terça-feira, 11 de dezembro de 2012

A Kutia e o Natal Russo


Já comentei com vocês que eu adoro uma novidade?
Se não, já aviso que novidades me atraem. Sobretudo quando elas vêm de terras cheias de estórias, como a Rússia... Hoje encontrei uma receitinha de um doce bastante comum na época natalina russa, a Kutia.


Kutia (ruso, кутья, коливо, kutia, kolivo; ucraniano, кутя, коливо; polaco, kutia; servio, кољиво, koljivo) é uma espécie de pudim doce feito com grãos de trigo servido na época natalina nas culturas russa, ucraniana, lituana e polaca. A kutia é um dos primeiro pratos servido na tradicional na ceia natalina dessas regiões, composta por doze pratos.
Estes dozes pratos da ceia natalina podem variar de região a região, mas entre os mais tradicionais estão os seguintes 12 pratos, que no passado, representavam eles, os doze meses do ano. No cristianismo, os doze apóstolos, discípulos do Divino Mestre que anunciam a sua mensagem. Cada cristão deve anunciar o bem, testemunhando a doutrina do Divino Mestre Jesus. Eis os pratos:


1 - «Kutiá» – grãos de trigo cozido adoçados com mel, passas de frutas (uvas) e nozes ou castanhas e sementes de papoula. O trigo representa a fartura, o progresso, o bem estar. O mel, que a vida deve ser temperada com a alegria da saúde, do bem estar, na amizade, na unidade familiar. Simboliza o trabalho do agricultor e das abelhas. Também representa os entes queridos que faleceram. Elo entre os vivos e os mortos.


2 - «Borchtch» – sopa de beterraba e repolho, servida com pão de centeio.

3 - «Mlêntsi» ou «Nalêsneke» – tipo de panquecas.


4 - «Varének» – espécie de pastel (tipo ravióli) que antigamente era recheado com repolho, trigo sarraceno (mourisco), ameixas, geléias ou sementes de papoula. Embora o recheio de batata com requeijão tenha se tornado popular entre nós, na ceia de Natal era raramente usado, uma vez que para nossos ancestrais, há centenas e centenas de anos atrás, a batata era desconhecida, chegando à Ucrânia somente por volta dos séc. XVII e XVIII. Na região da Galícia (Ucrânia Ocidental) é chamado de «perih», enquanto na Ucrânia Oriental «perih» é uma espécie de pãozinho branco assado no forno contendo algum recheio.


5 - «Holubtsí» – rolinhos de repolho - espécie de «charuto», com trigo sarraceno, cebola e cogumelos, enrolado com folha de repolho. É cozido no vapor ou em «banho maria». Na Ucrânia são preparados com folhas de repolho em conserva em virtude da neve, sendo que em outras estações do ano são usadas folhas frescas de repolho ou de beterraba.


6 - «Krujalkê» – espécie de repolho cozido, temperado com água, sal e iguarias.
7 - Peixe em conserva.
8 - Várias espécies de pão, biscoitos de mel.
9 - «Kácha» – espécie de cevada moída, preparada com iguarias.
10 - «Hrebê» – espécie de cogumelos cozidos, preparados em forma de salada ou em forma de molho, para serem consumidos junto com os demais pratos.
11 - «Kalatch» ou «Kolatch» – pão doce – em algumas regiões com recheio de doces de frutas. O pão representa a colheita do ano e é adornado com uma vela que iluminará a mesa e deve permanecer sobre a mesma durante 3 dias.


12 - «Kompot» ou «Uzvar» – compota feita das mais variadas frutas guardadas em conserva desde o verão (cereja, ameixa, pêra, maçã, uva). Em algumas regiões é preparada com bastante calda de forma que pode ser usada também como suco, substituindo as bebidas alcoólicas.


E ainda temos outros pratos: «kapusniák» (sopa de repolho), «perijkê» (pasteizinhos assados recheados com repolho, ou com doces de frutas), pepinos e outros mais.
A ceia deve ser preparada com produtos não gordurosos que possam representar a água, o ar e a terra, pois ainda nos encontramos no período de quaresma «Pelêpivka». Ela só encerra-se à meia noite, quando da participação de toda a família na Divina Liturgia na igreja da comunidade.
Durante a ceia, iniciam-se os cantos natalinos – «Kolhadê». Eles nos falam do nascimento do Menino Jesus. A alegria deve ser contagiante neste momento da ceia. Cada um saúda os presentes, iniciando uma «Kólhada». Elas continuam até o final da ceia. É comum em todas as famílias deixar sempre um lugar a mais, preparado durante a ceia. Este lugar pode representar algum familiar ou amigo que não tem a possibilidade de estar festejando o Natal em uma família, bem como representar aqueles que passaram desta terra para a eternidade: eterna é a lembrança deles entre todos.
Quando todos terminam a ceia, saem para a participação da liturgia na igreja da comunidade. Nada se retira da mesa. Ela deve permanecer assim, pois a crença diz que os «ausentes» virão tomar a sua parte na refeição da ceia.
Além dos pratos da ceia natalina, que por si só já são um deleite a parte, as demais tradições natalinas russas são curiosíssimas.


Todos sabem o que é o Natal. Todos sabem porque se comemora o Natal. Mas nem todos o celebram da mesma maneira, vejam: Na Rússia o Natal é festejado em 7 de janeiro, porque o calendário juliano, seguido pela Igreja russa, distanciava-se, no século 20, 13 dias do calendário gregoriano, adotado no Ocidente. Cada século, o calendário juliano aumenta um dia. Assim, no século 21, o Natal deveria a rigor ocorrer em 8 de janeiro, mas continua sendo celebrado no dia 7. Algumas igrejas orientais, já adotam o calendário ocidental, por motivos práticos.
A Igreja ortodoxa russa, tanto na Rússia, como fora dela, ainda adota o chamado velho estilo, apesar dos inconvenientes óbvios para a celebração das grandes festas, como Natal, Ano Novo, Epifania, Páscoa e outras. Na ceia da vigília de Natal, não se come carne, mas iguarias próprias da festa principalmente não pode faltar o pudim de trigo (ou arroz) com mel, chamado “kutia”, que simboliza a doçura do Reino de Deus.
Em nenhuma casa pode faltar a árvore de Natal, ornada com flores e velas, conforme um antigo costume que o Czar Pedro, o Grande, tinha trazido da Holanda, no século XVIII.
A árvore de Natal (a iolka) é a única árvore que se mantém verde e viçosa, quando todas as plantas ficam adormecidas debaixo da neve. O Natal é também uma festa para as crianças, por ser a manifestação de Deus como um menino. Em todas as comunidades, organiza-se a festa da iolka para crianças, com presentes e cânticos natalinos, chamados “koliady”.


Nos 12 dias que seguem, chamados “sviátki” (dias santos), os párocos visitam e benzem as casas dos paroquianos, compartilhando com eles a alegria do Natal. Todas as tradições são religiosas. As cerimônias litúrgicas do Natal são longas e dificilmente as pessoas poderiam acompanhá-las todas, mas esta dificuldade é contornada na Rússia de hoje, onde as grandes festas são televisionadas.
Algumas igrejas, como a grega, já adotam o calendário do novo estilo (ocidental) e muitas igrejas russas no Ocidente, tendem a fazer o mesmo, mas convém lembrar que o Natal está inserido em um ciclo litúrgico, não sendo possível celebrar só o Natal junto com o Ocidente, sem alterar todo o calendário, com os quarenta dias de oração e jejum, os dias imediatos da vigília e os dias posteriores. Para celebrar o Natal no novo estilo, seria preciso adotar o calendário civil para todo o ano e abandonar o juliano.
Como os países que formavam o antigo império russo já estão hoje ligados ao Ocidente, certamente o Santo Sínodo da Igreja Ortodoxa Russa acabará unificando o calendário. Para isto terá que dar um salto (neste século 21) de 14 dias. Em países, como o Brasil, as comunidades orientais acabam celebrando um duplo Natal, o do Ocidente, e o do Oriente, já em pleno ano novo. Com esta duplicidade, é praticamente impossível atravessar as festas de Ano Novo em oração e jejum na expectativa do Natal de janeiro.
São Nicolau é o Padroeiro da Rússia, dos marinheiros e das crianças, a figura benevolente que traz prendas em 6 de Dezembro, 25 de Dezembro ou no dia 6 de Janeiro, dependendo do país e da religião/cultura. Na Rússia a véspera de Natal celebra-se dia 6 e os seguintes 12 dias são Dias Santos, para celebrar o nascimento de Cristo, segundo o calendário Juliano.


São Nicolau é a inspiração para o Papai Noel, e ele existiu em carne e osso. Nasceu em Mira, Ásia Menor, cidade da qual se tornou Bispo, no século IV DC. Ficou ligado à dádiva de prendas devido a muitas histórias da sua generosidade e filantropia, enquanto distribuía sua considerável riqueza entre os pobres e em prol de causas sociais. Em uma destas histórias, salvou três oficiais da marinha da morte, aparecendo depois nos seus sonhos daí o nome do doce que se come em Portugal nesta época (sonhos).
Originalmente, davam-se as prendas no dia 6 de Dezembro, mas foi alterado quando no século IV DC, o Papa Júlio I (337-352) fixou o dia 25 de Dezembro como o dia do nascimento de Jesus, porque foi um dia que coincidia com a festa romana de Saturnália, e as festas pagãos dos germânicos e celtas do Solstício do Inverno (21 de Dezembro). Foi no século XIII que começou o hábito de construir presépios para celebrar o nascimento de Cristo.


A Igreja Ortodoxa depois mudou este festival para o Dia de Epifania (dia da adoração, 6 de Janeiro), quando os Reis magos trouxeram presentes ao menino Jesus no estábulo porque segundo o calendário Juliano, o Natal está desfasado do calendário Gregoriano por duas semanas. É neste dia que se celebra o Natal na Rússia mas quem traz as prendas é Ded Moroz (Avô Geada), e Snegoroushka (a Menina de Neve). Ded Moroz é talvez o original Pai Natal, com sua barba branca e longa e suas roupas compridas.


Na Rússia, a véspera do Natal é celebrado com vários pratos típicos, com toda a família junta, e em algumas casas, há lugares postos para os familiares que já morreram. A refeição (A Santa Ceia) é grande, pois termina um período de jejum. Porém, não é costume comer carne. A festa começa quando a primeira estrela aparece no Céu. Na mesa, um pano branco, representando o pano que cobriu o menino Jesus. Algumas pessoas colocam palha a volta da mesa, simbolizando simplicidade e uma vela é acesa na mesa (Luz de Cristo). A árvore (yolka) é decorada antes da refeição.
Tradicionalmente, o Pai da família reza a Oração do Nosso Senhor e diz "Cristo nasceu!" Os familiares presentes dizem "Glorificam-no!" e a mãe faz o sinal da cruz com mel em todos presentes, dizendo "Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, que tenham doçura e muitas coisas boas na vida durante o ano que vem". O grupo depois partilha o pão, que colocam no mel (doçura) e depois em bocados de alho (amargura).

A Preparação
O Natal é a maior festa, depois da Páscoa, porque celebra o mistério fundamental da fé, a Encarnação do Verbo de Deus. Como na Páscoa, a preparação é de 40 dias de oração e jejum, a Quaresma do Natal, ou Quaresma de São Felipe, porque começa em 14 de novembro, festa do apóstolo Felipe. Na quaresma preparatória, a Igreja celebra, principalmente em dezembro, os profetas do Antigo Testamento que anunciaram o Messias. No domingo entre 11 e 17 de dezembro, são recordados, de modo especial, os santos patriarcas que aguardavam a vinda do Salvador. No domingo entre 18 e 24 de dezembro, são comemorados os antepassados de Jesus, mencionados nos Evangelhos. Ao se aproximar a festa, a liturgia envolve as pessoas na atmosfera de expectativa do enternecedor mistério de Deus, que vem habitar entre nós.
A grande vigília
A partir de 20 de dezembro, a preparação torna-se mais intensa, com uma vigília de 5 dias. Na véspera do Natal, chamada “sotchélnik”, intensifica-se o jejum, que dura o dia inteiro até nascer a primeira estrela no céu.
Três grandes cerimônias são celebradas: a primeira é o Ofício das Horas Imperiais, assim chamadas, porque eram celebradas com a presença do Imperador e da corte imperial e também por causa do esplendor de que a cerimônia se reveste.
O Ofício é celebrado no centro da igreja, com o Evangelho exposto em lugar de destaque e com as portas da iconostase abertas, porque o Salvador não está mais oculto, como outrora na gruta, mas raiou como sol resplandecente para todas as nações. As leituras bíblicas do Ofício introduzem as pessoas no clima de Natal e são intercaladas com poemas litúrgicos de rara beleza. A segunda cerimônia é o Ofício de Vésperas Solenes unidas com a longa Liturgia de São Basílio.


A terceira cerimônia é a Grande Vigília noturna, que consta das Completas Festivas com a cerimônia da Litiá (bênção dos pães) e o tradicional cântico Deus está conosco e, logo a seguir, o Ofício das Matinas com o cântico do tropário e konákion, que as pessoas conhecem de cor, na melodia tradicional, que se repete inúmeras vezes durante todo o período de Natal, até a próxima grandiosa festa da Epifania (Bogoiavlênie), com a bênção das águas. Nas Matinas, uma parte proeminente é o cântico do Cânon, longo poema litúrgico de nove odes, referentes aos cânticos do Antigo Testamento, mais o Magnificat (9ª ode). No Natal existem dois cânones, o do santo poeta Cosme de Maium e o do outro santo poeta João Damasceno.

O dia de Natal: Cristo nasceu: glorificai-o!
Na Manhã de Natal, a Liturgia (a Missa) é celebrada com uma solenidade só igualada à da Páscoa. No final da Liturgia, celebra-se o Moleben ou Ofício com o cântico Deus está conosco, que, nas igrejas russas, é o ofício de ação de graças pela libertação da Rússia da invasão napoleônica em 1812.
A teologia do Natal faz a comparação entre o primeiro Adão, da queda e do pecado, com o Segundo Adão, Jesus, da regeneração e da graça. O Natal estabelece o paralelo entre o causador da morte e o restaurador da vida. A festa teria sido introduzida em Constantinopla pelo imperador Arcádio (377), vinda da Igreja de Roma, onde tinha substituído a festa pagã do Sol invicto e se tornou popular, graças à eloquência de São João Crisóstomo, e à poesia de Santo Efrém, o Sírio.

São João Crisóstomo proclama:
“Hoje é a festa da alegria geral, porque nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor (Lc 2:10-11). Alegram-se hoje os céus e a terra; alegra-se toda criatura, porque o Salvador nasceu em Belém, porque cessou toda a maldade e Cristo reina para sempre... Aquele por quem os antepassados tanto suspiravam, e que os profetas prenunciavam e os santos desejavam ver, hoje se manifestou. Deus apareceu na terra, na carne, e veio habitar entre os homens”.

O santo poeta Efrém, o Sírio, diz em uma palestra sobre o mistério do Natal:
Hoje raiou o dia da bondade: que ninguém se vingue do seu próximo por ofensas recebidas; chegou o dia da alegria: que ninguém seja culpado de tristeza e ofensa ao seu próximo.
Este é um dia de céu claro e sem nuvens: que seja refreada toda a ira que atormenta a paz e a tranquilidade... Este é o dia em que o Senhor de toda a riqueza tornou-se pobre por amor de nós.

Interessante ou não? De toda forma que tal preparar uma Kutia para experimentar neste Natal?


Kutia Tradicional

1/2 kg de trigo em grão
mel a gosto
50 grs de uvas passas
50 grs de semente de papoulas
nozes moídas e inteiras para decorar

Preparo: Coloque os grãos de trigo de molho por 2 horas. Coloque em panela de pressão com bastante água e leve a cozinhar até amolecer, escorra e depois de fria acrescenta-se mel agosto, sementes de papoula, passas e nozes moídas.


Kutia estilizada
200g de grãos de trigo
10g de sementes de papoula
100g de nozes picadas
100g de amêndoas picadas
50g de passas embebidas em 70ml de rum/cognac
baunilha (em pó ou essência)
suco de 1/8 a ¼ de limão
1 lata de leite condensado
½ lata de creme de leite
Opcional: 2 ou 3 doses pequenas de bebida destilada (rum, whisky, gin)
Pode-se ainda adicionar avelãs ou frutas cristalizadas/secas (como figos, tâmaras).

Preparo: Lavar os grãos de trigo e deixá-los de molho em água por cerca de 2 horas. Escorrer a água. Colocar em uma panela com água e deixar ferver por cerca de 15 minutos. Deixar esfriar por mais ½ hora e depois passar na escorredeira. Colocar água fervente sobre as sementes de papoula, levar ao fogo e deixar levantar fervura. Apagar e deixar de molho por 1 a 2 horas. Passar por uma peneira. Espremer um pouco as sementes. Em um recipiente, misture o leite condensado, o creme de leite, o limão, as passas com o cognac, a baunilha e o destilado (rum, gin, etc.), ajustando o creme a seu gosto. Adicione as nozes e amêndoas picadas e as sementes de papoula. Mexa bem e deixe em geladeira por 1 a 2 horas.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

O caso das Sugar Plums – elas não são o que você pensa que são!


Vocês, com certeza, já ouviram alguém dizer que o Natal é mágico. 
Eu  já ouvi e já li isso milhares de vezes. Já ouvi também, e concordo, que muitas pessoas começam a mudar no Natal - devido a influencia desta estação... Já ouvi outros dizerem que o personagem central desta época, o menino Jesus, é sempre encoberto pelo consumismo; que as pessoas dão mais valor aos presentes do que ao “Dono da Festa”; e que nem sempre sentem o real Espírito do Natal.
No que eu acredito? Eu acredito nos fatos. Eu acredito no que eu sinto. Eu acredito que Deus, na sua sabedoria, sempre sabe o que faz. E Deus não faz errado. E eu acredito que foi Deus quem fez a fantasia para deixar a nossa imaginação sempre viva e aliviada da rudeza da realidade que os homens criam.
Hoje vou lhes contar uma história que sempre teve importância para mim, desde criança, e que está repleta de fantasia. Irei lhes falar sobre as Sugar Plums - Talvez seja o Espirito do Natal se manifestando em mim, juntando cada coisinha que eu acredito lá no fundo, para transformar se em fatos que podem explicar algumas das minhas ligações de proximidade com a fantasia, com o natal, com a gastronomia, com a história, com a cultura, com o mundo, com a consciência universal (Deus).


Sugar Plums
Quando eu era criança e apesar de gostar do Papai Noel (como é de se esperar da maioria das crianças) era com outros personagens fantásticos que eu mais me identificava. dentre estes personagens, eu gostava do quebra-nozes e da Sugar Plum Fairy – que na época, eu conhecia como Fada Torrão de Açúcar. O motivo para esta apreciação toda eu posso expor em fatos simples:

·     Sempre fui muito dedicado a leitura, e o quebra-nozes entrou na minha infância através do conto O Soldadinho de Chumbo, de Hans Christian Andersen;
·   Sempre gostei de música e dança, e o quebra-nozes veio acompanhado da fadinha açucarada quando me foi apresentado, ainda pequeno, a suíte O Quebra-Nozes, de Tchaikovsky. Vale ressaltar que a montagem deste ballet foi inspirado também na literatura, a partir do conto de fadas “The Nutcracker and the Mouse King” (O quebra-nozes e o Rato Rei, do original em alemão: Nussknacker und Mausekönig), estória escrita em 1816 por Ernst Theodor Amadeus Hoffmann – escritor germânico de fantasia e terror. Em 1892, o compositor russo Pyotr Ilyich Tchaikovsky, com os coreógrafos Marius Petipa e Lev Ivanov, (depois por Alexandre Dumas, Pai) fizeram a adaptação dessa historia para o ballet quebra nozes – e que se tornou um das mais famosas composições de Tchaikovsky, e sem duvida um dos balés mais populares pelo mundo.

Assista ao ballet completo.

Depois disso eu tinha certeza, que o nascimento do Cristo trouxe consigo muitas outras coisas boas, cheias de fantasia, e isso se refletia nas historias contada na época natalina ao redor do mundo – que eu tinha contato através da leitura. 
O quebra nozes e a fada torrão de açúcar eram tão presentes no meu natal, que na adolescência, para concorrer num concurso da minha escola, eu desenvolvi uma coreografia simples para uma música da atualidade colocando como corpo do ballet o soldado de chumbo, a fadinha e alguns outros personagens (ganhamos o concurso na cidade, e depois fomos disputar na região, mas sempre tem gente melhor do que nós, e só de ter feito aquilo, de improviso com poucos recursos da escola, já foi o máximo – só a foto que eu tenho que é desastrosa [risos] ainda bem que o tempo melhora a gente!).


A foto é antiga, não tem boa qualidade, mas é o único registro que tenho daquele momento. Tenho  essa farda vermelha até hoje!
Hoje mais uma vez eu me lembro destes personagens e resolvi tratar especialmente da fadinha açucarada, pois ela tem ligação direta com tudo isso, e com a gastronomia – sempre o foco desta publicação. Para tanto, imbuído pelas influências dos julgamentos do mensalão (que acabou levando a TV a passar cada dia um fato novo sobre o ocorrido), vou passar aqui a descrever os fatos que originaram a associação das Sugar Plums com o Natal.
Aqui não se está discutindo, hoje, a origem e o feitor das Sugar Plums. Mas as está considerando como uma realidade: o fato de que elas existem para deixar o Natal ainda mas cheio de fantasia e deleite – e fantasia e deleite não precisam de explicação, só necessitam serem sentidos, aproveitados.
"Plum” (termo inglês para Ameixa) ou "Sugar Plum" é o termo que remete a uma confecção culinária doce que não refere-se no sentido literal ao doce de ameixa – o que seria correto se a preparação fosse feita apenas deste fruto. Ao mesmo tempo, o termo "plum" ainda pode ser usado para designar qualquer fruta seca.



Sugar plums são feitas a partir de qualquer combinação de: ameixas, figos, damascos, tâmaras e cerejas, todos deve estar secos (em passas). A fruta seca é cortada fina e combinada com amêndoas, mel e especiarias aromáticas e essa mistura seria, então, enrolada no formato de pequenas bolas do tamanho de ameixas e, só então, revestidas em açúcar - há quem as encontre enroladas em coco ralado.
De acordo com os historiadores de alimentos, a palavra ameixa (plum) nos tempos vitorianos era usada para se referir a passas ou groselhas secas, e não para referir-se as ameixas - como pensam a maioria das pessoas.
No entanto as Sugar Plums são as formas mais antigas para um doce cozido – que não necessariamente precisariam ser feitos de ameixas. Porém elas trazem no seu tamanho e forma a associação com a tal fruto. 
O termo Sugar Plum esteve em alta a partir do século XVII até o século XIX, mas agora só é relembrado, em grande parte, graças a Fada Sugar plum, um personagem do ballet Quebra-Nozes de Tchaikovsky(1892) ou na época natalina, quando as crianças pedem as “fadinhas açucaradas”.
As Sugar plums pertencem à família dos confeitos. O Dicionário de Inglês Oxford define a palavra como sendo "Um bombom pequeno, redondo ou oval, feito de com açúcar e frutas cozidas de cor e sabor variado, um confeito". A primeira menção a este alimento especial foi feita em 1668. Mas o termo também tem outro significado, pode indicar "Algo muito agradável; que pode ser dado como um calmante ou suborno" – significado que data de 1608.
O Inglês é uma língua flexível e o nome do doce poderia ter vindo da semelhança com uma ameixa pequena. Ou poderia ter vindo de ameixas reais conservadas em muito açúcar, uma ideia relativamente nova na Inglaterra do século XVI. Antes deste tempo o açúcar era tão caro que era usado muito moderadamente, tanto quanto poderíamos usar um tempero de hoje. Em 1540, no entanto, o açúcar começou a ser refinado em Londres, o que baixou seu preço consideravelmente, apesar de apenas as famílias abastadas teriam condições de usá-lo generosamente. Preservar alimentos com o açúcar permitiu que os doces frutos de verão pudessem ser apreciados durante todo o ano, especialmente durante a temporada de inverno, que coincidiam com as época “natalina’.
Cozinheiros do século XVI não registraram suas razões para usar um ingrediente sobre outro, embora eles parecem desfrutar de receitas comerciais onde normalmente não se encontra seu feitor original – principalmente por se tratar de um doce, digamos, primitivo. Botânicos da época, tinham muito a dizer sobre os produtos e temperos usados na culinária da época. John Gerard, cuja obra “Complete Herbal”, publicada em 1597, diz que as ameixas frescas possuíam muitos nutrientes e, além disso, elas teriam uma tendência a estragar rapidamente e manchar qualquer prato que fosse servido com ela.  Ele diz ainda que ameixas secas, são muito mais saudável e as recomendava para resolver problemas no sistema digestivo. Outro estudioso, Thomas Culpepper, escrevendo um pouco mais tarde, encontrou essa propriedade nas ameixas, tanto nas frutas frescas quanto nas em passas.
Mas eu acredito que os confeiteiro do século XVI não estavam nem um pouco interessado nessas propriedades da ameixa, quanto mais no seu  valor  nutricional. Isso posto vamos aos fatos mais diretamente ligados com esta época do ano;

Dossiê sobre a conexão das Sugar Plums com a temporada natalina



O que é uma sugar plum?

A resposta mais simples seria: uma confecção pequena de massa doce cozida, a base de frutas, enrolada em açúcar. Embora existam frutos reais (ameixas) escalfados e banhados com abundante calda de açúcar temperado, que levam também o nome de sugar plum.  Podem ainda estar relacionadas com as frutas cristalizadas.
O conceito básico da Sugar Plum é a preservação de frutas com açúcar, permitindo-lhes ser apreciadas durante todo o ano – como acontecia com  conservas de vegetais e carnes com a salga – também usado para preservar alimentos para consumo durante todo o ano.
Aqui em Fortaleza, e acredito que no nordeste brasileiro em geral, nós temos um doce que poderia também ser facilmente chamado de Sugar Plum devido a sua forma e aparência  Trata-se do doce de caju cristalizado, que pode vir com pedaços de castanhas de caju tendo a mesma forma das sugar plums e é igualmente delicioso.

Sugar Plums
As Sugar Plums nordestinas - doce de caju  cristalizado

Dois clássicos natalinos ligam as Sugar Plums com Natal

A menção de receitas para fazer Sugar Plums começa em torno do século XVII, que coincidiu com o aumento da popularidade de açúcar na Europa e no Novo Mundo. Isso também se encaixa na linha de tempo para a menção das Sugar Plums na época do Natal – isso se deu graças a dois clássicos natalinos:
• O famoso poema de Natal escrito no início de 1800, "A Visit from St. Nicholas" (Uma Visita de São Nicolau, também conhecido como "'The Night Before Christmas), que inclui o seguinte verso: "The children were nestled all snug in their beds, While visions of sugar plums danc'd in their heads." (Os filhos foram todos aninhado confortavelmente em suas camas, Quando tiveram as visões de sugar plums dançando em suas cabeças). O texto é interessante e se você ficou interessado clique aqui para ler .  . 



• O Balé de Tchaikovsky 1882, O Quebra-Nozes que incluía "The Dance of the Sugar Plum Fairy" (A Dança da Fada do Açucarada), que seria para sempre associada com as sugar plums  e a temporada de festas natalinas. .


Agora vejamos uma breve explicação sobre esses dois motivos para o inicio da fama das Sugar Plums:

Clement Clarke Moore e as Sugar Plums

Mr. Moore
Segundo a lenda, na véspera do Natal de 1822, a esposa de Clement Moore estava assando perus para os pobres, quando enviou o Reverendo ao mercado para comprar um peru extra. Sua viagem para o mercado (que ficava no lugar onde hoje esta a the Bowery section de Nova York), o inspirou a escrever um poema que criou a imagem americana de Papai Noel, e o detalhou como um agregado familiar típico da época do Natal. O poema foi publicado anonimamente em 23 de dezembro de 1823, sob o título "Uma Visita de São Nicolau" ("A Visit from St. Nicholas"),
O poema tornou-se um dos mais lidos no mundo, e os versos sobre as sugar plums deram, certamente, impulso à lenda das sugar plums nos anos que se seguiram.

O verdadeiro autor de "Uma visita de São Nicolau"

Enquanto o poema descreve a visão das sugar plums, não há razão para acreditar elas não seriam as de Clement Clarke Moore. Porém Don Foster, um professor de Inglês no Vassar College, um lingüista forense usado pelo FBI em muitos casos famosos, como o prova do "Unabomber Manifesto" concluiu que o espírito do poema e estilo são absolutamente contraditório com a linguagem de Clement Clarke Moore. 


Major Livingston
Em um de seus livros Foster diz que seria o major Henry Livingston Jr seria o verdadeiro autor de "Uma visita de São Nicolau". Desde o lançamento de seu livro “Autor Desconhecido”, em 2000, muitas instituições, como a Universidade de Toronto, apoiam a alegação de Foster, reconhecendo o Major Henry Livingston Jr. como autor do poema.

Tchaikovsky e "The Dance of the Sugar Plum Fairy"

Tchaikovsky

Enquanto toda a Suíte do ballet Quebra-nozes (The Nutcracker Suite ballet) é uma celebração de Natal, a sua descrição da Fada açucarada (Sugar Plum fairy) como o governante da " Terra dos Doces" iria apoiar a conclusão de que Tchaikovsky via as sugar plums como um deleite muito especial  da época natalina.


Qual a ligação entre os dois homens americanos com o compositor russo?

• Enquanto vagava Tchaikovsky pela Europa e Rússia rural, não há nenhuma menção de ele teria tido qualquer ligação com a América.
• Clement Clarke Moore, era um estudioso bíblico rico de Manhattan, foi morto há muito tempo antes da escrita de Suite Quebra-Nozes de Tchaikovsky. E sem a internet, as comunicações entre a Rússia e a América, entre estes dois indivíduos não aparentados era altamente improvável..
• O Major Livingston, como Moore, foi um residente de longa vida na cidade de Nova Inglaterra, e morreu antes de Tchaikovsky nascer. Assim, mesmo que sem dúvida de que ele seja o autor do poema "Uma Visita de São Nicolau", é tão improvável que Tchaikovsky nunca o teria conhecido as sugar plums através de Livingston.


Sugar Plum Fairy - Soberana da Terra dos Doces
Isso nos leva a crer que estas pessoas estão para sempre ligadas na história pelo Natal e pelas sugar plums, mas que tiveram seus pensamentos independentes sobre elas embora eles estivessem determinados a tratar sobre elas em sua expressão artística. 
Não há outras teorias de conspiração contra este resultado a serem encontradas, nada em comum entre os personagens. Talvez eventos totalmente independentes estejam relacionadas por uma verdade mais simples que possa explicar este caso. Mas não temos respostas para esta explicação. E é fato indiscutível que as sugar plums são doces comumente associados com o Natal – e são lembrados também através do poema e do ballet citados anteriormente.
As sugar plums, com toda sua simplicidade evocam uma sensação de fantasia sobrenatural – seja através de uma tradição mística, das celebrações antigas de Yule, da poesia, da música ou da dança.



O que importa é que as sugar plums sempre foram muito acalentadas desde os versos de Clement C. Moore ou do Major Henry (como queiram) até o ballet de Tchaikovsky. Essas deliciosas confecções teceram-se dentro e fora das tradições culinárias de Natal e de Inverno um lugar especial que ocupam com capricho fantasioso as mentes mais sensíveis, e que ofertam os vestígios de todo seu deleite para surpreender o paladar contemporâneo...
Com tradição culinária, é claro, vem a nutrição e, enquanto a doçura complexa de uma sugar plum tradicional pode aparentar ser pálida em comparação com modernos doces, as sugar plums oferecem uma profundidade maior e mais complexa não só sabor, mas de cultura. Houve um tempo em que as ameixas secas, enrugadas e simples, serviam para os momentos de deleite dos homens até que surgiu o momento onde as sugar plums surgiram para materializar os sonhos e as fantasias.
E se você está interessado em oferecer a seus convidados um tratamento um pouco incomum nesta temporada natalina, e que quer incluir algo “mais saudável” no seu menu, as sugar plums são ideais para agradar os paladares mais exigentes, e sem tanta culpa, uma vez que são compostas de ingredientes super ricos em nutrientes que, quando misturados, enganam-nos a pensar que eles são exclusivamente, pecaminosamente, apenas deliciosos.

Fontes:
·         A-Z of Food & Drink, John Ayto [Oxford University Press:Oxford] 2002 (p. 329)
·   Sugar-Plums and Sherbet: The Prehistory of Sweets, Laura Mason [Prospect Books:Devon] 2004

Sugar Plums
ingredientes
½ xícara de amêndoas
¼ xícara de ameixas secas
⅛ xicara de tâmaras  picadas
⅛ xícara de passas
¼ colher de chá de canela
⅛ colher de chá de noz-moscada
¼ colher de chá de sementes de anis
¼ colher de chá de essência de baunilha
⅛ colher de chá de extrato de amêndoa
1 pitada de sal
1 colher de sopa de mel
¼ xícara de açúcar mascavo
Açúcar cristal para enrolar

Preparo: Combine nozes e frutas em um processador de alimentos e pulse até que se torne bem picada, mas antes de começar a formar uma bola. Transfira a mistura para uma tigela média e adicione os ingredientes restantes. Amasse bem. Faça as bolinhas e reserve. Envolver as bolinhas no açúcar cristal até ficar bem revestidas.

Sugar Plum  - versão crua

1 xícara de nozes pecans picadas
1 xícara de damascos secos
1 xícara de tâmaras picadas
1/2 xícara de cranberries secas
1/2 xícara de passas
3 colheres de sopa de suco de laranja
2 colher de chá de raspas de laranja
1/4 xícara de mel
1/2 colher de noz-moscada
1/4 colher de chá de cardamomo em pó
flocos de coco para enrolar

Prepraro: Junte os damascos e as tâmaras e pulse no processador até ficarem picadas. Adicione as cranberries e passas, e continuar pulsando até que as frutas fiquem uniformemente picadas e comecem a se acumular. Junte as nozes picadas, as tâmaras e adicione o suco de laranja, as raspas de laranja, o mel, a noz-moscada e o cardamomo. Pulsar até ficar bem misturado. Moldar bolas do tamanho de ameixas, com as palmas das mãos. Rolar pelos flocos de coco. (rende até 3 dúzias)

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Rigo Jancsi – a origem do bolo húngaro que homenageia um violinista cigano


Eu sempre amei os violinos. Eles exercem um fascínio sobre mim. Anos atrás ganhei um  destes maravilhosos instrumentos e tinha em mente aprender o  mais rapidamente como tocar aquelas cordas para fazer harmonia. Eu sempre quis tocar um violino como os ciganos do leste europeu, sempre!
A música cigana me encanta, me ludibria, e o violino deixa a harmonia cigana ainda mais irresistível, fatal. Lembro-me de um episódio no filme A rainha dos Condenados (baseado nas crônicas de Anne Rice), quando o vampiro Lestat tocava freneticamente uma música no violino de um cigano... foi lindo... e um dia eu tocarei como ele...um dia.
Hoje resolvi  escutar música cigana e a inspiração pro post veio com ela. Hoje comentarei sobre uma especialidade do antigo Império Austro-Húgaro, que foi batizada com o nome de um exímio violinista cigano: o bolo Rigo Jancsi


Rigo Jancsi (pronúncia húngaro: riɡó jantí) é um tradicional bolo de chocolate húngaro e vienense em forma de cubo com recheio de creme de chocolate. Ele ganhou popularidade no antigo Império Austro-Húngaro e foi nomeado a partir de Rigo Jancsi (1858-1927), um famoso violinista cigano Húngaro que seduziu e se casou com Clara Ward, a princesa de Caraman-Chimay, a única filha de EB Ward, milionário americano e esposa do príncipe Belga de Caraman-Chimay, Sua Alteza Marie Joseph Anatole Èlie de Riquet. .

A história do sedutor violinista cigano

Algum tempo após o nascimento de seu segundo filho, provavelmente em 1896, o príncipe e a princesa de Chimay foram jantar em Paris, numa ilustres restaurante onde um húngaro, Rigo Jancsi, que ganhava a vida tocando música cigana.  Rigo era um violinista cigano que algumas  vezes é listado como um chef, porém não se encontra fontes que afirmem isso.


Clara Ward e seu segundo marido, Rigo Jancsi - fotografia de um cartão postal alemão de 1905.

Rigó Jancsi e Clara Ward-Chimay 1896

Após uma série de encontros secretos, Ward e Rigo fugiram em dezembro de 1896. Para consternação de sua família, o Registro Ludington de 24 de dezembro de 1896, realizou um investigação e publicou uma serie de notícias sobre a fuga com direito a uma ilustração de xilogravura de Ward com manchete, "indo com um cigano".  Assim Foi afirmado que o príncipe Joseph faria entraria com o processo de divórcio contra sua esposa. Edições subsequentes daquele jornal trazia breves relatos  a respeito de onde Ward e Rigo tinham sido vistos durante a sua caminhada para a Hungria.


Triomphe de la Femme,1905. [Clara Ward e Rigo Jancsi]

O príncipe e princesa de Caraman-Chimay se divorciaram em 19 de janeiro de 1897. O novo casal se casou, provavelmente na Hungria. Alguns relatos indicam que eles logo se mudaram para o Egito, onde Clara ensinou o amor de sua vida os meandros da leitura e escrita. Não muito surpreendentemente, Clara Ward, continuava sendo chamada de princesa de Chimay, mas encontrava-se com seus recursos financeiros  cada vez menores, os cofres de Chimay foram fechados para ela e sua família americana teve de intervir de vez em quando para endireitar suas finanças.

Fotografia de um álbum francês de Clara, de 1905 - Pele e Luz.
Seus principais talentos estava em ser bonita, para os padrões da época, e em ser famosa. Ela combinou os dois artifícios para conquistar o que queria. Henri de Toulouse-Lautrec fez uma litografia dela e Rigo em 1897, chamada "Idylle Princière". Ela foi muitas vezes fotografada, e estava sempre presente em muitos cartões postais durante o período eduardiano, às vezes, em uma pose “plastique” e às vezes no vestido mais ou menos convencional. Kaiser Wilhelm II Chegou inclusive a proibir a publicação ou exibição de fotografias de Clara no Império Alemão porque ele considerava sua beleza  como "perturbadora".


Idylle Princière
Talvez o rendimento desta ocupação de “modelo” , estranha para a época, era suficiente para o casal viver razoavelmente bem. Mas o  casal não durou com Rigo sendo infiel a ela. Eles se divorciaram logo depois de seu casamento, pouco antes ou depois de Ward conhecer seu próximo amor verdadeiro 9o terceiro marido), Peppino Ricciardo, às vezes declarado como sendo espanhol, mas que era mais provavelmente  italiano. Acredita-se ter sido um garçom que ela conheceu em um trem. Eles se casaram em 1904, mas Peppino Ricciardo - e que não durou muito tempo. E então veio o quarto casamento de Clara, seu último marido, sabe-se que foi um gerente da estação da estrada de ferro que ajudou os refugiados italianos vitima do Monte Vesúvio, o Signore Cassalota.

O aparecimento do bolo


Entre 1896 e 1898, os jornais escreviam extensivamente sobre o casamento do Primás (primeiro violinista) Rigo Jancsi com a condessa belga. A sobremesa seria preparação feita em comemoração a esta  história de amor.
As fontes que se pode encontrar sobre a história de criação do bolo não concordam sobre a sua origem.. Alguns afirmam que Rigo criou a massa juntamente com um chefe de pastelaria desconhecido para surpreender Clara; outros afirmam que Rigo Jancsi comprou este bolo para Clara e o pasteleiro nomeou-o depois com o nome de  Rigo Jancsi.
Em Flavors of Hungary (Sabores da Hungria), livro de receitas escrito por Charlotte Eslovaca Biro, este bolo é chamado de "Gypsy John".



O bolo Rigo Jancsi é simples; composto por duas camadas de bolo esponja de chocolate (pão de ló) feitas a partir da mistura de clara de ovo batida, chocolate derretido, manteiga, açúcar e farinha.
Entre as duas camadas do bolo surge uma espessa camada de recheio de creme de chocolate, e uma camada de geleia de damasco muito fina. O recheio ainda pode incluir um toque de rum e/ou baunilha O bolo é coberto com um fondant chocolate esmalte.

Fonte: Gundel, Karoly. Gundel's Hungarian cookbook. Budapest: Corvina. 1992. P. 130

Rigo Jancsi
Bolo de esponja:
90g de chocolate amargo ou meio amargo, derretido e morno
3/4 xícara de manteiga sem sal, amolecida
1/4 xícara de açúcar (separe mais ¼ adicionar às claras)
4 ovos, claras e gemas separadas
1Pitada de sal
1/2 xícara de farinha de trigo
Recheio:
1 e 1/2 xícaras de creme de leite fresco
315g de chocolate meio amargo picado
4 colheres de sopa de rum
1 colher de chá de essência de baunilha
Esmalte de chocolate:
220g de chocolate meio amargo picado
2 colheres de sopa de manteiga sem sal
2 colheres de sopa de xarope de milho claro (glucose ou mel Karo)
1 colher de chá de baunilha

Preparação: Para o bolo: Aqueça o forno a 350 graus. Forre uma forma com papel manteiga. Em uma tigela grande misture  com o açúcar formar um creme. Adicione o chocolate derretido batendo até esfriar, acrescente uma gema de cada vez batendo bem para incorporar. Numa outra tigela bata as claras em neve com o sal até formar picos firmes. Adicione o restante do açúcar e bata até formar picos firmes. Em seguida misture a mistura de claras com a de chocolate cuidadosamente. Despeje na forma preparada e leve ao forno de 12-15 minutos, ou até que o bolo comesse a se afastar dos lados. Não deixe queimar. Leve o bolo para esfriar completamente. Para o recheio: Enquanto isso, coloque o chocolate em uma tigela refratária. Leve o creme para ferver no micro-ondas ou no fogão e despeje sobre o chocolate. Cubra com filme plástico e deixe descansar por 10 minutos. Adicionar o rum e a baunilha e mexa até ficar homogêneo. Refrigerar por 1 hora. Quando o frio, bater até dobrar de volume.Para o esmalte de cobertura: Enquanto isso, coloque a manteiga, o chocolate e xarope de milho em uma tigela para levar ao microondas. Ligar por um minuto em potencia alta, mexer bem – se nato tiver bem derretido  colocar por mais um minuto. Adicione a baunilha e mexa até que esteja completamente derretido e liso. Deixe esfriar. Montagem: Corte o bolo ao meio, espalhe  metade do recheio, cubra com o restante do bolo. Leve à geladeira por 1 hora. Em seguida cubra o  bolo com o esmalte de chocolate, corte o  bolo em quadrados proporcionais  e sirva.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Agradecer: uma questão de atitude!



Olá caros Confrades, espero que estejam bem.
Vocês já agradeceram pelo dia de  hoje?


Pergunto isso porque passamos o Dia de Ação de Graças, comemorado na última quinta feira (22) e pude observar algumas comemorações pelo Brasil.
Aos desavisados, o Dia de Ação de Graças é lei  no Brasil, já falamos disso aqui, (Clique aqui para ler mais). E aproveito para louvar  a atitude do Comitê Brasileiro do Movimento Resgate do Dia Nacional de Ação Graças em lançar  campanha para difundir esta comemoração cheia de significados.
O Movimento nasceu do sentimento de um grupo de pessoas de diversos segmentos – empresários, profissionais liberais, religiosos, educadores – que percebeu a necessidade de expressar gratidão a DEUS, às pessoas, às instituições, à Pátria, pelas conquistas. O DIA DE AÇÃO DE GRAÇAS foi instituído no Brasil pelas Leis Nº 781/49 e 5.110/65, que estabelecem a celebração da data na quarta quinta-feira do mês de novembro de cada ano. Mesmo sendo uma data oficial o Dia não é difundido como deveria no País. Por isso o Comitê Brasileiro do Movimento Resgate do Dia Nacional de Ação Graças (Clique aqui para ver o site oficial do evento) trabalha para motivar a celebração da ação de graças e para estimular nas pessoas o sentimento de gratidão. Afinal, como diz o slogan do Movimento, “Digamos sempre obrigado pois, não conquistamos nada sozinhos”.
Pensando em tudo isso, este post de hoje é dedicado ao agradecimento.



Senhor, muito obrigado, pelo que me deste, pelo que me dás!
Pelo ar, pelo pão, pela paz! Muito obrigado, pela beleza que meus olhos veem no altar da natureza. Olhos que contemplam o céu cor de anil, e se detém na terra verde, salpicada de flores em tonalidades mil!
Pela minha faculdade de ver, pelos cegos eu quero interceder, por aqueles que vivem na escuridão e tropeçam na multidão, por eles eu oro e a Ti imploro comiseração, pois eu sei que depois dessa lida, numa outra vida, eles enxergarão!
Senhor, muito obrigado pelos ouvidos meus.
Ouvidos que ouvem o tamborilar da chuva no telheiro, a melodia do vento nos ramos do salgueiro, a dor e as lágrimas que escorrem no rosto do mundo inteiro. Ouvidos que ouvem a música do povo, que desce do morro na praça a cantar. A melodia dos imortais que a gente ouve uma vez e não se esquece nunca mais.
Diante de minha capacidade de ouvir,
Pelos surdos eu te quero pedir, pois eu sei, que depois desta dor, no teu reino de amor, eles voltarão a ouvir!
Muito obrigado Senhor, pela minha voz!
Mas também pela voz que canta, que ensina, que consola.
Pela voz que com emoção, profere uma sentida oração!
Pela minha capacidade de falar, pelos mudos eu Te quero rogar, pois eu sei que depois desta dor, no teu reino de amor, eles também cantarão!
Muito obrigado Senhor, pelas minhas mãos, mas também pelas mãos que aram, que semeiam, que agasalham.
Mãos de caridade, de solidariedade. Mãos que apertam mãos.
Mãos de poesias, de cirurgias, de sinfonias, de psicografias, mãos que numa noite fria, cuida ou lava louça numa pia.
Mãos que a beira de uma sepultura, abraça alguém com ternura, num momento de amargura.
 Mãos que no seio, agasalham o filho de um corpo alheio, sem receio.
E meus pés que me levam a caminhar, sem reclamar.
Porque eu vejo na Terra amputados, deformados, aleijados...e eu posso bailar!!...
Por eles eu oro, e a ti imploro, porque eu sei que depois dessa expiação, numa outra situação,
Eles também bailarão.
Por fim Senhor, muito obrigado pelo meu lar!
Pois é tão maravilhoso ter um lar...
Não importa se este lar é uma mansão, um ninho, uma casa no caminho, um bangalô, seja lá o que for!
O importante é que dentro dele exista a presença da harmonia e do amor!
O amor de mãe, de pai, de irmão, de uma companheira...
De alguém que nos dê a mão, nem que seja a presença de um cão, porque é tão doloroso viver na solidão!
Mas se eu ninguém tiver, nem um teto para me agasalhar, uma cama para eu deitar, um ombro para eu chorar, ou alguém para desabafar..., não reclamarei, não lastimarei, nem blasfemarei.
Porque eu tenho a Ti!
Então muito obrigado porque eu nasci!
E pelo teu amor, teu sacrifício, tua paixão por nós,
Muito obrigado Senhor!

Fonte: Autora: Amélia Rodrigues - Psicografia: Divaldo Franco


PÃO DA GRATIDÃO | VERSÃO SALGADO: PÃO DE ESPECIARIAS INTEGRAL

Massa Esponja
Ingredientes

850g de farinha de trigo
15g de fermento seco
480ml de água gelada

Modo de Preparo Coloque a farinha de trigo e o fermento na masseira e misture na primeira velocidade, até o fermento misturar-se a farinha, acrescente água gelada, misture até homogeneizar por 2 minutos; Mais um minuto na segunda velocidade e deixe descansar. Descanso mínimo de 1 hora

Massa Reforço
Ingredientes

150g de farinha de trigo integral
16g de sal
25g de mix de especiarias desidratadas (salsa, cebola e alho)
50ml de azeite de oliva

Modo de Preparo Junte o reforço com a esponja e faça uma massa lisa e homogênea; Divida a massa em pedaços de 350g, boleie e deixe descansar por 2 minutos; Em seguida modele em formato de “filão”. Deixe fermentar por aproximadamente 1h30min; Polvilhe com farinha de trigo e faça cortes decorativos;Leve ao forno por 25 minutos em temperatura média de 190ºC.