quinta-feira, 25 de novembro de 2010

The Eggnog: A gemada de natal e seu carácter social

A Eggnog (gemada) é bebida internacionalmente conhecida sendo apresentada com algumas modificações de ingredientes em partes diferentes do globo. No entanto, para alguns países ela é um ícone gastronômico no período natalino. Essa afirmativa me levou a questionar sobre como alguém resolveu incluir uma bebida feita com leite e ovos, e juntar alguma bebida alcoólica e servir nas festividades de fim de ano.

A gemada é uma bebida que, para muitos, é acreditada com propriedades medicinais: aqui, no Nordeste brasileiro, ela não é servida apenas na época natalina, mas ao longo de todo o ano – principalmente para pessoas que se encontram fracas, por motivo de doenças diversas; é ainda servida para aquelas pessoas que querem ganhar mais forças para fins sexuais, para dar ânimo às grávidas, para fortalecer as pessoas com gripes fortes, ou, como é bem-dito pelas ruas do interior: ‘gemada levanta até defunto’, dá ânimo aos moribundos. Eu, particularmente gosto de gemadas, mas conheço dúzias de pessoas que detestam a bebida.


As origens, a etimologia e os ingredientes usados para fazer a gemada original ainda causa muitas discussões: de acordo com o Oxford English Dictionary, o nog era "uma espécie de cerveja forte fabricada em East Anglia". O primeiro uso conhecido da palavra "nog" foi datado de 1693. Alternativamente, o ‘nog’ pode derivar do ‘noggin’, um termo em inglês medieval para uma pequena caneca esculpida em madeira usada para servir bebidas alcoólicas. No entanto, a bebida britânica também foi chamada de Egg Flip, a partir da prática de "flipping" (derramando rapidamente) a mistura entre dois jarros para misturá-lo. Um dicionário lista a palavra "eggnog" como sendo um americanismo inventado em 1765-75.

Frederick Douglass Opie, professor da Babson College, escreveu que o termo é uma combinação de duas gírias coloniais: o rum era chamado de grogue e bartenders serviam em pequenas canecas de madeira chamadas noggins. A bebida tornou-se conhecida como egg-n-grog e mais tarde como eggnog. "Ben Zimmer, editor executivo do Vocabulary.com, contesta a teoria" egg-n-grog "por falta de provas; Zimmer afirma que o termo "nog" pode estar relacionado ao termo "nugg" ou ‘nugged ale’, que significa "ale warmed with a hot poker".


O Etimology Dictionary Online afirma que o termo "egg nog" é um termo americano introduzido em 1775, consistindo das palavras "egg" e "nog", com "nog" que significa "ale forte". O primeiro exemplo do termo "eggnog" foi em 1775, quando o clérigo e filólogo de Maryland, Jonathan Boucher, escreveu um poema sobre a bebida que não foi publicado até 30 anos após sua morte:
"Fog-drams i' th' morn, or (better still) egg-nogg,
At night hot-suppings, and at mid-day, grogg.
O primeiro uso impresso do termo apareceu no New-Jersey Journal de 26 de março de 1788, e se referia a um jovem bebendo um copo de gemada. Uma entrada de dicionário de 1869 para "eggnog" define-a como uma mistura de vinho, bebidas espirituosas, ovos e açúcar; não há menção de produtos lácteos.
Enquanto os historiadores da alimentação debatem sua linhagem exata, a maioria concorda que a gemada é originária da bebida britânica medieval conhecida como posset, foi feita com leite quente que foi coalhado com vinho ou cerveja e temperado com especiarias. Na Idade Média, o posset era usado como remédio contra gripes e resfriados. Posset era popular desde os tempos medievais até o século XIX – esse fato talvez explique o uso da bebida no nordeste brasileiro.
Ovos foram adicionados em algumas receitas para posset; e de acordo com a revista Time, "pelo século XIII, monges eram conhecidos por beber um posset com ovos e figos." Uma receita do século 17 para "My Lord of Carlisle’s Sack-Posset" usa uma mistura aquecida de creme, canela em pau, uma lâmina de mace (um tipo de especiaria), noz-moscada, dezoito gemas, oito claras de ovo e um litro de vinho Sack (um vinho branco fortificado tipo xerez). No final, poderia ser acrescido açúcar, ambergris e animal musk na mistura. O Posset era tradicionalmente servido em canecas de dois cabos. A aristocracia tinha potes caros feitos de prata feitos especialmente para a bebida.
A gemada não é a única bebida alcoólica mista e adoçada associada à estação de inverno. Vinho quente, wassail já era bebidas feitas pelos gregos e romanos antigos com vinho adocicado e temperado. Quando a bebida se espalhou para a Grã-Bretanha, os moradores mudaram para o álcool mais amplamente disponível, a sidra, para fazer suas bebidas com quentão. Durante a era vitoriana, os britânicos beberam purl, "uma mistura inebriante de gim, cerveja quente, açúcar, ervas amargas e especiarias". Na era colonial na América, a bebida foi transformada em um "flip baseado em cerveja e rum" aquecido.

Purl 

Purl
Na Grã-Bretanha, a bebida era originalmente popular entre a aristocracia. Leite, ovos e xerez eram alimentos dos ricos, então gemada era usada frequentemente em brindes à prosperidade e boa saúde. ” Aqueles que podiam pagar por leite e ovos e bebidas alcoólicas caras misturavam a gemada com conhaque, vinho da Madeira ou xerez – o que já deixava a bebida similar à gemada moderna.


A bebida cruzou o Atlântico para as colônias britânicas durante o século XVIII. Como o conhaque e o vinho eram altamente tributados, o rum do Comércio Triangular com o Caribe foi um substituto econômico. O rum barato, juntamente com abundantes fazendas e produtos lácteos disponíveis para os colonos, ajudou a bebida a se tornar muito popular na América.
Quando o suprimento de rum para os recém-fundados Estados Unidos foi reduzido como consequência da Guerra Revolucionária Americana, os americanos recorreram ao uísque doméstico, e eventualmente ao bourbon em particular, como um substituto. Em lugares nas colônias americanas onde até mesmo o bourbon era muito caro, aguardentes caseiras foram adicionadas à gemada. A gemada "ficou amarrada aos feriados" quando foi adotada nos Estados Unidos em 1700. Assim, a eggnog parece ter sido bastante popular em ambos os lados do Atlântico" no século XVIII.



Na América colonial, o rum era comumente chamado de "grog", assim o nome eggnog (gemada) provavelmente deriva deste termo descritivo para esta bebida, "egg-and-grog", o que corrompeu a egg'n'grog e surgiu daí a eggnog, a gemada seria então um “ovo grogue na caneca”. 


Os registros mostram que o primeiro presidente dos Estados Unidos, George Washington, "serviu uma bebida tipo gemada para os visitantes", que incluía "... centeio, rum e xerez". A receita do presidente exigia uma variedade de bebidas alcoólicas, juntamente com os ingredientes de laticínios e ovos: "Um quarto de litro de creme de leite, um quarto de litro de leite, uma dúzia de colheres de sopa de açúcar, meio litro de uísque, meio litro de rum da Jamaica e um quarto de litro de xerez " A receita instrui os cozinheiros a "misturar as bebidas alcoólicas primeiro, depois separar as gemas das claras de ovos, adicionar açúcar às gemas e batê-las muito bem. Adicione o leite e creme, batendo devagar. Bata as claras de ovos até ficarem firmes e misture lentamente. Deixe em lugar fresco por vários dias. Prove com frequência”.
"Tom e Jerry são uma forma de gemada quente [tipo coquetel] que já foi popular." O Tom e Jerry foi inventado pelo jornalista britânico Pierce Egan na década de 1820, usando conhaque e rum adicionados à gemada e servidos quentes, geralmente em uma caneca ou uma tigela. É um tradicional coquetel de Natal nos Estados Unidos.


Isaac Weld, Junior, em seu livro Viagens Através dos Estados da América do Norte e as Províncias do Alto e Baixo Canadá, durante os anos de 1795, 1796 e 1797 (publicado em 1800) escreveu: "Os viajantes americanos, antes de seguirem sua jornada, de acordo com o costume, tomam um caldo saudável, de eggnog, uma mistura composta de leite novo, ovos, rum e açúcar, batidos juntos.
De um modo semelhante a como o posset poderia ser algo para se embriagar na era medieval, há evidências de que a gemada era mais usada como tratamento médico. Um artigo de revista científica de 1892 propõe o uso de gemada para tratar a "grippe", comumente conhecida como "flu", juntamente com o cloreto de amônio para tratar a tosse e quinina para curar a doença.

No sul americano, a eggnog aparece sendo preparada de várias formas: no Brasil, ela é conhecida como gemada – e pode ter álcool ou não (geralmente algum vinho, porto ou aguardente de cana). 
A gemada é chamada "coquito" em Porto Rico, onde rum e suco de coco fresco ou leite de coco são usados em sua preparação. 

Coquito
A gemada mexicana, também conhecida como "rompope", foi desenvolvida em Santa Clara, e difere da gemada comum em seu uso de canela mexicana e rum ou álcool de cereais. 
Rompope
No Peru, gemada é chamada "biblia de pisco", e é feita com pisco. 

Bíblia de pisco. 

Fonte de gemada - boa idéa para decoração da mesa natalina
Gemada caseira tradicional é feita de leite ou creme de leite, açúcar, ovos crus, uma ou mais bebidas alcoólicas e especiarias, muitas vezes baunilha ou noz-moscada e em algumas receitas, cravo. Algumas receitas pedem que os ovos sejam separados para que as claras possam ser batidas até ficarem em neve; isso dá à bebida uma textura espumosa.
O apresentador americano de alimentos Alton Brown ressalta que, com base em seus ingredientes, a gemada é "quase idêntica ao sorvete. Tecnicamente, é apenas um creme misturado com leite e ovo". Receitas caseiras podem usar sorvete de baunilha misturado com a bebida, especialmente quando o objetivo é criar uma bebida gelada. Algumas receitas pedem leite condensado ou evaporado, além de leite e creme. O leite acidófilo, um produto lácteo fermentado, tem sido usado para fazer gema de ovo.
Enquanto algumas receitas pedem creme de leite não cozido, em algumas receitas, chantilly é adicionado à mistura, o que lhe dá uma textura mais espumosa. Vários adoçantes são usados, como açúcar branco, açúcar mascavo e xarope de bordo. Existem variações nos ingredientes em diferentes receitas. 
Gemada tradicional tem um teor de gordura significativo, devido ao uso de creme e um alto teor de açúcar. Ingredientes variam significativamente entre diferentes receitas. Álcool usado em diferentes versões nacionais e regionais de gemada incluem brandy, conhaque, bourbon, uísque, xerez, rum e álcool de grãos.
Contudo, existem duas razões pelas quais as pessoas ainda produzem pouca gemada caseira: a primeira, é o fato dela ainda ser uma bebida cara –devido ao uso de quantidades substanciais de creme de leite, ovos e bebidas espirituosas. A segunda, preocupações sobre a segurança dos ovos crus podem ser outra razão para o declínio da fabricação caseira de gemada.
E a gemada chega na época industrial sendo fabricada com a adição de gelatina e outros espessantes, uma medida de redução de custos que permite aos fabricantes produzir uma bebida espessa usando menos ovo e creme de leite – logo, a gemada comercial tende a conter menos ovos que uma preparada em casa". Nos EUA, “as regulamentações da FDA só exigem que 1,0% do peso final de um produto seja composto de sólidos de gema de ovo para que ele tenha o nome da gemada”. Pela lei atual dos EUA, os produtos comerciais vendidos como gemada podem conter leite, açúcar, ingredientes lácteos modificados, glicose-frutose, água, carragenina, goma guar, aromas naturais e artificiais, especiarias, monoglicerídeos e corantes. No Canadá, o "Código Nacional de Laticínios define gemada como:" alimentos feitos de leite e creme contendo leite e creme que foram aromatizados e adoçados. Os alimentos devem conter não menos de 3,25% de gordura láctea e não menos de 23% de sólidos totais”. No Canadá, se um produto comercial não contém ovos, não pode ser chamado de" gemada ".
As versões prontas de gemada são disponibilizadas sazonalmente com bebidas espirituosas diferentes, ou sem álcool, para serem consumidas como compradas ou utilizadas como "misturas" com todos os ingredientes, exceto o licor, a serem adicionados conforme desejado. Embora a gemada esteja disponível na maior parte do Dia de Ação de Graças americano até o Natal, em algumas regiões uma versão com sabor de marshmallow é vendida na Páscoa. Nos anos 2000, versões comerciais com baixo teor de gordura e sem açúcar estão disponíveis usando substitutos do açúcar e leite desnatado ou com pouca gordura.
O licor holandês advocaat, com cerca de 20% de álcool, e o alemão Eierlikör, são essencialmente uma gemada, embora o primeiro tenda a ter consistência semelhante à gemada nos mercados de exportação. Nos Países Baixos, o advocaat está normalmente disponível como uma confecção espessa e cremosa que é consumida como tal ou usada como um creme para várias sobremesas.



Alguns fabricantes norte-americanos oferecem alternativas à base de soja, amêndoa, arroz ou leite de coco para os veganos e pessoas com alergias a laticínios, intolerância à lactose ou outras restrições alimentares.
A história das gemadas não lácteas remonta a 1899, quando Almeda Lambert, em seu Guide for Nut Cookery, deu uma receita de "Egg Nog" feita com creme de coco, ovos e açúcar.
Em 1973, Eunice Farmilant, no Natural Foods Tooth-Cookbook, deu uma receita de gemada sem lactose mais moderna usando 3 ovos separados, 2 colheres de extrato de malte de cevada ou xarope Amazake, quatro xícaras de leite de soja gelada, 1 colher de chá de baunilha em extrato e noz-moscada, (p. 138-39)
Em 1981, Grain Country, de Los Angeles, Califórnia, introduziu o Grain Nog, a primeira gemada não láctea e vegana. "Vegan" significa que um alimento não contém produtos de origem animal, incluindo leite ou ovos. Com base em amazake (uma bebida japonesa tradicional de arroz fermentado) e sem ovos, o Grain Nog estava disponível em sabores simples, morango e alfarroba. Também em 1981, a Redwood Valley Soyfoods Unlimited (Califórnia) introduziu o "Soynog", a primeira gemada não láctea e vegana à base de soja, à base de leite de soja e tofu (adicionada para espessuras). Foi renomeado Lite Nog em 1982 e Tofu Nog em 1985.




Seja a gemada caseira ou comercial ela pose ser servida com coberturas como noz-moscada ralada ou canela em pó, chantilly, um pau de canela, raspas de chocolate ou uma vagem de baunilha. Geralmente, são servidas em copos, canecas ou taças de conhaque. A gemada pode ser servida aos convidados já colocados em um copo ou outro recipiente, ou pode ser servida em uma tigela de ponche, para que os convidados possam servir a si mesmos.
As gemadas caseiras e comerciais são feitas em versões e receitas sem álcool, nas quais bebidas alcoólicas, geralmente castanhas, envelhecidas, como bourbon, conhaque ou rum, são adicionadas durante a preparação ou diretamente ao copo após o ‘nog’ ser derramado. Por exemplo, para o rum, algumas receitas especificam rum escuro ou rum temperado, para um sabor extra. Algumas receitas sugerem o licor Baileys Irish Cream, o brandy de maçã ou mesmo a cerveja Guinness como o álcool.
Em casas particulares ou festas, a gemada não alcoólica pode ser servida aos hóspedes, mas com uma ou mais garrafas de destilados (rum, uísque, etc.) disponibilizados. Desta forma, motoristas designados e pessoas que não bebem álcool podem desfrutar da bebida sem álcool, mas outros convidados podem adicionar o tipo e quantidade de álcool para atender seus gostos. Quando a gemada é servida em um ponche, em alguns casos, uma receita "virgem" (sem álcool) e uma receita com álcool serão servidas em duas tigelas separadas, rotuladas para que os hóspedes possam escolher qual delas.
Quando você experimentar alguma das receitas abaixo para gemada, lembre-se que, como em muitas outras tradições, há também boas histórias etílicas por traz dessa poção espumosa.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
Johnson, Harry (1882). "Egg Milk Punch". New and Improved Illustrated Bartender's Manual; or, How to Mix Drinks of the Present Style. New York City: Harry Johnson. p. 65

The Modern Bartender's Guide. New York: Excelsior Publishing House. 1878.

"Nog - definition of nog in English from the Oxford dictionary". www.oxforddictionaries.com
"Online Etymology Dictionary". www.etymonline.com   

The Universal English Dictionary: Comprising the Etymology, Definition, and Pronunciation of All Known Words in the Language, as Well as Technical Terms Used in Art, Science, Literature, Commerce, and Law. George Routledge and Sons. John Craig, P. Austin Nuttall, 1869. p. 82


The Medical Brief: A Monthly Journal of Scientific Medicine and Surgery, Volume 20, 1892. p. 187


A Christmas Eggnog

12 gemas de ovos
5 cravos da índia
4 xícaras de leite
4 xícaras de creme de leite
3 copos de rum
1-3/4 xícaras de açúcar
2-1/2 colheres de chá de essência de baunilha
1 colher de chá de canela em pó
3 / 4 colher de chá de noz-moscada moída

Em uma panela em fogo baixo, misture o leite, canela, cravo e meia colher de chá de essência de baunilha. Continue mexendo enquanto a mistura se aquece, e retire do fogo antes do ponto de ebulição. Em uma tigela, misture o açúcar com todas as gemas. Certifique-se de bate-los bem para que fiquem leves e macias. Gentilmente despeje a mistura de leite, continuando a bater. Transfira a mistura em sua volta panela e leve ao fogo médio, continuando a mexer até que a mistura começe a assemelhar-se a umcreme. Nunca deixe a mistura atingir o ponto de ebulição. Despeje a mistura e tensão em um jarro, certificando-se de remover os cravos.  Deixe o  jarro na geladeira por uma hora ou duas. Misture delicadamente o creme de leite, rum, baunilha restante e noz moscada. Coloque novamente na geladeira durante a noite. Sirva em taças com um pouco de pó de canela, noz moscada ou de cacau.


A Traditional Eggnog

12 ovos, separados
6 copos de leite
2 copos de creme de leite fresco)
2 copos de bourbon
1-1/2 xícaras de açúcar
3 / 4 xícara de conhaque
2 colheres de chá de noz-moscada em pó

Em uma batedeira, bata as gemas com o açúcar durante aproximadamente 10 minutos. Lentamente, adicione o uísque e conhaque, aos poucos. Quando bourbon e aguardente foram adicionados, deixe a mistura esfriar na geladeira or cerca de 6 horas. 30 minutos antes de seus convidados chegarem, misture o leite na mistura de gema. Misturar 1-1/2 colheres de chá de noz-moscada moída. Em uma tigela, bata o creme de leite na batedeira em velocidade alta até formar um creme. Em outra tigela, bata as claras até formar picos firmes. Misture delicadamente a mistura de clara de ovo à mistura de gema de ovo. Misture delicadamente o creme de leite na mistura do ovo. Sirva gemada com uma pitada de noz-moscada moída.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Christmas Ham ou Yule Ham: A origem do Pernil de Natal e suas Influências mitológicas

Quando criança, eu adorava passar o dia assistindo desenhos animados. E quando surgia um daqueles desenhos com personagens da Antiguidade, ou da Idade Média, eu ficava me imaginando comendo aqueles 'porcos' assados, apresentados com uma maçã na boca, geralmente, servidos em castelos. Aqueles 'porcos' assados com maçãs vermelhas brilhantes  sempre me pareceram apetitosos. Mais tarde descobri que aquele tipo de porco que via nos desenhos era, na verdade, javali.

Digo isso porque, hoje, eu sem querer, passei pelo desenho do Asterix, no YouTube, e assisti a um episódio onde o viking atrapalhado corria atrás de um javali, seu prato preferido. O javali, parente dos porcos, tem uma carne suculenta como tal.






 Daí, lembrei-me de outra delicia preparada no Natal que foi adotada a partir das antigas tradições pagãs nórdicas: o pernil / o presunto de natal.


Se você estiver familiarizado com a história do cristianismo, ou pelo menos com uma versão confiável dela, você deve saber que para converter as pessoas do paganismo para o cristianismo, as autoridades da Igreja Cristã acharam conveniente assimilar os antigos costumes pagãos com as novas tradições cristãs. Por exemplo, vamos lembrar que o canto de músicas natalinas não era originalmente parte das tradições cristãs, pois eram malvistos por se tratar de um rito oriundo de festas pagãs. Na verdade, hinos à serviço da igreja foram proibidos até que em 1223 São Francisco de Assis apresentou hinos da Natividade durante Missa do Galo, e essa prática pegou.

Em seu livro "Deuses e Mitos do Norte da Europa", a Dra. Hilda Roderick Ellis Davidson, antiquarista e acadêmica inglesa, afirma que até o século XII, o cristianismo foi bem enraizado na Europa, embora lendas e práticas do paganismo também tenham sobrevivido. O Natal comemorado em 25 de dezembro, as festas no meio do inverno e a prática de servir presunto transcendeu a assimilação das religiões antigas.

Sabe-se, que o pernil de javali já era usado pelos povos nórdicos e germânicos como um tributo a Freyr, deus escandinavo associado as colheita e a fertilidade, que tinha o javali como um de seus animais de representação.

Freyr

[Na antiga tradição nórdica ]  era um sacrifício realizado com o intuito de implorar a Freyr para ele lhes  mostrar dádivas  para um novo ano. ....A cabeça de javali com maçã na boca, era levada para o salão de banquetes em um prato de ouro ou de prata ao som de trombetas e as canções dos trovadores (Berger, Pamela (1985). The Goddess Obscured: Transformation of the Grain Protectress from Goddess to Saint. Boston: Beacon Press. pp. 105-112.)

A literatura traz algumas citações onde folcloristas e historiadores[1] constatam que o presunto de Natal teria, na verdade, origens na Inglaterra:

[Essa tradição [que] foi iniciada com toda probabilidade na Ilha da Grã-Bretanha pelos anglo-saxões, embora o nosso conhecimento venha substancialmente de tempos medievais.... (Berger, Pamela (1985). The Goddess Obscured: Transformation of the Grain Protectress from Goddess to Saint. Boston: Beacon Press. pp. 105-112.)

Em " The Goddess Obscured: Transformation of the Grain Protectress from Goddess to Saint  - A Deusa Obscura: Transformação do Grande Protetora de Deusa para Santa", de Pamela Berger, vai mais longe quando afirma que Santo Estevão pode ter herdado o simbolismo dos cavalos e a tradição do presunto de Natal de velhas práticas pagã. 

Santo Estevão foi primeiro mártir da Igreja Cristã. Foi apedrejado até a morte depois de ter sido considerado culpado por blasfêmia pelo Sinédrio (Conselho Judaico) e São Paulo aparece com destaque na sua lapidação. Paulo, um judeu antes de sua conversão ao cristianismo, assistiu ao apedrejamento com a aprovação - como está descrito em Atos 22:20.

Santo Estevão  - relíquia bizantina.
O dia de Santo Estêvão é 26 de dezembro (27 de dezembro no Cristianismo oriental). Na arte cristã ocidental, ele é freqüentemente representado sendo apedrejado por uma multidão, ou como um jovem carregando três pedras e uma palma. Na arte sueca Estêvão, com o nome de Stephen, é mostrado trazendo uma cabeça de javali para um banquete de Yule, comemoração realizada desde os tempos de Freyr e muito parecida com as festas de Natal - este elemento extra-canônico sobreviveu da religião pagã.  

Outra referência aos tempos do paganismo vêm dos antigos romanos que também comiam javalis durante a Saturnália, em honra do Adônis, o deus que foi morto por um javali e cujo aniversário supõe que seja em 25 de dezembro.

Adônis e Vênus
O javali tem significado tão importante para as celebrações natalinas que em 1521 foi criada a musica A cabeça do javali de Natal, cantada na Inglaterra nos jantares de Natal, enquanto a cabeça de um javali era mostrada em um prato.


O costume ainda é observado, em cada Natal do Queen's College, Oxford. – tradição remanescente da ocupação romana da Grã-Bretanha. Apreciem:


Com isso a gente fica imaginando que realmente nada se perde no tempo, e que tudo pode ser reaproveitado se tiver interesse para isso. Quem tiver interesse sobre os personagens mitológicos apresentados no texto, depois da receita de pernil para o natal, seguem algumas linhas sobre eles. 


Pernil de Natal

1 pernil desossado (cerca de 3 kg)
200 g de manteiga
meia colher (chá) de pimenta-do-reino
meia colher (chá) de louro em pó
5 dentes de alho amassados
1 xícara (chá) de suco de limão
4 tabletes de Caldo de Carne
Molho
4 cebolas fatiadas
3 colheres (sopa) de aceto balsâmico
2 colheres (sopa) de açúcar
fruta fresca para decorar

Preparo
Limpe o pernil, tirando a gordura aparente. Faça furos profundos com um garfo. Em uma tigela, misture a manteiga com a pimenta-do-reino, o louro e o alho. . Besunte o pernil com a manteiga temperada. Coloque em uma assadeira grande e despeje o suco de limão e o Caldo de carne dissolvido em duas xícaras (chá) de água fervente. Deixe-o tomar gosto por cerca de 12 horas, virando-o na metade do tempo. Leve ao forno médio-alto (200ºC), preaquecido, por cerca de 2 horas. Vire-o na metade do tempo. Se necessário, despeje mais água no fundo da assadeira. Molho: Retire a carne da assadeira. Coloque a assadeira sobre a chama do fogão, despeje uma xícara (chá) de água, as cebolas, o aceto balsâmico e o açúcar. Mexa, raspando o fundo da assadeira delicadamente. Ferva por cerca de 5 minutos ou até as cebolas estarem macias e engrossar o molho. Sirva o pernil decorado com as frutas e o molho em uma molheira. Dica: - A carne de porco deve ser sempre bem assada. Para saber se já está no ponto certo, fure-o com um espeto ou uma faca com ponta na parte mais carnuda do assado. Se a carne estiver no ponto, deverá verter um suco claro, sem nenhum tom rosado.

Para os curiosos

Frey, Frei, Freyr ou Freir é filho de Njord e irmão de Freya, e está casado com a gigante Gerda. É um deus representado como belo e forte que comanda o tempo e a prosperidade, a fertilidade, a alegria e a paz. É o deus chefe da agricultura. É o patrono da fertilidade, o soberano dum país chamado Álflheimr, reino dos elfos da luz (ljósálfar), que são os responsáveis pelo crescimento da vegetação. O Skirnismál (“A Balada de Skirnir”) nos informa que Frey é filho de Njörðr (Njord), o deus da fertilidade. É portanto um deus dos Vanir. Seu cavalo salta qualquer obstáculo e a sua espada mágica, forjada por anões, move-se sozinha nos ares desferindo golpes mortais, mesmo se for perdida em combate. É senhor de um javali de ouro chamado Gulinbursti, criação dos anões Brokk e Sindri, que conduz um carro como se fosse puxado por cavalos, e cujo brilho reluz na noite. Tem também um navio, Skidbladnir (Skidbladnir), que é tão grande que nele cabem todos os deuses, mas pode ser dobrado e guardado na algibeira. É uma das mais antigas divindades germânicas junto com Freyja e Njörðr, e seu nome significa “senhor". Apesar de ser um deus pacífico, Frey está destinado a lutar contra Surtur na batalha de Ragnarok. Nesta luta não poderá utilizar a sua espada mágica, porque a deu ao seu escudeiro, Skirnir.

Adônis, nas mitologias fenícia e grega, era um jovem de grande beleza que nasceu das relações incestuosas que o rei Cíniras de Chipre manteve com a sua filha Mirra. Adônis passou a despertar o amor de Perséfone e Afrodite. Mais tarde as duas deusas passaram a disputar a companhia do menino, e tiveram que submeter-se à sentença de Zeus. Este estipulou que ele passaria um terço do ano com cada uma delas, mas Adônis, que preferia Afrodite, permanecia com ela também o terço restante. Nasce desse mito a ideia do ciclo anual da vegetação, com a semente que permanece sob a terra por quatro meses.

Vênus e Adônis
Conta Thomas Bulfinch em O LIVRO DE OURO DA MITOLOGIA a lenda de Vênus e Adônis.
Brincando, certo dia, com seu filho Cupido Vênus feriu o peito em uma de suas setas. (Se alguém fosse ferido pela flecha de Cupido, ou Eros ou Amor, apaixonava-se pela primeira pessoa que visse).
Afastou a criança mas a ferida era mais profunda do que pensara. Antes de curá-la, Vênus viu Adônis, e apaixonou-se por ele. Já não se interessava por seus lugares favoritos: Pafos, Cnidos e Amatos, ricos em metais. Afastava-se até mesmo do céu, pois Adônis lhe era mais caro. Seguiu-o, fez-lhe companhia.
Ela, que gostava de se reclinar à sombra, sem outras preocupações a não ser a de cultivar seu encantos, anda pelos bosques e pelos montes, vestida como a caçadora Diana; chama seus cães e caça lebres e cervos, ou outros animais fáceis de caçar, abstendo-se, porém, de perseguir os lobos e os ursos, rescendendo ao sangue dos rebanhos. Também recomenda a Adônis que tenha cuidado com tão perigosos animais.
-Sê bravo com os tímidos. A coragem contra os corajosos não é segura. Evita expor-te ao perigo e ameaçar minha felicidade. Não ataques os animais que a natureza armou. Não aprecio tua glória ao ponto de consentir que a conquistes expondo-te assim. Tua juventude e a beleza que encanta Vênus não enternecerão os corações dos leões e dos rudes javalis. Pensa em sua terríveis garras e em sua força prodigiosa! Odeio toda a raça deles. Queres saber porque?
E, então, contou a história de Atalanta e Hipómenes, que ela transformara em leões, para castigo da ingratidão que lhe fizeram.
Tendo feito essa advertência, Vênus subiu ao seu carro, puxado por cisnes, e partiu através dos ares. Adônis, porém, era demasiadamente altivo para seguir tais conselhos. Os cães haviam expulsado um javali de seu covil e o jovem lançou seu dardo, ferindo o animal de lado. A fera arrancou o dardo com os dentes e investiu contra Adônis, que virou as costas e correu; o javali, porém, alcançou-o, cravou-lhe os dentes no flanco e deixou-o moribundo na planície.
Vênus , em seu carro puxado por cisnes, ainda não chegara a Chipre, quando ouviu, cortando o ar, os gemidos de seu amado, e fez voltar para a terra os corcéis de brancas asas. Quando se aproximou e viu, do alto, o corpo sem vida de Adônis, coberto de sangue, desceu e curvando-se sobre ele, esmurrou o peito e arrancou os cabelos. Acusando as Parcas, exclamou:
- Sua ação, porém, constituiu um triunfo parcial. A memória de meu sofrimento perdurará e o espetáculo de tua morte e de tuas lamentações, meu Adônis, será anualmente renovado. Teu sangue será mudado numa flor; este consolo ninguém pode negar-me.
Assim falando, espalhou néctar sobre o sangue e, ao se misturarem os dois líquidos, levantaram-se bolhas, como numa lagoa quando cai a chuva, e, no espaço de uma hora, nasceu uma flor cor-de-sangue, como a da romã. Uma flor de vida curta, porém. Dizem que o vento lhe abre os botões e depois arranca e dispersa as pétalas; assim é chamada de anêmona, ou flor-do-vento, pois o vento é a causa tanto de seu nascimento como de sua morte.
Milton faz alusão ao episódio de Vênus e Adônis, em "Comus":
Entre moitas de rosas e jacintos,
Muitas vezes repousa o jovem Adônis
Amortecida a dor, e a seu lado
Jaz a triste rainha dos assírios...


[1] Spears, James E.  Folklore, Vol. 85, No. 3. (Autumn, 1974), pp. 194-198.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

The Gingerbread man: A lenda dos biscoitos de gengibre no natal.


O Natal é uma época mágica por muitos fatores: desde o nascimento do Cristo, filho do Deus Todo Poderoso até o aparecimento de lendas pagãs que giram em torno da festividade.
Desta vez eu fui  buscar  nos contos de fadas a inspiração para este post e vejamos até onde esta trilha nos levará. Assim, João e Maria chegaram na casa inteira feita de doces!

Quem nunca ouviu falar desta passagem que coma o primeiro pedaço!
Este conto sobre João e Maria  criado  no começo do século XIX pelos irmãos Grimm tem muito a ver com o natal. Por quê?
Primeiro, trata-se de era uma tradição que teve início na Alemanha que fala de construir casas de biscoito de gengibre durante o natal – fato que inspirou os autores.


No começo da idade média o gengibre, ingrediente principal dos biscoitos de gengibre, não era uma especiaria fácil de ser encontrada na Europa. Mas conforme vieram as cruzadas o contato dos europeus com o oriente aumentou e várias especiarias começaram a fazer gosto no paladar, inicialmente, do clero. Aquele não foi um período de grande desenvolvimento para as artes culinárias, a maior parte das mudanças e descobertas se deu entre as paredes dos mosteiros. Logo, foram os religiosos que tiveram inicialmente a ideia de fazer biscoitos com gengibre para celebrar as festas do inverno, e eles se basearam em tradições da Europa Pré-Católica.


A Rainha Elizabeth I, da Inglaterra, resolveu fazer certa vez para uma de suas festas de natal, homenzinhos de biscoito de gengibre com a cara dos convidados. Desde então esta tradição continua a ser realizada na Europa e na America do Norte.
No entanto os biscoitos de gengibre nasceram na Rússia por volta do século IX, quando eram chamados de "pryaniki", uma mistura de farinha, mel e suco de frutas, mas o mel constituía quase metade de todos os outros ingredientes, que quase parecia a textura de um bolo, ou de um pão (Pão de mel te lembra alguma coisa?). Mais tarde, já nos séculos XII e XIII, foram adicionadas especiarias vindas da Índia e Oriente Médio (canela, nozes, gengibre, frutas secas...). Entre os séculos XVII-XIX a receita se espalhou, e cada regiao tinha a sua maneira de assar os "pryanikis". A tradição e os segredos da culinaria eram passados de geração em geração.
Os "pryanikis" eram feitos em formato de animais para enfeitar as arvores de natal, eram feitos para pobres e ricos, como presentes, para casamentos, festas, celebrações, dias especiais e também para pessoas doentes, com o objetivos de cura, neste caso eram assados no formato de anjos.


Existe uma confusão gigantesca que mistura pão de mel e biscoitos de gengibre, sobretudo traduções mal feitas e o colocam literalmente como pães de especiarias, ou biscoitos.  Atualmente o pão de mel ou "pryanik" é um fenômeno em todo o mundo, com ou sem cobertura de chocolate e com diferentes recheios, se aperfeiçoando e se modificando de acordo com os tempos e regiões, e tornando-se cada vez mais saboroso.
Outros dizem que Pão de mel é um doce de origem européia, elaborado à base de mel, farinha de trigo, chocolate, manteiga, especiarias e ovo. Depois de prontos e frios, normalmente, são banhados em chocolate. O pão de mel surgiu quando os europeus descobriram que o pão de especiarias poderia ser coberto com chocolate derretido para prolongar o seu sabor e umidade.
Deixando um pouco  o pão de mel de lado a historia dos biscoitos de Natal remonta a 10.000 anos atrás, quando os agricultores do período Neolítico usavam pedras quentes para assar um alimento composto de cereais e misturado com água, talvez os primeiros descendentes dos biscoitos.


A origem dos biscoitos de gengibre reside nas receitas medievais europeias do. Lebkuchen (pão de gengibre) foi provavelmente o primeiro pão/bolo para ser tradicionalmente relacionado com o Natal. Esta tradição de biscoitos de natal se espalharam pela Europa facilmente, e variava  a receita de acordo com o paladar de cada civilização.
Os holandeses trouxeram consigo os primeiros biscoitos de Natal. Assim começou a arte de fazer bolinhos deliciosos. Os Cookies (biscoitos) é uma  palavra que vem da palavra holandesa Koeptje [koekje], o que significa pequeno bolo. Livros da receita do período da Renascença, porem, já traziam uma inúmeras receitas de biscoitos desse tipo. Mas esta tradição, com a revolução Industrial, foi mudando pois os biscoitos  passaram a ser produzidos em fábricas.
Atualmente é comum ver biscoitos decorados no natal, sobretudo nos filmes  norte-americanos. E as receitas de biscoito de gengibre, talvez por serem práticas e rápidas, ganharam espaço. 
A história rendeu tanto que os estudios Disney criaram o personagem Gingerbread Manr no filme Shrek o para incrementar a historia do ogro verde. Para isso os profissinais da animação se inspiraram na fábula abaixo.

Você conhece a História do BISCOITINHO DE GENGIBRE?

A primeira impressão feita da História do GENGIBREAD MAN foi em de maio de 1875.
Certa vez uma mulher estava se queixando para o marido que queria ter um filho, porém sabia que eram ambos já velhos para terem um filho. casal de idosos estava com fome. A velhinha decidiu fazer um filho de biscoito de gengibre (GENGIBREAD), em formato de boneco e colocou no forno, para assar. Quando ela abriu o forno, para tirar o biscoito, ele pulou da forma e saiu correndo pela janela aberta da cozinha.
O casal correu atrás dele na esperança de comê-lo para saciarem sua fome...
“Corram! Corram! Corram o mais rápido que puderem! Vocês não podem me pegar! Eu sou o GENGIBREAD MAN!!!”
Enquanto corria, o GENGIBREAD MAN encontrou um porco, uma vaca faminta, um cavalo que também queriam devorá-lo...
GENGIBREAD MAN falou mais uma vez: “Corram! Corram! Corram o mais rápido que puderem! Vocês não podem me pegar! Eu sou o GENGIBREAD MAN!”
Então o BISCOITO DE GENGIBRE percebeu que estava correndo em direção ao rio.  “Oh, não! O rio! Agora eles vão conseguir me pegar! Como eu vou conseguir atravessar o rio?”
Foi nesta hora que uma esperta raposa saiu de trás da árvore e se dispôs a ajudar o GENGIBREAD MAN a atravessar o rio.
O BISCOITO DE GENGIBRE pulou em seu rabo e lá se foram eles atravessando o rio.
Quando estavam quase chegando a outra margem a raposa pediu para o GENGIBREAD MAN pular no seu focinho para não afundar...
Apesar do medo de ser comido pela raposa ele pulou no focinho dela, então ela o jogou para o alto, com a intenção de agarrá-lo com a boca para matar a sua fome... e isso aconteceu.

Gingerbread man (bonequinhos de biscoito de gengibre)

3 xícaras de farinha de trigo
1 e meia colheres de chá de fermento em pó
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
1 pitada de sal
1 colher de sopa de gengibre em pó
1 e meia colheres de chá de canela em pó
meia colher de chá de cravo em pó
6 colheres de sopa de manteiga sem sal
3 / 4 de xícara de açúcar mascavo
1 ovo grande
1 / 2 xícara de melaço
2 colheres de chá de baunilha
1 colher de chá de raspas de casca de limão (opcional)

Em uma tigela pequena, misture a farinha, o fermento, o bicarbonato, o sal, o gengibre, a canela eo cravo até ficar bem misturado. Em uma tigela grande Bata a manteiga, açúcar mascavo, ovo e em velocidade média até ficar bem misturado. Adicione o melaço, a baunilha e as raspas de limão e continue a misturar até ficar bem misturado. Aos poucos, acrescente os ingredientes secos em até misturar bem e suave. Divida a massa ao meio e enrole cada metade em plástico e deixe descansar em temperatura ambiente por pelo menos 2 horas ou até 8 horas. Coloque uma porção da massa sobre uma superfície polvilhada com farinha. Polvilhe farinha sobre a massa e rolo. Abra a massa com um rolo em uma espessura não muito fina. Corte os biscoitos com cortador de homenzinhos.  Asse por 7-10 minutos. Após assados você pode decorá-los como quiser.

PAO DE MEL

2 ovos
1 lata de leite condensado
1 xícara (chá) de mel
1 colher (sopa) de nescafé
3 colheres (sopa) de leite morno
1 colher (chá) de canela em pó
1 colher (chá) de cravo em pó
2 xícaras (chá) de farinha de trigo
1 xícara (chá) de chocolate em pó
1 colher (sopa) de fermento químico em pó
1 tablete de chocolate meio amargo

Modo de Preparo
Bata ligeiramente os ovos
Ovos
Os ovos de galinha são recursos básicos na preparação de pratos tanto na gastronomia ocidental quanto na oriental. Por ser tão importante na alimentação e também responsável pela reprodução de inúmeras espécies, criaram-se muitas lendas sobre o alimento. e misture o leite condensado, o mel, o NESCAFÉ® dissolvido no leite morno, a canela, o cravo. Acrescente a farinha, o Chocolate e o fermento. Despeje em uma fôrma retangular (26 x 38cm) untada e enfarinhada e asse em forno médio (180°C) por cerca de 25 minutos. Desenforme e cubra-o, ainda quente, com o Chocolate Meio Amargo alisando com uma espátula.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O Presente que o Novo Mundo Ofereceu ao Velho Continente: O Peru (pro Natal).

Quando a época natalina começa pra você?
Ando fazendo esta pergunta pra todo mundo porque hoje em dia tudo começa mais cedo. O comercio, quando  já da outubro, já se cobre com enfeites de natal pra chamar a atenção dos consumidores. E deve-se dizer que é no natal onde se encontra as vitrines de loja mais bonitas do ano comercial.
E no meio desta esfuziante e precoce época natalina os supermercados também ficam eufóricos para manter um numero cada vez maior de produtos natalinos – sobretudo o rei da festa: o peru da ceia de natal.
Sabe-se que o prato principal da ceia natalina varia de acordo com as regiões e com os países. Mas Para nós, o peru continua sendo aquele prato que não pode faltar na mesa. E somente por isto este post de hoje existe, pra tentar explicar como surgiu esta tradição de comer peru na ceia de natal
Assim, a historia do peru na ceia de natal começou tempos atrás...


Entre os astecas, a prática do canibalismo era habitual. O Estado asteca fazia a guerra para se alimentar dos prisioneiros, num ritual prévio onde ao Deus Sol eram oferecidos sacrifícios humanos. Mas a dieta não ficava exclusiva à carne humana. Eles também se alimentavam de animais possíveis de serem encontrados nos seus domínios: os cães e os perus.

Os perus eram criados pelos índios, atividade bastante antiga, com clima propício para a prosperidade desta criação. Geralmente os astecas cozinhavam o peru acompanhado de cebola, alho-poró e molho à base de pimenta vermelha.
Em 1518, quando do início do contato entre os índios e espanhóis no processo colonizador do México, Hernán Cortés tomou conhecimento do peru como ave para alimentação exposta no mercado de Tenochtitlán, capital asteca, trazendo, após, alguns exemplares para a Europa.

Cortés e os Indigenas

Mercado de Tenochtitlán

O peru também vivia em estado selvagem nos bosques do Canadá. Foi ao longo do século XVI que a Europa descobriu essa ave, um pouco estranha, que foi chamada de "galinha da Índia", pois muita gente ainda confundia a América com as Índias Ocidentais.
Os jesuítas a introduziram como prato em seus colégios religiosos. A Inglaterra tomou conhecimento da ave em 1525, sendo que rapidamente constituiu-se no prato principal da ceia de natal entre alguns países europeus, e somente após na América do Norte.
Para Brillat Savarin, o peru foi um dos mais belos presentes que o Novo Mundo ofereceu ao velho Continente. Em meados do século XIX o peru, praticamente, substituiu o cisne como ave de natal na Inglaterra, popularizando-se definitivamente.


A introdução e fixação do peru como prato principal na Europa e nas Américas, incluindo o Brasil, na comemoração do nascimento de Cristo, transformou o ritual do jantar de Natal em ceia. A abundância, e mesmo a extravagância, caracterizam a essência do momento da ceia de Natal, pois este ritual passou a ser entendido como expressão simbólica do sucesso frente aos ditames da vida cotidiana ao longo do ano.
No Brasil, dependendo das disposições financeiras das famílias esta ceia, além do peru assado, pode comportar diversos outros pratos como salpicão, outras saladas, ostras, arroz à grega, pernil de porco, frutas, panetone, castanhas, nozes, bolos. No sentido da ceia como festa, o prato principal deve ser o assado pois, segundo Levi-Strauss, de acordo com as nossas convenções sempre que o menu inclui um prato de carne assada ser-lhe-á conferido um lugar de honra no centro da refeição. Portanto, num momento de demonstração de abundância, e mesmo de desperdício, o assado recebe um status superior em relação ao cozido.

Peru de véspera srsrsrrs
Na obra "O Triangulo Culinário", Strauss revela que do contraste entre os estados assado e cozido emergem características universais: no cozimento se conserva a carne e seus sucos, ao passo que o assado constitui um processo de destruição e perda. Assim um denota economia; o outro prodigalidade; o assado é aristocrático, o cozido é plebeu! Desta forma, os estados dos alimentos são apropriados para usos e abusos como símbolo de diferenciação social.

Em alguns lares, o chefe da família é convocado para trinchar o peru assado e dividi-lo entre os presentes. E neste ritual prevalece a hierarquia entre os convidados bem como as deferências, pois as ofertas das partes do peru, e mesmo de outros assados, eram graduadas segundo a posição social dos convidados:

1. Ao convidado mais ilustre, o dono da casa dizia: "Caro Sr. ...poderia eu ter a ousadia de lhe oferecer uma parte do peru?";
2. Ao segundo convidado em dignidade, dizia "O Sr. teria a gentileza de aceitar um pedaço de peru?";
3. Ao terceiro convidado na hierarquia à mesa, o dono da casa perguntava: "O Sr. quer peru?";
4. Ao quarto na hierarquia oferecia:"um pouco de peru?";
5. enfim ao quinto perguntava, com um pequeno aceno com a faca, "peru?".

Ainda no final do século XIX este ritual incluía a arte de amolar a faca; o trinchamento competente da ave pelo chefe de família, sentado ou levantado; as perguntas usuais sobre as partes que se deseja saborear e a oferta do molho. Esta cerimônia de trinchar a carne do peru é cada vez menos usual, mas ainda se mantém na Inglaterra.

No Brasil, além do prato, o peru tornou-se bastante popular como o número 20 no jogo do bicho, e como tema de música de carnaval. Como comida, principalmente na área rural que é o prodígio da memória gustativa, é considerado rei das festas, de acordo com Rachel de Queiroz, recebendo, antes do abate, um tratamento previamente estabelecido: uma ave nova, no seu tamanho máximo de crescimento, papo amplo, coxa grossa, muita carne de peito e em quantidade suficiente para o número de convivas. 
Após colocado no quintal era-lhe preparado o porre de véspera da ceia de natal. O seu bico era aberto e despejado dois tragos de pinga goela baixo. Estas medidas eram suficientes para amolecer a carne, largar os músculos e desabar no chão. Um outro método era abrir a goela do peru e enfiar forçosamente punhados e punhados de milho, no sentido de inchar a ave para ser mais facilmente digerida. Daí diretamente para o forno, cujo assado torna-se o prato principal da ceia de Natal bem brasileira.
Segundo Nina Horta, em meados dos anos 50, a tradição de comidas bem brasileiras foi rompida. Influenciada pela cozinha americana, a nossa ceia de Natal começou a desprezar a farofa, sendo que o peru e o pernil aparecem guarnecidos com frutas frescas, compotas, doces de figos, pêssegos e abacaxis.

Bibliografia:

• BRILLAT-SAVARIN. A Fisiologia do Gosto. Rio de janeiro: Salamandra, 1989.
• HORTA, Nina. Não é Sopa: Crônicas e receitas de comida. S. Paulo: Companhia das Letras, 1995.
• LEVI-STRAUSS, C. Le Triangle Culinaire. Aix-en-Provence: l’Arc, n° 26, 1965.
• QUEIROZ, R. O Não Me Deixes. Suas histórias e sua cozinha. S. Paulo: Siciliano, 2000.
• SANTOS, Carlos R. A. Por Uma História da Alimentação. Curitiba: História: Questões & Debates, n° 26/27, dez. 1997.
• VISSER, M. O Ritual do Jantar. Rio de Janeiro: Campus, 1998

Peru de Natal
1 peru temperado congelado
- 3 colheres (sopa) de margarina
- 8 colheres (sopa) azeite
- 1 embalagem de bacon em cubos (140g)
- 3 cebolas grandes
- 300 g de azeitonas verdes picadas
- 1 1/2 xícara (chá) de ameixas pretas picadas
- 1 xícara (chá) de queijo parmesão ralado
- 1 pimenta dedo-de-moça, picada
- 4 xícaras (chá) de farinha de mandioca
- 1 maço grande de cheiro-verde picado
- Sal
- 2 colheres (sopa) de margarina
- 1 xícara (chá) de champanhe ou vinho branco

Modo de Preparo: Comece descongelando o peru: Sem retirar a embalagem, acomode a ave dentro de uma assadeira ou refratário grande e coloque na parte de baixo da geladeira por cerca de 72h. Retire o saquinho com os miúdos e cozinhe a moela e o pescoço em água e sal. Corte o fígado, o coração e também a moela cozida. Desfie a carne do pescoço e junte aos miúdos e reserve. Coloque o peru numa assadeira grande, prenda as asas e as coxas com palitos e fio dental e cubra com papel-alumínio.Leve ao forno médio (200 C) previamente aquecido por 2h. Retire o papel, besunte a ave a cada 30 min com a margarina e complete o cozimento até o termômetro pular (cerca de 2h20min). A assadeira nunca deve ficar totalmente seca (se necessário, junte 1 xícara (chá) de água). Enquanto isso, aqueça o azeite e o bacon até que ele libere toda a sua gordura. Acrescente a cebola, refogue por alguns instantes, junte as azeitonas, as ameixas, o queijo parmesão, a pimenta, a farinha de mandioca, o cheiro-verde picado e o sal. Acrescente os miúdos reservados e misture bem. Acomode o peru na travessa em que for servir e remova cuidadosamente os palitos e o fio dental. Para o molho: Leve a assadeira diretamente ao fogo, acrescente o champanhe e misture bem, raspando o fundo com uma colher de pau. Ferva por aproximadamente 10 min, coe, passe para uma molheira e sirva em seguida, acompanhando o peru.

E para acompanhar o Peru - O rei das Festas, vamos  ouvir outro Rei: