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domingo, 3 de abril de 2011

A deusa Eostre (Ostara): A causadora da tradição dos ovos de páscoa

Engraçado como as pessoas não conhecem direito as próprias tradições... E é mais engraçado ver como elas são mecanizadas nas datas comemorativas; fazendo coisas que dizem ser "das tradições", mas que nem sabem porque estão fazendo aquilo. E quando questionadas sobre o porquê das coisas que fazem, não conseguem explicar. Por este motivo, hoje resolvi esclarecer um pequeno detalhe, de grande importância, para o período que se aproxima: a Páscoa.
Não irei tratar aqui sobre a real origem da Páscoa. Pois a maioria das pessoas sabem que esta data, para os cristãos católicos ocidentais, trata-se da celebração pela ressurreição de Jesus Cristo. Com uma rica exibição de símbolos, serviços, música e outros rituais, o tempo pascal é considerado um dos mais importantes momentos do ano para a Igreja Católica – o Natal se configura com o primeiro lugar no nível de importância.
Hoje quero falar de como o OVO, um dos símbolos da páscoa, tornou-se ícone e a respeito de sua ligação dele com os coelhos – outro símbolo pascoal. Porém, para chegarmos aos famosos ovos de páscoa, antes, é preciso entender como o coelho entrou  nesta tradição, presenteando pessoas com ovos.


O COELHO

Entre os símbolos da Páscoa, o coelho é um dos mais conhecidos por todos, pois a Páscoa é uma festa que cai na primavera nos países de origem. E desde os tempos mais antigos, lebres e coelhos serviram como símbolos da nova vida abundante na época da primavera devido a seus freqüentes nascimentos múltiplos.
Sendo uma festa celebrada no primeiro domingo que ocorre após a primeira lua cheia (ou após o equinócio vernal), é associada à Lua e ao hábito noturno das lebres. No entanto, há várias explicações para essa associação entre a lebre, o coelho e a lua.
Uma das associações famosas é a de que a lebre é noturna e uma parenta do coelho. A lebre era símbolo das aberturas de ciclos pelos egípcios, estando assim relacionada com a renovação e o renascimento, abrindo um novo ciclo.

Lebre

Assim, a lebre passou a ser representada pelo coelho, que popularmente se tornou um símbolo para a periodicidade, pois a lebre por ser selvagem, não tinha tanto contato no plano humano como tem o coelho.
O Coelhinho da Páscoa, ou seja, a lebre é também associada à deusa pagã “Eostre”. O símbolo da deusa anglo-saxã da Primavera “Eastre”, era uma lebre. E ela foi adorada como símbolo na terra representando a deusa fértil na lua cheia e em comemoração a sua gravidez e o nascimento de sua prole. Eostre era representada por uma lebre e o ovo. Ambos, hoje, são símbolos do renascimento.
As religiões que tinham como base a crença na Grande Deusa reinaram até que as religiões abraâmicas (Islamismo, Cristianismo, Judaísmo) a suplantassem. Com a expansão do Cristianismo, a religião da Grande Mãe, pagã – que no sentido original da palavra refere-se a religião praticada nos campos; foi sendo destruída.
Durante a Idade Média , a Igreja Católica passou a considerar os rituais praticados na Antiga Religião como bruxaria, coisa do demônio, na tentativa de impor a crença num único Deus, poderoso, masculino e que punia e castigava aqueles que não obedeciam seus ritos e ensinamentos. A Igreja utilizou-se de guerra psicológica, torturas e campanhas militares para alcançar seus objetivos. Criou a Inquisição para perseguir e punir todos aqueles que não professassem a fé católica.


Muitas das crenças do paganismo foram incorporadas aos rituais cristãos, fossem por tentativas de manter vivos os antigos cultos pagãos, sem correr o risco de acabar na fogueira ou pela inteligência dos padres e sacerdotes que buscavam manter o rebanho dentro dos templos utilizando padrões e rituais com os quais as populações já estavam acostumadas, e sem contar que muitas igrejas ocupavam áreas que anteriormente eram templos pagãos.
Assim a Igreja, na sua busca de conquistar mais fiéis, uniu símbolos das religiões antigas ás suas crenças e  a lebre da páscoa se tornou o coelhinho que nos traz ovos, até hoje – só que são raros aqueles que conhecem  o significado advindo da religião antiga (que você, caro leitor, irá conhecer nas próximas linhas).

O OVO DE PÁSCOA


O ovo é considerado a mais perfeita embalagem natural. Em diversas culturas também simboliza o começo do universo.  O significado da palavra ovo está relacionado à origem; princípio e pode ser feita uma associação com a própria Páscoa, o ovo representa nascimento e vida.
Presentear pessoas com ovos é um costume de épocas remotas. Na Roma antiga, nas festas de primavera, as mulheres casadas vestiam-se de branco e carregavam o ovo que era dedicado aos seres protetores da agricultura.
Os hebreus na Páscoa comiam ovos cozidos. Os celtas ofereciam ovos pintados de vermelho, simbolizando o sangue derramado por Cristo. Chineses, há tempos atrás, distribuíam ovos coloridos entre amigos durante a primavera representando revigorar a vida.


Os pagãos (especialmente ucranianos) tinham o costume da “arte de decorar ovos”, chamado de “pisanka” (da imagem), que depois seria atribuído pelos cristãos de outra forma. Têm-se notícias que em alguns países os noivos davam um ao outro um ovo pintado simbolizando a perpetuação do amor. É no século XVIII que os cristãos acatam a ideia de pintar ovos nas cores da primavera. A própria Igreja Católica “doava” aos fiéis ovos bentos.
Estas culturas tinham o ovo como emblema do universo, a palavra da suprema divindade, o princípio da vida. Mas vários costumes associados à Páscoa não existiam até o século XV.
Acredita-se que os missionários e os cruzados trouxeram para a Europa Ocidental o costume de presentear com ovos. Na época medieval, eram pintados de vermelho para representar o sangue de Cristo. Os cristãos adotaram esta tradição e o ovo passou a ser o símbolo da tumba da qual Jesus ressuscitou.
Ovos de chocolate começaram a aparecer no século XVII. Ovos de plástico recheados de ovos de chocolate ou bombons surgiram na década de 60.


Mas como explicar um coelho trazendo ovos na páscoa, quando ele é um ser mamífero e por tanto, não ovíparo? A explicação desta questão é o principal foco desta postagem. E a resposta para esta indagação segue a seguir.


A maioria das tradições do feriado religioso da Páscoa está contida nos rituais pagãos, o que gerou grande variedade de lendas, ícones, símbolos e costumes, que passaram a fazer parte da celebração.
Séculos antes do nascimento de Cristo as tribos pagãs da Europa adoravam a bela deusa da primavera - EE-ah-tah, (ou, Eostre - Ostara). Festivais para celebrar o nascimento da primavera eram organizados em honra da entidade no final de março, tempo do equinócio de inverno no hemisfério norte.

Eostre
O nome Eostre, como também a Deusa é chamada, tem origem anglo-saxã provinda do advérbio ostar que expressa algo como “Sol nascente” ou “Sol que se eleva”, Muitos lugares na Alemanha foram consagrados a ela, como Austerkopp (um rio em Waldeck), Osterstube (uma caverna) e Astenburg.
Eostre estava relacionada à aurora e posteriormente associada à luz crescente da Primavera, momento em que trazia alegria e bênçãos a Terra. Por ser uma Deusa um tanto obscura, muito do que se sabia sobre ela foi se perdido através dos tempos, e descrições, mitos e informaçõe sobre ela são escassos.
Seu nome e funções têm relação com a Deusa grega Eos, Deusa do Amanhecer na mitologia grega. Alguns historiadores dizem que ela é meramente uma das várias formas de Frigg *deusa indo-européia – esposa de Odin), ou que seu nome seria um epíteto para representar Frigg em seu aspecto jovem e primaveril. Outros pesquisadores a associam à Astarte (Deusa Fenícia) e Ishtar (deusa Babilônica), devido às similaridades em seus respectivos festivais da Primavera.

Celebração de Ostara
A lenda abaixo explica como os “coelhos da páscoa puseram ovos”:

Diz a lenda que Eostre tinha uma especial afeição por crianças. Onde quer que ela fosse, elas a seguiam e a Deusa adorava cantar e entretê-las com sua magia. 
Um dia, Eostre estava sentada em um jardim com suas tão amadas crianças, quando um amável pássaro voou sobre elas e pousou na mão da Deusa. Ao dizer algumas palavras mágicas, o pássaro se transformou no animal favorito de Eostre, uma lebre. Isto maravilhou as crianças.

Com o passar dos meses, elas repararam que a lebre não estava feliz com a transformação, porque não mais podia cantar nem voar. As crianças pediram a Eostre que revertesse o encantamento. Ela tentou de todas as formas, mas não conseguiu desfazer o encanto. A magia já estava feita e nada poderia revertê-la.
Eostre decidiu esperar até que o inverno passasse, pois nesta época seu poder diminuía. Quem sabe quando a Primavera retornasse e ela fosse de novo restituída de seus poderes plenamente pudesse ao menos dar alguns momentos de alegria à lebre, transformando-a novamente em pássaro, nem que fosse por alguns momentos. A lebre assim permaneceu até que então a Primavera chegou.
 Nessa época os poderes de Eostre estavam em seu apogeu e ela pôde transformar a lebre em um pássaro novamente, durante algum tempo.


Agradecido, o pássaro botou ovos em homenagem a Eostre. Em celebração à sua liberdade e às crianças, que tinham pedido a Eostre que lhe concedesse sua forma original, o pássaro, transformado em lebre novamente, pintou os ovos e os distribuiu pelo mundo. Para lembrar às pessoas de seu ato tolo de interferir no livre-arbítrio de alguém, Eostre entalhou a figura de uma lebre na lua que pode ser vista até hoje por nós.
Eostre assumiu vários nomes diferentes como Eostra, Eostrae, Eastre, Estre e Austra. É considerada a Deusa da Fertilidade plena e da luz crescente da Primavera. Seus símbolos são a lebre ou o coelho e os ovos, todos representando a fertilidade e o início de uma nova vida. A lebre é muito conhecida por seu poder gerador e o ovo sempre esteve associado ao começo da vida.
Não são poucos os mitos que nos falam do ovo primordial, que teria sido chocado pela luz do Sol, dando assim vida a tudo o que existe. Eostre também é uma Deusa da Pureza, da Juventude e da Beleza. Era comum na época da Primavera recolher o orvalho para banhar-se ritualisticamente. Acreditava-se que orvalho colhido nessa época estava impregnado com as energias de purificação e juventude de Eostre, e por isso tinha a virtude de purificar e rejuvenescer.
Filólogos acreditam que a palavra Eostre evoluiu em inglês para Easter e em alemão para Ostern, que significam Páscoa. Outros associam a palavra Easter com o nascer do sol no Este.
A Páscoa já era celebrada pelos judeus antes mesmo do nascimento de Jesus, com outro sentido: o de liberdade, após anos de escravidão no Egito.
Para nossa civilização cristã, "Páscoa" tem origem hebraica (Pessach) e significa passagem, pois celebra o renascimento de Jesus Cristo e sua ascensão ao céu, dois dias depois da morte na cruz (sexta-feira santa).


Espero ter esclarecido bem o assunto. Espero que tenham gostado. E para agradecer a Deus pela dádiva da vida, com esta celebração da Páscoa que se aproxima; e lembrar da deusa Eostre através da  sua tradição que continua viva , deixo para vocês uma receita, antiga, que adoro fazer pra sobremesa do almoço de páscoa: os ninhos de páscoa.


Ninhos de Páscoa do Barão de Gourmandise

Ingredientes
Ninhos
260g de manteiga amolecida
100g de açúcar mascavo
2 ovos, separados
1 e meia colher de chá de baunilha
275g de farinha de trigo
175g de nozes picadas
Decoração
Chocolate derretido, branco ou ao leite
Mini ovos de chocolate ou  amendoins confeitados

Pré-aquecer o forno a 180 C. em seguida bater a manteiga o açúcar ate formar um creme. Junte as gemas em seguida misture a baunilha, acrescente a farinha misturando  bem. Bata as claras em neve e espalhe em um prato raso. Fazer a mesma coisa com as nozes picadas. Em seguida fazer bolas de massa coma  a ajuda de uma colher, depois passar as bolas nas claras e em seguida nas nozes. Coloque na assadeira distante 5cm de diferença uma da outra, fazer uma depressão com o polegar em cada bolinha  e assar por 12 a 15 minutos; depois de frios, derreter o chocolate e colocar um pouco em  cada cavidade dos biscoitos para grudar dois ou três ovinho em cada depressão. Deixe esfriar o suficiente para que o chocolate endureça e segure os ovos nos ninhos.