É pra se comer bastante esta idéia de combinar gastronomia, cultura e história unidas num lugar acessível. Principalmente numa época onde as pessoas se entopem de gorduras trans e não alimentam a alma.
Sabendo que o homem não nasce da fome, mas do apetite. Te convido a conjugar o verbo comer em todas as suas possibilidades.
Um brinde a você por estar aqui! Bon apetit!!!
Hoje,
mais uma vez, meu desejo de ir passar uma temporada na Toscana retornou. Isso
sempre acontece quando resolvo assistir pela milionésima vez o filme ‘Sob o sol
da Toscana’ (Under the Tuscan Sun ),
de 2003, e que foi baseado no livro
homônimo de Frances Mayes – e conta a história de uma escritora
recém-divorciada que compra uma casa de campo na Toscana, na esperança de
começar uma nova vida. As paisagens, os vinhos e as comidas da toscana me
atraem. Pensando nisso, a primeira postagem de 2018 apresenta um produto
tipicamente Toscano que tem estado, cada vez mais, em alta entre os grandes
chefs que buscam dar um toque especial e saboroso nas suas preparações e, par isso,
usam o Lardo.
Quando
se fala em Lardo para alguém que conhece sobre gastronomia ou é um bom
gourmand, automaticamente, se faz uma referência a região italiana da Toscana,
mais precisamente sobre Colonnata, um pequeno vilarejo toscano no alto dos Alpes
Apuanos, onde a mágica da fabricação do Lardo ocorre. Não por acaso, o lugar
faz parte da Província de Massa Carrara, de onde se extrai um dos tipos de
mármore mais famosos do mundo desde 1000 a.C.: o mármore de Carrara.
O
Império Romano acelerou a extração do mármore daquela região para recobrir
muitos monumentos romanos. Mas, embora o mármore seja material nobre até hoje,
a vida dos mineiros não era: passavam algumas privações e, sobretudo, muito
frio – além de enfrentar o risco iminente de desabamentos constantes e de
fazerem muito esforço físico durante o trabalho desgastante, foi justamente o
mármore de Carrara o responsável por permitir conservar e curar um importante
alimento usado pelos mineiros, e pela população menos abastada da época, o
Lardo.
Inicialmente
considerado comida de pobre ou comida dos trabalhadores, o Lardo, é produzido a
partir da camada de gordura do dorso de porcos. O que faz sentido, quando se
sabe que os mais abastados usavam os cortes nobres e aos menos favorecidos
sobravam alguma pouca carne e muita gordura – justamente dessa última parte que
os mineradores obtinham as calorias para resistir ao trabalho puxado. Passaram
então a recobrir pedaços da gordura de porco com sal grosso e ervas que
encontravam na região e deixavam maturar dentro das montanhas de mármore onde
estavam trabalhando.
Há
registros históricos que mostram, no entanto, que a produção de lardo é mais
antiga que Colonnata, essa última tem origem oficial é 1111 d. C. Mas foi nesse
vilarejo que o lardo ganhou notabilidade pelo mundo, principalmente quando a
produção ganhou, em 2003, a certificação europeia de indicação de origem
protegida, tornando-se “Lardo di
Colonnata I.G.P.”
A
indicação de origem reconhece a importância deste alimento na dieta dos
"mineiros históricos" de mármore envolvidos diariamente na extração
do mármore de Carrara. Em 2000, nasceu uma associação para proteger o Lardo de
Colonnata, que além de se inserir no movimento Slow Food, tem o objetivo de defender e promover o seu método de
produção tradicional do Lardo que se tornou símbolo da valorização de produções
‘marginais’ típicas.
A
especificação obriga: o uso de carne do dorso de porcos de certas regiões
italianas (Toscana, Emilia-Romagna, Veneto, Friuli-Venezia Giulia, Lombardia,
Piemonte, Umbria, Marche, Lazio e Molise); que os cortes do dorso do porco
(pelo menos 3 cm de espessura) devem ser polvilhados com sal marinho grosso,
alecrim fresco e pimenta preta moída antes de serem colocados um em cima do
outro nos tanques de mármore especiais fechados com tampa - chamados de
"conche" – e que tenham sido anteriormente passado pelo procedimento
de se esfregar dentes de alho em toda a caixa de mármore, dizem que isso ajuda
a desinfetar. O tempero deve curar pelo menos 6 meses antes de o produto poder
ser embalado e vendido. A especificação é rígida em muitos detalhes da
produção, desde o uso de especiarias até a feitura das bacias de mármore, sem
esquecer as restrições relacionadas à rotulagem e a denominação correta do
produto enfeitado com a marca de indicação geográfica protegida.
A
produção de Lardo di Colonnata I.G.P.
não está apenas ligado a um território que oferece condições microclimáticas
ideais para a preservação da gordura, como a baixa umidade e a alternância de
temperaturas amenas, mas também se entrelaçada com a atividade histórica dos
mineiros/pedreiros que se mantinham com este produto a ingestão calórica certa,
útil aos trabalhos incorridos. A fácil disponibilidade das matérias-primas
necessárias e do mármore - indispensável no processo de produção - completa as
características dos elementos que compõem um dos laços mais fortes - no
panorama gastronômico italiano - entre produto e território.
Com
o passar dos tempos, o processo de elaboração mudou: o produto deixou de ser
curado dentro das montanhas e veio para o vilarejo, onde foram instaladas
grandes caixas de mármore (que lembram caixões, para uns, ou banheiras, para
outros) que são chamadas de “conche” no plural ou “conca” no singular, feitas a
partir de um só bloco da pedra. Dentro deles são colocados os pedaços de
gordura que são cortados e empilhados com encaixe perfeito, sem deixar espaços,
onde se espalha uma abundante mistura de sal marinho grosso, alho,
pimenta-do-reino, alecrim (até aqui é um lardo básico e já muito bom). Mas há
quem resolva fazer seu próprio lardo usando outras especiarias, em geral
canela, cravo, louro, noz-moscada, anis-estrelado, orégano e sálvia.
Finalmente, a conca é fechada com uma grande tampa de mármore para então deixar
o tempo se encarregar de fazer a magia da transformação dos sabores acontecer –
o resultado é um salume espetacular e inigualável.
O
mármore por ser poroso, embora não muito, permite a entrada da umidade externa
mas evita a saída de líquidos. Isso, combinado com o microclima da região, faz que
as conche se encham de água (mas há também que coloque água dentro dos caixões
de mármore para adiantar a salmoura) que, misturada ao sal e aos temperos
colocados sobre o lardo, formem uma salmoura inigualável, que se converte em
conservante natural, isolando e envolvendo as peças de gordura.
Houve
uma grande batalha para manter a produção tradicional do lardo no mármore, pois
a Comissão Europeia valendo-se da precaução de cientistas e especialistas,
sustentava que a cura da produção deveria ser realizada em conche feitas de
vidro, plástico ou alumínio. Mas como a união faz a força, as 14 famílias
produtoras de lardo da cidade se juntaram, requisitaram pareceres técnicos e
estudos históricos que demonstrassem a origem milenar do lardo e finalmente
conseguiram o selo e manter o processo artesanal tradicional.
No
processo de cura do lardo, a textura muda, a peça fica ainda mais compacta (com
uma espessura que nunca é inferior a 3 cm), perfumada, mantendo seu interior
branco, ligeiramente rosado e quase marmóreo. Descarta-se a pele fina da parte
inferior, limpa-se a camada de sal e temperos para se ter o lardo firme, mas
que não é resistente à faca. É um deleite degustar finas fatias de lardo com
fatias de pão quente – o calor leva o lardo ao branco leitoso ou quase
translucido, fica ainda mais macio e faz o delírio acontecer.
É
perfeito para acompanhar saladas, méis e frutos secos (fica escandaloso com
ameixas) para aperitivos ou croutons rústicos. Tem se tornado ingrediente
valioso na cozinha pois enriquece caldos e sopas de legumes e carnes selvagens,
suaviza assados e molhos a base de carne e até risotos. E, por mais incomum,
que possa parecer, fica surpreendente se combinado com mariscos e alguns tipos
de peixe.
Mas
tinha de ter defeitos: por ser produzido por apenas 14 famílias italianas, o
lardo de Colonnata tem produção pequena e a distribuição é complicada – e por
isso não sem acha com facilidade fora da Itália; a moderação no consumo deve
ser respeitada já que se trata de uma produção composta de 99% de gordura; no
Brasil, quando se acha o produto, é bastante caro – custa, em média R$ 150 o
quilo nas importadoras – embora alguns chefs renomados no Brasil estejam
começando a usar o produto importado e, em alguns casos, até a preparar versões
nacionalizadas dentro das cozinhas de seus empreendimentos. No entanto, deve-se
permitir a apreciar a autenticidade desse alimento que, de acordo com a
especificação, não permite a adição de qualquer tipo de conservante ou outro
aditivo não natural, conforme estabelecido na especificação.
Assim,
vai que, de repente, você esteja viajando para a Itália e resolve comprar essa
preciosidade, ou ganha de presente, fica abaixo algumas ideias de como prepara-la.
Bruschette al lardo e rosmarino
200g
de Lardo di Colonnata
1 Pão
baguete
4
Tomates cereja
1
Ramos de alecrim
Pimenta
preta moída q.b.
Dentes
de Alho fresco para esfregar no pão q.b.
Preparo: Corte o pão fazendo
16 fatias de 1cm de altura. Esfregar o alho fresco ligeiramente fresco em cada
fatia de pão, de acordo com a receita toscana clássica. Coloque as fatias de
pão para dourar levemente no forno a 200 ° (apenas alguns minutos), depois
retirar de lá e deixar esfriar. Fatiar o lardo finamente e reservar. Lave e
corte os tomates em quartos e corte o alecrim; coloque o lardo no pão e depois
polvilhe com pimenta moída; coloque um quarto de tomate e alecrim cortado em
cada bruschetta. Sirva imediatamente.
Gamberi al lardo (camarão com lardo)
12
caudas de camarão (de médios para grande)
12
fatias finas de lardo
2
ramos de alecrim
Para o molho de feijão Cannellini
250g
de Feijão Cannellini pré-cozido (encontra-se à venda nos supermercados em
latinhas ou em caixinhas)
Azeite
virgem extra q.b.
Saltar
q.b.
Pimenta
preta q.b.
Páprica
doce 1 pitada
Preparo: limpar bem os camarões
retirando aquele filamento negro do dorso do camarão que é o intestino. Enrole
cada cauda de camarão com uma fatia de lardo (se desejar, você pode substituir
o lardo por bacon ou presunto cru) e coloque em uma assadeira coberta com papel
manteiga. Coloque de 2-3 agulhas (folhinhas) de alecrim sob cada fatia de lardo
e leve ao forno por 10 minutos a 180 ° C. Para
o molho: coloque o feijão em um misturador (mixer ou liquidificador usando
o pulsar), misture-os adicionando uma boa dose de azeite virgem extra, uma
pitada de sal, a páprica e pimenta a gosto. Sirva os camarões envoltos no lardo
ainda quente, acompanhando-os com o molho de feijão.
Bucatini al lardo (Massa com Lardo)
400g
de massa tipo BUCATINI
200g
de lardo
200g
de tomates cereja
1
dente de alho
5
colheres de azeite de oliva extra virgem
1
pimenta dedo de moça
Sal
q.b.
Preparo: Fritar um dente de
alho com casca dentro de uma caçarola com as 5 colheres de azeite – apenas para
dar o aroma e tire quando o azeite estiver aromatizado; adicione os tomates
cortados em quartos e deixe cozinhar em fogo alto por cerca de dez minutos.
Coloque uma panela com água para cozinhar a massa. Quando a agua estiver
fervendo adicione sal e mergulhe o bucatini para cozinhá-los al dente – ao
escorrer a massa, não jogue fora a água do cozimento! Enquanto isso, corte o
lardo em pequenos pedaços, pique a pimenta e os adicione à panela juntamente
com os tomates, mexa bem e deixe cozinhar apenas o tempo suficiente para tornar
o lardo transparente. Adicione ao molho uma concha da água do cozimento do
macarrão. Junte a massa dentro do molho e misture. Se necessário, , adicione um
pouco mais de água para dar uma dissolvida no molho. Servir quente.
Tem
dias que você só precisa de um aperitivo intenso para dar rumo aos seus
pensamentos. Para estas ocasiões a tapenade é uma escolha perfeita.
A
Tapenade tem sido um dos mais famosos produtos da gastronomia Provençal. Esta
especialidade pode é servida, na maioria das vezes, para acompanhar pães e
torradas ou algum outro produto que sirva como aperitivo.
As
primeiras alcaparras importadas para a região de Provença eram originárias do Monte
Ida, em Creta, no século 6 a.C pelos fenícios. Elas receberam o nome provençal
de "tapenei" e seus botões de flor de "tapeno" (alcaparra
em Provençal na atualidade).
Apareceu
em seguida, o patê de capri "tapeno" que acrescentava alho às
alcaparras e era aromatizado com ervas de Garrigue preservadas em azeite de
oliva. Guarigue é uma região da Provença, na França, que possui muitos arbustos
aromáticos tais como lavanda, sálvia, alecrim, tomilho silvestre e artemísia,
que misturadas formam as ervas citadas anteriormente. Esta receita de patê
tapeno foi perpetuada por séculos e tornou-se condimento básico para centenas
de gerações na cozinha provençal.
Foi
em 1980 que o Sr. Meynier, chef no "The Golden House" em Marselha
elaborou a "tapenade", para preencher as metades de ovos cozidos, ele
havia esmagado a mesma quantidade (200 gramas) de alcaparras e azeitonas
pretas, e havia incorporado filés de anchova e atum marinado (100 gramas cada).
Esta composição do condimento foi então unida com boas batidas e a adição de
especiarias, pimenta, azeite e dois copos de conhaque. Aqui deixa-se claro que a Tapenade não é
originalmente uma pasta de azeitona com sabor, mas uma pasta de alcaparras
embelezada com azeitonas, verdes ou pretas, e ervas frescas!
Os
"prováveis" precursores da tapenade surgem na literatura do período
antes de Cristo: Cato, estadista e escritor romano, nascido numa família de
camponeses em 234 a.C dá a receita do "epityrum" (uma palavra que
evoca o "atrás do queijo"), com base num condimento de oliva que os
romanos comiam com queijo. O epityrum era composto de azeitonas pretas ou
verdes marinadas e reduzidas em patê com a adição de azeite temperado com
vinagre, mel e várias plantas aromáticas (hortelã, arruda). Não era tapenade em
si, uma vez que esta preparação não incluía alcaparras, elemento essencial da
tapenade.
Hoje
em dia a preparação da tapenade foi simplificada. A azeitona tem-se tornado o
principal componente da receita, seguido pela alcaparra, e outros sabores, tais
como alho e anchovas que melhoram o sabor. Há hoje duas variações básicas da
tapenade:
Tapenade preto: que leva o nome de tapenade, é simplificada e composta por Azeitonas, que se tornaram o primeiro ingrediente,
seguido de alcaparras e filetes de anchovas apenas para melhorar o sabor, não é
adicionado um dente de alho esmagado com azeite de oliva e pimenta.
Tapenade verde:
feita a partir de azeitonas verdes. Só é feita por mistura, em partes iguais,
ou com pinhões ou com o pó de amêndoa. A presença de alcaparras tornou-se
opcional.
Desde
1880 a tapenade é usada principalmente como aperitivo diferencial para pães e
outros tipos de pequenos aperitivos. Hoje ela também é usada para decorar
vários as receitas provençais - ou acompanhar as mais inusitadas e mirabolantes ideias gastronômicas, como pode-se ver abaixo:
Tradicionalmente,
é aconselhável para harmonizar a tapenade indica-se vinho rosé ( Bandol (AOC) , Tavel (AOC) ,
Ventoux (AOC) ); um vinho tinto, como Minervois (AOC) ou um vinho branco , como
Cassis (AOC) . Para os fãs, é ainda sugerido o Champagne.
Tepanade
200g
de azeitonas pretas sem caroço
5
filets de anchova em óleo
1
colher de café de alcaparras (ou, no mínimo, 12 alcaparras)
1
dente de alho
3
colheres de sopa de azeite de oliva
Ervas de
Provence a gosto (opcional)
Preparo: junte todos os
ingredientes no mixer e misture até unir tudo (Se fizer no liquidificador use a
função pulsar – aquela que você aperta o botão aos poucos. Ou ainda, podes
fazer picando tudo muito bem e em seguida misturar com o azeite para misturar –
pode ainda passar a mistura picada numa peneira grossa para dar uniformidade).
Tapenade Verde
1
xícara (chá) de azeitona verde sem caroço
1
colher (sopa) de alcaparras
6
nozes
1
dente de alho
4
colheres (sopa) de azeite
1
colher (sopa) de suco de limão
1
colher (chá) de molho de soja (shoyu)
Folhas
de manjericão a gosto
Preparo: Pique fino as
azeitonas, as alcaparras, as nozes e o dente de alho, até formar uma pasta
rústica. Transfira a pasta para uma tigela o junte o azeite, o suco de limão e
o molho de soja. Com as mãos, rasgue as folhas de manjericão, misture e sirva a
seguir. (se preferir, bata tudo no mixer ou use a função pulsar do
liquidificador).
Feliz,
feliz 2017! É o que eu desejo a todos vocês. Espero que tenham se divertido com
as festas de fim de ano. Eu me recolhi e acho que foi melhor assim. E cá no meu
cantinho tive minhas delícias para comer e beber, e boa música para ouvir. E é
justamente sobre música que este post tratará.
Nos
últimos dias de 2016 e nos dois primeiros dias de 2017, uma música tem virado
obsessão para os meus ouvidos: uma ária da ópera Norma, de Belline, chamada
Casta Diva, e imortalizada por Maria Callas, La Divina.
Não consigo descrever o
que essa música causa em mim, mas é arrebatador. Talvez seja o dom único do
timbre raro de soprano absoluto que Callas detinha, ou, quem sabe, uma certa
melancolia de fim de ano, não sei. Mas para iniciar este texto, e fazer
diferente do que faço colocando uma dica de música no final de cada postagem,
deixo a interpretação de Callas para Casta Diva, para que ouçam e entendam do
que falo.
É
linda, não?! E essa minha obsessão por
Casta Diva me fez revirar a biografia de Callas e me deliciar com tanta força.
Mergulhei numa história cheia de altos e baixos, glamour, música e comida,
muita comida – as melhores, por sinal.
Quando
Maria Callas soltava sua voz única e cortante para dar vida a heroínas
trágicas, dramáticas e exageradamente apaixonadas ela ganhava o coração de
muitos espectadores pelo mundo com seu talento raro. A mídia àquela época a
definia muitas vezes como temperamental, excêntrica e inatingível. Mas, já
dizia o primeiro marido, Giovanni Batista Meneghini, que Maria Callas era
“obsessiva pelas panelas, além da música”. Já Onassis, seu grande e único amor,
muitas vezes a definia como “descontrolada”.
Callas preparando suas delícias.
Nascida
em Nova York, Maria Anna Sofia Cecilia Kalogeropoulo (em grego Μαρία Καικιλία
Σοφία Άννα Καλογεροπούλου) tinha sangue grego correndo nas veias, e seu coração
pulsava num compasso dramático Não trazia ela boas recordações da infância: a
mãe insensível e agressiva, nunca gostou dessa filha caçula, pois sempre sonhou
ter um menino. Quando soube que havia dado à luz uma menina, ela simplesmente
se recusou a conhecer a criança e demorou quatro dias para olhar nos olhos da
criança recém-nascida.
Callas
começou a cantar ainda bem pequena, e aos 13 anos viajou para Atenas para estudar
com a famosa soprano Elvira de Hidalgo. Em 1947, conseguiu seu primeiro grande
papel e interpretou La Gioconda em Verona, Itália.Sua ascensão foi rápida e os
palcos de todo o mundo se renderam ao talento único da jovem soprano.
Callas
possuía uma voz poderosa possuía amplitude fora do comum. Isto permitia à
cantora abordar papéis desde o alcance do mezzo-soprano até o do soprano
coloratura. Com domínio perfeito das técnicas do canto lírico, possuía um
repertório incrivelmente versátil, que incluía obras do bel canto (Lucia di
Lammermoor, Anna Bolena, Norma), de Verdi (Un ballo in maschera, Macbeth, (La
Traviata) e do verismo italiano (Tosca), e até mesmo Wagner (Tristan und
Isolde, Die Walküre).
Callas na pele de Turandot, de Puccini.
Apesar
destas características, Callas entrou para a história da ópera por suas
habilidades cênicas. Tendo a habilidade de alterar a "cor" da voz com
o objetivo de expressar emoções, e explorando cada oportunidade de representar
no palco as minúcias psicológicas de suas personagens (chegando a exagerar),
Callas mostrou dramaticidade mesmo em papéis que exigiam grande virtuosismo
vocal por parte do intérprete - o que usualmente significava, entre as grandes
divas da época, privilegiar o canto em detrimento da cena.
Muitos
consideram que seu estilo de interpretação imprimiu uma revolução sem
precedentes na ópera. Segundo este ponto de vista, Callas seria tributária da
importância que assumiram contemporaneamente os aspectos cênicos das montagens.
Em particular, é claramente perceptível desde a segunda metade do século XX uma
tendência entre os cantores em favor da valorização de sua formação
dramatúrgica e de sua figura cênica - que se traduz, por exemplo, na constante
preocupação em manter a forma física. Em última análise, esta tendência foi responsável
pelo surgimento de toda uma geração de sopranos que, graças às suas habilidades
de palco, poderiam ser considerados legítimos herdeiros de Callas, tais como
Joan Sutherland ou Renata Scotto.
A
carreira internacional de Callas começou em 1947, quando se esperava que os
cantores de ópera estivessem acima do peso. Mas, aos 108kg, sentiu-se miserável
e se considerava feia e indigna de amor. Quando o diretor Luchino Visconti lhe
disse para perder 30kg antes que ele trabalhasse com ela, ela perdeu 40kg. Ela
então passou a perder outros 8kg.
Uma das raras imagens de Maria Callas, ainda gorda, na estréia de Norma, em Covent Garden, em 1952.
Segundo a lenda, a enorme perda de peso de
Callas ocorreu porque ela deliberadamente engoliu uma tênia. Bruno Tosi, presidente
da Associação Internacional Maria Callas, afirma que ela precisava de tratamento
para vermes, possivelmente por causa de sua paixão por bife cru, mas ela baixou
o peso seguindo uma dieta baseada no consumo de iodo. "Foi um tratamento
perigoso porque afetou o sistema nervoso central e mudou seu metabolismo, mas
ela se transformou em um belo cisne".
Ela
nunca se empanturrava com massa e favorecia refeições com pouca carne ou steak
tartare. Durante todo o tempo - e durante o seu romance com o magnata grego
Aristóteles Onassis - ela recolheu receitas: omeletes de tomate, vitela
l'oriental, molho bechamel com alcaparras, molho de mostarda, bolo dourado,
chocolates e um bolo que ela chamava 'meu Bolo " (cuja receita segue
abaixo com o nome de Torta Paradiso di Maria Callas, nome ao qual o bolo ficou mundialmente
conhecido). Callas raramente bebia vinho, mas gostava de champanhe porque era
menos calorífico. "Ela era como muitas mulheres, lutando sua vida inteira
com seu peso". A
paixão avassaladora por Aristóteles Onassis representou sua ruina. Depois de
largar a carreira para viver o grande amor pelo armador grego, saboreou o
desprezo e a traição. Foi trocada por Jacqueline Kennedy, com quem ele se casou
em outubro de 1968.
Solitária
e deprimida, passou a viver trancada em seu apartamento em Paris. A voz que lhe
rendeu a fama, já amargava sinais de desgaste. Continuou gravando novos álbuns,
deu aulas na famosa Julliard School de Nova Iorque e isolou-se dos eventos
sociais e até do convívio dos amigos.
Callas
morreu sozinha, em seu apartamento de Paris, no dia 16 de setembro de 1977. Os
médicos atestaram que ela foi vítima de um infarto fulminante. Quando o cortejo
levando seu corpo percorreu a rua Georges Bizet, onde vivei, centenas de
admiradores se despediram da estrela aplaudindo e repetindo a saudação que ela
tanto adorava ouvir ao deixar o palcos após uma apresentação: “Bravo Callas!,
Bravo Maria!”. Dois anos depois, na primavera de 1979, suas cinzas foram
lançadas no Mar Egeu. Seu túmulo permanece no famoso cemitério Père Lachaise,
em Paris.
Não
há dúvida que Maria Callas teve três grandes paixões em vida: a música, Aristóteles
Onassis e a boa mesa, recheada de iguarias, e que nem precisavam ser lá tão
finas assim. Maria Callas cultivou sua paixão por saborear bons pratos e seu
hobby era colecionar receitas colhidas pelos quatro cantos do mundo. Era comum
encontrá-la a trocar ideias com maitres ou cozinheiros dos restaurantes famosos
por onde ela passava, ou às donas de casa de quem, não raro, era convidada. Sempre
tentando descobrir os segredos dos menus que mais lhe encantavam.
Callas e Onassis
Callas
transcrevia-as com extremo rigor em minúsculas folhinhas de papel, que depois
passava às mãos da fidelíssima Elena Pozzan, sua camareira e cozinheira pessoal
da vida inteira. Depois, nos últimos anos em Paris, entregava-os ao mordomo e
chofer Ferruccio Mezzadri, a pessoa que esteve mais próxima da artista ao longo
de vinte anos, até o último dia de sua vida, com total devotamento. Não
bastasse isso, Callas adorava recortar receitas publicadas em jornais e
revista, as quais colava em cadernos montados com capricho, ainda colecionava
almanaques culinários e montou uma cobiçada biblioteca gastronômica com
inúmeros títulos raros.
Uma das muitas anotações culinárias de Callas. Fonte: Associação Internacional Maria Callas
Maria
Callas tinha nesse hobby quase uma obsessão: adorava juntar receitas publicadas
pelos cadernos femininos e pelas revistas mais difundidas e populares,
começando, no final da década de 40 e na de 50, pela Domenica del Corriere ou
pela Annabella. E até quando estava em viagem, para suas apresentações, de
teatro em teatro, todos os dias recortava receitas também dos jornais europeus
e americanos por onde passasse.
Não
se pode deixar de mencionar aqui que, além disso, ela possuía inúmeros livros
de cozinha, em todas as línguas, que formavam uma verdadeira biblioteca. Os
primeiros, ela os ganhara da sogra Giuseppina, quando ainda era noiva de
Giovanni Battista Meneghini (1949).
Callas e Giovanni Battista Meneghini
“Titta”, apelido carinhoso do marido, era realmente um bom
garfo e Maria tinha de ser para ele uma cozinheira habilidosa. E assim na
cozinha da rua San Fermo, sua primeira casa em Verona depois do casamento,
tinha uma longa prateleira repleta de textos, a começar pelos clássicos da
cozinha italiana, o mítico Artusi, Il talismano della felicità (O talismã da
felicidade) de Alda Boni e a coletânea de receitas de Petronilla, da Domenica
del Corriere.”
Conhecida
afetuosamente como "La Divina" por sua voz angélica, Callas coletou
receitas de seus restaurantes favoritos em todo o mundo, 150 das quais podem
ser encontradas no livro de receitas italiano “La Divina Em Cucina - Il
Ricettario Segreto di Maria Callas”.
O
livro não é apenas composto por receitas inventadas pela fome da soprano, mas
contem boa parte das receitas que grandes chefs inventaram para ela, em sua
honra: de Arrigo Cipriani a Rolando Lami. de Nicola Rosato a Mario Zorzetto,
chef de cozinha do iate da família Onassis, o Christina; e os pratos que
Ferruccio Mezzadri, seu fiel mordomo / assistente pessoal inventou, além das
receitas criadas pela própria Callas. No livro, inclusive consta, as receitas
do primeiro jantar da fatídica noite de 3 de setembro de 1959, no Danielli, em
Veneza, quando ela (" Consommé gelé en tasse, Flamingo shrimps, Chicken
Soumaroff, strawberry soufflé").
O
amor por Onassis instigou ainda mais os dotes culinários de Callas: certa vez,
quando a soprano descobriu que Onassis gostava de impressionar seus convidados
com receitas atribuídas a Giacomo Casanova, famosos aventureiro e conquistador
italiano, ela tratou de aprender a preparar as tais receitas e se especializou
nas Ostras à Casa Nova – iguaria afrodisíaca preferida do conquistador
italiano, ao ponto de eles passarem a ser chamadas de Ostras à Callas. Daí para
a frente, ela passou a preparar o prato e servir para o amado durante as
viagens que faziam no iate particular do empresário, o Christina.
Callas
enchia sua bolsa com pedados de papel nos quais escrevia receitas de forma
minuciosas. "Ela adorava comida, especialmente bolos e pudins, mas vivia
principalmente em bife e salada", afirma Bruno Tosi, especialista na vida
de Callas Bruno Tosi, e responsável pelo livro com as receitas coletadas
primeiramente lançadas na Itália, mas já com tradução para o português.
Por
fim, indico a leitura do livro citado e deixo abaixo, duas receitas
interessantes e fáceis das que Maria Callas mais preparava para se deleitar. Preparem
as receitas ouvindo o som de La Divina e deixem tudo mais gostoso.
Ostras À Maria Callas
A
receita abaixo é tirada das memórias de Casanova e ligeiramente adaptada pela
adição de água à massa, sugerida por
Callas.
24
ostras
2
limões
Salsa
picada
1 gema
de ovo
1
colher de sopa de farinha de trigo
3
colheres de agua gelada
Sal e
pimenta preta a gosto
Azeite
ou óleo para fritar
Preparo: Abrir ostras e remover
os músculos da casca. Salve metades das conchas das ostras mais bonitas para
servir o preparado depois de pronto. Desencaixe a ostras de dentro da concha, adicione
o suco de limão, 3/4 de salsa picada e um pouco de pimenta. Marinar na
geladeira por 15 minutos. Usando um garfo, bata levemente a gema de ovo com um
pouco de sal e 3 colheres de sopa de água gelada, misture a farinha e deixe
descansar na geladeira por 10 minutos. Despeje a massa sobre ostras marinadas e
mexa suavemente. Enquanto isso, aqueça o óleo em uma panela funda para fritar.
Fritar as ostras apenas para que a mistura de gema batida se torne crocante
(que é apenas um minuto ou até menos), em seguida, deixe escorrer em papel
toalha, servir em seguida, servida na concha e decorada com salsa e limão.
Torta Paradiso Di Maria Callas
300
gramas de manteiga derretida
3
gemas
3 ovos
300
gramas de açúcar
100
gramas de farinha
200
gramas de amido de milho (maisena)
1
colher de chá de fermento em pó
1
colher de chá de extrato de baunilha
Raspas
de 1 limão
1
pitada de sal
Açúcar
de confeiteiro para polvilhar
Preparo: Em uma tigela coloque
os ovos, gemas e o açúcar e bata na batedeira por aproximadamente 10 minutos,
você terá que obter um bem montado e fofo, pré-aqueça o forno a 180 ° C. Sempre
batendo, adicione ao creme a manteiga derretida e bata até incorporar bem,
adicione a casca ralada de limão, a farinha, o fermento em pó e baunilha. Unte
uma forma de 24cm com manteiga e enfarinhe, despeje a mistura do bolo e leve
para assar por cerca de 40 minutos, ou até dourar. Faça o teste do palito para
saber se o bolo está pronto. Deixe esfriar, desenforme e polvilhe com açúcar de
confeiteiro. Servir.
No
dia 06 de setembro de 2016 esta confraria completou exatos seis anos de
existência. Foi criada, despretensiosamente, para servir de guarda-memória para
este barão que vos escreve e que aprendeu, desde cedo, que a memória é algo
importante para uma sociedade - e que ela deve ser preservada. Foi quando
resolvi trabalhar a cultura gastronômica por entender que ela é um dos muitos
patrimônios que veem caindo no ostracismo, mesmo com algumas atuações de órgãos
nacionais e internacionais competentes que lutam pela preservação do patrimônio
das sociedades. Assim, eu resolvi contribuir com a minha parcela nessa jornada.
Ao longo de seis anos, muita coisa mudou. Principalmente quando, rapidamente, o
blog atingiu mais de 160 países, permitindo interações e recebendo feedback de
muitas pessoas – umas satisfeitas, outras nem tanto. Mas a experiência é
infinitamente prazerosa, pois faço o que gosto, escrevo sobre o que gosto e
espero ter fôlego para continuar fazendo isso e, quem sabe, algo mais. Antes
de adentrar no texto da postagem de hoje, gostaria de agradecer a todos pelas
visitas ao blog, aos comentários deixados ao longo desses seis anos. Vocês,
caros (as) amigos (as) leitores (as), animaram este guarda-memória! Muito obrigado, e continuem visitando o blog.
Em
virtude da data comemorativa que já passou, mas que celebra a data do
surgimento do blog fiquei procurando algo que representasse essa jornada (por
isso levei tanto tempo para fazer esta postagem), e somente hoje consegui concluir
algo simbólico o suficiente para representar os dias percorridos até aqui.
Assim, este post comemorativo (mesmo tendo dias passados desde a data oficial)
vem tratar um pouco sobre um tema presente na minha formação em turismo: a
Grand Tour, e as experiências advindas dela – neste caso, o foco é a
gastronomia e terá a Inglaterra como ponto de partida (esta escolha se deve ao
fato de ter sido deste país que se encontra a maior parte dos relatos de
viagens que eu encontrei). Vai ser uma
daquelas minhas longas postagens, mas eu espero que enriqueça seus
conhecimentos e lhes deixem com vontade de experimentar as receitas e a viagem
no tempo. Boa leitura!
Grand
Tour é o termo aplicado a uma tradicional viagem pela Europa, feita
principalmente por jovens de classe média alta. Alguns estudiosos compreendem
que se deve a esse tipo de viagem (conjuntamente com o Petit Tour) a origem
histórica do turismo contemporâneo, principalmente da maneira como ele é
entendido no Ocidente (TOWNER, 1985, 1984)
O
costume surgiu desde 1600 até o surgimento do tráfego ferroviário em grande
escala, na década de 1840, e costumava estar sempre associado a um itinerário
previamente especificado. A tradição ainda continuou depois que as viagens por
trem e navio a vapor facilitaram os deslocamentos, e jovens dos países
americanos e de outros locais do mundo também a realizaram.
Inicialmente
associado à Grã-Bretanha, especialmente com a gentry e a nobreza britânica, a Grand Tour servia como um rito de
passagem educacional (BRODSKY-PORGES, 1981) – posteriormente viagens
semelhantes também seriam feitas por jovens endinheirados de nações do Norte da
Europa e do restante do Continente. Com o tempo, o apelo da Grand Tour
tornou-se grande a ponto de ser praticada pelos filhos das mais ricas famílias
das colônias dos países Europeus. Dois bons exemplos disso são Simon Bolívar
que segundo consta teve a ideia de liderar o movimento pela independência das
colônias da Espanha enquanto viajava pela Itália com seu tutor (LYNCH, 2007), e
José de San Martin, que viajou por boa parte da Europa após terminar seus
estudos e chegou a instalar-se por um tempo em Roma, um destino fundamental da
Grand Tour (ERASMO, 2015; CAVALCANTE, 2001).
O
jornal Americano The New York Times descreveu assim a Grand Tour:
Há trezentos anos,
ingleses jovens e ricos começaram a realizar uma viagem pós-Oxbridge através da
França e da Itália, em busca de arte, cultura, e das raízes da civilização
ocidental. Com fundos quase ilimitados, ligações aristocráticas e meses (ou
anos) disponíveis, eles comissionavam pinturas, aperfeiçoavam seus dotes
linguísticos e se misturavam com a nobreza local (GROSS, 2008).
O
valor primário da Grand Tour, acreditava-se, estava na exposição tanto ao
legado cultural da Antiguidade Clássica e do Renascimento, quanto à sociedade
aristocrática e chique do continente europeu. Além disso, era a única
oportunidade existente de se ver certas obras de arte, e, possivelmente, a
única chance de se ouvir certas peças musicais. Uma Grand tour podia durar de
alguns meses até alguns anos. Era comumente realizada em companhia de algum
guia conhecedor, ou de um tutor. A Grand Tour teve mais do que uma importância
cultural superficial; nas palavras do historiador inglês E. P. Thompson,
"o controle da classe dominante, no século XVII, localizava-se antes de
tudo numa hegemonia cultural, e, somente depois, numa expressão de poder
econômico ou físico (militar)" (THOMPSON, 1991).
No
entanto, e apesar do exposto, em todos os lugares percorridos, a gastronomia
era também uma atração à parte e os diários de viagem tornaram-se fontes
inestimáveis de informação para se compreender muitas situações e experiências
gastronômicas ocorridas durante uma Grand Tour. Muitos viajantes registravam
notas sobre as refeições que faziam, em especial os ingleses que se deslocavam
para os grandes centros europeus – alguns escreviam tantas negatividades sobre
as comidas estrangeiras que resolviam levar suprimentos em abundancia na
travessia do canal, a primeira etapa de sua jornada. As estalagens rurais
europeias, em particular, eram alvo de críticas, assim como a qualidade de
grande parte da carne que encontravam no caminho. Os viajantes ingleses não
gostavam muito do uso de alho e azeite e desejavam mais uma boa carne assada e
o velho pudim de ameixa. Por sorte, em alguns lugares eles encontravam comida
britânica.
Em
1771, Lady Anne Miller ficou encantada quando ela pode comer tortas de carne à
inglesa em Florença. Descrevendo outra refeição em Roma, em seu diário, ela
disse:
Nossa mesa foi servida
no estilo Inglês, pelo menos abunda em três ou quatro pratos ingleses caseiros
(graças a algum tipo de antecessores ingleses que lhes ensinaram), tais como
bacon com couve, carne de carneiro cozido, pudins de pão, que depois de terem
sido cozidos, são cortados em pedaços, assados e servido com um molho de vinho
fortemente temperada, etc. então não acho que estamos propensos a morrer de
fome aqui. (THE UNIVERSAL MAGAZINE OF KNOWLEDGE AND PLEAFURE, 1776.) [Tradução
minha]
Essa
passagem lembra a importância da confort
food durante as viagens, o que na contemporaneidade devido a profusão de
empreendimentos gastronômicos existentes nos destinos turísticos, essa situação
está mais fácil para os turistas. No entanto, nos tempos iniciais da Grand
Tour, a maioria dos viajantes tinha de sobreviver com comida local (hoje usada
como atrativo turístico de maior grandeza). E, sem dúvida, houveram também
extraordinárias experiências com a culinária nas grandes cidades.
A
partir de agora apresentar-se-á uma explanação a partir do menu abaixo, que
representa algumas das preparações mais encontradas por viajantes que
praticavam a Grand Tour, a partir da Inglaterra – e que continuavam a saborear
preparações dos lugares visitados na volta para seu destino de origem. O menu escolhido é composto por:
Restaurant
(Paris – 1769)
Punch
à la romagne (Pan-Europeia – 1820)
Plato
de truchas, y yervas (Zaragoza – 1745)
Porchetto
ripieno di macharonni (Nápoles – 1776)
Insalata
ala reale (Nápoles – 1682)
Spongata
and parmesan ice cream (Londres 1789 a 1820)
Restaurant
Este
consommé nutritivo trata-se de um bouillon (fervido) elaborado como o
intuito de "restaurar" os espíritos enfraquecidos, era também
chamado, "quintessência ou restaurante 'era servido em casas de comer
especializadas em Paris durante o século XVIII. A sopa deu seu nome a esses
estabelecimentos, assim, surgiram os 'Restaurantes'. Os primeiros restaurantes
estabelecidos antes da Revolução Francesa, ofereciam muito pouca coisa além de
caldos restauradores – sendo, muitas vezes, referidos como "casas de
saúde”. Os restaurantes posteriores ofereceriam uma lista mais extensa de
preparações e eram muito visitados pelos viajantes que visitavam Paris.
Os
caldos ainda acabariam servindo como base para muitas outras sopas e molhos. A
receita que segue é de François Marin, Les Dons de Comus, criado na Paris de
1739. Caldos como esse eram muito procurados, especialmente por serem delicados
e indicado aos enfermos. Na grande maioria das vezes eram preparados pelos
proprietários, que não estavam licenciados a vender uma variedade de pratos,
mas que poderiam fugir das normas, oferecendo apenas um tipo de prato
especifico, escolhendo para isso os caldos – naquela época, todos os tipos de
caldos foram considerados "medicinais".
Na
publicação The Cook Modern (1733), de Vincent la Chapelle, há um extenso
capítulo sobre ‘sopas quase-medicinais’ – em um dos casos, o autor dá uma
receita para um caldo reforçado que fortalece o sangue de pessoas idosas e
fracas. Tão
logo deixavam a Inglaterra, a maioria dos viajantes que iam à Paris teriam
encontrado muitos desses novos estabelecimentos. Curiosamente, um dos primeiros
a oferecer um menu completo, em vez de apenas uma tigela de
"restaurante", foi La Taverne Anglaise fundada por Antoine
Beauvilliers, que abriu o seu restaurante em 1786 no Palais Royale. O nome foi
provavelmente uma tentativa de atrair viajantes ingleses. Depois da Revolução,
ele se mudou para a Rue de Richilieu e nomeou seu novo estabelecimento La
Grande Taverne de Londres em honra da célebre London Tavern em Bishopsgate. Ele
mais tarde (provavelmente sob alguma pressão a partir do novo regime) foi
rebatizado de La Grande Taverne de la République. Seus vários estabelecimentos
foram restaurantes no sentido moderno, com menus verdadeiramente gigantescos.
O
viajante Inglês Francis Blagdon na obra Paris as it Was and As it Is (London:
1805) - my all time favourite guide to Paris - dá uma descrição detalhada do
estabelecimento Beauvilliers ', incluindo um projeto de lei de tarifa cheia.
Blagdon nos diz, 'Deus do céu! A conta de tarifa é uma folha impressa em fólio
duplo, do tamanho de um jornal Inglês. Ele vai exigir meia hora, pelo menos,
para se ativer ao catálogo '. La Grande Taverne certamente não era um simples
estabelecimento que oferecia sopas para restaurar aqueles de uma constituição
delicada. Blagdon cita todo o menu e lista treze sopas diferentes.
Beauvilliers
published a recipe in his 1814 cookery book L'art du Cuisinier for croûtes au
pot. These delicious croûtons were fortified with bouillon before they were
crisped up and served with soups. So our 'restaurant' was garnished with these
crunchy, umami flavoured morsels.
Aqui
segue umas das receitas mais antigas para este tipo de sopa (Temos receitas em
portugues no final do post)
Quintessence or Restaurant
Trecho da receita de François Marin de 1769 para a sopa Restaurant
Take a well-tinned and very
clean pan. Put into it several slices of onion, with a little beef marrow,
slices from a round of nice white veal. On top of the veal slices, place
several cleaned ham rinds from which the fat has been removed, and also some
slices of parsnips and carrots. Take a good healthy freshly killed hen, and
clean it well both inside and out. Cut it into pieces and crush the pieces.
While still warm, put them into your casserole and then put in a few more
slices of veal and small pieces of ham rind. Note that for two pints of this
quintessence, you will require only about four or five pounds of veal and four
ounces of ham as well as the hen. All being well arranged in your pan, add a
glass of your stock, seal your casserole well and put it on a strong heat. If
you cook it over a low fire, the meat yields its juices, but does not brown, so
the liquid sticks to the meat and hardens during cooking and does not fall to
the bottom of the casserole to form the restaurant that is required. When the
meat has browned, put your casserole over a moderate fire for the space of
three quarters of an hour. Take care that nothing sticks to the pan and from
time to time moisten it with some bouillon, just to the point that the
restaurant is not bitter or too strong, but sweet, unctuous and proper for a
variety of sauces., which are normally made with ingredients that have their
own taste and savour. Many cooks may put in this quintessence strongly
flavoured things, such as garlic, cloves, basil, mushrooms, but I prefer the
simpler fashion as I believe it is best for both taste and for health.
From François Marin, Les Dons
de Comus. (Paris: 1739).
Punche a la romaine - Roman punch
Muito
popular em Roma, Florença e Veneza entre os viajantes antes de Napoleão invadir
a península italiana e interromper o fluxo de turistas, o ponche romano viajou
para Paris e tornou-se o refresco mais elegante do período do Império.
Só foi
aparecer na Inglaterra depois da morte da imperatriz Josephine, em 1814, quando
um chef chamado Molas começou a trabalhar para o príncipe Lieven na embaixada
russa em Londres. O pasteleiro italiano Giugliamo Jarrin, que conhecia Molas,
parece ter sido o primeiro a publicar a receita secreta em um apêndice em uma
edição posterior de sua obra “Italian Confectionere” ( Confeiteiro Italiano)
publicado em Londres em 1820.
Plato de truchas, y yervas - truta com
vegetais folhosos
Juan
Altamira, o autor desta receita, era o nome de plume de um monge franciscano
cujo nome verdadeiro era Frei Raimundo Gómez – ele é, sem dúvida, um dos meus
escritores favoritos da culinária espanhola. Gomez nasceu no final do século
XVII e morreu em 1769. Ele correu as cozinhas de uma grande escola religiosa na
cidade de Zaragoza, no norte da Espanha. Suas receitas são muitas vezes
polvilhadas com inteligência e humor seco, pois nestas instruções
idiossincráticas para cozinhar truta com bacon e gotejamento de carne. Ele
antecipa que alguns de seus leitores mais piedosos veria esse método de
cozimento como sendo contra os regulamentos alimentares rigorosos da Igreja
Católica, então ele faz uma piada sobre isso. É claro que o prato é projetado
para um dia quando a carne era permitida – e o bacon é uma excelente adição.
Muitos viajantes protestantes britânicos ficaram irritado com a tradição
católica de respeito escrupuloso aos dias de (comer) peixe. Eles não poderiam
ter ovos para comer no café da manhã!
O
livro de cozinha de Juan Altamira, Nuevo arte de cocina, foi publicado em
Madrid em 1745. Os monges para quem ele cozinhava deveriam ter comido muito
melhor do que os muitos ingleses que jantavam em Madrid. Eles reclamavam
constantemente sobre tudo o que era servido à eles, exceto as soberbas frutas.
As receitas da coleção de Altamira são bastante simples e representam a cozinha
do dia-a-dia da região de Aragão, dentre elas há uma receita de truta.
A
truta, aliás, aparecia em inúmeros relatos de refeições ao ar livre comidos por
viajantes britânicos em vários locais das ribeirinhas europeias. Foi durante
seu Grand Tour, que James Hume elogiou a truta enorme que ele gostava de comer
em Pont l'Eveque em 1714. Receitas frescas como essa raramente faria alguém se
queixar.
Plato de truchas, y yervas
Take some large trout, scale
them, split them and cut into little pieces. Fry them in lean and fat bacon.
Take some white lettuce hearts, which are the best, and cook them in salted
water. When the trout are fried, fry some slices of white bread, then add the
lettuce to the pan with the remaining fat and fry them so that they do not dry
out. Remove them and place them on a layer of bread slices, then another of
hearts of cabbage, then pieces of trout, then add pepper and oranges, and in
the middle, pieces of the fried bread, and a few pieces of lean bacon among the
cabbage, then more trout. Serve hot. To make this dish even tastier, use
dripping instead of oil. But I can already hear your qualm of conscience, which
goes something like this: Brother Cook, here you are dealing with fish dishes,
in which bacon is forbidden, so how can we legitimately use dripping and bacon?
This little scruple, which, not being observed, would be a source of great
pleasure to you, I wish to overcome as follows: It is true that in this chapter
it is my intention to cover fish dishes, and so I am dealing with trout, which
by their nature may be eaten on days of abstinence from meat, but the method of
preparing them described above is normally used on non-fasting days, and so
this is something with which you cannot burden my conscience, for although I am
a cook, I cannot allow you this pleasure, although it costs so little, because
the pleasure and expense given by this poor cook are very much in conformity
with Gospel teaching, as you will observe.
From Juan Altamiras, Nuovo
Arte de Cocina. (Barcelona; 1758).
Porchetto ripieno di macharonni - leitão
recheado com macarrão
O
destino final para a maioria dos viajantes britânicos na Grand Tour erai a
cidade de Nápoles, famosa por suas mangiamaccharoni, pelo festival Cuccagna e
pelos vendedores ambulantes de sorvete. A paisagem que circundava a cidade era
belas vistas com legumes e frutas soberbas – aliás, os napolitanos eram
conhecidos por seu enorme entusiasmo com a vegetação. Talvez, possam estar
imaginando uma bela salsa di pomodoro como o prato icónico de Nápoles, mas o
tomate não era comumente consumido com massas até o final do século XIX. Os
viajantes que iam à Nápoles ficavam mais impressionados com as carnes e pratos
de caça locais, alguns dos quais as massas eram utilizadas com ingrediente e
servidos de maneira pouco comum (para nós, hoje).
O
leitão era bastante popular na Itália desde a Antiguidade. No século 1 depois
de Cristo, o famoso escritor culinário romano Apicius já oferecia dezessete
receitas diferentes para preparar a mais delicada de carnes. No Il cuoco
galante (Nápoles: 1776), o monge dominicano autor sobre culinária napolitana,
Vincenzo Corrado, também dedicou um capítulo inteiro ao animal, que ele inicia
citando uma receita de Apicius, em que o leitão é fervido e servido com um
molho aromatizado com vinho, mel, arruda, pimenta-longa e coentro.
O bom monge,
obviamente, preparava esta antiga receita porque ele declara ser "um
excelente prato". Outra receita de Corrado bastante conhecida tinha
inspiração no fricassê francês, mas era feito com porco no repertório
napolitano local. Em uma receita
distinta, o porco era cozido sobre um fogão a carvão e servido com um molho de
marmelos, canela e pistaches. Em outra, o leitão é recheado com pedaços de
enguia, sementes de erva-doce, alho e folhas de louro.
No
entanto, nada poderia representar mais a “quinta essência” napolitana do que a
receita acima, onde uma barriga de leitão é preenchida com macarrão, salsicha e
queijo. Era servido com Coli di
Prosciuto feito da cozedura de pequenas peças de presunto em um brodo, que
depois de reduzido tinha o presunto retirado. Isso demonstra que a tudo permeia
prática francesa de aumentar o sabor de pratos com coulis, essa prática invadiu
a culinária napolitana nativa.
Porchetto ripieno di
macharonni
Stuff the suckling pig with
macaroni, first cooked in stock and well seasoned with cheese, pepper, chopped
sausage, ham, and minced beef marrow and baste it with really good stock while
it is roasting on the spit, or bake it in the oven, and serve it covered with
an excellent coulis of ham.
From Vincenzo Corrado, Il
Cuoco Galante. (Naples: 1776).
Insalata alla Reale - Royal Salad
Esta
é uma receita ancestral do Sul para a famosa Salada de Pão Toscano. Os
biscottini, ou "pequenos biscoitos” na receita são biscoito de navio, um
biscoito seco e duro feito cortando o pão em fatias e colocando-o no forno para
secar. Friselle e taralli são pães em forma de anel rígidos, que são ambos
ainda feitos no sul da Itália. Como biscottini eles eram normalmente amolecidos
em água.
Os rabanetes daquele período eram brancos e com longas raizes em vez
de forma arredondada e avermelhada da atualidade. Tarantello era um ingrediente
comum em receitas italianas do início do período moderno. Era feito por salga
da parte do ventre de atuns jovens.
Receita original de Latini
A cidade de Taranto era o centro de
produção, mas esta antiga iguaria não é feita na Itália moderna. A Botarga, no
entanto, ainda está prontamente disponível; as mais premiadas sendo feitas por
salga de ovas de atum. Já as Cidras eram comumente cultivada no sul da Itália e
tanto a casca era preservada como as flores frescas eram ingredientes populares
em pratos doces e salgados. Confeitos açucarados eram um enfeite comum para
pratos deste tipo - os de erva-doce ou funcho, eram os mais populares.
Antonio Latini (1642-1692) era mordomo do Cardeal Antonio Barberini , cardeal-sobrinho do Papa Urbano VIII em Roma e, posteriormente, Don Stefano Carillo Salcedo, primeiro ministro ao vice-rei espanhol de Nápoles. Seus dois livros trazem uma coleção notável, não só de receitas, mas também de menus e instruções para escultura de alimentos. É uma das mais belas obras barrocas sobre alimentos e refeições.
Spongata and parmesan ice cream
Os
turistas que viajam de volta para Londres poderiam continuar a desfrutar de
comida francesa e italiana, quando chegasse em casa. Um número de armazéns
refrigerados italianos com sede em Londres vendia bens de luxo importados, como
azeite, azeitonas, vermicelli, trufas, cogumelos, alcaparras e vinhos finos.
Haviam confeitarias geridas pelos nativos italianos em St James, New Bond
Street e Westminster, que serviam especificamente para fabricar
"macaronis". Um estabelecimento em Berkeley Square, the Pot and
Pineapple, fundado por Domenico Negri no final da década de 1750, vendia a alta
confeitaria italiana, sorvetes e até mesmo escultura de açúcar para as mesas de
sobremesa de aristocratas de Mayfair. Negri, eventualmente, voltou a Turim e
vendeu sua parte no negócio, mas continuou a negociar bem para o próximo
século. Um dos aprendizes de Negri, Frederick Nutt incluiu uma receita de
sorvete de queijo parmesão em uma coleção de receitas que publicou anonimamente
em 1789. É possível que ele tenha aprendido a fazer este sorvete com seu mestre
Negri. A mais antiga receita Europeia para o sorvete de queijo parmesão foi
publicado em Joseph Gilliers, La Cannamaliste Français. Nancy: 1751. Isso
mostra que há um equívoco para aqueles que afirmam o este tipo de sorvete é um
sabor criado na atualidade – não é, e a receita para este sorvete de parmesão,
de Frederick Nutt, é de 1789.
Spongata
Sorvete de Parmesão
O
pasteleiro e feitor de ornamentos, o italiano Gugliamo Jarrin, que tinha
trabalhado para Napoleão, chegou a Londres em 1816. Em 1820, ele publicou The
Italian Confectioner, o trabalho mais importante que nunca para de aparecer na
imprensa sobre a arte extraordinária de produtos de confeitaria, tal como
praticada no longo século dezoito. Nada tão detalhado nunca foi publicado em italiano.
Spongata ou spongati, era uma especialidade local da cidade natal de Jarrin, a
cidade de Colorno, perto de Parma. A tradição local afirma que a iguaria
poderia ser rastreada até os tempos romanos. Imaginem o que estas duas
sobremesas causavam aos viajantes quando eles as experimentavam... você pode
ter esta experiência isso, com as receitas estarão abaixo.
Fine
Spongati Italian Cake
One
pound six ounces of white bread, dried in the oven and reduced to a coarse
powder; one pound four ounces of walnuts, blanched, and chopped very fine with
a double handled knife; six. ounces of currants, well washed and cleaned; five
ounces of wild pine kernels ; five pounds five ounces of virgin honey,
clarified ; three grains of cinnamon in powder, one grain of cloves ; one grain
of strong pepper ; and one grain of nutmeg in powder. The above articles must
be mixed together, and en¬closed in a crust paste, made of the following
materials, viz., two pounds eight ounces of the best wheaten flour ; six ounces
of fresh butter ; five ounces of loaf sugar, pounded; one ounce of olive oil,
of Aix, in Provence, and half an ounce of salt, with a sufficient quantity of
white wine to mix the whole. This paste, being of a moderate consistence, is to
be formed into round cases or crusts, into which the first mixture is to be
introduced, and a cover of the same paste must be put on, which must be pricked
all over with the point of the knife. Let them stand for a whole day, put them
in an oven, moderately heated, on plates dusted over with flour : these cakes
should be an inch thick ; they may be iced or not, as you please.
From
William Jarrin, The Italian Confectioner. (London: 1820).
Parmesan
Ice Cream
Take
six eggs, half a pint of syrup and a pint of cream put them into stewpan and
boil them until it begins to thicken ; then rasp three ounces of parmesan
cheese, mix and pass them through a sieve, and freeze it.
From
Frederick Nutt, The Complete Confectioner. (London: 1789).
Referências
BRODSKY-PORGES,
E. (1981-01-01). "The grand tour travel as an educational device 1600
1800". Annals of Tourism Research 8 (2): 171–186.
DOI:10.1016/0160-7383(81)90081-5.
CAVALCANTE,
B. (2001-01-01). José Bonifácio: razão e sensibilidade : uma história em três
tempos FGV Editora [S.l.]ISBN 9788522503506.
ERASMO,
M. (2015-04-23). Strolling Through Rome: The Definitive Walking Guide to the
Eternal City I.B.Tauris [S.l.]ISBN 9780857738899.
GROSS,
M. "Lessons From the Frugal Grand Tour." The New York Times 5 de
setembro de 2008. Thompson, The Making of the English Working Class 1991:43.
LYNCH,
J. (2007-01-01). Simón Bolívar: A Life Yale University Press [S.l.] p. 16.
THE
UNIVERSAL MAGAZINE OF KNOWLEDGE AND PLEAFURE. July, 1776. VOL. LIX. P. 127.
Disponível em: < http://migre.me/vaHqN >.
TOWNER,
J. (1984-09-01). "The grand tour: Sources and a methodology for an
historical study of tourism". Tourism Management 5 (3): 215–222.
DOI:10.1016/0261-5177(84)90040-2.
TOWNER,
J. (1985-01-01). "The grand tour: A key phase in the history of
tourism". Annals of Tourism Research 12 (3): 297–333.
DOI:10.1016/0160-7383(85)90002-7.
Spongata
Recheio
1kg de
nozes mistas (castanhas, avelãs, amêndoas, ou as que tiver a suas disposição)
1 kg
de mel de acácia
200g
de farinha de rosca
200g
de passas
150g
de pinhões, picados grosseiramente
100g
de cidra cristalizada, finamente picada
10g de
cravo, ou ao gosto
1/3 de
uma noz-moscada ralada, ou ao gosto
1 pau
de canela
vinho
branco seco, o suficiente para cobrir as passas
1
pitada de sal
Massa:
1 kg
de farinha de trigo
400g
de manteiga sem sal, em temperatura ambiente
400 g
de açúcar
200 ml
de vinho branco seco
1
pitada de sal
açúcar
de confeiteiro para polvilhar
PREPARO:
Pré-aqueça o forno a 180 ° C. Começar por fazer o recheio. Organize as migalhas
de pão em uma camada uniforme em uma assadeira e leve ao forno até dourar, por
cerca de 20 minutos. Reserve – e desligar o forno. Coloque as passas em uma
tigela média e adicione o vinho branco seco o suficiente para cobrir. Deixe em temperatura
ambiente por algumas horas para hidratar as passas. Se você gostaria de
acelerar este processo, você pode aquecer o vinho primeiro e mergulhe as passas
por cerca de 1 hora, em vez. Reserve.
Moa o pau de canela e os cravos até virá um pó (pode usar o
liquidificador, ou o triturador para facilitar, depois peneirar até ficar um pó
fininho) . Depois rale a noz-moscada.
Deixe de lado. Delicadamente aquecer o mel até ele ficar morno em uma panela em
fogo baixo. Reserve. Coloque as nozes picadas em uma tigela grande. Adicione a
farinha de rosca e misture bem com as nozes, amasse a mistura até que esteja
totalmente misturada e uniforme. Escorra as passas e use as mãos para espremer
o excesso de umidade, em seguida, adicione a mistura de nozes e migalhas de pão
e misture muito bem como antes. Adicione o restante dos ingredientes do
recheio, na seguinte ordem, amassar a mistura após cada adição: mel, pinhões,
cidras cristalizadas, especiarias e sal. Experimente a mistura e ajuste os
temperos a gosto. O ponto deve ser o de uma mistura deve ser pegajosa e
espessa. Cubra e deixe descansar em temperatura ambiente por 3-4 dias para
permitir que todos os sabores se misturem bem. Para fazer a MASSA, amontoar a
farinha em uma pilha em uma superfície de trabalho grande e fazer um poço
profundo no meio. Despeje o açúcar, polvilhe o sal e adicione a manteiga
amolecida. Comece a amassar a mistura puxando a farinha dos lados para dentro
do poço, misture bem. Quando a mistura estiver unida começar a adicionar o
vinho, um pouco de cada vez, misturando bem. Continue a amassar até que todos
os ingredientes estejam completamente misturados e a massa esteja lisa,
brilhante e flexível, por pelo menos 10 minutos. A massa não precisa descansar. Para montar,
divida o recheio em porções de 200g e enrole cada parte em uma bola com as
mãos, e reserve. Fatiar um pedaço de massa, como se você estivesse dividindo
preparo de pão, cobrir o restante da massa com filme plástico para evitar que
seque. Em uma superfície limpa e com farinha polvilhada abra a massa
até uma espessura de 2 mm , corte círculos de massa de cerca de 25 cm de
largura, uma tampa de panela é um bom utencilio para tirar molde (repita essa operação
até ter vários círculos de massa, 2 doisculos para cada 1 bola de recheio).
Pegue um circulo de massa, coloque uma bola de recheio no meio e vá espalhando ele deixando uma
borda de três centimentos, coloque outro disco de massa por cima e feche o
recheio usando os dedos , pressionando para fechar a massa. Perfurar com um garfo, algumas vezes, a parte de cima da
massa. Coloque a spongata sobre uma folha de papel manteiga (que facilitara a
ida ao forno) e cobrir com filme plástico para evitar que seque enquanto
termina de preparar as outras. Repita até acabar massa e recheio. Quando
terminado tudo, pré-aqueça o forno a 200 ° C. retire o filme plástico de cima
das spongata, e leve ela com o papel manteiga para uma assadeira, e asse o
spongata por 15-20 minutos, até ficar levemente dourada - por mais tempo e o
recheio vai se tornar muito seco. Deixe esfriar sobre uma gradinha. Quando
estiverem frias completamente, polvilhe com açúcar de confeiteiro.
Sorvete de
parmesão
200g
de leite fresco
250g
de creme de leite fresco
200g
de leite condensado
200g
parmigiano reggiano
130g de
claras de ovo
20g em
pó leite
PRPARO: Aquecer o leite fresco
com o leite condensado, o leite em pó e o creme de leite até 82 °C. Na
batedeira bata bem as claras em neve, junte o parmesão, e depois a misturas dos
leites. Leve a geladeira para firmar por algumas horas. (Se preferir pode bater
novamente a mistura já gelada e depois volta à geladeira para firmar
novamente).
Insalata alla Reale
Junte
folha de endívias e escarola, cortada em fatias finas e reserve, até que você tenha preparado uma
grande bacia com a seguinte mistura: uma porção de croutons embebidos em um
pouco de água e vinagre, com um pouco de sal; juntar as folhas cortadas por
cima e juntar Nozes picadas, azeitonas sem caroço,
alcaparras, os gomos de uma romã, uvas brancas e pretas, doze anchovas picadas,
tarantello (barriga salgado do atum), botarga picada, quatro ovos cozidos,
pistaches, uvas passas, Caviar, carne picada de peixe branco, pequenos
rabanetes, e tudo deve ser temperado com
azeite e vinagre a gosto, enfeite o prato como preferir, tome cuidado para não
adicionar sal e outros temperos , até que ela vá à mesa para ser servida.
Punch Romaine
½
xícara de açúcar de confeiteiro
4
limões sicilianos
Água
2
claras de ovos
¾ de
xícara de açúcar
90 ml
de água
235 ml
de Rum envelhecido
235 ml
de Champagne
PREPARO: Gelo de água de limão:
Descasque os limões, tirando o mínimo possível da película branca. Adicione
essas cascas em uma tigela e as cubra completamente com açúcar, deixando
descansar por 1 hora. Adicione uma xícara de suco de limão *4 limões grandes* –
e mexa para dissolver o açúcar. Coe as cascas. Adicione água suficiente até
completar ¼ de líquido. Congele em um recipiente de sorvete ou em um pote,
somente até ficar parcialmente congelado. Merengue Italiano: Bata as claras em
neve, até formar picos firmes, reserve. Adicione ¾ de açúcar e os 90 ml de água
em uma panela. Ferva a mistura de açúcar até ferver, em fogo médio, mexendo
ocasionalmente para dissolver o açúcar. Ferva até atingir o “ponto de bala”
(jogando a calda em um copo com água, ela deve fazer um barulho de vidro ao
atingir o fundo) ou 113-114C. Retire o xarope da panela e com movimentos lentos,
adicione as claras em neve. Mexa até todo o xarope estar incorporado às claras,
formando uma mistura homogênea. Montagem: Em uma máquina de sorvete ou uma
tigela gelada, adicione o merengue ao gelo de limão, mexendo gentilmente até
obter uma mistura. Logo antes de servir, adicione o rum e a champagne
lentamente, mexendo constantemente. As misturas devem ser grossas e cremosas o
suficiente para serem bebidas sem o auxílio de talher. Sirva imediatamente.
(rende 12 porções)
Porchetto ripieno di macharonni
Preparar
uma barriga aberta em capa (para fazer o rocambole com a carne) deixa-a temperada
com os ingredientes a seu gosto, da noite para ser feita no outro dia. Abra a
peça, recheie com macarrão (do tipo pipe doppia rigatura ou o que preferir)
cozido al dente, queijo ralado grosso, pimenta, salsicha picada, presunto e
mais os temperos que desejar. Enrole a peça de carne como se fosse um rocablole
e passe barbante para prender bem, tomando cuidado para fechar também as
laterais da carne. Leve a forno para assar coberto com um pouco de manteiga e
mel. Servir com coulis de pimentão.
Coulis de Pimentão
2 Pimentões vermelhos (ou amarelo sem preferir o molho de outra cor)
30 ml de Suco
de limão
Azeite
(a gosto)
Sal (a
gosto)
Pimenta-do-reino
preta (a gosto)
Preparo: Lave bem os pimentões;
Envolva-os em papel alumínio e asse-os em forno pré-aquecido a 200ºC por 45
minutos; Retire os pimentões do forno e deixe-os esfriar por 10 minutos; Retire
a pele e as sementes, bata a poupa no liquidificador com o líquido restante do
assado; Acerte a consistência do coulis com azeite e suco de limão; Tempere com
sal e pimenta. Servir em seguida.