É pra se comer bastante esta idéia de combinar gastronomia, cultura e história unidas num lugar acessível. Principalmente numa época onde as pessoas se entopem de gorduras trans e não alimentam a alma.
Sabendo que o homem não nasce da fome, mas do apetite. Te convido a conjugar o verbo comer em todas as suas possibilidades.
Um brinde a você por estar aqui! Bon apetit!!!
Outubro chegou... Nem
avisaram (risos)... Tenho de ser rápido e prático para aproveitar o tempo... Aproprio-me
então, das palavras de Neruda para pincelar esta Confraria com poesia... não
chorem, é apenas cebola!!!
Ode à Cebola
Cebola
Luminosa redoma
pétala a pétala
cresceu a tua
formosura
escamas de cristal te
acrescentaram
e no segredo da terra
escura
se foi arredondando o
teu ventre de orvalho.
Sob a terra
foi o milagre
e quando apareceu
o teu rude caule
verde
e nasceram as tuas
folhas como espadas na horta,
a terra acumulou o
seu poderio
mostrando a tua nua
transparência,
e como em Afrodite o
mar remoto
duplicou a magnólia
levantando os seus
seios,
a terra
assim te fez
cebola
clara como um planeta
a reluzir,
constelação
constante,
redonda rosa de água,
sobre
a mesa
das gentes pobres.
Generosa
desfazes
o teu globo de
frescura
na consumação
fervente da
frigideira
e os estilhaços de
cristal
no calor inflamado do
azeite
transformam-se em
frisadas plumas de ouro.
Também recordarei
como fecunda
a tua influência, o
amor, na salada
e parece que o céu
contribui
dando-te fina forma
de granizo
a celebrar a tua
claridade picada
sobre os hemisférios
de um tomate.
mas ao alcance
das mãos do povo
regada com azeite
polvilhada
com um pouco de sal,
matas a fome
do jornaleiro no seu
duro caminho.
estrela dos pobres,
fada madrinha
envolvida em delicado
papel, sais do chão
eterna, intacta, pura
como semente de um
astro
e ao cortar-te
a faca na cozinha
sobe a única
lágrima sem pena.
Fizeste-nos chorar
sem nos afligir.
Eu tudo o que existe
celebrei, cebola
Mas para mim és
mais formosa que uma
ave
de penas radiosas
és para os meus olhos
globo celeste, taça
de platina
baile imóvel
de nívea anémona
e vive a fragrância
da Terra
na tua natureza
cristalina.
(Pablo Neruda)
Torta
de cebola
Massa
1/2 lata de creme de leite
1 ovo
5 colheres (sopa) de óleo de soja
5 colheres (sopa) de leite
1 colher (chá) de fermento químico em pó
1 colher (chá) de sal
14 colheres (sopa) de farinha de trigo
1 1/2 colher (chá) de glutamato monossódico
Recheio
1/2 xícara (chá) de bacon picado(s)
1/2 lata de creme de leite
500 gr de cebola em rodelas
100 gr de parmesão ralado(s)
2 unidade(s) de ovo
2 colher(es) (sopa) de margarina
Preparo:
Massa
- Misture
todos os ingredientes, formando uma massa macia. Abra a massa em uma fôrma de
aro removível de tamanho médio, sem untar Reserve. Recheio - Frite o
bacon na margarina até dourar, então acrescente as cebolas e refogue até
ficarem macias. Retire do fogo e junte os demais ingredientes, corrigindo o
sal. Despeje sobre a massa e leve ao forno pré-aquecido até dourar.
Hoje esta Confraria apresentará uma
entrevista quentinha, recém-saída do forno, para dar continuidade ao Projeto
Sabores da Tradição – que visa explorar os pensamentos dos entrevistados sobre
a cultura gastronômica.
È sempre bom poder contar com a
sensibilidade dos entrevistados que nos permitem invadir o seu dia-a-dia, nos
dedicam um pouco do seu precioso tempo, e nos permitem comungar com seu
pensamento. Desde já agradeço a todas as pessoas que foram (e estão sendo) por
mim solicitadas. E que prontamente atenderam com carinho ao meu chamado. Em
nome da cultura gastronômica, meu muito Obrigado!
Devo confessar que a ideia de
entrevistar o convidado de hoje já vem desde que o Projeto Sabores da Tradição
foi pensado, e posso explicar: No primeiro semestre do ano de 2009, ano em que
eu cursava minha segunda graduação em turismo, e já dava treinamentos e e
consultorias na área, publiquei um artigo em um periódico sobre turismo
cultural da Escola de Comunicação e Artes - ECA/USP, intitulado "Mistura do dia: A
gastronomia e sua contribuição para o turismo” (Clique aqui para ler), onde tratei sobre a presença do
turismo gastronômico como uma realidade que promove: o crescimento e o
desenvolvimento dos destinos turísticos; e o resgate da questão cultural da
alimentação - evidenciando a diversidade e a criatividade gastronômica. Fato
que acaba atraindo aquele tipo de turista que tem a motivação para viajar pelo
prazer de degustar e se deleitar com comidas e bebidas.
Foi lembrando esse artigo e pensando
nos profissionais da ECA/UPS que me veio o nome do nosso entrevistado de hoje: Luiz
Gonzaga Godoi Trigo, pesquisador e professor titular da Escola de Artes,
Ciências e Humanidades da USP – EACH, conhecido por seus muitos escritos sobre
a turismologia e seus afins.
Prof. Dr. Luiz Gonzaga Godoi Trigo
Expoente nos escritos sobre o turismo no Brasil, o Prof.
Trigo além de dividir seu tempo entre pesquisas, seus alunos e seus livros,
ainda mantem um blog, Global Paths (Veja aqui) que nos deixa sempre atualizados sobres suas atividades pelo Brasil, ou pelo
mundo, divagando sobre as mais variadas ideias - com sinceridade e umas
boas pitadas de ironia e bom-humor.
Minhas primeiras interações com o
entrevistado se deu a partir do ano 2000, quando eu cursava o bacharelado em
turismo e tive a oportunidade de conhecer o pensamento de Luiz Trigo a partir
de seus livros sobre a atividade turística- dentre os quais posso destacar
entre suas obras que mais me agradaram: "Turismo - Como Aprender Como Ensinar (VOL 1) - (Editora SENAC- SP)"; "Turismo e Civilização (Contexto Editora)" e "Análises Regionais e Globais do Turismo Brasileiro (Editora Roca)".
Prof. Trigo com outros dois "pesos-pesados" do turismo no Brasil: Mèrio Beni e Alexandre Panosso
Acompanho o blog do nosso entrevistado
já a algum tempo, através dele pude
perceber uma certa afinidade com a gastronomia e enologia. E este foi o
motivo fundamental para o convite. Professor Trigo, meu agradecimento especial por sua
generosa participação, obrigado. Agora,vamos ao que interessa:
Barão de
Gourmandise (BG) - Para aqueles que não lhe conhecem, poderia apresentar-se e
dizer quem é você?
Luiz
Gonzaga Godoi Trigo (LGGT) - Sou uma pessoa sociável, bem humorado. Odeio
extremismos e fanatismos ou dogmas. Gosto de cinema, viagens, literatura e
gastronomia. Não gosto muito de ficar em
turma, prefiro reuniões mais restritas, onde se possa conversar em calma. Sou
professor titular da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP. Graduei-me
em turismo e em filosofia na PUC-Campinas (1988), fiz mestrado (PUC-Campinas,
1991) e doutorado (Unicamp, 1996), livre docência (ECA-USP, 2003). Fui
professor da PUC-Campinas por vinte anos (1988- 2007), diretor e assessor de
turismo e hotelaria do Senac-SP (1995-2004), diretor de turismo e assessor da
prefeitura de Campinas (1989-1992). Gosto de escrever. Tenho uns 17 livros
publicados e muitos capítulos de livros e artigos em periódicos, no Brasil e no
exterior.
BG - Gosto de
ler seu blog, Global Paths (http://luiztrigo.blogspot.com.br/ ) , devido as
mais variadas abordagens sobre o turismo e suas atividades afins que se pode
encontrar por lá. Durante a leitura já tive oportunidade de ver algumas fotos
onde nos mostra um pouco da gastronomia e enologia de alguns lugares por onde
esteve... Tais fotos também estão presentes na sua página do facebook. Assim,
gostaria de saber até onde vai o seu interesse pela gastronomia e pela
enologia; se você tem dotes culinários; ou, se aquelas fotos estão apenas para
lhe denunciar como um “bom de garfo e de copo”?
LGGT
- Sou “bom de garfo e de copo”, além de gostar da chamada etno-gastronomia, ou
a gastronomia analisada nos seus contextos históricos e culturais. Não sei
cozinhar e não aprenderei. Gosto de comer e degustar as delícias do mundo, mas
maneirando. Acabo de eliminar dez quilos e mudei meus hábitos alimentares, para
consumir apenas produtos saudáveis.
Prof. Trigo mostrando no seu blog suas mudanças alimentares. Fonte: Global Pahts
BG - As fotos
citadas na pergunta anterior, geralmente foram postadas em lugares diferentes –
fato que podemos conferir pelas legendas das imagens, ou pelo texto que as
acompanha. Levando em consideração o contexto das imagens, e você enquanto
turista: qual a importância da gastronomia para o turismo, pela sua ótica?
LGGT
- Gastronomia é a parte mais essencial e atávica de uma cultura bem
constituída. Pela comida podemos melhor entender as nuances e complexidades de
um povo, de uma região, até mesmo de uma religião. Um lugar que nos oferece uma
refeição memorável, simples ou sofisticada, desde que bem feita, fica para
sempre em nossa história. Gastronomia é fundamental para o turismo, para a
hospitalidade em geral e para a nossa vida como um todo.
BG - Ansarah
& Nunes, em seu artigo ‘Hospitalidade nos serviços de alimentação como
diferencial na prestação de serviços, apresentado no VII Encontro dos Núcleos
de Pesquisa em Comunicação – NP Comunicação, Turismo e Hospitalidade. Santos,
2007’, afirmam: “Por existir uma grande variedade de culturas, a comida
brasileira esta se tornando um novo atrativo turístico para diversas cidades”.
Você concorda com esta afirmação? Como você enxerga o cenário do turismo
gastronômico brasileiro? E quais suas
previsões para ele?
LGGT
- A questão não é apenas a diversidade cultural, apesar de essa ser importante.
O que possiblitou o avanço foi também a abertura econômica do Brasil, desde o
malfadado governo Collor (que teve esse aspecto positivo, pelo menos) que
possibilitou a importação de vários ingredientes que antes aqui eram raros, inexistentes
ou muito caros. Ao lado dos novos ingredientes (bebidas, especiarias,
enlatados, sucos, produtos industrializados em geral, matérias primas in
natura) surgiram as redes de fast food que trouxeram a concepção de sistemas de
gestão e de fichas técnicas. Uma ficha técnica é um composto de receita,
procedimentos e modo de fazer, ou seja, garante a reprodutibilidade do prato e
um controle mais preciso de gastos (ingredientes, insumos, equipamentos,
processos). Tudo isso, aliado à criatividade e diversidade da gastronomia
brasileira, em suas diversas regiões, está possibilitando um avanço
quantitativo e qualitativo de nossas receitas e cardápios..
BG - A
preservação da cultura, da memória e da história leva as nações a criar
instituições para salvaguardar nosso patrimônio material e imaterial – neste
pode-se incluir alguns “bens gastronômicos”. E se observarmos alguns bens do
patrimônio mundial, validados pela UNESCO, podemos encontrar na lista de bens
imateriais: a dieta mediterrânea; a gastronomia francesa, a cozinha tradicional
mexicana e o pão de mel e especiarias croata. No Brasil, tendo o IPHAN como responsável
pela validação dos bens do patrimônio nacional o oficia da baiana de acarajé,
atualmente, se configura como o bem do patrimônio imaterial nacional
diretamente ligado á gastronomia. Bens tombados como patrimônio nacional/
internacional podem trazer mais força para a atividade turística? De que forma?
LGGT
- A gastronomia é ligada à cultura e aos estilos de vida dos povos. Se essa
cultura é mantida, seja pelas concepções do slow food ou das diretrizes da
Unesco, seja pelos rankings nacionais (4 Rodas, por exemplo) ou pelos rankings
internacionais, os ganhos são dos produtos, do distribuidor e do consumidor. A
cadeia produtiva da alimentação em geral, e da gastronomia em particular, se
beneficia de uma qualidade crescente e de uma maior diversidade, fruto das
trocas intra-regionais e internacionais. Preservar e divulgar esse patrimônio é
fundamental. Lembro o trabalho realizado elo Senac Nacional, que publicou
vários livros sobre culinárias regionais e a editora Senac São Paulo que
publicou mais de 150 títulos sobre alimentos e bebidas.
BG - No Brasil
a região sul é a responsável pela maioria das rotas enoturísticas &
gastronômicas. O clima, a geografia e a presença das colônias de imigração europeias
são os únicos fatores para se explicar este fato?
LGGT
- Não apenas o clima e a geografia. O
sul e o sudeste são as áreas mais ricas do Brasil, portanto possuem maior
infraestrutura e consumidores mais exigentes e capazes de comparar a qualidade
local com a qualidade internacional e isso é um ganho considerável na
capacidade de crítica e escolha por parte do consumidor. Porém o nordeste, especialmente, possui uma
riqueza incomparável de ingredientes, métodos e criatividade gastronômica. Boa
parte dos chefes do sudeste provém do nordeste. Estados como Bahia, Pernambuco,
Piauí, Maranhão, Ceará e outros possuem gastronomias excelentes e altamente
qualificadas. A diferença é que o sul/sudeste possui mais infraestrutura, um
mercado consumidor mais rico e são mais influentes nas escolhas dos produtos e
serviços nacionais. Porém o nordeste brasileiro já é, há anos, um grande
referencial gastronômico e de hospitalidade, nada devendo às outras regiões. A
Amazônia e o centro-oeste possuem suas variedades como peixes fluviais (há os
rebanhos de búfalos na ilha de Marajó). No caso do centro-oeste, os rebanhos de
gado bovino proporcionando deliciosos churrascos e preparados à base de carnes.
.
BG -
Considerando que as demais regiões brasileiras possuem singularidades
gastronômicas, as quais se supõem que pela diversidade, e até pela exoticidade,
já tem porte para movimentar novas rotas turístico-gastronômicas, o que falta
para que isso ocorra?
LGGT
- Falta maior profissionalismo, mais infraestrutura e divulgação. Cada capital
brasileira possui restaurantes memoráveis e produtos específicos que agradam
aos diversos paladares. Teresina, Cuiabá e São Luís, por exemplo, possuem
restaurantes de alto nível e gente capacitada a processar alimentos com toda
segurança e competência. Falta distribuir essas técnicas e conhecimentos para a
maior parte dos empresários e profissionais, gerando qualidade e competência em
todos os níveis de lanchonetes, pequenos restaurantes etc., em cada
cidade.
BG - O turismo
gastronômico está ligado ao prazer e à sensação de experimentar e saborear o
novo... Durante as viagens podemos descobrir, além de novos horizontes, cheios
de cultura e beleza, novos pratos e ingredientes exóticos. Poderia nos contar
sobre suas experiências envolvendo a comida e bebida mais exótica que pode
provar durante suas viagens?
LGGT
- Posso citar algumas experiências memoráveis: A torta de caranguejo do Camarão
do Elias, em Teresina; Os peixes fluviais de Belém, Manaus ou Cuiabá; O arroz
de pequi, de Goiânia; As moquecas capixabas ou baianas; Os restaurantes
fantásticos e padarias de São Paulo ou Rio de Janeiro; Os botecos de Belo
Horizonte ou a comida mineira do Xapuri (Belo Horizonte), ou de Ouro Preto; Os
queijos, doces e pães do interior de Minas Gerais; As ostras de Florianópolis;
O churrasco e as cucas (doces) do Rio Grande do Sul; As lagostas do nordeste,
em especial do Ceará; O churrasco de bode, do interior do Piauí; O picadinho de
tartaruga da Amazônia; A comida mediterrânea, especialmente nas costas francesa
e espanhola; Um javali com castanhas e molho de frutas vermelhas que comi no
interior de Portugal; As panquecas de blueberry com mapple syrup, da América do
Norte; As centollas e peixes de águas frias da Patagônia argentina ou chilena;
Um churrasco que comi numa fazenda, interior da Austrália; O filé de avestruz
que com ia bordo do navio Marco Pólo; A comida tailandesa à margem do rio, em
Bangcoc; Um leitãozinho (lechazo) devorado com vinho tinto, numa tasca, perto
de Valladolid, Espanha; Um bufê de comida árabe, no hotel Marriott, em Petra,
Jordânia; Os sanduíches do Giovanetti, em Campinas, SP; O agnolotti da cantina
Fellini, em Campinas, SP. Pastel com garapa (caldo de cana), nas feiras de São
Paulo; Os restaurantes descolados e deliciosos de São Paulo.
O Pacu recheado - registrado pelo Prof. Trigo numa de suas idas _a Cuiabá
BG - Dizem
alguns estudiosos que com as viagens nosso paladar vai se sofisticando – pelo
fato de nos permitir utilizar a partir de então, novos ingredientes, esses
descobertos durante as viagens. No entanto outros pesquisadores no falam sobre
o poder da nossa cultura, de como ele interfere na nossa mesa. Levando tudo
isso em conta: qual o sabor da sua tradição? E nele existe influência das suas
viagens?
LGGT
- Uma coisa não elimina a outra. Desenvolvemos nossas variedades alimentares e
ao mesmo tempo valorizamos a comida que tínhamos quando crianças, em nossas
casas ou cidades. Até hoje aprecio um prato de arroz com feijão, bife grelhado,
batata frita e salada de alface e tomate, cardápio que minha avó materna fazia
com grande esmero. E gosto de comida japonesa, tailandesa, francesa, italiana
(mediterrânea, em geral), espanhola, portuguesa, norte-americana etc. O que não
como mais é fast food, pois engorda e não tem nutrientes necessários.
BG -
Considerando que a mesa é um lugar onde se deve partilhar as delicias
gastronômicas com as pessoas que se gosta, quem e por que você convidaria para
um encontro gastronômico onde juntos degustariam o sabor da sua tradição? E
qual seria o destino para a realização deste evento?
LGGT
- Convidaria meus amigos mais íntimos, ou meus parentes mais próximos (estamos
falando de umas doze pessoas) para um café da manhã no Le pain Quotidien, em
São Paulo; almoço em um rodízio de ostras em Florianópolis; ou comer uma torta
de caranguejo no Camarão do Elias, em Teresina; jantar em São Paulo, no Walter
Mancini.
Aperitivo:
LGGT
- Se o Brasil não possui grandes tradições em cervejas (com exceção de algumas
micro-cervejarias ou marcas minoritárias) ou vinhos, sua cachaça é excelente e
reconhecida pelo mundo. O mesmo acontece com alguns (poucos) licores ou com o
nosso café, um produto excelente e preparado com estilo próprio. São
acompanhamentos solenes e deliciosos para nossos pratos. Os doces brasileiros
são outro ponto forte de nossa gastronomia. Feitos, antigamente, nos conventos
de freiras, herdados de Portugal e regados com a abundância do açúcar de cana
de nossas terras, os doces, geléias, sucos e frutas in natura, são parte de
nossa variedade e preciosidade gastronômica. Há que se lembrar também dos
mercados locais e das feiras livres, onde pode-se encontrar produtos básicos ou
até mesmo comidinhas deliciosas.
MEU SABOR DA
TRADIÇAO
LGGT
- Como não sei cozinhar, deixo uma receita simples, de bebida para ocasiões
especiais:
Black Velvet
Misture em uma taça grande, 50% de cerveja Guiness e 50% do champagne
Veuve Clicquot. Pode substituir esse champagne por outro, mas a Guiness é
indispensável. Santé.
Outra
receita é um matinal, light e gostoso: coloque numa tigela granola light, reforce
com aveia em flocos, duas nozes esmagadas e algumas blueberry fresquinhas.
Coloque iogurte de sua escolha (o ideal é o light).
É tempo de campanha
eleitoral no Brasil e nos Estados Unidos... E eu odeio política. Coincidentemente o primeiro
poste desta Confraria foi publicado numa época assim.
Hoje, enquanto eu vasculhava
a internet, atrás de notícias interessantes, fiquei pensando sobre o que a
política poderia me oferecer para escrever um post bacana. E não é que deu certo!
Diante das noticias sobre o julgamento do mensalão; das imagens de políticos
esquisitos e prometendo mundos e fundos nas propagandas eleitorais brasileiras;
e vendo o acirramento da corrida dos presidenciáveis nos EUA, a inspiração me
veio, fantasiada de corrupção.
Engraçado que eu
tive, inicialmente, um pensamento estranho. Pensei: “ - Nos países desenvolvidos até a corrupção
serve para criar culturas gastronômicas”. Algumas pessoas podem até me
recriminar por este pensamento, mas o fato é que; enquanto no Brasil, a
corrupção acaba em pizza (que não é típica do país); nos Estados Unidos, por
exemplo, o caso mais famosos de
corrupção acabou gerando duas produções gastronômicas que são ícones
até hoje: a Watergate Salad e o Watergate Cake.
Watergate Salad
Watergate Cake
O caso Watergate foi
o escândalo político ocorrido na década de 1970 nos Estados Unidos da América
que, ao vir à tona, acabou por culminar com a renúncia do presidente americano
Richard Nixon eleito pelo partido republicano. "Watergate" de certo
modo tornou-se um caso paradigmático de corrupção.
COMO ACONTECEU?
Complexo Watergate
Em 18 de Junho de
1972, o jornal The Washington Post noticiava na primeira página o assalto do
dia anterior à sede do Comitê Nacional Democrata, no Complexo Watergate, na
capital dos Estados Unidos. Durante a campanha eleitoral, cinco pessoas foram
detidas quando tentavam fotografar documentos e instalar aparelhos de escuta no
escritório do Partido Democrata.
Bob Woodward e Carl
Bernstein, dois repórteres do Washington Post, começaram a investigar o então
já chamado caso Watergate. Durante muitos meses, os dois repórteres
estabeleceram as ligações entre a Casa Branca e o assalto ao edifício de
Watergate. Eles foram informados por uma pessoa conhecida apenas por Garganta
profunda (Deep Throat) que revelou que o presidente sabia das operações
ilegais.
Richard Nixon foi
eleito presidente em 1968, sucedendo a Lyndon Johnson, tornando-se o terceiro
presidente dos Estados Unidos a ter de lidar com a Guerra do Vietnã. Nixon
voltou a candidatar-se em 1972, tendo como opositor o senador democrata George
McGovern, e obteve uma vitória esmagadora, ganhando em 48 dos 50 estados.
McGovern venceu apenas em Massachusetts e em Washington.
Foi durante essa
campanha de 1972 que se verificou o incidente na sede do Comitê Nacional
Democrático. Durante a investigação oficial que se seguiu, foram apreendidas
fitas gravadas que demonstravam que o presidente tinha conhecimento das
operações ilegais contra a oposição.
Em 9 de Agosto de 1974, quando várias
provas já ligavam os atos de espionagem ao Partido Republicano, Nixon renunciou
à presidência. Foi substituído pelo vice Gerald Ford, que assinou uma anistia,
retirando-lhe as devidas responsabilidades legais perante qualquer infração que
tivesse cometido.
A saída de Nixon da Casa Branca
Por muitos anos a
identidade de "Garganta Profunda" foi desconhecida, até que a 31 de
Maio de 2005 o ex-vice-presidente do FBI, W. Mark Felt, revelou que era o
Garganta. Bob Woodward e Carl Bernstein confirmaram o fato.
A carta de renúncia de Nixon
AS RECEITAS DE WATERGATE: SALAD AND CAKE
Pistaches sempre
foram apreciados desde o início dos tempos. Eles são em geral considerados
artigos de luxo. No século 20, os avanços tecnológicos tornaram esse tipo de
nozes mais acessíveis aos cozinheiros domésticos. Evidência culinária confirma
estas os pistaches eram mais frequentemente usado para cremes gelados e em
parfaits. Embora se saiba que eles também eram algumas vezes usados em patês, saladas
(coberturas, moldados em combinação com outros ingredientes como gelatina),
assados e doces.
Apesar das saladas e
bolos feitos com sabor de pistache remontam ao início do século 20, as provas
da culinária liga as receitas que nós conhecemos hoje como salada de Watergate
e Bolo de Watergate à Companhia Kraft, que já explodia no mercado em meados dos
anos 1970. Mas por que da existência de ligação com a Kraft? Simples, ambas as
receitas usam mistura de pudim instantâneo de pistache, que foi introduzido
pela Kraft Foods em 1975.
Por que dar o nome Watergate para estas receitas?
A resposta parece
óbvia para todos que conhecem um pouco sobre os acontecimentos políticos
americanos durante esse período de tempo. Mas curiosamente, ela ainda tem que
ser confirmada. Pois a Kraft não dá crédito para o nome.
Sabe-se que, em 1973, dois livros com receitas de "Watergate"
foram publicados: The Watergate Cookbook, N.Y. Alplaus [Emporium Publications: Charlestown
MA] and The Watergate Cookbook (Or, Who's in the Soup?), The Commitee to Write
the Cookbook [New Lone Star Press:Cambridge MA]. Estes foram aparentemente inspirados pelo
artigo Tom Donnelly "Serve Hot, The County the Silver” (Sirva quente, o
município da Prata), publicado no início do ano, no Washington Post. Nenhum
desses livros, nem o artigo Donnelley, contêm receitas para Salada Watergate ou
Bolo de Watergate.
"Nós
desenvolvemos a receita para Pistachio Pineapple Delight", diz Pat Risso
de Assuntos Corporativos da Kraft. "Foi em 1975, mesmo ano em que a
mistura de pudim de pistache saiu." A empresa, no entanto, não sugeriu a
sobremesa nem a salada, muito menos o seu nome. Até que consumidores começaram
a pedir uma receita para Salada Watergate. "De acordo com a Kraft
cozinhas, quando a receita para Delight Abacaxi Pistache foi enviada, um editor
de alimentos de Chicago ele a batizou como Salada Watergate para promover o
interesse na receita quando ele a imprimiu em sua coluna," e a resposta
para isso foi rápida. THE PROOF IS IN THE PUDDING; CRASHING WATERGATE (A prova está no
pudim: quebrando Watergate), Louis
Mahoney; The Richmond Times Dispatch, August 4, 1999 (p. F-1)
Salada de Watergate
teria sido batizada por um editor de alimentos Chicago para um artigo, mas nem
o artigo nem o editor foi rastreado. Enquanto o nome completo do bolo Watergate seria Watergate Cake with Cover-Up Icing (bolo
Watergate com cobertura de encobrimento). (TRIVIA, ROGERS CADENHEAD, Knight Ridder Newspapers, The Record (Bergen
County, NJ) March 15, 2000)
"Novos sabores
em 1976 eram Americana Arroz doce e pudim instantâneo de Pistachio. Receitas populares
eram o bolo com cobertura desse pudim, em 1981, e a Watergate Salada (pistache
e abacaxi)." A história de Jell-O, Kraft Food Company ".--- a partir
do site Web da Kraft de idade (não incluído em páginas correntes)
SALADA WATERGATE
Esta salada Watergate
original é mais uma daquelas receitas clássicas, que remonta aos anos 70, e pode
ser vista por aí com algumas variações. Ainda é um prato muito comum em chás de
bebê, festas de compromisso, e até casamentos no sul dos EUA, tendo abacaxi, marshmallows
e pistache como base.
Pistaches são nativos
da Ásia Central e membro da família de caju. O pistache tem sido cultivado há
cerca de 3.000 anos e tem uma longa história de popularidade no mundo Mediterrâneo,
mas foi na década de 1930 com. o advento de máquinas de venda automática, que os
pistache importados da Itália tornou-se uma espécie de febre nos Estados
Unidos, servindo como um lanche. (The Cambridge World
History of Food, Kenneth F. Kiple and Kriemhild Conee Ornelas, Volume 2,
(p.1835)
Em 1901 a Dole
Company se torna Companhia havaiana do abacaxi. Seu dono James Dole torna-se
conhecido como" O Rei Abacaxi ", porque ele foi capaz de crescer e
colher muitas safras quando tantos outros haviam falhado com esta produção. Sua
empresa coloca no mercado abacaxi enlatado em cada supermercado do país e faz o
nome "Hawaiian" quase como sinônimo de "abacaxi".
Fazer saladas que
combinavam todos os tipos de ingredientes (especialmente mini-marshmallows)
estavam na moda nos anos 1920. A mais antiga receita que encontrei, especificamente
com o título "Salada Watergate" é esta de [1975]
Salada de Watergate
1 (20 onças) pode
esmagados abacaxi (não drenado)
1 caixa de mistura de
pudim instantâneo de pistache
1 1/2 xícaras de
marshmallows pequenos
1 caixa (9 onças)
topping chicoteado mistura
1 xícara de nozes ou
menos ou pecans
Misture abacaxi não
drenado com pudim por vazamento pudim em abacaxi. Mexa. Adicione o restante dos
ingredientes. Mexa com as mãos. Esfriar antes de servir. C.K. -"Anne's
Reader Exchange," Washington Post, November 13, 1975 (p. C17)
WATERGATE CAKE
"Uma nova crise
em Watergate está varrendo a área de Washington, mas desta vez apenas donas de
casa e homens de negócios de poucos parecem se importar ... A crise decorre da
crescente popularidade de uma receita para uma mistura chamada" bolo
Watergate ", que exige grandes quantidades de mistura de pudim em pó de
pistache, tanto na camada de bolo e em sua crosta de glacê verde=claro.
Aparentemente, apenas uma empresa, Pudim Royal, uma divisão da Standard Brands,
Inc., distribui pudim de pistache na área de Washington. Supermercados não
foram capazes para obter a mistura o suficiente para lidar com as demandas, que
começou em torno do tempo de Ação de Graças e aumentou no Natal. As misturas
tem sido retiradas das prateleiras das lojas n o mesmo dia em que são colocadas
... Se o surto de vendas não é diretamente atribuível à popularidade Bolo de
Watergate ... O que nós não sabemos é porque este produto acaba de repente. Foi
simplesmente fenomenal ... "Barry Scher, um porta-voz da gigante Kraft Foods
, colocou a culpa não só da receita, mas também sobre a coincidência com a
falta pistache." Isso foi cerca de
cinco meses, o porta-voz disse: "e como acabou, esta receita começou a
circular a nossa volta e fomos bombardeados Nós odeiamos admitir isso, mas nós
não conseguimos manter a mistura na prateleira com o início da mania pelo bolo Watergate -... e o
esforço resultante para fechar o fornecimento de demanda - testou velhas
amizades e desafiou os instintos de engenhosidade e competitividade da economia
doméstica de muitas áreas de Washington ... Ninguém, entretanto, parece ser
capaz de identificar a origem deste Watergate, a receita parece que apareceu em
uma série de jornais, incluindo o Washington Post. Ninguém pode explicar como o
bolo tem esse nome ou porque pistache como o aroma principal Uma explicação
atual se inclina sobre a presença de nozes trituradas no bolo -..
"bugs" no jargão de crianças como o porta-voz do gigante, Harold
giesinger, proprietário da Pastelaria Watergate, não tinha pensamentos sobre
onde a receita originada -., exceto que ela não estava na sua padaria "Nós
não inventamos nada para que nós anexássemos com esse nome", disse ele.
Tampouco, acrescenta, se sua loja contam com os pistache como um ingrediente fundamental
em qualquer de seus produtos." Uma fonte privada pode ter colocá-lo juntos
", disse ele sobre a receita. Onde quer que o bolo Watergate tenha surgido,
a empresa do pudim teria mais e mais problemas com ele. Há inclusive a suspeita
de que algumas pessoas têm comprado mistura de pudim de pistache muito mais do
que as que vão usar, basta ter a mistura para estar aliviado... isso está à
vista. Outro fabricante, a General Foods, com a explosão de Watergate assistida
pelo mercado de pistache, decidiu saltar dentro do mercado de pudins. Sua
versão é esperada para chegar às prateleiras dos supermercados em março... " (A Watergate Cake Mania," Alexander Sullivan, Washington
Post, February 26, 1976 (p. B2) [Recipe included, see below 1976]
“Segundo a minha irmã
que vive em Waynesboro, Virginia, o nome do bolo tornou-se proeminente em parte
do país, porque - Nixon gostava de pistache, portanto (e de um raciocínio
bastante rebuscado) o nome do bolo de Watergate, sinônimo de pistache. Eu não
tinha nem ouvido falar de Pudim Pistachio ou o bolo de Watergate até o outono
passado, parou de visitá-los, e ela teve o bolo preparado para nós para comer.
no entanto, sua receita é muito diferente do que o impresso no Washington Post
quinta-feira em sua coluna. Atenciosamente,
Virginia K. Wiszneauckas, Wheaton, Maryland "--- "Esse bolo"
(That Cake)" Washington Post, March 11, 1976 (p. VA2) “
A primeira receita
que encontrei para bolo de pistache também emprega uma mistura de bolo pronto,
conhecida como "mock pistache "!
[1962]Pistache e
amêndoa
Em um mistura para
bolo, coloque algumas gotas de corante alimentar verde, 1/4 de colher de
Extrato de amêndoas, 3/4 xicara de amêndoas picadas. (Good Housekeeping Cook Book, Dorothy B. Marsh [Good Housekeeping:New
York] 1962 (p. 457)
Agora compare a
receita acima com estas:
[1975] "Bolo de
Watergate
1 caixa de mistura de
bolo branco
1 caixa de pudim
instantâneo de pistache
1 xícara de óleo
vegetal
1 xícara de club soda
3 ovos
1/2 xícara de nozes
picadas
Misturar todos os
ingredientes poços (4-4 minutos). Asse em assadeira untada de 12 por 9 polegadas por 45 minutos a 350
graus.
Cobertura para bolo
1 caixa de pudim
instantâneo de pistache
1/4 xícara de leite
frio
1 caixa (9 onças)
topping (mistura para glacê)
nozes e cerejas
Bata o leite em
mistura de pudim instantâneo. Prepare cobertura mix de acordo com instruções na
caixa. Dobre na mistura do pudim. Espalhe no
bolo e cubra com nozes e cerejas. C.S.R. Arlington." ---"Anne's Reader Exchange,"
Washington Post, November 13, 1975 (p. C17)
[1976] "Aqui é
uma receita de bolo fantástico que eu gosto de preparar para ocasiões
especiais", escreve Nels Wenman. "Ele foi enviado a mim por um primo,
no Arizona."
Bolo de Watergate com
Cover-Up Icing
1 (18 1/2-ounce) pacote
de mistura de bolo branco
1 (3 1/2-ounce)
pacote de mistura de pudim instantâneo de pistache
3 ovos,
3/4 xícara óleo
invicto
1 copo de bebida
gaseificada lima-limão
Cover-Up Icing
3/4 xícara de coco
ralado
1 xícara de nozes
picadas
Combine a mistura de
bolo, mistura de pudim, ovos, óleo e lima-limão em uma tigela. Bater até ficar
bem misturado. Despeje em uma forma untada e enfarinhada 13x9 polegadas e leve
ao forno a 350 graus e 45 minutos. Cool. Espalhe com Cover-Up gelo e polvilhe
com o coco e nozes.
1 (3 1/2-ounce)
pacote de mistura de pudim instantâneo de pistache
Bata a mistura topping com o leite, misture e pudim juntos
até ficar homogêneo e espesso. "Minha Melhor Receita", (My Best
Recipe) Los Angeles Times, June 17, 1976 (p. H6)
Todo esse contexto
nos leva a crer que: a corrupção existe, mas o que podemos fazer a partir dela cabe somente a nós. Espero
que no Brasil, as punições para os corruptos sejam cada vez mais duras e
eficazes, e que sirvam de lição para os próximos.
E de repente, (seria
pedir muito?) mas seria interessante se algum chef brazuca pudesse criar alguma
receita para ficar na história. Já imaginaram em comer o bolo do mensalão? Bom,
te uma forma ou de outra, teve gente que já o comeu (risos).
Watergate
Salad
1 lata de abacaxi picado, com seu suco de
abacaxi drenado - reserva o suco
2 pacotes pequenos de mistura de pudim
instantâneo de pistache
1 copos de iogurte natural gelado
2 xícaras de marshmallows em miniatura
1 xícara de pistaches ou nozes picadas ou
nozes
Preparo: Escorra o abacaxi,
mas reservando o suco! Misture metade do suco de abacaxi com a mistura de pudim
até ficar bem misturado. Juntar o iogurte e cuidadosamente misture o abacaxi, os
marshmallows e as nozes. Adicione o suco de adicional apenas se necessário – tem
que ficar uma mistura não muito mole. Cubra com filme plástico e leve a geladeira pelo menos uma hora ou, de
preferência faça durante a noite para comer no outro dia. Sirva em taças individuais
com glacê. DICA: no Brasil é difícil achar
o pudim de pistache, então use pudim instantâneo sabor baunilha e adicione
essencial de pistache e um pouquinho de corante verde.
Watergate
Cake
1 pacote de mistura para bolo branco
3 ovos
1 xícara de óleo vegetal
1 xícara de soda limonada
2 pacotes mistura para pudim instantâneo de
pistache
1 mistura para glacê pronto preparado de acordo
com a embalagem
1 xícara de leite frio
Pistaches para decorar
Preparo:
Combine
a mistura de bolo, ovos, óleo, a soda e um pacote do pudim de pistache, misture
bem até incorporar tudo. Despeje a massa em uma forma de 13 x9 cm, untada e enfarinhada. Asse em forno a 350
graus F (175 º C) por 30 a 40 minutos, ou até que um palito inserido no bolo
ele saia limpo. Esfriar completamente. Enquanto o bolo está no forno, misture o
pacote restante de pudim de pistache, com o leite e a mistura para glacê. Rechear
e cobrir o bolo com essa mistura,
decorar com pistaches. Servir gelado
Ontem a noite comi uma
religiosa (risos). Falando assim a mente fértil das pessoas já começam a
divagar pelos lados mais pecaminosos. O que até é compreensível se considerarmos
que o ato sexual no Brasil é muito ligado à comida (quem come/ quem é comida (o)). Mas
isso é assunto pra Foucault e Freud. No entanto foi comendo La religieuse,
célebre doce da confeitaria francesa, que me peguei observando a hipocrisia das
pessoas, no que tange aos valores moralistas que, na maioria das vezes, só servem
para fazer tipo – porque a realidade mostra outra coisa (melhor parar por aqui. Pois este texto está virando algo muito complexo... risos).
Em suma: comi a
religiosa e imediatamente, junto com foto da mesma postei uma campanha de
marketing inglesa que uma famosa fábrica de sorvetes à italiana fez na terra da rainha, em 2010 – a qual criou muita polêmica, e
vendou ainda mais dos sorvetes , que já eram ótimos. Postei as fotos no
facebook e os comentários estão me divertindo até agora...
Vejam as fotos
abaixo, e tirem suas conclusões.
De fato mexer com a
religiosidade é algo perigoso. Já levou muita gente pro ‘buraco”. Mas os tempos são outros – embora
não menos perigosos. Comer uma religiosa
fez todo esse reboliço que me levou do sorvete italiano/inglês à Diderot – sim,
ele também escreveu sobre a religiosa. Mas neste caso não falava sobre o doce, e sim em uma freira legitima
cheia de complicações impostas pela vida, que além de livro acabou ganhando adaptação para as telonas do cinema: A Religiosa,
dirigido por Jacques Rivette, em 1966, com base no último romance de Diderot,
publicado apenas em 1796, doze anos após a morte do filósofo. Compreensível.
O Livro
Preso uma vez, em
1749, por causa de um ensaio cujo tema era o poder dos cinco sentidos sobre a
razão (Carta Sobre os Cegos), Diderot foi mais cauteloso ao dar ao mundo sua
versão de uma história real, a de uma freira de Longchamp, Suzanne Saulier, que
perdeu um processo contra o convento em que foi confinada. Sem vocação, ela
teria lutado sem sucesso pela revogação de seus votos religiosos, como a bela
Suzanne Simonin de seu livro, que, aos 17 anos, obrigada pelos pais, ingressa
na vida religiosa sem convicção. O livro destaca o vigor crítico desse texto
"visual" que nasceu de uma brincadeira de salão de Diderot e seus
amigos, ao saber da história da freira de Longchamp.
Visivelmente se pode
acreditar que o livro A religiosa, de Diderot, seria um texto amargo sobre a a vida monástica, ou mesmo um grande ataque à
religião –se considerado seus textos anteriores sobre o mesmo assunto. A prisão de Suzanne Simonin não seria apenas
física, mas, acima de tudo, moral. Privada de sua liberdade para pagar uma pena
que não era a sua - a de ser filha bastarda de um advogado e uma mãe adúltera
culpada -, a "religiosa" antecipa o drama dos personagens sartrianos.
Para ela, não há saída. Seja no convento das freiras histéricas de Longchamp,
que a identificam com Satã por ter negado seus votos, ou no convento das
lésbicas libertinas de Arpajon, para o qual é enviada depois, Suzanne está
condenada a pagar por sua lucidez e seu desejo de liberdade. E a pagar com a
própria vida. Ajudada por um padre confessor igualmente sem vocação, ela foge
do convento para viver livre, mas descobre tarde demais que a liberdade tem
alto preço num mundo em que o senso de justiça social é precário. Às portas da
prostituição, ela se mata.
Se pode sentir vendo o filme todo um embaraçamento de Diderot ao dar aos seus personagens uma
identidade fixa e estável. Quando se sabe, por exemplo, que ele se saía melhor
quando podia contar a história de forças naturais agindo sobre a estabilidade
dessa existência individual, quando se abandonava ao prazer de acabar com a
ilusão da autonomia pessoal. Não por outro motivo a freira de Diderot é uma
filha ilegítima sem recursos ou poder de barganha com a família. Se, nas
tragédias gregas, os filhos sempre acabam pagando pela culpa dos pais, o
destino de Susanne Simonin não é diferente. Há, efetivamente, uma progressão
trágica que marca A Religiosa desde o princípio.
Diderot assume a
personagem colocando-se no lugar da atormentada religiosa, numa espécie de
"androginia literária" em que Rivette apenas esbarra. Essa ética
hedonista, que derrubaria as fronteiras morais, fazendo com que freira e
criador se unissem contra uma disciplina estoica, é inútil porque se limita a
um impulso isolado contra o despotismo. Em todo caso, Diderot tem uma
esperança, assim como Suzanne: a de que seja ouvido pelo leitor; que ele, ao
menos, experimente a liberdade de imaginar a liberdade.
É ao leitor que o
autor conta (como se fosse Suzanne) que o relato só existe por causa do marquês
de Croismare, seu amigo, a quem escrevia cartas como se fosse a freira
perseguida de Longchamp, provocando-o com a necessidade de um benfeitor para
interceder em seu caso, mentira que se revelou, afinal, a mais trágica e pura
verdade.
O impacto do filme foi outra polêmica. Ao ser lançado, em
1966, A Religiosa, dirigido por Jacques Rivette e agora disponível em
DVD da Cult Classic, provocou um escândalo e tanto. O Ministério da Informação
da França recebeu 12 mil cartas solicitando sua interdição e o governo do general
De Gaulle simplesmente acolheu os pedidos. Proibiu o longa tanto na França como
no exterior. Ele só foi liberado porque o ministro da Cultura, André Malraux,
convenceu os produtores do Festival de Cannes a mostrar o filme, proibido por
"imoralidade". No Brasil, o longa foi exibido com cortes.
Não pdoeria deixar de citar, Sister Act (Do Cabarét para o Convento ou Mudança de Hábito) filme estadunidense de 1992, com Whoopi
Com todo este
rebuliço eu não poderia deixar de falar, ainda, sobre este doce que trouxe todo
este contexto á tona. La Religieuse, "freira" em francês, leva o esse nome a partir de uma semelhança, no entanto oblíqua, da aparência de uma freira
obesa em seu hábito.
La religieuse é
construída de dois bolinhos de pâte à choux
(massa choux) enchidos com creme pâtissière (creme pasteleiro), uma
grande na parte inferior e uma menor na parte superior, cobertos com glace e
chocolate e unidas com creme de manteiga. Muitas vezes, a cobertura é
delicadamente moldada para ser vista como babados. E as pessoas sofrem o risco
de sucumbir ao pecado da gula quando estes magníficos doces estão por perto.
A pâte à choux é uma
de pelo menos nove ou dez massas de pastelaria diferentes usadas mais
costumeiramente pela panificação e confeitaria francesa. O alto teor de água
presente na pâte à choux vaporiza durante o cozimento e faz com que a massa se
encha de ar. É uma massa relativamente simples feita apenas a partir da água,
ovos, farinha e manteiga, e não contém fermento. La religieuse teria tido sua
origem em meados do século XIX, como muitas outras sobremesas feitas de pâte à choux.
O que se sabe...
A pâte à choux em si
tem muitas histórias para o seu nascimento. Acredita-se ainda que
primeira iteração com este tipo de massa se deu 1540, sendo invenção
de Panterelli, o chef florentino da
rainha florentina da França, Catarina de Médici. A pâte à Panterelli
eventualmente se tornou pâte à Popelin (usado para fazer Popelinis, pães
pequenos em forma de seios de uma mulher), que posteriormente tornou-se pâte à
choux quando no século XIX a confeitaria
do Chef Avice chef mudou a receita para
criar seus novas sobremesas feitas de pâte à choux, e esse nome ele deu porque
eles se pareciam repolhos pequenos ("choux", em francês). Com o tempo
os confeiteiros foram refinando a
receita:
Uns dizem que o doce
surgiu em 1856, sendo inventado na Frascati de Paris, famosa por sua confeiteira, que havia lhe dado uma forma
diferente: um quadrado de massa folhada com recheio de crème pâtissière e
cobertura de crème fouettée. Somente no final do século XIX, tomou a forma como
nós o conhecemos: uma bolinha de massa
grande recheada com creme de chocolate (ou creme Chiboust) e coberto com outra pequena bola de
massa. Tudo estava gelado e decorado com redemoinhos buttercream.
O pai da alta
cozinha, Marie-Antoine Carême, fez os refinamentos finais para a receita no
início do século XIX. Porem a massa não
foi posteriormente renomeada por ele (até compreensível se considerarmos que
talvez pâte à Carême pudesse ser um nome
um tanto confuso, dado que Carême é a palavra francesa para a Quaresma). Em
qualquer caso, parece que ninguém mais pensou em mexer com a receita usada pelo
Carême, e a pâte à choux usada hoje é a
mesma usada por Carême a quase 200 anos atrás.
Agora, de volta a la
Religieuse ...
De acordo com uma
versão da história (cuja veracidade não pôde ser confirmada), a massa de Carême
foi um melhoramento da massa feita na Parisian pâtissier Frascati que tornaria seu legado mais visível para
gourmands de todo o mundo. Em 1856, depois de dias em sua cozinha ele
conseguiu criar la religieuse pela
primeira vez. Embora não se saiba exatamente quando o nome foi aplicado pela
primeira vez. É claro, no entanto, em 1929 o nome se alastrou espalhando a delicia ainda mais ,
e estas iguarias passariam a evocar a imagem de freiras obesas.
La religieuse é
tradicionalmente tem tradicionalmente o
mesmo formato – ate para não descaracterizá-la. No entanto, vários confeiteiros
têm produzido algumas variações de seus glacês e recheios que as tornam ainda
mais atraentes. A Ladurée, a famosa
pastelaria parisiense (particularmente conhecido por seus macarons), introduziu
essas variedades exóticas como rosa, violeta, flor de laranjeira, anis
framboesa, caramelo e manga
As religiosas da Ladurée
Agora faça suas religiosas para comer. e se delicie sem culpa - mas cuidado com o pecado da gula (risos)
Religieuses
au chocolat au lait
Para a
massa choux:
1/4 litro de água
200 g de farinha
100 g de manteiga
4 ovos
1 pitada de sal
Para o
creme de chocolate:
3 gemas
90 g de açúcar
20 g de amido de milho
30 g de farinha de trigo
1/2 litro de leite
100 g de chocolate ao leite
1 pitada de sal
Para o
creme de manteiga:
2 gemas
60 g de açúcar
60 g de manteiga
Para a
cobertura:
100 g de chocolate ao leite
2 colheres de sopa de leite
15 g de açúcar de confeiteiro
Preparo
da massa choux:
despeje a água, o sal e a manteiga em uma panela. Leve a ferver. Acrescente a farinha e misture bem. A massa
deve sair desgrudar do fundo da panela. Retire do fogo para Incorporar os ovos,
um de cada vez, tendo o cuidado de misturar bem
cada vez que acrescentar os ovos. Prepare uma assadeira untada ou com
papel manteiga, em seguida, fazer sobre ela 6 grandes bolas de massa para a
base das religiosas, e seis menores para as cabeças. Asse 30 minutos a 180 ° C.
Uma vez bem douradas e cozidas, deixe esfriar.
Creme de manteiga: misture o
açúcar em uma panela com um pouco de água. Leve a ferver. Ele deve formar um
xarope. Em uma tigela, bata as gemas, em seguida, adicionar a calda. Bata até
que esteja frio. Adicione a manteiga gradualmente (com a ajuda da batedeira
fica mais rápido). Você deve obter um creme liso. Coloque no freezer para
endurecer um pouco. Creme de chocolate:
Ferva o leite e o chocolate em uma panela. Em uma tigela, misture as gemas e o
açúcar. Em seguida, adicione a farinha, o amido de milho e sal. Misture com o
chocolate ao leite. Depois, volte para panela em fogo baixo. A preparação deve
engrossar. Em seguida, retire do fogo e deixe esfriar. Cobertura: Fazer a cobertura, fazendo chocolate derreter com leite
e açúcar. Camada superior de cada repolho. Em seguida, montá-los. Montagem: faça um furo em cada bola e
em seguida, recheie com o creme de chocolate com a ajuda de um saco de
confeitar. Em seguida cubras as com a cobertura de chocolate, monte-as com a
ajuda do creme de manteiga e as decore a gosto.
Leve-as ao freezer e tire-as de lá horas antes de servir.
Dica: Eu recomendo que você faça a cobertura por
ultimo pois ela endurece rapidamente.
Religieuse
à la Rose
Massa
Choux:
250 ml de água
100 g de manteiga sem sal - em cubos
2 g de sal
4 g de açúcar refinado
150 g de farinha de trigo
4 ovos
Creme
de rosas:
800ml de leite
8 gemas
160 g de açúcar refinado (dividido em dois)
60 g de amido de milho
extrato de baunilha natural
50 ml de água de rosas
100 ml de xarope de rosa
Creme
de manteiga:
120 g de açúcar
40 ml de água
4 gemas
180 g de manteiga - em cubos, à temperatura
ambiente
extrato de baunilha natural
Cobertura
de Fondant de-rosa:
250 g de fondant branco pornto ( se encontra nas lojas de produtos
para culinária)
20 ml de xarope de rosa
Preparo
da massa: Junte a água, o sal e o açúcar em uma panela.
Adicione a manteiga em cubos e deixe ferver. Tire do fogo após ferver e
acrescente a farinha rapidamente de uma só vez e mexa com uma colher de pau
para incorporar veementemente. Retorne panela ao fogo baixo e continue mexendo
para tirar a umidade até que a massa solte do fundo da panela. Coloque a massa
em uma tigela limpa, misture os ovos um de cada vez, com uma colher de madeira
(ou na batedeira). Com a massa pronta,
faça a mesma quantidade de bolas grandes e pequenas e leve para assar em uma assadeira forrada com
papel manteiga. Asse em forno a 150 graus C até dourar (cerca de 25 minutos),
em seguida, deixe esfriar completamente .Creme
de rosas: Em fogo médio, aqueça o
leite com metade do açúcar em uma panela; Usando um batedor de ovos, misture as
gemas com batidas ligeiramente com a outra metade do açúcar, em seguida,
adicione a baunilha e o amido. mistura até a massa soltar na panela. Em uma
tigela limpa, bata a massa com a água de
rosas e o xarope de rosas, em seguida cubra com filme plástico, leve para
esfriar completamente na geladeira. Quando esfriar, preencha generosamente as
bolas de massa já assadas. Creme de
manteiga; Misture o açúcar e a água em uma panela ferver. Coloque as gemas em uma batedeira, em
velocidade baixa e bata ate ficar uma espuma clarinha. Lentamente vá juntando a
calda de açúcar até ganhar uma mistura volumosa, mas ainda morna, Incorpore a
manteiga cubo por cubo. Mistures suavemente até ganhar uma consistência
cremosa. Usando um saco de confeitar e uma ponta pequena estrela, decorar como
quiser. Cobertura de Fondant de-rosa:
amoleça o fondant de acordo com o que
pede a embalagem. Misture o
xarope e misture bem, em seguida cubra metade das bolas. E monte-as com o creme
de manteiga.