É pra se comer bastante esta idéia de combinar gastronomia, cultura e história unidas num lugar acessível. Principalmente numa época onde as pessoas se entopem de gorduras trans e não alimentam a alma.
Sabendo que o homem não nasce da fome, mas do apetite. Te convido a conjugar o verbo comer em todas as suas possibilidades.
Um brinde a você por estar aqui! Bon apetit!!!
Quando eu era
criança, na cidade serrana de Guaraciaba do Norte, ( terra da atual Miss Ceará Milena
Ferrer) onde morei boa parte da minha vida, sempre me deparei com guloseimas
das mais variadas formas.
Lembro-me bem de
tantas coisas gostosas que eucomia,
especialmente daqueles salgadinhos maravilhosos, que meu avô trazia da feira em
sacos enormes - Eram simples, uma espécie de mini pastéis sem recheio, mas eu
adorava; outra coisa deliciosa que ainda me recordo e me faz salivar até
hoje,e que se duvidar eu ainda consigo
até sentir o cheiro no ar, são aqueles inesquecíveis sonhos portugueses (filhós
no ferro – já postei a receita Clique aqui para ler) do meu aniversário de 3 anos.
Olha eu aí, usando suspensórios, no meu aniversário de 3 anos - o inicio das minhas memórias gustativas (eu sempre achei que esta réplica da Monalisa me encarava - risos).
Nas épocas de
festividades como festas juninas e a festa da padroeira da cidade – Nossa
Senhora dos Prazeres (comemorada de 5 a 15 de agosto)., Guaraciaba parecia
desencavar as receitas de família, que eram preparadas com esmero sendo levadas
para serem vendidas nas barracas juninas ou nas da festa da padroeira e nos
leiloes da igreja.
Igreja matriz de Nossa Senhora dos Prazeres - Gba. do Norte - CE,
Pensando bem era
justamente nestas duas épocas do ano que se poderia encontrar por lá os
pirulitos “de papel” – era assim que a gente chamava eles naquela época. Na
realidade tratava-se de pirulitos simples feitos de calda de açúcar que
poderiam ser temperados com alguma essência e coloridos – para isso, naquela
época se usava os sucos em pó, sobretudo o Q-Suco muito famoso na década de
oitenta – e eram colocados pra secar em cones de papel oficio com um palito no
centro.
Os pirulitos de mel
Vez por outra eu
comprava desses pirulitos. E só não comprava
mais porque ele tinha defeitos:
Grudavam nos dentes –
e eu ficava louco com isso, enfiava a
mão na boca a toda hora pra puxar o doce;
Por ser feito de
açúcar, ganhava a forma de uma bala puxa-puxa ou endurecia e ficava difícil
arrancar o papel – as vezes se chupava o pirulito com pedacinhos de papel por
que eles teimava em não sair completamente;
E melava fácil – hoje
sei o motivo disso, é que quem preparava os pirulitos não usava papel vegetal
para fazer os conezinhos, e isso facilitava a meladeira de açúcar derretido.
Hoje quando me
recordo daquele tempo dou boas gargalhadas. Dai eu fuçando uns livros acabei encontrando a
recita dos benditos pirulitinhos – que aproveito para passar para vocês com a
indicação do livro no qual que a
encontrei sobre a culinária da matriarca dos Vellosos – Dona Canô.
O Sal É Um Dom: Receitas de Mãe Cano por Mabel Velloso,
Editora Nova Fronteira – 127 páginas, 2008
As receitas do
recôncavo baiano por Dona Canô
Nascida Claudionor
Vianna Telles Velloso, a Dona Canô, respira esperança e mantém o olhar meigo
mais vivo que nunca. Nasceu em Santo Amaro, no Recôncavo Baiano, teve oito
filhos, entre eles os famosos Caetano Veloso e Maria Bethânia. Seenhora sempre
muito prestigiada pelo povo baiano, Dona
Canô sempre buscou fortificar suas raízes e exaltar o amor por sua terra, seus
filhos e sua cultura.
Dona Canô
Foi pensando no
exemplo da mãe que Mabel Velloso, uma das filhas, resolveu escrever o livro O
Sal é um Dom – receitas de mãe Canô, cujo foco é preservar o legado da
matriarca através das memorias gustativas, trazendo ao longo do livro as
receitas de um legado culinário-afetivo.
As páginas revelam a bases de sua cozinha: a
fartura – por la sobrar comdia é sinald e desfeita; carnes bem temperadas - “Nas carnes, sempre,
hortelã, folha de louro, cebola, pimenta-do-reino e cominho”, escreve Mabel; os
mimos culinários para receber os filhos -
“Caetano, quando chega, come bem devagar, saboreando a moqueca de
tainha. A frigideira de maturi é quase sobremesa”; compoteiras sempre cheias de
doces de frutas da estação. Sem falar numa invenção simples que adoçou a
infância dos filhos e faz a alegria de netos e bisnetos: os pirulitos de mel de
Dona Canô.
O Sal É Um Dom
mostra a comida quase como um membro da
família Velloso. Nelse encontra patos de festa e para o dia-a-dia. Trazem
ainda as raízes da comida do recôncavo
baiano – embora muitos deles possam er encontrados em qualquer outra mesa.
O livro mostra que
comida pra ser boa tem que ser gostosa e não difícil. Traz receitas
intercaladas com fotos e textos, onde se tira a conclusão que levou ao titulo
do escrito:
Certa vez quando Dona
Canô foi indagada por causa de uma receita, falou todos os ingredientes até que
fora questionada sobre a quantidade de sal no que respondeu com o título do
livro – o sal é um dom. assim sendo,
quem vai discordar da sábia senhora que já passou dos cem anos?
Pirulitos de mel - Receita extraída do livro O Sal é um Dom
Ingredientes
2 xícaras de açúcar
Água que baste para cobrir o açúcar
1 colher de vinagre
1 colher de mel de abelha
Modo de preparo Prepare a calda, colocando a
água, o vinagre – para não açucarar – e o mel e deixe ferver até dar ponto de
fio. Despeje a calda nos canudinhos de papel manteiga, preparados com
antecedência. Se quiser fazer o pirulito com outro sabor, em vez de mel,
coloque queijo ralado, ou gengibre, ou calda da fruta que desejar, ou amendoim
torrado e moído, ou, ainda, chocolate.
Obs.: Para fazer o canudinho, corte a folha
do papel manteiga em quadrados de mais ou menos 10 centímetros, enrolando-os na
diagonal. Para os canudos ficarem abertos, esperando a calda, acomode-os numa
vasilha com farinha. Despeje a calda nos canudos e, antes de endurecer, coloque
os palitos.
Caríssimos
Confrades e Consórores, tudo bem? Espero que sim.
Estava
aqui relendo um material sobre os hábitos alimentares da Família Imperial
Brasileira que foi me enviado pelo arquivo histórico do Museu Imperial a meu
pedido para fundamentar uns artigos científicos que estou escrevendo... e aproveito
esta oportunidade para agradecer, especialmente, à Sra. Fátima Argon, que
realizou o levantamento preliminar das comidas e bebidas do século XIX, a
partir da Família Imperial do Brasil, cuja pesquisa contou com a colaboração de
Átila Beppler Meirelles, Fernanda Moutinho de Almeida e Mônica Salem de Zayas.
Meus sinceros agradecimentos a vocês.
No
conteúdo do material recebido encontrei muitos fatos interessantes que, ao
longo do tempo, irei compartir estas curiosidades com vocês. Começarei isso
hoje, revelando uma peculiaridade gastronômica da princesa Isabel: o fascínio
da princesa pelos doces.
Trechos extraídos da obra de Guilherme Auler A Princesa e
Petrópolis:
Comentários da princesa Isabel sobre a festa
de aniversário sua mãe, a Imperatriz Dona Teresa Cristina: [...] “Ontem me diverti
muito e também dancei muito. Vou lhes contar o que fiz: primeiro, toquei de
quatro mãos com a Mana, dancei a Favorita, a Polca, a valsa lisa e a valsa
pulada, o schottish, a varsoviana, duas contra-danças, os lanceiros a galope
figurado, tomei sorvete, bebi meia xícara de chá com pão-de-ló."
Na quaresma de 1858 ela confidencia: “Hoje
fiz uma verdadeira penitência; como não me deram senão peixe de lata, que não
gosto nada, não comi senão arroz de manteiga e batatas”.
“Eu lhe mando estes marrons-glacês para
Mamãe, posto que Papai não gosta de castanhas”.
No verão de Petrópolis, em 1860: “Acabo de
tomar sorvete; desejava que Papai estivesse aqui para tomar conosco”.
No dia 28/03/1860: “Não vão os figos, porque
não se puderam achar em Petrópolis”.
Ao
longo dos meus estudos o doce sempre se fez muito presente, principalmente,
pelo fato do Brasil já ter sido uma “Açúcarocracia”. Em função disso o nordeste
brasileiro, até hoje, exibe sua doçaria com orgulho e revela seu potencial nato
para a fabricação de doces.
Porém,
é sabido que o povo brasileiro comemora muitas datas especiais com simbologia
importada, principalmente vindas da Europa. Não se pode negar este fato, e bata-se
olhar para as nossas mesas onde as preparações iram nos denunciar (por conta de
suas influências). Assim, hoje tratarei de um dos doces bastante citado nas
frases de Isabel, princesa imperial do Brasil, em suas cartas a parentes: o
Marrom Glacê.
Marrom Glacê
O
Marron Glacê já foi uma sobremesa muito cobiçada em outras épocas: era
preparação cara, geralmente importada, e com requeria habilidades de
confeiteiros com experiência na técnica delicada do preparo para sair um
produto final bem-feito. Se pudesse lhe comparar, bem genericamente, o seu
sabor com algum doce típico brasileiro, estaria próximo a um doce de batata
doce bem elaborado – mas as castanhas em glacê não devem ter comparações.
Contudo,
trata-se de um doce ainda refinado e delicado, preparado a partir das castanhas
europeias inteiras. O doce tem nome francês, a escrita original é Marron Glacé.
Mas, apesar do nome francês, ele surgiu na Itália.
Acredita-se
que o Império Romano já preparava sobremesas semelhantes, onde as castanhas
eram cozidas e mergulhadas numa ânfora abundante em mel. Tal doce romano fazia
o deleite da bela Amarílis, personagem cantada nas Bucólicas, primeira obra
importante do poeta latino Virgílio, entre os séculos 42 e 39 a. C.
Entretanto,
a receita contemporânea teria surgido em Turim, no fim do século XVI, na corte
dos Savoia, antiga e poderosa família feudal do Norte do país. A ela pertencia
Vittorio Emanuele II, o rei que unificou a Itália em 1861.
Mas se o marrom glacê nasceu
em terras italianas, por que batizá-lo com um nome francês?
Em
italiano, o doce deveria chamar-se de marrone
candito, mas os Savoia julgavam mais elegante falar francês. E assim, o
resultado final para batizar o doce que surgiu por acaso, quando um cozinheiro
distraído que trabalhava para o duque Carlo Emanuele I de Savoia (1562-1630),
cozinhou na calda, em vez de água, as castanhas destinadas ao recheio de um
javali.
A
história nos conta que a cidade italiana de Turim comprava açúcar de Veneza,
também ao Norte da Itália e, por muito tempo, conservou seu monopólio na
Europa. Ao ser incorporado pelos confeiteiros da corte de Luís XIV (1651-1715),
o marrom glacê adotou cidadania francesa.
Posteriormente,
a receita foi aperfeiçoada na Ardèche, pequena região do sudeste do país, com
fama de produzir as melhores castanhas. Assim a França se encarregou de
difundir este doce pelo mundo como forma de valorizar suas castanhas.
A
técnica contemporânea de preparo do doce começa com uma rígida seleção das
castanhas: somente as maiores, perfeitas e macias - cerca de 20% de um total -
se transformarão em doce.
Depois
de descascadas, as castanhas são envolvidas em véu de tule para serem, em seguida,
cozidas na água quente por um tempo preciso. Posteriormente, eliminam-se as que
não resistiram ao calor e racharam. O passo seguinte consiste em colocar as
castanhas numa grelha, onde elas receberão um banho de xarope de açúcar. Depois
de alguns instantes no forno, o preparo termina.
Os
marrons glacês são acondicionados individualmente em papel alumínio (ou papel manteiga
ou em papel encerado) e colocados em embalagem de papelão ou vidro.
Uma
variação do doce é apresentá-lo macerado em calda, licor, rum ou cerveja.
Existe também o creme de marrons (um tipo de geleia feito com açúcar), o purê
de castanhas (o mesmo produto, sem açúcar) e a conserva de castanhas em
pedaços.
Não
existe relação, entretanto, entre o marrom glacê e o doce homônimo brasileiro, feito
à base de batata-doce, xarope de glicose, espessante e acidulante. Não que o
doce de bata seja um doce ruim ou sem qualidade. Mas é um marrom glacê tão
falso quanto uma nota de três reais.
As castanhas europeias
(portuguesas)
Castanheira
A
castanha é o fruto de uma árvore de origem asiática, do gênero Castanea. Foi
levada para a Líbia e dali se alastrou pela bacia do Mediterrâneo.
Hoje,
encontra-se desde o Norte da África à Dinamarca, dos Estados Unidos ao Brasil.
Alcança de 20 a 30 metros de altura e passa a dar frutos aos 25 anos. No
início, cada pé fornece de 15 a 20 quilos anuais de castanhas. Aos 50 anos, a
produção sobe para 80 a 110 quilos.
No
Sul da Itália, perto do Monte Etna, o maior vulcão europeu, existe uma
castanheira com mais de 400 anos de idade. Isso lhe confere o status de árvore
longeva.
O
fruto se desenvolve no interior de uma carapaça espinhosa, conhecida como
ouriço. No outono, amadurece e despenca dos galhos. Não pode ser comido cru. Só
quando assado ou cozido revela suas deliciosas características.
Divide-se
em dois tipos: a castanha propriamente dita e o marrom. No primeiro, o ouriço
acomoda dois ou três frutos. O marrom nasce solitário.
A
castanha-do-Pará (ou Castanha do Brasil) e a castanha de caju têm papéis
importantes na economia brasileira. Mas não pertencem ao mesmo gênero. A
castanha europeia contém elevado teor calórico: é ainda, rica em proteínas,
vitaminas A, B e C; além de ser dotada com sais minerais, magnésio, enxofre e
cloro, ajudou populações inteiras de camponeses franceses e italianos do
passado a enfrentar a fome no inverno europeu.
Marrom
Glacê de Castanha (simples)
Ingredientes:
40 unidades de castanha portuguesa grandes
quanto baste de açúcar
Preparo: Escolha 40 castanhas
bem grandes e robustas. Tire as cascas grossas e retire as peles, deitando-as
em água fervendo e deixando amolecer. Trabalhe sem deixar a água esfriar. Feito
isso, coloque as castanhas, duas a duas, em quadrados de filó, e amarre com
linhas, como trouxinhas. Então, pese as trouxinhas e, com o mesmo peso, pese a
quantidade de açúcar. Deite as castanhas num tacho cubra com bastante água
morna e deixe cozinhar até ficarem bem tenras, que cedam ao apertar com os
dedos. Do açúcar, faça uma calda em ponto de pasta, com uma fava de baunilha.
Escorra as castanhas e deite-as bem quentes na calda também quente, leve-a a
tomar ponto de novo e guarde. No dia seguinte, repita a operação, juntando 1/2
kg de açúcar e guarde. No terceiro dia, leve o tacho ao fogo, apure mais o
ponto e retire as castanhas para uma peneira. Junte as partidas, a fim de
colocá-las com a calda. Leve de novo a calda ao fogo, tome ponto de açúcar e
enrole-os em papel alumínio. No dia seguinte o açúcar se funde e elas ficam no
ponto.
Marron
Glacê com whisky
Ingredientes:
1 ½ kg de castanhas portuguesas
500 g de açúcar
250 ml de água
1 colher de sopa de whisky
1 colher (chá) de essência de baunilha
Prepare: Coloque as castanhas
para cozinhar na panela de pressão; Após a panela pegar pressão, deixe cozinhar
por mais 30 minutos; Depois de cozidas, descasque as castanhas e passe-as pela
peneira ou pelo multiprocessador e reserve; Em uma panela, coloque a água, o
açúcar, o whisky e a baunilha; Leve ao fogo e quando a calda estiver bem
dissolvida, acrescente a massa da castanha, sem parar de mexer para não
empelotar; Quando estiver desgrudando do fundo da panela, tire do fogo; Coloque
em uma vasilha para esfriar e sirva.
Marron-Glacê
de Batata Doce
Ingredientes
1 1/2 kg de batata doce
1 kg de açúcar
200 ml de água de coco fresca
2 colheres (sopa) cheias de cacau em pó
2 colheres (sopa) de óleo
1 colher (chá) de essência de baunilha
100 g de coco ralado
Coco ralado ou açúcar para enfeitar
Preparo: Cozinhe as batatas
descascadas com 1 colher de açúcar até que fiquem macias, mas não totalmente
cozidas. Escorra bem a água e passe no espremedor de batatas. Coloque numa
panela a massa da batata doce, adicionando o restante dos ingredientes. Cozinhe
em fogo brando, mexendo sempre com colher de pau até soltar do fundo da panela.
Deve ficar bem firme. Com uma colher de sobremesa, pegue pequenas porções de
massa e enrole na palma das mãos untadas, dando a forma que desejar. Ou, se
preferir enforme no formato que desejar. Passe no açúcar ou no coco e deixe secar.
Deixe pernoitar na geladeira antes de servir.
E
a temporada junina chegou para animar o nordeste brasileiro. Como sempre, o
resgate da tradição junina à vista, é tempo bom para relembrar momentos antigos
e gravar novos na memória. É bonito ver as pessoas resgatando as tradições: comendo
receitas típicas, brincando nas quermesses como brincadeiras ancestrais, dançando
as quadrilhas – dança de origem europeia que foi trazida com a colonização, e
que se transformou numa dos ícones nordestinos; se deleitando com comidas
típicas deliciosas; embalados por uma música pra lá de animada, com muita gente
querendo diversão.
Depois
de eu ter dedicado boa parte das minhas pesquisas cientificas aos estudos culturais
com foco na gastronomia, é sempre um prazer quando chega junho, ou qualquer
outra data comemorativa, pois com ele sempre despontam as comidas típicas.
Nos
festejos juninos, por exemplo, é sempre uma fartura de bolos: de milho, de
aipim, de batata, de massa puba, de amendoim; e ainda tem paçoca carne feita no
pilão; pé de moleque, pamonha, canjica, aluá, e tantas outras guloseimas que
enchem os olhos de alegria por saber que a tradição, a cultura, está sendo de
alguma forma mantida. No entanto isso ainda é pouco, considerando a imensidão
do Brasil, com suas cozinhas distintas e cheias de pratos que podem levam
qualquer um a cometer o pecado da gula sem culpa, e que são parte da identidade
cultural de um povo.
Eu
fico me perguntado: - quando as ações do IPHAN vão dar vez para a preservação de
mais bens gastronômicos brasileiros? Se realmente há um interesse nesse campo,
será que não existe ninguém interessado em aprender as receitas tradicionais da
sua região? Será que a educação, com suas instituições variadas, não
poderia ajudar nesta preservação?
Pensando
nisso hoje eu resolvi trazer um doce especial para apresentar a vocês: o Doce
Seco. Parece estranho o nome, mas é uma das maravilhas da doçaria nordestina
que está se perdendo no ostracismo.
Doce Seco
Você
sabe onde fica o Seridó? Por que é de lá que vem a origem do doce seco.
Seridó
é uma região interestadual localizada no sertão nordestino brasileiro. Oriunda
da antiga região da "Ribeira do Seridó". Abrange vários municípios do
Rio Grande do Norte e da Paraíba, onde é oficialmente dividida pelo IBGE em
Seridó Ocidental Potiguar e Seridó Oriental Potiguar, Seridó Ocidental
Paraibano e Seridó Oriental Paraibano. No entanto, outros municípios costumam
se identificar como "Seridó" ou seridoense, o que agrega um total de
54 municípios, sendo 28 potiguares e 26 paraibanos, o que levou a uma
subclassificação realizada pelo Ministério da Integração Nacional. Mesmo sendo
uma das regiões mais áridas do Nordeste, o Seridó, principalmente o potiguar,
apresenta a melhor qualidade de vida do interior nordestino.
Há
divergências quanto a origem do topônimo Seridó, segundo o folclorista e
historiador Luiz da Câmara Cascudo, vem do linguajar dos tapuias transcrito
como "ceri-toh" e que quer dizer "pouca folhagem e pouca
sombra", em referência as características da região. No entanto, existe a
teoria que os colonizadores tenham sido cristãos-novos, descendentes de judeus,
os termos "sarid" e "serid", seriam oriundos do hebraico,
que significaria "sobrevivente" ou "o que escapou". Ou
ainda "she'erit" no sentido de "refúgio Dele" ou
"refúgio de Deus".
Quando
eu cursava o bacharelado em Turismo, tive a oportunidade de conhecer o Rio
Grande do Norte, desde a sua capital até boa parte de suas cidades
interioranas. E numa dessas viagens me apresentaram ao doce seco
A
tradição nordestina para a fabricação de doces é nítida deste a época do
período açucareiro, quando as brancas portuguesas introduziram o açúcar na
nossa alimentação e passaram seus conhecimentos para escravas que viraram
eximias doceiras, e sinhazinhas mantinham seus livros de receitas guardadas a
sete chaves.
Aliás,
os portugueses tem influência direta na confecção do doce seco, considerando
que esse tipo de doce, pelo formato, lembra os Ovos moles de Aveiro, um doce
tradicional da doçaria conventual portuguesa. Porém o doce seco tem toda uma
técnica diferenciada, sem falar que não leva ovos.
Ovos moles de Aveiro
O
doce seco apresenta-se na forma de um pequeno pastel. Porém, não é frito e nem
assado. Sua massa crocante e delicada com recheio cremoso esteve presente nas
mesas comemorativas do Seridó. E por estar cada vez mais raro de ser encontrado,
acabou se tornando puro luxo gastronômico para aqueles que que tem a
oportunidade de se deleitar com essa iguaria que, geralmente marca datas comemorativas como
o São João, o Natal e o Ano Novo, períodos nos quais os parcos conhecedores da
técnica do preparo do doce seco, no Seridó, resolvem presentear aos amigos com
a guloseima.
O
doce seco também é conhecido como doce de espécie. Isso deve se por seu recheio
ser bastante temperado, à base de especiarias como cravo, canela, erva-doce e
pimenta do reino, gengibre. E para deixara mistura ainda mais saborosa,
nela ainda se adiciona o mel de engenho (feito da rapadura escura), coco
ralado, gergelim, castanha de caju e farinha de mandioca.
o doce de espécie que serve de recheio para o doce seco
O
grande trunfo do doce seco é o casamento perfeito entre sua massa fina e
crocante com a cremosidade do doce especiarado. A massa crocante é simplesmente
feita com farinha de trigo e água (esta última em pouquíssima quantidade,
inclusive). Depois de recheado, o doce fica maturando em temperatura ambiente,
que na região se entende pelo clima seco e quente, para em seguida
transformar-se numa delicia crocante.
E
é impressionante que todo mundo que não conhece esse doce, ao prova-lo, se
questiona se ele é frito ou assado, pela crocância. O mistério é revelado ao
inquisidor com uma simples resposta: - o segredo é do vento. Apenas
o vento é o responsável por deixar o doce no ponto certo (se o ar estiver
úmido, como no nosso litoral, o doce “chora”, como dizem as doceiras mais
experientes, ou seja, não seca e o recheio termina molhando a massa. E perde-se
o encanto).
Quando
eu digo que o doce seco é luxo gastronômico isso tem fundamentação: tanto
é raro encontrar na atualidade quem o prepare, quanto é raro encontrar pessoas
das novas gerações que o tenham provado. Só os mais velhos, os sertanejos
do Seridó e os sortudos (me enquadro nesta categoria) conhecem o sabor especial
deste doce. E dá um aperto no coração constatar isso. Porque daqui alguns dias,
não se vai mais ver o doce circulando por aí; e o que se vai ouvir, caso alguém
questione sobre a existência do doce seco, é a seguinte frase: - ninguém faz
mais esse doce, não (frase que já escuta por lá).
Por
sorte, ainda encontramos três pessoas que fazem o doce seco, pelo Seridó: Dona
Vandilza, doceira, em Jardim do Seridó; Dona Zélia Fernades e sua
filha Desterro Costa (Morena), em São João do Sabugi.
Zélia Fernandes - guardiã da gastronomia tradicional no Seridó
No
aroma e no sabor, o doce seco lembra o bolo pé-de-moleque nordestino. Isso se
deve a presença de especiarias como cravo, canela, erva-doce, pimenta do reino,
gengibre (além das castanhas e/ou do gergelim que, quanto mais tiver, mais
saboroso fica) que estão presentes nas duas receitas e que dão o aroma e gosto
inconfundível do recheio, mas que pode ser consumido as colheradas como um doce
normal.
Essas
referências de especiarias são associadas à península ibérica numa clara origem
árabe, como o livro “História da Alimentação no Brasil”, de Luís da Câmara
Cascudo, refere-se no capítulo sobre a doçaria portuguesa. “Espécie para
recheio é um doce composto de pão duro ralado, mel, cravo-do-maranhão, etc.”. O
farelo do pão duro teria sido substituído pela farinha de mandioca aqui no
Brasil. Embora não conste o nome doce seco e nem doce de espécie no livro, que
elenca vários doces e suas localidades de origem há o registro da espécie como
recheio de receitas de sobremesas.
A
tradição dos cadernos de receita e preservação das iguarias no Nordeste virou
até motivo de livro – como alguns escritos por Cascudo e Freyre.
A receita do doce seco vem passando, ao longo dos anos, de mãe para filha e
sabemos que está, pelo menos, na quarta geração.
Vandilza Gonçalves da
Silva, 47, conta que não sabe ao certo quando começou a fazer o doce, já que
sempre esteve na cozinha, desde a infância, ajudando a avó Josefa Elvira, a
separar e moer os ingredientes. “E minha avó já aprendeu com a mãe dela,
Francisca Elvira de Freitas”, fala. Depois que a avó não pôde mais continuar
como doceira, a mãe de Vandilza, Francisca das Chagas da Silva, passou a tomar
conta da receita, mas por pouco tempo. Logo a quarta geração de doceiras de
Jardim do Seridó, Vandilza, tomou conta da feitura do doce e vem sendo a
preferida de muitas famílias que guardam a tradição de ter a iguaria na mesa de
Natal e Ano Novo.
Sempre
servido em ocasiões festivas, o registro do consumo deste doce ainda é
relacionado também a festas de santos padroeiros de cada localidade. Se
perguntado aos seridoenses mais velhos sobre o que constava numa mesa de
aniversário, festa de padroeira ou ceia de Natal, sempre vem a doce e temperada
lembrança do doce seco como sobremesa. Os mais antigos também falam que doce seco
era comida de mulher parida: “Isso é muito forte, tem mel de rapadura e dá
muito leite”, afirma Francisca das Chagas, mãe de Vandilza.
O
modo de fazer o doce seco e o doce de espécie não constam do registro do
inventário de referências culturais realizado pelo Instituto do Patrimônio
Histórico e Artístico Nacional – Iphan, em sete municípios do Seridó — Caicó,
Acari, Currais Novos, Carnaúba dos Dantas, Cruzeta, Jardim do Seridó e Timbaúba
dos Batistas —, em 2007. Constam chouriço, filhós (que também vem desaparecendo
das cozinhas tradicionais) e doce de jerimum, além dos variados biscoitos de
Caicó.
A
alternativa inicial para fazer com que o doce seco perdure é passar a receita e
o preparo, a cada geração. Mas, infelizmente, não existe muita gente
interessada nos estudos pela gastronomia tradicional – ou pelo menos é isso o
que me pareceu quando estive por lá.
O
doce seco faz parte das lembranças de infância do escritor e sertanejo — como
ele próprio define — Pery Lamartine. Em um artigo publicado em seu blog,
escrevendo sobre o reencontro com um amigo dos tempos das festas animadas em
São João do Sabugi, o dito doce é citado e elogiado. Lembra quem o fazia e onde
a negra já de idade e detentora do mistério do doce crocante que não leva fogo,
morava. “No fim da rua”, tenta lembrar um conterrâneo enquanto consultava sobre
o nome da cozinheira que andou por várias cozinhas das tradicionais famílias
daquele pedaço de Seridó.
Na
fazenda Timbaúba, do avô materno Zuza Gorgônio, em Ouro Branco, sua mãe, Maria
de Lourdes, também fazia a receita. “Ela modificava para ficar mais prática”,
diz, explicando que no lugar da rapadura, colocava açúcar bruto, o escuro, e
também nunca usou a crueira, como os mais antigos usavam, sempre usou a
farinha. Crueira, segundo explica Pery Lamartine, é a parte ralada mais grossa
da mandioca, geralmente colocada como ração para o gado. Mas a receita de dona
Maria de Lourdes, nos idos dos anos 20 para 30, sempre levava gengibre. “Se não
tivesse ela nem fazia porque ficava sem graça”, diz.
A
lembrança dele também remete o sabor do doce às festas juninas, mais
precisamente à noite de São João, festa típica do município de São João do
Sabugi. Lá, os festejos eram mais animados, diferente da programação de sua
cidade, a vizinha Serra Negra do Norte: “Tinha orquestra na praça, diferente de
Serra Negra que era mais programação de igreja”, relembra.
Menino
criado em fazenda até os dez anos de idade, Pery Lamartine avalia como natural
a perda de costumes típicos. Antigamente, sem industrialização de alimentos
cozinhava-se tudo em casa. Hoje, a facilidade dos produtos prontos e a vida
corrida, para ele, concorrem para o fim do conhecimento de receitas de família.
Embora diga que antes era bem melhor, com sabores incapazes de serem
esquecidos.
Para
garantir a continuidade do doce seco deixarei a receita, obtida com o custo de
pesquisas naquela região. E deixo aqui um agradecimento particular aos autores
das fontes por mim consultadas. São iniciativas como a de vocês que fazem valer
a pena o meu trabalho de pesquisador. Obrigado!
Preparo: O primeiro passo é
fazer o mel com uma rapadura bem escura. Coloca-se no fogo com um pouco de água
a rapadura quebrada em pedaços grosseiros e vai mexendo para ela desmanchar e
dar o ponto de mel, um pouco grosso. Depois, rala-se o coco para tirar o leite.
As especiarias são trituradas: cravo, canela, erva-doce, gengibre (para quem
preferir) e pimenta do reino. As castanhas também são trituradas, mas algumas
ficam inteiras para enfeitar. Depois de tirar o leite do coco passando no
liquidificador, côa-se e acrescenta-se os ingredientes secos, as especiarias, a
castanha triturada e a farinha de mandioca. Leva-se ao fogo em uma panela com o
cuidado de sempre mexer para não deixar a farinha sentar no fundo da panela e
não queimar. Nesta quantidade, quando começar a fervura espera-se mais ou menos
meia hora para desligar o fogo, sempre mexendo. Quando desgrudar do fundo da
panela, está no ponto. Coloca-se em tigela e o ideal é esperar até o dia
seguinte para montar os doces, pois a espécie tem que estar fria. Massa: Numa
superfície lisa e enfarinhada, abre-se a massa aos poucos. Feita de farinha de
trigo e um pouco de água, é amassada na mão e deve ter consistência macia e
firme. Pequenas quantidades da massa, mais ou menos do tamanho de uma bola de
pingue-pongue, são abertas para serem recheadas e cortadas com formas de
pastel. Depois de montados, os doces recebem generosa quantidade de farinha de
trigo polvilhada para ajudar a secar a massa, sempre em local arejado. De vez
em quando é recomendável virá-los de lado. O mais importante: não pode
ser guardado na geladeira para que a massa não molhe e não amoleça.
Doce de Espécie de Gergelim
1 copo
de gergelim
1 copo
de farinha de mandioca
1
colher de sopa de manteiga
1
colher de sopa de cravo da índia torrado
1/2 copo
de castanha de caju assada
4
copos de mel de rapadura
canela
em pau
Preparo:
Colocar o gergelim numa panela e torrar. Quando estiver estalando, retirar do
fogo e continuar mexendo até esfriar um pouco. Misturar ao gergelim, a farinha
de mandioca, o cravo e as castanhas e misturar bem. Bater aos poucos essa
mistura no liquidificador (ou no mixer, ou em um moinho manual para triturar)
para evitar que a massa grude demais. Verta a massa triturada em uma panela,
juntar o mel de rapadura e a manteiga, acrescentar a canela em pau e levar ao
fogo mexendo sempre. Retirar do fogo quando começar a ferver e colocar em um
recipiente de vidro para esfriar. Para guardar melhor que o recipiente onde
estar o doce tenha tampa para preservar os aromas.
Hoje estou
particularmente entusiasmado porque Vossa Majestade a Rainha Elizabeth II
começara amanhã as celebrações das suas Bodas de Diamante pelo seu reinado.
E
para fazer parte desta festa este Barão resolveu homenagear a Rainha com um
poste dedicado a um petisco muito apreciado por Sua Majestade, durante seu chás:
os tradicionais Cucumber Sandwiches (Sanduíche
de pepino).
É até engraçado eu
escrevendo sobres este petisco que já é quase uma instituição inglesa – porque não
sou lá muito fã de pepinos 9ª não ser
que eles venha nas comidas orientais que tanto gosto). Mas devo admitir que
estes sanduiches em particular são surpreendentes.
Tradicionalmente os sanduíches
de pepino são de origem britânica, preparado com pão branco sem crosta,
recheado com amnteiga, fatias de pepino e menta fresca. Logo eles são leves e
refrescantes - A hortelã complementa o pepino tão bem, e eles têm a quantidade de
sal perfeita para acentuar o sabor e proporcionar um bom contraste com todas as
coisas doces que normalmente têm durante a hora do chá. A gente realmente torce
o nariz quando nunca comeu um sanduiche assim, tão simples, mas se surpreende
quando tem essa oportunidade. Não é a toa que ele é o preferido de Sua Majestade
a Rainha da Inglaterra.
Variantes modernas
(em grande parte de origem americana) existem, envolvendo cream cheese, pão
integral, salmão defumado picado e até pão com crostas deixadas intactas.
Um segredo do
sanduiche de pepino é o pepino inglês. você está curioso sobre a diferença
entre um pepino Inglês e um pepino de outra nacionalidade? Veja só, o pepino
Inglês é mais longo e fino, mais macio e quase não tem sementes. Não bastasse
isso se sabe que na Inglaterra os pepinos são caros desde muito tempo o que fez
com que as famílias ricas os utilizasse em suas preparações sofisticadas.
A quem diga o fato da
Rainha gostar tanto destes sanduiche e os servir nos seus chás da tarde deve se
a Oscar Wilde. É que os sanduíches de pepino ganharam notoriedade literária na
peça de Oscar Wilde, A importância de ser Prudente, onde eram especialmente
preparados para Lady Bracknell, que se deu mal por que... Ora, leiam a peça.
Henry James escreveu:
"Há horas na vida mais agradável do que a hora dedicada à cerimônia
conhecida como um chá da tarde." E eu devo admitir que os sanduiches de
pepino fazem toda a diferença nesta hora, conferindo charme, elegância e u “Q”
de nobreza a cerimonia do chá da tarde.
Aliás já comentamos
aqui sobre a origem desta “tradição” britancica (clique aqui para ver). O chá da tarde foi inventado por Anna Duquesa
de Bedford (1783-1857), uma das damas da Era Vitoriana. Durante este tempo, as
classes nobres se atrasavam muito para
comer e comiam mal. Todas as tardes, Anna experimentou o que ela se referiu
como um "sentimento de naufrágio", então ela pediu que os seus servos
trouxessem chá e pequenos bolos para seu boudoir. Muitos seguiram a liderança
da Duquesa, e, assim, o ritual do chá da tarde nasceu. De fato, uma cultura de
tipo surgiu em torno da tradição de beber chá.
Hotéis de luxo
começaram a oferecer salas de chá, enquanto que as lojas de chá foram abertas
para o público em geral. Chás dançantes também se tornaram eventos sociais populares
onde as senhoras vitorianas reuniram potenciais maridos.
Diamond Jubilee
“A Coroação não é o
símbolo de um poder e de um esplendor de outrora. É antes a declaração dos
nossos desejos e da nossa esperança para o futuro”. Rainha Elizabeth II no
discurso da sua coroação em 2 de junho de 1953.
Mais uma vez Londres
está eufórica. Desta vez trata-se do
Jubileu de Diamante da Rainha Elizabeth II, marcando 60 anos sobre o trono
Britãnico .
Após ter comemorado
seu Jubileu de Prata em 1977 e seu Jubileu de Ouro em 2002, desta vez o Jubilei
de Diamante está sendo preparado para ser comemorado oficialmente entre os dias
2 a 5 de junho, eventos que envolvem a
família real - alguns dos quais podem ser presenciados pela população em
público e outros que serão privados para convidados especiais.
A Rainha Elizabeth II
assumiu o trono aos 25 anos, em 1952. Entretanto só foi coroada 16 meses depois
em 1953. Elizabeth II tem, o segundo maior reinado da Grã-Bretanha. Este foi
apenas ultrapassado pela sua trisavó, a Rainha Vitória.
As comemorações dos
60 anos de reinado de Elizabeth II estão marcadas para este fim de semana. Por
todo o Reino Unido haverá festas e a programação oficial do jubileu de diamante
inclui concertos, exibições de arte, desfiles de barcos pelo Tâmisa e uma
enorme feira de rua em Londres, com barracas de comida e bebida em que vai ter
de tudo, de champanhes e vinhos e o sanduíche mais popular no país, que caiu
nas graças da Rainha, o sanduíche de pepino.
Num ano comum a
rainha recebe 40 mil pessoas para chás, jantares e festas nos jardins
palacianos. Litros e litros de chá, são consumidos. E para acompanhar os
sanduíches de pepino nos formatos de triangulo ou palitos sempre estão
presentes. Que tal experimentar?
Sanduíche
real de pepino
Ingredientes
1 pepino fino
8 fatias de pão de fôrma (branco ou preto ou
ambos)
Manteiga a gosto sem sal e amolecida em
temperatura ambiente
1 a 2 colheres (chá) de menta (hortelã)
fresca finamente picada
Sal e pimenta a gosto
Preparo:
Descasque
o pepino e corte em fatias finas. Tempere com um pouco de sal, ponha as rodelas
numa peneira e deixe escorrer por 15 minutos, apertando de vez em quando para
retirar o excesso de água. Seque em papel toalha e reserve. Com uma faca,
espalhe a manteiga amolecida em todas as fatias de pão, apenas de um lado.
Salpique a menta picada. Faça duas camadas de rodelas de pepino em quatro
fatias de pão. Ajuste o sal (se necessário) e tempere com pimenta-do-reino
moída na hora. Cubra com as quatro fatias restantes. Aperte o sanduíche
suavemente, com as mãos. Com uma faca afiada corte as bordas do pão. Corte os
sanduíches em metades, no sentido diagonal e corte novamente, em quartos. Coma
acompanhado de uma xícara de chá.
Sanduíche
de Pepino à Oscar Wilde (grande sucesso nos salões literários da Paris dos anos
1920)
Para preparar 10 sanduíches, descasque e
corte em finíssimas camadas um pepino grande. Coloque as fatias do pepino em
uma peneira e acrescente uma pitada de sal. Deixe descansando por 1 hora.
Depois seque bem as fatias com um pano limpo ou toalha de papel. Coloque as
fatias de pepino em uma tigela com 1 colher de sopa de azeite de oliva, 1
colher de sopa de suco de limão, 1/2 colher de chá de açúcar e uma pitada de
pimenta branca. Misture tudo suavemente e deixe em repouso enquanto prepara o
pão. Use um pão de fôrma branco da melhor qualidade -- de preferência caseiro e
do dia seguinte -- e corte-o em finas camadas. Para preparar 10 sanduíches,
obviamente você precisará de 20 fatias. Em uma tigela, coloque 1 1/2 de
manteiga sem sal na temperatura ambiente, 2 colheres de sopa de creme (natas),
1/2 colher de sopa de mostarda. Misture tudo. Em seguida espalhe esta mistura
generosamente em cada fatia de pão, acrescente as fatias de pepino e, pronto,
feche o sanduíche. Corte-o na diagonal, formando dois triângulos. Coloque os
triângulos no prato para servir enfeitado com raminhos de agrião ou hortelã. Os
sanduíches devem ser preparados logo antes de servir, para evitar que fiquem
úmidos demais e percam o frescor. Aprecie com moderação.
Dando prosseguimento
a nossa leitura sobre a gastronomia molecular hoje vamos falar de uma das
técnicas que eu mais aprecio dentro da culinária molecular: a esferificação.
Imagina você se
deparar com sua comida ou bebida preferida, só que na forma de esferas ou
transformadas em caviar... Parece loucura, mas não é. Vejam só
A prodigiosa Chef Helena
Rizzo, do restaurante Maní (para ver clique aqui), em São Paulo, apresentou ao público a "feijoada do Maní" servida em
uma colherzinha, acompanhada de couve finíssima, super crocante, minúsculas laranjas,
farofinha. Lá no fundo, dá para sentir o sabor do que seria um delicado molho
de pimenta. É um hit elogiado pelos mais conceituados especialistas.
A feijoada do Maní
Chef Helena Rizzo
A feijoada do Maní é uma
“reconstrução” da receita convencional: a feijoada original é transformada em
um consomê, com o gosto das carnes. Este é despejado sobre uma solução de
alginato (gelatina extraída da alga que, em contato com o cálcio ou outros
elementos similares, gelifica a frio) com uma micro concha. Esferifica por dois
minutos e vira pequenas “pérolas negras”. Para completar, servem-se junto uma
farofinha crocante de farinha de mandioca e castanha-do-Brasil, laranjas
cortadas em minúsculos pedaços. Está tudo lá, só que revisto pelo olhar
minimalista da chef.
Esse é um exemplo, já
famoso, do uso da esferificação no Brasil. Mas esta técina não foi originada
aqui, ela veio da Espanha.
História da Esferificação
A técnica de esferificação
foi apresentada ao El Bulli (para ver clique aqui) por Ferran Adriá em 2003, tornando-se um ponto de
inflexão na gastronomia molecular. Como muitas outras técnicas de gastronomia
molecular, a esferificação foi descoberta através do trabalho em equipe de uma
grande empresa alimentícia e claro, do genial chef Ferran Adriá e o resto da
equipe do El Bulli.
O El Bulli funciona
seis meses por ano (de 28 de março a 30 de setembro) com 58 pessoas trabalhando
para atender, a cada noite, apenas a 50 comensais que, em geral, fizeram suas
reservas com um ano de antecedência ou mais, já que Adrià passa os outros seis
meses do ano aperfeiçoando receitas em seu laboratório/oficina, ‘El Taller’, em
Barcelona.
Ferram Adriá, o “Salvador Dali da cozinha”
Em 2003, Ferran Adriá e a equipe do el Bulli estavam
visitando uma companhia chamada Griffith Espanha para ver suas instalações
quando se depararam com um molho Mexicano que continha pequenas bolas em
suspensão que adicionavam acidez e tempero quando ingeridas. Isto o lembrou de
um drink que ele sabia que continha pequenas esferas feitas através da imersão
em um líquido com alginato sódio em um banho de cálcio. Em ambos os casos, as
esferas eram sólidas e não possuíam um recheio líquido. Eles pegaram uma
amostra do alginato e quando retornaram ao el Bulli os experimentos começaram.
A primeira experiência deles com esferificação tinha a água como ingrediente
principal e uma seringa para formar os pingos da solução de alginato. Como o
ingrediente que eles usaram foi água em um banho de água eles não conseguiram
ver nenhuma esfera, mas quando eles tiraram a água, descobriram que haviam sido
capazes de criar pequenas bolas com líquido dentro (agora chamado decaviar).
Logo após aquilo eles tentaram com uma colher ao invés de uma siringa para criar
uma esfera mais larga e assim o primeiro “ravioli esférico” foi criado.
A sopa sólida de letras - criação de Adriá
Como sabemos hoje, a
esferificação produz formas esféricas de texturas e consistências variadas e
muitas delas foram criadas no primeiro ano.Ravioli esférico, ravioli recheado,
bolinhas e mini raviolis; O primeiro prato que a equipe do el Bulli foi capaz de
preparar com esferificação foi o ravioli líquido de ervilha. Eles deram o nome
de ravioli porque eles acharam que a sensação na boca era exatamente como a de
um ravioli recheado com líquido. Eles então fizeram de manga, framboesa e
ravioli recheado com caldo de pimenta gemika e recheio de semente depimenta. A
equipe do el Bulli tentou uma versão menor do ravioli chamada deminiravioli e
as bolinhas. O último tem o mesmo tamanho, mas com uma membrana mais grossa que
mantém o seu formato esférico perfeito quando servido e “explode” na boca.
Ravioli de manga
Caviar
esférico e pellets
A equipe do el
Bulli testou ingredientes diferentes para o primeiro prato de caviar e o
vencedor foi o Caviar de Melão Cantaloupe. Para poder preparar caviar
suficiente em um tempo razoável para ser servido em jantares no el Bulli, eles
criaram um dispositivo com várias seringas que podiam ser pressionadas ao mesmo
tempo. De acordo com Adria, foi uma das épocas mais emocionantes no ElBulli e o
Caviar de Melão Cantaloupe foi o prato assinatura/destaque de 2003.Naquele ano
eles também criaram pellets de trufas
utilizando a técnica de esferificação e as macerando para obter suco de trufa
durante a noite para o intensificar o sabor. Balões Esféricos: Após serem
servidos o caviar e o ravioli esférico, os clientes do elBulli foram
surpreendidos mais uma vez com outra variação do técnica de esferificação.
Balões esféricos são feitos utilizando a técnica de esferificação junto com
outra técnica desenvolvida no el Bulli utilizando sifões de soda (espumas
culinárias).
De acordo com o El
Bulli, essa preparação é uma das mais difíceis de se fazer. Para fazer os
balões ,água com perfume de rosas e alginato de soda foram colocados no sifão.
Daí, utilizando um adaptador especial, a equipe do el Bulli, ativou o sifão
sobre uma solução de cálcio, formando esferas opacas. Um minuto depois, balões
transparentes são formados. Macarrão “Esférico”: Este também foi o ano do
primeiro macarrão esférico. O primeiro macarrão foi criado através de uma
seringa preenchida com uma mistura de suco de lichia e alginato de sódio, que
era pressionada sobre a solução de cálcio de forma a desenhar laços em zigzag,
resultando em fios de macarrão de lichia.
Quando uma nova
técnica é descoberta, é comum de se ver na gastronomia molecular chefs usando a
imaginação para aplicá-la de maneiras diferentes e descobrir variaçõesda
técnica original para desenvolver novos conceitos. Foi exatamente isto o que aconteceu
no el Bulli com a esferificação em 2004. Quatro novas ideias surgiram. Raviolli
Esférico Recheado: Em 2003 o el Bulli criou o ravioli recheado, mas neste
anocom um líquido congelado dentro ao invés de sementes de pimenta. O preparo
desteravioli recheado consistia em colocar uma pastilha de suco de limão
congelado dentro deuma colher contendo chá, que logo depois era transformada em
uma esfera de chá. Gnocchi Esférico: Isto é basicamente uma esfera feita de uma
espuma, que providencia uma textura cremosa única ao recheio da esfera. Esse
ano o el Bulli teve duas versões dele. Um era feito de purê de abóbora e o
outro era uma adaptação do clássico gnocchi de batata.
Gnocchi esférico de batata com raviólis de manteiga - el Bulli
2005: El Bulli Cria a
Esferificação Inversa
Enquanto o el Bulli
servia as primeiras esferas, el Bulli Taller, o departamento científico do restaurante,
pesquisava como modificar a técnica de esferificação para que fosse capaz de
trabalhar com produtos que já possuíam cálcio neles. Com a Esferificação Básica
o cálcio natural iria disparar o processo de gelificação do líquido dentro da
esfera, um efeito obviamente indesejado. Depois do fracasso de muitos experimentos
para melhorar a técnica de esferificação, o time el Bulli percebeu que eles
poderiam tentar uma esferificação reversa através da inversão dos componentes e
inserindo um produto que já contém cálcio em um banho de alginato. Essa
descoberta, agora nomeada de Esferificação Reversa, permitiu ao el Bullicriar
esferas com novos ingredientes como azeitonas e lacticínios pela primeira vez. Como
um bônus extra (não menor), a esferificação reversa permitiu que os chefs do
elBulli conseguissem deter a gelificação dos preparos, algo que eles não eram
capazes de controlar na esferificação básica
Introdução à Esferificação
Cozinhar com
gastronomia molecular pode, por vezes, requerer equipamento caro e ingredientes
difíceis de se encontrar. Esse não é o caso das receitas de esferificação.
Alguns dos ingredientes para esferificação eram difíceis de se encontrar em
pequenas quantidades a alguns anos atrás mas agora eles são facilmente
acessíveis graças a popularidade dessa técnica de gastronomia molecular criada
por Ferran Adria no el Bulli.
Mini kit de esferificação de Adriá
Existem alguns
ingredientes necessários para a Esferificação Básica e Esferificação Reversa,
mas existem somente dois que são absolutamente necessários para começar o processo
de esferificação: alginato de sódio e algum elemento de cálcio.
Alginato de Sódio:
um produto natural
extraído da alga marrom que cresce em regiõesde águas frias. Ele é solúvel em
água quente e fria, com agitação forte e pode engrossar e grudar. Na presença
do cálcio ele forma um gel sem a necessidade de calor. O Alginato de Sódio é
utilizado na indústria alimentícia para aumentar a viscosidade e como um emulsificador.
Também é usado em pastilhas para indigestão. Não possui sabor discernível.
Cloreto de Cálcio:
utilizado para fazer
o banho de cálcio para a Esferificação Básica. Este é provavelmente o mais
barato de todos os ingredientes e é usado majoritariamente na Esferificação
Básica pois sua característica salgada não afeta o gosto do ingrediente principal,
já que é utilizado somente para o banho. O cloreto de cálcio é um sal de cálcio
tradicionalmente usado na indústria alimentícia para a confecção de queijo e
também é utilizado em várias outras aplicações como agente de conservação em
salmoura, agente firmador, potencializador de sabor, estabilizador, etc. É bem
solúvel em água e deve ser mantido em recipientes bem lacrados.
Lactato de Cálcio:
utilizado para
aumentar o conteúdo de cálcio do ingrediente principal na Esferificação
Reversa. Dá um sabor menos amargo do que o cloreto de cálcio quando adicionado
ao ingrediente principal. Ele irá dissolver-se em gordura. É tradicionalmente utilizado
em alimentos como levedo e para confecção queijos envelhecidos. É comumente
utilizado em alimentos sem açúcar para prevenir o apodrecimento dos dentes e
para pedaços de fruta frescos para mantê-los firmes e aumentar seu tempo de validade.
Lactato de Cálcio Gluconato:
é ideal para aumentar
o conteúdo de cálcio no ingrediente principal na esferificação reversa. A
consistência e o sabor do ingrediente principal não são afetados pela adição de
gluconato lactato de cálcio já que ele não possui nenhum sabor discernível e
dissolve-se em líquidos frios sem alterar sua densidade. É versátil, já que
pode ser utilizado em líquidos com alta teor de ácido, álcool ou gordura. Para
evitar problemas na hora da dissolução, adicione lactato de cálcio gluconato
antes de qualquer outro produto em pó.
Citrato de Sódio:
pode ser utilizado
para reduzir a acidez do ingrediente principal quando estiver utilizando a
técnica de Esferificação Básica. O processo de Esferificação Básicanão funciona
se o ingrediente principal for muito ácido (PH<5). O Citrato de Sódio tem um
gosto amargo e também um gosto um pouco salgado, então, adicione com moderação
ao ingrediente principal para não alterar muito o seu sabor. O citrato de sódio
normalmente é utilizado na indústria alimentícia como um aditivo de sabor e
também como um agente de conservação. É utilizado na água com gás e na maioria
dos refrigerantes de lima-limão por conta de seus sabores amargos e salgados.
Xantana:
utilizada para
engrossar o ingrediente principal na Esferificação Reversa. Quando a densidade
do ingrediente principal é muito líquida para formar esferas no banho de
alginato, um emulsificador como a xantana é utilizado. Ela é obtida através da fermentação
do amido de milho com a bactéria Xanthomonas Campestris (encontrada no repolho).
Ela não possui glúten e pode ser utilizada como substituta do glúten na panificação
(juntamente com farinhas sem glúten). Solúvel em água fria ou quente, estável
sob uma gama de vários Phs e temperaturas, pode engrossar itens com um alto teor
alcoólico, e é compatível e estável em sistemas contendo uma alta concentração
de sal.
Champagne com falso caviar de morango e cereja
TÉCNICAS
A técnica de esferificação básica consiste-se
de submergir um líquido com alginato de sódio dentro de um banho de cálcio.
Prós da Esferificação Básica
Esta técnica é ideal
para a obtenção de esferas com um membrana bem fininha que é quase
imperceptível na sua boca e facilmente “explode” como se não houvesse nenhuma
substância sólida entre o seu palato e o líquido.
- Não há necessidade
de deixar o banho de cálcio descansando por 12-24 horas antes de utilizá-lo
para obter os resultados ideais. Isto permite que você comece e termine o
preparo dentro de uma hora. Na esferificação reversa, o banho de alginatode
sódio precisa descansar no congelador por várias horas para eliminar as bolhas
de ar criadas pelo processo de dissolução do alginato de sódio com o mixer
É mais fácil de
conseguir uma esfera perfeita no prato com a Esferificação Básica do que com a
Esferificação Reversa. Mesmo se o produto resultante não for uma esfera
perfeita, ele irá se parecer muito com uma quando servido pois sua membrana sutil
e flexível irá se adaptar e remoldar quando a quase-esfera for servida no
prato.(para resultados ideais leia “Dez dicas para criar uma esfera perfeita”)
-Este é o método de
esferificação favorito para a produção de “caviar” (esferas pequenas) já que a
viscosidade do banho é fina permitindo com que as pequenas gotículas aglomerem
num formato esférico no banho e as esferas não grudam umas nas outras como na
esferificação reversa. (para resultados ideais leia “7 dicas para fazer
Esfereficação”)
Contras da Esferficação Básica
- Precisa ser servida
imediatamente e não pode ser armazenada. Uma vez que a esfera é removida do
banho, o processo de gelificação continua mesmo depois da lavagem com água e
irá converter-se numa esfera compacta de gel sem nenhum líquido “mágico”
dentro.
- A gelificação não
ocorre se a acidez do líquido for alta (PH<5) mas isso pode ser corrigido
pela adição de citrato de sódio ao líquido para reduzir o nível de acidez antes
do processo de esferificação. No entanto, citrato de sódio tem um gosto amargo
e salgado também, logo, sua adição em excesso irá mudar o sabor do líquido da
esfera.
- A consistência do
líquido dentro da esfera se torna um pouco pegajosa por contada adição do
alginato de sódio. A coisa boa é que o alginato de sódio não tem nenhum sabor
discernível, logo, ele só aumenta a viscosidade.
-A delicadeza da
sutil membrana resultante com o processo de esferificação básica reduz a
versatilidade do produto resultante. Qualquer leve pressão irá quebrá-las, por
isso devem ser manipuladas cuidadosamente e não podem ser utilizadas como recheio
em mousses ou bolos, por exemplo.
PREPARANDO O INGREDIENTE PRINCIPAL PARA A ESFERIFICAÇÃOBÁSICA
Líquidos com Densidade Aquosa (ex. Suco de
Melão Cantaloupe)
- Adicione a quantidade de alginato de sódio
indicada na receita para 1/3 do ingrediente principal e misture com o mixer até
que o alginato de sódio esteja dissolvido. Tenha em mente que o alginato de
sódio se tornará grudento quando entrar em contato com o líquido e pode levar
vários minutos até que esteja completamente dissolvido. Então, adicione o resto
do líquido do ingrediente principal e deixe o resto no congelador por uma hora
para eliminar as bolhas de ar criadas pelo mixer. Este último passo é apenaspor
motivos estéticos.
Líquidos Espessos (ex. Purê de Manga)
-Nessa preparação,
água é adicionada ao ingrediente principal para obter a consistência certa para
a esferificação. Adicione a quantidade de alginato de sódio indicada na receita
para a água utilizada corrigir a densidade do ingrediente principal e misture
com um mixer até que o alginato de sódio seja dissolvido, como explicado no processo
anterior. Em seguida, adicione o ingrediente principal e deixe descansar na geladeira
por 1 hora para eliminar as bolhas de ar criadas pelo mixer.
Corrigindo a Acidez na Esferificação
-O processo de esferificação
básica que não funciona se o principal ingrediente for muito ácido (Ph<5).
Se necessário, a acidez pode ser reduzida pela adição de citrato de sódio ao
ingrediente principal (se o líquido for aquoso) ou a água utilizada pra reduzir
a densidade do ingrediente principal (se o líquido for espesso) sempre ANTES de
adicionar o alginato de sódio.
Criando esferas em um Banho de Cálcio
- Enquanto você
espera o principal ingrediente que está na geladeira ficar pronto, prepare o
banho dissolvendo a quantidade de cloreto de cálcio indicada na receita em uma
tigela com água. Basta mexer, já que o cloreto de cálcio se dissolve facilmente
na água. Então prepare outra tigela com água. Mais tarde, você irá a utilizar
para a lavar as esferas e remover o excesso de cálcio.
- Agora, pegue a
seringa (se você estiver fazendo caviar) ou a colher de medida do tamanho
desejado (se você estiver fazendo ravióli, gnocci, etc) e, cuidadosamente despeje
o preparo no banho de cálcio. Aguarde o tempo indicado na receita e remova cuidadosamente
a esfera do banho de cálcio usando uma escumadeira e lave-a no recipiente com
água.
-Eu recomendo que
você sempre comece com uma esfera primeiro para ajustar o processo de
despejamento e o tempo no banho de cálcio. Se a membrana da esfera for muito
sutil e a esfera romper-se facilmente ao ser manuseada com a escumadeira com
cuidado ou quando estiver sendo servida, estenda o tempo no banho de cálcio até
obter a resistência desejada. Tenha em mente que quanto mais fina a membrana melhor
será a experiência que as pessoas vão ter ao comer.
-Lembre-se de que as
esferas feitas com a técnica de Esferificação Básica precisam ser servidas
imediatamente ou elas acabarão se convertendo em uma bola de gel compacta, já
que o processo de esferificação continua mesmo depois deremovê-las do banho de
cálcio.
Esferificação Reversa
A técnica de Esferificação Reversa consiste-se
em submergir um líquido em uma mistura de gluconato de cálcio e lactato de
cálcio em um banho de alginato de sódio.
Prós da Esferificação Reversa
- A Esferificação
Reversa é mais versátil do que a Esferificação Básica já que ela pode fazer
esferas com quase qualquer produto. Ela é melhor para líquidos com alto
conteúdo de cálcio ou alto conteúdo de álcool o que a faz ótima para coquetéis
e lacticínios como queijo, leite, creme e iogurte.- A esfera resultante é
duradoura e pode ser armazenada. Ao contrário da Esferificação Básica, o
processo de gelificação pode ser interrompido quando a esfera é removida do banho
de alginato e lavada com água. Isto é muito conveniente quando estiver
entretendo amigos já que você pode prepará-las antecipadamente. Isto também
permite a você macerar as esferas durante a noite de véspera para adicionar um
sabor extra (ex. Em azeite aromatizado ou em água de trufas).- Os resultados da
Esferificação Reversa criam uma esfera com uma membrana mais espessa do a que
as criadas com a Esferificação Básica. Graças a isso, as esferas resultantes
podem ser manipuladas facilmente, elas conservam a sua forma mais facilmente
quando servidas (esferas produzidas através da Esferificação Básica achatam e
adquirem uma forma de gema de ovo ou orbe quando servidas) e podem ser
utilizadas de mais maneiras (por exemplo, como recheio em bolos ou mousses).- A
gelificação ainda ocorre quando o ingrediente líquido principal tem alguma
acidez. Isto ocorre porque na Esferificação Reversa o processo de gelificação
ocorre na superfície da esfera quando o alginato de sódio não consegue
penetrá-la. Uma camada de geltranslúcida é criada em torno do ingrediente
principal. Na Esferificação Básica o processo de gelificação ocorre
internamente e tem a cor do ingrediente principal.
- A consistência do
ingrediente principal e o sabor não são alterados pela adição de gluconato de
cálcio e lactato de cálcio, pois eles não têm sabor perceptível e dissolvem-se no
líquido sem alterar a sua densidade. Esta é a razão pela qual na Esferificação
Reversa não utilizamos o cloreto de sódio, que é muito salgado.
Contras da Esferificação Reversa
- A membrana mais
espessa destas esferas fica mais evidente no seu palato. Você ainda sente a
sensação de “pop” mas, em adição ao líquido você também sente a geleia sólida em
sua boca.- O banho de alginato de sódio precisa descansar de 12-24 antes de ser
utilizado para Esferificação Reversa para eliminar as bolhas de ar criadas pelo
processo de dissolução do alginato de sódio com o mixer.- É um pouco mais
difícil de se obter uma esfera perfeita no prato com a Esferificação Reversa do
que com a Esferificação Básica. Você está derramando o ingrediente principal em
um banho viscoso, as esferas tendem a a grudar umas nas outras se você não
separá-las no banho e a membrana mais espessa mantém a forma melhor: o que é ótimo
se você for capaz de criar uma esfera perfeita, mas não se suas esferas
ficam" deformadas". (para resultados ideais leia "10 dicas Para
Criar Uma Esfera Perfeita")- A Esferificação Reversa não é boa para fazer
o caviar já que o ingrediente principal precisa ser engrossado para poder
penetrar no denso banho de alginato de sódio e aglomerar-se em uma esfera.
(para resultados ideais leia "7 Dicas para fazer Esferificação de
Caviar")
Preparando o Banho para a Esferificação
Reversa
Misture o alginato de
sódio em 1/3 de água com um mixer da imersão até que esteja completamente dissolvido.
Tenha em mente que o alginato de sódio é difícil de se dissolver na água e esse
processo pode levar alguns minutos. Em seguida, adicione o restante da água e
mantenha no refrigerador de 12 a 24 horas para retirar as bolhas de ar criadas
pelo mixer.
Preparando o Ingrediente Principal para a
Esferificação Reversa
- Adicione o
gluconato de cálcio e lactato de cálcio a 1/3 do principal ingrediente
principal a ser utilizado. Misture com um mixer até que esteja completamente
dissolvido. Em seguida, adicione xantana para engrossar o líquido e misture
mais uma vez. O aumento da densidade do líquido ajuda a formar as esferas já
que o banho de alginato é bastante denso. Acrescente o restante dos
ingredientes principais e deixe descansar por 1 hora para que ele perca parte
do ar criado pelo mixer.
Criando as Esferas
Agora, pegue a seringa (se você estiver
fazendo caviar) ou a colher de medidas do tamanho desejado (se você estiver
fazendo ravioli, gnocci, etc) e cuidadosamente despeje o preparo do banho de alginato
de sódio certificando-se que as esferas não se toquem umas nas outras ou elas
vão grudar. Aguarde o tempo indicado na receita e remova cuidadosamente a
esfera do banho de alginato de sódio com uma escumadeira e enxágüe-a com água
limpa. Eu recomendo que você sempre comece com uma esfera primeira para ajustar
o processo de despejamento e o tempo no banho. Se a membrana da esfera ficar
muito sutile a esfera romper-se facilmente ao ser manuseada com a escumadeira
com cuidado ou quando servida, estenda o tempo no banho de alginato de sódio
até obter a resistência desejada. Tenha em mente que quanto mais fina a
membrana melhor será a experiência que as pessoas vão ter ao comer. Consuma as
esferas ou armazene-as em um recipiente lacrado na geladeira. Se preferir, macere-as
por um dia em azeite, água de trufa ou seu líquido favorito.
10
Dicas para Criar uma Esfera Perfeita
Não é difícil se
iniciar na técnica de esferificação criada por Ferran Adria no El Bulli. Porém,
criar um formato esférico perfeito requer alguma prática. Estas são algumas
dicas para te ajudar a dominar a técnica de esferificação e impressionar seus
clientes com uma esfera perfeita.
1-Consiga a
viscosidade correta. A diferença em viscosidade entre a solução com sabor e o
banho afetam no quão fácil fica para formar uma esfera com as técnicas de
esferificação básica e esferificação reversa. A regra geral é que é mais fácil
formar uma esfera se a solução com sabor for mais espessa (mais densa) e o
banho mais fino (menos denso). Na esferificação básica, tente adicionar mais
alginato de sódio ao ingrediente principal. Na esferificação reversa, tente
adicionar mais xantana ao ingrediente principal ou, em alguns casos, reduzir a
quantidade de alginato de sódio no banho. Tenha em mente que o prato será
melhor saboreado se o líquido interno da esfera for menos denso, portanto, não adicione
muita xantana ou alginato de sódio.
2-Não utilize água da
torneira. Se o teor de cálcio da água da torneira for alto, o banho de alginato
de sódio irá engrossar ao fazer a esferificação reversa, já que o cálcio irá desencadear
o processo de gelificação. E um banho mais espesso fará o processo de esferificação
mais difícil. Ao invés disso use água filtrada ou engarrafada. Não utilize água
mineral, uma vez que esta também podem conter cálcio.
3-Use uma colher
esférica. Para preparar outros pratos que não sejam caviar, no qual você usa
uma seringa, use colheres de medida de formato esférico. Estas ajudam a obter
uma forma mais esférica ao despejar o ingrediente principal dentro do banho.
Além disso, vêm em tamanhos convenientemente diferentes para a criação de
ravióli, gnocchi, etc e não são caras.
4- Isto é
especialmente importante para a esferificação reversa, já que as esferas tendem
a grudar se entrarem em contato umas com as outras. Se você usar uma bacia, será
mais difícil manter as esferas separadas já que todas elas irão fluir para o
meio dela enquanto você despeja o principal ingrediente no banho para criar
múltiplas esferas.
5-Encha o recipiente
do banho até o topo. Se você encher o recipiente até um valor inferior a uma
polegada da parte superior, será mais fácil posicionar a colher horizontalmente
ao líquido, quase encostando em sua superfície. Desta forma, basta torcer um
pouco o pulso para despejar a solução com sabor de maneira fácil e suave. Caso
contrário, os lados do recipiente podem ficar no seu caminho, não permitindo
que você segure a colher na horizontal, próxima à superfície do líquido. Despeje
o líquido com cuidado. Este é o passo mais crítico na esferificação e requer
prática. Existem algumas maneiras de se fazer isso e algumas técnicas funcionam
melhor para algumas pessoas. Seja paciente e tente coisas diferentes até
encontrar o processo correto para
6- o seu preparo.-
Não despeje o ingrediente principal de uma altura acima da superfície do banho.
O impacto do líquido sobre a superfície do banho vai achatar a esfera. Coloque
a colher na horizontal perto da superfície do banho ou até mesmo tocando-o e,
torcendo seu pulso rápida e delicadamente, despeje o líquido dentro do banho.-
Outra técnica é colocar a colher esférica dentro do banho e com uma seringa,
injetar o líquido no banho dentro da cavidade da colher para ajudar a formar a
esfera. Quando dominada, esta técnica permite que você crie esferas um pouco
mais rápido, já que você não precisa ir e voltar entre o banho e o recipiente
contendo o ingrediente principal enquanto limpa a colher.
7-Não deixe as
esferas flutuarem no topo. Após despejar a esfera no banho, às vezes eles ficam
flutuando. Você não quer que isso aconteça porque a parte de superior não vai
ficar muito exposta à solução do banho e não vai gelificar-se e formar uma
esfera. Para fazer a esfera afundar no banho, delicadamente crie algumas ondas
no banho em torno da esfera usando uma colher ou seus dedos para que a solução
do banho fique em cima da esfera. Isso também irá ajudar a criar o formato da
esfera , já que as bordas da esfera se dobram em direção ao centro da mesma.
8- Vire as esferas
ocasionalmente enquanto estiverem no banho. Se elas ficarem encostadas no fundo
do recipiente, a parte inferior das esferas estará em menor contato com o banho
resultando em uma membrana mais fina em relação o resto da esfera que pode
quebrar-se facilmente. Este lado da esfera também ficará um pouco achatado.
9- Limpe as suas
colheres. Sempre limpe sua colher esférica após cada despejada, principalmente
se você estiver colocando o fundo da colher sobre o banho para despejar o líquido.
Verifique também se a sua escumadeira está limpa antes de mergulhá-la no banho
para pescar suas esferas. Se você não limpar as suas colheres, você pode obter
pequenos pedaços de gel extra ou esferas “bebê” presas à sua esfera.
10- Mantenha o banho
limpo. Se uma esfera romper-se no banho e pequenas partículas ficarem flutuando
por ele, passe a solução do banho através de uma peneira e continue o processo
de esferificação com um banho limpo para evitar que essas partículas grudem na
sua esfera.
7 Dicas para fazer Caviar de Esferificação
Com a técnica de
esferificação você pode criar pequenas esferas que assemelham-se ao formato do
caviar de verdade. O caviar de esferificação é feito através da liberação de
pequenas gotículas do líquido com sabor dentro do banho de cálcio, como auxílio
de uma seringa. Veja algumas dicas para dominar esta divertida técnica de gastronomia
molecular criada por Ferran Adria e a equipe do El Bulli.
1) Utilize
Esferificação Básica: esferas têm a tendência de se grudar quando feitas com a técnica
de Esferificação Reversa. É melhor então é melhor utilizar a técnica de Esferificação
Básica ao criar caviar de esferificação, já que você terá que produzir muitas esferas
pequenas que inevitavelmente vão entrar em contato umas com as outras. Abaixa
viscosidade do banho na Esferificação Básica também facilitará a formação de pequenas
esferas de “caviar”, já que permitirá que as gotículas penetrem a superfície do
banho mesmo com seu pouco peso.
2)Libere as gotículas
da altura certa: para evitar esferas achatadas ou ovais, as gotas devem ter uma
distância suficiente do banho de cálcio para que elas tenham tempo de coerir-se
em uma esfera e para que possam adquirir velocidade o suficiente para penetrar
a superfície do banho e ficarem submersas. Não as libere de uma altura muito
grande, ou o impacto com o banho as deformará, resultando em esferas de caviar
achatadas. Você também pode tentar fazer um banho de cálcio mais diluído para
que as esferas tenham tempo de coerir-se dentro do banho.
3)Aplique pressão
constantemente no êmbolo da seringa: para obter esferas de caviar de tamanho
consistente, empurre o êmbolo com uma pressão constante e baixa velocidade, permitindo
que as gotas caiam sozinhas (sem chacoalhar nem dar tapinhas na seringa).Tente
segurar a seringa horizontalmente para obter maior controle e esferas de caviar
ligeiramente maiores.
4)Regule a acidez do
ingrediente principal: esferificação básica não ocorre se o ingrediente
principal for acídico (PH<5). Você também vai ter dificuldades para
dissolver o alginato de sódio se a acidez estiver alta. Adicione um pouco de
citrato de sódio para reduzir a acidez, mas tome cuidado com a quantidade que
você for adicionar ou então o ingrediente principal ficará muito salgado.
5)“Cozinhe” as esferas
por menos de 1 minuto: você quer que as esferas de caviar tenham líquido por
dentro, então apenas deixe-as descansar no banho por um minuto ou menos, ou
então elas se tornarão bolas de gelatina. Isto pode ser um desafio se você possui
apenas uma seringa e pretende fazer caviar o suficiente para algumas porções. Na
velocidade em que as gotículas caem de uma seringa, você provavelmente vai precisar
de um minuto para preparar caviar o suficiente para uma porção, o que significa
que a primeira esfera de caviar vai estar pronta quando a última gotícula
encostar no banho pela primeira vez. E porque todas as pequenas esferas se
misturam no banho, você geralmente as retira todas juntas de uma vez. Uma
solução simples é produzir as esferas em porções e servi-las a uma pessoa por
vez. Outra solução é utilizar várias seringas organizadas ou uma “caviar box”
para produzir uma grande quantidade de caviar em um curto período de tempo.
6)Utilize uma bacia
para o banho e uma peneira redonda para pescar o caviar: deste modo é mais
fácil pescar todo o caviar de uma vez. Se você utilizar um recipiente retangular,
ficará mais difícil pescar as esferas dos cantos.
7)Sirva
imediatamente: lembre-se que as esferas produzidas com Esferificação Básica continuam
o processo de gelificação até mesmo depois que são removidas do banho de cálcio
e lavadas com água. Você precisa serví-las imediatamente após seu preparo para deliciar
seus convidados com esferas de caviar com uma membrana sutil e com líquido por
dentro.
Receita de Caviar de Cointreau
O caviar de Cointreau
foi lançado primeiramente em Paris em 2008, onde foi apresentado aos maiores
bartenders. Após quase um ano de pesquisas, a equipe Cointreau encontrou a
melhor fórmula para criar o caviar e desenvolveu um kit de caviar para que os
bartenders pudessem produzi-los mais rapidamente e em maiores quantidades. O
kit inclui um agitador magnético para misturar o alginato em 8 minutos e sem
que se formem bolhas de ar ao invés de usar o mixer e ter que esperar várias horas até que as bolhas
desaparecessem. O kit também inclui uma balança de precisão com qualidade de
laboratório, um pote de flocos de ouro comestíveis e um dispenser para caviar.
O caviar de Cointreau
é uma ótima maneira de trazer a mixologia molecular para os seus drinks. O
caviar de Cointreau pode ser adicionado a champagne, cosmopolitans, margaritas,
sidecars e muitos outros coquetéis tradicionais para torná-los mais interessantes.
Este caviar é feito utilizando Esferificação Básica.
Ingredientes do Caviar
140g (5oz) de
Cointreau60g (2oz) de água (filtrada ou com baixo teor de cálcio)1.6g alginato
de sódio (0.8%)
Banho de Cálcio
500g (18 oz) de água 250g de cloreto de cálcio
Preparo Comece preparando o banho de cálcio. Dissolva
o cloreto de cálcio na água e deixe na geladeira enquanto você prepara a
mistura de Cointreau para o caviar. Misture o alginato de sódio na água
utilizando um mixer até que o alginato de sódio esteja dissolvido por completo.
Se esta é sua primeira vez fazendo isso, esteja ciente de que pode demorar mais
do que você está esperando. Assim que o alginato de sódio estiver dissolvido,
misture com o Cointreau. Passe por uma peneira para eliminar as bolhas de ar
criadas pelo mixer. Se você tiver flocos de ouro, adicione-os agora à mistura.
Agora você está pronto para começar a criar o caviar! Remova o banho de cálcio
da geladeira. Encha uma seringa com a mistura de Cointreau e pressione-a para
que a mistura caia gota a gota dentro do banho de cálcio. A seringa precisa
estar alta o suficiente para que as gotas mergulhem ao entrar em contato com o
banho, mas não pode estar muito alta senão as gotas podem se romper e formar
outras gotas menores, criando esferas “bebês”. Deixe o caviar “cozinhando” por
cerca de 1 minuto no banho de cálcio e depois remova-o cuidadosamente
utilizando uma peneira. Enxagüe-o muito cuidadosamente com água para remover o
cálcio. Para aprimorar a técnica, leia 7 Dicas para Fazer Caviar com
Esferificação.
Sugestões para Servir
: Adicione o caviar a champanges,
cosmopolitans, margaritas, sidecars- Sirva o coquetel com o caviar de Cointreau
separado- Utilize em sobremesas com chocolate, baunilha, laranja ou cranberries.
Martini Esférico de Pêra e Flor de Sabugueiro
O martini de pera e
flor de sabugueiro é um dos meus coquetéis favoritos. Ele é feito com Vodka com
sabor de pera e com licor St. Germain. Se você nunca experimentou St. Germain,
pare de ler isto agora e vá logo comprar uma garrafa. Este licor é tão
extraordinário que até pessoas que nunca bebem gostam. St. Germain foi o
primeiro licor do mundo a ser criado da maneira artesanal Francesa, a partir de
flores de sabugueiro frescas e colhidas manualmente. As flores selvagens são
colhidas por 40 ou 50 homens montados em bicicletas aos pés dos Alpes. Em
apenas alguns dias de primavera, eles coletam as flores para a produção de um
ano inteiro de St. Germain. O sabor é muito sutil e delicado, com toques de maracujá,
pera, toranja e limão, e o teor de açúcar é baixo (quase a metade do de outros
licores). Esta receita de gastronomia molecular utiliza o método de
Esferificação Reversa criado por Ferran Adria e a equipe do el Bulli.
Mistura de Pêra e Flor deSabugueiro
- 40 g (1.4 oz) de
Vodka de Pera (Absolut ou Grey Goose)- 40 g (1.4 oz) de St. Germain- 40 g (1.4
oz) de água- 20 g (0.7 oz) suco de toranja
Ingredientes para Mistura da Esfera
- 140 g (5 oz)
Mistura de Pêra e Flor de Sabugueiro- 3.6 g Lactato de Cálcio Gluconato- 0.6 g
Xantana
Banho de Alginato
- 1000 g (35 oz) de
água- 5 g alginato de sódio
Preparo Comece preparando o banho de alginato.
Misture o alginato de sódio na água utilizando um mixer até que o alginato de
sódio esteja dissolvido por completo. Se estaé sua primeira vez fazendo isso,
esteja ciente de que pode demorar mais do que você está esperando. Deixe
descansar por 24 horas na geladeira para que o ar que entrou na mistura
desapareça e o alginato de cálcio fique completamente reidratado. Agora crie a
mistura de pera e flor de sabugueiro misturando a vodka, o St.Germain, a água e
o suco de toranja. Misture com o lactato de cálcio gluconato e finalmente
adicione a Xantana. Deixe hidratar por 1 minuto. Misture utilizando o mixer e
deixe na geladeira durante 24 horas para eliminar as bolhas de ar. Agora você
está pronto para começar o processo de esferificação! Remova o banho de
alginato da geladeira. Utilize uma colher de medida de 5ml semi-esférica para
colher a mistura de pera e flor de sabugueiro e derrame-a cuidadosamente dentro
do banho de alginato. É importante que as esferas de martini não encostem umas
nasoutras, pois senão elas grudam. Deixe as esferas “cozinhando” por cerca de 2
minutos no banho de alginato e depois remova-as cuidadosamente utilizando uma escumadeira.
Lave-as muito gentilmente na água, e depois coe-as cuidadosamente. Se desejar, você
pode armazená-las em um pote fechado com água na geladeira. Sirva em uma colher
de aperitivo.
Receita de Crème Brulee Esférico
Apesar de crème brulee ser uma das minhas sobremesas
favoritas, não foi este o motivo que desencadeou a exploração
gastronômica-molecular baseada nesta sobremesa clássica. Foi a receita de gema
de ovo de codorna com a casca caramelizada feita pelo meu amigo chef Flavio que
me inspirou a procurar uma esfera da gastronomia molecular a qual eu pudesse
aplicar a técnica de caramelização da receita de gema de ovo. A resposta óbvia
foi fazer uma esfera líquida de crème brulee utilizando a técnica de
Esferificação Reversa. Ao fim, fui capaz de criar a esfera líquida de crème
brulee, mas falhei miseravelmente quando tentei aplicar a técnica de
caramelização da gema de ovo. O problema foi que a esfera nunca poderia secar,
o que fazia com que o caramelo se liquefizesse muito rápido, sem me dar tempo
de serví-lo com um filme de caramelo crocante e de boa aparência. Mas aqui
está, de qualquer forma. As esferas de crème brulee resultantes são deliciosas,
e você ainda pode derreter cuidadosamente um pouco de açúcar por cima, com a
ajuda de um maçarico.
Ingredientes do Crème Brulee líquido
- 1 xícara de creme
de leite fresco- 1/6 xícara (40ml) de açúcar - 4 gemas de ovo frescas- ¼ colher
de chá (1.25ml) extrato de baunilha
Ingredientes da Esfera de Crème Brulee
- 250 g crème brulee
líquido - 6 g Lactato de Cálcio Gluconato- 0.8 g Xantana
Banho de Alginato
- 1000 g (35 oz) de
água - 5 g alginato de sódio
Preparo Comece preparando o
banho de alginato. Misture o alginato de sódio na água utilizando um mixer até
que ele esteja dissolvido por completo. Se esta é sua primeira vez fazendo
isso, esteja ciente de que pode demorar mais do que você está esperando. Deixe
descansar por 24 horas na geladeira para que o ar que entrou na mistura
desapareça e o alginato de cálcio ficar completamente reidratado. Aqueça o creme de leite fresco com o extrato
de baunilha em baixa temperatura até que comece a ferver. Enquanto você
aguarda, bata as gemas de ovo com o açúcar em uma tigela em banho-maria até que
a mistura mude de amarelo para amarelo claro e fique mais espessa. Retire a
tigela do banho-maria e comece a adicionar muito lentamente o creme aquecido,
enquanto você continua a bater. Coloque a tigela em água gelada para resfriar,
e quando a mistura estiver fria ao toque, passe-a por uma peneira fina. Dilua o
lactato de cálcio gluconato na mistura do crème brulee. Depedendo de diversos
fatores, a mistura do crème brulee pode ficar com consistências diferentes a cada
preparo. Confira a viscosidade da mistura de crème brulee antes de adicionar
toda a xantana. Considere testar antes no banho de alginato. Se a mistura se
espalhar em cima do banho, precisa estar mais viscosa e mais xantana deve ser
adicionada. Misture a xantana que for necessária com o mixer . Deixe descansar
na geladeira por algumas horas. Agora você está pronto para começar o processo
de esferificação! Retire o banho de alginato da geladeira. Utilize uma colher
de medida de 5ml semi-esférica para colher a mistura e derrame-a cuidadosamente
dentro do banho de alginato. É importante que as esferas de crème brulee não
encostem umas nas outras, pois senão elas grudam. Deixe as esferas “cozinhando”
por cerca de 2 minutos no banho de alginato e depois remova-as cuidadosamente utilizando
uma escumadeira. Lave-as muito gentilmente na água, e depois coe-as
cuidadosamente. Se desejar, você pode armazená-las em um pote fechado com água
na geladeira. Sugestões para Servir - Derreta um pouco de açúcar em cima das
esferas com um maçarico, sem super-aquecê-las. Você deverá servi-las
imediatamente após fazer isto. - Sirva em uma colher para aperitivos, sobre uma
fatia de morango ou figo fresco.