sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Festas de Aniversário e as Filhoses

Outro dia me peguei reclamando que nunca mais tinha ido a uma festa de aniversario como as de antigamente - onde se tinham muitas novidades à mesa para impressionar aos convidados e que tais inovações gastronômicas faziam parte de um protocolo invisível direcionando o serviço da festa.
Isso me remeteu  à minha festa de aniversário de três anos, faz tempo, mas me lembro de muitos detalhes, sobretudo das inúmeras quantidades de filhoses cobertas com açúcar e canela (na minha cidade essa delícias eram chamadas de sonhos portugueses); lembro-me bem do bolo confeitado de amarelo com branco e da mesa decorada com muitos coelhos amarelos – é que faço aniversário em abril, depois da páscoa, e além disso eu ainda tenho coelho no sobrenome rsrsrsrs.
Minha festa de 3 anos - eu adorava esta roupa xadrez com suspensório srrsrsrsrs
Por esses motivos, resolvi falar das festas de aniversários e da mágica que as envolvem. Vejamos:
Os vários costumes de celebração de aniversários natalícios das pessoas hoje em dia têm uma longa história. Suas origens acham-se no domínio da mágica e da religião.
Os costumes de dar parabéns, dar presentes e de celebração - com o requinte de velas acesas - nos tempos antigos eram para proteger o aniversariante de demônios e garantir segurança no ano vindouro. Até o quarto século, o cristianismo rejeitava a celebração de aniversário natalício como costume pagão.
Os gregos criam que cada um tinha um espírito protetor ou gênio inspirador que assistia seu nascimento e vigiava sobre ele em vida. Este espírito tinha uma relação mística com o deus em cujo aniversário natalício o indivíduo nascia. Os romanos também endossavam essa ideia.


O costume de acender velas nos bolos começou com os gregos -  o uso de velas também teria sido herdado do culto aos deuses antigos, que tinham a missão de levar, por meio da fumaça, os desejos e as preces dos fiéis até o céu, para que eles fossem atendidos.
Bolos de mel redondos como a lua e iluminados com velas eram colocados nos altares do templo de Ártemis. As velas de aniversário, na crença popular são dotadas de magia especial para atender pedidos.


Acreditava-se também que as saudações natalícias tinham poder para o bem ou para o mal, porque a pessoa neste dia supostamente estava perto do mundo espiritual.
O primeiro registro histórico de uma festa de parabéns data do ano 3000 a.C., no Egito. Mas, nessa época, não era um hábito para qualquer um. Só os faraós mereciam a honra.
Os gregos adotaram deles a prática elitista e passaram a festejar mensalmente aniversário dos deuses. Com o tempo, o costume foi se estendendo para os plebeus. Os romanos copiaram a ideia e a comemoração entrou para o calendário anual deles. Os festejos eram chamados Dies Sollemnis Natalis, mas destinavam-se apenas ao imperador, sua família e aos membros do Senado Romano.
Nos primórdios do Cristianismo, o costume foi abolido. Os cristãos, perseguidos, achavam que não havia motivo nenhum para festejar o nascimento. Muito mais atenção merecia a morte considerada como a passagem para a vida eterna.
Foi só no século IV que a Igreja começou a celebrar o nascimento de Cristo. Daí ressurgiu o hábito de se festejar aniversários com bolo, música e presentes.
Presente: o hábito de presentear o aniversariante surgiu no antigo Egito. Em Roma, os imperadores também distribuíam mimos. Durante a Idade Média, na Alemanha, uma espécie de Papai Noel dos aniversários levava os pacotes para as crianças.
Bolo e velinhas: os gregos antigos festejavam a deusa da Lua, Ártemis, dia 6 de todo mês, com uma torta coberta de velas. O hábito foi retomado na Idade Média pelos alemães, nas kinderfeste, festa de aniversários para crianças.

Altar de Artemis num Templo Norteamericano
 Parabéns pra você: a melodia foi composta em 1893 por Mildred Hill, um organista do Kentucky, Estados Unidos. A canção era usada para saudar os alunos de uma escola. A letra original foi alterada em 1924 e ficou parecida com a que cantamos hoje.

AS FILHOSES DE MEU ANIVERSÀRIO

É impressionante a capacidade do ser humano de registrar as coisas! A minha memória olfativa e gustativa, por exemplo são verdadeiras delatoras de coisas sentidas e experimentadas no passado. Prova disto são os Filhós que me referi no texto acima.
Naquela época (1985) eu completara três anos de idade no dia 29 de abril.  Lembro-me bem da movimentação enorme de pessoas lá em casa. Não sei ao certo o que mais faziam na cozinha, mas ainda está nitidamente gravada a cena da feitura das Filhós. 

Filhós no ferro
Acredito eu, que talvez esta cena tenha sido o ponto de partida para o meu interesse gastronômico pois eu estava completando meus três anos de vida e não saía de cima das pessoas que preparavam os Filhós. Aqui, vale uma ressalva: naquela época, lá em casa, as filhós eram chamados de sonhos portugueses – não sei porque, mas era assim que eram chamadas.
A pessoa que preparou as filhós pra minha festa de aniversário se chama Fátima, ou como  costumávamos chamar intimamente, Fátima da dona Olindinha. Fátima, mulher jovem que era agregada na casa de uma grande amiga de minha avó materna que se chamava Olindinha – até hoje não sei o verdadeiro  nome desta senhora era Olindinha ou Olindina... o que importa é que tanto Fátima como a D. Olinfinha eram conhecidas por nós como  excelentes na cozinha, em tudo que faziam *eu amava os doces de leites que elas faziam e mandava lá pra casa) e, assim, sendo, acredito que minha mãe ou minha avó  pediu pra Fátima fazer as Filhós. Com a massa pronta, no alpendre do quintal, a massa das filhós era mergulhada numa estrelinha de ferro  que depois era colocada dentro de um tacho cheio de óleo quente, e a massa era frita e desgrudava do  ferro.
 Eu achava lindo ver a estrelinha de massa se transformando  em flores de massa frita; e a melhor parte, depois de frita as filhós era cobertas com açúcar e canela. Pronto estav feita uma delicia! 
Ferro para Filhós - modelo espiral resultado parecido com uma rosa.

Pena que a foto esta meio turva e não dá pra ver as Filhós nos pratinhos...
 Esta lembrança me perdurou por ano. Por que lá em casa não tinha os ferrinhos pra fazer filhós. Até que mais tarde, eu devia ter uns 14 anos, na feira da cidade, eu passeando com meu avó, encontrei um ambulante vendendo os ferrinhos  de fritar filhós e pedi meu avó pra comprar. O pacotinho de plástico vinha com dois  ferrinhos em formatos diferente, um em estrela com a forma de um asterisco ( *) e o outro, na forma espiral. Vinha ainda um pequeno papel com a receita, pra não errar. Depois de comprar a valiosa aquisição fui pra casa e passei  a tarde fritando  filhós, lembrando dos tempos dourados e de como era bom comer aquilo.

Atualmente descobri que as filhós é um doce tipico português feito  nas épocas natalinas. E que possuem variações de preparo, sendo as Filhós no Ferro uma delas. Não tenho ideia como a receita chegou na cidade em que morei  boa parte da minha vida. Talvez por ser a única cidade da chapada da Ibiapaba que não fora aldeia indígena, povoada por descendentes de europeus, não sei...
Fui atras de saber a origem do doce. E está ai outra curiosidade que vou  ficar investigando. Porém, se sabe que já existiam no século XVI, pois já Gil Vicente escreveu sobre elas:
“mando-vos eu sospirar pola padeira d’Aveiro que haveis de chegar à venda e entam ali desalbardar e albardar o vendeiro senam tever que nos venda vinho a seis, cabra a três pão de calo, filhós de manteiga moça fermosa, lençóis de veludo casa juncada, noite longa chuva com pedra, telhado novo a candea morta e a gaita à porta. Apre zambro empeçarás olha tu nam te ponha eu o colos na rabadilha e verás”.
        Enquanto eu escrevia este texto, fiquei na dúvida de como colocar os artigos das Filhós. E fui  buscar um pouquinho mais de informação: Quanto à etimologia, filhós vem do latim filiola, que significava filha pequena.
       E como filhós é tão bom, que todos gostam de comer e ninguém se farta, pode ser é tanto masculino, como feminino, tanto singular, como plural.    Comem todos: o filhós, a filhós, os filhós, as filhós.
Há quem use no singular filhó, mas parece-me que está errado.   Nos séculos XIV e XV usava-se filhó por filho, e talvez por detrás desse uso se esconda a origem do bolo.  Não sei!
 E há também quem use no plural filhoses e também filhozes.   Este plural já entrou no costume, e portanto, segundo os dicionários,  não é errado.Nos Açores chamam-lhes “malassadas”.


Filhós no Ferro

300 grs de farinha
1 pitada de sal
3 ovos grandes
30 grs de açúcar
5 colheres (sopa) de sumo de laranja (natural)
½ litro de leite
50 grs de manteiga
açúcar e canela p/ polvilhar

PreparoPeneire a farinha com o sal para dentro de uma tigela e faça um buraco no meio. Junte os ovos batidos, o açúcar e o sumo de laranja. Misture bem e adicione o leite, aos poucos. Passe a mistura por um passador de rede e junte-lhe a manteiga derretida. Aqueça uma boa porção de óleo num recipiente fundo. Introduza nele uma forma própria para estas filhós, para a aquecer. Mergulhe-a depois na massa sem chegar ao rebordo superior. De imediato, mergulhe-a no óleo quente (devendo ficar completamente submersa). Sacuda a forma para soltar a filhó e retire-a com uma escumadeira lisa. Repita esta operação para fritar a restante massa. Sirva as filhós polvilhadas com açúcar e canela.

Nota:
As filhós podem ficar mais ou menos altas e decorativas dependendo da configuração da forma usada. A forma deve ser mantida suspensa pelo cabo enquanto a filhó não se soltar.

Sabia que…
«O plural de filhó é filhós. Mas esta forma é tomada vulgarmente por singular.. E o povo diz filhozes por analogia com nozes, vozes, etc. Em português também já houve os plurais ourívezes, arrozes, etc. Escrever filhoz é erróneo.»
Vasco Botelho do Amaral, in Dicionário de Dificuldades da Língua Portuguesa (Editora Educação Nacional, Porto, 1938)

domingo, 31 de outubro de 2010

Samhain - A Morte do Deus


Quando chega o dia de hoje a maioria dos seres que encaram a mágica do mundo como algo intrínseco ao homem encaram o  dia 31 de outubro com dia de Festa pois trata-se do Dia de Samhaim.
Místicos, bruxas, magos e afins dedicam, pelo menos, alguns minutos do seu tempo  neste dia 31 de outubro para agradecer e refletir. Porém, muitos desavisados e curiosos que afirmam praticar “bruxaria” fazem deste dia uma comemoração a forças ocultas...

Para desmistificar um pouco dos segredos desta comemoração tratarei hoje sobre este assunto.
Samhaim (em irlandês Samhain) era o festival em que se comemora a passagem do ano dos celtas. Marca o fim do ano velho e o começo do ano novo. O Samhain inicia o inverno uma das duas estações do ano dos celta, o início da outra estação, o verão, é celebrado no festival de Beltane.
Para muitos estudiosos, grande parte da tradição do Halloween, do Dia-de-Todos-os-Santos e do Dia dos Finados pode ser associada ao Samhaim. O Samhaim era a época em que acreditava-se que as almas dos mortos retornavam a casa para visitar os familiares, e para buscar alimento e se aquecerem no fogo da lareira. Outros pesquisadores, porém, acreditam que não existe nenhuma evidência que relacione o Samahin com o culto dos mortos e que esta crença se popularizou no século XIX. Segundo o relato das antigas sagas o Samhain era a época em que as tribos pagavam tributo se tivessem sido conquistadas por outro povo. Era também a época em que o Sidhe deixava antever o outro mundo.

Essa é a noite em que o véu que separa o mundo material do mundo espiritual encontra-se mais fino e o contato com nossos ancestrais torna-se mais fácil. É também o momento tradicional para celebrar a última das colheitas e se preparar para o Verão.
O poder de magia pode ser sentido no ar, nessa noite. O Outro Mundo se coaduna com o nosso conforme a luz do Sol baixa e o crepúsculo chega. Os espíritos daqueles que já partiram para o outro plano são mais acessíveis durante a noite de Samhain.

Samhain ocorre no pico do Outono. É o tempo do ano em que o frio cresce e a morte vaga pela Terra. O Sol está enfraquecendo cada vez mais rapidamente, a sombra cresce e as folhas das árvores estão caindo, numa preparação ao Inverno que chegará. Essa é a última colheita, o tempo em que os antigos povos da Europa sacrificavam seus gados e preservavam sua carne para o Inverno, pois esses animais não podiam sobreviver em grande escala nesse período do ano devido ao frio vindouro. Só uma pequena parte, os mais viris e fortes, era mantida para o ano seguinte.
Samhain é a noite em que o Velho Rei morre e a Deusa Anciã lamenta sua ausência nas próximas seis semanas. O Sol está em seu ponto mais baixo no horizonte, de acordo com as medições feitas através das antigas pedras da Britânia e da Irlanda, razão pela qual os Celtas escolheram esse Sabbat, em vez de Yule, para representar o Ano-Novo. Para os Antigos Celtas, esse dia sagrado dividida o ano em duas estações, Inverno e Verão. Samhain era o dia no qual começavam o Ano-Novo celta e o Inverno, por isso era um tempo ideal para términos e começos.
É o dia ideal para honrar os mortos, pois nele os véus que separam os mundos estão mais finos. Aqueles que morreram no ano passado e aqueles que estão reencarnando passam através dos véus e portais nesse dia. Os Portões das Sidhe estão abertos e nem humanos nem fadas precisam de senhas para entrar e sair.

Em Samhain, o Deus finalmente morre, mas sua alma vive na criança não-nascida, a centelha de vida no ventre da Deusa. Isto simboliza a morte das plantas e a hibernação dos animais, o Deus torna-se então o Senhor da Morte e das Sombras.
Samhain é um festival do fogo e é a entrada para a parte sombria e fria da Roda do Ano. É em Samhain que as fogueiras são acesas para que os espíritos do outro mundo possam encontrar os caminhos para partirem ao Outro Mundo (País de Verão).
Samhain é o tempo de lembrarmos com amor aqueles que partiram para o outro lado, por isso é chamado de a Festa Ancestral. Toda a família, ou grupo, se reúne para reverenciar os que já partiram. É muito comum nesse Sabbat se realizar uma ceia em silêncio, conectando-se com aqueles que já cruzaram os portais dos mundos. É tradicional também deixar um lugar à mesa para os ancestrais e lhes servir pratos como se eles estivessem presentes à ceia.

Para aqueles que não têm família para festejar e celebrar seus ancestrais, alimentos geralmente são deixados do lado de fora de casa, na porta de entrada, em homenagem aos familiares e amigos desencarnados. É também tradicional deixar uma vela acesa na janela da casa para ajudar a guiar os espíritos ao longo de sua caminhada ao nosso mundo para que possam encontrar o caminho de volta.
De acordo com os antigos celtas, havia apenas duas divisões do ano que iam de Beltane a Samhain (Verão) e de Samhain a Beltane (Inverno).
Beltane

Samhain é um dos quatro grandes Sabbats e muitas vezes é considerado o Grande Sabbat.
Por ser o maior de todos e o mais importante também, todos os Pagãos consideram Samhain como a noite mais mágica do ano. Muitas práticas adivinhatórias foram associadas a Samhain, as mais comuns eram aquelas que prenunciavam casamentos e fortunas para o próximo ano que estava se iniciando.
Uma das tradições mais comuns praticadas pelos povos antigos era a de colocar várias maçãs em um grande barril de água. Várias mulheres se reuniam em volta do barril, e a primeira que conseguisse pegar uma das maçãs seria a primeira a casar no próximo ano.
Na Escócia, colocavam-se pedras entre as cinzas da lareira, deixando-as "descansar" durante a noite. Se alguma pedra fosse descoberta durante a noite, representaria a morte iminente durante o próximo ano de um dos moradores da residência.
Sem sombra de dúvida a prática mais famosa do Samhain é o Jack O'Lantern (máscaras de abóboras), que sobrevive até hoje nas modernas celebrações do Halloween.

 Vários historiadores atribuem suas origens aos escoceses, enquanto outros lhe conferem origem irlandesa. As máscaras eram utilizadas por pessoas que precisavam sair durante a noite de Samhain. As sombras provocadas pela face esculpida n abóbora tinham a virtude de afastar os maus espíritos e todos os seres do outro mundo que vinham para perturbar. Máscaras de abóboras também eram colocadas nos batentes das janelas e em frente à porta de entrada para proteger toda a casa.
O costume norte-americano de vestir-se com trajes típicos e sair pelas casas dizendo Trick or treating, nas noites de Halloween, é de origem céltica. Nos tempos antigos, o costume não era relegado às crianças, mas sim aos adultos. Em tempos ancestrais, os vagantes iam cantando cânticos da época de casa em casa e eram presenteados com agrados pelo seus habitantes. O Treat (presente) também era requerido pelos espíritos ancestrais nessa noite através de oferendas.
O Deus neste período é identificado com os animais que eram sacrificados para continuidade da vida.
Samhain é um tempo para a reflexão, no qual olhamos para o ano mágico que passou e estabelecemos as metas para nossa vida no ano que entra.

Correspondência de Samhain
Alfabeto bruxo

Cores: preto e laranja

Nomes Alternativos: Festa de Todos os Santos, All Hallows, Mischief Night, Hallowmas, Noite de Saman, Samaine, Halloween, All Hallows Eve.

Deuses: Deuses Anciãos, a Deusa na sua face da Anciã, o Deus como o Senhor das Sombras.

Ervas: nós-moscada, sálvia, menta, mirra, patchuli, artemísia, alecrim, musgo, calêndula, louro, mandrágora.

Pedras: obsidiana, floco de neve, ônix, cornalina, turmalina negra, âmbar, granada, hematita. Atividades:
Tomar resoluções para serem colocadas em prática no próximo ano que se inicia. Queima de pedidos.
Confeccionar um Jack O'Lanterna.

Fazer oferendas de maçãs e pães no jardim dos ancestrais.
Adivinhação através do Tarô, das Runas, da bola de cristal, da vidência em espelho negro e caldeirões com água.
Fazer máscaras que expressem a sua sombra.
Confeccionar vassouras.
Confeccionar um Bastão Mágico.
Confeccionar uma Witch's Cord (Corda de Bruxa) para proteção durante o decorrer do ano.
Acender uma vela laranja à meia-noite para atrair sorte no ano que se inicia.
Erigir um Altar com a foto de seus ancestrais amados e colocar oferendas sobre ele, demonstrando seu agradecimento e reconhecimento pelos feitos deles na Terra.
Comidas e Bebidas Sagradas: maçã, romã, nozes, cidra, vinho quente, abóbora, chá de ervas, batata.

Pão de Samhain
Ingredientes:
1 tablete ou 15 gramas de fermento biológico
2 colheres rasas de água morna
1 xícara de chá de leite quente
1/4 xícara de chá de mel
1/2 colher de chá de sal
2 xícaras de chá de farinha de trigo
1/2 xícara de chá de fubá
1/2 xícara de chá de farinha de trigo integral
Modo de fazer:
Dissolva o fermento na água morna e deixe descansar por 15 minutos. Em um tigela, misture o leite, o sal e mel ao fermento dissolvido. Aos poucos, acrescente a farinha de trigo, o fubá e a farinha integral. Mexa com uma colher de pau no sentido horário, pensando em seu sucesso. Deixe a massa descansar até atingir o dobro do tamanho, amasse-a, coloque-a em formas de pão e espere crescer. Asse em forno médio.


sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Pro seu Dia das Bruxas...



Este ano uma coisa bacana vai acontecer em pleno dia das bruxas; será dia de eleição no Brasil. E a bruxa vai estar solta....

31 de outubro é o dia em que se comemora-se o Halloween, A Noite das Bruxas. festa muito tradicional nos países de língua Inglesa. E deste, se destaca as festas realizadas nos Estados Unidos, nação que ajudou a espalhara  comemoração pelo  mundo.
Halloween significa All Hallow´s Eve (véspera de Todos os Santos)e é uma festa de origem celta. Há 2.500 anos, os antigos celtas (que povoavam parte do norte da Europa e Ilhas Britânicas) celebravam o fim do ano quando acabava o verão, que para eles era no dia 31 de outubro. Os celtas pensavam que este dia os espíritos saíam de suas tumbas e por isso decoravam as cabanas com ossos e objetos desagradáveis que era para afugentá-los.
Atualmente o Halloween é celebrado nos países anglo-saxões e nesta noite as pessoas se fantasiam de monstros e as crianças pedem doces e guloseimas nas casas que costumam estar decoradas com abóboras assustadoras.

O Halloween acabou sendo exportado para outros países graças aos filmes e às séries de televisão que costumam mostrar esta festa como algo divertido. E realmente é muito legal, porque nós podemos nos fantasiar de vampiros, bruxa, zumbi, etc e isto pode ser divertido. Se você não quer se fantasiar, pode apenas reunir suas amigas e alugarem uns filmes de terror. Os clássicos sempre fazem sucesso: O Exorcista, Poltergeist, Chuky,...
No Brasil, Para ir a favor do regionalismo, se criou o Dia do Saci, exatamente no dia em que se comemora o Halloween. De toda forma, qualquer fonte de alegria e diversão é bem  vindo.
Vejamso mais explicações sobre esta festa:



E Para ajudar na sua diversão deixo umas receitinhas pra entrar no clima macabro que a festa exige.


Black Magic Cake
Ingredientes:
2 xícaras de açúcar
1 e 3/4 xícaras de farinha de trigo
3 / 4 de xícara de cacau em pó
2 colheres de chá de bicarbonato de sódio
1 colher de chá de fermento em pó
1 colher de chá de sal
2 ovos
1 xícara de manteiga ou leite azedo *
1 xícara de café preto forte ou 2 colheres de chá de café em pó instantâneo em 1xicara de água fervente
1 / 2 xícara de óleo vegetal
1 colher de chá de extrato de baunilha

Aqueça o forno a 350 ° C. Unte e enfarinhe uma assadeira média e reserve; Misture o açúcar, farinha, cacau, o bicarbonato, o fermento e o sal em uma tigela grande. Adicione os ovos, manteiga, óleo, café e baunilha, bata em velocidade média da mistura de 2 minutos (Massa será fina). Despeje a massa uniformemente em formas preparadas. Asse por30-35 minutos. Deixe esfriar completamente. Recheie e decore a gosto, como desejado.
* Para o leite azedo: Use 1 colher de sopa de vinagre branco para cada copo de leite.

Batido de sangue vampiresco

2 iogurtes naturais;
1 pacote de morangos (ou amoras) congelados (estão fora de época, sabes…);
12 cubos de gelo;

Misture tudo no liquidificador. Depois, servir em copos com gelo no fundo e banhados com groselha de morango.




ROSTO DE CADAVER


Ingredientes
Face molde (máscaras em uma loja de artigos de arte)
Queijo bola para os olhos do seu  molde
Queijo Creme para unir
Finas fatias de presunto
Azeitonas para decorar os olhos
Bolachas de coquetel  para servir

Cubra a mascara de plástico duro com filme plástico e va colocando camadas de presunto unidas com queijo creme que ajudara a dar o formato que o rosto  terá. Em seguida coloque os olhos e pronto. Coloque numa bandeja, disponha as bolachas e enfeite com azeitonas



domingo, 24 de outubro de 2010

O Caso da Coxinha Imperial: uma história para a criação da coxinha de frango – um dos salgadinhos mais populares do Brasil

Caros amigos, hoje à tarde eu iniciei uma busca que me deixou numa curiosidade terrível. Eu buscava por temas interessantes para dividir com vocês, foi quando me deparei com uma história que, no mínimo, me deixou de cabelo em pé.

E iniciava como mais um caso de doença metal entre um membro da família imperial brasileira, e que serviu como pano de fundo para o surgimento de uma invenção da cozinha brasileira das mais conhecida: a coxinha de frango, um salgadinho que conquistou o paladar de nobres e plebeus. Antes, porém, devo explicar o que me ocorreu...


Depois que encontrei uma informação sobre a possível ligação de um príncipe imperial do Brasil com o surgimento do quitute, eu fui atrás de saber qual príncipe era este. Baseado no relato que apontava que um filho da princesa Isabel do Brasil teria uma doença mental, e por não ter encontrado menções em documentos (na internet e em bibliotecas) sobre a enfermidade que acometia a um dos filhos de d. Isabel em alguns documentos resolvi me contactar com o serviço de atendimento da Casa Imperial do Brasil (http://www.monarquia.org.br/portal/), para que eles me esclarecessem a dúvida. Porém, até a data de publicação desta postagem eu não obtive um retorno deles.
Enquanto aguardava um retorno da Casa Imperial Brasileira e continuei pesquisando sobre o curioso tema. Mas para lhes adiantar sobre o fato, vou lhes contar a história que me deixou com umas pulgas atrás da orelha. O que está escrito aqui para relatar o surgimento da coxinha de frango, foi retirado do livro: ‘HISTÓRIAS E RECEITAS, de Nadir Cavazin, 2000, realizado pela Sociedade Pró-Memória de Limeira-SP’.
Determinados trechos da obra citada anteriormente falam de visitas de membros da família imperial feitas à cidade paulista de Limeira. Explica-se no texto que, oficialmente, a história da cidade registra duas idas do Imperador Dom Pedro II e da Imperatriz Tereza Cristina a Limeira. E que essas visitas oficiais (formais) teriam ocorrido uma em agosto de 1876, e outra, a mais demorada, em outubro de 1886, quando, após participarem da Missa da Matriz e recepção domiciliar por parte de cidadãos ilustres, foram hóspedes na Fazenda Morro Azul.  No entanto, contam os antigos moradores da cidade, que na informalidade era intenso o intercâmbio de habitantes daquela região com a nobreza imperial.
O mais curioso para mim foi a existência de um relato de difícil confirmação histórica (que se tornou o real motivo de minha pesquisa e se tornou minha dúvida vespertina) que relatava a história de um príncipe imperial, filhos da Princesa Isabel e do Conde D’Eu, vivendo Fazenda Morro Azul. Ele se encontrava longe da corte porque seria considerado deficiente mental.

Diziam que essa criança exigia intensos cuidados na alimentação, e "quando cismava em não comer" – explicavam os antigos moradores – “dava um trabalho danado! Por outro lado, se apreciava um alimento, não havia o que chegasse! Queria mais e mais! As coxas de galinha constituíam a sua predileção. O peito, as asas e os demais pedaços eram rejeitados e servidos as outras pessoas".

Princesa Isabel, Conde D’Eu e seus filhos, 1885

A cozinheira da fazenda, certa vez, não tendo o número suficiente de frangos "no ponto" e prevendo a gritaria do menino, pela falta de sua apreciada comida, resolveu transformar uma galinha inteira em ‘coxas’. Preparou a seu modo a receita e o sucesso foi total. O principezinho gostou tanto que as "coxinhas de galinha" passaram a fazer parte de suas refeições.

A Imperatriz, quando veio a Limeira quis saber tudo sobre seu neto e ao observar com que prazer o pequenino saboreava a iguaria, não resistiu e a provou. Gostou tanto que solicitou que o modo de preparo fosse fornecido ao mestre da cozinha imperial. Assim, a humilde coxinha de galinha teve seu tempo de nobreza pelo acesso à corte, e aos altos salões graças a esta receita "provada e aprovada por especial indicação de Sua Majestade Imperial, a Imperatriz Tereza Cristina".

D. Teresa em sua velhice, foto de Marc Ferrez, de 1887.

Odeio ficar com curiosidade, ela corrói como traças. Primeiro, eu queria descobrir se procedia a história sobre o príncipe brasileiro e, embora houvesse esse vestígio de que a coxinha poderia ter sido criada na fazenda de Morro Azul, no século XIX, algo me dizia para investigar mais. Foi o que fiz...
Por que construiriam uma fazenda tão requintada para a família imperial em um lugar onde sequer existia estrada? Essa é uma pergunta sensata que alguém que observa a localização da fazenda, e que pensa nela naqueles tempos do império, pode se fazer.
Uma boa resposta para essa interrogativa seria: os ciclos da agricultura brasileira levaram muitos a ascensão e queda. Mas não seria esse o caso da fazendo Morro Azul, construída em homenagem a D. Pedro I, que infelizmente não teve oportunidade de conhecê-la. Mas que levou seu filho, e segundo imperador do Brasil, a ir visitar o lugar – que acabou ganhando a alcunha de “fazenda do Imperador”.

Entrada da Fazenda Morro Azul

A sede da Fazenda.


Em 13 de janeiro de 1817, a sesmaria do Morro Azul foi concedida ao Tenente Joaquim Galvão de França e a Manoel de Barros Ferraz. Compreendia a sesmaria as fazendas Ibicaba, Morro Azul, Paraguaçu, Paramirim e Laranja Azeda, onde está Santa Gertrudes (nome em homenagem a Dona Gertrudes, esposa do Brigadeiro Manuel Rodrigues Jordão, o primeiro proprietário da Morro Azul). A fazenda se baseava na produção de açúcar, que saía para São Paulo nos lombos de burros e, de lá, seguia para ser exportado pelo porto de Santos.
Silvério Rodrigues Jordão, o último dos quatro filhos do primeiro dono, tornou-se o segundo proprietário, foi quando o café dominou à produção da fazenda desde 1846. A partir de 1868, iniciou-se as obras de construção do solar da fazenda, que duraria quase nove anos. Em 1877, a obra finalizada fora erguida com materiais vindos da Europa (mármores, vidros, canos, janelas e batentes) e se estendia num espaço de 1,5 mil m², tendo sua fachada decorada com azulejos portugueses e ingleses, onde notadamente se observa a influência dos mouros no design. É a única fazenda existente em nosso país nesse estilo.
Na década de 1870 é fundada a Fazenda Quilombo pelo Dr. Ezequiel de Paula Ramos e sua esposa Anna Jordão, um desmembramento da Morro Azul, fruto da herança recebida por Anna, filha de Silvério Rodrigues Jordão – este último viria a falecer pouco tempo depois, em 1882.
Quanto ao registro de duas visitas do Imperador ao lugar, sabe-se que a primeira ocorreu em agosto de 1876, quando o casal imperial chegava de uma viagem a Rio Claro, onde realizaram a inauguração de uma estrada de ferro. A segunda visita, ocorre em 1886, quando o casal imperial foi recebido nos palacetes do Coronel Joaquim Antônio Machado de Campos e Sebastião de Barros Silva, em Limeira, e depois ficaram hospedados no ‘solar dos Jordão’, na fazenda Morro Azul.
Contam por lá, que uma dessas vezes, o imperador foi para lá para curar-se de uma suposta malária. E teria sido este o motivo da família ter construído as termas da fazenda, com piscina coberta e banheira de mármore de Carrara.  

A banheira em mármore de Carrara. das Thermas do Imperador.

A piscina das Thermas do Imperador.
Além desses, outras visitas ilustres se hospedaram na fazenda: a própria princesa Isabel e seus filhos (talvez disso tenha surgido a história), o marechal Cândido Rondon também esteve por lá e, anos mais tarde, em 1924, Oswald de Andrade se hospedaria no lugar juntamente com seu amigo, o escritor suíço Blaise Cendrars.
No ano de 1911, Luiz Bueno de Miranda adquiriu a fazenda que equivalia a 264 alqueires (aproximadamente 6.388.800 metros²), com seu falecimento em 1949, ficou aos cuidados de sua esposa, Dona Laura Sá Leite Bueno de Miranda. O falecimento de dona Laura, que sem filhos, fez com que o patrimônio fosse herdado por cinco sobrinhos, em 1976, comandados pelo Dr. Carlos Celso Orcesi da Costa, responsável pela restauração do patrimônio. Atualmente conhecida como “Fazenda de D. Pedro”, a Morro Azul integra o roteiro turístico de fazendas históricas daquela região, junto com Ibicaba, Santa Gertrudes, Quilombo e Citra.
A sede da fazenda é um verdadeiro palacete, lembra algumas construções europeias que misturam elementos de diferentes estilos (como neoclássico e a arquitetura moura), apresenta jardins simétricos e decoração com azulejos.




Outro marco do lugar é a alameda de entrada composta por 11 palmeira imperiais, para representar que a família imperial esteve presente na propriedade.  Essas palmeiras foram trazidas da Ásia, eram elementos caríssimos àqueles tempos, e o imperador costumava presentear seus anfitriões com 11 mudas deste tipo planta, para que a população soubesse por onde ele havia passado.


Assim se compreende melhor o contexto do aparecimento da Morro Azul nessa história. Mas continua-se com a busca pela origem a coxinha.
Sabe-se que, na obra Cozinheiro moderno ou nova arte de cozinha, de 1780, do francês Lucas Rigaud, cozinheiro da trisavó da princesa Isabel, D. Maria I, já havia publicado uma receita de “coxas de frangas ou galinhas novas” empanadas e fritas.


O celebre Antonin Carême entraria nesse contexto quando se observa a existência de uma receita de 1844, presento no livro L’Art de la cuisine française au XIXème Siècle, onde ele apresenta seu croquette de poulet (croquete de frango) que deveria ser moldado na forma de uma pera – versão mais semelhante a versão da coxinha que conhecemos.


Há quem diga, no entanto, que a origem da coxinha continua sendo no século XIX, mas que ela teria surgido na região da Grande São Paulo. O estopim seria a década de 20, quando São Paulo se industrializava e, tanto a capital como as cidades circunvizinhas, abrigavam grandes fábricas com inúmeros trabalhadores que precisavam se alimentar e gastar pouco com isso. E era bastante comum que a necessidade dos trabalhadores acabasse gerando um comércio, e fez surgir comércio de ambulantes e barracas de comida que se estabeleciam nas portas das fábricas na hora de almoço, para vender coxas e sobrecoxas de frango fritas. Com isso, alguém teve a ideia de juntar uma massa como frango desfiado e temperado, dar o formato de coxa, fritas e vender nas portas das fábricas.
De São Paulo, a receita se espalharia para o restante do Brasil, já sendo um produto popular no Paraná e no Rio de janeiro de 1950. E na década de 1970, em Belo Horizonte, o requeijão cremoso (catupiry) foi adicionado ao tradicional recheio de frango, para incrementar o salgado.


Outro fato que precisa ser mencionado (isso, de acordo com os livros de história), é que os filhos da princesa Isabel viveram com ela, no Rio de Janeiro, até a queda da Monarquia (em 1889 ) – o que  coloca a história que deu origem a esta postagem como uma espécie de lenda urbana (ou rural, neste caso).

Mesmo depois de saber disso tudo, confesso que ainda tenho umas pulgas atrás da orelha como essa história. Talvez, anos mais tarde eu terei mais argumentos para retomar este causo. Até lá, deixo a receita retirava do livro que originou toda essa discussão. Aproveitem.
Aqui vai a receita original da coxinha tirada do livro.




sábado, 23 de outubro de 2010

Confusão da B(R)OA!!!

No post passado, coloquei uma receita de boinha que eu muito faço em casa. E foi demasiadamente engraçado quando , fuçando a internet, encontrei um causo real sobre a presença da Broa no Brasil. Vejamos o que eu encontrei:

A Broa é uma quitanda basicamente feita de fubá e água (ou leite em alguns casos) com ligeiras modificações aqui e ali por conta do tempero, ela é famosa no Brasil faz parte do café-da-manhã de muitos brasileiros – principalmente no Brasil interiorano do nordeste e centro-oeste.

DEFINITIVAMENTE, Não lhe cabe a extensão "de fubá" ou "de milho", pois se feita de outra farinha, QUE NÃO A DE MILHO, NÃO É BROA.

E não existe uma Broa melhor do que a feita com fubá moído em moinho d'água, que além de resgatar a tradição, preserva as qualidades e potencialidades do milho. Pena que este tipo de farinha de milho é cada vez menos encontrada no Brasil seja por causa da industrialização ou pela falta de interesse das pessoas em fabricá-la.  A broa é tão popular que já foi motivo de chacota entre pessoas do alto escalão do Governo, como o Ex-Ministro. Aluísio Pimenta, que em um de seus discursos a citou com o exemplo de marco cultural.

Para apoiá-lo, Saul Martins escreveu o artigo "Broa de Milho & cachaça" (Jornal Estado de Minas edição de 08.02.1986) para reafirmar que o conceito de cultura é mais abrangente e não está restrito a tão somente manifestações artísticas de elite, como pensam alguns.

 Embora presidente da Comissão Mineira do Folclore, Saul Martins cometeu um equívoco, por creditar aos norte-americanos a introdução da broa em Minas e no Brasil.

À época, o autor desta página e responsável pelo site, lembrou-se de ter visto o registro de broa em livro dos primeiros de registro da vida em Vila Rica. Foi em 1975, quando empregado da Prefeitura Municipal de Ouro Preto, descobriu no amontoado de documentos um livro datado de 8 (de março?) de 1724, aberto por Domingos de Souza Braga, para registro de aforamentos. Entretanto o livro não foi utilizado para a finalidade expressa em sua abertura. Em janeiro e fevereiro de 1733, foi utilizado para lançamento de gastos domésticos. Esse documento era a prova de que a broa aqui tinha chegado com os portugueses, pois 132 anos antes do final da Guerra de Secessão, já era apreciada em Vila Rica.

A essa altura, os documentos já haviam sido transferidos para o "Centro de Estudos do Ciclo do Ouro", instalado na Casa dos Contos, propriedade da Receita Federal. E foram transferidos em boa hora, porque se tivessem ficado por mais tempo em poder da prefeitura, talvez não mais existissem. O que era chamado de arquivo não passava de um amontoado de documentos empoeirados no fundo do galpão do almoxarifado.

No período chuvoso, muitas goteiras; a viver no meio da papelada, ratos e aranhas. O forte odor de urina de rato denunciava sua presença. E se os documentos não foram destruídos, talvez os roedores tivessem mais consciência do seu valor. Na Casa dos Contos foi conseguida a cópia, que acompanhou correspondência ao jornal Estado de Minas, apontando o equívoco do articulista. Infelizmente, nada do esclarecimento foi repassado ao público. Mesmo com a prova apresentada, o assunto não mereceu crédito.

No Brasil, primeiro é preciso que a pessoa tenha "pedigree", seja um "medalhão", para merecer atenção de altas instâncias. Nove anos mais tarde, em fevereiro de 1995, o assunto foi tratado no jornal  O LIBERAL, coluna OPINIÃO, como veremos a baixo:
OPINIÃO -A broa em Ouro Preto. Na edição anterior, a broa foi aqui citada de passagem, recordando episódio singular em que, lançada nos meios de comunicação, se não por quem dela se lembrou primeiro, o foi, contudo, pelos que se levantaram a questionar o que, no seu entendimento, era a manifestação do mau gosto de um ministro da Cultura. O fato se deu em fins de 1985 ou princípios de 1986, quando aquela pasta estava nas mãos do professor Aluísio Pimenta, e, este querendo chamar a atenção para a abrangência da cultura, apontou a broa como exemplo entre usos e costumes, que entram na formação de nossa identidade cultural. Talvez a broa tivesse passado despercebida, se alguns auto-nomeados do "do mais fino paladar" não se insurgissem contra a introdução na mesa daquela iguaria, dita caipira. O protesto de uns poucos foi o bastante para aguçar a curiosidade dos demais comensais que, daí em diante, dela se serviram e degustaram, achando-a boa e condizente com o próprio paladar. A broa, até então acanhada ao lado do bule esmaltado de café, apareceu em colunas sociais, foi tema de crônicas e artigos, matéria jornalística dos grandes noticiosos da televisão. Se tentaram cobri-la de pejo diante do pão, mais nobre, por outro lado não faltaram os que saíram em sua defesa, e do caboclo que a prepara com o milho por ele mesmo plantado, colhido e moído. Entretanto no interessado artigo sob o título "Broa & Cachaça", publicado no jornal Estado de Minas, segunda seção, página 2, de 8 de fevereiro de 1986, Saul Martins em sua ação de degustar a nossa broa acabou sendo enganado pelo paladar: conferiu-lhe origem e introdução em nossa culinária em desacordo com a história. Segundo ele, a broa teria sido introduzida no Brasil por imigrantes norte-americanos, sulistas derrotados pelos nortistas anti-escravagistas na Guerra de Secessão, finda em 1865. Ainda de acordo com aquele articulista, a palavra broa seria adaptação brasileira de "bread" (pão em inglês). Acontece que há registros a contestar tal afirmação. E um deles data de 1724, na forma de livro aberto por Domingos de Souza Braga com o título "Tombo da Villa para se lançarem os aforamentos", porém não usado conforme o termo de abertura. Em janeiro e fevereiro de 1733, foi ele usado para registro da aquisição de víveres, entre eles a broa aparecendo com 13 lançamentos, superada apenas por leite que aprece 15 vezes. Ao lado de mercadorias, cujos nomes estão ilegíveis, aparecem menos vezes outros itens da alimentação tais como farinha, pão, carne de porco, melado, banana, açúcar, vinagre e aguardente. Curiosamente, o feijão só aprece uma vez, assim como bacalhau, toucinho e paio. Sendo uma amostra muito pequena, durante dois meses apenas, porque em março já não se registrou nada, permanecendo o restante do livro em branco, por ela não se pode dizer que a broa fosse um item básico da alimentação. Contudo, pode-se dizer que era muito apreciada por alguém em Vila Rica, há 262 anos passados. Mas, o mais importante mesmo, no momento, é que pelo registro nesse livro prova-se que a broa não foi introduzida por imigrantes norte-americanos ao término da Guerra de Secessão, como escreveu Saul Martins, pois 132 antes daquele fato histórico já era conhecida e consumida em Vila Rica. E muito menos é derivado de "bread". A broa deve ter sido introduzida pelos próprios portugueses, e, a palavra é derivada diretamente do gótico BRAUTH, como ensina o LELLO. Aliás, pelo som, é muito mais lógica a derivação direta de "brauth" do que através "bread". O livro, talvez o mais antigo registro de itens da alimentação  mineira, fazia parte do acervo de documentos da Prefeitura Municipal de Ouro Preto até 1976, quando então se transferiu para o "Centro de Estudos do Ciclo do Ouro" (Casa dos Contos), sob a orientação do historiador Tarquínio J. Barbosa de Oliveira. Embora atrasada 9 anos, por falta de oportunidade no momento próprio, a contestação só foi possível graças à existência daquele registro com não mais que 5 páginas escritas, o que demonstra a importância da preservação de documentos. Graças a eles, conhece-se a história como aconteceu, e se evita seja reescrita, mesmo com boas intenções.
 . Em Portugal, diz-se que "boroa ou broa é palavra nortenha antiga, formada provalmente a partir de "boruna", pertencente a idioma pré-romano da Hispânia"  .   Lá também a broa é muito apreciada. Recentemente, em Viseu, foi assada a maior broa do mundo, devidamente incluída no Guinness. Consumiu 1.700 quilos de fubá, 400 quilos de farinha de centeio, 1.400 litros de água, sal e fermento. Segundo se informa, a broa foi fatiada para 40 mil pessoas.

No entanto, ainda se cabe mais investigação sobre o assunto...


BROA

1½ xícara (chá) de fubá;
1 pitada de sal
6 ovos
1 xícara (chá) de leite
1 xícara (chá) de manteiga
½ xícara (chá) de açúcar
1 xícara (chá) de farinha de trigo

Peneire numa tigela 1 xícara (chá) de fubá com a farinha de trigo, o açúcar e o sal. Reserve. Misture numa panela a manteiga (reserve 1 colher de sopa), o leite e 1 xícara (chá) de água. Leve ao fogo e, assim que ferver, junte de uma vez os ingredientes secos. Mexa vigoro¬sa¬¬mente e cozinhe por 20 minutos, sem parar de mexer, até obter um mingau encorpado. O fubá deve ser bem cozido como se fosse polenta. Retire do fogo, despeje numa tigela e deixe esfriar por 15 minutos, mexendo de vez em quando. Ligue o forno à temperatura média. Em seguida, adicione os ovos, um a um, mexendo sempre a cada adição. Continue a mexer vigorosamente até a massa ficar macia e um pouco mole (não é ponto de enrolar). Umedeça uma tigela de 10 cm de diâmetro (do tamanho de 1 xícara de chá) e polvilhe com parte do fubá restante. Coloque na tigela um pouco mais de 1 colher (sopa) de massa. Rode a tigela para formar as broinhas e disponha-as numa assadeira untada com a manteiga reservada. Deixe uma distância de 2 cm entre as broas. Repita a operação até terminar a massa. Sempre que necessário, umedeça um pouco a tigela e coloque mais fubá. Leve ao forno por 25 minutos, ou até as broinhas dourarem. Retire do forno e sirva quente.