Chouriço de sangue)

1,25 quilos de grãos de cevada com casca
750 gramas de carne (toucinho defumado)
200 gramas de cebolas
Sal, pimenta
Manjerona, orégano, cominho
½ litro de sangue
Cerca de 10 metros de tripas
Preparo: Meter as sêmolas lavadas em água quente salgada e ferver até fazer uma papa. Cortar o presunto em bocados pequenos e fritá-lo com rodelas de cebola até alourar, juntar aos grãos de cevada e ferver até obter uma papa. Depois de arrefecer, adicionar o sangue e os temperos. Encher as tripas com a mistura, mas não muito, porque o sangue e os grãos de cevada incham com a fervura. Atar as pontas das tripas com cordel macio. Meter os chouriços em água morna e fervê-los lentamente durante cerca de 30 minutos. Arrefecer rapidamente os chouriços e guardá-los em lugar fresco. Servem-se fritos ou assados no forno. Antes de fritar, mergulhar os chouriços em água quente. Serve-se com toucinho fumado frito, doce de arandos e mirtilos vermelhos ou salada de abóbora.

Uma tradição mais antiga era a preparação da chouriça branca, mais tarde substituída pelo chouriço de sangue. A chouriça branca leva os mesmos ingredientes, exceto o sangue.

 Mulgikapsad (Chucrute estônio)

1 quilo de chucrute
½ copo de grãos de cevada descascada
400-500 gramas de toucinho defumado
1 a 2 cebolas
Sal, açúcar
Água
Preparo: Meter o chucrute numa caçarola com a cevada e carne. Cobrir com água e estufar tapado. É importante que a água não ferva. Adicionar sal e açúcar. Cortar as cebolas em pequenos cubos e fritá-las num pouco de gordura ou de azeite. Em seguida, juntá-las ao chucrute. O chucrute estónio serve-se com carne de porco e batatas cozidas.

 Karask (Bolo torrado)

¼ de litro de leite fermentado
1 ovo
1 colher de chá de sal
1 colher de chá de açúcar
2 colheres de chá de azeite ou outra gordura
I colher de chá de cominho
1 copo de farinha de cevada
¾ de copo de farinha de trigo
1 colher de chá de fermento
Preparo: Bater o ovo com o sal e o açúcar, adicionar o leite fermentado, a gordura derretida, os cominhos e a farinha grossa com o fermento. Amassar até conseguir uma massa leve e macia. Colocar a massa numa forma untada com gordura e levar ao forno. Serve-se com manteiga, mel ou doce de arando.

 Maçapão

150 gramas de amêndoas
1 clara de ovo
150 gramas de açúcar em pó
Preparo: Pelar as amêndoas e moê-las tão fino quanto possível. Misturar as amêndoas moídas com a clara de ovo e mexer até obter uma massa uniforme, juntando o açúcar aos poucos. Bater a massa até esta atingir uma elasticidade consistente.

A massa usa-se na decoração de bolos e de doces. Segundo uma lenda, o maçapão foi criado acidentalmente em Raeapteek, uma botica de Tallinn, e recebeu o nome de Pão de Martinho. Atualmente, este doce é produzido pela Confeitaria Kalev.