quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Croque-Monsieur: misto quente metido a besta, com sotaque francês!


Que atire a primeira pedra aquele que nunca comeu um misto quente, quando a preguiça não lhe permitiu preparar algo, ou devido a correria do dia-a-dia. Talvez, o misto quente, seja um dos sanduíches mais comidos no mundo todo – sobretudo, insisto, pelos preguiçosos!!!
Eu estava na cantina da faculdade antes de ontem, quando vi um cara pedir um misto quente e a moça da cantina respondeu que não tinha, mas que teria outros salgados mistos.  O cara não gostou da resposta e saiu dali. Fiquei pensando naquilo... Como uma cantina não teria o sanduíche mais fácil de preparar – depois do queijo quente? (risos).
Pensando nisso resolvi escrever o poste de hoje sobre um misto quente. Porém numa versão um tanto, digamos mais "fina" dele. Não por isso, teria que vir com o nome francês - para dar glamour ao sanduíche. Estou falando do Croque Monsieur.


Croque Monsieur é um prato típico de lanchonetes e bistrôs franceses: pão, queijo, presunto, molho branco, levado ao forno para gratinar...  é peça chave para aqueles que gostam de comida rápida (é ainda, o “oásis no deserto” para os preguiçosos). Sua versatilidade lhe permite figurar como prato principal - quando acompanhado por uma salada, ou como lanche - quando acompanhado de um café, suco ou refrigerante.
Sua origem traz controvérsias: apesar do nome francês, alguns acreditam que sua origem está na Inglaterra, onde se pode encontrar receitas antigas de um sanduíche chamado Welsh Rarebit - feito de queijo e levado ao forno. Basicamente o que se considera como Croque Monsieur é a versão francesa doesse sanduíche inglês, onde se acrescenta presunto.
A respeito do Welsh Rarebit, algumas histórias sugerem a origem do nome para este sanduiche feito com "coelho do País de Gales". Ele pode ser conhecido como: Rarebit ou Welsh rarebit ou ainda Welsh rabbit (o nome original data do século XVIII – como conta o Brewer's Dictionary of Phrase and Fable - o nome exato do prato é discutido, encontrando-se a designação "Welsh Rarebit" em livros de culinária recentes mas "Welsh rabbit" em livros mais antigos, embora a receita não contenha coelho. Seria uma "gozação" dos ingleses aos primos pobres gauleses, que comiam o sanduíche de queijo porque não tinham dinheiro para comprar carne de coelho. Vejamos a receita so  século XVIII para este tipo de sanduba:

Welsh Rarebit


2 colheres de sopa de manteiga
2 colheres de sopa de farinha
1 colher de chá de mostarda Dijon
1 colher de chá de molho inglês
½ colher de chá de pimenta do reino
60ml de porter (cerveja)
200g de queijo cheddar em fatias de pão
Preparo: Derreta a manteiga em uma panela e adicione a farinha. Cozinhar esta mistura durante cerca de dois minutos, garantindo que a farinha não queima. Adicione a mostarda, o molho inglês e a cerveja. Cozinhe por cerca de quatro minutos depois de começar a ferver adicionar o queijo ralado, pouco a pouco, para que este não se queime no fundo da panela. Enquanto o queijo está derretendo fatiar o pão e torrar de um lado na grelha. Quando o queijo estiver fundido ao molho, colocar sobre pão torrado recheando-o e acrescentar da mistura de queijo na parte superior do lado do pão cozidas. Coloque de volta na grelha até que o queijo ganhe cor de um marrom dourado.

Esta combinação de "ham and cheese" (Presunto e Queijo) está presente em quase todas as culturas gastronômicas ocidentais! que nada mais é de um misto quente metido a besta, com sotaque francês!
Mas para deixar esse post mais interessante, e criar caso com alguns historiadores, acontece que também se pode atribuir à Austrália, como sendo outro suposto lugar para o surgimento do croque-monsieur, quando se sabe que os primeiros aborígenes nômades daquele país já preparavam sanduíches com duas fatias de pão e recheio que seriam levados ao fogo. Esta preparação "torrada", então, apareceu na Indonésia e no Pacífico alguns séculos mais tarde.
A forma mais comum de se encontrar o Croque Monsieur é feita de pão quadrado (molde de pão de forma) só que feito de brioche, coberto com presunto e queijo gratinado. O croque monsieur foi proposto pela primeira vez em 1910 em um menu de café parisiense, localizado no Boulevard des Capucines.
Em 1919, o escritor Marcel Proust refere-se ao sanduíche no seu famoso livro "À l'ombre des jeunes filles en fleurs" (À Sombra das raparigas em flor), onde dizia assim:

Or, en sortant du concert, comme en revenant sur le chemin qui va vers l'hôtel, nous nous étions arrêtés, ma grand-mère et moi, pour échanger quelques mots avec Mme de Villeparisis qui nous annonçait qu'elle avait commandé pour nous à l'hôtel des "croque-monsieur" et des "œufs à la crème".


Traduzindo, mais ou menos, queria dizer isso: "Agora, fora do concerto, como retornar para o caminho que leva ao hotel, nós fomos parados, minha avó e eu para trocar algumas palavras com Madame de Villeparisis que nos disse que ela tinha encomendado para nós no hotel o "croque-monsieur" e " ovos ao creme". '
No entanto, a origem do significado é realmente desconhecida. Alguns gastrônomos e historiadores acreditam que a palavra "croque" serve para designar torradas embebidas em ovo. E que a origem do nome teria ocorrido durante um mal entendido ocorrido em cafés parisienses, onde na correia com muitos pedidos, um garçom ao entregar o prato, dise o termo  Senhor (monsieur) no fim de sua frase (Tipo assim: Le croque, monsieur. ) E foi entendido de outra forma pelo cliente, que achou que Monsieur fazia parte do nome do prato ( tipo assim: Le croque-monsieur). Perceberam a sutil diferença que batizou o prato?
Eu até poderia criar uma historia rápida para esta origem: imagine um Senhor (monsieur) típico francês, em um café parisiense. O homem metido à gourmet solicitaria uma inovação no seu croque, e pediu ao garçom que o seu viesse gratinado – o que lhe foi prontamente atendido (Mas, acho que isso seria realmente sonho. Porque a França é um dos lugares do mundo, se não o único, aonde o cliente não tem direito de reclamar. Não sei se essa impressão é só minha)
Mas o mundo não é feito só de homens, e as mulheres não poderiam ficar de fora desta prosa... e eis que surgiu o "croque madame", por sua vez, é visto coroado por um ovo frito (ou ovo à cavalo). Coisas da evolução, da globalização - e de quem mais se quiser por a culpa por isso. Desta forma surge o croque-monsieur enriquecido com bechamel molho ou Mornay, com salmão, abacaxi, banana...


Quem deseja exclusividade ainda pode comer um croque especial na Itália, no famoso Bar croque-monsieur Harry, em Veneza; ou Grã-Bretanha , para experimentar o gosto do “coelho galês ou Rarebit Welsh”, um croque monsieur galês. Não satisfeito com esses, Durante os anos 90, surgiu em todos os cafés da França o "Croque-Poilâne", um croque-monsieur feita com o famoso pão padeiro Lionel Poilân.

Maneiras diferentes de preparar um croque:

Croque en sauce: Não hesite em experimentar o seu habitual croque com molhos, como creme de leite fresco ou bechamel! 


Croque montagnard:, deixe-se ser tentado pelo gosto exótico da  carne de Grisons: mas cuidado, ela é particularmente salgado.


Croque de la mer : sai o presunto, entra uma fatia de salmão defumado com um toque de creme de leite e uma pitada de endro. Se você deseja um croque-madame de la mer, desta vez coloque ovas de peixe-lapa ou salmão.


Croque à l’italienne: Um parente próximo de "Panino" italiano, basta substituir o presunto por presunto de Parma ou mortadela, colocar um tomatinho e manjericão - tudo sobre uma fatia de pão italiano.


Croque hispanique : Assim como o anterior, é só substituir os produtos franceses pelos espanhóis e voila. Vamos ter croque feito com queso Serrano y Manchego!


Croque sucré: Com frutas da estação e um pouco de manteiga. Morango, kiwi, banana: deixe sua imaginação fazer o resto.



Croque Monsieur (2 porções)

4 Fatias de brioche ou pão de forma
4 colheres de sopa de  Molho Béchamel 
4 colheres de sopa de Queijo ementhal ralado (ou gouda ou gruyere)
4 fatias grossas de presunto royale
Vinagrete de mostarda (receita abaixo) para acompanhar uma salada de folhas

Preparo: Em refratários individuais, coloque uma fatia do pão, 1 colher de sopa do molho bechamel e 1 colher de sopa do queijo. Cubra com 2 fatias de presunto, 1 fatia de pão, 1 colher de sopa de molho bechamel e finalize com 1 colher de sopa de queijo.

vinagrete de mostarda
1 1/2 colheres de sopa de vinagre de vinho;
03 colheres de sopa de óleo ou azeite;
1/4 colher de chá de sal;
1/4 colher de chá de pimenta-do-reino;
1/4 colher de chá de mostarda.
Bata muito bem todos os ingredientes com um batedor ou garfo, até que o molho fique bem cremoso. Se quiser, use um fuê.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Ode à Cebola: Coisas de Neruda


Outubro chegou... Nem avisaram (risos)... Tenho de ser rápido e prático para aproveitar o tempo... Aproprio-me então, das palavras de Neruda para pincelar esta Confraria com poesia... não chorem, é apenas cebola!!!


Ode à Cebola

Cebola
Luminosa redoma
pétala a pétala
cresceu a tua formosura
escamas de cristal te acrescentaram
e no segredo da terra escura
se foi arredondando o teu ventre de orvalho.
Sob a terra
foi o milagre
e quando apareceu
o teu rude caule verde
e nasceram as tuas folhas como espadas na horta,
a terra acumulou o seu poderio
mostrando a tua nua transparência,
e como em Afrodite o mar remoto
duplicou a magnólia
levantando os seus seios,
a terra
assim te fez
cebola
clara como um planeta
a reluzir,
constelação constante,
redonda rosa de água,
sobre
a mesa
das gentes pobres.

Generosa
desfazes
o teu globo de frescura
na consumação
fervente da frigideira
e os estilhaços de cristal
no calor inflamado do azeite
transformam-se em frisadas plumas de ouro.

Também recordarei como fecunda
a tua influência, o amor, na salada
e parece que o céu contribui
dando-te fina forma de granizo
a celebrar a tua claridade picada
sobre os hemisférios de um tomate.
mas ao alcance
das mãos do povo
regada com azeite
polvilhada
com um pouco de sal,
matas a fome
do jornaleiro no seu duro caminho.
estrela dos pobres,
fada madrinha
envolvida em delicado
papel, sais do chão
eterna, intacta, pura
como semente de um astro
e ao cortar-te
a faca na cozinha
sobe a única
lágrima sem pena.
Fizeste-nos chorar sem nos afligir.

Eu tudo o que existe celebrei, cebola
Mas para mim és
mais formosa que uma ave
de penas radiosas
és para os meus olhos
globo celeste, taça de platina
baile imóvel
de nívea anémona

e vive a fragrância da Terra
na tua natureza cristalina.

(Pablo Neruda)


Torta de cebola

Massa
1/2 lata de creme de leite
1 ovo
5 colheres (sopa) de óleo de soja
5 colheres (sopa) de leite
1 colher (chá) de fermento químico em pó
1 colher (chá) de sal
14 colheres (sopa) de farinha de trigo
1 1/2 colher (chá) de glutamato monossódico
Recheio
1/2 xícara (chá) de bacon picado(s)
1/2 lata de creme de leite
500 gr de cebola em rodelas
100 gr de parmesão ralado(s)
2 unidade(s) de ovo
2 colher(es) (sopa) de margarina

Preparo: Massa - Misture todos os ingredientes, formando uma massa macia. Abra a massa em uma fôrma de aro removível de tamanho médio, sem untar Reserve. Recheio - Frite o bacon na margarina até dourar, então acrescente as cebolas e refogue até ficarem macias. Retire do fogo e junte os demais ingredientes, corrigindo o sal. Despeje sobre a massa e leve ao forno pré-aquecido até dourar.


terça-feira, 25 de setembro de 2012

Sabores da Tradição: Entrevista com o Prof. Dr. Luiz Gonzaga Godoi Trigo



 Hoje esta Confraria apresentará uma entrevista quentinha, recém-saída do forno, para dar continuidade ao Projeto Sabores da Tradição – que visa explorar os pensamentos dos entrevistados sobre a cultura gastronômica.
È sempre bom poder contar com a sensibilidade dos entrevistados que nos permitem invadir o seu dia-a-dia, nos dedicam um pouco do seu precioso tempo, e nos permitem comungar com seu pensamento. 
Desde já agradeço a todas as pessoas que foram (e estão sendo) por mim solicitadas. E que prontamente atenderam com carinho ao meu chamado. Em nome da cultura gastronômica, meu muito Obrigado!
Devo confessar que a ideia de entrevistar o convidado de hoje já vem desde que o Projeto Sabores da Tradição foi pensado, e posso explicar: 
No primeiro semestre do ano de 2009, ano em que eu cursava minha segunda graduação em turismo, e já dava treinamentos e e consultorias na área, publiquei um artigo em um periódico sobre turismo cultural da Escola de Comunicação e Artes -  ECA/USP, intitulado "Mistura do dia: A gastronomia e sua contribuição para o turismo” (Clique aqui para ler), onde tratei sobre a presença do turismo gastronômico como uma realidade que promove: o crescimento e o desenvolvimento dos destinos turísticos; e o resgate da questão cultural da alimentação - evidenciando a diversidade e a criatividade gastronômica. Fato que acaba atraindo aquele tipo de turista que tem a motivação para viajar pelo prazer de degustar e se deleitar com comidas e bebidas.
Foi lembrando esse artigo e pensando nos profissionais da ECA/UPS que me veio o nome do nosso entrevistado de hoje: Luiz Gonzaga Godoi Trigo, pesquisador e professor titular da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP – EACH, conhecido por seus muitos escritos sobre a turismologia e seus afins. 

Prof. Dr. Luiz Gonzaga Godoi Trigo
Expoente nos escritos sobre o turismo no Brasil, o Prof. Trigo além de dividir seu tempo entre pesquisas, seus alunos e seus livros, ainda mantem um blog, Global Paths (Veja aqui) que nos deixa sempre atualizados sobres suas atividades pelo Brasil, ou pelo mundo, divagando sobre as mais variadas ideias - com sinceridade e umas boas  pitadas de ironia e bom-humor.
Minhas primeiras interações com o entrevistado se deu a partir do ano 2000, quando eu cursava o bacharelado em turismo e tive a oportunidade de conhecer o pensamento de Luiz Trigo a partir de seus livros sobre a atividade turística- dentre os quais posso destacar entre suas obras que mais me agradaram:  "Turismo - Como Aprender Como Ensinar (VOL 1) - (Editora SENAC- SP)"; "Turismo e Civilização (Contexto Editora)" e "Análises Regionais e Globais do Turismo Brasileiro (Editora Roca)".

Prof. Trigo com outros dois "pesos-pesados" do turismo no Brasil: Mèrio Beni e Alexandre Panosso
Acompanho o blog do nosso entrevistado já a algum tempo, através dele pude  perceber uma certa afinidade com a gastronomia e enologia. E este foi o motivo fundamental para o convite. Professor Trigo, meu agradecimento especial por sua generosa participação, obrigado. 
Agora,vamos ao que interessa:

Barão de Gourmandise (BG) - Para aqueles que não lhe conhecem, poderia apresentar-se e dizer quem é você?

Luiz Gonzaga Godoi Trigo (LGGT) - Sou uma pessoa sociável, bem humorado. Odeio extremismos e fanatismos ou dogmas. Gosto de cinema, viagens, literatura e gastronomia.  Não gosto muito de ficar em turma, prefiro reuniões mais restritas, onde se possa conversar em calma. Sou professor titular da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP. Graduei-me em turismo e em filosofia na PUC-Campinas (1988), fiz mestrado (PUC-Campinas, 1991) e doutorado (Unicamp, 1996), livre docência (ECA-USP, 2003). Fui professor da PUC-Campinas por vinte anos (1988- 2007), diretor e assessor de turismo e hotelaria do Senac-SP (1995-2004), diretor de turismo e assessor da prefeitura de Campinas (1989-1992). Gosto de escrever. Tenho uns 17 livros publicados e muitos capítulos de livros e artigos em periódicos, no Brasil e no exterior.

BG - Gosto de ler seu blog, Global Paths (http://luiztrigo.blogspot.com.br/ ) , devido as mais variadas abordagens sobre o turismo e suas atividades afins que se pode encontrar por lá. Durante a leitura já tive oportunidade de ver algumas fotos onde nos mostra um pouco da gastronomia e enologia de alguns lugares por onde esteve... Tais fotos também estão presentes na sua página do facebook. Assim, gostaria de saber até onde vai o seu interesse pela gastronomia e pela enologia; se você tem dotes culinários; ou, se aquelas fotos estão apenas para lhe denunciar como um “bom de garfo e de copo”?

LGGT - Sou “bom de garfo e de copo”, além de gostar da chamada etno-gastronomia, ou a gastronomia analisada nos seus contextos históricos e culturais. Não sei cozinhar e não aprenderei. Gosto de comer e degustar as delícias do mundo, mas maneirando. Acabo de eliminar dez quilos e mudei meus hábitos alimentares, para consumir apenas produtos saudáveis.
Prof. Trigo mostrando  no seu blog suas mudanças alimentares. Fonte:  Global Pahts

BG - As fotos citadas na pergunta anterior, geralmente foram postadas em lugares diferentes – fato que podemos conferir pelas legendas das imagens, ou pelo texto que as acompanha. Levando em consideração o contexto das imagens, e você enquanto turista: qual a importância da gastronomia para o turismo, pela sua ótica?

LGGT - Gastronomia é a parte mais essencial e atávica de uma cultura bem constituída. Pela comida podemos melhor entender as nuances e complexidades de um povo, de uma região, até mesmo de uma religião. Um lugar que nos oferece uma refeição memorável, simples ou sofisticada, desde que bem feita, fica para sempre em nossa história. Gastronomia é fundamental para o turismo, para a hospitalidade em geral e para a nossa vida como um todo.

BG - Ansarah & Nunes, em seu artigo ‘Hospitalidade nos serviços de alimentação como diferencial na prestação de serviços, apresentado no VII Encontro dos Núcleos de Pesquisa em Comunicação – NP Comunicação, Turismo e Hospitalidade. Santos, 2007’, afirmam: “Por existir uma grande variedade de culturas, a comida brasileira esta se tornando um novo atrativo turístico para diversas cidades”. Você concorda com esta afirmação? Como você enxerga o cenário do turismo gastronômico brasileiro?  E quais suas previsões para ele?

LGGT - A questão não é apenas a diversidade cultural, apesar de essa ser importante. O que possiblitou o avanço foi também a abertura econômica do Brasil, desde o malfadado governo Collor (que teve esse aspecto positivo, pelo menos) que possibilitou a importação de vários ingredientes que antes aqui eram raros, inexistentes ou muito caros. Ao lado dos novos ingredientes (bebidas, especiarias, enlatados, sucos, produtos industrializados em geral, matérias primas in natura) surgiram as redes de fast food que trouxeram a concepção de sistemas de gestão e de fichas técnicas. Uma ficha técnica é um composto de receita, procedimentos e modo de fazer, ou seja, garante a reprodutibilidade do prato e um controle mais preciso de gastos (ingredientes, insumos, equipamentos, processos). Tudo isso, aliado à criatividade e diversidade da gastronomia brasileira, em suas diversas regiões, está possibilitando um avanço quantitativo e qualitativo de nossas receitas e cardápios..

BG - A preservação da cultura, da memória e da história leva as nações a criar instituições para salvaguardar nosso patrimônio material e imaterial – neste pode-se incluir alguns “bens gastronômicos”. E se observarmos alguns bens do patrimônio mundial, validados pela UNESCO, podemos encontrar na lista de bens imateriais: a dieta mediterrânea; a gastronomia francesa, a cozinha tradicional mexicana e o pão de mel e especiarias croata. No Brasil, tendo o IPHAN como responsável pela validação dos bens do patrimônio nacional o oficia da baiana de acarajé, atualmente, se configura como o bem do patrimônio imaterial nacional diretamente ligado á gastronomia. Bens tombados como patrimônio nacional/ internacional podem trazer mais força para a atividade turística? De que forma?

LGGT - A gastronomia é ligada à cultura e aos estilos de vida dos povos. Se essa cultura é mantida, seja pelas concepções do slow food ou das diretrizes da Unesco, seja pelos rankings nacionais (4 Rodas, por exemplo) ou pelos rankings internacionais, os ganhos são dos produtos, do distribuidor e do consumidor. A cadeia produtiva da alimentação em geral, e da gastronomia em particular, se beneficia de uma qualidade crescente e de uma maior diversidade, fruto das trocas intra-regionais e internacionais. Preservar e divulgar esse patrimônio é fundamental. Lembro o trabalho realizado elo Senac Nacional, que publicou vários livros sobre culinárias regionais e a editora Senac São Paulo que publicou mais de 150 títulos sobre alimentos e bebidas.

BG - No Brasil a região sul é a responsável pela maioria das rotas enoturísticas & gastronômicas. O clima, a geografia e a presença das colônias de imigração europeias são os únicos fatores para se explicar este fato?

LGGT - Não apenas o clima e a geografia.  O sul e o sudeste são as áreas mais ricas do Brasil, portanto possuem maior infraestrutura e consumidores mais exigentes e capazes de comparar a qualidade local com a qualidade internacional e isso é um ganho considerável na capacidade de crítica e escolha por parte do consumidor.  Porém o nordeste, especialmente, possui uma riqueza incomparável de ingredientes, métodos e criatividade gastronômica. Boa parte dos chefes do sudeste provém do nordeste. Estados como Bahia, Pernambuco, Piauí, Maranhão, Ceará e outros possuem gastronomias excelentes e altamente qualificadas. A diferença é que o sul/sudeste possui mais infraestrutura, um mercado consumidor mais rico e são mais influentes nas escolhas dos produtos e serviços nacionais. Porém o nordeste brasileiro já é, há anos, um grande referencial gastronômico e de hospitalidade, nada devendo às outras regiões. A Amazônia e o centro-oeste possuem suas variedades como peixes fluviais (há os rebanhos de búfalos na ilha de Marajó). No caso do centro-oeste, os rebanhos de gado bovino proporcionando deliciosos churrascos e preparados à base de carnes. . 

BG - Considerando que as demais regiões brasileiras possuem singularidades gastronômicas, as quais se supõem que pela diversidade, e até pela exoticidade, já tem porte para movimentar novas rotas turístico-gastronômicas, o que falta para que isso ocorra?

LGGT - Falta maior profissionalismo, mais infraestrutura e divulgação. Cada capital brasileira possui restaurantes memoráveis e produtos específicos que agradam aos diversos paladares. Teresina, Cuiabá e São Luís, por exemplo, possuem restaurantes de alto nível e gente capacitada a processar alimentos com toda segurança e competência. Falta distribuir essas técnicas e conhecimentos para a maior parte dos empresários e profissionais, gerando qualidade e competência em todos os níveis de lanchonetes, pequenos restaurantes etc., em cada cidade. 

BG - O turismo gastronômico está ligado ao prazer e à sensação de experimentar e saborear o novo... Durante as viagens podemos descobrir, além de novos horizontes, cheios de cultura e beleza, novos pratos e ingredientes exóticos. Poderia nos contar sobre suas experiências envolvendo a comida e bebida mais exótica que pode provar durante suas viagens?

LGGT - Posso citar algumas experiências memoráveis: A torta de caranguejo do Camarão do Elias, em Teresina; Os peixes fluviais de Belém, Manaus ou Cuiabá; O arroz de pequi, de Goiânia; As moquecas capixabas ou baianas; Os restaurantes fantásticos e padarias de São Paulo ou Rio de Janeiro; Os botecos de Belo Horizonte ou a comida mineira do Xapuri (Belo Horizonte), ou de Ouro Preto; Os queijos, doces e pães do interior de Minas Gerais; As ostras de Florianópolis; O churrasco e as cucas (doces) do Rio Grande do Sul; As lagostas do nordeste, em especial do Ceará; O churrasco de bode, do interior do Piauí; O picadinho de tartaruga da Amazônia; A comida mediterrânea, especialmente nas costas francesa e espanhola; Um javali com castanhas e molho de frutas vermelhas que comi no interior de Portugal; As panquecas de blueberry com mapple syrup, da América do Norte; As centollas e peixes de águas frias da Patagônia argentina ou chilena; Um churrasco que comi numa fazenda, interior da Austrália; O filé de avestruz que com ia bordo do navio Marco Pólo; A comida tailandesa à margem do rio, em Bangcoc; Um leitãozinho (lechazo) devorado com vinho tinto, numa tasca, perto de Valladolid, Espanha; Um bufê de comida árabe, no hotel Marriott, em Petra, Jordânia; Os sanduíches do Giovanetti, em Campinas, SP; O agnolotti da cantina Fellini, em Campinas, SP. Pastel com garapa (caldo de cana), nas feiras de São Paulo; Os restaurantes descolados e deliciosos de São Paulo.


O Pacu recheado - registrado pelo Prof. Trigo numa de suas idas _a Cuiabá

BG - Dizem alguns estudiosos que com as viagens nosso paladar vai se sofisticando – pelo fato de nos permitir utilizar a partir de então, novos ingredientes, esses descobertos durante as viagens. No entanto outros pesquisadores no falam sobre o poder da nossa cultura, de como ele interfere na nossa mesa. Levando tudo isso em conta: qual o sabor da sua tradição? E nele existe influência das suas viagens?

LGGT - Uma coisa não elimina a outra. Desenvolvemos nossas variedades alimentares e ao mesmo tempo valorizamos a comida que tínhamos quando crianças, em nossas casas ou cidades. Até hoje aprecio um prato de arroz com feijão, bife grelhado, batata frita e salada de alface e tomate, cardápio que minha avó materna fazia com grande esmero. E gosto de comida japonesa, tailandesa, francesa, italiana (mediterrânea, em geral), espanhola, portuguesa, norte-americana etc. O que não como mais é fast food, pois engorda e não tem nutrientes necessários.

BG - Considerando que a mesa é um lugar onde se deve partilhar as delicias gastronômicas com as pessoas que se gosta, quem e por que você convidaria para um encontro gastronômico onde juntos degustariam o sabor da sua tradição? E qual seria o destino para a realização deste evento?

LGGT - Convidaria meus amigos mais íntimos, ou meus parentes mais próximos (estamos falando de umas doze pessoas) para um café da manhã no Le pain Quotidien, em São Paulo; almoço em um rodízio de ostras em Florianópolis; ou comer uma torta de caranguejo no Camarão do Elias, em Teresina; jantar em São Paulo, no Walter Mancini.

Aperitivo:

LGGT - Se o Brasil não possui grandes tradições em cervejas (com exceção de algumas micro-cervejarias ou marcas minoritárias) ou vinhos, sua cachaça é excelente e reconhecida pelo mundo. O mesmo acontece com alguns (poucos) licores ou com o nosso café, um produto excelente e preparado com estilo próprio. São acompanhamentos solenes e deliciosos para nossos pratos. Os doces brasileiros são outro ponto forte de nossa gastronomia. Feitos, antigamente, nos conventos de freiras, herdados de Portugal e regados com a abundância do açúcar de cana de nossas terras, os doces, geléias, sucos e frutas in natura, são parte de nossa variedade e preciosidade gastronômica. Há que se lembrar também dos mercados locais e das feiras livres, onde pode-se encontrar produtos básicos ou até mesmo comidinhas deliciosas.

MEU SABOR DA TRADIÇAO

LGGT - Como não sei cozinhar, deixo uma receita simples, de bebida para ocasiões especiais:

Black Velvet

Misture em uma taça grande, 50% de cerveja Guiness e 50% do champagne Veuve Clicquot. Pode substituir esse champagne por outro, mas a Guiness é indispensável. Santé.



Outra receita é um matinal, light e gostoso: coloque numa tigela granola light, reforce com aveia em flocos, duas nozes esmagadas e algumas blueberry fresquinhas. Coloque iogurte de sua escolha (o ideal é o light).


sábado, 22 de setembro de 2012

Sobremesas retrô: Watergate Salad & Cake


É tempo de campanha eleitoral no Brasil e nos Estados Unidos...  E eu odeio política. Coincidentemente o primeiro poste desta Confraria foi publicado numa época assim.
Hoje, enquanto eu vasculhava a internet, atrás de notícias interessantes, fiquei pensando sobre o que a política poderia me oferecer para escrever um post bacana. E não é que deu certo! Diante das noticias sobre o julgamento do mensalão; das imagens de políticos esquisitos e prometendo mundos e fundos nas propagandas eleitorais brasileiras; e vendo o acirramento da corrida dos presidenciáveis nos EUA, a inspiração me veio, fantasiada de corrupção.
Engraçado que eu tive, inicialmente, um pensamento estranho. Pensei: “  - Nos países desenvolvidos até a corrupção serve para criar culturas gastronômicas”. Algumas pessoas podem até me recriminar por este pensamento, mas o fato é que; enquanto no Brasil, a corrupção acaba em pizza (que não é típica do país); nos Estados Unidos, por exemplo, o caso  mais famosos de corrupção  acabou  gerando duas produções gastronômicas que são ícones até hoje: a Watergate Salad e o Watergate Cake.

Watergate Salad
Watergate Cake
O caso Watergate foi o escândalo político ocorrido na década de 1970 nos Estados Unidos da América que, ao vir à tona, acabou por culminar com a renúncia do presidente americano Richard Nixon eleito pelo partido republicano. "Watergate" de certo modo tornou-se um caso paradigmático de corrupção.

COMO ACONTECEU?

Complexo Watergate
 Em 18 de Junho de 1972, o jornal The Washington Post noticiava na primeira página o assalto do dia anterior à sede do Comitê Nacional Democrata, no Complexo Watergate, na capital dos Estados Unidos. Durante a campanha eleitoral, cinco pessoas foram detidas quando tentavam fotografar documentos e instalar aparelhos de escuta no escritório do Partido Democrata.
Bob Woodward e Carl Bernstein, dois repórteres do Washington Post, começaram a investigar o então já chamado caso Watergate. Durante muitos meses, os dois repórteres estabeleceram as ligações entre a Casa Branca e o assalto ao edifício de Watergate. Eles foram informados por uma pessoa conhecida apenas por Garganta profunda (Deep Throat) que revelou que o presidente sabia das operações ilegais.
Richard Nixon foi eleito presidente em 1968, sucedendo a Lyndon Johnson, tornando-se o terceiro presidente dos Estados Unidos a ter de lidar com a Guerra do Vietnã. Nixon voltou a candidatar-se em 1972, tendo como opositor o senador democrata George McGovern, e obteve uma vitória esmagadora, ganhando em 48 dos 50 estados. McGovern venceu apenas em Massachusetts e em Washington.
Foi durante essa campanha de 1972 que se verificou o incidente na sede do Comitê Nacional Democrático. Durante a investigação oficial que se seguiu, foram apreendidas fitas gravadas que demonstravam que o presidente tinha conhecimento das operações ilegais contra a oposição. 
Em 9 de Agosto de 1974, quando várias provas já ligavam os atos de espionagem ao Partido Republicano, Nixon renunciou à presidência. Foi substituído pelo vice Gerald Ford, que assinou uma anistia, retirando-lhe as devidas responsabilidades legais perante qualquer infração que tivesse cometido.

A saída de Nixon da Casa Branca
Por muitos anos a identidade de "Garganta Profunda" foi desconhecida, até que a 31 de Maio de 2005 o ex-vice-presidente do FBI, W. Mark Felt, revelou que era o Garganta. Bob Woodward e Carl Bernstein confirmaram o fato.

A carta de renúncia de Nixon
AS RECEITAS DE WATERGATE: SALAD AND CAKE

Pistaches sempre foram apreciados desde o início dos tempos. Eles são em geral considerados artigos de luxo. No século 20, os avanços tecnológicos tornaram esse tipo de nozes mais acessíveis aos cozinheiros domésticos. Evidência culinária confirma estas os pistaches eram mais frequentemente usado para cremes gelados e em parfaits. Embora se saiba que eles também eram algumas vezes usados em patês, saladas (coberturas, moldados em combinação com outros ingredientes como gelatina), assados e doces.
Apesar das saladas e bolos feitos com sabor de pistache remontam ao início do século 20, as provas da culinária liga as receitas que nós conhecemos hoje como salada de Watergate e Bolo de Watergate à Companhia Kraft, que já explodia no mercado em meados dos anos 1970. Mas por que da existência de ligação com a Kraft? Simples, ambas as receitas usam mistura de pudim instantâneo de pistache, que foi introduzido pela Kraft Foods em 1975.
Por que dar o nome Watergate para estas receitas?
A resposta parece óbvia para todos que conhecem um pouco sobre os acontecimentos políticos americanos durante esse período de tempo. Mas curiosamente, ela ainda tem que ser confirmada. Pois a Kraft não dá crédito para o nome.
Sabe-se que, em 1973, dois livros com receitas de "Watergate" foram publicados: The Watergate Cookbook, N.Y. Alplaus [Emporium Publications: Charlestown MA] and The Watergate Cookbook (Or, Who's in the Soup?), The Commitee to Write the Cookbook [New Lone Star Press:Cambridge MA].  Estes foram aparentemente inspirados pelo artigo Tom Donnelly "Serve Hot, The County the Silver” (Sirva quente, o município da Prata), publicado no início do ano, no Washington Post. Nenhum desses livros, nem o artigo Donnelley, contêm receitas para Salada Watergate ou Bolo de Watergate.

"Nós desenvolvemos a receita para Pistachio Pineapple Delight", diz Pat Risso de Assuntos Corporativos da Kraft. "Foi em 1975, mesmo ano em que a mistura de pudim de pistache saiu." A empresa, no entanto, não sugeriu a sobremesa nem a salada, muito menos o seu nome. Até que consumidores começaram a pedir uma receita para Salada Watergate. "De acordo com a Kraft cozinhas, quando a receita para Delight Abacaxi Pistache foi enviada, um editor de alimentos de Chicago ele a batizou como Salada Watergate para promover o interesse na receita quando ele a imprimiu em sua coluna," e a resposta para isso foi rápida.  THE PROOF IS IN THE PUDDING; CRASHING WATERGATE (A prova está no pudim:  quebrando Watergate), Louis Mahoney; The Richmond Times Dispatch, August 4, 1999 (p. F-1)

Salada de Watergate teria sido batizada por um editor de alimentos Chicago para um artigo, mas nem o artigo nem o editor foi rastreado. Enquanto o nome completo do bolo  Watergate seria  Watergate Cake with Cover-Up Icing (bolo Watergate com cobertura de encobrimento). (TRIVIA, ROGERS CADENHEAD, Knight Ridder Newspapers, The Record (Bergen County, NJ) March 15, 2000)
"Novos sabores em 1976 eram Americana Arroz doce e pudim instantâneo de Pistachio. Receitas populares eram o bolo com cobertura desse pudim, em 1981, e a Watergate Salada (pistache e abacaxi)." A história de Jell-O, Kraft Food Company ".--- a partir do site Web da Kraft de idade (não incluído em páginas correntes)

SALADA WATERGATE


Esta salada Watergate original é mais uma daquelas receitas clássicas, que remonta aos anos 70, e pode ser vista por aí com algumas variações. Ainda é um prato muito comum em chás de bebê, festas de compromisso, e até casamentos no sul dos EUA, tendo abacaxi, marshmallows e pistache como base.
Pistaches são nativos da Ásia Central e membro da família de caju. O pistache tem sido cultivado há cerca de 3.000 anos e tem uma longa história de popularidade no mundo Mediterrâneo, mas foi na década de 1930 com. o advento de máquinas de venda automática, que os pistache importados da Itália tornou-se uma espécie de febre nos Estados Unidos, servindo como um lanche. (The Cambridge World History of Food, Kenneth F. Kiple and Kriemhild Conee Ornelas, Volume 2, (p.1835)
Em 1901 a Dole Company se torna Companhia havaiana do abacaxi. Seu dono James Dole torna-se conhecido como" O Rei Abacaxi ", porque ele foi capaz de crescer e colher muitas safras quando tantos outros haviam falhado com esta produção. Sua empresa coloca no mercado abacaxi enlatado em cada supermercado do país e faz o nome "Hawaiian" quase como sinônimo de "abacaxi".
Fazer saladas que combinavam todos os tipos de ingredientes (especialmente mini-marshmallows) estavam na moda nos anos 1920. A mais antiga receita que encontrei, especificamente com o título "Salada Watergate" é esta de [1975]

Salada de Watergate
1 (20 onças) pode esmagados abacaxi (não drenado)
1 caixa de mistura de pudim instantâneo de pistache
1 1/2 xícaras de marshmallows pequenos
1 caixa (9 onças) topping chicoteado mistura
1 xícara de nozes ou menos ou pecans
Misture abacaxi não drenado com pudim por vazamento pudim em abacaxi. Mexa. Adicione o restante dos ingredientes. Mexa com as mãos. Esfriar antes de servir. C.K. -"Anne's Reader Exchange," Washington Post, November 13, 1975 (p. C17)

WATERGATE CAKE

"Uma nova crise em Watergate está varrendo a área de Washington, mas desta vez apenas donas de casa e homens de negócios de poucos parecem se importar ... A crise decorre da crescente popularidade de uma receita para uma mistura chamada" bolo Watergate ", que exige grandes quantidades de mistura de pudim em pó de pistache, tanto na camada de bolo e em sua crosta de glacê verde=claro. Aparentemente, apenas uma empresa, Pudim Royal, uma divisão da Standard Brands, Inc., distribui pudim de pistache na área de Washington. Supermercados não foram capazes para obter a mistura o suficiente para lidar com as demandas, que começou em torno do tempo de Ação de Graças e aumentou no Natal. As misturas tem sido retiradas das prateleiras das lojas n o mesmo dia em que são colocadas ... Se o surto de vendas não é diretamente atribuível à popularidade Bolo de Watergate ... O que nós não sabemos é porque este produto acaba de repente. Foi simplesmente fenomenal ... "Barry Scher, um porta-voz da gigante Kraft Foods , colocou a culpa não só da receita, mas também sobre a coincidência com a falta  pistache." Isso foi cerca de cinco meses, o porta-voz disse: "e como acabou, esta receita começou a circular a nossa volta e fomos bombardeados Nós odeiamos admitir isso, mas nós não conseguimos manter a mistura na prateleira com o  início da mania pelo bolo Watergate -... e o esforço resultante para fechar o fornecimento de demanda - testou velhas amizades e desafiou os instintos de engenhosidade e competitividade da economia doméstica de muitas áreas de Washington ... Ninguém, entretanto, parece ser capaz de identificar a origem deste Watergate, a receita parece que apareceu em uma série de jornais, incluindo o Washington Post. Ninguém pode explicar como o bolo tem esse nome ou porque pistache como o aroma principal Uma explicação atual se inclina sobre a presença de nozes trituradas no bolo -.. "bugs" no jargão de crianças como o porta-voz do gigante, Harold giesinger, proprietário da Pastelaria Watergate, não tinha pensamentos sobre onde a receita originada -., exceto que ela não estava na sua padaria "Nós não inventamos nada para que nós anexássemos com esse nome", disse ele. Tampouco, acrescenta, se sua loja contam com os pistache como um ingrediente fundamental em qualquer de seus produtos." Uma fonte privada pode ter colocá-lo juntos ", disse ele sobre a receita. Onde quer que o bolo Watergate tenha surgido, a empresa do pudim teria mais e mais problemas com ele. Há inclusive a suspeita de que algumas pessoas têm comprado mistura de pudim de pistache muito mais do que as que vão usar, basta ter a mistura para estar aliviado... isso está à vista. Outro fabricante, a General Foods, com a explosão de Watergate assistida pelo mercado de pistache, decidiu saltar dentro do mercado de pudins. Sua versão é esperada para chegar às prateleiras dos supermercados em março... " (A Watergate Cake Mania," Alexander Sullivan, Washington Post, February 26, 1976 (p. B2) [Recipe included, see below 1976]

“Segundo a minha irmã que vive em Waynesboro, Virginia, o nome do bolo tornou-se proeminente em parte do país, porque - Nixon gostava de pistache, portanto (e de um raciocínio bastante rebuscado) o nome do bolo de Watergate, sinônimo de pistache. Eu não tinha nem ouvido falar de Pudim Pistachio ou o bolo de Watergate até o outono passado, parou de visitá-los, e ela teve o bolo preparado para nós para comer. no entanto, sua receita é muito diferente do que o impresso no Washington Post quinta-feira em sua coluna. Atenciosamente, Virginia K. Wiszneauckas, Wheaton, Maryland "--- "Esse bolo" (That Cake)" Washington Post, March 11, 1976 (p. VA2) “

A primeira receita que encontrei para bolo de pistache também emprega uma mistura de bolo pronto, conhecida como "mock pistache "!


[1962]Pistache e amêndoa
Em um mistura para bolo, coloque algumas gotas de corante alimentar verde, 1/4 de colher de Extrato de amêndoas, 3/4 xicara de amêndoas picadas. (Good Housekeeping Cook Book, Dorothy B. Marsh [Good Housekeeping:New York] 1962 (p. 457)

Agora compare a receita acima com estas:

[1975] "Bolo de Watergate
1 caixa de mistura de bolo branco
1 caixa de pudim instantâneo de pistache
1 xícara de óleo vegetal
1 xícara de club soda
3 ovos
1/2 xícara de nozes picadas
Misturar todos os ingredientes poços (4-4 minutos). Asse em assadeira untada  de 12 por 9 polegadas por 45 minutos a 350 graus.
Cobertura para bolo
1 caixa de pudim instantâneo de pistache
1/4 xícara de leite frio
1 caixa (9 onças) topping (mistura para glacê)
nozes e cerejas
Bata o leite em mistura de pudim instantâneo. Prepare cobertura mix de acordo com instruções na caixa. Dobre na mistura do pudim. Espalhe no  bolo e cubra com nozes e cerejas. C.S.R. Arlington." ---"Anne's Reader Exchange," Washington Post, November 13, 1975 (p. C17)

[1976] "Aqui é uma receita de bolo fantástico que eu gosto de preparar para ocasiões especiais", escreve Nels Wenman. "Ele foi enviado a mim por um primo, no Arizona."
Bolo de Watergate com Cover-Up Icing
1 (18 1/2-ounce) pacote de mistura de bolo branco
1 (3 1/2-ounce) pacote de mistura de pudim instantâneo de pistache
3 ovos,
3/4 xícara óleo invicto
1 copo de bebida gaseificada lima-limão
Cover-Up Icing
3/4 xícara de coco ralado
1 xícara de nozes picadas
Combine a mistura de bolo, mistura de pudim, ovos, óleo e lima-limão em uma tigela. Bater até ficar bem misturado. Despeje em uma forma untada e enfarinhada 13x9 polegadas e leve ao forno a 350 graus e 45 minutos. Cool. Espalhe com Cover-Up gelo e polvilhe com o coco e nozes.
Cover-Up Icing
2 (1 1/2-ounce) envelopes nondairy chicoteado mistura topo
1 1/2 xícaras de leite
1 (3 1/2-ounce) pacote de mistura de pudim instantâneo de pistache
Bata a mistura  topping com o leite, misture e pudim juntos até ficar homogêneo e espesso. "Minha Melhor Receita", (My Best Recipe) Los Angeles Times, June 17, 1976 (p. H6)

Todo esse contexto nos leva a crer que: a corrupção existe, mas o que podemos  fazer a partir dela cabe somente a nós. Espero que no Brasil, as punições para os corruptos sejam cada vez mais duras e eficazes, e que sirvam de lição para os próximos.
E de repente, (seria pedir muito?) mas seria interessante se algum chef brazuca pudesse criar alguma receita para ficar na história. Já imaginaram em comer o bolo do mensalão? Bom, te uma forma ou de outra, teve gente que já o comeu (risos).

Watergate Salad
1 lata de abacaxi picado, com seu suco de abacaxi drenado - reserva o suco
2 pacotes pequenos de mistura de pudim instantâneo de pistache
1 copos de iogurte natural gelado
2 xícaras de marshmallows em miniatura
1 xícara de pistaches ou nozes picadas ou nozes

Preparo: Escorra o abacaxi, mas reservando o suco! Misture metade do suco de abacaxi com a mistura de pudim até ficar bem misturado. Juntar o iogurte e cuidadosamente misture o abacaxi, os marshmallows e as nozes. Adicione o suco de adicional apenas se necessário – tem que ficar uma mistura não muito mole. Cubra com filme plástico e leve  a geladeira pelo menos uma hora ou, de preferência faça durante a noite para comer no outro dia. Sirva em taças individuais com glacê. DICA: no Brasil é difícil achar o pudim de pistache, então use pudim instantâneo sabor baunilha e adicione essencial de pistache e um pouquinho de corante verde.

Watergate Cake
1 pacote de mistura para bolo branco
3 ovos
1 xícara de óleo vegetal
1 xícara de soda limonada
2 pacotes mistura para pudim instantâneo de pistache
1 mistura para glacê pronto preparado de acordo com a embalagem
1 xícara de leite frio
Pistaches para decorar

Preparo: Combine a mistura de bolo, ovos, óleo, a soda e um pacote do pudim de pistache, misture bem até incorporar tudo. Despeje a massa em uma forma de  13 x9 cm,  untada e enfarinhada. Asse em forno a 350 graus F (175 º C) por 30 a 40 minutos, ou até que um palito inserido no bolo ele saia limpo. Esfriar completamente. Enquanto o bolo está no forno, misture o pacote restante de pudim de pistache, com o leite e a mistura para glacê. Rechear  e cobrir o bolo com essa mistura, decorar com pistaches. Servir gelado