segunda-feira, 13 de agosto de 2012

O que fazer com as romãs de Hera?


Recentemente tenho me dedicado á pesquisas para um artigo cientifico que estou escrevendo sobre o Altis Sagrado, em Olympia, Grécia. È sempre bom para mim reviver meus estudo  em mitologia, que tanto me ajudaram a descobrir motivos para determinadas coisas que a ciência até hoje não deu explicação.
Consegui para meus estudos uma coleção de vídeos interessantíssimos do Museu Arqueológico de Olympia, dentre outros, que tem me divertido e gerado muito material interessante e esclarecedor sobre o que era o Altis de fato. A grosso modo pode-se dizer que o Altis era - pois o que resta dele são ruínas - um complexo de monumentos antigos (templos, casas de banho, lugares de lazer e desporto e hospedagem) dos quais o templo de Zeus se tornou um ícone, por conter uma estatua daquele deus que se tornou uma das 7 maravilhas do  mundo antigo.
Porém nos meus achados descobri que está justamente no Altis o mais antigo templo grego, o Herarion, dedicado a deusa Hera, soberana do Olimpo, cujo pavão e a romã, ambos apreciados por mim, são símbolos seus.
Mas o que fazer com as romãs de Hera? Todo mundo sempre vê por ai recitas doces, mas a ideia deste post é fazer diferente, assim como  ter uma visão um pouco diferente, ampliada da Hera mitológica.

Assim para não colocar simplesmente recitas, vamos colocar mais conteúdo nisso...  encontrei um interessante texto sobre a rainha do Olimpo que compartilho com vocês nas linhas seguintes. O texto foi  escrito por Anne Baring é co-autora de "The Myth of the Goddess" dentre outras obras (www.annebaring.com ) no final, como de prache, seguem as receitinhas. Espero que gostem.


Hera: um nome; diversas interpretações. Para muitos, Hera é a ciumenta e vingativa irmã esposa de Zeus, o todo-poderoso deus do Olimpo. Essa imagem estereotipada, contudo, oculta uma outra visão; na verdade, Hera é uma das mais grandiosas deidades femininas: muito, muito antiga, as origens de seus cultos se perdem na noite dos tempos, recuando ao menos até 10.000 a.C.
Suas raízes remontam à Deusa Mãe do Neolítico, associada à vida, à morte e à regeneração, temas que fazem dela mais uma representação perfeita da Grande Deusa em sua típica triplicidade. Originária provavelmente de Creta, Hera possui muitos elementos em comum com Cibele, a conhecida e adorada deusa da Anatólia cujo culto atravessou muitos séculos.
Freqüentemente, Hera é representada na companhia de leões, serpentes e aves aquáticas. Na Ilíada, ela é chamada de "Rainha dos Céus," e também de "Hera do Trono de Ouro." Outro nome que costuma ser associado a Hera é "a deusa dos braços brancos."
De todas as Deusas gregas, Hera é a única que realmente apresenta traços de soberania. Ela é a Deusa do Matrimônio - não da beleza ou da atração sexual, ou ainda da maternidade, mas da união como um princípio. Como regente do casamento, é Hera que dá validade e importância a essa união. Hera é também a protetora das mulheres e de todas as formas femininas da vida.
Na Grécia, Hera era vista principalmente como a Deusa da Lua. O mês era dividido em três fases, a saber: o crescente, a plenitude e o minguar da lua. Por vezes, Hera era representada como a Deusa Tríplice, nas formas de Donzela ou Virgem, A Plena ou mãe, e a Viúva, ou a Separada. Hera, portanto, representa o próprío ciclo da mulher em todo o seu poder e totalidade.
Ademais, Hera é o Princípio Feminino. É também uma díade mãe-filha, pois Hera e sua filha Hebe formam um todo, assim como Deméter e Perséfone.
Na iconografia, seus símbolos são a romã e uma flor em forma de estrela. Tais flores eram trançadas em guirlandas e usadas para adornar seus bustos e estátuas. Assim como Cibele, Hera trazia nas mãos a romã. Um lindo diadema de ouro na forma de folhas e frutos de murta foi encontrado nas proximidades de seu templo em Crotona, mais uma associação.Mas a mais simbólica e profunda associação de Hera com o reino vegetal é a espiga de trigo, conhecida como "a flor de Hera."

Um de seus epítetos, Hera "dos Olhos de Vaca," não deixa dúvidas quanto à sua associação com o gado. Bois e vacas eram-lhe sagrados, até porque seus chifres se assemelham à lua crescente.
Como Rainha do Céu e da Terra, ela traz semelhanças com a deusa egípcia Hathor. A Via Láctea era conhecida, simplesmente, como "a Deusa."
Na mitologia grega, Hera é, sem dúvida, a mais elevada das Deusas. Hera é mais conhecida como irmã e esposa de Zeus, mas tal associação é muito posterior. A mitologia mais antiga apresenta elementos que comprovam que a Hera original era independente e não possuía marido. Posteriormente, é possível que tenha desposado Dioniso ou Héracles, que descem ao Mundo Inferior na Lua Nova para resgatá-la, trazendo-a na forma da Lua Crescente. O nome Héracles significa simplesmente "Glória a Hera." Por sua associação solar, Héracles, juntamente com Hera, representa a antiga imagem do filho-amante da deusa, e sua união é a união do sol e da lua quando esta se encontra em sua fase cheia.
Através de seus truques, Zeus leva Hera a adormecer, e Hermes põe Héracles ainda bebê em seu seio. Ele a morde e, ao despertar, Hera o empurra para longe; o leite que jorra de seu seio espalha-se nos céus, formando a Via Láctea.

Em seus locais sagrados, Hera era cultuada por dezesseis mulheres. Após seu 'retorno' do Mundo Inferior, elas banhavam sua estátua numa nascente sagrada, restaurando assim sua virgindade - uma cerimônia que ocorria anualmente, antes da luz nova.
O grande ritual do casamento entre Hera e Zeus ocorria no período da lua cheia, celebrando a união da lua e do sol. Irmão e irmã; marido e mulher: o Hieros gamos, o 'casamento sagrado', uma tradição mantida de uma era anterior.
Num nível mais profundo e ancestral, o casamento entre Hera e Zeus pode ser visto como a relação entre os dois grandes arquétipos da vida que só podem ser representados por um rei e uma rainha, ou um Deus e uma Deusa. Seu casamento regenera o universo, numa união criativa retradada no hieros gamos entre Hera e Zeus. Este sentimento era provavelmente compartilhado por todos os participantes de seus ritos, os quais celebravam seus próprios matrimônios no mesmo período do casamento entre a Rainha da Vida e o Senhor da Vida; um casamento que unia cosmicamente os dois grandes aspectos da vida.
Posteriormente, esses aspectos passam a ser vistos como a terra e o céu, sendo a terra representada pela deusa e o céu pelo deus. Contudo, por princípio, ambos estão muito além de suas representações. Para se ter uma noção mais correta da profunidade dessa união, é necessário conhecer a grande união abordada na mística tradição judaica da Kabbalah.
Mitologicamente, a Terra gerou a grande árvore de maçãs douradas das Hespérides em homenagem ao casamento entre Hera e Zeus; contudo, acredito que essa árvore fora outrora sagrada a Hera, e possivelmente as 'maçãs douradas' eram, na verdade, romãs. Para mais detalhes sobre sua maravilhosa união, recomendo a leitura do 14o. livro da Ilíada.

Templos gigantescos foram erguidos em sua honra em Samos e no sul da Itália, além de outras localidades. Hera era cultuada em sua forma humana como uma manifestação da lua. Seu templo principal, porém, ficava na planície de Argos: o Heraion. Reconstruído três vezes, o primeiro Heraion foi erguido por volta de 1000 a.C., nas fraldas do Monte Euboia, num amplo terraço de frente para a grande planície do Argos. Uma vez por ano, durante uma lua cheia, tinha lugar a procissão ritual de Hera, que passava pelas cidades do Argos: Micenas, Tiryns, Argos, Midea. Para os gregos de então, o Heraion possuía a mesma importância que o Templo de Jerusalém possui para o povo de Israel: ele era "o" templo, um santuário para toda a terra. O mais antigo dos templos possuía enromes alicerces, os quais ainda podem ser vistos.
Ruínas do Heraion Samos
Voltando à mitologia, lemos que Zeus assume a forma de um cuco, abrigando-se no colo de Hera durante uma tempestade. Com pena do pequeno pássaro, ela o cubriu com sua túnica. Por conta disso, o cuco figura na ponta de seu cetro e também é esculpido em seus templos. A lenda mostra claramente como Zeus não passa de um intruso nos domínios matriarcais de Hera. Através do simbolismo do cuco, Zeus passa a integrar a lenda do culto a Hera.
Trata-se de um culto bastante místico, cujo símbolo era a romã. Hera era cultuada como uma divindade numinosa, que se manifestava para as pessoas. Seus seguidores não lhe dirigiam pedidos, e ela provavelmente era cultuada como o princípio regenerador da vida, regente do Mundo Inferior, da cúpula celeste e da terra. "Se não conseguir demover os deuses do alto, volto-me para o Mundo Inferior", diz Juno na Eneida. Tais palavras, porém, ecoam uma imagem mais antiga da Grande Deusa. A romã de Hera passou para Perséfone.
Seus devotos entoavam-lhe canções, e sem dúvida eles eram capazes de "vê-la"; afinal, falamos de uma época em que a experiência visionária ainda era aceita.
O mais velho de todos os seus templos ficava em Olímpia, e é anterior ao ano 1000 a.C. - muito mais antigo do que o templo de Zeus. Ali, Hera regia os torneios, onde as mulheres corriam tão bem quanto os homens. As corridas entre as mulheres eram divididas em três categorias - cada uma de acordo com a idade. (seria esta uma referência à triplicidade Donzela-Mãe-Anciã?) Os torneios ocorriam no dia seguinte à lua cheia.
Ruínas do Heraion em Olympia
No interior do templo de Olímpia, uma estátua apresenta Hera sentada em seu trono, a Rainha dos Céus. Ao seu lado, Zeus está armado como um guerreiro, mostrando claramente que ele é quem fora escolhido como o favorito da deusa, e não o contrário.Através de Hera, as mulheres eram enaltecidas e os homens desenvolviam sua onisciência do feminino.
Se Olímpia é seu mais velho templo, o maior era o de Samos. O primeiro altar possuía 32 metros quadrados; anos depois, foi construído outro muito maior, com 120 x 54 metros, decorado com um friso por toda a sua volta, como no templo de Pergamon.
Em termos de locais sagrados, a liha de Euboea era-lhe dedicada, e templos enormes foram-lhe erguidos na Beócia, na Sicília, e em Paestum, na Itália, onde existia uma rede de templos que se assemelhava a uma cidade a ela dedicada. Aqui, Hera era a Deusa do Mundo Inferior, além de ser Rainha dos Céus. Como a lua crescente, Hera ressurgia dos mortos; portanto, era ela quem restaurava a vida aos mortos. Seu templo em Crotona, no sudeste da Itália, fornecia um elo de ligação entre a planície de Argos e Paestum. Atualmente, uma solitária coluna é tudo o que restou desse outrora grandioso templo.
Posteriormente, através de Homero, Hera passa a ser vista como a esposa ciumenta e aborrecida de Zeus, sempre tentando recuperar seu poder perdido, manipulando por trás de um casamento infeliz com um marido patriarcal. Isto ecoa a antiga voz da deusa, que tenta encontrar seu papel no novo mundo patriarcal. Reflete também a completa submissão das esposas gregas diante de seus maridos. Ela se vinga de Zeus em suas amantes, e também nos frutos dessas uniões - uma paródia da esposa rejeitada, ciumenta, manipuladora. Por sua parte, Zeus se mostra constantemente infiel, provocando-a e ameaçando-a: "Nem com você, nem com tua ira eu me importo." Dessa união, surgem dois filhos: Hefestos, o aleijado, e Ares, deusa da guerra e da discórdia.

Na Ilíada, percebemos a necessidade do macho imaturo em difamar e satirizar as mulheres poderosas e a antiga rodem social matriarcal; a necessidade de negar às mulheres seu grande poder e sua profunda relação com a vida. Em Homero, Hera então é reduzida a uma figura risível, ciumenta e vingativa, num contexto que retrata uma cultura eicada à guerra, ao sacrfício humano e à glória. Zeus, por sua vez, encaixa-se no papel arquetípico do 'Don Juan', é a imagem do macho f'lico que passa a dominar a cultura grega.
Agora, Hera não passa de uma deusa conquistada e subjugada, oriunda de uma ordem mais antiga. Zeus surge de uma cultura invasora, que cultuava deuses do céu e que chegou ao Mediterrâneo vinda do norte, impondo-se sobre as culturas anteriores que ali existiam: a invasão dórica.
Num nível mais profundo, os problemas de relacionamento entre Hera e Zeus simbolizam a dificuldade em se unir as tradições Lunar e Solar na mente humana, pois devemos descobrir como elas podem coexistir e frutificar. Trata-se de dois tipos diferentes de consciência: a Solar: heróica, com sua abordagem linear, lutando pela supremacia e pela perfeição; e a Lunar: cíclica, em busca da harmonia do relacionamento, da conexão, da integração ou da síntese, da totalidade.
Por aí, podemos perceber o quanto temos a aprender com Hera.
"O medo de não ser páreo para a maturidade feminina é a principal causa da dominação e sujeição patriarcal da mulher."


Salada de romã

Ingredientes
2 romãs
1/2 xícara (chá) de trigo claro para quibe
2 cebolas roxas em fatias
Suco de 1 limão siciliano
3/4 de xícara (chá) de salsinha picada
1 colher (chá) de sementes de coentro amassadas
1/4 de xícara (chá) de azeite
Sal a gosto (sempre pouco)

Modo de Preparo: Ponha o trigo em uma tigela e junte 1 xícara de chá de água. Mexa bem e leve à geladeira para hidratar. À parte, regue a cebola com o suco de limão e reserve.  Abra as romãs e retire as sementes e reserve. Escorra o trigo e esprema bem com as mãos para retirar todo o excesso de água. Junte a cebola com o suco de limão, a salsinha, o coentro e o azeite. Tempere com o sal e leve à geladeira até o momento de servir.

Costelinha de porco ao molho de romã
Ingredientes:

1,5 kg de costela de porco
1 xícara (chá) de vinho tinto seco
1 colher (sopa) de mel
1/2 cebola picada
sal e pimenta-do-reino a gosto
 Para o molho
400 g de músculo limpo
colher (sopa) de maisena
1 colher (sopa) de óleo
1/2 cenoura
1/2 talo de salsão pequeno
1 cebola pequena
1 colher (sopa) de extrato de tomate
1 l de água
2 colheres (sopa) de xarope de romã
1 colher (sopa) de mel
3 colheres (sopa) de sementes de romã

Modo de Preparo: Numa tábua, descasque a cebola e pique em pedaços pequenos. Numa assadeira, disponha a costelinha e todos os ingredientes. Deixe marinar por 30 minutos. Enquanto isso, prepare o molho. Preaqueça o forno a 200ºC (temperatura alta).Retire a costelinha da marinada e os pedaços de cebola que ficaram na carne. Transfira a costelinha para uma outra assadeira sobre uma grade. Leve ao forno preaquecido por 30 minutos.  Abaixe a temperatura do forno para 180ºC (temperatura média) e deixe assar por mais 20 minutos ou até que a carne fique dourada. Retire do forno e deixe descansar por 10 minutos. Numa tábua, coloque a costelinha com a parte do osso voltada para cima e corte entre os ossos. Sirva a carne acompanhada do molho. Modo de Preparo do molho: Numa tábua, retire toda a gordura da carne e corte-a em pedaços. Descasque e pique grosseiramente a cebola e a cenoura. Pique o salsão em pedaços. Leve uma panela ao fogo alto. Quando esquentar, coloque o óleo e a carne. Deixe fritar por 2 minutos sem mexer. Vire a carne e deixe fritar. Acrescente a cenoura, o salsão e a cebola, mexa rapidamente. Pare de mexer e deixe cozinhar por 2 minutos. Mexa novamente e deixe cozinhar por mais 2 minutos. Repita esta operação até que a cenoura e a cebola comecem a ficar douradas. Adicione o extrato de tomate e mexa.  Quando o fundo da panela começar a ficar marrom, acrescente 100 ml de água e esfregue o fundo da panela com uma colher de pau, retirando todo o caramelo que se formou. Este processo chama-se deglacear e é fundamental para dar cor e sabor ao molho. Quando a água evaporar e os legumes começarem a fritar novamente, junte mais 100 ml de água e repita o processo acima por mais 4 vezes. Você irá observar que os legumes ficarão marrons. O segredo para um bom molho é ter bastante paciência. Acrescente a água restante e abaixe o fogo. Tampe a panela e deixe cozinhar por cerca de 40 minutos ou até que o molho tenha reduzido 1/3 de seu volume. Retire a panela do fogo. Numa peneira, coloque um pano limpo e despeje o molho. Aperte o pano para que passe todo o caldo possível. Em outra panela, coloque o molho e acrescente o melaço de romã, o mel e a maisena dissolvida em um pouco de molho. Misture bem até que o molho engrosse. Junte as sementes de romã e deixe cozinhar por mais 1 minuto. Retire o molho do fogo e sirva com a carne.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Caetano e as lágrimas de Vênus


  
Nesta terça, sete de agosto, Caetano Veloso comemorou seus 70 anos. E o que falar de Caetano? Rebeldia, música boa, tropicalismo, revolução... Caetano é vários, múltiplos. Mas uma definição feita pela própria irmã dele, Maria Bethânia me parece boa, e serviu como inspiração deste post. Veja o que disse Bethânia em entrevista ao Bom Dia Brasil, na Globo:


[,,,] Desde que eu me entendo por gente Caetano é estranho. Nunca vi um menino ficar sentado de 15h às 18h esperando uma flor que cai uma lágrima às 18h, na idade dele. Estava brincando de bola, ou estava fazendo outra coisa, e ele ficava sentadinho, esperando a lágrima de Vênus cair, chorar, aquela coisa perfumada, meio lírio. A gente brincava de coisas muito fora do normal, tipo faquir. Vamos brincar de faquir, ficar calado, deitado em uma árvore durante muitas horas. Então esse tipo de estranhice, solto, brinca. A gente reclamava de algumas coisas entre nós, a coisa religiosa, uma coisa muito rígida lá dentro de casa. Sexta-feira da Paixão, se cantasse ia para o inferno. Tinham uns terrores. Não meu pai e minha mãe, mas outras pessoas de importância e poder dentro da casa. E a gente olhava assim: ‘Então ta’. E subia e cantava, um pouco de rebeldia. Meu pai e minha mãe nos criaram com muita admiração, observando, permitindo, compreendendo [,,,].

Sim, ele é estranho. E isso fez toda a diferença. E a musica brasileira agradece. E este fato grifado me inspirou a falar sobre as lágrimas de vênus, tão conhecidas pelos gulosos de plantão: os morangos. 


Antes porem de contar como os morangos tornaram-se conhecidos como lagrimas de vênus devo  fazer uma explicação sobre a planta referida na citação de Bethânia: trata-se , provavelmente, do  gengibre branco (Nome Científico: Hedychium coronarium . Nome Popular: Gengibre-branco, lírio-do-brejo, lágrima-de-moça, lírio-branco, borboleta, lágrima-de-vênus, jasmin-borboleta; Família: Zingiberaceae, Divisão: Angiospermae; Origem: Ásia Tropical e com Ciclo de Vida: Perene)

Lágrima de Vênus (flor do gengibre branco)

Excelente planta palustre, o gengibre branco é muito vistoso. Sua folhagem é verde brilhante e muito ornamental. As flores são brancas, grande e muito perfumada e se formam o ano todo. Tem propriedades culinárias e medicinais como o gengibre tradicional.  Este gengibre é ideal para margens de lagos e espelhos de água e serve de abrigo para a fauna silvestre. Seu crescimento é muito rápido. Deve ser cultivada em grupos para melhor valorização de seu efeito paisagístico. Esta planta aprecia solos ricos em matéria orgânica e brejosos, isto é, permanentemente molhados sem, no entanto ficar abaixo da água. Seu porte varia entre 1,5-2,0 metros de altura. Deve se cultivada a pleno sol. Apresenta potencial invasivo. Multiplica-se por divisão das touceiras, tomando o cuidado de deixar uma boa parte de rizoma com cada muda.
Dada a explicação, voltemos aos morangos, Vocês sabem de onde vieram os morangos? Quem disser do supermercado eu  mando  ... risos (senta que lá vem história – e mitologia).
O morango teve origem nos Alpes, onde diferentes espécies de morangos silvestres já eram conhecidos desde os tempos mais antigos. Os romanos o apreciavam muito pelo seu sabor e seu perfume intenso e o chamaram de “fragans”, (Fragaria vesca – o morango silvestre europeu) em italiano ficou “fragola”. Eram muito consumidos especialmente no período das festividades em homenagem a Adônis e a Vênus (Afrodite).
Diz a mitologia que os morangos eram chamados de "lágrimas de Vênus“. Lágrimas que foram derramadas por ela na morte de Adônis, o mais belo dos homens. Ao caírem no solo, as lágrimas transformaram-se em pequenos corações vermelhos (os morangos).
Apenas por volta do século XV o morango começou a ser cultivado em hortas caseiras. No entanto, apesar de fornecerem frutos de excelente qualidade e notável aroma, os morangos de então eram pequenos e sua produção era bastante irregular. Ele é da família das Rosáceas, a mesma a qual pertencem as maçãs, peras, marmelos, ameixas, damascos, pêssegos e muitas outras.
Antigamente eram muito raros, hoje os encontramos durante todo o ano e vai bem com inúmeros pratos. Uma das primeiras da estação e das mais apreciadas pelos italianos são cultivadas em Terracina. No Brasil, o Estado de São Paulo destaca-se como o maior produtor de morangos do país, sendo o extremo sul de Minas Gerais também um polo considerável de cultivo da fruta.

O mito

A figura de Adônis, estreitamente vinculada a mitos vegetais e agrícolas, aparece também relacionada, desde a antiguidade clássica, ao modelo de beleza masculina. Embora a lenda seja provavelmente de origem oriental - adon significa "senhor" em fenício -, foi na Grécia Antiga que ela adquiriu maior significação.
De acordo com a tradição, o nascimento de Adônis foi fruto de relações incestuosas entre Smirna (Mirra) e seu pai Téias, rei da Assíria, que enganado pela filha, com ela se deitou. Percebendo depois a trama, Téias quis matá-la, e Mirra pediu ajuda aos deuses, que a transformaram então na árvore que tem seu nome.
Da casca dessa árvore nasceu Adônis. Maravilhada com a extraordinária beleza do menino, Afrodite (a Vênus dos romanos) tomou-o sob sua proteção e entregou-o a Perséfone (Prosérpina), deusa dos infernos, para que o criasse.
Mais tarde as duas deusas passaram a disputar a companhia do menino, e tiveram que submeter-se à sentença de Zeus. Este estipulou que ele passaria um terço do ano com cada uma delas, mas Adônis, que preferia Afrodite, permanecia com ela também o terço restante.
Nasce desse mito a ideia do ciclo anual da vegetação, com a semente que permanece sob a terra por quatro meses.
Afrodite e Adônis se apaixonaram, mas a felicidade de ambos foi interrompida quando um javali furioso feriu de morte o rapaz. Afrodite ficou inconsolável e quando seu pranto tocou o solo, nasceram os morangos. Sem poder conter a tristeza causada pela perda do amante, a deusa instituiu uma cerimônia de celebração anual para lembrar sua trágica e prematura morte.
Em Biblos, e em cidades gregas no Egito, na Assíria, na Pérsia e em Chipre (a partir do século V a.C.) realizavam-se festivais anuais em honra de Adônis.
Durante os rituais fúnebres, as mulheres plantavam sementes de várias plantas floríferas em pequenos recipientes, chamados "jardins de Adônis". Entre as flores mais relacionadas a esse culto estavam as rosas, tingidas de vermelho pelo sangue derramado por Afrodite ao tentar socorrer o amante, e as anêmonas, nascidas do sangue de Adônis.

E para deixar essa conversa mais animada, menos triste e mais saborosa e perfumada, vamos a receita:

Risotto com Morangos e Gengibre Branco Crocante

60 g de Arroz Arbóreo
50 ml de Vinho Branco Seco
50 g de Manteiga sem Sal
300 ml de Caldo de Legumes
1/2 cebola Branca bem picada
60 g de Parmesão Ralado
5 morangos cortados em 4
10 g de gengibre branco cortado em tirinhas finas
100ml de Óleo de soja

Modo de preparo: Aqueça o caldo em uma panela separada e deixe-o ferver. Doure a cebola na manteiga e acrescente o arroz arbóreo, Frite um pouco e some o vinho branco até que esse evapore. Vá acrescentando o caldo aos poucos, uma concha de cada vez, sem que essa cubra todo o arroz, e mexa até evaporar por completo. Faça isso até que o caldo acabe, acerte o sal, ou vá provando o arroz para ver o ponto, Apague o fogo e acrescente o queijo parmesão os morangos e a manteiga. Sirva quente. Gengibre Crocante Acrescente o óleo de soja e aqueça, assim que estiver quente acrescente as tirinhas de gengibre e frite, Separe e acrescente em cima do risotto

sábado, 4 de agosto de 2012

O "Inacreditável" Pudim de Leite em Pó


Toda vez que alguém fala em leite em pó eu, automaticamente, imagino aquela deliciosa papinha feita com bastante leite em pó e um pouquinho de agua. Tem algo mais delicioso do que comer isso? Se me deixarem, eu comeria latas e mais latas de leite em pó assim.
Particularmente não gosto muito do leite feito com o pó. Recentemente, encontrei  uma boa serventia para o leite em pó, fazer pudim. Descobri uma receita na internet do INACREDITAVEL PUDIM DE LEITE EM PÓ, que me deixou  curioso.

Olha aí o meu pudim, que lindo!
Logo de cara já imaginei que não fosse sair uma coisa lá muito  boa. Mas só depois de pronto e geladinho é que se percebe a mágica da cozinha, e o leite em pó pode sim se transformar num pudim igualzinho ao preparado com leite condensado – talvez por isso o nome do espertinho que nomeou o pudim com o codinome de INACREDITÁVEL.
Testei o pudim em casa, ficou ótimo, coloquei a noticia no facebook e ela se alastrou como rastilho de pólvora. Muita gente também o  preparou no mesmo dia que eu, e deu certo também. O fato é que a receita foi um sucesso e o resultado , idem.
A receita é tão simples, que qualquer leigo nas técnicas culinárias podem se arriscar a fazer, sem medo, e no fim ter a surpresa que eu tive.

Meu pudim ainda quente já dançava na forma

Não sei porque demorei tanto tempo pra descobri esta receitinha magica que pode salvar a fome por doce de muita gente.  Se antigamente o povo que desenvolveu a técnica de preparar o leite em pó soubesse dela, também garanto que teriam gostado do resultado final.
Sabe-se que emborara Marco Polo tenha escrito sobre as tropas tártaras mongóis que ao tempo de Kublai Khan carregaram leite desnatado desidratado ao sol, como um “tipo de pasta”, o primeiro uso produto comercial de leite desidratado foi inventado pelo químico russo M. Dirchoff em 1832.
Mais tarde T. S. Grimwade procedeu a patente do leite desidratado, embora Willian Newton tenha patenteado um processo de desidratação à vácuo já em 1837. Atualmente, o leite em pó é feito geralmente pela pulverização a seco do leite desnatado, leite integral ou soro do leite. O leite pasteurizado é primeiramente concentrado em um evaporador até cerca de 50% de sólidos do leite. O leite concentrado resultante é pulverizado em uma câmara aquecida, onde a água evapora quase que instantaneamente, deixando finas partículas de sólidos do leite em pó.
Pode-se obter de 100 litros de leite integral aproximadamente 13kg de leite em pó integral ou 9kg de leite desnatado em pó. O leite em pó de vários tipos é utilizado em ampla diversidade de produtos como produtos de confeitaria e panificação, petiscos e sopas, chocolates e suas confecções (exemplo: chocolate ao leite), sorvete, fórmulas infantis, produtos nutricionais p/ inválidos, atletas, uso hospitalar, etc., recombinado com leite ou outras bebidas.
Uma das propostas ao desidratar o leite é preservá-lo. O leite em pó tem vida de prateleira bem mais prolongada e não necessita de refrigeração, devido ao seu baixo teor em umidade. Outra proposta é a redução do volume para economia no transporte.

Fato curioso

O início da comercialização de leite em pó pela NESTLÉ no país data de 1923, quando se chamava Molíco (com i acentuado) e era leite puro de vaca, ou seja, um leite não modificado, do qual foi simplesmente extraída a água. Molíco, fabricado na Argentina e envasado nas fábricas de Araras e Barra Mansa, seria conhecido como o leite em pó da NESTLÉ, até seu sucessor, o Ninho Integral, herdar tão nobre título.


Alguns registros indicam que a produção de Ninho Integral teve inicio em 1928 na fábrica de Araras, outros falam do lançamento da nova marca em 1944. Com 4% mais de gordura que o Molíco, o Ninho Integral teve excelente aceitação pelo mercado e sua demanda crescia a cada ano. Por esta razão, entre outras, foram construídas sucessivamente as fábricas de Araraquara (SP) em 1946, Porto Ferreira (SP) em 1952 e, em 1958 a unidade de Três Corações (MG).
Passados mais alguns anos, foi desenvolvido o processo de obtenção do leite em pó instantâneo e, em 1965,a NESTLÉ lançava o seu Ninho Instantâneo. As fábricas de Araçatuba (SP) inaugurada em 1963 e de Ibiá (MG) em 1964 estavam adequadas tecnologicamente para a fabricação desse novo leite e puderam, também, responder ao crescente aumento de consumo.


A introdução dos instantâneos determinou grande transformação na estrutura do mercado dos leites em pó. O leite tradicional manteve sua imagem extremamente ligada à alimentação dos lactentes. Já os leites instantâneos assumiram a imagem de produtos menos adequados à alimentação infantil, assemelhando-se ao leite fresco e, consequentemente, mais indicados para adultos.

Inacreditável Pudim de leite em Pó

Ingredientes
12 colheres (de sopa) de leite em pó
12 colheres (de sopa) de açúcar
2 ovos inteiros
1 1/2 copo (de requeijão) de água

Preparo: No liquidificador bata MUITO BEM os ovos, a água o leite em pó e 8 das 12 colheres de açúcar. Despeje em uma forma de pudim caramelizada com as outras quatro colheres de açúcar e cozinhe em banho-maria por 30 minutos... Deixe esfriar, desenforme, sirva gelado. 

  


quinta-feira, 26 de julho de 2012

Santa Marta, a padroeira das cozinheiras (29 de julho)



Marta, irmã de São Lazaro e Maria de Betânia,(tmbém chamada de Margareth), perto de Jerusalém é a padroeira da cozinheiras e donas de casa. A tradição diz ainda que Santa Marta é protetora das falsas preocupações e superstições. Isto no Brasil, significaria proteção contra: mau olhado, inveja, pragas, bruxarias, descarrego e outras superstições para as quais ela oferece um escudo impenetrável.
 No dia 29 de julho se comemora o dia dedicado a padroeira das cozinheiras, Santa Marta. E já estou antecipando para não  me esquecer desta data importante, pois é o momento de agradecer a todos os bons cozinheiros(as) pelos pratos maravilhosos que preparam.

Santa Marta em pé, observando os ensinamentos do Cristo
Aproveito ainda, para homenagear uma tia, irmã de meu pai, que também se chama Marta, a quem gosto muito. Tenho uma afinidade especial com minha tia Marta que não sei explicar, e para não faltar um link entre a historia que se seguiria sobre Santa Marta, devo aqui dizer que com minha tia Marta aprendi coisas gostosinhas na cozinha: como a fazer panquecas fininhas e a preparar os sequilhos de maisena (isso mesmo, maisena com S – Maisena com Z é marca) que durante muito tempo me divertiam nas tardes de conversas enquanto preparávamos. Tia Marta, esse post dedico a você.


Eu, Tia Odete (de verde, Rainha do Nilo) e Tia Marta.
Dedicatória feita, vamos a parte histórica que nos remete a data que ocorrerá daqui a dois dias.
 Desde a antiguidade a importância da hospitalidade era um fator relevante na vida social dos povos. Agradar o hóspede era como agradar a Deus. Em muitas culturas no começo dos tempos, tanto no ocidente quanto no oriente a hospitalidade era quase um ato de caridade para com viajantes.
Santa Marta, conhecida como a hospedeira de Cristo, era filha de Siro e de Eucária, descendente de estirpe real. O pai era governador da Síria e de muitas regiões marítimas. Com sua irmã, por direito de herança materna, possuía três fortalezas, a saber, Magdala, Betânia e parte da cidade de Jerusalém. Nunca se disse que tivesse marido ou vivesse com homem algum.
Na época do Cristo Marta, Maria e Lázaro eram de uma família abastada. Perderam os pais muito cedo e Marta, a mais velha, foi quem assumiu o papel de dona de casa. Ajudou Maria a crescer, mas estas duas irmãs cuidavam com muito amor o irmão mais novo, Lázaro.
Simpáticos, praticavam a hospitalidade. Gostavam de receber os amigos e, por isso, a sua casa, que ficava perto de Jerusalém, facilmente se tornou um local de paragem e de descanso. O próprio Cristo usufruiu desta casa e do calor desta família. Também ele, quando andava pela Judeia, mas, sobretudo pouco tempo antes de morrer, porque sabia que não podia ficar em Jerusalém, refugiava-se em casa destes três irmãos, amigos do Senhor.

Marta atrapalhada com a cozinha
Marta foi nobre hospedeira do Senhor e também queria que sua irmã O servisse, porque estava convencida de que não bastaria o mundo inteiro para servir hóspede tão nobre.
Depois da Ascensão do Senhor, depois da dispersão dos discípulos, ela, seu irmão Lázaro, sua irmã Maria Madalena e ainda São Maximino — que as tinha batizado e a quem foram entregues pelo Espírito Santo — além de muitos outros, foram colocados num barco pelos infiéis, sem remos, nem velas, nem lemes, nem alimentos, pois lhes roubaram tudo. Por sorte foram guiados pelo Senhor e chegaram a Marselha; depois, foram para o território de Aix e lá converteram o povo à fé.
As escrituras contam que, em seus poucos momentos de descanso ou lazer, Jesus procurava a casa de amigos em Betânia, local muito agradável há apenas três quilômetros de Jerusalém.
É narrado, por exemplo, o primeiro momento em que Jesus pisou em sua casa de Marta e seus irmãos. Ali chegando Jesus conversava com eles e Maria estava aos pés do Senhor, ouvindo sua pregação. Marta, trabalhadora e responsável, reclamou da posição da irmã, que nada fazia ouvindo o Mestre. Jesus aproveita então para ensinar que os valores espirituais são mais importantes que os materiais, apoiando Maria em sua ocupação de ouvir e aprender.
“Enquanto caminhava, Jesus entrou num povoado, e certa mulher, de nome Marta, o recebeu em casa. Sua irmã, chamada Maria, sentou-se aos pés do Senhor, e ficou escutando a sua palavra. Marta estava ocupada com muitos afazeres. Aproximou-se e falou: “Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha com todo o serviço? Manda que ela venha ajudar-me!” O senhor, porém, respondeu: “Marta, Marta! Você se preocupa e anda agitada com muitas coisas; porém, uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte, e esta não lhe será tirada.” - (Lucas cap. 10, ver. 38 á 42)


Fala-se dela também quando da ressurreição de Lázaro. É ela quem mais fala com Jesus, nesse acontecimento. Marta disse a Jesus: "Senhor, se tivesses estado aqui, o meu irmão não teria morrido. Mas mesmo agora, eu sei que tudo o que pedires a Deus, Deus dará". (Jo 11,20-22)
Trata-se de mais uma passagem importante da Bíblia, pois do evento tira-se um momento em que Jesus chora: "o pranto de Maria provoca o choro de Jesus". e o milagre de reviver Lázaro, já morto e sepultado, solicitado com tamanha simplicidade, por Marta, que exemplifica a plena fé na onipotência do Senhor.
Outra passagem é a ceia de Betânia, com a presença de Lázaro ressuscitado, uma prévia da última ceia, pois ali Marta serve a mesa e Maria lava os pés de Jesus, gesto que ele imitaria em seu último encontro coletivo com os doze apóstolos.
Os primeiros a dedicarem uma festa litúrgica à Santa Marta foram os frades franciscanos, em 1262, e o dia escolhido foi 29 de julho. Ela se difundiu e o povo cristão passou a celebrar Santa Marta como a padroeira dos anfitriões, dos hospedeiros, dos cozinheiros, dos nutricionistas e dietistas.

A lenda



Santa Marta era muito eloquente e agradava a toda a gente. Naquele tempo, vivia nas margens do Ródano, num bosque, entre Arles e Avinhão, um dragão, metade animal, metade peixe, maior do que um boi e mais comprido que um cavalo, com dentes afiados como espadas, e protegido de ambos os lados por escamas como escudos; escondia-se no rio, matava todos os transeuntes e fazia naufragar os barcos.
Tinha ido por mar desde a Galácia da Ásia, fora gerado por Leviatã – que era uma ferocíssima serpente aquática – e por um animal chamado ónaco, oriundo da região da Galácia, que expele os seus dejetos até à distância de uma jarda como se fosse a ponta de um dardo, queimando como fogo tudo o que atingem.
Marta, a pedido do povo, foi procurá-lo e encontrou-o no bosque comendo um homem; atirou água benta sobre ele e mostrou-lhe uma cruz. Em seguida, vencido e parado como uma ovelha, Santa Marta atou-lhe o seu cinto e ali mesmo foi morto pelo povo com lanças e pedras.
Os naturais dessa região chamavam Tarascurus àquele dragão; por isso em sua memória, aquele lugar ainda se chama Tarasconus (hoje Tarascon), em vez de Nerluc, que significa “lago negro”, porque os bosques eram sombrios e escuros.

Santidade em vida
A partir de então, com licença de seu mestre Maximino e de sua irmã, Santa Marta ficou ali, entregando-se sem desfalecer às orações e aos jejuns. Depois, tendo-se reunido nesse lugar uma multidão de religiosas e construído uma grande basílica em honra da Bem-aventura Virgem Maria, levou uma vida de austera: abstinha-se de carne, de toda a gordura, de ovos, de queijo e de vinho; só comia uma vez por dia, fazia cem genuflexões de dia e outras tantas à noite.



Uma vez, quando pregava junto de Avinhon, entre a cidade e o rio Ródano, um jovem que estava além do rio queria ouvir suas palavras, mas não tinha barco; começou a nadar, mas foi levado pela força da correnteza e logo morreu afogado. Muito a custo, encontraram o seu corpo ao segundo dia e colocaram-no aos pés de Santa Marta para que o ressuscitasse. Ela se prostrou ao chão de braços abertos em cruz e orou assim:
- Senhor Jesus Cristo, que outrora ressuscitou o meu querido irmão, olha, ó meu hóspede caríssimo, para a fé dos circunstantes e ressuscita este rapaz.
Pegou-lhe na mão e ele imediatamente ressuscitou, recebendo o santo batismo.
Santo Eusébio conta no livro quinto da História Eclesiástica, que uma mulher que sofria de um fluxo de sangue, depois de sarada, foi para o seu jardim e fez uma estátua parecida com Nosso Senhor Jesus Cristo, com a túnica e a fimbria como tinha visto, reverenciando-a com muita frequência. Mas cresceram as ervas, até então destituídas de qualquer virtude, e ficaram com tal poder que, daí em diante curou muitos enfermos.
Santo Ambrósio diz que essa mulher fora precisamente Santa Marta. Da mesma forma São Jerônimo refere, como conta na História Tripartida, que Juliano, o Apóstata, tirou a estátua feita por ela para lá colocar a sua, que logo foi destruída por um raio.

Os pastelinhos de Santa Marta
Consta que eram confeccionados e vendidos em ocasiões festivas, especialmente durante a Festa de Santa Marta de Corroios, que viria a realizar-se até aos primeiros anos do século XX.
Durante os dias de festejos, para além das cerimônias religiosas que incluíam a procissão, não faltavam os piqueniques, feitos à sombra das frondosas árvores existentes nos arredores da Capela, as vendas dos bons vinhos da região e dos genuínos bolinhos de Santa Marta, feitos segundo receita do lugar.
A secular receita, que inclui farinha, açúcar, ovos, limão, canela e amêndoa, chegou ao conhecimento da proprietária do Restaurante o Virgílio, como tendo sido duma anciã, de seu nome Henriqueta de Paiva, antiga residente na Quinta da Cabouca, no Alto do Moinho. Consta, da tradição oral do local, que esta senhora, nascida por volta de 1860 e que terá morrido na década de 1940, confeccionava os “Pastelinhos de Santa Marta” para consumo caseiro e em ocasiões festivas – trecho retirado de LIMA, Manuel António Santos, Minha Terra co(m a)rroios, Plátano Editora, 2001, p 34.

Pastelinhos de Santa Marta 

Receita para 12 pastelinhos
Massa:
300 gr. de farinha
2 dl. de água

Recheio:
200 gr. de amêndoa moída com pele
100 gr. de queijo fresco
300 gr. de açúcar fervido em 1,5 dl. de água
Canela a gosto
Raspa de limão a gosto
5 gemas
1 ovo inteiro

Modo de preparar: Faz-se a massa para as formas, amassando a farinha e água com consistência suficiente para estender. Forram-se as formas pequenas e redondas. Juntam-se os ingredientes do recheio numa massa fluida. Enchem-se as formas e vão ao forno polvilhadas com amêndoa moída.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Sabores da Tradição - Entrevista com Claylson Martins


O que é a gastronomia? Com certeza, não é somente um meio para se alimentar e sobreviver. É ao mesmo tempo, cultura, história, religião, educação e, ao mesmo tempo, um sistema de comunicação, um corpo de imagens, um protocolo de usos, de situações e de condutas.
Quando nos dedicamos aos estudos da gastronomia, ou mesmo da alimentação, podemos observar a presença da economia, das tecnologias, dos usos, das  representações culturais da vida social de uma dada população
A comunicação tem um papel importante para a alimentação, pois foi através dela que se conhecem as famosas receitas típicas das sociedades, os utensílios, os moveis e a própria evolução social do homem – que se deu quando ele saiu do nomadismo, descobriu o fogo, aprendeu a preparar os alimentos de outras maneiras e desenvolveu técnicas de caça, pesca e a agricultura.
É justamente através da comunicação que podemos observar como as condições históricas, geográficas, ecológicas, climáticas, sociais, econômicas, técnicas e culturais interferem e condicionam a culinária das sociedades. A partir desta premissa captada na antologia gastronômica expressa pelos cadernos de receitas, por exemplo, podemos traçar fabulosas viagens por infinitos ingredientes, temperos, aromas, cores e sabores, festas e alegrias em tempos de abundância e escassez, mitos e tabus, iguarias como obras de arte, todas assentadas na diversidade material e cultural de uma determinada sociedade.
Por este mesmo motivo, esta Confraria tem o orgulho de trazer até vocês um profissional da comunicação como o primeiro entrevistado do Projeto Sabores da Tradição. O entrevistado de hoje é o Sr. Claylson Ferreira Martins, membro do Departamento de Relações Internacionais da Federação Nacional de Jornalistas FENAJ, e Presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará.


Claylson Martins 
Clayson é um amigo que conheci algum tempo atrás, quando eu ainda morava em Aracati-CE. É defensor da criação de conselhos de comunicação no âmbito regional e que está fazendo um trabalho intenso junto ao Congresso Nacional para que seja aprovada a Proposta de Emenda à Constituição – PEC 33/09, que reza sobre a obrigatoriedade do diploma de Jornalista, cujo relator é senador Inácio Arruda (PCdoB).
A partir de agora vamos conhecer um pouco mais sobre esta personalidade:

Barão de Goumandise (BG): -  Pra quem não lhe conhece, diga quem é você?

Claylson Martins (CM): - Sou Claylson Martins, jornalista, atualmente em Brasília a serviço da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) onde atuo no Departamento de Relações Internacionais. Nascido em Aracati, onde morei até meus 12 anos. Depois, me mudei para Fortaleza.

BG: - Você tem raízes numa das cidades históricas do Ceará, Aracati, terra da internacionalmente famosa Praia de Canoa Quebrada. Assim, me diga: qual sua memória gustativa dos tempos em que viveu naquela cidade?

CM: - A pergunta não é tão fácil. São muitos sabores e cheiros da comida feita ainda no fogão a lenha de uma tia, irmã de minha avó que ajudou na minha criação. O sabor caseiro da carne de sol com macaxeira e do tempero do feijão, além de frutas como a ata (pinha ou fruta do conde, sapoti e graviola). Ou, ainda, duma galinhada com uma saborosa farofa (qual cearense resiste?) e um peixe frito das praias de Majorlândia, Canoa Quebrada e Quixaba. Parecem ter um sabor especial na praia.

BG: - Como é a vida de um profissional da comunicação?

CM: - É uma vida agitada, corrida. Precisa ler muito, escrever muito, conhecer de tudo um pouco. enfim, tem melhorado a formação nos últimos anos mas o mercado cearense é pequeno. Hoje, os grandes empregadores são os órgãos públicos. A maioria faz parte de assessorias de imprensa ou de comunicação. Paga-se melhor e o trabalho não é tão estressante quanto nas redações.

BG: - Como atual presidente do Sindicato dos Jornalistas do Estado do Ceará e membro da Federação Nacional de Jornalistas, me diga como anda o Jornalismo no Brasil e particularmente, no CE?

CM - Tem uma grande diferença de Fortaleza para Brasília, não só pelo clima, pessoas e a cidade em si, mas também no mercado. Aqui, há mais oportunidades de emprego, mas também achei a exploração maior. Trabalha-se até 10 horas por dia, entrando às 10h e saindo entre 19h e 20h. Ganhando o mesmo por 5h de trabalho, seis dias da semana em Fortaleza. Sem contar que aí ainda tem muita carteira assinada e aqui, somente pessoa jurídica, tendo o jornalista que abrir uma empresa e perder vários direitos. Essa precarização das condições de trabalho, baixos salários e carga horária excessiva ocorrem em todo o país e a luta é reverter isso. Não é fácil. O STF derrubou a obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão e piorou ainda mais as coisas para quem está começando agora. Mas estamos confiantes nesta mudança para melhor com a aprovação de uma PEC no Senado.

BG: - O que você diria a respeito do jornalismo gastronômico?

MC: - Olha, eu acho esse bem superficial e ainda em guetos. Encontro pouca coisa sobre, a não ser revistas e sites especializados.

BG: - Durante minhas pesquisas, ao longo de vários anos, sempre me deparei com jornalistas falando nas mais variadas mídias de seus hábitos alimentares, mostrando os empreendimentos de restauração (restaurantes, bares, botecos, cafeterias) como locais onde eles recorrem para se alimentar na maior parte das vezes. Pergunto-lhe: você também é adepto da “rua” como o lugar para fazer a maioria de suas refeições?

MC: - Não, sempre que posso eu mesmo preparo minha comida. De vezem quando dou uma espiada de leve em receitas e pratos diferentes, mas não os sigo à risca. Improviso. Faço questão de almoçar comida caseira, feita na hora. Nem que seja um simples frango assado com batatas. Sempre dá para aprimorar com uma manteiga, um molho, um tempero diferente. Além do mais, não como carne vermelha há algum tempo, o que só me trouxe ganhos à saúde. Estava com colesterol ruim alto, ácido úrico idem. E só houve melhoras depois disso e da diminuição a carga de estresse. Na rua, gosto apenas de uma esfirra ou um petisco mais leve, principalmente caldos de peixe e de frango à noite.

BG: - Muita gente tem o habito de comer na frente da televisão. Você é assim?

MC: - Onde moro é inevitável comer sem estar de frente à TV. Mas gosto sim de fazer isso, desde que eu possa apreciar o sabor da comida. Mastigo bem, aprecio muito os sabores.

BG: - Já teve uma ótima refeição interrompida por uma Noticia bombástica? Se sim, pode nos contar como foi?

MC: - Não, não ocorreu ainda. Mas sei qual sria minha reação. Perderia o apetite na hora e deixaria de comer.

BG: - Você cozinha ou é do tipo que só é bom de garfo? (se cozinha, qual sua especialidade)

MC: - Não como muito, curiosamente. Como pouquíssimo na hora do almoço. Adoro preparar comidas, como falei antes mas não tenho muita paciência, nem tempo, pois tem que lavar pratos, panelas e isso me desestimula a fazer mais. Mas adoro também fazer doces, como o de leite e pudim. Também estou observando uma receita de manjá da minha tia que mora aqui em Brasília.

BG: - Qual prato que você identificaria como o sabor da sua tradição, da sua família?

MC: - Peixe. De todos os modos mas principalmente a peixada cearense.

BG: -  Considerando que a mesa é um lugar onde se deve partilhar, além de uma boa conversa, as delicias gastronômicas com as pessoas que se gosta, quem você convidaria para um pequeno encontro gastronômico para que juntos pudessem degustar o sabor da sua tradição?. Justifique sua resposta,

MC: - Depende muito da ocasião. Tem umas em que seria melhor a família presente. Gosto muito de rever parentes que moram distantes e vou logo querendo provar do tempero diferente da comida. Engraçado que só me dei conta disso agora. Provar da comida de cada lugar visitado, seja com amigos, seja com a família. Adoro a culinária mineira e goiana, por exemplo. E também do Rio Grande do Sul. Mas acho que para um pequeno encontro gastronômico, eu convidaria os amigos mais próximos. Assim, eles poderiam ser sinceros nas respostas sobre a comida e também em relação a outros assuntos. Rsrsrs,

BG: - Aperitivo: gostaria de falar mais alguma coisa antes de encerrarmos?

MC: - Falou-se muito em comida mas não poderia deixar de registrar minha predileção pelos vinhos. Num encontro gastronômico, ele não pode faltar, de jeito nenhum. Meu preferido é o português mas gosto muito do chileno também. Aprendi a apreciar em uma viagem ao Chile. Também não posso esquecer da nossa tapioca, agora com vários recheios. Mas aquela molhada ao leite de coco já é suficiente. Não deixo de provar por nada quando vou ao Ceará, além das castanhas de caju torradas, mel de caju e suco de murici.

BG: - Pode nos revelar a receita do seu sabor da tradição?

MC: - O meu sabor da tradição:

Peixada Cearense

1 kg de peixe fresco ( prefiro guaiúba ou pargo)
3 tomates
1 cebola
3 batatas inglesas descascadas
2 cenouras limpas e cortadas em rodelas
2 pimentões cortados em rodela, sem sementes.
3 colheres ( chá) de maizena.
1/2 xícara (café) de colorau
2 ovos inteiros e cozidos
1 xícara (chá) de coentro, salsa e cebolinha picados

Preparo: Limpe e corte o peixe em postas. Tempere com sal, a gosto. Faça, à parte, um refogado com o tomate, a cebola, o colorau e o cheiro verde. Acrescente água ao refogado somente para cobrir o peixe. Quando o refogado estiver fervendo acrescente o peixe em postas e deixe cozinhar. Cozinhe, em uma outra panela, as batatas, a cenoura, os pimentões e 2 tomates cortados em gomos. Reserve. Quando o peixe estiver quase cozido, retire um pouco do caldo para fazer um pirão. Acrescente ao caldo restante na panela do peixe, 3 colheres de maizena dissolvida em água fria e deixe o molho engrossar. Após,
Acrescente os ovos cozidos cortados em gomos, os legumes, os pimentões e os tomates já cozidos. Sirva quente com o pirão.