domingo, 23 de janeiro de 2011

Da gula, pecados e mortes estranhas

Hoje o dia esta com um ar fúnebre.
E eu estava procurando inspiração para escrever algo interessante aos meus olhos... Foi lendo sobre os pecados capitais que a inspiração me veio... fúnebre, mas veio.
Os 7 pecados capitais
Não vou me deter muito falando sobre pecados capitais. Porém vou usar um deles como gancho para tratar das causas de mortes estranhas pelo mundo. Engraçado que ao longo da vida sempre ouvi, quando uma pessoa falecia, alguém dizendo: “ – morreu de graça. É sempre assim: a morte sempre traz uma desculpa idiota pra levar alguém”. Mas eu  nunca tinha percebido, de fato, o quanto idiota as mortes podem parecer – até agora.
Lendo o que o mundo compreende como pecado capital dá para se levantar suspeitas sobre cada uma das mortes abaixo. E para que mais tarde eu não seja culpado por induzir pessoas à gula, no fim do post deixo um digestivo, pra aliviar a minha consciência (risos).

Os conceitos incorporados no que se conhece hoje como os sete pecados capitais se trata de uma classificação de condições humanas conhecidas atualmente como vícios que é muito antiga e que precede ao surgimento do cristianismo mas que foi usada mais tarde pelo catolicismo com o intuito de controlar, educar e proteger os seguidores, de forma a compreender e controlar os instintos básicos do ser humano. O que foi visto como problema de saúde pelos antigos gregos, por exemplo, a depressão (melancolia, ou tristeza), foi transformado em pecado pelos grandes pensadores da Igreja Católica.
Assim, a Igreja católica classificou e selecionou os pecados em dois tipos: os pecados que são perdoáveis sem a necessidade do sacramento da confissão, e os pecados capitais, merecedores de  condenação. A partir de inícios do seculo XIV a popularidade dos sete pecados capitais entre artistas da época resultou numa popularização e mistura com a cultura humana no mundo inteiro.
De acordo com o livro Sacred Origins of Profound Things (Origens Sagradas de Coisas Profundas), de Charles Panati, a teóloga Beatrice G. E o Monge grego Fernando T., teria escrito uma lista de oito crimes e “paixões”  humanas, em ordem crescente de importância (ou gravidade): gula, avareza, luxúria (ligado a vaidade), ira, melancolia, acídia(ligado a preguiça espiritual) e o orgulho. Para do Ponto os pecados tornavam-se piores à medida que tornassem a pessoa mais egocêntrica, com o orgulho ou soberba sendo o supra-sumo dessa fixação do ser humano em relação a si mesmo.
No final do século VI, o Papa Gregório I reduziu a lista a sete itens, juntando "vaidade" e "orgulho" (ou "soberba") e trocando "acídia" e melancolia por inveja. Para fazer sua própria hierarquia, o pontífice colocou em ordem decrescente os pecados que mais ofendiam ao amor: orgulho, inveja, ira indolência, avareza, gula, luxuria.
Mais tarde, outros teólogos, entre eles, Tomás de Aquino analisaram novamente a gravidade dos pecados e fizeram mais uma lista. No século XVII, a igreja substituiu "melancolia" – considerada um pecado demasiado vago – por preguiça. Assim, atualmente se aceita a seguinte lista dos sete pecados capitais: vaidade, inveja, ira, preguiça, avareza, gula e luxuria.
Os pecados são diretamente opostos às sete virtudes, que pregam o exato oposto dos Sete Pecados capitais inclusive servindo como salvação aos pecadores.
Ordenadas em ordem crescente de santicidade, as sete virtudes sagradas são:
·         Castidade (latim: castitas) — opõe luxuria. Auto-satisfaçao, simplicidade. Abraçar a moral de si próprio e alcançar pureza de pensamento através de educação e melhorias.
·         Generosidade  (latim: liberalitas) — opõe avareza. Desprendimento, largueza. Dar sem esperar receber, uma notabilidade de pensamentos ou ações.
·         Temperança (latim: temperantia) — opõe gula. Auto-controle, moderação, temperança. Constante demonstração de uma prática de abstenção.
·         Diligencia (latim: diligentia) — opõe preguiça. Presteza, ética, decisão, concisão e objetividade. Ações e trabalhos integrados com a própria fé.
·         Paciência (latim: patientia) — opõe ira. Serenidade, paz. Resistência a influências externas e moderação da própria vontade.
·         Caridade (latim: humanitas) — opõe inveja. Auto-satisfação. Compaixão, amizade e simpatia sem causar prejuízos.
·         Humildade (latim: humilitas) — opõe soberba. Modéstia. Comportamento de total respeito ao próximo.

Em 1589, Peter Binsfeld comparou cada um dos pecados capitais com seus respectivos demônios seguindo os significados mais usados. De acordo com Binsfeld's Classification of Demons, esta comparação segue o esquema:
·         Asmodeus – luxúria
·         Belzebu – gula
·         Mammon – ganacia
·         Belphegor – preguiça
·         Azazel – ira
·         Leviatã – inveja
·         Lúcifer – orgulho
Com  isto exposto  vejamos  o que aconteceu em  época diferentes, a começar pelo ocorrido através do pecado  da Gula. As mortes serão citadas pela causa mortis. Tirem suas conclusões...

Pela gula da sobremesa.
O rei Adolfo Federico da Suécia amava comer e morreu por isso. Conhecido como "O rei que comeu até morrer", faleceu em 1771 com 61 anos por causa de um problema digestivo depois de comer, literalmente, "mais que a barriga". O jantar do comilão era composto de lagosta, caviar, chucrute, sopa de repolho, cervo defumado, champanhe e catorze pudins de leite recheados com amêndoas, seu doce preferido.

Por abraçar o reflexo da lua.
O poeta chinês Li Po é considerado um dos dois maiores da história literária chinesa. Era muito conhecido por ser um bebedor inveterado e sabe-se que escreveu muitos de seus grandes poemas enquanto estava bêbado. E "bebaço" estava à noite em que caiu de seu barco se afogou no rio Yangt-ze ao tentar abraçar o reflexo da lua na água

Pela barba.
O austríaco Hans Steininger ficou famoso por ter a barba mais longa do mundo (de quase um metro e meio) e por morrer por causa dela. Num dia de 1567 teve um incêndio em sua cidade e na fuga Hans esqueceu-se de enrolar sua barba, pisou sobre ela, perdeu o equilíbrio, tropeçou e quebrou o pescoço.

Por segurar o xixi.
O nobre e astrônomo dinamarquês Tycho Brahe era um personagem interessante. Tinha um alce treinado como animal de estimação e também perdeu a ponta de seu nariz num duelo com outro nobre dinamarquês e teve que usar um nariz falso feito de prata e ouro, mas essa é outra história. Diz-se que Tycho teve que segurar a vontade de ir ao banheiro durante um banquete particularmente extenso em 1601 (levantar-se no meio de um jantar era considerado como algo realmente ofensivo), a tal ponto que sua bexiga, levada ao limite, desenvolveu uma infecção pela qual morreu. Análises posteriores sugeriram que Tycho morreu em realidade por envenenamento com mercúrio, mas essa conclusão não é tão interessante como a história original.

Pela batuta de orquestra.

Enquanto conduzia uma sinfônica para o rei francês Luis XIV em 1687, Jean Baptiste Lully estava tão concentrado em manter o ritmo golpeando um pedaço de pau contra o chão (esse era o método habitual antes de que começassem a usar a batuta) que esmagou o dedão do pé mas se negou a parar. A ferida virou uma gangrena, mas o teimoso Lully negou-se a amputá-lo. A gangrena espalhou-se e o maestro turrão finalmente morreu. Irônicamente, o hino que conduzia era em celebração da recuperação de Luis XIV de uma doença.

Por demonstração ao júri.
Após a guerra civil norte-americana, o controvertido político Clement Vallandigham, de Ohio, transformou-se num advogado de sucesso que raras vezes perdia um caso. Em 1871 defendeu Thomas McGehan, acusado de disparar contra um tal Tom Myers durante uma disputa num bar. A defesa de Vallandigham baseava-se em que Myers tinha disparado contra ele mesmo ao empunhar sua pistola quando estava ajoelhado. Para convencer ao júri, Vallandigham decidiu demonstrar sua teoria. Infelizmente, utilizou por engano uma pistola carregada e terminou disparando contra ele mesmo comprovando a teoria do disparo acidental e conseguindo exonerar seu cliente.

Por morder a língua.
Allan Pinkerton, famoso por criar a agência de detetives que levava seu nome, morreu de uma infecção após morder a própria língua quando escorregou na rua.

Pelo polegar.
O famoso destilador de whisky Jack Daniel decidiu ir trabalhar mais cedo numa manhã de 1911. Quis abrir seu cofre mas não recordava a combinação. Enfurecido, Daniel esmurrou o cofre e quebrou o dedão que infeccionou causando a sua morte.

Por casca de laranja.
Bobby Leach não temia desafiar a morte: em 1911 foi a segunda pessoa no mundo em sobreviver a uma queda dentro de um barril nas cataratas do Niágara. Realizou muitas proezas desse tipo, pelo qual sua morte é especialmente irônica. Caminhando por uma rua da Nova Zelândia, Leach escorregou num pedaço de casca de laranja. Quebrou a perna que teve que ser amputada. Morreu devido a complicações na cirurgia.

Por falha do pára-quedas.
Em 1911, o alfaiate francês Franz Reichelt decidiu provar sua invenção, uma combinação de um sobretudo com paraquedas, saltando da Torre Eiffel. Ele disse às autoridades que utilizaria um boneco, mas no último minuto decidiu ele mesmo provar. Seu invento não funcionou.

Por envenenamento, ferida de balas(4), pauladas e afogamento.
De acordo com a lenda, o místico russo Grigori Rasputin (1869-1916) foi primeiramente envenenado com suficiente cianureto para matar dez homens, mas isso não o afetou. Então seus assassinos dispararam-lhe pelas costas. Rasputin reviveu pouco depois. Atiraram nele em mais três ocasiões, mas Rasputin seguia vivo. Assim então moeram o teimoso a base de pauladas, e por via das dúvidas atiraram o corpo nas águas geladas do rio Neva.

Por beisebol.
Ray Chapman, jogador do Cleveland Indians, foi assassinado por uma bola de beisebol. Naquela época, os lançadores costumavam sujar a bolinha antes de lançá-la para que ficasse mais difícil de ver. Em 6 de agosto de 1920 num jogo contra o New York Yankees, Carl Mays, lançador dos Yankees, lançou uma pelota suja contra Chapman, que não a viu e recebeu o golpe fatal bem no meio da testa.

Pelo cachecol.
A mãe da dança moderna, Isadora Duncan, morreu por causa de um cachecol que ela adorava usar. O obituário no New York Times em 15 de setembro de 1927: "O automóvel estava à toda velocidade quando o cachecol de seda enganchou-se na roda e arrastou com terrível força à senhorita Duncan, atirando a com violência contra a rua. Foi arrastada durante vários metros até que o condutor se deteve, por causa dos gritos que vinham da rua. Reclamou-se ajuda médica, mas ficou provado que havia sido estrangulada e morreu instantaneamente".

Por lixo.
Homer e Langley Collyer eram arquivistas compulsivos. Os dois irmãos tinham medo de desfazer-se de qualquer coisa, e colecionaram obsessivamente diários e outros lixos em sua casa. Inclusive prepararam armadilhas nos corredores e portas para proteger-se dos intrusos. Em 1947, um telefonema anônimo denunciou que tinha uma pessoa morta na casa dos irmãos, e após enfrentar grande dificuldades para entrar, a polícia encontrou o corpo de Homer Collyer. Duas semanas mais tarde, após a retirada de cerca de 100 toneladas de lixo, finalmente encontraram o corpo de Langley Collyer parcialmente decomposto, a alguns poucos metros além de onde tinham encontrado seu irmão. Aparentemente, Langley estado tentando levar comida para Homer engatinhando sobre os túneis entre pilhas de diários quando disparou uma de suas armadilhas. Dias depois, Homer morreu de fome.

Numa entrevista.
Jerome Irving Rodale foi um pioneiro da alimentação natural, um temporão propulsor da agricultura sustentável e das fazendas orgânicas. Após assegurar que poderia viver até os 100 anos, a não ser que fosse atropelado por um carro, Rodale morreu por causa de um ataque do coração enquanto era entrevistado no Dick Cavett Show em 1971. Parecia dormindo, e Cavett caçoou: - "Estamos lhe aborrecendo Sr. Rodale?" - Antes de descobrir que seu convidado de 72 anos estava efetivamente morto. O programa nunca foi ao ar.

Por suicídio durante um tele-jornal ao vivo.
Christine Chubbuck foi a primeira e única apresentadora de noticiário a suicidar-se durante um programa ao vivo. Em 15 de julho de 1974, aos oito minutos de programa, a deprimida repórter disse: - "Para manter a política do canal 40 de trazer-lhes o último em matéria de sangue e violência, ao vivo e a cores, aqui têm outra primícia: uma tentativa de suicídio". - E a seguir, Chubbuck sacou um revólver e disparou contra a própria cabeça.

No banheiro.
Há muitos exemplos de mortes no banheiro, mas a de Elvis Presley (1935-1977) é a mais famosa. O rei do rock foi encontrado jogado no piso do banheiro de sua mansão de Graceland após ter vomitado quando estava sentado no vaso. Os médicos atribuíram sua morte a um ataque ao coração causado por seu sobrepeso e por seu vício a alguns remédios de uso controlado.

Por robô.
Robert Williams foi o primeiro homem assassinado por um robô. Aconteceu em 25 de janeiro de 1979, na fábrica da Ford de Flat Rock. Williams subiu em uma linha de montagem para devolver uma peça ao seu lugar, porque o robô que as manipulava estava com problemas. Mas reativou-se subitamente, e golpeou-o com seu braço metálico, matando-o instantaneamente.

Por guarda-chuvas.
Em 1991, os artistas Christo e Jean Claude construíram uma instalação artística ambiental de centenas de gigantescos guarda-chuvas azuis e amarelos na Califórnia e Japão. Os guarda-chuvas gigantes, que mediam cerca de 6 metros de altura e 9 de diâmetro, transformaram se numa grande atração turística. Menos de dois meses após que as instalações foram abertas ao público, uma mulher de 33 anos chamada Lori Rae Keevil Mathews viajou para ver a atração na Califórnia quando uma rajada de vento arrancou um dos guarda-chuvas, que voou diretamente para ela. Christo imediatamente ordenou que desmontassem todas as instalações que ainda levaram outra vida, desta vez no Japão. O operador de gruas Masaki Nakamura morreu eletrocutado quando sua máquina tocou um cabo de alta tensão de 65 kilovolts enquanto desmontava os guarda-chuvas tal como Christo tinha ordenado.

Por decapitação de hélices de helicóptero.
O ator Vic Morrow morreu no set das filmagens de Dimensão Desconhecida quando um helicóptero ficou fora de controle por umas explosões dos efeitos especiais, chocou-se, e decapitou o ator com suas hélices. Dois meninos atores também morreram no evento, o que propiciou uma série de mudanças em massa dentro das leis trabalhistas de menores e de regulamentações sobre segurança nos estudos cinematográficos nos Estados Unidos.

Por cactos.
Em 1982, um jovem de 27 anos chamado David Grundman e seu colega de quarto decidiram ir para o deserto cortar cactos a base de disparos. O primeiro foi um cactos pequeno, que caiu ao primeiro disparo. Feliz da vida com seu sucesso, a seguinte presa de Grundman foi um enorme cactus de 7 metros de altura, provavelmente com mais de 100 anos de idade. O disparo tirou-lhe uma grande lasca, e o cactos caiu sobre David matando-o.

Por tampinha de garrafa.
O dramaturgo norte-americano Tennessee Williams morreu em 1983 depois de afogar-se com a tampinha de uma garrafa de cerveja. Williams tinha bebido um pouquinho.

Por afogamento numa festa de salva-vidas.
Em 1985, para celebrar seu primeiro ano sem ter que lamentar nenhum afogado, os salva-vidas do departamento de recreação de Nova Orleans decidiram fazer uma festa. Quando a festa terminou, um convidado de 31 anos chamado Jerome Moody foi encontrado morto no fundo da piscina do clube.

Contando uma piada.
Dick Shawn (1924-1987) foi um comediante que teve um ataque do coração e morreu durante uma brincadeira que pareceu estranhamente apropriada: estava caçoando dos políticos que em sua campanha diziam clichês como: - "Nunca jamais vou dormir em meu cargo". - Quando então Shawn caiu de bruços. No começo, o público gargalhou pensando que isso era parte do show, até que em determinado momento um empregado do teatro subiu ao palco, constatou seu pulso e começou a lhe dar os primeiros socorros. Chegaram os paramédicos, e pediram ao público que fossem para casa: Dick não terminou a piada.

Por uma barrigada.
O lutador profissional Mal "King Kong" Kirk morreu pela enorme barriga de seu colega Shirley "Big Daddy" Crabtree. Em agosto de 1987, nos momentos finais da luta entre ambos, Crabtree usou seu golpe característico, conhecido como "zambullida de panza", algo como o mergulho de barriga. Kirk teve um ataque do coração e morreu sobre o ringue. Crabtree foi inocentado quando descobriu-se que Kirk tinha sido diagnosticado como tendo um sério problema cardíaco antes da luta. No entanto, Crabtree sentiu-se culpado pela morte de seu adversário e amigo, e abandonou a luta profissional. Antes da luta, Kirk disse aos seus amigos: - "Se tenho que morrer, quero que seja sobre o ringue"..

Por imitação.
Em 1991, uma mulher tailandesa de 57 anos chamada Yooket Paen estava caminhando por sua fazenda quando escorregou em um monte de bosta de vaca, se agarrou em um fio da cerca viva (que mantinha o gado confinado) e foi eletrocutada até a morte. Dias depois de seu funeral, sua irmã estava mostrando aos vizinhos como tinha sido o acidente quando ela também escorregou agarrou o mesmo cabo, e morreu igual a sua irmã.

Por uma ovelha.
Em 1999, uma mulher inglesa de 67 anos, Betty Stoobs, levava um pacote de feno na parte detrás de sua motocicleta para alimentar suas ovelhas. Aparentemente, as ovelhas estavam muito famintas e quarenta delas avançaram sobre o feno e atiraram Stoobs num barranco. A mulher sobreviveu à queda, mas morreu quando a moto caiu em cima dela, empurrada também pelas ovelhas.

Por bomba em colar.
Na tarde de 28 de agosto do 2003, o entregador de pizzas Brian Wells tentou roubar um banco com uma pistola. Quando foi detido pela polícia, Wells revelou que tinha sido forçado a cometer o delito por umas pessoas que ele tinha acabado de entregar uma pizza e colocaram nele um colar com um explosivo localizado na nuca. De fato, a bomba explodiu antes de que o esquadrão anti-bombas pudesse desarmá-la. Até hoje em dia, não está claro se Wells foi uma vítima ou um ladrão solitário.

Por uma arraia.
Em 2006, Steve Irwin um naturalista australiano especialista em animais selvagens e protagonista do programa O Caçador de Crocodilos, morreu após ser atingido fatalmente por um aguilhão de arraia que lhe atravessou o coração enquanto filmava um documentário.

No guarda-roupa.
Mariesa Weber foi denunciada como desaparecida por sua família durante quase duas semanas antes de que a encontrassem em seu quarto, dentro do guarda-roupa denunciada pelo mal cheiro. - "Dormi em sua casa durante 11 dias, procurando-a, e todo este tempo ela estava em seu quarto". - Disse sua mãe Connie Weber ao jornal St. Petersburg Times


Licor de Rosas
 

100 gr. de pétalas de rosa vermelhas
1 litro de aguardente
1 kg de açúcar
7.5 dl de água

Rasgam-se as pétalas de rosa e, colocam-se de infusão com a aguardente, durante uma semana, num local escuro. Passado este tempo faz-se a calda com a água e o açúcar, junta-se a aguardente devidamente coada, filtra-se e engarrafa-se.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Pelos Campos de estrela se encontra a fé e a Torta de Santiago

Pour mon maître. Que les chemins des étoiles toujours nous guider vers le bien. nous sommes tous d'être béni... 
Então volto para uma tarde, um café, uma água mineral, pessoas conversando e caminhando – só que desta vez o cenário são as planícies de Leon, o idioma é espanhol, meu aniversário se aproxima, já saí de Sant Jean Pied-de-Port faz tempo, e estou pouco além da metade do caminho que conduz a Santiago de Compostela. Olho para adiante, a paisagem monótona, o guia que também toma o seu café num bar que parece ter surgido de lugar nenhum. Olho para trás, a mesma paisagem monótona, com a única diferença que a poeira do chão tem as marcas das solas de meus sapatos – mas isso é temporário, o vento as apagará antes que chegue a noite. Tudo me parece irreal. O que estou fazendo aqui? Esta pergunta continua me acompanhando, embora várias semanas já se tenham passado. Estou procurando uma espada. Estou cumprindo um ritual de RAM, uma pequena ordem dentro da Igreja Católica, sem segredos ou mistérios além da tentativa de compreender a linguagem simbólica do mundo. Estou pensando que fui enganado, que a busca espiritual não passa de uma coisa sem sentido ou lógica, e que seria melhor estar no Brasil, cuidando do que eu sempre cuidava. Estou duvidando de minha sinceridade na busca espiritual – porque dá muito trabalho procurar um Deus que nunca se mostra, rezar nas horas certas, percorrer caminhos estranhos, ter disciplina, aceitar ordens que me parecem absurdas. É isso: duvido da minha sinceridade. Por todos estes dias Petrus tem dito que o caminho é de todos, das pessoas comuns, o que me deixa muito decepcionado. Eu pensava que todo este esforço fosse me dar um lugar de destaque entre os poucos eleitos que se aproximam dos grandes arquétipos do universo. Eu pensava que ia finalmente descobrir que é verdade todas as histórias a respeito de governos secretos de sábios no Tibete, de porções mágicas capazes de provocar amor onde não existe atração, de rituais onde de repente as portas do Paraíso aparecem adiante. Mas é exatamente o contrário que Petrus me diz: não existem eleitos. Todos são escolhidos, se ao invés de se perguntarem “o que estou fazendo aqui”, resolverem fazer qualquer coisa que desperte o entusiasmo no coração. É no trabalho com entusiasmo que está a porta do paraíso, o amor que transforma, a escolha que nos leva até Deus. É esse entusiasmo que nos conecta com O Espírito Santo, e não as centenas, milhares de leituras dos textos clássicos. É a vontade de acreditar que a vida é um milagre que permite que os milagres aconteçam, e não os chamados “rituais secretos” ou “ordens iniciáticas”. Enfim, é a decisão do homem de cumprir o seu destino que o faz ser realmente um homem – e não as teorias que ele desenvolve em torno do mistério da existência. E aqui estou eu. Um pouco além do meio do caminho que me leva a Santiago de Compostela. (...)



Caminho de Santiago de Compostela

É assim que se inicia uma das obras mais famosas pelo mundo sobre os caminhos de Santiago de Compostela. Já ouvi muitos dizerem que mudaram radicalmente suas vidas deposi que por ali passaram e, hoje, me deu uma vontade de estar por estes caminhso desbravando o desconhecido, dialogando com o sobrenatural e me deliciando com uma famosa receita que ja ganhou fama mundial. Misturando apenas farinha de amêndoa e de trigo, açúcar, ovo, casca de limão ralada e uma pitada de canela, os espanhóis fazem um dos doces mais célebres do mundo. Um doce Medieval. Trata-se da torta de Santiago, nascida com inspiração religiosa. 


São Tiago
Segundo a tradição, os restos mortais de São Tiago Maior, pescador profissional, irmão de São João e primeiro apóstolo de Jesus a tombar martirizado, repousariam na Espanha. Decapitado na Palestina, por ordem de Herodes, teve seu corpo resgatado pelos seguidores. A seguir, levaram-no pelo mar à Espanha, onde ele pregara durante seis anos.

Urna com os restos mortais de Santiago - Catedral de Compostela
O povo acredita que a embarcação foi guiada por um anjo. Estaria sepultado no altar-mor da Catedral de Santiago de Compostela, na província da Galícia, ao norte de Portugal. Todos os anos, milhões de visitantes aparecem ali para venerá-lo. Na idade Média, Santiago de Compostela se tornou um dos três mais importantes centros de peregrinação católica no mundo (os outros dois eram e continuam sendo, Jerusalém e Roma).
Catedral de Santiago de Compostela
A torta para o santo, embora seja  preparada o ano inteiro, tem o consumo triplicado nesta época, ou seja, durante a quaresma – os 40 dias que vão da Quarta-Feira de Cinzas até o Domingo de Páscoa. A abstinência alimentar que a Igreja Católica prescreve para o período excluiu os doces. A procura também aumenta em Julho, pois a 25 daquele mês se comemora a Festa do santo. 
Cruz da Ordem de Santiago
 A fina camada de açúcar de confeiteiro polvilhada sobre a torta aparece entrecortada pela cruz da Ordem de Santiago. Ninguém sabe onde e quando a receita nasceu, nem porque recebeu o nome do apóstolo de Jesus. O fato é que os peregrinos que chegam a Santiago de Compostela a consomem há séculos. Alguns fazem isso embriagados pela fé. Nem precisavam de tanto. A Torta de Santiago é um grande doce, independente da relação com a espiritualidade.
Um dos ingredientes – a amêndoa – testemunha sua antiguidade. Fruto ou semente de uma planta de origem incerta, cultivada há milênios na bacia do Mediterrâneo e também na Ásia, figura em velhos textos medievais históricos. Nas receitas mais antigas, era combinada com mel, leite, fruta seca ou fresca.
Torta de Santiago
Não se sabe nada sobre o consumo de amêndoa na Galicia durante a Idade Media, mas sabe-se que a escassez deste alimento converteu-o num luxo reservado a poucos. A primeira notícia que se tem do uso deste "biscoito de amêndoa", que hoje se conhece como Torta de Santiago, data de 1577, durante uma visita de D. Pedro de Portocarreiro á Universidade de Santiago de Compostela(Boe número 69 ), ainda que naquela altura fosse denominada "torta real". A elaboração e a proporção dos ingredientes faz-nos pensar no que denominamos hoje em dia Torta de Santiago. As primeiras receitas fiáveis provêm de notas de Luis Bartolomé de Leybar, datando de 1838, sob a designação de "Tarta de Almendra".
A origem da Cruz de Santiago representada na sua superfice data de 1924, ano em que a pastelaria «Casa Mora» de Santiago de Compostela começa a enfeitar as tortas de amêndoa com aquela que viria a ser a sua silhueta característica, arrecadando grande êxito na Galiza e no resta da Espanha.
Em 3 de março de 2006, a Torta de Santiago passou a ser uma Denominaçao de origem protegida (RESOLUCIÓN de 3 de marzo de 2006, da Dirección Xeral de Industria Agroalimentaria e Alimentación, pola que se dá publicidade á solicitude de rexistro da Indicación Xeográfica Protexida «Torta de Santiago)
Os peregrinos que percorrem o Caminho de Santiago geralmente começam a viagem na França. Há outros pontos de partida, mas um deles é a cidade de Saint Jean-Pied-de-Port, a 22 quilômetros da fronteira com a Espanha. A tradição manda sair e chegar ao destino a pé. Existe quem escolha bicicleta ou cavalo. Também é possível ir de automóvel, embora esse meio talvez não agrade ao céu. A primeira localidade na Espanha é Roncesvalle. Até Santiago de Compostela serão mais de 700 quilômetros, ao longo dos quais se encontram 87 cidades, vilas e povoados. No passado, os fiéis acreditavam que a viagem redimia pecados e assegurava um lugar no paraíso. Hoje, os místicos afirmam que muda a vida das pessoas.
Vem sendo assim desde o ano 813, quando os restos de São Tiago foram reencontrados, após quase oito séculos de sumiço, num lugar onde as estrelas eram mais brilhantes. Daí o nome de Compostela, ou seja, Campo das Estrelas. Deslumbrado com a descoberta, Afonso II, o Casto, rei das Astúrias, mandou construir ali uma igreja para guardar as relíquias. A atual catedral de estilo românico surgiu entre os séculos XI e XII, substituindo o primitivo templo.
Na mesma época apareceu o Guia do peregrino, primeiro manual de viagens da Idade Média, atribuído ao papa Calisto II. Por isso mesmo, passou a ser conhecido como Codex Calixtinus. Descrevia o caminho de Santiago em detalhes, ensinava como percorrê-lo, falava de seus lugares e gentes. Mas, além de indicar os lugares de culto, sugeria onde dormir e comer, incluindo os apetitosos pratos de caça de pêlo e pena de Navarra, província espanhola situada na parte ocidental dos Pirineus. Os peregrinos pobres comiam de graça.
Codex Calixtinus.

Santiago no folio 4 do Codex Calixtinus.

TORTA DE SANTIAGO 
Massa : 1 ovo, 125 gramas de açúcar, cerca de 1 a 2 colheres (sopa) de água quente, 125 gramas de farinha de trigo, manteiga para untar, farinha de trigo para polvilhar, açúcar de confeiteiro para polvilhar.
Recheio : 4 ovos, 250 gramas de açúcar, casca ralada de 1 limão, 250 gramas de amêndoas moídas, uma pitada de canela.

Preparo : Numa tigela grande, bater o ovo com o açúcar e a água quente, até a mistura espumar e os ingredientes ficarem bem incorporado.Colocar a farinha de trigo aos poucos, mexendo sempre, para que a massa fique lisa e homogênea. Abri um pedaço de filme plástico sobre uma superfície de trabalho, polvilhar com farinha de trigo, colocar a massa por cima e cobrir com outro pedaço de filme plástico, também enfarinhado. Com um rolo, abrir a massa dentro do filme, até ficar com cerca de 2mm de espessura. Colocar a massa no fundo de uma forma de abrir, com cerca de 24 cm de diâmetro, já untada com manteiga e polvilhada com farinha de trigo. Com um garfo, furar a massa em vários pontos. Reservar. Preparo do Recheio : Bater os ovos com o açúcar, até crescerem e ficarem bem espumosos. Incorporar a casca de limão ralada, as amêndoas moídas, a canela em pó e misturar muito bem, até obter um composto homogêneo. Derramar o recheio sobre a massa, alisar e assar em forno preaquecido a 180 graus C, por cerca de 30 a 35 minutos. Deixar esfriar a torta dentro da fôrma. Desenformar num prato de service e, antes do primeiro corte, polvilhar com açúcar de confeiteiro.

Nota : A tradição manda recortar numa cartolina o molde da Cruz da Ordem de Santiago e colocar sobre a torta. Depois, polvilhar a torta com açúcar de confeiteiro e retirar o molde. A cruz ficará desenhada na torta.

 


terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Os, não menos importantes, Talheres.

Tem coisa mais chata do que você pegar um garfo com dente torto, quando vai comer alguma coisa? Pois é, foi pensando nisso que hoje resolvi escrever sobre os talheres, que apesar de sugerir inutilidade para muitas pessoas, a diversidade de talheres utilizados hoje é, na verdade, uma secular - e em alguns casos até milenar - herança cultural, que foi aperfeiçoada com o passar dos anos.

A desgraça que abate os talheres da atualidade é que eles não são os mesmo, em qualidade, de antigamente. Hoje você encontra talheres feitos de todos os materiais, de plástico a ligas nobres. No entanto, a maioria das pessoas acaba usando na diária, peças não muito confiáveis, que queimam o cabo, entortam facilmente ou até mesmo se quebram. Fico me perguntando se não existe um controle de qualidade para estes produtos no Brasil...
Outra coisa que devo confessar é que eu acredito que eu não me adaptaria bem sem um talherzinho por perto (me perdoem as culturas que usam as mãos pra comer).
A origem do surgimento dos talheres é interessante e cheia de lendas. E temos que ir por partes, ou melhor, pela cronologia de quando eles aparecem na história:

E a faca seria o mais antigo dos talheres. foi o Homo erectus, que surgiu na Terra há 1,5 milhão de anos, quem criou o primeiro objeto cortante, feito de pedra, para caça e defesa. Desde então, o homem sempre carregou uma faca. Na Idade do Bronze, que começou por volta de 3000 a.C., ela passou a ser feita com esse metal e a mesma faca que servia para matar era usada também para descascar frutas. Foi nesse mesmo período que a faca começou a se diversificar. Assim, surgiram a faca de cozinha e a utilizada para comer; a apropriada para a caça e a específica para rituais.
As colheres apareceram na mesma época das facas, e ninguém se arriscam em dizer qual das duas surgiu primeiro. Essa ausência de informações gerou, inclusive, algumas fantasias, como a narrada no livro In Punta di Forcheta (Idealibri, Milão, 1998). Nele, os autores Ingeborg Babitsh e Mariosa Schiaffino levam a origem do talher a Eva (sim, ela mesma, a de Adão). Numa praia deserta, a personagem abre uma concha de ostra, observa seu desenho e descobre o utensílio perfeito para levar à boca substâncias líquidas. Sobre a colher, de concreto, sabe-se que os romanos inseriram o objeto nas refeições.
Mas são os garfos, os mais utensílios que causam maior polêmica...
A história nos diz que até o século XI, quase todo mundo comia com as mãos. Os mais educados eram aqueles que usavam apenas três dedos para levar o alimento à boca. Naquele século, Domenico Selvo, membro da corte de Veneza, casou-se com a princesa Teodora Ducaina, filha do Imperador de Bizâncio, Constantino Ducas. Ela trouxe no enxoval um objeto pontudo, com dois dentes, que usava para espetar os alimentos. Em Bizâncio naquela época o uso deste novo instrumento, a partir de Constantinopla, não foi  fácil e teve uma rejeição geral por vários tipos de razões, mas a principal foi devido à falta de competência de quem o utilizava, pois as pessoas que o possuíam acabavam picando língua, gengiva, lábios; e era usando como hoje usamos os palitos.
Domenico Selvo
A princesa Teodora tentou impor junto ao tribunal esta nova ferramenta, conhecida como "fourchette", que vem a significar "espeto". Mas fama de refinada e sofisticada da princesa, não caiu nas da corte o instrumento não teve sucesso e ainda sofreu mais, quando religiosos da época o compararam com a lança com a qual o demônio infernizava os condenados ao fogo eterno. Para os religiosos bizantinos, Além disso, o garfo impedia que a pessoa tocasse diretamente o alimento, considerado uma dádiva Divina. Quando a princesa faleceu sua a morte foi considerada um "castigo de Deus" pelo uso do garfo.
Mas esse fato como um pioneiro, para a época, terá um impacto de alguns séculos mais tarde, não só em Itália, mas em todo o mundo.
Por volta de 1530 a florentina Catarina de Médici (que mais uma vez aparece neste blog por suas contribuições gastronômicas), que mais tarde seria rainha, levou ao país um enxoval completo, com garfo, faca e colher.
O Rei Henrique III (França) foi um dos pioneiros nos anos 1574-1589, tentando ampliar o uso dessa ferramenta em sua refinada corte francesa, com uma ligeira variação do modelo original da princesa Teodora, o garfo tinha dois dentes e um cabo um pouco mais amplo.
Henrique III (França)
 No século XVII, como o avanço da utilização do garfo na Europa, o excêntrico explorador britânico e especialista em viagens Thomas Coryat, em uma de suas viagens para a Itália descobre esta nova ferramenta (o garfo). Em um de seus diários podem ser coletadas as referências sobre ele: "Muitos italianos servir como um garfo "para não tocar na comida, para comer espaguete, para comer a carne (...), não é refinado comer com as mãos, pois asseguram que nem todas as pessoas têm as mãos limpas. " E para o espanto de todos, o Sr. Coryat, leva esta tradição para a Inglaterra tradicional.

Thomas Coryat
Na seqüência Carlos V da França, que conheceu o garfo em Veneza, o traz como suvenir de uma viagem a Polônia. Mas desta vez o fracasso do uso do garfo teve motivos puramente preconceituosos: o rei e seus inseparáveis amigos tinham fada de homossexuais e o garfo perdeu a batalha ao ser considerado um objeto caprichoso de pessoas com a sexualidade questionável (efeminados).

Carlos V da França


O primeiro a sugerir que cada homem deveria ter um talher para ser usado exclusivamente à mesa foi o cardeal francês Richelieu (1585-1642), um fervoroso defensor das boas maneiras, por volta de 1630.
Conhecer normas de etiqueta à mesa pode valer uma venda ou um elogio tanto quanto um traje adequado ou um inglês fluente. A segurança em uma refeição é fundamental para estreitar relações pessoais e profissionais. O simples fato de a pessoa não ficar nervosa por não saber o que fazer já é um grande avanço. O raciocínio e a desenvoltura não ficam bloqueados. A partir daí, a discussão ou a simples interação social ficam facilitadas.
A regra de ouro é começar a praticar em casa, mesmo que a pessoa ache desnecessário esse treinamento. Alimentar-se com o garfo na mão esquerda requer certa prática para quem não está acostumado. E o lar é o melhor lugar para aperfeiçoar as boas maneiras, porque não há pressões externas.
O Mise-en-place, que significa jogo de cena ou arrumação prévia, nada mais é que a maneira como os objetos são distribuídos à mesa. Ao contrário da confusão que algumas pessoas fazem, o objetivo é facilitar a vida de quem serve e de quem se alimenta. Para quem está comendo, vale a regra de utilizar sempre o talher que estiver mais para fora.
A diferenciação dos objetos visa adequar o talher aos vários pratos servidos numa refeição completa. A faca para peixe, por exemplo, não tem corte porque a carne é extremamente macia. Além disso, ela ajuda a separar espinhas. O mesmo vale para as taças. A utilizada para vinho branco é menor e a temperatura da bebida deve ser mais baixa. Na organização, ela fica mais próxima à mão direita porque acompanha o primeiro prato. A taça de água é maior porque é a mais utilizada. E todas devem ser seguradas pela haste para evitar o contato com as mãos.

A disposição dos objetos à mesa é também reflexo de intenções subentendidas, herdadas ao longo dos séculos. O ato de virar a faca para dentro, por exemplo, vem da idade média. A intenção do anfitrião é mostrar que está desarmado, uma espécie de sinal de paz para o banquete. O fato de o garfo ficar na mão esquerda e a faca na mão direita vem dos tempos de Luís XIV. A ordem existe até hoje porque todo o modelo foi concebido para pessoas destras, já que os canhotos eram discriminados.
O hashi (em japonês) ou k'uai-tzu (em chinês), chamado de "palitinho", também tem vida milenar. Ele é utilizado por povos do oriente desde a antigüidade, por volta do século IV. Naquela época, o instrumento era dobrado como se fosse uma pinça, representando o bico de um pássaro. A tradução do termo nipônico para o português também é simbólica. Na tradição shintoísta, hashi significa "ponte", que liga o homem e o alimento.
A maioria dos hashi é feita de madeira. Contudo, ossos, dentes de elefante, marfim, bambu e até metais são utilizados em sua confecção, que inclui ainda pinturas e decorações. O comprimento varia de 21 a 36 centímetros.
Em muitos casos, eles acabam se tornando objetos pessoais: cada um tem seu hashi.
Assim como os talheres ocidentais, o hashi tem diferenciações funcionais. Existem os específicos para comer, cozinhar e apanhar comida. Mas há também diferenças estéticas, inclusive de um país para outro. O k'uai-tzu é quadrangular de uma ponta à outra. Já o hashi diminui em uma das extremidades. O formato facilita a retirada dos ossos dos peixes.

Apesar da aparente simplicidade do "talher" oriental, alguns cuidados devem ser observados. O mais importante deles poderia inclusive endossar a desaprovação do cardeal italiano diante da princesa de Constantinopla. Para os orientais, espetar o hashi no arroz e deixá-lo na vertical é falta grave. Isso só é feito em momentos de oração, de reflexão e homenagem a antepassados. Também não é recomendável deixá-lo sobre qualquer tigela, na horizontal. Para descansar o hashi, vale a pena improvisar um hashioki (descanso para palitinhos).
REGRAS DE ETIQUETA
Na corte de Luís XIV, o “Rei Sol” – que governou a França de 1661 até por volta de 1711 – desenvolve-se a cultura cortesã como nova religião do Estado. Em vez de missas, o rei realizava festas na corte com todos os objetos que pudessem marcar a diferença entre o homem cortês e a plebe.
Um deles eram os talheres, que atuavam como um princípio de distinção social. Neste sentido, pouco mudou até os dias de hoje.
As regras de etiqueta no uso dos talheres revelam poder, polidez, civilidade e aceitação entre os mais refinados.
Deixando a História de lado, o fato é que cada talher surgiu com o intuito de facilitar o dia-a-dia e a vida das pessoas, aumentando o prazer em comer.
A colher pode ser encontrada atualmente em diferentes formatos e materiais, seguindo tendências na forma de servir. Um exemplo é o serviço chamado “finger food”(comida para pegar com os dedos), febre entre os bufês, no qual servem-se pequenas porções em cumbucas ou em colheres, possibilitando uma degustação prática, simples e também refinada.
Nos Estados Unidos, existem estudos para a confecção da “colher inteligente” que, conectada a um computador via wireless, detecta se a quantidade de sal, por exemplo, na comida está adequada. Independente do modelo, cor ou material, a colher, assim como os outros talheres, veio para facilitar a vida e trazer bem-estar. E o mercado continua inovando, vejamos dois exemplos de garfos especiais: um para massas e outro para pizzas.


Agora deixo algumas dicas importantes de algo, que percebo pouco difundido, quanto ao uso dos talheres para comer frutas nos restaurante ou em qualquer jantar, então  aprenda pra não mais errar.

Abacate em creme com licor de cacau – coma com colher de sobremesa.
Abacaxi fatiado – coma com garfo e faca (dispensa-se o miolo duro).
Ameixa grande – corta-se ao meio e come-se com garfo e faca
Ameixa pequena – coma com a mão. A semente deve ser depositada discretamente na mão e levada à borda do prato.
Caju grande – corta-se em pedaços e come-se com garfo e faca.
Caqui inteiro – corta-se ao meio e come-se com colher.
Cereja inteira – com a mão. A semente deve ser depositada discretamente na mão e levada à borda do prato.
Figo inteiro – corta-se em duas ou quatro partes. Come-se a polpa com colher.
Figo descascado com chantilly ou sorvete - come-se com colher.
Goiaba inteira – firma-se com o garfo e descasca-se com a faca. Come-se com garfo conforme os pedaços vão sendo partidos.
Laranja em gomos - com garfo e faca.
Mamão descascado e fatiado – com garfo e faca.
Mamão cortado ao meio – com colher.
Manga fatiada – com garfo e faca.
Melão fatiado – retira-se a polpa com a faca. Come-se com o garfo à medida que os pedaços vão sendo cortados.
Melancia fatiada – com garfo e faca. As sementes são depositadas discretamente na mão e levadas à borda do prato.
Morango em taças – com colher.
Pera ou Maçã inteiras - divide-se em quatro com garfo e faca. Come-se com garfo à medida que os pedaços vão sendo partidos.
Uvas em cachos inteiros – corta-se com tesoura adequada. A etiqueta tradicional manda comer com a mão, engolindo a casca e as sementes. Quem não as suporta, não deve comer a fruta.
Sucesso a você!

Pera com calda de chocolate

3 murcotes (ou laranjas)
4 peras pequenas inteiras, sem casca,
9 colheres (sopa) de açúcar,
2 anises-estrelados,
4 colheres (sopa) de cacau em pó,
1/2 xícara de leite integral

Parta as murcotes ao meio e esprema o suco. Reserve. Corte a casca de uma delas em tiras fininhas e cozinhe por 5 min em panela com bastante água. Escorra a água. Adicione mais água fria e repita o procedimento por três vezes. Escorra a última água. Ponha na panela, junto com as cascas, as peras, o suco, 5 col. (sopa) de açúcar e os anises-estrelados. Complete com água até cobrir as peras e cozinhe em fogo baixo por 20 min. Reserve. Em outra panela, derreta o restante do açúcar e, com cuidado, despeje o cacau misturado no leite. Cozinhe, sem mexer, por 4 min, ou até encorpar. Retire do fogo e passe por uma peneira. Sirva com as peras. Anis-estrelado e raspas largas de chocolate decoram.