sábado, 22 de setembro de 2012

Sobremesas retrô: Watergate Salad & Cake


É tempo de campanha eleitoral no Brasil e nos Estados Unidos...  E eu odeio política. Coincidentemente o primeiro poste desta Confraria foi publicado numa época assim.
Hoje, enquanto eu vasculhava a internet, atrás de notícias interessantes, fiquei pensando sobre o que a política poderia me oferecer para escrever um post bacana. E não é que deu certo! Diante das noticias sobre o julgamento do mensalão; das imagens de políticos esquisitos e prometendo mundos e fundos nas propagandas eleitorais brasileiras; e vendo o acirramento da corrida dos presidenciáveis nos EUA, a inspiração me veio, fantasiada de corrupção.
Engraçado que eu tive, inicialmente, um pensamento estranho. Pensei: “  - Nos países desenvolvidos até a corrupção serve para criar culturas gastronômicas”. Algumas pessoas podem até me recriminar por este pensamento, mas o fato é que; enquanto no Brasil, a corrupção acaba em pizza (que não é típica do país); nos Estados Unidos, por exemplo, o caso  mais famosos de corrupção  acabou  gerando duas produções gastronômicas que são ícones até hoje: a Watergate Salad e o Watergate Cake.

Watergate Salad
Watergate Cake
O caso Watergate foi o escândalo político ocorrido na década de 1970 nos Estados Unidos da América que, ao vir à tona, acabou por culminar com a renúncia do presidente americano Richard Nixon eleito pelo partido republicano. "Watergate" de certo modo tornou-se um caso paradigmático de corrupção.

COMO ACONTECEU?

Complexo Watergate
 Em 18 de Junho de 1972, o jornal The Washington Post noticiava na primeira página o assalto do dia anterior à sede do Comitê Nacional Democrata, no Complexo Watergate, na capital dos Estados Unidos. Durante a campanha eleitoral, cinco pessoas foram detidas quando tentavam fotografar documentos e instalar aparelhos de escuta no escritório do Partido Democrata.
Bob Woodward e Carl Bernstein, dois repórteres do Washington Post, começaram a investigar o então já chamado caso Watergate. Durante muitos meses, os dois repórteres estabeleceram as ligações entre a Casa Branca e o assalto ao edifício de Watergate. Eles foram informados por uma pessoa conhecida apenas por Garganta profunda (Deep Throat) que revelou que o presidente sabia das operações ilegais.
Richard Nixon foi eleito presidente em 1968, sucedendo a Lyndon Johnson, tornando-se o terceiro presidente dos Estados Unidos a ter de lidar com a Guerra do Vietnã. Nixon voltou a candidatar-se em 1972, tendo como opositor o senador democrata George McGovern, e obteve uma vitória esmagadora, ganhando em 48 dos 50 estados. McGovern venceu apenas em Massachusetts e em Washington.
Foi durante essa campanha de 1972 que se verificou o incidente na sede do Comitê Nacional Democrático. Durante a investigação oficial que se seguiu, foram apreendidas fitas gravadas que demonstravam que o presidente tinha conhecimento das operações ilegais contra a oposição. 
Em 9 de Agosto de 1974, quando várias provas já ligavam os atos de espionagem ao Partido Republicano, Nixon renunciou à presidência. Foi substituído pelo vice Gerald Ford, que assinou uma anistia, retirando-lhe as devidas responsabilidades legais perante qualquer infração que tivesse cometido.

A saída de Nixon da Casa Branca
Por muitos anos a identidade de "Garganta Profunda" foi desconhecida, até que a 31 de Maio de 2005 o ex-vice-presidente do FBI, W. Mark Felt, revelou que era o Garganta. Bob Woodward e Carl Bernstein confirmaram o fato.

A carta de renúncia de Nixon
AS RECEITAS DE WATERGATE: SALAD AND CAKE

Pistaches sempre foram apreciados desde o início dos tempos. Eles são em geral considerados artigos de luxo. No século 20, os avanços tecnológicos tornaram esse tipo de nozes mais acessíveis aos cozinheiros domésticos. Evidência culinária confirma estas os pistaches eram mais frequentemente usado para cremes gelados e em parfaits. Embora se saiba que eles também eram algumas vezes usados em patês, saladas (coberturas, moldados em combinação com outros ingredientes como gelatina), assados e doces.
Apesar das saladas e bolos feitos com sabor de pistache remontam ao início do século 20, as provas da culinária liga as receitas que nós conhecemos hoje como salada de Watergate e Bolo de Watergate à Companhia Kraft, que já explodia no mercado em meados dos anos 1970. Mas por que da existência de ligação com a Kraft? Simples, ambas as receitas usam mistura de pudim instantâneo de pistache, que foi introduzido pela Kraft Foods em 1975.
Por que dar o nome Watergate para estas receitas?
A resposta parece óbvia para todos que conhecem um pouco sobre os acontecimentos políticos americanos durante esse período de tempo. Mas curiosamente, ela ainda tem que ser confirmada. Pois a Kraft não dá crédito para o nome.
Sabe-se que, em 1973, dois livros com receitas de "Watergate" foram publicados: The Watergate Cookbook, N.Y. Alplaus [Emporium Publications: Charlestown MA] and The Watergate Cookbook (Or, Who's in the Soup?), The Commitee to Write the Cookbook [New Lone Star Press:Cambridge MA].  Estes foram aparentemente inspirados pelo artigo Tom Donnelly "Serve Hot, The County the Silver” (Sirva quente, o município da Prata), publicado no início do ano, no Washington Post. Nenhum desses livros, nem o artigo Donnelley, contêm receitas para Salada Watergate ou Bolo de Watergate.

"Nós desenvolvemos a receita para Pistachio Pineapple Delight", diz Pat Risso de Assuntos Corporativos da Kraft. "Foi em 1975, mesmo ano em que a mistura de pudim de pistache saiu." A empresa, no entanto, não sugeriu a sobremesa nem a salada, muito menos o seu nome. Até que consumidores começaram a pedir uma receita para Salada Watergate. "De acordo com a Kraft cozinhas, quando a receita para Delight Abacaxi Pistache foi enviada, um editor de alimentos de Chicago ele a batizou como Salada Watergate para promover o interesse na receita quando ele a imprimiu em sua coluna," e a resposta para isso foi rápida.  THE PROOF IS IN THE PUDDING; CRASHING WATERGATE (A prova está no pudim:  quebrando Watergate), Louis Mahoney; The Richmond Times Dispatch, August 4, 1999 (p. F-1)

Salada de Watergate teria sido batizada por um editor de alimentos Chicago para um artigo, mas nem o artigo nem o editor foi rastreado. Enquanto o nome completo do bolo  Watergate seria  Watergate Cake with Cover-Up Icing (bolo Watergate com cobertura de encobrimento). (TRIVIA, ROGERS CADENHEAD, Knight Ridder Newspapers, The Record (Bergen County, NJ) March 15, 2000)
"Novos sabores em 1976 eram Americana Arroz doce e pudim instantâneo de Pistachio. Receitas populares eram o bolo com cobertura desse pudim, em 1981, e a Watergate Salada (pistache e abacaxi)." A história de Jell-O, Kraft Food Company ".--- a partir do site Web da Kraft de idade (não incluído em páginas correntes)

SALADA WATERGATE


Esta salada Watergate original é mais uma daquelas receitas clássicas, que remonta aos anos 70, e pode ser vista por aí com algumas variações. Ainda é um prato muito comum em chás de bebê, festas de compromisso, e até casamentos no sul dos EUA, tendo abacaxi, marshmallows e pistache como base.
Pistaches são nativos da Ásia Central e membro da família de caju. O pistache tem sido cultivado há cerca de 3.000 anos e tem uma longa história de popularidade no mundo Mediterrâneo, mas foi na década de 1930 com. o advento de máquinas de venda automática, que os pistache importados da Itália tornou-se uma espécie de febre nos Estados Unidos, servindo como um lanche. (The Cambridge World History of Food, Kenneth F. Kiple and Kriemhild Conee Ornelas, Volume 2, (p.1835)
Em 1901 a Dole Company se torna Companhia havaiana do abacaxi. Seu dono James Dole torna-se conhecido como" O Rei Abacaxi ", porque ele foi capaz de crescer e colher muitas safras quando tantos outros haviam falhado com esta produção. Sua empresa coloca no mercado abacaxi enlatado em cada supermercado do país e faz o nome "Hawaiian" quase como sinônimo de "abacaxi".
Fazer saladas que combinavam todos os tipos de ingredientes (especialmente mini-marshmallows) estavam na moda nos anos 1920. A mais antiga receita que encontrei, especificamente com o título "Salada Watergate" é esta de [1975]

Salada de Watergate
1 (20 onças) pode esmagados abacaxi (não drenado)
1 caixa de mistura de pudim instantâneo de pistache
1 1/2 xícaras de marshmallows pequenos
1 caixa (9 onças) topping chicoteado mistura
1 xícara de nozes ou menos ou pecans
Misture abacaxi não drenado com pudim por vazamento pudim em abacaxi. Mexa. Adicione o restante dos ingredientes. Mexa com as mãos. Esfriar antes de servir. C.K. -"Anne's Reader Exchange," Washington Post, November 13, 1975 (p. C17)

WATERGATE CAKE

"Uma nova crise em Watergate está varrendo a área de Washington, mas desta vez apenas donas de casa e homens de negócios de poucos parecem se importar ... A crise decorre da crescente popularidade de uma receita para uma mistura chamada" bolo Watergate ", que exige grandes quantidades de mistura de pudim em pó de pistache, tanto na camada de bolo e em sua crosta de glacê verde=claro. Aparentemente, apenas uma empresa, Pudim Royal, uma divisão da Standard Brands, Inc., distribui pudim de pistache na área de Washington. Supermercados não foram capazes para obter a mistura o suficiente para lidar com as demandas, que começou em torno do tempo de Ação de Graças e aumentou no Natal. As misturas tem sido retiradas das prateleiras das lojas n o mesmo dia em que são colocadas ... Se o surto de vendas não é diretamente atribuível à popularidade Bolo de Watergate ... O que nós não sabemos é porque este produto acaba de repente. Foi simplesmente fenomenal ... "Barry Scher, um porta-voz da gigante Kraft Foods , colocou a culpa não só da receita, mas também sobre a coincidência com a falta  pistache." Isso foi cerca de cinco meses, o porta-voz disse: "e como acabou, esta receita começou a circular a nossa volta e fomos bombardeados Nós odeiamos admitir isso, mas nós não conseguimos manter a mistura na prateleira com o  início da mania pelo bolo Watergate -... e o esforço resultante para fechar o fornecimento de demanda - testou velhas amizades e desafiou os instintos de engenhosidade e competitividade da economia doméstica de muitas áreas de Washington ... Ninguém, entretanto, parece ser capaz de identificar a origem deste Watergate, a receita parece que apareceu em uma série de jornais, incluindo o Washington Post. Ninguém pode explicar como o bolo tem esse nome ou porque pistache como o aroma principal Uma explicação atual se inclina sobre a presença de nozes trituradas no bolo -.. "bugs" no jargão de crianças como o porta-voz do gigante, Harold giesinger, proprietário da Pastelaria Watergate, não tinha pensamentos sobre onde a receita originada -., exceto que ela não estava na sua padaria "Nós não inventamos nada para que nós anexássemos com esse nome", disse ele. Tampouco, acrescenta, se sua loja contam com os pistache como um ingrediente fundamental em qualquer de seus produtos." Uma fonte privada pode ter colocá-lo juntos ", disse ele sobre a receita. Onde quer que o bolo Watergate tenha surgido, a empresa do pudim teria mais e mais problemas com ele. Há inclusive a suspeita de que algumas pessoas têm comprado mistura de pudim de pistache muito mais do que as que vão usar, basta ter a mistura para estar aliviado... isso está à vista. Outro fabricante, a General Foods, com a explosão de Watergate assistida pelo mercado de pistache, decidiu saltar dentro do mercado de pudins. Sua versão é esperada para chegar às prateleiras dos supermercados em março... " (A Watergate Cake Mania," Alexander Sullivan, Washington Post, February 26, 1976 (p. B2) [Recipe included, see below 1976]

“Segundo a minha irmã que vive em Waynesboro, Virginia, o nome do bolo tornou-se proeminente em parte do país, porque - Nixon gostava de pistache, portanto (e de um raciocínio bastante rebuscado) o nome do bolo de Watergate, sinônimo de pistache. Eu não tinha nem ouvido falar de Pudim Pistachio ou o bolo de Watergate até o outono passado, parou de visitá-los, e ela teve o bolo preparado para nós para comer. no entanto, sua receita é muito diferente do que o impresso no Washington Post quinta-feira em sua coluna. Atenciosamente, Virginia K. Wiszneauckas, Wheaton, Maryland "--- "Esse bolo" (That Cake)" Washington Post, March 11, 1976 (p. VA2) “

A primeira receita que encontrei para bolo de pistache também emprega uma mistura de bolo pronto, conhecida como "mock pistache "!


[1962]Pistache e amêndoa
Em um mistura para bolo, coloque algumas gotas de corante alimentar verde, 1/4 de colher de Extrato de amêndoas, 3/4 xicara de amêndoas picadas. (Good Housekeeping Cook Book, Dorothy B. Marsh [Good Housekeeping:New York] 1962 (p. 457)

Agora compare a receita acima com estas:

[1975] "Bolo de Watergate
1 caixa de mistura de bolo branco
1 caixa de pudim instantâneo de pistache
1 xícara de óleo vegetal
1 xícara de club soda
3 ovos
1/2 xícara de nozes picadas
Misturar todos os ingredientes poços (4-4 minutos). Asse em assadeira untada  de 12 por 9 polegadas por 45 minutos a 350 graus.
Cobertura para bolo
1 caixa de pudim instantâneo de pistache
1/4 xícara de leite frio
1 caixa (9 onças) topping (mistura para glacê)
nozes e cerejas
Bata o leite em mistura de pudim instantâneo. Prepare cobertura mix de acordo com instruções na caixa. Dobre na mistura do pudim. Espalhe no  bolo e cubra com nozes e cerejas. C.S.R. Arlington." ---"Anne's Reader Exchange," Washington Post, November 13, 1975 (p. C17)

[1976] "Aqui é uma receita de bolo fantástico que eu gosto de preparar para ocasiões especiais", escreve Nels Wenman. "Ele foi enviado a mim por um primo, no Arizona."
Bolo de Watergate com Cover-Up Icing
1 (18 1/2-ounce) pacote de mistura de bolo branco
1 (3 1/2-ounce) pacote de mistura de pudim instantâneo de pistache
3 ovos,
3/4 xícara óleo invicto
1 copo de bebida gaseificada lima-limão
Cover-Up Icing
3/4 xícara de coco ralado
1 xícara de nozes picadas
Combine a mistura de bolo, mistura de pudim, ovos, óleo e lima-limão em uma tigela. Bater até ficar bem misturado. Despeje em uma forma untada e enfarinhada 13x9 polegadas e leve ao forno a 350 graus e 45 minutos. Cool. Espalhe com Cover-Up gelo e polvilhe com o coco e nozes.
Cover-Up Icing
2 (1 1/2-ounce) envelopes nondairy chicoteado mistura topo
1 1/2 xícaras de leite
1 (3 1/2-ounce) pacote de mistura de pudim instantâneo de pistache
Bata a mistura  topping com o leite, misture e pudim juntos até ficar homogêneo e espesso. "Minha Melhor Receita", (My Best Recipe) Los Angeles Times, June 17, 1976 (p. H6)

Todo esse contexto nos leva a crer que: a corrupção existe, mas o que podemos  fazer a partir dela cabe somente a nós. Espero que no Brasil, as punições para os corruptos sejam cada vez mais duras e eficazes, e que sirvam de lição para os próximos.
E de repente, (seria pedir muito?) mas seria interessante se algum chef brazuca pudesse criar alguma receita para ficar na história. Já imaginaram em comer o bolo do mensalão? Bom, te uma forma ou de outra, teve gente que já o comeu (risos).

Watergate Salad
1 lata de abacaxi picado, com seu suco de abacaxi drenado - reserva o suco
2 pacotes pequenos de mistura de pudim instantâneo de pistache
1 copos de iogurte natural gelado
2 xícaras de marshmallows em miniatura
1 xícara de pistaches ou nozes picadas ou nozes

Preparo: Escorra o abacaxi, mas reservando o suco! Misture metade do suco de abacaxi com a mistura de pudim até ficar bem misturado. Juntar o iogurte e cuidadosamente misture o abacaxi, os marshmallows e as nozes. Adicione o suco de adicional apenas se necessário – tem que ficar uma mistura não muito mole. Cubra com filme plástico e leve  a geladeira pelo menos uma hora ou, de preferência faça durante a noite para comer no outro dia. Sirva em taças individuais com glacê. DICA: no Brasil é difícil achar o pudim de pistache, então use pudim instantâneo sabor baunilha e adicione essencial de pistache e um pouquinho de corante verde.

Watergate Cake
1 pacote de mistura para bolo branco
3 ovos
1 xícara de óleo vegetal
1 xícara de soda limonada
2 pacotes mistura para pudim instantâneo de pistache
1 mistura para glacê pronto preparado de acordo com a embalagem
1 xícara de leite frio
Pistaches para decorar

Preparo: Combine a mistura de bolo, ovos, óleo, a soda e um pacote do pudim de pistache, misture bem até incorporar tudo. Despeje a massa em uma forma de  13 x9 cm,  untada e enfarinhada. Asse em forno a 350 graus F (175 º C) por 30 a 40 minutos, ou até que um palito inserido no bolo ele saia limpo. Esfriar completamente. Enquanto o bolo está no forno, misture o pacote restante de pudim de pistache, com o leite e a mistura para glacê. Rechear  e cobrir o bolo com essa mistura, decorar com pistaches. Servir gelado

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

La Religieuse - A Freira (The Nun )


Ontem a noite comi uma religiosa (risos). Falando assim a mente fértil das pessoas já começam a divagar pelos lados mais pecaminosos. O que até é compreensível se considerarmos que o ato sexual no Brasil é muito ligado à comida (quem come/ quem é comida (o)). Mas isso é assunto pra Foucault e Freud.
No entanto foi comendo La religieuse, célebre doce da confeitaria francesa, que me peguei observando a hipocrisia das pessoas, no que tange aos valores moralistas que, na maioria das vezes, só servem para fazer tipo – porque a realidade mostra outra coisa (melhor parar por aqui. Pois este texto está virando algo muito complexo... risos).



Em suma: comi a religiosa e imediatamente, junto com foto da mesma postei uma campanha de marketing inglesa que uma famosa fábrica de sorvetes à italiana fez na terra da rainha, em 2010 –   a qual criou muita polêmica, e vendou ainda mais dos sorvetes , que já eram ótimos. Postei as fotos no facebook e os comentários estão me divertindo até agora...
Vejam as fotos abaixo, e tirem suas conclusões.


De fato mexer com a religiosidade é algo perigoso. Já levou muita gente pro ‘buraco”. Mas os tempos são outros – embora não menos perigosos.  
Comer uma religiosa fez todo esse reboliço que me levou do sorvete italiano/inglês à Diderot – sim, ele também escreveu sobre a religiosa. Mas neste caso não falava sobre o doce, e sim em uma freira legitima cheia de complicações impostas pela vida, que além de livro acabou  ganhando adaptação para as telonas do cinema: A Religiosa, dirigido por Jacques Rivette, em 1966, com base no último romance de Diderot, publicado apenas em 1796, doze anos após a morte do filósofo. Compreensível.


O Livro


Preso uma vez, em 1749, por causa de um ensaio cujo tema era o poder dos cinco sentidos sobre a razão (Carta Sobre os Cegos), Diderot foi mais cauteloso ao dar ao mundo sua versão de uma história real, a de uma freira de Longchamp, Suzanne Saulier, que perdeu um processo contra o convento em que foi confinada. Sem vocação, ela teria lutado sem sucesso pela revogação de seus votos religiosos, como a bela Suzanne Simonin de seu livro, que, aos 17 anos, obrigada pelos pais, ingressa na vida religiosa sem convicção. O livro destaca o vigor crítico desse texto "visual" que nasceu de uma brincadeira de salão de Diderot e seus amigos, ao saber da história da freira de Longchamp.
Visivelmente se pode acreditar que o  livro A religiosa, de Diderot, seria um texto amargo sobre a a vida monástica, ou mesmo um grande ataque à religião –se considerado seus textos anteriores sobre o mesmo assunto. 
A prisão de Suzanne Simonin não seria apenas física, mas, acima de tudo, moral. Privada de sua liberdade para pagar uma pena que não era a sua - a de ser filha bastarda de um advogado e uma mãe adúltera culpada -, a "religiosa" antecipa o drama dos personagens sartrianos. Para ela, não há saída. Seja no convento das freiras histéricas de Longchamp, que a identificam com Satã por ter negado seus votos, ou no convento das lésbicas libertinas de Arpajon, para o qual é enviada depois, Suzanne está condenada a pagar por sua lucidez e seu desejo de liberdade. E a pagar com a própria vida. Ajudada por um padre confessor igualmente sem vocação, ela foge do convento para viver livre, mas descobre tarde demais que a liberdade tem alto preço num mundo em que o senso de justiça social é precário. Às portas da prostituição, ela se mata.





Se pode sentir vendo o filme todo um embaraçamento de Diderot ao dar aos seus personagens uma identidade fixa e estável. Quando se sabe, por exemplo, que ele se saía melhor quando podia contar a história de forças naturais agindo sobre a estabilidade dessa existência individual, quando se abandonava ao prazer de acabar com a ilusão da autonomia pessoal. Não por outro motivo a freira de Diderot é uma filha ilegítima sem recursos ou poder de barganha com a família. Se, nas tragédias gregas, os filhos sempre acabam pagando pela culpa dos pais, o destino de Susanne Simonin não é diferente. Há, efetivamente, uma progressão trágica que marca A Religiosa desde o princípio.
Diderot assume a personagem colocando-se no lugar da atormentada religiosa, numa espécie de "androginia literária" em que Rivette apenas esbarra. Essa ética hedonista, que derrubaria as fronteiras morais, fazendo com que freira e criador se unissem contra uma disciplina estoica, é inútil porque se limita a um impulso isolado contra o despotismo. Em todo caso, Diderot tem uma esperança, assim como Suzanne: a de que seja ouvido pelo leitor; que ele, ao menos, experimente a liberdade de imaginar a liberdade.



É ao leitor que o autor conta (como se fosse Suzanne) que o relato só existe por causa do marquês de Croismare, seu amigo, a quem escrevia cartas como se fosse a freira perseguida de Longchamp, provocando-o com a necessidade de um benfeitor para interceder em seu caso, mentira que se revelou, afinal, a mais trágica e pura verdade.
O impacto do  filme foi outra polêmica. Ao ser lançado, em 1966, A Religiosa, dirigido por Jacques Rivette e agora disponível em DVD da Cult Classic, provocou um escândalo e tanto. O Ministério da Informação da França recebeu 12 mil cartas solicitando sua interdição e o governo do general De Gaulle simplesmente acolheu os pedidos. Proibiu o longa tanto na França como no exterior. Ele só foi liberado porque o ministro da Cultura, André Malraux, convenceu os produtores do Festival de Cannes a mostrar o filme, proibido por "imoralidade". No Brasil, o longa foi exibido com cortes.


Não pdoeria deixar de citar, Sister Act (Do Cabarét para o Convento ou Mudança de Hábito) filme estadunidense de 1992, com Whoopi 
Com todo este rebuliço eu não poderia deixar de falar, ainda, sobre este doce que trouxe todo este contexto á tona. 
La Religieuse, "freira" em francês, leva o esse nome a partir de uma semelhança, no entanto oblíqua, da aparência de uma freira obesa em seu hábito.


La religieuse é construída de dois bolinhos de pâte à choux  (massa choux) enchidos com creme pâtissière (creme pasteleiro), uma grande na parte inferior e uma menor na parte superior, cobertos com glace e chocolate e unidas com creme de manteiga. Muitas vezes, a cobertura é delicadamente moldada para ser vista como babados. E as pessoas sofrem o risco de sucumbir ao pecado da gula quando estes magníficos doces estão por perto.



A pâte à choux é uma de pelo menos nove ou dez massas de pastelaria diferentes usadas mais costumeiramente pela panificação e confeitaria francesa. O alto teor de água presente na pâte à choux vaporiza durante o cozimento e faz com que a massa se encha de ar. É uma massa relativamente simples feita apenas a partir da água, ovos, farinha e manteiga, e não contém fermento. La religieuse teria tido sua origem em meados do século XIX, como muitas outras sobremesas  feitas de pâte à choux.



O que se sabe...
A pâte à choux em si tem muitas histórias para o seu nascimento. Acredita-se  ainda que  primeira iteração com este tipo de massa se deu 1540, sendo invenção de  Panterelli, o chef florentino da rainha florentina da França, Catarina de Médici. A pâte à Panterelli eventualmente se tornou pâte à Popelin (usado para fazer Popelinis, pães pequenos em forma de seios de uma mulher), que posteriormente tornou-se pâte à choux quando no século XIX  a confeitaria do  Chef Avice chef mudou a receita para criar seus novas sobremesas feitas de pâte à choux, e esse nome ele deu porque eles se pareciam repolhos pequenos ("choux", em francês). Com o tempo os confeiteiros  foram refinando a receita:
Uns dizem que o doce surgiu em 1856, sendo inventado na Frascati de Paris, famosa por sua  confeiteira, que havia lhe dado uma forma diferente: um quadrado de massa folhada com recheio de crème pâtissière e cobertura de crème fouettée. Somente no final do século XIX, tomou a forma como nós o conhecemos: uma bolinha de massa  grande recheada com creme de chocolate (ou creme  Chiboust) e coberto com outra pequena bola de massa. Tudo estava gelado e decorado com redemoinhos buttercream.



O pai da alta cozinha, Marie-Antoine Carême, fez os refinamentos finais para a receita no início do século XIX.  Porem a massa não foi posteriormente renomeada por ele (até compreensível se considerarmos que talvez pâte à Carême pudesse  ser um nome um tanto confuso, dado que Carême é a palavra francesa para a Quaresma). Em qualquer caso, parece que ninguém mais pensou em mexer com a receita usada pelo Carême,  e a pâte à choux usada hoje é a mesma usada por Carême a quase 200 anos atrás.



Agora, de volta a la Religieuse ...
De acordo com uma versão da história (cuja veracidade não pôde ser confirmada), a massa de Carême foi um melhoramento da massa feita na Parisian pâtissier Frascati que tornaria seu legado mais visível para gourmands de todo o mundo.  Em 1856, depois de dias em sua cozinha ele conseguiu criar la religieuse  pela primeira vez. Embora não se saiba exatamente quando o nome foi aplicado pela primeira vez. É claro, no entanto, em 1929 o nome  se alastrou espalhando a delicia ainda mais , e estas iguarias passariam a evocar a imagem de freiras obesas. 
La religieuse é tradicionalmente  tem tradicionalmente o mesmo formato – ate para não descaracterizá-la. No entanto, vários confeiteiros têm produzido algumas variações de seus glacês e recheios que as tornam ainda mais atraentes.  
A Ladurée, a famosa pastelaria parisiense (particularmente conhecido por seus macarons), introduziu essas variedades exóticas como rosa, violeta, flor de laranjeira, anis framboesa, caramelo e manga
As religiosas da Ladurée

Agora faça suas religiosas para comer. e se delicie sem culpa - mas cuidado com o pecado da gula (risos) 

Religieuses au chocolat au lait

Para a massa choux:
1/4 litro de água
200 g de farinha
100 g de manteiga
4 ovos
1 pitada de sal
Para o creme de chocolate:
3 gemas
90 g de açúcar
20 g de amido de milho
30 g de farinha de trigo
1/2 litro de leite
100 g de chocolate ao leite
1 pitada de sal
Para o creme de manteiga:
2 gemas
60 g de açúcar
60 g de manteiga
Para a cobertura:
100 g de chocolate ao leite
2 colheres de sopa de leite
15 g de açúcar de confeiteiro

Preparo da massa choux: despeje a água, o sal e a manteiga em uma panela. Leve a ferver.  Acrescente a farinha e misture bem. A massa deve sair desgrudar do fundo da panela. Retire do fogo para Incorporar os ovos, um de cada vez, tendo o cuidado de misturar bem  cada vez que acrescentar os ovos. Prepare uma assadeira untada ou com papel manteiga, em seguida, fazer sobre ela 6 grandes bolas de massa para a base das religiosas, e seis menores para as cabeças. Asse 30 minutos a 180 ° C. Uma vez bem douradas e cozidas, deixe esfriar.  Creme de manteiga: misture o açúcar em uma panela com um pouco de água. Leve a ferver. Ele deve formar um xarope. Em uma tigela, bata as gemas, em seguida, adicionar a calda. Bata até que esteja frio. Adicione a manteiga gradualmente (com a ajuda da batedeira fica mais rápido). Você deve obter um creme liso. Coloque no freezer para endurecer um pouco. Creme de chocolate: Ferva o leite e o chocolate em uma panela. Em uma tigela, misture as gemas e o açúcar. Em seguida, adicione a farinha, o amido de milho e sal. Misture com o chocolate ao leite. Depois, volte para panela em fogo baixo. A preparação deve engrossar. Em seguida, retire do fogo e deixe esfriar. Cobertura: Fazer a cobertura, fazendo chocolate derreter com leite e açúcar. Camada superior de cada repolho. Em seguida, montá-los. Montagem: faça um furo em cada bola e em seguida, recheie com o creme de chocolate com a ajuda de um saco de confeitar. Em seguida cubras as com a cobertura de chocolate, monte-as com a ajuda do creme de manteiga e as decore a gosto.  Leve-as ao freezer e tire-as de lá horas antes de servir.

Dica:  Eu recomendo que você faça a cobertura por ultimo pois ela endurece rapidamente.

Religieuse à la Rose

Massa Choux:
250 ml de água
100 g de manteiga sem sal - em cubos
2 g de sal
4 g de açúcar refinado
150 g de farinha de trigo
4 ovos
Creme de rosas:
800ml de leite
8 gemas
160 g de açúcar refinado (dividido em dois)
60 g de amido de milho
extrato de baunilha natural
50 ml de água de rosas
100 ml de xarope de rosa
Creme de manteiga:
120 g de açúcar
40 ml de água
4 gemas
180 g de manteiga - em cubos, à temperatura ambiente
extrato de baunilha natural
Cobertura de Fondant de-rosa:
250 g de fondant branco  pornto ( se encontra nas lojas de produtos para culinária)
20 ml de xarope de rosa

Preparo da massa:  Junte a água, o sal e o açúcar em uma panela. Adicione a manteiga em cubos e deixe ferver. Tire do fogo após ferver e acrescente a farinha rapidamente de uma só vez e mexa com uma colher de pau para incorporar veementemente. Retorne panela ao fogo baixo e continue mexendo para tirar a umidade até que a massa solte do fundo da panela. Coloque a massa em uma tigela limpa, misture os ovos um de cada vez, com uma colher de madeira (ou na batedeira).  Com a massa pronta, faça a mesma quantidade de bolas grandes e pequenas  e leve para assar em uma assadeira forrada com papel manteiga. Asse em forno a 150 graus C até dourar (cerca de 25 minutos), em seguida, deixe esfriar completamente .Creme de rosas:  Em fogo médio, aqueça o leite com metade do açúcar em uma panela; Usando um batedor de ovos, misture as gemas com batidas ligeiramente com a outra metade do açúcar, em seguida, adicione a baunilha e o amido. mistura até a massa soltar na panela. Em uma tigela limpa, bata  a massa com a água de rosas e o xarope de rosas, em seguida cubra com filme plástico, leve para esfriar completamente na geladeira. Quando esfriar, preencha generosamente as bolas de massa já assadas. Creme de manteiga; Misture o açúcar e a água em uma panela ferver.  Coloque as gemas em uma batedeira, em velocidade baixa e bata ate  ficar  uma espuma clarinha. Lentamente vá juntando a calda de açúcar até ganhar uma mistura volumosa, mas ainda morna, Incorpore a manteiga cubo por cubo. Mistures suavemente até ganhar uma consistência cremosa. Usando um saco de confeitar e uma ponta pequena estrela, decorar como quiser. Cobertura de Fondant de-rosa: amoleça o fondant de acordo com o que  pede  a embalagem. Misture o xarope e misture bem, em seguida cubra metade das bolas. E monte-as com o creme de manteiga.


segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Green Pea Soup: a clássica sopa ver de ervilhas da Era Vitoriana


Eu adoro uma sopinha, e foi justamente pensando numa sopa clássica que me veio a vontade de escrever este post - que tem como objetivo dar inicio as postagens sobre a cozinha da era vitoriana. Mas para eu iniciar as postagens sobre receitas vitorianas, faz-se necessário esclarecer que este período da história, normalmente, está associado ao reinado da rainha Victoria (1837-1901), embora a quem diga que tal período tenha início cinco anos antes, em 1832, com a aprovação da Lei de Reforma no Parlamento. Que é quando, sem dúvida, muitas das sensibilidades políticas e negociatas associadas aos vitorianos foram estabelecidas.

Rainha Victoria
O Reinado de Vitória coincidiu com um longo período de prosperidade para o povo britânico, onde novas descobertas científicas e um império em expansão trouxeram riqueza e prosperidade – fato que permitiu desenvolver uma classe média educada. As pessoas de classe média eram pouco utilizadas para lidar com funcionários e grandes famílias, mas eram ávidos leitores. Como resultado pequenas publicações prosperaram e um grande período literário desenvolveu-se com isso.  Para atender a nova classe média, autores, começando com Eliza Acton e principalmente Mrs. Beeton ( veja aqui o livro Mrs Beeton’s  )que escrevia artigos e livros publicados sobre os assuntos de administração do lar e culinária.

Mrs. Beeton

De fato, foi durante este período que os primeiros livros de estilo moderno de culinária, com listas de ingredientes e instruções sobre como cozinhá-los foram escritos e publicados. Como em anos anteriores, as refeições eram muitas vezes grandes assuntos elaborados. A diferença na era vitoriana era que tais refeições eram da alçada das classes médias e não apenas para os ricos e a nobreza.
Uma família de classe média normalmente iria tomar café da manhã, às 9h, seguido de almoço ao meio-dia (isso foi sempre seguido por pudim) e jantar foi servido às 18:00 para permitir que em até três horas uma refeição podesse consistir entre 20 a 40 pratos separados. Abaixo você verá o menu  típico de um dia  da era vitoriana:

Café da manhã: bacon, ovos, Kedgeree, rins, torradas, geleias, chá, café
Almoço: Sopa de quentes e frios, carnes, tortas de frutas, manjar branco, queijo
Jantar: Sopa geladas, rosbife, peixe e legumes cozidos maçãs, geleia, frutas, queijos salgados Para mais autêntica versões de refeições vitorianas, veja a página sobre as contas vitorianas de tarifa (menus) derivados de livro de receitas de Francatelli. (Clique aqui par ver o livro de Francatelli

É claro, havia também o ritual diário de servir o chá da tarde, muitas vezes acompanhado com bolos, tortas e sanduíches pequenos. O advento das  conservas durante os chás também abriu a dieta para novas possibilidades, o que também foi acompanhado por uma revolução em fogões, panelas e aparelhos de cozinha, permitindo que as refeições fossem servidas em novas formas.
Este foi também o momento em que Charles Dickens popularizou o peru como a peça central da mesa de Natal. Na verdade, as refeições eram celebrações especiais de férias, sendo chamadas de pratos finos, que incluíam: tortas de carneiro, porco e peru assado, carne cozida, Coelhos Stewed, pudim de ameixa e pique.
A era vitoriana foi também a primeira era do Chef como celebridade, e na época um deles se destacou bem Charles Elmé Francatelli (1805-1876), um inglês de origem italiana, que viajou para a França para estudar com o lendário Antonin Carême o fundador da alta cozinha francesa. 

Francatelli

Francatelli foi mais reverenciado para misturar o melhor da cozinha italiana e francesa. Ele foi brevemente maitre-d'hotel e chefe cozinheiro da rainha Victoria, compromisso  que levou Francatelli a ganhar destaque em sua carreira. Em 1854, foi nomeado chefe de cozinha no famoso Reform club em Londres. Seu primeiro livro, intitulado O Cozinheiro Moderno (The Modern Cook), foi publicado em 1846 e era tão popular que ganhou 29 edições.


Ele também escreveu um livro de culinária simples para as classes trabalhadoras (Plain Cookery Book for the Working Classes - 1852), o Guia do Cozinha e governança (The Cook's Guide and Housekeeper's & Butler's Assistant - 1861; recitas disponíveis aqui). 
Naturalmente, outro chefe celebridade da época foi era Alexis Soyer Benoist (1810-1858), um francês, naturalizado na Inglaterra depois da revolução de Les Trois Glorieuses de 1830. Soyer foi o chef original do Reform Club 1838-1850 e foi ele que projetou a cozinha. Ele foi também um escritor prolífico e um inventor (inventou um fogão mágico (de mesa), o temporizador de cozinha e um fogão para o exército).

Alexis Soyer

O fogão  Mágico de Soyer

Ele também era um filantropo, inventou a famosa sopa que saciou a Grande Fome da Irlanda, ajudando os pobres a melhorar sua alimentação e ajudando os soldados britânicos melhorar as suas condições durante a guerra da Criméia.Suas práticas e invenções levou a milhares de vidas sendo salvas. Mas, como suas fontes documentais foram destruídas após a sua morte, Alexis Soyer é o primeiro chef celebridade que ninguém conhece. Receitas tornou-se uma parte da vida diária, tanto assim que, em seu volume de 1859
Infelizmente não consegui a receita da sopa de Soyer. Porem trago para vocês um clássico da cozinha vitoriana, difundida nos quatro cantos do mundo> a Green Pea Soup - Sopa de ervilha verde. 
A Green Pea Soup é uma receita clássica de uma versão vitoriana de sopa de verde de ervilha, criação do chef Charles Elme Francatelli, presente em seu livro The Cook's Guide and Housekeeper's & Butler's Assistant, no volume de 1861. E ao final do  post trago o vídeo de uma tradicional opereta criada na era vitoriana, que e adoro  pro ser cômica: The Mikado

Green Pea Soup (receita original da sopa de ervilhas)

Para um quarto de ervilhas grandes, um bom punhado de salsa, o mesmo de cebola verde, e dois punhados de hortelã verde; ferver estes em três litros de água com um pouco de manteiga e um pouco de sal, e assim que as ervilhas estiverem no ponto, drenar seu caldo em uma panela e reserve-o; bater as ervilhas em um almofariz, misturá-los com o caldo onde ervilhas foram cozidas em seguida passar na peneira, e despeje o purê em uma panela de sopa. Quando prestes a enviar para a mesa, fazer a sopa quente, mexendo sobre o fogo sem permitir que ela ferva, adicione um pacotinho de manteiga, um pouco de pimenta e sal, uma colher de sobremesa de açúcar, e cerca de duas onças de caldo de carne concentrado; servir quente, com crostas de pão  fritas em uma placa, em separado. Nota: O crostas fritas são preparadas da seguinte forma: pegue um pedaço do miolo de um pão e cortar em fatias esta com menos de um quarto de polegada de espessura, e novamente cortar as fatias em quadrados pequenos muito mesmo, estas deverão ser frito com cerca de um grama de manteiga, sobre o fogo brando com cuidado a ser tomado para deixa-los levemente fritos até assumir uma cor marrom-dourado, escorra a manteiga, e colocá-los no papel limpo para absorver a gordura.

O Pão da Gratidão apresentado na Cearáfest-pão 2012


Estes dias fui surpreendido em um evento que compareci, aqui em Fortaleza... estava eu na Cearáfest-pão 2012 (uma junção da Cearápão e da Festpan), evento que sempre atrai alguma novidade para as terras alencarinas, mas desta vez  teve um gostinho mais que especial.



Logo no primeiro dia do evento o público  foi apresentado ao Pão da Gratidão, em suas duas versões (doce e salgado) que será a aposta da Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria -  ABIP, como  símbolo para o Dia Nacional de Ação de Graças. 
Pão da Gratidão versão doce - com passas e vinho


Pão da Gratidão versão salgada - com cebola, salsa e alho desidratados.

Acontece que durante a preparação dos pães, no estande M.DiasBranco, algo me pediu para entregar um cartão a moça que estava ao  meu lado e para a minha surpresa, era Graciete Pedrosa,  Gerente Executiva do Comitê Brasileiro de Regaste do Dia Nacional de Ação de Graças (DNAG)... alguns minutos de conversa e eu já estava no estande do Comitê, onde tive para minha grata surpresa  a constatação que esta confraria se encontrava num dossiê do Comitê que trazia os apoiadores do Resgate do DNAG. É sempre bom saber que o nosso tempo dedicado a esta Confraria é reconhecido, de alguma forma.


Eu e Graciete Pedrosa


Nosso confrade Pedro Júlio com Graciete 
A equipe do Grupo M.Dias Branco
Os especialistas da panificação preparando suas delícias 
Aproveito para agradecer a Graciete Pedrosa pela boa conversa, pelas explicações e para reforçar que podem contar com esta confraria para apoiar o resgate pelo dia nacional de Ação de Graças.
A Cearafest-pão 2012 trouxe mais uma vez expositores a nível nacional de produtos ligados a panificação, confeitaria e de uso na gastronomia em geral (maquinas equipamentos e ingredientes que fazem a diferença na hora de atrair o consumidor. Sem contar nas homenagens ao centenário do rei do baião e nas oficinas e palestras, sempre lotadas e disputadas pelos visitantes da feira como as do Chef Alexandre Bispo e Geny France com sua aula Show).  


Harald e Central do Trigo homenageiam os 100 anos de Luis Gonzaga, produzido com o Puro Chocolate Harald Melken e Cobertura Harald Top, Ceará Fest Pão Fortaleza – de 29 a 31/08 om nosso Chefs Chocalatier – Alexandre Bispo e Técnico Chocolatier André Bispo

isso deu água na boca!!!


Nada melhor do que um pão quentinho!
A sanfona de chocolate do chef Alexandre Bispo
No verso da sanfona, uma imagem bem nordestina - tudo feito com chocolate!!!
Bispo trabalhando
Nossa querida Geny France
Mas senti falta de alguns estandes que estiveram presentes no evento do ano passado, como os das padarias de Fortaleza - que na edição anterior levaram alguns exemplares de suas novidades gastronômicas para oferecer como degustação aos visitantes. Um lançamento interessante deste ano foi o sorvete sabor pé de moleque da Kibon, que eu amei!!!


A equipe da Kibon
Não posso deixar de agradecer aos profissionais da confeitaria e panificação pela dedicação na transmissão do conhecimento
Mas devo confessar que foi justamente o pão da gratidão a “menina dos olhos” desta edição do evento. Obviamente que experimentei as duas versões do pão e lhes digo: vale muito a pena preparar estas receitas, o resultado  fica uma delícia – sem contar na simbologia que ele vem trazendo e na nossa parcela de contribuição ao resgate a cultura que estaremos fazendo.
No entanto a história do pão da gratidão começou  alguns meses atrás quando o Grupo M. Dias Branco criou, em parceria com Associação Brasileira da Indústria da Panificação (ABIP) e o Comitê Brasileiro do Movimento de Resgate do Dia Nacional de Ação de Graças (DNAG), a campanha Pão da Gratidão. A ação tem como objetivo ressaltar a importância do pão como símbolo do Dia Nacional de Ação de Graças, comemorado em 22 de novembro.
As duas receitas do Pão da Gratidão foram desenvolvidas por especialistas do Programa de Apoio a Panificação (PAP), do Grande Moinho Tambaú (GMT) e da Divisão de Gorduras e Margarinas Especiais (GME), foram preparadas com a farinha Medalha de Ouro, que faz parte do portfólio do Grupo M. Dias Branco.  A seleção das receitas foi realizada durante a Feira Internacional de Panificação e Confeitaria (FIPAN), no dia 17 de julho, em São Paulo, por meio de uma exposição e degustação dos pães. Para a escolha da receita, foram avaliados critérios como, receita inovadora, apelo de saudabilidade, mão de obra qualificada e dedicada, praticidade e o custo da receita.  


Definitivamente o resultado dos pães foi maravilhoso. Sem contar que são receitas fáceis de preparar, que apresentam um potencial enorme para cair no gosto popular – confesso que o pão da gratidão salgado, feito com especiarias, aqui  friso a cebola – que deu todo um toque especial ao pão, me encantou ao ponto de já querer ter o pão na padaria para consumo imediato. 
Mas as coisas não acontecem assim, de uma hora pra outra, e o Comitê pelo Regaste do DNAG está trabalhando com a ABIP para que  até 2014 o pão da gratidão já esteja presente em todas as padarias brasileiras, como símbolo oficial pelo Dia de Ação de Graças.
Para isso  vejamos o que propõe o Comitê:

 MISSÃO

Consolidar o DIA NACIONAL DE AÇÃO DE GRAÇAS| DNAG como um instrumento de mobilização social, com o fim de oportunizar ajuntamentos, confraternizações e ações de assistência social, resultantes do sentimento de Gratidão a DEUS.

VISÃO

Até 2014, ver todo o Brasil comemorando o DIA NACIONAL DE AÇÃO DE GRAÇAS | DNAG.

OBJETIVOS

1. Propiciar a celebração do DIA NACIONAL DE AÇÃO DE GRAÇAS | DNAG, em âmbito nacional, a 4ª quinta-feira do mês de novembro de cada ano, data oficial no Brasil, conforme a Lei Federal nº 781/49, regulamentada pela Lei nº 5.110/66;

2. Estimular a cultura de gratidão a DEUS na nação brasileira;

3. Incentivar a celebração do DIA NACIONAL DE AÇÃO DE GRAÇAS | DNAG por meio de Confraternizações, Ajuntamentos e da Assistência Social;

4. Incentivar a celebração do DIA NACIONAL DE AÇÃO DE GRAÇAS | DNAG nas famílias, estabelecimentos de ensino, órgãos públicos, empresas públicas, de economia mista e privadas, comunidades religiosas, desportivas, militares, nas ONG's e nos demais grupos sociais;

5. Perpetuar a ampla visão do Embaixador Brasileiro, Joaquim Nabuco, que, em 1909, ao final da primeira missa Pan-americana no DIA DE AÇÃO DE GRAÇAS, celebrada na Catedral de São Patrício, emocionado declarou: "Eu quisera que toda a humanidade se unisse, num mesmo dia, para um universal agradecimento a Deus";

6. Estimular a ampla divulgação do DIA NACIONAL DE AÇÃO DE GRAÇAS | DNAG nos meios de comunicação e redes de relacionamento disponíveis;

7. Estimular o princípio da inclusão e do compromisso social, vinculando o ato da GRATIDÃO ao ato da DOAÇÃO, visando a diminuição da VIOLÊNCIA e a promoção da PAZ.




Que tal um bolo-caminhão?


Realmente louvável a atitude de todos os que se uniram para desenvolver este projeto. Eu, como não poderia ficar de fora, vou fazer minha parte por aqui, divulgando as receitas dos pães da gratidão na esperança de estar incutido na sua cabeça, caro leitor, a curiosidade de experimentar os pães e de prepará-los para o dia de Ação de Graças, que este ano cairá no dia 22 de novembro. Para mais informações sobre os eventos realizados pelo Comitê de Regaste DNAG acesse o site (Clique aqui).
A Cearáfest-pão teve seu encerramento com uma bela festa no Coliseu by  La Maison Buffet, estivemos  lá, eu e o confrade Pedro Júlio - porém não ficamos até tarde em virtude de outro eventos ao qual  tínhamos de comparecer. pena não termos encontrado Graciete pedrosa por lá até a hora que saímos, mas já aproveito para agradecer mais uma vez pelos convites, pelas conversas e pela ação que ela vem desenvolvendo.


Moi, no encerramento do evento.
Pedro Júlio



Pão da gratidão salgado (com especiarias)

Massa esponja
850g de farinha de trigo medalha de ouro
15g de fermento seco
480ml de água gelada

Massa reforço
150g de farinha de trigo Finna Mix Integral
16g de sal
25g de especiarias desidratadas (cebola, salsa e alho)
50ml de azeite de oliva

Preparo massa esponja: Misturar a farinha de trigo e o fermento na masseira na velocidade 1 até misturar bem, acrescentar a água gelada e misturar até homogeneizar por dois minutos. Misture por mais um minuto e deixe descansar por no mínimo 30 minutos. (isso tudo você pode fazer  na mão, mas vai levar mais um tempinho até tudo  ficar homogêneo). Massa reforço: junte o reforço com a esponja e faça uma massa lisa e homogênea. Em seguida divida a massa em pedaços de 350g gramas, boleie e deixe descansar pro dois minutos. Em seguida modele no formato de “filão” e deixe fermentar por mais 1 hora e 30 minutos. Depois disso, polvilhe com farinha de trigo e leve ao forno para assar por 30 minutos (temperatura media 190 graus)

Pão da gratidão doce (com uvas passas e vinho)

1300g de farinha de trigo
20g de fermento seco
135ml de agua gelada
100g de iogurte natural
300g de uvas passas
500ml de vinho tinto suave

 Preparo massa esponja: Misturar a farinha de trigo e o fermento na masseira na velocidade 1 até misturar bem, acrescentar a água gelada e o iogurtemisturar até homogeneizar por dois minutos. Misture por mais um minuto e deixe descansar por no mínimo 30 minutos. (isso tudo você pode fazer  na mão, mas vai levar mais um tempinho até tudo  ficar homogêneo). Massa reforço: misture a esponja com todos os ingredientes do reforço, exceto as passas, e bata na masseira até formar o ponto de véu, em seguida coloque as passas, e bata cuidadosamente, para não quebrar as uvas. Divida a massa em pedaços de 300g e modele no formado de  bola, deixe-as fermentar por 3 horas. Após isso levar ao forno quente para assar por 35 minutos (temperatura media 170graus)