quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

A missa do galo anuncia também a hora que a ceia será servida?

Já escutei pessoas reclamando que a missa do galo demora demais! E a raiva embutida nesta frase se deve pelo fato de que, para muitos, a ceia de natal só acontece depois que a missa do galo termina... Ou seja, além do significado religioso a missa do  galo  também virou relogio que marca a hora de ceiar.
E eu fiquei, mas porque resolveram colocar a missa de natal com o nome desta ave? Vejam a resposta.

Tradicionalmente, a Missa celebrada na véspera do Natal é denominada Missa do Galo. Este é o nome dado à celebração da Eucaristia que deve acontecer a meia-noite do dia 24 de dezembro, isto é, na véspera do dia de Natal. A Missa foi instituída pelo Papa São Telésforo, no ano 143.
Papa Telésforo

Desde o século IV, um hino latino cantado na cerimônia do Natal aponta o nascimento do Cristo no meio da noite. Daí o costume de assumir a meia-noite como hora do nascimento de Jesus. 
A partir do ano 330, a Igreja passou a celebrar, em Roma, o nascimento de Jesus a 25 de dezembro. Porque se tratava do dia do solstício do inverno romano. Neste dia também dedicado ao nascimento do sol, que os pagãos festejavam como o natal do Deus-Sol – Natalis Invictus. Por isso, os romanos passaram a celebrar, nesse dia, a festa da posse do Deus-Imperador.
Foi diante deste fato que o Imperador cristão Constantino substituiu as festas pagãs, com um sincretismo do culto ao Sol e ao Imperador. Instituiu a Festa de Natal do Sol da Justiça e da Luz do Mundo, Jesus Cristo. Como preparavam a festa do Sol, com as festas pagãs de 17 a 24 de dezembro, chamadas Saturnais, assim surgiu o Tempo do Advento, para preparar o Natal de Cristo.
Constantino I

Que todos os juízes, e todos os habitantes da Cidade, e todos os mercadores e artífices descansem no venerável dia do Sol. Não obstante, atentam os lavradores com plena liberdade ao cultivo dos campos; visto acontecer a miúdo que nenhum outro dia é tão adequado à semeadura do grão ou ao plantio da vinha; daí o não se dever deixar passar o tempo favorável concedido pelo Céu." - Codex Justinianus, lib. 13 it. 12, par. 2 (3).

Esse decreto foi promulgado em 07 de março de 321 pelo imperador Constantino e visava, dentre outros motivos, oficializar o dia à adoração ao deus Sol Invictus, tornando o culto a esse deus, a religião oficial na época do baixo Império Romano. A veneração ao deus Sol tem forte ligação em vários aspectos com o Mitraísmo, que era a religião predominante no alto império. Por exemplo, os mitraístas se reuniam a cada domingo (primeiro dia da semana) para cultuar o deus Mitra, e esse dia era adotado, também, para os cultos ao "deus Sol". Com o transcorrer do tempo houve o enfraquecimento ao culto a Mitra e o fortalecimento ao Sol Invictus, passando este último a ser a base religiosa no paganismo dentro do Império Romano.
Deus Mitra
Sol Invictus

Constantino era mitraísta e seguidor do deus Sol e, segundo os relatos históricos, ele foi o primeiro imperador a se "converter" ao cristianismo, mas, por motivos políticos e religiosos não abandou de forma definitiva a sua antiga religião, pois era grande a influência que ele (como imperador) exercia aos súditos pagãos do império. Sobre o edito de Constantino, comenta-se:

"O Sol era festejado universalmente como o invencível guia e protetor de Constantino... Constantino averbou de Dies Solis (dia do Sol) o 'dia do Senhor' - um nome que não podia ofender os ouvidos de seus súditos pagãos." - The History of the Decline and Fall of the Roman Empire, cap. 20 §§ 2.º, 3.º (vol. 2, 1993, p. 429-430).

"O imperador Constantino, antes de sua conversão, reverenciava todos os deuses (pagãos) como tendo poderes misteriosos, especialmente Apolo, o deus do Sol, ao qual, no ano 308, ele [Constantino] conferiu dádivas riquíssimas; e quando se tornou monoteísta, o deus a qual adorava era - segundo nos informa Uhlhorn - antes o "Sol inconquistável" e não o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. E na verdade quando ele impôs a observância do dia do Senhor (domingo) não o fez sob o nome de sabbatum ou dies domini, mas sob o título antigo, astrológico e pagão de Dies Solis, de modo que a lei era aplicável tanto aos adoradores de Apolo e Mitra como aos cristãos." - CHAMBER, T. W. (1886). Old Testament Student.

"A conservação do antigo nome pagão de "Dies Solis" ou "Sunday" (dia do Sol) para a festa semanal cristã é, em grande parte, devida à união dos sentimentos pagão e cristão, pelo qual foi o primeiro dia da semana imposto por Constantino aos seus súditos - tanto pagãos como cristãos - como o "venerável dia do Sol"... Foi com esta maneira habilidosa que conseguiu harmonizar as religiões discordantes do império, unindo-as sob uma constituição comum." - STANLEY, D. Lectures on The History on the Eastern Church, (6.ª conferência), p. 184.

A fim de justificar a celebração do natal muitos tentaram identificar os elementos pagãos com símbolos bíblicos. Jesus, por exemplo, foi identificado com o deus-sol. Tertuliano teve que assegurar que o sol não era o Deus dos cristãos, e Agostinho denunciou a identificação herética de Cristo com o sol. O salmo 84:11 diz que Jesus é sol. Mas este versículo não está dizendo que Jesus é o deus sol ou que o sol é um deus, mas que assim como o sol ilumina toda a humanidade, Jesus é a Luz que alumia todos os homens (Veja Lc.1:78,79 e Jo.1:9).
Na basílica dos apóstolos muitos cristãos, identificando Cristo com o deus-sol, viravam seus rostos para o oriente a fim de adorá-lo. O próprio papa Leão I reprovou o ressurgimento desta prática, como já havia acontecido com o povo de Israel: “...e com os rostos para o oriente, adoravam o sol virados para o oriente” (Ez.8:16). 
No século IV, a comunidade cristã de Jerusalém ia em peregrinação a Belém, para celebrar a Missa do Natal na primeira vigília da noite dos judeus, na hora do primeiro canto do galo, mencionado por Jesus na traição de Pedro (Mt. 26,34 e Mc 14,68.72).

Por isso, a Missa da meia noite no Natal, se chama Missa do Galo, do primeiro canto do galo. Essa missa do galo é celebrada, em Roma, desde o século V, na Basílica de Santa Maria Maior. Pois, o galo, também publica o nascer do sol. Outra explicação para o termo  "Missa do Galo" teve origem no fato de Jesus ser considerado o sol nascente que veio nos visitar. Só a Missa do Galo e a Missa de Páscoa são celebradas à meia-noite, pois nelas há o sentido de procurar a luz no meio da noite.
O galo era considerado uma ave sagrada no antigo Império Romano. O animal passou a simbolizar vigilância, fidelidade e testemunho cristão. O galo é ainda a primeira ave a ver os raios de sol e, portanto, ao reverenciar o sol nascente, o galo estaria louvando, primeiramente, a Jesus Cristo. Por isso, no século IX, o galo foi parar no campanário das igrejas.

Ainda existe uma famosa lenda que trata da importância do galo para o mundo, conto que apresenta uma possível explicação para a existência da coroa vermelha que os galos possuem.

Uma lenda chinesa para mostrar como o galo adquiriu a sua coroa vermelha...

Há muitos, muitos anos atrás, quando o mundo acabara de ser criado, a Terra vivia debaixo de seis sóis e não de apenas um. Uma Primavera, após os camponeses terem preparado os seus campos já semeados, a água das chuvas não veio e os seis sóis queimaram tudo. Então o povo dirigiu-se ao imperador Yao que reinava na China e pediu-lhe ajuda. Como fazer para resolver tal situação? Questionou o imperador. Um seu conselheiro sugeriu-lhe que se tentasse acertar nos sóis e matá-los. O Imperador chamou então os seus melhores arqueiros e determinou-lhes que apontassem para os sóis. Os arqueiros lançaram as suas flechas em direção aos sóis mas as suas flechas bem longe ficaram dos alvos.
Resolveu então solicitar ajuda do príncipe Ho Yi de uma tribo vizinha, dado que era famoso na sua mestria de arqueiro. Ho Yi acedeu, apontou o arco, mas disse ao imperador: ‘Lamentavelmente, eles estão longe demais para os poder alcançar’. De repente, olhando o lago existente no palácio do Imperador e vendo os seis sóis nele refletidos, exclamou: ‘Mas se os temos aqui tão perto porque não alvejá-los aqui? E um a um, certeiramente, foi alvejando os sóis e, um a um, foram desaparecendo.
Porém, o sexto, prevenindo-se, fugiu para detrás da montanha mais próxima. Os camponeses rejubilaram e foram dormir descansados. No dia seguinte, porém, acordaram numa imensa escuridão, pois o sexto sol, de tanto medo de ser morto, mantinha-se escondido.
Tudo foi tentado pelos camponeses: primeiro, um tigre rugindo, rugindo para o fazer sair detrás da montanha para outro local; depois, a táctica inversa, uma vaca mugindo de forma apaziguadora e dócil para o acalmar e mostrar-se. Mas o Sol recusava-se a aparecer.
Estão um camponês trouxe um galo que cantou. E ouve-se a voz do Sol dizendo: Ó que maravilhosa voz! E espreitando sobre a montanha fez-se, de novo, luz.
O Sol, como prêmio ao belo cantor, coroou-o com uma coroa vermelha. E desde aí o galo, orgulhoso da sua coroa, canta pela aurora acordando o Sol.
O Galo é também na tradição chinesa, por excelência, o espantador de demônios. É por esta razão que muitas vezes são colocadas figuras de um galo branco nos caixões para “limpar” de demônios o caminho que o defunto irá percorrer. O seu canto ao nascer do sol tem, também segundo a tradição chinesa, o efeito de afugentar os demônios que vivem mal com a luz do dia.

Depois desta historia toda, e se você não quiser esperar a missa do  galo terminar para poder se esbaldar na ceia, deixo uma receitinha pra você preparar e se deliciar



Bacalhau com lentilhas

4 pedaços de filés ou postas de bacalhau fresco sem pele, cerca de 140 gramas cada
1-2 pimentas-malaguetas vermelhas, sem sementes e bem picadas
2 colheres de (sopa) de azeite de oliva extra-virgem
2 alhos-porós de tamanho médio, picados
170 gramas de lentilhas, lavadas e escorridas
1 pitada de pimenta-cayena em pó
2 talos de aipo, picados
Fatias de limão para servir
750 ml de caldo de legumes
1 ramo de tomilho fresco
Sal e pimenta-do-reino
1 cebola, picada
1 folha de louro
Suco de 1 limão

Pré-aqueça o forno em fogo médio alto. Numa panela, aqueça 1 colher de sopa do azeite, acrescente a cebola, o aipo, o alho-poró e a pimenta-malagueta, e refogue em fogo brando por 2 minutos. Adicione as lentilhas. Junte o caldo de legumes, o tomilho e o louro e deixe ferver. Baixe um pouco mais o fogo e deixe cozinhar por cerca de 20 minutos ou até as lentilhas ficarem macias. Se, no final desse tempo, elas não tiverem absorvido todo o caldo, escorra-as (você pode usar o excesso de caldo para preparar uma sopa). Enquanto as lentilhas cozinham, misture a colher de sopa restante de azeite, o suco de limão e a pimenta-cayena. Coloque o bacalhau numa assadeira, tempere com sal e pimenta-do-reino e pincele com a mistura de azeite. Asse por 6 a 7 minutos ou até o peixe se desfazer com facilidade. Não há necessidade de virar o peixe. Disponha as lentilhas numa travessa aquecida e arrume por cima os pedaços de bacalhau. Sirva bem quente, com fatias de limão.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

A Fada do Natal de STRASBURG e as receitas dos bolinhos de fada

Sempre que o natal se aproxima parece que a fé das pessoas se expande, se renova, e faz com que elas acreditem em muitas coisas... como na possibilidade de ter contato com seres sobrenaturais que lhe tragam boas novas ou mesmo a felicidade tão sonhada.
Para provar isto, basta olhar a literatura mundial e encontrar textos que tem o natal como pano de fundo para histórias fantásticas. Talvez a mais conhecida destas, seja  o conto de natal escrito por Charles Dickens.

Porém, apesar da popularidade deste conto, Eu, particularmente, prefiro outro conto natalino, dos contos de fadas germânicos, que descreverei a seguir. O motivo que me leva a colocar esta historinha é que no natal eu sempre faço bolinhos das fadas para enfeitar a mesa natalina, elementos que decoram e surpreendem os mais refinados paladares... Mas vamos á história para que vocês entendam a minha preferência literária:

A Fada do Natal de STRASBURG

Uma vez, há muito tempo, vivia perto da antiga cidade de Strasburg, no rio Reno, um jovem e belo conde, cujo nome era Otto. Conforme os anos iam passando o jovem continuava solteiro, e nunca olhava com admiração para as belas donzelas ao redor do seu país, por esta razão as pessoas começaram a chamá-lo de "pedra de coração."
Aconteceu que o conde Otto, em uma véspera de Natal, ordenou que uma grande caçada devesse acontecer na floresta em torno de seu castelo. Ele e seus convidados e servos puseram a caçar; andaram para a parte mais longínqua de suas terras e a caça começou excitante, através dos arvoredos, e entre os trechos mais intransitáveis de floresta, até que finalmente o conde Otto encontrou-se separado de seus companheiros.
Ele foi sozinho até uma fonte de água clara e borbulhante, conhecida pelas pessoas ao redor do castelo como fonte da Fada do Bem. Lá cegando o conde desmontou do seu cavalo e se inclinou, começando a lavar as mãos na água cintilante, e para sua surpresa, descobriu que embora o tempo estivesse frio e gelado, a água estava quente e deliciosamente carinhosa.
 Ele sentiu um brilho de alegria passando por suas veias, e, como ele mergulhou as mãos mais profundamente, ele imaginou que sua mão direita que foi apreendida por outra mão, macia e pequena, que gentilmente fez escorregar do seu dedo o anel de ouro que ele usava sempre. Quando ele tirou a mão da água, o anel de ouro havia desaparecido.
Cheio de admiração a este acontecimento misterioso, montou em seu cavalo e retornou ao seu castelo. Enquanto resolvia em sua mente que, no dia seguinte, ele mandaria seus servos esvaziar a fonte da fada do bem.
No castelo, entrou em seus quarto, e, atirando-se da mesma forma que estava sobre sua cama, tentou dormir, mas a estranheza da aventura o mantinha inquieto e insone.
De repente, ouviu o latido rouco dos cães no pátio e em seguida, o ranger da ponte levadiça, como se estivesse sendo baixada. Em seguida, veio a seu ouvido o aranzel de muitos pequenos pés na escadaria de pedra, e ao lado, ouviu indistintamente o som de passos de luz na sala vizinha dele.
Conde Otto começou a ouvir dentro do seu leito uma música deliciosa, e a porta do seu quarto se abriu. Apressando-se para a próxima sala, ele encontrou-se no meio de inumeráveis Fadas, com vestes alegres e espumantes.
O conde falava, mas os seres não lhe davam ouvidos, mas começou a dançar e rir, e cantar, ao som da música misteriosa.
No centro do apartamento havia uma esplêndida árvore de Natal, a primeira já vista naquele país. Em vez de brinquedos e velas estava iluminada por estrelas e ramos de diamante; colares de pérolas, pulseiras de ouro ornamentadas com pedras preciosas coloridas, penachos de rubis e safiras, cintos de seda bordado com pérolas orientais, e adagas em ouro e cravejadas das pedras preciosas mais raras. A árvore inteira brilhava no esplendor de suas muitas luzes.
Conde Otto ficou calado, olhando para toda esta maravilha, quando de repente as Fadas pararam de dançar e caíram para trás, para dar lugar a uma senhora de uma beleza deslumbrante que veio lentamente em sua direção.
Ela usa um cabelo negro como um corvo um diadema de ouro com pedras preciosas. Seus cabelos caíram em cima de um manto de cetim e veludo. Ela estendeu a duas pequenas mãos brancas para o conde e se dirigiu a ele em com um doce tom sedutor: -"Caro conde Otto", disse ela, "Eu vim para retornar a sua visita de Natal. Sou Ernestine, a Rainha das Fadas. Trago-vos algo que você perdeu no Poço de fadas."
E como ela falava, tirou do seio um caixa de ouro, cravejada de diamantes, e colocou em suas mãos. O conde recebeu a caixa e abriu-a ansiosamente, encontrado dentro dela o seu anel de ouro perdido.
Levado pela maravilha de todo o acontecimento, e vencido por um impulso irresistível, o conde pressionou a fada Ernestine junto ao seu coração, enquanto ela, segurando-o pela mão, levou-o para o labirinto mágico da dança. A música misteriosa flutuava pelo quarto, e o resto da sociedade  das fadas circulava em volta da Rainha das Fadas e do conde Otto.
Então o jovem, esquecendo toda a sua antiga frieza para com as donzelas da circunvizinhança, caiu de joelhos diante da Fada e suplicou que ela se tornasse sua esposa. Finalmente ela consentiu com a condição de que ele nunca deveria falar a palavra "morte" em sua presença.
No dia seguinte, o casamento do conde Otto e Ernestine, Rainha das Fadas, foi comemorado com grande pompa e magnificência, e os dois continuaram a viver felizes por muitos anos.
Porem, certa vez, o conde e sua esposa fada foram caçar na floresta ao redor do castelo. Os cavalos estavam selados e freados, e em pé na porta, o conde esperava impaciente pela rainha das fadas, mas Ernestine demorou muito tempo em seu quarto. Finalmente, ela apareceu na porta do salão, e o conde dirigiu a ela com raiva. "Você nos manteve esperando tanto tempo", Ele chorou, "que você seria uma boa mensageira para enviar para a morte!"
Mal havia falado a palavra proibida e fatal, quando a fada, soltando um grito selvagem, desapareceu de sua vista. Em vão o conde Otto, esmagado pela dor e remorso, procurou no castelo e na fonte da Fada do Bem, mas nao achou nenhum vestígio para achar a rainha das fadas, perdeu sua bela esposa, mas a marca da sua mão delicada ficou marcada no arco de pedra acima da porta do castelo.
Anos se passaram, e a fada Ernestine não retornou e o conde continuava a sofrer. E toda véspera de Natal ele monta uma árvore iluminada na sala onde ele havia conhecido a Fada, esperando em vão que ela voltasse para ele.
O tempo passou e o conde morreu. O castelo caiu em ruínas. Mas até hoje pode ser visto acima do portão enorme, profundamente afundado no arco de pedra, a impressão de uma mão pequena e delicada. E assim, diz o bom povo de Strasburg, que esta foi a origem da permanência da árvore de Natal.

Mais sobre os fairy cakes


Esse pequeno bolo tem origem no Reino Unido, onde são chamados até hoje de Fairy Cakes (bolo das fadas), tradicionalmente um bolinho de baunilha com cobertura de fondant, presente no famoso chá das 5, aniversários, café da manhã.
Acredita-se que chegou aos na América em meados do século XIX, e foram chamados de cupcake. Isso se deu porque todos os ingredientes da receita eram medidos por xícaras (cups), ao invés de pesados como era o costume naquela época. E esse tipo de medição foi considerado revolucionário pela facilidade que dava à dona de casa.
O termo Cupcake é mencionado pela primeira vez no livro Seventy-Five Receipts for PastryCakes, and Sweetmeats de Eliza Leslie, 1828. "The Oxford Encyclopedia of Food and Drink in America" explica que o nome tem um duplo sentido, pois a receita do bolo é medida em cups (xícaras) e assada nelas. Isso foi revolucionário por causa do tempo que demorava para se assar bolos e da facilidade em medir os ingredientes que originalmente eram pesados.
Então em meados de 1900 esses bolos se tornaram populares devido a sua facilidade de cozimento. A maioria das pessoas, inclusive eu, associam os Cupcakes com a década de 1950 e 60, embora isso seja um engano. Os Cupcakes não eram mais populares durante esse período do que são hoje.
Nova York é tão apaixonada pelos cupcakes que existem até roteiros turísticos que levam aos lugares mais famosos na produção do bolinho. Um deles é o Magnólia, uma cadeia que tem lojas espalhadas por toda a cidade. A mais procurada é a do West Village. Tem fila o tempo todo e turistas de muitas partes do mundo à espera de saborear o cupcake feito na hora. Graças ao seriado e ao filme "Sex and the city", a fama do Magnólia aumentou muito. As quatro amigas de Manhattan não viviam sem um cupcake, que elas consideram o melhor da cidade. 
Outro segredo guardado a sete chaves é a quantidade de calorias que existe em cada um dos cupcakes. Quem faz e quem compra prefere falar da delícia que é saborear esse bolinho com cobertura de glacê. A resposta mais comum sobre calorias é "who cares?” ou “quem se preocupa?”. 
Ganharam o mundo e outros tamanhos, conquistando muitos apreciadores. O sucesso foi tanto que hoje há uma grande quantidade de blogs e comunidades que têm os bolinhos como tema principal. E o Brasil já entra na febre dos cupcakes para suas festividades.
Os sabores são variados - dos simples aos enriquecidos com frutas - , com ou sem recheios. Mas, com o passar do tempo, o maior destaque ficou por conta da decoração. Os temas variam de acordo com a ocasião em que serão servidos. Os bichos e personagens infantis, para as crianças. Como lembrancinhas de maternidade, bebês ou carrinhos. Nos casamentos, como complemento da decoração do bolo ou como lembrancinhas.
O  que o torna diferenciado dos outros bolinhos, como o similar muffin, é que sua massa é mais leve e não muito doce e a cobertura e os recheios dão o toque final e criativo neles.

Red velvet Fairy cake
Massa
4 colheres (sopa) manteiga sem sal em temperatura ambiente
3/4 xícara de açúcar
1 ovo
2 e 1/2 colheres (sopa) chocolate em pó
3 colheres (sopa) corante alimenticio vermelho
1/2 colher (chá) de essência de baunilha
1/2 xícara de leite talhado*
1 xícara mais 2 colheres (sopa) de farinha de trigo
1/2 colher (chá) de sal
1/2 colher (chá) de bicarbonato de sódio
1 e 1/2 colheres (chá) vinagre de vinho branco

*Para fazer: cada xícara de leite que a receita pedir, coloque 1 colher (sopa) de suco de limão ou vinagre branco em um recipiente e acrescente leite até completar uma xícara. Deixe descansar por cerca de 10 minutos antes de usar.

Cobertura:
2 e 1/3 xícara de açúcar de confeiteiro peneirado
3 colheres (sopa) de manteiga em temperatura ambiente
113g de cream cheese (queijo cremoso)
1/4 colher (chá) rasa de canela em pó

Modo de PreparoPré-aqueça forno a 160°C. Numa batedeira, bata a manteiga e o açucar até ficar uma claro e fofo, cerca de 3 minutos. Em velocidade rápida, junte e bata o ovo, até ficar bem misturado. Numa outra tigela misture o chocolate em pó, a essência de baunilha e o corante e fassa uma pasta. Acrescente na mistura de manteiga e bata até ficar totalmente misturado. Diminua a velocidade e acrescente metade do buttermilk lentamente. Adicione metade da farinha peneirada e bata, termine de colocar o buttermilk e a farinha e bata em velocidade alta até ficar bem misturado. Diminua a velocidade e adicione o bicarbonato e o vinagre. Aumente novamente a velocidade e bata por mais alguns minutos. Despeje nas forminha untadas ou com forminha de papel e asse por 20 a 25 minutos ou até o teste do palito sair limpo. Cobertura: Bata o açucar, a canela e a manteiga em velocidade média-baixa até ficar bem misturado. Adicione o cream cheese e bata e velocidade média-alta até incorporar, cerca de 5 minutos, ou até ficar claro e fofo. Não bata demais pois a cobertura pode ficar mole. Cubra os cupcakes.

Fairy cake de Pêra e Açafrão com Lemon Curd
1 pêra pequena, madura mas firme
100grs de manteiga com sal
100grs de açúcar superfino
2 ovos médios
½ colher chá extrato baunilha
100 grs amêndoas raladas
40 grs farinha, peneirada
½ colher chá açafrão (ou mais, a gosto)
1 colher chá raspa limão

Lemon Curd

½ xícara de suco de limão
raspa de 1 limão
2 ovos
3 gemas
2 colheres sopa leite
1/3 chávena açucar
¼ colher chá sal (omita se utilizar manteiga com sal)
6 colheres sopa manteiga, cortada em pedaços

Massa: Aqueça o forno a 180ºC. Bata a manteiga com o açúcar até obter uma massa leve. Adicione os ovos gradualmente. Junte o extrato de baunilha e a raspa de limão. Envolva as amêndoas e a farinha, mexendo apenas o necessário (não trabalhe demasiadamente a massa). Coloque 16 caixinhas de papel dentro das formas ou tabuleiros. Encha cada uma até um pouco mais de metade. Descasque a pêra e fatie. Coloque 2 ou 3 pedaços em cada cupcake. Leve ao forno por 15-18 minutos ou até estarem dourados. Retire do forno. Lemon Curd: Bata todos os ingredientes até estes ligarem, exceto o sumo e raspa de limão e a manteiga. Acrescente em seguida o sumo e raspa de limão e adicione a manteiga. Leve ao fogo médio num tacho pequeno anti-aderente, mexendo continuamente até a mistura ficar a cobrir as costas da colher. (Não deixe ferver ou os ovos podem talhar) Depois de engrossar, coloque numa tigela ou em frascos e deixe arrefecer. Tape e refrigere. Finalizar os cupcakes: coloque uma colherada de lemon curd no topo de cada um e polvilhe com filamentos de açafrão.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Christopsomo - O Pão de Cristo: Tradição grega para o natal

Eu estava pensando nas tradições natalinas quando passei perto de uma confeitaria famosa por fazer bolos de ótima qualidade, porém sem nenhuma identidade cultural. Chegando na minha casa, fui ler sobre o assunto e acabei enviando a receita abaixo para o dono da confeitaria para que, pelo menos, ele tivesse algo mais consistente e com menos aparência de industrializado.
Obviamente que eu não irei esperar que ele teste a receita e a coloque na suas prateleiras, mas fiz minha parte...

A tradição natalina do pão de Cristo grego

A lenda do Pai Natal tem origem em São Nicolau de Mira, patrono dos marinheiros. Como tal, para os Gregos - povo intimamente ligado ao mar, o Natal reveste-se de uma importância extrema, sendo apenas superada pela Páscoa, celebração suprema para os Cristãos Ortodoxos.

São Nicolau

S.Nicolau
Na véspera de Natal as crianças Gregas percorrem as ruas entoando cânticos – as Kalandas, e como recompensa recebem doces e frutos secos.
Depois de 40 dias de jejum, crianças e adultos regozijam com a matança do porco, com deliciosos pratos acompanhados de Christopsomo (pão de Cristo).

Fundem-se os ritos cristãos e pagãos: não há árvore de Natal, mas em vez disso os gregos usam um recipiente de madeira (cheio de água) suspenso onde é pendurado um raminho de manjericão enrolado à volta de uma cruz de madeira.
Todos os dias uma pessoa da família molha a cruz e com ela asperge a casa. Os gregos acreditam que a aspersão os purifica e protege do duende maligno Killantzaroi.
Killantzaros

O Killantzaros, é uma especie de duede malefico que sai durante um  período de 12 dias a partir de 25 dezembro – que vai até o dia 6 janeiro (Epifania) e tem um conjunto de crenças relacionadas com eles.Esta raça de pequenos traquinas residem no centro da terra, e entram nas casas por meio das  chaminés e dizem que fazem coisas parecidas com as que o SACI apronta no folclore brasileiro: extinguir incendios, fazer tranças nas caudas dos cavalos, anda montado nas costas das pessoas e azeda o leite. Pra manter este diabinho longe da sua casa, diz os antigos gregos que voce precisa deixar a fogueira (lareira) queimando dia e noite durante os doze dias em que ele aparece; e expalhar agua benta em casa tambem ajuda.

Apenas a 1 de Janeiro tem lugar a troca de prendas no Natal grego, altura em que tem lugar o ritual de renovação das águas e oferendas aos Naiads ou Náiades, espíritos das nascentes e das águas.

Naiades do Mar
Naiades das Fontes

Náiades são ninfas aquáticas com o dom da cura e da profecia. Assemelhavam-se às sereias e, com a voz igualmente bela, elas viviam em fontes e nascentes ou até cachoeiras; deixavam beber dessa água, mas não se banhar delas, e puniam os infratores com amnésia, doenças e até com a morte. Homero, na Ilíada, dá-lhes como pai a Zeus, mas outros consideram-nas filhas de Oceano ou do deus-rio Asopo onde residem. Eram extremamente belas; tinham pele clara ou até azulada e olhos extremamente azuis e profundos.As Náiades se dividem em cinco tipos diferentes:Crinéias: Náiades que habitam fontes; Limneidas (ou Limnátides): Náiades que habitam os lagos; Pegéias: Náiades que habitam nascentes; Potâmides: Náiades que habitam os rios; Eleionomae; Náiades que habitam os pântanos.


Christopsomo

• 3 colher(es) de sopa fermento em pó para sopa
• 1/2 xícara(s) água morna
• 1 e 1/2 xícara(s) açúcar
• 8 xícara(s) farinha de trigo
• Sal
• 5 unidade(s) ovos
• 1 e 1/2 xícara(s) leite
• 1 colher(es) de chá essência de baunilha
• 200 g manteiga sem sal
• 1 xícara(s) amêndoas torrradas e picadas
• 1/2 xícara(s) de uva passa
• 1 colher(es) de raspas de limão

Misture o fermento, água morna, 1 colher de chá de açúcar, 2 colheres de sopa de farinha de trigo e 1/2 colher de chá de sal numa tigela. Deixe descansar por aproximadamente 20 minutos. Numa outra tigela, bata os 4 ovos, 1 1/2 xícara de açúcar, 1 colher de chá de sal e o leite. Depois de bem misturado, acrescente a mistura que estava descansando e bata muito bem. Adicione 3 xícaras de farinha de trigo e a essência de baunilha. Derreta a manteiga e acrescente à massa, juntamente com as amêndoas, passa e raspas de limão. Continue adicionando a farinha de trigo e trabalhando a massa até que ela fique bem elástica. Quando a massa estiver suficientemente trabalhada, transfira-a para uma tigela funda e cubra-a com uma folha de plástico: até que ela dobre de volume.


Quando a massa estiver no ponto, separe-a em três partes e modele-a sob a forma de trança ou siga o modelo tradicional, uma bola grande de massa com faixas de massa que formam uma cruz. Coloque num tabuleiro e deixe-a descansar coberta por mais 30 minutos. Asse em forno pré-aquecido.


E como informação nunca é demais. vejamos um pouco mais sobre o papai noel.









quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O Bolo-Rei: simbologia e tradição

Impossível falar dos doces natalinos sem citar o majestoso Bolo Rei, com a sua forma de coroa, cheio de frutas cristalizadas e frutos secos (amêndoas, nozes e pinhões), e ainda com a fava e o brinde. 
 Este bolo está repleto de tradição e simbologia. E sintetizando esta simbologia pode-se dizer que este doce representa os presentes oferecidos pelos Reis Magos ao Menino Jesus. A côdea (a parte exterior do bolo) simboliza o ouro; já as frutas secas e as cristalizadas representam a mirra; por fim, o incenso está representado no aroma do bolo.

 A explicação para a existência da fava no interior no bolo rei está ligada a uma lenda, segunda a qual quando os Reis Magos viram a Estrela de Belém que anunciava o nascimento de Cristo, disputaram entre si o direito de entregar ao Menino os presentes que levavam. Como estes não conseguiam chegar a um acordo, um padeiro, para pôr termo à discussão, propôs fazer um bolo com uma fava no interior da massa, em seguida, cada um dos três magos do  Oriente pegaria numa fatia, o que tivesse a sorte de retirar a fatia que possuísse a fava, ganharia o direito de entregar os presentes a Jesus. Não se sabe qual foi contemplado com a fatia premiada, pode ter sido qualquer um dos três, Baltasar, Belchior ou Gaspar.

É claro que isto é só uma lenda, o Bolo Rei tem, na verdade origens francesas como verão em de seguida.
 A receita do Bolo Rei correu mundo, muito contribuiu para isso a fama que o bolo ganhou de proporcionar prosperidade a quem comesse a fatia que possuísse a fava. Contudo, dita a tradição que quem receber a fatia com a fava, tem de oferecer o Bolo Rei no ano seguinte.

Os romanos costumavam votar com favas, prática introduzida nos banquetes das Saturnais, durante as quais se procedia à eleição do Rei da Festa, também chamado Rei da fava. Diz-se que este costume teve origem num inocente jogo de crianças, muito frequente durante aquelas festas e que consistia em escolher o rei, tirando-o à sorte com favas.
A Fava
O jogo acabou por ser adaptado pelos adultos, que passaram a utilizar as favas para votar nas assembléias. Como aquele jogo infantil era característico do mês de Dezembro, a Igreja Católica passou a relacioná-lo com a Natividade e, depois, com a Epifania, ou seja, com os dias 25 de Dezembro e 6 de Janeiro.
A influência da Igreja na Idade Média determinou a criação do Dia de Reis, simbolizado por uma fava introduzida num bolo, cuja receita se desconhece.
De qualquer modo, a festa de Reis começou muito cedo a ser celebrada na corte dos reis de França. O bolo-rei teria surgido no tempo de Luís XIV para as festas do Ano Novo e do dia de Reis. Vários escritores escrevem sobre ele, e Greuze celebrou-o num quadro, exatamente com o nome de Le Gâteau des Rois. Com a Revolução Francesa , em 1789, este bolo foi proibido. Só que os confeiteiros tinham ali um bom negócio, e em vez de o eliminarem, passaram a chamar-lhe Gâteau des sans-cullottes.

Epiphany (Le gâteau des rois) - Jean-baptiste Greuze

Em Portugal, depois da proclamação da República, não chegou a ser proibido, mas andou lá perto. Com exceção desse mau período, a história do bolo-rei é uma história de sucesso, e hoje como ontem as confeitarias e pastelarias não se poupam a esforços na sua promoção
Com isto parece não haver dúvidas que o Bolo Rei tem verdadeiras origens francesas, apesar do Bolo Rei popularizado em Portugal no século passado não ter a ver com o bolo simbólico da festa dos reis existente na maior parte das províncias francesas a norte do rio Loire, na região de Paris, onde o bolo é uma rodela de massa folhada recheada de creme.
O nosso Bolo Rei segue a receita a sul de Loire, um bolo em forma de coroa feito de massa leveda. Acrescenta-se que ambos os bolos continham uma fava simbólica, podendo ser um objeto de porcelana. Tanto quanto se sabe, a primeira casa onde se vendeu Bolo Rei em Portugal foi em Lisboa na Confeitaria Nacional, por volta do ano de 1870, bolo esse feito pelo afamado confeiteiro Gregório através duma receita que Baltazar Castanheiro Júnior trouxera de Paris.
Durante a Quadra Natalícia a Confeitaria Nacional oferecia aos lisboetas uma exposição de tudo quanto de mais delicado e original a arte dos doces podia então produzir. Pouco a pouco, outras confeitarias também passaram a fabricá-lo o que deu origem a várias versões.
No Porto foi posto à venda pela primeira vez em 1890 por iniciativa da Confeitaria Cascais feito segundo receita que o proprietário Francisco Júlio Cascais trouxera de Paris.
Assim o Bolo Rei atravessou com êxito os reinados da Rainha D. Maria II e dos reis D. Pedro, D. Luis, D. Carlos e D. Manuel II. Vieram depois o Estado Novo de Salazar e Marcelo Caetano e a Revolução de 25 de Abril de 1974.
Mas foi com a proclamação da República em 5 de Outubro de 1910 que vieram os piores tempos para o Bolo Rei ficando em risco a sua existência, tudo por causa da palavra “rei”, símbolo do poder supremo que numa lógica de hoje nos faz rir. Ora morto este símbolo, o bolo tinha que desaparecer ou mascarar-se para evitar a guerra que lhe podia ser feita.
Os confeiteiros partiram do principio de que negócio é negócio e política é política e continuaram a fabricar o bolo sob outra designação.
Os menos imaginativos deram-lhe o nome de ‘ex-bolo rei’, mas a maioria chamou-lhe bolo de Natal ou bolo de Ano Novo. A designação de bolo Nacional seria a melhor, uma vez que remetia para a confeitaria que o tinha introduzido em Portugal, e também por estar relacionado com o país o que ficava bem em período revolucionário.

Não contentes com nenhuma destas idéias os republicanos mais radicais chamaram-lhe bolo Presidente até houve quem he chamasse bolo Arriaga.
Não se sabe como reagiu o Presidente da República, mas convenhamos que a homenagem não tivesse sido a melhor.
Passado esse período negro, a história deste bolo tem sido um sucesso.
A receita do Bolo Rei correu mundo, muito contribui para isso a fama que o bolo ganhou por proporcionar expectativa a quem comesse a fatia que continha a fava ou o brinde.
A fava, amaldiçoada pelos sacerdotes Egípcios que a viam como alojamento para os espíritos, é considerada como um elemento negativo, representando uma espécie de azar, tendo quem a encontra duas opções: Assumir o pagamento do próximo bolo ou correr perigo de engoli-la. Por sua vez o brinde era colocado no bolo com o objetivo de presentear os convidados com quem se partilhava o bolo.
Havia quem colocasse nos bolos pequenas adivinhas complicadas por sinal, mas cuja recompensa seria meia libra de ouro. Porem outros incluíam propositadamente as moedas de ouro na massa, por uma forma requintada de agradecimento, como se o próprio bolo não chegasse. Infelizmente com o passar do tempo o brinde passou a ser um pequeno objeto metálico sem outro valor que não o do símbolo e pouco evidente para a maioria das pessoas. Como não bastassem, as leis comunitárias ditaram o fim da tradição, proibindo que no interior do bolo se encontre uma fava ou um brinde.


Mesmo assim o Bolo Rei continua a ser um símbolo da época Natalícia, e hoje os confeiteiros e pasteleiros não se poupam a esforços na sua promoção, por isso se enchem de clientes para adquirir o rei das iguarias nesta quadra festiva, O Bolo Rei não se limita a ser um bolo com gosto agradável, ele é na verdade um verdadeiro símbolo desta época.
 Depois desta história, que tal fazer um e provar uma fatia?

BOLO-REI

4 1/2 xíc. (chá) de farinha de trigo
2 tabletes de fermento biológico
1 xíc. (chá) de açúcar
4 colh. (sopa) de leite
1/2 xíc. (chá) de azeite de oliva
5 ovos
3 colh. (sopa) de vinho do Porto
2 colh. (sopa) de casca de laranja ralada
1/2 xíc. (chá) de azeite de oliva
1/2 xíc. (chá) de uva-passa sem sementes.
4 colh. (sopa) de amêndoas picadas
4 colh. (sopa) de nozes picadas
1 xíc. ( chá) de frutas cristalizadas
100 gramas de cerejas
4 colh. (sopa) de açúcar confeiteiro

Em uma tigela, peneire a farinha de trigo e reserve. Em outra, misture o fermento e 3 colheres de sopa de açúcar até obter uma pasta. Misture o leite aquecido e 4 colh. (sopa)de farinha de trigo . Cubra com filme plástico e deixe crescer por 15 minutos. Em outro recipiente, coloque 4 ovos, o vinho do Porto e as raspas de laranja e bata ràpidamente com um batedor manual. Reserve. Em uma superfície lisa, coloque a farinha de trigo restante e faça uma cova uma cavidade no centro. Junte o azeite de oliva (reserve 1/2 colher de sopa) e o açúcar restante. Com a ponta dos dedos, misture até obter uma farofa. Acrescente a massa crescida e mistu-
re. Aos poucos, junte os ovos batidos e sove a massa por 5 minutos. Adicione as uvas passas, as amêndoas, as nozes e metade das frutas cristalizadas. Misture delicadamente e transfira a massa para uma tigela. Cubra com filme plástico e deixe crescer por 1 hora. Em seguida, modele a massa, formando um anel. Transfira a massa para uma assadeira de pizza com 30 cm de diâmetro, untada com o azeite reservado.Deixe crescer por mais 30 minutos. Ligue o forno à temperatura média. Distribua sobre a massa o restante das frutas cristalizadas e as cerejas. Pressione ligeiramente com os dedos e pincele toda a superfície com o ovo batido. Leve o bolo ao forno por aproximadamente 40 minutos. Retire do forno, desenforme ainda morno e disponha em um prato grande. Em seguida, distribua por cima o açúcar confeiteiro em montinhos, se preferir, no momento de servir coloque fios de ovos na parte central do bolo.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Canapé às vezes necessita de um manual de instruções...

Quando a época natalina chega a primeira recordação que me vem à memória é o sacal amigo secreto, com aqueles presente que a maioria dos participantes odeia. Depois dele, tirando as decorações natalinas que já não deixam mais  ninguém esquecer que o natal  está chegando, vem as confraternizações e festas... Nestes eventos algo sempre me chamou atenção, os canapés. Uns são lindos – tanto no visual como no gosto. Outros, porém, são um verdadeiro desastre.
E eu pensava que só eu defendia esta tese até que eu encontrei um texto de autoria desconhecida, que usa quase um tom por vezes terrorista, para traduzir o que é este pequeno grande causador de delicias ou confusões. Vejam:


Reza a história que uma idosa, temente a deus e devota a tudo o que é ato altruísta, ao comer um canapé (essa vil e perigosa iguaria) engoliu o palito, tendo que ser operada de urgência nesse mesmo dia. Ora minhas senhoras e meus senhores, se não estamos perante uma das mais diabólicas obras de satã, eu como o meu chapéu. Quer dizer, uma senhora cujo único pecado era a gula, ser desta forma assaltada por esta tentação enviada pelo demônio... tá mal pá! Não se faz! Ainda estava para lá um senhor (aquele grande desgraçado que devia ser sodomizado, sem piedade, por 50 camionistas sedentos de sexo) que disse: “...ah! Se calhar foi descuido da senhora ... se calhar não sabia comer aquilo...”. Muito bem, meu grande sacana, para tu não poderes dizer “ah e tal, foi descuido...” fica sabendo que a senhora em causa fazia-se acompanhar de um exemplar do meu último livro – Canapé: Um pitéu ou uma catástrofe natural?!” – do qual deixo aqui um pequeno resumo: “ Anatomicamente, o canapé divide-se em 2 partes bem distintas: 1 – O palito (tenham medo, tenham muito medo); 2 – O Pitéu. Tendo em conta todos os perigos que o seu consumo acarreta, o canapé deve ser manuseado tal e qual como um instrumento de guerra – com muito cuidado. Fonte: http://manchadela.blogspot.com/2005/01/canaps-para-quando-um-manual-de.html

Depois desta história reflexiva, vamos saber um pouquinho mais sobre canapé. E aprender receitas menos perigosas para você não errar na hora de encantar seus convidados nos coquetéis e festas de natal.

Canapé é uma palavra francesa que designa o pedaço do miolo do pão, de formato variado, sobre o qual se colocam preparações diversas. A origem do canapé é russa.
São pequenas entradas frias feitas com bases variadas que vão desde fatias de pão, tortilla, bolachas ou brioches, até legumes, sobre os quais são colocados diferentes tipos de produtos, tais como: molhos, cream chesse e patês.
Os russos serviam esta espécie de entrada, antes das refeições, em uma sala vizinha ao restaurante e o chamam de “Zakouski”.
São petiscos muito delicados, portanto devem ser de dimensões pequenas e caprichosamente decoradas. São muito saborosos e apreciados como aperitivos ou entradas
Os primeiros canapés foram construídos sobre o tradicional pão branco (embora outros alimentos possam ser usados como base), cortado finamente em fatias que são moldadas por um cortador ou uma faca. Para suas formas tradicionais estão no formato de círculos, anéis, quadrados, tiras ou triângulos.

A composição técnica de um canapé consiste em uma base, recheio e finalização decorativa. O recheio é geralmente feito com algum molho, creme ou manteiga, enquanto a finalização traz ervas, legumes finamente moldados, caviar, sementes, óleos de trufa, etc.
 
Canapé de maçã com camarão

2colheres (sopa) de azeite de oliva
5 colheres(sopa) de suco de limão
pimenta rosa e alho-japonês para decoração
sal e pimenta-do-reino a gosto
6 camarões médios limpos
1 dente de alho amassado
½ maçã verde

Cortar a maçã em 6 gomos finos, mantendo a casca. Colocar em uma tigela, cobrir com água e juntar 3 colheres (sopa) de suco de limão. Em outra tigela, colocar os camarões e temperar com o suco de limão restante, o sal e a pimenta-do-reino. Cobrir a tigela com filme plástico e deixar tomar gosto por 10 minutos. Em seguida, aquecer o azeite em uma frigideira e dourar o alho. Acrescentar os camarões e fritar por 2 minutos de cada lado, ou até os camarões dourarem levemente. Se preferir, adicionar a salsinha picada. Dispor os gomos de maçã em um prato grande e colocar 1 camarão sobre cada um deles. Decorar com a pimenta rosa e o alho-japonês.

Canapés no pão de forma com creme moscovita

20 gemas de ovos cozidas
10 fatias de pão de forma
05 colheres de sopa de maionese
03 colheres de sopa de manteiga
sal a gosto
pimenta branca a gosto

Pegar as gemas, passar na peneira, bater a maionese, a manteiga, o sal e pimenta branca. Colocar em um saco de confeiteiro com bico frisado e decore sobre os pães cortados. Decore com pimentão verde e vermelho.

Canapés com Caviar e Vodka

Fatias de pão de centeio
4 filetes de anchovas
1 colher (café) de vodka
1 cebola pequena
50 g de caviar
50 g de margarina
1 ovo
1 limão
2 ramos de anis

Grelhe as fatias de pão. Pique a cebola e esmague-a. Passe as anchovas por água morna, corte-as em pequenos pedaços e reduza-as a puré. Num recipiente, bata a margarina. Acrescente a vodka, mexa de novo, e por fim junte o caviar. Coza o ovo durante sete minutos e, depois de frio, corte-o em rodelas finas. Barre as fatias de pão com a pasta obtida, cubra com rodelas de ovo salpicadas de caviar e decore com ramos de anis. Mantenha no frio e sirva acompanhado de rodelas de limão.

Canapés de Provolone

10 fatias de pão de fôrma sem casca ou  40 pedaços de massa folhada assada e cortada no molde que desejar
meio copo de requeijão cremoso
200 g de provolone fatiado (cerca de 10 fatias)
meia xícara (chá) de azeitona recheada com pimentão
folha de salsa crespa , para decorar

Espalhe o Requeijão Cremoso sobre o pão e arrume uma fatia de provolone. Retire as aparas e corte o pão em quatro, dando formato triangular ao canapé. Coloque duas rodelinhas de azeitona recheada e uma folha de salsa crespa.


Canapé de Doce de Leite com Castanha do Pará

1 Pacote de Massa Folheada ou  fatias de brioche
1 pote de doce de leite
1 1/2 xícara de castanha do Pará triturada

Cortar a massa Folheada em cubinhos do tamanho desejado (cubinhos de aproximadamente 3x3cm). Em cada cubinho, aperte com o dedo o centro, com a finalidade de afundar, e fazer uma "borda". Untar uma forma, e levar a massa folheada para assar (conforme indicado no pacote).Quando ficar dourada, retire do forno. Misture o doce de leite com a castanha do Pará. Coloque o doce de leite com castanha em cada um dos cubinhos. Sirva quente.