sexta-feira, 20 de maio de 2011

Amanhã é o Fim do Mundo X O Último Baile Imperial

Hoje estou presenciando um dia confuso nesta cidade. Desde o início da semana uma rede de TV local divulga que o fim dos tempos terá início amanhã, dia 21 de maio de 2011. Como se não bastasse, pessoas estão por aí afirmando que, de acordo o calendário Maia, o mundo irá acabar em 2012. Agora correm teorias de que o tempo de vida da Terra (e de todos nós) é ainda menor pois amanhã seria a data do apocalipse. Sim, sábado agora. 
Em Nova York, na praça Union Square, um homem saiu erguendo o cartaz que proclama o Apocalipse. Sabe-se que, meses atrás, fiéis de uma igreja evangélica compraram outdoors nos EUA e Canadá para mostrar publicamente o fim do mundo. Mas qual o motivo da data específica de 21 de maio de 2011?
São duas teorias. A primeira se baseia em um trecho da Bíblia na qual Deus fala a Noé: “Após sete dias a partir de agora, eu irei enviar uma chuva de quarenta dias e quarenta noites sob a Terra e irei eliminar todas as formas de vida que eu criei”. O dilúvio. Acontece que, segundo consta no livro sagrado dos cristãos, “um dia para o Senhor é como sete mil anos, e sete mil anos são como um dia”. Como o dilúvio ocorreu 4990 anos ante de Cristo, somados sete mil anos, chegamos em 2011.
A outra teoria busca uma explicação no número 722,500, que é o número de dias entre a crucificação de Jesus Cristo e 21 de maio de 2011. A explicação é que 722,500 é um número místico por ser o resultado da multiplicação de 5x10x17x5x10x17. Isso porque cinco, significa redenção, dez conclusão e 17 paraíso. Bom, de qualquer forma, esse final de semana saberemos se o homem da placa está certo.
E para fazer uma analogia e trazer algo de bacana pra esta confraria vou hoje comentar sobre o último baile do Império brasileiro – que foi realizado  no prédio histórico do Rio de Janeiro que mais admiro – o Castelo Mourisco da Ilha fiscal.
Palácio Mourisco - Ilha Fiscal
 O GLAMOUROSO FIM  
Brasão do Império Brasileiro

A  República estava ao encalço do Império enquanto a corte se divertiu à vontade no Baile da Ilha Fiscal, o último baile na Capital do Império Rio de Janeiro, que parou para ver o desfile de elegância.
Jamais o Rio de Janeiro havia servido de cenário para tanto fausto e cintilância. No dia 9 de novembro de 1889, um sábado, os salões do Palácio da Ilha Fiscal serviram como palco para o baile mais extraordinário entre todos os promovidos pelo Império Brasileiro. Foi também o último, o apagar das luzes da monarquia no Brasil, realizado apenas seis dias antes que as forças republicanas instaurassem no país a nova ordem. E observando a história podemos imaginar como foi a realização da maior festa realizada pelo Império Brasileiro, a pedido do Visconde de Ouro Preto.

Visconde de Ouro Preto


O Rio de Janeiro fervilhava. Os estoques das lojas de tecidos se esgotaram em poucos dias. Costureiras e alfaiates não davam conta de tantas encomendas. Já no início da tarde daquele sábado, o Rio de Janeiro passou a viver um clima diferente. Acabou mais cedo do que de costume o movimento no centro, à exceção do que se verificava nas lojas de roupas finas. Nelas, fervilhavam as senhoras e senhoritas em busca de suas requintadas toaletes de seda, rendas de Bruxelas, chamalote ou veludo. Nos alfaiates, o movimento não era menor. Os cavalheiros acorriam em busca de suas casacas feitas especialmente para a ocasião. Os mais ousados faziam os últimos ajustes em seus vestons - essa extravagante indumentária recém-surgida no mundo da moda, composta de vestes compridas e pretas com gola, inteiras de seda. Os festeiros se apressavam também para conseguir dar os últimos retoques no trato pessoal. As filas nos barbeiros eram enormes, e muitos cavalheiros que desejavam apenas fazer a barba tinham que esperar pacientemente até que se fizessem nas melenas dos jovens, a ferro quente, as pastinhas, hoje tão populares entre eles.

O OBJETIVO DO  BAILE
Oficialmente seria homenagear o comandante Banen do navio chileno Almirante Cochrane em retribuição a igual colhida em tempos anteriores.
Cruzador chileno Almirante Cochrane
Na realidade as finalidades seriam:
- Confirmação das Bodas de Prata da Princesa Isabel e do Conde D´Eu que já tinha ocorrido em 15/10/1889,
- Fortalecimento da Monarquia, ameaçada por tantos que defendiam ideais republicanos.
Mas o real objetivo do evento, que funcionou às avessas, era tentar revigorar a imagem do Império na opinião pública e sensibilizar a nobreza empobrecida pela abolição da escravatura para a preservação da Monarquia.
Então organizou aquela que seria, segundo o Visconde de Ouro Preto, "a maior e mais importante" festa entre todas já promovidas pelo Império.

O LOCAL
Era necessário escolher o local do baile, se a festa acontecesse no Paço de São Cristóvão, os militares do Exército, cujo quartel da Artilharia ficava ali ao lado, teriam a faca e o queijo nas mãos para proclamar a República. Bastava cercar o Imperador e seu ministério. O mesmo aconteceria se o baile fosse realizado em Petrópolis.
Os revoltosos precisariam apenas explodir as pontes ferroviárias para deixar o governo imperial isolado.
A solução seria uma ilha. Monarquista, a Marinha de Guerra brasileira, a terceira do mundo na época, daria a cobertura. E ainda poderia contar com a ajuda da Marinha chilena, que enviara o encouraçado Almirante Cochrane para exercícios na Baía de Guanabara. Só faltava escolher a ilha. Não foi muito difícil.
Ilha Fiscal em 1889
 A Ilha Fiscal estava logo ali, com seu belo palácio recém-construído, com seu estilo mourisco aos moldes de outros majestosos que existem na região do Alverne, na França. Foi escolhido o posto de vigilância aduaneira, inaugurada depois de 7,5 anos de obras em abril de 1889, à entrada da Baía de Guanabara, 200 metros do centro do Rio de Janeiro - que ficava numa ilha, pelo povo conhecida como "Ilha dos Ratos".
Aquele sábado, 09 de novembro de 1889 (em 2011, 122 anos), marcaria para sempre nossa história. Na parte superior do castelo, após subir uma escada em caracol com 38 degraus e revestida em cantaria podemos vislumbrar a sala onde foi realizada a troca de bandeiras entre Chile e Brasil.

RECURSOS FINANCEIROS
A festa custou em torno de 250 contos de réis, quase 10% do orçamento previsto para a província do Rio de Janeiro naquele ano. Dizem as “más línguas” que este dinheiro estava destinado ao auxílio de vítimas da seca no Ceará. ("Cem contos de réis estavam guardados nos cofres do Ministério da Viação e Obras Públicas jamais chegariam ao Ceará. Os flagelados da seca que assolava o sertão tiveram que esperar"). E quanto valeria esta quantia nos dias de hoje?
Adotando duas metodologias diferentes obtivemos um valor estimado entre 650 mil e 1,2 milhões de Reais. (Método 1 : Projeções da inflação entre 1902 e 2008./Método 2: Conversão da moeda vigente para ouro). A Conta: - o dinheiro reservado para a Seca, pagou as primeiras contas, 50 contos, foi parar na conta bancária da Confeitaria Paschoal, a preferida da Casa Imperial; 24 contos de réis serviram para pagar o pessoal que trabalhou naquela noite: três chefs, 150 garçons e um exército de cozinheiros, ajudantes e serviçais da limpeza; os 26 contos de réis foram empregados na decoração, incluindo dois gigantescos candelabros de prata e 24 pavões empalhados, que adornavam os cantos das mesas.

MUDANÇA NA DATA DO BAILE
D. Luis I

Tudo estava preparado para a festa, inicialmente programada para 19 de outubro de 1889, quando chegou a notícia da grave doença do rei de Portugal – Dom Luis I, sobrinho do Imperador, que faleceu no dia seguinte.
Em respeito ao luto, a comemoração – que reuniria a Família Imperial, membros do governo, o corpo diplomático, altas patentes militares e a nata da sociedade da corte, foi transferida para 9 de novembro de 1889.

CONVITES E CONVIDADOS
O imperador Dom Pedro II, pela primeira e última vez na vida, decidiu convidar 3 mil pessoas para um baile – alguns registros republicanos falam em 5 mil pessoas incluindo a Família Imperial e os 300 tripulantes do cruzador chileno Almirante Cochrane, os números não são absolutos. A alta sociedade prestigiou maciçamente esta festa.
Na semana do baile, desabou um temporal no Rio de Janeiro. Enquanto dois mil convites eram distribuídos aos representantes das nações vizinhas, integrantes do governo e nobres da Corte.

DECORAÇÂO
Ao chegar à ilha, os convidados desembarcavam em meio a um bosque. Nas paredes do torreão, um quadro simbolizando a recepção ao navio Almirante Cochrane mostrava ninfas e golfinhos saindo da baía para oferecer ramos de flores aos marinheiros chilenos.
O prédio, em estilo mourisco, teve seus salões decorados com palmeiras, vasos franceses, flores da terra, balões venezianos, lanternas chinesas, milhares de velas, bandeiras brasileiras e chilenas.
Dos seis salões, dois decorados com motivos florais as paredes se escondiam sob cachos de flores naturais e palmas, dois maiores decorados com motivos navais entre tapetes vermelhos, âncoras douradas e prateadas, foram colocados retratos recém-pintados do almirante Cochrane e do almirante Greenfell e os outros dois com espelhos. Existiam mais duas salas. Um salão de jogos e um salão toucador para as senhoras.
Foram armadas duas mesas em forma de ferradura, para 250 talheres cada uma. Nas cabeceiras das mesas, dois enormes pavões empalhados estendiam as caudas multicoloridas, seguiam-se pratos de peixe e de caça colocados alternadamente com  enormes castelos de açúcar, em cujos torreões foram colocados bombons. Sobre elas toalhas de linho branco, talheres de prata, louças importadas e copos de cristal.
À frente de cada prato havia nove copos de formatos diferentes, três brancos e seis coloridos. Tudo servido por um batalhão de garçons devidamente paramentados.

TRAJES E ROUPAS

Rua do Ouvidos 1890

Tudo no Baile da Ilha Fiscal foi luxo e exagero. Mulheres cobertas de jóias, usando vestidos (de seda, renda, chamalote ou veludo) comprados nas casas mais sofisticadas da Rua do Ouvidor, no centro do Rio de Janeiro - Mme. Roche, Palais Royal, Wellimcamp.
 Os cabelos, penteados por cabeleireiros franceses da Casa A Dama Elegante, no mesmo endereço.Senhoras plantaram-se nos salões de beleza 72 horas antes da festa para conseguir quem lhes emperiquitassem. Muitas ficaram três dias sem tomar banho e dormiram três noites sentadas para não estragar o penteado.
Homens com casacas, jaquetas e uniformes de gala que abusavam das brilhantinas inglesas da Fritz Marck and Co. nos cabelos e nos bigodes
Apenas os homens da Corte e os militares tinham acesso aos barbeiros especializados em cortar bigodes à titlé (garoto esperto), chicard (chique), grognards (soldados da Guarda Napoleônica) e rostillon (cocheiro de carruagens de gala).
A TOILETTE DA FAMÍLIA IMPERIAL
O traje da imperatriz Tereza Cristina não chegou a causar impressão especial – trajava um vestido de renda de chantilly preta e guarnecido de vidrilhos.
Já o traje da princesa Isabel , no entanto, causou exclamações de admiração pelo luxo e pela beleza. Ela portava uma roupa de moiré preta listada, tendo na frente um corpete alto bordado a ouro. Nos cabelos, carregava um diadema de brilhantes.
D. Pedro II trajava uniforme de almirante.

D. Pedro II no traje de Almirante

O colunista Desmoulins, do Correio do Povo citou o mau gosto a que se entregaram muitos dos convidados. Criticou ainda os homens que, no salão, mantinham seus chapéus ingleses do Wellicamp e do Palais Royal enfiados na cabeça. (Réplicas, expostas na Ilha Fiscal, dos trajes típicos utilizados naquele baile)
A Família Imperial veio de São Cristóvão. Quando a carruagem atingiu o Campo de Santana, um imprevisto. Havia um grande engarrafamento.
A Família Imperial chegou ao cais pouco antes das 22:00 horas. D. Pedro II, a imperatriz Teresa Cristina e o príncipe D. Pedro Augusto embarcaram primeiro

O POVO PRESTIGIA NO  CAIS PHAROUX
O baile estava marcado para as 20h30, mas desde cedo uma multidão se acotovelava em volta do Cais Pharoux, que dá acesso à ilha, e nas ruas próximas para ver chegarem os convidados.
A impressão que se tinha era que boa parte dos 500 000 habitantes que contava o Rio de Janeiro naquela época estava lá.
Uma das seis bandas contratadas para a festa animava o povo que prestigiava o evento vaiando ou aplaudindo os convidados.
Ao contrário do que se poderia imaginar a galeota, que sempre foi utilizada pela Família Imperial nos seus passeios pela baía da Guanabara, não foi utilizada aquela noite. (Esta embarcação com 24 metros de comprimento para 11 remadores em cada bordo, levando na popa uma cabine forrada de veludo para a Família Imperial, foi construída em Salvador, em 1808, por ocasião da vinda da Família Real portuguesa para o Brasil e trazida para o Rio de Janeiro em 1809).

Cais Pharoux início do séc. XIX

  Na Ilha quando era inaugurada a iluminação elétrica do castelo e a banda executava o Hino Nacional, o Imperador tropeçou numa presilha do tapete e só não levou um tombo porque foi amparado. Reagiu com bom-humor:
- A Monarquia escorregou mas não caiu. 

EMBARQUE E TRANSPORTE DOS CONVIDADOS
O transporte, só começaria às 20:00h. Houve corre-corre, empurra-empurra. Madames perderam a compostura e outras pagaram mico, caindo na água do cais. Foi um prato para o público e os jornais. 
A suntuosidade da festa começava ainda na ponte flutuante montada junto ao cais para o embarque, ornamentada com seis grandes arcos e dois candelabros de gás. Os convidados embarcavam em 03 barcaças a vapor que saíam do cais Pharoux, na atual praça XV de Novembro, centro do Rio de Janeiro (como resultado de escavações realizadas, foram localizadas as escadarias utilizadas pela Corte para chegar aos ferry-boats).

Da ponte, os convivas eram levados até a ilha pela barca Primeira, coberta de tapetes luxuosos e ornamentada com as bandeiras brasileira e chilena. Segundo O Jornal do Commercio do Rio (11 de novembro 1889), a ilha foi "transformada num cenário encantado, onde demoiselles vestidas de fadas e sereias recepcionavam os convivas".

RECEPÇAO E CERIMONIAL NA ILHA
Uma vez no palácio, foram conduzidos a um salão em separado, onde já se achavam reunidos membros do corpo diplomático estrangeiro, oficiais e alguns eleitos da sociedade carioca. A festa e a diabetes deixou de D. Pedro abatido, e ficou a mercê, a recepção aos convidados não foi realizada pela Família Imperial que chegou ao local em torno das 22:00 horas.
O quadro “O último baile da Ilha Fiscal” de Francisco Aurélio de Figueiredo retrata esta recepção. Uma cópia do quadro, feita por Robson G. está exposta na Ilha Fiscal, já o original se encontra no Museu Histórico Nacional – MHN.
Autores comentam que naquele quadro existem mensagens subliminares, sendo as principais a coroação que não ocorreu da princesa Isabel e a movimentação do grupo republicano para tomar o poder.
BANQUETE
À mesa: 1.300 frangos, 500 perus, 300 pernis de presunto, 64 faisões, 18 pavões, 800 kg de camarão, 800 latas de trufas, 1.200 latas de aspargos, 20.000 sanduíches, tudo decorado com legumes, flores ou frutas.
Sobremesa: 14.000 sorvetes e 2.900 bandejas de doces sortidos. O cardápio servido nessa única noite, destacando a exuberância dos pratos, ornados com flores e frutas exóticas, que em tudo combinavam com o estilo mourisco da Ilha Fiscal. Por essas mesas, passou um desfile monumental de iguarias que daria para alimentar um exército. Republicano, naturalmente.

Capa do Menu do Baile
 À meia-noite, os arautos soaram as trombetas anunciando que a mesa estava posta. Foi a correria. Comilança desenfreada.
O comportamento dos convidados deixava a desejar. A Família Imperial viu-se obrigada a deixar a Ilha pouco depois da sobremesa.

CARTAS DE VINHOS E BEBIDAS
Foram cometidos alguns excessos nas bebidas. As notícias dizem que foram consumidas milhares de garrafas de vinhos de diversas procedências, prevalecendo os do Porto e Algarve. Isso significa de duas a três garrafas para cada convidado, sem contar as 300 caixas de champanhe francesa.
A carta de vinhos
 As bebidas oferecidas: 258 caixas de vinho (Château d'Yquem, Château Lafitte, Château Duplessis, Chablis, Liebfraumilch, Madère Rouge, Marsala, Lacrima Christi), 300 de champanhe (Veuve Clicquot, Luis Röederer), 10.000 litros de cerveja e licores a fartar.

A MÚSICA
Seis bandas foram contratadas para o baile, uma foi colocada no convés do cruzador Cochrane que estava ancorado na ilha. Na época, a execução dessas canções ficava por conta das bandas imperiais, em sua maioria militares.
As partituras eram editadas com requinte pela Casa Buschman e Guimarães, responsável pela publicação do Hino Chile-Brasil, composto por Francisco Braga, para saudar a tripulação do Almirante Cochrane. O som de fundo era feito com trechos de óperas de Verdi, Boccherini, Waldteufel, Metra e Auber.

O BAILE
A Família Imperial chegou mais tarde, perto das 22:00 horas.
Quando a Princesa Isabel e o Conde D'Eu chegaram, às 23:00, começaram as danças (dizem que a Princesa era um pé-de-valsa, e muito se divertiram), que foram interrompidas à meia noite para a ceia, a qual foi farta.
O quadro “O último baile da Ilha Fiscal” de Francisco Aurélio de Figueiredo
Abatido, o Imperador permaneceu afastado, quase anônimo, enquanto o presidente do Conselho de Ministros, Affonso Celso de Assis Figueiredo, o Visconde de Ouro Preto, fazia as honras.
O Imperador só se levantou para dançar uma única vez. Foi com a filha do Barão Sampaio Vianna, que completava 15 anos. O ministro chileno, Manoel Villamil Blanco, e o comandante Banem, do navio Almirante Cochrane, levantaram vivas e moções de solidariedade ao governo brasileiro e ao imperador.
A maioria dos convidados, preferiu ficar do lado de fora, já que o palácio era pequeno para tanta gente. Depois da 1:00 hora da manhã recomeçaram as danças, sendo que a Família Imperial logo se retirou, prosseguindo a festa até às 6:00 horas de domingo. A valsa e a polca foram as músicas predominantes no Baile da Ilha Fiscal, segundo o pesquisador Carlos Sandroni.
Os cartões de dança das mulheres, que foram encontrados na Ilha Fiscal após o baile, junto com ligas e espartilhos, revelam que a piéce de resistance foi uma seqüência alternante em três tempos: fantasia, valsa, minuano, valsa, fantasia, valsa. (Os cartões são uma das curiosidades guardadas no Arquivo Nacional. Neles, as damas anotavam os nomes dos cavalheiros com quem haviam se comprometido a dançar).
Dançavam-se em seis salões.
A maior parte das danças ocorreu fora do palácio, pois não cabiam nele mais do que setenta casais dançando.Pelos salões desfilou a fina flor da aristocracia, da oficialidade e da sociedade cariocas.

Escândalo
A imprensa dividiu-se em seus relatos, preocupou-se em divulgar o Baile e não o Golpe de Estado seis dias após, mas foi um grande acontecimento. As peças íntimas que foram encontradas na ilha após a festa, foram motivo de escândalo quando noticiados pelos colunistas das revistas femininas do século XIX, entre essas revistas, a “Eu Sei Tudo” revelava que:
"a Coroa não era tão casta como pressupunham os seus súditos".
O jornal Tribuna Liberal, na sua edição de 10 de novembro de 1889, falou do:
"brilho e o ruge-ruge das sedas, os colos salpicados de brilhantes, safiras, esmeraldas e os diademas rutilantes dos penteados".

- O colunista Desmoulins, do Correio do Povo, por sua vez, citou o mau gosto a que se entregaram muitos dos convidados. Criticou ainda os homens que, no salão, mantinham seus chapéus ingleses do Wellicamp e do Palais Royal enfiados na cabeça.
- O cronista social da Gazeta de Notícias descreveu com detalhes 74 trajes das damas presentes, numa edição que bateu recordes de espaço e de tiragem.
- O jornal publicou também uma descrição detalhada da ceia, anunciada em um menu de 12 páginas, guarnecido com as cores das bandeiras brasileira e do Chile: "Nada menos que 11 pratos quentes, 15 pratos frios,12 tipos de sobremesas, 4 qualidades de champagne, 23 espécies de vinhos e 6 de licores, num total de 304 caixas destas bebidas e mais dez mil litros de cerveja. Os números da maior comilança de que o país tem notícia relacionam para o preparo de todas essas receitas, o consumo de nada menos que 18 pavões, 25 cabeças de porco, 64 faisões, 300 peças de presunto, 500 perus, 800 quilos de camarão, 800 latas de trufas, 1200 latas de aspargos, 1300 galinhas, além de 50 tipos de saladas com maionese, 2900 pratos de doces variados, 12 mil taças de sorvete, 18 mil frutas e 20 mil sanduíches".
- E o cronista dedicou um espaço especial para as bebidas:
"Das 304 caixas de bebidas, 258 eram de vinhos e champagnes.
Ou seja: "Naquela noite, foram consumidas 3.096 garrafas desses maravilhosos fermentados, que compunham uma bateria de 39 rótulos diferentes, com destaque para Porto de 1834 - uma safra preciosíssima - Madeira, Tokay, Château D’Yquem, Château Lafite, Château Leoville, Château Beycheville, Château Pontet-Canet e Margaux".
A presença marcante do italiano Falerno, nas versões branco e tinto, era uma deferência à imperatriz. Os champagnes não podiam ser melhores: “Cristal de Louis Roederer, Veuve Cliquot Ponsardin e Heidsieck”. Dentre os vinhos alemães, destacavam-se o “Liebfraumilch e o famoso Johannisberg do Reno".
- Um republicano infiltrado no baile, que dias depois publicou suas impressões na Revista Ilustrada, comenta que a certa altura os salões tornaram-se pequenos para o número de convidados.
"Para conseguir o espaço necessário às danças, o senhor Hasselmann, guarda-mor da alfândega, teve de suar, não só o topete, mas também o colarinho, de tal modo que este perdeu toda a compostura e tomou o aspecto de uma simples tripa enrolada no pescoço".
- No meio do Baile, o Ministro das Relações Exteriores, o Visconde de Cabo Frio, resolveu fazer diplomacia.
Ao saber que havia perus no cardápio, ficou preocupado com o que poderia pensar a comitiva do governo peruano. Mandou poupar as aves e escondê-las no porão. A notícia vazou. Um grupo de nobres decidiu aprontar e subornou o dono de uma embarção, na tentativa de seqüestrar os animais.
A polícia deteve os fanfarrões.
A imprensa gozou: "A polícia não encontrou os perus no barco, mas descobriu 604 peruas no baile". 
O único negro convidado, o engenheiro André Rebouças, sintetizou em seu diário: - "Foi uma bacanal!".
Republicanos criticaram extravagância
Os Republicanos reclamaram da extravagância, mas estavam lá, aproveitando e tramando, hoje em dia seria considerado "Alta Traição".
Rio de Janeiro - O luxo e a extravagância dos trajes e cabelos das convidadas do baile da Ilha Fiscal receberam, alfinetadas de republicanos que não faltaram ao baile e aplausos de monarquistas. O luxo e as extravagâncias que cercaram o desembarque do couraçado Almirante Cochrane, dando lugar a um período denominado "Festas Chilenas", incentivou a propagação dos ideais republicanos.
Madrugada de 10 de novembro de 1889, os convidados deixam a Ilha Fiscal, terminado o último Baile do Império.
D. Pedro não gostou do que viu. Menos ainda quando teve que pagar a conta, de 250 contos de réis - equivalente a 10% do orçamento anual do Rio de Janeiro.
Enquanto o baile transcorria, o que os convidados não imaginavam, nem o imperador D. Pedro II, é que tramavam em suas costas. À mesma hora em que se acendiam as luzes do palacete para receber os milhares de convidados engalanados, os republicanos reuniam-se no Clube Militar, presididos pelo tenente-coronel Benjamin Constant, para maquinar a queda do Império.
"Mais do que nunca, preciso sejam-me dados plenos poderes para tirar a classe militar de um estado de coisas incompatível com sua honra e sua dignidade", discursou Constant na ocasião, tendo como alvo justamente o Visconde de Ouro Preto.
Longe dali, ao lado da Família Imperial, o visconde desmanchava-se em sorrisos ao comandar seu suntuoso festim.
Seis dias depois, o Marechal Deodoro proclamava a República na Praça da Aclamação (hoje, da República) - perto do cais Pharoux, de onde partiram os convidados para o Baile. Perplexo o povo, nas ruas, comemorou o fim do Império. No meio dele, estavam também os mesmos oficiais do navio chileno (ainda ancorado na Baía de Guanabara) que teriam sido homenageados pela última grande farra do Império.
O Baile da Ilha Fiscal passou à história como um símbolo. É que civilizações em decadência têm como traço comum, os exageros à mesa. Inclusive no Brasil, claro. O ex-presidente Collor, em seu último ano na Casa da Dinda, consumiu, só de camarão, duas toneladas e meia.

A proclamação da República, no entanto, não significou o fim das festividades em torno da tripulação do couraçado Almirante Cochrane.
Os republicanos aproveitaram para brindar com os chilenos o fim do Império, chegando até a afirmar que o fato de o Chile ser uma República foi um estímulo à sua proclamação.
O Baile da Ilha Fiscal, realizado no dia 09 de novembro de 1889, marcou a transição do Império para a República. A população andava insatisfeita com a inflação de 3% ao ano, pasmem! E os impostos absurdos criados pelo Ministro da Fazenda, o sr. Afonso Celso de Assis Figueiredo, o Visconde de Ouro Preto, não o Afonso Vintém, como o chamavam nas esquinas.
O último fora o imposto compulsório sobre as passagens do bonde, daí o apelido. O Exército conspirava na caserna. As repúblicas vizinhas achavam que já era hora do Brasil caminhar com as próprias pernas. A Argentina estava prestes a declarar guerra por questões de fronteiras.
A idéia do Baile veio para mostrar a força do Império, com a presença de todo o governo e da nobreza.

FIM DO  BAILE E DA MONARQUIA
Passados dez dias de sua realização, em plena República, o baile da Ilha Fiscal ainda é comentado na cidade, seja nas rodas chiques da Rua do Ouvidor, seja nos bairros. Pela forma como mobilizou não apenas os convidados, mas também toda a população do Rio de Janeiro e por ter marcado o canto do cisne do Império, pode-se prever que ele ficará inscrito na História da cidade e do país.
A repercussão do baile não seguiu os caminhos imaginados pelos promotores: naquela mesma noite, militares republicanos estavam reunidos com Benjamin Constant Botelho de Magalhães, líder positivista, para decidir a data da proclamação da República.
Desde a abolição da escravatura - assinada pela Princesa Isabel no ano anterior - os interesses dos senhores de escravos, últimos aliados de Dom Pedro II e base de sustentação do governo ficaram muito abalados.
Começavam a chegar os primeiros imigrantes para substituir a mão de obra negra.
Seis dias depois do baile, no mesmo Cais Pharoux de onde partiam os ferry-boats para levar os convidados do Imperador para a Ilha Fiscal, o Marechal Deodoro proclamava a República.
Ainda se recuperando da ressaca, a Corte percebeu que o Imperador tinha sido deposto e era hora de saudar a República com outras festas.
Aliás, alguns dos destaques do novo regime estavam presentes ao Baile da Ilha Fiscal, como Rui Barbosa, Campos Sales e Benjamin Constant.
O Império caia, com muita dignidade e nobreza e sem nenhuma queixa, sete dias após o término do baile que entraria para a história.
É possível que o próprio imperador, em seu exílio, esteja à essa hora se arrependendo de ter atravessado a Baía de Guanabara rumo à Ilha Fiscal naquela noite faustosa e fatídica. Desde que, na juventude, granjeou fama como um autêntico pé-de-valsa, e do tipo galanteador, D. Pedro nunca mais demonstrou prazer em participar de grandes bailes oficiais e sequer tomou a iniciativa de promovê-los.
Numa monarquia, por tradição, é o monarca e sua família que dão o tom da vida social da corte. Se dependesse dele, o tom dos salões cariocas teria sido pálido.
Coube aos grandes anfitriões da cidade, como o barão de Cotegipe e a Mme. Haritoff, movimentarem a sociedade durante o Império, com suas festas inesquecíveis.
A princesa Isabel e o conde D'Eu reagiram a essa frieza social de D. Pedro, organizando reuniões animadas no Paço de Petrópolis e no Paço Isabel.
Nada disso, porém, encontrava eco no Paço de São Cristóvão.
Com o baile da Ilha Fiscal, organizou-se a mais suntuosa das festas para marcar a derrocada de um imperador que detestava festas suntuosas.
Certamente, ele poderia ter partido para o exílio sem carregar na bagagem as marcas dessa idéia luminosa do visconde de Ouro Preto.

O Problema do Poder
- A vingança pela abolição estava concretizada.
Mesmo assim a República foi proclamada e o Sr. Deodoro da Fonseca, agora presidente da República, decreta o salário do presidente para 120 contos de réis o dobro que era dado a toda Família Imperial, e 50% do custo do Baile da Ilha Fiscal que meses antes tinham tanto combatido.
Claro, tudo era desculpa, o que queriam era o Poder, de bem fazer, ter poder como o Imperador, assim acabou o Idealismo.
A República foi proclamada para tirar um imperador que diziam absolutista para colocar militares ou civis de pior envergadura.
A República foi proclamada e todos os direitos individuais foram suspensos, e as imagens da Monarquia apagadas, e depois novamente concedidos, argumentando que seriam conquistas republicanas, tudo fraude.
Tudo se ajeita com o tempo, mas não como proclamaram.
Tiramos uma tradição, estável, digna, para colocar auto proclamados ditadores no lugar,com suas exceções.
Não proclamaram outros sistemas, para trocarem os republicanos que estavam, pois na época não havia outros sistemas políticos no mercado, então deram golpes uns nos outros.

Fatos Pitorescos do Baile
- Só havia um banheiro para atender as necessidades dos convidados. Os cavalheiros se ajeitavam com facilidade, à beira-mar.
 Para socorrer as mulheres, apertadas com a cerveja que era servida à farta, a criadagem teve que retornar ao continente para pegar... baldes. Sim, as damas iam para o cantinho, colocavam o balde embaixo do vestido e se aliviavam.
- Uma lista divulgada, dos despojos encontrados nos salões, na manhã daquele domingo incluía, por exemplo: O baile passou das 6:00 h, quando a criadagem recolhia objetos deixados pelos cantos. Entre eles 17 pufes (almofadinhas que realçavam os contornos das madames), nove dragonas de militares, oito raminhos de corpete (usados para esconder o decote dos seios), dois coletes de senhoras e dezessete ligas, dezesseis chapéus, treze lenços de seda, nove de linho e quinze de cambraia
Após a saída dos convidados, os trabalhos de limpeza revelaram artigos inusitados espalhados pelo chão: além de copos quebrados e garrafas espalhadas, foram recolhidas condecorações perdidas e até peças de roupas íntimas femininas.
“O Paiz “ era o principal periódico republicano do Brasil , chegou a vender, em 1890 , 32 mil exemplares. Apesar de atuar como um órgão oficioso do governo, considerava-se independente. Escreveram em suas páginas, entre outros, Rui Barbosa e Joaquim Nabuco, O fato pode, entretanto, ser fictício, uma vez que foi relatado na coluna humorística Foguetes , do periódico carioca no dia 12 de novembro de 1888.
- Um fato irônico, até hoje não confirmado, ocorreu logo após a chegada da Família Imperial, conta-se que D. Pedro II, ao entrar no salão do baile, desequilibrou-se. Ao recompor-se, exclamou:
- O monarca escorregou, mas a monarquia não caiu!
Um baile sem fiscal, no fim da Monarquia
Nota: - Em 28 de setembro de 1992, o jornal paulista “O Estado de São Paulo” publicou a matéria, relatando o preparo de um livro sobre o evento do Baile da Ilha Fiscal que marcou a queda do Império no Brasil.
Na época da publicação dessa reportagem, o Brasil havia derrubado o presidente Fernando Collor de Mello e investigava os ilícitos cometidos por seu tesoureiro de campanha, Paulo César Farias, que seria depois encontrado morto em sua casa e se preparava para promover em 1993 o plebiscito previsto na Carta Magna de 1988, que determinaria a forma de governo no País, República ou Monarquia Parlamentarista.
Origem da Obra do Castelo Mourisco
A Ilha Fiscal, então Ilha dos Ratos, foi criada pelos aterros das obras da primeira Alfândega e era ocupada com fornos para a queima de cal Dorsetshire, recebido da Inglaterra. Para explicar o nome "Ratos", existem duas versões: a primeira proviria dos roedores ali existentes em grande número, provavelmente oriundos da Ilha das Cobras, de onde fugiram escapando dos ofídios que lá haviam. A outra lembraria as muitas pedras existentes nas suas cercanias, pedras de coloração acinzentada, semelhantes a ratos nadando.

Disputada na época pelos ministérios da Marinha e da Fazenda, o primeiro querendo instalar um posto de socorro marítimo e o segundo um posto aduaneiro, a rapidez do engenheiro Adolpho José Del Vecchio, diretor de obras do ministério da Fazenda, fez pender o lado da balança para este. Rapidamente elaborou projeto de edifício sólido e funcional dedicado à fiscalização alfandegária. Em 06 de novembro de 1881, foi lançada a pedra fundamental da edificação.
Pouco depois, a ilha foi visitada pelo Imperador D. Pedro II. Conta-se que, encantado com a magnífica vista da baía, tê-la-ia considerado "delicado estojo, digno de uma brilhante jóia". Del Vecchio, então, admirador do estilo gótico, projetou um castelo como os do século XIV em Auvergne, França.
O projeto recebeu Medalha de Ouro ao ser apreciado na exposição da Escola Imperial de Belas Artes.
Em 27 de abril de 1889, o edifício foi inaugurado com a presença do Imperador, utilizando-se no transporte a famosa Galeota Imperial (em exposição no ECM).
Da construção, sobressaem o excepcional trabalho em cantaria, executado por Antônio Teixeira Ruiz e auxiliado por excelentes profissionais do ofício, os mosaicos do piso do torreão, obra de Moreira de Carvalho, onde foram utilizadas mais de uma dezena de espécies de madeira, as belas agulhas fundidas por Manuel Joaquim Moreira e Cia., a pintura decorativa das paredes de autoria de Frederico Steckel, o relógio da torre de Krussman e Cia., os aparelhos elétricos de Seon Rode, e a magnífica coleção de vitrais, importados da Inglaterra, dois deles no torreão, com os retratos de D.Pedro II e da Princesa Isabel, ladeados pelos brasões genealógicos do Imperador e da Princesa.
Em 06 de setembro de 1893, irrompia no Rio de Janeiro a chamada Revolta da Armada. Nela, parte substancial da esquadra brasileira, comandada pelo Almirante Custódio de Mello, rebelou-se contra o governo do Marechal Floriano Peixoto.
Naquela época, a Ilha Fiscal ficou em meio ao tremendo duelo de artilharia travado entre as fortalezas leais ao governo e os navios e fortalezas (Ilha das Cobras e Villegaingnon) dos revoltosos.
Múltiplos foram os danos sofridos na edificação. Suas paredes foram atingidas por projéteis, agulhas de ferro derrubadas, telhados, fiação e móveis avariados, além de sérios danos nos vitrais. Obviamente, as despesas de restauração seriam vultosas, razão talvez para o engenheiro do Ministério da Fazenda, Miguel R. Galvão, sugerir a entrega da ilha ao Ministério da Marinha, "em troca de algum edifício que melhor se prestasse ao serviço da Alfândega". A troca só se efetuaria quase 20 anos depois, não por um edifício, mas pelo Vapor Andrada, proposta pelo Almirante Alexandrino Faria de Alencar, Ministro da Marinha, ao seu colega da Fazenda Dr. Rivaldo Correia (1913).

Fontes:
Textos adaptados de VEJA, Sociedade, 20 de novembro de 1889,
Fotos e pesquisa na internet. http://www.odia.ig.com.br/

FAISÃO ASSADO

1 faisão
Sal e pimenta a gosto
300 ml de conhaque
150 ml de vinho tinto
1 ramo de alecrim
100 gr de páprica
2 dentes de alho
30 gr de sálvia
Preparo: Tempere o faisão com sal, pimenta e todos os outros ingredientes. Deixe, nesses temperos, por 6 horas. Coloque o faisão em assadeira, junto com os temperos, e cubra com papel laminado. Leve ao forno moderado. Regue, de vez em quando, com o líquido da assadeira. Retire o papel e deixe corar.  Sirva com maçãs assadas, cerejas e farofa.

sábado, 14 de maio de 2011

The Victória Sponge Cake: um clássico para o chá da tarde

Eu nunca neguei para ninguém meu fascínio por uma boa fatia de bolo – mas por bolo bem feito. Porque existem uns por aí que... só Jesus na causa! Fico até sem adjetivos para falar (para não ofender ninguém). E é justamente este meu fascínio que me faz postar hoje uma receita um bolo clássico e delicioso: o bolo esponja ou como é  mundialmente conhecido Victória Sponge Cake.


Antes, porem, para que eu possa explicar mais sobre esse bolo, se faz necessário voltarmos no tempo, para a época vitoriana da Inglaterra, e apresentarmos a Duquesa de Bedford, uma coadjuvante para a origem deste bolo.

É a Anna Maria Russell, sétima duquesa de Bedford (1783-1857), uma das damas da corte da Rainha Victoria (1819-1901), a quem se credita a invenção do chá das cinco. Quando a refeição do meio-dia tornou-se mais escassa, a história conta que a nobre sentia fome entre o café da manhã e o jantar e, por esse motivo, criou o hábito de tomar chá todas as tardes. Adotando o modelo europeu de serviço de chá, ela convidou as amigas para se juntar a ela para uma refeição à tarde por volta das cinco horas, nas salas de Belvoir Castle. 

Anna - sétima Duquesa de Bedford

O cardápio centrado em torno de pequenos bolos, pães e sanduíches de manteiga, doces variados e, claro, chá. Esta prática mostrou-se tão popular no verão, que a Duquesa continuou a exercê-la quando de seu retorno a Londres, enviando cartões para as amigas pedindo-lhes para se juntar a ela para "o chá e um passeio no campo”.




A prática de convidar amigas para o chá da tarde foi rapidamente adotada por outras anfitriãs nobres. Era uma oportunidade para exibir maravilhosas peças de porcelana e prata. Logo foram criadas regras de etiqueta para o serviço de chá e receitas que fariam parte do cardápio como: torradas com manteiga, geleia ou mel; muffins, bolos e uma grande variedade de biscoitos e pãezinhos.
A Rainha Victória aprovou a nova mania das festas de chá. Até 1855, a rainha e suas damas vestiam-se formalmente para o chá da tarde. E este bolo simples era um dos favoritos da rainha.

Rainha Victoria
Victória era filha de Eduardo, Duque de Kent, quarto filho do Rei Eduardo III e da ex-princesa de Leininge, seu pai morreu logo após seu nascimento. Seu reinado durou 64 anos, tendo nesse tempo elevado a Inglaterra ao posto de maior império do mundo. O seu governo era sinônimo de pontualidade e sofisticação, isso se deve ao fato da soberana ter influenciado o estilo de vida e comportamento dos ingleses.
Logo Victória manifestou interesse em seu primo Albert de Saxe-Coburg. A união com Albert, em 1840, fez com que a rainha se preocupasse com as questões que antes não a importava como, a política. A rainha percebeu que o país não poderia se manter isolado em suas fronteiras, que deveria ampliar seus horizontes. Diversos países europeus passaram a sofrer com a febre expansionista, porém, nenhum deles aumentou seus domínios territoriais como a Inglaterra da rainha Victória. Eles tiveram nove filhos.
Com o intuito de ampliar o mercado consumidor, a rainha fortaleceu as campanhas contra a escravidão mundial e incentivou a abertura dos portos internacionais. Em Novembro de 1861, Albert, o príncipe consorte esposo da rainha ficou a saber de rumores de que seu  filho Eduardo teria dormido com uma atriz na Irlanda. Horrorizado, Albert foi até Cambridge, onde o seu filho estava a estudar, e confrontou-o. No inicio de dezembro Albert estava muito mal. William Jenner diagnosticou-o com febre tifoide e o príncipe morreu no dia 14 de dezembro de 1861. Victória ficou devastada. Culpou o seu filho Eduardo pela morte do marido. Disse que Alberto tinha sido "morto por causa daquele assunto horrível". Entrou em luto e usou roupa preta durante o resto da sua vida. Evitou aparições públicas e raramente foi a Londres nos anos que se seguiram. O seu isolamento fez com que passasse a ser chamada de "viúva de Windsor".
Com a morte de seu marido em 1861, ela passou a se trancar em casa e a recusar-se solenemente a cumprir seus deveres públicos. Nunca mais pronunciou nada sobre política e, nem admitiu que ninguém esquecesse por um só segundo a sua dor, nem que tivesse infelicidade maior que a sua. Retirou-se na residência de Osborn House na Ilha de Wight. Segundo os historiadores, foi aqui que os bolos receberam seu nome.
Osborn House
A fim de inspirar a monarca a voltar para seus deveres cívicos, a rainha Victória era constantemente incentivada à festas de chá, onde este bolo era costumeiramente servido. O bolo se tornou moda em toda a Inglaterra vitoriana, e tornou-se também uma maravilha de um bom padeiro. A rainha Victória morreu em 1901, com 81 anos.

BOLO ESPONJA DA RAINHA VICTORIA – receita tradicional inglesa


1 xícara de farinha de trigo
1 e ½  colheres de chá de fermento em pó
1 xícara de açúcar de confeiteiro
1 xícara de manteiga amolecida
2 ovos
½  xícara de leite
1 colher de chá de essência de baunilha
geléia de sua preferência para rechear
chantily para rechear a gosto

Modo de preparar: Pré-aqueça o forno 200 graus C. Unte uma forma redonda de 20 cm com manteiga e farinha. Peneire a farinha e o fermento em uma tigela média e reserve. Bata a manteiga e o açúcar juntos em uma tigela média. Adicione os ovos, um a um misturando bem após cada adição. Lentamente, mexa a mistura da farinha com a manteiga, açúcar e ovos. Bata o leite e a baunilha até que a massa fique lisa. Despeje a massa na assadeira untada e asse em forno pré-aquecido até que um palito inserido no centro saia limpo, cerca de 20 minutos. Deixar o bolo esfriar por 10 minutos e vire-o sobre uma sobre uma grade para que esfrie completamente. Corte o bolo ao meio, na horizontal, e recheie com geléia de sua preferência ou creme de manteiga, ou cantilly. Normalmente o bolo não tem cobertura e para enfeitar se polvilha açúcar de confeiteiro.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Lady Godiva: Condessa generosa e inspiração deliciosa

Eu fico completamente sem palavras quando posso me deleitar com uma  verdadeira maravilha gastronômica... E imaginem a minha felicidade: acabo de receber uma caixa dos chocolates de luxo GODIVA.

 O melhor dos prazeres. É assim que os chocólatras do mundo todo definem a marca GODIVA, produtora de um dos melhores chocolates do planeta. Quem já saboreou um legítimo chocolate GODIVA sabe que se trata realmente de uma guloseima digna da realeza. Quando você dá a primeira mordida num bombom retirado de uma caixa dourada, está mergulhando numa mística construída detalhe por detalhe no decorrer dos últimos 84 anos.

A história da fábrica de chocolates GODIVA começou em 1926, num pequeno ateliê da família de confeiteiros Draps, em Bruxelas na Bélgica. O nome foi uma idéia da esposa de Joseph Drap para fazer uma associação elegante ou uma homenagem à lendária Lady Godiva. A idéia da família era ligar a marca de chocolates à elegância e requinte da nobre inglesa. Inicialmente os chocolates eram vendidos na própria cidade, onde mantinham uma loja na calçada da Grande Place (Grande Praça). Nos anos seguintes, o sucesso de seu chocolate levou a abertura de outras muitas lojas pelo país. E hoje já possui lojas espalhadas pelo mundo.

A legendária Lady Godiva

Godiva foi esposa do Conde Mercia, Leofric; seu nome deriva do anglo-saxónico Godgifu, que significa “gif of God” – presente de Deus, sendo Godiva a versão latina para este nome.  Diz a lenda que entre os anos 968-1057, na Inglaterra, na região de Coventry, o Conde de Mercia Leofric III, cobrava pesados impostos de seu povo. Sua mulher, Lady Godiva, implorava ao marido que fosse mais humano com seus súditos. Ele não cedia.
Godiva era uma dedicada esposa, mas que, apesar do papel quase oculto das mulheres nesses tempos, não deixava de fazer, ou tentar, ver os problemas dos camponeses e a miséria em que estes viviam assim como outros assuntos similares.
A determinada altura das suas vidas, o casal resolveu criar uma abadia para receber pessoas que tivessem recebido a chamada da religião e que funcionava ainda como um centro cultural. O exterior da abadia foi escolhido pelos aldeões para as suas atividades de diversão, o que não pareceu aborrecer muito o casal, porque o que interessava era que estes estivessem entretidos e contentes. A abadia foi dedicada a Santa Eunice de Saxmundham, uma das primeiras mártires a morrer às mãos dos romanos.

Estátua de Lady Godiva no centro de Coventry.
         Instalado na propriedade de Conventry, Leofric assumiu um papel crescente no governo e organização dos assuntos públicos da pequena vila. Ao mesmo tempo ficou com a responsabilidade dos assuntos financeiros devido ao crescimento desta. E surgiu-lhe a ideia de organizar esses assuntos com a ajuda de dinheiros públicos.
Entretanto, Godiva tinha-se tornado uma experiente amazona e adquirido o gosto por festas, artes e conhecimento.
Nos seus passeios eqüestres foi conhecendo melhor a vida dos camponeses e teve pena da sua existência miserável em prol de meia dúzia de ricos proprietários. E foi desta forma que se apercebeu de que a maior parte da vida destas pessoas era dedicada ao esforço para conseguirem o seu sustento, algo para vestir e formas de se protegerem sob um teto de que material fosse. Antes de perceber a dura realidade, Godiva tentou levar às massas o gosto pela beleza e pela arte, sem muito sucesso, através da abadia que fundara com o marido.
A acrescentar a todos os problemas dos camponeses estavam os impostos que Leofric cobrava na sua megalomania de fazer mais e melhor por Conventry. Os impostos eram colocados sobre tudo o que ele pensasse, chegando ao ponto de existir mesmo um sobre o estrume vendido e usado nos campos.
Godiva decidiu então que os impostos teriam de baixar para melhorar a vida dos camponeses e para lhes poder proporcionar o acesso às artes. Mas a conversa que manteve com o marido acerca do assunto não lhe correu muito bem e este não aceitou a idéia de diminuir essa fonte de rendimentos. E para castigar a mulher, decretou ainda um imposto sobre todas as obras de arte, a maior parte pertença de Godiva, do qual apenas ficaram livres as igrejas.
Para castigá-lo por sua vez, Godiva começou uma guerra de sexo . um dia, como ela tornasse a insistir, Leofric acabou por capitular e conceder algumas alterações e reduções nos impostos ele fez uma contraproposta, evidentemente, para humilhá-la e mostrar uma vez mais seu poder sobre o povo. Lady Godiva teria de mostrar o máximo da arte de Deus, ou seja, o seu corpo nu nas ruas da vila, por onde desfilaria a cavalo em pleno meio-dia. Para sua surpresa de Leofric ela aceitou desde que tivesse a sua permissão para fazê-lo. Estupefato com a sua coragem, Leofric decidiu ainda que se ela levasse esse ato em frente, levantaria todos os impostos sobre Conventry
O marido, aparentemente liberal, era, no entanto, ciumento, e botou uma condição: ninguém poderia vê-la desfilar nua, todas as portas e janelas deveriam estar trancadas. Pode-se imaginar como essa nudez se tornava logo mais erotizada não só pela presença desse cavalo em pêlo onde ela ia peladíssima, "vestida" apenas de sua longa cabeleira, mas a interdição tornava a cena ainda mais erótica. E no dia ansiado, lá estava Lady Godiva sobre o cavalo ondeando suas formas, oferecendo sua nudez real e imaginária, posto que ninguém deveria ou poderia vê-la.
Mas como em toda lenda, há um transgressor; e um certo Peeping Tom resolveu fazer um buraco na janela de sua casa para ver a nudez real passar. Dizem que é daí que veio a expressão "peeping tom" em inglês, significando o voyeurista, o que sente prazer sexual em ver as intimidades alheias.
O fato é que o cidadão curioso foi punido com a cegueira. Ele viu o que não deveria ver.
Nem sempre a autoridade permite que se veja o que ela não quer que seja visto. Se alguém insiste em ver o interditado deve ser cegado, para que a autoridade e o sistema permaneçam. É interessante, no entanto, observar duas coisas. Primeiro que, apesar deste incidente, o rei aboliu os impostos. E, em segundo lugar, um detalhe que não pode passar em branco na seqüência de histórias que estamos analisando: o voyeurista, aquele que quis ver a nudez da Lady Godiva era um alfaiate.
Não deve ter sido por acaso que a lenda se constituiu deste modo incluindo aí um alfaiate, da mesma maneira que não é à toa que aquela lenda de Andersen os dois tecelões (variantes do alfaiate) tecem a roupa inexistente para o rei.
Ao contrário da lenda de Andersen e de seus tecelões charlatães, aqui o alfaiate, que sabia cobrir o corpo alheio com as roupas mais apropriadas, é aquele que ousa ver a anti-roupa, ou melhor, a roupa original, a Lady vestida pelo esplendor de sua nudez. Portanto, aquele que por profissão cobre a nudez do corpo é o mais curioso para ver a Lady Godiva nua, desvestida.
Essa lenda tem sua parte de verdade, pois esses personagens são reais, há a sepultura da Lady na  Trinity Church, e desde 1678 realiza-se um desfile lembrando o episódio. Uma lenda sobrevive na medida em que expressa conteúdos do imaginário coletivo.
Freud interessou-se por essa história ao estudar o "Conceito psicanalítico das perturbações psicogênicas da visão" (1910). Ele estava interessado em analisar a cegueira histérica estudada por Charcot, Janet e Binet. Nos hospitais e clínicas constatara que a histeria provocava a cegueira. Em circunstâncias de estresse e trauma, uma pessoa pode fabricar, psicologicamente, sua própria cegueira.

Gisele - Godiva à brasileira

Mas na lenda de Lady Godiva, Freud destaca o que lhe interessava - a questão da interdição. Estavam todos proibidos de ver a nudez da senhora. E como os interditos sociais e psicológicos são muito mais fortes do que pensamos, a quebra do pacto do não-ver por aquele que quer ver é punida com a cegueira. É como se o expulsassem da comunidade. No viés erótico freudiano o analista diz: "por haver querido fazer o mal uso de teus olhos, utilizando-os para satisfazer tua sexualidade, mereces ter perdido a vista". Ocorre a lei do Talião, paga-se o crime na mesma moeda, perde a vista quem tentou ver. "Na bela lenda da Lady Godiva", diz Freud, "todos os vizinhos ficam reclusos em suas casas e fecham as janelas para fazer menos penosa à dama a sua exibição, nua sobre o cavalo, pelas ruas da cidade. O único homem que espia através das madeiras de sua janela a passagem da beleza nua perde, como castigo, a vista".
A complementaridade de significados entre "A nova roupa do rei" de Andersen e a Lady Godiva é instigante. Se na primeira era o rei que estava nu, aqui é a Lady - variante da rainha, que exibe sua nudez. O rei fingia estar vestido, a condessa  sabia-se nua. E em ambos os casos é alguém de fora da corte que consegue ver o que os demais não podem ou não querem ver. Ver é uma ousadia. Fazer falar o que se viu ou desmistificar a cegueira alheia é ousadia dupla.
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Pão de Condessa

1 copo de mel
300grs de farinha de trigo
50grs de manteiga
3 ovos
1/2 colher (café) de cravo moído
1/2 colher (café) de noz moscada ralada
1 copo de leite
1/2 cálice de rum
2 colheres (sopa) de açúcar
1 colher (sopa) de fermento em pó
1 colher (café) de canela em pó
Modo de preparo  Aqueça o mel até formar bolhas. Junte as claras batidas em neve e bata até esfriar. Prepare a massa misturando a farinha de trigo peneirada com os demais ingredientes. Bata até ficar consistente. Acrescente à massa a mistura do mel e da clara e mexa até ficar homogênea. Leve para assar em forma untada com manteiga e polvilhada com farinha de trigo. Forno brando. Depois de assado, polvilhe com açúcar de confeiteiro.

Condessa - Drink
1 parte de Vodka
1 parte de Água de coco
Gelo

Como Fazer: Adicione os ingredientes num copo, misture os ingredientes com o canudo. Sirva.

Dica  Pode Decorar com casca de limão, mas não coloque muita pra não interferir no sabor.



sábado, 7 de maio de 2011

Alsacianos para comemorar o dia 9 de maio: Dia da Europa.

Logo mais será 9 de maio. Esta é uma data especial para um continente inteiro onde as pessoas celebram união. Trata-se do Dia da Europa. Terra tão querida por este nobre que lhes escreve; terra de muitas e antigas historias...

O dia 9 de Maio tornou-se um símbolo europeu que, juntamente com a bandeira, o hino, a divisa e a moeda única (o euro), identificam a identidade política da União Européia. O Dia da Europa constitui uma oportunidade para desenvolver aditividades e comemorações que aproximam a Europa dos seus cidadãos e os povos da União entre si.
Em 9 de Maio de 1950, Robert Schuman apresentou uma proposta de criação de uma Europa organizada, requisito indispensável para a manutenção de relações pacíficas. Esta proposta, conhecida como "Declaração Schuman", é considerada o começo da criação do que é hoje a União Européia.

Bandeira

Esta é a bandeira da Europa, símbolo não só da União Européia, mas também da unidade e da identidade da Europa em sentido mais amplo. O círculo de estrelas douradas representa a solidariedade e a harmonia entre os povos da Europa.
O número de estrelas não tem nada a ver com o número de Estados-Membros. As estrelas são doze porque tradicionalmente este número constitui um símbolo de perfeição, plenitude e unidade. Assim, a bandeira mantém-se inalterada, independentemente dos alargamentos da UE.
 A história da bandeira começa em 1955. Nessa altura, a União Européia existia apenas sob a forma da Comunidade Européia do Carvão e do Aço, com seis Estados-Membros. No entanto, alguns anos antes tinha sido criado um outro organismo - o Conselho da Europa - que reunia um número superior de membros e cuja função consistia em defender os direitos do Homem e promover a cultura européia.
O Conselho da Europa procurava um símbolo que o representasse. Após alguma discussão, foi adotado o presente emblema - um círculo de doze estrelas douradas sobre fundo azul. Nalgumas culturas, o doze é um número simbólico que representa a plenitude, sendo também, evidentemente, o número dos meses do ano e o número de horas representadas num quadrante de relógio. O círculo constitui, entre outras coisas, um símbolo de unidade.
O Conselho da Europa convidou seguidamente as outras instituições européias a adotarem a mesma bandeira e, em 1983, o Parlamento Europeu seguiu o seu exemplo. Por último, em 1985, os Chefes de Estado e de Governo da UE adotaram esta bandeira como emblema da União Européia - que nessa altura era designada por Comunidades Européias.
Desde o início de 1986, todas as instituições européias adotaram esta bandeira. A bandeira da Europa é o único emblema da Comissão Européia - o órgão executivo da UE. Outras instituições e organismos da UE usam um emblema próprio, para além da bandeira da Europa.

Hino

O hino europeu não é apenas o hino da União Européia, mas de toda a Europa. A música é extraída da 9ª Sinfonia de Ludwig Van Beethoven, composta em 1823.
No último andamento desta sinfonia, Beethoven pôs em música a "Ode à Alegria", que Friedrich von Schiller escreveu em 1785. O poema exprime a visão idealista de Schiller, que era partilhada por Beethoven, em que a humanidade se une pela fraternidade.
Em 1972, o Conselho da Europa (organismo que concebeu também a bandeira européia) adotou o "Hino à Alegria" de Beethoven para hino. Solicitou-se ao célebre maestro Herbert Von Karajan que compusesse três arranjos instrumentais - para piano, para instrumentos de sopro e para orquestra. Sem palavras, na linguagem universal da música, o hino exprime os ideais de liberdade, paz e solidariedade que constituem o estandarte da Europa.
Em 1985, foi adotado pelos chefes de Estado e de Governo da UE como hino oficial da União Européia. Não se pretende que substitua os hinos nacionais dos Estados-Membros, mas sim que celebre os valores por todos partilhados de unidade e diversidade.

Divisa
“Unida na diversidade” é o lema da União Européia.
Este lema significa que na UE os europeus estão unidos, trabalhando em conjunto pela paz e pela prosperidade, e que o fato de existirem diferentes culturas, tradições e línguas na Europa é algo de positivo para o continente. 
Nome

África, Ásia, Europa e Oceania são nomes emprestados de divindades gregas. Um livro que procura dar resposta ao nome do continente europeu:  A Europa. Génese de uma Civilização, de Lucien Febvre e publicado pela Teorema. Vejamos nas próximas linhas algumas das principais ideias desse autor sobre a génese e evolução do conceito de Europa.
A Europa começou inicialmente por ser um termo geográfico, com origem nos antigos gregos. Estes consideravam que o mundo tinha a forma de uma esfera, sendo que as massas de terra deveriam estar dispostas de forma simétrica. Assim conceberam inicialmente duas grandes massas: para oriente da Grécia ficava a Ásia – que significa a terra do sol nascente – enquanto que para o ocidente ficava a Europa – a terra do sol poente. A Líbia (África) – a terra do vento de sudoeste, o chuvoso – foi mais tarde acrescentada, inicialmente unida à Ásia, por se julgar que esta tinha uma extensão inferior à Europa, permitindo assim que as duas grandes massas se equilibrassem. E assim nasceu a Europa.

Na mitologia grega, é irmã de Ásia e uma das filhas dos deuses Oceano e Tétis. Para alguns pesquisadores, o nome Europa deriva da palavra ereb, que pertence às línguas semíticas e significa região onde o Sol se põe.
Mas, é da mitologia grega que se tira a melhor explicação para o nome do continente europeu – pelo menos a mais romântica.  Acredita-se, pela lenda, que Europa, foi uma ninfa muito bela que despertou os amores de Zeus, deus-rei do Olimpo. Arrebatado pela paixão, ele transformou-se em touro branco e raptou-a. E todo o lugar por onde a jovem Europa passou, foi mais tarde compreendido como Europa.
De acordo com a mitologia grega Europa foi  uma  ninfa muito  bonita que despertou o  amor de Zeus – rei dos deuses. No dizer de Homero, na Ilíada, era filha de Fênix, ancestral dos fenícios ou então de Agenor, rei de Tiro, e assim Irma de Cadmo. Diz a lenda que Zeus a vias acompanhadas de outras jovens nas praias da Fenícia, atual Líbano, e não resistindo aos seus encantos decidiu ir ao seu encontro disfarçado como um imponetentouro branco, para então raptá-la para si.
Sobre essa passagem, o mitologista Thomas Bulfinch escreveu em seu livro de ouro da mitologia, que a mortal Aracne – “uma donzela que atingira tal perfeição na arte de tecer e bordar, que as próprias ninfas costumavam deixar suas grutas e suas fontes para admirar seu trabalho, que era belo não somente depois de feito, mas belo também ao ser feito” - , entendeu que poderia desafiar sua mestra, a deusa Athena, para uma competição de bordados, pretendendo demonstrar desta forma que sua habilidade como bordadeira era inigualável. Em um dos trabalhos feitos nessa oportunidade, ela mostrava Europa, iludida por Zeus sob a forma de um touro, sentiu-se encorajada pela mansidão do animal, e por isso aventurou-se em cavalgá-lo. Zeus então entrou no mar e levou-a a nado para a ilha de Creta.
— Ó meu pai! — exclamou ela, desesperada de dor. — Ó meus irmãos e minhas amigas, junto dos quais eu passava dias tão tranqüilos! Onde estou? Para onde vou? Estou sendo vítimas de uma ilusão? Deixar minha pátria e meus penates! Ousar a travessia da longa extensão dos mares! Ah! Se me livrassem deste monstro execrável! No furor que de mim se apodera, eu encontraria forças para despedaçá-lo, para partir os chifres deste touro que ainda há pouco eu tanto admirava! Infeliz! Por que tardas tanto a deixar a vida? Com o cinto que te ficou nas mãos, podes bem, pendurada a um carvalho, terminar tua sorte: a menos que não prefiras, escrava envilecida, fazer com tuas mãos reais a tarefa que a uma estrangeira agrade te impor.
Assim eram os queixumes dela. Venus ouvia-a com um sorriso malicioso, e junto dela seu filho, com o arco distendido. Cupido estava pronto a ferir. Quando a deusa ficou saciada daquele bárbaro prazer, revelou-se a Europa, dizendo-lhe:
— Modera esse furor, se o touro odioso vier de si próprio oferecer-te seus chifres para que tu os quebres. Ignoras que se trata de um disfarce de Júpiter? Ignoras que és a esposa de Zeus? Acalma teus soluços: aprende a manter o papel muito elevado para que foste chamada. E uma parte do universo receberá, daqui por diante, o teu nome.
 Chegando em Creta Zeus se transformou no que realmente era, o  deus supremo do Olimpo e a levou prara uma gruta onde se amaram. Dessa união  nasceram três filhos: Minos, Radamanto e Sarpedonte.
Europa recebeu três presentes de Zeus: Talos, um gigante de bronze dotado de movimentos, capaz não só de atirar pedras como o de se aquecer a ponto de queimar os intrusos, cuja missão era guardar a ilha de Creta contra possíveis invasores; um cão que seguia sempre a pista de sua presa, e uma lança que nunca errava o alvo. Por ordem de Zeus ela casou-se posteriormente com Astério, rei de Creta, que adotou seus três filhos. Um deles, Minos, assumiu o  trono da ilha quando da morte do  padrasto. Porem, segundo a tradição, Europa foi primeiramente transportada para a beócia, onde teve um filho Carnao, antepassado dos égides, que eram os filhos de Egeu, ou atenienses.
Seu pai, durante toda a vida, a procurou em  vão, e ela , uma vez morta, foi elevada por Zeus á  categoria de divindade e transformada em constelação; em homenagem a Europa,  varais festas era realizadas em  Creta e na Grécia.

Depois desta história fantástica que tal experimentar uma sobremesa deliciosa e tipicamente européia?

Alsacianos

500 g de farinha
250 g de margarina
1 pitada de sal
250 g de açúcar
2 ovos
12 colheres (sopa) de kirsch

Canela e açúcar para polvilhar

Modo de preparo Trabalhe bem a margarina com o açúcar. Junte uma pitada de sal e os ovos, um a um, de forma a obter uma massa bem homogênea e lisa. Perfume com o kirsch e incorpore a farinha, trabalhando bem a massa. Leve ao forno, não muito quente, numa forma untada e polvilhada, durante cerca de 20 minutos. Antes de retirar da forma, corte em losangos ou cirvulos e polvilhe com açúcar e canela. Volte a levar ao forno para que o açúcar derreta e caramelize um pouco.