Mostrando postagens com marcador Natal. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Natal. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

O caso das Sugar Plums – elas não são o que você pensa que são!


Vocês, com certeza, já ouviram alguém dizer que o Natal é mágico. 
Eu  já ouvi e já li isso milhares de vezes. Já ouvi também, e concordo, que muitas pessoas começam a mudar no Natal - devido a influencia desta estação... Já ouvi outros dizerem que o personagem central desta época, o menino Jesus, é sempre encoberto pelo consumismo; que as pessoas dão mais valor aos presentes do que ao “Dono da Festa”; e que nem sempre sentem o real Espírito do Natal.
No que eu acredito? Eu acredito nos fatos. Eu acredito no que eu sinto. Eu acredito que Deus, na sua sabedoria, sempre sabe o que faz. E Deus não faz errado. E eu acredito que foi Deus quem fez a fantasia para deixar a nossa imaginação sempre viva e aliviada da rudeza da realidade que os homens criam.
Hoje vou lhes contar uma história que sempre teve importância para mim, desde criança, e que está repleta de fantasia. Irei lhes falar sobre as Sugar Plums - Talvez seja o Espirito do Natal se manifestando em mim, juntando cada coisinha que eu acredito lá no fundo, para transformar se em fatos que podem explicar algumas das minhas ligações de proximidade com a fantasia, com o natal, com a gastronomia, com a história, com a cultura, com o mundo, com a consciência universal (Deus).


Sugar Plums
Quando eu era criança e apesar de gostar do Papai Noel (como é de se esperar da maioria das crianças) era com outros personagens fantásticos que eu mais me identificava. dentre estes personagens, eu gostava do quebra-nozes e da Sugar Plum Fairy – que na época, eu conhecia como Fada Torrão de Açúcar. O motivo para esta apreciação toda eu posso expor em fatos simples:

·     Sempre fui muito dedicado a leitura, e o quebra-nozes entrou na minha infância através do conto O Soldadinho de Chumbo, de Hans Christian Andersen;
·   Sempre gostei de música e dança, e o quebra-nozes veio acompanhado da fadinha açucarada quando me foi apresentado, ainda pequeno, a suíte O Quebra-Nozes, de Tchaikovsky. Vale ressaltar que a montagem deste ballet foi inspirado também na literatura, a partir do conto de fadas “The Nutcracker and the Mouse King” (O quebra-nozes e o Rato Rei, do original em alemão: Nussknacker und Mausekönig), estória escrita em 1816 por Ernst Theodor Amadeus Hoffmann – escritor germânico de fantasia e terror. Em 1892, o compositor russo Pyotr Ilyich Tchaikovsky, com os coreógrafos Marius Petipa e Lev Ivanov, (depois por Alexandre Dumas, Pai) fizeram a adaptação dessa historia para o ballet quebra nozes – e que se tornou um das mais famosas composições de Tchaikovsky, e sem duvida um dos balés mais populares pelo mundo.

Assista ao ballet completo.

Depois disso eu tinha certeza, que o nascimento do Cristo trouxe consigo muitas outras coisas boas, cheias de fantasia, e isso se refletia nas historias contada na época natalina ao redor do mundo – que eu tinha contato através da leitura. 
O quebra nozes e a fada torrão de açúcar eram tão presentes no meu natal, que na adolescência, para concorrer num concurso da minha escola, eu desenvolvi uma coreografia simples para uma música da atualidade colocando como corpo do ballet o soldado de chumbo, a fadinha e alguns outros personagens (ganhamos o concurso na cidade, e depois fomos disputar na região, mas sempre tem gente melhor do que nós, e só de ter feito aquilo, de improviso com poucos recursos da escola, já foi o máximo – só a foto que eu tenho que é desastrosa [risos] ainda bem que o tempo melhora a gente!).


A foto é antiga, não tem boa qualidade, mas é o único registro que tenho daquele momento. Tenho  essa farda vermelha até hoje!
Hoje mais uma vez eu me lembro destes personagens e resolvi tratar especialmente da fadinha açucarada, pois ela tem ligação direta com tudo isso, e com a gastronomia – sempre o foco desta publicação. Para tanto, imbuído pelas influências dos julgamentos do mensalão (que acabou levando a TV a passar cada dia um fato novo sobre o ocorrido), vou passar aqui a descrever os fatos que originaram a associação das Sugar Plums com o Natal.
Aqui não se está discutindo, hoje, a origem e o feitor das Sugar Plums. Mas as está considerando como uma realidade: o fato de que elas existem para deixar o Natal ainda mas cheio de fantasia e deleite – e fantasia e deleite não precisam de explicação, só necessitam serem sentidos, aproveitados.
"Plum” (termo inglês para Ameixa) ou "Sugar Plum" é o termo que remete a uma confecção culinária doce que não refere-se no sentido literal ao doce de ameixa – o que seria correto se a preparação fosse feita apenas deste fruto. Ao mesmo tempo, o termo "plum" ainda pode ser usado para designar qualquer fruta seca.



Sugar plums são feitas a partir de qualquer combinação de: ameixas, figos, damascos, tâmaras e cerejas, todos deve estar secos (em passas). A fruta seca é cortada fina e combinada com amêndoas, mel e especiarias aromáticas e essa mistura seria, então, enrolada no formato de pequenas bolas do tamanho de ameixas e, só então, revestidas em açúcar - há quem as encontre enroladas em coco ralado.
De acordo com os historiadores de alimentos, a palavra ameixa (plum) nos tempos vitorianos era usada para se referir a passas ou groselhas secas, e não para referir-se as ameixas - como pensam a maioria das pessoas.
No entanto as Sugar Plums são as formas mais antigas para um doce cozido – que não necessariamente precisariam ser feitos de ameixas. Porém elas trazem no seu tamanho e forma a associação com a tal fruto. 
O termo Sugar Plum esteve em alta a partir do século XVII até o século XIX, mas agora só é relembrado, em grande parte, graças a Fada Sugar plum, um personagem do ballet Quebra-Nozes de Tchaikovsky(1892) ou na época natalina, quando as crianças pedem as “fadinhas açucaradas”.
As Sugar plums pertencem à família dos confeitos. O Dicionário de Inglês Oxford define a palavra como sendo "Um bombom pequeno, redondo ou oval, feito de com açúcar e frutas cozidas de cor e sabor variado, um confeito". A primeira menção a este alimento especial foi feita em 1668. Mas o termo também tem outro significado, pode indicar "Algo muito agradável; que pode ser dado como um calmante ou suborno" – significado que data de 1608.
O Inglês é uma língua flexível e o nome do doce poderia ter vindo da semelhança com uma ameixa pequena. Ou poderia ter vindo de ameixas reais conservadas em muito açúcar, uma ideia relativamente nova na Inglaterra do século XVI. Antes deste tempo o açúcar era tão caro que era usado muito moderadamente, tanto quanto poderíamos usar um tempero de hoje. Em 1540, no entanto, o açúcar começou a ser refinado em Londres, o que baixou seu preço consideravelmente, apesar de apenas as famílias abastadas teriam condições de usá-lo generosamente. Preservar alimentos com o açúcar permitiu que os doces frutos de verão pudessem ser apreciados durante todo o ano, especialmente durante a temporada de inverno, que coincidiam com as época “natalina’.
Cozinheiros do século XVI não registraram suas razões para usar um ingrediente sobre outro, embora eles parecem desfrutar de receitas comerciais onde normalmente não se encontra seu feitor original – principalmente por se tratar de um doce, digamos, primitivo. Botânicos da época, tinham muito a dizer sobre os produtos e temperos usados na culinária da época. John Gerard, cuja obra “Complete Herbal”, publicada em 1597, diz que as ameixas frescas possuíam muitos nutrientes e, além disso, elas teriam uma tendência a estragar rapidamente e manchar qualquer prato que fosse servido com ela.  Ele diz ainda que ameixas secas, são muito mais saudável e as recomendava para resolver problemas no sistema digestivo. Outro estudioso, Thomas Culpepper, escrevendo um pouco mais tarde, encontrou essa propriedade nas ameixas, tanto nas frutas frescas quanto nas em passas.
Mas eu acredito que os confeiteiro do século XVI não estavam nem um pouco interessado nessas propriedades da ameixa, quanto mais no seu  valor  nutricional. Isso posto vamos aos fatos mais diretamente ligados com esta época do ano;

Dossiê sobre a conexão das Sugar Plums com a temporada natalina



O que é uma sugar plum?

A resposta mais simples seria: uma confecção pequena de massa doce cozida, a base de frutas, enrolada em açúcar. Embora existam frutos reais (ameixas) escalfados e banhados com abundante calda de açúcar temperado, que levam também o nome de sugar plum.  Podem ainda estar relacionadas com as frutas cristalizadas.
O conceito básico da Sugar Plum é a preservação de frutas com açúcar, permitindo-lhes ser apreciadas durante todo o ano – como acontecia com  conservas de vegetais e carnes com a salga – também usado para preservar alimentos para consumo durante todo o ano.
Aqui em Fortaleza, e acredito que no nordeste brasileiro em geral, nós temos um doce que poderia também ser facilmente chamado de Sugar Plum devido a sua forma e aparência  Trata-se do doce de caju cristalizado, que pode vir com pedaços de castanhas de caju tendo a mesma forma das sugar plums e é igualmente delicioso.

Sugar Plums
As Sugar Plums nordestinas - doce de caju  cristalizado

Dois clássicos natalinos ligam as Sugar Plums com Natal

A menção de receitas para fazer Sugar Plums começa em torno do século XVII, que coincidiu com o aumento da popularidade de açúcar na Europa e no Novo Mundo. Isso também se encaixa na linha de tempo para a menção das Sugar Plums na época do Natal – isso se deu graças a dois clássicos natalinos:
• O famoso poema de Natal escrito no início de 1800, "A Visit from St. Nicholas" (Uma Visita de São Nicolau, também conhecido como "'The Night Before Christmas), que inclui o seguinte verso: "The children were nestled all snug in their beds, While visions of sugar plums danc'd in their heads." (Os filhos foram todos aninhado confortavelmente em suas camas, Quando tiveram as visões de sugar plums dançando em suas cabeças). O texto é interessante e se você ficou interessado clique aqui para ler .  . 



• O Balé de Tchaikovsky 1882, O Quebra-Nozes que incluía "The Dance of the Sugar Plum Fairy" (A Dança da Fada do Açucarada), que seria para sempre associada com as sugar plums  e a temporada de festas natalinas. .


Agora vejamos uma breve explicação sobre esses dois motivos para o inicio da fama das Sugar Plums:

Clement Clarke Moore e as Sugar Plums

Mr. Moore
Segundo a lenda, na véspera do Natal de 1822, a esposa de Clement Moore estava assando perus para os pobres, quando enviou o Reverendo ao mercado para comprar um peru extra. Sua viagem para o mercado (que ficava no lugar onde hoje esta a the Bowery section de Nova York), o inspirou a escrever um poema que criou a imagem americana de Papai Noel, e o detalhou como um agregado familiar típico da época do Natal. O poema foi publicado anonimamente em 23 de dezembro de 1823, sob o título "Uma Visita de São Nicolau" ("A Visit from St. Nicholas"),
O poema tornou-se um dos mais lidos no mundo, e os versos sobre as sugar plums deram, certamente, impulso à lenda das sugar plums nos anos que se seguiram.

O verdadeiro autor de "Uma visita de São Nicolau"

Enquanto o poema descreve a visão das sugar plums, não há razão para acreditar elas não seriam as de Clement Clarke Moore. Porém Don Foster, um professor de Inglês no Vassar College, um lingüista forense usado pelo FBI em muitos casos famosos, como o prova do "Unabomber Manifesto" concluiu que o espírito do poema e estilo são absolutamente contraditório com a linguagem de Clement Clarke Moore. 


Major Livingston
Em um de seus livros Foster diz que seria o major Henry Livingston Jr seria o verdadeiro autor de "Uma visita de São Nicolau". Desde o lançamento de seu livro “Autor Desconhecido”, em 2000, muitas instituições, como a Universidade de Toronto, apoiam a alegação de Foster, reconhecendo o Major Henry Livingston Jr. como autor do poema.

Tchaikovsky e "The Dance of the Sugar Plum Fairy"

Tchaikovsky

Enquanto toda a Suíte do ballet Quebra-nozes (The Nutcracker Suite ballet) é uma celebração de Natal, a sua descrição da Fada açucarada (Sugar Plum fairy) como o governante da " Terra dos Doces" iria apoiar a conclusão de que Tchaikovsky via as sugar plums como um deleite muito especial  da época natalina.


Qual a ligação entre os dois homens americanos com o compositor russo?

• Enquanto vagava Tchaikovsky pela Europa e Rússia rural, não há nenhuma menção de ele teria tido qualquer ligação com a América.
• Clement Clarke Moore, era um estudioso bíblico rico de Manhattan, foi morto há muito tempo antes da escrita de Suite Quebra-Nozes de Tchaikovsky. E sem a internet, as comunicações entre a Rússia e a América, entre estes dois indivíduos não aparentados era altamente improvável..
• O Major Livingston, como Moore, foi um residente de longa vida na cidade de Nova Inglaterra, e morreu antes de Tchaikovsky nascer. Assim, mesmo que sem dúvida de que ele seja o autor do poema "Uma Visita de São Nicolau", é tão improvável que Tchaikovsky nunca o teria conhecido as sugar plums através de Livingston.


Sugar Plum Fairy - Soberana da Terra dos Doces
Isso nos leva a crer que estas pessoas estão para sempre ligadas na história pelo Natal e pelas sugar plums, mas que tiveram seus pensamentos independentes sobre elas embora eles estivessem determinados a tratar sobre elas em sua expressão artística. 
Não há outras teorias de conspiração contra este resultado a serem encontradas, nada em comum entre os personagens. Talvez eventos totalmente independentes estejam relacionadas por uma verdade mais simples que possa explicar este caso. Mas não temos respostas para esta explicação. E é fato indiscutível que as sugar plums são doces comumente associados com o Natal – e são lembrados também através do poema e do ballet citados anteriormente.
As sugar plums, com toda sua simplicidade evocam uma sensação de fantasia sobrenatural – seja através de uma tradição mística, das celebrações antigas de Yule, da poesia, da música ou da dança.



O que importa é que as sugar plums sempre foram muito acalentadas desde os versos de Clement C. Moore ou do Major Henry (como queiram) até o ballet de Tchaikovsky. Essas deliciosas confecções teceram-se dentro e fora das tradições culinárias de Natal e de Inverno um lugar especial que ocupam com capricho fantasioso as mentes mais sensíveis, e que ofertam os vestígios de todo seu deleite para surpreender o paladar contemporâneo...
Com tradição culinária, é claro, vem a nutrição e, enquanto a doçura complexa de uma sugar plum tradicional pode aparentar ser pálida em comparação com modernos doces, as sugar plums oferecem uma profundidade maior e mais complexa não só sabor, mas de cultura. Houve um tempo em que as ameixas secas, enrugadas e simples, serviam para os momentos de deleite dos homens até que surgiu o momento onde as sugar plums surgiram para materializar os sonhos e as fantasias.
E se você está interessado em oferecer a seus convidados um tratamento um pouco incomum nesta temporada natalina, e que quer incluir algo “mais saudável” no seu menu, as sugar plums são ideais para agradar os paladares mais exigentes, e sem tanta culpa, uma vez que são compostas de ingredientes super ricos em nutrientes que, quando misturados, enganam-nos a pensar que eles são exclusivamente, pecaminosamente, apenas deliciosos.

Fontes:
·         A-Z of Food & Drink, John Ayto [Oxford University Press:Oxford] 2002 (p. 329)
·   Sugar-Plums and Sherbet: The Prehistory of Sweets, Laura Mason [Prospect Books:Devon] 2004

Sugar Plums
ingredientes
½ xícara de amêndoas
¼ xícara de ameixas secas
⅛ xicara de tâmaras  picadas
⅛ xícara de passas
¼ colher de chá de canela
⅛ colher de chá de noz-moscada
¼ colher de chá de sementes de anis
¼ colher de chá de essência de baunilha
⅛ colher de chá de extrato de amêndoa
1 pitada de sal
1 colher de sopa de mel
¼ xícara de açúcar mascavo
Açúcar cristal para enrolar

Preparo: Combine nozes e frutas em um processador de alimentos e pulse até que se torne bem picada, mas antes de começar a formar uma bola. Transfira a mistura para uma tigela média e adicione os ingredientes restantes. Amasse bem. Faça as bolinhas e reserve. Envolver as bolinhas no açúcar cristal até ficar bem revestidas.

Sugar Plum  - versão crua

1 xícara de nozes pecans picadas
1 xícara de damascos secos
1 xícara de tâmaras picadas
1/2 xícara de cranberries secas
1/2 xícara de passas
3 colheres de sopa de suco de laranja
2 colher de chá de raspas de laranja
1/4 xícara de mel
1/2 colher de noz-moscada
1/4 colher de chá de cardamomo em pó
flocos de coco para enrolar

Prepraro: Junte os damascos e as tâmaras e pulse no processador até ficarem picadas. Adicione as cranberries e passas, e continuar pulsando até que as frutas fiquem uniformemente picadas e comecem a se acumular. Junte as nozes picadas, as tâmaras e adicione o suco de laranja, as raspas de laranja, o mel, a noz-moscada e o cardamomo. Pulsar até ficar bem misturado. Moldar bolas do tamanho de ameixas, com as palmas das mãos. Rolar pelos flocos de coco. (rende até 3 dúzias)

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

A Ávore de Yule: origens da ávore de Natal e os pinheirinhos trufados




Quisera Senhor, neste Natal armar uma árvore dentro do meu coração e nela pendurar, em vez de presentes os nomes de todos os meus amigos. Os antigos e os mais recentes. Aqueles que vejo a cada dia e os que raramente encontro. Os sempre lembrados e os que às vezes ficam esquecidos. Os constantes e os intermitentes. Os das horas difíceis e os das horas alegres. Os que sem querer eu magoei, ou sem querer me magoaram. Aqueles a quem conheço profundamente e aqueles a quem conheço apenas as aparências. Os que pouco me devem e aqueles a quem muito devo. Meus amigos humildes e meus amigos importantes. Os nomes de todos que já passaram por minha vida. Uma árvore de raiz muito profunda para que seus nomes nunca mais sejam arrancados do meu coração. De ramos muito extensos, para que novos nomes vindos de todas as partes venham juntar-se aos existentes. De sombras muito agradáveis para que nossa amizade seja um aumento de repouso nas lutas da vida.


É com este texto de autor desconhecido que abro o post de hoje para falar de uma das minhas paixões de Natal: Á arvore. Antes, preciso me desengasgar com uma coisa que está presa na minha garganta, e que pode ser motivo para alguém pensar que eu não entendo o significado verdadeiro do Natal, por estar dedicando  um escrito às árvores de natalinas....
Eu sei perfeitamente que o real sentido do Natal é a Natividade de Cristo e todo o seu contexto expressivo para as religiões cristãs. Sei também que, atualmente, a maioria das pessoas está voltada para o consumismo do que para o sentido real da comemoração (Não que eu seja a favor disso – o que eu não posso é sair por aí julgando ninguém pelo que faz ou acredita, ou pelo que deixa de fazer ou acreditar).
Normalmente quando alguém vai falar do Natal eu sempre vejo uma ponta de ressentimento e julgamento nas falas, escondidas lá no fundo, geralmente encobertas com palavras maquiadas para as pessoas não se ofenderem logo de cara, mas elas estão lá, acusando, julgando, ditando o que se deve fazer na época do Natal. Acho interessantes as falas dos religiosos nos sermões de dezembro... Por um lado eles realmente estão certos quanto ao fato da sociedade não estar tão voltada para o sentido original do Natal. Mas condenar a sociedade também não ajuda. E simplesmente, orientar a população, somente na época próxima ao natal, muito menos.



Ainda posso falar de como os hábitos culturais se envolvem neste contexto natalino capitalista, mas eu iria me desviar do meu foco – que é somente para registrar minha indignação com toda e qualquer pessoa que, na época do Natal se preocupam mais em reparar o que os outros não fazem, quando na realidade deveriam pregar o sentido do Natal e o estender até as outras épocas do ano. Eu penso na natividade, mas não posso fugir do capitalismo, nem a Igreja pode. E, acima disso tudo eu ME NEGO a ir contra a herança cultural.
Justamente por isso eu falo hoje sobre a árvore de Natal. Por vários motivos: por ela representar esperança; por ela ser um dos símbolos natalinos; por ela ser um elemento cultural de uma crença mais antiga que a minha e que foi adotado pela Igreja com símbolo unificador de crenças, etc.
De acordo com Mircea Eliade(2) as imagens das árvores em diversas culturas, além de serem escolhidas para simbolizar o Cosmos, também serviam para expressar a vida, a juventude, a imortalidade, a sapiência. Para o autor, a existência do homo religiosus é aberta para o mundo: o homem religioso nunca está só, pois vive nele uma parte do Mundo. Jacques Brosse recorda-nos (3) que para o selvagem - o habitante da floresta, da selva -, tal como para o sábio, a árvore é verdadeiramente a primeira das criaturas terrestres e o ser vivo que une a terra e o céu, indicando o caminho dos deuses. Na Índia védica, conta a lenda que Varuna, deus do céu noturno e das águas, obtinha soma, ou amrta, o elixir da imortalidade, espremendo o fruto da árvore da vida entre duas pedras (4).
Assim podemos perceber que há inúmeros relatos de árvores sagradas em muitas culturas: Yggdrasill era o freixo gigante da mitologia nórdica, o mensageiro de Ygg, um dos nomes de Odin, o pai dos deuses; enquanto que em Creta o freixo era consagrado a Poseidon, o cipreste a Hades e o carvalho a Zeus; o carvalho de Dodona, interpretado pelas Plêiades, constituía o oráculo mais poderoso da região (5) e sob a sua casca viviam as dríades, uma das categorias de ninfas.


Oráculo de Zeus - O Carvalho de Dodona
A tradição cristã da árvore de Natal tem suas origens nas celebrações pagãs de Yule. Mas os pinheiros usando como decoração já eram encontrados nas culturas grega e romana durante as celebrações de inverno.
Também conhecido como Natal, Ritual de Inverno, Meio do Inverno, Yule e Alban Arthan, o Sabbat do Solstício do Inverno é a noite mais longa do ano, marcando a época em que os dias começam a crescer, e as horas de escuridão a diminuir. é o festival do renascimento do sol e o tempo de glorificar o Deus. (O aspecto do Deus invocado nesse Sabbat por certas tradições wiccanas é Frey, o deus escandinavo da fertilidade, deidade associada à paz e à prosperidade.) São também celebrados o amor, a união da família e as realizações do ano que passou. Nesse Sabbat os Bruxos dão adeus à Grande Mãe e bendizem o Deus renascido que governa a "metade escura do ano". Nos tempos antigos, o Solstício do Inverno correspondia à Saturnália romana (17 a 24 de dezembro), a ritos de fertilidade pagãos e a vários ritos de adoração ao sol.

O QUE È O YULE
Yule é uma celebração do Norte da Europa que existe deste dos tempos pré-Cristãos. Os pagãos Germânicos celebravam o Yule desde os finais de Dezembro até aos primeiros dias de Janeiro, abrangendo o Solstício de Inverno. Foi a primeira festa sazonal comemorada pelas tribos neolíticas do norte da Europa, e é até hoje considerado o inicio da roda do ano por muitas tradições Pagãs. Atualmente é um dos oito feriados solares ou Sabbats do Neopaganismo. No Neopaganismo moderno, o Yule é celebrado no Solstício de Inverno, por volta de dia 21 de Dezembro no hemisfério Norte e por volta do dia 21 de Junho no hemisfério Sul. Os costumes modernos que estão associados ao dia cristão do Natal, como a decoração da árvore, o ato de pendurar o visco e o azevinho, queimar a acha de Natal, são belos costumes pagãos que datam da era pré-cristã. (O Natal, que acontece alguns dias após o Solstício de Inverno e que celebra o nascimento espiritual de Jesus Cristo, é realmente a versão cristianizada da antiga festa pagã da época do Natal.) A queima da acha de Natal originou-se do antigo costume da fogueira de Natal que era acesa para dar vida e poder ao sol, que, pensava-se, renascia no Solstício do Inverno. Tempos mais tarde, o costume da fogueira ao ar livre foi substituído pela queima dentro de casa de uma acha e por longas velas vermelhas gravadas com esculturas de motivos solares e outros símbolos mágicos. Como o carvalho era considerado a árvore Cósmica da Vida pelos antigos druidas, a acha de Natal é tradicionalmente de carvalho. Algumas tradições wiccanas usam a acha de pinheiro para simbolizar os deuses agonizantes Attis, Dionísio ou Woden. Antigamente as cinzas da acha de Natal eram misturadas à ração das vacas, para auxiliar numa reprodução simbólica, e eram espargidas sobre os campos para assegurar uma nova vida e uma Primavera fértil. Pendurar visco sobre a porta é uma das tradições favoritas do Natal, repleta de simbolismo pagão, e outro exemplo de como o Cristianismo moderno adaptou vários dos costumes antigos da Religião Antiga dos pagãos. O visco era considerado extremamente mágico pelos druidas, que o chamavam de "árvore Dourada". Eles acreditavam que ela possuía grandes poderes curadores e concedia aos mortais o acesso ao Submundo. Houve um tempo em que se pensava que a planta viva, que é na verdade um arbusto parasita com folhas coriáceas sempre verdes e frutos brancos revestidos de cera, era a genitália do grande deus Zeus, cuja árvore sagrada é o carvalho. O significado fálico do visco originou-se da idéia de que seus frutos brancos eram gotas do sêmen divino do Deus em contraste com os frutos vermelhos do azevinho, iguais ao sangue menstrual sagrado da Deusa. A essência doadora de vida que o visco sugere fornece uma substância divina simbólica e um sentido de imortalidade para aqueles que o seguram na época do Natal. Nos tempos antigos, as orgias de êxtase sexual acompanhavam freqüentemente os ritos do deus-carvalho; hoje, contudo, o costume de beijar sob o visco é tudo o que restou desse rito. A tradição relativamente moderna de decorar árvores de Natal é costume que se desenvolveu dos bosques de pinheiro associados à Grande Deusa Mãe. As luzes e os enfeites pendurados na árvore como decoração são, na verdade, símbolos do sol, da lua e das estrelas, como aparecem na árvore Cósmica da Vida. Representam também as almas que já partiram e que são lembradas no final do ano. Os presentes sagrados (que evoluíram para os atuais presentes de Natal) eram também pendurados na árvore como oferendas a várias deidades, como Attis e Dionísio. Outro exemplo das raízes pagãs das festas de Natal está na moderna personificação do espírito do Natal, conhecido como Santa Claus (o Papai Noel) que foi, em determinada época, o deus pagão do Natal. Para os escandinavos, ele já foi conhecido como o "Cristo na Roda", um antigo título nórdico para o Deus Sol, que renascia na época do Solstício de Inverno. Colocar bolos nos galhos das macieiras mais velhas do pomar e derramar sidra como uma libação consistiam num antigo costume pagão da época do Natal praticado na Inglaterra e conhecido como "beber à saúde das árvores do pomar". Diz-se que a cidra era um substituto do sangue humano ou animal oferecido nos tempos primitivos como parte de um rito de fertilidade do Solstício do Inverno. Após oferecer um brinde à mais saudável das macieiras e agradecer a ela por produzir frutos, os fazendeiros ordenavam às árvores que continuassem a produzir abundantemente. Os alimentos pagãos tradicionais do Sabbat do Solstício do Inverno são o peru assado, nozes, bolos de fruta, bolos redondos de alcaravia, gemada e vinho quente com especiarias. Incensos: louro, cedro, pinho e alecrim. Cores das velas: dourada, verde, vermelha, branca. Pedras preciosas sagradas: olho-de-gato e rubi. Ervas ritualísticas tradicionais: louro, fruto do loureiro, cardo santo, cedro, camomila, sempre-viva, olíbano, azevinho, junípero, visco, musgo, carvalho, pinhas, alecrim e sálvia.

O ato de cortar as árvores para enfeitá-las é bem antigo. Vejamos o que diz o profeta Jeremias (10:3 e 4): "...porque os costumes dos povos são vaidades, pois cortam do bosque um madeiro, obra das mãos do artífice, com machado. Com prata e com ouro o enfeitam, com pregos e com martelos o firmam para que não se movam...". Quando os pagãos se tornaram cristãos, normalmente sem uma profunda experiência com Cristo, levaram consigo todos os costumes pagãos.
As árvores de Yule eram cortadas e decoradas com imagens do que desejamos receber durante o próximo ano, como amuletos de amor para atrair o amor, nozes para a fertilidade, frutos de uma colheita bem sucedida, ou moedas para garantir riqueza e prosperidade.
Os escandinavos adoravam árvores e sacrifícios eram feitos debaixo das árvores ao deus Thor.

O carvalho, muitas vezes representado pelo roble, ficou sucessivamente associado a Júpiter e na mitologia nórdica a Donar-Thor, o deus dos raios e trovões. É o signo basal da astrologia celta, onde o nome druida, semelhante ao termo grego para carvalho sagrado, drus, significa sabedoria da árvore. Há autores que referem (6) que a palavra filósofo pode ser considerada uma tradução grega do celta dru-uids, literalmente: vidente, muito sábio; em irlandês o termo é drui, do genitivo drúad, sendo que aquele a quem se crê sábio ama a ciência e a confunde com a sabedoria; os druidas atuavam como juízes ou árbitros em todas as disputas (7).

A Enciclopédia Barsa descreve que a árvore de Natal tem origem germânica, datando do tempo de São Bonifácio (século VIII d.C.). Mesma época onde os pagãos germânicos faziam sacrifícios ao carvalho sagrado dedicado a Odin e ao seu filho Thor.


São Bonifácio
A lenda conta que São Bonifácio estava tentando converter um grupo de druidas. Ele tentou tudo o que ele poderia pensar em convencer os druidas que a árvore de carvalho não era sagrada ou invencível. Ele finalmente tentou uma última medida desesperada... Ele cortou o carvalho. Dizem que com a derrubada da árvore toda sãs outras que estavam no seu  caminho caíram salvando-se apenas um pinheiro pequenino. São Bonifácio declarou que havia ocorrido ali um milagre e que o pinheiro passaria a ser  sagrado para o Cristo-criança. E assim os pinheiros passaram a ser levados para as casas cristas e eram decorados.
Fugindo um pouco da lenda e seguindo para a realidade, a história real diz o seguinte:

Um acontecimento-chave da sua vida ocorreu em 723, quando derrubou o carvalho sagrado dedicado ao deus Thor, perto da moderna cidade de Fritzlar, no Norte do Hesse, e construiu uma pequena capela a partir da sua madeira, no local onde hoje se ergue a catedral de Fritzlar, e onde se viria a estabelcer a primeira sede de bispado na Alemanha a norte do antigo limes romano, junto do povoado fortificado franco de Büraburg, numa montanha próxima da cidade, junto do rio Éder. Este acontecimento é considerado como o início formal da cristianização da Germânia.

De toda forma, a partir do ocorrido famílias pagãs e cristãs passaram a levar para casa  os pinheiros naturais para que os espíritos de madeira tivessem um lugar para se aquecer durante os meses frios do inverno. Sinos foram pendurados nos ramos para poder avisar quando um  estivesse presente. Alimentos e guloseimas foram pendurados nos galhos para os espíritos para comer e uma estrela de cinco pontas, o pentagrama, símbolo dos cinco elementos, foi colocado no topo da árvore. As cores da temporada, vermelho e verde, também são de origem pagã, como é o costume de trocar presentes.


A Fada do Natal
Outra razão que as árvores foram pela primeira vez decorada com frutas e flores artificiais eram trazer o retorno da primavera e a fertilidade, calor e luz, e para restaurar e manter o equilíbrio entre a escuridão e a luz, frio e calor, e da morte e do renascimento.
Outra lenda, ainda conta que, quando Jesus nasceu as árvores floresceram; daí que se dê destaque aos pinheiros, árvores que estão verdejantes todo o ano mas que não possuem flores. As estrelas vendo a tristeza do pinheiro por não ter flores para agraciar o Cristo, resolveram descer e enfeitar seus ramos, tornando-se a arvora mais bela de todas. E simbolizando na perfeição a uma vida nova cheia de esperança.
A quem diga que foi Martinho Lutero, no século XVI, o primeiro a adornar uma árvore com luzes no dia de Natal, como símbolo do nascimento da Luz do mundo (Jesus). Este ato depressa se difundiu, conquistando inúmeros adeptos. A verdade é que neste século já era costume na Alemanha enfeitar-se uma árvore com luzes, doces, frutos e papéis nesta altura do ano para comemorar o Yule.
A adoção do pinheiro como árvore símbolo do Natal por parte da religião cristã foi realizada também a partir de simbolismo: passou a ser um abeto ( árvores coníferas da família Pinaceae), tinha uma forma triangular que aludia à Santíssima Trindade. Assim se desvaneceu a simbologia pagã da árvore. Com a cristianização, as velas passaram a simbolizar o Menino Jesus e faziam-se figuras em papel aludindo às restantes personagens do presépio.



Atualmente é mais  comum encontrarmos uma árvore de Natal enfeitando a sala de uma casa cristã, do que achar uma imagem que represente a Natividade. Podemos culpar as pessoas por isso? Afinal, o arvore de Natal não é um simbolismo ao nascimento do Cristo? Deixo essa pergunta pra vocês responderem no seu consciente, tendo minha consciência tranqüila de que minhas crenças são mais fortes do que o capitalismo e mais fortes do que os próprios comandantes das igrejas. E chega a ser tão forte, que até na mesa ela se fará presente este ano: que tal comer um pinheirinho trufado?

Pinheirinhos trufados

base para os pinheiros:
Casquinha para sorvete
300 g de chocolate branco fracionado
Trufa de Natal:
1 pão-de-ló pequeno esfarelado
150 ml de leite fervido e morno
300 g de chocolate branco derretido
1 colher (sopa) de pasta de amêndoa concentrada
100 g de amêndoas moídas
100 g de damascos cozidos e picadinhos
3 colheres (sopa) de rum
2 colheres (sopa) de glucose
 Decoração:
Chantilly batido ou glacê real industrializado batido
Corante em gel verde folha
Corante em pó dourado
Álcool de cereais
Pó brilhante comestível pérola
Bolinhas de cereais de chocolate
Base de papelão dourada
Bico folha número 75 e 72
Modo de preparo
Base para os pinheirinhos: Derreta o chocolate e banhe as casquinhas retirando o excesso de chocolate. Coloque sobre um papel manteiga para secar e reserve. Trufa de Natal: Misture o leite morno com o chocolate derretido, mexa com a colher, junte a pasta de amêndoa, as amêndoas moídas, os damascos picadinhos, o rum, a glucose e mexa bem até ficar homogêneo, por último junte o pão de ló esfarelado mexendo com a colher. Coloque a mistura em um saco de confeitar descartável e reserve. Montagem: Preencha cada casquinha de sorvete já banhada no chocolate e seca com a trufa até a borda. Fechar a borda com chocolate derretido e coloque sobre um papel manteiga para secar. Decoração: Cole com chocolate derretido o pinheirinho já recheado na plaquinha de chocolate. Tingir o chocolate ou o glacê real com o corante verde folha até a tonalidade desejada. Coloque em um saco de confeitar com bico folha nº 75 e preencha o pinheirinho com glacê ou chantilly. Passe o pó dourado diluído em álcool de cereais nas bolinhas de cereais e coloque alternadamente no pinheirinho (como bolas de natal ). Coloque a estrela em cima e jogue pó brilhante perolado em cima. Rendimento: 10 pinheirinhos em casca de sorvete.

OBS.: você pode fazer pinheiros mais simples, utilizando canudinhos (aqueles cones de massa frita ou assada) recheados com a trufa e banhados em chocolate ao leite para ser decorados com drageados – como na foto abaixo.   Isso é simples, e tão gostosos quanto o outro

Referência Bibliográfica:

(1) Jardinar com Francis Bacon in Jardins do Mundo – Discursos e Práticas (coord: José Eduardo Franco e Ana Cristina da Costa Gomes). Gradiva, Lisboa, 2008, pag 163-168.

(2) Mircea Eliade (1957). O Sagrado e o Profano – a essência das religiões. Martins Fontes, São Paulo, 2001

(3) Jacques Brosse, Mythologie des Arbres. Librairie Plon, Paris, 1989

(4) Lima de Freitas, Prefácio in A Árvore, editores: Rosa Ramos e Nuno Calvet. Intermezzo Audiovisuais, Lda., Lisboa, 1996


(6) Henri de Jubainville (1905), Os Druidas e os Deuses Celtas sob Forma de Animais. Zéfiro, Sintra, 2009

(7) Miranda J. Green, Dictionary of Celtic Myth and Legend. Thames and Hudson Ltd, London, 1993

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Clericot - Que tal, pro seu Natal?!

Os primeiros cheiros do Natal já se espalham pelo mundo – não me canso de dizer está frase quando chega dezembro. A mistura das especiarias nos doces, o aroma dos panetones, as ervas dos assados (acho que já tem peru e chester se escondendo por aí), eu já os sinto nas narinas. È impressionante... deliciosamente impressionante.



Hoje estava terminando um artigo cientifico que trata do luxo na gastronomia quando em dei por conta que poderia utilizar o assunto pra escrever um post.
Já reparam que é durante as comemorações que o luxo, geralmente, aparece na cozinha? E surge quando os anfitriões querem impressionar os convidados, as matriarcas querem agradar a família, um apaixonado querer surpreender seu amor, dentre tantos outros motivos, as pessoas querendo deslumbrar os outros se utilizam de ingredientes nobres para conquistar aceitação através do paladar – vulgarmente, pegar a pessoa pelo estomago, e se a comida e a bebida for boa isso  funciona direitinho.
Nesta época natalina se observa as família empenhadas em apresentar os melhores e mais bonitos pratos feitos muitas vezes com receitas de família que são guardadas a sete chaves, e que são acompanhadas com bebidas das melhores safras.
Com nosso clima tropical, de sol escaldante – aqui em Fortaleza parece uma fornalha, geralmente as pessoas poderiam pensar que os vinhos sairiam de cena devido a temperatura. Mas enganam-se quem assim pensa. Afinal a coquetelaria existe e nos ajuda a tornar o que já é bom e transformar numa bebida excelente.
Nas comemorações em muitas partes do  Brasil é possível encontrar por exemplo, as sangrias – bebida originalmente hispânica a base de vinho tinto e frutas. Pensando nisso hoje falaremos sobre o CLERICOT.



Quando ouvimos falar em clericot imaginamos logo que ele venha da França – devido a pronuncia da palavra, meio afrancesada – e com isso, pode-se pensar que a bebida pode ter sido inventada no verão da região de Borgonha quando um vinicultor irritado com o calor resolve misturar um vinho  branco com as frutas q ele colheu no seu pomar, misturou  tudo, colocou  gelo e se deliciou.
Porém a verdade é outra – muito menos romântica, por sinal. Ao que se sabe a bebida surgiu em meados do século XIX, na Índia, quando o país estava sob o domínio  da Grã-Bretanha, sendo inventado por funcionários da administração inglesa na região do Punjab, que quase mortos pelo calor, resolveram providenciar uma bebida refrescante à base de vinho claret (denominação dada pelos ingleses aos tintos de Bordeaux) com a adição de bacaxi – ou qualquer outra fruta suculenta.



Na época a bebida foi batizada de claret up. Desde então passou a ser servidos em muitos bares pelo  mundo,  tornou-se mais claro, pois passou a ser preparado com vinho branco ou espumante e transformou-se em clericot.
Na Sul América, o clericot já é intimo de  argentinos uruguaios, que  a bastante tempo  é servido nas churrascarias de Buenos Aires e em Punta del Este. No Brasil, os gaúchos são os apreciadores mais antigos – deve ter sido uma influencia advinda das proximidades com argentina e Uruguai.
Assim sendo, por ser uma bebida simpática, refrescante, o clericot combina perfeitamente com o cliam tropical e pode ser servido nos seus eventos gastronômicos de fim de ano. Que tal experimentar na sua festa de Natal?

Clericot

Ingredientes:
1 maçã
1 abacaxi
12 morangos
1 kiwi
1 laranja
1 dose de contreau (50 ml)
1 dose de conhaque (50 ml)
2 colheres de sopa de açúcar
70 ml de soda
1 garrafa de 750 ml de vinho branco ou  clarete
Gelo a gosto

Modo de preparo: Pique as frutas, sem casca e as coloque em uma jarra junto com o gelo. Adicione em seguida o conhaque, o contreau, a soda, o vinho e complete com o açúcar.

Clericot para o Natal

Ingredientes:
1 garrafa de champagne rosé
50 ml de cherry brand
2 garrafinhas de club soda
2 pêssegos picados
2 maçãs picadas
¼ de abacaxi em cubinhos
½ manga picada
8 morangos picados
1 cacho de uva Itália (cortar ao meio e retirar o caroço) opcional

Modo de preparo: Macere todas as frutas (menos o morango) com o cherry brand por 30 minutos. Acrescente os morangos, club soda, o gelo e misture bem. Acrescente o espumante rosé e mexa ligeiramente com bailarina ou colher de cabo comprido.


Receita de Clericot Exótica
Ingredientes:
1 garrafa de Salton Flowers
100 g de abacaxi picado
1 pomelo (grapefruit) sem casca e sem sementes picado
100 ml de xarope de lichia
10 lichias em calda
1 carambola em fatias
2 doses de licor de limão
Gelo

Modo de preparo: Colocar as frutas em uma jarra. Adicionar o xarope de lichia, o licor de limão e o vinho, mexendo bem. Deixar na geladeira por 30 a 45 minutos antes de servir para macerar bem. Adicionar gelo e servir.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Agradecimento de Natal - aos Amigos desta Confraria


Quando chega o natal as pessoas estão, na maioria dos casos, mais sensíveis... Não sei ao  certo se esta data comove, realmente, as pessoas, mas de fato se percebe uma ligeira mudança;

Quando chega o natal às pessoas ficam questionando a si  mesmas, tentando entender como o ano passou tão  rapidamente;
Quando chega o natal a economia cresce; as viagens aumentam, as correrias nas ruas ganham maior fluxo;

        
Quando chega o natal muita gente só pensa nas festas,presentes, comidas e bebidas;

Quando  chega o  natal são realmente poucos àqueles que se preocupam o real sentido da festa;
Quando chega o natal, poucos ainda lembram das tradições natalinas;

Por isso, quando chega o natal, pra mim, é uma hora especial para agradecer pelos momentos bons que eu  tive – e pelos ruins também; aproveito e agradeço pelos outros, peço para que no próximo natal eles estejam melhores do que são.
Quando chega o natal o  meu relógio interno  avisa que é chegado um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do  corpo, e esquecer os caminhos, que me levaram sempre aos mesmos lugares.
Quando chega o natal, pra mim, é chegado o tempo da travessia: e, se não ousar fazê-la, terei ficado, para sempre, à margem de mim mesmo...

Quando me chega o natal eu  quero estar com as pessoas que me dão valor, que de mim gostam. E para isso, chega com o natal uma oportunidade de agradecer pela presença de cada um dos amigos que se aconchegaram na minha vida.
Este post é para agradecer a todos vocês, amigos de todas as horas; amigos de todos os cliques virtuais; amigos ainda ocultos que o  futuro me trará. Obrigado por estarem presentes na minha vida e continuem assim, por muitos natais.
E como forma de agradecer pelo carinho, deixo duas receitinhas de um alimento simples, arroz, mas que faz muita diferença na hora da ceia.
Boas festas!!!



Arroz com Amêndoa e Champagne:

2 xícaras (chá) de arroz
3 xícaras (chá) de água
1 ½ xícara (chá) de champagne
½ xícara (chá) de amêndoas laminadas
¼ de cebola picada
1 colher (sopa) de óleo
sal e pimenta do reino a gosto

Comece preparando as amêndoas: leve uma panela com água para ferver. Desligue o fogo e acrescente as amêndoas na água quente. Deixe por 3 minutos e escorra a água. Coloque as amêndoas na água fria e deixe por 2 minutos. Escorra a água e retire a pele das amêndoas, uma a uma. Ligue o forno em temperatura baixa (160 graus) e deixe aquecer por 10 minutos. Desligue o forno após este período. Coloque as amêndoas numa assadeira e leve ao forno quente, desligado, por 10 minutos. Mexa de vez em quando. Coloque as amêndoas sobre uma tábua e corte em lâminas, com uma faca afiada. Reserve. Pique a cebola e lave muito bem o arroz sob água corrente. Leve uma panela média ao fogo baixo. Acrescente o óleo e a cebola. Refogue a cebola por 2 minutos. Acrescente o arroz e refogue por 1 minuto. Acrescente a água, o sal e misture bem. Aumente o fogo e espere até que a água ferva. baixe o fogo, cubra a panela com a tampa e deixe cozinhar. Quando líquido estiver secando, acrescente a champagne e deixe terminar de cozinhar. Retire o arroz da panela e coloque num recipiente. Acrescente as amêndoas e mexa delicadamente.


Arroz de Natal
5 xicaras (chá)de arroz cozido com óleo, sal e cebola
1 colher(sopa) de margarina
200 gramas de ameixa preta sem caroço picada
200 gramas de uva passa sem caroço
50 gramas de damasco picado
2 maçãs verde picadas
2 cenouras picadas

Em outra panela:
2 colheres(sopa) de óleo
½ quilo de tomate sem pele e sem semente
100 gramas de azeitonas verde picadas
200 gramas de presunto em tirinhas
1 vidro de palmito 400 gramas
1 lata de ervilha
cheiro verde a gosto
1 cebola ralada
sal a gosto

Para cobrir:
250 gramas de mussarela ou 200 gramas de provolone

Cozinhar o arroz de forma convencional só com cebola, sal e óleo (sem utilizar alho),reservar. Refogar na margarina a ameixa, a cenoura, a uva passa, o damasco e a maçã tudo devidamente picado (não utilizar sal). Reservar. Em outra panela refogar no óleo a cebola, os tomates, o palmito, a ervilha, as azeitonas (esses primeiros picados) e o presunto cortado em tiras finas, desligar o fogo e acrescentar o cheiro verde. Numa refratária fazer camadas iniciando pelo arroz, depois o recheio de frutas, o recheio salgado, o arroz, recheio de frutas e continua até terminar as camadas. Colocar o queijo (mussarela ou provolone, ou até os dois misturados) ralado grosso sobre o arroz, levar ao forno para derreter o queijo. Servir a seguir.