sábado, 12 de março de 2011

Strogonoff ou Stroganoff = Gastronomia da Czarina

Sabe quando a gente se sente realizado? Se eu pudesse responder esta pergunta em toda a sua complexidade eu diria que seria como o que o correi comigo na época em que eu  executei  meu projeto social, cadeira da faculdade obrigatória para a conclusão do curso. Naquele época (2007) eu escolhi trabalhar com gastronomia no projeto, busquei uma escola pública e fui lá dar aulas de gastronomia básica pras merendeiras e mães de alunos... Foi uma maravilha poder ser reconhecido pro pessoas mais velhas que eu; e saber que eu puder ensinar e trocar experiências que ficaram conosco pro resto da vida.

Dentre as receitas que apresentei, estava o Strogonoff. Foi uma aula deliciosa e cheia de fatos interessantes: desde poder levar para aquelas pessoas de classe mais baixa, produtos mais requintados para eles como os cogumelos champignons, até mesmo  ver a reação das mulheres espantadas com o ato de flambar a comida... Maravilhosa experiência que um dia ainda retomo. Por estas lembranças hoje tratarei do strogonoff, da mesma maneira como fiz na aula, usando a história para trazer o prato como ele era desde que foi  executado pelas primeiras vezes.  
Como a maioria das delicias apresentadas neste blog o strogonoff também traz sua origem cheia de lendas para a sua origem

 No livro francês L’Encyclopedie de la Cuisine (A Enciclopédia da Cozinha), ao apresentar a receita de Boeuf Strogonoff, seus autores dizem que o “Strogonoff ou Stroganov é um clássico da cozinha russa, adaptado pela cozinha francesa”, e que a origem do nome tem duas explicações:
 (1) o prato leva o nome de uma rica família de comerciantes russos, os Stroganov, que tinham um cozinheiro francês, responsável pela criação do prato;
(2) o nome vem simplesmente do verbo russo “strogat”, que significa cortar em pedaços (no caso, a carne).
Sorte seria se existissem apenas duas versões para este prato. Mas sempre achamos mais uma. Abaixo, mais versões, iniciando com a aque mais gosto – e que também é a mais aceita pelo mundo gastronômico.
Há 700 anos, na região de Novgorod, perto de São Petersburgo, Rússia, a família Strogonoff, reunia todos os meses, em seu castelo rural, famílias da vizinhança para saborearem pratos preparados pelas famílias e degustarem vinhos e vodkas, de qualidade.
 A baronesa Stroganoff apresentou certa noite, um prato de cebolas picadinhas, carne suína e bovina, cortadas em tirinhas, flambado à vodca, engrossadas com polpa de tomates maduros, ligado com nata e que era servido em cima de torradas de féculas de trigo e acompanhado de cogumelos silvestres.
 Cada integrante da sua família era especialista em determinada ação na cozinha. Um fazia o molho, outro escolhia os cortes de carne, outro picava os temperos e claro, como em qualquer família, tinha aquele que só vinha dar palpite.
      No Strogonoff, se sobressaiu a função do "Saucier" que é o encarregado de fazer bons molhos. Esse molho é hoje, um dos 10 mais importantes do mundo.



A receita original de strogonoff ou stroganov teria sido revelada ao povo russo em 1861, no livro Um Presente para Jovens Donas de Casa, de Elena Malokhovets. Intitulava-se carne stroganov com mostarda. Mandava empanar ligeiramente cubos de carne bovina e terminar o preparo em molho de mostarda e caldo de legumes. No final, ia smitane (creme de leite azedo). A autora conhecia bastante o prato, até porque nasceu em São Petersburgo, cidade onde ele veio à luz, tendo como berço a cozinha do palácio barroco que o arquiteto franco-italiano Bartolomeo Rastrelli projetou no século 18 para o conde Serguei Stroganov, patriarca de um dos clãs mais nobres, ricos, cultos e influentes do Império Russo.
No final de 1800, o cozinheiro francês Thierry Costet, que trabalhava para a família, acrescentou-lhe requintes parisienses: champignons, pepino em conserva e páprica. Em 1938, a enciclopédia francesa Larousse Gastronomique dedicou um verbete à preparação, chamando-a de boeuf stroganov e mandando cortar filé mignon em iscas ou tiras. Não foi essa a última inovação. Na Suécia, em vez de carne, incorpora-se falukorv, a lingüiça típica. No Brasil, variamos a receita com frango ou camarão, acrescentando ketchup e molho inglês. Vai à mesa harmonizada com arroz branco ou à grega. Os franceses preferem o pilaf (arroz à moda do Oriente Médio, possivelmente de ascendência persa); os americanos gostam de combiná-lo com macarrão; e os russos não dispensam a batata frita.
Com a revolução de 1917, que terminou com a era dos czares no país, muitos russos foram para a Europa, onde o strogonoff ganhou os detalhes finais que resultaram no sabor que conhecemos hoje em dia.
Pratos que misturam carne e creme de leite já existiam no Leste Europeu durante a Idade Média. Entretanto, a invenção costum a ser atribuída a diferentes pessoas. Alguns pesquisadores dizem que a receita foi criada no início do século 18 por influência de um nobre Stroganov que freqüentava a corte de Pedro, o Grande, primeiro soberano do Império Russo; outros a atribuem ao conde e diplomata Pavel Alexandrovich Stroganov (1774-1817), que cem anos depois participou do governo de Alexandre I, o czar que derrotou Napoleão Bonaparte.
Entretanto, Portugal quer a sua parte. A tradição lusitana gostaria que a condessa de Ega, sua bela e sapeca conterrânea, fosse considerada co-autora do prato. Nascida Juliana Maria Luísa Cardoso Sofia de Oyenhausen e Almeida(1782–1864), filha da notável Marquesa de Alorna,  ela casou duas vezes, ambas com homens bem mais velhos, abonados, influentes e generosos com as mulheres.
Condessa de Ega
As primeiras núpcias a uniram ao segundo conde de Ega, batizado Aires José Maria de Saldanha Albuquerque Coutinho Matos e Noronha (1755–1827), gentil-homem com quem morou em Madri quando o marido foi embaixador de Portugal na Espanha. Na época, conheceu o francês Jean-Andoche Junot, de quem se tornaria amante no final de 1807, após o general de Napoleão invadir Lisboa e obrigar a família real lusitana amudar para o Brasil.
Outro casamento da condessa de Ega foi com o conde e diplomata Grigori Alexandrovich Stroganov (1769–1857). Por coincidência, conheceu-o igualmente em Madri, onde ele era embaixador do czar, e também virou sua amante. Contam os portugueses que o segundo marido tinha os dentes arruinados e, para facilitar-lhe a mastigação, a condessa de Ega passou a transformar em cubos e a empanar, para amaciar, os clássicos escalopes (filés de carne em fatias finas, cortados no sentido transversal das fibras) servidos com smitane. 
Essa versão é referendada por intelectuais como José Manuel Bento dos Santos, autor de textos gastronômicos e aplaudido apresentador de programas sobre culinária e vinho na televisão de Lisboa. Enviuvando, a condessa de Ega permaneceu na corte de São Petersburgo, herdando do marido, em usufruto vitalício, o imponente palácio da família, e a guarda de sua monumental coleção de obras de arte. Ao mesmo tempo, passou a receber uma pensão anual de 100 mil francos, paga pelos enteados, pois não teve filhos com o conde Stroganov. Morreu aos 82 anos. Segundo os mexericos, até os últimos dias bebeu vinho do Porto e champagne, comeu blinis com caviar e promoveu banquetes espetaculares, freqüentados por uma legião de bajuladores.
A revista brasileira Gula em reportagem sobre o “verdadeiro strogonoff” diz que o nome homenageia uma antiga família da cidade de Novgorod, perto de São Petersburgo, e que uma descendente desta família, Sophie Stroganoff (com a) morou em São Paulo. Segundo a revista, os Stroganoff, rica família de negociantes, participavam de um clube em que os chefs das cozinhas das famílias apresentavam suas criações culinárias. Numa dessas reuniões foi apresentado o Boeuf Stroganoff, receita simples à base de carne e creme de leite fresco.
De acordo com Eda Romio, em seu livro 500 anos de Sabor, “os soldados russos, no século XVI, levavam como ração para os campos de batalha barris com carne cortada em pedaços, coberta com sal grosso e aguardente, para que não apodrecesse. Quando queriam comê-la, acrescentavam um pouco de gordura e creme azedo.

 E deixando de lado os crimes nacionais (que aliás, cometemos e gostamos) em que as pessoas usam creme de leite no lugar de nata e temperam com ketchup, ao invés de usar o tomate com molho bechamel. No ocidente, o Strogonoff é flambado com conhaque e acompanhado de arroz e batata palha.
      Hoje, junto com a lasanha e o filé Parmegiana, o Strogonoff é um dos 10 pratos mais vendidos do planeta.
E fala a verdade: strogonoff com um arrozinho branco e batata palha a gente come que peca, não?! Então, pra ajudar a dar mais água na boca de voces, amigos deste barão, deixo umas receitinhas que valem muito a pena experimentar.

Strogonoff de "Nem só de caviar vive o homem" (Fonte: “Nem só de caviar vive o homem”, J.M. Simmel)

Use filé bem descansado (retirado do refrigerador horas antes), corte em fatias e, depois, em pedaços achatados. Refogue, em manteiga, cebola picada, sem deixar que fique escura. Junte a carne, cozinhando-a ligeiramente dos dois lados. Salgue, polvilhe com pimenta do reino e acrescente creme de leite azedo, bem espesso.


Strogonoff de Sophie Stroganoff (Fonte: Revista Gula nº 58)
Ingredientes
1 kg de filé mignon limpo
1 cebola grande, picada
2 tabletes de caldo de carne (a receita original russa não usava este ingrediente)
300 g de champignons frescos, cortados em quatro partes (a receita primitiva também não previa este ingrediente)
½ litro de creme de leite
Alho picado, a gosto
Sal e pimenta-do-reino moída na hora, a gosto

Como fazer Corte o filé mignon em tiras bem finas, no sentido das fibras da carne, para evitar que desmanche na panela. Em uma frigideira (se for de ferro ou com anti-aderente, não precisa usar óleo. Caso contrário, apenas unte a frigideira), leve a carne ao fogo, apenas virando-a, até que libere a água e fique esbranquiçada. Quando estiver seca, passe-a para uma panela com a cebola, os temperos e o caldo de carne. Acrescente os champignons e junte o creme de leite no final.

Boeuf Strogonoff (Fonte: L’Encyclopedie de la Cuisine)
Ingredientes
1,2 kg de filé mignon
Páprica a gosto
¼ de xícara de azeite oliva
1 cebola grande picadinha
½ xícara de vinho branco
1 xícara e meia de caldo de carne
¼ de xícara de creme de leite fresco
30 g de manteiga
Sal a gosto
Pimenta do reino moída na hora a gosto
Salsa picadinha

Como fazer  Cortar a carne em tiras com cerca de 1 centímetro de largura. Temperar com o sal, a pimenta e a páprica. Misturar bem a carne com os temperos. Em uma panela grande, esquentar o óleo, acrescentar a carne e refogar a carne durante 3 minutos, em fogo alto. Em seguida, colocar a carne em uma peneira, a fim de eliminar a gordura. Jogar fora a gordura que ficou na panela, adicionar a cebola picadinha e refogar por uns instantes. Adicionar o vinho e o caldo de carne. Deixar ferver e evaporar um pouco, para engrossar. Adicionar o creme de leite. Verificar o sal. Peneirar o molho em um chinois (espécie de peneira). Juntar o molho à manteiga e misturar delicadamente com a carne. Salpicar com a salsa picadinha e servir.

Strogonoff de salsicha

1 lata de Molho de tomate
8 unidades de salsicha em rodelas
1 unidade de pimentão verde em rodelas
4 unidades de ovo
1 lata de creme de leite
2 colheres (sopa) de margarina
1 cebola picada
Salsinha a gosto
Sal a gosto
Pimenta-do-reino preta a gosto



Preparo: Coloque em uma panela as 2 colheres (sopa) de margarina, refogue com a cebola, pimentão, sal, a salsinha e a pimenta. Coloque a salsicha e o molho de tomate. Ferva por 10 a 15 minutos. Tire do fogo, acrescente os ovos um a um e coloque o creme de leite. Mexa bem, fora do fogo e sirva com arroz branco e batata palha

Strogonoff de camarão

1kg de camarão médio
1 cebola grande em cubinhos
2 dentes de alho picadinhos
1 lata de champingnon
1 xicara de chá de ketchup
1 xicara de chá de molho de tomate
1 colher de sopa de mostarda
1 lata de creme de leite sem soro
Sal
Pimenta-do-reino
Azeite de oliva

Modo de Preparo
Limpe o camarão com limão e água. Deixe escorrer bem e tempere com sal e pimenta do reino. Frite no azeite a cebola e o alho, junte o camarão e deixe cozinhar, refogue por 10 minutos. Junte o restante dos ingredientes, deixando o creme de leite por último.

Strogonoff de Chocolate com Nozes

Ingredientes:
2 latas de leite condensado
2 latas de creme de leite
1 lata de leite de vaca
3 gemas
3 claras em neve
5 colheres de chocolate em pó
1 cálice de rum
200 g de nozes picadas
200 g de chocolate ao leite ralado
200 g de chocolate meio amargo

Modo de preparo:
Faça um brigadeiro mole com o leite condensado, o chocolate em pó, o leite de vaca e as gemas. Deixe esfriar. Junte o creme de leite, o rum, os chocolates ralados e as nozes picadas. Bata as claras em neve, misture e leve a geladeira.
Enfeite com chocolate picado e nozes.

sexta-feira, 4 de março de 2011

O Cheiro Bom e o Bolo de Cheiro

Fazia tempo – muito tempo mesmo – em que eu não me sentia assim, meio sei lá... Com jeito de BOBO... Sem ter adjetivo que fosse capaz ou suficiente para explicar um sentimento tão simples, porém complicado de se conceituar...
De certo que a simplicidade é algo complexo.
É Tão gostoso este cheiro de coisa boa no ar que chega a doer. E se eu levasse esta coisa boa pro lado gastronômico, seria algo mega, ultra, Power, delicioso,  que com certeza, engordaria minha alma para a felicidade deste Barão que vos escreve. Tanto que hoje só postarei um pouquinho de prosa, quase poética, feita no compasso cardíaco, enquanto os olhos estão  no forno – pro  bolo não queimar.
Quero mais e mais desta vida... Porque sentir o cheiro bom é que nem cuidar do jardim: precisa-se escolher boas sementes, regar, limpar a terra e conversar com as plantinhas . Senão, o lugar enche de erva daninha. E aí, nenhuma borboletinha virá me visitar.
Sentir o cheiro bom é como perceber o poder da natureza, ver a  terra dar frutos, ver o cio da terra causando o cio nos homens. Talvez seja por este motivo que nas antigas tradições a fertilidade da terra  esteja ligada a fertilidade dos homens; que através de celebrações ritualísticas faziam os corpos ficarem nus em meio aos campos recém-semeados, para que o cio humano provocasse a inveja da terra, e ela também se excitasse para o recebimento das sementes. O cio dos homens provocando o cio da terra. Mas o inverso também é verdadeiro: o cio da terra pode provocar o cio dos homens...
Li isso em algum lugar:
"Cio é desejo intenso, não dá descanso, invade tudo e provoca sonhos, semente que não se esquece do seu destino, vida querendo fertilizar e ser fertilizada, para crescer. Pois a horta é assim também. Não é coisa só para boca. Se apossa do corpo inteiro, entra pelo nariz, pelos olhos, pelos ouvidos, pela pele, toma conta da imaginação, invoca memórias..."
Mas sentir o cheiro bom é mais que isso. Talvez, seja como dizem as sagradas citações nos textos divinos:  que depois de criar todas as coisas,o Deus Todo Poderoso no seu ato de amor, parou, deixou cair os braços e foi invadido pelo puro deleite de ver a beleza de tudo o que existia na sua criação. Porque “Não só de pão viverá o homem”.
Vivo do que sinto. E estou plantando um pomar de delicias, pra me dar sempre cheiro bom o ano inteiro. Já ganhei as sementes. E agora, estou arando a terra, para fazer o plantio, fertilizar e depois colher.

Para ser rápida esta colheita, eu já quis até comprar umas mudinhas já crescidas. Pensei bem e mudei de idéia, porque o bom é poder viver cada etapa do crescimento, poder conhecer mais do meu poder de cultivador. E enquanto meus olhos ficam imaginando uma infinidade de cores cintilantes que virão do pomar das delicias, coisas vão acontecendo dentro de mim. Porque isso significa que elas existem dentro de mim. Se eu fosse cego para as cores, não me aperceberia de nenhuma diferença.
Pra não descuidar, plantei também uns pés de arruda e Ora-pro-nóbis – pra garantir proteção divina e fazer com que os olhos gordos não me impeçam de ser um bom agricultor e para que me d~eem uma colheita abundante.
Arruda

Ora-pro-nobis

Também já pedi aos deuses da chuva pra que ela, ao cair, venha delicada, sem enxurradas. E assim não me fazer perder nenhuma sementinhas das que já plantei.       
Neste mundo repleto de aromas misturados poder identificar um cheiro especifico, um cheiro bom é sempre uma realização extraordinária.
Os milionários compram suas caras essências e as colocam nos frascos mais rebuscados que o seu dinheiro pode comprar; os políticos  conquistam alguns cheiros através do seu poder; as celebridades seduzem os cheiros com sua fama. Eu, sem milhões, sem poder e sem fama, escolhi plantar. Plantei dedicadamente na esperança de vir bons frutos. E continuo plantando, enquanto balbucio frases diretas e simples. E agora só me resta esperar...

Já posso sentir o riso do cheiro bom explodindo durante a germinação. Vai rindo... Que eu vou comer bolo pra espera não me maltratar. O cheiro do bolo me consola...

BOLO DE CHEIRO

4 OVOS INTEIROS
1 XÍCARA DE ÓLEO
1/2 XÍCARA DE LEITE
1 COLHER DE SOPA DE BAUNILHA
2 XÍCARAS DE AÇUCAR MASCAVO
2 XÍCARAS DE FARINHA DE TRIGO
1 COLHER DE SOPA DE FERMENTO EM PÓ
1 COLHER DE SOPA DE CANELA EM PÓ
1 COLHER DE CRAVOS-DA-ÍNDIA, QUE PODERA SER EM PÓ
2 MAÇAS VERMELHAS PICADAS
2 MAÇAS VERDES PICADAS
100 GRAMAS DE UVAS-PASSAS

Modo de Preparo
BATA NO LIQUIDIFICADOR TODOS OS INGREDIENTES NO LIQUIDIFICADOR. UNTE A FORMA COM MANTEIGA E POLVILHE-A COM FARINHA DE TRIGO, CANELA EM PÓ, E AÇUCAR. ASSE EM FORNO MÉDIO POR APROXIMADAMENTE 30 MINUTOS.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A favor do Brigadeiro: brigadeirinhos e brigadeirão.


Já imaginaram o mundo sem o Leite Moça?

Eu já. E não gostei não. Não quero nem pensar nesta possibilidade novamente. Aliás, não  pensem que estou fazendo propaganda para a Nestlé; mas é que o leite condensado Moça é o melhor. Porém, tem uns conservadores por aí que acusam o leite moça de “padronizar o sabor de antigos doces brasileiros, sobrecarregando-os de açúcar, comprometendo sua delicadeza e ajudando a destruir a diversidade do paladar nacional”.
A crítica faz sentido. Desde que o  leite Moça desembarcou da Suíça, no início do século XX, achamo-nos no direito de modificar ícones centenários, como o pudim de leite e a sericaia de Elvas, ambos nascidos nos conventos portugueses dos tempos coloniais.
Mas o fato de maior importância pra mim é que sem o leite condensado não haveria brigadeiro. E isso seria uma tragédia equivalente a um cataclimas – pelo menos pra mim, que sou chocólatra assumido e alucinado por brigadeiro.
E somente por esta razão, a Confraria do Barão de Gourmandise, hoje tratará sobre os brigadeiros.

São imprecisas as informações sobre onde e quando o brigadeiro foi inventado. Quanto à autoria, parece ter sido coletiva. Afinal, nada mais elementar ou intuitivo do que combinar seus ingredientes: leite condensado, chocolate e manteiga. Inicialmente, chamava-se negrinho, em alusão à massa escura. Até hoje os gaúchos o denominam assim.
A voz do povo informa que virou brigadeiro em 1945, quando Eduardo Gomes disputou com Eurico Gaspar Dutra a presidência da República, sendo derrotado nas urnas. Brigadeiro da Aeronáutica, ele ajudara a escrever um capítulo da história do Brasil. Foi um dos líderes do Tenentismo, movimento político emergido entre oficiais jovens das Forças Armadas, celebrizado pela rebelião militar de 1922. No dia 5 de julho, um grupo formado por três oficiais, quinze praças e um civil que se juntou no trajeto, saiu do Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, e enfrentou a tropa governamental fortemente armada. O combate durou 30 minutos. O futuro Brigadeiro sofreu um tiro de fuzil e caiu gravemente ferido.
Eduardo Gomes ainda fundou o Correio Aéreo Nacional e se converteu em patrono da Força Aérea Brasileira. Em 1950, voltou a disputar a presidência, perdendo para Getúlio Vargas. ‘Vote no Brigadeiro, que é bonito e é solteiro’, dizia o slogan eleitoral, que não lhe rendeu os votos necessários, mas fascinou as mulheres. Dutra era homem feio e Getúlio nunca constituiu padrão de beleza.

Duas versões explicam o nome do docinho difundido nacionalmente a partir dos anos 50. A primeira conta que mulheres do Rio de Janeiro, engajadas na campanha de Eduardo Gomes, preparavam negrinhos em casa e os vendiam na rua com o nome de brigadeiro, destinando o dinheiro ao fundo de campanha. A outra, espalhada pelos adversários do candidato, é difícil contar sem incorrer em vulgaridade. Mas, como circula no país, precisamos registrá-la. O tiro desferido em Eduardo Gomes na rebelião do Forte de Copacabana haveria atingido os testículos. Ora, a receita do docinho brigadeiro não utiliza ovos. Assim, o nome teria conotação maldosa.

Apesar de batizada no Rio de Janeiro, a receita provavelmente se originou em São Paulo na década de 20 ou 30. A dedução se baseia em uma evidência. Quando o docinho surgiu, seus ingredientes básicos eram elaborados no Estado. Em 1921, a Nestlé abriu em Araras, a 171 quilômetros da capital paulista, a fábrica número um no Brasil e logo passou a elaborar o pioneiro Leite Moça.

 O produto representa até hoje o maior volume de vendas entre os mais de mil itens que industrializa no país. Ainda em 1921, começou a funcionar no bairro da Mooca, em São Paulo, uma prestigiada indústria de chocolates. Chamava-se Gardano. Fabricava um chocolate em pó de qualidade e prestígio, conhecido entre os consumidores como ‘chocolate dos padres’, por reproduzir na embalagem uma tela do pintor toscano Alessandro Sani, do século XIX, na qual dois sorridentes monges católicos aparecem diante de uma panela e de um prato. Também fabricava o Mentex. Foi incorporada pela Nestlé em 1957, mas os monges permaneceram na embalagem. Até hoje ilustram o Chocolate em Pó Solúvel Nestlé, com a pintura original de Sani transformada em desenho.
Coincidentemente, as antigas receitas de brigadeiro recomendam ‘chocolate dos padres’ e Leite Moça.

Brigadeiro – O original

1 lata de leite moça
3 colheres (sopa) de chocolate em pó dois frades
1 colher (sopa) de manteiga
1 xícara (chá) de chocolate granulado

Modo de Preparo
Em uma panela, coloque a manteiga, o Leite MOÇA e o Chocolate em Pó. Misture bem e leve ao fogo baixo, mexendo sempre, por cerca de 10 minutos ou até desprender do fundo da panela. Retire do fogo, passe para um prato untado com manteiga e deixe esfriar. Enrole em bolinhas e passe pelo chocolate granulado. Coloque em forminhas de papel e sirva.

Brigadeirão

1 lata de leite moça
1 lata de creme de leite sem soro
1 xícara (chá) de chocolate em pó dois frades
4 colheres (sopa) de açúcar
1 colher (sopa) de manteiga em temperatura ambiente
3 ovos
manteiga para untar
1 xícara (chá) de chocolate granulado para decorar
Modo de Preparo
Bata no liquidificador o leite moça, o Creme de Leite , o Chocolate, o açúcar, a manteiga e os ovos Quando ficar homogêneo, despeje em uma forma com furo central (19cm de diâmetro) untada com manteiga . Cubra com papel de alumínio e asse em banho-maria em forno médio (180°C) por cerca de 1 hora e 30 minutos. Desenforme ainda morno e decore toda a superfície com o chocolate granulado. Leve à geladeira por cerca de 6 horas.
Dicas: - Para retirar o soro do Creme de Leite, deixe a lata na geladeira por, no mínimo, 4 horas. Em seguida, vire a lata, faça dois furos no fundo e escorra o soro. - Caso deseje uma consistência mais fluída, mantenha o soro.

Brigadeiro de colher

1 lata de leite moça
85g de chocolate meio amargo
1 caixinha de creme de leite
Modo de Preparo
Em uma panela, leve ao fogo baixo o leite moça com o Chocolate. Cozinhe mexendo sempre até obter consistência de brigadeiro mole (que corresponde a cerca de 8 minutos). Retire do fogo, acrescente o Creme de Leite e misture bem. Distribua em pequenos copos descartáveis (30ml de capacidade). Espere esfriar e sirva a seguir.
Dicas:
- Para fazer o Brigadeiro Branco, prepare a receita sem acrescentar o Chocolate Meio Amargo.
- Decore com confeitos coloridos ou de chocolate, encontrados em supermercados ou lojas especializadas em artigos para festas

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Papos de Anjos: pra comer orando.

Ontem, quando cheguei em  casa depois de um fim de semana fora e me deparei com o apartamento mais vazio que o normal... Mal eu havia chegado e colocado o celular pra recarregar alguém me liga... Minha tia, pra avisar que um  dos moradores dali havia ‘sumido”: Bill, o  periquito australiano que morava com a gente a poucos meses. Era uma ave querida, brincalhona, esperta e alegrava a casa com o azul turquesa de suas penas e com as conversas incansáveis dos seus gorjeios. Mas ele sumiu... deve ter voado...


O dia não  foi  bom, saudade maltrata. E o apego é uma coisa estranha!
Naquele instante desolador, na falta do companheiro que ficava horas comigo ( fosse no meu ombro, no meu braço ou nos meus pés) enquanto eu estivesse  na frente deste notebook, enquanto eu escrevia tudo, todos os dias, pensei em anjos. Talvez pela ligação vinda da infância de que anjos tem asas. Talvez aquela ave fosse um... por que aprendi que Um anjo é uma forma pela qual uma essência ou força de energia é transmitida para um propósito especifico; que os anjos poderia ter asas ou  não – mas anjo com asa é sempre mais  bonito rsrsrsrsrs.
Fiquei na vontade de homenagear a ave que muitos me fez rir durantes os meses que passou aqui, me divertindo. E não achava uma forma legal pra isso. Hoje, porém, me veio a inspiração e aonde quer que Bill esteja – e sei que ele estar em algum lugar -  este post é pra ele. PAPO DE ANJO
Pra que eu pudesse papear com os anjos eu primeiro fui entender como eles surgiram. E a história diz assim:
As primeiras descrições sobre anjos apareceram no Antigo Testamento. A menção mais antiga de um anjo aparece em Ur, cidade do Oriente Médio, há mais de 4.000 a.C.. Na arte cristã eles apareceram em 312 d.C., introduzidos pelo Imperador romano Constantino, que sendo pagão, converteu-se ao cristianismo quando viu uma cruz no céu, antes de uma batalha importante.
Em 325 d.C., no Concílio de Nicéia, a crença nos anjos foi considerada dogma da Igreja.
Em 343 d.C. foi determinado que reverenciá-los era idolatria e que os anjos hebreus eram demoníacos. Em 787 d.C. no Sétimo Sínodo Ecumênico definiu-se dogma somente em relação aos arcanjos: Miguel, Uriel, Gabriel e Rafael. Os escritos essênios, sociedade da qual Jesus fazia parte, estão repletos de referências angelicais.
No Novo Testamento, anjos apareceram nos momentos marcantes da vida de Jesus: nascimento, pregações, martírio e "ressurreição". Depois da ascensão, Jesus foi colocado junto ao Anjo Metatron.
São Tomás de Aquino foi um estudioso do assunto. Ele dizia que os anjos são seres cujos corpos e essências, são formados de um tecido da chamada luz astral. Eles se comunicam com os homens através da egrégora, podendo assim assumir formas físicas.
Os anjos eram chamados de DAIMONES pelos gregos, o que significa também gênios ou seres sobrenaturais. Nessa categoria, encontramos os obreiros de Deus: gnomos e duendes (terra); fadas e silfos (ar); salamandras (fogo) e ondinas (água).
O nome Daimones, porém, correspondente à palavra "demônio", como entendiam os autores eclesiáticos.
Tal fato desperta uma grande curiosidade sobre o tema, já que interesses religiosos fizeram de tudo para que isso não chegasse ao conhecimento popular, principalmente nas Cruzadas, onde textos e escrituras foram eliminados em nome de Deus. Os anjos (Daimones), que protegem os seres humanos, são diferentes dos Daimones, que ficam fora do nosso controle. Eles são perceptíveis ao nosso conhecimento, mas difíceis de mantermos contato, ainda que seja possível entrar em sua sintonia.
Os silfos, por exemplo, são elementos do ar que nos ajudam na propagação dos recados. Por esse motivo, quando fazemos um pedido escrito ao anjo e queimamos o papel, assopramos as cinzas (elemental fogo) ou sentimos vontade de andar para colocar idéias em ordem, como faziam os grandes filósofos. Utilizamos a força das ondinas (elemental água) para nossas emoções e os gnomos e duendes (elemental terra) para prosperidade.
Assim como estamos presos à terra pelas leis da gravidade e não podemos ficar suspensos no céu, os anjos têm dificuldades para ficar conosco na terra. O que dá consistência para sua permanência é a luz ou energia de nossa aura. De uma forma mais simples, poderíamos dizer que a aura é para o anjo o mesmo que o oxigênio é para nós. Se estamos bem, automaticamente são reforçadas nossa simpatia e presença.
Quando estamos tristes ou deprimidos nossa aura diminui e o anjo não atua, dando força ao nosso anjo contrário. Isto nos faz antipáticos. O anjo guardião, que não participa das infelicidades, pede ajuda para que outro anjo resolva nossos problemas. Ficar em sintonia com seu anjo guardião é anular, neutralizar a força do gênio contrário. Com isso sua vida há de prosperar, já que Deus é Prosperidade e quer que você prospere também.
Quando fazemos uma oração, nosso anjo não ouve ou sente o pedido. Nesse momento nossa aura muda de cor e é isso que ele compreende. Quando oramos, nossa aura torna-se azul ou verde. Já quando abraçamos uma pessoa querida, ela fica cor de rosa, o que faz, com certeza, nosso anjo bater as asas no plano etéreo.
Á quem diga que os anjos estão de volta. Um pouco estranha esta frase, porque na verdade eles nunca foram embora. Analisando as religiões milenares existentes, podemos observar a presença destes seres em todas elas, seja nas mais diferentes formas e com os mais diversos nomes. Anjos são os mensageiros de Deus. São elementais, seres de luz, com todas as suas propriedades: velocidade, brilho e poder de cura. Os Anjos sempre estão ao seu lado, não importa que você nunca tenha dedicado sua vida a ele, diríamos que são nossos "treinadores" da vida, nos orientando, nos conduzindo e até mesmo nos incentivando.
Os Anjos são como nossos pensamentos. Não os vemos, sabemos que existem e podemos tê-los quando quisermos, sem limites! Estes seres maravilhosos podem manifestar-se a nossa volta, usando todos os tipos de artifícios necessários, para que entendamos os seus "sinais", eles tomam até mesmo a forma da figura humana. Quem já não teve na vida uma experiência, na maioria das vezes desesperadora, onde surgiu do nada uma pessoa estranha, com o único intuito de ajudar naquele momento e depois desaparecer, tão misteriosamente como surgiu?
Pois são exatamente eles...São nossos Anjos que vem em nosso auxílio num momento de desespero. Mas não precisa também ser obrigatoriamente na forma humana. Eles nos mandam mensagem constantemente, basta apenas estarmos atentos.
No Cristianismo os anjos foram estudados de acordo com diversos sistemas de classificação em coros ou hierarquias angélicas. A mais influente de tais classificações foi estabelecida pelo pseudo-Dionísio, o Areopagita entre os séculos IV e V, em seu livro De Coelesti Hierarchia. E de estudos bíblicos com a observação da presença de anjso em outras culturas, os pesquisadores chegaram a hierarquia angelical mostrando-a composta de três tríades.
A 1ª tríade eé uma ordem é composta pelos anjos mais próximos de Deus, que desempenham suas funções diante do Pai. Seriam eles os serafins, querubins e tronos. A 2ª Ordem é composta pelos Príncipes da Corte celestial: dominaçoes, virtudes e potencias. A 3ª Ordem é composta pelos anjos ministrantes, que são encarregados dos caminhos das nações e dos homens e estão mais intimamente ligados ao mundo material: principados, arcanjos e anjos.

SERAFINS

- príncipe Metatron (Metatron significa Rei dos Anjos em hebraico) - São descritos com seis asas e envolto por chamas de fogo, têm poderes de purificação e iluminação, difundem o princípio da vida universal e manifestam a glória de Deus. São os anjos cuja categoria mais se aproxima de Deus.O nome serafim vem do hebreu saraf (שרף), e dogrego, séraph, que significam "abrasar, queimar, consumir". Também foram chamados de ardentes ou de serpentes de fogo. É a ordem mais elevada da esfera mais alta. São os anjos mais próximos de Deus e emanam a essência divina em mais alto grau. Assistem ante o Trono de Deus e é seu privilégio estar unido a Deus de maneira mais íntima, e são descritos em isaías como cantando perpetuamente o louvor de Deus e tendo seis asas. O Pseudo-Dionísio diz que sua natureza ígnea espelha a exuberância de sua atividade perpétua e infatigável, e sua capacidade de inflamar os anjos inferiores no cumprimento dos desígnios divinos, purificando-os com seu fogo e iluminando suas inteligências, destruindo toda sombra. Pico della Mirandola fala deles em sua Oração sobre a Dignidade do Homem (1487) como incandescentes do fogo dacaridade, e modelos da mais alta aspiração humana.



QUERUBINS


- príncipe Raziel - (Raziel é o o principe da originalidade e dos mistérios. Segundo a tradição judaica, Adão teve problemas de saúde; Raziel entregou um livro contendo todos os ensinamentos sobre as ervas que poderiam salvar a humanidade. Por este motivo, as grandes descobertas da medicina foram atribuídas a Raziel) - Os Querubins Trazem penas de pavão cheias de olhos, simbolizando a onisciência divina. Eles zelam pela ordenação do caos universal, pela sabedoria, e nos ofertam o conhecimento e as idéias. Os Querubins também ensinam que rir é o melhor remédio.
Do hebreu כרוב - keruv, ou do plural כרובים – keruvim, os querubins são seres misteriosos, descritos tanto no Cristianismo como em tradições mais antigas às vezes mostrando formas híbridas de homem e animal. Os povos da Mesopotâmia tinham o nome karabu e suas variantes para denominar seres fantásticos com forma de touro alado de face humana, e a palavra significa em algumas daquelas línguas "poderoso", noutras "abençoado". No Genesis aparece um querubim como guardião do jardim do Éden, expulsando Adão e Eva após o pecado original. Ezequiel os descreve como guardiães do trono de Deus e diz que o ruflar de suas asas enchia todo o templo da divindade e se parecia com som de vozes humanas; a cada um estava ligada uma roda, e se moviam em todas as direções sem se voltar, pois possuíam quatro faces: leão, (O leão sempre foi reconhecido como forte, feroz, majestoso, ele é o rei dos animais e essa face simboliza então sua força). touro, (o touro é reconhecido como um animal que trabalha pacientemente para seu dono. Ele é forte, podendo carregar um urso, e conhece o seu dono). águia, (como um anjo, este pássaro voa acima das tempestades, enquanto abaixo delas existem tristezas, perigos, e angústias. Um pássaro ligeiro e poderoso, elegante, incansável) e homem, Esta face fala da mente, razão, afeições,e todas as coisas que envolvem a natureza humana, isso, para alguns estudiosos, significa que eles assim como os homens possuem o livre arbítrio. E eram inteiramente cobertos de olhos, significando a sua onisciencia.  Mas as imagens querubins que Moisés colocou sobre a Arca da Aliança tinham forma humana, embora com asas. Os Querubins, para alguns teólogos, ocupam o topo da hierarquia, pois alguns não consideram os serafins como anjos , uma vez que a palavra hebraica para anjo é "malak" (mensageiro) e da mesma forma no grego, anjo é "angelus" (mensageiro) e estas figuras aladas que aparecem, na Bíblia, apenas em Isaías capítulo 6, onde exaltam a Deus mas não comunicam mensagens ao profeta. São Jerônimo e Santo Agostinho interpretam seu nome como "plenitude de sabedoria e ciência". A partir do Renascimento passaram a ser representados muitas vezes como crianças pequenas dotadas de asas, chamados putti (meninos) em italiano. Têm o poder de conhecer e contemplar a Deus, e serem receptivos ao mais alto dom da luz e da verdade, à beleza e à sabedoria divinas em sua primeira manifestação. Estão cheio do amor divino e o derramam sobre os níveis abaixo deles. Satanás é descrito como o querubim ungido, sendo chamado antes pelo nome de Lúcifer.

TRONOS ou OFANINS

- príncipe Tzaphkiel (a morada de Tzaphkiel chama-se harmonia; sentimos sua presença quando ouvimos música ou experimentamos sentimentos de serenidade) - Identificados por uma roda de fogo, cuidam do trono de Deus e apresentam o sentido de união ao homem. Proclamam a grandeza divina e inspiram os homens à arte, à poesia e à música. Tem como função promover a paz e a união entre os homens. Zelam pelo Trono de Deus.
Os Tronos têm seu nome derivado do grego thronos, que significa "anciãos". São chamados também de erelins ou ofanins, ou algumas vezes de Sedes Dei (Trono de Deus), e são identificados com os 24 anciãos que perpetuamente se prostram diante de Deus e a Seus pés lançam suas coroas. São os símbolos da autoridade divina e da humildade, e da perfeita pureza, livre de toda contaminação.
DOMINAÇÕES


 - príncipe Tsadkiel (Tsadkiel cumpre a vontade de Deus através de seu pder e influência sobre a humanidade) - Almejam a verdadeira soberania e têm no cetro e na espada seus símbolos do poder divino sobre a criação. Afloram no homem a força para subjugar o inimigo interior. Auxiliam as questões ou conflitos que necessitam de solução imediata. despertam no homem a força para dominar a si mesmo. São os Governadores do Universo.As Dominações ou Domínios (do latim dominationes) têm a função de regular as atividades dos anjos inferiores, distribuem aos outros anjos as funções e seus mistérios, e presidem os destinos das nações. Crê-se que as Dominações possuam uma forma humana alada de beleza inefável, e são descritos portando orbes de luz e cetros indicativos de seu poder de governo. Sua liderança também é afirmada na tradução do termo grego kuriotes, que significa "senhor", aplicado a esta classe de seres. São anjos que auxiliam nas emergências ou conflitos que devem ser resolvidos logo. Também atuam como elementos de integração entre os mundos materiais e espirituais, embora raramente entrem em contato com as pessoas.


POTÊNCIAS ou POTESTADES


- príncipe Camael - São representados com espadas flamejantes. Responsabilizam-se pela ordem e protegem a humanidade dos inimigos exteriores. Zelam pelos elementos água, terra, fogo e ar. Favorecem a perpetuação de todas as espécies que existem na Natureza. Conferem proteção contra o desequilíbrio do meio-ambiente. Sua energia é mais intensa próxima à floresta, aos rios e aos lagos. As Potestades ou Potências são também chamadas de "condutores da ordem sagrada". Executam as grandes ações que tocam no governo universal. Eles são os portadores da consciencia de toda a humanidade, os encarregados da sua história e de sua memória coletiva, estando relacionados com o pensamento superior - ideais, ética, religão e filosofia, além da política em seu sentido abstrato. Também são descritos como anjos guerreiros completamente fiéis a Deus. Seus atributos de organizadores e agentes do intelecto iluminado são enfatizados pelo Pseudo-Dionísio, e acrescenta que sua autoridade é baseada no espelhamento da ordem divina e não na tirania. Eles têm a capacidade de absorver e armazenar e transmitir o poder do plano divino, donde seus nomes. Os anjos do nascimento e da morte pertencem a essa categoria. São também os guardiões dos animais.
VIRTUDES

- príncipe Haniel (Haniel é conhecido como Chefe dos Cupidos; ele promove o encontro entre as almas gêmeas)- prodígios e os milagres da cura. Expressam a vontade de Deus e zelam pelo reino mineral, oferecendo discernimento ao homem. Eles transmitem aquilo que deve ser feito pelos outros Anjos, mas sobretudo, auxiliam no sentido de que as coisas sejam realizadas de modo perfeito. Assim, eles também têm a missão de remover os obstáculos que querem interferir no perfeito cumprimento das ordens do CRIADOR. São considerados Anjos fortes e viris. Quem sofre de fraquezas físicas ou espirituais, deve invocar por meio de orações. As Virtudes são os responsáveis pela manutenção do curso dos astros para que a ordem do universo seja preservada. Seu nome está associado ao grego dunamis, significando "poder" ou "força", e traduzido como "virtudes" em Efésios 1:21, e seus atributos são a pureza e a fortaleza. O Pseudo-Dionísio diz que eles possuem uma virilidade e poder inabaláveis, buscando sempre espelhar-se na fonte de todas as virtudes e as transmitindo aos seus inferiores. Orientam as pessoas sobre sua missão. São encarregados de eliminar os obstáculos que se opõe ao cumprimento das ordens de Deus, afastando os anjos maus que assediam as nações para desviá-las de seu fim, e mantendo assim as criaturas e a ordem da Divina providência. Eles são particularmente importantes porque têm a capacidade de transmitir grande quantidade de energia divina. Imersas na força de Deus, as Virtudes derramam bênçãos do alto, frequentemente na forma de milagres. São sempre associados com os heróis e aqueles que lutam em nome de Deus e da verdade. São chamados quando se necessita de coragem.


PRINCIPADOS

 - príncipe Raphael (Raphael é um dos sete Anjos que estão sempre presentes e tem acesso junto à Glória do SENHOR) - Responsáveis pelos reinos, estados e países, preservam também a fauna e a flora, os cristais e as riquezas da terra. Portam cetros e cruzes e vigiam as lideranças, pois atribuem ao homem a submissão. No livro de Daniel são também apresentados como protetores de povos: (Dn 10,13). Significa dizer, que são aqueles Anjos que levam as instruções e os avisos Divinos, ao conhecimento dos povos que lhe são confiados. Os Principados, do latim principatus, são os anjos encarregados de receber as ordens das Dominações e Potestades e transmití-las aos reinos inferiores, e sua posição é representada simbolicamente pela coroa e cetro que usam. Guardam as cidades e os países. Como seu nome indica, estão revestidos de uma autoridade especial: são os que presidem os reinos, as províncias, e as dioceses, e velam pelo cultivo de sementes boas no campo das ideologias , da arte e da ciencia.

ARCANJOS

- príncipe Mikael (ou Miguel, seu nome é invocado para dar força, energia, coragem e proteçãoe também ajudar nos assuntos financeiros. E quando o invocamos, ele nos defende, com o grande poder que Deus lhe concedeu, e nos protege contra os perigos, as forças do mal e os inimigos) - Responsáveis pelas transmissões de mensagens importantes e pela defesa dos países, pais ou da família. Também conhecidos como espíritos planetários lideram os anjos e são responsáveis pelo reino animal. Proporcionam dinamismo e vitória.
O nome de arcanjo vem do grego αρχάγγελος, arkangélos, que significa "anjo principal" ou "chefe", pela combinação de archō, o primeiro ou principal governante, e άγγελος, aggělǒs, que quer dizer "mensageiro". Este título é mencionado no novo testamento por duas vezes e a esta ordem pertencem os únicos anjos cujos nomes são conhecidos através da Bíblia: Miguel, Rafael e Gabriel. Miguel é especificamente citado como "O" arcanjo, ao passo que, embora se presuma pela tradição que Gabriel também seja um arcanjo, não há referências sólidas a respeito. Rafael descreve a si mesmo como um dos sete que estão diante do Senhor, classe de seres mencionada também no Apocalipse. Considerado canônico somente pela Igreja Ortodoxa da Etiópia, o Livro de Enoque fala de mais quatro arcanjos Uriel, Ituriel, Amitiel e Baliel, responsáveis pela vigilância universal durante o perído dos Nesfilim, os "anjos caídos". Contudo em fontes apócrifas este (Baliel) é por vezes dito como querubin. A igreja Ortodoxa faz de Uriel um arcanjo e o festeja com Rafael, Gabriel e Miguel na Synaxis de Miguel e os outros Poderes Incorpóreos, em 21 de novembro. Seu caráter de mensageiros, ou intermediários, é assinalada pelo seu papel de elo entre os Principados e os Anjos, interpretando e iluminando as ordens superiores para seus subordinados, além de inspirar misticamente as mentes e corações humanos para execução de atos de acordo com a vontade divina. Atuam assim como arautos dos desígnios divinos, tanto para os Anjos como para os homens, como foi no caso de Gabriel na Anunciação a Maria. A cultura popular faz deles protetores dos bons relacionamentos, da sabedoria e dos estudos, e guerreiros contra as ações do Diabo.

ANJOS

 - príncipe Gabriel (Gabriel e seus anjos são os mensageiros das boas notícias, nos ajudam a dar bom rumo e direção à nossa vida, nos dão compreensão e sabedoria) - São seres de luz que zelam pela gênese do homem e seu desenvolvimento espiritual, sem ocuparem postos ou desempenharem atribuições especiais nas fileiras do exército celestial. Cuidam da segurança e intui a pessoa que estão sob sua guarda desde quando elas nascem. Os anjos são os seres angélicos mais próximos do reino humano, o último degrau da hierarquia angélica acima descrita e pertencentes à sua terceira tríade. A tradição hebraica, de onde nasceu a Bíblia, está cheia de alusões a seres celestiais identificados como anjos, e que ocasionalmente aparecem aos seres humanos trazendo ordens divinas. São citados em vários textos místicos judeus, especialmente nos ligados à tradição Merkabah. Na Bíblia são chamados de מלאך אלהים (mensageiros de Deus), מלאך יהוה (mensageiros do Senhor), בני אלוהים (filhos de Deus) e הקדושים (santos). São dotados de vários poderes supernaturais, como o de se tornarem visíveis e invisíveis à vontade, voar, operar milagres diversos e consumir sacrifícios com seu toque de fogo. Feitos de luz e fogo sua aparição é imediatamente reconhecida como de origem divina também por sua extraordinária beleza. Segundo a tradição católica os anjos(mensageiros) são designações de cargos, não de natureza. Para Deus, apesar dos vários cargos angelicais, todos são anjos e todos são iguais perante Ele.

Depois deste breve (risos) entendimento sobre figuras angelicais, chego a onde eu queria, nos Papos de Anjos, esta maravilha que é sempre bom comer nas horas de angústia.

O Papo de Anjo é um doce típico português, assim como a mioria dos doces a base de ovos, especificamente da gema. Entre os séculos 18 e 19, Portugal era o principal produtor de ovos da Europa (possivelmente do mundo). A maior parte de sua produção tinha destino certo: fornecer clara para utilização na atividade manufatureira. A clara era usada como purificador na fabricação de vinho branco e, principalmente, para engomar os ternos dos chiques e elegantes do mundo ocidental.
E com tanta clara sendo exportada, o que Portugal fazia com a gema, que excedia todos os anos, às toneladas? Inicialmente, jogava fora ou dava aos porcos. Nas fazendas e criações mantidas pela Igreja, nos mosteiros e, principalmente, nos conventos que se espalhavam às centenas no interior do país, a gema era a principal fonte de alimentação para as criações de porcos e outros animais, que por sua vez eram a principal fonte de alimentação de monges, freiras e aldeões das redondezas. Mas a gema disponível era tanta que ainda assim sobrava.
A quantidade de matéria prima – aliado à fartura do açúcar que vinha das colônias portuguesas – foi a inspiração inicial para o surgimento de experimentos doceiros à base da gema de ovos, realizados pelas cozinheiras dos conventos. Não por acaso, muitos nomes de doces portugueses são insipirados na fé católica, como a barriga de freira, o toucinho do céu, o papo-de-anjo, a fatia-de-bispo e o pão-de-ló, que homenageia Ló, sobrinho de Abraão, salvo por anjos de Gomorra, às vésperas da destruição da cidade pela ira de Deus.
O destino dos doces, mais do que a alimentação dos religiosos, era a venda nos vilarejos das redondezas. A renda de sua comercialização servia para fortalecer o orçamento dos conventos. Aos poucos, o ofício da confecção dos doces passou das freiras para as mulheres que, por diversas razões, eram criadas dentro dos conventos. Rapidamente, os doces de ovos passaram a ser fonte importante de renda em muitas vilas do interior de Portugal. E começaram a chamar atenção nas cidades maiores. Foram parar nos restaurantes de Lisboa, do Porto, de Setúbal, de Guimarães. E daí para o mundo.

PAPO DE ANJO
6 xícaras de açúcar
4 xícaras de água
1 colher (de chá) de essência de baunilha
1 colher (de chá) de fermento em pó
24 gemas
Preparo: Unte as forminhas com manteiga e reserve. Numa panela, coloque açúcar, água e a baunilha, leve ao fogo alto e cozinhe mexendo, até dissolver o açúcar. Pare de mexer abaixe o fogo e deixe ferver até formar uma calda rala, (20 min) reserve. Na batedeira, bata as gemas com o fermento até obter uma mistura cremosa e leve. (30 min) Aqueça o forno em temperatura média. Distribua a mistura de gemas entre as forminhas enchendo até a borda. Até dobrarem de volume, retire do forno. Desenforme os papos de anjo e fure-os com palito. Coloque a calda compoteira e mergulhe os papos de anjo na calda. Deixe na geladeira até o momento de servir. Rende aproximadamente 40 papos de anjo.

Papo de Anjo (receita pernambucana)
2 copos de água;
400 gramas de açúcar;
1 colher de sopa de rum;
10 gemas;
2 claras;
2 colheres de café de farinha de trigo.
Preparo: Faça uma calda rala com água, açúcar e rum. Reserve. Passe as gemas na peneira e bata durante 30 minutos. Junte as claras em neve e a farinha de trigo. Coloque em forminhas untadas com manteiga e leve ao forno para assar por 20 minutos. Depois de assar, retire das forminhas e jogue na calda em fogo baixo. Retire com escumadeira e coloque em compoteira. Cubra com a calda