sábado, 16 de abril de 2011

Fabergé e suas jóias de páscoa


Atire a primeira pedra aquele que não gosta de ganhar ovos de páscoas, nesta época do ano. Eu sempre fico vitrificado quando vendo aquelas embalagens coloridas que escondem as maravilhas feitas com chocolate – e ás vezes, ainda tem mais surpresas dentro. Mas é triste quando  a gente não ganha nenhum ovinho, daqueles pequenininhos, na páscoa.
Tem gente que prefere dar outro tipo de coisa que não fosse os ovos de chocolate como presente de páscoa. Já vi, por exemplo, gente ganhando bolos, tortas, comidas feitas com bacalhau e frutos do mar, as colombas, vinhos e jóias. E foi exatamente por isso que este post surgiu.
Hoje vou falar sobre como a mente humana  pode transformar sonhos em  realidade, em qualquer época do ano, e transformar ícones de uma data comemorativa em jóias raras. Para tanto  fui me inspirar com os famosos ovos de Fabergé.
Peter Carl Fabergé
O explendor dos Ovos Fabergé pela sua perfeição acabaram se tornando obras-primas da joaelheira mundial produzidas por Peter Carl Farbegé e seus assistentes no período de 1885 a 1917 para os czares russos. Os ovos, cuidadosamente elaborados com uma combinação de esmalte, metais e pedras preciosas, escondiam surpresas e miniaturas encomendados e oferecidos na Páscoa entre os membros da família imperial. Disputados por colecionadores em todo o mundo, os famosos ovos de Páscoa criados pelo joalheiro russo são admirados pela perfeição e considerados expoentes da arte joalheira.
Czar AlexandreIII e Czarina Maria
Fabergé e seus ourives desenharam e construíram o primeiro ovo em 1885. Ele foi encomendado pelo czar Alexandre III como um presente de páscoa para sua esposa a czarina Maria Feodorovna. Exteriormente ele parecia um simples ovo de ouro esmaltado, mas ao abri-lo, revelava-se uma gema de ouro, que dentro de si possuía uma galinha, que por sua vez continha um pingente de rubi e uma réplica em diamante da coroa imperial. Tais características lembram os bonecos matrioskas.
Matrioskas - bonecas típicas russas
A imperatriz Maria ficou tão impressionada com o presente, que Alexandre acabou por nomear Fabergué como o "fornecedor da corte" e passou a encomendar um ovo por ano, sob a determinação de que este fosse único e contivesse uma surpresa. Seu filho, Nicolau II, deu sequência à tradição e anualmente presenteava sua esposa, Alexandra Feodorovna.

Czar NicolauII e Czarina Alexandra
Cinqüenta ovos imperiais foram produzidos para os czares Alexandre IIIe Nicolau II, ademais, outras dessas jóias também foram encomendadas por membros da nobreza.
Assim que um tema era escolhido, uma equipe de artesão - dentre os quais Michael Perkhin, Henrik Wigström e Erik August Kollin - começava a trabalhar no projeto. Dezenas de clientes particulares apareceram com fama despertada pelos ovos imperiais.

Lista de Ovos Fabergé "Imperiais"
  • 1885 Galinha
  • 1886 Galinha com pendente de safira † 
  • 1887 Relógio da serpente azul
  • 1888 Querubim e carruagem†
  • 1889 Necessaire † 
  • 1890 Palácios dinamarqueses
  • 1891 Memória de Azov
  • 1892 Diamantes incrustados
  • 1893 Cáucaso
  • 1894 Renascimento 
  • 1895 Botão de rosa
  • 1895 Doze monogramas
  • 1896 Miniaturas giratórias
  • 1896 Retratos de Alexandre III †
  • 1897 Coroação
  • 1897 Pelicano de ouro 
  • 1898 Lírios do vale

  • 1898 Muget †
  • 1899 Relógio bouquet
  • 1899 Amores perfeitos 
  • 1900 Transiberiano
  • 1900 Galinho
  • 1901 Cesto de flores silvestres
  • 1901 Palácio Gatchina
  • 1902 Folhas de trevo
  • 1902 Empire Nephrite†
  • 1903 Pedro, O Grande
 
  • 1903 Jubileu Dinamarquês†
  • 1906 Kremlin de Moscovo
  • 1906 Cisne
  • 1907 Grinaldas de rosas
  • 1907 Troféu do amor
  • 1908 Palácio de Alexandre
  • 1908 Pavão
  • 1909 Iate
  • 1909 Comemorativo de Alexandre III†
  • 1910 Colunas
  • 1910 Alexandre III equestre
  • 1911 15º Aniversário
  • 1911 Loureiro
  • 1912 Czarevich
  • 1912 Napoleónico
  • 1913 Tricentenário Romanov
  • 1913 Inverno
  • 1914 Mosaico
  • 1914 Catarina a Grande ou Grisaille
  • 1915 Cruz vermelha com tríptico da ressurreição
  • 1915 Cruz vermelha com retratos imperiais
  • 1916 Ovo militar em aço
  • 1916 Ordem de São Jorge
  • 1917 Madeira de Karelia - encomendado apenas
  • 1917 Constelação - encomendado apenas e não terminado

Ovos Fabergé Kelch
  • 1898 Galinha
  • 1899 Painel de Doze
  • 1900 Pinha em Cone
  • 1901 Floração de Maçã
  • 1902 Rocaille
  • 1903 Bonbonnière
  • 1904 Chantecler Kelch
Outros ovos Fabergé
  • 1885-1891 Esmaltado listrado Azul
  • 1902 Duquesa de Marlborough
  • 1902 Rothschild
  • 1907 Youssoupov
  • 1914 Nobel Ice
  • 1885-1889 Ressurreição
  • 1899-1903 Flores Primaveris
Fabergé Cuco
Fabergé Cristal Egg
Ovo Bétula - o último projeto, não terminado

Dos 65 conhecidos ovos Fabergé grandes, apenas 57 existem até hoje. Dez dos Ovos Imperiais de páscoa estão expostos no Palacio do Arsenal do Kremlin, Moscou, Russia. Dos 50 Ovos Imperiais, só 42 sobrevivem. Dos oito ovos Imperiais desaparecidos, há fotos apenas de dois; um de 1903, o da Realeza da Dinamarca, e um de 1909, comemorativo de Alexandre III da Rússia.
Um único dos Ovos da “Ordem de St. George”” feitos em 1916, foi tirado da Rússia bolchevique pela Imperatriz Consorte Dagmar da Dinamarca. Os demais ovos dessa série ficaram em Petrogrado.
Após a revolução russa de 1917 a ‘’Casa Fabergé’’ foi nacinalizada pelos bolcheviques, a família Fabergé fugiu para a Suiça, onde Carl Fabergé faleceu em 1920. Todos os palácios da Dinastia Romanov foram saqueados e os seus tesouros foram removidos por ordem de Vladimir Lenin e levadas para o Palacio do Arsenal do Kremlin.
Visando obter moedas estrangeiras, Joseph Stalin vendeu diversos Ovos Fabergé em 1927, depois que seu valor foi avaliado por ‘’Agathon Fabergé’’, irmão mais jovem do ourives. Entre 1930 e 1944, quatorze dos Ovos Imperiais deixaram a Rússia. Muitos dos ovos foram comprados por ‘’Armand Hammer’’, presidente da Occidental petroleum e amigo pessoal de Lenin e cujo pai havia fundado o Partido Comunista dos Estados Unidos da América e também por ‘’Emanuel Snowman’’ da ‘’Wartski’, famosos antiquários de Londres.
Depois da coleção do Palacio do Arsenal do Kremlin, o maior acervo dessas jóias foi colecionado por Malcon Forbes e exposto em New York. Num total de nove Ovos e mais cerca de 180 outras peças feitas por Fabergé, a coleção foi colocada em leilão na Sotheby’s em fevereiro de 2004 pelos herdeiros de Forbes. Antes mesmo início do leilão, toda a coleçao foi comprada pelo magnata e oligarca russo da era pós-soviético de nome Victor Vekselberg por uma soma da ordem de 90 a 120 milhões de dólares.
E que tal voce mesmo preparar sua jóia, mas uma comestivel?

Ovo Jóia de Chocolate  crocante de granola e folhas de ouro

INGREDIENTES
Material necessário:
2 formas de ovos de páscoa de 750g no total
Folhas de rosas naturais (para moldar)
50g de pasta americana de cor verde pronta para modelagem
15 unidades de bombons moldados em forma de folhas com o sabor de sua preferência
2 e 2/3 xícara de (chá) ou 800 g de Chocolate Meio Amargo
Folhas de ouro comestível (ou corante em pó ouro)
Ingredientes do crocante de granola:
2 colheres de (sopa) ou 50 g de açúcar cristal
1 colher de (sobremesa) ou 20 ml de água filtrada
1 colher de (café) ou 5 ml de vinagre de álcool
1/3 xícara de (chá) ou 50 g de granola
MODO DE PREPARO
Modo de preparo do crocante de granola: Em uma panela coloque o açúcar, aplique a água aos poucos até hidratar. Leve ao fogo baixo e quando a calda ficar na “cor de guaraná” adicione o vinagre. Deixe cozinhar um pouco mais. Quando a calda ficar na cor de caramelo misture a granola e mexa até formar uma massa de crocante. À parte passe manteiga em uma superfície lisa ou (mármore) e despeje a massa de crocante e espalhe com um “rolo de massa” untado com manteiga. Deixe esfriar, quebre bem por igual ou passe no processador de alimentos, para que fique uma farofa de crocante. Reserve para ser misturado na cobertura das cascas do ovo.
Modo de preparo do ovo de crocante de granola: À parte derreta e tempere o Chocolate Meio Amargo. Com uma concha despeje o chocolate temperado derretido até a metade da cavidade interna de uma das formas já polvilhada. Gire a forma com movimentos circulares, espalhando o chocolate em toda superfície interna. Retire o excesso do chocolate virando a forma para baixo. Leve à geladeira por 2 a 3 minutos  com a forma virada para baixo, sobre um suporte nas laterais para iniciar a cristalização do chocolate. Retire da geladeira. Misture o crocante de granola em uma parte do chocolate derretido e aplique sobre a primeira camada lisa de chocolate pré-cristalizado. Retire o excesso e leve à geladeira por 2 a 3 minutos. Caso seja necessário, aplique mais uma camada de chocolate com o crocante de granola, até atingir a espessura da casca de 5 a 7 mm. Repita todo o processo com a outra forma para que forme as duas partes do ovo. Retorne à geladeira e quando as formas ficarem totalmente opacas desmolde as cascas do ovo das formas. Com um cartucho de papel manteiga aplique vários riscos do chocolate temperado derretido sobre as cascas do ovo. Repita esta operação na outra metade do ovo. Leve à geladeira por 2 a 3 minutos com as duas metades abertas voltadas para baixo sobre uma superfície plana para cristalizar o chocolate. Retire. Com um cartucho de papel manteiga, aplique um pouco de chocolate temperado derretido nas bordas do ovo formando vários escorrimentos, dando um efeito de chocolate derretido. Cole pequenas folhas de ouro comestível ou aplique corante em pó ouro ao redor das bordas das cascas do ovo. Coloque os bombons a sua escolha dentro de uma das metades do ovo. Aplique novamente pequenos pontos do chocolate derretido e temperado sobre toda a borda de uma das metades do ovo, de preferência sobre a borda da casca que já esteja com os bombons.  Cole nessa superfície que já está com os pontos de chocolate derretido, a borda da outra casca para fechar o ovo.  Certifique-se de que as duas cascas estão coladas. Reserve em um local protegido do calor para fazer a embalagem. Para embalar, abra a folha de embalagem selecionada em uma mesa e coloque o ovo no centro.  Com as pontas dos dedos suba cada lado da folha de embalagem sempre ajeitando sobre o ovo.  Com uma fita, feche no topo e amarre um laço.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

A Colomba Pascal: As Pombas de Pavia (Itália)

Estes dias cheguei ao supermercado e me deparei com uma cena engraçadíssima:
Era cedinho, eu ia compra o pão para o café. E uma senhora estava parada diante da gôndola das colombas pascais e  olhava pra outra mulher, que lhe acompanhava, e dizia: “menina, o povo anda louco, já estão vendendo estes bolos de natal”. A outra mulher me vendo passar, riu da situação, puxou a senhorinha e saíram.

Eu tentei conter meu riso pra não passar por mal educado... Mas foi difícil. Rsrsrsrsrs. Eu poderia analisar aquela cena das formas mais variadas e criativas.
Porém preferi não julgar o acontecido e só trabalhar em cima da Colomba. Afinal, é tempo de elas serem vendidas aos montes.
Em italiano, a palavra colomba significa “pomba”. Mas, na Páscoa, esse significado se torna simbolismo. Na época que celebra a ressurreição de Cristo, o pão/bolo em formato de pomba, a colomba pascal, representa o Espírito Santo e a paz.
Seu sabor é suave e seu preparo é delicado. Sua receita contém mais manteiga e ovose pode receber cobertura de glacê, amêndoas ou ainda chocolate aromatizado, apresentando decorações requintadas.
A forma de pomba era utilizada muito freqüentemente nos antigos sacrários onde se reservava a Eucaristia. O símbolo eucarístico se converteu logo no pão doce que costuma ser compartilhado, em alguns países europeus - especialmente na Itália - no café da manhã de Páscoa e da "Pasquetta", a segunda-feira de Páscoa.

Segundo a Bíblia foi uma pomba com um ramo de oliveira no bico, que voltou para Noé após o dilúvio para testemunhar a reconciliação entre Deus e o seu povo. Um sinal forte tão intimamente ligado ao significado que a Páscoa tem dentro da cultura dos países cristãos.
Nos tempos medievais, quando as invasões bárbaras e, especificamente, as lideradas pelo Rei Alboino vieram para a Itália com seus soldados para conquistar a cidade de Pavia, a conquista foi dura e acabou sendo muito longa.
Rei Alboino - Tela o assassinado do Rei dos Lombardos
A conquista do lugar durou até três décadas, durante as quais os bárbaros foram expulsos da cidade. Depois de três anos, às portas de Pavia o Rei Alboino conseguiu romper os portões daquela cidade na véspera da Páscoa, em 572.
Na noite anterior ao rompimentos dos portões de Paiva, um velho padeiro chamado Luiggi sonhou  que Alboino invadiu sua cidade gerando muito sangue pelas ruas . Ao amanhecer  Luiggi fez a seguinte oração :


- Divino Espírito Santo, me dê uma luz, para que esta desgraça não aconteça!
De repente uma pomba pousou na sua janela e disse:
- Faça um doce em forma de pomba e ofereça ao rei.
Luggi obedeceu a esta visão. Desta maneira, no domingo de Páscoa, o padeiro preparou o quitute e foi oferecer ao rei.
O Rei estava tomado por um forte desejo de vingança, estava decido por queimar a cidade inteira e exterminar os cidadãos. Mas primeiro ele decidiu aceitar os presentes que as pessoas lhe davam para poupar suas vidas. E isto lhe seria o seu “cavalo de Tróia”.
Os presentes consistiam em doze meninas de rara beleza que, tradicionalmente, teriam de entreter as noites do soberano.
Diz a lenda que, enquanto o rei refletia sobre o destino dos habitantes apareceu diante dele um humilde artesão que lhe entregou mais um presente: um pão/bolo na forma de uma pomba, como um tributo e um gesto de paz. O doce ficou tão gostoso e tão bom que acabou empurrando o rei a mudar sua opinião sobre o destino dos habitantes de Pavia.
O padeiro  vendo que o Rei gostou do  bolo, pediu que ele prometesse poupar os habitantes daquela em honra –as pombas – símbolo  do  espírito santo. O rei  se deliciando, levou aquilo na brincadeira e prometeu o que o padeiro queria.


Cidade de Pavia - Itália
No entanto, visto que, quando o monarca pediu então pra que trouxessem ate sua presença os outros presentes, as 12 moças. Diante do monarca ele as inquiriu sobre o seus nomes e cada uma das meninas que lhe tinham trazido de Pavia lhe disseram que se chamavam  “Colomba”.
“Diz-se que o rei Alboino apesar de ter sido ‘enganado” optou por salvar os cidadãos e não matá-los depois deste episodio.

Outra lenda não menos famosa para o formado doce trata do ocorrido na Batalha de Legnano, em 1176, que foi vencida pela Liga do Comuns da Lombardia contra Frederico Barba-Roxa, imperador da Alemanha. Diz a lenda que a conquista da batalha foi celebrada com estes bolos na forma de pombas. E que a idéia deste formato se deu pelo fato de que algumas aves desta espécie atingiram com coco a cabeça de alguns dos vencedores enquanto eles descansavam antes da batalha, e a interpretação disso foi que eles seriam vitoriosos. Reza a lenda que a pessoa que comer a Colomba Pascal,  no domingo de Páscoa ,  terá paz o ano inteiro.
E pra que não falte Colomba no domingo de páscoa, deixo duas receitas de sobremesa e uma, de colomba salgada, feita com bacalhau, que é uma loucuraaaaaaaaaaaaa.

COLOMBA PASCAL

Massa
500g de farinha de trigo
100g de manteiga
100g de açúcar
5 gemas
40g de mel
1 colher de café de sal
40g de leite em pó
20g de fermento biológico
½ copo de água gelada
Essência de panetone ou de laranja
Recheio
130g de uvas-passas
180g de frutas cristalizadas
Cobertura
5 claras de ovos
250g de farinha de castanha de caju
200g de açúcar de confeiteiro
Coloque o fermento em um pequeno recipiente e esfarele com as mãos. Adicione ao fermente duas colheres de farinha, quatro colheres de água e misture. Reserve essa pequena massa por 20 minutos, até que ela cresça. É essa massa que vai fazer com que a colomba fique macia e cresça. Na foto, confira a massa antes e depois de crescer. Em uma superfície de pedra ou bacia, junte a farinha de trigo, a massa de fermento (chamada de esponjinha, pelo aspecto de esponja), margarina, açúcar, sal, ovos, leite em pó e mel. Pessoas que já têm habilidade com o preparo de pães podem optar por fazer a colomba com as mãos. Ainda assim, a recomendação é usar uma batedeira, de preferência planetária. Bata a massa e vá acrescentando, enquanto bate, lentamente, a água. Cuidado para não colocar muita água e perder o ponto da massa. Neste momento, também devem ser acrescentadas duas colheres de sopa de essência de panetone ou de laranja. Quem está preparando a massa com as mãos, pode fazer a mistura dentro de uma bacia. Não se esqueça de sovar a massa por cerca de 20 minutos. A massa deve ser batida, com o acréscimo de pequenas quantidades de água, até chegar ao ponto de véu, ou seja, até que possa ser esticada, sem se romper, mas com aspecto de transparência. Ao chegar ao ponto da massa, acrescente as uvas-passas e as frutas cristalizadas e apenas mexa a mistura. Use óleo para desgrudar a massa da batedeira e coloque-a sobre uma superfície de pedra. Em uma superfície de pedra, boleie a massa e divida-a em partes, de acordo com o tamanho de colombas que pretende fazer. Separe formas de papel para colocar a massa. A massa designada para cada colomba deve ser cortada ao meio, e uma das metades deve ser dividida mais uma vez. Das três partes, uma maior e duas menores, sairá o formato de pomba. Já na forma, deixa a massa descansar de 30 a 50 minutos, para crescer. Lembre-se que no calor a massa cresce mais rápido. Enquanto a massa cresce, prepare a cobertura. Coloque em um recipiente a farinha de caju e metade do açúcar de confeiteiro. Em seguida, acrescente as claras, e misture. Coloque a cobertura sobre as colombas. Antes de levá-las ao forno, jogue castanha de caju ou nozes, e peneire a outra metade do açúcar de confeiteiro sobre a colomba. Leva a massa ao forno pré-aquecido, aos 180ºC, por 30 minutos.

COLOMBA TRUFADA

300 g de Cobertura de Chocolate Meio Amargo  picada
1 lata de creme de leite (300 g)
1 xícara (chá) de nozes picadas (150 g)
1 colomba pascal (com cerca de 750 g)
50 g de Cobertura de Chocolate Branco picada

Derreta a cobertura de chocolate meio amargo com o creme de leite no microondas em potência média por 2 minutos, mexendo na metade do tempo. Misture ½ xícara (chá) de nozes e reserve.  Retire a fôrma de papel da colomba e corte esta em três camadas. Coloque a base da colomba (primeira camada) na travessa em que será servida e cubra com 1/3 da ganache. Repita esse processo mais uma vez e finalize com a última camada de colomba. Espalhe a ganache restante nas laterais da colomba, formando uma fina camada e coloque por cima as nozes restantes. Leve à geladeira por 30 minutos a fim de que o recheio fique levemente firme. Derreta e tempere a cobertura de chocolate branco. Coloque em um cone de papel manteiga e faça riscos sobre a superfície da colomba. Deixe em geladeira até o momento de servir.

COLOMBA DE BACALHAU

1 copo iogurte natural
2 colheres (sopa) azeite
1 xícara (chá) vinho tinto seco
1 xícara (chá) água
1 colher (sopa) açúcar
1 colher (café) sal
2 envelopes fermento biológico seco instantâneo (22g)
½ kg farinha de trigo
FAROFA
2 colheres (sopa) farinha de trigo
2 colheres (sopa) farinha de rosca
2 colheres (sopa) parmesão ralado
50g manteiga gelada em cubinhos
RECHEIO
3 colheres (sopa) azeite
½ kg bacalhau em lascas demolhado
1 xícara (chá) azeitonas pretas sem caroço
1 xícara (chá) tomate seco picado
Comece pelo recheio: aqueça o azeite e doure o bacalhau. Desligue a panela, acrescente o restante dos ingredientes do recheio, misture e deixe na panela até esfriar. Para a massa coloque em uma vasilha o iogurte, o azeite, o vinho, a água, o açúcar, o sal, o fermento e misture. Acrescente, aos poucos, a farinha com um garfo até que não consiga mais. Então utilize as mãos e sove a massa até que acabe a farinha e esteja uma massa homogênea e lisa. Deixe descansar por 20 minutos coberta com um pano. Enquanto isso faça a farofa: coloque todos os em uma vasilha, misture bem com as mãos e reserve. Abra a massa com as mãos, coloque o recheio por cima, feche a massa e misture muito bem, de tal modo que o recheio se espalhe por toda a massa. Divida em duas, coloque cada uma nas formas descartáveis de colomba e polvilhe a farofa sobre elas. Deixe fermentar por mais 30 minutos e leve ao forno quente (200º) por aproximadamente 50 minutos ou até que esteja bem dourada. Tire do forno, fatie e sirva quente ou fria.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Os Pães de Coco Cearense e a Chag HaMatzot (Festa dos Pães Ázimos)

Aqui no  Ceará a Semana Santa tem uma peculiaridade: o Pão de Coco
Misturando religiosidade com um sabor típico do Nordeste, o pão de coco é quase que comparável, em vendas, aos ovos de chocolates. Dizem alguns, que ele tem o significado da repartição, da divisão que os cristãos devem cultivar dentro de cada um e relembrar a Santa Ceia do Cristo.

Mas será realmente este o significado? Talvez haja mais coisa nesta significância de pães na páscoa. E é sobre isso que hoje esta confraria irá tratar.
Na tentativa de achar alguma fundamentação teórica local para a presença do pão de coco nas mesas cearenses, no período da semana santa, percorri muita bibliografia e não achei nada concreto nem decisivo que me permitisse citar uma possível data que serviria de marco para o início desta tradição cearense.
O fato é que ela existe. Mas não se sabe quem, nem quando ou como, ela surgiu nestas terras alencarinas.
Contudo, é bem provável que a religiosidade do povo cearense deva ter buscado em antigos textos  bíblicos a inspiração para a tradição de comer e doar o pão de coco no período pascal.
Sabe-se que antes do Cristo já existia uma data comemorativa antiga que se chamava Chag HaMatzot (Festa dos Ázimos, ou dos  Pães Sem Fermento), e que ela vinha anexada á páscoa daquela época, como veremos a seguir.


A Páscoa é uma festa antiga, surgida no século 12 a.C Sendo originalmente uma celebração judaica onde se comemora, até hoje, a fuga da escravidão do Egito liderada por Moisés. Tornou-se uma celebração também cristã (com sentido diferente: o da ressurreição do Cristo) por conta de um pequeno detalhe: Jesus era judeu e como tal respeitava suas tradições (nem todas, é verdade).
E foi justamente na páscoa, quando Jesus estava à mesa com os apóstolos, repartindo o pão ázimo (sem fermento) que de acordo com a simbologia judaica, Ele introduziu um sentido único para os cristãos: ao repartir o pão e beber o vinho, Ele pediu que lembrassem d’Ele, especialmente dos seus ensinamentos.
"Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo. Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim, de modo algum terá fome, e quem crê em mim jamais terá sede." (João 6:32-35)
Foi aí também que Jesus disse para Judas:

"Cara, é hora de você mostrar serviço; Tá no tempo de você  fazer aquilo lá que  você já sabe o que é. Mas liga não, que só vão descobrir isso daqui a 1.940 anos”.

Tendo dito essas coisas, disse Jesus aos seus discípulos: -- Como vocês sabem, estamos a dois dias da Páscoa, e o Filho do homem será entregue para ser crucificado.
No primeiro dia da festa dos pães sem fermento, os discípulos dirigiram-se a Jesus e lhe perguntaram: "Onde queres que preparemos a refeição da Páscoa?"(Mateus 26.1-2, 17)
A pergunta dos discípulos ("Onde queres que preparemos a refeição da Páscoa?" – verso 17) mostra como eram comemoradas as festas judaicas anuais Chag HaMatzot (Festa dos Ázimos, ou dos  Pães Sem Fermento) e da Páscoa. Ambas são celebradas integradamente, embora nem sempre tenha sido assim.
Em certo sentido, a Festa dos Pães Ázimos passou a fazer parte da Festa da Páscoa, mesmo porque seus simbolismos são muito próximos. Ela surge como uma celebração para recordar a saída do povo hebreu do Egito em direção a Canaã. E citações sobre este tema são encontrados por toda  a bíblia; Levítico 23.6-8; Números 9.1-2; Números 28.16-25; Deuteronômio 16.1-8; Êxodo 12.31-32, 50-52; Números 9.4-5, 33.3; Hebreus 11.28; Josué 5 .10-11; 2Crônicas 30.1-27; 2Reis 23.21-22; 2Crônicas 35.1-18; Esdras 6.19-22.

Estas leituras (longas e necessárias) nos mostram claramente o lugar que a Páscoa ocupava na vida religiosa dos hebreus. Pelo que lemos no Antigo Testamento, ficamos sabendo que, junto com as Festas dos Tabernáculos (Cabanas) e do Pentecoste, a Páscoa com a Festa dos Pães Ázimos  era uma das três principais datas festivas dos hebreus.
É para ser celebrada no dia 15 do mês Nisan ou Abib (dia da lua cheia), o primeiro do calendário hebraico. Era compulsório para todo judeu que a morasse a 25km da cidade visitasse Jerusalém. Ao tempo de Jesus, entre 100 mil e 250 mil peregrinos, próximos e distantes, agrupados, se achegavam à cidade, onde se hospedavam sobretudo na casa de parentes ou acampavam nas colinas ao redor.
Não surpreende, portanto, que Jesus tenha participado de várias delas. Durante sua infância, sua família o levava à festa. Numa delas, estava com 12 anos (Lucas 2.41). Em outra, estava no início do seu ministério (João 2.13). Deve ter participado de outra (João 6.4), antes da última.
No tempo de Jesus, a festa dos pães ázimos era parte inseparável da Páscoa , e se iniciava com uma refeição a partir do pôr - do- sol da quinta-feira (já considerada sexta-feira no modo hebreu de marcar o dia).  Era uma festa familiar, em que não podiam faltar os seguintes ingredientes:


·         Ervas amargas (Maror) – para lembrar a amargura do deserto;
·         Ovo (Betsah) – que representa o sacrifício e o renascer de Israel
·         Salsa (Karpas)  - representando a fartura da Terra Prometida;
·         Uma mistura de nozes, vinho, canela, maçã ou tâmaras (Charosset) – representava o barro com o qual os israelitas faziam os tijolos no tempo da escravidão no Egito;
·         Água salgada  - não só representando o mar mas também para molhar o Maror ;
·         E um osso de cordeiro (Zeroah) – que representa o cordeiro sacrificado, cujo sangue foi colocado na soleira da porta, para que o anjo da morte não entre naquela casa, quando passar para matar os primogênitos do Egito;
·         Vinho para lembrar as promessas de Deus (Êxodo 6.6-8).

Tudo isso, foi seguido por Jesus e seus discípulos e já era uma prescrição de muitos séculos anteriores a eles.
A Páscoa era uma cerimônia do Templo, mas também das famílias. Possivelmente, os discípulos prepararam a refeição pascal com estes ingredientes. Pode ter havido algumas diferenças entre este cerimonial e o de Jesus. Pois as narrativas daquela noite não detalham a ingestão de cada um deles, que parece pressuposta, mas estão narrados os momentos da partilha e consagração do pão e do vinho, possivelmente pela relação com a Ceia em memória de Jesus Cristo.
Ao participarmos da celebração da Ceia de Jesus, precisamos ter em mente que, se a Páscoa hebraica é a recordação da travessia do povo do medo para a liberdade, do deserto para a terra fértil, a Páscoa cristã (com seus três elementos: paixão, morte e ressurreição) também recorda a nossa travessia da escravidão ao pecado à liberdade na graça, da insegurança no deserto para a segurança no colo de Deus. A Páscoa judaica é o poder de Deus em ação para libertar um povo. A Páscoa cristã é o poder de Deus em ação para libertar todos os que crêem em Jesus como o Messias que veio para salvar.


O Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, tendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Por semelhante modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha. (1 Coríntios 11.23-26)

Diante deste cenário, não seria difícil de entender como a tradição do  pão do coco cearense pode ser fundamentada na religiosidade local, onde a maioria católica faz suas reverencias a ressurreição do Cristo. O que poderia ter feito a tradição continuar viva ao longo dos anos.
 O fato é que uma tradição antiga chegou ao ocidente e nestas terras cearenses se modificou, juntou ingredientes locais que a partir de uma receita antiga  se transformou em um ícone de confraternização.
O pão de coco cearense merece mais estudos e eu mesmo devo estar continuando minhas pesquisas sobre o tema.

Matzáh de Frigideira

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 1 xícara de farinha de trigo
1/2 colher de chá de sal
Água morna

Numa tigela misture a farinha e o sal, adicione a água aos poucos, até obter uma massa elástica que desgrude das mãos. Deixe descansar por 15 minutos
Separe a massa em 4 bolinhas. Espalhe a massa com ajuda de um rolo até a espessura de um papel (polvilhe bastante farinha para a massa ficar sequinha)
Disponha a massa numa frigideira antiaderente, em fogo médio. Deixe dourar de um lado, vire e deixe dourar o outro. Recheie a gosto

Pão Ázimo 

500g de farinha de trigo
Água na temperatura ambiente
1 colher de sopa de açúcar
1 colher de sopa rasa de sal
1 xícara pequena de azeite ou óleo

Misture a farinha com todos os ingredientes. Ponha a água aos poucos e sove até obter uma massa homogênea. Coloque a massa num saco plástico e deixe-a descansar durante 15 minutos.  Retire pequenas porções da massa e estique com um rolo até que ela fique bem fininha, quase transparente. Mantenha a massa restante fechada no saco plástico para não ressecar. Pegue a massa esticada com a almofada que acompanha a forma e, segurando as laterais, estique novamente a massa para que ela fique arredondada. Ainda com a ajuda da almofada, coloque a massa na chapa aquecida. Com um garfo, faça bastante furinhos na massa para que não faça bolha. Use fogo baixo. Vire a massa várias vezes até que ela atinja o ponto desejado. O Pão Ázimo somente gruda na chapa se ela estiver muito quente. Deixe as beiras do pão tão fina quanto o restante da massa para que o pão não encolha e saia com um bom diâmetro. Em pouco tempo você domina e consegue tirar pães de ótima aparência.

Pão de Coco

1 kg de farinha de trigo
1 copo (americano) de óleo
2 ovos
1 xícara de açúcar
1/2 colher (sopa) de sal
3 copos (americanos) de leite morno
50 g de fermento biológico
200 g de coco ralado


Preparo: Dissolva o fermento com o açúcar e deixe descansar por 5 minutos, em seguida acrescente os ovos, e os ingredientes líquidos, junte os ingredientes secos e misture bem até desgrudar das mãos – acrescente mais farinha se necessário. Sove bem a massa para que ela fique lisinha e deixe descansar até dobrar de volume, umas 2-3 horas, amasse novamente, modele o formato do pão como desejar e deixe descansar por mais uma hora.  Assar até ficar dourado. 


domingo, 3 de abril de 2011

A deusa Eostre (Ostara): A causadora da tradição dos ovos de páscoa

Engraçado como as pessoas não conhecem direito as próprias tradições... E é mais engraçado ver como elas são mecanizadas nas datas comemorativas; fazendo coisas que dizem ser "das tradições", mas que nem sabem porque estão fazendo aquilo. E quando questionadas sobre o porquê das coisas que fazem, não conseguem explicar. Por este motivo, hoje resolvi esclarecer um pequeno detalhe, de grande importância, para o período que se aproxima: a Páscoa.
Não irei tratar aqui sobre a real origem da Páscoa. Pois a maioria das pessoas sabem que esta data, para os cristãos católicos ocidentais, trata-se da celebração pela ressurreição de Jesus Cristo. Com uma rica exibição de símbolos, serviços, música e outros rituais, o tempo pascal é considerado um dos mais importantes momentos do ano para a Igreja Católica – o Natal se configura com o primeiro lugar no nível de importância.
Hoje quero falar de como o OVO, um dos símbolos da páscoa, tornou-se ícone e a respeito de sua ligação dele com os coelhos – outro símbolo pascoal. Porém, para chegarmos aos famosos ovos de páscoa, antes, é preciso entender como o coelho entrou  nesta tradição, presenteando pessoas com ovos.


O COELHO

Entre os símbolos da Páscoa, o coelho é um dos mais conhecidos por todos, pois a Páscoa é uma festa que cai na primavera nos países de origem. E desde os tempos mais antigos, lebres e coelhos serviram como símbolos da nova vida abundante na época da primavera devido a seus freqüentes nascimentos múltiplos.
Sendo uma festa celebrada no primeiro domingo que ocorre após a primeira lua cheia (ou após o equinócio vernal), é associada à Lua e ao hábito noturno das lebres. No entanto, há várias explicações para essa associação entre a lebre, o coelho e a lua.
Uma das associações famosas é a de que a lebre é noturna e uma parenta do coelho. A lebre era símbolo das aberturas de ciclos pelos egípcios, estando assim relacionada com a renovação e o renascimento, abrindo um novo ciclo.

Lebre

Assim, a lebre passou a ser representada pelo coelho, que popularmente se tornou um símbolo para a periodicidade, pois a lebre por ser selvagem, não tinha tanto contato no plano humano como tem o coelho.
O Coelhinho da Páscoa, ou seja, a lebre é também associada à deusa pagã “Eostre”. O símbolo da deusa anglo-saxã da Primavera “Eastre”, era uma lebre. E ela foi adorada como símbolo na terra representando a deusa fértil na lua cheia e em comemoração a sua gravidez e o nascimento de sua prole. Eostre era representada por uma lebre e o ovo. Ambos, hoje, são símbolos do renascimento.
As religiões que tinham como base a crença na Grande Deusa reinaram até que as religiões abraâmicas (Islamismo, Cristianismo, Judaísmo) a suplantassem. Com a expansão do Cristianismo, a religião da Grande Mãe, pagã – que no sentido original da palavra refere-se a religião praticada nos campos; foi sendo destruída.
Durante a Idade Média , a Igreja Católica passou a considerar os rituais praticados na Antiga Religião como bruxaria, coisa do demônio, na tentativa de impor a crença num único Deus, poderoso, masculino e que punia e castigava aqueles que não obedeciam seus ritos e ensinamentos. A Igreja utilizou-se de guerra psicológica, torturas e campanhas militares para alcançar seus objetivos. Criou a Inquisição para perseguir e punir todos aqueles que não professassem a fé católica.


Muitas das crenças do paganismo foram incorporadas aos rituais cristãos, fossem por tentativas de manter vivos os antigos cultos pagãos, sem correr o risco de acabar na fogueira ou pela inteligência dos padres e sacerdotes que buscavam manter o rebanho dentro dos templos utilizando padrões e rituais com os quais as populações já estavam acostumadas, e sem contar que muitas igrejas ocupavam áreas que anteriormente eram templos pagãos.
Assim a Igreja, na sua busca de conquistar mais fiéis, uniu símbolos das religiões antigas ás suas crenças e  a lebre da páscoa se tornou o coelhinho que nos traz ovos, até hoje – só que são raros aqueles que conhecem  o significado advindo da religião antiga (que você, caro leitor, irá conhecer nas próximas linhas).

O OVO DE PÁSCOA


O ovo é considerado a mais perfeita embalagem natural. Em diversas culturas também simboliza o começo do universo.  O significado da palavra ovo está relacionado à origem; princípio e pode ser feita uma associação com a própria Páscoa, o ovo representa nascimento e vida.
Presentear pessoas com ovos é um costume de épocas remotas. Na Roma antiga, nas festas de primavera, as mulheres casadas vestiam-se de branco e carregavam o ovo que era dedicado aos seres protetores da agricultura.
Os hebreus na Páscoa comiam ovos cozidos. Os celtas ofereciam ovos pintados de vermelho, simbolizando o sangue derramado por Cristo. Chineses, há tempos atrás, distribuíam ovos coloridos entre amigos durante a primavera representando revigorar a vida.


Os pagãos (especialmente ucranianos) tinham o costume da “arte de decorar ovos”, chamado de “pisanka” (da imagem), que depois seria atribuído pelos cristãos de outra forma. Têm-se notícias que em alguns países os noivos davam um ao outro um ovo pintado simbolizando a perpetuação do amor. É no século XVIII que os cristãos acatam a ideia de pintar ovos nas cores da primavera. A própria Igreja Católica “doava” aos fiéis ovos bentos.
Estas culturas tinham o ovo como emblema do universo, a palavra da suprema divindade, o princípio da vida. Mas vários costumes associados à Páscoa não existiam até o século XV.
Acredita-se que os missionários e os cruzados trouxeram para a Europa Ocidental o costume de presentear com ovos. Na época medieval, eram pintados de vermelho para representar o sangue de Cristo. Os cristãos adotaram esta tradição e o ovo passou a ser o símbolo da tumba da qual Jesus ressuscitou.
Ovos de chocolate começaram a aparecer no século XVII. Ovos de plástico recheados de ovos de chocolate ou bombons surgiram na década de 60.


Mas como explicar um coelho trazendo ovos na páscoa, quando ele é um ser mamífero e por tanto, não ovíparo? A explicação desta questão é o principal foco desta postagem. E a resposta para esta indagação segue a seguir.


A maioria das tradições do feriado religioso da Páscoa está contida nos rituais pagãos, o que gerou grande variedade de lendas, ícones, símbolos e costumes, que passaram a fazer parte da celebração.
Séculos antes do nascimento de Cristo as tribos pagãs da Europa adoravam a bela deusa da primavera - EE-ah-tah, (ou, Eostre - Ostara). Festivais para celebrar o nascimento da primavera eram organizados em honra da entidade no final de março, tempo do equinócio de inverno no hemisfério norte.

Eostre
O nome Eostre, como também a Deusa é chamada, tem origem anglo-saxã provinda do advérbio ostar que expressa algo como “Sol nascente” ou “Sol que se eleva”, Muitos lugares na Alemanha foram consagrados a ela, como Austerkopp (um rio em Waldeck), Osterstube (uma caverna) e Astenburg.
Eostre estava relacionada à aurora e posteriormente associada à luz crescente da Primavera, momento em que trazia alegria e bênçãos a Terra. Por ser uma Deusa um tanto obscura, muito do que se sabia sobre ela foi se perdido através dos tempos, e descrições, mitos e informaçõe sobre ela são escassos.
Seu nome e funções têm relação com a Deusa grega Eos, Deusa do Amanhecer na mitologia grega. Alguns historiadores dizem que ela é meramente uma das várias formas de Frigg *deusa indo-européia – esposa de Odin), ou que seu nome seria um epíteto para representar Frigg em seu aspecto jovem e primaveril. Outros pesquisadores a associam à Astarte (Deusa Fenícia) e Ishtar (deusa Babilônica), devido às similaridades em seus respectivos festivais da Primavera.

Celebração de Ostara
A lenda abaixo explica como os “coelhos da páscoa puseram ovos”:

Diz a lenda que Eostre tinha uma especial afeição por crianças. Onde quer que ela fosse, elas a seguiam e a Deusa adorava cantar e entretê-las com sua magia. 
Um dia, Eostre estava sentada em um jardim com suas tão amadas crianças, quando um amável pássaro voou sobre elas e pousou na mão da Deusa. Ao dizer algumas palavras mágicas, o pássaro se transformou no animal favorito de Eostre, uma lebre. Isto maravilhou as crianças.

Com o passar dos meses, elas repararam que a lebre não estava feliz com a transformação, porque não mais podia cantar nem voar. As crianças pediram a Eostre que revertesse o encantamento. Ela tentou de todas as formas, mas não conseguiu desfazer o encanto. A magia já estava feita e nada poderia revertê-la.
Eostre decidiu esperar até que o inverno passasse, pois nesta época seu poder diminuía. Quem sabe quando a Primavera retornasse e ela fosse de novo restituída de seus poderes plenamente pudesse ao menos dar alguns momentos de alegria à lebre, transformando-a novamente em pássaro, nem que fosse por alguns momentos. A lebre assim permaneceu até que então a Primavera chegou.
 Nessa época os poderes de Eostre estavam em seu apogeu e ela pôde transformar a lebre em um pássaro novamente, durante algum tempo.


Agradecido, o pássaro botou ovos em homenagem a Eostre. Em celebração à sua liberdade e às crianças, que tinham pedido a Eostre que lhe concedesse sua forma original, o pássaro, transformado em lebre novamente, pintou os ovos e os distribuiu pelo mundo. Para lembrar às pessoas de seu ato tolo de interferir no livre-arbítrio de alguém, Eostre entalhou a figura de uma lebre na lua que pode ser vista até hoje por nós.
Eostre assumiu vários nomes diferentes como Eostra, Eostrae, Eastre, Estre e Austra. É considerada a Deusa da Fertilidade plena e da luz crescente da Primavera. Seus símbolos são a lebre ou o coelho e os ovos, todos representando a fertilidade e o início de uma nova vida. A lebre é muito conhecida por seu poder gerador e o ovo sempre esteve associado ao começo da vida.
Não são poucos os mitos que nos falam do ovo primordial, que teria sido chocado pela luz do Sol, dando assim vida a tudo o que existe. Eostre também é uma Deusa da Pureza, da Juventude e da Beleza. Era comum na época da Primavera recolher o orvalho para banhar-se ritualisticamente. Acreditava-se que orvalho colhido nessa época estava impregnado com as energias de purificação e juventude de Eostre, e por isso tinha a virtude de purificar e rejuvenescer.
Filólogos acreditam que a palavra Eostre evoluiu em inglês para Easter e em alemão para Ostern, que significam Páscoa. Outros associam a palavra Easter com o nascer do sol no Este.
A Páscoa já era celebrada pelos judeus antes mesmo do nascimento de Jesus, com outro sentido: o de liberdade, após anos de escravidão no Egito.
Para nossa civilização cristã, "Páscoa" tem origem hebraica (Pessach) e significa passagem, pois celebra o renascimento de Jesus Cristo e sua ascensão ao céu, dois dias depois da morte na cruz (sexta-feira santa).


Espero ter esclarecido bem o assunto. Espero que tenham gostado. E para agradecer a Deus pela dádiva da vida, com esta celebração da Páscoa que se aproxima; e lembrar da deusa Eostre através da  sua tradição que continua viva , deixo para vocês uma receita, antiga, que adoro fazer pra sobremesa do almoço de páscoa: os ninhos de páscoa.


Ninhos de Páscoa do Barão de Gourmandise

Ingredientes
Ninhos
260g de manteiga amolecida
100g de açúcar mascavo
2 ovos, separados
1 e meia colher de chá de baunilha
275g de farinha de trigo
175g de nozes picadas
Decoração
Chocolate derretido, branco ou ao leite
Mini ovos de chocolate ou  amendoins confeitados

Pré-aquecer o forno a 180 C. em seguida bater a manteiga o açúcar ate formar um creme. Junte as gemas em seguida misture a baunilha, acrescente a farinha misturando  bem. Bata as claras em neve e espalhe em um prato raso. Fazer a mesma coisa com as nozes picadas. Em seguida fazer bolas de massa coma  a ajuda de uma colher, depois passar as bolas nas claras e em seguida nas nozes. Coloque na assadeira distante 5cm de diferença uma da outra, fazer uma depressão com o polegar em cada bolinha  e assar por 12 a 15 minutos; depois de frios, derreter o chocolate e colocar um pouco em  cada cavidade dos biscoitos para grudar dois ou três ovinho em cada depressão. Deixe esfriar o suficiente para que o chocolate endureça e segure os ovos nos ninhos.