terça-feira, 21 de setembro de 2010

O Barão contando história II: les macarons divine;

Quem é formiga, assim como eu, não dispensa um docinho, um biscoitinho, um chocolatezinho, um inho qualquer. Não que eu goste das coisas no diminutivo, mas é que quando se trata de guloseimas elas ficam sempre mais delicadas, mais gostosas, quando são tratados no diminutivo. Com este fato eu não poderia falar de outra iguaria, senão dos macarons. Talvez, um primo europeu dos nossos bem-casados.  

Os macarons nada mais são que biscoitinhos feitos a partir de um suspiro onde se adiciona farinha de amêndoas; Tem uma massa levinha e camaleônica – pois cada massa traz um sabor e um recheio diferente e são bem coloridos.

A primeira vez que comi Les macarons na minha vida, ele me foi apresentado  como na sua forma original de biscoito (sem recheio). Eu nem sabia o que era ele na realidade, mas comi muito. E depois, apenas o elegi como o suspiro mais gostoso e menos enjoativo que eu já havia comido ao longo dos anos.

Mais tarde, o macaron me foi apresentado outra vez. Agora, porém, na forma recheada – esta a qual a maioria das pessoas conhece atualmente. Minha memória gustativa acionou assim que coloquei a guloseima na boba e senti a crocante casquinha se esfarelar, pra em seguida sentir o miolo  macio repleto de um delicioso recheio de chocolate.

O que eu não sabia, até então, era sobre a confusão gerada em torno da origem desta iguaria... mas eu sempre digo, que qualquer coisa que seja, para que se torne imortal ou tenha fama, antes de tudo precisa virar lenda. E como sempre minha cozinha esta cheias delas, lendas deliciosas como esta que conto agora e que fui buscar fundamentação histórica para diviidir com vocês de minha corte.Vejamos o que a história nos diz sobre o Macaron:

Macaron é o nome em francês (usa-se também assim em português) dado a um pequeno biscoito geralmente redondo, crocante por fora e macio por dentro, que tem como base no seu preparo claras em neve, açúcar de confeiteiro e farinha de amêndoas.


De acordo com as versões mais aceitas para dar origem ao doce, o macarron seria:

Versão francesa: alega que os macarons foram fabricados ali desde o ano 791, sendo o monástério de Cormery o primeiro a produzir a delicia, e que os macarons tinham o formato dos umbigos dos monges.

Versão Italiana: os italianos alegam que a receita teria sido elaborada em Veneza, em seus monastérios. E que somente no período da Renascência teria sido levado à França pelos cozinheiros de Catarina de Médici, quando ela se casou com Henrique – Duque de Orleans (1533). Os macarons eram chamados de “O doce da Rainha” e eram servidos apenas pra a nobreza.


Henrique II - Rei da França, antes Duque de Orleans


Catarina de Médici, tela de Tito Santi.
 Independentemente de sua origem, no início os macarons eram  apenas bolachas de avelã. Contudo existe um fato importantíssimo que nos leva  a colocara  versão italiana como a mais aceitável: trata-se do nome do doce – a palavra macaron vem do italiano maccherone (italiano) e macarone (veneziano), ambos significavam massa fina.
As irmãs macaron

Durante o século XVII  o mundo conheceu as Soeurs Macaron ( irmãs macaron), freiras que seguiam  o princípio de Theresa D’Ávila: “Amêndoas são boas para as jovens que não comem carne’”,  e se especializaram na cofecção e comercialização do doce, tornando-se elas e os doces bastante conhecidos.
A presença das irmãs macaron na história servem para validar também a versão italiana, pois foram elas que conseguiram a receita dos macarrons através dos cozinheiros de Catarina de Medicis.

De acordo com a história foi em Nancy (cidade no Nordeste daFrança), quando o Convento Beneditino das Senhoras do Santo Sacramento fechou em 1793, duas beneditinas Marguerite Gaillot e Marie-Elisabeth Morlot continuaram a fazer os macarons, primeiro em agradecimento ao médico que as hospedou, depois para a própria subsistência. E de uma modesta loja se torna uma verdadeira fábrica artesanal. Assim as irmãs passaram para a posteridade conhecidas como as "irmãs macarons".
Loja das Irmãs Macaron na atualidade, Nancy/França.

No Brasil, Câmara Cascudo mostra em seus livros que no Brasil, principalmente no nordeste, as receitas  são passadas de geração par geração como um segredo de Estado. Pois a intenção é preservar a feitura das iguarias pelas famílias e manter uma tradição – coisa que vem se perdendo  cada vez  mais rapidamente ao longo dos tempos.

E se dependesse de segredos de estado, os macarrons  bem que poderiam terem sidos fabricados no  Brasil srsrrsrs. Pois a França também  traz segredos nas suas receitas:

 Em Saint-Emilion, a tradição do macaron remonta a 1620. Se vários artesões o fazem ainda, apenas a maison Blanchez considera possuir a autêntica receita dos "verdadeiros macarons das antigas religiosas de Saint-Emilion", por ela comprada em 1930. Impossível conseguir os detalhes. A Senhora Blanchez concorda somente em especificar que a pasta de amêndoas é fabricada no local a partir de amêndoas inteiras, que a amêndoa amarga é acrescentada devido ao aroma e que todos os ingredientes são naturais.

Em Montmorillon, na Rannou-Métivier, a mais antiga fábrica de macarons da cidade, é o próprio patrão que põe a mão na massa para se certificar de que a fórmula mágica não vai perder sua essência. Mesmo mistério em Saint-Jean-de-Luz, na pâtisserie Adam, onde o know-how perdura. Lá, a família real se deliciou com os macarons quando chegou, em maio de 1660, para o casamento de Luis XIV com a infanta da Espanha. Outra glória local do macaron: a pâtisserie Pariès, onde não se divulga a composição do mouchou - beijo, na língua basca - criado em 1948 a partir de um erro de um aprendiz de pâtissier na execução da receita tradicional. Mas em Amiens, foi deliberadamente que em 1831, Jean-Baptiste Trogneux acrescentou mel aos ingredientes habituais e a maison Jean Trogneux segue sempre fielmente essa receita.

MARIA ANTONIETA

E mais uma vez, não poderíamos esquecer, dela: Vossa Majestade a Rainha Maria Antonieta – ícone de moda, de loucura e de gourmet. Esta rainha era uma das que amavam os macarons. Gostava tanto que o doce continuou a ser chamado de o “doce da rainha” porque era apreciado demasiadamente por ela.
Maria Antonieta
Ressaltando que duzentos anos antes dela estar no trono, Catarina de Médici já comia macarons e foi a primeira a fazer com que o povo trata-se os macarons como o doce da rainha.

Esta paixão de Maria Antonieta era tão grande pela sobremesa, que Sofia Coppola resolveu incluir no seu file, várias cenas em que aparecia a rainha comendo os macarons. R o responsável pela feitura dos doces foi nada menos que a Ladurée (http://www.laduree.fr/)– melhor confeitaria de Paris que fabrica os macarons desde 1862 e a única que possui  loja dentro do Palácio de Versailles.
Marie Antoinette - de Sofia Coppola. Olhem a torre de macarons.
Ladurée Versailles
Ladurée Versailles
Maria Antonieta ainda tem influencias em outras  iguarias gastronômicas. Mas por enquanto, para não perder o foco da história , findamos a participação dela por aqui.

Os macarons podem ser diferentes dependendo da região em que são fabricados. Porém é a versão parisiense do macaron que se conhece atualmente. E esta versão surgiu no inicio do século XX, quando Pierre Desfontaines, fundador da famosa Pâtisserie Ladurée, introduziu um recheio cremoso aos macarons, que assumiram assim  a forma como o conhecemos atualmente. Entre os recheios mais clássicos estão, geléia de frutas, creme de manteiga e ganache.
Vitrine Ladurée na Loja da Champs Élysée
Entrada da Ladurée Royale
A ladurée está entre as duas melhores fabricantes de macarons do mundo. Mas a concorrente Pierre Hermé (http://www.pierreherme.com/), sempre divide o titulo de “a melhor” fabricante de macarons com a ladurée pelo fato de produzir macarons modernos e cheios de sabores exóticos.
Loja Pierre Hermé
Loja Pierre Hermé

A Pierre Hermé  leva o nome do pâtissier mais perfeccionista que inventou  sabores exóticos para o doce. Em quinze anos, ele criou quarenta aromas. No dia 20 de março de cada ano, ele dedica ao macaron um dia inteiro em suas lojas

"O macaron, segundo Pierre Hermé -  para mim é como uma progressão lenta e regular. Quando comecei, eram apenas dois biscoitos com muitas amêndoas, açúcar e claras de ovos, colados com um creme ou geléia, e com aroma de baunilha, café, chocolate ou framboesa. Depois eu compreendi que era o recheio que dava o gosto. Toda a minha pesquisa foi, então, em trabalhá-lo, pois o recheio não serve apenas para juntar os dois biscoitos. O que distingue os meus macarons, é que eles são bem recheados. Após ter criado aromas únicos, me dediquei a compor associações de sabores, assim como faço para os meus bolos. Dessa forma nasceram os macarons de trufa branca-avelã ou ainda damasco-açafrão. O macaron é uma seqüência cheia de pequenos detalhes: a escolha das matérias-primas, o cozimento, o recheio... É um biscoito que continua artesanal. Por exemplo, o meu macaron com azeite de oliva precisa de 10 etapas sucessivas. O macaron tem futuro se não for desvalorizado como aconteceu com o cannelé - petit four da região de Bordeaux. O campo de criatividade ainda é muito importante".
A variedade da Pierre Hermé
E depois de toda esta falação, não seria justo eu  ficar sem colocar uma receita de macaron. Então aproveitem e depois, quando fizerem, me contem o resultado.

MACARONS Massa Básica
Ingredientes
- 280 g de açúcar de confeiteiro
- 160 g de farinha de amêndoas (Já usei farinha de castanha de cajú e também ficou ótimo)
- 130 g de claras (aproximadamente claras de 4 ovos)
- 30 g de açúcar comum
Preparo
Peneire juntos o açúcar de confeiteiro e a farinha de amêndoas.
Bata as claras com o açúcar até obter um suspiro bem firme. Misture delicadamente o corante desejado: rosa para framboesa, verde para pistache e café líquido para o sabor café. Aos poucos, e com delicadeza, incorpore a mistura peneirada. Coloque uma folha de silpat sobre uma assadeira e ponha-a dentro de outra assadeira. Com um saco de confeitar e bico liso médio, pingue a massa com distância de 3 cm entre os macarons. Leve imediatamente ao forno preaquecido moderado (220ºC) durante 10 minutos. Retire a assadeira de baixo e asse mais 5 minutos. Retire e deixe esfriar. Com uma espátula, retire os macarons da assadeira e recheie com o creme desejado. Os macarons já recheados poderão ser conservados no congelador pelo prazo de 1 semana.

MACARONS DE CHOCOLATE
Ingredientes
- 260 g de açúcar de confeiteiro
- 160 g de farinha de amêndoas
- 20 g de cacau em pó
- 130 g de claras (aproximadamente claras de 4 ovos)
- 30 g de açúcar
Preparo
Peneire juntos o açúcar de confeiteiro, a farinha de amêndoas e o cacau. Repita o processo anterior (massa básica).

Recheios para Macarons
Recheio de Ganache
Ingredientes
- 200 g de chocolate meio-amargo, bem picado
- 100 g de creme de leite fresco
Preparo
Ferva o creme de leite, derrame sobre o chocolate picado e mexa até obter uma mistura lisa, brilhante e homogênea.

Outros Recheios
Ingredientes
- 400 g de açúcar
- 150 ml de água
- 200 g de claras (aproximadamente claras de 5 ovos grandes)
- 600 g de manteiga cortada em cubinhos
Preparo
Leve o açúcar e a água para ferver até 121ºC (ponto de bala). Enquanto isso, bata as claras e junte-as à calda, continuando a bater até esfriar. Batendo sempre, acrescente os pedacinhos de manteiga aos poucos. Misture, então, o sabor desejado. Esta receita pode ser dividida em quatro porções.

Veja algumas sugestões para recheio
- Framboesa: 300 g de creme de manteiga + 50 g de framboesas congeladas.
- Pistache: 300 g de creme de manteiga + 50 g de pasta de pistache.
- Café: 300 g de creme de manteiga + 20 g de extrato de café.
- Avelã: 300 g creme de manteiga + 50 g de pasta de avelã



E aproveitem para conhecer mais a fascinate história de Maria Antonieta, no filme magestoso de Sofia Coppola.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

O Barão contando história I: O luxo do chocolate quente!

Logo que acordo, depois de tomar banho, vou imediatamente para a cozinha no sentido de tomar o desjejum. Lá, sempre fico na dúvida do que beber: se chá, café, suco, capuchino... Dúvida que acaba rapidinho se vejo uma latinha de Nescau ou uma caixinha de chocolate dois frades por perto. Sempre foi assim desde pequeno. E lembro-me que, lá em casa, tanto meu pai quanto minha mãe sempre diziam que “o melhor chocolate para se tomar de manhã era aquele, dos frades”. Até então eu não sabia o porquê que tinha de ser o chocolate dos frades. Não sei se mais alguém também teve esta mesma dúvida. E eu fui pesquisar. Acabei solucionando e entendendo porque os frades entram no jogo do chocolate como fonte de oferecer a melhor bebida.

Mas cabe aqui uma explicação: depois de uma vida inteira descobri recentemente que o nome correto pro chocolate da caixinha é DOIS prades ou dos padres, segundo explicação da chef Rita Lobo:

O prato perfeito - Alessandro
Sani
Deposi desta breve explicação, dedico esta inspiração a Sua Graça, a Marquesa do "Cratinho de Açúcar" Célia Augusta, amiga de todas as horas. Agora vamos à história:

O Chocolate era uma bebida de luxo, segundo o livro Amor, Luxo e Capitalismo – de Werner Sombart: " o luxo ligado à comida nasce na Itália durante os séculos XV e XVI, quando se assiste à formação da “arte culinária”, juntamente com as outras artes. Antes só existia o “devorar”. Agora, refina-se esse prazer e substitui-se a quantidade pela qualidade. Esse luxo passa para França em finais do século XVI.” 
Rei Luis XIII
     Com o casamento do Rei Luís XIII da França com a Infanta de Espanha, Ana de Áustria (Em 25 de Outubro 1615) o Chocolate fixa-se em terras francesas, pois tinha sido esta iguaria um dos presentes de casamento ofertado aos noivos pelos monges espanhóis, que acabaram agradando muito pelo fato de saber que tratava-se de um material ainda pouco conhecido mas fundamental para ser o chocolate a bebida favorita da Rainha – o chocolate quente.

Rainha Ana de Áustria
Françoise d'Aubigné - A Marquesa de Maintenon
Deste casamento real nasceu o Rei-Sol (Luís XIV), que afirmou o seu gosto pelo Chocolate logo depois de tomar o trono e casar-se com a Infanta espanhola, Maria Teresa; e Divulgando a partir de Versalhes, a pedido da Madame de Maitenon um gosto pela bebida exótica. Desde o final do séc. XVII, era quase que obrigatório qualquer integrante da nobreza ou corte ter em casa Chocolate ou bombons. Ficando, neste caso, evidenciado uma "relação íntima entre o consumo de doces e a mulher [...] foi a causa do rápido alastramento por toda a Europa de excitantes, como o café, o Cacau e o chá [...] constituem fatos importantes no desenvolvimento do capitalismo", ilustrado no livro "Amor, Luxo e Capitalismo".


O Rei Sol - Luis XIV
 
Infanta Maria Teresa

Contudo, as cartas da Madame de Sévigne, a Marquesa  Marie de Rabutin-Chantal,  “dizem que, conforme os dias ou boatos, o Chocolate ou fazia furor ou caía em desgraça na Corte” (BRAUDEL: 1992, 214); ao mesmo tempo o Cardeal Richelieu mandou redigir um tratado intitulado de "Du Chocolat" que tratava dos benefícios da doce bebida para a saúde.
Caedeal Richelieu


Marie de Rabutin-Chantal, Marquesa de Sévigné






















No século XVII foram realizados numerosos tratados das bebidas da moda: Chocolate, Café e Chá, e dentre os estudiosos e suas obras sobressaem: "Philippe-Sylestre Dufour (Traités nouveaux et curieux du café, du thé et du Chocolat, 1671)" e Nicolas de Blegny com sua obra "Le bon usage du thé, du caffé et du Chocolat, 1687". Mais adiante o Chocolate aparece nos livros de receitas e o primeiro foi Massialot em 1692.

Naquele tempo o comércio do chocolate  era controlado pela Espanha, a França então  inicia plantações de cacau na Martinica e posteriormente em Madagascar, para poder ter sua própria produção.

Em 1687 apareceu a primeira Chocolateira Artesanal apareceu, em Baiona. E deve-se aos chocolateiros judeus a introdução do Cacau nesta zona, que formavam uma cooperação de comerciantes, e acabaram sendo por ser expulsos desta zona (assim como foram anteriormente expulsos de Portugal e Espanha), por irem a casa dos potenciais clientes para lhes dar a provar o Chocolate.

O Chocolate feito artesanalmente cativava mais o público daí haver um pouco de resistência  para a mecanização, como vem relatado no livro "Amor, Luxo e Capitalismo": "Os artesãos parecem as pessoas mais felizes deste mundo. Tirando proveito da sua indústria e destreza, permanecem no lugar, coisa tão prudente como rara. Sem ambição nem vaidade apenas trabalham para a manutenção e divertimento. São honestos e bem-educados com toda a gente, porque precisam de toda a gente. A vida de Artesãos era regrada".
  
Entretanto com a  mecanização da fabricação dp chocolate só apareceu em 1732 por Du Buisson. Contudo, a própria Maria Antonieta criou o emprego "Chocolateiro da Rainha", entregue a um cavaleiro de Saint-Louis, preparando a bebida com "pó de orquídea, flor de Laranjeira e leite de amêndoas e algumas vezes com âmbar-cinzento". Uma das heranças desta altura são as "pistolas"de Maria Antonieta, que são bombons com os mesmos ingredientes que a bebida. O emprego de Chocolateiro foi mais tarde sucedido pelo Chocolateiro Debauve.

Rainha Maria Antonieta
 O rei Luís XIV concedeu o privilégio, em 1659, de David Chaillon de "vender e fornecer uma certa composição que se chama de Chocolates" na sua loja. Em 1692 é concedido a outro burguês o privilégio abordado na "História da Alimentação" de "vender chás, cafés, sorvetes de chocolate com as drogas com que é composto, como Cacau e baunilha [...] os clientes não eram muitos, porque o Chocolate era duas ou três vezes mais do que uma chávena de chá ou de café". Todavia no ano seguinte é levantado o imposto e Chocolate torna-se muito mais barato. Logo que o aval regente foi dado ao chocolate, despertou interesse de todos mas nem todos podiam tomarem 1768 “diz-se «os Grandes o tomam algumas vezes, os velhos com frequência, o povo nunca,” (BRAUDEL: 1992, 214).
Rei Luis XV
O Chocolate servido como bebida de forma pastosa foi introduzido como desjejum na França do século XVIII, porque era considerado estimulante para os soldados que ficavam de vigia à noite. Em 1752 devido à importância deste alimento criou-se um artigo para as enciclopédias de Diderot e D'Almert.

Contudo, surgiu em França a primeira chocolataria industrial, data de 1770 e chamava-se: "Companhia Francesa dos Chocolates e dos Chás Pellier & Cie", mas quem deu verdadeiro contributo foram dois grandes homens: Émile-Justin Menier e Victor-Auguste Poulain. O primeiro, Menier, controlava todo o processo do Cacau desde a plantação até à venda, no fim da sua vida a sua chocolataria já se utiliza a máquina a vapor, atualmente ainda existe mas como sede da Nestlé-França. O segundo homem Poulain, que constrói sua própria chocolataria em 1862 cria a própria sua fábrica, devido à aderência de consumidores de Chocolate a tão baixos preços, popularizou o Chocolate em pó e com publicidade chamativa, ainda vive nos dias de hoje a indústria, porém comandada pela Cadbury inglesa..

Com a Revolução Francesa em 1789, foi um marco fundamental para a implantação do Cacau nas ementas. Durante esta altura dá-se também uma revolução na mesa, porque se criou o hábito de tornar o almoço a refeição do meio-dia, porque até essa altura a refeição a meio da jornada, chamava-se “jantar”. Até esta altura a primeira refeição do dia constituía, regra geral, por pão, sopa e, por vezes, vinho; agora o pequeno-almoço aparece e inicia-se o dia a tomar café, chá ou Chocolate. Todavia, os deputados da Assembléia Constituinte,  empurram o jantar para o fim da tarde, devido ao horário de trabalho e no final dos trabalhos da manhã é que começaram a almoçar por volta das 11h.

Relativamente à ceia só a partir do século XVIII é que se tornou hábito. Passou a ser vista como uma refeição tomada a horas “desusadas”, se foi impondo entre as classes mais abastadas. Saint-Simon, o pai francês da sociologia, evoca as ceias de Regent: “nas ceias, as iguarias eram preparadas em locais expressamente reservados para esse fim, em que todos os utensílios eram de prata”.Continham uma faustosa ementa com um elevado número de pratos: rins de javali em marinada, ostras com natas, seguindo-se bolos, tortas, saladas, pé de porco, ervilhas com ovos escalfados, maças reinetas à chinesa.

A moda da ceia prolongou-se no reinado de Luís XV, como momento de alguma intimidade, dado à invenção de novas receitas, e a uma certa dose de misticismo. De entre as novas receitas, com a particularmente da conservação do gelo e com o gelado de Chocolate bastante divulgado na época, parecem os famosos profiteroles e pêra Belle-Hélène, designada desta maneira por "ser baseada na opereta de 1864 - é a aliança pelo perfume com o gelado de baunilha, e o contraste, pela temperatura, com o molho de Chocolate quente", referido no "ABCedário do Chocolate" . Até meados do século XIX a ceia surgia como final de um gracioso serão. Pouco tempo depois, foi substituída  por bufetes, tornando-se comum a ingestão de chá, caldos, Chocolate, cafés, sandes e vinhos.

Contudo, só em plena industrialização do séc. XIX, o fabrico artesanal do Chocolate caiu em desuso, embora fossem verdadeiros artistas e ainda hoje reconhecido pelo requinte do sabor e gosto. Embora neste mesmo século XIX o Chocolate de Baiona tem maior impulso, criando a "Academia do Chocolate de Baiona" para artesãos e a sua maior especialidade era Chocolate quente. Durante este século já existiam diversas fábricas de latoeiros, que fabricavam os moldes para os Chocolates, mas estes moldes tradicionais eram de aço inoxidável, sendo muito caros, e com a evolução tecnológica apareceram novos moldes que tiveram maior divulgação como: plástico termoformado, Flexipan (vidro e silicone) ou só silicone. Das principais fábricas deste ramo conhecem-se: Pinat, Cadot e essencialmente a Letang. Esta última ainda se encontra em funcionamento.

O aparecimento da pastelaria, o chocolate, foi amplamente divulgado no séc. XIX com o cremes, charlottes e mousses tornaram-se tradição dentro das casas francesas, pela sua fácil confecção. Também nesta altura de expansão da pastelaria francesa descobre-se o "ganache", por mero percalço, ao verter leite em cima de tabletes de Chocolate «De todas as guarnições possíveis, a ganache é certamente a mais interessante, pois é aquela que utiliza mais Cacau», afirma o chocolateiro Robert Linxe".Este "ganache" é a base do artesão chocolateiro. Esta base é aromatizada por múltiplas especiarias: canela, cardomono, curcuma, cravo-de-cabecinha, menta, pimenta, açafrão e outros; ou com outras bebidas: café, chá, verbena ou álcool. Porém, no início do século XX a esta base é acrescentada natas ou manteiga derretida, graças à mestria dos artesãos é criada a trufa. Caracterizada por ser uma pequena bola irregular de Chocolate preto, salvaguardava o húmido interior e depois envolvido em Cacau em pó. No caso da chocolataria francesa em Quiberon criam segundo o ABCedário " «a trufa de tufa», casamento inédito entre macia ganache e a trufa fresca [...] para que leve mais tempo a derreter-se na boca"    

Estas inovações introduzidas na culinária francesa criaram novas tartes de Chocolate realçando-se ainda hoje: Philippe Conticini, Pierre Hermé e outros, no entanto foram renovadas antigas receitas de Chocolate destacando-se o contributo de Gaston Lenôtre.
A corte francesa bebendo chocolate.

O Chocolate sempre foi a bebida da Corte Francesa; e apesar de os franceses serem os primeiros na Europa a conhecer o fabuloso sabor do Cacau, hoje são consumidores modestos comparativamente com os restantes europeus, com um consumo médio de três quilos anuais. Conseqüentemente, muitas crianças francesas mantém a tradição, pela manha tomar uma caneca de Chocolate quente.

Aceita uma canequinha de chocolate?

• 2 xícaras (chá) de leite
• 3 colheres (sopa) de Chocolate em Pó DOIS FRADES
• 4 colheres (sopa) de açúcar
• 1 caixa de Creme de Leite
• 1 pau de canela

Em um liquidificador, bata o leite com o Chocolate em Pó DOIS FRADES e o açúcar. Despeje em uma panela com a canela e e leve ao fogo baixo, mexendo sempre até ferver. Desligue, adicione o Creme de Leite e mexa bem até ficar homogêneo. Retire a canela e sirva quente.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

SUBSTANTIVO

prazer
pra.zer
sm (lat placere) 1 Alegria, contentamento, júbilo. 2 Deleite, gosto, satisfação, sensação agradável. 3 Boa vontade; agrado. 4 Distração, divertimento. 5 Filos Emoção agradável que resulta da atividade satisfeita. Antôn (acepções 1 e 2): tristeza, dor, aflição. Prazeres físicos: prazeres materiais; gozo sensual. 6. ARROZ DE CAMARÃO – categoria novíssima a partir de decreto oficial do Barão de Gourmandise para representar à referida iguaria.

Depois desta descrição  eu não tenho capacidade de falar mais nada. Só me resta colocar a receita e depois que você fizer vai me dizer se tenho ou não razão para enquadrar este  colocar este ARROZ COM CAMARÃO no substantivo acima.
Fonte: http://blogdobergamo.blogspot.com/2010/04/bomba.html
600 g de camarão sem casca
3 xícaras de arroz cozido
3 colheres de sopa de óleo
1 cebola bem picada
1 pimentão bem picado
2 pimentas de cheiro picadas
2 tomates sem pele e sem sementes e picados
1 xícara de chá de leite de coco
2 tablete de caldo de camarão (eu particularmente prefiro com caldo de  galinha srsrs)
3 dentes de alho picadinho
1 colher de sopa de farinha de trigo
Cheiro verde
1 colher de chá de açafrão
1 caixa de creme de leite

Em uma frigideira aberta, aqueça o óleo, refogue a cebola,alho, pimentão, tomate, pimenta de cheiro os dois tabletes de caldo de camarão, acrescente o camarão, o açafrão e deixe cozinhar por sete minutos; acrescente o leite de coco e a farinha de trigo e dê o ponto de sal, caso necessite. Retire do fogo acrescente o  creme de leite e o cheiro verde e misture o arroz já cozido. Volte ao fogo por mais uns três minutinhos, mexendo sempre. Depois, servir quentinhooo.
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terça-feira, 14 de setembro de 2010

Bolinhos da coincidência

Depois de uma noite conturbada por pesadelos estranhos e reais, acordei com a cabeça pesada e levemente dolorida. Há quem diga que acordar com o canto dos pássaros é sempre um episódio que lembra a beleza de filmes românticos. Mas acredito que ninguém sabe o quanto pode ser infernal você acordar com dor de cabeça e ter próximo de você um hotel de pássaros (é assim que chamo uma árvore enorme que está no quintal da minha vizinha) gorjeando harmonicamente, todos felizes e radiantes...
Não que eu tenha acordado amargo, é que ás vezes a realidade surge espontaneamente para nos deixar mais avisados do que vem pela frente durante o dia. Depois de escovar os dentes, ainda não sabia o que comer no desjejum – é que sempre procuro variar essa refeição pro dia se tornar diferente.
Enquanto lembrava as cenas do filme Latter days, que tratava sempre da presença da coincidência na vida das pessoas, dentre outros assunto, fui à despensa pegar a farinha de trigo com fermento e logo peneirei uma xícara dela num boll de vidro que já tem a minha alma nele de tanto que o uso.

Deixei  a farinha de lado porque não sabia o que fazer  com ela. Se eu nem sabia o que eu ia fazer com o meu dia, imagina se saberia o que fazer naquela hora com aquela xícara de farinha peneirada... Larguei o boll com farinha em cima da pia.
Passando pela geladeira resolvi pegar dois ovos e comecei a bater até fazer uma espuma densa e firme. Firme como as atitudes que sempre tomei na vida, firmes como as mordidas o periquito australiano que criamos aqui em casa me dá quando quer brincar com meus dedos do pé.
A luz da manhã já invadia a cozinha e reluziu instantaneamente sobre o vidro de açúcar que estava na mesa, e fazia com que os cristais de açúcar brilhassem de um jeito que me convidasse a acrescentar o açúcar nos ovos batidos. E eu instintivamente peguei o vidro e coloquei 4 colheres de açúcar juntos dos ovos e continuei  batendo a mistura. Aproveitei também que o açúcar estava aberto e coloquei uma colherada de açúcar na minha boca – tenho este hábito desde criança.
 Mas naquele instante o açúcar me causou uma cede terrível pois ainda eu não havia comido nada nem bebido.Fui abrir a geladeira pra tomar um copo de água pra aliviar a invasão do açúcar no meu  paladar. De repente a caixa de maizena despencou da prateleira em que estava na geladeira, caindo nos meus pés – seria aquilo outro sinal?
Nem pensei duas vezes: esqueci de beber a água, peguei a xícara que utilizei para colocar a farinha de trigo que peneirei e medi nela, uma xícara de maizena. Depois coloquei  dentro da mistura de ovos com açúcar e mexi. Ficou meio mole. Comecei a rir da situação.

Peguei a farinha de trigo que peneirei e juntei à mistura na esperança de dar mais consistência. Até que resolveu.
Larguei a mistura ali na mesa e fui ligar o notebook pra ouvir música, como todos os dias. Aproveitei para ouvir a trilha sonora do filme (latter days), dei o play e como um raio, as ondas da canção me percorreram o cérebro, me dizendo o que eu deveria fazer com aquela mistura. Eu sabia...coloquei óleo pra esquentar e depois de quente fui fritando a massa ás colheradas.
Sequei os bolinhos com papel absorvente e depois misturei açúcar e canela pra polvilhar. Estavam lá os meus BOLINHOS DE CHUVA – os mesmo que faço pra animar os amigos tristes durante os dias de inverno. Inconscientemente ou coincidentemente meu cérebro sabia do que eu precisava  

Dias depois percebi que posso fazer bolinhos de chuva sem precisar  trazer  a chuva pra dentro de mim.

sábado, 11 de setembro de 2010

HOJE É 11 DE SETEMBRO! O QUE EU PRECISO COMER ANTES DE MORRER?

Hojé é 11 de setembro! O dia amanheceu lindo por aqui. Mas a nove anos, o dia também despertara lindo..

Lembro-me que fui tomar café e liguei a Tv para assistir o programa da Ana Maria Braga e de repente apareceu um avião se chocando nas torres gêmeas. E por mais lindo que o dia estivesse, aqui ou em qualquer parte do mundo, aquela imagem era estranha. Parecia cena de filme de ação, mas estava acontecendo em tempo real.

Deixei a comida de lado para prestar mais atenção nas narrativas que os jornalista faziam enquanto eu zapiava o controle remoto e via, em todas as emissoras, a mesma cena sendo repetida.

O mundo entrou num choque coletivo por não esperar nada daquilo. Principalmente que algo do gênero fosse acontecer com os EUA. Mas aconteceu. E diante dos olhos de milhares de expectadores num belo dia de sol.

E eu fiquei imaginando o que estaria se passando dentro do prédio naquele instante. Quanta gente morrendo e outras tantas tentando se salvar, salvar os outros. Voltei pro meu cafezinho e mastiguei o pão passado na frigideira com muita manteiga. Foi quando pensei: - deve ser terrível morrer de barriga vazia.

Não que fosse uma frase de humor negro. Porém a fome, em qualquer escala, é terrível também. Lembrando deste episódio deixo abaixo uma pequena lista de 10 coisas que você precisa degustar antes de fazer A VIAGEM.

As 10 coisas que você deve comer antes de morrer

1. Cobra

2. Café das montanhas azuis da Jamaica – conhecido pelo seu sabor suave sem amargura

3. Polenta

4. Lagosta thermidor

5. Rosquinha de pão e filé de salmão curado (Bagel and Lox)

6. Molho Mole (molho típico mexicano)

7. Peixe gato

8. Rose harissa – molho vermelho norte africano de pimentas bem picantes

9. Siri

10. Spam – espécie de presunto de porco enlatado

Na realidade este itens fazem parte de uma pesquisa norte-americana que elegeu 100 coisas que você precisa comer antes de morrer. Seja por sua real gostosura ou pela sua exoticidade. Vale a pena conferir toda a lista:
http://foodproof.com/blogs/view/post/100-things-you-should-eat-before-246/


Lagosta à Thermidor


• 3 lagostas (350g de carne)
• 2 colheres (sopa) de manteiga
• 3 colheres (sopa) de farinha de trigo
• meio litro de leite
• 4 colheres (sopa) de vinho branco seco (50ml)
• 200 g de champignons aferventado ou em conserva
• 4 gemas
• 1 pitada de pimenta-do-reino branca
• meia colher (sopa) de sal
• 200 g de queijo prato ralado
• 1 lata de creme de leite

Modo de Preparo

Cozinhe as lagostas em água fervente com sal por aproximadamente 15 minutos. Escorra-as, abra-as, retire toda a carne e corte em pedaços. Reserve. Aqueça a manteiga e doure a farinha. Junte aos poucos o leite e o vinho branco, mexendo sempre para não formar grumos. Acrescente os champignons e deixe o molho tomar consistência. Desligue o fogo e adicione as gemas, a pimenta, o sal, metade do queijo e o Creme de Leite , misturando bem após cada adição. Unte um recipiente refratário e disponha camadas alternadas de lagosta e creme. Polvilhe o restante do queijo ralado sobre a última camada de creme e leve o prato ao forno médio alto (200°C) por aproximadamente 15 minutos para gratinar. Sirva a seguir.

Dicas: Querendo servir a lagosta na própria casca, corte-a depois de fervida, segurando-a com o dorso voltado para baixo, separando as duas metades no sentido do comprimento e batendo a lâmina da faca com o martelo.

Que a paz cubra o mundo com suas graças; que a fome seja extinta através da caridad; que suas refeições sejam sempre deliciosas e fartas. Amém!

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Barriga de freira e o Suco de Capim

CAPIM SANTO
Eu estava sentado em uma das cadeiras da mesa da cozinha, tomando suco de capim santo (também conhecido por capim cidreira; chamo de suco mas na realidade é uma espécie de chá gelado). Eu sei, não cai muito bem dizer que eu estava tomando suco de capim, e ainda mais afirmar que trata-se de algo é gostoso. Mas esta é a realidade: não é um capim qualquer é gostoso e refresca.
  
Eu tomava aquilo pra me refrescar. Na tentativa de passar mais o calor do verão escaldante deste ano. Aprendi a fazer o suco/chá com... Nossa! Minha memória anda falha... lembrei....Como eu poderia ter me esquecido dela!?


Mônica. Foi ela quem me deu pra experimentar pela primeira vez o tal do suco... Continua sendo uma amiga das melhores que já passaram por minha vida, mesmo a gente não estando mais tão pertos hoje em dia.

Hoje ela é freira, aliás, da última vez que falamos, Mônica estava como secretária do Bispo do Crato (Ce) Sempre teve esta vocação para o meio religioso. E a pesar dos meus loucos comentários sobre este assunto com ela, Mônica sempre foi exemplo de virtudes e perseverança – sobretudo na vida religiosa numa época onde são raríssimos os interessados por esta carreira.

Sinto saudades das nossas longas e intermináveis conversas, sentados num banco de um determinado lugar; ou mesmo, nas nossas aventuras pelos interiores da cidade... Época boa demais. Muita loucura, muitos sonhos...
Adicionar legenda

E para homenagear esta amiga tão querida vou deixar a receitinha do suco de capim santo e outra de um doce que tem a minha cara de comédia – tal qual eram muitos dos nossos momentos.

Antes, porém, Amiga Mônica (agora devo ser formal),,, Quero dizer, querida amiga Irmã Mônica, te amo minha amiga, saudades suas.

Suco de Capim Santo



• Suco de 2 limões grandes
• 1 litro de água mineral
• Açúcar á gosto
• 1 maço de folhas de capim cidreira (aprox.12 folhas)
• 8 pedras de gelo

Modo de Preparo

Em um liquidificador, esprema o limão, acrescente as folhas de capim cidreira, o açúcar, a água e o gelo Bata tudo por 3 minutos e coe.


Barrigas de Freira em Pão-de-Ló e Regadas com Chocolate


150 grs. de Chocolate ao leite
1 colher de creme de leite (ou de nata sem sal)
16 gemas de ovos
6 claras
500 grs. de açúcar
1 xícara de chá de água
fatias de pão-de-ló
manteiga

Modo de Preparo

Leve ao fogo numa caçarola o açúcar misturado com a água. Deixe ferver até obter uma calda fraca. Numa tigela, bata muito bem as gemas com as claras. Deite um pouco de calda numa frigideira. Leve ao fogo e, quando levantar fervura, coza a gemada às colheradas. Depois da parte inferior dos doces ter solidificado na calda, deite por cima de cada um pedacinho de manteiga e acabe de apurar. Com uma espátula retire os doces e coloque-os sobre fatias de pão-de-ló. Regue com a restante calda previamente levada a ponto forte. Derreta o Chocolate m banho-maria. Retire do fogo e adicione 1 colher de sopa de creme de leite, misturando bem. Ponha os doces num prato de serviço. Em cima de cada doce, deite um pouco de creme de chocolate e sirva.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Chocolate: minha melhor loucura.

Eu sou quase um louco, demente total; um quase maníaco por chocolate!

Já fiz cada loucura na época em que o chocolate surpresa, da Nestlé, era uma barrinha com desenhos e a gente podia colecionar álbuns sobre dinossauros, cães, etc.

Não nego, nem nunca negarei, que o chocolate, assim como a música e alguns perfumes me tiram de órbita.
Não passo um dia sem provar ao menos uma colher de chocolate em pó. E se não tenho chocolate nas veias, sinto falta dele... Não sei como, mas sinto. Só odeio terminantemente os chocolates hidrogenados, aquilo é terrível. E eu consigo sentir a imensa quantidade de gordura neles; Como também não sou muito de andar comendo chocolate branco.
Eu filosofo comendo chocolate. Até achei pela internet, outro dia, um texto bacaninha que talvez represente bem a minha ligação com o chocolate, ele se chama COISAS QUE EU APRENDI SOBRE A VIDA COMENDO CHOCOLATE, e diz o seguinte:

• Se há uma pedra no meio do caminho, um bombom ajuda a superar;
• Não chore sobre o leite derramado, a não ser se for chocolate ao leite;
• Encontros secretos são como chocolate, saborosos e marcantes;
• Dinheiro não pode comprar amor mas pode comprar muuuuiiitttooo chocolate;
• Mantenha os olhos longe dos bombons alheios;
• Sogras são como calda de chocolate, um pouquinho já é o suficiente;
• Flores e champanhe podem enfeitar o palco, mas é o chocolate quem dá o show;
• Algumas trufas valem mais que 1 kg de qualquer coisa;
• Sobre chocolate: um é pouco, dois é bom, três é ótimo, quatro é maravilhoso, cinco é ... ideal;

• Você nunca realmente conhece uma pessoa até que divida uma caixa de bombons com ela;
• Chocolate é um alívio para dor de cotovelo;
• Um beijo é sempre gostoso, mas um beijo com gosto de chocolate é muito melhor;
• O verdadeiro amor permanecerá depois que os bombons acabarem, mas não se descuide e previna-se com outra caixa;
• Quando tudo está dando errado, coma um chocolate que melhora. Os problemas do mundo parecem menores quando se come um chocolate;
• E lembre-se: se a vida é uma caixa de bombons, saboreie intensamente um a um.

E para não ser modesto, não poderia colocar aqui outra receita senão de um dos melhores e mais aclamados bolos de chocolate do mundo, um dos que mais amo fazer pra devorar todo em seguida rsrsrsrs, ele chama-se CONCORD, anotem;



Para o suspiro
Ingredientes:
250 g de açúcar de confeiteiro
40 g de cacau em pó
250 g de claras
250 g de açúcar

Modo de preparo:
1. Recorte dois pedaços de 60 cm de papel-manteiga. Com uma caneta, desenhe 2 círculos de 20 cm de diâmetro em um dos pedaços de papel. No outro pedaço, desenhe apenas 1 círculo de 20 cm de diâmetro.

2. Cubra duas assadeiras retangulares grandes com os papéis desenhados.

3. Sobre uma tigela, peneire o açúcar de confeiteiro e o cacau em pó.

4. Na batedeira, bata as claras à velocidade baixa até começar a espumar. Junte um pouco do açúcar (normal) e continue batendo. Quando formar picos moles, adicione o restante do açúcar (normal) aos poucos, sem parar de bater, até terminar todo o açúcar. Desligue a batedeira.

5. Adicione a mistura de açúcar de confeiteiro e cacau em pó às claras em neve, mexendo delicadamente com uma espátula.

6. Transfira o creme de claras para um saco de confeitar. Preencha os círculos desenhados no papel, fazendo um caracol em cada círculo.

7. Com o creme que sobrar, faça tiras de suspiro que servirão para enfeitar o bolo.

8. Leve as assadeiras ao forno para assar a 120ºC (temperatura baixa) por 1 hora. O tempo de cozimento dos palitos é menor que o dos discos. Verifique se estão prontos depois de 30 minutos. A temperatura do forno deve ficar bem baixa. Caso o seu forno seja muito forte, deixe a porta dele entreaberta. Retire as assadeiras do forno e deixe esfriar.

Para a musse de chocolate
Ingredientes:
500 g de chocolate meio amargo
450 g de creme de leite fresco
120 g de claras
80 g de açúcar

Modo de preparo:
1. Numa tábua, pique o chocolate ao leite.

2. Transfira o chocolate picado para uma tigela refratária grande e leve ao microondas para derreter. Se preferir, derreta o chocolate em banho-maria. Para fazer o banho-maria, leve uma panelinha com um pouco de água ao fogo médio. Quando ferver, desligue e encaixe a tigela refratária com chocolate. A água não deve encostar no fundo da tigela, pois o calor do vapor é suficiente para derreter o chocolate. Assim que derreter, retire a tigela da panela, com cuidado para não se queimar. É muito importante não deixar o vapor entrar em contato com o chocolate, pois a água faz com que ele perca o brilho. Por isso, a tigela deve ser maior do que a panela com a água.

2. Na batedeira, bata o creme de leite fresco até o ponto de chantilly. Transfira o creme para uma tigela.

3. Lave e seque muito bem a tigela e as pás da batedeira para bater as claras em neve. Coloque as claras na tigela e bata até obter picos moles. Adicione uma parte do açúcar e continue batendo. Quando as claras estiverem mais duras, acrescente o restante do açúcar e bata até obter o ponto neve.

4. Adicione as claras em neve ao chocolate derretido e misture delicadamente com um fouet (batedor de arame) até obter uma mistura homogênea. Junte o creme de leite batido e misture com uma espátula.
MONTAGEM
1. Com uma faquinha, acerte os discos de suspiro para que todos fiquem com o mesmo tamanho.

2. Sobre uma superfície de trabalho, coloque um dos discos e cubra com um pouco da musse de chocolate. Coloque outro disco por cima e cubra a superfície dele com mais um pouco de musse. Repita o mesmo procedimento com o terceiro disco e cubra a superfície e as laterais dos três discos montados. Faça este procedimento rapidamente para que a musse não endureça antes de terminar.

3. Quebre os palitos de suspiro de chocolate em pedaços de 3 cm. Decore o bolo colando os bastões como na foto. Salpique com chocolate em pó.

4. Leve ao freezer para endurecer por 30 minutos. Se for servir no dia seguinte, deixe no freezer e retire 1 hora antes de servir.

FLAMBANDO À MEMÓRIA

Esta semana, enquanto eu pesquisava bibliografia para meus artigos científicos, encontrei um trabalho que eu havia feito na Faculdade – um projeto social destinado a uma escola pública, onde eu e uma equipe de amigos trabalharíamos cultura, gastronomia e turismo.

A nota do trabalho foi a mais alta da classe. Lembro-me bem disso até porque ela continua escrita na capa do trabalho junto com frases de elogio que a professora deixou por lá. De fato, o trabalho estava bom. Fomos a única turma da sala que conseguiu concluir as atividades sem ter evasão de turma, sem contar que nossas turmas eram as maiores do que as das outras equipes.

Daí, lembrando disso me veio ao pensamento alguns episódios gratificantes vivenciados durante o desenvolvimento do trabalho, como por exemplo: saber que com o material didático desenvolvido por mim  responsável pela melhoria na qualidade e na variedade das refeições dos alunos naquela escola. E isso foi além da escola. Pois algumas das mães, selecionadas pela diretoria da escola, juntamente com as merendeiras, eram o meu alvo de ensino.

De todas as muitas situações que ocorreram na cozinha daquela escola durante minhas aulas de gastronomia uma em especial sempre me vem à memória quando lembro daquele projeto. Esta lembrança foi exatamente o motivo para a elaboração do texto de hoje. Episódio que contarei a seguir,

Apesar de eu ter desenvolvido o projeto todo, os demais participantes da equipe eram responsáveis pelas apostilas dos seus respectivos cursos. Eu, tendo ficado com aulas de gastronomia, resolvi trabalhar receitas típicas do dia-a-dia, e que apresentavam relações com culturas internacionalizadas, colocando elementos regionais e mais conhecidos na mesa cearense. Durante as aula eu procurava sempre mostrar cada ingrediente (que poderia ser sentidos de todas as maneiras) e fazer a receita original para que em seguida pudesse explicar como ocorreu suas variação ao longo do tempo. A prática de cada prato era feita por todas as alunas e eu fazia questão de que todas pudessem sentir aromas, texturas, gostos, realizar cortes, diferenciar os tipos de cocção, aprender os serviços de mesa,etc.

Um das receitas foi o estrogonofe, prato escolhido por estar sempre presente nas mesas das comemorações populares da região. Enquanto iniciávamos a mise en place, uma das alunas saiu para atender ao telefone. Era ela uma senhora de meia idade super concentrada, esforçada e com vontade de aprender para apresentar em casa as novidades gastronômicas que estava descobrindo naquela cozinha. A ligação dela durou certo tempo e quando ela retornou a cozinha, logo da porta ,começou a gritar: - “Água, joguem água que a panela esta pegando fogo!” Aquilo foi motivo de riso para todos nós que estávamos ali. Pois estávamos trabalhando a técnica de FLAMBAR...



UM POUCO DE HISTÓRIA

A técnica da flambagem nasceu por acaso, tornando-se um dos ícones para representar a alta gastronomia.

Conta a história, que num dia frio de inverno, um Chef de cozinha resolveu adicionar a uma receita experimental um pouco de conhaque, no intuito de fazer com que o álcool contido na bebida, pudesse deixá-la mais quente e saborosa. Porém para sua surpresa, ao despejar a bebida de uma vez na panela próximo ao fogo ela incendiou, ele imediatamente tirou a panela do fogo e abafou com uma tampa para não se queimar, quando fogo apagou ele que já havia pensado "arruinei minha receita", resolveu experimentar o sabor. E para os eu espanto ele tinha acabado de fazer uma grande e maravilhosa descoberta: o prato havia ficado com todo o sabor do conhaque, sua textura havia se modificado, a temperatura do alimento ficara mais alta em poucos segundos e todo o álcool havia sumido. Estava descoberta a flambagem.

Para os Chef's mais conservadores, flambar de verdade só com conhaque. Contudo os que gostam de variar utilizam: Whisky  saquê, vinhos prematuros com um teor alcoólico mais alto, bourbon, vodka e no Brasil se usa até a cachaça pura ou frutada. Abaixo seguem algumas dicas do que costumo usar para flambar os alimentos

Licor

Uso para flambar frutas, sobremesas, peixes e frutos do mar

Whisky

Uso em carnes de caça, nas Carnes com ervas aromáticas e em cordeiro
Vinho tinto

Carnes vermelhas em geral e nos frangos de molhos mais encorpados

Vinho branco

Nos peixes, frango e frutos do mar

Conhaque

Nas frutas, sobremesas, carne bovina e frutos do mar

Cachaça.

Uso exclusivamente na suína e nas sobremesas mais regionais

Contudo, eu não ficaria “bem na fita” se simplesmente colocasse aqui uma simples receita flambada. De modo que achei em meus arquivos um texto poético que servirá bem para demonstrar a simbologia especial da técnica de se flambar os alimentos. O texto de autoria de Cris da silva que pode ser visualizado do site: http://www.sensibilidadeesabor.com.br/ , e tem como título:



Os raios de sol entravam pela janela da cozinha, e apenas tangenciavam o prato de vidro onde os morangos descansavam, majestosos em seu vermelho molhado.

Do cabelo displicentemente preso na nuca, escapavam umas mechas que lhe caíam sobre o rosto delicado, e sobre os ombros nus, deixados a descoberto pela blusa branca. Acompanhava timidamente o bolero que tocava no rádio, cuja fascinação se tornava cúmplice de toda a euforia que a inebriava. Ele estava de passagem pela cidade, e faria uma visita breve, apenas para matar a saudade dos beijos e juras de amor. Há dois anos se contentava com estes momentos fugazes, que se perpetuavam em recordações de risos, olhares, mãos e bocas se envolvendo, se confundindo até se tornarem um só. O cheiro da pele dele se impregnava na sua, e assim permanecia tênuamente forte até ao próximo encontro.

Picou meia xícara de nozes, e reservou-as a um canto da mesa. Em seguida, com o pensamento transportado à expectativa do encontro e às lembranças que o envolviam, enquanto mergulhava as mãos na água límpida que escorria da torneira, lavou algumas folhas de hortelã, e reservou-as também. Numa panela pequena colocou três gemas, previamente passadas pela peneira, duas colheres (de sopa) de açúcar, uma colher (de café) de essência de baunilha, e uma xícara de creme de leite. Levou ao fogo até ferver, mexendo (sempre no sentido horário, em obediência ao ritual a que se entregava). Despejou serenamente o creme num prato fundo, verde, de porcelana. Olhou a mesinha no pequeno jardim, coberta por uma toalha branca, e desenhou um sorriso nos lábios. No rádio, o bolero fora substituído por uma rumba que lhe dava cadência aos quadris.


Pegou uma frigideira, derreteu uma colher (de sopa) de manteiga, espalhou por ela os morangos cortados ao meio, acrescentou uma pitadinha de açúcar, esperou dois minutos, e regou-os com meia xícara de conhaque. Inclinou levemente a frigideira para que o fogo fosse atraído pelo álcool, e deixou que as chamas preenchessem toda a área interna do recipiente, flambando os morangos. Deliciava-se com a visão do calor alaranjado, enquanto a espera lhe aquecia a alma, fazendo todo o seu corpo arder de saudade e desejo.

Deitou os morangos sobre o creme branco, mas era para os lençóis brancos que escapava o seu pensamento, e para os prazeres que o aconchego destes lhe proporcionava, na companhia do homem que se tornara dono do seu corpo e do seu coração. Polvilhou-os com as nozes picadas , e deu um toque final com as folhas de hortelã. Contemplou o prato, envaidecida pela obra-prima que acabara de criar. O toque da campainha. É ele com certeza. (Na hora certa, porque este manjar precisa ser saboreado ainda quente). Solta os cabelos, segura o coração, e corre para a porta. Não sabe se ri, se chora, ou se permanece em silêncio, mas os seus olhos encontram nos dele e na mala que carrega, a promessa de que esta será apenas a primeira, entre tantas outra manhãs de outono, de uma vida a dois.



E para acompanhar que tal um boa música? Pensando na ocasião, em querer agradar, deixo abaixo um vídeo de uma cantora americana que muito gosto.