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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Rigo Jancsi – a origem do bolo húngaro que homenageia um violinista cigano


Eu sempre amei os violinos. Eles exercem um fascínio sobre mim. Anos atrás ganhei um  destes maravilhosos instrumentos e tinha em mente aprender o  mais rapidamente como tocar aquelas cordas para fazer harmonia. Eu sempre quis tocar um violino como os ciganos do leste europeu, sempre!
A música cigana me encanta, me ludibria, e o violino deixa a harmonia cigana ainda mais irresistível, fatal. Lembro-me de um episódio no filme A rainha dos Condenados (baseado nas crônicas de Anne Rice), quando o vampiro Lestat tocava freneticamente uma música no violino de um cigano... foi lindo... e um dia eu tocarei como ele...um dia.
Hoje resolvi  escutar música cigana e a inspiração pro post veio com ela. Hoje comentarei sobre uma especialidade do antigo Império Austro-Húgaro, que foi batizada com o nome de um exímio violinista cigano: o bolo Rigo Jancsi


Rigo Jancsi (pronúncia húngaro: riɡó jantí) é um tradicional bolo de chocolate húngaro e vienense em forma de cubo com recheio de creme de chocolate. Ele ganhou popularidade no antigo Império Austro-Húngaro e foi nomeado a partir de Rigo Jancsi (1858-1927), um famoso violinista cigano Húngaro que seduziu e se casou com Clara Ward, a princesa de Caraman-Chimay, a única filha de EB Ward, milionário americano e esposa do príncipe Belga de Caraman-Chimay, Sua Alteza Marie Joseph Anatole Èlie de Riquet. .

A história do sedutor violinista cigano

Algum tempo após o nascimento de seu segundo filho, provavelmente em 1896, o príncipe e a princesa de Chimay foram jantar em Paris, numa ilustres restaurante onde um húngaro, Rigo Jancsi, que ganhava a vida tocando música cigana.  Rigo era um violinista cigano que algumas  vezes é listado como um chef, porém não se encontra fontes que afirmem isso.


Clara Ward e seu segundo marido, Rigo Jancsi - fotografia de um cartão postal alemão de 1905.

Rigó Jancsi e Clara Ward-Chimay 1896

Após uma série de encontros secretos, Ward e Rigo fugiram em dezembro de 1896. Para consternação de sua família, o Registro Ludington de 24 de dezembro de 1896, realizou um investigação e publicou uma serie de notícias sobre a fuga com direito a uma ilustração de xilogravura de Ward com manchete, "indo com um cigano".  Assim Foi afirmado que o príncipe Joseph faria entraria com o processo de divórcio contra sua esposa. Edições subsequentes daquele jornal trazia breves relatos  a respeito de onde Ward e Rigo tinham sido vistos durante a sua caminhada para a Hungria.


Triomphe de la Femme,1905. [Clara Ward e Rigo Jancsi]

O príncipe e princesa de Caraman-Chimay se divorciaram em 19 de janeiro de 1897. O novo casal se casou, provavelmente na Hungria. Alguns relatos indicam que eles logo se mudaram para o Egito, onde Clara ensinou o amor de sua vida os meandros da leitura e escrita. Não muito surpreendentemente, Clara Ward, continuava sendo chamada de princesa de Chimay, mas encontrava-se com seus recursos financeiros  cada vez menores, os cofres de Chimay foram fechados para ela e sua família americana teve de intervir de vez em quando para endireitar suas finanças.

Fotografia de um álbum francês de Clara, de 1905 - Pele e Luz.
Seus principais talentos estava em ser bonita, para os padrões da época, e em ser famosa. Ela combinou os dois artifícios para conquistar o que queria. Henri de Toulouse-Lautrec fez uma litografia dela e Rigo em 1897, chamada "Idylle Princière". Ela foi muitas vezes fotografada, e estava sempre presente em muitos cartões postais durante o período eduardiano, às vezes, em uma pose “plastique” e às vezes no vestido mais ou menos convencional. Kaiser Wilhelm II Chegou inclusive a proibir a publicação ou exibição de fotografias de Clara no Império Alemão porque ele considerava sua beleza  como "perturbadora".


Idylle Princière
Talvez o rendimento desta ocupação de “modelo” , estranha para a época, era suficiente para o casal viver razoavelmente bem. Mas o  casal não durou com Rigo sendo infiel a ela. Eles se divorciaram logo depois de seu casamento, pouco antes ou depois de Ward conhecer seu próximo amor verdadeiro 9o terceiro marido), Peppino Ricciardo, às vezes declarado como sendo espanhol, mas que era mais provavelmente  italiano. Acredita-se ter sido um garçom que ela conheceu em um trem. Eles se casaram em 1904, mas Peppino Ricciardo - e que não durou muito tempo. E então veio o quarto casamento de Clara, seu último marido, sabe-se que foi um gerente da estação da estrada de ferro que ajudou os refugiados italianos vitima do Monte Vesúvio, o Signore Cassalota.

O aparecimento do bolo


Entre 1896 e 1898, os jornais escreviam extensivamente sobre o casamento do Primás (primeiro violinista) Rigo Jancsi com a condessa belga. A sobremesa seria preparação feita em comemoração a esta  história de amor.
As fontes que se pode encontrar sobre a história de criação do bolo não concordam sobre a sua origem.. Alguns afirmam que Rigo criou a massa juntamente com um chefe de pastelaria desconhecido para surpreender Clara; outros afirmam que Rigo Jancsi comprou este bolo para Clara e o pasteleiro nomeou-o depois com o nome de  Rigo Jancsi.
Em Flavors of Hungary (Sabores da Hungria), livro de receitas escrito por Charlotte Eslovaca Biro, este bolo é chamado de "Gypsy John".



O bolo Rigo Jancsi é simples; composto por duas camadas de bolo esponja de chocolate (pão de ló) feitas a partir da mistura de clara de ovo batida, chocolate derretido, manteiga, açúcar e farinha.
Entre as duas camadas do bolo surge uma espessa camada de recheio de creme de chocolate, e uma camada de geleia de damasco muito fina. O recheio ainda pode incluir um toque de rum e/ou baunilha O bolo é coberto com um fondant chocolate esmalte.

Fonte: Gundel, Karoly. Gundel's Hungarian cookbook. Budapest: Corvina. 1992. P. 130

Rigo Jancsi
Bolo de esponja:
90g de chocolate amargo ou meio amargo, derretido e morno
3/4 xícara de manteiga sem sal, amolecida
1/4 xícara de açúcar (separe mais ¼ adicionar às claras)
4 ovos, claras e gemas separadas
1Pitada de sal
1/2 xícara de farinha de trigo
Recheio:
1 e 1/2 xícaras de creme de leite fresco
315g de chocolate meio amargo picado
4 colheres de sopa de rum
1 colher de chá de essência de baunilha
Esmalte de chocolate:
220g de chocolate meio amargo picado
2 colheres de sopa de manteiga sem sal
2 colheres de sopa de xarope de milho claro (glucose ou mel Karo)
1 colher de chá de baunilha

Preparação: Para o bolo: Aqueça o forno a 350 graus. Forre uma forma com papel manteiga. Em uma tigela grande misture  com o açúcar formar um creme. Adicione o chocolate derretido batendo até esfriar, acrescente uma gema de cada vez batendo bem para incorporar. Numa outra tigela bata as claras em neve com o sal até formar picos firmes. Adicione o restante do açúcar e bata até formar picos firmes. Em seguida misture a mistura de claras com a de chocolate cuidadosamente. Despeje na forma preparada e leve ao forno de 12-15 minutos, ou até que o bolo comesse a se afastar dos lados. Não deixe queimar. Leve o bolo para esfriar completamente. Para o recheio: Enquanto isso, coloque o chocolate em uma tigela refratária. Leve o creme para ferver no micro-ondas ou no fogão e despeje sobre o chocolate. Cubra com filme plástico e deixe descansar por 10 minutos. Adicionar o rum e a baunilha e mexa até ficar homogêneo. Refrigerar por 1 hora. Quando o frio, bater até dobrar de volume.Para o esmalte de cobertura: Enquanto isso, coloque a manteiga, o chocolate e xarope de milho em uma tigela para levar ao microondas. Ligar por um minuto em potencia alta, mexer bem – se nato tiver bem derretido  colocar por mais um minuto. Adicione a baunilha e mexa até que esteja completamente derretido e liso. Deixe esfriar. Montagem: Corte o bolo ao meio, espalhe  metade do recheio, cubra com o restante do bolo. Leve à geladeira por 1 hora. Em seguida cubra o  bolo com o esmalte de chocolate, corte o  bolo em quadrados proporcionais  e sirva.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Pumpkin Pie, Jack O’Lantern e Will-o'-the-wisp : todos, farinha do mesmo saco!


Para não fugir do tema sobre terror nesta preparação para o halloween, hoje trarei a história de alguns personagens bastante conhecido nesta época do ano, mas que poucas pessoas sabem suas reais origens. Falo da Pumpkin Pie (torta de abóbora), Jack O’Lantern (jack, o lanterna) e Will-o'-the-wisp (o fenômeno que serviu de inspiração para Jack o lanterna).

Desde pequeno eu convivo com abóboras nas preparações culinárias de minha casa. Lá, todo mundo gostava desse fruto – tanto nas preparações salgadas quanto para comer cozida, com açúcar. Estes hábitos são bem comuns aqui no nordeste brasileiro onde os nordestinos têm, inclusive, nome próprio para chamar a abóbora (Jerimum). E pelo que se sabe são os sertanejos grandes consumidores dessa iguaria.
Eu, que nasci nas montanhas, numa região serrana, sempre vi abóboras, das mais variadas, porque a região onde eu nasci é dedicada á agricultura – dentre outras coisas. Confesso que o gosto da abóbora só veio me fazer gostar do fruto depois de adulto, quando certa vez resolvi  me arriscar fazer um pão de abóbora com leite condensado – e tudo com leite condensado fica gostoso - , e desde então, comecei a gostar de comer abóboras em outras preparações (e hoje posso dizer que eu adoro um feijãozinho bem temperado com abóbora e coentro hummm). Mas como é que a abóbora deixou de ser ingrediente gastronômico para virar símbolo do halloween? Para responder a esta pergunta vamos fazer uma retrospectiva histórica contando inicialmente a origem da Pumpkin pie para em seguida chegarmos ao conto de terror do senhor lanterna.



Abóbora ou Jerimum são designações comuns do fruto da aboboreira (Cucurbita spp.), planta hortícola da família das cucurbitáceas, tal como a melancia, o melão, o chuchu e o pepino. Originária da América era base alimentar substancial para a civilização Olmeca. Posteriormente foi absorvida pelas civilizações Asteca, Inca e Maia. No Brasil, espécies do gênero Cucurbita faziam parte da alimentação dos povos indígenas antes da sua colonização.
Os gregos chamavam as abóboras de ‘pepon’, ou 'grande melão'. Com os franceses, o pepon virou ‘pompon’. Os ingleses então a transformaram em 'pumpion' ou 'pompion'. E mais tarde surgiu o termo pumpkin.
O ano é 1621. Os primeiros colonos americanos de plantação de Plimoth (1620-1692), o primeiro assentamento permanente Europeu, no sul da Nova Inglaterra, poderiam ter feito tortas de abóbora. Ao desembarcarem em território americano, os exploradores ingleses se estabeleceram na região de Plimouth, trazendo consigo dentre outras coisas, técnicas de cocção e livros de culinária da época. Em recepção aos colonizadores, os nativos trouxeram vários presentes, dentre eles a abóbora; que ao que dizem alguns historiadores, não foi bem aceita pelso imigrantes ingleses até que um longo período de inverno dizimou metade de população de colonos -  que morreram de escorbuto e exposição ao frio. O fato, no entanto, é que a abóbora já era conhecida há séculos pelas tribos nativas americanas, que a cozinhavam em água ou secavam ao sol para estocarem. Essas e outras técnicas os ingleses mesclaram ao conhecimento que haviam trazido do Velho Mundo, como a cocção a vapor, o uso de especiarias e o açúcar.
Por outro lado, a torta como a conhecemos - seja ela de abóbora ou de outro recheio qualquer -, com sua crosta de pâte sucreé (massa doce), não é equivalente a esse período histórico da colonização. Ou seja, se é que há indícios de que essa população preparou abóboras dessa maneira, por certo as receitas de tortas de abóboras eram bem diferentes das tortas como as conhecemos hoje.
Nesse sentido, algumas fontes afirmam que os colonos faziam algo semelhante a uma torta de abóbora quando, retirando sua tampa e as sementes; então, preenchendo-a com leite, mel e especiarias para em seguida assá-la em cinzas. Outras fontes, falam que a abóbora ao invés de ir no recheio, era usada na confecção da própria massa. Em todo caso, foi a partir dessas condições, que, cerca de 50 anos após o primeiro Thanksgiving Day (Dia de ação de graças), se tem notícia das primeiras tentativas em se fazer tortas com abóboras. Em muitos casos, a data chegava a ser postergada pela espera dos navios mercantes, que traziam o melaço, ingrediente de suma importância em muitas das receitas.
Em 1651: Francois Pierre la Varenne, famoso cozinheiro francês e autor de um dos mais importantes livros de culinária do século XVII, escreveu ‘Le Vrai Cuisinier François’, que em 1653, foi traduzido e publicado em inglês, contendo a seguinte receita de Tourte of pumpkin: Ferva a abóbora com leite de qualidade. Passe a mistura por um coador de malha grossa e a ela adicione açúcar, manteiga, uma pitada de sal e, se desejar, amêndoas em lâminas. Cubra a mistura com uma folha de massa e asse-a. Depois de assada, salpique com açúcar e sirva.

1670: Nesta época as receitas para uma espécie de "pumpion pie" foram aparecendo nos livros de receitas inglesas como The Queen-like closet, rico escrito que armazenava todos os tipos de receitas raras e que visava sua preservação. O livro The Queen-like closet, escrito por Hannah Wooley, trazia uma receita bastante diferente da apresentada em 1651: Para fazer Pumpion Pie, corte uma abóbora em fatias finas, mergulhe-a em ovos batidos com ervas bem picadas e frite. Então, coloque as abóboras fritas numa base de massa com manteiga, passas, açúcar e maçãs. Assim que estiver assada, coloque manteiga e sirva.
Em 1796 foi publicado por Amelia Simmons o primeiro livro de culinária em território norte-americano, que trazia receitas para a alimentação nativa ita de pumpkin puddings (pudins de abóbora) assados sobre crostas de massa, muitos semelhantes às tortas de hoje:

Pompkin Pudding No. 1. One quart stewed and strained, 3 pints cream, 9 beaten eggs, sugar, mace, nutmeg and ginger, laid into paste No. 7 or 3, and with a dough spur, cross and chequer it, and baked in dishes three quarters of an hour.
Pompkin Pudding No. 2. One quart of milk, 1 pint pompkin, 4 eggs, molasses, allspice and ginger in a crust, bake 1 hour.


Um fato curioso, e que é diferente aqui no Brasil é tanto na Europa quanto nos EUA, existe o hábito de se comprar a abóbora já cozida e processada. Uma dessas produtoras, a Libby’s, chegou às prateleiras dos armazéns em 1929. Diferente da abóbora que se usa para fazer Jack o'lantern - famosas lanternas de Haloween -, a Libby usa a Dickinson, uma variedade mais dourada, cremosa e pura em sabor. Segundo afirma a fabricante, o produto é isento também de conservantes e outros aditivos químicos. Confesso que prefiro ficar com abóboras fresquinhas que se pode comprar nas feiras daqui. Feiras que por sinal tem movimentado as vendas de abóboras para as festas de halloween no mês de outubro.

Significado da abóbora e do nabo na comemoração do halloween

Qual o significado da abóbora no Dia das Bruxas? Essa pergunta é muito frequente nesta época do ano. E merece ser respondida com bastante informação.
O costume surgiu com os irlandeses através de uma lenda (por lá eles dizem ser uma história real) que conta que um homem chamado Jack, após a morte, foi proibido de entrar no paraíso porque enquanto esteve na terra foi pão-duro. Já as portas do inferno lhe foram fechadas porque ele fez o diabo de bobo, escavando, no interior do tronco de uma árvore, uma cruz. O demônio ficou aprisionado lá dentro até jurar que nunca mais iria provocá-lo com tentações.

Sem ter para onde ir Jack foi condenado a andar na escuridão até o juízo final. Então, ele implorou a Satã que acendesse brasas para iluminar seu caminho. O diabo deu-lhe um pequeno pedaço de carvão incandescente. Para proteger a luz do carvão, o irlandês colocou o carvão dentro do buraco de um nabo. E assim surgiu assim o Jack o'lantern (Jack da Lanterna) como é conhecido. Este talismã (que virou abóbora) simbolizava uma alma condenada. 

A ideia de usar um nabo surgiu com os Celtas, povo que se espalhou pela Europa entre 2 000 e 100 a.C. Um dos símbolos do seu folclore era um grande nabo com uma vela espetada. Quando os irlandeses chegaram aos Estados Unidos, encontraram pouquíssimos nabos nos campos. Mas havia abóboras em abundância. Os imigrantes então fizeram a substituição.
Em toda a Irlanda e Grã-Bretanha, há uma longa tradição de esculpir lanternas de vegetais, particularmente o nabo, mangelwurzel, ou sueco. [3] O nabo tem sido tradicionalmente utilizado na Irlanda e na Escócia no Halloween [1], mas os imigrantes à América do Norte usados a maior abóbora nativas, que são prontamente disponíveis e muito maior -. tornando-os mais fáceis de esculpir que nabos [1] Apesar de nabos sempre foram utilizadas na Irlanda, na Escócia lanternas foram originalmente feitos de tronco grosso de uma planta de couve, e foram chamados de "kail runt-tochas". [4] não foi até 1837 que jack-o'-lanterna apareceu como um termo para uma lanterna esculpida vegetais [5], e a associação lanterna esculpida abóbora com Halloween é gravado em 1866. [6] Nos Estados Unidos, a abóbora esculpida foi associada com a época de colheita, em geral, muito antes de ela se tornou um emblema de Halloween. [7] Em 1900, um artigo em Ação de Graças divertido recomendou um iluminadojack-o'-lanterna, como parte de as festas [7].

O phenomenon Will-o'-the-wisp

Na realidade jack o lanterna já foi uma transformação de uma lenda chamada Will-o'-the-wisp. O will-o'-the-wisp /ˌwɪl ə ðə ˈwɪsp/ or ignis fatuus (ɪɡnɨs ˈfætʃuːəs/; Medieval Latin: "foolish fire" [fogo de tolo]) é uma luz fantasmagórica vista por viajantes durante a noite, especialmente sobre pântanos, brejos ou pântanos. Assemelha-se a uma lâmpada piscando e é dito para recuar se uma delas se aproximar de você – pois ela tem retirado os viajantes  caminhos seguros. Trata-se uma crença popular bastante comum no folclore Inglês e em grande parte do folclore europeu. Este fenômeno é conhecido por uma variedade de nomes, incluindo jack-o'-lanterna, hinkypunk, e hobby lanterna (lanterna passatempo) em Inglês. [1]


O termo "will-o'-the-wisp" vem de "wisp", um feixe de varas ou de papel usado às vezes como uma tocha, e o nome de " Will ": assim ficaria "Will-of-the-torch"," Will-da-tocha". O termo jack-o'-lantern" tem um significado semelhante. Sua aplicação a abóboras esculpidas em Inglês Americano é uma inovação do século 19. Nos Estados Unidos, eles são frequentemente chamados de  "spook-lights" Luzes assustadores, "ghost-lights" fantasmas de luz, ou "orbs" esferas [ 2 ] por folcloristas e paranormais entusiastas. [ 3 ] [ 4 ]
A Crença popular atribui o fenômeno à fadas ou espíritos elementais, explicitamente o termo " "hobby lanterns" [lanternas passatempo]  encontrados no século 19 nos textos do  Tracts Denham .
No seu Dicionário de fadas, Katharine Mary Briggs, fornece uma extensa lista de outros nomes para o mesmo fenômeno, embora o lugar onde eles são observados (cemitério, pântanos, etc) influencia a sua nomeação consideravelmente. Quando observada em cemitérios, eles são conhecidos como "fantasmas luzes", também um termo da Tracts Denham (Os Tracts Denham constituem uma publicação de uma série de folhetos e anotações sobre folclore, 54 ao todo, coletados entre 1846 e 1859 por Michael Aislabie Denham , um comerciante de Yorkshire. A maioria das vias originais foram publicados com 50 cópias (embora alguns deles com 25 ou até 13 cópias). Os setores foram mais tarde re-editado por James Hardy para a Sociedade de Folclore e imprimiu em dois volumes em 1892 [ 1 ] e 1895. É possível que JRRTolkien tomou a palavra hobbit a partir da lista de fadas em Tracts Denham).



Esta é uma longa lista de spirites e bogies, baseado em uma antiga lista, encontrada no livro Discoverie of Witchcraft, datado de 1584, [ 3 ] com muitas adições, algumas repetições e Menção de muitas criaturas que não aparecem em outros lugares, o assunto é mais profundamente do que outros de seu tempo, a falta de outras fontes faz alguns acharem icomo uma fonte confiável de informações.

"What a happiness this must have been seventy or eighty years ago and upwards, to those chosen few who had the good luck to be born on the eve of this festival of all festivals; when the whole earth was so overrun with ghosts, boggles, Bloody Bones, spirits, demons, ignis fatui, brownies, bugbears, black dogs, spectres, shellycoats, scarecrows, witches,wizards, barguests, Robin-Goodfellows, hags, night-bats, scrags, breaknecks, fantasms, hobgoblins, hobhoulards, boggy-boes, dobbies, hob-thrusts, fetches, kelpies, warlocks, mock-beggars, mum-pokers, Jemmy-burties, urchins, satyrs, pans, fauns, sirens, tritons, centaurs, calcars, nymphs, imps, incubuses, spoorns, men-in-the-oak, hell-wains, fire-drakes, kit-a-can-sticks, Tom-tumblers, melch-dicks, larrs, kitty-witches, hobby-lanthorns, Dick-a-Tuesdays, Elf-fires, Gyl-burnt-tales, knockers, elves, rawheads, Meg-with-the-wads, old-shocks, ouphs, pad-foots, pixies, pictrees, giants, dwarfs, Tom-pokers, tutgots, snapdragons, sprets, spunks, conjurers, thurses, spurns, tantarrabobs, swaithes, tints, tod-lowries, Jack-in-the-Wads, mormos, changelings, redcaps, yeth-hounds, colt-pixies, Tom-thumbs, black-bugs, boggarts, scar-bugs, shag-foals, hodge-pochers, hob-thrushes,bugs, bull-beggars, bygorns, bolls, caddies, bomen, brags, wraiths, waffs, flay-boggarts, fiends, gallytrots, imps, gytrashes, patches, hob-and-lanthorns, gringes, boguests, bonelesses, Peg-powlers, pucks, fays, kidnappers, gallybeggars, hudskins, nickers, madcaps, trolls, robinets, friars' lanthorns, silkies, cauld-lads, death-hearses, goblins,hob-headlesses, bugaboos, kows, or cowes, nickies, nacks, waiths, miffies, buckies, ghouls, sylphs, guests, swarths, freiths, freits, gy-carlins[1], pigmies, chittifaces, nixies,Jinny-burnt-tails, dudmen, hell-hounds, dopple-gangers, boggleboes, bogies, redmen, portunes, grants, hobbits, hobgoblins, brown-men, cowies, dunnies, wirrikows, alholdes,mannikins, follets, korreds [2], lubberkins, cluricauns, kobolds, leprechauns, kors, mares, korreds, puckles, korigans, sylvans, succubuses, blackmen, shadows, banshees,lian-hanshees, clabbernappers, Gabriel-hounds, mawkins, doubles, corpse lights or candles, scrats, mahounds, trows, gnomes, sprites, fates, fiends, sibyls, nicknevins,whitewomen, fairies, thrummy-caps[3], cutties, and nisses, and apparitions of every shape, make, form, fashion, kind and description, that there was not a village in England that had not its own peculiar ghost. Nay, every lone tenement, castle, or mansion-house, which could boast of any antiquity had its bogle, its spectre, or its knocker. The churches, churchyards, and crossroads were all haunted. Every green lane had its boulder-stone on which an apparition kept watch at night. Every common had its circle of fairies belonging to it. And there was scarcely a shepherd to be met with who had not seen a spirit!"[4]

Os nomes Will-o-the-wisp e jack-o'-lantern são explicados em contos folclóricos, registrados em muitas formas variantes na Irlanda , Escócia , Inglaterra , País de Gales , Appalachia , e Terra Nova . Nestes contos, protagonistas são nomeados e condenados a assombrar os pântanos com uma luz por algum delito. Uma versão de Shropshire , recontada por Katharine Mary Briggs em seu livro Dicionário de fadas , refere-se à Will the Smith. Will é um ferreiro ímpios a quem é dada uma segunda chance por São Pedro nos portões para o céu, mas leva uma vida tão ruim que acaba sendo condenado a vagar pela Terra. O Diabo lhe proporciona uma queima de carvão única com que aquecer-se, que ele usa para atrair viajantes tolos nos pântanos.
Uma versão irlandesa do conto tem um patife chamado Jack ou bêbado Stingy Jack  que faz um pacto com o Diabo, oferecendo sua alma em troca do pagamento de sua conta num pub. Quando o diabo vem para recolher seu pagamento, Jack o faz subir em uma árvore e depois de esculpir uma cruz na parte de baixo da árvore, impedindo-o de descer. Em troca de retirar a cruz, o diabo perdoa a dívida de Jack. No entanto, como alguém tão mau como Jack nunca iria ser permitido para o Céu, Jack é forçado após a sua morte a viajar para o inferno e pedir um lugar lá. O Diabo lhe nega a entrada em vingança, mas, como uma bênção, ele concede a Jack uma brasa do fogo do inferno para iluminar seu caminho pelo mundo crepuscular em que as almas perdidas estão para sempre condenado. Jack coloca em um nabo esculpido para servir como uma lanterna. [ 5 ]



No folclore galês, diz-se que a luz é "fairy fire" [fogo de fadas] na mão de um púca, puck ou pwca, um pequeno duende-como fada que maliciosamente leva os viajantes solitários fora do caminho à noite. Como o viajante segue o Púca através do pântano ou brejo, o fogo é extinto, deixando o homem perdido. Púca é dito como um ser Tylwyth Teg, ou seja, da família das fadas. No País de Gales a luz prevê um funeral, que terá lugar logo na localidade. Wirt Sikes, em seu livro Goblins britânicos menciona o conto seguinte Welsh sobre Púca: Um camponês viajando para casa ao anoitecer vê uma luz brilhante viajando a sua frente. Olhando mais de perto, vê que a luz é uma lanterna na posse de uma "figura um pouco sombria", que ele segue por vários quilômetros. De repente ele se encontra à beira de um vasto abismo quem embaixo corre uma torrente que ruge de água. Naquele exato momento o carregador da lanterna dá saltos n o espaço que levanta a alta luz sobre sua cabeça, enquanto solta uma risada maliciosa e some na luz, deixando o pobre camponês a um longo caminho de casa, em pé na escuridão na borda da um precipício.


Puck

Este é um conto bastante comum de advertência a respeito do fenômeno, no entanto, o fatuus ignis nem sempre foi considerado perigoso já que outras histórias falam de viajantes se perdendo na floresta e vindo sobre uma vontade do  will-o'-the-wisp e dependendo de como eles trataram a criatura, o espírito que quer deixá-los ainda mais perdido na mata passa a orientá-los para fora dela.
Na Ásia, o mais parecido com isso seria Aleya (ou fantasma de luz do pântano) nome dado a inexplicáveis fenômenos que ocorrem envolvendo luz nos pântanos, como observado pelo povo bengali, especialmente os pescadores de Bengala. Esta luz do pântano é atribuída a algum tipo de aparições inexplicáveis de gás do pântano que confundem pescadores, que os faz perder o rumo e pode até levar a um afogamento se o pescador decidir segui-lo. As comunidades locais daquela região acreditam que esses estranhas luzes pairando no pântano são, na verdade fantasmas de luz, que representam os fantasmas de pescador que morreram durante a pesca - algumas vezes eles confundem os pescadores e algumas vezes eles ajudem a evitar perigos futuros. [6] [7]



Na América do Sul encontramos dois exemplos dessas lanternas sombrias: no Brasil, o Boi-tatá é o equivalente brasileiro do will-o-the-wisp [8]. O nome vem da língua tupi e significa "serpente", Ele tem grandes olhos de fogo que o deixe quase cego durante o dia, mas à noite, pode ver tudo, para isso se esconde nas cavernas. Segundo a lenda, Boi-tatá era uma serpente grande, que sobreviveu ao grande dilúvio. E pode ainda ser conhecido como "boiguaçu" (uma anaconda da caverna) que deixou sua caverna após o dilúvio e, no escuro, atravessou os campos predando os animais e cadáveres, come exclusivamente o seu pedaço favorito, os olhos. A luz coletada a partir dos olhos comidos deu ao "Boitatá" seu olhar ardente. A expressão "fogo-fátuo" também é usado ("fogo falso", do latim "Ignis Fatuus") em todo o Brasil.
Boitatá

Na Argentina, o fenômeno como Luz Mala (luz mal) ou fátuo Fuego e é um dos mitos mais importantes no folclore argentino e uruguaio. Este fenômeno é bastante temido e é visto principalmente em áreas rurais argentinas. Ele consiste em uma esfera extremamente brilhante de luz, flutuando a poucos centímetros do chão. Tradicionalmente se diz que "Se a luz é branca, isso implica uma alma em dor e é recomendado para fazer uma oração, mas se a luz for vermelha, a testemunha deve fugir imediatamente, assim, o fenômeno representa a tentação de Satanás."
Tirando o lado folclórico, ouve quem  explicasse o fenômeno will-o’-the-wisp pelo meio cientifico. E a  primeira tentativa de explicar cientificamente as causas para este ignes fatui foi dada pelo físico italiano Alessandro Volta, em 1776, quando se descobriu o metano. Ele propõe que isso nada mais são do que fenômenos naturais elétricos (como raios) interagindo com gás do pântano [9]. Teoria apoiada pelo britânico Joseph Priestley em sua obra Experiments and Observations on Different Kinds of Air (1772–1790) (Experiências e Observações em Diferentes Tipos de Ar (1772. - 1790)), e pelo físico francês Pierre Bertholon de Saint-Lazare, em De l’électricité des météores (1787) [10]. Isso foi observado nas contas detalhadas de várias interações estreitas com ignes fatui publicados anteriormente, em 1832, pelo major Louis Blesson depois de uma série de experimentos em várias localidades onde foram conhecidos por ocorrer. [11] Destaca-se seu primeiro encontro com ignes fatui em uma região pantanosa entre um vale profundo na floresta de Gorbitz, Newmark, Alemanha.
Na literatura dois will-o’-the-wisp aparecem num conto de fada escrito por Johann Wolfgang von Goethe chamado The Green Snake and the Beautiful Lily (1795, A sepente verde e a bela Lily). Eles são descritos como luzes que consomem ouro, e são capazes de sacudir peças de ouro a partir de si mesmo. [12]
Um Will O 'the Wisp faz uma aparição no primeiro capítulo de Drácula de Bram Stoker, é o próprio Conde, que aparece como seu motorista particular, para levar Jonathan Harker em seu castelo a noite. Na noite seguinte, quando Harker inquire a Drácula sobre as luzes (pela falta delas), ao responder a pergunta que lhe foi feita pelo hóspede o Conde faz referência a uma crença popular comum sobre o fenômeno, dizendo que eles marcam onde o tesouro está enterrado.

Na obra de JRR Tolkien, O Senhor dos Anéis, will-o’-the-wisps estão presentes nos Pântanos Mortos fora de Mordor. Quando Frodo e Samwise Gamgee fazem o seu caminho através dos pântanos Gollum lhes diz "para não seguir as luzes", significado dado para os will-o’-the-wisp  Ele diz que se o fizerem, eles vão levar a empreitada para a morte. Além disso, Gandalf orienta a Irmandade através da escuridão de Moria (A Journey in the Dark) e sua "luz de bruxo" é comparado a um will-o’-the-wisp, Dado que Moria era uma antiga fonte de mithril, isso pode ser uma associações escandinava para a ligação de will-o’-the-wisp com tesouros.
O hinkypunk, o nome dado a will-o’-the-wisp no Sudoeste da Inglaterra alcançou a fama como um animal mágico na série de JK Rowling, Harry Potter. Nos livros, um hinkypunk é um perneta, criatura de aparência frágil que parece ser feito de fumaça. Diz-se de levar uma lanterna e enganar os viajantes.




O romance de fantasia alemão escrito por Michael Ende “The Neverending Story” [A História Sem Fim, em alemão: Die unendliche Geschichte 1979, e Ralph Manheim's na tradução inglesa, 1983] começa em Fantastica, quando um will-o'-the-wisp vai pedir a Imperatriz-menina ajuda contra o Nada, que está se espalhando sobre a terra. O filme baseado no livro não contém o will-o'-the-wisp.



Saindo do campo literário e entrando na música, especialmente na música clássica, um dos estudos mais desafiadores de Franz Liszt para piano (o Transcendental Etude n º 5), conhecido por ser volúvel e de uma qualidade misteriosa, traz o título "Follets Feux" (o termo francês para will-o’-the-wisps) .
O fenômeno também aparece em "Canción del fuego fátuo" no balé Manuel de Falla, El amor brujo, [36] depois coberta por Miles Davis como" Will O'-o Wisp "na Sketches Of Spain. O nome alemão do fenômeno, Irrlicht, tem sido o nome de uma música do compositor clássico Franz Schubert em seuciclo de canções conhecido como Winterreise.

Bela encenação, ótimo som...

O will-o'-the-wisp  também aparece na canção  "skylark" (cotovia), cantada por Ella Fitzgerald, Aretha Franklin, Sullivan Maxine e outros. Enquanto na terceira parte , Cena 12 de Berlioz The Damnation of Faust" " é intitulada "Menuet des Follets" - "Minueto de will-o’-the-wisp".
Depois de se ter tanta informação e divagar por várias áreas da cultura, nada melhor do que preparar uma torta de abóbora e ficar na esperança de ver um will-o’-the-wisp passando por você, na noite de halloween (isso falo para os corajosos. Para os medrosos, é melhor comer muito da torta e ir dotmir...)

Fonte

1.     ^ Marie Trevelyan (1909). Folk-Lore and Folk-Stories of Wales. London. p. 178. Retrieved 2010-09-18.
2.      "Ghost Lights and Orbs". Moonslipper.com. Retrieved 2011-11-18.
  1. ^ Stephen Wagner. "Spooklights: Where to Find Them"About.com. Retrieved 2007-12-08.
  2. ^ Randall Floyd (1997). "Historical Mysteries: Ghostly lights as common as dew in Dixie"Augusta Chronicle. Retrieved 2007-12-08.
  3. ^ Mark Hoerrner (2006). "History of the Jack-O-Lantern"buzzle.com. Retrieved 2007-05-09.
  4. ^ "Bengali Ghosts; byAmbarish Pandey; Apr 7, 2009; PAKISTANTIMES website". Pak-times.com. 2009-04-07. Retrieved 2011-11-18.
  5. ^ "Blog post by the author Saundra Mitchel of the novel "Shadowed Summer" at Books Obsession". Booksobsession.blogspot.com. 2009-10-09. Retrieved 2011-11-18.
  6. ^ "ref". Terrabrasileira.net. Retrieved 2011-11-18.
  7. ^ Marco Ciardi (2000). "Falling Stars, Instruments and Myths: Volta and the Birth of Modern Meteorology". In Fabio Bevilacqua & Lucio Fregonese. Nuova Voltiana: Studies on Volta and His Times. Editore Ulrico Hoepli. p. 43.
  8. ^ a b c d Charles Tomlinson (1893). A. Cowper Ranyard. ed. "On Certain Low-Lying Meteors". Knowledge: An Illustrated Magazine of Science. Simply Worded—Exactly Described (Witherby & Co.) 16 (New Series, Vol. III): 46–48.
Pumpkin pie

Massa
6 colheres de sobremesa de manteiga sem sal
6 colheres de sobremesa de Gordura vegetal (se preferir usar somente manteiga)
1 xicara e meia de Farinha de trigo
2colheres de sobremesa de Açúcar
meia colher de chá de Sal refinado
entre 4 a 5 colheres de sobremesa de Água gelada
Para o recheio
2 xicaras de abobora cozida
3/4 xícara de Açúcar mascavo
3 colheres de Melaço  - pode ser mel karo
1 colher de chá de Canela em pó
1/4 colher de chá de Noz moscada
1/4 colher de chá de Cravo em pó
½ colher de chá de Sal refinado
3 Ovos
1 litro de Creme de leite fresco batido como para chantily
3 colheres de sobremesa de Brandy ou licor de laranja
Chantilly para guarnecer
1 xicara de Chantilly
2 colheres de sobremesa de Açúcar
1/4 colher chá Canela em pó
Noz moscada a gosto

Preparo:  Massa Refrigere a manteiga e a gordura por cerca de 30min. Numa tigela combine a farinha, açúcar e o sal. Mistures com a ponta dos dedos a manteiga e a gordura em pedacinhos sobre a mistura de farinha. Não amasse demais! A massa deve ficar com textura de crumbles, empelotada e com um leve tom amarelado. Esse é o momento de adicionar 3 colheres de água e misturar com uma espátula ou colher de madeira para agregar toda a massa. Adicione mais se for preciso, mas não perca a textura de massa que racha aos dedos e quer se desfazer.  Faça uma bola e amasse até virar um disco grosso. Agora passe um filme e leve à geladeira por cerca de 1 hora. Em forma de disco, nossa massa gela mais rápido e também recupera a temperatura ambiente mais rápido para nela passarmos o rolo. Ainda não comece o recheio. Espere essa 1 hora para a massa gelar e, só depois, asse-a em forno pré aquecido entre 190 a 200ºC. A alta temperatura selará a massa tão rápido, que ela não terá tempo de regredir na fôrma. Assim que notar as bordas escurecendo, rapidamente, abaixe a temperatura para algo entre 170 a 180 ºC. Esse processo não leva mais que 10min.Retire a massa e deixe-a esfriar na fôrma.  Para fazer o recheio Amasse a abóbora como para purê e passe-o em peneira ou processador. Nele adicione o açúcar mascavo, o melaço, as especiarias e o sal. O próximo passo é adicionar o creme batido e a bebida alcóolica. Lembre-se de não bater demais este creme, ele fica num ponto anterior ao de picos firmes de chantilly...fica leve. Você também deve incorporar o creme de leite batido suavemente, de baixo para cima e com uma espátula. Nada de fouet aqui!  Coloque o recheio na massa e asse sua torta por mais 10min, numa temperatura de 200graus. Após esse tempo, abaixe a temperatura para 180ºC e deixe a torta no forno por mais 20 a 30min. Lembre-se, o centro da torta se ergue mas ainda tem uma certa mobilidade quando vc chacoalha a fôrma. É o ponto perfeito, a torta está assada, mas ainda tem umidade. Não deixe mais tempo, vai ficar seca e chata! Deixe a torta esfriar em temperatura ambiente e somente depois leve-a à sua geladeira. Para o chantilly, basta juntar os ingredientes no creme de leite ainda líquido e bater com seu fouet até o ponto de picos firmes. Coloque-o sobre uma fatia e sirva!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A inebriante Floresta Negra

Era uma vez, há muito tempo atrás, quando tive meus primeiros contatos com os contos de fadas e me divertia muito com eles; imaginei situações interessantes e nada permitidas no mundo chato dos adultos... Me prometi que, quando eu crescesse, continuaria acreditando no que faz bem pra mim – não importando o que os outros achariam disso. E hoje eu acordei mágico!
Acordei querendo falar de histórias que me fizeram manter viva a esperança em seres que “não existem pra muita gente”. Mas que nem por isso deixaram de existir para mim. Na tentativa de encontrar algo interessante para dividir com os membros desta confraria, organizei na minha mente as historias de fadas que eu lia quando menino e, cheguei a um denominador comum: a Floresta Negra, encantada, cheia de mistérios e aventuras fantásticas, repleta de seres mágicos, bons e maus, renderia um post excelente. 
Floresta Negra - Alemanha
Boa parte dos contos de fadas que eu li, foram escritos pelos irmãos Grimm,  e tinham a floresta negra como ambientação ou inspiração: Branca de neve, Cinderela, O Flautista de Hamelin, O Príncipe Sapo, Rapunzel, Chapeuzinho Vermelho, A Bela Adormecida, Rumpelstilskin, dentre outros. Destes, existe um conto que sempre sempre atraiu - ao ponto de eu  chegar a interpretar, na escola, um dos personagens principais da trama de Häsel und Gretel. Não sabem a que conto me refiro? Sabem sim. No Brasil ele é conhecido popularmente como João e Maria.


Meu gosto por esta historia se deve a um motivo óbvio: o conto traz na narrativa uma deliciosa casa de doces, repleta de guloseimas pedindo para serem devoradas – que criança, ou glutão, resistiria a uma casa dessas? 
Lembro-me bem, queue quando criança, nessa minha representação escolar fazendo o papel de João, eu me refestelei comendo muitos batons garoto, wafles e outras delicias que a professora colou na casinha do cenário para a peça – foi um sonho! E o sonho continua até hoje: sou fanático por um bom doce - eu seria alvo fácil para bruxa velha daquela história.
Muito tempo depois, a floresta negra, esse lugar fantástico, me seria apresentado na forma de doce. Entregaram-me uma fatia do que seria “a rainha das tortas”: a Floresta Negra... Uma original, feita como manda o figurino. Um delírio gastronômico para fada nenhuma botar defeito.



Podem imaginar a felicidade de alguém que ama doce quando encontra uma torta dessas? Uma realização. O que me incomodava é que eu indaguei à feitora da torta quanto a sua origem e não tive a resposta que gostaria. Então, te faço uma perguntinha básica para podermos entrar no real assunto deste post: Onde fica a floresta negra, você sabe?



Geograficamente, a Floresta Negra se estende de Karlsruhe, na parte superior do rio Danúbio por Pforzheim de Lörrach, com suas florestas de pinheiros, cheias de campos,  montanhas e lagos, por onde se espalham mosteiros, castelos e ruínas - lugares maravilhosos onde as coisas surpreendentes podem acontecer. Lugares esses registrados nos contos tidos como míticos, fantasiosos, sinistros. Nas paisagens da floresta negra apareceram personagens que nos são familiares até os dias de hoje: contadores de histórias, que durante as longas noites de inverno, se deleitavam ao contar causos realizados por seres fantásticos do bem e do mal; Feiticeiros e magos que aparecem de formas diferenciadas; os chamados Freischützen, atiradores que dispararam balas com a ajuda do diabo, balas que nunca erraram o alvo nas florestas escuras; os lobisomens, como o lobo de Freudenstadt; e as bruxas do tempo e das ervas - consequências da vida real, quando as mulheres foram  acusadas de serem bruxas.
No caso da torta floresta negra (schwarzwalder kirschtorte em alemão) sua origem  possui três possíveis alternativas, vamos a elas: a primeira versão conta que, poderia a torta levar este nome por ser escura - simbolizando a escuridão natural da floresta, apesar de estar situada numa das áreas mais ensolaradas daquela região - e as lascas de chocolate da cobertura simbolizavam as cascas das árvores que remetiam á floresta negra. A segunda versão diz qu eo nove deve-se a um dos ingredientes presentes na torta e que tem seu nome incluso nela, o Kirsch, bebida resultante da destilação do suco fermentado de um cereja negra típica daquela região. Enquanto a terceira versão sugere a possibilidade do nome do bolo da torta ser uma homenagem às mulheres da Floresta Negra, principalmente das aldeias Gutach Kirnbach e Reichenbach, onde as vestimentas tradicionais das moças seria um vestido negro (chocolate), a blusa branca (chantili) e na cabeça o Bollenhut, um chapéu de fundo branco com bolas vermelhas que lembra muito as cerejas.


A combinação de cerejas, chantilly e kirsch - aguardente feito a base de cerejas negras - já era conhecida no século XIX, no sul da Floresta Negra, mas não na forma de um bolo. A sobremesa com esta mistura era feita com cerejas cozidas servidas com creme e com a adição do aguardente de cereja. O bolo ou torta floresta negra precursor teria sido feito com pão de ló, cerejas e nozes, muitas vezes em combinação com creme, mas sem kirsch, provavelmente sendo originário  da Suíça.
Contudo acredita-se que Josef Keller (1887-1981) é o inventor do bolo. Keller era pâtissier no  Café "Ahrend", hoje chamado Agner, em Bonn-Bad Godesberg. No ano de 1915 ele criou, pela primeira vez o que chamou de "Schwarzwaelder Kirsch", ou "Floresta Negra de cerejas".  Depois de prestar serviço militar, Josef Keller estabeleceu o seu próprio café em Radolfzell. August Schaefer aprendeu o ofício como aprendiz de Josef Keller em Radolfzell (1924-1927). Depois de muitos anos de colaboração, Josef Keller deu para August Schaefer seu livro de receitas, que continha a receita original da torta floresta negra. Atualmente o filho de August, Claus Schaefer, atual dono do Café Triberg Schaefer, herdou o livro e a receita original e dá continuidade á obra de Josef Keller.
Claus Schaefer
A receita original guardada por Claus Schaefer
A receita escrita para essa torta aparece pela primeira vez em meados da década de 1930, transformando-se em 13 º lugar numa lista de favoritos bolos alemão em 1949. Sua popularidade na Alemanha cresceu rapidamente e se espalhou por outros países, principalmente através da Grã-Bretanha. Lá, o recém-chegado, infelizmente, foi modificado: perdeu kirsch (uma vez que esta teria sido uma mercadoria exótica e cara nos períodos pós-guerra e pós-racionamento do Reino Unido, e até mesmo durante os anos sessenta de balanço), teve seu nome mudado para Black Forest Cake e foi exportado para a America do Norte.
Felizmente a versão original ainda vive em seu torrão-natal, onde a indústria de panificação trabalha sob regulamentos que exigem uma torta floresta negra seja feita de acordo com um conjunto básico de diretrizes dadas pelo Estado – como ferramenta de preservação da cultura. As regras são claras: só pode ser chamado de floresta negra um bolo/torta cujo preparo leve Kirsch (Kirschwasser, no alemão) e chantilly ou com Kirsch e creme de manteiga, ou uma combinação dos dois" - sem o kirsch, o bolo não é pode ser considerado genuíno. A presença das cerejas é considerada secundária o que realmente importa é a presença do kirsch, com o sabor fácil de ser reconhecido. Nas  camadas de massa feitas a partir de um bolo de luz vienense ou bolo esponja (pão-de-ló)  devem conter cacau ou chocolate na quantidade de 3% ou mais;  e a cobertura deve ser de creme de manteiga ou chantilly e decorado com chocolate.
Em suma, a pesar das diretrizes alemãs, das modificações feitas em outros lugares, a Schwarzwälder Kirschtorte continua sendo um dos bolos favoritos de muita gente.

Floresta Negra
Ingredientes:
125 g manteiga
125 g açúcar
125 g farinha de trigo peneirada
125 g de amêndoas raladas
125 g de chocolate em barra ralado
6 ovos
5 gotas de extrato de baunilha
2 colheres de chá de fermento  em pó
12 colheres de sopa de Kirsch (aguardente de cerejas) para umedecer a torta
Para  o recheio:
Aprox. 200 g de geleia de cerejas (preferência Sauerkirschen) com frutas inteiras 
1/4 de litro de creme de leite fresco, batido em chantilly
50 g de cerejas ao marasquino, sem sementes ou cerejas cristalizadas
Para a cobertura:
100 g de creme de leite batido em chantilly
100 g de chocolate meio amargo, derretido e resfriado
Raspas de chocolate a gosto

Modo de fazer: Bater a manteiga com o açúcar até ficar cremosa e juntar, sempre batendo, as gemas, o chocolate, o fermento, extrato de baunilha e o trigo. No final juntar, cuidadosamente, as claras batidas em neve. Colocar a massa numa fôrma redonda bem untada e polvilhada com trigo e assar aprox. 40-50 minutos e forno bem pré-aquecido. Depois que o bolo estiver completamente frio, partir com uma faca bem afiada em 3 camadas horizontais. Colocar a primeira camada sobre papel manteiga e respingar com 4 colheres de sopa de "Kirsch" e passar uma camada grossa de geléia. Colocar a segunda camada cuidadosamente sobre a primeira e também respingar com 4 colheres de sopa de "Kirsch". Sobre esta camada colocar o chantilly e as cerejas numa altura aprox. de 1 cm. Cobrir tudo com a terceira camada, que também é respingada com o resto do "Kirsch". Derreter o chocolate meio amargo - o mais fácil é fazê-lo sobre um pedaço de papel alumínio no forno não muito quente - e deixe esfriar um pouco. Bater o creme de leite até o ponto de Chantilly e junte o chocolate derretido não muito quente. Cobrir a torta com este creme em cima e dos lados. Enfeitar com cerejas e com as raspas de chocolate.