segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Bruxos de Cozinha: A Magia na sua forma gastronômica.

O dia hoje amanheceu banhado pela chuva, que insistiu em cair desde o sábado...
Isso me remeteu a procurar coisas ligadas á umidade, ao frio, aos temporais... A chuva caía e nada de eu encontrar algo que me fizesse escrever.  Foi quando me lembrei que ontem, a Baronesa do Crato de Açúcar, Sra. Célia Augusta, que me enviou um vídeo que tratava das bruxas polonesas que pediam apoio e reconhecimento ao seu governo, já que lá bruxa paga imposto para exercer suas atividades. 
Daí, eu pensei: cabe aqui eu fazer alguns comentários sobre estas figuras, muitas vezes mal interpretadas, humilhadas e difamadas, ligadas á tempos sombrios como este dia de chuva.

Hoje, a Confraria do Barão de Gourmandise tratará da presença da bruxaria com sua participação na gastronomia. 
Antes, porém, tenho que tratar do imaginário que cerca a personificação da bruxa no conhecimento popular, e usarei aqui, parte de um texto que eu encontrei na Internet, e que servirá direitinho para o que quero esclarecer. O Texto do site diz assim:

A bruxa é um ser fantástico do mal, que persegue os outros seres fantásticos, seres humanos e os bichos da fauna natural. A bruxa tem uma cara horripilante. Anda com roupas imundas e carrega um saco nas costas ou amarrado na cintura. Costumam viver em ambientes úmidos e escuros, cercada de animais nojentos como: baratas, cobras, escorpiões, ratos, morcegos, piolhos, carrapatos e vários tipos de mosquitos, como a mosca-varejeira, a muriçoca e os borrachudos. Em cada continente há uma raça de bruxa assustando as crianças. No Brasil existe a cuca, a mulher do bicho-papão, que é mencionada nas cantigas de ninar. Tradicionalmente a comida predileta das bruxas é a sopa de miúdos de porcaria. Nessa sopa entra de tudo: perna de rã, rabo de cobra, minhoca, unha de macaco, banha de porco-espinho, miúdos de anta, alho, sal grosso, pimenta malagueta e toucinho. É nessa sopa que elas colocam as suas vítimas, humanas ou não, para "engrossar o caldo".

E eu pergunto: até onde esta informação procede?

Desde que eu comecei a pesquisar magia, em um certo período do meu passado, eu fui descobrindo a verdadeira face da bruxaria e a forma como ela foi tratada pelo decorrer dos anos, no mundo todo. Talvez o período de caça as bruxas, a Santa Inquisição, seja um dos maiores responsáveis pela distorção de conteúdo sobre a bruxaria e seus praticantes.
Bruxas são pessoas normais, como eu e você. Ao contrario do que é entendido, procuram se enfeitar e valorizam muito a aparência pois isto lhe confere o poder auspicioso da presença marcante que lhe facilita muito a vida. De certo que as historias que trazem velhas senhoras como bruxas se dá pelo fato de que estariam indicando a idade como tempo de experiência, pois quanto mais experiente uma bruxa for, mais poderosa ela é.
Porém entre as muitas coisas que falam, de verdade ou mentira, sobre as bruxas e bruxos existe uma máxima que eu sempre uso quando trato desde assunto, talvez seja a mais real e de fundamental importância:
“Toda (o) bruxa (o) é cozinheira(o). A cozinha é o seu maior templo, o seu lugar especial aonde eles podem se desligar de tudo e fazer a sua criação usando o que a terra lhes oferta e produzindo delicias como agradecimento por isso”. Tanta é verdade que a toda bruxa é associada ao um caldeirão. E pra que eles servem senão para preparar suas receitas (poções).

Então antes de ler o que se seguirá, pegue seu caldeirão (panela), sua varinha de cozinha (colher de pau), seu livro negro (receitas),vista sua capa (avental) e veja os ingredientes na despensa porque iremos fazer um feitiço no final deste escrito.

Mas como esta história de bruxas começou?

A  bruxaria, designa as faculdades sobrenaturais de uma pessoa, que geralmente se utiliza de ritos mágicos  com intenção maligna – a magia negra - ou com intenção benigna – a magia branca. É também utilizada como sinônimo de curandeirismo e prática oracular, bem como de feitiçaria.
 Para os bruxos atuais, contudo, a bruxaria é o culto à deusa e ao deus em sistemas que variam de uma deidade única hermafrodita ou feminina à pluralidade de panteões antigos, mais notadamente os panteões celta, egípcio, assirio, greco-romano e viking.
Feiticeiro seria aquele que realiza feitiços, seja ele bruxo ou não, e feitiço, o gênero de magia cujo objetivo é interferir no estado mental, astral, físico e/ou na percepção que outra pessoa tem da realidade. 
A magia, por sua vez, é o uso de forças, entidades e/ou "energias" não pertencentes ao plano físico para nele interferir, englobando a feitiçaria e muitas outras formas de ação sobre o plano físico.

A bruxaria tradicional tem suas raízes aprofundadas através do período pre-histórico, podendo ser considerada em parte irmã e em parte filha de antigas práticas e cultos xamãnicos. 
Historicamente, tal e qual os xamãs, o papel social das bruxas tradicionais era basicamente dividido entre a prestação de auxílio à população na cura de problemas de saúde (problemas da carne, da psiquê e do espírito) e o contato com os espíritos dos mortos e dos deuses (encaminhamento de espíritos recém-desencarnados a seu destino, obtenção de favores da Deusa e/ou dos Deuses, previsões do futuro para facilitar a tomada de decisões tanto no nível pessoal quanto para a comunidade - neste último caso a leitura do futuro seria para os chefes).


A bruxaria moderna, por outro lado, embora se relacione firmemente com a Bruxaria tradicional, surge historicamente com Gerald Gardner, com a criação da Wicca no ano 1950 da Era Comum. 
Apesar de a bruxaria tradicional, ao longo de seus estimados mais de 20.000 anos de existência, ter vindo absorvendo elementos estranhos a suas raízes ancestrais, sendo uma religião viva e que evolui continuamente, seu eixo fundamental é bastante distinto do da bruxaria moderna, pois Gardner não apenas adotou novos elementos, mas tornou alguns destes em bases fundamentais da Wicca, amalgamando de forma indissolúvel o que teria aprendido como iniciado na bruxaria tradicional com conhecimentos adquiridos junto ao druidismo e conceitos de origem claramente oriental. Agrava-se a confusão entre bruxaria moderna e bruxaria tradicional ao ter se tornado recorrente o uso da expressão "wicca tradicional" para designar aqueles cuja linhagem iniciática remonta a Gerald Gardner.
 A Bruxaria, sendo caracterizada pela liberdade de pensamento, acaba por apresentar um amplo leque de linhas de pensamento e de vertentes de características bastante distintas, entretanto, alguns elementos em comum podem ser apresentados a fim de que se tenha melhor compreensão do significado da bruxaria. Elencamos dois princípios comuns, em especial, que ao mesmo tempo que ajudam a compreensão, afastam conceitos equivocados calcados em histórias infantis e preconceitos medievais à prática da bruxaria.

·   O Respeito ao Livre-Arbítrio - Nenhum verdadeiro bruxo buscará doutrinar aqueles que têm outro credo. Para os bruxos, a fé só é verdadeira se resulta de escolha individual e espontânea. Nenhum verdadeiro bruxo realizará qualquer tipo de magia no intuito de se beneficiar de algo que prejudicará outra pessoa. Para os bruxos, cada um tem seu próprio desafio a enfrentar. Usar de qualquer subterfúgio para escapar dos desafios que se apresentam é apenas adiar uma luta que terá de ter lugar nesta ou em outras vidas. Adiar problemas é o mesmo que acumulá-los para as próximas encarnações.
·   A Comunhão com a Natureza - O verdadeiro bruxo respeita a natureza, e por natureza ele entende absolutamente tudo o que não é feito pelo homem, inclusive os minerais. Quando preserva a natureza, suas preocupações não são a viabilidade da manutenção da vida humana na Terra, o verdadeiro bruxo respeita a natureza simplesmente porque se sente parte dela, porque a ama. Os bruxos não acham que a natureza está à sua disposição. Os homens, os minerais, os vegetais e toda a espécie de animal são apenas colegas de caminhada, nenhum mais ou menos importante que o outro. Ainda assim, matam insetos que lhes incomodam e arrancam mato que cresce nos canteiros de flores sem dramas de consciência. Não são falsos em suas crenças nem românticos idealistas. Acreditam que conflitos fazem parte da natureza.


E para não encompridar muito o assunto, meu foco hoje são os  bruxos de cozinha. Entende-se por bruxo de cozinha alguém que manipula a energia que a rodeia através de velas, ervas, pedras semipreciosas e os seus próprios cozinhados.  
A  prática  de  magia  de cozinha  é portanto relativamente simples e desprovida de teatralidade ou grandes cerimônias.  Usarei aqui o termo bruxos de cozinha pra me referir á bruxos e bruxas;


A maioria dos bruxos de cozinha honra e celebra  os  festivais tradicionais adotados por Gardner no sentido de rituais  adaptando a energia presente do festival associado aos produtos frescos da época celebrada para efetuar transformações na  sua  vida  prática.  Assim,  o bruxo(a) não irá celebrar épocas de colheitas realizadas, a não ser  que se espelhe o que se passa no seu jardim ou canteiros. Pode e  deve  utilizar energias associadas aos festivais, como a vinda da Primavera e o renascer das flores para potenciar projetos na sua vida pessoal  que  podem nada ter de agrícola, e energia que faz  a  Terra  renascer   pode-nos  dar forças para iniciar um livro, planear um negócio, uma página  de  internet e etc.
Para o  bruxo de cozinha, tudo aquilo que a  Terra nos dá é sagrado e mágico, e uma faca de pão  não  é  mais  nem  menos  que  um athame tradicional. O que afirma é que um objeto que é usado no nosso dia-a-dia fica impregnado com a sua energia através do seu uso contínuo e pode usá-lo em trabalho mágico.


No ato de transformar o alimento estamos também nos transformando. A energia, de nossos pensamentos, acumula-se nas mãos e passam para o alimento.O ato de cozinhar com rituais, é o meio mais eficaz na feitura de feitiços.Temos uma varinha mágica nas mãos e devemos utilizá-la com sabedoria.Não se deve cozinhar com raiva.
No mexer de uma simples colher de pau, estamos penetrando na grande espiral da vida, e a cada volta da colher podemos enxergar mais claramente nosso caminho. Quando se está traçando a espiral, nossos movimentos entram em harmonia com nossa respiração, o equilíbrio se faz, e magicamente nos transportamos pelos ares. Com o calor do fogo sentimos próximos os tempos onde éramos os sacerdotes e sacerdotisas dos templos, onde ensinávamos aos homens a sutileza da caça e onde observávamos os ciclos da lua.  Na feitura do feitiço três ingredientes não podem falta: Amor, Intuição e concentração.
Essa cozinha cibernética de hoje, num passe de mágica terá a cara de cozinhas medievais onde gnomos moram em velhos potes esquecidos. As ervas penduradas exalarão o aroma da feiticeira e o ato de cozinhar será uma grande bruxaria...
Os mistérios que levam ao conhecimento de nossos Deuses e rituais, a beleza de Hécate a gentileza de Perséfone, podemos encontrar em qualquer livro de bruxaria. Mas os pequenos segredos, os feitiços, o poder mágico de certos ingredientes, esses não estão disponíveis em prateleiras.
De todos os ingredientes o mais importante é o Amor. Em grandes e generosas porções adicionadas à uma receita com uma pitada de intuição, eis o grande segredo! Consideramos a alquimia do cozinhar uma das experiências mais fortes na velha arte da Bruxaria.

Quando se cozinha temos os elementos nas mãos, fazemos o supremo feitiço da transmutação da matéria. Transformamos o trigo em pão, o vinho em vinagre, a rosa em geleia.
A cozinha nos traz os mistérios da delicadeza onde voltamos a ser Amazonas como Circe, Lilith, e por intermédio dela faremos renascer o Deus Cornífero, e juntos, semearemos os campos.
 Alguns utensílios são necessários para a cozinha da bruxa. Panelas de ferro ou cerâmica, colheres de pau, vidros de todos os tamanhos e formas, rolhas, potes, ervas penduradas na parede e a vassoura da Bruxa, um incensário,Arruda, Manjericão e muito Alecrim.
 Mas e as asas de morcego, rabo de escorpião e patas de urubu?
Existe por ai uma lenda que diz que os bruxos não queriam que os conhecimentos da sua Arte caíssem em mãos erradas por isso colocaram coisas tenebrosas para que as pessoas tivessem nojo ou medo e não usassem esse conhecimento para o mal. Então usaram coisas esdrúxulas pra denominar algusn ingredientes como verão a seguir;



DICIONÁRIO DO BARÃO PARA TERMOS DA COZINHA DE BRUXOS:
      Asa de Morcego: Pimenta do reino
      Coração de Boi: Tomate
      Barriga de Sapo: Pepino
      Sangue de Moça Virgem: Vinho tinto
      Rabo de Escorpião: Salsa ou coentro
      Moscas Mortas: Uvas passas
      Olho de Sapo: Azeitona
      Terra de Túmulo: Chocolate
      Elfos Negros: Chá preto
      Ossos Moídos: Farinha de trigo
      Beijo da Sereia: Sal
      Pernas de Aranha: Alecrim
      Penas de Fênix: Louro
      Saliva de Dragão: Vinagre de vinho
      Pêlos de Unicórnio: Açúcar
      Lágrimas de Moça: Cebola

Fonte: Alfabeto utilizado de acordo com o livro Bruxaria Natural - Uma Escola de Magia. por Tânia Gori.  Ed. Alfabeto, 2002.


O ARMÁRIO DE COZINHA DA(o) BRUXA(o):
O armário de cozinha guarda uma quantidade surpreendente de ingredientes mágicos, muito temperos e ervas aromáticas que usamos para cozinhar tem associações mágicas. Aqui você encontra alguns temperos e ervas mais comum e suas associações mágicas:

Acácia-suas flores são usadas no transe e também em feitiços amorosos.
Agrimônia-folhas e flores são utilizados para desfazer encantamentos.
Amêndoa- usada como perfume. Suas folhas são usadas nos transes.
Angélica-Como licor é poderoso filtro contra espíritos e negatividade
Anis-Filtro contra espíritos negativos.
Arnica-Poderoso energizante.
Artemísia-Usada como talismã.
Assafétida-Usada para proteção.
Beladona-Alucinógeno.
Briônia-usada em poções amorosas.
Camomila-Usada como tranquilizante.
Cânfora-Bálsamo.
Chicória-fortificante das amizades e traz dinheiro.
Canela-Estimulante sexual.
Cravo-tem opoder de conservar amores.
Dente-de-leão-usado como sachê.
Aneto-usado pera proteger a casa.
Ênula-Campana-filtro amoroso.
Erva-moura-Remédio para os orgãos sexuais. E junto com a mirta em incenso é um poderoso incenso contra miasmas astrais.
Coroa de cristo-usada para proteção.
Erva-doce-Traz coragem e vida longa.
Feijão-símbolo de fertilidade e de proteção contra o mal.
Figueira-traz fertilidade e honras.
Gerânio-ajuda na concretização de desejos.
Gengibre-elixir da longa vida
Girassol-traz paz e é muito eficaz na aquisição de bens.
Íris-Estimula a clarevidencia.
Jasmim-chá afrodisiaco.
Lavavda- poderoso filtro afrodisíaco
Louro-Atrai bons fluidos
Lírio-usada nos encantamentos de reconciliação.
Lima-usada para proteção
Lótus-propicia clarividencia.
Macela.Proporcionam sonhos tranquilos
Maçã-usada em encantamentos amorosos
Manjerona- usada para obter um sono tranquilo.
Menta-refresca o espírito.
Mirra-estimulante sexual.
Mil-folhas-contra o medo.
Murta-Condutor das entidades do astral.
Morango-usada nos encantamentos afetivo sexuais.
Noz-moscada- muito eficaz para atrair dinheiro.
Oliva-energizante.
Patcholi-estimulante sexual
Rosa-estimulante sexual
Tomilho-para um sono sossegado
Verbena-para proteger o ambiente.
Violeta-filtro amoroso

Sopa legítima de feiticeiros
Esse feitiço é para quando sentimos que as energias das pessoas de dentro de casa estão em baixa, então fazem esse feitiço e damos para todos comerem. Pode ser feito em qualquer lua, só não pode estar menstruada. É uma delicia e faz com que as pessoas se tornem mais limpas, isto é, sem energia ruim. Os ciganos dizem que quando as pessoas de casa ou amigos estão nervosos, elas estão com o Gundum Gerere. Gundum Gerere, é um diabinho que fica no ombro esquerdo das pessoas, atormentando e fazendo coisas ruins. Essa comida faz com que ele desapareça. Está certo que é só uma lenda cigana, porém todas as lendas tem o seu significado.

Ovos do Fogo

5 ovos
5 tomates
2 latas de molho de sua preferência
1 cenoura crua
2 cebolas grandes
3 dentes de alho
manjericão e orégano a gosto
1 pitadinha de açúcar
sal a gosto

Colocar todos os ingredientes, menos o manjericão e o orégano, dentro do liquidificador. Os ingredientes são crus. Bater tudo e colocar numa panela de pressão, depois de o molho pronto, acrescentar o sal , o açúcar, o manjericão e o orégano, pegar 5 ovos inteiros e jogar dentro do molho, esperar um pouco, deixar ferver. Servir com arroz branco.

Fontes: GARDNER, Gerald. A Bruxaria Hoje: Madras, 2003.  

sábado, 8 de janeiro de 2011

Os Biscoitos da Sorte: A lenda Mongol que deu origem aos Fortune Cookies Norte-Americanos.


Já me peguei pensando em comer comida chinesa, várias vezes, única e exclusivamente pra comer o  biscoito da sorte. Definitivamente eu adoro aquela coisinha doce, e a devoro mesmo quando a mensagem não é boa (risos).

E hoje aconteceu isso... Quando cheguei em casa fui pesquisar a origem do brinde chinês para depois das refeições e acabei me surpreendendo com o que  a história revelou.
Frequentemente os biscoitos da sorte são encontrados em restaurantes chineses ocidentais, onde são ofertados como brindes após as refeições, são confeccionados com massa fina e crespa de farinha de trigo ou amido de milho, ovos e açúcar, e após serem enrolados em torno de tiras de papel impressas e moldados em forma de "V" (meia lua), são assados em fornos. As tiras de mensagens feitas de papel, geralmente, contém frases de sabedoria, profecias ou até mesmo séries de números da sorte para serem usados em loterias.
Agora se você já gosta de comer esta delicinha, veja só o qu e a história nos revela sobre este doce...

A Lenda:
Uma das lendas sobre o biscoito da sorte, conta que sua origem data do período em que a China foi invadida e seu território em grande parte ocupado pelos mongóis liderados por Genghis Khan (em Mongol, Чингис Хаан), o líder mongol cujo império ocupou desde o lado asiático do Oceano Pacífico até a borda leste do Mar Negro.
Genghis Khan
Essa ocupação estendeu-se por mais de um século até que o povo chinês, sentindo o enfraquecimento dos invasores, iniciou a luta pela liberdade.
Ao final de anos de batalhas e sentindo próxima a vitória, os chineses elaboraram os planos detalhados para o ataque final aos mongóis. Mas havia o problema de como transmitir a todos os generais, as ordens e os detalhes completos da disposição de seus numerosos exércitos espalhados em áreas extensas e distantes, sem que houvesse o risco de que os planos caíssem nas mão dos invasores.

A solução, segundo a lenda foi de uma simplicidade genial. Havia na culinária chinesa daquela época, um bolo em forma de meia lua cujo sabor à base de pasta de lótus era detestado pelos mongóis. Valendo-se desse detalhe, os planos foram acondicionados dentro desses bolos que foram então enviados a todos os generais.
Dessa forma um famoso revolucionário chamado Chu Yuan Chang tratou de distribuir grande parte dos bolinhos disfarçado de monge taoista.

Chu Yuan Chang

O levante foi um sucesso e decretou o fim da invasão mongol, o povo chinês reconquistou sua liberdade dando início a dinastia Ming - conhecida no mundo inteiro por sua inigualável porcelana,  e para comemorar anualmente o sucesso de sua luta, os chineses passaram a trocar mensagens de felicitação da mesma forma usada anteriormente para a troca de informações secretas. Dessa forma os bolos ancestrais, transformaram-se nos atuais e menores biscoitos da sorte.

A Verdadeira Origem:
A despeito das lendas e crenças populares, na verdade eles foram não foram inventados na China e sim na Califórnia. Acredita-se que foi apenas no século XIX que nasceu o biscoito da sorte no formato que conhecido pro todos atualmente. É que na época da corrida do ouro norte-americana muitos chineses imigraram para os Estados Unidos e trabalharam na construção de diversas estradas de ferro, recebendo destaque a que ligava Serra Nevada até a Califórnia.
Tanto as cidades de San Francisco e Los Angeles, reivindicaram o direito de terem sido o seu lugar de origem. Desde as primeiras décadas do século XX, as duas cidades avocaram para si o direito de reconhecimento como berço da invenção, devida segundo cada grupo de defensores, a dois proprietários de estabelecimentos comerciais residentes em cada uma das duas cidades que pleiteavam seu reconhecimento.
Os que defendiam San Francisco, alegavam que os biscoitos teriam lá surgido em 1909 por iniciativa do imigrante japonês Makato Hagiwara, proprietário de uma casa de chá, enquanto que o outro grupo argumentava que os primeiros desses biscoitos tinham sido preparados em Los Angeles em 1918, idealizados por David Jung, dono de uma fábrica de macarrão do tipo chinês.

Makato Hagiwara e sua Filha.

Pelo menos teoricamente e até hoje contestada, a polêmica só foi resolvida em 1983, quando a Corte de Revisão Histórica de San Francisco decidiu que o mérito da invenção pertencia àquela cidade. Embora essa decisão tenha sido proferida por um juiz federal em uma corte que se reúne a intervalos irregulares para julgar casos curiosos de interesse histórico, os vereditos são puramente simbólicos, pois não possuem força legal ou acadêmica, e suas decisões nem sempre refletem a palavra final sobre o assunto.

Desde então os biscoitos da sorte ganharam notoriedade e tornaram-se parte indispensável de qualquer refeição chinesa nos quatro cantos do mundo. E ganhando novas variaões.

Receita de Biscoito da Sorte Chinês

Ingredientes:
1/4 de xícara de farinha
1/4 de xícara de açúcar
1 pitada de sal
extrato de baunilha a gosto
1 clara de ovo

Modo de preparo: Prepare tiras de papel de 10 por 1,5 centímetros e escreva as mensagens que desejar. Pré-aqueça o forno a 200ºC. Unte duas folhas de papel especial para forno. Misture a clara de ovo com a baunilha até formar espuma. Junte a farinha, sal e açúcar na mistura do ovo. Com uma colher, coloque a massa sobre o papel, separando cada colherada por 10 centímetros. Movimente a folha, agitando, para fazer com que a massa se espalhe formando círculos de 7 centímetros de diâmetro. Faça poucos biscoitos de cada vez, pois eles devem ser modelados ainda quentes. Asse os biscoitos por 5 minutos ou até que fiquem dourados na borda. Tire do forno, retire da folha com uma espátula e coloque o biscoito em um prato, virando-o de forma a deixar o lado que estava em cima, no forno, para baixo, no prato. Coloque o papel com a mensagem no meio do biscoito e o dobre ao meio. Coloque as pontas dobradas debaixo de um copo, uma debaixo do bordo outra dentro do copo, e deixe ficar assim até arrefecer para manter a forma

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Os deuses, a chuva, o raio, o trovão e o meu chá de flor - minha tisana...

Quando a noite começa agitada como a de ontem, já sei que tem turbulência chegando por aí... Não que eu seja supersticioso, mas já consigo entender os sinais que a natureza manda.
Depois de mais de dez anos estudando mitologias diversas, já entendi o quanto a força da natureza se faz presente e como as pessoas acreditam, ou não, nas forças que estão pro trás dela.
Assim, como ontem, a partir da meia noite a chuva começou a cair, se transformando numa tempestade, cheia de raios, trovões, relâmpagos, e se estendendo assim por mais de 4 horas seguidas, é sinal de que realmente tem revolta no “Olimpo”. E nós, meros mortais que nos cuidemos.
Pro nordestino a chuva tem significados diversos. Eu, particularmente acredito nas linhas que transcreverei a seguir, obviamente que sem muitas alegorias. Porém, cheia de significados.



Não contada em muitas traduções por ser considerada repetição da Mitologia, porém de evidente origem sumeriana com o deus Shamash explicando como distribuiu os bens e os castigos aos homens, eis como conta Esopo:
"Zeus criou o mundo e colocou o homem para cultivá-lo. Mandou em seguida chover para haver de tudo e o homem acostumou com a fartura e não deu importância e transgrediu as regras que recebeu. Aí Zeus avisou que iria mandar raios poderosos para castigar os maus. Escondidos nas trevas, os invasores deuses do mal Hades e Plutão aproveitaram-se dos fatos e aumentaram o barulho, ecoando o trovão por grandes distâncias e fazendo tremer a terra logo após o raio de Zeus. Ambos passaram a induzir os homens a ficar onde as chuvas poderiam inundar ou os raios poderiam matar. Assim, além do estardalhaço tardio, programaram esses direcionamentos maldosos para acontecerem tragédias com os bons e com os maus, fazendo avisos prévios, de modo que os homens ficam sempre olhando o que acontece ou pode acontecer de mau e não se dão conta de que os bens chovem todos os dias a toda hora. E ainda porque os deuses do mal ficam escondidos, a culpa pelos castigos e erros dos homens é atirada à conta da ira de Zeus". Estava tudo já muito bem explicado... Mas aí os invasores que têm o dom da invisibilidade também mandaram destruir e desmoralizar as narrativas que explicam como é o enredo... Shamash mandou emissários aos homens e das trevas os reis do mal induziram a matar os profetas. Está na hora de Alguém intervir, né?
Resultante da ação e da iniciativa do céu e das divindades que o habitam, a chuva é um símbolo universal de fecundidade e fertilidade. Praticamente em todas as tradições e civilizações agrárias, a chuva é comparada à semente humana como sendo o fluido divino que desencadeia o princípio criador da vida.
Em todo o Mundo e entre etnias tão diversas e radicadas em lugares tão diferentes, são constantes os rituais dedicados à chuva para que esta caia sobre a terra, a fecunde e a torne fértil. Filha das nuvens e das tempestades, a chuva está relacionada com elementos do fogo e da água.
Na Índia, é Indra a manifestação divina do raio que dá origem à chuva e torna férteis os campos, as mulheres e os animais. As mulheres grávidas na Índia são comparadas à chuva como sendo as nascentes auspiciosas de toda a riqueza e abundância.

Indra
No Islã, são os anjos que enviados por Deus transportam as gotas de chuva uma ideia que também existe na Índia, onde os seres subtis são transportados para a terra em gotas de chuva.


Na China, a chuva é uma manifestação do céu que é um princípio activo, masculino e fecundante. No Oriente, tanto na China como na Índia, considera-se que a chuva é de origem lunar e é de natureza Yin, enquanto que o orvalho, também lunar, é de natureza Yang.
Na Grécia, a lenda de Dánae conta que esta, tendo sido encerrada pelo pai num local subterrâneo blindado de bronze para evitar que tivesse filhos, foi fecundada por Zeus que entrou no recinto transformado numa chuva de ouro que pingou de uma fenda no teto.

Danae

Esta conotação sexual da chuva como o sêmen dos deuses é também encontrada entre os índios da América Central, que consideram a chuva a semente do deus da trovoada. Estes povos utilizam a mesma palavra para designar a chuva, a água e a vegetação.
Entre os Astecas, o deus da chuva é também o deus dos raios e dos trovões. Os Incas acreditavam que a chuva era retirada da Via Láctea, considerada um grande rio no céu, pelo deus das trovoadas.

Tlaloc

Para muitas civilizações centradas na agricultura, a chuva é também sangue, o que justifica os muitos rituais de sacrifício de animais e mesmo de seres humanos que têm como objetivo a fecundação da Terra.

Assim, quando a chuva cai em tempestade, como ocorreu nesta madrugada, cheia de perigos e maravilhas eu tenho uma poção mágica pra neutralizar o mal. É um chazinho de flor. Aqueço água pra deitar na flor dissecada, abafo e depois tomo. Uma maravilha
De origem chinesa, este meu chá de flor, chá de florescência ou lótus latern é o mais belo dos chás e talvez o mais trabalhoso deles.
Ele é feito de pequenas flores ressecadas (amaranto, flor de jasmim, lírio, calêndula, dália, lírio etc) enroladas em folhas de chá verde ou branco com um fio de algodão cru.
Dizem que esse processo acontece durante a primavera no sudoeste da China e as plantas são colhidas apenas no amanhecer. Alguns apontam que, por essas flores e folhas absorverem facilmente odores, as colhedoras devem ter cuidado até com a sua própria alimentação para que não condenem a colheita.
 
Servir o chá também é um ritual à parte. Desconheço o processo chinês, mas, para nós, pobres ocidentais, é necessário um bule ou uma xícara transparente que permita apreciar a abertura dessa bela flor à medida que a água quente cai sobre ela.


 


A classe e beleza são acompanhadas de também algumas indicações para a saúde. O chá de flor é recomendado para o estômago, a pele, a fígado, ,os pulmões, contra inflamação e até para estabilidade emocional e  brilho nos olhos, contra maldade. Pode?



 
 
No Brasil, parece estar disponível 8 tipos de flores diferentes distribuídas em alguns restaurantes chinesescasas de chá custando por volta de R$ 8 reais cada flor.


No entanto devo aqui fazer uma correção, meu chá, na realidade não passa de uma “tisana“.

Isso mesmo, palavrinha estranha, não é. E assim como eu, até bem pouco tempo, garanto que você, caro (a) leitor(a), não sabe o que é um chá de verdade. (Pior disso tudo é o trauma (risos) de saber que aprendi errado: que lá em casa todo mundo aprendeu errado: que os amigos que eu conheço, todos aprenderam errado; ninguém sabia o que era um chá de verdade – tadinho do meu avô, que todo dia bebia seu “chazinho de cidreira” – bebia enganado por que aquilo não era chá... era “tisana”).
Só pode ser considerado chá a bebida de uma erva chamada Camellia sinensis, nativa do leste da Ásia. Elas são colocadas de molho na água quente e está feito um chá de verdade. Porém, alguns fatores como o local onde a erva foi cultivada, como as folhas foram processadas, tamanho das folhas e dos sabores incorporados (como jasmin, flores de laranjeira, bergamota) podem variar não só o sabor da bebida, mas também o nome que damos a ela.
Os chás finos são produzidos na China, no Japão, na Índia, no Sri Lanka (Ceilão) e no Quênia, com uma grande variedade de preços e qualidades. Via de regra, os chás são produzidos da mesma forma até certo ponto: as folhas são colhidas, passam por uma secagem e são desidratadas, pela exposição ao sol ou por um ar quente. Depois disso, eles se dividem em três caminhos, que resultarão em chás diferentes.
Porém, antes de enveredarmos pro este caminho, preciso esclarecer mais uma coisinha a qual um bebedor de chá de respeito tem que saber: As folhas de chá contêm “taninos” – você já deve ter lido esse nome em algum rótulo de vinho. Os taninos são uma combinação de várias substâncias químicas de origem vegetal (polifenóis), que dão à bebida boa parte de seu sabor e textura. É ele que dá aquele efeito de adstringência na boca, como se você tivesse mordido uma fruta verde. Sabe quando você toma um chá e parece que dá um nó na sua língua? É uma sensação de que a boca está seca, áspera e contraída. Fora o chá verde, compostos de taninos é fermentado.
Nos chás, o que se chama de “fermentação” é, na verdade, uma “oxidação” por enzimas da própria planta. Entre os produtos resultantes dessa oxidação, estão compostos de cor bronze e laranja (a quem interessar: rubigina e flavina) que dão ao chá o colorido e o sabor, respectivamente. Logo, o tempo de oxidação também determina a cor e o sabor do chá - e ela pode ser interrompida com ar quente, que desativa a enzima que propicia a oxidação.

Assim temos três tipos de chás:


Chá verde - Feito com folhas jovens da planta do chá, que não são fermentadas – como acontece com o chá preto e o oolong. Após a colheita, as folhas são desidratadas  com ar quente ou então torradas em panelas de ferro para desativar as enzimas das células da planta que propiciam a oxidação, prevenindo assim a fermentação (oxidação). Consumido principalmente na Ásia, o chá verde virou febre aqui no Brasil há alguns anos, por suas prováveis propriedades antioxidantes, desintoxicantes e diuréticas – o que é explicado pelo fato de não haver a oxidação dos polifenóis, que são antioxidantes e nos protegem dos radicais livres.


Chá preto - As folhas são machucadas para expor seu interior ao oxigênio e para liberar a “enzima da oxidação do chá” (se interessar: é a polifenol oxidase, porque oxida os polifenóis nas folhas, os taninos). A cor, resultantes da oxidação, pode ir do âmbar ao vermelho; enquanto o sabor se torna pouco adstringente.


Chá oolong (“dragão preto”, em chinês) - Também é feito de folhas jovens, porém semifermentadas, o que faz com que o sabor deste chá fique entre o do chá verde e o chá preto.  O processo é exatamente o mesmo do chá preto, só que com um tempo de oxidação menor, fazendo com que sua cor seja mais suave (entre um amarelado e um âmbar-claro) e o sabor mais ou menos adstringente.

Cada um desses tipos de chá poderão ser aromatizados através de um armazenamento feito com flores (como flores de laranjeira, jasmin ou bergamota) ou mesmo com essências. Daí cria-se uma variedade de chás – você já deve ter reparado pelo menos nos chás verdes, como são vendidos com uma porção de aromas diferenciados.
Daí você deve estar se perguntando:  - “Mas e o chá mate que eu tomo; o chá de camomila – que em acalma; o chá de boldo – que melhora meu estômago:  e todos os chás que eu conheço não  são chás? Sinto lhe informar, mas NÃO SÃO CHÁS. Fora a Camellia sinensis, qualquer material vegetal (ervas, folhas, flores, raízes, cascas, frutos…) pode ser colocado de molho na água quente para fazer uma infusão, que é chamada de “tisana“. Pode ser uma infusão de camomila ou de ervas venenosas, mas será sempre uma “tisana”.
“Ah, mas eu chamo de ‘chá de ervas’, não está certo?” Não. Chá é chá, tisana é tisana. Quando não for uma infusão de Camellia sinensis, não é chá.
“Então quando eu coloco os pés de molho na água quente, estou fazendo uma infusão?” Não, porque seu pé não é um material vegetal e não vai resultar em uma bebida aromática.
“Entendi muito bem. Tisana não é chá e chá não é tisana.” Nananinanão. Chá é tisana também, só que leva o nome de chá porque é feito da Camellia sinensis.
O negócio é o seguinte: só chame de chá o que for chá.
Achou a palavra tisana feia? Mas é o nome que ela tem. É o que tem pra hoje... Vou beber meu chá... Ops, minha tisana...
 

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Gallete des Rois: Tradição Francesa para o Dia de Reis

Todos os países têm receitas típicas para celebrar cada festa do calendário cristão. Desta vez A Confraria do Barão de Gourmandise  apresenta a deliciosa Galette des Rois (França).

Desde a Idade Média a festa de Epifanía é celebrada nos países cristãos com um bolo especial. A Epifanía comemora a visita dos 3 Reis Magos que vieram trazer presentes para o menino Jesus: O Ouro de Melchior representa a realeza, o Incenso de Balthazar a divindade, a Mirra de Gaspar anuncia o sofrimento redentor. Na Espanha, ainda hoje, os presentes para as crianças são oferecidas no Dia dos Reis (6 de Janeiro) e não no Natal.



Os bolos contem uma "fava", originalmente um feijão: símbolo de fertilidade e de fartura. Quem encontrasse a "fava" na sua fatia de bolo se tornava o Rei ou Rainha da noite e escolhia seu parceiro ou parceira. Desde o final do século XIX, as "favas" foram trocadas por figuras feitas de porcelana e que fazem as delicias de colecionadores.
Pela França surge ainda uma história para o aparecimento da Gallete des Rois:  lá, alguns acreditam que tudo começou um dia da Epifania quando o cozinheiro da Corte de Louis XV, rei de França, quis entregar um esplêndido tributo ao seu monarca. Para isso, quis inventar algo que o surpreenderia, por conseguinte introduziu numa tarte a jóia que pretendia oferecer-lhe e assim entregou-se. Ao rei francês ficou encantado com a ideia e pôs-lha em prática junto da aristocracia da sua época, e não somente entre os franceses mas também ajudou que se estendesse ao resto da Europa
A tradição de compartilhar a Galette des Rois é acima de tudo um momento de confraternização em família, pois há um divertido ritual a ser seguido, no qual é sorteado o rei da Épiphanie através de uma fava  escondida na galette. A pessoa que receber a fatia com a fava se torna o rei do dia, e tem direito de ficar com a coroa dourada de papelão que acompanha a galette. Ao rei do dia cabe a tarefa de providenciar a galette do ano seguinte.


A coroa dourada de papelão sempre acompanha a Galette des Rois.

O ritual é mais ou menos o seguinte: uma galette deve ser cortada em quantidade de pedaços igual ao número de pessoas presentes. Para a distribuição dos pedaços, o mais jovem da família senta-se debaixo da mesa e vai escolhendo aleatoriamente a ordem das pessoas que vão receber cada fatia - e assim segue a distribuição da galette. A criança (ou jovem) sob a mesa representa Phébé (o deus Apollo), que usa sua inocência para distribuir com justiça os pedaços da galette e escolher o rei de forma imparcial. Algumas famílias costumam cortar uma fatia a mais da galette, a qual é chamada de la part du pauvre (a parte do pobre) ou celle du Bon Dieu (a do Bom Deus) a qual é reservada aos visitantes imprevistos.

Antigamente a galette com a fava escondida não era reservada apenas ao Dia de Reis. Os franceses do século XIII a compartilhavam também para celebrar os casamentos e nascimentos do ano nos pequenos vilarejos. Apesar disso a origem da galette com a fava escondida remonta a Roma Antiga.

Uma fava dentro de um bolo remonta à época dos romanos. Era uma fava branca ou preta que era depositada nas urnas de votações. No inicio de Janeiro nas Saturnais de Roma se elegia o rei da festa por meio de uma fava colocada dentro de um bolo.
È interessante notar que durante a revolução francesa a Galette de Rois mudou de nome e virou Galette de l’Égalité - bolo da igualdade - devido ao fato de os reis não serem muito populares à época.
Hoje o costume dos bolos de reis se tornou na Europa uma tradição onde depois do Natal e durante todo o mês de Janeiro, a família se reúne os domingos para se deliciar com uma Galette des Rois, e quem encontrar a "fava" será coroado Rei ou Rainha do dia.

Alguns exemplares das figurinhas (até hoje chamadas de 'favas') que ficam escondidas dentro da Galette des Rois - o sortudo que encontrar a fava é literalmente 'o rei do pedaço'.

Em 1870 as favas foram substituídas na França por bonequinhos de porcelana e mais recentemente de plástico. Como a escolha do rei da Épiphanie é uma tradição anual, muitos franceses têm verdadeiras coleções desses bonequinhos, que são guardados como símbolos da boa sorte.
O Musée de Blain guarda a mais importante coleção de favas da França, com mais de 20.000 peças - algumas datando do período gallo-romano.

Musée de Blain

Exemplares de favas do Musée de Blain


Na França a expressão trouver la fève au gâteau (achar a fava no bolo) significa ter recebido um lance de sorte.

Gallete dês Rois

200g de manteiga
200g de açúcar
200g de farinha de amêndoas
4 ovos
75g de farinha de trigo
2 discos de massa folhada de 3mm de espessura, para uma forma de aproximadamente 22cm de diâmetro
2 ovos ligeiramente batidos, para pincelar a massa
1 fava se quiser fazer o doce à moda antiga (hoje em dia usa-se uma pequena estatueta de porcelana chamada fève (fava) ou bonequinhos- antigamente era colocada uma fava dentro do bolo, que depois foi substituída pela estatueta)

Modo de preparo:
Creme: Bata juntos, em batedeira, a manteiga com o açúcar e a farinha de amêndoas. Depois da mistura clarear e crescer, junte aos poucos os ovos, sempre batendo. Incorpore por último a farinha de trigo e bata mais um minuto só para misturar. Reserve na geladeira
Montagem:
Coloque um disco de massa folhada na forma e espalhe por cima o creme de amêndoas. Coloque a estatueta e cubra com o segundo disco de massa folhada. Pincele com ovo batido e, com a ponta de uma faca, desenhe folhas na torta. Asse em forno pré-aquecido a 200°C durante aproximadamente 25 minutos.
Deixe esfriar, desenforme e sirva.