sábado, 14 de janeiro de 2012

Os Tártaros

A última postagem trazia uma deliciosa receita com chocolate batizada com um nome diabólico. E para dar continuidade ao simbolismo sempre presente no mundo – e na gastronomia -, hoje iremos tratar sobre os tártaros.
A primeira vez que eu li esta palavra (ainda no século passado [risos]), eu me lembro, que me debrucei sobre os livros empoeirados, velhos e pesados da biblioteca pública para tentar descobrir mais sobre o que significava o tal Tártaro mitológico. 
Depois daquele episódio descobrir que existiam mais tártaros na vida... E que alguns deles poderiam ser deliciosos - outros, nem tanto. Vejamos:


O Tártaro Mitológico
É personificado por um dos deuses primordiais, nascidos a partir do Caos (apesar de alguns autores o considerarem irmão de Caos). Também é conhecido por ser a pior das regiões infernais. Suas relações com Gaia geraram as mais terríveis bestas da mitologia grega, entre elas o poderoso Tifão.

Mapa do Tártaro em Hades
   
Tifão ou Tifeu (em grego antigo Τυφωευς, Τυφων, Τυφαων, Τυφως, transl. Typhôeus, Typhôn, Typhaôn, Typhôs), é um deus da mitologia a quem imputavam os gregos a paternidade dos ventos ferozes e violentos e a seca. Era filho de Gaia e de Tártaro.

Tifão
 No sincretismo com o mito egípcio de Osíris, Tifão era identificado com o gigante Seb, responsável pela seca do Nilo e deus da morte, e que por inveja da fecundidade daquele o matara, sendo vingado por seu filho Anúbis (identificado com Apolo).Junto à esposa Equidna foi pai de vários dos monstros que povoam as aventuras de heróis e deuses, como o Leão de Neméia, combatido por Hércules, a Hidra de Lerna ou a Esfinge, na fusão com os mitos nilóticos, dos cães Ortros e Cérbero. Hesíodo descreve-o assim: "As vigorosas mãos desse gigante trabalhavam sem descanso, e os seus pés eram infatigáveis; sobre os ombros, erguiam-se as cem cabeças de um medonho dragão, e de cada uma se projetava uma língua negra; dos olhos das monstruosas cabeças jorrava uma chama brilhante; espantosas de ver, proferiam mil sons inexplicáveis e, por vezes, tão agudos que os próprios deuses não conseguiam ouvi-los; ora o poderoso mugido de um touro selvagem, ora o rugido de um leão feroz ; muitas vezes — ó prodígio! — o ladrar de um cão, ou os clamores penetrantes de que ressoavam as altas montanhas. Gaia, a Terra, para vingar a derrota de seus filhos pelos crônidas na Titanomaquia, uniu-se a Tártaro e gerando Tifão, identificado como a personificação do terremoto. Morava numa gruta, cuja atmosfera envenenava com vapores tóxicos. Era tão grande que sua cabeça tocava os astros celestes e suas mãos iam do Oriente ao Ocidente. Suas asas abertas podia tapar o Sol, dos seus ombros saiam Dragões, 50 de cada ombro no total 100. Ele era tão horrendo que todos o rejeitavam, até seus irmãos, os titãs. De sua boca cuspia fogo em torrentes, e lançava rochas incandescentes aos céus

Tifão, o “Filho” da Amargura de Hera

Na visão dos gregos antigos, a sociedade é patriarcal. O homem pode conceber grandes obras sem a mulher, inclusive a concepção. Mas a mulher só produziria seres deformados e obras espúrias sem a participação do homem.

Tifão é o deus da seca, mas não se pode nem um pouco compará-lo com um deus, ele é uma criatura extremamente cruel e poderosa, tão poderosa que todos os deuses fugiram ao vê-lo. Tifon é filho de Gaia e Tártaro, mas ele não nasceu de Gaia, Gaia ao perceber que estava grávida aproveitou e transformou seu ainda não nascido filho em uma semente e deu a Hera. Entenda como isso ocorreu.

Hera
Quando Atena nasceu, todo o Olimpo falava da sua beleza e da sua sabedoria. Todas as reverências foram dadas a Zeus por ter concebido tão formosa e guerreira filha. Ao ver Atena, Hera, a ciumenta mulher de Zeus, a rainha do Olimpo, encheu-se de cólera e amargura. Não suportava a idéia do marido ter concebido tão bela filha sem a sua participação. Enfurecida, Hera não quis receber Atena diante de si. Desde o nascimento da filha, que Zeus tornara-se um pai zeloso, cheio de empáfia por sua obra. Hera sentiu-se diminuída diante dos deuses. O único filho que dera a Zeus tinha sido o feio e coxo  Hefestos, deus dos vulcões. Ao dar à luz a filho tão feio e com deficiência na perna, ficou tão furiosa que o atirara ao mar. Depois daquele fruto indesejado, Zeus aparecia diante dela sendo pai de uma deusa belíssima, concebida somente por ele.
Hera não suportava tanta humilhação. Desejou conceber um filho sem a participação do marido. Queria ela ser mãe de um belo deus. Tanto rogou a Gaia, a mãe Terra, e às forças da terra, que conseguiu o seu propósito. Após inúmeras súplicas, Hera viu o seu ventre crescer. Também ela iria sozinha, gerar um filho, sem a presença do marido. Para punir e humilhar ainda mais o senhor do Olimpo, Hera não permitiu que o marido a procurasse durante a gravidez. Preferiu retirar-se para os templos onde era adorada e onde os humanos rendiam-lhe homenagens e sacrifícios.
Finalmente chegou o dia tão esperado. Hera começou a sentir as dores do parto. Estava ansiosa para ver o fruto da sua concepção solitária. Quando nasceu o filho da sua solidão e amargura, Hera decepcionou-se, ele não trazia a forma de um deus e nem a de um mortal. Era um terrível monstro em forma de serpente que cuspia fogo. Deu-lhe o nome de Tifão. Impossibilitada de livrar-se do filho, Hera voltou ao Olimpo a trazer nos braços tão vergonhosa produção. Tifão criou problemas com todos os deuses do Olimpo, fazendo intrigas entre eles. Importunados por tão incômoda presença, as divindades enviaram Tifão para Delfos, para ao lado da serpente Pitão, tomar conta do oráculo. Mais tarde Apolo matou Pitão e atirou Tifão no fundo do mar, onde ficou prisioneiro para sempre. Todas às vezes que o filho de Hera esbraveja mal humorado nas profundezas do mar, entra em erupção os vulcões Etna e Vesúvio, assombrando toda a Itália.

Luta contra o Olimpo 
A fim de dar cabo à vingança materna, Tifão começou a escalar o Monte Olimpo provocando a fuga dos seus moradores todos; os deuses se metamorfosearam em animais e fugiram para o Egito (razão pela qual, segundo os gregos, esse povo dava aos seus deuses configurações zoomórficas). Apolo tornou-se um falcão] (Hórus), Hermes um íbis (Thoth), Ares um peixe (Onúris), Ártemis uma gata (Neith ou Bastet), Dioniso um bode (Osíris ou Arsafes), Héracles um cervo, Hefesto um boi (Ptah) e Leto um musaranho (Wadjet). Apenas Atena teve coragem de permanecer na forma humana. Do Egito Zeus veio a se refugiar no Monte Cássio, na Síria, local em que enfrentou o gigantesco inimigo. Dali atingia Tifão com seus raios mas este consegue derrubá-lo e, com uma harpe, cortou-lhe os músculos dos membros e deles fazendo um pacote que guardou numa pele de urso. Os raios e os membros amputados foram confiados a Delfim - um dragão - no antro córciro, na Cilícia. No ataque Tifão invocara todos os dragões que, tantos eram, escureceram o dia. Tendo perdido seus raios Zeus propusera a Cadmo que, disfarçando-se em pastor, fizesse uma choupana e, com o som de sua flauta, atraísse o monstro. Nonos assim registra o episódio: "Canta, disse-lhe ele, Cadmo; tornarás a dar aos céus a primitiva serenidade. Tifão arrebatou-me o raio; só me resta a égide; mas de que pode valer-me contra as poderosas chamas dos raios? Sê pastor por um dia e sirva a tua flauta para devolver o império ao eterno pastor do mundo. Os teus serviços não ficarão sem prêmio; serás o reparador da harmonia do universo e a bela Harmonia, filha de Marte e de Vênus, será tua esposa."Atraído pela música, Tifão se aproxima; Cadmo (noutros mitos teria sido Hermes) finge estar assustado com os raios e o monstro, para acalmá-lo, deixa os relâmpagos numa caverna onde Zeus, fazendo baixar uma nuvem para não ser percebido, recupera suas armas e músculos. De posse novamente de seus poderes, Zeus força Tifão a fugir para o monte Nisa onde as Parcas dão-lhe de comer, pois estava esfomeado, frutos que lhe diminuem a força. Ainda em fuga chega à Trácia onde pelo tanto do sangue derramado deu nome ao monte Hemos. Ainda perseguido, vai Tifão para a Sicília e depois Itália onde Zeus, concentrando todas as forças, fulmina todas as cabeças do monstro que cai sobre a terra com estrondo, morto.

Zeus atirando seus raios em Tifon
Vários monstros tiveram atribuída a paternidade a Tifão e sua esposa Equidna, a única que podia suportar a sua terrível aparência, já que outras Titanides e deusas primordiais o rejeitavam. São seus filhos: Ortros, cão de guarda do rebanho de Gerião, morto por Hércules; Leão da Neméia, também morto por Hércules, foi transformado em constelação; Hidra de Lerna, em cujo sangue Hércules embebeu suas setas para que seus ferimentos fossem incuráveis, após derrotá-la com ajuda de Iolau; Cérbero, guardião da entrada ao Hades; Quimera e o Dragão da Cólquida.

Equidna

Assim como Gaia era a personificação da Terra e Urano a personificação do Céu, Tártaro era a personificação do Mundo Inferior. Nele estavam as cavernas e grutas mais profundas e os cantos mais terríveis do reino de Hades, o mundo dos mortos, para onde todos os inimigos do Olimpo eram enviados e onde eram castigados por seus crimes. Lá os Titãs foram aprisionados por Zeus (Júpiter), Hades (Plutão) e Poseidon (Netuno) após a Titanomaquia.
Na Ilíada, de Homero, representa-se este mitológico Tártaro como prisão subterrânea 'tão abaixo do Hades quanto a terra é do céu'. Segundo a mitologia, nele eram aprisionados somente os deuses inferiores, Cronos e outros titãs, enquanto que os seres humanos, eram lançados no submundo, chamado de Hades. O poeta grego Hesíodo garantiu que uma bigorna de bronze cairia do céu durante nove dias até alcançar a terra, e que cairia outros nove dias até atingir o Tártaro. Sendo um lugar tão profundo no chão, estava coberto por três camadas de noites, que se seguiam a um muro feito de bronze a cercar este distante subterrâneo.
Era um poço úmido, frio e desgraçadamente imerso na mais tenebrosa escuridão.

O mundo primordial, segundo a mitologia grega
Enquanto, segundo a mitologia grega, o Submundo (Érebo, reino de Hades) era o lugar para onde iam os mortos, o Tártaro tinha vários moradores. Quando Cronos era o deus que governava o mundo, prendeu os Ciclopes no Tártaro. Zeus os libertou, para que o ajudassem na sua luta contra os titãs - que acabaram sendo derrotados pelos deuses do Olimpo, e aprisionados neste desolador tugúrio. Ficaram vigiados por 3 enormes gigantes chamados Hecatônquiros.
Os hecatônquiros (em grego Έκατόνχειρες Hekatonkheires, "os de cem mãos"), também conhecidos por Centimanos (do latim Centimani), eram três gigantes da mitologia grega, irmãos dos 12 Titãs e dos 3 Ciclopes, filhos de Urano e Gaia: Briareu ("forte"), Coto ("filho de Cotito") e Giges ("o membrudo"). Possuíam cem mãos (em algumas histórias, possuíam também, 50 cabeças).
Segundo Hesíodo, as gerações de Urano e Gaia foram, em ordem, os titãs, os cíclopes e os hecatônquiros, que foram odiados por seu pai, e os escondeu na Terra assim que cada um deles nasceu. Segundo Pseudo-Apolodoro, os hecatônquiros foram os primeiros filhos de Urano e Gaia, e, logo após os hecatônquiros, nasceram os ciclopes, que foram aprisionados no Tártaro por Urano.
Gaia sofreu com o aprisionamento dos hecatônquiros, e pediu a seus filhos que punissem Urano;apenas Cronos teve coragem de responder à sua mãe.Gaia entregou uma foice a Cronos, e faz o plano;quando Urano estava se deitando com Gaia, Cronos atacou, e castrou Urano.



Poderosos, ajudaram Zeus a derrotar os Titãs no episódio que ficou conhecido como Titanomaquia. Coto, Briareu e Giges lançaram trezentas pedras, e suplantaram o ataque dos Titãs, enterrando-os em baixo da terra, e amarrando-os com correntes. Após a vitória de Zeus, os titãs foram encerrados no Tártaro. 




Depois de derrotar os Titãs, os hecatônquiros se estabeleceram em palácios no rio Oceanus, ficaram como guardiões das portas do Tártaro, onde Zeus havia aprisionado os Titãs.  Mais tarde, quando Zeus derrotou o monstro Tifão, filho de Tártaro com Gaia, também o lançou neste mesmo poço de água.

Depois deste aprofundamento sobre o tártaro mitológico, no decorrer dos anos fui me deparado com os outros tártaros:
·         O Tártaro Dental – Entre a gengiva e o dente existe um espaço, sulco gengival, (vamos compará-lo à cutícula de unha), que em condições normais atinge até 3mm de profundidade. Após as refeições, os restos alimentares (placa bacteriana), penetram nesses espaços e após 72 hrs, endurecem , formando o tártaro, este é duro e áspero, irritando e inflamando a gengiva, provocando sangramento ao leve toque da escova.

·        O Cremor Tártaro - Bitartarato de potássio, também chamado hidrogeno tartarato de potássio tem fórmula KC4H5O6. É um subproduto da fabricação de vinho. Também é conhecido como creme de tártaro. É o sal ácido de potássio do ácido tartárico. Cremor Tártaro é o nome chique para Bitartarato de potássio branco, altamente purificado, vendido nas lojas de alimentos. E, finalmente,



·         O Molho Tártaro – molho á base de maionese e picles usado para acompanhar saladas e peixes. (foto e receita no fim do post)

A palavra tártaro ou tartare se referia ao nome persa da horda dos mongóis de Genghis Khan que assolou a Ásia e a Europa Oriental durante a Idade Média. Os tártaros eram vistos pelos europeus como sendo censuráveis (ou para ser gentil, politicamente incorretos), uma  vez que usavam peles inteiras de animais e muitas vezes comiam suas refeições cruas. Aliás, os tártaros levaram  a culpa por quase tudo que for cru, acre ou grosseiro.
Provavelmente por este mesmo motivo que uma de nossas delícias semibárbaras recebeu o nome de steak tartare: carne crua moída ou picada, misturada com cebola crua picada, gema de ovo crua, sal e pimenta com toque de tabasco, molho inglês, mostarda de Dijon, anchovas e alcaparras.  

Fonte

Alexander S. Murray. Quién es Quién en la Mitología. [S.l.]: ME Editores, Madri, 1997.
René Menard. Mitologia greco-romana, volume I, II e III. [S.l.]: Opus ed. São Paulo, 2ª ed, 1991.

STEAK TARTARE

Ingredientes:
1,5 k de filé mignon limpo
6 gemas de ovo
2 cebolas pequenas, muito bem picadas
2 colheres (sopa) de alcaparras bem picadas
Folhas de manjericão picadas finamente
3 colheres (sopa) de molho inglês
2 colheres (sopa) de ketchup
2 colheres (sopa) de mostarda de Dijon
Salsinha picada para decorar
Sal e pimenta-do-reino moída na hora, a gosto
Preparo: Retire os nervos e pique a carne finamente com a faca. Você pode também comprá-la já moída (somente uma passagem no moedor); Junte todos os ingredientes picados e misture bem; Acrescente as gemas e misture até formar uma pasta; Adicione o molho inglês e vá colocando ketchup, mostarda, pimenta e sal aos poucos, testando sempre até chegar ao ponto desejado do tempero; Decore com salsinha e um fio de azeite; Deixe resfriar na geladeira antes de servir.

MOLHO TÁRTARO

Ingredientes:
1 colher (chá) de cebola ralada
2 colheres(chá) de picles picados (cenoura e pepino)
1 colher (sopa) de azeitonas verdes picadas
1/2 colher (sopa) de alcaparras picadas
1 colher(sopa) salsa e cebolinha picadas
3/4 de xícara (chá) de maionese
1 colher (chá) de limão ou vinagre(opcional)
1 colher(chá) de mostarda

Preparo: Misture todos os ingredientes à maionese e mexa bem, ou passe pelo multiprocessador. Pronto

Obs.: Esta receita é própria para peixes assados e todos os tipos de frutos do mar, principalmente camarões e lagostas. Também com aquelas deliciosas cebolas empanadas ou pão preto. As medidas podem modificar conforme seu gosto ou paladar.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Que tal um Devil's food cake (bolo comida do diabo) para esta sexta-feira treze?

Já  faz um bom tempo que eu  venho guardando o escrito do post de hoje para usar num dia cheio de simbolismo... e eis que  é chegado este dia: hoje, uma sexta-feira treze, banhada por raios de  lua cheia.


Muitos supersticiosos dizem que este não é um bom dia, que  ele vem cheio de energias ruins e que podem atrair coisas e seres maléficos. Eu particularmente não acredito nisso, e não poderia escolher data melhor para apresentar para vocês dois dos mais famosos bolos da culinária norte-americana: Devil's food cake e o  Red Devil's food – seriam, para mim, bolos do  jeito que o diabo gosta. E ele gosta de muito chocolate (risos)
Devil's Food Cake
Red Devil's Food Cake
Antes de prosseguir devo contar outro fato interessante, que me ocorreu, para que eu pudesse, por fim, publicar este escrito no dia de hoje:  além do dia ser propicio para uma receita “metafórica”,  ontem eu comecei a ler um livro  bacaninha, intitulado de “O que Einstein disse a seu cozinheiro – a ciência na cozinha”, obra de Robert L. Wolke, que traz  muitos esclarecimentos sobre a química presente nos alimentos. Ele apresenta mais de 100 perguntas e dá seus respectivos esclarecimentos. E para minha surpresa lá estava um esclarecimento super válido, e pouco conhecido, para esclarecer os mistérios do  bolo do  diabo. Esta descoberta me incitou ainda mais a publicar o tema em questão.


Receitas para ricos, assim eram os  bolos de chocolate similares ao bolo comida do diabo bastante comuns nos livros de culinária (principalmente norte americanos) no final do século 19, mas eles não eram nomeados como tal. Os bolos comida do diabo  eram geralmente listados sob o nome genérico "bolo de chocolate." Receitas intituladas como comida do  diabo se proliferaram nas primeiras décadas do século XX. ( Enquanto o Red Devil cake aparece na década de 1930).
Um alimento do Diabo. Um bolo, muffin, ou cookie feito com chocolate escuro, assim chamado porque é supostamente seria tão rico e delicioso que devia ser algo pecaminoso, embora a associação é claramente feita com humor. Sua cor escura contrastava com o branco neve do  bolo comida de anjo – este tem sua origem anterior ao  bolo comida do diabo, e iremos tratar dele noutra oportunidade.



O primeiro bolo comida do diabo apareceu em 1900, após o qual as receitas e as referências se tornaram freqüentes em livros de receitas. "bolo comida  do diabo  vermelho" –  dada sua cor marrom-avermelhada pela mistura de cacau e fermento soda.1
Como este bolo de chocolate passou a ser chamado de alimento do diabo, ninguém sabe, embora possa ter sido um jogo de opostos: era tão escuro e rico enquanto o bolo  comida de anjo era claro e leve. No início de 1900 houve uma série de variações bizarras encontradas nas receitas do  bolo comida do diabo: podia-se encontrar na massa desde purê de batatas , canela em pó e cravo, além de chocolate.2
Alguns historiadores acreditam que esta foi a primeira menção ao  bolo alimento do diabo . Apareceu em um livro de memórias escrito por Caroline King's  sobre sua infância, em Chicago, por  volta de 1880. Ms. King foi uma escritora de receitas muito popular  na década de 1920-1930.
"Comida do diabo, embora um bolo novo em nossa casa, tinha feito a sua aparição arrojado em Chicago em meados dos anos oitenta, e no momento em que chegou a nossa comunidade pacata, e causou  bastante raiva. A receita de  Maud era o original, e fez um. grande bolo escuro, rico. Aqui está:

Bolo comida do  diabo

1/2 xícara de manteiga
2 xícaras de açúcar
5 ovos
1 xícara de creme azedo
2 e 1 / 2 xícaras de farinha
1 colherinha de soda
1 colher de chá de fermento em pó
3 quadrados de chocolate sem açúcar (150g)
1 colher de chá de baunilha.
Anna derreteu o chocolate sobre a água quente, enquanto Maude fazia o creme de manteiga  adicionado o açúcar aos poucos, então ela acrescentou nas gemas ligeiramente batido dos ovos e o chocolate derretido com baunilha. A mim era permitido peneirar e medir a farinha e depois peneirá-la novamente com o fermento em pó e soda. Quando isso foi feito, Maude, alternadamente adicionado a mistura de farinha e  o creme de leite para a combinação do ovo com açúcar-manteiga-chocolate. Por último, ela dobrou as claras rigidamente batidas e misturou ao creme marrom com o batedor, tinha um cheiro delicioso ela dividu a massa em três partes nas formas que Anna tinha passado manteiga e enfarinhado. O cozimento, em um forno muito moderado, foi cuidadosamente vigiado. De acordo com um costume consagrado pelo tempo em nossa família, os bolos foram testados com um palito limpo e quando pronto eram retirados do forno, lindamente marrom e arrebatadoramente perfumado, eram colocados em uma toalha limpa. Agora viria a seguinte parte importante, o  glacê e o recheio . A receita de Watermans pedia um glacê espesso agradavelmente picante feito com algumas gotas de ácido cítrico. Mas o ácido cítrico soava perigoso para  Maude, e além disso, como explicou Anna, não tínhamos tal artigo em nossa dispensa. E mesmo tendo um estoque de essências aromatizantes de Emily, que  se recusou a ceder, Maude então usou suco de limão, com parcimônia e criteriosamente, e o resultado foi perfeito. No geral foi um bolo nobre, nobre feito.3 "
Qual é a diferença entre bolo de chocolate e um bolo comida do diabo?
Esta simples pergunta tem muitas respostas, dependendo do período e livro de receitas. Sabe-se que no século XIX as receitas de bolo de chocolate americano eram bolos branco / amarelo com cobertura de chocolate. A adição de chocolate à massa aumentou à medida que o preço deste ingrediente diminuiu, criando assim "bolo de chocolate", como a conhecemos hoje. Livros de receitas do século 20, muitas vezes listam de bolo de chocolate e bolo comida do diabo, na mesma página. A diferença mais predominante entre os dois é que o  comida do  diabo geralmente contém uma maior proporção de chocolate. Fannie Farmer [1923] [1923] dobra a quantidade de chocolate necessária para alimentar seu diabo (4 onças em comparação com 2 onças de bolo de chocolate "regular".). Irma S. Rombauer confirma: "Quanto a maior quantidade de chocolate usado, será mais negro e rico seu  comida do diabo." (Joy of Cooking, 1931 p. 236)


Red Devil's Food
Os bolos  comida dos diabos vermelhos começam a aparecer nos jornais norte-americanos e livros de receitas durante os anos 1930. Alguns são especificamente chamados de "diabo vermelho", outros são simplesmente chamados diabo e são indistinguíveis a não ser que o cozinheiro examinados os ingredientes.
No livro “O que Einstein disse a seu cozinheiro – a ciência na cozinha”, Robert L. Wolke comenta faz  o seguinte comentário::

O bolo chamado comida do diabo , é um caso interessante, porque a maior parte das receitas pede chocolate em pó comum; no entanto, o  bolo  sai com uma diabólica coloração  vermelha, como se contivesse cacau do processo holandês. Isso se dá por causa do  bicarbonato de sódio usado como fermento, e a alcalinidade do  bicarbonato de sódio “holandeíza” o  cacau. (Wolke, 2003, p.34)

Vejamos agora uma receita do Red Devil's Food  - Receita de 1938 (Devil's Food cake Wins Plaudits," Marian Manners, Los Angeles Times, June 13, 1938 (p. A6))
Cozinhe uma xícara de açúcar mascavo, dois terços xícara de cacau, dois terços xícara de manteiga e uma gema de ovo por cinco minutos, mexendo sempre.Deixe esfriar e bata. Faça um creme batendo meia xícara de gordura vegetal e uma xícara de açúcar granulado, adicione o creme cozido alternadamente com duas e um quarto de xícara de farinha que foram peneirada com uma colher de chá de soda e fermento em pó e um quarto sal. Bata dois ovos e adicione com a metade da xícara de água e uma colher de chá de baunilha. Despeje em duas assadeiras de bolo que foram forradas com papel-amanteigado. Asse 25 minutos em 375 graus. Cubar com glacê. "

NOTAS:
1 Encyclopedia of American Food and Drink, John F. Mariani [Lebhar Friedman:New York] 1999 (p. 111)
2 American Century Cookbook: The Most Popular Recipes of the 20th Century, Jean Anderson [Clarkson Potter:New York] 1997 (p. 452-3)
3 Victorian Cakes: A Reminiscence With Recipes, Caroline B. King, with an introduction by Jill Gardner [Aris/Berkeley:1986] (p. 35-6)

Bolo comida do diabo

½ xícara de chocolate em pó amargo
1 xícara de água fervendo
2 xícaras de farinha de trigo
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
½ colher chá de sal
½ de manteiga sem sal , amolecida
1 xícara de açúcar
2 ovos grandes
1 colher de chá de baunilha

Preparo ponha  o chocolate em pó numa tigela pequena.  Junte a água devagar, mexendo com uma colher  até ficar  bem combinado  numa pasta lisa. Reserve até ficar morno. Noutra tigela misture a  farinha, o  bicarbonato e o sal.
Numa tigela média bata a manteiga com o  açúcar até ficar um creme fofo. Acrescente os ovos, um de cada vez, batendo sempre para que fique bem incorporado. Acrescente a mistura de chocolate esfriada toda de uma vez e  mexa bem. Acrescente a mistura de  farinha  e  bata  bem até  ficar  uma massa lisa. Assem  em forma untada  e enfarinhada  em forno pré-aquecido.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Mozaik Pasta: o salame de chocolate com cara de bolo

E cá estamos nós em mais um Dia de Reis. 
Já preparou seu Bolo Rei, pra ver quem vai ficar com a fava? Ah, você não tem a receita ou, não sabe do que eu estou falando... Então veja este post que escrevi (Clique aqui) e se delicie com uma tradição majestosa .


Hoje também é o dia oficial para desmontar a árvore de Natal – mas confesso que sempre tenho preguiça de fazer isso. Até porque acho tão lindos os enfeites de Natal que eu poderia os deixar enfeitando a casa durante o ano  todo (risos).
Estava aqui olhando as receitas tentando  buscar uma interessante para este dia; o  bolo-rei eu já havia postado anteriormente – e já simplifica  bem  a tradição para este dia. Daí resolvi colocar uma que eu gosto imensamente trata-se do Bolo  mosaico – eu desde adolescente que faço (fazia a noite pra comer quando todo mundo dormia rsrsrsrs).



No Brasil este tipo de “bolo” é conhecido como salame de chocolate. Não importando o nome, o resultado  é delicioso.



Tentei buscar mais da origem desta maravilha achocolatada, mas infelizmente não  encontrei  registros que fossem louváveis. Porém o que corre pelo mundo nas raras informações encontradas é que o bolo mosaico seria de origem italiana – um derivado ou outro nome para a famosa PALHA ITALIANA, que  ainda pode ser encontrado na versão de rolo com o  nome de "Salame di Cioccolato". Este bolo foi muito popular na Turquia entre 10 a 15 anos atrás.  E desde então, tem sido esquecido.
Esse tipo de salame possui uma forma semi-cilíndrica e não é fabricado com carne, ao contrário dos salames tradicionais, que possuem uma forma cilíndrica. É tradicionalmente feito com chocolate, bolachas petit-beurre (no  Brasil geralmente feito com bolachas Maria ou  Maisena), manteiga, ovos e alguns tipos de nozes (amêndoas, nozes, avelãs, castanhas) podendo ainda, ser aromatizado com vinho do porto. É servido em fatias grossas. A referência ao salame vai por simbolismo: O chocolate e os pedaços de bolacha substituem a carne e a gordura existentes no salame tradicional.
Quando é referido como bolo mosaico o simbolismo aparece novamente devido ao fato de que os pedaços de bolacha aparente entre  a massa de chocolate lembraria um mosaico.


A palavra mosaico vem do grego e significa obra paciente digna das musas. Não é à toa. Trata-se de uma das mais altas expressões da arte e um dos mais antigos e aparentes meios de ornamentação - desde a época romana. A origem do mosaico se perde no tempo. Plínio (escritor romano D.C.) e Vitruvio (arquiteto romano do primeiro século A.C.) deixaram indicações claras de como fixar as pedras, pois havia mais que um tipo de composição para aplicação dos pequenos e preciosos trabalhos. Os registros de mosaicos mais antigos datam de até 50 mil anos atrás, quando eram utilizadas lascas de pedras, cristais e conchas. Vestígios do uso de materiais cerâmicos como revestimento foram encontrados na arquitetura da civilização Babilônica (século VI a.C.). No entanto, a pirâmide escalonada do Faraó Zozer (5.000 a.C.), a mais antiga já encontrada no Egito, apresentava o recinto da tumba revestido de porcelana verde azulada, e quando foi aberta, em 1.803, mantinha as cores e sua beleza originais preservadas. Nos primeiros séculos antes de Cristo os mosaicos policromos atingiram um desenvolvimento espantoso - não tinha sequer uma casa que não tivesse um. Os mosaicos formados a partir de pedras cortadas em forma de quadrados e retângulos trabalhadas a mão, eram os chamados Tessera. As ilustrações dos mosaicos era bastante diversa. Foram encontradas amostras desde o mitológico histórico até aos da época em que foram feitos, como por exemplo, representações das corridas de bigas na Praça Amerina, na Sicília. Nas ruínas da cidade de Pompéia, na Itália, encontra-se o mosaico mais famoso da Antiguidade: a Batalha de Issus, que representa um combate entre dois nobres. Aliás, os mosaicos antigos, que infelizmente ainda não foram suficientemente estudados, constituem uma fonte riquíssima de conhecimento, seja pela pintura da época - que se perdeu no tempo, seja pela mitologia. Quando a civilização romana caiu sobre os ataques dos bárbaros invasores, a arte se transferiu para as terras do oriente, que eram mais seguras. Por centenas de anos, no resto do império do oriente, foram formadas escolas de mosaiquistas que produziram grandiosas obras. Impulsionados pelo cristianismo, os muros das basílicas se vestiram de milhares de pequenas pedras coloridas. Eram os chamados mosaicos bizantinos, pinturas para a eternidade. Pode-se dizer que no mosaico bizantino existe uma perfeita união da arte e do trabalho. Cada pedra parece ter sua própria autonomia e uma perfeita individualidade pelo modo irregular em que são colocadas sobre o extrato de cimento. Oferecendo luz que provem de diversas partes, estas pequenas pedras produzem um raio de luminosidade incomparável. Depois do período bizantino, o mosaico amargou um longo período de decadência. A tentativa de imitar a pintura relegou o mosaico em um segundo plano por séculos.

Tao  gostoso este bolo  mosaico que, como  já diz o  nome, realmente deve ter sido a musa inspiradora de muita gente por aí.  
Aproveitar que citei as musas e para homenageá-las neste início de 2012 vou discorrer um pouco ao seu respeito – vai que, de repente, com a leitura vocês se inspiram e criam maravilhas gastronômica para dividir com a gente aqui, não é?)



Após a vitória dos deuses do Olimpo sobre os seis filhos de Urano, conhecidos como titãs, foi solicitado a Zeus que se criassem divindades capazes de cantar a vitória e perpetuar a glória dos Olímpicos. Zeus então partilhou o leito com Mnemósine, a deusa da memória, durante nove noites consecutivas e, um ano depois, Mnemósine deu à luz nove filhas em um lugar próximo ao monte Olimpo. Criou-as ali o caçador Croto, que depois da morte foi transportado, pelo céu, até a constelação de Sagitário. As musas cantavam o presente, o passado e o futuro, acompanhados pela lira de Apolo, para deleite das divindades do panteão.
Eram, originalmente, ninfas dos rios e lagos. Seu culto era originário da Trácia ou em Pieria, região a leste do Olimpo, de cujas encostas escarpadas desciam vários córregos produzindo sons que sugeriam uma música natural, levando a crer que a montanha era habitada por deusas amantes da música. Nos primórdios, eram apenas deusas da música, formando um maravilhoso coro feminino. Posteriormente, suas funções e atributos se diversificaram.

Calíope (bela voz), a primeira entre as irmãs, era a musa da eloqüência. Seus símbolos eram a tabuleta e o buril. É representada sob a aparência de uma jovem de ar majestoso, a fronte cingida de uma coroa de ouro. Está ornada de grinaldas, com uma mão empunha uma trombeta e com a outra, um poema épico. Foi amada por Apolo, com quem teve dois filhos: Himeneu e Iálemo. E também por Eagro, que desposou e de quem teve Orfeu, o célebre cantor da Trácia.
Clio (a que confere fama) era a musa da História, sendo símbolos seus o clarim heróico e a clepsidra. Costumava ser representada sob o aspecto de uma jovem coroada de louros, tendo na mão direita uma trombeta e na esquerda um livro intitulado "Tucídide". Aos seus atributos acrescentam-se ainda o globo terrestre sobre o qual ela descansa, e o tempo que se vê ao seu lado, para mostrar que a história alcança todos os lugares e todas as épocas.
Érato (a que dá júbilo) era a musa da poesia lírica e tinha por símbolo a flauta, sua invenção. Ela é uma jovem, que aparece coroada de flores, tocando o instrumento de sua invenção. Ao seu lado estão papéis de música, oboés e outros instrumentos. Por estes atributos, os gregos quiseram exprimir o quanto as letras encantam àqueles que as cultivam.
Tália (a festiva) era a musa da comédia que vestia uma máscara cômica e portava ramos de hera. É mostrada por vezes portando também um cajado de pastor, coroada de hera, calçada de borzeguins e com uma máscara na mão. Muitas de suas estátuas têm um clarim ou porta-voz, instrumentos que serviam para sustentar a voz dos autores na comédia antiga.
Melpômene (a cantora) era a musa da tragédia; usava máscara trágica e folhas de videira. Empunhava a maça de Hércules e era oposto de Tália. O seu aspecto é grave e sério, sempre está ricamente vestida e calçada com coturnos.
Terpsícore (a que adora dançar) era a musa da dança. Também regia o canto coral e portava a cítara ou lira. Apresenta-se coroada de grinaldas, tocando uma lira, ao som da qual dirige a cadência dos seus passos. Alguns autores fazem-na mãe das Sereias.



Euterpe (a que desperta desejo) era a musa do verso erótico. É uma jovem ninfa coroada de mirto e rosas. Com a mão direita segura uma lira e com a esquerda um arco. Ao seu lado está um pequeno Amor que beija-lhe os pés.
Polímnia (a de muitos hinos) era a musa dos hinos sagrados e da narração de histórias. Costuma ser apresentada em atitude pensativa, com um véu, vestida de branco, em uma atitude de meditação, com o dedo na boca.
Urânia (celeste) era a musa da astronomia, tendo por símbolos um globo celeste e um compasso. Representam-na com um vestido azul-celeste, coroada de estrelas e com ambas as mãos segurando um globo que ela parece medir, ou então tendo ao seu lado uma esfera pousada uma tripeça e muitos instrumentos de matemática. Urânia era a entidade a que os astrônomos e astrólogos pediam inspiração.
Suas moradas, normalmente situadas próximas à fontes e riachos, ficavam na Pieria, leste do Olimpo (musas pierias), no monte Helicon, na Beócia (musas beócias) e no monte Parnaso em Delfos (musas délficas). Nesses locais dançavam e cantavam, acompanhadas muitas vezes de Apolo Musagetes (líder das musas - epíteto de Apolo). Eram bastante zelosas de sua honra e puniam os mortais que ousassem presumir igualdade com elas na arte da música.
O coro das musas tornou o seu lugar de nascimento um santuário e um local de danças especiais. Também frequentavam o monte Hélicon, onde duas fontes, Aganipe e Hipocrene, tinham a virtude de conferir inspiração poética a quem bebesse suas águas. Ao lado das fontes, faziam gracioso movimentos de uma dança, com seus pés incansáveis, enquanto exibiam a harmonia de suas vozes cristalinas.
Na mitologia grega, as musas (em grego Μοῦσαι) eram, segundo os escritores mais antigos, as deusas inspiradoras da música e, segundo as noções posteriores, divindades que presidiam os diferentes tipos de poesia, assim como as artes e as ciências. Originalmente foram consideradas Ninfas inspiradoras das fontes, próximas das quais eram adoradas, e levaram nomes diferentes em distintos lugares, até que a adoração tracio-beócia das nove musas se estendeu desde Beócia ao resto das regiões da Grécia e ao final permaneceria geralmente estabelecida.
Ainda que na mitologia romana terminaram sendo identificadas com as Camenas, Ninfas inspiradoras das fontes, na realidade pouco tinham a ver com elas.

Bolo  mosaico
Ingredientes
200 g de chocolate para culinária 
300 g de bolachas petit-beurre (bolachas Maria ou Maizena)
250 g de açúcar
250 g de manteiga
4 gemas de ovos
2 colheres (sopa) mais ou menos de licor à gosto
100 g de amêndoas peladas e picadas
1 colher (sopa) de aguardente velha ou conhaque ou vinho do porto
Modo de preparo
Bata a manteiga até obter um creme esbranquiçado. Junte as gemas, uma a uma, alternando com o açúcar e a aguardente ou conhaque, batendo muito bem entre cada adição. Derreta o chocolate para culinária em banho-maria com 1 colher (sopa) de água. Junte ao creme. Salpique as bolachas com o licor e disponha em forma de quadrado, num prato de serviço. Cubra com uma camada de creme e alise bem. Disponha nova camada de bolachas, previamente salpicadas com licor, e em seguida espalhe outra camada de creme. Proceda de igual modo até colocar 5 camadas de bolachas. Cubra todo o bolo com o restante creme e alise, com uma espátula, de forma a obter um quadrado uniforme. Espalhe a amêndoa junto as bordas do bolo, formando uma barra quadrangular. Risque o centro com um garfo, fazendo um encanastrado. Leve o bolo à geladeira durante cerca de 3 horas antes de servir.
Observações:
Pode substituir-se as amêndoas mas tem de se aumentar a quantidade de bolacha em 100 gr.

Salame de Chocolate
Ingredientes

300g de biscoito secos (bolacha Maria e/ou maizena)
200g de chocolate meio amargo
150g de manteiga (a temperatura ambiente)
100g de açúcar
2 ovos
2 colheres de Rum

Modo de preparo Com as mão, quebre os biscoitos em um tamanha médio, não deixando-os apenas farelo, mas também não em pedaços grandes. Derreta o chocolate em banho-maria.  Misture bem a manteiga, o açúcar, os ovos e o Rum.  Acrescente o chocolate e bata até formar um creme uniforme.
Despeje o creme nos biscoitos, e misture bem. Pegue um papel vegetal e coloque a mistura em fileira. Enrole em um papel alumínio e molde para que fique no formato de um salame. Deixe na geladeira por pelo menos 3 horas ou, até ficar consistente para ser cortado em fatias e sirva.

domingo, 1 de janeiro de 2012

O primeiro dia de 2012 com bolo da vida

Eis que cheguei até 2012...

E não poderia deixar de postar algo bacana pra começar o ano novo bem.
Para que este ano seja  repleto de maravilhas nas nossas vidas começo com um vídeo inspirador e uma oração...



Se a vida fosse um conto de fadas, eu faria um pedido ao gênio da lâmpada para todos vocês... Mas a vida é real e isso é ainda melhor, porque não vou precisar de uma lâmpada mágica para pedir ao Pai do Céu aquilo que meu coração deseja para os meus amigos. E um pedido, um único pedido eu vou fazer. É verdade, a idéia talvez seja original, mas não é minha - infelizmente. Essa idéia foi copiada de um rei.
Peço a Deus que no próximo ano dê a cada um de vocês: Sabedoria! Adquirindo sabedoria, vocês automaticamente receberão todas as outras coisas. Desejo, então que sejam sábios para:
- se vestirem com a beleza dos lírios dos campos;
- possuírem o suficiente para que sejam cobertas todas as vossas necessidades, mas não o bastante para que pensem que não precisem de ninguém;
- guardarem a fé mesmo nas provações;
- em dificuldades, nunca pensarem que é o fim do caminho;
- na felicidade, nunca se esquecerem de agradecer;
- no amor, que sejam voluntários;
- na dor, que sejam solidários;
- em tempos de guerra, que a Paz possa reinar interiormente;
- na amizade serem grandes e verdadeiros;
- que vossas mãos sejam suficientemente quentes para, segurando a mão do próximo, aquecendo o mundo numa grande corrente de amor;
- nunca pensarem que a felicidade é utopia;
- nunca desacreditarem que o amor vence barreiras;
- nunca se esquecerem de que temos um Pai que jamais vai nos abandonar;
- e que essa sabedoria possa estar presente cada minuto pelo resto, não do ano, mas da vida inteira de cada um!

E a receita deste primeiro dia de 2012 será o bolo da vida – receita que percorre o mundo nesta época do ano devido o simbolismo de seus ingredientes, dando aos comensais vida longa e cheia de prosperidade.

Faço aqui um brinde a todos vocês!
Tenham um sábio Ano Novo!

Bolo da Vida

Ingredientes
6 ovos (criatividade)
1 1/2 xícara (chá) de açúcar (ternura)
1 1/2 xícara (chá) de manteiga (compreensão)
3 xícaras (chá) de farinha de trigo (força)
1 colher (sopa) de fermento em pó (desenvolvimento)
1 1/2 colher (chá) de canela em pó (coragem)
1 1/2 colher (chá) de cravo em pó (perspicácia/dinheiro)
1 xícara (chá) de frutas cristalizadas (fé)
1 xícara (chá) de uvas passas escuras (paciência)
1 xícara (chá) de cerejas vermelhas bem picadas (amor)
1 xícara (chá) de cerejas verdes (esperança e alegria)
1 xícara (chá) de damasco bem picado (luz)
Para o glacê
2 xícaras (chá) de açúcar de confeiteiro
6 colheres (sopa) de leite

modo de preparo: Bata os ovos inteiros até ficarem esbranquiçados. Vá adicionando o açúcar e a manteiga. Quando você colocar a manteiga, ficará com aparência de talhado, mas depois que colocar os outros ingredientes, fica normal. Tire da batedeira, acrescente a farinha, o fermento, o cravo em pó, a canela e misture com uma colher de pau. Junte as frutas cristalizadas, as uvas passas, as cerejas e o damasco. Despeje a massa numa forma redonda com 30 cm de diâmetro. Asse em forno pré-aquecido (180ºc) por 35 min ou até que, enfiando um palito, saia limpo. Se necessário, cubra com papel-alumínio para não dourar demais. Deixe esfriar e desenforme. Decore com o glacê. Para o glacê Misture bem o açúcar com o leite. Leve ao fogo para engrossar por mais ou menos 5 min e tire do fogo. Quando começar a formar uma película (parecendo que vai açucarar), mexa bem e despeje sobre o bolo.

Obs: não deixe esfriar muito o glacê senão ele vai açucarar.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Aula básica sobre Champagne – para não errar no Réveillon

"Ano Velho,
Nunca mais veremos.
Ano novo,
Logo receberemos.
[...]
Vê, vê o que nos
fez o bondoso Deus."
Virgília Peixoto

Os trechos desta canção são conhecidos por algumas pessoas. Mas é nesta época do ano que eles mais se propagam, quando as sociedades se reúnem para celebrar o Ano Novo - simbolicamente representado por uma criança recém-nascida – e se despedir do Ano Velho – representado por um velho.


Eu poderia ficar horas escrevendo sobre as riquezas das manifestações culturais referentes à passagem do Ano Novo. Porque elas variam de uma cultura para outra – porém, é uma comemoração universal.
É evidente que o tempo é o grande homenageado nesta ocasião. O velho deus CHRONOS surge para mostrar todo o seu poder de transformar as vidas. Isso me deixa feliz!
Fico feliz, mesmo, sempre que encontro uma raiz das religiões antigas para fundamentar (ou simplesmente para ilustrar alegoricamente – assim deve escrever os mais cultos e mais práticos) celebrações da atualidade. Eu, particularmente, acredito em muita coisa e, por isso, vejo mais simbolismo nesta época ligada ao deus grego Chronos (Saturno, para os romanos) onde podemos nos referir às imagens do tempo, derivadas dos Orientais, tão freqüentes, no Baixo Império Romano.

Estátua de Chronos
Chronos em algumas representações aparece com quatro asas, duas estendidas como se estivessem a voar e duas presas como se permanecessem quietas, aludindo, assim, ao dualismo do tempo como transcurso e como êxtase. Também se lhe atribuem quatro olhos, dois na frente e dois atrás, símbolo de simultaneidade e do presente entre o passado e o futuro, sentido que possuem também os rostos de Jano.
Mais característico é o CHRONOS mitraico, deificação do tempo infinito, que deriva do Zurvan Akarana dos persas. Sua figura é humana e rígida, às vezes bisómata (cabeça de leão). 
Zurvan
Quando tem cabeça humana, a testa de leão aparece situada sobre o peito. O corpo da efígie aparece envolto nas cinco voltas de uma enorme serpente (de novo o sentimento dual do tempo: o transcurso enroscado à eternidade), que, segundo Macróbio, representa o curso do Deus na elíptica do tempo. 


O leão, em geral, é associado aos cultos solares e o emblema do tempo enquanto representa sua destruição e a devoração (CIRLOT, 1971). Fonte: Cirlot, Juan Eduardo (1971) [1962]. A Dictionary of Symbols. translated by Jack Sage, forward by Herbert Read (2nd ed.). New York: Philosophical Library.
Depois de todo este simbolismo, não é difícil de compreender porque os rituais do Ano Novo se revestem, na época atual, de um período cheio magia e encanto para celebrar a chegada de um tempo novo.
Magia e ritual sempre estiveram presentes na história da humanidade e envolvem aspectos culturais que vão desde a mesa, com suas comidas especiais, às vestimentas, à casa, ao espírito de paz e alegria, à situação financeira, etc.


O réveillon é um destes períodos onde o tempo tem fundamental importância. É uma noite das mais esperadas em todo mundo (mesmo para aqueles que comemoram numa época diferente). É um período em que todas as pessoas parecem renovar suas esperanças e desejar coisas boas. Geralmente é uma noite de alegria onde as pessoas fazem festa e os excessos são permitidos, principalmente quando se trata de comida e bebida. É tempo de estar ao lado das pessoas que mais se tem afinidade para curtir e celebrar o tempo passado e o futuro da vida.
O Réveillon é o tipo de festividade que reúne todo o lado bacana da gastronomia. Talvez porque as pessoas querem apresentar as melhores idéias, os melhores pratos, as melhores bebidas – e ainda fazem simpatias e as comidinhas tradicionais para atrair sorte, saúde, amor, dinheiro, etc.


Um elemento em particular não pode faltar nesta celebração: o Champagne. Ele é o rei da festa, envolve as pessoas em suas borbulhas, anima os mais tímidos, aguça os paladares e derruba os menos preparados. Sem o Champagne, réveillon não tem a mesma graça. O champanhe é utilizado em todo o mundo como uma maneira de comemoração, ele simboliza harmonia, elegância e alegria em nossas vidas.
Só pode ser chamado de Champagne o espumante produzido na região de Champagne na França. É uma denominação de origem protegida, uma artimanha criada pelos franceses para proteger a origem e a qualidade desta bebida, por isso o preço às vezes exorbitante. Porém, no Brasil, pra quem não quer gastar muito, existem ótimas opções de espumantes.
 Um bom champanhe ou um vinho espumante é caracterizado por umas fiadas consistentes de correntes de bolinhas ascendendo do fundo do copo até ao topo. Este gênero de vinho - ao contrário do que se julga - não deve ser colocado na geladeira para ser arrefecido; deve sim ser colocado, antes de ser bebido, cerca de 20 minutos num balde de gelo até metade da garrafa.  



Um Champagne vintage – denominado millésime na garrafa – significa que as uvas são de uma colheita de um ano específico. Um vinho que não seja vintage – NV no rótulo – significa que é uma mistura de vários anos, normalmente mais barato que o vintage.


Todo o Champagne é espumante, mas nem tecnicamente nem todo o vinho espumante é champanhe; só se este for oriundo da região do norte de França, e adicionalmente mencionar método Champenoise, ou seja, méthode tradicionnelle (fermentação dentro da própria garrafa). Tudo o resto não importa o quanto delicioso ou caro possa ser, é simplesmente espumante.
Um Champagne bruto é seco e combina com hors d’oeuvres e comidas muito condimentadas (Hors d’Oeuvres é um termo francês para aqueles aperitivos servidos antes das refeições. Por exemplo, os salgadinhos servidos num coquetel são hors d’oeuvres). Com os hors d’oeuvres e as entradas podem experimentar um vinho espumante Murganheira Millesimé bruto ou um Champagne bruto Nicolas Feuillatte. 


Com a sobremesa considerem um Piper- Heidsieck Red Label extra-seco, ou um Champagne Néctar Imperial Moet Chandon.



Champagne rotulado de extra-seco é um Champagne mais doce que o bruto e funciona muito bem como aperitivo, ou a acompanhar sobremesas. Um semi-seco é um ótimo a acompanhar uma sobremesa.

Guardando
Muito Champagne pode ser conservado por períodos de 3 a 4 anos, mas pode deteriorar-se se for conservado por mais tempo. O Champagne vintage (datado com o ano no rótulo) poderá conservar-se por mais tempo, mas não deve exceder os 10 anos.
Logo que uma garrafa de Champagne seja aberta, necessita que lhe coloquem uma rolha especial de metal. Contudo, existe um truque que mantém as bolhinhas do Champagne vivas; colocar uma colher de prata no gargalo com o cabo introduzido na garrafa, manterá o Champagne vivo na geladeira, durante cerca de um dia ou dois.

Estiloso – morangos com champagne
Se pretendem rodear-se de alguns morangos, o champanhe rose Dom Pérignon Rosé de 1995 ou 1998 - uma séria demonstração do estilo e delicadeza desta marca - é o ideal, para não dizer o melhor e o mais exclusivo.


Futilidade - Champagne das estrelas
Uma das marcas mais exclusivas e procuradas no momento é a marca de champagne Cristal Louis Roederer; um vintage com uma qualidade aliada à edição limitada das garrafas disponíveis no mercado. Se desejar celebrar com esta champagne prepare o bolso (risos).


E para deixar sua comemoração com champagne mais saborosa, aprenda a fazer coktails deliciosos.

O cocktail clássico de champagne é uma das bebidas mais apreciadas na festa de fim de ano e vai tornar o seu réveillon ainda mais inesquecível. Surpreenda os seus convidados com uma bebida exclusiva, que irá certamente marcar a festa.

3 gotas de sumo de limão
1 cubo de açúcar
30 ml de conhaque
12 cl de champanhe gelado

Modo de preparação
O cocktail clássico de champagne é uma bebida de fácil preparação. É preciso espremer três gotas de limão para um cubo de açúcar e colocá-lo num copo de champagne. Depois, basta adicionar o conhaque e o espumante bem gelado e servir nesse mesmo momento. Se pretender, pode colocar raspas de limão ou de laranja a enfeitar o copo. Trata-se de um cocktail simplesmente delicioso!

O cocktail italiano Sgroppino é uma bebida alcoólica muito refrescante que poderá fazer um enorme sucesso no seu réveillon. Trata-se de um cocktail com sabores únicos e demora menos de 5 minutos a ser preparado.

2 colheres de sopa de vodka
1/3 de xícara de sorbet de limão
1/4 de colher de chá de folhas de menta picadas
Champagne ou vinho Prosecco gelado

Modo de preparação
Coloque o champagne ou o vinho Prosecco e a vodka num copo de champagne. Em seguida, coloque o sorvete de limão e, por último, adicione as folhas de menta picadas. Sirva este cocktail bem fresco e surpreenda o palato dos seus familiares e amigos mais próximos.

O cocktail de champanhe e framboesa com sumo de pêra é uma bebida muito leve e doce que deverá constar em qualquer festa ao longo do ano, especialmente no réveillon. Trata-se de uma bebida que também pode utilizar vinho em vez do tradicional champagne.

2 colheres de framboesas
1/2 chávena de sumo de pera
Champagne ou vinho gelado
Ramos pequenos de alecrim fresco

Modo de preparação
Para incorporar a fruta nos cocktails é necessário saber combinar todos os ingredientes. Assim sendo, deverá colocar as framboesas numa tigela pequena e adicionar duas colheres de sopa de água quente. Mantenha as framboesas na água quente durante um período máximo de 15 minutos, depois retire-as e leve-as a geladeira durante aproximadamente duas horas. Quando chegar o momento de servir o cocktail, deve colocar o sumo de pera no copo de champagne e adicionar lentamente o vinho ou o espumante. Depois, enfeite com os ramos de alecrim e com as framboesas que estavam no frigorífico.

O cocktail de champanhe de sorvete de framboesa é uma bebida fantástica que pode ser utilizada em qualquer festa ou comemoração especial. O sorvete tem um sabor doce que, ao ser misturado com o champagne, resulta numa bebida excepcional.

1 colher de chá de sorvete (framboesa ou maracujá)
Champagne ou vinho Prosecco gelado

Modo de preparação
Para preparar o cocktail de champagne de sorvete de framboesa é preciso colocar o sorvete numa taça de champagne ou num copo alto e enchê-lo com espumante ou vinho Prosecco gelado. Em seguida, deve agitar o cocktail com consistência e servi-lo de imediato.


O ponche de champagne e romã é uma bebida excelente para ir bebendo ao longo da noite de réveillon. No entanto, deve bebê-la com moderação, uma vez que se trata de uma bebida alcoólica.

1/2 xícara de água
1/2 xícara de açúcar
2 garrafas de 750 ml de champagne bruto
1 1/2 xícara de rum
1 1/4 de sumo de romã
Um limão fatiado
Sementes de romã
Folhas de menta fresca
Gelo

Modo de preparação
Em primeiro lugar, dissolva o açúcar na água e ferva-o em fogo brando dentro de uma panela pequena. Depois, aguarde que o preparado arrefeça e coloque-o com o champagne, o rum e o sumo de romã numa tigela grande. Adicione as rodelas de limão, sementes de romã e as folhas de menta e o gelo e sirva bem fresco aos seus convidados.


Depois destas deliciosas opções para servir Champagne na sua festa, não posso deixar de fazer um brinde a todos vocês por prestigiarem este blog por mais um ano. Desejo a todos vocês um 2012 repleto de felicidade, saúde, realizações, amor e, acima de tudo, que no ano vindouro muitas delícias gastronômicas venham surpreender seu  paladar. Feliz Ano Novo!