quinta-feira, 7 de julho de 2011

Lollo caseiro e minhas guloseimas dos anos 80: nostalgia!!!

            Já estou quase saindo dos meus vinte e poucos anos. E antes que isso aconteça preciso escrever alguma coisa sobre este período da minha vida. Como sou cria dos anos 80 nada mais justo do que falar deles, das minhas descobertas de sabores através das “porcarias” mais gostosas de todos os tempos. Senhoras e senhores mantenham-se em suas poltronas, apertem os cintos, porque os botões da nostalgia já foram ligados e esta nave vai decolar para uma viagem deliciosa.


Quando se é criança a vida parece uma grande brincadeira cheia de guloseimas... Na minha época, pelos idos anos 80, eu não só achava o mundo um grande playground como também achava que a cozinha lá de casa era uma extensão dele. Porque era o ambiente mais movimentado da casa, sempre cheio de  gente – de casa e visitas, sempre cheio de aromas, sempre cheio de ocnversas sobre o  mundo.
Fui criado com fartura e sempre via a cozinha cheia de bolos, doces, salgados, frutas, grãos, queijos, rapaduras, batidas, alfenins, tubérculos, legumes, verduras, carnes dos mais variados tipos e mandioca e seus afins (farinha, beijus, tapioca, goma, fécula). Contudo a graça da descoberta dos sabores da minha infância começara em casa, pelas mãos de minha mãe que sempre foi boa cozinheira. Meu pai também cozinha bem. Mas inegavelmente foi o meu avô paterno a pessoa que me ofereceu sabores diferenciados dos anos 80.
Uma das raras fotos de eu com meu avô Mário.
Quanto as minhas habilidades de forno e fogão, fui autodidata, aprendi muita coisa assistindo a cozinha maravilhosa de Ofélia – e até hoje fico  puto da vida quando alguém, geralmente parentes do lado paterno, fazem comentários de que eu sei cozinhar porque devo ter aprendido com os pais.


Eu ficava putissimo, queria me transformar no Mun-ha pra pegar todos eles. Afinal aprendi a cozinhar sozinho, nunca ninguém me ensinou a fritar um ovo e tenho muito orgulho disso.


Naquele tempo, vivendo numa cidade serrana do interior, toda ida do meu avô ao mercado era uma alegria, porque ele sempre trazia algo pra eu comer – isso quando não me levava com ele pra feira ou até as “bodegas” pra experimentar algo.
Lembro-me bem de uns salgadinhos (uma massa de pastel fritada em quadrados bem pequenos e sem recheio) que sempre ele me trazia da feira em grandes quantidades, num saco enorme. Meu irmão, um ano mais novo, também não ficava sem o saquinho de salgadinho dele, porque afinal, a regra lá de casa era: “o que traz pra um, traz pro outro também”.
Eu e meu irmão, Jr, no meu niver de 3anos - eu mordendo o saco da pelúcia e ele chorando pq queria uma. srsrsr
Tinha também o bolo “manzape” e as madalenas da Rosa (o manzape era um bolo preto, um bolo feito a base de massa de mandioca, coco de babaçu, rapadura, ovos e açúcar. Era enrolado na folha de bananeira para ser assado; Já as madalenas que ela vendi eram pequenos bolinhos assados em formas de empada, que de tanto açúcar na receita chegavam a criar um suor melado ).
Manzape sendo preparado
Meu avô adorava este bolo, comprava sempre da Rosa – uma mulher, na época já pela meia idade e que eu nunca soube o verdadeiro nome, porque meu avô só a chamava de rosa, por ela sempre estar com uma rosa ou qualquer outra flor pendurada num coque, na cabeça. Depois de adulto cheguei a encontrar com a Rosa, certa vez que fui visitar minha mãe, ela já está bem velhinha e necessitando da ajuda dos outros pra sobreviver. Ela chorou quando me viu, disse que se lembrava de mim criança, segurando na mão do meu avô, sempre pela rua desfilando, ou  pelas bodegas do mercando, quando meu e eu saímos pra tomar coca-cola junto com Mickey – o cachorro de estimação da família, um enorme cão mistura de vira-lata com pastor alemão.
O Mickey era engraçado: saia com a gente par tomar coca-cola. Ele tinha a vasilha dele exclusiva pra tomar sua coquinha, depois que ele fazia isso, meu avo comprava um pacote de bolacha cream-cracker, colocava na boca dele e ele ia pra casa, deixar o mando de meu avo. E sempre as bolachas chegavam inteirinhas, sem rasgo no pacote e sem baba de cão – o que era melhor. Tínhamos também outro cão de estimação, porem menor, um pequinês chamado rex – tadinho, era cego de um olho devido um acidente que não me recordo, já faz muito tempo heheheheheh. Mas até hoje me lembro das correrias e batidas do coitado do Rex, nas coisas de casa, quando senti a o  cheiro de manga. Ele era uma alucinado por mangas, só precisava sentir o  cheiro pra rapidinho estar onde estavam as mangas.
Todo mundo tinhas estas miniaturas
Como se vê, lá em casa, até os cães gostavam de bons comes e bebes. Mas os anos oitenta foram marco pra indústria das guloseimas ou coisas sem sustância, como diária minha avó. E mais uma vez, meu avô entrava em cena, era ele quem financiava minhas guloseimas, sempre me dando dinheiro par comprá-las, ou quando ele sabia do que eu gostava, ele mesmo comprava e levava pra casa – ido diretamente pro meu quarto pra entregar o mimo. E com as mãos cheias, a gente pegava nossas espadas do he-man e ia brincar na calçada.


Então, assim eu comecei a gostar da Nestlé por ela produzir gostosuras que eu mais gostava, como; o Lollo (o da vaquinha), Galak (do coelhinho) e kriKri e o chocolate Surpresa– quem lembra deles? Eu adorava colecionar todos os álbuns Surpresa. E não bastassem os chocolates serem bons eles ainda fabricavam caramelos deliciosos.

Mas apareceu a Garoto com o seu baton, e virou febre – e eu amarrava uma linha no baton garoto e ficava rodando pela casa dizendo: compre batom, compre batom. seu  filho merece baton ( como era ridículos, mas funcionava hehehe).


E quando se comia um chocolate mais genérico (risos) eram os chocolápis e os cigarrinhos ou guradachuvas de chocolate – e acho que é por isso que eu detesto estes chocolates hidrogenados.


As guloseimas, quando geladas, que meu avó comprava eram picolés: de cajá, de limão, chicabom e o frutilly, da Kibon – os que eu mais devorava.

As balas soft – eu morria de medo de me engasgar com elas ehhehehe, mas tinha sempre um monte por perto; mas eu gostava muito das balas Kleps, porque vinham individuais com embalagem cheia de bichinhos divertidos – pareciam o zodíaco.
Balas Soft - que de soft não tinha nada.

Porem, quando faltavam as balas preferidas se escapava com as grudentas balas maluquinhas ou com os “comprimidos para dor de cabeça” – um drops da Docile com 7 pastinha nos formato de comprimido. me lembro que num dos aniversariso da minha prima Yara, os drops docile estavam dentro das lembrancinhas (tu estas ficando  velha também , hein prima?! )

Também surgiram os chicletes mini da Adams, e um saquinho só não me satisfazia. Pra não perder o rumo dos chicletes, tinha o ploc monster, com aqueles tranfers terríveis de monstros estranhos e, ping-pong, com seus variso temas, eu adorava o ping-pong pantanal – outro que só me conquistou por conta do álbum de figurinhas.

Eu também devorava, pelo menos, dois lanche do Fofão; chupava os piro-cópteros – que sempre ia parar na casa da vizinha ou ficavam enganchados no  telhado, eles voavam alto demais na hora da brincadeira.

De tarde, eu e meu irmão comíamos bolachas recheadas com Q-suco – que a gente mesmo comprava e preparava, e tomava nos copos dos Thundercats ou do Trapalhões – isso era o máximo.  
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        O Q-suco de uva lembrava o suco de frutas gummi - e se não era igual, bastava sair pulando feito um louco pra fugir do Duque Duro - da imaginação.



E se a fome incistice, comíamos sopinhas encantadas knorr.

Eu sei que tem mais coisa neste meio, mas memória já vai ficando fraca e eu não me lembro dos nomes das guloseimas pra poder citá-las. Não obstante isso já satisfaz minha nostalgia da década perdida.
Agora só me falta colocar a turma da Xuxa e o trem da alegria pra tocar e sentir voltar a me sentir um baixinho – eu acordava, ligava a TV na Rede Globo pra ver  a Xuxa e assistir aqueles desenhos saudosos, e ficava na vida boa porque sabia que minha mãe logo traria meu  café da manha no quarto... 


               E vocês, o que me contam da infãncia?

Lollo Caseiro

400 gr de leite em pó
1 lata de leite condensado
200 gr de nescau
1 colheres (sopa) de glucose de milho
2 colheres (sopa) de manteiga
1 gotas de essência de baunilha
Quanto baste de chocolate ao leite para cobrir 

Modo de Preparo: Misture todos os ingredientes muito bem, a massa deve ficar bem macia (se ficar seca, adicione 1 ou 2 colheres de leite comum ou água). Depois de pronta, forre o mármore com filme plástico, coloque a massa, cubra com o filme e abra com o rolo, até uma espessura média.  Corte em retângulos, forre uma forma com papel alumínio e ponha os retângulos na geladeira para firmar. Quando endurecer um pouco, banhe-os no chocolate.  Ponha na geladeira até secar a cobertura.

domingo, 3 de julho de 2011

Os Majestosos bolos dos casamentos reais: Mônaco mais uma vez está nesta lista.

        Desde o início da semana passada as realezas do  mundo todo estavam agitadas – o motivo era mais um casamento real, desta vez quem subiu ao altar foi o príncipe Albert II, de Mônaco, com a plebéia Charlene Wittstock, que se tornou Alteza Sereníssima princesa de Mônaco..
Muita gente falou da empolgação do principado pelo casamento do filho da eterna princesa Grace Kelly; outras pessoas se preocupavam com o vestido da noiva; e ainda existia os que se preocupavam com os convidados famosos do casamento...
Mas para este Barão uma coisa muito bacana me chamou a atenção, mais do que qualquer um dos fatores acima citados: a opção do Chef responsável em montar o menu especial da recepção. no dia 2 de julho deste ano, foi  tão autentica e genial que me comoveu: o Chef resolveu  fazer um Buffet sustentável à moda mediterrânea, inspirado no desejo dos noivos. Por este motivo, este Chef, que já eh reconhecido mundialmente como um dos melhores do mundo, se torna cada vez mais uma das pessoas que mais admiro no mundo gastronômico. Parabéns Chef Alain Duccase!!!
Alain Duccase
          O chef Alain Duccase teve a ajuda de 350 pessoas na cozinha, para montar um banquete para cerca de 450 convidados. Os noivos pediram para o chef fazer um menu inspirado na cozinha mediterrânea, com produtos da região. "No jardim do príncipe crescem muito bem as berinjelas, pimentas... Quando ele me convidou para o trabalho, eu já avisei que teria que plantar mais. O que vou cozinhar no dia do casamento, será colhido na mesma manhã". O chef já definiu que o bolo de casamento terá a flor nacional da África do Sul, que é o país natal de Charlene, e também um vinho do país será servido na recepção. "Não é um menu formal. Não haverá nenhum peixe nobre, mas sim de pesca sustentável. Nem terá caviar. Nos arriscamos em um menu mediterrâneo um pouco atrevido", contou Chef Alain.
"Tão elaborado quanto simples em sua intenção", diz o comunicado. Segundo o Principado, o banquete, servido ontem a noite na Ópera Garnier, teve também 150 quilos de peixe de dez tipos diferentes, 50 quilos de morangos, 30 de amoras e 20 de framboesas, assim como 100 litros de leite para elaborar o sorvete que acompanha uma das sobremesas.
Como entrada, foram servidos "barbagiuan", uma espécie de empanada com massa fina, recheada de espinafres, alho-poró, cebola, salsa, manjericão e, entre outros ingredientes, ovo e queijo parmesão.Na sequência, em um prato "grande, ovalado e generoso", o menu incluirá verduras e tainha marinada, pescada por Gérard Rinaldi, da última família de pescadores em Mônaco.
O cardápio prosseguiu com trigo cozido com cenouras, alcachofras, alho-poró, ervilhas, aipo e cogumelos, "uma homenagem à cozinha saudável, modesta e saborosa". E antes de passar às sobremesas, camarões dourados, linguado e polvo, acompanhados de batatas, "aludem às cenas míticas das antigas ribeiras, brilhantes e repletas de azul".
Já na parte doce, a primeira das duas sobremesas foi servida em uma taça de cristal, composta por morangos, framboesas e amoras colhidas nesta mesma manhã, sobre uma porção de gelatina light, prestando homenagem ao vermelho, uma das cores nacionais do Principado.
A mesa de honra estava disposta em forma de "T" e distribuiu em uma das pontas Albert 2º, Charlene e seus respectivos familiares, enquanto na outra ponta ficavam chefes de Estado e membros das famílias reais.
Os demais convidados, segundo o comunicado, foram distribuídos em mesas-redondas de dez assentos. Após degustarem o jantar, todos poderão admirar o espetáculo de fogos de artifício e o baile de encerramento do dia.
O chef francês Alain Ducasse, encarregado da elaboração do jantar oficial do casamento, afirmou que os convidados teriam um menu "magnífico, elegante e saudável" tanto para degustar quanto para observar.
Mas além de prestigiar o pedido dos noivos e a ação do  Chef junto á criação de um menu “de responsabilidade social” minha curiosidade se voltava, ainda, para o bolo do casamento.
Para mim bolo é coisa séria. É um dos adereços mais importantes nas comemorações – tanto, que  fico aflito na hora sagrada daquela foto onde o  bolo  é cortado. Por este motivo, e em virtude ao bolo estiloso do casamento real de Mõnaco, este post será dedicado aos bolos – quase obras de arte – dos casamentos reais.
Pra começar, vejamos o comunicado que o Principado de Mônaco expediu aos meios de comunicação do mundo todo: Duas mil flores de açúcar coroam neste sábado o bolo de casamento dos príncipes Albert 2º e Charlene de Mônaco, formado por sete andares, um metro e meio de diâmetro e dois e meio de altura.

Os 500 convidados da cerimônia religiosa deste sábado poderão apreciar e degustar um bolo de amêndoas, "com uma fina compota de groselhas e mousse light de baunilha, recoberto de chocolate branco e de algumas pérolas de groselha". Até as flores de açúcar fazem homenagem ao país de criação da noiva. Elas simbolizam a prótea, flor nacional da África do Sul.  
Protea
As Proteas são da familia dos fynbos, flores bonitas e exóticas originárias da África do Sul, Austrália e Nova Zelândia. A mais famosa das variedades existentes é a King Protea (ProteaCyranoides) a flor nacional da África do Sul.O nome Protea foi criado em 1735 por Carlos Linneo em homenagem ao deus grego Proteus que podia mudar de forma à vontade e existem inúmeras proteas de formas diferentes. A família das protaceas existem há muito tempo , seus ancestrais cresceram em Gondwana há mais de 300 milhões de anos.Na África , 92% de suas espécies se encontram na região floral do Cabo. A extraordinária riqueza e diversidade de suas espécies se devem ao solo.
Ainda recente, o  casamento dos duques de Cambridge: príncipe William de Gales e Catherine Middleton, no Palácio de Buckingham, contou com um majestoso o bolo de casamento confeccionado por Fiona Cairns,  composto por 17 bolos de frutas individuais montados em oito andares, e foram decorados com 900 flores de açúcar e cobertos com creme de confeiteiro usando a técnica de Joseph Lambeth.

O bolo também teve simbologia garantida: as flores representam a rosa da Inglaterra, a flor do cardo da Escócia, o narciso de Gales e o trevo de quatro folhas da Irlanda. Alem das flores que simboliza o reino Unido, o bolo ganhou ainda o charme de várias flores como o lírio, que representa a ternura; a hera, representando casamento; e a delicadeza de rosas brancas, que são símbolo de felicidade; a folha de carvalho, ligada ao trono britânico, símbolo de força e resistência.


E para não fugir da tradição, o príncipe William ainda pediu um bolo de chocolate confeccionado pela confeitaria McVitie’s. Ambos ficarão expostos durante as cerimônias de comemoração na Galeria de Quadros do Palácio, em meio a telas de Rembrandt, Poussin e Rubens.

Esse é David Avery o criador do  bolo principal (um dos mais de vinte bolos) do casamento de príncipe Charles e princesa Diana, na década de 80.  Estima-se que tenha levado cerca de quatorze semanas para ficar pronto.

Acima, o bolo super detalhado, uma obra de arte, do casamento da Rainha Elizabeth II com príncipe Philip, na década de 40.


Outro bolo cheio de detalhes, parece mais um belo castelo, foi o do casamento da Rainha Mãe -  Elizabeth com Rei George VI, década de 20. Até hoje foi o bolo mais bonito que já vi.

Mais um bolo espetacular foi este, preparado em novembro de 1934, para o casamento da Princesa Marina, da Grécia e Dinamarca, e do Príncipe George, o Duque de Kent.

Este aí em cima, com seus 10 andares, particularmente o mais simplórios entre os já apresentados aqui, deliciou os convidados da princesa Victoria e do príncipe Daniel da Suécia.


Em Mõnaco, nos anos 50, o Príncipe Rainier III casou com a belissíma Grace Kelly de Mônaco . Ao fundo, um bolo de casamento tão belo e elegante quanto a noiva.


Com esta imagem você deve estar pensando sobre a grandiosidade deste bolo que foi preciso cortá-lo com uma espada.  Na realidade, cortar o bolo com espada é uma tradição em alguns casamentos reais. Tradição cumprida acima na imagem do o bolo da rainha Rania e do príncipe Abdullah da Jordânia, nos anos 90.
Em julho de 1995, em Londres, casavam o príncipe Pavlos, da Grécia e uma conhecida herdeira americana, Marie-Chantal, numa cerimonia repleta de guirlandas de flores. O bolo então não fujiria da temática campestre e romântica do casamento.
Outro bolo que foi cortado com uma espada, mais parecia uma renda. Era o bolo Rainha Noor com o Rei Hussein, da Jordânia, nos anos 70.
E depois de tanta beleza só aumenta minha estima pelos confeiteiros e doceiros do mundo. Espero um dia, eu mesmo, ser um destes (risos). Enquanto este dia não chega, melhro ir preparar barbagiuan ao som de uma das músicas do casório.
BARBAGIUAN (Tradicional)

Em Mônaco pode-se degustar de "todas" as especialidades ocidentais, assim como todos os pratos da cozinha francesa. Esta última é a que marca as diretrizes da cozinha monagesca. Entre os pratos tradicionais ou locais, há que destacar o Barbagiuan, uma espécie de empanadinhas fritas recheadas de abóbora (calabaza) , arroz, ovo e queijo.

Ingredientes

500g de farinha de trigo com fermento
½ xícara de azeite puro de oliva
1 colher de café de sal
Água

Preparo: Misture tudo até atingir consistência de massa, espalhe e corte em retângulos. Prepare um recheio de queijo, presunto, tomate, cebola, alho, salsa, abóbora cozida, pimenta, ovos e farinha para dar a liga. Recheie os retângulos, prepare como ravióli ou frite como pastel. Cubra com molho a gosto se preferir.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

E se a Cuca te pega?

Prefácio
Já repararam que no Brasil as coisas são bem mais distintas do que em qualquer outro país do mundo. Parece que já nascemos com uma carga genética de baixa auto-estima – pois, basicamente, tudo fora do Brasil é “bom” e tudo daqui seria “ruim”. E quando vemos uma coisa bacana, bem feita, que funciona direitinho, nós dizemos: “nem parece no Brasil”.
Alguns antropólogos comentam que uma das origens deste autoflagelo que nos impomos falando mal de nós próprios, viria desde infância. Como?
Imaginem: ao redor do mundo as crianças, para dormir, são embaladas com musiquetas que acalentam o espírito e tem uma doce melodia. O famoso “Acalanto de Brahms” diz:
“Boa noite, meu bem, dorme um sono tranqüilo. Boa noite, meu amor, meu filhinho encantador... que uma doce canção venha o sono embalar”.
Mas como adormece uma criança no Brasil?

“Dorme neném que a cuca vem pegar, papai foi pra roça, mamãe foi trabalhar...”
“Boi, boi, boi, boi da cara preta, pega essa menina que tem medo de careta!”
Traduzindo: 
Os pais largaram a criança sozinha em casa ou a abandonaram com um mau caráter assustador; ou, com um impaciente que já vai logo avisando que se a criança não dormir rapidamente, virá um boi pegar ela - pra fazer o que, não se sabe.


É tudo assustador e o trauma continua com o decorrer da vida :
Caluniam ou  acusam a criancinha de ter virado uma canoa: 
“A canoa virou, por deixá-la virar, foi por culpa do (nome da criança) que não soube remar.”
Acusando a criancinha de dar coisas sem valor pra em seguida dizer que ela não sabe  amar – sem ao menos ela entender o que é o amor: 
“Ciranda, cirandinha.... o anel que tu me deste era vidro e se quebrou, o amor que tu me tinhas era pouco e se acabou".
Mostrando violência e briga, por nada, desde cedo: 
“O cravo brigou com a rosa.... O cravo ficou ferido e a rosa despetalada!”
E por aí vai... sem nada de ternura, doçura ou afins. O negócio e mandar ‘a pestes da criança’ dormir. Porque a vida é dura e ninguém está ali pra ajudar quando ela precisar. Depois de tanta pressão, com a infância cheia de histórias macabras, vitimando as crianças, mostrando que o bom sai perdendo, que a punição é certa e o fracasso inevitável, alguém ainda quer que o brasileiro tenha auto-estima elevada.
E assim ao longo da vida, crescemos com essa auto-estima baixa, esperando pela Cuca que um dia virá nos pegar, E se ela não vir tem um tal de boi da cara-preta a nos esperar.... 

Usei este prefácio, criado a partir de uma crítica sobre como os tempos mudaram em relação as visões deturpada das coisas. e resolvi  abrir este post com ele para tratar de um papão (bicho papão) que adoro: a tal da CUCA. 
Eu sei... podem dizer que sou do contra. Mas o “lado negro da força” sempre me fez estudar, pesquisar, para compreender melhor o mundo a minha volta. E a Cuca, pra mim, está mais pra comédia do que pra terror.
A Cuca é um dos principais seres mitológicos do folclore brasileiro. É popularmente conhecida como uma velha feia na forma de jacaré que rouba as crianças malinas e arteiras (estes termos são os novos - risos - significam desobedientes pra quem não entendeu o  vocabulário arcaíco).
A origem desta lenda está num dragão, a “Coca” das lendas portuguesas e espanholas. Nestes países, ela era representada por um dragão que havia sido morto por um santo. E aparecia principalmente nas procissões. 

Lenda da COCA de Monção:
Era uma vez um jovem que nasceu de pais novos e ricos, nasceu lá para os lados do oriente, a quem deram o nome de Jorge. Desde novo de dedicou às armas, servindo o imperador Diocleciano no seu exército. Era estimado por todos devido ao seu valor e coragem. Mas o imperador que servia moveu uma impiedosa perseguição aos cristãos. S. Jorge converteu-se a Cristo e jurou servir a sua vontade. Andava um dia S. Jorge nas terras de Líbia, quando escutou um grito desesperado. Acorreu e quando chegou junto do local do grito, deparou com um terrível animal e uma jovem donzela. Era um dragão que tentava devorar a jovem . S. Jorge avançou de lança em punho e feriu de morte a fera assassina. Perante tal ato, a jovem, que era uma princesa filha do rei da Líbia, impressionada pela heroicidade do cavaleiro, descobre a fé do santo, vindo ela a converter-se. Foram ainda muitos os feitos deste santo. Por esta razão o povo de Monção celebra a vitória de S. Jorge sobre o dragão (Coca).
Vejamos um versinho português que trata do assunto:

Vai-te, coca, sai daqui
Para cima do telhado
Deixa o menino
Dormir sossegado
          Lá, ao menos, eles espantam a Coca pro menino poder dormir. (risos). 
        A coca veio parar no Brasil na época da colonização  e passou a ser representada, em muitas regiões, como uma velha brava com cabelos compridos e desgrenhados, semelhante a uma bruxa. Ela foi incorporada as nossas tradições, e acabou virando  bicho, trocando de identidade,e acabou  virando  CUCA.

No Brasil, foram as obras do escritor brasileiro Monteiro Lobato onde a Cuca ganhou notoriedade. No "Sitio do Pica-pau amarelo", transformado em série de TV no final dos anos 70 e começo dos 80, a Cuca passou a ser conhecida nos quatro cantos do país. 
Na Tv, a Cuca era um jacaré bípede com cabelo amarelo e uma voz horripilante, que tinha a ajuda do Saci-Pererê. Malvada, morava numa caverna escura onde, como boa bruxa, sempre aparecia confabulando maldades e preparando poções mágicas.
No livro original “O Saci” escrito por Monteiro Lobato em 1921, a personagem é descrita apenas como uma bruxa velha com rosto de jacaré, e unhas compridas como as de um gavião. 
Cucas  Modernas
Mas como estamos no Brasil –  que mais parece o quintal do Sítio do Pica Pau Amarelo, onde tudo pode acontecer - , não seria estranho nos depararmos com uma Cuca por aí. 
Eu sempre achei a Cuca do Lobato, da primeira versão, muito hilária. Ela fazia maldades mas era engraçadíssimas, me fazia rir aos montes.
Eu realmente adorava a Dorinha Duval interpretando a Cuca – ela em 1977 interpretou a primeira cuca do pica pau amarelo para a TV. E ela interpretou tão bem o papel que  na vida real ela fez artes de cuca: Dorinha Duval,nome artistico de Dora Teixeira, foi atriz e vedete brasileira . Em 2020 lançou suas memórias autobiográficas num livro intitulado "Em busca da luz". Na obra narra como foi a experiência de ter sido violentada aos quinze anos de idade, ter sofrido um aborto e se prostituido. Dorinha também revela que tentou o suicídio depois da separação de daniel Filho, além de contar por que matou seu segundo marido, o cineasta Paulo Sérgio Alcântara, durante uma discussão em 1980. Atualmente, Dorinha é artista plástica, embora continue contratada pela Rede Globo.
Porém, atualmente, a Cuca é outra, voltou a ser loira e continua fazendo seus feitiços de se travestir de humano, como descrevia Lobato nos seus escritos (e que foi imortalizado pelo episódio abaixo).


Fantasiada de humano pra que Cuca melhor do que a figura da procuradora Vera Lúcia Gomes, para atormentar não só as criancinhas, e revelar as diferenças e o poder da hipocrizia no Brasil – onde quem tem dinheiro esta acima de qualquer suspeita.

 Aqui cabe bem a musica tema da Cuca:
Cuidado Com a Cuca
Que a Cuca te pega
Te pega daqui, Te pega de lá

A Cuca é malvada
E se fica irritada
A Cuca zangada
Cuidado com ela
A Cuca é matreira

E se fica zangada
A Cuca é danada
Cuidado com ela
Cuidado com a Cuca
Que a Cuca te pega
Te pega daqui, Te de lá
A Cuca é malvada
E se fica irritada
A Cuca zangada
Cuidado com ela.
Cuidado com a Cuca
Que a Cuca te pega
A Cuca é danada
Ela vai te pegar
E insistindo que no Brasil tudo pode acontecer, a Cuca foi parar na Cozinha e acabou  virando doce. Isso mesmo, não é lenda, é pura realidade.
Na língua tupi a palavra Cuca significa tragar ou engolir de uma vez só. Esta ultima ação faz jus a vontade que se tem quando se ver uma Cuca (de comer).
Mas a Cuca não é tupi. É um bolo de origem alemã, muito conhecido no Sul do Brasil. Preparado com uma massa fermentada de pão, com cobertura de farofa crocante. Geralmente servido no café da manhã, no chá ou no café colonial.
Seu nome origina-se da palavra alemã Streuselkuchen (lit. "bolo de flocos", em alemão: Kuchen = " bolo", Streusel = "granulado", "flocos").
A base do bolo é uma massa de levedura coberta com flocos (Streusel). Os principais ingredientes da cobertura granulada são farinha, açúcar e manteiga. Porém, a cobertura pode variar, adicionando-se aos flocos açúcar de baunilha ou canela em pó. Outra variação é cobrir a massa de levedura com pedaços de frutas, geralmente de maçã, e só em seguida cobrir as frutas com os flocos como cobertura final.
O Streuselkuchen supostamente originou-se na Silésia, uma região que hoje em dia é parte da Polônia. Atualmente o bolo é bastante comum em grande parte da região germanófona com suas variedades regionais.
Então se a Cuca ainda não veio lhe pegar, melhor você pegar ela primeiro – o difícil é você se contentar só com uma.

Streuselkuchen (Cuca Alemã)
Farofa
1 xícara (chá) de farinha de trigo (120g)
10 colheres (sopa) de açúcar (120 g)
1 colher (chá) de canela em pó (1,5 g)
5 colheres (sopa) de manteiga (60 g)
Massa
1 xícara (chá) de leite (240 ml)
2 tabletes de fermento biológico (30 g)
1/2 xícara (chá) de açúcar (180 g)
5 xícaras (chá) de farinha de trigo (600 g)
1 colher (chá) de sal (2,5 g)
1/2 xícara (chá) de manteiga (100 g)
3 ovos
100 g de uvas passas sem sementes
100 g de frutas cristalizadas
3 maçãs médias sem sementes em gomos
Preparo: Numa tigela, misture o leite morno com o fermento e metade do açúcar. Junte 1 xícara (chá) de farinha e mexa até ficar homogêneo. Cubra com filme plástico e deixe crescer em local aquecido por 30 minutos. Em seguida, peneire em outra tigela a farinha e o açúcar restantes com o sal e adicione, aos poucos, à massa crescida. Acrescente a manteiga (reserve 2 colheres de chá) e os ovos. Amasse bem e transfira a massa para uma superfície enfarinhada. Sove-a por 10 minutos, ou até ficar lisa e soltar das mãos. Volte a massa para a tigela e cubra-a com filme plástico. Deixe crescer por mais 30 minutos em local aquecido. A seguir, misture cuidadosamente as uvas passas e as frutas cristalizadas. Unte uma assadeira de 23 cm x 33 cm com a manteiga reservada e polvilhe farinha de trigo. Abra a massa na assadeira, alise-a e deixe crescer por mais 30 minutos. Ligue o forno à temperatura média. Disponha os gomos de maçã sobre a massa e reserve. Farofa: peneire numa tigela a farinha de trigo com o açúcar e a canela e misture a manteiga derretida. Mexa com as pontas dos dedos até obter uma farofa e espalhe-a sobre a massa. Leve ao forno por 45 minutos, ou até a massa dourar. Retire do forno e, depois de morna, corte a cuca em pedaços e sirva.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Bolo salgado caipira pra homenagear São João - O batista.

Capelinha de Melão é de São João
É de Cravo é de Rosa é de Manjericão
São João está dormindo
Não acorda não!
Acordai, acordai, acordai João!
Eu me lembro bem das festas de São João no interior... Tempo bom aquele onde eu me acabava nas quadrilhas, os vizinhos faziam fogueiras animadas e cheias de delicias para fazer a festa varar a noite toda.
Cheguei até a participar dos festivais de quadrilhas tão populares por estas bandas do país. Era hilário, aventureiro e muito divertido. Definitivamente não existe festa junina como as do nordeste. E tem mais: são sempre as do dia 24 de junho as mais animadas; não sei explicar o por que isso se dá assim. Vai ver São João é realmente muito popular.
São João além de ter sido o primeiro batista é considerado santo protetor das mulheres grávidas. João, segundo a Bíblia, era primo em segundo grau de Jesus, pois Isabel era prima de Maria. Foi João quem batizou Jesus nas águas do rio Jordão, rio que hoje faz a fronteira entre Israel e a Jordânia e entre esta e a Cisjordânia.
Encontramos a sua história narrada no evangelho de São Lucas, onde ele descreveu que havia, no tempo de Herodes, rei da Judéia, um sacerdote chamado Zacarias, da classe de Abias; a sua mulher pertencia à descendência de Aarão e se chamava Isabel. Eles viviam na aldeia de Ain-Karim e tinham parentesco com a Sagrada Família de Nazaré.

Foram escolhidos por Deus por sua fé inabalável, pureza de coração e o grande amor que dedicavam ao próximo. Isabel, apesar de sua santidade, era estéril: uma vergonha para uma mulher hebréia, que era prestigiada somente através da maternidade. Mas foi por sua esterilidade que ela se tornou uma grande personagem feminina na historia religiosa do Povo de Deus. Juntos, foram os protagonistas dos momentos que antecederam o mais incrível advento da historia da humanidade: a encarnação de Deus entre os seres humanos.
Estavam velhos, com idade avançada, e como não tinham filhos, julgavam essa graça impossível de ser alcançada. Foi quando o anjo do Senhor apareceu ao velho sacerdote Zacarias no templo e disse-lhe que sua mulher, Isabel, teria um filho que teria o nome de João, que significa "o Senhor faz graça". O menino seria repleto do Espírito Santo desde a gestação de sua mãe, reconduziria muitos dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus e seria precursor do Messias.
Zacarias, inicialmente, manteve-se incrédulo ante o anúncio celeste do nascimento de um filho pelo qual havia rezado com tanto ardor; para que pudesse crer, precisou de um sinal: ele ficou mudo até que João veio à luz do mundo. Na ocasião, sua voz voltou e ele entoou o salmo profético em que, repleto do Espírito Santo, profetizou a missão do filho.
Enquanto isso, devido à proximidade da maternidade, Isabel recolheu-se por cinco meses, para estar em união com Deus. Os dias ela dividia em três períodos: de silêncio, oração e meditação. E foi assim que Isabel, grávida de João e inspirada pelo Espírito Santo, anunciou à Virgem Maria, sua prima, quando esta a visitou: "Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre (Jesus)".
Maria em visita á Isabel
          Após o nascimento de João, Zacarias e Isabel recolheram-se à sombra da fama do filho, como convém aos que sabem ser o instrumento do Criador. Com humildade, alegraram-se e satisfizeram-se com a santidade da missão dada ao filho (João Batista), sendo fiéis a Deus até a morte."
Mas as tradições juninas (ou joaninas) se deram a partir da seguinte lenda: Isabel, mãe de São João era prima da Virgem Maria. São João não havia nascido ainda, mas era esperado. Isabel prometeu à Virgem avisá-la logo que criança nascesse. As duas casas não eram muito distantes, de modo que de uma se avistava a outra, com um pouco de esforço.
Numa noite bonita, de céu estrelado, São João nasceu. Para avisar a Virgem, Isabel mandou erguer, na porta de sua casa, um mastro e acendeu uma fogueira que o iluminava. Era o aviso combinado.
Mastro de São João
          A Virgem Maria correu logo a visitar a prima. Levou-lhe de presente uma capelinha, um feixe de folhas secas e folhas perfumadas para a caminha do recém-nascido”.
João Batista é descrito na Bíblia como pessoa solitária, um profeta de grande popularidade. Fez severas críticas à família real da época, a do rei Herodes Antipas, da Galiléia, pois o rei era amante da sua cunhada, Herodíades. Segundo o evangelho de São Marcos (cap. 6, vers. 17-28) Salomé, filha de Herodíades, dançou tão bonito diante de Herodes que este lhe prometeu o presente que quisesse. A mãe de Salomé aproveitou a oportunidade para se vingar: anunciou que o presente seria a cabeça de João Batista, que se encontrava preso. O “presente” foi trazido em uma bandeja de prata.
A imagem de São João Batista é geralmente apresentada como um menino com um carneiro no colo, já que segundo a Bíblia, ele anunciou a chegada cordeiro de Deus. Alguns símbolos são conhecidos por remeterem ao nascimento de São João, como a fogueira, o mastro, os fogos, a capelinha, a palha e o manjericão.
Dizem que São João adora uma festa, mas que é preciso muitos fogos e uma fogueira bem bonita para ele ficar feliz.

Existe ainda uma lenda que diz que os fogos de artifício soltados no dia 24 são "para acordar São João". A tradição acrescenta que ele adormece no seu dia, pois, se ficasse acordado vendo as fogueiras que são acesas em sua homenagem, não resistiria e desceria à terra. As fogueiras dedicadas a esse santo têm forma de uma pirâmide com a base arredondada.
O levantamento do mastro de São João se dá no anoitecer da véspera do dia 24. O mastro, composto por uma madeira resistente, roliça, uniforme e lisa, carrega uma bandeira que pode ter dois formatos, em triângulo com a imagem dos três santos, São João, Santo Antônio e São Pedro; ou em forma de caixa, com apenas a figura de São João do carneirinho. A bandeira é colocada no topo do mastro.
O responsável pelo mastro, que é chamado de "capitão" deve, juntamente com o "alferes da bandeira", responsável pela mesma, sair da véspera do dia em direção ao local onde será levantado o mastro. Conta a tradição que a bandeira deve ser colocada por uma criança que lembre as feições do santo. O levantamento é acompanhado pelos devotos e por um padre que realiza as orações e benze o mastro.
Outra tradição muito comum é a lavagem do santo, que é feita por seu padrinho, pessoa que está pagando por alguma graça alcançada. A lavagem geralmente é feita à meia-noite da véspera do dia 24 em um rio, riacho, lagoa ou córrego. O padrinho recebe da madrinha a imagem do santo e lava-o com uma cuia, caneca ou concha.
Depois da lavagem, o padrinho entrega a imagem à madrinha que a seca com uma toalha de linho. Durante a lavagem é comum lavar os pés, rosto e mãos dos santos com o intuito de proteção, porém, diz a tradição que se alguma pessoa olhar a imagem de São João refletida na água iluminada pelas velas da procissão, não estará vivo para a procissão do ano seguinte.
E para que a noite de hoje seja, além de divertida, gostosa, deixo a receita do bolo salgado caipira, encontrado por aqui nas quitandas mais requintadas. 

Bolo Salgado Caipira

Massa:
1 xícara (chá) de leite
1 tablete de margarina (100 g)
1 xícara (chá) de farinha de trigo
1 xícara (chá) de fubá
1 colher (chá) de sal
1 colher (sopa) de fermento em pó
1 ovo batido
Recheio:
1 colher (sopa) de margarina
1 peito médio de frango cortado em cubos pequenos
1 tomate, sem sementes, cortado em cubos pequenos
1 lata de ervilha escorrida
1 xícara (chá) de água fervente
1 colher (sopa) de cheiro-verde ou cebolinha picada
1 frasco de maionese (250 g)
Para untar e enfarinhar: azeite de oliva e fubá
Modo de preparo: Pre-aqueça o forno em temperatura média (180°C). Unte e enfarinhe uma assadeira pequena (28 x 18 cm) e reserve. Em uma panela pequena, aqueça o leite e junte a margarina. Misture e deixe esfriar. Em uma tigela grande, peneire juntos a farinha de trigo, o fubá, o sal e o fermento em pó. Acrescente o leite reservado e o ovo. Misture com uma colher até que a massa fique homogênea. Despeje a massa na assadeira reservada e leve ao forno por 30 minutos ou até que um palito, depois de espetado na massa, saia limpo. Retire do forno e deixe esfriar. Para o Recheio Em uma panela média, aqueça a margarina e refogue o frango por 5 minutos ou até dourar. Junte o tomate, a ervilha, a água e o cheiro-verde e cozinhe por 15 minutos ou até o frango ficar macio e o líquido secar. Reserve até esfriar. Acrescente a maionese e misture até formar um recheio cremoso. Montagem do bolo Desenforme o bolo e corte-o ao meio no sentido do lado maior. Espalhe o recheio sobre metade do bolo e cubra com a outra metade. Corte-o em cubos decore com uma folha de salsinha. Fica ainda mais bonito se os pedaços de bolo forem colocados em forminhas de papel frisado.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Comme le dit en français: Gâteau Saint Honoré

         
Je suis un imbécile pour sucrés.
J'aime une bonne pâtisserie. J'admire ceux qui font un bon gâteau.
Bénis sont ceux qui se consacrent à préparer les merveilles de pâtisseries. 


         Recentemente este Barão foi acometido por uma crise renal que lhe tem me tirado do sério... Não vem ao caso me estressar aqui contando mais esta cruz...
No entanto, devido o tempo que abandonei esta Confraria para cuidar da saúde fiquei com vontade de comer um pedaço de uma delicia que muito aprecio: Gâteau Saint Honoré – infelizmente ainda não pude realizar meu desejo porque, devido ordens médicas, ainda não posso consumir muito açúcar.

Aproveito este post para agradecer a todos que cuidaram e comigo se preocuparam. Obrigado a todos!!!
A torta Saint Honoré é talvez um dos doces mais significativos para a confeitaria francesa e um pouco da sua historia está escrita em um livro, que por sinal é um dos meus desejos de aquisição literária, e que ainda não consegui encontrar por aqui, que traz alguns recortes sobre a origem das maravilhas da confeitaria: O livro História da Confeitaria no Mundo - de Angelo Sabatino Perrela e Myrian Castanheira Perrela - Editora Livro Pleno. Sem o livro, porém, seguem as informações que tenho em meus arquivos pessoais sobre o tema.
E Torta Saint Honoré é um elemento tradicional da confeitaria francesa, foi criada pelo confeiteiro Chiboust em 1846, quando ele desenvolveu um creme (batizado com seu próprio nome, creme Chiboust) para rechear uma torta que ele inventara.
A origem do nome da torta tem duas explicações:
I) batizado com o nome do Santo Honório (Saint Honoré de Amiens ou ainda Honotarus de Amiens) Padroeiro dos padeiros e confeiteiros;
Saint Honoré
II) O criador da receita, o Chef Chiboust , Trabalhava em uma Patisserie que pertencia aos irmãos Julien, chamada `Place de La Bourse`, localizada na Rue Saint Honoré, em Paris.


        Gateau Saint Honoré é uma torta verdadeiramente espetacular.
Apesar de seu tempo de preparação ser longo, a elaboração da receita não é muito difícil. É geralmente vendida na seguinte forma: um círculo de massa folhada assada tendo creme chiboust no centro, adornada por carolinas caramelizadas.
De certo que atualmente encontramos modificações absurdas nas tortas Saint Honoré que encontramos por aí. E por este motivo deixo abaixo como se prepara o original creme Chiboust para que vocês, caros leitores, possam optar na sua preparação. Ressalto que a receita que deixarei traz a inclusão do leite condensado que não vem na receita tradicional.
O Creme Chiboust é um derivado do creme de confeiteiro, podendo ser também aromatizado com baunilha, raspas de laranja ou licores.
Crème Chiboust se prepara assim: 1 Parte de creme de confeiteiro; ½ Parte de merengue italiano; 1% a 2% da preparação total de Gelatina sem sabor
Preparo: Junte ao creme de confeiteiro a gelatina, e por ultimo o merengue, usando movimentos envolventes para agregar bem.
Creme de confeiteiro:
Meio litro de leite; 125g de açúcar refinado; 4 gemas; 40g de amido de milho; Baunilha a gosto
Preparo: Amornar o leite a fava de baunilha com metade do açúcar. Em uma tigela bata as gemas com o restante do açúcar e junte o amido. Acrescente a metade do leite morno à mistura de gemas e misture. Volte a mistura a outra metade do leite. Leve ao fogo mexendo sempre até que o creme engrosse e cozinhe o amido, mais ou menos 1 minuto depois que ferver.
Merengue italiano: 105g de Clara de ovo; 210g de Açúcar refinado; 70ml de Água
Preparo: Faça uma com parte do açúcar e a água. Com o restante do açúcar bata as claras até conseguir uma consistência boa, não muito firme. Deixe a calda esfriar um pouco e junte em fio sobre as claras. Continue batendo até que a mistura amorne e fique consistente, no ponto de espuma de barbear. 
Gâteau Saint Honoré
Massa:
3 discos de massa folhada de 20 cm de diâmetro (250 g) assados
        Carolinas:
         3 colheres (sopa) de manteiga
1/2 xícara (chá) de farinha de trigo peneirada
2 a 3 ovos
1 pitada de sal
Creme de baunilha:
1 lata de leite condensado
1/2 lata de leite
2 gemas
1 colher (café) de essência de baunilha
Creme de licor:
1 lata de leite condensado
1/2 lata de leite
3 ovos
1/2 lata de creme de leite
1 colher (sopa) de Cointreau
2 colheres (sopa) de açúcar
Caramelo:
         3/4 xícara (chá) de açúcar (125 g)
3 colheres (sopa) de água
Modo de Preparar

Carolinas: Leve ao fogo uma panela com a manteiga e o sal. Junte meia xícara (chá) de água morna e deixe ferver. Retire do fogo, junte a farinha, mexendo rapidamente com uma colher de pau. Leve novamente ao fogo mexendo sempre até formar uma bola e soltar do fundo da panela. Retire do fogo e coloque numa tigela, junte os ovos, uma a um incorporando-os à massa em cada adição. Estará no ponto quando formar longas pontas ao cair da colher. Coloque a massa em um saco de confeitar e faça carolinas de 3 cm de diâmetro aproximadamente, diretamente em assadeira untada e polvilhada. Leve ao forno preaquecido 180°, por 25 minutos, até que elas tenham dobrado de volume e dourem. Desligue o forno e deixe a porta entreaberta para as carolinas secarem um pouco.

Creme de baunilha:Misture o leite condensado, as gemas peneiradas, o leite, a baunilha e leve ao fogo baixo para engrossar, mexendo sempre. Deixe esfriar e leve à geladeira coberto por filme plástico.

Creme de licor: Misture o leite condensado, as 3 gemas e o leite e leve ao fogo baixo, mexendo até engrossar (mais ou menos 15 minutos). Apague o fogo, adicione o Cointreau e o creme de leite e misture. Passe por uma peneira e reserve. Bata as claras em neve, acrescente o açúcar aos poucos até ficar bem firme. Incorpore-as delicadamente ao creme de licor e leve à geladeira. 
Montagem da torta: Coloque um disco de massa folhada assada num prato para bolo e espalhe sobre ele o creme de baunilha. Cubra com outro disco e espalhe sobre ele metade do creme de licor, reservando o restante para rechear as carolinas e cobrir a última camada. Coloque o último disco e leve a torta à geladeira. Recheie então as carolinas: com o auxílio de um saco de confeitar, pressione-as com o bico, recheando pelo fundo com o creme de licor.
          Caramelo: Misture o açúcar com a água, numa panela de fundo grosso e leve ao fogo baixo mexendo até o açúcar dissolver. Aumente a chama e deixe a calda ferver até adquirir a cor dourada. Aproximadamente 5 minutos após a fervura. Apague o fogo, retire a torta da geladeira, mergulhe o fundo das carolinas no caramelo grudando-as em volta da borda do último disco de massa folhada. Despeje o restante do creme de licor no centro da torta. As carolinas impedirão que ele escorra. Com um garfo, pegue uma porção da calda de caramelo, espere amornar e faça fios, puxando com os dedos, em cima das carolinas, formando um gradeado. Mantenha a torta na geladeira até a hora de servir.
Dicas: Não prepare a receita com muita antecedência, pois o caramelo tende a derreter e a massa folhada pode murchar. Verifique o ponto da calda de açúcar para fazer os fios. Mergulhe o garfo na panela erguendo-o em seguida. Deve se formar um fio que ao ser puxado com as mãos forma a escultura com maior facilidade.  Se não quiser preparar as carolinas, elas podem ser encomendadas em padarias e confeitarias. Somente recheá-las reduz bastante o trabalho na preparação da torta.