quinta-feira, 24 de março de 2011

Sachertorte: ou Torta Sacher para os íntimos, desde 1832 como sinônimo de elegância e luxo

Dentre  as maravilhas gastronômicas não existe uma torta mais chique do que a Torta Sacher – feita  com a partir de bolo de chocolate inventado no  século  XIX, por um mestre doceiro de Viena, Áustria. Seu prestígio é tanto que esta torta está para o mundo dos doces assim como Montblanc está para as canetas e Ferrari para os automóveis,  tanto quanto é cara e glamourosa.

Talvez eu também a defina como chique gostar, particularmente, da Áustria e por achar aquele país um dos mais elegantes da Europa. Sem contar que saíram da Áustria alguns personagens famosos, os quais muito me interessam, como por exemplo: Maria Antonieta e a nossa primeira Imperatriz, Leopoldina.
E esta ligação da torta xom a realeza não é mera coincidência. Foi Concebido em 1832 pelo aprendiz de doceiro Franz Sacher (com apenas 17anos), que desenvolveu receita de torta especial para um banquete oferecido pelo príncipe Austríaco Metternich.
Franz Sacher
Príncipe Metternich
É tradicionalmente servida com chantilly (Schlagoben), por ser considerada pelos Vienenses “seca” demais para ser consumida sem acompanhamento.
Sua textura marrom e granulosa, acompanhada sempre por uma porção de chantilly, encarna o velho charme de Viena tanto quanto as valsas de Strauss ou os bigodes enormes do imperador Franz Joseph. É um clássico, e como tal consegue ser moderno.
A torta sacher tem um sabor tão ´quilibrado que dela pode-se comer vários pedaços sem ser assaltado pela sensação de enjôo (e culpa) que costuma acompanhar a digestão dos doces de chocolate comuns.
 “Sem o menor peso na consciência, acabo de comer uma torta Sacher inteirinha”, disse Greta Garbo a um amigo em 1937.
A marca “Sachertorte” foi registrada pelo Hotel Sacher, construído em 1876 pelo filho de Franz Sacher. É ali, na cozinha desse hotel de luxo localizado no número 4 da Philarmonikestrass, atrás da Ópera de Viena, que as tortas Sacher são feitas desde 1877 – inteiramente à mão e usando apenas ingredientes naturais. O hotel tornou-se o sinônimo mais absoluto de elegância vienense. Era freqüentado pela nata da corte Habsburgo e conhecido na Europa como Hotel Áustria, tamanha a sua identidade com o país.

Permaneceu nas mãos da família Sacher até a década de 30, quando quebrou. Ao ser vendido, os novos proprietários receberam com o prédio e a lenda a receita do bolo famoso – um segredo culinário tão bem guardado quanto o do xarope da Coca-Cola. Quem procurar na internet vai encontrar várias receitas de torta Sacher, mas elas estão para o produto real como os tênis dos camelôs estão para os produtos da Nike.

São contrafações mais ou menos simpáticas. Em 1965 uma sentença da suprema corte austríaca garantiu ao hotel Sacher o direito de uso exclusivo do nome, associado à palavra “original”, depois que a doceria Demel, de Viena, passou a comercializar sua própria versão do bolo. A receita lhe teria sido vendida ao final da II Guerra Mundial, quando o hall do Sacher estava sendo usado como estábulo pela cavalaria russa. O litígio em torno da receita é um caso único no mundo e ficou 25 anos nos tribunais. No dia em que foi decidido ocupou as manchetes de todos os jornais austríacos: o hotel prevaleceu porque a Demel havia subvertido a confecção clássica do bolo e passara a colocar a geléia de damasco na parte de fora, não no recheio.
Há um pouco dessa longa história em cada fatia de torta Sacher. Hofmeister, porta-voz do hotel, diz que a tradição é garantida pela fabricação artesanal ali mesmo, em Viena, sob severa supervisão. Afinal, a venda do bolo assegura mais de um terço da receita anual do Sacher. A marca não tem franquias e a única maneira de experimentar essa delícia é entrar em um dos quatro Cafés Sacher na Áustria – ou encomendar a torta pelo correio. As entregas são mundiais e quem tiver receio pela integridade gastronômica, relaxe: depois do sabor e da elegância, a grande virtude da torta Sacher é que o tempo para ela passa muito bem. Há longos 171 anos.
Hoje em dia é possivel sim, receber esta delícia em casa, mas demora.
Se você não tem planos de ir a Viena, traga a torta Sacher até você pelo correio. A casa tem 171 anos de tradição em atender seus clientes ao redor do mundo e suas famosas caixinhas de madeira garantem um bolo perfeito na chegada – além de serem um elegante e tradicional presente. Para os padrões de consumo de luxo o preço é quase modesto: o bolo de um quilo custa 23 euros (cerca de R$ 80) e o custo de entrega no Brasil é de 31,60 euros (R$ 109). Total da conta: R$ 189 por 1.000 gramas de puro prazer.
Se a encomenda for maior (há bolos de 1.400 e 1.600 gramas), o custo-benefício é ainda melhor. Para pedir, basta acessar o site www.sacher.com. Mas há um gostinho amargo: diante dos rigores da alfândega brasileira, a Sacher não garante os prazos de entrega, como ocorre com os destinos europeus, e nem se responsabiliza inteiramente pela chegada do bolo. O risco é por conta do freguês.

SACHERTORTE

Ingredientes da Massa
190 g de manteiga (temperatura ambiente)
190 g de açúcar
1 colher (sopa) de açúcar de baunilha
ou ½ colherinha de essência
6 ovos
150 g de chocolate meio amargo (barra)
3 colheres (sopa) de cacau em pó
80 g de farinha de rosca
90 g de farinha de trigo
½ colher (sopa) de fermento em pó

Recheio e Cobertura: Geléia de Damascos
Ingredientes
250 g de damascos tipo turco,
350 ml de água,
2 colheres (sopa) de açúcar (a gosto)

Glacê de Chocolate:
Ingredientes
200 g de chocolate meio amargo
150 g de açúcar
150 ml de água
Modo de Fazer:
Unte com manteiga uma forma redonda, com fundo removível. Ligue o forno 180 graus. Bater, em batedeira, as claras em neve com metade do açúcar. Reserve. Em outra tigela bata a manteiga, as gemas, o restante do açúcar e o açúcar de baunilha, até ficar um creme bem liso. Em banho-maria ou no forno microondas por 30 segundos, derreta o chocolate meio-amargo com 3 colheres (sopa) de água . Misture aos poucos ao creme anterior, batendo sempre. Peneire a farinha de trigo, a farinha de rosca, o cacau em pó e o fermento, juntos, e apenas misture à massa, sem bater. Aos poucos e delicadamente adicione as claras em neve e mexa envolvendo a massa. Coloque na forma já untada e leve ao forno para assar, mais ou menos 40 minutos, até que o palito saia sêco. Deixe esfriar na forma. Enquanto isso faça o recheio.
Recheio e Cobertura: Geléia de Damascos
Cozinhar tudo em fogo baixo até ficar macio. Passar em processador ou liquidificador. Deixar ferver e acrescentar mais água, se necessário. Utilizar frio.
Glacê de Chocolate: Ferva a água com o açúcar, +- 2 minutos. Retire do fogo em misture o chocolate picado e mexa até dissolver. Volte ao fogo e deixe ferver um pouco, até começar a aparecer o fundo da panela. Retire do fogo e mexa até começar a engrossar. Aplique imediatamente, derramando por cima da torta, sem passar a colher ou faca. Faça movimentos com a torta para que a cobertura envolva toda a superfície. Nas laterais passe uma faca para cobrir.
Montagem: Divida o bolo em 2 ou 3 camadas e recheie. Deixe um pouco para passar em cima do bolo, uma camada bem fina, antes do glacê de chocolate.

OBs.: Sirva cada fatia acompanhada de Chantilly levemente adoçado.

sábado, 19 de março de 2011

Camafeus: jóias de nozes

Segundo a tradição, entende-se por doces finos aqueles que são fabricados consoantes as tradicionais receitas trazidas pelas famílias portuguesas ou filhos de charqueadores que viajavam pela Europa e traziam consigo tais receitas. Por serem feitos com ingredientes caros ou raros e serem servidos somente em festas de alta classe, tornaram-se especiarias que remetem ao glamour, riqueza e prosperidade. Dentre os mais famosos doces finos, o CAMAFEU DE NOZES, talvez seja o que mais serve para representar esta categoria de doces por ostentar o glamour das jóias.

Pelo que se tem informação, ele foi inventado em Portugal, principalmente na da ilha Terceira, remete aos camafeus, jóias que enfeitava as roupas e os pescoços femininos. É um doce pequeno, feito a partir de calda de açúcar, nozes e ovos, engrossados ao fogo para ser, posteriormente, moldado, coberto com glacê e decorado com metade deste fruto.

Mais sobre camafeus...

Palavra camafeu provavelmente origina-se do latim cammaeus, que quer dizer pedra entalhada ou esculpida. Inicialmente, a ágata foi a gema mais utilizada. Bem mais tarde, já a partir do século XV, passou-se a utilizar também a concha. Na confecção dos camafeus, as gemas podem ser gravadas como uma imagem negativa (intaglio ou entalhe) ou trabalhadas em relevo.
Camafeus, como gravuras, datam de 3000-3500 aC, onde eram usados  formas de escaravelhos e outras pequenas gravuras em pedras duras.
Os camafeus desde os tempos imperiais romanos são muito semelhantes aos camafeus que vemos hoje em dia. O primeiro século D.C. foi uma época de grande riqueza, civilização e estilo.

Imperadores e os clãs ricos da época começaram a usar as gravuras de cenas mitológicas e retratos de importantes membros de sua família. Ao longo da história, as pessoas da realeza ditam a  moda de roupas e jóias. Diz-se que a rainha Elizabeth gostava de usar camafeus e  que Catarina, a Grande tinha uma impressionante coleção deles.
Eles eram populares como os broches e pingentes geralmente usados em uma fita de veludo preto ou até mesmo fitas de cetim em tons pastel. Durante toda a História a cada década tivemos tendências diversas na arte da joalheria, mas o camafeu permaneceu o favorito.
E curiosamente, o entalhe,de baixo relevo surgiu antes do camafeu. Nos tempos antigos, o entalhe foi usado para selar documentos ou a marca da propriedade.
Mais tarde, tornou-se uma jóia usada pelas mulheres. O camafeu é o oposto do entalhe. É um retrato ou uma cena esculpida em alto relevo com uma cor de fundo contrastante.
No século XVII era considerado refinado culturalmente um cavalheiro que colecionasse ou portasse peças em camafeus. O imperador francês Napoleão I foi outra figura histórica apaixonada pelos camafeus, e chegou a fundar em Paris uma escola para ensinar a arte da produção de camafeus a jovens aprendizes.

O papa renascentista Paulo II era um ávido colecionador de camafeus e de acordo com uma lenda, sua morte foi causada pelo número excessivo de jóias em camafeus que portava nos dedos, as quais teriam, devido à temperatura fria das gemas, levado-o a uma pneumonia.
Lendas à parte, até o século XIX os camafeus eram portados também por homens, decorando elmos, capacetes, peitorais de armaduras e punhos de espada,assim como broches e anéis.
No século XIX, os artesãos qualificados utilizavam pedras preciosas, casca,conchas, materiais sintéticos e coral para produzir camafeus.
Escultores italianos começaram a usar o escudo para as suas criações em torno de 1805. Na Era Vitoriana, a concha de madre peróla foi a mais usada para confeccionar os camafeus por ser mais barata e macia para ser esculpida.
Ao contrário de pedras esculpidas, a Madre perola era considerada menos nobre e usada no dia a dia as pedras nobres eram a ágata e o ônix Apesar da preferência por pedras nem sempre eram fáceis de conseguir então os artesões usavam diversos  materiais para esculpir os camafeus.
Descobertas de sítios arqueológicos na Itália e Egito renovaram o  interesse nos clássicos que influenciaram camafeus da Era Vitoriana.
Os entalhes mostraram o talento dos artesões da época. Sem deixar de lado toda a história contada através das esculturas.
as imagens  das mulheres com nariz arrebitado, jóias e penteados o retrato da mulher idealizada usando jóias e diamantes minúsculos na escultura.
As cenas mitológicas também foram muito usadas na representação dos deuses romanos e gregos. No período Helenístico jovem mulheres usavam camafeus com a figura do deus Eros como um sedutor convite ao amor.
O camafeu é uma grande fonte de informações para os arqueólogos. Se ele foi feito em concha ou pedra e contém uma cena clássica, pertence ao  18 ª ou 19 ª séculos, quando temas eram populares. A mulher anônima sobre um camafeu indica que se trata da época vitoriana.
As características físicas, também podem  revelar a data em que o camafeu foi esculpido. O longo nariz romano indica que a peça se originou antes de 1850. Se o nariz for ligeiramente arrebitado, ele pode ser datado após a meados do século XIX. Um ar arrogante é indicativo da virada do século.
Um cabelo bem cacheado indica um final da era vitoriana , enquanto as ondas curtas são indicativas do inicio do século 20.
A industrialização da era vitoriana produziu em massa as jóias. A mulher anônima foi moldada em diversas formas e cores em pedras naturais e sintéticas.
Porem nos últimos 25 anos, escultores na Alemanha produziram camafeus utilizando a técnica de laser,tirando toda a magia destas peças.

Não somente jóias, mas também vasos, baixelas, taças e copos foram, ao longo dos séculos, decorados com camafeus e grandemente apreciados por nobres e pessoas abastadas, entre os séculos XV e XIX. Neste último século, com a predileção demonstrada pela rainha inglesa Vitória pelos camafeus, estes se tornaram moda entre as mulheres.
Os camafeus feitos a partir de conchas foram os responsáveis pela popularização desta arte da gravação em gemas, e a cidade italiana de Torre Del Greco, situada na Baía de Nápoles, aos pés do monte Vesúvio, tornou-se referência mundial na arte da produção de camafeus, posição que mantém até os dias de hoje. Mais de duas dezenas de diferentes tipos de conchas-do-mar são utilizadas nesta pequena cidade italiana na produção de camafeus, e também corais. A maioria das conchas se origina das ilhas de Madagascar e das Bahamas. Em Torre Del Greco, a produção de camafeus é tradicional (intaglio) e o método produtivo conta com mais de mil anos. Ferramentas de gravação feitas em aço são utilizadas manualmente pelos mestres gravadores, que selecionam as conchas a serem utilizadas, calculam o número de camafeus a serem obtidos de cada uma e supervisionam todo o processo de confecção. O resultado final é, em geral, maravilhosamente rico em intrincados detalhes.
Outro grande centro mundial da produção de camafeus fica em Idar-Oberstein, Alemanha. Mas nesta cidade alemã a produção dos camafeus se dá a partir de gemas como a ágata branca (largamente encontrada na região), a cornalina e o ônix. Ao contrário da cidade italiana, aqui as gemas são gravadas e esculpidas ultrasônicamente, com a ajuda de computadores, devido a sua dureza. As gemas são primeiramente coloridas em cores previamente escolhidas e depois gravadas e/ou entalhadas através de computadores que utilizam como padrão uma peça original feita manualmente. Depois, a cor é quimicamente retirada da superfície da gema, deixando-a na sua cor branca original.


CAMAFEU

Ingredientes:
250g de nozes trituradas;
2 latas de leite condensado;
1 colher (sopa) de chocolate em pó;
1 colher (sopa) de manteiga;
3 ovos
3 gemas;
fondant para banhar o doce
Nozes cortadas ao meio para decorar.  
Modo de fazer:
    Em uma tigela, misture as nozes trituradas, o leite condensado, o chocolate em pó, a manteiga, os ovos, as gemas e leve ao fogo baixo, mexendo bem, sem parar, até que a mistura se solte do fundo da panela. Deixe a massa esfriar e enrole no formato de um croquete. Banhe cada docinho no fondant e retire o excesso. Decore com as nozes partidas ao meio e deixe secar. Sirva quando o fondant estiver firme. 

 Ingredientes para fondant caseiro:
1/2 kg de açúcar de confeiteiro
1 colher (chá) de manteiga
1/2 xícara (chá) de leite

Modo de Preparação:
Peneire numa tigela refratária o açúcar de confeiteiro e junte a manteiga e o leite. Leve ao fogo em banho-maria e cozinhe, sem parar de mexer, por 10 minutos, ou até ficar líquido. Retire do fogo e despeje no bolo.

sábado, 12 de março de 2011

Strogonoff ou Stroganoff = Gastronomia da Czarina

Sabe quando a gente se sente realizado? Se eu pudesse responder esta pergunta em toda a sua complexidade eu diria que seria como o que o correi comigo na época em que eu  executei  meu projeto social, cadeira da faculdade obrigatória para a conclusão do curso. Naquele época (2007) eu escolhi trabalhar com gastronomia no projeto, busquei uma escola pública e fui lá dar aulas de gastronomia básica pras merendeiras e mães de alunos... Foi uma maravilha poder ser reconhecido pro pessoas mais velhas que eu; e saber que eu puder ensinar e trocar experiências que ficaram conosco pro resto da vida.

Dentre as receitas que apresentei, estava o Strogonoff. Foi uma aula deliciosa e cheia de fatos interessantes: desde poder levar para aquelas pessoas de classe mais baixa, produtos mais requintados para eles como os cogumelos champignons, até mesmo  ver a reação das mulheres espantadas com o ato de flambar a comida... Maravilhosa experiência que um dia ainda retomo. Por estas lembranças hoje tratarei do strogonoff, da mesma maneira como fiz na aula, usando a história para trazer o prato como ele era desde que foi  executado pelas primeiras vezes.  
Como a maioria das delicias apresentadas neste blog o strogonoff também traz sua origem cheia de lendas para a sua origem

 No livro francês L’Encyclopedie de la Cuisine (A Enciclopédia da Cozinha), ao apresentar a receita de Boeuf Strogonoff, seus autores dizem que o “Strogonoff ou Stroganov é um clássico da cozinha russa, adaptado pela cozinha francesa”, e que a origem do nome tem duas explicações:
 (1) o prato leva o nome de uma rica família de comerciantes russos, os Stroganov, que tinham um cozinheiro francês, responsável pela criação do prato;
(2) o nome vem simplesmente do verbo russo “strogat”, que significa cortar em pedaços (no caso, a carne).
Sorte seria se existissem apenas duas versões para este prato. Mas sempre achamos mais uma. Abaixo, mais versões, iniciando com a aque mais gosto – e que também é a mais aceita pelo mundo gastronômico.
Há 700 anos, na região de Novgorod, perto de São Petersburgo, Rússia, a família Strogonoff, reunia todos os meses, em seu castelo rural, famílias da vizinhança para saborearem pratos preparados pelas famílias e degustarem vinhos e vodkas, de qualidade.
 A baronesa Stroganoff apresentou certa noite, um prato de cebolas picadinhas, carne suína e bovina, cortadas em tirinhas, flambado à vodca, engrossadas com polpa de tomates maduros, ligado com nata e que era servido em cima de torradas de féculas de trigo e acompanhado de cogumelos silvestres.
 Cada integrante da sua família era especialista em determinada ação na cozinha. Um fazia o molho, outro escolhia os cortes de carne, outro picava os temperos e claro, como em qualquer família, tinha aquele que só vinha dar palpite.
      No Strogonoff, se sobressaiu a função do "Saucier" que é o encarregado de fazer bons molhos. Esse molho é hoje, um dos 10 mais importantes do mundo.



A receita original de strogonoff ou stroganov teria sido revelada ao povo russo em 1861, no livro Um Presente para Jovens Donas de Casa, de Elena Malokhovets. Intitulava-se carne stroganov com mostarda. Mandava empanar ligeiramente cubos de carne bovina e terminar o preparo em molho de mostarda e caldo de legumes. No final, ia smitane (creme de leite azedo). A autora conhecia bastante o prato, até porque nasceu em São Petersburgo, cidade onde ele veio à luz, tendo como berço a cozinha do palácio barroco que o arquiteto franco-italiano Bartolomeo Rastrelli projetou no século 18 para o conde Serguei Stroganov, patriarca de um dos clãs mais nobres, ricos, cultos e influentes do Império Russo.
No final de 1800, o cozinheiro francês Thierry Costet, que trabalhava para a família, acrescentou-lhe requintes parisienses: champignons, pepino em conserva e páprica. Em 1938, a enciclopédia francesa Larousse Gastronomique dedicou um verbete à preparação, chamando-a de boeuf stroganov e mandando cortar filé mignon em iscas ou tiras. Não foi essa a última inovação. Na Suécia, em vez de carne, incorpora-se falukorv, a lingüiça típica. No Brasil, variamos a receita com frango ou camarão, acrescentando ketchup e molho inglês. Vai à mesa harmonizada com arroz branco ou à grega. Os franceses preferem o pilaf (arroz à moda do Oriente Médio, possivelmente de ascendência persa); os americanos gostam de combiná-lo com macarrão; e os russos não dispensam a batata frita.
Com a revolução de 1917, que terminou com a era dos czares no país, muitos russos foram para a Europa, onde o strogonoff ganhou os detalhes finais que resultaram no sabor que conhecemos hoje em dia.
Pratos que misturam carne e creme de leite já existiam no Leste Europeu durante a Idade Média. Entretanto, a invenção costum a ser atribuída a diferentes pessoas. Alguns pesquisadores dizem que a receita foi criada no início do século 18 por influência de um nobre Stroganov que freqüentava a corte de Pedro, o Grande, primeiro soberano do Império Russo; outros a atribuem ao conde e diplomata Pavel Alexandrovich Stroganov (1774-1817), que cem anos depois participou do governo de Alexandre I, o czar que derrotou Napoleão Bonaparte.
Entretanto, Portugal quer a sua parte. A tradição lusitana gostaria que a condessa de Ega, sua bela e sapeca conterrânea, fosse considerada co-autora do prato. Nascida Juliana Maria Luísa Cardoso Sofia de Oyenhausen e Almeida(1782–1864), filha da notável Marquesa de Alorna,  ela casou duas vezes, ambas com homens bem mais velhos, abonados, influentes e generosos com as mulheres.
Condessa de Ega
As primeiras núpcias a uniram ao segundo conde de Ega, batizado Aires José Maria de Saldanha Albuquerque Coutinho Matos e Noronha (1755–1827), gentil-homem com quem morou em Madri quando o marido foi embaixador de Portugal na Espanha. Na época, conheceu o francês Jean-Andoche Junot, de quem se tornaria amante no final de 1807, após o general de Napoleão invadir Lisboa e obrigar a família real lusitana amudar para o Brasil.
Outro casamento da condessa de Ega foi com o conde e diplomata Grigori Alexandrovich Stroganov (1769–1857). Por coincidência, conheceu-o igualmente em Madri, onde ele era embaixador do czar, e também virou sua amante. Contam os portugueses que o segundo marido tinha os dentes arruinados e, para facilitar-lhe a mastigação, a condessa de Ega passou a transformar em cubos e a empanar, para amaciar, os clássicos escalopes (filés de carne em fatias finas, cortados no sentido transversal das fibras) servidos com smitane. 
Essa versão é referendada por intelectuais como José Manuel Bento dos Santos, autor de textos gastronômicos e aplaudido apresentador de programas sobre culinária e vinho na televisão de Lisboa. Enviuvando, a condessa de Ega permaneceu na corte de São Petersburgo, herdando do marido, em usufruto vitalício, o imponente palácio da família, e a guarda de sua monumental coleção de obras de arte. Ao mesmo tempo, passou a receber uma pensão anual de 100 mil francos, paga pelos enteados, pois não teve filhos com o conde Stroganov. Morreu aos 82 anos. Segundo os mexericos, até os últimos dias bebeu vinho do Porto e champagne, comeu blinis com caviar e promoveu banquetes espetaculares, freqüentados por uma legião de bajuladores.
A revista brasileira Gula em reportagem sobre o “verdadeiro strogonoff” diz que o nome homenageia uma antiga família da cidade de Novgorod, perto de São Petersburgo, e que uma descendente desta família, Sophie Stroganoff (com a) morou em São Paulo. Segundo a revista, os Stroganoff, rica família de negociantes, participavam de um clube em que os chefs das cozinhas das famílias apresentavam suas criações culinárias. Numa dessas reuniões foi apresentado o Boeuf Stroganoff, receita simples à base de carne e creme de leite fresco.
De acordo com Eda Romio, em seu livro 500 anos de Sabor, “os soldados russos, no século XVI, levavam como ração para os campos de batalha barris com carne cortada em pedaços, coberta com sal grosso e aguardente, para que não apodrecesse. Quando queriam comê-la, acrescentavam um pouco de gordura e creme azedo.

 E deixando de lado os crimes nacionais (que aliás, cometemos e gostamos) em que as pessoas usam creme de leite no lugar de nata e temperam com ketchup, ao invés de usar o tomate com molho bechamel. No ocidente, o Strogonoff é flambado com conhaque e acompanhado de arroz e batata palha.
      Hoje, junto com a lasanha e o filé Parmegiana, o Strogonoff é um dos 10 pratos mais vendidos do planeta.
E fala a verdade: strogonoff com um arrozinho branco e batata palha a gente come que peca, não?! Então, pra ajudar a dar mais água na boca de voces, amigos deste barão, deixo umas receitinhas que valem muito a pena experimentar.

Strogonoff de "Nem só de caviar vive o homem" (Fonte: “Nem só de caviar vive o homem”, J.M. Simmel)

Use filé bem descansado (retirado do refrigerador horas antes), corte em fatias e, depois, em pedaços achatados. Refogue, em manteiga, cebola picada, sem deixar que fique escura. Junte a carne, cozinhando-a ligeiramente dos dois lados. Salgue, polvilhe com pimenta do reino e acrescente creme de leite azedo, bem espesso.


Strogonoff de Sophie Stroganoff (Fonte: Revista Gula nº 58)
Ingredientes
1 kg de filé mignon limpo
1 cebola grande, picada
2 tabletes de caldo de carne (a receita original russa não usava este ingrediente)
300 g de champignons frescos, cortados em quatro partes (a receita primitiva também não previa este ingrediente)
½ litro de creme de leite
Alho picado, a gosto
Sal e pimenta-do-reino moída na hora, a gosto

Como fazer Corte o filé mignon em tiras bem finas, no sentido das fibras da carne, para evitar que desmanche na panela. Em uma frigideira (se for de ferro ou com anti-aderente, não precisa usar óleo. Caso contrário, apenas unte a frigideira), leve a carne ao fogo, apenas virando-a, até que libere a água e fique esbranquiçada. Quando estiver seca, passe-a para uma panela com a cebola, os temperos e o caldo de carne. Acrescente os champignons e junte o creme de leite no final.

Boeuf Strogonoff (Fonte: L’Encyclopedie de la Cuisine)
Ingredientes
1,2 kg de filé mignon
Páprica a gosto
¼ de xícara de azeite oliva
1 cebola grande picadinha
½ xícara de vinho branco
1 xícara e meia de caldo de carne
¼ de xícara de creme de leite fresco
30 g de manteiga
Sal a gosto
Pimenta do reino moída na hora a gosto
Salsa picadinha

Como fazer  Cortar a carne em tiras com cerca de 1 centímetro de largura. Temperar com o sal, a pimenta e a páprica. Misturar bem a carne com os temperos. Em uma panela grande, esquentar o óleo, acrescentar a carne e refogar a carne durante 3 minutos, em fogo alto. Em seguida, colocar a carne em uma peneira, a fim de eliminar a gordura. Jogar fora a gordura que ficou na panela, adicionar a cebola picadinha e refogar por uns instantes. Adicionar o vinho e o caldo de carne. Deixar ferver e evaporar um pouco, para engrossar. Adicionar o creme de leite. Verificar o sal. Peneirar o molho em um chinois (espécie de peneira). Juntar o molho à manteiga e misturar delicadamente com a carne. Salpicar com a salsa picadinha e servir.

Strogonoff de salsicha

1 lata de Molho de tomate
8 unidades de salsicha em rodelas
1 unidade de pimentão verde em rodelas
4 unidades de ovo
1 lata de creme de leite
2 colheres (sopa) de margarina
1 cebola picada
Salsinha a gosto
Sal a gosto
Pimenta-do-reino preta a gosto



Preparo: Coloque em uma panela as 2 colheres (sopa) de margarina, refogue com a cebola, pimentão, sal, a salsinha e a pimenta. Coloque a salsicha e o molho de tomate. Ferva por 10 a 15 minutos. Tire do fogo, acrescente os ovos um a um e coloque o creme de leite. Mexa bem, fora do fogo e sirva com arroz branco e batata palha

Strogonoff de camarão

1kg de camarão médio
1 cebola grande em cubinhos
2 dentes de alho picadinhos
1 lata de champingnon
1 xicara de chá de ketchup
1 xicara de chá de molho de tomate
1 colher de sopa de mostarda
1 lata de creme de leite sem soro
Sal
Pimenta-do-reino
Azeite de oliva

Modo de Preparo
Limpe o camarão com limão e água. Deixe escorrer bem e tempere com sal e pimenta do reino. Frite no azeite a cebola e o alho, junte o camarão e deixe cozinhar, refogue por 10 minutos. Junte o restante dos ingredientes, deixando o creme de leite por último.

Strogonoff de Chocolate com Nozes

Ingredientes:
2 latas de leite condensado
2 latas de creme de leite
1 lata de leite de vaca
3 gemas
3 claras em neve
5 colheres de chocolate em pó
1 cálice de rum
200 g de nozes picadas
200 g de chocolate ao leite ralado
200 g de chocolate meio amargo

Modo de preparo:
Faça um brigadeiro mole com o leite condensado, o chocolate em pó, o leite de vaca e as gemas. Deixe esfriar. Junte o creme de leite, o rum, os chocolates ralados e as nozes picadas. Bata as claras em neve, misture e leve a geladeira.
Enfeite com chocolate picado e nozes.

sexta-feira, 4 de março de 2011

O Cheiro Bom e o Bolo de Cheiro

Fazia tempo – muito tempo mesmo – em que eu não me sentia assim, meio sei lá... Com jeito de BOBO... Sem ter adjetivo que fosse capaz ou suficiente para explicar um sentimento tão simples, porém complicado de se conceituar...
De certo que a simplicidade é algo complexo.
É Tão gostoso este cheiro de coisa boa no ar que chega a doer. E se eu levasse esta coisa boa pro lado gastronômico, seria algo mega, ultra, Power, delicioso,  que com certeza, engordaria minha alma para a felicidade deste Barão que vos escreve. Tanto que hoje só postarei um pouquinho de prosa, quase poética, feita no compasso cardíaco, enquanto os olhos estão  no forno – pro  bolo não queimar.
Quero mais e mais desta vida... Porque sentir o cheiro bom é que nem cuidar do jardim: precisa-se escolher boas sementes, regar, limpar a terra e conversar com as plantinhas . Senão, o lugar enche de erva daninha. E aí, nenhuma borboletinha virá me visitar.
Sentir o cheiro bom é como perceber o poder da natureza, ver a  terra dar frutos, ver o cio da terra causando o cio nos homens. Talvez seja por este motivo que nas antigas tradições a fertilidade da terra  esteja ligada a fertilidade dos homens; que através de celebrações ritualísticas faziam os corpos ficarem nus em meio aos campos recém-semeados, para que o cio humano provocasse a inveja da terra, e ela também se excitasse para o recebimento das sementes. O cio dos homens provocando o cio da terra. Mas o inverso também é verdadeiro: o cio da terra pode provocar o cio dos homens...
Li isso em algum lugar:
"Cio é desejo intenso, não dá descanso, invade tudo e provoca sonhos, semente que não se esquece do seu destino, vida querendo fertilizar e ser fertilizada, para crescer. Pois a horta é assim também. Não é coisa só para boca. Se apossa do corpo inteiro, entra pelo nariz, pelos olhos, pelos ouvidos, pela pele, toma conta da imaginação, invoca memórias..."
Mas sentir o cheiro bom é mais que isso. Talvez, seja como dizem as sagradas citações nos textos divinos:  que depois de criar todas as coisas,o Deus Todo Poderoso no seu ato de amor, parou, deixou cair os braços e foi invadido pelo puro deleite de ver a beleza de tudo o que existia na sua criação. Porque “Não só de pão viverá o homem”.
Vivo do que sinto. E estou plantando um pomar de delicias, pra me dar sempre cheiro bom o ano inteiro. Já ganhei as sementes. E agora, estou arando a terra, para fazer o plantio, fertilizar e depois colher.

Para ser rápida esta colheita, eu já quis até comprar umas mudinhas já crescidas. Pensei bem e mudei de idéia, porque o bom é poder viver cada etapa do crescimento, poder conhecer mais do meu poder de cultivador. E enquanto meus olhos ficam imaginando uma infinidade de cores cintilantes que virão do pomar das delicias, coisas vão acontecendo dentro de mim. Porque isso significa que elas existem dentro de mim. Se eu fosse cego para as cores, não me aperceberia de nenhuma diferença.
Pra não descuidar, plantei também uns pés de arruda e Ora-pro-nóbis – pra garantir proteção divina e fazer com que os olhos gordos não me impeçam de ser um bom agricultor e para que me d~eem uma colheita abundante.
Arruda

Ora-pro-nobis

Também já pedi aos deuses da chuva pra que ela, ao cair, venha delicada, sem enxurradas. E assim não me fazer perder nenhuma sementinhas das que já plantei.       
Neste mundo repleto de aromas misturados poder identificar um cheiro especifico, um cheiro bom é sempre uma realização extraordinária.
Os milionários compram suas caras essências e as colocam nos frascos mais rebuscados que o seu dinheiro pode comprar; os políticos  conquistam alguns cheiros através do seu poder; as celebridades seduzem os cheiros com sua fama. Eu, sem milhões, sem poder e sem fama, escolhi plantar. Plantei dedicadamente na esperança de vir bons frutos. E continuo plantando, enquanto balbucio frases diretas e simples. E agora só me resta esperar...

Já posso sentir o riso do cheiro bom explodindo durante a germinação. Vai rindo... Que eu vou comer bolo pra espera não me maltratar. O cheiro do bolo me consola...

BOLO DE CHEIRO

4 OVOS INTEIROS
1 XÍCARA DE ÓLEO
1/2 XÍCARA DE LEITE
1 COLHER DE SOPA DE BAUNILHA
2 XÍCARAS DE AÇUCAR MASCAVO
2 XÍCARAS DE FARINHA DE TRIGO
1 COLHER DE SOPA DE FERMENTO EM PÓ
1 COLHER DE SOPA DE CANELA EM PÓ
1 COLHER DE CRAVOS-DA-ÍNDIA, QUE PODERA SER EM PÓ
2 MAÇAS VERMELHAS PICADAS
2 MAÇAS VERDES PICADAS
100 GRAMAS DE UVAS-PASSAS

Modo de Preparo
BATA NO LIQUIDIFICADOR TODOS OS INGREDIENTES NO LIQUIDIFICADOR. UNTE A FORMA COM MANTEIGA E POLVILHE-A COM FARINHA DE TRIGO, CANELA EM PÓ, E AÇUCAR. ASSE EM FORNO MÉDIO POR APROXIMADAMENTE 30 MINUTOS.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A favor do Brigadeiro: brigadeirinhos e brigadeirão.


Já imaginaram o mundo sem o Leite Moça?

Eu já. E não gostei não. Não quero nem pensar nesta possibilidade novamente. Aliás, não  pensem que estou fazendo propaganda para a Nestlé; mas é que o leite condensado Moça é o melhor. Porém, tem uns conservadores por aí que acusam o leite moça de “padronizar o sabor de antigos doces brasileiros, sobrecarregando-os de açúcar, comprometendo sua delicadeza e ajudando a destruir a diversidade do paladar nacional”.
A crítica faz sentido. Desde que o  leite Moça desembarcou da Suíça, no início do século XX, achamo-nos no direito de modificar ícones centenários, como o pudim de leite e a sericaia de Elvas, ambos nascidos nos conventos portugueses dos tempos coloniais.
Mas o fato de maior importância pra mim é que sem o leite condensado não haveria brigadeiro. E isso seria uma tragédia equivalente a um cataclimas – pelo menos pra mim, que sou chocólatra assumido e alucinado por brigadeiro.
E somente por esta razão, a Confraria do Barão de Gourmandise, hoje tratará sobre os brigadeiros.

São imprecisas as informações sobre onde e quando o brigadeiro foi inventado. Quanto à autoria, parece ter sido coletiva. Afinal, nada mais elementar ou intuitivo do que combinar seus ingredientes: leite condensado, chocolate e manteiga. Inicialmente, chamava-se negrinho, em alusão à massa escura. Até hoje os gaúchos o denominam assim.
A voz do povo informa que virou brigadeiro em 1945, quando Eduardo Gomes disputou com Eurico Gaspar Dutra a presidência da República, sendo derrotado nas urnas. Brigadeiro da Aeronáutica, ele ajudara a escrever um capítulo da história do Brasil. Foi um dos líderes do Tenentismo, movimento político emergido entre oficiais jovens das Forças Armadas, celebrizado pela rebelião militar de 1922. No dia 5 de julho, um grupo formado por três oficiais, quinze praças e um civil que se juntou no trajeto, saiu do Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, e enfrentou a tropa governamental fortemente armada. O combate durou 30 minutos. O futuro Brigadeiro sofreu um tiro de fuzil e caiu gravemente ferido.
Eduardo Gomes ainda fundou o Correio Aéreo Nacional e se converteu em patrono da Força Aérea Brasileira. Em 1950, voltou a disputar a presidência, perdendo para Getúlio Vargas. ‘Vote no Brigadeiro, que é bonito e é solteiro’, dizia o slogan eleitoral, que não lhe rendeu os votos necessários, mas fascinou as mulheres. Dutra era homem feio e Getúlio nunca constituiu padrão de beleza.

Duas versões explicam o nome do docinho difundido nacionalmente a partir dos anos 50. A primeira conta que mulheres do Rio de Janeiro, engajadas na campanha de Eduardo Gomes, preparavam negrinhos em casa e os vendiam na rua com o nome de brigadeiro, destinando o dinheiro ao fundo de campanha. A outra, espalhada pelos adversários do candidato, é difícil contar sem incorrer em vulgaridade. Mas, como circula no país, precisamos registrá-la. O tiro desferido em Eduardo Gomes na rebelião do Forte de Copacabana haveria atingido os testículos. Ora, a receita do docinho brigadeiro não utiliza ovos. Assim, o nome teria conotação maldosa.

Apesar de batizada no Rio de Janeiro, a receita provavelmente se originou em São Paulo na década de 20 ou 30. A dedução se baseia em uma evidência. Quando o docinho surgiu, seus ingredientes básicos eram elaborados no Estado. Em 1921, a Nestlé abriu em Araras, a 171 quilômetros da capital paulista, a fábrica número um no Brasil e logo passou a elaborar o pioneiro Leite Moça.

 O produto representa até hoje o maior volume de vendas entre os mais de mil itens que industrializa no país. Ainda em 1921, começou a funcionar no bairro da Mooca, em São Paulo, uma prestigiada indústria de chocolates. Chamava-se Gardano. Fabricava um chocolate em pó de qualidade e prestígio, conhecido entre os consumidores como ‘chocolate dos padres’, por reproduzir na embalagem uma tela do pintor toscano Alessandro Sani, do século XIX, na qual dois sorridentes monges católicos aparecem diante de uma panela e de um prato. Também fabricava o Mentex. Foi incorporada pela Nestlé em 1957, mas os monges permaneceram na embalagem. Até hoje ilustram o Chocolate em Pó Solúvel Nestlé, com a pintura original de Sani transformada em desenho.
Coincidentemente, as antigas receitas de brigadeiro recomendam ‘chocolate dos padres’ e Leite Moça.

Brigadeiro – O original

1 lata de leite moça
3 colheres (sopa) de chocolate em pó dois frades
1 colher (sopa) de manteiga
1 xícara (chá) de chocolate granulado

Modo de Preparo
Em uma panela, coloque a manteiga, o Leite MOÇA e o Chocolate em Pó. Misture bem e leve ao fogo baixo, mexendo sempre, por cerca de 10 minutos ou até desprender do fundo da panela. Retire do fogo, passe para um prato untado com manteiga e deixe esfriar. Enrole em bolinhas e passe pelo chocolate granulado. Coloque em forminhas de papel e sirva.

Brigadeirão

1 lata de leite moça
1 lata de creme de leite sem soro
1 xícara (chá) de chocolate em pó dois frades
4 colheres (sopa) de açúcar
1 colher (sopa) de manteiga em temperatura ambiente
3 ovos
manteiga para untar
1 xícara (chá) de chocolate granulado para decorar
Modo de Preparo
Bata no liquidificador o leite moça, o Creme de Leite , o Chocolate, o açúcar, a manteiga e os ovos Quando ficar homogêneo, despeje em uma forma com furo central (19cm de diâmetro) untada com manteiga . Cubra com papel de alumínio e asse em banho-maria em forno médio (180°C) por cerca de 1 hora e 30 minutos. Desenforme ainda morno e decore toda a superfície com o chocolate granulado. Leve à geladeira por cerca de 6 horas.
Dicas: - Para retirar o soro do Creme de Leite, deixe a lata na geladeira por, no mínimo, 4 horas. Em seguida, vire a lata, faça dois furos no fundo e escorra o soro. - Caso deseje uma consistência mais fluída, mantenha o soro.

Brigadeiro de colher

1 lata de leite moça
85g de chocolate meio amargo
1 caixinha de creme de leite
Modo de Preparo
Em uma panela, leve ao fogo baixo o leite moça com o Chocolate. Cozinhe mexendo sempre até obter consistência de brigadeiro mole (que corresponde a cerca de 8 minutos). Retire do fogo, acrescente o Creme de Leite e misture bem. Distribua em pequenos copos descartáveis (30ml de capacidade). Espere esfriar e sirva a seguir.
Dicas:
- Para fazer o Brigadeiro Branco, prepare a receita sem acrescentar o Chocolate Meio Amargo.
- Decore com confeitos coloridos ou de chocolate, encontrados em supermercados ou lojas especializadas em artigos para festas