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terça-feira, 19 de março de 2013

A deliciosa Extravaganza romana


Sabe que eu estou, realmente, gostando desta visibilidade que o Papa Francisco I tem ganhado na mídia atualmente. Isso permite meu pensamento divagar nas ideias mais absurdas para uma postagem.
Uma dessas ideias absurda surgiu pensando nos escândalos sobre pode e homossexualidade no Vaticano. Essa história toda de homossexualidade n o Vaticano, é antiga. Tão antiga quanto a homossexualidade dos imperadores romanos. Mas a hipocrisia das pessoas não as permite admitir o fato - que existe no mundo desde os mais remotos tempos e que, inicialmente, era tido como uma virtude (daqueles que tinham o amor verdadeiro).
Isso me levou a tratar aqui, hoje, sobre um personagem imperial da história romana que misturava, ao mesmo tempo, poder, homossexualidade e paixão pela gastronomia exótica: o imperador Heliogábalo. 


Busto de Heliogábalo - Museu Capitolino
Antes, porém, de falar sobre este imperador, vamos dar um passeio pelos grandes excessos gastronômicos da história.


Banquete -mosaico romano
Sabemos que os romanos possuíam um termo para designar suas suntuosas reuniões gastronômicas – eles as chamavam de convivium. Aos romanos (olha eles aí de novo!) deve-se ainda a associação de banquete com todos os excessos, a começar pelos gastronômicos. Na Roma Antiga a gula era considerada normal, pois os romanos festeiros como eram, participavam às vezes de mais de uma festa por dia. Caso não se comesse a fartar-se seria considerada uma ofensa para o anfitrião. Assim, existia nas residências até mesmo a figura do vomitódromo: um lugar destinado ao vômito dos convivas que, para não ofender o anfitrião comiam, provocavam o vômito e comiam novamente. Isso era o usual naquela época.
Mas, mesmo os romanos com suas faustosas reuniões gastronômicas, vem da Mesopotâmia o maior banquete de todos os tempos. Preparado pelo soberano Asurbanipal II, que ocupou o trono entre 883 a.C. a 859 a.C. seu banquete durou dez dias e teve 69.574 convidados – como conta o historiador inglês Roy C. Strong em seu livro Feast, A History of Grand Eating, publicado no Brasil com o título Banquete - Uma História Ilustrada Culinária dos Costumes e da Fartura à Mesa (Jorge Zahar Editora, Rio de Janeiro, 2002).
A pretexto de comemorar a reformulação urbanística da antiga cidade de Kalah (no território do atual Iraque) e com a construção de seu novo palácio, Asurbanipal II ofertou aos convivas 10 mil peixes, 2 mil bois, 1.400 cabritos, mil carneiros e por aí afora, sem negligenciar a sede alheia. Foram 10 mil jarras de cerveja e igual quantidade de vinho. Talvez tenha faltado bebida, insuflando reclamações comezinhas. Fato é que, apesar dos esforços de Asurbanipal II, os romanos levaram a fama de maiores promotores de ceias ritualísticas, embora tenham assimilado a ideia dos gregos e estes dos egípcios.
Não há como negar que os césares e seus sucedâneos promoveram alguns dos mais extravagantes banquetes da história, sempre repletos de muita comida, da embriaguez do vinho, repletos de luxuria - para relaxar os entraves do superego. No romance Satyricon, Petrônio (27-66 d.C.) relata um jantar com acrobatas, atores declamando em grego e meninotes intrépidos, lavando os pés dos convivas. Luxúria? Pois a realidade ganhava da ficção.
O imperador Vitélio (15-69 d.C.), glutão compulsivo e devasso em tempo integral, chegou a devorar 1.200 ostras, ainda no hors d'ouvre.

Ele banqueteava-se três ou quatro vezes por dia, ou seja, de manha, ao meio dia, de tarde e â noite - a última refeição era principalmente uma bebedeira -, e sobrevivia a este ordálio tomando eméticos com frequência. O pior é que costumava convidar para esses banquetes nas casas de varias pessoas diferentes no mesmo dia, e eles nunca custavam a seus vários anfitriões menos q quatro mil peças de ouro casa. A festa mais famosa da série lhe foi oferecida pelo irmão, quando ele entrou em Roma; diz-se que foram servidos dois mil peixes maravilhosos e sete mil pássaros selvagens. No entanto, mesmo isto dificilmente se comparava em matéria de luxo a um único prato imenso que Vitélio dedicou à deusa Minerva e que chamou de "Escudo de Minerva, a protetora da cidade". A receita incluía fígado de lúcio, miolo de pavão, língua de flamingo e vesícula de lampreia; e os ingredientes, reunidos de todos os cantos do Império, das fronteiras de Pártia aos estreitos da Espanha, foram levados a Roma por capitães das trirremes. (STRONG,2002, p. 38-39)

Tigelino, comandante da guarda pretoriana, certa vez organizou um jantar para Nero (verão de 64) encenado no meio de um lago artificial onde os convidados reclinavam-se sobre tapetes e almofadas numa grande jangada rebocada por barcas enfeitadas de ouro e marfim e tripula por exoleti (‘meninos alegres’) escolhidos deliberadamente por suas habilidades lascivas. Não bastasse esta extravagancia, ele mandou povoar o bosque q cercava o lago com pássaros e animais exóticos, e na beira d'agua havia pavilhões e bordeis.
Nero, em 54, num banquete para comemorar seus 17 anos, tentou gracejar com Britânico, filho natural do imperador Tibério, pedindo-lhe que cantasse para as pessoas reunidas. Britânico, atendeu ao pedido escolhendo uma canção que falava de sua própria expulsão da casa do pai e do trono. Na festa seguinte Nero envenenou-o à mesa.
Provavelmente a reunião gastronômica mais estranha do império romano foi o banquete oferecido pelo imperador Dominicano, que escolheu  para isso o tema inferno.

Pediu-se as convidados que não se fizessem acompanhar pelo habitual escravo. ao lado de cada comensal havia uma pedra tumular como o nome do convidado. O banquete era iluminado por lâmpadas votivas, do tipo que se pendurava nos túmulos, e a comida, toda preta se assemelhava aos pratos sacrificiais oferecidos aos manes dos mortos e escoltados para casa por escravos desconhecidos: o que os fez suspeitar que haviam sido escolhidos para se tornarem as novas vitimas da sede de sangue do imperador. em vez disso, no entanto, foram chamados de volta para um segundo banquete, ao término do qual receberam presentes caros. (STRONG, 2002.p. 39-40)

 Heliogábalo (204-222 d.C.) era outro exagerado. O imperador romano pós-Cristo Sexto Vário Avito Bassiano (em latim Sextus Varius Avitus Bassianus), mas ao tornar-se imperador, adotou o nome de Marco Aurélio Antonino (em latim Marcus Aurelius Antoninus)., conhecido como Heliogábalo (204-222) {Apenas recebeu o cognome de Heliogábalo após a sua morte. Durante a sua juventude, serviu como sacerdote do deus El-Gabal (em latim Elagabalus) na cidade natal da família de sua mãe, Emesa.


Áureo romano representando Heliogábalo. A parte de trás diz Sanct Deo Soli Elagabal (Para o Santo Deus Sol Elagabal), e mostra uma quadriga dourada a carregar a pedra sagrada do templo de Emesa.
Foi um tirano na linha de Nero (37-68) e Calígula (12-41), e cometeu inúmeras extravagâncias à mesa. Em um dos muitos banquetes que promoveu, serviu aos seus seiscentos convidados: ervilhas misturadas com grãos de ouro, lentilhas com pedras preciosas, feijões enfeitados com âmbar e peixe com pérolas. Em outro, dizem ter criado um prato com seiscentas cabeças de avestruz.
Heliogábalo apreciava lírios, narcisos, rosas e violetas. Muitas vezes, de madrugada, após um régio banquete, uma chuva de pétalas de rosas e violetas caía sobre seus convidados. Alguns, já bêbados, morriam asfixiados. Deliciava-se com pétalas de violetas tostadas com rodelas de laranja e limão. Costumava mandar encher as banheiras públicas com água de rosas e, em seu palácio, algumas salas eram decoradas com tapetes de flores. Ao mesmo tempo em que distribuía absinthiatum, a famosa “fada verde” dos dias de hoje, ao povo, alimentava seus cães e leões com faisões, pavões e com fígados de ganso. Isto mesmo, foie gras.
Em seus banquetes, podiam-se esperar por pratos exóticos, vinho aos borbotões e o corolário de intermináveis bacanais, nos quais o imperador preferia a companhia dos mancebos. Nestas reuniões sabe-se que serviam-se pés de camelo, cristas de galo e línguas de rouxinóis. Certa feita, Heliogabalo fez chegar aos convivas um prato com mais de mil línguas de flamingos.

As Rosas de Heliogábalo

Heliogábalo costumava promover festas em que durante a madrugada uma chuva de pétalas de rosas e violetas caía sobre os convidados. Alguns, já bêbados, morriam asfixiados. Mas isso era uma extravagância do imperador. Este episódio ficou imortalizado na obra As Rosas de Heliogábalo (em inglês The Roses of Heliogabalus), pintura de Sir Lawrence Alma-Tadema (1836–1912), um artista holandês que viveu na Inglaterra. O quadro data de 1888, e atualmente faz parte de uma coleção privada.


As Rosas de Heliogábalo (1888), pelo acadêmico Anglo-Holandês Sir Lawrence Alma-Tadema.

A obra foi baseada num episódio inventado retirado da Historia Augusta, onde o imperador romano Heliogábalo (204-222) é retratado assistindo a uma tentativa de sufocar seus convidados com uma enorme quantidade de pétalas de rosa que caiam de um teto falso durante um jantar. No primeiro plano da pintura, o destaque são os convidados reclinados, cobertos com pétalas. Ao fundo, Heliogábalo é visível com um manto e uma coroa de ouro, junto com sua mãe Julia Soemia. Atrás deles, há um tocador de flauta (tíbia) e uma estátua de Dionísio.
Sabe-se que Heliogábalo, ainda mandava encher as banheiras públicas com água de rosas. Em seu palácio, algumas salas eram decoradas com tapetes de flores. Além das rosas, o imperador apreciava violetas e em sua cozinha preparava-se um manjar muito especial: pétalas de violetas tostadas com rodelas de laranja e limão. Foi Heliogábalo o inventor dos almofadões perfumados sobre os quais se deitavam seus convidados. Mas nem sempre ele os tratava com tanta gentileza.

Mais sobre heliogábalo
Heliogábalo nasceu em 203 d.C como Vário Avito Bassiano na família de Sexto Vário Marcelo e de Júlia Soémia Bassiana. O seu pai era inicialmente um membro da classe equestre, mas foi mais tarde elevado ao cargo de senador. A sua avó Julia Mesa era a viúva do Cônsul Júlio Avito, a irmã de Júlia Domna, e a cunhada do Imperador Septímio Severo. Júlia Soémia era uma prima do Imperador Caracala. Outros parentes incluíam a sua tia Júlia Avita Mamea e tio Marco Júlio Gessio Marciano e o filho deles, Alexandre Severo. A família de Heliogábalo tinha direitos hereditários ao sacerdócio do deus sol El-Gabal, sendo Heliogábalo o alto sacerdote em Emesa (atual Homs) na Síria.
A divindade El-Gabal foi inicialmente venerado em Emesa. O nome é latinizado da forma síria Ilāh hag-Gabal, El refere-se à divindade suprema Semítica, enquanto que Gabal significa montanha (comparar com o Hebraico גבל gevul e Árabe جبل jebel), o que resulta em Deus da Montanha é a manifestação divina de Emesa. O culto ao deus propagou-se a outras partes do Império Romano no século II, como por exemplo, uma consagração foi encontrada na distante Woerden (Países Baixos). O deus foi mais tarde importado e assimilado com o deus romano do Sol, conhecido como Sol Indiges em tempos republicanos, e mais tarde Sol Invictus durante os séculos II e III. Na Grécia, o nome do deus sol era Helios, e consequentemente, adotou-se Heliogábalo.


Heliogábalo, Sumo Sacerdote do Sol (1866), pelo decadente Inglês Simeon Solomon, a uma certa altura um amigo próximo de Algernon Charles Swinburne.
Posteriormente, diversos historiadores acreditam hostilmente que Heliogábalo mostrou desrespeito às tradições religiosas romanas e tabus sexuais. Heliogábalo substituiu o tradicional deus Júpiter no Panteão Romano pelo deus El-Gabal, e forçou membros importantes do governo de Roma a participarem em rituais que celebravam esta divindade, liderados por ele próprio. Casou-se cinco vezes, levando favores dos bajuladores masculinos que se pensava popularmente terem intenções de serem seus amantes, e diz-se que se prostituía no palácio imperial. Seu comportamento o distanciou da guarda pretoriana, do Senado e dos cidadãos.
Entre crescente oposição, Heliogábalo, com apenas 18 anos, foi assassinado e substituído pelo seu primo Alexandre Severo no dia11 de março de 222, numa conspiração feita pela sua avó, Júlia Mesa, e membros da guarda pretoriana.


Denário romano representando Heliogábalo. A parte de trás diz Fides Exercitus, ou A fidelidade do exército, mostrando a deusa romana Fides entre dois estandartes romanos. Muitas moedas cunhadas durante o reino de Heliog+abalo têm as inscrições Fides Exercitus ou Fides Militum, demonstrando a importância da lealdade do exército como a base do poder imperial.
Heliogábalo criou uma reputação entre os seus contemporâneos como um excêntrico, decadente, e zelota, o que foi provavelmente exagerado pelos seus sucessores e rivais políticos. Esta propaganda espalhou-se e, os historiadores no início da era moderna sujeitaram-o como um dos imperadores romanos com a pior reputação. Edward Gibbon, por exemplo, escreveu que Heliogábalo "abandonou a si mesmo para ter prazeres grosseiros e ser descontroladamente furioso." De acordo com B.G. Niebuhr, "o nome Heliogábalo está gravado na História acima de todos os outros" por causa de sua "vida inefavelmente repugnante". Os mais recentes historiadores têm tentado separar os fatos reais da ficção, preservando com maior cautela a visão deste personagem e seu reinado.
A orientação sexual e identidade de gênero de Heliogábalo são fonte de muito debate. Heliogábalo casou-se e divorciou-se de cinco mulheres, três das quais são conhecidas. A sua primeira esposa foi Júlia Cornélia Paula, a segunda foi a Vestal Júlia Aquila Severa, mas num ano, ele abandonou-a e casou com Annia Faustina, uma descendente de Marco Aurélio e viúva de um homem recentemente executado por Heliogábalo. Ele voltou para sua segunda esposa Severa no fim do ano. De acordo com Dião Cássio, a sua relação mais estável foi com o cocheiro de biga da sua quadriga, um cocheiro louro da Cária chamado Hierocles, a quem Heliogábalo se referia como o seu marido.


Denário romano representando Aquila Severa, a segunda esposa de Heliogábalo. O casamento causou um ultrágio público porque Aquila era uma Vestal, obrigada por lei romano a ser celibata por 30 anos.

A História Augusta diz que ele também se casou com um homem chamado Aurélio Zótico, um atleta de Esmirna, numa cerimônia pública em Roma. Dião Cássio diz que Heliogábalo pintava os olhos, depilava o seu cabelo e usava perucas antes de se prostituir em tavernas e bordéis, e até no palácio imperial:
Finalmente, ele reservou um quarto no palácio e lá cometeu as suas indecências, sempre nu à porta do quarto, como fazem as prostitutas, e abanando a cortina pendurada em anéis de ouro, enquanto numa voz doce e comovente se oferecia aos que passavam. Havia, obviamente, homens que tinham sido especialmente instruídos para desempenhar o seu papel. Para, assim como em outras questões também econômicas, ele tinha numerosos agentes que procuravam por aqueles que mais o agradavam para participar de suas vilezas. Ele poderia ter coletado o dinheiro de sua clientela e dado a si mesmo os seus ganhos; também poderia ter disputado com seus colegas essa indecente ocupação, argumentando que possuía mais amantes e mais dinheiro.
Herodiano comentou que Heliogábalo mimava a sua beleza natural ao usar demasiada maquilhagem. Foi descrito como sendo "encantado ao ser chamado a amante, a esposa, a rainha de Hierocles" e diz-se que ofereceu metade grandes somas de dinheiro ao médico que lhe pudesse dar genitais femininos. Subsequentemente, Heliogábalo tem sido frequentemente caracterizado por historiadores modernos como um transgênero, provavelmente transsexual, apesar de talvez não ser adequado aplicar termos tão culturalmente específicos a alguém que viveu há quase dois mil anos.
Em 221, as excentricidades de Heliogábalo, particularmente a sua relação com Hierocles, enfurecia cada vez mais os soldados da guarda pretoriana. Quando sua avó Júlia Mesa se apercebeu que o apoio popular ao imperador estava a enfraquecer rapidamente, ela decidiu que ele e a sua mãe, cujos tinham encorajados as práticas religiosas dele, tinham de ser substituídos.
Como alternativas, ela virou-se para a sua outra filha Júlia Avita Mamea e o filho desta, Severo Alexandre, com treze anos. Convencendo Heliogábalo a nomear o seu primo como herdeiro, a Alexandre foi dado o título de César e partilhou o consulado com o imperador nesse ano. Contudo, Heliogábalo reconsiderou isto quando começou a suspeitar que a Guarda Pretoriana favorecia o seu primo acima de si. Depois de falhados os vários atentados à vida de Alexandre, Heliogábalo despiu o seu primo dos seus títulos, revogou o seu título de cônsul e circulou a notícia de que Alexandre estava perto da morte para ver a reacção dos pretorianos. Um motim foi o resultado, e a guarda exigiu ver Heliogábalo e Alexandre no acampamento pretoriano.
O imperador obedeceu e no dia 11 de março de 222, apresentou o seu primo, com a sua mãe Júlia Soémia. Ao chegarem ao campo pretoriano, os soldados aclamaram Alexandre, ignorando Heliogábalo, que ordenou a prisão e execução de todos os que tinham tomado parte neste desrespeito contra ele. Em reposta, os pretorianos atacaram Heliogábalo e a sua mãe:
Ele tentou fugir, e teria escapado ao ser colocado numa arca, se não tivesse sido descoberto e assassinado, na idade de 18 anos. A sua mãe, que o abraçou e se agarrou a ele fortemente, pereceu com ele; as suas cabeças foram cortadas e os seus corpos, depois de serem despidos, foram primeiro arrastados pela cidade, e depois o corpo da mãe foi deixado num lugar qualquer, enquanto o dele foi atirado no rio.
A seguir à sua morte, muitas pessoas associadas à Heliogábalo foram mortas ou depostas, incluindo Hierocles e Comazão. Os seus editos religiosos foram revocados e a pedra de El-Gabal foi devolvida a Emesa. Mulheres foram banidas de atenderem reuniões no Senado, e damnatio memoriae—apagar uma pessoa de todos os recordes públicos— foi decretada para ele.

Agora, depois de tanto história, eu proponho uma extravagancia  que tal oferecer uma pequena reunião gastronômica para quatro amigos mais chegados, e preparar um menu “extravagante”? Posso ir além, e sugerir um prato delicioso que eu aprendi a preparar com o chef Claude Troisgro, a partir do sue programa "Que Marravilha!".

Risoto de abóbora e bacalhau com folha de ouro
Porção para 4 pessoas

Para a abóbora
400g de abóbora Bahia cortada em fatias sem sementes
2 colheres de azeite
Sal
Pimenta do reino (no moinho)
Para o bacalhau
800g de bacalhau imperial
300 ml de água
1 cabeça de alho
Tomilho
Alecrim
Para o risoto
1 colher de azeite
50g de cebola picada
Pimenta dedo-de-moça
450g de arroz arbóreo
100 ml de vinho branco seco
16 conchas de água do cozimento do bacalhau
Sal
Pimenta do reino no moinho
Para a finalização
Salsa picada
Azeite extravirgem
Folhas de ouro
220g de palmito pupunha fresco cortado em cubos
200g de requeijão cremoso
100g de parmesão ralado

Modo de preparo da abóbora: Tempere as duas fatias de abóbora com sal, pimenta e azeite. Enrole-as em papel alumínio. Asse por 40 minutos em forno a 180ºC. Quando o tempo acabar, amasse com um garfo, mas sem fazer purê. Modo de preparo do bacalhau: Três dias antes de preparar a receita, dessalgue o bacalhau, trocando a água de tempos em tempos. Encha uma panela com água e leve ao fogo. Quando ferver, corte a cabeça de alho ao meio, sem descascar, e jogue na água junto com o tomilho e o alecrim. Deixe ferver um pouco. Desligue o fogo e logo em seguida coloque as postas de bacalhau na panela. Tampe e deixe ele lá durante 20 minutos. Depois, retire o bacalhau da água, deixe esfriar e desfie o peixe. Modo de preparo do risoto:
Despeje azeite em uma panela e ponha a pimenta dedo-de-moça e a cebola. Mexa bem. Coloque o arroz e refogue por mais 2 minutos. Acrescente o vinho branco e deixe reduzir. Acrescente 4 conchas da água do bacalhau e reduza até secar, sem parar de mexer. Faça isso por cerca de 15 minutos. Despeje o risoto em uma travessa de vidro e deixe-o esfriar um pouco. Finalização: Ponha o risoto em uma panela. Acrescente mais algumas conchas da água de bacalhau até chegar ao ponto desejado (al dente cremoso). Mexa sempre. Adicione a abóbora amassada, o requeijão, o parmesão, o palmito, o bacalhau e a salsinha picada. Mexa e sirva. A consistência do arroz deve ficar cremosa. Decore com folhas de ouro comestíveis.



segunda-feira, 12 de novembro de 2012

TOKAJI - Vinum Regum, Rex Vinorum (Vinho dos Reis, Rei dos Vinhos).



Eu estava com saudades de postar algo sobre o luxo gastronômico... mas também quando eu posto, fico com desejos imensuráveis de me esbaldar neles.
Hoje quero falar do TOKAJI – alguém aí já ouviu falar dele? De inicio já aviso que este pode ser um presente de Natal fabuloso para aquelas pessoas “especiais”, sobretudo para aquelas com o gosto refinado e que apreciam um bom acompanhamento para as sobremesas.

Tokaji (o sufixo i quer dizer proveniente de Tokaj) é o nome dos vinhos da região de Tokaj-Hegyalja na Hungria e na Eslováquia – o nome da bebida então é usado para rotular vinhos desta região vinícola que tem sua Denominação de Origem Protegida. Esta região é famosa por seus vinhos doces feitos a partir de uvas afetadas pela “podridão nobre” (essa podridão nobre, é um termo que eu escolhi para referir aos vinhos botrytizados que tem esta característica por sofrer ataques do fungo atacadas pela Botrytis Cinerea. Há um consenso que os grandes vinhos doces Tokaji sejam os pioneiros em vinhos botrytizados, pois já existiam antes mesmo dos grandes vinhos alemães do Reno e também, da famosa região francesa de Sauternes) um estilo de vinho que tem uma longa história na região. O tokaji tem tanta importância que o "néctar" que vem das uvas de Tokaj é mencionado até no hino nacional da Hungria.
Vinhos botrytizados são produzidos a partir de uvas sobremaduras que, em virtude de condições climáticas especiais (como manhãs úmidas com tardes secas e quentes), desenvolvem um fungo nos cachos de uvas (que atualmente também pode ser inoculado nos vinhedos). O fungo Botrytis concentra os açúcares e glicerol nas uvas, mantendo a acidez e desenvolvendo aromas únicos.

Tokaji circa de 1680, possivelmente a garrafa de tokaji intacta mai santiga encontrada nas adegas reais saxônicas 

Desde 2007, apenas os produtores de vinho autorizados na região de Tokaj-Hegyalja estão autorizados a usar a marca Tokaj. Embora, por suas proximidades com a Eslováquia a  região vinícola Eslovaka de Tokaj pode usar a etiqueta Tokajský/-á/-é label ("de Tokaj" m eslovaco) [2], se aplicar o regulamento de controle húngaro de qualidade. [2] tal região costumava ser parte do maior Tokaj -Hegyalja região dentro do Reino da Hungria, mas foi dividido entre a Hungria e a Eslováquia, após o Tratado de Trianon.
Não se sabe por quanto tempo videiras foram cultivadas em solo vulcânico próximos dos rios Bodrog e Hernád. Porém se sabe que isso já antecedia a aniquilação das tribos magiares  daquela região. [5] De acordo com a lenda, o aszú foi o primeiro tipo de tokaji produzido, feito por Laczkó Máté Szepsi em 1630. No entanto, a menção de vinho feito de uvas aszú já havia aparecido nos textos de “Nomenklatura de Fabricius Balázs Sziksai” que foi concluído em 1576. Um inventário recente descobriu, porém, que a existência do tokaji aszú antecede esta referência por cinco anos.

Tokay Essence 1811 Engarrafado em 1840. Anteriormente propriedade da família principesca de Bretzenheim,que foi extinta em 1863. Vendido por Berry Bros em 1920.
A primeira menção de um Tokaji Aszú data de 1571. Aszú no caso, significa que existem uvas atacadas pela Botrytis Cinerea. Entretanto, a região descobriu sua vocação em 1650, quando a colheita teve de ser adiada devido a um iminente ataque turco. Com o atraso, as uvas sim foram atacadas pelo nobre fungo, sendo então vinificadas. Com este fato, estava decretada a descoberta do maravilhoso vinho.
Assim o vinho Tokaji tornou-se o assunto do controle do mundo  para sua denominação que foi estabelecida há várias décadas antes do vinho do Porto, e mais de 120 anos antes da classificação de Bordeaux, com a classificação Vineyard que começou em 1730 com vinhas sendo classificadas em três categorias, dependendo do solo, exposição ao sol e potencial para desenvolver podridão nobre, Botrytis cinerea, de primeira classe, segunda classe e terceira classe de vinhos. Um decreto real em 1757 estabeleceu uma zona de produção encerrada em Tokaj. O sistema de classificação foi concluído pelos censos nacionais de 1765 e 1772.
Em 1703, Francis Rákóczi II, príncipe da Transilvânia, deu ao rei Luís XIV da França um pouco de vinho Tokaji de sua propriedade em Tokaj como um presente. O vinho Tokaji foi servido na Corte Real Francesa de Versalhes, onde se tornou conhecido como Tokay. Encantado com a bebida preciosa, Luís XV da França ofereceu uma taça de Tokaji a Madame de Pompadour, referindo-se a ele como "Vinum Regum, Rex Vinorum" [3] ("Vinho dos Reis, Rei dos Vinhos"). Esta famosa frase é usada até hoje na comercialização de vinhos Tokaji.

Madame de Pompadour
O Imperador Franz Josef (que era também rei da Hungria) teve uma tradição de enviar Rainha Victoria vinho Tokaji Aszú, como um presente de aniversário durante todos os anos em que ela viveu – ele enviava uma garrafa para cada mês que ela tinha vivido, 12 para cada ano. Em seu octogésimo primeiro e último aniversário (1900), a rainha atingiu impressionantes 972 garrafas.
Em 1920, após a queda do Império Austro-Húngaro, uma pequena parte da região do vinho Tokaj (aprox. 1,75 km ²) tornou-se parte da Checoslováquia, devido ao Tratado de Trianon, enquanto o restante permaneceu parte da Hungria. Após a Segunda Guerra Mundial, quando a Hungria tornou-se um estado de influência soviética, a produção de Tokaji continuou com até 6.000 pequenos produtores, mas o engarrafamento e distribuição eram monopolizados pela organização estatal. Desde o colapso dos regimes comunistas, em 1990, um número de vinícolas independentes foram estabelecidas na região de Tokaj-Hegyalja. Um produtor estatal continua a existir e manipula aproximadamente 20% da produção total.
O Vinho Tokaji recebeu elogios de vários grandes escritores e compositores, incluindo [3] Beethoven, Liszt, Schubert, Goethe, Heinrich Heine, [3] Friedrich von Schiller, [3] Bram Stoker, [3] Johann Strauss, [ 3] e Voltaire. [3] Sendo o Tokaji o vinho favorito do compositor Joseph Haydn.
Além de Luís XIV, vários outros monarcas europeus são conhecidos por terem sido os consumidores muito interessados neste tipo de vinho. Luís XV e Frederico, o Grande, tentaram superar um ao outro quando eles tratavam os hóspedes, como Voltaire, com Tokaji. Napoleão III, o último imperador dos franceses, encomendava entre 30-40 barris de Tokaji para a corte francesa a cada ano; O Papa Pio IV. (1499-1565), no Conselho de Trient em 1562, exclamou: Summum Pontificem talia vina decente! (Este é o tipo de vinho que deve estar sobre a mesa papal); Gustav III, rei da Suécia, amava Tokaji - foi dito que ele nunca teve qualquer outro vinho para beber. Na Rússia, os clientes eram Pedro, o Grande e imperatriz Elizabeth da Rússia. [3].

taças de vinho de vidro da Corte do Czar(21cm de altura), período de Nicolau II, de 1910
Taça de vidro de vinho, período de Imperatriz Elisabeth da Rússia (metade do século XVIII)

Um jornal conta do casamento  do presidente polonês Ignacy Moscicki em 1933, onde foram feitos brindes com garrafas de Tokaji com 250 anos de idade, e ele teria dito: "O vinho , se bom, só poderia ser o Essência de Tokay, e a amizade secular entre a Polónia e a Hungria parece apoiar esta conclusão.”
Eu também adoro um bom “Tokaji Essência”, quem não gosta?  E isso nos leva a esclarecer alguns por menores sobre o tokaji, no que tangi as suas vinhas e seus tipos.  Seis variedades de uva são aprovadas oficialmente para a produção de vinho Tokaji: Furmint; Hárslevelű; Yellow Muscat (Hungarian: Sárgamuskotály); Zéta (previously called Oremus – um cruzamento da  Furmint com as uvas Bouvier); Kövérszőlő e Kabar (cruzamento das uvas Hárslevelű e Bouvier). Quanto aos tipos de Tokaji, podemos encontrar:

·         Vinhos secos: Apelidados em tempos ordinarium (vinho comum) hoje em dia passaram a indicar o nome das respectivas castas: Tokaji Furmint, Tokaji Hárslevelû e Tokaji Sárgamuskotály.
·    Vinhos de Vindimas Tardias: Nesta categoria encontram-se vinhos provenientes de uvas parcialmente botrytizadas, com maior ou menor quantidade de açúcar residual.
·         Tokaji Szamorodni: Esta palavra de origem polaca significa: "como nasceu" ou "como isso cresce". O Szamorodni é elaborado a partir de uvas parcialmente botritizadas sem seleção dos bagos botritizados (aszú). Usado como aperitivo pode ser seco ou doce dependendo da proporção de uvas botritizadas.
·         Tokaji Aszú: São os vinhos mais conhecidos da região. Provêm da adição ao vinho de base de uvas com elevado grau de podridão (também designada por podridão nobre), como resultado da presença do fungo Botrytis cinerea, dando origem à formação de uma massa pastosa. A quantidade desta "massa" adicionada ao vinho de base é quantificada em recipientes próprios designados porputtonyos (cada puttonyo significa 25 kg de aszú). Nos rótulos destes vinhos encontramos obrigatoriamente o número de "puttonyos" adicionados (varia de 3 a 6).
·         Tokaji Eszencia: Uma raridade absoluta, o sumo gota-a-gota dos bagos de aszú. A Eszencia é um néctar com uma concentração de açúcar comparável à do mel.


Eszencia: Elixir da longa vida 
A garrafa acima é o famoso Eszencia, vinho citado e glorificado por muitos, mas bebido por poucos. É elaborado só com uvas botrytizadas e separadas grão a grão. Faz-se uma pilha com estas uvas, e somente o néctar escorrido devido a pressão do peso próprio das mesmas é coletado. A produção é reduzidíssima e chega a conter 800 gramas de açúcar por litro (um terror para os diabéticos). O grande segredo é a estupenda acidez principalmente da uva Furmint, com níveis acima dos vinhos bases de Champagne. Nesta concentração de açúcar, a fermentação é quase nula, demorando vários anos para se completar. O resultado é um vinho com cerca de três por cento de álcool e uma persistência aromática interminável.
Quando a Hungria e Eslováquia assinaram o tratado de adesão à União Europeia, já existia um acordo de 1993, onde o nome de Tokaj (incluindo outras formas de ortografia), só deveria ser usado para os vinhos com a denominação de origem. Em março de 2007, os produtores de vinho na França e na Itália deixaram de ser autorizado a usar o nome de Tokay ou Tocai para seus vinhos, que foram feitas a partir de duas variedades não relacionados. O nome Tokay nome passou a ser utilizado na região francesa da Alsácia, para os vinhos feitos com a uva Pinot Gris, geralmente como Tokay d'Alsace. Para dar continuidade ao acordo de 1993, o nome Tokay Pinot Gris foi adotado como um passo intermediário para a comercialização dos vinhos franceses deste tipo, para que em 2007 a utilização do nome Tokay já não seria permitida para o uso dos vinhos francences e nem seria utilizada.
Na Itália, o nome Tocai veio para se referir a uva Sauvignon Vert da região de Friuli-Venezia Giulia, sob a designação Tocai Friulano. Esta designação era para ter sido extinta em 2007, com a mesma cronologia para Tokay d'Alsace. No entanto, a Itália não conseguiu implementar um novo nome à tempo [7], assim rótulos com este nome puderam ser vistos até 2010.
Na Eslovénia, a proibição da UE de usar o nome  histórico Tokaj para o vinho tradicional das regiões de  Goriška Brda e Vipava;  e sua substituição por Sauvignonasse gerou uma grande confusão entre os consumidores.
Houve também uma longa disputa entre a Hungria e a Eslováquia, no direito de usar o nome de Tokaj. As negociações entre os dois governos resultou em um acordo a ser assinado em Junho de 2004. Sob este acordo, o vinho produzido em 5,65 km² de terra na Eslováquia é permitido usar o Tokajský/-á/-é label  [2]. No entanto, uma série de questões práticas ainda permanece. A Eslováquia comprometeu-se a apresentar os mesmos padrões consagrados nas leis de vinhos húngaros desde 1990.
A região vitivinícola Rutherglen na Austrália produz um vinho de sobremesa elaborado com uvas Muscadelle que geralmente tem sido referido como Tokay, mas que tem pouca semelhança com as uvas ou os processos do Tokaji húngaro. Após uma mudança nos regulamentos em 2007, esta variedade de vinhos de sobremesa foi vendida sob o nome de "Topaque" [8] por algumas vinícolas, mas a partir de 2012 alguns outros continuam a rotular eles  como Tokay.
A Ucrânia também produz vinhos rotulados como "Tokay", que são geralmente produzidos em Transcarpathia, uma região vizinha, que fazia parte da região de Tokaji sob a antiga norma do império Austro-Húngaro regra. [9] Este vinho é feito a partir de cultivos semelhantes [10] sendo engarrafado em garrafas de 500ml semelhantes ao Tokaji original,  mas não possui o mesmo padrão de qualidade – atualmente este problema está sendo negociado.


Mais curiosidades sobre a influencia do Tokaji

No conto "His Last Bow (Seu Último Arco)", de Arthur Conan Doyle, Sherlock Holmes é mencionado pelo prussiano Von Bork spymaster empregando sua Altamont persona como tendo um brilho à bebida,
"Altamont tem um sabor agradável em vinhos, e ele tomou uma fantasia para o meu Tokay. Ele é um companheiro sensível e precisa humouring nas pequenas coisas. Tenho que estudá-lo, eu lhe garanto.", Holmes posteriores bebidas com Watson e discute a vinho, como o Dalloway é tomado de realeza. 'Da adega especial Franz Josef, no Palácio de Schoenbrunn. "
No capítulo II do romance de horror "Drácula", de Bram Stoker, o personagem de Jonathan Harker descreve a primeira refeição servida a ele pelo Conde Drácula:

El propio conde se acercó a mí y quitó la tapa del plato, y de inmediato ataqué un excelente pollo asado. Esto, con algo de queso y ensalada, y una botella de Tokay añejo, del cual bebí dos vasos, fue mi cena. Durante el tiempo que estuve comiendo el conde me hizo muchas preguntas acerca de mi viaje, y yo le comuniqué todo lo que había experimentado. [retirado da referida obra, em Espanhol]

No romance de Virginia Woolf, Mrs. Dalloway, as pessoas do sexo masculino na festa de Dalloways só  bebiam  um Tokay Imperiall dos  porões do Imperador. "
No filme de Terry Gilliam, As Aventuras do Barão de Munchausen, o Barão e o sultão fazem uma aposta : se o Barão poderia obter, "das adegas imperiais em Viena", uma garrafa de Tokaji superior à oferecida pelo sultão.
Em A Bússola de Ouro, Philip Pullman,  há uma tentativa de envenenamento de um dos personagens principais, Lorde Asriel, feita pelo Mestre do Jordan College (no romance) ou um funcionário do Magistério (no filme) através de um decantador de Tokaji no primeiro capítulo. Tokaji é dito ser vinho favorito de Lorde Asriel.
Em O Fantasma da Ópera, de Gaston Leroux,  há menção ao Tokay no capítulo de "lira de Apolo", onde Erik serve tokay para Cristine e diz a ela que ele conseguiu o vinho das adegas Königsberg.
Em “o Colar da Rainha!, de Alexandre Dumas, o Duque de Richelieu e seu mordomo discutem os arranjos para obter uma garrafa de Tokaji especial, o que eles esperam para agradar o rei Gustavo III da Suécia em um jantar que o Duque vai sediar.

Tokay Essence 1889 (à esquerda) "De qualidade superlativa, engarrafado por volta de 1910, a partir das propriedades do falecido Conde Jules Esterhazy."; e o Tokay Essence 1914 (à direita) "De qualidade muito boa, de valor inestimável como restaurador, de propriedade do Barão Maillot.

"



Vinhos Tokaji são trazidos ao mercado somente após maturação depois de muito tempo de armazenamento em  barril e um tempo adicional adicional em garrafa. Assim, uma vez que a garrafa é comprada, está pronta a ser consumida. Dito isto, todos os bons Tokaji pode ser armazenado por muitos anos, os de  qualidade mais elevadas podem ser armazenados por décadas, e o verdadeiro Essencia vai durar dois séculos ou mais: os melhores vinhos Tokaji são quase imortais. Com exceção discutível dos vinhos do Chateau Chalon (também o resultado de vinificação oxidativa), Tokaji é o vinho de vida mais longa na existência. Por esta razão garrafas do século XVIII e XIX ainda são muito procuradas por colecionadores e custam valores exorbitantes.


Tokaji Aszú é melhor consumido a uma temperatura de 11 a 14 ° C. Temperaturas mais quentes melhoram o seu sabor, mas faz parecer menos fresco. O Szamorodni pode ser apreciado em temperaturas ligeiramente mais frias do que um Aszú.
Se o Aszú foi feito no estilo tradicional oxidativo, um frasco hermeticamente fechado pode ser armazenado no frigorífico durante duas semanas após a abertura, sem qualquer perda de qualidade. Desta forma, você pode facilmente abrir várias garrafas ao mesmo tempo para a degustação paralela! Um Tokaji Aszú é um companheiro elegante para muitas sobremesas. Como uma regra de ouro. certificar-se que a doçura do vinho é maior do que a doçura do sobremesa. Tal como acontece com Sauternes, vinhos Tokaji também são ótimos para acompanhar queijos de mofo azul, especialmente Roquefort.,



Referências
1.     ^ "Tokay"Encyclopædia BritannicaEncyclopædia Britannica, Inc.. 2008. Retrieved 2008-08-16.
2.     a b c "A névért perelnék az uniót a tokaji gazdák" (in Hungarian). Népszabadság. 2008-08-02. Retrieved 2008-09-21.
3.     a b c d e f g h i j Tokaj-Hegyalja
4.     ^ “A rich, sweet, moderately strong wine of a topaz color, produced in the vicinity of Tokay, in Hungary; also, a similar wine produced elsewhere.” Webster’s New International Dictionary of the English Language (Springfield, Mass.: G.&C. Merriam, 1913). See Tokay at page 2166.
5.     a b Lichine, Alexis (1987). Alexis Lichine’s New Encyclopedia of Wines & Spirits (5th edition ed.). New York: Alfred A. Knopf. pp. 497–499.
6.     ^ Tokay alsace
9.     ^ Sunday Business post

Sorvete de Mascarpone com xarope de Tokaji e passas

Para a calda
Tokaji 120ml ou vinho de sobremesa outros
passas 120g
Açúcar refinado 90g
½ vagem de baunilha
Para o sorvete
Leite integral 300ml
5 colheres de sopa de glicose líquida (encontrá-lo em cookshops e químicos)
60g de açúcar refinado ouro
½ vagem de baunilha
4 gemas
250g mascarpone

Preparo: Para fazer a calda, coloque o Tokaji sobre as passas em uma tigela pequena e deixe de molho por 2 horas. Coloque o açúcar, 1/2 uma vagem de baunilha e água 60ml em uma panela pequena e aqueça suavemente até que o açúcar se dissolva e um xarope claro se forme. Aumente o fogo e deixe ferver. Adicione as passas e Tokaji e deixe ferver por 5 minutos, até apurar. Deixe esfriar em seguida, cubra e leve à geladeira.
Para fazer o sorvete: aquecer o leite com a glicose líquida, o açúcar e a baunilha em uma panela mexendo ocasionalmente para dissolver o açúcar, quando a mistura começar a ferver retire do fogo. Coloque as gemas em uma tigela grande e despeje a mistura de leite quente sobre elas, mexendo constantemente. Em seguida misture o mascarpone.. Passe por uma peneira fina e leve à geladeira por uma hora na máquina de sorvete. (Se você não tem uma máquina de sorvete, despeje em um recipiente, leve ao congelador por uma hora, em seguida, passado este tempo retire do congelador e bata na batedeira bem, repita esta operação, até obter a consistência desejada). retire dois terços das passas da calda e reserve. Transfira o sorvete para um recipiente com tampa de plástico e gentilmente coloque as passas escorridas com 2 colheres de sopa da calda. Gelar por pelo menos mais duas horas  antes de servir. Colocar a calda restante e passas sobre cada serviço antes de comer
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quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Epifania do risotto alla milanese


Eu adoro um risotinho – principalmente na hora em que a preguiça bate ... eu, por isso, não considero risoto um “prato”. Para mim os risotos, nada mais são que muitas misturas saborosas e que podem ser realizadas com variações de receitas – isso os torna cada vez mais interessantes para o meu paladar.
Como acontece com muitos alimentos “tradicionais”, existem muitas teorias conflitantes sobre a origem do risoto: alguns especialistas apresentam que o risoto surgiu no século  XVI; enquanto outros, afirmam que é um prato do século XX.



Historiadores de gastronomia em geral concordam que os primeiros tipos de risotos provavelmente se originaram durante o Renascimento, na região da Lombardia, tendo Milão como o lugar mais famoso para o surgimento dessas misturas. A história confirma que famílias abastadas milanesas reconheceram o potencial dos grãos no mercado [quando grão era escasso, os preços subiriam] e o valor capitalizado sobre ele e investiram nisso.
Os comerciantes de arroz milaneses tornaram-se muito ricos, e de acordo com alguns relatos, por vezes, arroz era doado como presente de alto valor e estima.
Os primeiros pratos com arroz na região norte da Itália foram emprestados da cozinha mediterrânica, responsável pela introdução de arroz na Itália. Naquela ocasião eram tipicamente receitas doces que combinavam arroz, leite de amêndoas e especiarias. Juntos, os cozinheiros milaneses e os ingredientes locais eventualmente criaram um prato exclusivo a qual deram o nome de risoto.
Verificando livros de receita americanos encontra-se que os risotos foram feitos na América do início do século XIX, embora este tipo de alimento não se tornou amplamente aceito até depois da Segunda Guerra Mundial - Isto é uma verdade principalmente se nos basearmos também pela entrada de muitos outros pratos italianos, incluindo a pizza. Mas os chefes americanos redescobriam o risoto na década de 1980, elevando este prato de simples e econômico ao status de gourmet.
Existem muitas variedades de arroz italiano para a preparação do risoto e o arroz arbóreo é o tipo mais frequentemente usado pelos chefes no preparo dos risotos.

"Como é que o arroz veio parar da China na Europa? Os persas e mesopotâmicos o encontraram pela primeira vez no século V aC, como resultado de contatos diplomáticos e comerciais entre Darius e os Estados chinês e indiano. A cultura do arroz no Egito e na Síria chegaram durante os dois séculos seguintes... e foi no Sul da Espanha que apareceram os primeiros campos de arroz criados pelos os mouros da Andaluzia ... Várias tentativas foram feitas para cultivo de arroz na Itália no início da Idade Média. No final do século XIII o duque Visconti de Milão, de uma família muito perspicaz, teve um interesse pessoal nas possibilidades de cultivo de arroz, mas foram seus sucessores, Galeazzo Sforza e seu irmão Ludovico Moro, quem trouxe o arroz para o delta do Pó, e com ele a prosperidade." [ History of Food, Maguelonne Toussaint-Samat, translated by Anthea Bell [Barnes & Noble Books:New York] 1992 (p. 161-2)]

Uma das primeiras referências que eu conheço sobre o arroz no norte da Itália é uma carta de 27 de setembro de 1475, de Galeazzo Maria Sforza para o Duque de Ferrara sobre 12 sacos de arroz, que pode ser compreendido como um documento histórico, onde observa a margem de lucro sendo mantida alta pelos rizicultores na Lombardia e que significou a escravidão de trabalhadores que não eram organizados, incluindo crianças expostas a crueldades bárbaras.. [A Mediterranean Feast, Clifford A. Wright [William Morrow:New York] 1999 (p. 587)]


Galeazzo Maria Sforza
O Risotto nada mais é do que uma preparação de arroz cozido e cremoso que tem absorvido uma boa quantidade de caldo para torná-lo saboroso e suave.
O risoto mais famoso é feito "alla milanese", a partir de Milão. Ele é aromatizado com açafrão e contém caldo de carne. Diz a lenda que o prato remonta a 1574, quando um construtor de vitrais da catedral de Milão, que era conhecido por sempre adicionar a cor amarela em tudo, acidentalmente adicionou açafrão em seu prato de arroz:

A imponente Catedral de Milão

Era inverno do ano de 1574. Há quase duzentos anos que as obras na igreja Duomo de Milão havia formado uma Babel de artistas, escultores, pintores, artesãos e operários vindos de todas as partes da Europa. Em um dos casebres que circundavam a igreja vivia uma comunidade de artesãos belgas. Entre eles, Valerio Perfundavalle (ou Valerio di Fiandra), um mestre vitralista encarregado de parte dos trabalhos. Pessoa curiosa, tinha o hábito de misturar açafrão em todas as suas experiências cromáticas com o amarelo. Como o açafrão custasse muito à época, o artista não se separava do bornal onde o guardava. Muitos, apesar do enorme respeito, se divertiam com essa curiosa fixação e esperavam o dia em que ele acabaria por despejar o corante na comida. E um dia aconteceu. Naquela época era comum almoçar durante um breve intervalo, e o nosso Valerio se limitava a consumir um pouco de arroz, sentado em um dos andaimes suspensos entre o céu e a Terra. Dos detalhes ninguém sabe, mas um pouco do açafrão acabou caindo no arroz, que, amarelo, pareceu-lhe mais apetitoso. Valerio excitou, mas no fim pensou: “Que mal pode fazer? É uma planta!” (Como a cicuta.) Provou e aprovou a invenção, assim como todos que experimentaram depois. Essa é uma lenda inventada pelos milaneses para colorir um pouco mais a origem dessa clássica receita. Apesar de a estória ser reconhecidamente falsa, serve para demonstrar a ligação do prato à cidade, fazendo registrar na história, ao mesmo tempo, os nascimentos do Risotto alla milanese e da Duomo – dois símbolos da região

Um dos muitos e belos vitrais de Valério na Catedral de  Milão
Afirmam algumas pessoas que a história acima tem mais fundamento para originar o termo risoto a partir das palavras ditas com a experimentação da comida: após os operários terem provado o prato teriam dito: "Risus optimus" (termo em latim para "arroz excelente"). Posteriormente, o arroz tingido de amarelo foi chamado de risoto alla milanese. [Dictionary of Italian Food and Drink, John Mariani [Broadway Books:New York] 1998 (p. 218-9) ]

Risotto alla milanese

"Os italianos do norte fantasiam como tendo um monopólio sobre o consumo de arroz, mas o arroz de fato entrou pela primeira vez na Europa como um género alimentício através da ocupação árabe na Espanha e Sicília. Os romanos conheciam o arroz apenas como um bem extremamente caro importado em quantidades pequenas da Índia para fins medicinais, mas os sarracenos foram tão hábeis na irrigação que eles foram capazes de criar arrozais na área ao redor de Lentini, ao sul de Catania onde o cultivo de arroz persistiu no século XVIII ". Pomp and Sustenance, Twenty-Five Centuries of Sicilian Food, Mary Taylor Simeti [Ecco Press:Hopewell NJ] 1989 (p. 69)

Textos sobre a culinária medieval apenas apresentam receitas de risotos na forma de doces que combinam arroz, leite de amêndoas e especiarias, como podem ver numa receita originária da Turquia.

On Rice
Rice [risum], which I think was called oriza in the ancient spelling, is of warm and dry force, and for this reason it is very nourishing, especially if it has been seasoned with ground almonds, milk, and sugar, as will be described later. When it is cooked down it pure water, it constricts the belly. Its frequent use, however, harms those accustomed to suffer with pain in the bowel." -De Honesta Voluptate [On Right Pleasure], Platina, Book VII [1475] critical edition and translation by Mary Ella Milham, Medieval & Renaissance Texts & Studies Volume 168, Tempe AZ (p. 309)

Resumindo: risoto é um  prato de arroz célebre e popular que se originou nos arrozais do norte da Itália. Ele tem algo em comum com paella e o pilaf, onde arroz é cozido em um líquido com outros ingredientes cujo sabor é absorvido pelos grãos – e as receitas só diferenciam no método.
Risoto é um prato de camponês/operário, provavelmente, e que se tornou sofisticado como o passar do tempo. As primeiras receitas foram publicadas em meados do século XIX por Artusi, o primeiro escritor de culinária célebre italiano, e Vialardi, mais tarde chefe do rei Victor Emmanuel. Para o final do século XX uma expansão regular do conceito de risoto pode ser observada, especialmente em restaurantes.



[NOTA: -  O livro “Pellegrino Artusi's Science in the Kitchen and the Art of Eating Well (c. 1891)” [Ciência na cozinha e a arte de comer bem de Pellegrino Artusi] contém as seguintes receitas de risoto: contém o seguinte risoto receitas: Risotto Colle Telline (arroz com mariscos), Risotto Colle Tinche, Risotto nero Colle Fiorentina seppie Alla (Blask Risoto estilo florentino), Risotto Coi Piselle (arroz com ervilhas), Risoto Funghi Coi (Arroz com cogumelos), Risotto Coi Pomodori (arroz com tomate), Risotto Alla Milanese I (arroz à milanesa I), Risotto Alla Milanese II, Risotto Alla Milanese III, Risotto Coi Rangocchi (Arroz com rãs), Risotto Coi Gamberi (arroz com camarões) e Risotto Col Brodo Di Pesce (arroz em caldo de peixe).]

E se você é do tipo que adora um risoto, porque é fácil e rápido, aproveite para preparar agora a receita abaixo;
  
Risoto alla Milanese

Ingredientes
400 gr de arroz carnaroli (ou arbóreo)
1/2 unidade de cebola ralada
1 dentes de alho inteiros
3 colheres (sopa) de azeite
5 colheres (sopa) de manteiga
1 copo de vinho branco seco(s)
1 colher (sopa) de açafrão
50 gr de parmesão ralado(s)
2 litros de caldo de carne
Preparo:  Coloque o açafrão numa tigelinha com ½ copo de água quente e deixe de molho por 2 horas.Numa panela coloque o azeite e 3 colheres(sopa) de manteiga. Quando derreter, junte a cebola e o dente de alho. Deixe suar e coloque o arroz. Mexa em fogo médio por uns 3 minutos. Coloque o vinho e vá mexendo até que evapore. Então comece o cozimento com o caldo, colocando pouco a pouco e mexendo até que seque. Torne a colocar o caldo até completar o cozimento. Na última mexida, coloque o açafrão dissolvido na água e misture até que o  arroz fique todo amarelo. Coloque o restante da manteiga, mexa bem forte, apague o fogo e complete com o queijo. Pode ser acrescentado funghi secchi se gostar.