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quarta-feira, 18 de maio de 2016

A deliciosa Babka de Chocolate

Um delicioso pão judeu conhecido como Babka que se tornou emblema de imigrantes judeus que atravessaram Atlântico.



A babka é um pão de massa fermentada, recheada, torcida e assada em fôrma de pão (aquela retangular, tradicional para ‘pão de forma’). As raízes humildes da Babka refletem a história dos shtetls da Europa Oriental que viviam nos cortiços da Lower East Side início do século 20, e em outras partes do mundo.

Shtetl (em iídiche: שטעטל, no singular; שטעטלעך, shtetlech, no plural), é a denominação iídiche para "cidadezinha". Chama-se "shtetl" as povoações ou bairros de cidades com uma população predominantemente judaica, principalmente na Europa oriental, como por exemplo, na Polônia, Rússia ou Bielorrússia, antes da Segunda Guerra Mundial.

Há muitas teorias obscuras para a origem da babka. Umas dizem que trata-se de uma produção culinária descendente distante dos pães de comunhão consumidos nas regiões eslavas no período da Páscoa. Outras, indicam a possibilidade de ser uma alusão ao fato de que nas sociedades antigas do Norte da Europa a mulher era o sexo dominante. Esta última  teoria afirma que babkas, geralmente redonda, eram um símbolo de fertilidade. No entanto, existe outra explicação: Historiador e escritor de alimentos Lesley Chamberlain acredita que babka tenha origem italiana, trazida pela rainha Bona Sforza da Polônia no século  XVI, e tornou-se uma versão russificada do Panetone típico italiano.

Bona Sforza d'Aragona (Vigevano, 2 febbraio 1494 – Bari, 19 novembre 1557) rainha consorte da Polônia, granduquesa consorte da Lituania e duquesa sovrana de Bari.



Embora não se saiba, com precisão a origem do durgimento dessa produção culinária, tem-se certeza quando a sua etimologia: a palavra "babka": significa "pequena avó" em ucraniano, russo e em dialetos do Leste Europeu.  Sabe-se também que o termo babka foi adotado em vez de "babas" que significavam avós, nos shtetls da Europa Oriental.
Outra informação interessante que se tem é que, a babka poderia ser uma versão de pão feito com as sobras de massa de pão challah, sendo a babka uma inovação econômica e deliciosa.



A babka dos shtetls era bem diferente da babka que se conhece atualmente. Em vez de ser preenchida com chocolate ou canela, as primeiras babkas judaicas eram provavelmente cheias de amêndoas, nozes e outros tipos de castanhas, além de sementes como as de papoula.

Sem contar que o processo de transformação da amêndoa de cacau em chocolate, como se conhece na atualidade, só foi  inventado em 1879 pelo chocolatier suíço Rodolphe Lindt. Anteriormente, o chocolate foi consumido principalmente como bebida exótica (e caro). Assim, de onde é que vem a nossa babka de chocolate moderna?

Isso nos leva à segunda parte da história da babka - uma confecção muito apreciada pelos judeus de Nova York. Muitos judeus fugiram dos pogroms da Ucrânia e da Rússia e estabeleceu-se em Nova York, especificamente no Lower East Side.

Pogrom (em iídiche, פּאָגראָם,do russo погром) é um ataque violento maciço a pessoas, com a destruição simultânea do seu ambiente (casas, negócios, centros religiosos). Historicamente, o termo tem sido usado para denominar atos em massa de violência, espontânea ou premeditada, contra judeus, protestantes, eslavos e outras minorias étnicas da Europa, porém é aplicável a outros casos, a envolver países e povos do mundo inteiro.

Os imigrantes judeus trouxeram com eles ‘pedaços do shtetl’ sob a forma de receitas. Assim os judeus de Nova York, com novos ingredientes disponíveis, começaram a incrementar os pratos tradicionais – o que fez a babka de Chocolate surgir.



 A massa fermentada é enrolada com camadas de chocolate que depois de assada recebe uma  pincelada com xarope simples, que lhe confere brilho e ajuda  a mantê-la úmida  – há quem não pincele nada, e ela continuará gostosa do mesmo jeito. Abaixo deixo duas receitas deliciosas e fáceis de preparar.

Babka de Chocolate
Ingredientes:
100 ml de leite morno
5 g de fermento seco
1/4 xícara+ 1/3 xícara de açúcar
1 ovo
2 gemas pequenas
2 xicaras de farinha de trigo
1/3 colher (chá) sal
1.1/2 colher (sopa) + 1 colher (sopa)de margarina ou manteiga
400 g de gotinhas de chocolate ou raspas moídas com uma faca
Streusel:
56 g de manteiga em cubinhos
1 xic de açúcar mascavo
¾ xic de farinha de trigo (ou menos)

Preparo: Disponha o leite morno em um pequeno bowl. Polvilhe o fermento e uma pitada de açúcar sobre o leite. Deixe descansar até espumar, por cerca de 5 minutos. Em outra tigela, misture o ¼ xic açúcar, os ovos e as gemas. Adicione esta mistura à mistura do fermento e misture até combinar. Na tigela da batedeira, combine a farinha e o sal. Adicione a mistura de ovos e bata em velocidade baixa, até incorporar a farinha. Troque o batedor por um gancho de massas pesadas. Adicione a 1.1/2 colher (sopa) de manteiga e bata até a farinha e a manteiga estarem incorporadas e homogêneas, macias, cerca de 10 minutos. Jogue a massa em uma superfície levemente enfarinhada e amasse um pouco até ficar macia e lisa. Unte um bowl grande e coloque a massa. Cubra com um plástico filme e deixe descansar em um lugar morno até dobrar de tamanho, cerca de 1 hora. Misture o chocolate picado (400 grs), a canela, o restante do açúcar (1/3 xic). Usando duas facas ou pastry cutter, misture 1 colher (sopa)de manteiga ao chocolate , até combinar. Forre uma forma de pão com papel manteiga e unte generosamente com manteiga. Dê um soco na massa e transfira para uma superfície limpa. Deixe descansar por 5 minutos. Em uma superfície generosamente polvilhada, abra a massa até obter um quadrado de 40x40cm, com espessura de 3 mm. Pincele as bordas com os ovos reservados. Cubra com o recheio de chocolate deixando 0,5cm de borda. Enrole a massa firmemente. Pincele as bordas para vedar. Torça 5 ou 6 vezes e faça um trança simples. Disponha a massa na fôrma de pão, pincele a superfície com ovo e cubra com o streusel. Cubra com papel filme plástico e deixe descansar por 20 a 30 minutos. Asse em forno pré-aquecido a 180oc, rotacionando no meio do tempo, por cerca de 55 minutos. Remova do forno, transfira para uma grade e deixe esfriar por completo.

Babka de canela
Ingredientes (Para massa):
1 Pacote de fermento biológico fresco
6 Colheres de sopa de açúcar refinado
1/3 de xícara de água morna
2 1/2 xícaras de farinha de trigo
100g de manteiga em temperatura ambiente
2 ovos
Recheio:
100g de manteiga derretida
1 xícara de açúcar mascavo
2/3 de xícara de açúcar refinado
2 colheres de sopa de canela.


Preparo: Em um bowl pequeno misture o fermento, duas colheres de açúcar e a água morna, mexa e reserve até começar a espumar. Enquanto isso, em uma bancada despeje a farinha e faça um buraco no meio dela, jogue ali os ovos, o restante do açúcar, a manteiga, e a mistura do fermento, incorpore tudo aos poucos ate formar uma massa uniforme, sove-a por 10min, até ela ficar elástica. Deixe descansar por 1h. Em outro recipiente misture o açúcar mascavo, refinado e a canela, jogue a manteiga derretida até formar uma espécie de creme. Passado o tempo de descanso da massa, coloque-a sobre uma superfície enfarinhada e com a ajuda de rolo comece á abri-la. Ela tem que ficar bem fina, mas cuidado para não rasga-la. Em seguida despeje o recheio sobre ela e vá ajeitando com as costas de uma colher, ou com uma espátula para bolo, até toda massa ficar coberta de recheio, então comece a enrola-la delicadamente. Com a massa enrolada faça uma trança pelo meio, e desponha-a em uma assadeira untada e coberta por papel manteiga. Pincele com um ovo batido e salpique açúcar refinado, Leve ao forno em potencia mínima, deve assar por mais ou menos 1h/1h15min. 

segunda-feira, 28 de março de 2016

Far Breton


Se houver uma sobremesa que imediatamente vem à mente quando se fala em confeitaria da Bretanha, é, obviamente, a Far Breton (a prov farz em Bretão: "farz = farinha" + "prov = forno")! Não é apenas delicioso, mas também muito simples de fazer.


Com uma textura que é densa e cremosa, ao mesmo tempo, o Far Breton é uma especialidade da confeitaria da Bretanha que encanta os paladares mais requintados. No entanto, originalmente, era um mingau de cereal simples (em latim, ‘far’ que significa "farinha de”, e os cereais simples poderiam ser trigo, milho, aveia) que, inicialmente era salgado e servia para acompanhar carnes. Com o passar dos anos, surge a versão doce, que consiste em uma mistura de  leite, ovos, farinha, açúcar e ameixa que conquistou a França entre o século XVIII e XIX.



As origens do termo Far Breton vem do latim ‘far’, palavra que indicava que era algo feito de farinha de algum cereal.  Difícil saber exatamente quando e quem produziu pela primeira vez essa receita já que alguns escritos do século XVIII falam dessa preparação na sua forma salgada, sendo cozida em um saco, como um cozido selvagem, feito de trigo sarraceno e farinha de trigo, servido em fatias (farz a-bezh em Bretão) ou quebrada (bruzunog em Bretão) para acompanhar carnes, ou simplesmente para ser comido sem acompanhamento. Já a versão doce, passou a ser popular quando passou a ser servida em dias e eventos festivos na Bretanha.
Mas por que colocar ameixas secas no Far Breton? Aqui está uma pergunta que alguém pode estar se fazendo –  sobretudo quando se sabe que  não há plantações de ameixas na Bretanha! A resposta para essa questão talvez venha do intercâmbio marítimo com outros povos.





Havia muitos pescadores na Bretanha nos séculos XVII e XVIII, mas a população gostava de pesca, alguns se dedicavam, inclusive, à pesca do bacalhau, na Islândia. Nessa mesma época os marinheiros da Grã-Bretanha já faziam consumo de ameixa secas, e outros frutos secos como maçãs e uvas passas, durante as viagens ao mar. Os britânicos já sabiam que frutos secas são excelentes fontes de energia, além de serem mais fáceis de transportar.
Deste modo os bretões passaram a trocar bacalhau por ameixas, e desde então passaram a incorporá-las em suas receitas.
O importante disso tudo é que resultou em uma sobremesa prática, rápida e deliciosa – que você deve experimentar.

Far Breton
 
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250 gr. de farinha (pouco mais de 1 xícara)
150 gr. do açúcar (cerca de 2/3 de xícara)
4 ovos
1 litro de leite
20 gr. de manteiga (1,3 colheres de sopa)
2 colheres de sopa de Grand Marnier
250 gr. ameixas secas sem caroço


Preparo: Marinar as ameixas secas com o Grand Marnier. Pré-aqueça o forno a 200 ° C (400F). Misture a farinha com o açúcar. Adicione os ovos um a um, e misture. Em seguida, despeje o pouco de leite aos pouco até que se  obtenha uma espécie de massa de panquecas (ou seja, uma massa lisa e líquida). Untar a assadeira com a manteiga. Coloque as ameixa secas no fundo da forma, despejar a mistura por cima e levar ao forno  para assar por cerca de 50 minutos – ou até dourar.

quarta-feira, 2 de março de 2016

Tarte poire amandine ou Torta Bourdaloue (Torta de pêra e amêndoa)


Tem dias em que só uma receita clássica agrada. Mas é engraçado que, quando se fala em cozinha clássica, muita gente já a identifica com preparações difíceis e complicadas de fazer. Por isso o post de hoje é justamente para mostrar a facilidade e o sabor resultante de uma preparação clássica. Hoje este poste é sobre Tarte poire amandine ou Torta Bourdaloue (Torta de pêra e amêndoa).




Este doce é mais uma das preparações que foi nomeada a partir da rua onde a confeitaria que a criou está licalizada. A tarte Bourdaloue surgiu em plena Belle Époque, no final do século XIX, em uma pastelaria da Rua Bourdaloue, no 9º distrito de Paris, que foi instalada ali por volta de 1850, sendo uma criação do confeiteiro Lesserteur. Àquela era comum que os clientes ignorassem o nome do artesão, mas não o da rua onde o doce da moda era fabricado.
O nome da rua que nomeia a torta deve-se a um jesuíta francês do século XVII, e contemporâneo de Louis XIV, chamado Louis Bourdaloue, que se destacou como grande orador. Era evidente que ele sabia se dirigir às massas, mais do que o  Rei Sol. Louis Bourdaloue chegou até a posteridade com uma estátua à vista no Museu do Louvre, no pátio de Napoleão, especificamente.







No entanto, ainda existe um objeto que leva este nome, mas que não tem nada a ver com a preparação. Trata-se da bourdalou,  que nada mais é do que um urinol feminino! O termo deste objeto nasceu na França, assim como uma piada em comparação para os grandes sermões dos jesuítas, que levavam as senhoras a fazer uso desse objeto do lado de fora do templo, e quando isso já não era permitido elas iam atrás de uma coluna aliviar-se. Elas costumavam levar a bourdalou para o teatro, e também para outros lugares públicos, quando ainda não havia banheiros públicos e também não disponham de sua "dame de chambre" que haviam deixado em casa.


O pintor François Boucher, gostava muito do estilo Rococo por ser, para ele, um estilo "Galante", que o levou a pintar uma cena de uma mulher usando a  bourdalou para se aliviar.
Mas a Bourdaloue  do senhor  Lesserteur era feita com creme de amêndoas,  que nãos e confunda aqui com creme Frangipane – este último trata-se   de um crem,e resultante da mistura de dois terços de creme de amêndoas com um terço de creme de confeiteiro. Quando não leva creme de confeiteiro a preparação deve ser chamada apenas de creme de amêndoas. A Bourldalou de Lesserteur era aromatizada com rum, e por cima recebia uma camada de brilho com geleia de damasco.
Que tal esperimentar essa delícia?

Torta Bourdaloue ou Poire Amandine

Ingredientes da Massa (Pate sucre)
100g Farinha
40g Açúcar
1 colher de café de Fermento químico
50g Manteiga
1 ovo
15g Farinha de amêndoa
Ingredientes da calda para pera
6 Peras
500 ml água
100g açúcar
250 ml vinho branco
1 fava de baunilha
2 canelas em pau
3 cravos
7 cardamomos
Ingredientes do creme de amêndoas
100g Manteiga sem sal
100g Açúcar
100g Farinha de amêndoa
2 ovos
5ml Rum


Preparo: Massa - Bater o açúcar com a manteiga até formar um creme. Adicionar a farinha com a farinha de amêndoa aos poucos e incorporar os ovos. Deixe a massa homogênea e reserve por 1 hora. Como fazer a calda: Colocar todos os ingredientes em uma panela, menos as peras. Descascar as peras e colocar na panela até cozinharem, mas sem ficarem moles. Como fazer o creme: Bater a manteiga em temperatura ambiente até ficar com textura de pomada. Adicionar o açúcar e bater mais. Adicionar os ovos. Colocar o rum por último, misturar até o creme ficar homogêneo. Montagem: Pré-aqueça o forno a 170 graus. Polvilhe a bancada de farinha e abra a massa até obter uma espessura de quatro milímetros. Forre o fundo e as laterais de uma forma untada, fure a massa com um garfo e asse no forno por 20 minutos. Deixe esfriar completamente. Quando a massa da torta estiver no forno, corte as peras em dois na vertical, tire com a ajuda de uma colher os caroços e corte a pera em laminas bem finas na horizontal. Depois que a massa da torta estiver meio cozida, recheie e, por último, coloque as lâminas por cima. Leve ao forno e asse por mais 15 minutos.

sábado, 26 de dezembro de 2015

Tangyuan em sopa doce - Para uma Ano Novo esplêndido


Caros Amigos, espero que tenha tido um excelente Natal. Este ano resolvi me recolher, de tudo. Muitas vezes, li nas crônicas vampirescas de Anne Rice que seus fantásticos e superpoderosos vampiros se recolhiam da agitação do mundo por uns tempos – “o chamado da terra” – o até que “o chamado do mundo” os fizesse retornar ainda mais fortes. Li isso nas crônicas, compreendi o significado, mas não pensei que eu, um dia, fizesse isso. Pois, me recolhi.
Resolvi me recolher nessas festas, e fiz a melhor das escolhas fazendo isso. Minha atitude teve inspiração espiritual, e hoje percebi o valor da importância lendo uma passagem da Lya Luft, que eu recomendaria muito a leitura. Por isso, coloquei o trecho que diz assim:
" Às vezes é preciso recolher-se. O coração não quer obedecer, mas alguma vez aquieta; a ansiedade tem pés ligeiros, mas alguma vez resolve sentar-se à beira dessas águas. Ficamos sem falar, sem pensar, sem agir. É um começo de sabedoria, e dói. Dói controlar o pensamento, dói abafar o sentimento, além de ser doloroso parece pobre, triste e sem sentido. Amar era tão infinitamente melhor; curtir quem hoje se ausenta era tão imensamente mais rico. Não queremos escutar essa lição da vida, amadurecer parece algo sombrio, definitivo e assustador. Mas às vezes aquietar-se e esperar que o amor do outro nos descubra nesta praia isolada é só o que nos resta. Entramos no casulo fabricado com tanta dificuldade, e ficamos quase sem sonhar. Quem nos vê nos julga alheados, quem já não nos escuta pensa que emudecemos para sempre, e a gente mesmo às vezes desconfia de que nunca mais será capaz de nada claro, alegre, feliz. Mas quem nos amou, se talvez nos amar ainda há de saber que se nossa essência é ambiguidade e mutação, este silencio é tanto uma máscara quanto foram, quem sabe, um dia os seus acenos."
Mas o meu recolhimento vai além... e não precisa ser explicado aqui apenas para justificar minha ausência do blog. Contudo, e como sempre, há uma receitinha para ser compartilhada. Desta vez, vem da tradição oriental, para trazer boas vibrações para o Ano Novo, e muito de fazer. Chama-se  Tangyuan.


Tangyuan é um bolinho típico chinês feito de arroz glutinoso. Ele pode ser servido em sopa ou para comer sem acompanhamento. Pode ser doce ou salgado, pequeno ou grande, com ou sem recheio.
Na China o Tangyuan é comido durante todo o ano, porque é vendido como alimento congelado muito popular em muitos supermercados asiáticos. Mas na maioria das vezes, é comido durante o Festival das Lanternas e Ano Novo chinês.


Na China, há duas versões diferentes falando sobre o lugar de origem do Tangyuan vem: No Norte da China, a lenda vem da era Yongle da dinastia Ming. Naquela época, Tangyuan era chamado de 'Yuanxiao' (元宵), e foi obtido a partir Festival Yuanxiao, também conhecido como o Festival das Lanternas. Yuanxiao significa "primeira noite", que é a primeira lua cheia depois do Ano Novo Chinês e é sempre uma lua nova. No sul da China, Tangyuan também é chamado de 'Yuanxiao' (元宵). Mas desde 1912, quando Yuan Shikai (袁世) tornou-se o primeiro presidente da República da China, o nome foi mudado para Yuanxiao. Yuan Shikai sempre quis se tornar um imperador, mas ele estava com medo que o povo da República da China se opusesse a ele já que seu primeiro nome Yuan era a primeira para do  nome do bolinho e a parte final do novo nome do  bolinho (xiao) significava também "erradicar".



Portanto, pensar no  bolinho como Yuanxiao (元宵) fazia lembrar ao povo da China que teria que erradicar  o da República da China, ou seja, para remover Yuan Shikai de lugar do presidente. Em 1913, antes do Festival Yuanxiao (festival de lanterna), Yuan Shikai decidiu mudar o nome Yuanxiao (元宵) para Tangyuan (汤圆). A partir de então, Tangyuan tornou-se o nome oficial deste alimento.
 Os recheios também podem ser diferentes dependendo da região em que são preparados. Assim, no sul: há recheios doces como o de açúcar e gergelim, flores osmanthus, pasta de feijão doce e casca de tangerina cristalizada, enquanto no norte, são os preferidos recheios salgados, incluindo carne e legumes picados.






Para muitas famílias na China continental, bem como no exterior, tangyuan é normalmente consumido junto com a família. Por este motivo a forma redonda das bolas e das tigelas em que são servidos, simbolizam paz e união familiar. E eles podem vir coloridos, representando alegria, e corantes são adicionados na massa para garantir o colorido. Mas o branco é o tradicional para comemorar o Ano Novo.

Tangyuan

4 xícaras de farinha de arroz glutinoso (Motigome, consegue fácil nas lojas de produtos asiáticos, japoneses e em bons supermercados)
220 ml de água morna
200 ml de água fria
Recheio
14 colheres de sopa de pó de gergelim preto
14 colheres de sopa de açúcar
10 colheres de sopa de manteiga sem sal
Sopa doce
3 xícaras de água
½ xícara de açúcar (pode ser mascavo também)
gengibre cortado ao gosto
anis estrelado (opcional)
Preparo: Sopa doce: Misture tudo e leve ao fogo até formar uma calda fina; retire do fogo e deixe esfriar. Sirva as bolinhas nessa calda. Comece pelo recheio. (Um segredo para dar certo, sem desculpas, é nessa hora de fazer as bolinhas, fazer a mistura em metades, ou seja, misturar primeiro 7 colheres de pó de gergelim, com 7 colheres de açúcar, que pode ser mascavo, e 4 colheres de manteiga derretidas. E só depois d éter terminado de fazer as bolinhas com essa primeira parte você fará a segunda. Coisa da paciência oriental. O mesmo serve para a massa abaixo). Misture o pó de gergelim preto e o açúcar. Derreta a manteiga sem sal e adicione a mistura de pó de gergelim preto juntos. Misture bem até unir. Faça da mistura pequenas bolinhas com toda a massa. Levar a geladeira em uma forma com as bolinhas espaçadas para não grudarem. Massa: pegue 2 xícaras de farinha de arroz glutinoso e adicione 110 ml de água morna e misture até toda farinha estar bem unida e em seguida, adicione 100 ml de água fria e misture formando uma pasta lisa. Pegue pequenas partes da pasta e alise-os com a palma da sua mão. Coloque a bolinha de recheio na massa e depois feche como uma bola. Levemente enrole delicadamente na palma da mão como se fosse uma brigadeiro. Assim faça toda a receita e leve a geladeira por uns 15 minutinhos. Depois de frias, leve para ferver uma panela com água (cerca de 4-5 copos), e em seguida, solte as bolas na água fervente com cuidado. Assim que elas flutuarem até o topo, como se fossem nhoques, elas estarão prontas para comer. 

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Christmas cake - O Bolo de Frutas para o Natal


Eu confesso que, quando criança, eu não era muito fã de bolos com frutas, mas com o passar dos anos aprendi a gostar. Geralmente nesta época do ano aparecem frutas em muitas preparações culinárias natalinas e os bolos de Natal não são os mesmo sem elas. Algumas das receitas mais famosas já tratei AQUIAQUIAQUI e AQUI.. mas hoje quero me deter especialmente ao bolo de frutas que carregam a alcunha de bolos de Natal, para tentar entender sua história – e quem sabe sua evolução.


O que mais me agrada nesse tipo de bolo é poder utilizar na massa todo tipo de frutas, castanhas (todos os tipos de frutos secos) e especiarias exóticas que eu tenho no armário, e no final transformar tudo em um resultado maravilhoso, aromático. A tradição diz que os bolo de Natal, de frutas, devem ser feitos em novembro – sei de casos em famílias inglesas que já fazem com muito mais tempo de antecedência. O que deixa esses bolos conservados por este tempo todo é a adição de bebida alcoólica com que se rega o bolo de tempos em tempos – esse é o pulo do gato para se armazenar este tipo de bolo!
Toda essa história começou no século XIII, quando os britânicos incluíram frutas secas em seus pães, e depois nos bolos, que até aquele período não incluíam ovos na receitas. Embora se saiba que os frutos secos estejam presentes a muito tempo na alimentação humana, o bolo de Natal, geralmente é um bolo de frutas, conhecido como fruitcake, é uma preparação tradicionalmente inglesa.



O nome "fruit cake" pode ser rastreado até a Idade Média, sendo formado a partir de uma combinação de fructus Latina, e Frui ou Frug francês. Mas a referência mais antiga que pode ser encontrada sobre um bolo de frutas remonta à época romana. A receita incluía sementes de romã, pinhões, passas que eram misturadas em mosto de cevada. Mel, especiarias e frutas em conserva foram adicionados durante a Idade Média.
Em 1400 os britânicos começaram seu caso de amor com fruitcake quando conheceram as frutas secas do Mediterrâneo pela primeira vez. Já em 1647, o puritano Oliver Cromwell aprova a lei para toda a Inglaterra proibindo banquetes e festas Natalinas, e argumentando principalmente que os bolos de frutas eram considerados “ricamente pecaminosos” para a data religiosa. Quem era pego comemorando, era preso! A proibição caiu em 1660.



Em 1700, na Europa, um tipo cerimonial de fruitcake era cozido nas épocas de colheita e conservados para ser comido no próximo ano para comemorar o início da próxima safra, esperando que ele traria outra colheita bem sucedida.
Entre 1837 e 1901, os bolos de frutas eram extremamente populares. Um chá na Era Vitoriana não estaria completo sem bolos de frutas. Dizem, inclusive, que a rainha Victoria teria esperado um ano para comer um bolo de frutas que ela recebeu em seu aniversário porque gostaria de sentir a maturação do bolo, que lhe confere gosto melhor.
Uma antiga tradição inglesa conta que as convidadas solteiras de casamentos ingleses colocavam uma fatia do bolo de casamento, tradicionalmente um bolo de frutas, sob seu travesseiro à noite, então elas iriam sonhar com a pessoa que iriam se casar. Aliás, o bolo de frutas inglês se disseminou no Brasil por meio dos ingleses existentes em Recife, Pernambuco, que com sua confeitaria delicada evoluiu e deu origem a uma receita tradicional pernambucana para bolo de casamento.
Mais tarde se descobriu que ovos batidos ajudam o bolo a crescer, como na receita do Sr. Herbert M. Bower para Ripon Plum Cake or Christmas Cake (Bolo de Natal) incluído na coleção de 1939 Florence White's, intitulada Good Things in England (Coisas boas da Inglaterra) que contem nada menos que sete claras batidas em neve até formar picos bem duros. 




 Já Annie Bell usa bicarbonato de sódio como agente de crescimento para a massa na receita do 'The All Gold Christmas Cake', em seu livro Gorgeous Christmas –  adicionado a uma panela quente de manteiga derretida, suco de maçã, isso faria o bolo crescer espetacularmente.  



Enquanto o fermento em pó, usado como  agente de fermentação é atualmente mais utilizado em bolos, ele só passa a ser usado na receita do Victorian Christmas Cake que apareceu  na obra Christmas Collection escrita por Mary Berry; na receita da lendária confeiteira Claire Clark em Indulge, conhecido como as Dan Lepard's Black Christmas Cake; e mais recentemente no Christmas Cake de Nigella Lawson.



Embora existam muitas receitas diferentes lembra-se que um bom bolo de frutas deve: ser macio e ao mesmo tempo sólido– textura que só é conseguida quando se usa fermento em pó; deve ter um bom melado e frutas de boa qualidade, assim com os frutos secos.
 As receitas da Nigella e Annie Bell são para "bolos de frutas cozidos" - incluem alguns ingredientes que são cozidos durante a preparação do bolo para manter uma maior umidade no final da receita.




Este velho truque significa que não há necessidade de bater a manteiga e o açúcar vigorosamente para se obter um creme perfeito - o que economiza tempo; ou mesmo pré-mergulhar os frutos secos em bebidas alcoólicas, como sugerem as receitas de Mary Berry e Claire Clark para se ter um resultado final úcom eles sobre a umidade.
Mas quando se fala em mergulhar frutas em bebida, quais as opções tradicionais?
Marry, opta por xerez; Annie Bell usa suco de maçã; Nigella usa rum. Mas ainda há quem use uísque, conhaque, rum escuro, suco de laranja e até chá. Ou seja, o seu gosto é quem manda em que mergulhar (ou não) suas frutas. Para mim, o uísque combina bem, mas se quer deixar mais doce, o rum é uma boa opção.



Um bom dolo de frutas secas deve ter doçura na medida. Assim misturar farinha de amêndoa nas mistura e usar açúcar mascavo é a solução perfeita, além de usar um melado de qualidade – ou mel, caso não tenha melado. O doce desse bolo fica bem equilibrado com quando se mistura ameixas e damascos secos, tâmaras secas, cerejas cristalizadas, figos secos, uvas passas. Há também quem utiliza uma boa geleia de damasco, um pouco de chocolate, é a imaginação quem vai mandar.



E as especiarias fazem toda a diferença, pois um bolo de Natal perfeito deve ser picante e rico. Assim, deixo abaixo duas receitas deliciosas para bolo de Natal, uma com frutas e outra sem elas – mas a partir dessas receitas você pode criar a sua.

BOLO DE NATAL
350g de ameixas secas cortadas
250g de passas
125g de corinto (um tipo de uva)
175g de manteiga sem sal, amolecida
175g de açúcar mascavo
175ml de mel ou  melado (se tiver)
125ml de licor de café
Suco de 2 laranjas
2 colheres (sopa) de cacau em pó
3 ovos batidos
150g de farinha de trigo
75g de amêndoas
1/2 colher (chá) de fermento em pó
1/2 colher (chá) de bicarbonato de sódio
Decoração: enfeites comestíveis à gosto

Preparo: Preaqueça o forno a 150ºC. Coloque as frutas, manteiga, açúcar, mel, licor de café, suco de laranja, cacau em uma panela grande. Aqueça a mistura até que ela ferva, mexendo-a enquanto a manteiga derrete. Deixe a mistura ferver por dez minutos. Retire a panela do fogo e deixe repousar por 30 minutos. Após 30 minutos, a mistura vai ter esfriado. Adicione os ovos, a farinha, as amêndoas trituradas, o fermento em pó e o bicarbonato de sódio e misture bem com uma colher de pau ou espátula até que os ingredientes se misturem. Cuidadosamente, derrame a mistura do fruitcake na forma de bolo. Leve o bolo ao forno para assar durante uma hora e meia a duas horas, ou até o topo do bolo ficar firme. Tire do forno e espere o bolo esfriar para tirá-lo da forma. Decore à gosto.

BOLO QUENTE DE NATAL (SEM FRUTAS)
150g de farinha
100g de açúcar mascavo
1 colher (chá) de fermento em pó
2 colheres (chá) de gengibre em pó
2 colheres (chá) de mix de especiarias (cravo, canela, alcaravia e semente de coentro)
125ml de leite integral
60ml de óleo vegetal sem sabor
1 ovo
6 colheres (chá) de manteiga
500ml de água fervente
350ml de double cream
125ml de advocaat

Preparo: Em um recipiente, junte a farinha, o açúcar mascavo, uma colher de chá de gengibre, uma colher de chá de mix de especiarias e o fermento. Adicione o leite, o óleo e o ovo e misture. Despeje a massa em um tabuleiro untado e coloque por cima uma colher de chá de gengibre em pó e uma colhe de chá do mix de especiarias. Espalhe seis colheres de chá de manteiga pelo tabuleiro. Por fim, despeje a água fervente sobre tudo (vai parecer uma catástrofe, mas nãos e assuste, no fim tudo dará certo! Leve a mistura ao forno pré-aquecido a 220 ºC por 30 minutos.

sábado, 14 de novembro de 2015

Pudding du chômeur (Pudim dos Desempregados)


A criatividade humana sempre me anima. Tenho visto muitas produções dessa criatividade ultimamente, circulando pelas redes sociais. É bonito ver as pessoas criado. E o pensamento criativo gera uma energia fantásticas. Isso me empolga, principalmente quando as pessoas inovam e geram novidades para enfrentar períodos de crise. Pensando nisso fui buscar uma receita que surgiu um período difícil, como o que estamos vivendo, e ela será o tema de hoje. Apresento a vocês o Pudding du chômeur.


O Pudding du chômeur, que traduzido ao pé da letra significa pudim do desempregado, é uma sobremesa tradicional canadense, tipicamente da região de Quebec e Acadian, criada na época da Grande Depressão (1929), onde a crise econômica avassaladora obrigava as famílias a ter cautela nos gastos, com limitações, e usar produtos baratos. Isso afetou diretamente a cozinha, pois as famílias tinham que comer e cozinhar sobremesas com ingredientes mais baratos – motivo que desenvolveu a criatividade das pessoas na cozinha para superar a crise.


Existem algumas versões sobre a origem da sobremesa. As mais consideradas são as seguintes:
A primeira conta que esta sobremesa teria nasce com a Grande Depressão das mãos de Georgette Falardeau, mulher de Camilien Houde, então prefeito de Montreal. A Primeira dama daquela cidade teria imaginado este mimo para confortar, com uma boa dose de açúcar mascavo, as mulheres dos trabalhadores atingidos por demissões em massa. Daí o nome: pudim dos desempregados




A outra versão diz que a sobremesa foi criada por trabalhadores de uma fábrica, durante a Grande Depressão, quando as mulheres das cozinhas tinham que preparar as refeições com poucos ingredientes que dispunham que incluía manteiga, farinha, leite e ovos.


Durante a crise econômica, o caramelo que banha a massa era feito a partir de açúcar mascavo, pois o açúcar era mais barato. No entanto, mais tarde foi substituído pelo xarope de bordo (Maple Syrup). Esta sobremesa é considerada um dos elementos básicos da cozinha Quebec, sendo inspirada em técnicas culinárias francesas adaptadas ao novo contexto. O caramelo de açúcar mascavo substituído pelo xarope de bordo (Maple Syrup) ilustra perfeitamente a cozinha sincrética daquela província desde o início da colonização, os ingredientes indígenas combinados com técnicas de receitas tradicionais europeias.
O pudim dos desempregados é muitas vezes o centro das atenções nas mesas de Quebec até recentemente. E, embora um bolo/pudim caramelado aparece em muitas partes do mundo, estes é um "prazer que os canadenses - ou melhor, os quebequenses – mantem para eles".
Que tal preparar esse pudim criativo, prático e rápido de ser feito para adoçar também a sua vida? E deixo uma sugestão: aqui no Brasil, principalmente no Nordeste, temos  mais facilidade de encontrar mel de engenho (mel de cana de açúcar), quem sabe a ousadia permita você a preparar esse pudim com mel de engenho...

Pudding du chômeur (Com calda de açúcar mascavo)

2 xícaras de farinha
¾. Xícara de açúcar
4 colheres chá de fermento em pó
½ colher de chá de sal
4 colheres de sopa de manteiga derretida
1 xícara de leite
Calda: 2 xícaras de açúcar mascavo
2 xícaras de água
Essência de bordo
Preparo: junte a farinha, o fermento, o açúcar e o sal. Adicionar o leite e misturar bem, depois juntar a manteiga derretida. Colocar a massa em uma assadeira untada com manteiga e colocar a calda ainda quente por cima e levar ao forno pré-aquecido por 30 a 40 minutos.
Calda: juntar o açúcar, a agua e a essência e levar ao fogo por  uns 5 minutos até ferver.

Pudding du chômeur (com calda de maple Syrup)

2 copos (500 ml) de xarope de bordo
2 xícaras (500ml) de creme de leite fresco
160g (2/3 de xícara) de manteiga em temperatura ambiente
200g (1 xícara) de açúcar
2 ovos
280g (2 1/3 xícaras) de farinha
1 colher de chá de fermento em pó

Preparo: Pré-aqueça o forno a 425 ° F (210 ° C). Ferva o xarope de bordo e creme de leite em uma panela. Deixe ferver de 3 a 4 minutos, em seguida, retire do fogo. Bata a manteiga e o açúcar. Adicione os ovos e bata mais um pouco. Em outra tigela, peneire junto a farinha, o fermento e o sal. Misture os secos peneirados com a mistura anterior. Despeje a massa em uma forma untada. Cubra a preparação com xarope de bordo e leve ao forno por 20-30 minutos Esta receita deve ser comida quente.