sexta-feira, 8 de abril de 2011

Os Pães de Coco Cearense e a Chag HaMatzot (Festa dos Pães Ázimos)

Aqui no  Ceará a Semana Santa tem uma peculiaridade: o Pão de Coco
Misturando religiosidade com um sabor típico do Nordeste, o pão de coco é quase que comparável, em vendas, aos ovos de chocolates. Dizem alguns, que ele tem o significado da repartição, da divisão que os cristãos devem cultivar dentro de cada um e relembrar a Santa Ceia do Cristo.

Mas será realmente este o significado? Talvez haja mais coisa nesta significância de pães na páscoa. E é sobre isso que hoje esta confraria irá tratar.
Na tentativa de achar alguma fundamentação teórica local para a presença do pão de coco nas mesas cearenses, no período da semana santa, percorri muita bibliografia e não achei nada concreto nem decisivo que me permitisse citar uma possível data que serviria de marco para o início desta tradição cearense.
O fato é que ela existe. Mas não se sabe quem, nem quando ou como, ela surgiu nestas terras alencarinas.
Contudo, é bem provável que a religiosidade do povo cearense deva ter buscado em antigos textos  bíblicos a inspiração para a tradição de comer e doar o pão de coco no período pascal.
Sabe-se que antes do Cristo já existia uma data comemorativa antiga que se chamava Chag HaMatzot (Festa dos Ázimos, ou dos  Pães Sem Fermento), e que ela vinha anexada á páscoa daquela época, como veremos a seguir.


A Páscoa é uma festa antiga, surgida no século 12 a.C Sendo originalmente uma celebração judaica onde se comemora, até hoje, a fuga da escravidão do Egito liderada por Moisés. Tornou-se uma celebração também cristã (com sentido diferente: o da ressurreição do Cristo) por conta de um pequeno detalhe: Jesus era judeu e como tal respeitava suas tradições (nem todas, é verdade).
E foi justamente na páscoa, quando Jesus estava à mesa com os apóstolos, repartindo o pão ázimo (sem fermento) que de acordo com a simbologia judaica, Ele introduziu um sentido único para os cristãos: ao repartir o pão e beber o vinho, Ele pediu que lembrassem d’Ele, especialmente dos seus ensinamentos.
"Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo. Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim, de modo algum terá fome, e quem crê em mim jamais terá sede." (João 6:32-35)
Foi aí também que Jesus disse para Judas:

"Cara, é hora de você mostrar serviço; Tá no tempo de você  fazer aquilo lá que  você já sabe o que é. Mas liga não, que só vão descobrir isso daqui a 1.940 anos”.

Tendo dito essas coisas, disse Jesus aos seus discípulos: -- Como vocês sabem, estamos a dois dias da Páscoa, e o Filho do homem será entregue para ser crucificado.
No primeiro dia da festa dos pães sem fermento, os discípulos dirigiram-se a Jesus e lhe perguntaram: "Onde queres que preparemos a refeição da Páscoa?"(Mateus 26.1-2, 17)
A pergunta dos discípulos ("Onde queres que preparemos a refeição da Páscoa?" – verso 17) mostra como eram comemoradas as festas judaicas anuais Chag HaMatzot (Festa dos Ázimos, ou dos  Pães Sem Fermento) e da Páscoa. Ambas são celebradas integradamente, embora nem sempre tenha sido assim.
Em certo sentido, a Festa dos Pães Ázimos passou a fazer parte da Festa da Páscoa, mesmo porque seus simbolismos são muito próximos. Ela surge como uma celebração para recordar a saída do povo hebreu do Egito em direção a Canaã. E citações sobre este tema são encontrados por toda  a bíblia; Levítico 23.6-8; Números 9.1-2; Números 28.16-25; Deuteronômio 16.1-8; Êxodo 12.31-32, 50-52; Números 9.4-5, 33.3; Hebreus 11.28; Josué 5 .10-11; 2Crônicas 30.1-27; 2Reis 23.21-22; 2Crônicas 35.1-18; Esdras 6.19-22.

Estas leituras (longas e necessárias) nos mostram claramente o lugar que a Páscoa ocupava na vida religiosa dos hebreus. Pelo que lemos no Antigo Testamento, ficamos sabendo que, junto com as Festas dos Tabernáculos (Cabanas) e do Pentecoste, a Páscoa com a Festa dos Pães Ázimos  era uma das três principais datas festivas dos hebreus.
É para ser celebrada no dia 15 do mês Nisan ou Abib (dia da lua cheia), o primeiro do calendário hebraico. Era compulsório para todo judeu que a morasse a 25km da cidade visitasse Jerusalém. Ao tempo de Jesus, entre 100 mil e 250 mil peregrinos, próximos e distantes, agrupados, se achegavam à cidade, onde se hospedavam sobretudo na casa de parentes ou acampavam nas colinas ao redor.
Não surpreende, portanto, que Jesus tenha participado de várias delas. Durante sua infância, sua família o levava à festa. Numa delas, estava com 12 anos (Lucas 2.41). Em outra, estava no início do seu ministério (João 2.13). Deve ter participado de outra (João 6.4), antes da última.
No tempo de Jesus, a festa dos pães ázimos era parte inseparável da Páscoa , e se iniciava com uma refeição a partir do pôr - do- sol da quinta-feira (já considerada sexta-feira no modo hebreu de marcar o dia).  Era uma festa familiar, em que não podiam faltar os seguintes ingredientes:


·         Ervas amargas (Maror) – para lembrar a amargura do deserto;
·         Ovo (Betsah) – que representa o sacrifício e o renascer de Israel
·         Salsa (Karpas)  - representando a fartura da Terra Prometida;
·         Uma mistura de nozes, vinho, canela, maçã ou tâmaras (Charosset) – representava o barro com o qual os israelitas faziam os tijolos no tempo da escravidão no Egito;
·         Água salgada  - não só representando o mar mas também para molhar o Maror ;
·         E um osso de cordeiro (Zeroah) – que representa o cordeiro sacrificado, cujo sangue foi colocado na soleira da porta, para que o anjo da morte não entre naquela casa, quando passar para matar os primogênitos do Egito;
·         Vinho para lembrar as promessas de Deus (Êxodo 6.6-8).

Tudo isso, foi seguido por Jesus e seus discípulos e já era uma prescrição de muitos séculos anteriores a eles.
A Páscoa era uma cerimônia do Templo, mas também das famílias. Possivelmente, os discípulos prepararam a refeição pascal com estes ingredientes. Pode ter havido algumas diferenças entre este cerimonial e o de Jesus. Pois as narrativas daquela noite não detalham a ingestão de cada um deles, que parece pressuposta, mas estão narrados os momentos da partilha e consagração do pão e do vinho, possivelmente pela relação com a Ceia em memória de Jesus Cristo.
Ao participarmos da celebração da Ceia de Jesus, precisamos ter em mente que, se a Páscoa hebraica é a recordação da travessia do povo do medo para a liberdade, do deserto para a terra fértil, a Páscoa cristã (com seus três elementos: paixão, morte e ressurreição) também recorda a nossa travessia da escravidão ao pecado à liberdade na graça, da insegurança no deserto para a segurança no colo de Deus. A Páscoa judaica é o poder de Deus em ação para libertar um povo. A Páscoa cristã é o poder de Deus em ação para libertar todos os que crêem em Jesus como o Messias que veio para salvar.


O Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, tendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Por semelhante modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha. (1 Coríntios 11.23-26)

Diante deste cenário, não seria difícil de entender como a tradição do  pão do coco cearense pode ser fundamentada na religiosidade local, onde a maioria católica faz suas reverencias a ressurreição do Cristo. O que poderia ter feito a tradição continuar viva ao longo dos anos.
 O fato é que uma tradição antiga chegou ao ocidente e nestas terras cearenses se modificou, juntou ingredientes locais que a partir de uma receita antiga  se transformou em um ícone de confraternização.
O pão de coco cearense merece mais estudos e eu mesmo devo estar continuando minhas pesquisas sobre o tema.

Matzáh de Frigideira

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 1 xícara de farinha de trigo
1/2 colher de chá de sal
Água morna

Numa tigela misture a farinha e o sal, adicione a água aos poucos, até obter uma massa elástica que desgrude das mãos. Deixe descansar por 15 minutos
Separe a massa em 4 bolinhas. Espalhe a massa com ajuda de um rolo até a espessura de um papel (polvilhe bastante farinha para a massa ficar sequinha)
Disponha a massa numa frigideira antiaderente, em fogo médio. Deixe dourar de um lado, vire e deixe dourar o outro. Recheie a gosto

Pão Ázimo 

500g de farinha de trigo
Água na temperatura ambiente
1 colher de sopa de açúcar
1 colher de sopa rasa de sal
1 xícara pequena de azeite ou óleo

Misture a farinha com todos os ingredientes. Ponha a água aos poucos e sove até obter uma massa homogênea. Coloque a massa num saco plástico e deixe-a descansar durante 15 minutos.  Retire pequenas porções da massa e estique com um rolo até que ela fique bem fininha, quase transparente. Mantenha a massa restante fechada no saco plástico para não ressecar. Pegue a massa esticada com a almofada que acompanha a forma e, segurando as laterais, estique novamente a massa para que ela fique arredondada. Ainda com a ajuda da almofada, coloque a massa na chapa aquecida. Com um garfo, faça bastante furinhos na massa para que não faça bolha. Use fogo baixo. Vire a massa várias vezes até que ela atinja o ponto desejado. O Pão Ázimo somente gruda na chapa se ela estiver muito quente. Deixe as beiras do pão tão fina quanto o restante da massa para que o pão não encolha e saia com um bom diâmetro. Em pouco tempo você domina e consegue tirar pães de ótima aparência.

Pão de Coco

1 kg de farinha de trigo
1 copo (americano) de óleo
2 ovos
1 xícara de açúcar
1/2 colher (sopa) de sal
3 copos (americanos) de leite morno
50 g de fermento biológico
200 g de coco ralado


Preparo: Dissolva o fermento com o açúcar e deixe descansar por 5 minutos, em seguida acrescente os ovos, e os ingredientes líquidos, junte os ingredientes secos e misture bem até desgrudar das mãos – acrescente mais farinha se necessário. Sove bem a massa para que ela fique lisinha e deixe descansar até dobrar de volume, umas 2-3 horas, amasse novamente, modele o formato do pão como desejar e deixe descansar por mais uma hora.  Assar até ficar dourado. 


domingo, 3 de abril de 2011

A deusa Eostre (Ostara): A causadora da tradição dos ovos de páscoa

Engraçado como as pessoas não conhecem direito as próprias tradições... E é mais engraçado ver como elas são mecanizadas nas datas comemorativas; fazendo coisas que dizem ser "das tradições", mas que nem sabem porque estão fazendo aquilo. E quando questionadas sobre o porquê das coisas que fazem, não conseguem explicar. Por este motivo, hoje resolvi esclarecer um pequeno detalhe, de grande importância, para o período que se aproxima: a Páscoa.
Não irei tratar aqui sobre a real origem da Páscoa. Pois a maioria das pessoas sabem que esta data, para os cristãos católicos ocidentais, trata-se da celebração pela ressurreição de Jesus Cristo. Com uma rica exibição de símbolos, serviços, música e outros rituais, o tempo pascal é considerado um dos mais importantes momentos do ano para a Igreja Católica – o Natal se configura com o primeiro lugar no nível de importância.
Hoje quero falar de como o OVO, um dos símbolos da páscoa, tornou-se ícone e a respeito de sua ligação dele com os coelhos – outro símbolo pascoal. Porém, para chegarmos aos famosos ovos de páscoa, antes, é preciso entender como o coelho entrou  nesta tradição, presenteando pessoas com ovos.


O COELHO

Entre os símbolos da Páscoa, o coelho é um dos mais conhecidos por todos, pois a Páscoa é uma festa que cai na primavera nos países de origem. E desde os tempos mais antigos, lebres e coelhos serviram como símbolos da nova vida abundante na época da primavera devido a seus freqüentes nascimentos múltiplos.
Sendo uma festa celebrada no primeiro domingo que ocorre após a primeira lua cheia (ou após o equinócio vernal), é associada à Lua e ao hábito noturno das lebres. No entanto, há várias explicações para essa associação entre a lebre, o coelho e a lua.
Uma das associações famosas é a de que a lebre é noturna e uma parenta do coelho. A lebre era símbolo das aberturas de ciclos pelos egípcios, estando assim relacionada com a renovação e o renascimento, abrindo um novo ciclo.

Lebre

Assim, a lebre passou a ser representada pelo coelho, que popularmente se tornou um símbolo para a periodicidade, pois a lebre por ser selvagem, não tinha tanto contato no plano humano como tem o coelho.
O Coelhinho da Páscoa, ou seja, a lebre é também associada à deusa pagã “Eostre”. O símbolo da deusa anglo-saxã da Primavera “Eastre”, era uma lebre. E ela foi adorada como símbolo na terra representando a deusa fértil na lua cheia e em comemoração a sua gravidez e o nascimento de sua prole. Eostre era representada por uma lebre e o ovo. Ambos, hoje, são símbolos do renascimento.
As religiões que tinham como base a crença na Grande Deusa reinaram até que as religiões abraâmicas (Islamismo, Cristianismo, Judaísmo) a suplantassem. Com a expansão do Cristianismo, a religião da Grande Mãe, pagã – que no sentido original da palavra refere-se a religião praticada nos campos; foi sendo destruída.
Durante a Idade Média , a Igreja Católica passou a considerar os rituais praticados na Antiga Religião como bruxaria, coisa do demônio, na tentativa de impor a crença num único Deus, poderoso, masculino e que punia e castigava aqueles que não obedeciam seus ritos e ensinamentos. A Igreja utilizou-se de guerra psicológica, torturas e campanhas militares para alcançar seus objetivos. Criou a Inquisição para perseguir e punir todos aqueles que não professassem a fé católica.


Muitas das crenças do paganismo foram incorporadas aos rituais cristãos, fossem por tentativas de manter vivos os antigos cultos pagãos, sem correr o risco de acabar na fogueira ou pela inteligência dos padres e sacerdotes que buscavam manter o rebanho dentro dos templos utilizando padrões e rituais com os quais as populações já estavam acostumadas, e sem contar que muitas igrejas ocupavam áreas que anteriormente eram templos pagãos.
Assim a Igreja, na sua busca de conquistar mais fiéis, uniu símbolos das religiões antigas ás suas crenças e  a lebre da páscoa se tornou o coelhinho que nos traz ovos, até hoje – só que são raros aqueles que conhecem  o significado advindo da religião antiga (que você, caro leitor, irá conhecer nas próximas linhas).

O OVO DE PÁSCOA


O ovo é considerado a mais perfeita embalagem natural. Em diversas culturas também simboliza o começo do universo.  O significado da palavra ovo está relacionado à origem; princípio e pode ser feita uma associação com a própria Páscoa, o ovo representa nascimento e vida.
Presentear pessoas com ovos é um costume de épocas remotas. Na Roma antiga, nas festas de primavera, as mulheres casadas vestiam-se de branco e carregavam o ovo que era dedicado aos seres protetores da agricultura.
Os hebreus na Páscoa comiam ovos cozidos. Os celtas ofereciam ovos pintados de vermelho, simbolizando o sangue derramado por Cristo. Chineses, há tempos atrás, distribuíam ovos coloridos entre amigos durante a primavera representando revigorar a vida.


Os pagãos (especialmente ucranianos) tinham o costume da “arte de decorar ovos”, chamado de “pisanka” (da imagem), que depois seria atribuído pelos cristãos de outra forma. Têm-se notícias que em alguns países os noivos davam um ao outro um ovo pintado simbolizando a perpetuação do amor. É no século XVIII que os cristãos acatam a ideia de pintar ovos nas cores da primavera. A própria Igreja Católica “doava” aos fiéis ovos bentos.
Estas culturas tinham o ovo como emblema do universo, a palavra da suprema divindade, o princípio da vida. Mas vários costumes associados à Páscoa não existiam até o século XV.
Acredita-se que os missionários e os cruzados trouxeram para a Europa Ocidental o costume de presentear com ovos. Na época medieval, eram pintados de vermelho para representar o sangue de Cristo. Os cristãos adotaram esta tradição e o ovo passou a ser o símbolo da tumba da qual Jesus ressuscitou.
Ovos de chocolate começaram a aparecer no século XVII. Ovos de plástico recheados de ovos de chocolate ou bombons surgiram na década de 60.


Mas como explicar um coelho trazendo ovos na páscoa, quando ele é um ser mamífero e por tanto, não ovíparo? A explicação desta questão é o principal foco desta postagem. E a resposta para esta indagação segue a seguir.


A maioria das tradições do feriado religioso da Páscoa está contida nos rituais pagãos, o que gerou grande variedade de lendas, ícones, símbolos e costumes, que passaram a fazer parte da celebração.
Séculos antes do nascimento de Cristo as tribos pagãs da Europa adoravam a bela deusa da primavera - EE-ah-tah, (ou, Eostre - Ostara). Festivais para celebrar o nascimento da primavera eram organizados em honra da entidade no final de março, tempo do equinócio de inverno no hemisfério norte.

Eostre
O nome Eostre, como também a Deusa é chamada, tem origem anglo-saxã provinda do advérbio ostar que expressa algo como “Sol nascente” ou “Sol que se eleva”, Muitos lugares na Alemanha foram consagrados a ela, como Austerkopp (um rio em Waldeck), Osterstube (uma caverna) e Astenburg.
Eostre estava relacionada à aurora e posteriormente associada à luz crescente da Primavera, momento em que trazia alegria e bênçãos a Terra. Por ser uma Deusa um tanto obscura, muito do que se sabia sobre ela foi se perdido através dos tempos, e descrições, mitos e informaçõe sobre ela são escassos.
Seu nome e funções têm relação com a Deusa grega Eos, Deusa do Amanhecer na mitologia grega. Alguns historiadores dizem que ela é meramente uma das várias formas de Frigg *deusa indo-européia – esposa de Odin), ou que seu nome seria um epíteto para representar Frigg em seu aspecto jovem e primaveril. Outros pesquisadores a associam à Astarte (Deusa Fenícia) e Ishtar (deusa Babilônica), devido às similaridades em seus respectivos festivais da Primavera.

Celebração de Ostara
A lenda abaixo explica como os “coelhos da páscoa puseram ovos”:

Diz a lenda que Eostre tinha uma especial afeição por crianças. Onde quer que ela fosse, elas a seguiam e a Deusa adorava cantar e entretê-las com sua magia. 
Um dia, Eostre estava sentada em um jardim com suas tão amadas crianças, quando um amável pássaro voou sobre elas e pousou na mão da Deusa. Ao dizer algumas palavras mágicas, o pássaro se transformou no animal favorito de Eostre, uma lebre. Isto maravilhou as crianças.

Com o passar dos meses, elas repararam que a lebre não estava feliz com a transformação, porque não mais podia cantar nem voar. As crianças pediram a Eostre que revertesse o encantamento. Ela tentou de todas as formas, mas não conseguiu desfazer o encanto. A magia já estava feita e nada poderia revertê-la.
Eostre decidiu esperar até que o inverno passasse, pois nesta época seu poder diminuía. Quem sabe quando a Primavera retornasse e ela fosse de novo restituída de seus poderes plenamente pudesse ao menos dar alguns momentos de alegria à lebre, transformando-a novamente em pássaro, nem que fosse por alguns momentos. A lebre assim permaneceu até que então a Primavera chegou.
 Nessa época os poderes de Eostre estavam em seu apogeu e ela pôde transformar a lebre em um pássaro novamente, durante algum tempo.


Agradecido, o pássaro botou ovos em homenagem a Eostre. Em celebração à sua liberdade e às crianças, que tinham pedido a Eostre que lhe concedesse sua forma original, o pássaro, transformado em lebre novamente, pintou os ovos e os distribuiu pelo mundo. Para lembrar às pessoas de seu ato tolo de interferir no livre-arbítrio de alguém, Eostre entalhou a figura de uma lebre na lua que pode ser vista até hoje por nós.
Eostre assumiu vários nomes diferentes como Eostra, Eostrae, Eastre, Estre e Austra. É considerada a Deusa da Fertilidade plena e da luz crescente da Primavera. Seus símbolos são a lebre ou o coelho e os ovos, todos representando a fertilidade e o início de uma nova vida. A lebre é muito conhecida por seu poder gerador e o ovo sempre esteve associado ao começo da vida.
Não são poucos os mitos que nos falam do ovo primordial, que teria sido chocado pela luz do Sol, dando assim vida a tudo o que existe. Eostre também é uma Deusa da Pureza, da Juventude e da Beleza. Era comum na época da Primavera recolher o orvalho para banhar-se ritualisticamente. Acreditava-se que orvalho colhido nessa época estava impregnado com as energias de purificação e juventude de Eostre, e por isso tinha a virtude de purificar e rejuvenescer.
Filólogos acreditam que a palavra Eostre evoluiu em inglês para Easter e em alemão para Ostern, que significam Páscoa. Outros associam a palavra Easter com o nascer do sol no Este.
A Páscoa já era celebrada pelos judeus antes mesmo do nascimento de Jesus, com outro sentido: o de liberdade, após anos de escravidão no Egito.
Para nossa civilização cristã, "Páscoa" tem origem hebraica (Pessach) e significa passagem, pois celebra o renascimento de Jesus Cristo e sua ascensão ao céu, dois dias depois da morte na cruz (sexta-feira santa).


Espero ter esclarecido bem o assunto. Espero que tenham gostado. E para agradecer a Deus pela dádiva da vida, com esta celebração da Páscoa que se aproxima; e lembrar da deusa Eostre através da  sua tradição que continua viva , deixo para vocês uma receita, antiga, que adoro fazer pra sobremesa do almoço de páscoa: os ninhos de páscoa.


Ninhos de Páscoa do Barão de Gourmandise

Ingredientes
Ninhos
260g de manteiga amolecida
100g de açúcar mascavo
2 ovos, separados
1 e meia colher de chá de baunilha
275g de farinha de trigo
175g de nozes picadas
Decoração
Chocolate derretido, branco ou ao leite
Mini ovos de chocolate ou  amendoins confeitados

Pré-aquecer o forno a 180 C. em seguida bater a manteiga o açúcar ate formar um creme. Junte as gemas em seguida misture a baunilha, acrescente a farinha misturando  bem. Bata as claras em neve e espalhe em um prato raso. Fazer a mesma coisa com as nozes picadas. Em seguida fazer bolas de massa coma  a ajuda de uma colher, depois passar as bolas nas claras e em seguida nas nozes. Coloque na assadeira distante 5cm de diferença uma da outra, fazer uma depressão com o polegar em cada bolinha  e assar por 12 a 15 minutos; depois de frios, derreter o chocolate e colocar um pouco em  cada cavidade dos biscoitos para grudar dois ou três ovinho em cada depressão. Deixe esfriar o suficiente para que o chocolate endureça e segure os ovos nos ninhos.

quinta-feira, 31 de março de 2011

As Toffanas: inspiração para os meus doces venenos

Hoje acordei um pouco maléfico...
Pra mim, não existe nada como uma boa dose de maldade e mistério para aguçar e apimentar a curiosidade humana. Muito menos quando  se pode tecer fatos intrigantes vividos por pessoas normais, cheias de defeitos e qualidades, como eu  e você.
Hoje resolvi fazer uma bebidinha que chamo carinhosamente de doce veneno; e fui buscar a historia de um clã de bruxas envenenadoras, As Toffanas, quem muito admiro por suas habilidades farmaceuticas, para incrementar meu post.
No decorrer da minha escrita acabei lembrando, que durante minha infância, eu brincava muito com belladonna, um dos ingredientes do famoso veneno Acqua Toffana – estrela principal criado pela habilidade das Toffanas.

Atropa belladonna


O nome cientifico da planta é Atropa belladonna, nome que veio de Atropos, que era, segundo a mitologia greco-romana, a divindade responsável pela morte das pessoas, ela fazia o corte do fio da vida.
As Parcas (equivalentes às moiras gregas) eram 3 deusas: Nona (Cloto , em grego), Décima (Láquesis) e Morta (Átropos). Determinavam o curso da vida humana, decidindo questões como vida e morte, de maneira que nem Júpter (Zeus) podia contestar suas decisões. Nona tecia o fio da vida, Décima cuidava de sua extensão e caminho, Morta cortava o fio. Eram também designadas fates, daí o termo fatalidades. Interessante notar que em Roma se tinha a estrutura de calendário solar para os anos, e lunar para os atuais meses. A gravidez humana é de nove luas, não nove meses; portanto Nona tece o fio da vida no útero materno, até a nona lua; Décima representa o nascimento efetivo, o corte do cordão umbilical, o início da vida terrena, o individuo definido, a décima lua. Morta é a outra extremidade, o fim da vida terrena, que pode ocorrer a qualquer momento.

Talvez seja por estes dois motivos que eu tenha certa admiração pelas TOFFANAS: pelo fato de eu viver rodeado por belladonnas e por trazer a lembrança mitológica, que sempre foi  muito presente na minha vida (estudei isso por dez anos srsrsrrsrsrsrs).
Aproveitem e cuidado com o que bebem...

AS TOFFANAS

Não se sabe muito sobre a primeira Toffana, Teofania di Adamo, exceto que seria originária de Palermo (Itália) e que teria sido executada em 12 de julho de 1633 em Palermo, sob o regime do vice-rei Ferdinando Alfa de Ribeira, sob acusação de ter  envenenado o seu marido, Francisco.
Ela teria desenvolvido o veneno por ódio da posição dos homens na sociedade e pela subjugação da mulher teria vendido o veneno em garrafas com o retrato de São Nicolau de Bari – este último supostamente teria matado  o duque de Anjou e os papas Pio II e Clemente XIV.
 Enquanto Giulia Toffana  (a segunda na linhagem das Toffanas) seria filha (ou para alguns, neta de Toffana d”Adamo) o que explicaria como ela aprendera os princípios de fabricaçao da Acqua Toffana. Alguns relatos apresentam Giuglia como uma mulher muito bonita e inteligente. E foi a sua beleza que lhe levou a conhecer boticários que, inadvertidamente, lhes contava sobre os venenso mais comuns, seu  uso e preparo.
A inteligência de Giuglia lhe permitiu colher grandes lucros vendendo o  veneno inodoro e insípido (água toffana) para mulheres insatisfeitas com o casamento e comprava, frascos do  veneno como se fosse "Acqua di San Nicola di Bari”.

Frasco antigo da acqua de São Nicolau de Bari

O veneno desenvolvido e melhorado seria a forma perfeita de deixar as mulheres viúvas sem levantar  suspeitas com apenas 4 gotas. E acabou levando sua filha, Girolama Spera (a terceira na linhagem das Toffanas) Girolama Spera fugiu com a mae para Roma, eram naquela época ja conhecidas como  bruxas. Em Roma, desconhecidas, continuaram seus negocios e amealharam fortuna.
Porém o comercio de Giuglia foi levado a autoridade papal por um marido que felizmente escapou do envenenamento. E quando surgiu o boato de que Giuglia Toffana teria envenenado a água na cidade e  a polícia a procurava,Sua popularidade era tanta que a população da cidade ajudou giuglia a se abrigar com segurança numa igreja. Giuglia se refugiou  numa igreja e de lá fora arrastada pelos policiais que a encontraram, para ser interrogada. Sob tortura, Giuglia Toffana confessou (sem remorso) que vendeu (só em Roma!) Veneno suficiente para matar cerca de 600 homens, entre 1633 e 1651.
Ela foi condenada e executada em Roma, em 1659, juntamente com a filha e 3 aprendizes. Foram executadas no Campo di Fiore e o corpo de Giuglia foi colocado dentro dos muros da igreja que lhe serviu de acolhimento.
Alguns dos usuários e provedores também foram presos e executados, enquanto outros cúmplices foram emparedados em masmorras do Palazzo Pucci.


O veneno Água Toffana (Acqua Toffana, em italiano) levou o nome de Teofania D'Adamo, sendo que  até hoje a quantidades especificas dos elementos que o compõem são desconhecidas. Segundo os cronistas e alguns cientistas era um líquido claro, sem gosto, que tinha entre seus ingredientes, arsênico, chumbo, belladonna e cimbalaria (Cymbalaria Linaria). confissões D'Adamo antes da sua execução, que deu a entender que era uma mistura de essências de plantas. Não existe um antídoto para ele.
Estudiosos dizem que o método de preparação desta poção era muito cruel: a bruxa pegava um leitão sedento e obrigava-o a tomar uma farta dose da mistura preparada pela bruxa. Então pendurava-o, ainda vivo, pelas patas traseiras com uma espécie de focinheira com um recipiente. O leitão era então morto a base da paulada e o recipiente da focinheira recolhido - a mistura de baba, sucos gástricos... Tudo aquilo que o animal soltava pela boca. Esta mistura era então destilada com água
A dose de veneno determina o início dos sintomas, e a velocidade com que a morte virá. Às vezes dizia-se que apenas acelerava os efeitos de algumas outras doenças já contidas na vítima passiva. Em qualquer caso, não havia traços detectáveis ​​no organismo pelos médicos da época.

 Alguns historiadores relatam que foi através de Nápoles, que ficou conhecido como "Acqua di Napoli" e "Acqua di San Nicola di Bari." Este último, liquido sagrado que traria a cura, e talvez por este mesmo  motivo fora de qualquer suspeita,
Uma teoria já desacreditada pelos historiadores contemporâneos, trazia Wolfgang Amadeus Mozart como a vítima mais famosa do água toffana;  isso se deve a Maria e Vincent Novello ("A peregrinação Mozart"), no século XVIII, os fundadores da indústria moderna de publicação de música na Inglaterra, que trouxeram uma entrevista realizada 1829 na Áustria com Constanze, a viúva de Mozart, que afirma que "seis meses antes de sua morte, o célebre autor" tinha a impressão horrível "que ele foi envenenado por Acqua Toffana.

Coquetel doce veneno do Barão de Gourmandise

1 colher de sopa de café solúvel extra forte
1/2 lata de leite condensado
2 copos de conhaque
2 colheres de sopa leite em pó
2 copos de gelo moído
1/2 colher de chá de canela
1/2 colher de cha de baunilha

Bata no liquidificador o leite condensado, o café, 1 copo de conhaque, 2 colheres de leite em pó, o gelo e a baunilha Quando estiver para terminar, acrescente o outro copo de conhaque Polvilhe com um pouco de canela por cima. Sirva bem gelado com chantilly

Coquetel doce veneno do Barão de Gourmandise II

01 dose de vodka
3/4 dose Bailey’s
02 bombons Sonho de Valsa
02 bolas de sorvete de creme
01 lance de groselha

Bata todos os ingredientes no liquidificador com gelo.

Depois, guarneça com chantilly e morango.



Coquetel doce veneno do Pecado do Barão de Gourmandise (Falsa Champagne)

1 lata de guaraná gelada
a mesma medida de vinho branco seco

Misture os dois ingredientes e sirva!

Dica: Se preferir, substitua o vinho branco por vinho rosé.


segunda-feira, 28 de março de 2011

Cora Pearl: um prato de carne que todos desejariam comer mas que ninguém poderia se atrever a cortar

Hoje acordei com uma  vontade enorme de comer carpaccio...Na busca de resgatar,  nos  veios da história mundial, algum momento interessante que pudesse ilustrar esta minha vontade súbita.
E como diz o ditado: “Quem procura, acha.” Acabei encontrando um fato verídico muito interessante que trata do ato de “comer” carne crua (risos). Espero que gostem!
E fui tentando resgatar, na história, algum momento interessante  que eu pudesse ilustrar esta minha vontade. E acabei achando um episódio interessantíssimo.
A famosa cortesã de luxo inglesa Emma Elizabeth Crouch, mais conhecida pelo seu “nome fantasia” de Cora Pearl, era famosa não só por sua beleza mas também pelas suas excentricidades.
Cora
Cora em 1864 ofereceu banquete para quatorze convidados, todos homens importantes os quais ela  havia, previamente, feito uma aposta dizendo que lhes serviria um prato de carne que todos desejariam comer mas que nenhum poderia nem se atrever a cortar.
Entre rios de incredulidade todos os convidados resolveram participar do desafio e  fizeram apostas consideráveis, fato que resultou uma pequena fortuna para os cofres de Cora.

 Dez minutos depois, os camareiros saíram da cozinha e dirigiram-se para a sala onde os catorze comensais esperavam impacientes com garfos e faca em mãos. Sobre a mesa colocaram uma enorme bandeja de prata sobre a qual se encontrava Cora, deitada em um leito de violetas, completamente nua, exibindo fartas e apetitosas carnes brancas e discretamente enfeitada com alguns raminhos de salsa.
Obviamente a esperteza de Cora Pearl a levou a ganhar a aposta que foi paga generosamente por todos os convidados...
Pra quem gostou do post e quiser conferir mais sobre a vida excêntrica de Cora Pearl recomendo procurar o livro abaixo nas melhores livrarias do país.


Carpaccio á moda do Barão

filetinhos bem finos de contra filé ou  carpaccio pronto
alcaparras
azeite de oliva
mostarda
queijo parmesão ralado grosso

Colocar os carpaccios distribuídos no prato e em seguida fazer o molho em uma vasilha a parte. Triturar algumas alcaparras com a ponta da faca como se fizesse uma pasta. tirar as alcaparras sem água que vem nela, com a faca tritura para ficar tipo uma pasta verde. Misturar com o azeite e a mostarda.

Para 1 vidro de alcaparras 500ml de azeite e a mostarda uma colher de sopa
mexer bem. Passar o molho em cima dos carpaccios e finalizar com queijo ralado grosso por cima de tudo.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Sachertorte: ou Torta Sacher para os íntimos, desde 1832 como sinônimo de elegância e luxo

Dentre  as maravilhas gastronômicas não existe uma torta mais chique do que a Torta Sacher – feita  com a partir de bolo de chocolate inventado no  século  XIX, por um mestre doceiro de Viena, Áustria. Seu prestígio é tanto que esta torta está para o mundo dos doces assim como Montblanc está para as canetas e Ferrari para os automóveis,  tanto quanto é cara e glamourosa.

Talvez eu também a defina como chique gostar, particularmente, da Áustria e por achar aquele país um dos mais elegantes da Europa. Sem contar que saíram da Áustria alguns personagens famosos, os quais muito me interessam, como por exemplo: Maria Antonieta e a nossa primeira Imperatriz, Leopoldina.
E esta ligação da torta xom a realeza não é mera coincidência. Foi Concebido em 1832 pelo aprendiz de doceiro Franz Sacher (com apenas 17anos), que desenvolveu receita de torta especial para um banquete oferecido pelo príncipe Austríaco Metternich.
Franz Sacher
Príncipe Metternich
É tradicionalmente servida com chantilly (Schlagoben), por ser considerada pelos Vienenses “seca” demais para ser consumida sem acompanhamento.
Sua textura marrom e granulosa, acompanhada sempre por uma porção de chantilly, encarna o velho charme de Viena tanto quanto as valsas de Strauss ou os bigodes enormes do imperador Franz Joseph. É um clássico, e como tal consegue ser moderno.
A torta sacher tem um sabor tão ´quilibrado que dela pode-se comer vários pedaços sem ser assaltado pela sensação de enjôo (e culpa) que costuma acompanhar a digestão dos doces de chocolate comuns.
 “Sem o menor peso na consciência, acabo de comer uma torta Sacher inteirinha”, disse Greta Garbo a um amigo em 1937.
A marca “Sachertorte” foi registrada pelo Hotel Sacher, construído em 1876 pelo filho de Franz Sacher. É ali, na cozinha desse hotel de luxo localizado no número 4 da Philarmonikestrass, atrás da Ópera de Viena, que as tortas Sacher são feitas desde 1877 – inteiramente à mão e usando apenas ingredientes naturais. O hotel tornou-se o sinônimo mais absoluto de elegância vienense. Era freqüentado pela nata da corte Habsburgo e conhecido na Europa como Hotel Áustria, tamanha a sua identidade com o país.

Permaneceu nas mãos da família Sacher até a década de 30, quando quebrou. Ao ser vendido, os novos proprietários receberam com o prédio e a lenda a receita do bolo famoso – um segredo culinário tão bem guardado quanto o do xarope da Coca-Cola. Quem procurar na internet vai encontrar várias receitas de torta Sacher, mas elas estão para o produto real como os tênis dos camelôs estão para os produtos da Nike.

São contrafações mais ou menos simpáticas. Em 1965 uma sentença da suprema corte austríaca garantiu ao hotel Sacher o direito de uso exclusivo do nome, associado à palavra “original”, depois que a doceria Demel, de Viena, passou a comercializar sua própria versão do bolo. A receita lhe teria sido vendida ao final da II Guerra Mundial, quando o hall do Sacher estava sendo usado como estábulo pela cavalaria russa. O litígio em torno da receita é um caso único no mundo e ficou 25 anos nos tribunais. No dia em que foi decidido ocupou as manchetes de todos os jornais austríacos: o hotel prevaleceu porque a Demel havia subvertido a confecção clássica do bolo e passara a colocar a geléia de damasco na parte de fora, não no recheio.
Há um pouco dessa longa história em cada fatia de torta Sacher. Hofmeister, porta-voz do hotel, diz que a tradição é garantida pela fabricação artesanal ali mesmo, em Viena, sob severa supervisão. Afinal, a venda do bolo assegura mais de um terço da receita anual do Sacher. A marca não tem franquias e a única maneira de experimentar essa delícia é entrar em um dos quatro Cafés Sacher na Áustria – ou encomendar a torta pelo correio. As entregas são mundiais e quem tiver receio pela integridade gastronômica, relaxe: depois do sabor e da elegância, a grande virtude da torta Sacher é que o tempo para ela passa muito bem. Há longos 171 anos.
Hoje em dia é possivel sim, receber esta delícia em casa, mas demora.
Se você não tem planos de ir a Viena, traga a torta Sacher até você pelo correio. A casa tem 171 anos de tradição em atender seus clientes ao redor do mundo e suas famosas caixinhas de madeira garantem um bolo perfeito na chegada – além de serem um elegante e tradicional presente. Para os padrões de consumo de luxo o preço é quase modesto: o bolo de um quilo custa 23 euros (cerca de R$ 80) e o custo de entrega no Brasil é de 31,60 euros (R$ 109). Total da conta: R$ 189 por 1.000 gramas de puro prazer.
Se a encomenda for maior (há bolos de 1.400 e 1.600 gramas), o custo-benefício é ainda melhor. Para pedir, basta acessar o site www.sacher.com. Mas há um gostinho amargo: diante dos rigores da alfândega brasileira, a Sacher não garante os prazos de entrega, como ocorre com os destinos europeus, e nem se responsabiliza inteiramente pela chegada do bolo. O risco é por conta do freguês.

SACHERTORTE

Ingredientes da Massa
190 g de manteiga (temperatura ambiente)
190 g de açúcar
1 colher (sopa) de açúcar de baunilha
ou ½ colherinha de essência
6 ovos
150 g de chocolate meio amargo (barra)
3 colheres (sopa) de cacau em pó
80 g de farinha de rosca
90 g de farinha de trigo
½ colher (sopa) de fermento em pó

Recheio e Cobertura: Geléia de Damascos
Ingredientes
250 g de damascos tipo turco,
350 ml de água,
2 colheres (sopa) de açúcar (a gosto)

Glacê de Chocolate:
Ingredientes
200 g de chocolate meio amargo
150 g de açúcar
150 ml de água
Modo de Fazer:
Unte com manteiga uma forma redonda, com fundo removível. Ligue o forno 180 graus. Bater, em batedeira, as claras em neve com metade do açúcar. Reserve. Em outra tigela bata a manteiga, as gemas, o restante do açúcar e o açúcar de baunilha, até ficar um creme bem liso. Em banho-maria ou no forno microondas por 30 segundos, derreta o chocolate meio-amargo com 3 colheres (sopa) de água . Misture aos poucos ao creme anterior, batendo sempre. Peneire a farinha de trigo, a farinha de rosca, o cacau em pó e o fermento, juntos, e apenas misture à massa, sem bater. Aos poucos e delicadamente adicione as claras em neve e mexa envolvendo a massa. Coloque na forma já untada e leve ao forno para assar, mais ou menos 40 minutos, até que o palito saia sêco. Deixe esfriar na forma. Enquanto isso faça o recheio.
Recheio e Cobertura: Geléia de Damascos
Cozinhar tudo em fogo baixo até ficar macio. Passar em processador ou liquidificador. Deixar ferver e acrescentar mais água, se necessário. Utilizar frio.
Glacê de Chocolate: Ferva a água com o açúcar, +- 2 minutos. Retire do fogo em misture o chocolate picado e mexa até dissolver. Volte ao fogo e deixe ferver um pouco, até começar a aparecer o fundo da panela. Retire do fogo e mexa até começar a engrossar. Aplique imediatamente, derramando por cima da torta, sem passar a colher ou faca. Faça movimentos com a torta para que a cobertura envolva toda a superfície. Nas laterais passe uma faca para cobrir.
Montagem: Divida o bolo em 2 ou 3 camadas e recheie. Deixe um pouco para passar em cima do bolo, uma camada bem fina, antes do glacê de chocolate.

OBs.: Sirva cada fatia acompanhada de Chantilly levemente adoçado.