quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

A Ávore de Yule: origens da ávore de Natal e os pinheirinhos trufados




Quisera Senhor, neste Natal armar uma árvore dentro do meu coração e nela pendurar, em vez de presentes os nomes de todos os meus amigos. Os antigos e os mais recentes. Aqueles que vejo a cada dia e os que raramente encontro. Os sempre lembrados e os que às vezes ficam esquecidos. Os constantes e os intermitentes. Os das horas difíceis e os das horas alegres. Os que sem querer eu magoei, ou sem querer me magoaram. Aqueles a quem conheço profundamente e aqueles a quem conheço apenas as aparências. Os que pouco me devem e aqueles a quem muito devo. Meus amigos humildes e meus amigos importantes. Os nomes de todos que já passaram por minha vida. Uma árvore de raiz muito profunda para que seus nomes nunca mais sejam arrancados do meu coração. De ramos muito extensos, para que novos nomes vindos de todas as partes venham juntar-se aos existentes. De sombras muito agradáveis para que nossa amizade seja um aumento de repouso nas lutas da vida.


É com este texto de autor desconhecido que abro o post de hoje para falar de uma das minhas paixões de Natal: Á arvore. Antes, preciso me desengasgar com uma coisa que está presa na minha garganta, e que pode ser motivo para alguém pensar que eu não entendo o significado verdadeiro do Natal, por estar dedicando  um escrito às árvores de natalinas....
Eu sei perfeitamente que o real sentido do Natal é a Natividade de Cristo e todo o seu contexto expressivo para as religiões cristãs. Sei também que, atualmente, a maioria das pessoas está voltada para o consumismo do que para o sentido real da comemoração (Não que eu seja a favor disso – o que eu não posso é sair por aí julgando ninguém pelo que faz ou acredita, ou pelo que deixa de fazer ou acreditar).
Normalmente quando alguém vai falar do Natal eu sempre vejo uma ponta de ressentimento e julgamento nas falas, escondidas lá no fundo, geralmente encobertas com palavras maquiadas para as pessoas não se ofenderem logo de cara, mas elas estão lá, acusando, julgando, ditando o que se deve fazer na época do Natal. Acho interessantes as falas dos religiosos nos sermões de dezembro... Por um lado eles realmente estão certos quanto ao fato da sociedade não estar tão voltada para o sentido original do Natal. Mas condenar a sociedade também não ajuda. E simplesmente, orientar a população, somente na época próxima ao natal, muito menos.



Ainda posso falar de como os hábitos culturais se envolvem neste contexto natalino capitalista, mas eu iria me desviar do meu foco – que é somente para registrar minha indignação com toda e qualquer pessoa que, na época do Natal se preocupam mais em reparar o que os outros não fazem, quando na realidade deveriam pregar o sentido do Natal e o estender até as outras épocas do ano. Eu penso na natividade, mas não posso fugir do capitalismo, nem a Igreja pode. E, acima disso tudo eu ME NEGO a ir contra a herança cultural.
Justamente por isso eu falo hoje sobre a árvore de Natal. Por vários motivos: por ela representar esperança; por ela ser um dos símbolos natalinos; por ela ser um elemento cultural de uma crença mais antiga que a minha e que foi adotado pela Igreja com símbolo unificador de crenças, etc.
De acordo com Mircea Eliade(2) as imagens das árvores em diversas culturas, além de serem escolhidas para simbolizar o Cosmos, também serviam para expressar a vida, a juventude, a imortalidade, a sapiência. Para o autor, a existência do homo religiosus é aberta para o mundo: o homem religioso nunca está só, pois vive nele uma parte do Mundo. Jacques Brosse recorda-nos (3) que para o selvagem - o habitante da floresta, da selva -, tal como para o sábio, a árvore é verdadeiramente a primeira das criaturas terrestres e o ser vivo que une a terra e o céu, indicando o caminho dos deuses. Na Índia védica, conta a lenda que Varuna, deus do céu noturno e das águas, obtinha soma, ou amrta, o elixir da imortalidade, espremendo o fruto da árvore da vida entre duas pedras (4).
Assim podemos perceber que há inúmeros relatos de árvores sagradas em muitas culturas: Yggdrasill era o freixo gigante da mitologia nórdica, o mensageiro de Ygg, um dos nomes de Odin, o pai dos deuses; enquanto que em Creta o freixo era consagrado a Poseidon, o cipreste a Hades e o carvalho a Zeus; o carvalho de Dodona, interpretado pelas Plêiades, constituía o oráculo mais poderoso da região (5) e sob a sua casca viviam as dríades, uma das categorias de ninfas.


Oráculo de Zeus - O Carvalho de Dodona
A tradição cristã da árvore de Natal tem suas origens nas celebrações pagãs de Yule. Mas os pinheiros usando como decoração já eram encontrados nas culturas grega e romana durante as celebrações de inverno.
Também conhecido como Natal, Ritual de Inverno, Meio do Inverno, Yule e Alban Arthan, o Sabbat do Solstício do Inverno é a noite mais longa do ano, marcando a época em que os dias começam a crescer, e as horas de escuridão a diminuir. é o festival do renascimento do sol e o tempo de glorificar o Deus. (O aspecto do Deus invocado nesse Sabbat por certas tradições wiccanas é Frey, o deus escandinavo da fertilidade, deidade associada à paz e à prosperidade.) São também celebrados o amor, a união da família e as realizações do ano que passou. Nesse Sabbat os Bruxos dão adeus à Grande Mãe e bendizem o Deus renascido que governa a "metade escura do ano". Nos tempos antigos, o Solstício do Inverno correspondia à Saturnália romana (17 a 24 de dezembro), a ritos de fertilidade pagãos e a vários ritos de adoração ao sol.

O QUE È O YULE
Yule é uma celebração do Norte da Europa que existe deste dos tempos pré-Cristãos. Os pagãos Germânicos celebravam o Yule desde os finais de Dezembro até aos primeiros dias de Janeiro, abrangendo o Solstício de Inverno. Foi a primeira festa sazonal comemorada pelas tribos neolíticas do norte da Europa, e é até hoje considerado o inicio da roda do ano por muitas tradições Pagãs. Atualmente é um dos oito feriados solares ou Sabbats do Neopaganismo. No Neopaganismo moderno, o Yule é celebrado no Solstício de Inverno, por volta de dia 21 de Dezembro no hemisfério Norte e por volta do dia 21 de Junho no hemisfério Sul. Os costumes modernos que estão associados ao dia cristão do Natal, como a decoração da árvore, o ato de pendurar o visco e o azevinho, queimar a acha de Natal, são belos costumes pagãos que datam da era pré-cristã. (O Natal, que acontece alguns dias após o Solstício de Inverno e que celebra o nascimento espiritual de Jesus Cristo, é realmente a versão cristianizada da antiga festa pagã da época do Natal.) A queima da acha de Natal originou-se do antigo costume da fogueira de Natal que era acesa para dar vida e poder ao sol, que, pensava-se, renascia no Solstício do Inverno. Tempos mais tarde, o costume da fogueira ao ar livre foi substituído pela queima dentro de casa de uma acha e por longas velas vermelhas gravadas com esculturas de motivos solares e outros símbolos mágicos. Como o carvalho era considerado a árvore Cósmica da Vida pelos antigos druidas, a acha de Natal é tradicionalmente de carvalho. Algumas tradições wiccanas usam a acha de pinheiro para simbolizar os deuses agonizantes Attis, Dionísio ou Woden. Antigamente as cinzas da acha de Natal eram misturadas à ração das vacas, para auxiliar numa reprodução simbólica, e eram espargidas sobre os campos para assegurar uma nova vida e uma Primavera fértil. Pendurar visco sobre a porta é uma das tradições favoritas do Natal, repleta de simbolismo pagão, e outro exemplo de como o Cristianismo moderno adaptou vários dos costumes antigos da Religião Antiga dos pagãos. O visco era considerado extremamente mágico pelos druidas, que o chamavam de "árvore Dourada". Eles acreditavam que ela possuía grandes poderes curadores e concedia aos mortais o acesso ao Submundo. Houve um tempo em que se pensava que a planta viva, que é na verdade um arbusto parasita com folhas coriáceas sempre verdes e frutos brancos revestidos de cera, era a genitália do grande deus Zeus, cuja árvore sagrada é o carvalho. O significado fálico do visco originou-se da idéia de que seus frutos brancos eram gotas do sêmen divino do Deus em contraste com os frutos vermelhos do azevinho, iguais ao sangue menstrual sagrado da Deusa. A essência doadora de vida que o visco sugere fornece uma substância divina simbólica e um sentido de imortalidade para aqueles que o seguram na época do Natal. Nos tempos antigos, as orgias de êxtase sexual acompanhavam freqüentemente os ritos do deus-carvalho; hoje, contudo, o costume de beijar sob o visco é tudo o que restou desse rito. A tradição relativamente moderna de decorar árvores de Natal é costume que se desenvolveu dos bosques de pinheiro associados à Grande Deusa Mãe. As luzes e os enfeites pendurados na árvore como decoração são, na verdade, símbolos do sol, da lua e das estrelas, como aparecem na árvore Cósmica da Vida. Representam também as almas que já partiram e que são lembradas no final do ano. Os presentes sagrados (que evoluíram para os atuais presentes de Natal) eram também pendurados na árvore como oferendas a várias deidades, como Attis e Dionísio. Outro exemplo das raízes pagãs das festas de Natal está na moderna personificação do espírito do Natal, conhecido como Santa Claus (o Papai Noel) que foi, em determinada época, o deus pagão do Natal. Para os escandinavos, ele já foi conhecido como o "Cristo na Roda", um antigo título nórdico para o Deus Sol, que renascia na época do Solstício de Inverno. Colocar bolos nos galhos das macieiras mais velhas do pomar e derramar sidra como uma libação consistiam num antigo costume pagão da época do Natal praticado na Inglaterra e conhecido como "beber à saúde das árvores do pomar". Diz-se que a cidra era um substituto do sangue humano ou animal oferecido nos tempos primitivos como parte de um rito de fertilidade do Solstício do Inverno. Após oferecer um brinde à mais saudável das macieiras e agradecer a ela por produzir frutos, os fazendeiros ordenavam às árvores que continuassem a produzir abundantemente. Os alimentos pagãos tradicionais do Sabbat do Solstício do Inverno são o peru assado, nozes, bolos de fruta, bolos redondos de alcaravia, gemada e vinho quente com especiarias. Incensos: louro, cedro, pinho e alecrim. Cores das velas: dourada, verde, vermelha, branca. Pedras preciosas sagradas: olho-de-gato e rubi. Ervas ritualísticas tradicionais: louro, fruto do loureiro, cardo santo, cedro, camomila, sempre-viva, olíbano, azevinho, junípero, visco, musgo, carvalho, pinhas, alecrim e sálvia.

O ato de cortar as árvores para enfeitá-las é bem antigo. Vejamos o que diz o profeta Jeremias (10:3 e 4): "...porque os costumes dos povos são vaidades, pois cortam do bosque um madeiro, obra das mãos do artífice, com machado. Com prata e com ouro o enfeitam, com pregos e com martelos o firmam para que não se movam...". Quando os pagãos se tornaram cristãos, normalmente sem uma profunda experiência com Cristo, levaram consigo todos os costumes pagãos.
As árvores de Yule eram cortadas e decoradas com imagens do que desejamos receber durante o próximo ano, como amuletos de amor para atrair o amor, nozes para a fertilidade, frutos de uma colheita bem sucedida, ou moedas para garantir riqueza e prosperidade.
Os escandinavos adoravam árvores e sacrifícios eram feitos debaixo das árvores ao deus Thor.

O carvalho, muitas vezes representado pelo roble, ficou sucessivamente associado a Júpiter e na mitologia nórdica a Donar-Thor, o deus dos raios e trovões. É o signo basal da astrologia celta, onde o nome druida, semelhante ao termo grego para carvalho sagrado, drus, significa sabedoria da árvore. Há autores que referem (6) que a palavra filósofo pode ser considerada uma tradução grega do celta dru-uids, literalmente: vidente, muito sábio; em irlandês o termo é drui, do genitivo drúad, sendo que aquele a quem se crê sábio ama a ciência e a confunde com a sabedoria; os druidas atuavam como juízes ou árbitros em todas as disputas (7).

A Enciclopédia Barsa descreve que a árvore de Natal tem origem germânica, datando do tempo de São Bonifácio (século VIII d.C.). Mesma época onde os pagãos germânicos faziam sacrifícios ao carvalho sagrado dedicado a Odin e ao seu filho Thor.


São Bonifácio
A lenda conta que São Bonifácio estava tentando converter um grupo de druidas. Ele tentou tudo o que ele poderia pensar em convencer os druidas que a árvore de carvalho não era sagrada ou invencível. Ele finalmente tentou uma última medida desesperada... Ele cortou o carvalho. Dizem que com a derrubada da árvore toda sãs outras que estavam no seu  caminho caíram salvando-se apenas um pinheiro pequenino. São Bonifácio declarou que havia ocorrido ali um milagre e que o pinheiro passaria a ser  sagrado para o Cristo-criança. E assim os pinheiros passaram a ser levados para as casas cristas e eram decorados.
Fugindo um pouco da lenda e seguindo para a realidade, a história real diz o seguinte:

Um acontecimento-chave da sua vida ocorreu em 723, quando derrubou o carvalho sagrado dedicado ao deus Thor, perto da moderna cidade de Fritzlar, no Norte do Hesse, e construiu uma pequena capela a partir da sua madeira, no local onde hoje se ergue a catedral de Fritzlar, e onde se viria a estabelcer a primeira sede de bispado na Alemanha a norte do antigo limes romano, junto do povoado fortificado franco de Büraburg, numa montanha próxima da cidade, junto do rio Éder. Este acontecimento é considerado como o início formal da cristianização da Germânia.

De toda forma, a partir do ocorrido famílias pagãs e cristãs passaram a levar para casa  os pinheiros naturais para que os espíritos de madeira tivessem um lugar para se aquecer durante os meses frios do inverno. Sinos foram pendurados nos ramos para poder avisar quando um  estivesse presente. Alimentos e guloseimas foram pendurados nos galhos para os espíritos para comer e uma estrela de cinco pontas, o pentagrama, símbolo dos cinco elementos, foi colocado no topo da árvore. As cores da temporada, vermelho e verde, também são de origem pagã, como é o costume de trocar presentes.


A Fada do Natal
Outra razão que as árvores foram pela primeira vez decorada com frutas e flores artificiais eram trazer o retorno da primavera e a fertilidade, calor e luz, e para restaurar e manter o equilíbrio entre a escuridão e a luz, frio e calor, e da morte e do renascimento.
Outra lenda, ainda conta que, quando Jesus nasceu as árvores floresceram; daí que se dê destaque aos pinheiros, árvores que estão verdejantes todo o ano mas que não possuem flores. As estrelas vendo a tristeza do pinheiro por não ter flores para agraciar o Cristo, resolveram descer e enfeitar seus ramos, tornando-se a arvora mais bela de todas. E simbolizando na perfeição a uma vida nova cheia de esperança.
A quem diga que foi Martinho Lutero, no século XVI, o primeiro a adornar uma árvore com luzes no dia de Natal, como símbolo do nascimento da Luz do mundo (Jesus). Este ato depressa se difundiu, conquistando inúmeros adeptos. A verdade é que neste século já era costume na Alemanha enfeitar-se uma árvore com luzes, doces, frutos e papéis nesta altura do ano para comemorar o Yule.
A adoção do pinheiro como árvore símbolo do Natal por parte da religião cristã foi realizada também a partir de simbolismo: passou a ser um abeto ( árvores coníferas da família Pinaceae), tinha uma forma triangular que aludia à Santíssima Trindade. Assim se desvaneceu a simbologia pagã da árvore. Com a cristianização, as velas passaram a simbolizar o Menino Jesus e faziam-se figuras em papel aludindo às restantes personagens do presépio.



Atualmente é mais  comum encontrarmos uma árvore de Natal enfeitando a sala de uma casa cristã, do que achar uma imagem que represente a Natividade. Podemos culpar as pessoas por isso? Afinal, o arvore de Natal não é um simbolismo ao nascimento do Cristo? Deixo essa pergunta pra vocês responderem no seu consciente, tendo minha consciência tranqüila de que minhas crenças são mais fortes do que o capitalismo e mais fortes do que os próprios comandantes das igrejas. E chega a ser tão forte, que até na mesa ela se fará presente este ano: que tal comer um pinheirinho trufado?

Pinheirinhos trufados

base para os pinheiros:
Casquinha para sorvete
300 g de chocolate branco fracionado
Trufa de Natal:
1 pão-de-ló pequeno esfarelado
150 ml de leite fervido e morno
300 g de chocolate branco derretido
1 colher (sopa) de pasta de amêndoa concentrada
100 g de amêndoas moídas
100 g de damascos cozidos e picadinhos
3 colheres (sopa) de rum
2 colheres (sopa) de glucose
 Decoração:
Chantilly batido ou glacê real industrializado batido
Corante em gel verde folha
Corante em pó dourado
Álcool de cereais
Pó brilhante comestível pérola
Bolinhas de cereais de chocolate
Base de papelão dourada
Bico folha número 75 e 72
Modo de preparo
Base para os pinheirinhos: Derreta o chocolate e banhe as casquinhas retirando o excesso de chocolate. Coloque sobre um papel manteiga para secar e reserve. Trufa de Natal: Misture o leite morno com o chocolate derretido, mexa com a colher, junte a pasta de amêndoa, as amêndoas moídas, os damascos picadinhos, o rum, a glucose e mexa bem até ficar homogêneo, por último junte o pão de ló esfarelado mexendo com a colher. Coloque a mistura em um saco de confeitar descartável e reserve. Montagem: Preencha cada casquinha de sorvete já banhada no chocolate e seca com a trufa até a borda. Fechar a borda com chocolate derretido e coloque sobre um papel manteiga para secar. Decoração: Cole com chocolate derretido o pinheirinho já recheado na plaquinha de chocolate. Tingir o chocolate ou o glacê real com o corante verde folha até a tonalidade desejada. Coloque em um saco de confeitar com bico folha nº 75 e preencha o pinheirinho com glacê ou chantilly. Passe o pó dourado diluído em álcool de cereais nas bolinhas de cereais e coloque alternadamente no pinheirinho (como bolas de natal ). Coloque a estrela em cima e jogue pó brilhante perolado em cima. Rendimento: 10 pinheirinhos em casca de sorvete.

OBS.: você pode fazer pinheiros mais simples, utilizando canudinhos (aqueles cones de massa frita ou assada) recheados com a trufa e banhados em chocolate ao leite para ser decorados com drageados – como na foto abaixo.   Isso é simples, e tão gostosos quanto o outro

Referência Bibliográfica:

(1) Jardinar com Francis Bacon in Jardins do Mundo – Discursos e Práticas (coord: José Eduardo Franco e Ana Cristina da Costa Gomes). Gradiva, Lisboa, 2008, pag 163-168.

(2) Mircea Eliade (1957). O Sagrado e o Profano – a essência das religiões. Martins Fontes, São Paulo, 2001

(3) Jacques Brosse, Mythologie des Arbres. Librairie Plon, Paris, 1989

(4) Lima de Freitas, Prefácio in A Árvore, editores: Rosa Ramos e Nuno Calvet. Intermezzo Audiovisuais, Lda., Lisboa, 1996


(6) Henri de Jubainville (1905), Os Druidas e os Deuses Celtas sob Forma de Animais. Zéfiro, Sintra, 2009

(7) Miranda J. Green, Dictionary of Celtic Myth and Legend. Thames and Hudson Ltd, London, 1993

domingo, 11 de dezembro de 2011

Sidra: do espumante à magia

Desde que eu era criança que a Sidra – vinho de maçã fermentada - já me é velha conhecida. Confesso que eu sempre tive um fascínio por vinhos, sobretudo quanto aos espumantes. Mas a minha ligação com a sidra remete à magia...
E pra que magia maior do que a do Natal?
Justamente era nesse período (juntamente com as celebrações do Ano Novo) que desde pequeno eu via as pessoas estourando garrafas de sidra (quem não se recorda de alguém estourando uma garrafa de sidra Cereser por aí?). Quando eu estava na adolescência, desvendando o mundo, devorando literaturas diversas, descobri ligações religiosas entre o cristianismo e a velha religião celta que, de certa forma, envolveram com o misticismo da sidra.


Você , que está lendo este texto, deve ter ficado com uma pulga atrás da orelha, achando que a palavra sidra foi escrita errada, não? Eu também fiquei com esta impressão, e somente por isso começo o post de hoje esclarecendo esta curiosidade gramatical: cidra ou sidra?
De acordo com o dicionário Houaiss a palavra cidra, com C, refere-se à fruta da árvore cidreira, da família das toranjas. A bebida fermentada alcoólica feita de suco de maçã, como é o caso aqui, grafa-se sidra com S. Porém devo discordar do famoso dicionário, levando em consideração que o termo no  original em inglês, escreve-se cider – com C. Mas para não criar mal-estar com ninguém vamos nossa Sidra com S.
A sidra é uma bebida preparada com sumo fermentado de maçã. Seus maiores produtores são Inglaterra e França, no entanto é também bastante popular na Suíça, Alemanha, Espanha, Portugal, Brasil, Irlanda, Áustria, África do Sul e Austrália.
As origens do “vinho de maçã” ou sidra permanecem duvidosas porém, no século I, os hebreus bebiam “shekar”, os gregos “sikera” e os romanos “sicera”.Todas essas bebidas eram fabricadas à base de suco fermentado de maçãs (Robin de La Torre, 1988).
No Brasil é comercializado um produto de nome sidra, de características diferentes das bebidas européias. Seguramente, as diferenças se devem à matéria-prima e à tecnologia de produção (Wosiacki et al., 1997)
Na Inglaterra a sidra é definida como: “Bebida obtida por parcial ou completa fermentação do suco de maçãs... ou concentrado de maçãs... com ou sem a adição, antes da fermentação, de açúcares e água potável ” (NACM, 1998).
Pela legislação brasileira, a sidra é: “Um produto que pode ser obtido pela fermentação alcoólica do mosto de maçãs, adicionado ou não de, no máximo 30%, de suco de pêra ”(Brasil, 1974).
Mas para a história que vou contar hoje, teremos que nos remeter à Terra da Rainha ... O outono na Inglaterra é a época da colheita de maçãs silvestres ou das maçãs de mosto especiais que são ácidas e não tem grande sabor, mas são excelentes para a produção de mosto. A sidra é geralmente proveniente das vastas áreas da fruticultura no lado ocidental da Inglaterra – as maçãs são trituradas e espremidas, o sumo e a polpa são colocados em barris onde a sidra fermenta até três semanas.

José de Arimatéia
A história da sidra remonta ao século I, conta-se que após a morte de Cristo, José de Arimatéia veio para a Inglaterra. Em Glastonbury, em Somerset, ele fundou um mosteiro cristão, cujas ruínas ainda vale a pena visitar nos dias de hoje. Este exato local tem um nome secreto nas lendas do rei Artur – Avalon – que significa apenas “Ilha das maçãs”. De acordo com a lenda, José de Arimatéia esteve numa das colinas de Glastonbury e comeu ali uma maçã. Cuspiu as sementes e, no local onde elas caíram, nasceram macieiras.

José de Arimateia era assim conhecido por ser de Arimateia, cidade da Judéia. Homem rico, senador da época, era membro do Sinédrio, o Colégio dos mais altos magistrados do povo judeu. Também conhecido como `Sanhedrin´, formava a suprema magistratura judaica. É venerado como santo católico no dia 31 de agosto. A Bíblia relata que ele era discípulo de Cristo, mesmo que secretamente (Joao 19:38)

Na verdade, foram os romanos que trouxeram as primeiras macieiras para das ilhas britânicas e implementaram o seu cultivo. Trouxeram as variedades das quais derivam a maioria das maçãs de mosto atuais: FRENCH LONGTAIL, WHITE SWAN ou SLACK MY GIRDLE. O que há de especial nas maçãs de mosto é o seu interior – com sumo realmente doce, mas de polpa ácida -, o que é muito importante para o aroma acre e a acidez correta da sidra

Um pouco mais de cultura celta

Sabemos através da literatura, que o rei Artur comemorava o Natal – e provavelmente bebia a sidra feita em Avalon.
Avalon se situaria a sudoeste da Inglaterra, no local onde há o monte do Tor e a Abadia de Glastonbury. O Monte do Tor é envolvido por brumas, e o próprio nome Tor significa “passagem”.

O monte do Tor
Nas antigas lendas celtas, existia a Ilha dos bem-aventurados, algo como os campos Elísios dos Gregos ou o Valhalla dos germânicos, local de abundância e alegria. Com o passar do tempo a visão desta terra se fundiu com a lenda de Avalon, visto que era uma ilha cercada por brumas, de difícil acesso, e por ser imaginada como um paraíso, a terra das maçãs, que representam para os celtas o conhecimento e a magia. Avalon também está associada à Terra da Juventude, um reino mítico no qual os habitantes são imortais.
Na versão mais conhecida e consagrada no clássico “As Brumas de Avalon” de Marion Zimmer Bradley, Avalon era uma ilha cercada por brumas que somente uma sacerdotisa poderia afastar para descobrir o caminho até a ilha, lá era o refúgio da antiga religião que foi reduzida pelo catolicismo.

A ilha ficava no mesmo local da Abadia de Glastonbury, mas em outro plano, de modo que quem tentasse chegar a Avalon acabaria no templo cristão.
Avalon, a Ilha das Maçãs, reino perfeito de amor e beleza, a busca constante de todo o ser humano que, apesar de todas as desilusões, ainda tem a esperança de fazer deste mundo uma lenda real, ou seja, um lugar melhor para se viver.

Ruínas de Glastonbury (ver vídeo no fim do post)
A maçã representa a imortalidade, o conhecimento e a magia. E existem vários relatos referentes a sua simbologia e às viagens célticas, conhecidas como Immram (viagem), ao Outro Mundo, supostamente, uma realidade contígua à realidade comum. Os Immram são jornadas místicas, nas quais o herói é atraído por uma fada, que lhe entrega um ramo de maçã e o convida para ir ao Outro Mundo, como em "A Viagem de Bran, filho de Fébal", uma analogia a Avalon e a Morgana. "Além disso, é de crer que a mulher feérica que leva um ramo de macieira de Emain ao herói Bran, filho de Fébal, antes de levá-lo a empreender uma estranha navegação, seja a própria Morrigane." (Jean Markale - A Grande Epopéia dos Celtas).

"A Viagem de Bran Mac Febal (Imram Brain maic Febail)"


Um dia, quando passeava sozinho junto de sua casa, Bran, rei da Irlanda, ouviu uma música atrás de si. Por mais que olhasse para trás, não conseguia perceber de onde vinha esse som encantatório, que teimava em persegui-lo. A sua doce melodia era tal que Bran acabou por cair num sono profundo. Quando acordou, viu junto de si um galho de prata coberto de flores tão brancas que era impossível distinguir entre ambos. Bran levou o galho para a sua casa real onde lhe surgiu uma mulher vestida com estranhas roupas, que recitou perante toda a corte um longo poema. Neste, afirmou ter sido ela a portadora do ramo de prata de uma macieira na ilha de Emne. Nesta ilha bela e distante, na qual cintilavam os cavalos-marinhos de Manannán Mac Lir, a população entregava-se a jogos na Planície da Prata Branca no meio de muita música e muita alegria. Aí desconhecia-se a dor, o sofrimento, a maldade, a doença e até a morte. Encontrapartida, tudo nela era belo e perene : a sua música era a mais melodiosa, os seus alimentos eram os mais apetitosos, a sua bebida, a mais saborosa, os seus tesouros eram os maus riscos. Por isso , Emne era única e imcomparável.
Ao terminar a sua canção, a mulher pegou no ramo de prata e desapareceu sem que ninguém soubesse para onde tinha ido. Mas o fefeito da sua canção em Bran levou-o a lançar-se ao mar acompanhado pelos seus três irmãos adoptivos e por vinte e sete dos seus mais bravos guerreiros, de modo a procurar a ilha encantada. Após dois dias e duas noites a navegar no oceano, Bran viu um homem a aproximar-se dentro de um carro sobre as ondas. Este cantou-lhe também uma canção sobre as terras encantadas do Outro Mundo e identificou-se como Manannán, filho de Lir. Disse ainda a Bran que era seu destino viajar até à Irlanda onde geraria um filho a quem daria o nome de Mongán. O Senhor dos Mres despediu-se, por fim, com outra canção.
Algum tempo depois de se afastar de Manannán, Bran avistou enfim outra ilha. Aproximou-se dela rodeando-a com o seu barco, e verificou, com espanto, que todos os seus habitantes riam com agrado enquanto o observavam, sem que, contudo, lhe dirigissem a palavra. Bran enviou um dos seus homens à ilha, mas este, uma vez em terra, adquiriu igualmente o mesmo comportamento estranho dos seus habitantes: ficou a olhar fixamente para os seus companheiros, rindo, sem pronunciar palavra. Como tal, Bran deixou-o aí, na ilha conhecida como Ilha da Alegria, e voltou a partir.
Passado um tempo, aproximou-se de outra ilha. Desta vez, era a Ilha das Mulheres. No porto, a sua líder deu-lhe asboas vindas e convidou-os a ir a terra. Mas, temendo aventurar-se na ilha desconhecida, Bran recusou o convite. A mulher recorreu então a um estratagema: atirou uma bola de londe em diracção ao rosto de Bran que a agarrou com a mão onde a bola ficou colada. Puxando pela outra ponta, a mulher fez o barco atravessar o porto, obrigando assim Bran e os seus homens e entrarem na ilha. Foram recebidos com camas quentes e boa comida, que nunca desaparecia dos pratos. Sem se aperceberem do passar do tempo, permaneceram na Ilha das Mulheres durante largas centenas de anos, até que Nechtan mac Collbrain começou a sentir saudades de casa, sentimento que logo se alargou a todos, que tentaram convencer Bran a voltar à Irlanda. A mulher avisou-os, porém, de que se partissem se arrependeriam, mas ainda assim decidiram partit. Ela disse-lhes então que deveriam levar com eles o companheiro que haviam deixado na Ilha da Alegria e, conhecendo o número de anos que haviam permanecido nos seus domínios, advertiu-os para não tocarem em solo irlandês.
Bran e os seus homens abandonaram a Ilha das Mulheres e viajarm por mar até chegarem à costa da Irlanda. Aí encontraram uma multidão reunida em Srub Brain. Quando lhe perguntaram quem era, Bran respondeu : «Sou Bran, filho de Febal».
«Não sabemos quem és, embora a "Viagem de Bran" seja uma das nossas histórias mais antigas», respondeu um dos irlandeses, para grande espanto de Bran e dos seus homens.
Nesse momento, Nechtan deciciu sair do barco, esquecendo-se dos avisos que lhe haviam sido feitos na Ilha das Mulheres, e tocou o solo da Irlanda com os pés. Transformou-se rapidamente num monte de cinzas como se estivesse como se estivesse estado vivo por muitas centenas de anos.
De dentro do seu barco, Bran contou aos irlandeses as suas aventuras desde o início até àquele momento. Gravou-as em galhos com Ogham e deitou-os ao mar. Partiu depois no seu barco com os seus companheiros para nunca mais ser visto, e pelo mar vagueia ainda, sem que ninguém saiba onde se encontra.

Outro Immram que relata "A Viagem de Maelduin" trata da busca do herói pelos assassinos de seu pai. "Na tradição céltica, dois fatores são constantes: o Outro Mundo fica do outro lado da água; e a direção da jornada geralmente é oeste." (Caitlín Matthews - O Livro Celta dos Mortos). Avalon é o templo do mundo interior, terra da eterna magia e saber que oferece iniciação e esclarecimento a todos que iniciam nessa jornada. E, somente, aqueles que compreendem que a vida é infinita em suas possibilidades poderão abrir as portas deste mundo. Avalon está associada a Caer Siddi (Fortaleza das Fadas), o Outro Mundo ou Annwn, o sídhe (colinas) d’Aqueles Que Vivem Para Sempre... Ilha feérica, onde apenas o povo das fadas e os nobres cavalheiros de alma pura podiam adentrar.
"Existia em Caer Siddi uma fonte que jorrava vinho doce e onde o envelhecimento e a doença eram desconhecidos. Entre os seus tesouros havia um caldeirão mágico, tema diretamente ligado à abundância existente na Ilha das Maçãs." (Ellis, 1992 - Geoffroy de Monmouth, Vita Merlini e Jean Markale - A Grande Epopéia dos Celtas).
Na mitologia céltica existem vários mitos sobre as três propriedades inesgotáveis do caldeirão: inspiração, regeneração e fertilidade. O Grande Dagda possuía um caldeirão proveniente da cidade de Múrias. Ao provar dele, ninguém passava fome, (Ellis, 1992). Matholwch recebera o caldeirão do renascimento do Deus Bran e com ele era possível ressuscitar um morto, mas que perderia a capacidade de falar. (Mabinogion, 1988).
"Na tradição galesa a história de Taliesin oferece um exemplo do caldeirão do renascimento, após a luta de transformação e metempsicose - transmigração da alma de um corpo para outro - da Deusa Cerridwen e Gwion." (J. A. Macculloch - A Religião dos Antigos Celtas).
O caldeirão, mais tarde, deu origem ao mito do Graal, inicialmente nas obras de Chrétien de Troyes. Com a sua cristianização em fins do século XII, o conteúdo do cálice passou a ser o sangue de Cristo. Simbolizando o conhecimento e o alimento da alma. A propósito da temporalidade do Outro Mundo, representada pela "Insula Pomorum", a Ilha Paradisíaca, onde a passagem do tempo não é percebida pelos humanos que para lá vão, como pode ser visto nos relatos sobre Bran. (Jacques Le Goff, 1993).
A ilha sagrada de Avalon não existe nas dimensões de tempo e espaço conhecidos por nós. Ao longo dos séculos, as pessoas tentam localizá-la, em locais como: a Irlanda, o País de Gales, a Cornualha, a Bretanha e a Ilha de Man.
A cidade de Glastonbury, em Somerset, na Inglaterra, é particularmente associada a Avalon, através dos seus mitos e lendas locais, relacionando a colina do Tor como sendo a entrada do Annwn (Outro Mundo), a terra dos mortos na tradição galesa, o lar de Gwynn ap Nudd, o rei das fadas e guardião do submundo.

O Tor
 Avalon, através dos seus mitos e lendas locais, relaciona a colina do Tor como sendo a entrada do Annwn, a terra das fadas, a passagem para o Outro Mundo ou Caer Siddi... Descendo a colina em espiral do Tor, em meio aos carvalhos, chega-se a "Chalice Well Gardens", os Jardins do Cálice Sagrado , onde existe uma fonte de água avermelhada com propriedades curativas, reforçando o mito do Santo Graal e o poder mítico de renascimento dos Deuses, descrito no Livro de Taliesin. (Para mais informações sobre Chalice Well Gardens visite http://www.chalicewell.org.uk/index.cfm/glastonbury/About.Tour )

Chalice Well Gardens em Glatonbury
Mapa de Chalice Well Gardens
Invisíveis aos olhos descrentes, as brumas revelam seus mistérios apenas aos que servem o princípio maior, junto aos Deuses. A lenda se torna realidade, mas o medo, como sempre, é o grande desafio daqueles que estão na travessia deste portal, prestes a desvendar os segredos do Outro Mundo.
Avalon é o templo do mundo interior, a terra da eterna magia e o saber ancestral, que oferece iniciação e esclarecimento a todos que ingressam nessa jornada. E, somente, aqueles que compreendem que a vida é infinita em suas possibilidades poderão abrir as portas deste mundo etéreo.
Chalice Well Deva

Avalon se apresenta nos corações daqueles que são sinceros e seguem o que lhes foi traçado pelos Deuses. Nunca duvide daquilo que foi revelado. A luz do conhecimento é a divina inspiração que nos chama, a todo instante, ao sagrado caminho, mas somente nós é que poderemos tecer o fio desse destino.
O universo nos coloca, sincronicamente, em caminhos que irão modificar não apenas a nossa existência, mas toda a realidade que nos cerca.
A espiritualidade é a energia presente em todos nós, é a essência da vida que nos leva ao equilíbrio e a plenitude. Através da sensibilidade e da intuição começamos a discernir aquilo que é melhor e o que realmente faz a nossa alma feliz.
Avalon é a lenda que nos desperta para uma nova realidade!

Referências

BRASIL. Norma de identidade e qualidade da sidra. In: D.O.U. Portaria n°746, de24 de outubro de 1974. Brasília: Diário Oficial da União, 1974. p. 16-35.

MACCULLOCH, J.A. - A Religião dos Antigos Celtas - Edinburgh: T. & T. CLARK, 1911.
MATTHEWS Caitlín - O Livro Celta dos Mortos - Ed. Madras, 2003.

MARKALE, Jean - A Grande Epopéia dos Celtas - Ed. Ésquilo, 1994

NACM - NATIONAL ASSOCIATION OF CIDERMAKERS -. Code of practice for theproduction of cider and perry. London, 1998.

ROBIN, P.; DE LA TORRE, M. Le cidre, la pomme, le calvados. Paris: Editions duPapyrus, 1988. 192 p.

VITA MERLINI - Geoffrey de Monmouth, 1100–1155.

WOSIACKI, G.; CHERUBIN, R. A.; SANTOS, D. S. Cider processing in Brazil. FruitProcessing . Schönborn, v. 7, n. 7, p. 242-249, 1997.

GIDLOW, Christopher - O Reinado de Arthur - da História à Lenda - Ed. Madras, 2004.
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Então que tal tomarmos uma sidra, neste natal em memória da velha religião e, nos deliciarmos com uma torta de maça e sidra?

Torta de Maçã e Cidra
Ingredientes
Recheio
1 dúzia de maçãs sem casca
1 litro de cidra (no restaurante, é usado o rótulo Le Petit Trou)
100g de açúcar mascavo
50g de manteiga
200ml de creme de leite fresco
3 ovos
30g de açúcar
Massa
175g de farinha de trigo
125g de manteiga em pasta
50g de açúcar
3 ovos

Modo de preparo: Recheio Em uma panela quente coloque a manteiga e refogue as maçãs cortadas em quatro partes. Adicione o açúcar e deixe caramelizar um pouco. Adicione a sidra e cozinhe um pouco a maçã, reduzindo a sidra, e até obter um caldo mais grosso. Espere esfriar, separe o caldo do cozimento e misture com o creme de leite e os ovos, e o açúcar. Massa Misture o açúcar e a manteiga até ficar branco. Em seguida, acrescente os outros ingredientes. Não misture nem sove a massa. Enrole-a em um filme plástico e coloque na geladeira por uns 15 minutos. Reserve. Em uma forma, coloque a massa, abrindo com a mão e pré-asse durante 15 minutos. Montagem Tire do forno e coloque as maçãs. Por cima, coloque o creme. Asse a 180°C por 45 minutos. Sirva quente e com chantilly.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Clericot - Que tal, pro seu Natal?!

Os primeiros cheiros do Natal já se espalham pelo mundo – não me canso de dizer está frase quando chega dezembro. A mistura das especiarias nos doces, o aroma dos panetones, as ervas dos assados (acho que já tem peru e chester se escondendo por aí), eu já os sinto nas narinas. È impressionante... deliciosamente impressionante.



Hoje estava terminando um artigo cientifico que trata do luxo na gastronomia quando em dei por conta que poderia utilizar o assunto pra escrever um post.
Já reparam que é durante as comemorações que o luxo, geralmente, aparece na cozinha? E surge quando os anfitriões querem impressionar os convidados, as matriarcas querem agradar a família, um apaixonado querer surpreender seu amor, dentre tantos outros motivos, as pessoas querendo deslumbrar os outros se utilizam de ingredientes nobres para conquistar aceitação através do paladar – vulgarmente, pegar a pessoa pelo estomago, e se a comida e a bebida for boa isso  funciona direitinho.
Nesta época natalina se observa as família empenhadas em apresentar os melhores e mais bonitos pratos feitos muitas vezes com receitas de família que são guardadas a sete chaves, e que são acompanhadas com bebidas das melhores safras.
Com nosso clima tropical, de sol escaldante – aqui em Fortaleza parece uma fornalha, geralmente as pessoas poderiam pensar que os vinhos sairiam de cena devido a temperatura. Mas enganam-se quem assim pensa. Afinal a coquetelaria existe e nos ajuda a tornar o que já é bom e transformar numa bebida excelente.
Nas comemorações em muitas partes do  Brasil é possível encontrar por exemplo, as sangrias – bebida originalmente hispânica a base de vinho tinto e frutas. Pensando nisso hoje falaremos sobre o CLERICOT.



Quando ouvimos falar em clericot imaginamos logo que ele venha da França – devido a pronuncia da palavra, meio afrancesada – e com isso, pode-se pensar que a bebida pode ter sido inventada no verão da região de Borgonha quando um vinicultor irritado com o calor resolve misturar um vinho  branco com as frutas q ele colheu no seu pomar, misturou  tudo, colocou  gelo e se deliciou.
Porém a verdade é outra – muito menos romântica, por sinal. Ao que se sabe a bebida surgiu em meados do século XIX, na Índia, quando o país estava sob o domínio  da Grã-Bretanha, sendo inventado por funcionários da administração inglesa na região do Punjab, que quase mortos pelo calor, resolveram providenciar uma bebida refrescante à base de vinho claret (denominação dada pelos ingleses aos tintos de Bordeaux) com a adição de bacaxi – ou qualquer outra fruta suculenta.



Na época a bebida foi batizada de claret up. Desde então passou a ser servidos em muitos bares pelo  mundo,  tornou-se mais claro, pois passou a ser preparado com vinho branco ou espumante e transformou-se em clericot.
Na Sul América, o clericot já é intimo de  argentinos uruguaios, que  a bastante tempo  é servido nas churrascarias de Buenos Aires e em Punta del Este. No Brasil, os gaúchos são os apreciadores mais antigos – deve ter sido uma influencia advinda das proximidades com argentina e Uruguai.
Assim sendo, por ser uma bebida simpática, refrescante, o clericot combina perfeitamente com o cliam tropical e pode ser servido nos seus eventos gastronômicos de fim de ano. Que tal experimentar na sua festa de Natal?

Clericot

Ingredientes:
1 maçã
1 abacaxi
12 morangos
1 kiwi
1 laranja
1 dose de contreau (50 ml)
1 dose de conhaque (50 ml)
2 colheres de sopa de açúcar
70 ml de soda
1 garrafa de 750 ml de vinho branco ou  clarete
Gelo a gosto

Modo de preparo: Pique as frutas, sem casca e as coloque em uma jarra junto com o gelo. Adicione em seguida o conhaque, o contreau, a soda, o vinho e complete com o açúcar.

Clericot para o Natal

Ingredientes:
1 garrafa de champagne rosé
50 ml de cherry brand
2 garrafinhas de club soda
2 pêssegos picados
2 maçãs picadas
¼ de abacaxi em cubinhos
½ manga picada
8 morangos picados
1 cacho de uva Itália (cortar ao meio e retirar o caroço) opcional

Modo de preparo: Macere todas as frutas (menos o morango) com o cherry brand por 30 minutos. Acrescente os morangos, club soda, o gelo e misture bem. Acrescente o espumante rosé e mexa ligeiramente com bailarina ou colher de cabo comprido.


Receita de Clericot Exótica
Ingredientes:
1 garrafa de Salton Flowers
100 g de abacaxi picado
1 pomelo (grapefruit) sem casca e sem sementes picado
100 ml de xarope de lichia
10 lichias em calda
1 carambola em fatias
2 doses de licor de limão
Gelo

Modo de preparo: Colocar as frutas em uma jarra. Adicionar o xarope de lichia, o licor de limão e o vinho, mexendo bem. Deixar na geladeira por 30 a 45 minutos antes de servir para macerar bem. Adicionar gelo e servir.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Pepernoten: os biscoitos típicos do Natal Holandês

Hoje estou animado: terei um casamento pra ir e já consigo sentir, além dos aromas das comidas das bodas, os cheiros especiarados do Natal. Empolgo-me tanto que olha euzinho vestido de Noel.

O Barão de Gourmandise trajado de Noel
Estava observando meu facebook, quando minha amiga Celinie Rodrigues, hoje cidadã Holandesa, me manda uma mensagem me agradecendo pelas receitas de salgadinhos de festa que enviei pra ela – e que fez muito sucesso por lá. Quando Celinie viu a minha foto de Noel, imediatamente ela respostou, dizendo: nossa vc tá igual o daqui, sinterklaas.

Olha a Celinie aí.
Daí fiquei pensando em juntar todo este contexto e ver no que dava. E eis que surgiu a pauta do escrito de hoje – e vem direto da Holanda...

Sinterklaas -  comemorado em 5 de dezembro


Sinterklaas ou Sint Nicolaas (São Nicolau), quase sempre montado num cavalo branco e sempre acompanhado por um ou mais "Zwarte Pieten", nesse dia visita escolas, centro comerciais e as casas de família para celebrar seu aniversário. Essa é a lenda popular e as crianças com menos idade acreditam de coração que ele é verdadeiro. Elas de certa forma têm certo receio porque sabem que ele tem um livro com as anotações sobre como cada criança se comportou durante o ano e diz a lenda que a criança que não se comportou bem é levada pelos "Zwarte Pieten" para a Espanha. Seu ajudante fiel, "Pedro Preto", leva consigo um saco cheio de presentes, doces e bolachinhas típicas para distribuir para as crianças. Elas cantam canções típicas para o dia para depois ganharem seus presentes. A noite de Sinterklaas é sempre celebrada em família com muita festa. Os adultos e adolescentes trocam presentes com embrulhos engraçados acompanhados de um verso feito pelo doador. Desse jeito cada pessoa, em nome de Sinterklaas, pode fazer referências a certas características da pessoa e acontecimentos engraçados sem se revelar como doador do presente.


Os biscoitinhos que foram comentados no trecho acima são os pepernoten, ou kruidnote - o motivo do post de hoje. Eles são mini cookies feitos com especiarias, o que já combinam bem com esta época de festas natalinas .


Hoje em dia já não se sabe precisar a diferença entre pepernoten e kruidnoten. Porém sabe-se que é sutil a combinação de especiarias entre os dois tipos e, que há os que gostem de um e não do outro.De acordo com a wikipedia, os pepernoten levariam farinha de centeio na massa – mas não vi, na internet, nenhuma receita que consta este fato.
Atualmente o mais comum encontrado nos supermercados é o kruidnoten, embora os pepernoten também possam ser comprados. Ao que me parece, os pepernoten eram mais comum no passado. 
De certo, há uma confusão aí, os nomes se misturam entre as receitas e os próprios holandeses, às vezes, chamam kruidnoten de pepernoten. Os pepernoten podem ser comprados nos supermercados de setembro a dezembro. Nos demais meses do ano, só tem um jeito de comer pepernoten: preparando-os em casa. O problema é que você não consegue parar de comê-los...

Pepernoten
Fonte: http://www.sinterklaasfan.nl/recepten/pepernoten.html
Ingredientes:
250 gramas de farinha de trigo
1 colher de chá (3 gramas) de fermento em pó
2 colheres de chá (5 gramas) de canela em pó
1 colher de chá (2½ gramas) de cravo em pó
3 bagos (2 gramas) de cardamono
1/2 (meia) colher de chá (1 grama) de gengibre em pó
125 gramas de manteiga
125 gramas de açúcar mascavo
50 gramas de schenkstroop (é um xarope de caramelo comum aqui na Holanda. Pode ser substituído por mel ou melado)
3 gramas de sal

Modo de preparo: Misture a farinha, o fermento e as especiarias numa tigela.
Numa panela, derreta a manteiga com o açúcar mascavo, o mel e o sal, mexendo até que a manteiga esteja derretida e tudo bem incorporado. Junte a mistura de farinha com a manteiga derretida e mexa bem até formar uma massa macia. Faça rolos de 5 cm de espessura e “fatie” produzindo os mini-cookies. Distribua-os numa forma forrada com papel-manteiga e leve ao forno por aproximadamente 15 minutos, colocando a forma posicionada no meio do forno (Cuidado com o tempo de forno para não assá-los demais) Deixe esfriar num lugar fresco por algumas (2) horas. Modele e asse os cookies: Pré-aqueça o forno a 180 ° C.