quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

O caso das Sugar Plums – elas não são o que você pensa que são!


Vocês, com certeza, já ouviram alguém dizer que o Natal é mágico. 
Eu  já ouvi e já li isso milhares de vezes. Já ouvi também, e concordo, que muitas pessoas começam a mudar no Natal - devido a influencia desta estação... Já ouvi outros dizerem que o personagem central desta época, o menino Jesus, é sempre encoberto pelo consumismo; que as pessoas dão mais valor aos presentes do que ao “Dono da Festa”; e que nem sempre sentem o real Espírito do Natal.
No que eu acredito? Eu acredito nos fatos. Eu acredito no que eu sinto. Eu acredito que Deus, na sua sabedoria, sempre sabe o que faz. E Deus não faz errado. E eu acredito que foi Deus quem fez a fantasia para deixar a nossa imaginação sempre viva e aliviada da rudeza da realidade que os homens criam.
Hoje vou lhes contar uma história que sempre teve importância para mim, desde criança, e que está repleta de fantasia. Irei lhes falar sobre as Sugar Plums - Talvez seja o Espirito do Natal se manifestando em mim, juntando cada coisinha que eu acredito lá no fundo, para transformar se em fatos que podem explicar algumas das minhas ligações de proximidade com a fantasia, com o natal, com a gastronomia, com a história, com a cultura, com o mundo, com a consciência universal (Deus).


Sugar Plums
Quando eu era criança e apesar de gostar do Papai Noel (como é de se esperar da maioria das crianças) era com outros personagens fantásticos que eu mais me identificava. dentre estes personagens, eu gostava do quebra-nozes e da Sugar Plum Fairy – que na época, eu conhecia como Fada Torrão de Açúcar. O motivo para esta apreciação toda eu posso expor em fatos simples:

·     Sempre fui muito dedicado a leitura, e o quebra-nozes entrou na minha infância através do conto O Soldadinho de Chumbo, de Hans Christian Andersen;
·   Sempre gostei de música e dança, e o quebra-nozes veio acompanhado da fadinha açucarada quando me foi apresentado, ainda pequeno, a suíte O Quebra-Nozes, de Tchaikovsky. Vale ressaltar que a montagem deste ballet foi inspirado também na literatura, a partir do conto de fadas “The Nutcracker and the Mouse King” (O quebra-nozes e o Rato Rei, do original em alemão: Nussknacker und Mausekönig), estória escrita em 1816 por Ernst Theodor Amadeus Hoffmann – escritor germânico de fantasia e terror. Em 1892, o compositor russo Pyotr Ilyich Tchaikovsky, com os coreógrafos Marius Petipa e Lev Ivanov, (depois por Alexandre Dumas, Pai) fizeram a adaptação dessa historia para o ballet quebra nozes – e que se tornou um das mais famosas composições de Tchaikovsky, e sem duvida um dos balés mais populares pelo mundo.

Assista ao ballet completo.

Depois disso eu tinha certeza, que o nascimento do Cristo trouxe consigo muitas outras coisas boas, cheias de fantasia, e isso se refletia nas historias contada na época natalina ao redor do mundo – que eu tinha contato através da leitura. 
O quebra nozes e a fada torrão de açúcar eram tão presentes no meu natal, que na adolescência, para concorrer num concurso da minha escola, eu desenvolvi uma coreografia simples para uma música da atualidade colocando como corpo do ballet o soldado de chumbo, a fadinha e alguns outros personagens (ganhamos o concurso na cidade, e depois fomos disputar na região, mas sempre tem gente melhor do que nós, e só de ter feito aquilo, de improviso com poucos recursos da escola, já foi o máximo – só a foto que eu tenho que é desastrosa [risos] ainda bem que o tempo melhora a gente!).


A foto é antiga, não tem boa qualidade, mas é o único registro que tenho daquele momento. Tenho  essa farda vermelha até hoje!
Hoje mais uma vez eu me lembro destes personagens e resolvi tratar especialmente da fadinha açucarada, pois ela tem ligação direta com tudo isso, e com a gastronomia – sempre o foco desta publicação. Para tanto, imbuído pelas influências dos julgamentos do mensalão (que acabou levando a TV a passar cada dia um fato novo sobre o ocorrido), vou passar aqui a descrever os fatos que originaram a associação das Sugar Plums com o Natal.
Aqui não se está discutindo, hoje, a origem e o feitor das Sugar Plums. Mas as está considerando como uma realidade: o fato de que elas existem para deixar o Natal ainda mas cheio de fantasia e deleite – e fantasia e deleite não precisam de explicação, só necessitam serem sentidos, aproveitados.
"Plum” (termo inglês para Ameixa) ou "Sugar Plum" é o termo que remete a uma confecção culinária doce que não refere-se no sentido literal ao doce de ameixa – o que seria correto se a preparação fosse feita apenas deste fruto. Ao mesmo tempo, o termo "plum" ainda pode ser usado para designar qualquer fruta seca.



Sugar plums são feitas a partir de qualquer combinação de: ameixas, figos, damascos, tâmaras e cerejas, todos deve estar secos (em passas). A fruta seca é cortada fina e combinada com amêndoas, mel e especiarias aromáticas e essa mistura seria, então, enrolada no formato de pequenas bolas do tamanho de ameixas e, só então, revestidas em açúcar - há quem as encontre enroladas em coco ralado.
De acordo com os historiadores de alimentos, a palavra ameixa (plum) nos tempos vitorianos era usada para se referir a passas ou groselhas secas, e não para referir-se as ameixas - como pensam a maioria das pessoas.
No entanto as Sugar Plums são as formas mais antigas para um doce cozido – que não necessariamente precisariam ser feitos de ameixas. Porém elas trazem no seu tamanho e forma a associação com a tal fruto. 
O termo Sugar Plum esteve em alta a partir do século XVII até o século XIX, mas agora só é relembrado, em grande parte, graças a Fada Sugar plum, um personagem do ballet Quebra-Nozes de Tchaikovsky(1892) ou na época natalina, quando as crianças pedem as “fadinhas açucaradas”.
As Sugar plums pertencem à família dos confeitos. O Dicionário de Inglês Oxford define a palavra como sendo "Um bombom pequeno, redondo ou oval, feito de com açúcar e frutas cozidas de cor e sabor variado, um confeito". A primeira menção a este alimento especial foi feita em 1668. Mas o termo também tem outro significado, pode indicar "Algo muito agradável; que pode ser dado como um calmante ou suborno" – significado que data de 1608.
O Inglês é uma língua flexível e o nome do doce poderia ter vindo da semelhança com uma ameixa pequena. Ou poderia ter vindo de ameixas reais conservadas em muito açúcar, uma ideia relativamente nova na Inglaterra do século XVI. Antes deste tempo o açúcar era tão caro que era usado muito moderadamente, tanto quanto poderíamos usar um tempero de hoje. Em 1540, no entanto, o açúcar começou a ser refinado em Londres, o que baixou seu preço consideravelmente, apesar de apenas as famílias abastadas teriam condições de usá-lo generosamente. Preservar alimentos com o açúcar permitiu que os doces frutos de verão pudessem ser apreciados durante todo o ano, especialmente durante a temporada de inverno, que coincidiam com as época “natalina’.
Cozinheiros do século XVI não registraram suas razões para usar um ingrediente sobre outro, embora eles parecem desfrutar de receitas comerciais onde normalmente não se encontra seu feitor original – principalmente por se tratar de um doce, digamos, primitivo. Botânicos da época, tinham muito a dizer sobre os produtos e temperos usados na culinária da época. John Gerard, cuja obra “Complete Herbal”, publicada em 1597, diz que as ameixas frescas possuíam muitos nutrientes e, além disso, elas teriam uma tendência a estragar rapidamente e manchar qualquer prato que fosse servido com ela.  Ele diz ainda que ameixas secas, são muito mais saudável e as recomendava para resolver problemas no sistema digestivo. Outro estudioso, Thomas Culpepper, escrevendo um pouco mais tarde, encontrou essa propriedade nas ameixas, tanto nas frutas frescas quanto nas em passas.
Mas eu acredito que os confeiteiro do século XVI não estavam nem um pouco interessado nessas propriedades da ameixa, quanto mais no seu  valor  nutricional. Isso posto vamos aos fatos mais diretamente ligados com esta época do ano;

Dossiê sobre a conexão das Sugar Plums com a temporada natalina



O que é uma sugar plum?

A resposta mais simples seria: uma confecção pequena de massa doce cozida, a base de frutas, enrolada em açúcar. Embora existam frutos reais (ameixas) escalfados e banhados com abundante calda de açúcar temperado, que levam também o nome de sugar plum.  Podem ainda estar relacionadas com as frutas cristalizadas.
O conceito básico da Sugar Plum é a preservação de frutas com açúcar, permitindo-lhes ser apreciadas durante todo o ano – como acontecia com  conservas de vegetais e carnes com a salga – também usado para preservar alimentos para consumo durante todo o ano.
Aqui em Fortaleza, e acredito que no nordeste brasileiro em geral, nós temos um doce que poderia também ser facilmente chamado de Sugar Plum devido a sua forma e aparência  Trata-se do doce de caju cristalizado, que pode vir com pedaços de castanhas de caju tendo a mesma forma das sugar plums e é igualmente delicioso.

Sugar Plums
As Sugar Plums nordestinas - doce de caju  cristalizado

Dois clássicos natalinos ligam as Sugar Plums com Natal

A menção de receitas para fazer Sugar Plums começa em torno do século XVII, que coincidiu com o aumento da popularidade de açúcar na Europa e no Novo Mundo. Isso também se encaixa na linha de tempo para a menção das Sugar Plums na época do Natal – isso se deu graças a dois clássicos natalinos:
• O famoso poema de Natal escrito no início de 1800, "A Visit from St. Nicholas" (Uma Visita de São Nicolau, também conhecido como "'The Night Before Christmas), que inclui o seguinte verso: "The children were nestled all snug in their beds, While visions of sugar plums danc'd in their heads." (Os filhos foram todos aninhado confortavelmente em suas camas, Quando tiveram as visões de sugar plums dançando em suas cabeças). O texto é interessante e se você ficou interessado clique aqui para ler .  . 



• O Balé de Tchaikovsky 1882, O Quebra-Nozes que incluía "The Dance of the Sugar Plum Fairy" (A Dança da Fada do Açucarada), que seria para sempre associada com as sugar plums  e a temporada de festas natalinas. .


Agora vejamos uma breve explicação sobre esses dois motivos para o inicio da fama das Sugar Plums:

Clement Clarke Moore e as Sugar Plums

Mr. Moore
Segundo a lenda, na véspera do Natal de 1822, a esposa de Clement Moore estava assando perus para os pobres, quando enviou o Reverendo ao mercado para comprar um peru extra. Sua viagem para o mercado (que ficava no lugar onde hoje esta a the Bowery section de Nova York), o inspirou a escrever um poema que criou a imagem americana de Papai Noel, e o detalhou como um agregado familiar típico da época do Natal. O poema foi publicado anonimamente em 23 de dezembro de 1823, sob o título "Uma Visita de São Nicolau" ("A Visit from St. Nicholas"),
O poema tornou-se um dos mais lidos no mundo, e os versos sobre as sugar plums deram, certamente, impulso à lenda das sugar plums nos anos que se seguiram.

O verdadeiro autor de "Uma visita de São Nicolau"

Enquanto o poema descreve a visão das sugar plums, não há razão para acreditar elas não seriam as de Clement Clarke Moore. Porém Don Foster, um professor de Inglês no Vassar College, um lingüista forense usado pelo FBI em muitos casos famosos, como o prova do "Unabomber Manifesto" concluiu que o espírito do poema e estilo são absolutamente contraditório com a linguagem de Clement Clarke Moore. 


Major Livingston
Em um de seus livros Foster diz que seria o major Henry Livingston Jr seria o verdadeiro autor de "Uma visita de São Nicolau". Desde o lançamento de seu livro “Autor Desconhecido”, em 2000, muitas instituições, como a Universidade de Toronto, apoiam a alegação de Foster, reconhecendo o Major Henry Livingston Jr. como autor do poema.

Tchaikovsky e "The Dance of the Sugar Plum Fairy"

Tchaikovsky

Enquanto toda a Suíte do ballet Quebra-nozes (The Nutcracker Suite ballet) é uma celebração de Natal, a sua descrição da Fada açucarada (Sugar Plum fairy) como o governante da " Terra dos Doces" iria apoiar a conclusão de que Tchaikovsky via as sugar plums como um deleite muito especial  da época natalina.


Qual a ligação entre os dois homens americanos com o compositor russo?

• Enquanto vagava Tchaikovsky pela Europa e Rússia rural, não há nenhuma menção de ele teria tido qualquer ligação com a América.
• Clement Clarke Moore, era um estudioso bíblico rico de Manhattan, foi morto há muito tempo antes da escrita de Suite Quebra-Nozes de Tchaikovsky. E sem a internet, as comunicações entre a Rússia e a América, entre estes dois indivíduos não aparentados era altamente improvável..
• O Major Livingston, como Moore, foi um residente de longa vida na cidade de Nova Inglaterra, e morreu antes de Tchaikovsky nascer. Assim, mesmo que sem dúvida de que ele seja o autor do poema "Uma Visita de São Nicolau", é tão improvável que Tchaikovsky nunca o teria conhecido as sugar plums através de Livingston.


Sugar Plum Fairy - Soberana da Terra dos Doces
Isso nos leva a crer que estas pessoas estão para sempre ligadas na história pelo Natal e pelas sugar plums, mas que tiveram seus pensamentos independentes sobre elas embora eles estivessem determinados a tratar sobre elas em sua expressão artística. 
Não há outras teorias de conspiração contra este resultado a serem encontradas, nada em comum entre os personagens. Talvez eventos totalmente independentes estejam relacionadas por uma verdade mais simples que possa explicar este caso. Mas não temos respostas para esta explicação. E é fato indiscutível que as sugar plums são doces comumente associados com o Natal – e são lembrados também através do poema e do ballet citados anteriormente.
As sugar plums, com toda sua simplicidade evocam uma sensação de fantasia sobrenatural – seja através de uma tradição mística, das celebrações antigas de Yule, da poesia, da música ou da dança.



O que importa é que as sugar plums sempre foram muito acalentadas desde os versos de Clement C. Moore ou do Major Henry (como queiram) até o ballet de Tchaikovsky. Essas deliciosas confecções teceram-se dentro e fora das tradições culinárias de Natal e de Inverno um lugar especial que ocupam com capricho fantasioso as mentes mais sensíveis, e que ofertam os vestígios de todo seu deleite para surpreender o paladar contemporâneo...
Com tradição culinária, é claro, vem a nutrição e, enquanto a doçura complexa de uma sugar plum tradicional pode aparentar ser pálida em comparação com modernos doces, as sugar plums oferecem uma profundidade maior e mais complexa não só sabor, mas de cultura. Houve um tempo em que as ameixas secas, enrugadas e simples, serviam para os momentos de deleite dos homens até que surgiu o momento onde as sugar plums surgiram para materializar os sonhos e as fantasias.
E se você está interessado em oferecer a seus convidados um tratamento um pouco incomum nesta temporada natalina, e que quer incluir algo “mais saudável” no seu menu, as sugar plums são ideais para agradar os paladares mais exigentes, e sem tanta culpa, uma vez que são compostas de ingredientes super ricos em nutrientes que, quando misturados, enganam-nos a pensar que eles são exclusivamente, pecaminosamente, apenas deliciosos.

Fontes:
·         A-Z of Food & Drink, John Ayto [Oxford University Press:Oxford] 2002 (p. 329)
·   Sugar-Plums and Sherbet: The Prehistory of Sweets, Laura Mason [Prospect Books:Devon] 2004

Sugar Plums
ingredientes
½ xícara de amêndoas
¼ xícara de ameixas secas
⅛ xicara de tâmaras  picadas
⅛ xícara de passas
¼ colher de chá de canela
⅛ colher de chá de noz-moscada
¼ colher de chá de sementes de anis
¼ colher de chá de essência de baunilha
⅛ colher de chá de extrato de amêndoa
1 pitada de sal
1 colher de sopa de mel
¼ xícara de açúcar mascavo
Açúcar cristal para enrolar

Preparo: Combine nozes e frutas em um processador de alimentos e pulse até que se torne bem picada, mas antes de começar a formar uma bola. Transfira a mistura para uma tigela média e adicione os ingredientes restantes. Amasse bem. Faça as bolinhas e reserve. Envolver as bolinhas no açúcar cristal até ficar bem revestidas.

Sugar Plum  - versão crua

1 xícara de nozes pecans picadas
1 xícara de damascos secos
1 xícara de tâmaras picadas
1/2 xícara de cranberries secas
1/2 xícara de passas
3 colheres de sopa de suco de laranja
2 colher de chá de raspas de laranja
1/4 xícara de mel
1/2 colher de noz-moscada
1/4 colher de chá de cardamomo em pó
flocos de coco para enrolar

Prepraro: Junte os damascos e as tâmaras e pulse no processador até ficarem picadas. Adicione as cranberries e passas, e continuar pulsando até que as frutas fiquem uniformemente picadas e comecem a se acumular. Junte as nozes picadas, as tâmaras e adicione o suco de laranja, as raspas de laranja, o mel, a noz-moscada e o cardamomo. Pulsar até ficar bem misturado. Moldar bolas do tamanho de ameixas, com as palmas das mãos. Rolar pelos flocos de coco. (rende até 3 dúzias)

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Rigo Jancsi – a origem do bolo húngaro que homenageia um violinista cigano


Eu sempre amei os violinos. Eles exercem um fascínio sobre mim. Anos atrás ganhei um  destes maravilhosos instrumentos e tinha em mente aprender o  mais rapidamente como tocar aquelas cordas para fazer harmonia. Eu sempre quis tocar um violino como os ciganos do leste europeu, sempre!
A música cigana me encanta, me ludibria, e o violino deixa a harmonia cigana ainda mais irresistível, fatal. Lembro-me de um episódio no filme A rainha dos Condenados (baseado nas crônicas de Anne Rice), quando o vampiro Lestat tocava freneticamente uma música no violino de um cigano... foi lindo... e um dia eu tocarei como ele...um dia.
Hoje resolvi  escutar música cigana e a inspiração pro post veio com ela. Hoje comentarei sobre uma especialidade do antigo Império Austro-Húgaro, que foi batizada com o nome de um exímio violinista cigano: o bolo Rigo Jancsi


Rigo Jancsi (pronúncia húngaro: riɡó jantí) é um tradicional bolo de chocolate húngaro e vienense em forma de cubo com recheio de creme de chocolate. Ele ganhou popularidade no antigo Império Austro-Húngaro e foi nomeado a partir de Rigo Jancsi (1858-1927), um famoso violinista cigano Húngaro que seduziu e se casou com Clara Ward, a princesa de Caraman-Chimay, a única filha de EB Ward, milionário americano e esposa do príncipe Belga de Caraman-Chimay, Sua Alteza Marie Joseph Anatole Èlie de Riquet. .

A história do sedutor violinista cigano

Algum tempo após o nascimento de seu segundo filho, provavelmente em 1896, o príncipe e a princesa de Chimay foram jantar em Paris, numa ilustres restaurante onde um húngaro, Rigo Jancsi, que ganhava a vida tocando música cigana.  Rigo era um violinista cigano que algumas  vezes é listado como um chef, porém não se encontra fontes que afirmem isso.


Clara Ward e seu segundo marido, Rigo Jancsi - fotografia de um cartão postal alemão de 1905.

Rigó Jancsi e Clara Ward-Chimay 1896

Após uma série de encontros secretos, Ward e Rigo fugiram em dezembro de 1896. Para consternação de sua família, o Registro Ludington de 24 de dezembro de 1896, realizou um investigação e publicou uma serie de notícias sobre a fuga com direito a uma ilustração de xilogravura de Ward com manchete, "indo com um cigano".  Assim Foi afirmado que o príncipe Joseph faria entraria com o processo de divórcio contra sua esposa. Edições subsequentes daquele jornal trazia breves relatos  a respeito de onde Ward e Rigo tinham sido vistos durante a sua caminhada para a Hungria.


Triomphe de la Femme,1905. [Clara Ward e Rigo Jancsi]

O príncipe e princesa de Caraman-Chimay se divorciaram em 19 de janeiro de 1897. O novo casal se casou, provavelmente na Hungria. Alguns relatos indicam que eles logo se mudaram para o Egito, onde Clara ensinou o amor de sua vida os meandros da leitura e escrita. Não muito surpreendentemente, Clara Ward, continuava sendo chamada de princesa de Chimay, mas encontrava-se com seus recursos financeiros  cada vez menores, os cofres de Chimay foram fechados para ela e sua família americana teve de intervir de vez em quando para endireitar suas finanças.

Fotografia de um álbum francês de Clara, de 1905 - Pele e Luz.
Seus principais talentos estava em ser bonita, para os padrões da época, e em ser famosa. Ela combinou os dois artifícios para conquistar o que queria. Henri de Toulouse-Lautrec fez uma litografia dela e Rigo em 1897, chamada "Idylle Princière". Ela foi muitas vezes fotografada, e estava sempre presente em muitos cartões postais durante o período eduardiano, às vezes, em uma pose “plastique” e às vezes no vestido mais ou menos convencional. Kaiser Wilhelm II Chegou inclusive a proibir a publicação ou exibição de fotografias de Clara no Império Alemão porque ele considerava sua beleza  como "perturbadora".


Idylle Princière
Talvez o rendimento desta ocupação de “modelo” , estranha para a época, era suficiente para o casal viver razoavelmente bem. Mas o  casal não durou com Rigo sendo infiel a ela. Eles se divorciaram logo depois de seu casamento, pouco antes ou depois de Ward conhecer seu próximo amor verdadeiro 9o terceiro marido), Peppino Ricciardo, às vezes declarado como sendo espanhol, mas que era mais provavelmente  italiano. Acredita-se ter sido um garçom que ela conheceu em um trem. Eles se casaram em 1904, mas Peppino Ricciardo - e que não durou muito tempo. E então veio o quarto casamento de Clara, seu último marido, sabe-se que foi um gerente da estação da estrada de ferro que ajudou os refugiados italianos vitima do Monte Vesúvio, o Signore Cassalota.

O aparecimento do bolo


Entre 1896 e 1898, os jornais escreviam extensivamente sobre o casamento do Primás (primeiro violinista) Rigo Jancsi com a condessa belga. A sobremesa seria preparação feita em comemoração a esta  história de amor.
As fontes que se pode encontrar sobre a história de criação do bolo não concordam sobre a sua origem.. Alguns afirmam que Rigo criou a massa juntamente com um chefe de pastelaria desconhecido para surpreender Clara; outros afirmam que Rigo Jancsi comprou este bolo para Clara e o pasteleiro nomeou-o depois com o nome de  Rigo Jancsi.
Em Flavors of Hungary (Sabores da Hungria), livro de receitas escrito por Charlotte Eslovaca Biro, este bolo é chamado de "Gypsy John".



O bolo Rigo Jancsi é simples; composto por duas camadas de bolo esponja de chocolate (pão de ló) feitas a partir da mistura de clara de ovo batida, chocolate derretido, manteiga, açúcar e farinha.
Entre as duas camadas do bolo surge uma espessa camada de recheio de creme de chocolate, e uma camada de geleia de damasco muito fina. O recheio ainda pode incluir um toque de rum e/ou baunilha O bolo é coberto com um fondant chocolate esmalte.

Fonte: Gundel, Karoly. Gundel's Hungarian cookbook. Budapest: Corvina. 1992. P. 130

Rigo Jancsi
Bolo de esponja:
90g de chocolate amargo ou meio amargo, derretido e morno
3/4 xícara de manteiga sem sal, amolecida
1/4 xícara de açúcar (separe mais ¼ adicionar às claras)
4 ovos, claras e gemas separadas
1Pitada de sal
1/2 xícara de farinha de trigo
Recheio:
1 e 1/2 xícaras de creme de leite fresco
315g de chocolate meio amargo picado
4 colheres de sopa de rum
1 colher de chá de essência de baunilha
Esmalte de chocolate:
220g de chocolate meio amargo picado
2 colheres de sopa de manteiga sem sal
2 colheres de sopa de xarope de milho claro (glucose ou mel Karo)
1 colher de chá de baunilha

Preparação: Para o bolo: Aqueça o forno a 350 graus. Forre uma forma com papel manteiga. Em uma tigela grande misture  com o açúcar formar um creme. Adicione o chocolate derretido batendo até esfriar, acrescente uma gema de cada vez batendo bem para incorporar. Numa outra tigela bata as claras em neve com o sal até formar picos firmes. Adicione o restante do açúcar e bata até formar picos firmes. Em seguida misture a mistura de claras com a de chocolate cuidadosamente. Despeje na forma preparada e leve ao forno de 12-15 minutos, ou até que o bolo comesse a se afastar dos lados. Não deixe queimar. Leve o bolo para esfriar completamente. Para o recheio: Enquanto isso, coloque o chocolate em uma tigela refratária. Leve o creme para ferver no micro-ondas ou no fogão e despeje sobre o chocolate. Cubra com filme plástico e deixe descansar por 10 minutos. Adicionar o rum e a baunilha e mexa até ficar homogêneo. Refrigerar por 1 hora. Quando o frio, bater até dobrar de volume.Para o esmalte de cobertura: Enquanto isso, coloque a manteiga, o chocolate e xarope de milho em uma tigela para levar ao microondas. Ligar por um minuto em potencia alta, mexer bem – se nato tiver bem derretido  colocar por mais um minuto. Adicione a baunilha e mexa até que esteja completamente derretido e liso. Deixe esfriar. Montagem: Corte o bolo ao meio, espalhe  metade do recheio, cubra com o restante do bolo. Leve à geladeira por 1 hora. Em seguida cubra o  bolo com o esmalte de chocolate, corte o  bolo em quadrados proporcionais  e sirva.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Agradecer: uma questão de atitude!



Olá caros Confrades, espero que estejam bem.
Vocês já agradeceram pelo dia de  hoje?


Pergunto isso porque passamos o Dia de Ação de Graças, comemorado na última quinta feira (22) e pude observar algumas comemorações pelo Brasil.
Aos desavisados, o Dia de Ação de Graças é lei  no Brasil, já falamos disso aqui, (Clique aqui para ler mais). E aproveito para louvar  a atitude do Comitê Brasileiro do Movimento Resgate do Dia Nacional de Ação Graças em lançar  campanha para difundir esta comemoração cheia de significados.
O Movimento nasceu do sentimento de um grupo de pessoas de diversos segmentos – empresários, profissionais liberais, religiosos, educadores – que percebeu a necessidade de expressar gratidão a DEUS, às pessoas, às instituições, à Pátria, pelas conquistas. O DIA DE AÇÃO DE GRAÇAS foi instituído no Brasil pelas Leis Nº 781/49 e 5.110/65, que estabelecem a celebração da data na quarta quinta-feira do mês de novembro de cada ano. Mesmo sendo uma data oficial o Dia não é difundido como deveria no País. Por isso o Comitê Brasileiro do Movimento Resgate do Dia Nacional de Ação Graças (Clique aqui para ver o site oficial do evento) trabalha para motivar a celebração da ação de graças e para estimular nas pessoas o sentimento de gratidão. Afinal, como diz o slogan do Movimento, “Digamos sempre obrigado pois, não conquistamos nada sozinhos”.
Pensando em tudo isso, este post de hoje é dedicado ao agradecimento.



Senhor, muito obrigado, pelo que me deste, pelo que me dás!
Pelo ar, pelo pão, pela paz! Muito obrigado, pela beleza que meus olhos veem no altar da natureza. Olhos que contemplam o céu cor de anil, e se detém na terra verde, salpicada de flores em tonalidades mil!
Pela minha faculdade de ver, pelos cegos eu quero interceder, por aqueles que vivem na escuridão e tropeçam na multidão, por eles eu oro e a Ti imploro comiseração, pois eu sei que depois dessa lida, numa outra vida, eles enxergarão!
Senhor, muito obrigado pelos ouvidos meus.
Ouvidos que ouvem o tamborilar da chuva no telheiro, a melodia do vento nos ramos do salgueiro, a dor e as lágrimas que escorrem no rosto do mundo inteiro. Ouvidos que ouvem a música do povo, que desce do morro na praça a cantar. A melodia dos imortais que a gente ouve uma vez e não se esquece nunca mais.
Diante de minha capacidade de ouvir,
Pelos surdos eu te quero pedir, pois eu sei, que depois desta dor, no teu reino de amor, eles voltarão a ouvir!
Muito obrigado Senhor, pela minha voz!
Mas também pela voz que canta, que ensina, que consola.
Pela voz que com emoção, profere uma sentida oração!
Pela minha capacidade de falar, pelos mudos eu Te quero rogar, pois eu sei que depois desta dor, no teu reino de amor, eles também cantarão!
Muito obrigado Senhor, pelas minhas mãos, mas também pelas mãos que aram, que semeiam, que agasalham.
Mãos de caridade, de solidariedade. Mãos que apertam mãos.
Mãos de poesias, de cirurgias, de sinfonias, de psicografias, mãos que numa noite fria, cuida ou lava louça numa pia.
Mãos que a beira de uma sepultura, abraça alguém com ternura, num momento de amargura.
 Mãos que no seio, agasalham o filho de um corpo alheio, sem receio.
E meus pés que me levam a caminhar, sem reclamar.
Porque eu vejo na Terra amputados, deformados, aleijados...e eu posso bailar!!...
Por eles eu oro, e a ti imploro, porque eu sei que depois dessa expiação, numa outra situação,
Eles também bailarão.
Por fim Senhor, muito obrigado pelo meu lar!
Pois é tão maravilhoso ter um lar...
Não importa se este lar é uma mansão, um ninho, uma casa no caminho, um bangalô, seja lá o que for!
O importante é que dentro dele exista a presença da harmonia e do amor!
O amor de mãe, de pai, de irmão, de uma companheira...
De alguém que nos dê a mão, nem que seja a presença de um cão, porque é tão doloroso viver na solidão!
Mas se eu ninguém tiver, nem um teto para me agasalhar, uma cama para eu deitar, um ombro para eu chorar, ou alguém para desabafar..., não reclamarei, não lastimarei, nem blasfemarei.
Porque eu tenho a Ti!
Então muito obrigado porque eu nasci!
E pelo teu amor, teu sacrifício, tua paixão por nós,
Muito obrigado Senhor!

Fonte: Autora: Amélia Rodrigues - Psicografia: Divaldo Franco


PÃO DA GRATIDÃO | VERSÃO SALGADO: PÃO DE ESPECIARIAS INTEGRAL

Massa Esponja
Ingredientes

850g de farinha de trigo
15g de fermento seco
480ml de água gelada

Modo de Preparo Coloque a farinha de trigo e o fermento na masseira e misture na primeira velocidade, até o fermento misturar-se a farinha, acrescente água gelada, misture até homogeneizar por 2 minutos; Mais um minuto na segunda velocidade e deixe descansar. Descanso mínimo de 1 hora

Massa Reforço
Ingredientes

150g de farinha de trigo integral
16g de sal
25g de mix de especiarias desidratadas (salsa, cebola e alho)
50ml de azeite de oliva

Modo de Preparo Junte o reforço com a esponja e faça uma massa lisa e homogênea; Divida a massa em pedaços de 350g, boleie e deixe descansar por 2 minutos; Em seguida modele em formato de “filão”. Deixe fermentar por aproximadamente 1h30min; Polvilhe com farinha de trigo e faça cortes decorativos;Leve ao forno por 25 minutos em temperatura média de 190ºC.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

TOKAJI - Vinum Regum, Rex Vinorum (Vinho dos Reis, Rei dos Vinhos).



Eu estava com saudades de postar algo sobre o luxo gastronômico... mas também quando eu posto, fico com desejos imensuráveis de me esbaldar neles.
Hoje quero falar do TOKAJI – alguém aí já ouviu falar dele? De inicio já aviso que este pode ser um presente de Natal fabuloso para aquelas pessoas “especiais”, sobretudo para aquelas com o gosto refinado e que apreciam um bom acompanhamento para as sobremesas.

Tokaji (o sufixo i quer dizer proveniente de Tokaj) é o nome dos vinhos da região de Tokaj-Hegyalja na Hungria e na Eslováquia – o nome da bebida então é usado para rotular vinhos desta região vinícola que tem sua Denominação de Origem Protegida. Esta região é famosa por seus vinhos doces feitos a partir de uvas afetadas pela “podridão nobre” (essa podridão nobre, é um termo que eu escolhi para referir aos vinhos botrytizados que tem esta característica por sofrer ataques do fungo atacadas pela Botrytis Cinerea. Há um consenso que os grandes vinhos doces Tokaji sejam os pioneiros em vinhos botrytizados, pois já existiam antes mesmo dos grandes vinhos alemães do Reno e também, da famosa região francesa de Sauternes) um estilo de vinho que tem uma longa história na região. O tokaji tem tanta importância que o "néctar" que vem das uvas de Tokaj é mencionado até no hino nacional da Hungria.
Vinhos botrytizados são produzidos a partir de uvas sobremaduras que, em virtude de condições climáticas especiais (como manhãs úmidas com tardes secas e quentes), desenvolvem um fungo nos cachos de uvas (que atualmente também pode ser inoculado nos vinhedos). O fungo Botrytis concentra os açúcares e glicerol nas uvas, mantendo a acidez e desenvolvendo aromas únicos.

Tokaji circa de 1680, possivelmente a garrafa de tokaji intacta mai santiga encontrada nas adegas reais saxônicas 

Desde 2007, apenas os produtores de vinho autorizados na região de Tokaj-Hegyalja estão autorizados a usar a marca Tokaj. Embora, por suas proximidades com a Eslováquia a  região vinícola Eslovaka de Tokaj pode usar a etiqueta Tokajský/-á/-é label ("de Tokaj" m eslovaco) [2], se aplicar o regulamento de controle húngaro de qualidade. [2] tal região costumava ser parte do maior Tokaj -Hegyalja região dentro do Reino da Hungria, mas foi dividido entre a Hungria e a Eslováquia, após o Tratado de Trianon.
Não se sabe por quanto tempo videiras foram cultivadas em solo vulcânico próximos dos rios Bodrog e Hernád. Porém se sabe que isso já antecedia a aniquilação das tribos magiares  daquela região. [5] De acordo com a lenda, o aszú foi o primeiro tipo de tokaji produzido, feito por Laczkó Máté Szepsi em 1630. No entanto, a menção de vinho feito de uvas aszú já havia aparecido nos textos de “Nomenklatura de Fabricius Balázs Sziksai” que foi concluído em 1576. Um inventário recente descobriu, porém, que a existência do tokaji aszú antecede esta referência por cinco anos.

Tokay Essence 1811 Engarrafado em 1840. Anteriormente propriedade da família principesca de Bretzenheim,que foi extinta em 1863. Vendido por Berry Bros em 1920.
A primeira menção de um Tokaji Aszú data de 1571. Aszú no caso, significa que existem uvas atacadas pela Botrytis Cinerea. Entretanto, a região descobriu sua vocação em 1650, quando a colheita teve de ser adiada devido a um iminente ataque turco. Com o atraso, as uvas sim foram atacadas pelo nobre fungo, sendo então vinificadas. Com este fato, estava decretada a descoberta do maravilhoso vinho.
Assim o vinho Tokaji tornou-se o assunto do controle do mundo  para sua denominação que foi estabelecida há várias décadas antes do vinho do Porto, e mais de 120 anos antes da classificação de Bordeaux, com a classificação Vineyard que começou em 1730 com vinhas sendo classificadas em três categorias, dependendo do solo, exposição ao sol e potencial para desenvolver podridão nobre, Botrytis cinerea, de primeira classe, segunda classe e terceira classe de vinhos. Um decreto real em 1757 estabeleceu uma zona de produção encerrada em Tokaj. O sistema de classificação foi concluído pelos censos nacionais de 1765 e 1772.
Em 1703, Francis Rákóczi II, príncipe da Transilvânia, deu ao rei Luís XIV da França um pouco de vinho Tokaji de sua propriedade em Tokaj como um presente. O vinho Tokaji foi servido na Corte Real Francesa de Versalhes, onde se tornou conhecido como Tokay. Encantado com a bebida preciosa, Luís XV da França ofereceu uma taça de Tokaji a Madame de Pompadour, referindo-se a ele como "Vinum Regum, Rex Vinorum" [3] ("Vinho dos Reis, Rei dos Vinhos"). Esta famosa frase é usada até hoje na comercialização de vinhos Tokaji.

Madame de Pompadour
O Imperador Franz Josef (que era também rei da Hungria) teve uma tradição de enviar Rainha Victoria vinho Tokaji Aszú, como um presente de aniversário durante todos os anos em que ela viveu – ele enviava uma garrafa para cada mês que ela tinha vivido, 12 para cada ano. Em seu octogésimo primeiro e último aniversário (1900), a rainha atingiu impressionantes 972 garrafas.
Em 1920, após a queda do Império Austro-Húngaro, uma pequena parte da região do vinho Tokaj (aprox. 1,75 km ²) tornou-se parte da Checoslováquia, devido ao Tratado de Trianon, enquanto o restante permaneceu parte da Hungria. Após a Segunda Guerra Mundial, quando a Hungria tornou-se um estado de influência soviética, a produção de Tokaji continuou com até 6.000 pequenos produtores, mas o engarrafamento e distribuição eram monopolizados pela organização estatal. Desde o colapso dos regimes comunistas, em 1990, um número de vinícolas independentes foram estabelecidas na região de Tokaj-Hegyalja. Um produtor estatal continua a existir e manipula aproximadamente 20% da produção total.
O Vinho Tokaji recebeu elogios de vários grandes escritores e compositores, incluindo [3] Beethoven, Liszt, Schubert, Goethe, Heinrich Heine, [3] Friedrich von Schiller, [3] Bram Stoker, [3] Johann Strauss, [ 3] e Voltaire. [3] Sendo o Tokaji o vinho favorito do compositor Joseph Haydn.
Além de Luís XIV, vários outros monarcas europeus são conhecidos por terem sido os consumidores muito interessados neste tipo de vinho. Luís XV e Frederico, o Grande, tentaram superar um ao outro quando eles tratavam os hóspedes, como Voltaire, com Tokaji. Napoleão III, o último imperador dos franceses, encomendava entre 30-40 barris de Tokaji para a corte francesa a cada ano; O Papa Pio IV. (1499-1565), no Conselho de Trient em 1562, exclamou: Summum Pontificem talia vina decente! (Este é o tipo de vinho que deve estar sobre a mesa papal); Gustav III, rei da Suécia, amava Tokaji - foi dito que ele nunca teve qualquer outro vinho para beber. Na Rússia, os clientes eram Pedro, o Grande e imperatriz Elizabeth da Rússia. [3].

taças de vinho de vidro da Corte do Czar(21cm de altura), período de Nicolau II, de 1910
Taça de vidro de vinho, período de Imperatriz Elisabeth da Rússia (metade do século XVIII)

Um jornal conta do casamento  do presidente polonês Ignacy Moscicki em 1933, onde foram feitos brindes com garrafas de Tokaji com 250 anos de idade, e ele teria dito: "O vinho , se bom, só poderia ser o Essência de Tokay, e a amizade secular entre a Polónia e a Hungria parece apoiar esta conclusão.”
Eu também adoro um bom “Tokaji Essência”, quem não gosta?  E isso nos leva a esclarecer alguns por menores sobre o tokaji, no que tangi as suas vinhas e seus tipos.  Seis variedades de uva são aprovadas oficialmente para a produção de vinho Tokaji: Furmint; Hárslevelű; Yellow Muscat (Hungarian: Sárgamuskotály); Zéta (previously called Oremus – um cruzamento da  Furmint com as uvas Bouvier); Kövérszőlő e Kabar (cruzamento das uvas Hárslevelű e Bouvier). Quanto aos tipos de Tokaji, podemos encontrar:

·         Vinhos secos: Apelidados em tempos ordinarium (vinho comum) hoje em dia passaram a indicar o nome das respectivas castas: Tokaji Furmint, Tokaji Hárslevelû e Tokaji Sárgamuskotály.
·    Vinhos de Vindimas Tardias: Nesta categoria encontram-se vinhos provenientes de uvas parcialmente botrytizadas, com maior ou menor quantidade de açúcar residual.
·         Tokaji Szamorodni: Esta palavra de origem polaca significa: "como nasceu" ou "como isso cresce". O Szamorodni é elaborado a partir de uvas parcialmente botritizadas sem seleção dos bagos botritizados (aszú). Usado como aperitivo pode ser seco ou doce dependendo da proporção de uvas botritizadas.
·         Tokaji Aszú: São os vinhos mais conhecidos da região. Provêm da adição ao vinho de base de uvas com elevado grau de podridão (também designada por podridão nobre), como resultado da presença do fungo Botrytis cinerea, dando origem à formação de uma massa pastosa. A quantidade desta "massa" adicionada ao vinho de base é quantificada em recipientes próprios designados porputtonyos (cada puttonyo significa 25 kg de aszú). Nos rótulos destes vinhos encontramos obrigatoriamente o número de "puttonyos" adicionados (varia de 3 a 6).
·         Tokaji Eszencia: Uma raridade absoluta, o sumo gota-a-gota dos bagos de aszú. A Eszencia é um néctar com uma concentração de açúcar comparável à do mel.


Eszencia: Elixir da longa vida 
A garrafa acima é o famoso Eszencia, vinho citado e glorificado por muitos, mas bebido por poucos. É elaborado só com uvas botrytizadas e separadas grão a grão. Faz-se uma pilha com estas uvas, e somente o néctar escorrido devido a pressão do peso próprio das mesmas é coletado. A produção é reduzidíssima e chega a conter 800 gramas de açúcar por litro (um terror para os diabéticos). O grande segredo é a estupenda acidez principalmente da uva Furmint, com níveis acima dos vinhos bases de Champagne. Nesta concentração de açúcar, a fermentação é quase nula, demorando vários anos para se completar. O resultado é um vinho com cerca de três por cento de álcool e uma persistência aromática interminável.
Quando a Hungria e Eslováquia assinaram o tratado de adesão à União Europeia, já existia um acordo de 1993, onde o nome de Tokaj (incluindo outras formas de ortografia), só deveria ser usado para os vinhos com a denominação de origem. Em março de 2007, os produtores de vinho na França e na Itália deixaram de ser autorizado a usar o nome de Tokay ou Tocai para seus vinhos, que foram feitas a partir de duas variedades não relacionados. O nome Tokay nome passou a ser utilizado na região francesa da Alsácia, para os vinhos feitos com a uva Pinot Gris, geralmente como Tokay d'Alsace. Para dar continuidade ao acordo de 1993, o nome Tokay Pinot Gris foi adotado como um passo intermediário para a comercialização dos vinhos franceses deste tipo, para que em 2007 a utilização do nome Tokay já não seria permitida para o uso dos vinhos francences e nem seria utilizada.
Na Itália, o nome Tocai veio para se referir a uva Sauvignon Vert da região de Friuli-Venezia Giulia, sob a designação Tocai Friulano. Esta designação era para ter sido extinta em 2007, com a mesma cronologia para Tokay d'Alsace. No entanto, a Itália não conseguiu implementar um novo nome à tempo [7], assim rótulos com este nome puderam ser vistos até 2010.
Na Eslovénia, a proibição da UE de usar o nome  histórico Tokaj para o vinho tradicional das regiões de  Goriška Brda e Vipava;  e sua substituição por Sauvignonasse gerou uma grande confusão entre os consumidores.
Houve também uma longa disputa entre a Hungria e a Eslováquia, no direito de usar o nome de Tokaj. As negociações entre os dois governos resultou em um acordo a ser assinado em Junho de 2004. Sob este acordo, o vinho produzido em 5,65 km² de terra na Eslováquia é permitido usar o Tokajský/-á/-é label  [2]. No entanto, uma série de questões práticas ainda permanece. A Eslováquia comprometeu-se a apresentar os mesmos padrões consagrados nas leis de vinhos húngaros desde 1990.
A região vitivinícola Rutherglen na Austrália produz um vinho de sobremesa elaborado com uvas Muscadelle que geralmente tem sido referido como Tokay, mas que tem pouca semelhança com as uvas ou os processos do Tokaji húngaro. Após uma mudança nos regulamentos em 2007, esta variedade de vinhos de sobremesa foi vendida sob o nome de "Topaque" [8] por algumas vinícolas, mas a partir de 2012 alguns outros continuam a rotular eles  como Tokay.
A Ucrânia também produz vinhos rotulados como "Tokay", que são geralmente produzidos em Transcarpathia, uma região vizinha, que fazia parte da região de Tokaji sob a antiga norma do império Austro-Húngaro regra. [9] Este vinho é feito a partir de cultivos semelhantes [10] sendo engarrafado em garrafas de 500ml semelhantes ao Tokaji original,  mas não possui o mesmo padrão de qualidade – atualmente este problema está sendo negociado.


Mais curiosidades sobre a influencia do Tokaji

No conto "His Last Bow (Seu Último Arco)", de Arthur Conan Doyle, Sherlock Holmes é mencionado pelo prussiano Von Bork spymaster empregando sua Altamont persona como tendo um brilho à bebida,
"Altamont tem um sabor agradável em vinhos, e ele tomou uma fantasia para o meu Tokay. Ele é um companheiro sensível e precisa humouring nas pequenas coisas. Tenho que estudá-lo, eu lhe garanto.", Holmes posteriores bebidas com Watson e discute a vinho, como o Dalloway é tomado de realeza. 'Da adega especial Franz Josef, no Palácio de Schoenbrunn. "
No capítulo II do romance de horror "Drácula", de Bram Stoker, o personagem de Jonathan Harker descreve a primeira refeição servida a ele pelo Conde Drácula:

El propio conde se acercó a mí y quitó la tapa del plato, y de inmediato ataqué un excelente pollo asado. Esto, con algo de queso y ensalada, y una botella de Tokay añejo, del cual bebí dos vasos, fue mi cena. Durante el tiempo que estuve comiendo el conde me hizo muchas preguntas acerca de mi viaje, y yo le comuniqué todo lo que había experimentado. [retirado da referida obra, em Espanhol]

No romance de Virginia Woolf, Mrs. Dalloway, as pessoas do sexo masculino na festa de Dalloways só  bebiam  um Tokay Imperiall dos  porões do Imperador. "
No filme de Terry Gilliam, As Aventuras do Barão de Munchausen, o Barão e o sultão fazem uma aposta : se o Barão poderia obter, "das adegas imperiais em Viena", uma garrafa de Tokaji superior à oferecida pelo sultão.
Em A Bússola de Ouro, Philip Pullman,  há uma tentativa de envenenamento de um dos personagens principais, Lorde Asriel, feita pelo Mestre do Jordan College (no romance) ou um funcionário do Magistério (no filme) através de um decantador de Tokaji no primeiro capítulo. Tokaji é dito ser vinho favorito de Lorde Asriel.
Em O Fantasma da Ópera, de Gaston Leroux,  há menção ao Tokay no capítulo de "lira de Apolo", onde Erik serve tokay para Cristine e diz a ela que ele conseguiu o vinho das adegas Königsberg.
Em “o Colar da Rainha!, de Alexandre Dumas, o Duque de Richelieu e seu mordomo discutem os arranjos para obter uma garrafa de Tokaji especial, o que eles esperam para agradar o rei Gustavo III da Suécia em um jantar que o Duque vai sediar.

Tokay Essence 1889 (à esquerda) "De qualidade superlativa, engarrafado por volta de 1910, a partir das propriedades do falecido Conde Jules Esterhazy."; e o Tokay Essence 1914 (à direita) "De qualidade muito boa, de valor inestimável como restaurador, de propriedade do Barão Maillot.

"



Vinhos Tokaji são trazidos ao mercado somente após maturação depois de muito tempo de armazenamento em  barril e um tempo adicional adicional em garrafa. Assim, uma vez que a garrafa é comprada, está pronta a ser consumida. Dito isto, todos os bons Tokaji pode ser armazenado por muitos anos, os de  qualidade mais elevadas podem ser armazenados por décadas, e o verdadeiro Essencia vai durar dois séculos ou mais: os melhores vinhos Tokaji são quase imortais. Com exceção discutível dos vinhos do Chateau Chalon (também o resultado de vinificação oxidativa), Tokaji é o vinho de vida mais longa na existência. Por esta razão garrafas do século XVIII e XIX ainda são muito procuradas por colecionadores e custam valores exorbitantes.


Tokaji Aszú é melhor consumido a uma temperatura de 11 a 14 ° C. Temperaturas mais quentes melhoram o seu sabor, mas faz parecer menos fresco. O Szamorodni pode ser apreciado em temperaturas ligeiramente mais frias do que um Aszú.
Se o Aszú foi feito no estilo tradicional oxidativo, um frasco hermeticamente fechado pode ser armazenado no frigorífico durante duas semanas após a abertura, sem qualquer perda de qualidade. Desta forma, você pode facilmente abrir várias garrafas ao mesmo tempo para a degustação paralela! Um Tokaji Aszú é um companheiro elegante para muitas sobremesas. Como uma regra de ouro. certificar-se que a doçura do vinho é maior do que a doçura do sobremesa. Tal como acontece com Sauternes, vinhos Tokaji também são ótimos para acompanhar queijos de mofo azul, especialmente Roquefort.,



Referências
1.     ^ "Tokay"Encyclopædia BritannicaEncyclopædia Britannica, Inc.. 2008. Retrieved 2008-08-16.
2.     a b c "A névért perelnék az uniót a tokaji gazdák" (in Hungarian). Népszabadság. 2008-08-02. Retrieved 2008-09-21.
3.     a b c d e f g h i j Tokaj-Hegyalja
4.     ^ “A rich, sweet, moderately strong wine of a topaz color, produced in the vicinity of Tokay, in Hungary; also, a similar wine produced elsewhere.” Webster’s New International Dictionary of the English Language (Springfield, Mass.: G.&C. Merriam, 1913). See Tokay at page 2166.
5.     a b Lichine, Alexis (1987). Alexis Lichine’s New Encyclopedia of Wines & Spirits (5th edition ed.). New York: Alfred A. Knopf. pp. 497–499.
6.     ^ Tokay alsace
9.     ^ Sunday Business post

Sorvete de Mascarpone com xarope de Tokaji e passas

Para a calda
Tokaji 120ml ou vinho de sobremesa outros
passas 120g
Açúcar refinado 90g
½ vagem de baunilha
Para o sorvete
Leite integral 300ml
5 colheres de sopa de glicose líquida (encontrá-lo em cookshops e químicos)
60g de açúcar refinado ouro
½ vagem de baunilha
4 gemas
250g mascarpone

Preparo: Para fazer a calda, coloque o Tokaji sobre as passas em uma tigela pequena e deixe de molho por 2 horas. Coloque o açúcar, 1/2 uma vagem de baunilha e água 60ml em uma panela pequena e aqueça suavemente até que o açúcar se dissolva e um xarope claro se forme. Aumente o fogo e deixe ferver. Adicione as passas e Tokaji e deixe ferver por 5 minutos, até apurar. Deixe esfriar em seguida, cubra e leve à geladeira.
Para fazer o sorvete: aquecer o leite com a glicose líquida, o açúcar e a baunilha em uma panela mexendo ocasionalmente para dissolver o açúcar, quando a mistura começar a ferver retire do fogo. Coloque as gemas em uma tigela grande e despeje a mistura de leite quente sobre elas, mexendo constantemente. Em seguida misture o mascarpone.. Passe por uma peneira fina e leve à geladeira por uma hora na máquina de sorvete. (Se você não tem uma máquina de sorvete, despeje em um recipiente, leve ao congelador por uma hora, em seguida, passado este tempo retire do congelador e bata na batedeira bem, repita esta operação, até obter a consistência desejada). retire dois terços das passas da calda e reserve. Transfira o sorvete para um recipiente com tampa de plástico e gentilmente coloque as passas escorridas com 2 colheres de sopa da calda. Gelar por pelo menos mais duas horas  antes de servir. Colocar a calda restante e passas sobre cada serviço antes de comer
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