domingo, 11 de dezembro de 2011

Sidra: do espumante à magia

Desde que eu era criança que a Sidra – vinho de maçã fermentada - já me é velha conhecida. Confesso que eu sempre tive um fascínio por vinhos, sobretudo quanto aos espumantes. Mas a minha ligação com a sidra remete à magia...
E pra que magia maior do que a do Natal?
Justamente era nesse período (juntamente com as celebrações do Ano Novo) que desde pequeno eu via as pessoas estourando garrafas de sidra (quem não se recorda de alguém estourando uma garrafa de sidra Cereser por aí?). Quando eu estava na adolescência, desvendando o mundo, devorando literaturas diversas, descobri ligações religiosas entre o cristianismo e a velha religião celta que, de certa forma, envolveram com o misticismo da sidra.


Você , que está lendo este texto, deve ter ficado com uma pulga atrás da orelha, achando que a palavra sidra foi escrita errada, não? Eu também fiquei com esta impressão, e somente por isso começo o post de hoje esclarecendo esta curiosidade gramatical: cidra ou sidra?
De acordo com o dicionário Houaiss a palavra cidra, com C, refere-se à fruta da árvore cidreira, da família das toranjas. A bebida fermentada alcoólica feita de suco de maçã, como é o caso aqui, grafa-se sidra com S. Porém devo discordar do famoso dicionário, levando em consideração que o termo no  original em inglês, escreve-se cider – com C. Mas para não criar mal-estar com ninguém vamos nossa Sidra com S.
A sidra é uma bebida preparada com sumo fermentado de maçã. Seus maiores produtores são Inglaterra e França, no entanto é também bastante popular na Suíça, Alemanha, Espanha, Portugal, Brasil, Irlanda, Áustria, África do Sul e Austrália.
As origens do “vinho de maçã” ou sidra permanecem duvidosas porém, no século I, os hebreus bebiam “shekar”, os gregos “sikera” e os romanos “sicera”.Todas essas bebidas eram fabricadas à base de suco fermentado de maçãs (Robin de La Torre, 1988).
No Brasil é comercializado um produto de nome sidra, de características diferentes das bebidas européias. Seguramente, as diferenças se devem à matéria-prima e à tecnologia de produção (Wosiacki et al., 1997)
Na Inglaterra a sidra é definida como: “Bebida obtida por parcial ou completa fermentação do suco de maçãs... ou concentrado de maçãs... com ou sem a adição, antes da fermentação, de açúcares e água potável ” (NACM, 1998).
Pela legislação brasileira, a sidra é: “Um produto que pode ser obtido pela fermentação alcoólica do mosto de maçãs, adicionado ou não de, no máximo 30%, de suco de pêra ”(Brasil, 1974).
Mas para a história que vou contar hoje, teremos que nos remeter à Terra da Rainha ... O outono na Inglaterra é a época da colheita de maçãs silvestres ou das maçãs de mosto especiais que são ácidas e não tem grande sabor, mas são excelentes para a produção de mosto. A sidra é geralmente proveniente das vastas áreas da fruticultura no lado ocidental da Inglaterra – as maçãs são trituradas e espremidas, o sumo e a polpa são colocados em barris onde a sidra fermenta até três semanas.

José de Arimatéia
A história da sidra remonta ao século I, conta-se que após a morte de Cristo, José de Arimatéia veio para a Inglaterra. Em Glastonbury, em Somerset, ele fundou um mosteiro cristão, cujas ruínas ainda vale a pena visitar nos dias de hoje. Este exato local tem um nome secreto nas lendas do rei Artur – Avalon – que significa apenas “Ilha das maçãs”. De acordo com a lenda, José de Arimatéia esteve numa das colinas de Glastonbury e comeu ali uma maçã. Cuspiu as sementes e, no local onde elas caíram, nasceram macieiras.

José de Arimateia era assim conhecido por ser de Arimateia, cidade da Judéia. Homem rico, senador da época, era membro do Sinédrio, o Colégio dos mais altos magistrados do povo judeu. Também conhecido como `Sanhedrin´, formava a suprema magistratura judaica. É venerado como santo católico no dia 31 de agosto. A Bíblia relata que ele era discípulo de Cristo, mesmo que secretamente (Joao 19:38)

Na verdade, foram os romanos que trouxeram as primeiras macieiras para das ilhas britânicas e implementaram o seu cultivo. Trouxeram as variedades das quais derivam a maioria das maçãs de mosto atuais: FRENCH LONGTAIL, WHITE SWAN ou SLACK MY GIRDLE. O que há de especial nas maçãs de mosto é o seu interior – com sumo realmente doce, mas de polpa ácida -, o que é muito importante para o aroma acre e a acidez correta da sidra

Um pouco mais de cultura celta

Sabemos através da literatura, que o rei Artur comemorava o Natal – e provavelmente bebia a sidra feita em Avalon.
Avalon se situaria a sudoeste da Inglaterra, no local onde há o monte do Tor e a Abadia de Glastonbury. O Monte do Tor é envolvido por brumas, e o próprio nome Tor significa “passagem”.

O monte do Tor
Nas antigas lendas celtas, existia a Ilha dos bem-aventurados, algo como os campos Elísios dos Gregos ou o Valhalla dos germânicos, local de abundância e alegria. Com o passar do tempo a visão desta terra se fundiu com a lenda de Avalon, visto que era uma ilha cercada por brumas, de difícil acesso, e por ser imaginada como um paraíso, a terra das maçãs, que representam para os celtas o conhecimento e a magia. Avalon também está associada à Terra da Juventude, um reino mítico no qual os habitantes são imortais.
Na versão mais conhecida e consagrada no clássico “As Brumas de Avalon” de Marion Zimmer Bradley, Avalon era uma ilha cercada por brumas que somente uma sacerdotisa poderia afastar para descobrir o caminho até a ilha, lá era o refúgio da antiga religião que foi reduzida pelo catolicismo.

A ilha ficava no mesmo local da Abadia de Glastonbury, mas em outro plano, de modo que quem tentasse chegar a Avalon acabaria no templo cristão.
Avalon, a Ilha das Maçãs, reino perfeito de amor e beleza, a busca constante de todo o ser humano que, apesar de todas as desilusões, ainda tem a esperança de fazer deste mundo uma lenda real, ou seja, um lugar melhor para se viver.

Ruínas de Glastonbury (ver vídeo no fim do post)
A maçã representa a imortalidade, o conhecimento e a magia. E existem vários relatos referentes a sua simbologia e às viagens célticas, conhecidas como Immram (viagem), ao Outro Mundo, supostamente, uma realidade contígua à realidade comum. Os Immram são jornadas místicas, nas quais o herói é atraído por uma fada, que lhe entrega um ramo de maçã e o convida para ir ao Outro Mundo, como em "A Viagem de Bran, filho de Fébal", uma analogia a Avalon e a Morgana. "Além disso, é de crer que a mulher feérica que leva um ramo de macieira de Emain ao herói Bran, filho de Fébal, antes de levá-lo a empreender uma estranha navegação, seja a própria Morrigane." (Jean Markale - A Grande Epopéia dos Celtas).

"A Viagem de Bran Mac Febal (Imram Brain maic Febail)"


Um dia, quando passeava sozinho junto de sua casa, Bran, rei da Irlanda, ouviu uma música atrás de si. Por mais que olhasse para trás, não conseguia perceber de onde vinha esse som encantatório, que teimava em persegui-lo. A sua doce melodia era tal que Bran acabou por cair num sono profundo. Quando acordou, viu junto de si um galho de prata coberto de flores tão brancas que era impossível distinguir entre ambos. Bran levou o galho para a sua casa real onde lhe surgiu uma mulher vestida com estranhas roupas, que recitou perante toda a corte um longo poema. Neste, afirmou ter sido ela a portadora do ramo de prata de uma macieira na ilha de Emne. Nesta ilha bela e distante, na qual cintilavam os cavalos-marinhos de Manannán Mac Lir, a população entregava-se a jogos na Planície da Prata Branca no meio de muita música e muita alegria. Aí desconhecia-se a dor, o sofrimento, a maldade, a doença e até a morte. Encontrapartida, tudo nela era belo e perene : a sua música era a mais melodiosa, os seus alimentos eram os mais apetitosos, a sua bebida, a mais saborosa, os seus tesouros eram os maus riscos. Por isso , Emne era única e imcomparável.
Ao terminar a sua canção, a mulher pegou no ramo de prata e desapareceu sem que ninguém soubesse para onde tinha ido. Mas o fefeito da sua canção em Bran levou-o a lançar-se ao mar acompanhado pelos seus três irmãos adoptivos e por vinte e sete dos seus mais bravos guerreiros, de modo a procurar a ilha encantada. Após dois dias e duas noites a navegar no oceano, Bran viu um homem a aproximar-se dentro de um carro sobre as ondas. Este cantou-lhe também uma canção sobre as terras encantadas do Outro Mundo e identificou-se como Manannán, filho de Lir. Disse ainda a Bran que era seu destino viajar até à Irlanda onde geraria um filho a quem daria o nome de Mongán. O Senhor dos Mres despediu-se, por fim, com outra canção.
Algum tempo depois de se afastar de Manannán, Bran avistou enfim outra ilha. Aproximou-se dela rodeando-a com o seu barco, e verificou, com espanto, que todos os seus habitantes riam com agrado enquanto o observavam, sem que, contudo, lhe dirigissem a palavra. Bran enviou um dos seus homens à ilha, mas este, uma vez em terra, adquiriu igualmente o mesmo comportamento estranho dos seus habitantes: ficou a olhar fixamente para os seus companheiros, rindo, sem pronunciar palavra. Como tal, Bran deixou-o aí, na ilha conhecida como Ilha da Alegria, e voltou a partir.
Passado um tempo, aproximou-se de outra ilha. Desta vez, era a Ilha das Mulheres. No porto, a sua líder deu-lhe asboas vindas e convidou-os a ir a terra. Mas, temendo aventurar-se na ilha desconhecida, Bran recusou o convite. A mulher recorreu então a um estratagema: atirou uma bola de londe em diracção ao rosto de Bran que a agarrou com a mão onde a bola ficou colada. Puxando pela outra ponta, a mulher fez o barco atravessar o porto, obrigando assim Bran e os seus homens e entrarem na ilha. Foram recebidos com camas quentes e boa comida, que nunca desaparecia dos pratos. Sem se aperceberem do passar do tempo, permaneceram na Ilha das Mulheres durante largas centenas de anos, até que Nechtan mac Collbrain começou a sentir saudades de casa, sentimento que logo se alargou a todos, que tentaram convencer Bran a voltar à Irlanda. A mulher avisou-os, porém, de que se partissem se arrependeriam, mas ainda assim decidiram partit. Ela disse-lhes então que deveriam levar com eles o companheiro que haviam deixado na Ilha da Alegria e, conhecendo o número de anos que haviam permanecido nos seus domínios, advertiu-os para não tocarem em solo irlandês.
Bran e os seus homens abandonaram a Ilha das Mulheres e viajarm por mar até chegarem à costa da Irlanda. Aí encontraram uma multidão reunida em Srub Brain. Quando lhe perguntaram quem era, Bran respondeu : «Sou Bran, filho de Febal».
«Não sabemos quem és, embora a "Viagem de Bran" seja uma das nossas histórias mais antigas», respondeu um dos irlandeses, para grande espanto de Bran e dos seus homens.
Nesse momento, Nechtan deciciu sair do barco, esquecendo-se dos avisos que lhe haviam sido feitos na Ilha das Mulheres, e tocou o solo da Irlanda com os pés. Transformou-se rapidamente num monte de cinzas como se estivesse como se estivesse estado vivo por muitas centenas de anos.
De dentro do seu barco, Bran contou aos irlandeses as suas aventuras desde o início até àquele momento. Gravou-as em galhos com Ogham e deitou-os ao mar. Partiu depois no seu barco com os seus companheiros para nunca mais ser visto, e pelo mar vagueia ainda, sem que ninguém saiba onde se encontra.

Outro Immram que relata "A Viagem de Maelduin" trata da busca do herói pelos assassinos de seu pai. "Na tradição céltica, dois fatores são constantes: o Outro Mundo fica do outro lado da água; e a direção da jornada geralmente é oeste." (Caitlín Matthews - O Livro Celta dos Mortos). Avalon é o templo do mundo interior, terra da eterna magia e saber que oferece iniciação e esclarecimento a todos que iniciam nessa jornada. E, somente, aqueles que compreendem que a vida é infinita em suas possibilidades poderão abrir as portas deste mundo. Avalon está associada a Caer Siddi (Fortaleza das Fadas), o Outro Mundo ou Annwn, o sídhe (colinas) d’Aqueles Que Vivem Para Sempre... Ilha feérica, onde apenas o povo das fadas e os nobres cavalheiros de alma pura podiam adentrar.
"Existia em Caer Siddi uma fonte que jorrava vinho doce e onde o envelhecimento e a doença eram desconhecidos. Entre os seus tesouros havia um caldeirão mágico, tema diretamente ligado à abundância existente na Ilha das Maçãs." (Ellis, 1992 - Geoffroy de Monmouth, Vita Merlini e Jean Markale - A Grande Epopéia dos Celtas).
Na mitologia céltica existem vários mitos sobre as três propriedades inesgotáveis do caldeirão: inspiração, regeneração e fertilidade. O Grande Dagda possuía um caldeirão proveniente da cidade de Múrias. Ao provar dele, ninguém passava fome, (Ellis, 1992). Matholwch recebera o caldeirão do renascimento do Deus Bran e com ele era possível ressuscitar um morto, mas que perderia a capacidade de falar. (Mabinogion, 1988).
"Na tradição galesa a história de Taliesin oferece um exemplo do caldeirão do renascimento, após a luta de transformação e metempsicose - transmigração da alma de um corpo para outro - da Deusa Cerridwen e Gwion." (J. A. Macculloch - A Religião dos Antigos Celtas).
O caldeirão, mais tarde, deu origem ao mito do Graal, inicialmente nas obras de Chrétien de Troyes. Com a sua cristianização em fins do século XII, o conteúdo do cálice passou a ser o sangue de Cristo. Simbolizando o conhecimento e o alimento da alma. A propósito da temporalidade do Outro Mundo, representada pela "Insula Pomorum", a Ilha Paradisíaca, onde a passagem do tempo não é percebida pelos humanos que para lá vão, como pode ser visto nos relatos sobre Bran. (Jacques Le Goff, 1993).
A ilha sagrada de Avalon não existe nas dimensões de tempo e espaço conhecidos por nós. Ao longo dos séculos, as pessoas tentam localizá-la, em locais como: a Irlanda, o País de Gales, a Cornualha, a Bretanha e a Ilha de Man.
A cidade de Glastonbury, em Somerset, na Inglaterra, é particularmente associada a Avalon, através dos seus mitos e lendas locais, relacionando a colina do Tor como sendo a entrada do Annwn (Outro Mundo), a terra dos mortos na tradição galesa, o lar de Gwynn ap Nudd, o rei das fadas e guardião do submundo.

O Tor
 Avalon, através dos seus mitos e lendas locais, relaciona a colina do Tor como sendo a entrada do Annwn, a terra das fadas, a passagem para o Outro Mundo ou Caer Siddi... Descendo a colina em espiral do Tor, em meio aos carvalhos, chega-se a "Chalice Well Gardens", os Jardins do Cálice Sagrado , onde existe uma fonte de água avermelhada com propriedades curativas, reforçando o mito do Santo Graal e o poder mítico de renascimento dos Deuses, descrito no Livro de Taliesin. (Para mais informações sobre Chalice Well Gardens visite http://www.chalicewell.org.uk/index.cfm/glastonbury/About.Tour )

Chalice Well Gardens em Glatonbury
Mapa de Chalice Well Gardens
Invisíveis aos olhos descrentes, as brumas revelam seus mistérios apenas aos que servem o princípio maior, junto aos Deuses. A lenda se torna realidade, mas o medo, como sempre, é o grande desafio daqueles que estão na travessia deste portal, prestes a desvendar os segredos do Outro Mundo.
Avalon é o templo do mundo interior, a terra da eterna magia e o saber ancestral, que oferece iniciação e esclarecimento a todos que ingressam nessa jornada. E, somente, aqueles que compreendem que a vida é infinita em suas possibilidades poderão abrir as portas deste mundo etéreo.
Chalice Well Deva

Avalon se apresenta nos corações daqueles que são sinceros e seguem o que lhes foi traçado pelos Deuses. Nunca duvide daquilo que foi revelado. A luz do conhecimento é a divina inspiração que nos chama, a todo instante, ao sagrado caminho, mas somente nós é que poderemos tecer o fio desse destino.
O universo nos coloca, sincronicamente, em caminhos que irão modificar não apenas a nossa existência, mas toda a realidade que nos cerca.
A espiritualidade é a energia presente em todos nós, é a essência da vida que nos leva ao equilíbrio e a plenitude. Através da sensibilidade e da intuição começamos a discernir aquilo que é melhor e o que realmente faz a nossa alma feliz.
Avalon é a lenda que nos desperta para uma nova realidade!

Referências

BRASIL. Norma de identidade e qualidade da sidra. In: D.O.U. Portaria n°746, de24 de outubro de 1974. Brasília: Diário Oficial da União, 1974. p. 16-35.

MACCULLOCH, J.A. - A Religião dos Antigos Celtas - Edinburgh: T. & T. CLARK, 1911.
MATTHEWS Caitlín - O Livro Celta dos Mortos - Ed. Madras, 2003.

MARKALE, Jean - A Grande Epopéia dos Celtas - Ed. Ésquilo, 1994

NACM - NATIONAL ASSOCIATION OF CIDERMAKERS -. Code of practice for theproduction of cider and perry. London, 1998.

ROBIN, P.; DE LA TORRE, M. Le cidre, la pomme, le calvados. Paris: Editions duPapyrus, 1988. 192 p.

VITA MERLINI - Geoffrey de Monmouth, 1100–1155.

WOSIACKI, G.; CHERUBIN, R. A.; SANTOS, D. S. Cider processing in Brazil. FruitProcessing . Schönborn, v. 7, n. 7, p. 242-249, 1997.

GIDLOW, Christopher - O Reinado de Arthur - da História à Lenda - Ed. Madras, 2004.
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Então que tal tomarmos uma sidra, neste natal em memória da velha religião e, nos deliciarmos com uma torta de maça e sidra?

Torta de Maçã e Cidra
Ingredientes
Recheio
1 dúzia de maçãs sem casca
1 litro de cidra (no restaurante, é usado o rótulo Le Petit Trou)
100g de açúcar mascavo
50g de manteiga
200ml de creme de leite fresco
3 ovos
30g de açúcar
Massa
175g de farinha de trigo
125g de manteiga em pasta
50g de açúcar
3 ovos

Modo de preparo: Recheio Em uma panela quente coloque a manteiga e refogue as maçãs cortadas em quatro partes. Adicione o açúcar e deixe caramelizar um pouco. Adicione a sidra e cozinhe um pouco a maçã, reduzindo a sidra, e até obter um caldo mais grosso. Espere esfriar, separe o caldo do cozimento e misture com o creme de leite e os ovos, e o açúcar. Massa Misture o açúcar e a manteiga até ficar branco. Em seguida, acrescente os outros ingredientes. Não misture nem sove a massa. Enrole-a em um filme plástico e coloque na geladeira por uns 15 minutos. Reserve. Em uma forma, coloque a massa, abrindo com a mão e pré-asse durante 15 minutos. Montagem Tire do forno e coloque as maçãs. Por cima, coloque o creme. Asse a 180°C por 45 minutos. Sirva quente e com chantilly.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Clericot - Que tal, pro seu Natal?!

Os primeiros cheiros do Natal já se espalham pelo mundo – não me canso de dizer está frase quando chega dezembro. A mistura das especiarias nos doces, o aroma dos panetones, as ervas dos assados (acho que já tem peru e chester se escondendo por aí), eu já os sinto nas narinas. È impressionante... deliciosamente impressionante.



Hoje estava terminando um artigo cientifico que trata do luxo na gastronomia quando em dei por conta que poderia utilizar o assunto pra escrever um post.
Já reparam que é durante as comemorações que o luxo, geralmente, aparece na cozinha? E surge quando os anfitriões querem impressionar os convidados, as matriarcas querem agradar a família, um apaixonado querer surpreender seu amor, dentre tantos outros motivos, as pessoas querendo deslumbrar os outros se utilizam de ingredientes nobres para conquistar aceitação através do paladar – vulgarmente, pegar a pessoa pelo estomago, e se a comida e a bebida for boa isso  funciona direitinho.
Nesta época natalina se observa as família empenhadas em apresentar os melhores e mais bonitos pratos feitos muitas vezes com receitas de família que são guardadas a sete chaves, e que são acompanhadas com bebidas das melhores safras.
Com nosso clima tropical, de sol escaldante – aqui em Fortaleza parece uma fornalha, geralmente as pessoas poderiam pensar que os vinhos sairiam de cena devido a temperatura. Mas enganam-se quem assim pensa. Afinal a coquetelaria existe e nos ajuda a tornar o que já é bom e transformar numa bebida excelente.
Nas comemorações em muitas partes do  Brasil é possível encontrar por exemplo, as sangrias – bebida originalmente hispânica a base de vinho tinto e frutas. Pensando nisso hoje falaremos sobre o CLERICOT.



Quando ouvimos falar em clericot imaginamos logo que ele venha da França – devido a pronuncia da palavra, meio afrancesada – e com isso, pode-se pensar que a bebida pode ter sido inventada no verão da região de Borgonha quando um vinicultor irritado com o calor resolve misturar um vinho  branco com as frutas q ele colheu no seu pomar, misturou  tudo, colocou  gelo e se deliciou.
Porém a verdade é outra – muito menos romântica, por sinal. Ao que se sabe a bebida surgiu em meados do século XIX, na Índia, quando o país estava sob o domínio  da Grã-Bretanha, sendo inventado por funcionários da administração inglesa na região do Punjab, que quase mortos pelo calor, resolveram providenciar uma bebida refrescante à base de vinho claret (denominação dada pelos ingleses aos tintos de Bordeaux) com a adição de bacaxi – ou qualquer outra fruta suculenta.



Na época a bebida foi batizada de claret up. Desde então passou a ser servidos em muitos bares pelo  mundo,  tornou-se mais claro, pois passou a ser preparado com vinho branco ou espumante e transformou-se em clericot.
Na Sul América, o clericot já é intimo de  argentinos uruguaios, que  a bastante tempo  é servido nas churrascarias de Buenos Aires e em Punta del Este. No Brasil, os gaúchos são os apreciadores mais antigos – deve ter sido uma influencia advinda das proximidades com argentina e Uruguai.
Assim sendo, por ser uma bebida simpática, refrescante, o clericot combina perfeitamente com o cliam tropical e pode ser servido nos seus eventos gastronômicos de fim de ano. Que tal experimentar na sua festa de Natal?

Clericot

Ingredientes:
1 maçã
1 abacaxi
12 morangos
1 kiwi
1 laranja
1 dose de contreau (50 ml)
1 dose de conhaque (50 ml)
2 colheres de sopa de açúcar
70 ml de soda
1 garrafa de 750 ml de vinho branco ou  clarete
Gelo a gosto

Modo de preparo: Pique as frutas, sem casca e as coloque em uma jarra junto com o gelo. Adicione em seguida o conhaque, o contreau, a soda, o vinho e complete com o açúcar.

Clericot para o Natal

Ingredientes:
1 garrafa de champagne rosé
50 ml de cherry brand
2 garrafinhas de club soda
2 pêssegos picados
2 maçãs picadas
¼ de abacaxi em cubinhos
½ manga picada
8 morangos picados
1 cacho de uva Itália (cortar ao meio e retirar o caroço) opcional

Modo de preparo: Macere todas as frutas (menos o morango) com o cherry brand por 30 minutos. Acrescente os morangos, club soda, o gelo e misture bem. Acrescente o espumante rosé e mexa ligeiramente com bailarina ou colher de cabo comprido.


Receita de Clericot Exótica
Ingredientes:
1 garrafa de Salton Flowers
100 g de abacaxi picado
1 pomelo (grapefruit) sem casca e sem sementes picado
100 ml de xarope de lichia
10 lichias em calda
1 carambola em fatias
2 doses de licor de limão
Gelo

Modo de preparo: Colocar as frutas em uma jarra. Adicionar o xarope de lichia, o licor de limão e o vinho, mexendo bem. Deixar na geladeira por 30 a 45 minutos antes de servir para macerar bem. Adicionar gelo e servir.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Pepernoten: os biscoitos típicos do Natal Holandês

Hoje estou animado: terei um casamento pra ir e já consigo sentir, além dos aromas das comidas das bodas, os cheiros especiarados do Natal. Empolgo-me tanto que olha euzinho vestido de Noel.

O Barão de Gourmandise trajado de Noel
Estava observando meu facebook, quando minha amiga Celinie Rodrigues, hoje cidadã Holandesa, me manda uma mensagem me agradecendo pelas receitas de salgadinhos de festa que enviei pra ela – e que fez muito sucesso por lá. Quando Celinie viu a minha foto de Noel, imediatamente ela respostou, dizendo: nossa vc tá igual o daqui, sinterklaas.

Olha a Celinie aí.
Daí fiquei pensando em juntar todo este contexto e ver no que dava. E eis que surgiu a pauta do escrito de hoje – e vem direto da Holanda...

Sinterklaas -  comemorado em 5 de dezembro


Sinterklaas ou Sint Nicolaas (São Nicolau), quase sempre montado num cavalo branco e sempre acompanhado por um ou mais "Zwarte Pieten", nesse dia visita escolas, centro comerciais e as casas de família para celebrar seu aniversário. Essa é a lenda popular e as crianças com menos idade acreditam de coração que ele é verdadeiro. Elas de certa forma têm certo receio porque sabem que ele tem um livro com as anotações sobre como cada criança se comportou durante o ano e diz a lenda que a criança que não se comportou bem é levada pelos "Zwarte Pieten" para a Espanha. Seu ajudante fiel, "Pedro Preto", leva consigo um saco cheio de presentes, doces e bolachinhas típicas para distribuir para as crianças. Elas cantam canções típicas para o dia para depois ganharem seus presentes. A noite de Sinterklaas é sempre celebrada em família com muita festa. Os adultos e adolescentes trocam presentes com embrulhos engraçados acompanhados de um verso feito pelo doador. Desse jeito cada pessoa, em nome de Sinterklaas, pode fazer referências a certas características da pessoa e acontecimentos engraçados sem se revelar como doador do presente.


Os biscoitinhos que foram comentados no trecho acima são os pepernoten, ou kruidnote - o motivo do post de hoje. Eles são mini cookies feitos com especiarias, o que já combinam bem com esta época de festas natalinas .


Hoje em dia já não se sabe precisar a diferença entre pepernoten e kruidnoten. Porém sabe-se que é sutil a combinação de especiarias entre os dois tipos e, que há os que gostem de um e não do outro.De acordo com a wikipedia, os pepernoten levariam farinha de centeio na massa – mas não vi, na internet, nenhuma receita que consta este fato.
Atualmente o mais comum encontrado nos supermercados é o kruidnoten, embora os pepernoten também possam ser comprados. Ao que me parece, os pepernoten eram mais comum no passado. 
De certo, há uma confusão aí, os nomes se misturam entre as receitas e os próprios holandeses, às vezes, chamam kruidnoten de pepernoten. Os pepernoten podem ser comprados nos supermercados de setembro a dezembro. Nos demais meses do ano, só tem um jeito de comer pepernoten: preparando-os em casa. O problema é que você não consegue parar de comê-los...

Pepernoten
Fonte: http://www.sinterklaasfan.nl/recepten/pepernoten.html
Ingredientes:
250 gramas de farinha de trigo
1 colher de chá (3 gramas) de fermento em pó
2 colheres de chá (5 gramas) de canela em pó
1 colher de chá (2½ gramas) de cravo em pó
3 bagos (2 gramas) de cardamono
1/2 (meia) colher de chá (1 grama) de gengibre em pó
125 gramas de manteiga
125 gramas de açúcar mascavo
50 gramas de schenkstroop (é um xarope de caramelo comum aqui na Holanda. Pode ser substituído por mel ou melado)
3 gramas de sal

Modo de preparo: Misture a farinha, o fermento e as especiarias numa tigela.
Numa panela, derreta a manteiga com o açúcar mascavo, o mel e o sal, mexendo até que a manteiga esteja derretida e tudo bem incorporado. Junte a mistura de farinha com a manteiga derretida e mexa bem até formar uma massa macia. Faça rolos de 5 cm de espessura e “fatie” produzindo os mini-cookies. Distribua-os numa forma forrada com papel-manteiga e leve ao forno por aproximadamente 15 minutos, colocando a forma posicionada no meio do forno (Cuidado com o tempo de forno para não assá-los demais) Deixe esfriar num lugar fresco por algumas (2) horas. Modele e asse os cookies: Pré-aqueça o forno a 180 ° C. 

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Thanksgiving Day – o Dia de Ação de Graças é lei no Brasil !!!

 Outro dia me peguei pensativo, depois que vi um filme norte-americano sobre o Dia de Ação de Graças. E cheguei a conclusão de que lá, nos EUA, eles dão mais importância ao dia de Ação de Graças do que ao Natal. Pode ser que eu esteja sendo precipitado com esta afirmação – mas é isso, exatamente, o que os filmes sobre o tema me passam.



Eu, particularmente, acho que devemos copiar bons hábitos. E acredito que esta celebração deveria ser uma das que o povo brasileiro deveria adotar – sim – tendo em vista que no processo de aculturação (ou mais precisamente, de americanização) nós, sempre escolhemos coisas, na maioria das vezes, sem um sentido mais profundo para copiar.
E tal foi o meu espanto quanto eu encontrei na internet que o Dia de ação de Graças foi estabelecido no Brasil por lei, instituída pelo então presidente Gaspar Dutra, como Dia Nacional de Ação de Graças (lei 78V1SK, de 17 de agosto de 1949) por sugestão do embaixador Joaquim Nabuco, entusiasmado com as comemorações que vira em 1909, na Catedral de São Patrício, quando embaixador em Washington.



Em 1966, a lei 5110 estabeleceu que a comemoração de Ação de Graças se daria na quarta quinta-feira de novembro Esta data é comemorada por muitas famílias de origem americana, igrejas cristãs, universidades confessionais metodistas e cursos de inglês.

Mas como surgiu esta comemoração?

A história do Thanksgiving (Dia de Ação de Graças) começou em 1621 quando os pelegrinos vindos da Inglaterra para a terra nova, hoje os Estados Unidos, celebraram o agradecimento pela colheita do ano na colônia de Plymouth. Na ocasião, cerca de 90 índios nativos, os Wampanoag, participaram da festa dos pilgrims (pelegrinos em inglês). Os novos americanos estavam comemorando a benelovência de Deus para com eles num período em que mais da metade dos pilgrims tinha morrido por causa do inverno causticamente por que passaram. Sem a ajuda dos índios, todos teriam morrido.


William Bradford
Na primeira colheita, o governador William Bradford proclamou um dia de ação de graças e oração a Deus pela provisão dos alimentos. Na festa, um dos principais ingredientes era o peru, que ficou como marco da celebração do Thanksgiving. O cardápio do dia normalmente inclui peru, staffing (um milho de pão em cubinhos usado como recheio), abóbora, purê de batata, batata-doce, e torta de abóbora. Estas comidas simples recordam as virtudes rústicas dos Peregrinos.
Em 1623, um período de seca varreu os Estados Unidos. Os colonos da nova terra proclamaram um dia de jejum e oração e mais uma vez, depois que Deus envia chuva dos céus, é celebrado um dia de ação de graças na terra do Tio Sam. Pouco mais tarde, William Bradford declara que a data de 29 de novembro seria consagrada como dia de oração, onde pastores e líderes agradeceriam a Deus por suas bênçãos sobre a nação.


The First Thanksgiving

Na história dos Estados Unidos muitas foram as celebrações de Thanksgiving e proclamações de datas em que os americanos se lembrariam de agradecer a Deus. Em 1789 o presidente George Washington proclamou que o Dia Nacional de Ação de Graças deveria ser celebrado na última quinta-feira do mês de novembro, em honra à Constituição dos Estados Unidos.
Thomas Jefferson, o terceiro presidente, revogou esta lei, afirmando que a prática estava incorreta por ser uma "decisão de rei".
Em 1863, Sarah Josepha Hale, autora do poema Mary had a little lamb (Maria teve um pequeno cordeiro), muito conhecido dos americanos, convenceu Abraham Lincoln a proclamar o Thanksgiving como feriado nacional. Para a data, ela escolheu a última quinta-feira de novembro por causa da declaração de George Washington. Em 1041, a data foi oficialmente transferida para a 4ª quinta-feira de novembro.

Mas, em 1939, o presidente Franklin Delano Roosevelt instituiu que esse dia seria celebrado na terceira semana de novembro, com o intuito de ajudar o comércio, aumentando o tempo disponível para propagandas e compras antes do Natal (À época, era considerado inapropriado fazer propagandas de produtos à venda antes do Dia de Ação de Graças). Como a declaração de Roosevelt não era mandatória, 23 estados adotaram a medida instituída por Roosevelt e 22 não o fizeram, com o restante tomando ambas as quintas-feiras (a da terceira e a da quarta semana de novembro) como Dia de Ação de Graças. O Congresso americano, para resolver este impasse, instituiu então que o Dia de Ação de Graças seria comemorado definitivamente na quinta-feira da quarta semana de novembro e que seria um feriado nacional.
É interessante perceber que todas as celebrações de Thanksgiving no início da história dos Estados Unidos foram feitas para agradecer a Deus. Não importavam aos novos americanos os maus tempos. O povo sabia que Deus era o criador e provedor de todas as coisas.
Selos comemorativos do Dia Nacional de Ação de Graças no Brasil
Este ano a celebração do Thanksgiving acontece no dia 24 de novembro. Que possamos aproveitar esta oportunidade para agradecer a Deus por tudo que Ele tem feito por nós. Feliz Dia de Ação de Graças!

Peru estufado com farofa de sálvia
1 peru de aproximadamente 3,5 kg
700 g de farinha de pão de milho
3 cebolas médias
4 dentes de alho (para a marinada e a farofa)
5 cabeças de alho (para o momento de assar)
1 cenoura
1 maço de sálvia
1 folha de louro
1 garrafa de vinho branco seco
2 colheres de sopa de vinagre de vinho branco
200 g de manteiga
2 colheres de sopa de óleo
Sal e Pimenta-do-reino a gosto

Prepare a marinada O primeiro passo para a preparação da receita é a marinada do peru. Marinar significa deixar o alimento em uma mistura líquida de temperos durante algumas horas antes de cozinhar. Para isso, é necessário misturar, num recipiente grande, o vinho, uma cebola cortada em cubos, um dente de alho com a casca esmagada, a cenoura picada, a folha de louro, o vinagre, o óleo e um pouco de pimenta do reino. Deixe o peru mergulhado nessa mistura. O chef sugere que a ave seja movimentada a cada três horas, para que toda a extensão da carne pegue o gosto do tempero. Modo de preparo da farofa: Pique o maço de sálvia. Coloque a farinha de pão de milho, três dentes de alho picados e duas cebolas numa frigideira grande. Refogue com manteiga até dourar. Em seguida, tempere com sal, pimenta e a sálvia picada. Modo de preparo do peru: Após 24 horas de marinada, recheie o peru com a farofa e cubra-o com papel alumínio. Deixe o lado brilhante do papel para dentro, assim o calor fica retido na carne. Coloque o peru, acompanhado de cinco cabeças de alho cortadas ao meio, para assar no forno a uma temperatura média de 90 ºC. Deixe-o ali por pelo menos por duas horas e meia. Após esse período, com a ponta de uma faca, faça uma pequena perfuração e confira a textura e o cozimento da carne. Se já estiver assada, você pode tirar o papel alumínio, para que a pele do peru fique crocante. Esse processo dura aproximadamente 20 minutos.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Baunilha - Uma princesa Gastronômica

E o Natal está chegando... Eu já disse que adoro esta época? Eu gosto imensamente de tudo no natal. Confesso que as decorações me enchem os olhos, mas quando novembro se esvai é com os cheios do natal que eu me emociono. Cheiro de coisa boa, de comida interessante, de pratos requintados; cheiro de frutas secas, de nozes, castanhas, amêndoas; cheiro de canela com açúcar que cobrem as rabanadas; cheiro de panetone, e especialmente, cheiro de baunilha!!!

Baunilha é um caso sério! Lembro-me que quando eu era criança, minha mãe dizia que pra deixar as sobremesas mais gostosas não poderia faltar  baunilha. E ela carregava nesta essência, principalmente nas ocasiões especiais. Neste saudosismo o post de hoje é sobre a baunilha – esta queridinha dos confeiteiros.
Iremos hoje ler um pouco sobre a presença da baunilha no mundo e depois nos encantarmos com a lenda asteca sobre um romance que originou a baunilha. E por fim, aprenderemos a fazer extrato de baunilha em casa.
Baunilha (do castelhano vainilla, pequena vagem) é uma especiaria usada como aromatizante, obtida de orquídeas do gênero Vanilla, nativas do México. Originalmente cultivada pelos povos mesoamericanos pré-colombianos, parece ter sido levada para a Europa juntamente com o chocolate na década de 1520, pelo conquistador espanhol Hernán Cortés.
Hernán Costés
A vanilina (4-hidroxi-3-metoxibenzaldeído) é um dos compostos aromáticos mais apreciados no mundo e um importante flavorizante para alimentos, bebidas e é usada também em produtos farmacêuticos. Ela possui vários efeitos como prevenção de doenças, antimutagênico, antioxidante, conservante e antimicrobiano2-4. O aroma de baunilha, ou seja, a vanilina, é obtida da planta Vanilla planifolia na forma de gluco-vanilina, na proporção de 2% em peso. A fonte natural da gluco-vanilina (a vagem da baunilha) pode fornecer apenas 20 t métricas das 12000 t métricas consumidas anualmente (cerca de 0,2%).



A produção de baunilha é um processo trabalhoso e de alto custo (a vanilina de extrato natural rende US$ 4000 por kg). Existe também a vanilina artificial, comumente derivada de liquores de sulfito, produzidos durante o processamento da polpa de madeira para a fabricação de papel6. Porém, o extrato sintético de vanilina fornece apenas a nota sensorial principal do "flavour" de baunilha. Além disso, esse tipo de produção rende somente US$ 12 por kg para a indústria. Esses números demonstram o interesse industrial em encontrar novas alternativas para a produção de vanilina natural, que poderiam fornecer um preço significativamente maior quando comparado à produção sintética de vanilina.

A “flor negra” dos astecas
A história da baunilha está associada à do chocolate. Os astecas, e já antes os maias, decoravam com baunilha uma bebida espessa à base de cacau. Os astecas designavam tal bebida, destinada aos nobres e aos guerreiros, xocoatl. Porém, os astecas não cultivam nem a baunilha nem o cacau, devido ao clima impróprio. Tais produtos de luxo provinham do comércio com as regiões vizinhas. Provavelmente não dispunham do conhecimento agronômico da planta que produzia a baunilha, pois lhe chamavam tlilxochitl, que significa «flor negra», embora fosse mais lógico que a chamassem «fruto negro».



São os totonacas, ocupantes das regiões costeiras do golfo do México, próximo da atuais cidades de Veracruz e Papantla, quem produzia a baunilha e a fornecia aos astecas (ver a lenda totonaca abaixo). Os totonacas chamavam e chamam ainda hoje à baunilha caxixanath, a «flor escondida», ou de modo abreviado xanat.

Desenho da baunilheira no Códice Florentino (ca. 1580) e descrição do seu uso e propriedades escrita em nauatle.
Os espanhóis descobrem a baunilha no início do século XVI por ocasião da conquista da América Central. Não há nada que permita concluir que esta especiaria tenha sido conhecida na passagem pela América Central das várias expedições continentais iniciais, como as de Ojeda e de Nicuesa em 1509 ou de Núñez de Balboa ao Panamá em 1513, pois não foi até hoje encontrado qualquer relato sobre este assunto. Por outro lado, tudo leva a crer que o conhecimento decisivo da baunilha está efetivamente ligado à chegada dos espanhois a Tenochtitlan, e ao encontro de Hernán Cortés com o tlatoani Moctezuma II, descrevendo Sahagún os costumes e em particular o uso da baunilha para aromatizar o chocolate. A primeira referência escrita à baunilha que se conhece, bem como a primeira ilustração, constam do Códice Florentino, escrito pelos astecas Martín de la Cruz e Juan Badiano em 1552. Esta mesma referência constitui igualmente a primeira a uma orquídea do Novo Mundo.
O monopólio mexicano
A partir do século XVII o comércio internacional começa a ganhar amplitude. A baunilha é apresentada à rainha Isabel I de Inglaterra pelo seu farmacêutico, Hugh Morgan. Este faz chegar uma amostra a Charles de l'Écluse que em 1605 publica pela primeira vez na Europa uma descrição naturalista da vagem à qual chama Lobus oblongus aromaticus, ou «concha aromática alongada».


Charles de l'Écluse
Durante mais de dois séculos (XVII e XVIII), o México, em particular a região de Veracruz, conserva o monopólio da baunilha.
Todas as tentativas de produzir esta orquídea fora da sua área natural de origem saldam-se em fracassos. Apenas no século XIX se saberia que as abelhas indígenas tinham um papel fecundador indispensável à formação do fruto.
A baunilha suscita uma verdadeira paixão na Europa, sendo cada vez mais apreciada na corte da França. Luís XIV tenta introduzi-la na ilha da Reunião, mas todas as tentativas feitas durante o seu reinado falham.

A Lenda (Asteca) da Baunilha
"Era uma vez no Reinado de Totonocopan, na Terra da Lua Resplandecente, onde vivia um povo indígena mexicano, chamado Totonacas - hoje é o Estado de Vera Cruz - havia um outro reino chamado El Tajin (cidade pré-colombiana), construído por eles, em honra a um deus asteca chamado Hukaran - deus do trovão. E é nesse cenário de floresta tropical, com montanhas verdejantes, vales profundos e serras de um verde incrível que começa nossa estória.
Deus Hurakan
Tudo começou há muito tempo, no reinado de Tenitzli III. Ele e sua esposa foram abençoados pelos deuses com uma filha de uma beleza tão perfeita, que chegaram a achar que era uma deidade que ali havia nascido. Então, só de pensar que um dia ela pudesse se casar com um mortal qualquer, tremiam de aflição. Após muito sofrerem com dúvidas quanto ao que fazer com relação ao destino de sua pequena deusa, acharam por bem dedicarem sua vida à religiosidade. Fizeram isso através da oferta de seu destino em um culto à deusa Tonoacayohua, da colheita e da prosperidade. Com isso tornaram-se mais saudáveis e prósperos.
Quanto à menina, Princesa Tzacopontziza - Estrela da Manhã, teve sua vida devotada ao serviço no templo dessa deusa, levando-lhe flores e alimentos diariamente.
Acontece que ninguém foge ao seu destino. A escolha feita quando ela ainda era um bebê, como poderíamos esperar, foi difícil de controlar seus desejos e pensamentos em sua adolescência.
Numa manhã ensolarada, numa das idas e vindas de Estrela da Manhã pela floresta a fim de levar flores ao templo, um também belíssimo rapaz,  chamado Jovem Cervo a viu pela primeira vez. Apesar de todos os seus esforços para não olhá-la diretamente, posto que soubesse que isso poderia custar-lhe a vida de forma horrenda, não foi possível evitar. O destino estava traçado. Ele já estava literalmente encantado. Não conseguia nem pensar sobre as conseqüências. Sua mente e coração já estavam ocupados demais com a idéia e sentimento de tê-la com esposa.



Assim, passou a se esconder entre os arbustos da floresta aguardando que a Princesa Estrela da Manhã surgisse - mortais aparecem, mas deusas e deuses simplesmente surgem - para colher flores para a Deusa do Templo, até que a oportunidade se fez.
Ao amanhecer de um belo dia - bem, belo é modo de dizer, pois este dia especialmente estava cinza com nuvens pesadas e chovia muito. Ainda assim, a princesa não deixava de sair para cumprir o que achava ser sua tarefa de vida. Ela passou calmamente, como se ao sol estivesse, colhendo suas flores, quando Jovem Cervo surge por detrás de um arbusto, a pega pelos braços e praticamente voa com ela dali por dentro da floresta em direção às montanhas.
Enquanto corria com ela agarrada pelo braço, confessou sua paixão incontrolável e ela por sua vez, apesar do susto que essa atitude causou, imediatamente se apaixonou por ele, cruzando seus destinos para sempre.


Plantação de Baunilha - orquidário
Assim que eles alcançaram a primeira montanha surge de dentro de uma caverna um monstro horrendo cuspindo fogo. O maldito do monstro devia ser um tremendo mal amado, frustrado e baixo astral, pois não se sensibilizou com os apelos do casal, obrigando-os a voltarem para a estrada.
Eis que quando alcançam a estrada, seguidos pelo seu algoz fedorento, se deparam com os padres do reino que bloquearam sua passagem. Antes que fosse possível qualquer argumentação, Jovem Cervo foi derrubado e sua cabeça cortada.
É... se vocês estão tristes ou horrorizados,  têm razão, eu também fiquei assim. Mas, de qualquer forma, tirem as crianças da sala e continuem, pois destino é destino e se não fosse por ele... Bem, vamos voltar ao que interessa.
Não preciso nem dizer que fizeram o mesmo com Estrela da Manhã sem dó nem piedade. O que faz a ignorância de amor! Esses padres viviam o contrário do amor - a ignorância cega.
Vanilla Planifolia
E não parou por aí. Arrancaram os corações dos dois amantes e levaram para o templo. O amor era tão grande, que chegaram lá ainda batendo. Colocaram os coraçõezinhos sobre uma pedra do altar em oferenda à deusa. E jogaram os corpos dos jovens precipício abaixo. Mas como nada supera o Amor e quem rege o Mundo é Deus, estamos prestes a saber a conseqüência disso.
No exato local onde os corpos caíram, bem pouco tempo depois, como presságio da mudança que estamos prestes a saber, nasceu ali uma pequena moita, que se espalhou tão rapidamente, que em poucos dias já se podia ver uma vinha maravilhosa verde esmeralda que florescia no local. Seus brotos se entrelaçavam nos troncos e nos galhos de forma delicada, porém segura, realmente parecia que se abraçavam. Os brotos eram suaves e elegantes e a folhagem era forte e sensual.
A floração foi rápida também. Surgiam orquídeas por toda a vinha e todos que passavam pelo local ficavam fascinados e ao mesmo tempo surpresos, pois as orquídeas se assemelhavam a uma jovem repousando, pensando em seu amado. Conforme as orquídeas morriam, davam lugar às favas fortes e perfumadas, que deixavam, quem passasse pelo local, inebriado com seu aroma.
Assim, não só os devotos da deusa, bem como os padres (é... aqueles mesmos!) tiveram que se render às evidências de que os jovens amantes continuavam vivos na forma da baunilha, que é como passou a chamar-se aquela floração. De qualquer forma, Estrela da Manhã e Jovem Cervo continuam juntos, dando sementes (seus filhinhos), crescendo e perfumando e, ainda como prova de que a Deusa do Templo não queria sacrifício de ninguém, suas flores ainda são oferecidas a ela como presente sagrado. Pois é, Estrela da Manhã não se zangou. Era esse seu destino.


Referências Bibliográficas
1. http://www.omikron-online.de/cyberchem/aroinfo/0541-aro.htm, acessada em Abril 2004.
2. Cerrutti, P.; Alzamora, S. M.; Int. J. Food Microbiol. 1996, 29, 379.   
3. Farthing, D.; Sica, D.; Abernathy, C.; Fakhry, I.; Roberts, J. D.; Abraham, D. J.; Swerdlow, P.; J. Chromatogr., B: Biomed. Sci. Appl. 1999, 726, 303. 
4. Shaughnessy, D. T.; Woodrow, S. R.; DeMarini, D. M.; Mutat. Res. 2001, 480, 55. 
5. Berger, R. G.; Aroma Biotechnology, Springer: Berlin, Heidelberg, New York, 2000. 
6. Clark, G. S.; Perfum. Flav. 1990, 15, 45.   


Extrato de baunilha
Ingredientes:
250ml de vodca de boa qualidade
3 favas de baunilha

Modo de Preparar: Corte as favas ao meio, no sentido do comprimento. Coloque-as dentro de uma garrafinha de vidro, esterilizada e bem seca, com capacidade para os 250 ml de líquido. Complete com a bebida, tampe bem, sacuda a garrafinha e depois guarde em local escuro e seco por 2 meses, sem abrir. A cada 2 dias pelo menos, sacuda a garrafinha para misturar.

Dicas: Conforme for usando o extrato, adicione mais vodca à garrafinha. A Vodca pode ser substituída por Rum (sempre de boa qualidade).

domingo, 13 de novembro de 2011

Mieux Terroir

O Termo terroir  (de origem francesa, lê-se terroar) data de 1.229, sendo uma modificação lingüística de formas antigas (tieroir,tioroer), com origem no latim popular "territorium". Segundo o dicionário Le Nouveau Petit Robert (edição 1994), terroir designa "uma extensão limitada de terra considerada do ponto de vista de suas aptidões agrícolas".
A amplitude do conceito do terroir desenvolvido por geógrafos franceses, caracteriza-se por um conjunto de terras sob a ação de uma coletividade social congregada por relações familiares e culturais e por tradições de defesa comum e de solidariedade da exploração de seus produtos.
Produtos que são apresentados com este “adjetivo” estão fortemente relacionadas ao território e à comunidade que os produziu e assim, podem ser compreendidos como manifestações culturais. Representam os resultados de uma trama, tecida ao longo do tempo, que envolve recursos da biodiversidade, modos de fazer tradicionais, costumes e também hábitos de consumo.
A riqueza de conhecimentos incorporados a atividade produtiva de caráter artesanal ou semi-manual – assim como aspectos relacionados a sustentabilidade dos processos – vêm sendo cada vez mais apreciada pelos consumidores. Podemos observar uma crescente busca por produtos saudáveis e autênticos, cuja história seja “rastreável”. Assim, cada vez mais, as pessoas percebem um fio condutor que liga a qualidade do produto à qualidade do território e do modo como foi fabricado e buscam informações para identificar a história por trás do produto.
O produto “autêntico” representa o retorno às raízes, um elemento de integração local e social. Em alguns casos o território pode ser entendido como o “sobrenome” de um produto, como o vinho ou o queijo que provêm de uma determinada região. A origem nos ajuda a inferir qualidade e, em alguns casos, identificar sabores – como o queijo de Minas, a cachaça de Salinas, os conventuais, dentre tantos outros terroirs.
Vejamos alguns exemplos do melhor terroir :

“Nunca haverá Romanée-Conti para todos.”


Aubert de Villaine, dono do Domaine de la Romanée-Conti. Por ano, a vinícola produz      6 000 garrafas com uvas cultivadas numa área de 18 000 metros quadrados, na Borgonha, que pertenceu ao príncipe Conti no século XVIII. Ao todo, a vinícola tem 250 000 metros quadrados. De lá também saem os grand crus La Tâche, Richebourg, Romanée-Saint Vivant, Grands-Échézeaux, Échézeaux e Montrachet. (Em fevereiro de 2010, com a ajuda do empresário Aubert de Villaine, a polícia francesa prendeu um homem, acompanhado do filho, que pedia 1 milhão de euros ( 2,3 milhões de reais) para não envenenar os vinhos do Domaine de la Romanée-Conti. As ameaças chegaram por carta e continham até os mapas de onde cresce a cepa pinot noir empregada no Romanée-Conti, o rótulo mais cobiçado do domínio. No início de maio, a casa de leilões Christie’s vendeu por 45 000 reais uma garrafa com rótulo da safra de 1990. Um recorde)


Inspirado por um ritual do século XIX em que nobres circulavam no Folies Bergere e sorviam champanhe direto do sapato de sua cortesã favorita, Christian Louboutin criou, em 2009, uma taça no formato do seu escarpim preto (sola vermelha incluída) para acompanhar o cuvée brut da Piper-Heidsieck, produtora da bebida desde 1785. A embalagem, batizada de Le Rituel, custava 850 reais — e esgotou-se.


6 300 reais
É o preço do Perrier-Jouët Belle Epoque Blanc de Blancs 2000, vendido com exclusividade no Clube A, em São Paulo. Entre 2009 ate  novembro de 2010, mais de seis garrafas foram abertas.


11 reais
É o preço para provar o paris-brest do confeiteiro Philippe Conticini. Eleito o melhor da França pelo jornal Le Figaro, o doce de creme e amêndoas é uma receita tradicional da gastronomia do país. Criado em 1891 para satisfazer o apetite dos ciclistas que disputavam o circuito de ida e volta de 1 200 quilômetros entre as cidades de Paris e Brest, é feito em forma de roda de bicicleta.


“Um gentleman só compra queijos na Paxton & Whitfield.”
Winston Churchill (1874-1965), primeiro-ministro britânico, sobre o estabelecimento especializado em queijos artesanais que atende a elite inglesa desde 1797. Cerca de 70% de seus laticínios são fabricados por pequenos produtores. A loja foi a primeira desse segmento a obter o Royal Warrant, certificado de qualidade concedido pela família real. Nesse caso, pela rainha Vitória, em 1850.


O homem do nariz de ouro
O escocês Jim Beveridge, master blender da Diageo, passou por São Paulo em setembro deste ano. Ele é o homem responsável por controlar a produção dos uísques Johnnie Walker. Considerado um 'nariz de ouro' devido a seu olfato apuradíssimo, ele diz ser capaz de distinguir mais de 100 aromas. A seguir, alguns números relacionados ao trabalho dele.
9 980 REAIS - foi o preço de venda do recém-lançado John Walker, rótulo AAA da empresa.
1 000 BARRIS - são avaliados por Beveridge todo ano, em busca dos sabores
mais raros e preciosos. Os escolhidos — apenas 1% do total — entram na composição do top de linha, o Blue Label.
20 UNIDADES - do John Walker vieram para o Brasil. Sete foram degustadas e cinco vendidas. Restam oito. Bem, até o fechamento desta edição, pelo menos.
333 GARRAFAS DE CRISTAL BACCARAT - numeradas individualmente foram fabricadas para acomodar o novo uísque.

30 reais

É o preço do quilo dos morangos orgânicos cultivados por pequenos produtores no interior da França, à venda no La Grande Epicerie, um dos supermercados mais completos e luxuosos do mundo, em Paris. Para conquistar um lugar nas gôndolas desse espaço, aberto em 1923 pelo dono do Bon Marché, é preciso passar por testes contínuos de degustação promovidos pelos vinte compradores que trabalham na casa.


Um com a fama, outro com as estrelas
À frente de restaurantes como Le Louis XV e o do Hotel Plaza Athénée, Alain Ducasse pode ser a assinatura mais famosa da gastronomia francesa, mas o chef com mais láureas no prestigiado ‘Guia Michelin’ — a consagração de qualquer cozinheiro — é Joël Robuchon. São 26 estrelas somadas ao longo de duas décadas de carreira-solo. Já na primeira apreciação, Robuchon alcançou a pontuação mais alta, três estrelas, para o purê de batatas e a salada verde servidos no Jamin.



370 reais
É quanto custa o prato individual de risoto de trufas brancas no Fasano, em São Paulo. A temporada da iguaria italiana, importada da região de Alba, começou em 21 de outubro e vai até o fim de novembro. O preço do risoto da casa costuma ser de 120 reais no resto do ano. Trufas brancas equivalem às pérolas naturais no século XIX: é preciso caçá-las junto às raízes de carvalho do mesmo jeito que mergulhadores especializados garimpavam as contas nas ostras. Aqui, a missão de descobri-las é de cães e porcos, cujo faro é capaz de localizar esse tipo de fungo subterrâneo.



2 milhões de dólares
É o preço da garrafa de 70 mililitros de Liquor Chambord customizada pelo joalheiro australiano Donald Edge. Tem 1 100 diamantes (total de 80 quilates), uma esmeralda e pérolas assentados sobre ouro de 18 quilates. Com o mesmo valor, é possível comprar 65 000 garrafas de Chambord de 750 mililitros. Feito de amoras, o licor foi provado e aprovado pelo rei francês Luís XIV durante uma visita ao Château de Chambord, em 1685. Desde então, é elaborado no Vale do Loire seguindo a mesma tradição de 300 anos. A garrafa permanece no mercado.
E nada expressa a terroar melhor do que o famoso (tradicional) prato Francês Coq au vin.
A história do prato - Este clássico da cozinha francesa surgiu nas imediações da cidade de Clermont-Ferrand (Puy-de-Dôme). A lenda conta que, durante a batalha entre os homens do líder dos celtas Vercingertórix e o exército romano de Júlio César, ocorrida de 58 a 51 a.C. O herói francês acabou sendo acuado no desfiladeiro de Puy-de-Dôme. Para simbolizar a rendição, Vercingertórix deu um galo de briga a César, o que resultou num convite para jantarem juntos. O cardápio foi Galo cozido no vinho produzido em Auvergne. Tradicionalmente, o prato era preparado com galos reprodutores, abatidos velhos e, por isto, com a carne dura, o vinho era colocado para amaciar esta carne. Atualmente, o coq au vin é, em geral, elaborado com frango ou galinha (de preferência caipira) e vinho da Borgonha.

COQ AU VIN

Ingredientes
50 ml de azeite
Coxa e sobrecoxa de frango marinados
1 colher (sopa) de manteiga
1 colher (sopa) de farinha de trigo
150 g de cebolinhas pequenas
150 g de champignon (paris) em conserva
Sal e pimenta-do-reino a gosto
Para a marinada
1 cebola picada
2 cenouras picadas
1 bouquet garni feito com tomilho, louro e 3 dentes de alho
1 garrafa de vinho tinto (de boa qualidade)
Sal e pimenta-do-reino a gosto
1 kg coxa e sobrecoxa de frango
Preparo: Retire as coxas e sobrecoxas de frango do saco plástico. Coe e reserve o caldo da marinada. Numa panela, aqueça 50 ml de azeite e doure as coxas e sobrecoxas de frango. Junte nesta panela, o caldo reservado da marinada e cozinhe, em fogo médio, por cerca de 40 min ou até as coxas e sobrecoxas de frango ficarem macias. Numa frigideira em fogo baixo, derreta 1 colher (sopa) de manteiga e incorpore 1 colher (sopa) de farinha de trigo. Mexa bem e acrescente ao cozimento das coxas e sobrecoxas do frango. Junte 150 g de cebolinhas pequenas e 150 g de champignon (paris) em conserva. Tempere com sal e pimenta-do-reino a gosto. Para a marinada Coloque num saco plástico 1 cebola picada, 2 cenouras picadas, 1 bouquet garni feito com tomilho, louro e 3 dentes de alho, 1 garrafa de vinho tinto (de boa qualidade), sal e pimenta-do-reino a gosto. Acrescente 1 kg coxa e sobrecoxa de frango nesta marinada, feche o saco plástico e deixe apurar por 24 h.