quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Um monumento ao amor - uma descoberta regada a vinho e provoleta


Há momentos em que a inspiração me aparece enquanto estou disperso... ou, quando estou com a mão ocupada com uma generosa taça de um bom vinho e degustando um aperitivo.  Isso é batata de acontecer se eu estiver me deleitando com provoleta com vinho...


Acredito no poder das manifestações de Baco através do consumo de uma boa bebida com um bom acompanhamento – afinal ele é o deus do vinho, da gula, da ebriedade, dos excessos – sobretudo os sexuais. Então vou apelar pra Baco na intenção de ele, hoje, me permitir divagar numa escrita diferente, mas que me permita elucidar um pouco mais das minhas percepções do mundo.
Toda vez que eu estou caminhando pelas ruas históricas, independentemente do lugar onde eu esteja eu fico com uma vontade louca de querer entrar nos velhos casarões com a esperança de tentar descobrir o estilo de vida de quem existiu ali. Isso me persegue desde a infância e é sempre um prazer quando encontro lugares disponíveis para visitações.
Aqui em Fortaleza já visitei muitos lugares assim, antigos, com cheiro de histórias importantes e intrigantes – e falta ainda muitos outros lugares aos quais pretendo  visitar. Em algumas destas visitas me acompanhou a senhora baronesa do Crato de Açúcar, Célia Augusta , consóror desta Confraria; e pelo nosso fiel escudeiro, Jesus Andrade - temos que fazer um roteiro novo pessoal, tirar mais umas fotos...

Da esquerda para a direita: Jesus, Célia e Eu, no último evento em que comparecemos. 
Eu sempre fui encantado com tudo que a historia pode me proporcionar. E quando eu visito esses velhos casarões  é como se me transportasse para aquelas épocas distantes. Sinto-me bem! Infelizmente, a falta de conservação do patrimônio nas cidades é coisas que deixa a desejar. E isso contribui para o desaparecimento de maravilhas como a que irei lhes mostrar hoje. O amor será o mote que eu irei utilizar para tentar exemplificar o que o homem pode construir para externalizar seus sentimentos – e presentear além de sua amada, o mundo. 
Na historia da humanidade é fácil aportar construções majestosas realizadas com a finalidade de impressionar a pessoa amada - seria então uma forma de homenagem. Os Jardins Suspensos da Babilônia, o Taj Mahal e o Trianon são alguns exemplos dessas homenagens que amor fez com que o homem construísse edificações esplendorosas que até hoje deixa envaidecido e admirado o mundo inteiro. (mais informações sobre os edifícios citados no fim deste post)
As construções citadas anteriormente, distintas por seus lugares e épocas, são para mim dádivas da arquitetura e exercem sobre mim uma dimensão poética, de tão romântica que me parecem; E acabam endereçando e revelando, além de pontos reais nas distintas sociedades, questões importantes de suas culturas por trás de eventos e objetos do cotidiano que exaltam a beleza nas suas mais variadas formas. 
Eu que já andei  lendo Fedro de Platão, acho isso até compreensível – pois ele nos faz compreender a experiência da beleza como um veículo para a alma ascender à verdade ( Eros nos dá as asas para isso. E a beleza  quando encarnada no esfera humana, seria  um vestígio da luz do Ser que os mortais raramente podem contemplar diretamente). Mas se eu seguir  minha formação filosófica para esclarecer um pouco mais desta questão poderia levantar este escrito a outro questionamento: será que podemos ser enganados pelo que aparenta ser bom e verdadeiro?  Pensei isso porque provavelmente Baco já esteja me influenciando com seu poder etílico e auspicioso... Porque o fato é que no mundo atual, mesmo quando se vive de aparências, toda beleza é beleza real e verdadeira – e a beleza é exibida, gosta de aparecer, de ser vista – o que pode ser um pensamento platônico num tempo onde tudo pode ser relativo.
Outro fato do qual não se pode fugir é que a imaginação e o amor (Eros) estão intrinsecamente relacionados.  Parece que nosso amor pela beleza nos completa. Parece que é daí que surge uma necessidade fundamental pela imaginação para melhorar o convívio, a relação, o amor.
Talvez eu me pareça um radicalista com o pensamento a seguir, mas vou correr o risco: “A falta de amor e de imaginação pode estar evidenciando a raiz das nossas piores falhas morais”. Acredito que a imaginação é a “surpresa que encanta”. Seria nossa capacidade de expandir amor para valorizar e reconhecer o outro – acima de qualquer diferença (sexo, religião, cor, idade, etc.). A imaginação é nossa capacidade de entrar no jogo da vida e o amor é a arma para ir vencendo o jogo.  Tudo que sair deles são sinais para externalizar sentimentos.
É justamente a imaginação e amor os responsáveis pelas arquiteturas gloriosas que mostra um passado áureo. É como se o edifício construído fosse um ícone para representar um ídolo de adoração. 
O que me surpreendeu ontem foi encontrar uma parte da historia de Fortaleza que eu desconhecia – e que tem a ver com esta minha divagação dionisíaca. Eu estava na internet lendo e me deparei coma imagem de uma construção maravilhosa, dessa que deixam os olhos encantados – coisa bastante comum quando se visita o Velho Continente e coisa rara no Brasil. O mais legal de tudo foi descobrir que a obra foi feita por causa de uma história de amor.
De antemão devo agradecer à Leila Nobre pela revelação desta maravilha no seu  blog Fortaleza Nobre. Foi graças a esta blogueira que tive a oportunidade de ser “apresentado” ao Palácio Plácido de Carvalho. Leila peço-lhe licença mas, acredito que a informação é de necessidade pública, e não posso deixar de exibir as fotos que você encontrou, diante da magnitude do seu achado. 
Aconselho você, amigo leitor, a dar um pulinho logo para a receita da provoleta no fim deste post, prepare-a (é rapidinho), abra um bom vinho e, só depois prossiga com a leitura.

Palácio Plácido de Carvalho – Uma prova de amor!

Rico e de gosto requintado, Plácido de Carvalho fez construir o que se pode classificar como uma das mais monumentais obras arquitetônicas da época no Brasil – o “Palácio do Plácido”, na Aldeota, antigo Outeiro. Foi um presente do rico comerciante à sua amada Pierina, uma italiana de Milão.


Plácido de Carvalho


Foto de 1971 pouco antes de ser demolido



A majestosa construção, cópia de um Palácio Veneziano, que o Sr. Plácido de Carvalho havia mandado construir para a bela Pierina, ficava na Avenida Santos Dumont e possuía pequenos chalés para servirem de moradia dos serviçais do castelo. Nos anos 60 o castelo foi vendido.





O comerciante Plácido de Carvalho, teve forte atuação no cenário empresarial de Fortaleza, nas duas primeiras décadas do Século XX, até a primeira metade dos anos trinta. Registrou seu reconhecido bom gosto em vários prédios que construiu, destacando-se, entre outros, o famoso Palácio do Plácido erigido para homenagear Maria Pierina Rossi; o Cine-Theatro Majestic Palace, o Cinema Moderno e o imponente Excelsior Hotel. Dos quatro monumentos arquitetônicos hoje só resta o Excelsior Hotel. O Majestic foi totalmente devorado por um incêndio.


Cine-Theatro Majestic


Cine Moderno




Excelsior Hotel hoje - famoso por abrigar o coral natalino da cidade.
No início do século XX, Plácido de Carvalho era um bem sucedido comerciante e industrial em Fortaleza, isso nas duas primeiras décadas do século até a metade da década de trinta. Em 1916, viajando pela Europa veio a conhecer em Paris, Maria Pierina Rossi, uma italiana de Milão, que apesar de apaixonada recusava-se a vir morar no Brasil. Ele, porém, também muito apaixonado, prometeu construir para ela em Fortaleza, uma cópia de um belo palácio que ambos viram em Veneza. Com a promessa, ela concordou, chegando a Fortaleza no ano seguinte.





Com o retornod e Plácido ao Brasil logo começaram os preparativos para a obra. Para construção o bairro escolhido foi o Outeiro, que já passava a ser conhecido como Aldeota. Quanto ao construtor, há dúvidas, muitos apontam o feito ao irmão de Pierina, Natali Rossi, este sim foi o arquiteto do Excelsior Hotel. Mas o Palácio do Plácido foi certamente obra do Sr. João Sabóia Barbosa, artista plástico e excelente engenheiro eletricista diplomado em Liverpool, Inglaterra.






O palácio foi erguido entre as ruas Carlos Vasconcelos e Monsenhor Bruno, tendo como cruzamento das duas a Av. Santos Dumont. Foram usados mármores e vitrais importados, bem como raras madeiras brasileiras. Exibindo estilo rico e eclético, a decoração encantava e chamava atenção. Era cercado de jardins com roseiras e plantas nativas, e possuía duas bem trabalhadas fontes. Depois de dois anos de meticulosos esforços a obra finalmente foi inaugurada em 1921.


Vista atual de um dos chalés pertencentes ao Palácio do Plácido que resistiu ao tempo - Praça luixa Távora
Em torno do Palácio do Plácido como passou a chamar-se ou para os mais excêntricos, foram construídos pequenos chalés, a servirem de moradia aos serviçais da imponente construção.





Após a morte do esposo, em 1934, Pierina que já morava desde 1933 no Excelsior Hotel, casou-se com o arquiteto húngaro Emílio Hinko, amigo de Plácido, que a pedido dela desenhou e construiu em 1938, em torno do palácio seis palacetes, para que servissem de aluguel. Todos ainda existentes. O palácio então foi alugado, e lá passou a funcionar o Serviço de Malária, departamento federal que equivale a Sucam.








Em 1957 morre Maria Pierina, e na década seguinte Zaíra, filha e única herdeira, vende o palácio a um grupo comercial local, que no início dos anos 70 faz a demolição do mesmo para a construção de um supermercado, no entanto o terreno ficou abandonado. Em decorrência de dívidas para com o Poder Público, fez-se a quitação da mesma passando o terreno para o Governo do Estado que lá construiu e hoje está o Centro de Artesanato Luíza Távora.


Quanto ao Palácio do Plácido, este ficou no passado, num velho postal e em gasta e antigas fotos, também na lembrança dos que um dia o viram ou nele entraram, contemplando a beleza de sua torre, de suas janelas e belas escadas a quase dobrar-se, dos seus jardins e suas fontes. Um pedaço do passado agora transferido para livros ou fotos raras. A cumprida promessa de um homem apaixonado que o tempo impiedosamente levou.

Outras construções influenciadas pelo amor

Os Jardins Suspensos da Babilônia 



foram uma das sete maravilhas do mundo antigo. É talvez uma das maravilhas relatadas sobre que menos se sabe. Muito se especula sobre suas possíveis formas e dimensões, mas nenhuma descrição detalhada ou vestígio arqueológico foi encontrada, exceto um poço fora do comum que parece ter sido usado para bombear água. Seis montes de terra artificiais, com terraços arborizados, apoiados em colunas de 25 a 100 metros de altura, construídos pelo rei Nabucodonosor II, para agradar e consolar sua esposa preferida Amitis, que nascera na Média, um reino vizinho, e vivia com saudades dos campos e florestas de sua terra. Chegava-se a eles por uma escada de mármore. Também chamados de Jardins Suspensos de Semiramis, foram construídos no século VI a.C., no sul da Mesopotâmia, na Babilônia. Os terraços foram construídos um em cima do outro e eram irrigados pela água bombeada do rio Eufrates. Nesses terraços estavam plantadas árvores e flores tropicais e alamedas de altas palmeiras. Dos jardins podia-se ver as belezas da cidade abaixo. Não se sabe quando foram destruídos. Suspeita-se que sua destruição tenha ocorrido na mesma época da destruição do palácio de Nabucodonosor, pois há boatos de que os jardins foram construídos sobre seu palácio.

O Petit Trianon 



é um palácio construído no século XVIII pelo Rei Luis XV para a sua amante, a Madame de Pompadour. Este palácio fica localizado no interior do parque do Palácio de Versailles. É sob o impulso da sua favorita, Madame de Pompadour, que o Rei Luis XV ordena a construção de um novo Trianon: o Petit Trianon. A obra confiada a Jacques Ange Gabriel dura 6 anos entre 1762 e 1768. O lugar escolhido para esta nova construção é o antigo jardim botânico do Rei. Madame de Pompadour faleceu no dia 15 de Abril de 1764, pelo que não assistiu à conclusão da sua obra. É com a sua nova favorita, Madame du Barry, que Luis XV inaugura o Petit Trianon. Luis XV morreu em 1774 e a Condessa do Barry teve que deixar o palácio. Desde a sua subida ao trono, Luis XVI ofereceu o Petit Trianon à sua esposa Maria Antonieta desta forma: "Vós amais as flores, Senhora, tenho um bouquet a oferecer-vos. É o Trianon." Maria Antonieta empreendeu numerosas obras no palácio e no seu domínio. Depois da Revolução francesa o palácio caiu no esquecimento. Foi restaurado uma primeira vez durante a Monarquia de Julho pela Rainha Marie-Louise e, mais tarde, uma segunda vez durante o Segundo Império pela Imperatriz Eugénia de Montijo. Inspirado pela arquitetura Palladiana e possivelmente desenhado por Jean-François Chalgrin, as elevações exteriores, sobre as bases de um plano quadrado, escondem um planeamento subtil dos níveis interiores. Parecendo aberto sobre os jardins, o piso dos salões está, de facto, situado em volta de um pátio, do lado de Versailles. A fachada sobre este pátio é ornada por pilastras, a fachada oposta por colunas e as fachadas laterais por meias-colunas. A descrição da decoração exterior simboliza o classicismo repensado de Gabriel.

O Taj Mahal 



é um mausoléu situado em Agra, uma cidade da Índia e o mais conhecido dos monumentos do país. Encontra-se classificado pela UNESCO como Património da Humanidade. Foi recentemente anunciado como uma das Novas Sete Maravilhas do Mundo Moderno em uma celebração em Lisboa no dia 7 de Julho de 2007. A obra foi feita entre 1630 e 1652 com a força de cerca de 20 mil homens, trazidos de várias cidades do Oriente, para trabalhar no sumptuoso monumento de mármore branco que o imperador Shah Jahan mandou construir em memória de sua esposa favorita, Aryumand Banu Begam, a quem chamava de Mumtaz Mahal ("A joia do palácio"). Ela morreu após dar à luz o 14º filho, tendo o Taj Mahal sido construído sobre seu túmulo, junto ao rio Yamuna. Assim, o Taj Mahal é também conhecido como a maior prova de amor do mundo, contendo inscrições retiradas do Corão. É incrustado com pedras semipreciosas, tais como o lápis-lazúli entre outras. A sua cúpula é costurada com fios de ouro. O edifício é flanqueado por duas mesquitas e cercado por quatro minaretes. Supõe-se que o imperador pretendesse fazer para ele próprio uma réplica do Taj Mahal original na outra margem do rio, em mármore preto, mas acabou deposto antes do início das obras por um de seus filhos. Como todas as histórias, esta também começa da mesma maneira... Era uma vez um príncipe chamado Kurram que se enamorou por uma princesa aos 15 anos de idade. Reza a história que se cruzaram acidentalmente mas seus destinos ficaram unidos para todo o sempre. Após uma espera de 5 anos, durante os quais não se puderam ver uma única vez, a cerimónia do casamento teve lugar do ano de 1612, na qual o imperador a rebatizou de Mumtaz Mahal ou "A eleita do palácio". O Príncipe, foi coroado em 1628 com o nome Shah Jahan, "O Rei do mundo" e governou em paz. Quis o destino que Mumtaz não fosse rainha por muito tempo. Ao dar à luz o 14º filho de Shah Jahan, morreu aos aos 39 anos em 1631. O Imperador ficou tremendamente desgostoso e inconsolável e, segundo crónicas posteriores, toda a corte chorou a morte da rainha durante 2 anos. Durante esse período, não houve musica, festas ou celebrações de espécie alguma em todo o reino. Shah Jahan ordenou então que fosse construído um monumento sem igual, para que o mundo jamais pudesse esquecer. Não se sabe ao certo quem foi o arquiteto, mas reuniram-se em Agra as maiores riquezas do mundo. O mármore fino e branco das pedreiras locais, Jade e cristal da China, Turquesa do Tibet, Lapis Lazulis do Afeganistão, Ágatas do Yemen, Safiras do Ceilão, Ametistas da Pérsia, Corais da Arábia Saudita, Quartzo dos Himalaias, Ambar do Oceano Índico. Surge assim o Taj Mahal. O seu nome é uma variação curta de Mumtaz Mahal.. o nome da mulher cuja a memória preserva. O nome "Taj", é de origem Persa, que significa Coroa. "Mahal" é arábico e significa lugar. Devidamente enquadrado num jardim simétrico, tipicamente muçulmano, dividido em quadrados iguais cruzado por um canal ladeado de ciprestes onde se refte a sua imagem mais imponente. Por dentro, o mausoléu é também impressionante e deslumbrante. Na penumbra, a câmara mortuária está rodeada por finas paredes de mármore incrustado com pedras preciosas que forma uma cortina de milhares de cores. A sonoridade do interior, amplo e elevado é triste e misterioso, como um eco que soa e ressoa sem nunca se deter. Sobre o edifício surge uma cúpula esplendorosa, que é a coroa do Taj Mahal. Esta é rodeada por quatro cúpulas mais pequenas, e nos extremos da plataforma sobressaem quatro torres que foram construídas com uma pequena inclinação, para que em caso de desabamento, nunca caiam sobre o edifício principal. Os arabescos exteriores são desenhos muçulmanos de pedras semi preciosas incrustadas no mármore branco, segundo uma técnica Italiana utilizada pelos artesãos hindus. Estas incrustações eram feitas com tamanha precisão que as juntas somente se distinguem à lupa. Uma flor de apenas sete centímetros quadrados, pode ter até 60 incrustações distintas. O rendilhado das janelas foi trabalhado a partir de blocos de mármore maciço. Diz-se que o imperador Shah Jahan queria construir também o seu próprio mausoléu. Este seria do outro lado do rio. Muito mais deslumbrante, muito mais caro, todo em mármore preto, que seria posteriormente unido com o Taj Mahal através de uma ponte de ouro. Tal empreendimento nunca chegou a ser levado a cabo. Após perder o poder, o imperador foi encarcerado no seu palácio e, a partir dos seus alojamentos, contemplou a sua grande obra até à morte. O Taj Mahal foi, por fim, o refúgio eterno de Shah Jahan e Mumtaz Mahal. Posteriormente, o imperador foi sepultado ao lado da sua esposa, sendo esta a única quebra na perfeita simetria de todo o complexo do Taj Mahal.

Fontes: NOBRE, Leila. http://fortalezanobre.blogspot.com.br/ 

Provoleta (provolone grelhado básico)

O provolone é um queijo de leite integral de vaca com uma pele macia. Ele é produzido principalmente nas regiões da Itália da Lombardia e Vêneto – região onde nasceu Pierina a personagem da nossa história de amor. Em homenagem a ela segue as receitas abaixo.

ingredientes
2 fatias de queijo provolone cortadas com 2 cm de espessura
farinha de trigo
1 dente de alho pequeno amassado
6 colheres de sopa de azeite de oliva
1 colher de chá de orégano
1/4 colher de chá de tomilho
sal e pimenta do reino

Preparo: Misture em um recipiente o alho, azeite, orégano e tomilho. Tempere com sal e um pouco de pimenta-do-reino.  Tempere as fatias de provolone com pimenta-do-reino e com pouco sal. Pressione as fatias contra a farinha de trigo e retire o excesso. A farinha ajudará a manter a forma do queijo quando ele estiver derretendo.  Coloque as fatias cobre a grelha de uma churrasqueira ou sobre uma chapa canelada para fogão. Doure rapidamente um dos lados. Vire cuidadosamente e distribua metade do molho sobre o lado já grelhado. Retire da grelha e regue com o molho restante. Sirva imediatamente acompanhado de fatias de pão.

Creme de provolone

Ingredientes:
2 colheres de sopa (cheia) de manteiga
2 colheres de sopa (cheia) de farinha de trigo
de 500ml a 1 litro de leite
1/2 cubo de caldo de legumes ou o preferido
uma pitada de noz-moscada
200g de mozzarella ralada
150g de provolone ralado
1 caixinha de creme de leite
sal, se for preciso (só pra acertar

Preparo:  Colocar a farinha, manteiga e a metade do caldo no fogo até a manteiga derreter e dar uma leve dourada. Depois de levemente dourado, vá colocando o leite, aos poucos, e mexendo, até atingir o ponto desejado (eu devo ter colocado uns 700ml - lembrem-se: o creme fica bem mais espesso depois de frio, por isso não tem problema deixar o molho meio ralo, mesmo porque o queijo ajudará a dar consistência). Deixe o creme ferver um pouco, e enquanto isso rale um pouquinho de noz moscada. Depois de ferver um pouco, sempre mexendo, desligue o fogo. Adicione o creme de leite, e aos poucos vá adicionando os queijos (eu gosto de ralá-los, pois assim ele agrega melhor ao molho e fica "puxa-puxa". Não se esqueça da dica: só adicione o queijo depois do creme de leite. Não sei porque, mas quando eu adicionei antes, o creme não ficou "puxa" como eu queria. Mas enfim... Depois do queijo todo adicionado experimente e se preciso corrija o sal, e sirva.
OBS.: ótimo para acompanhar massas, torradas e até biscoito de polvilho. 

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

A força das coisas - Ou, Minhas recordações beauvoirianas para servir frango com molho piri-piri


Caríssimos Confrades,
Saúdo-lhes neste inicio de 2013. Peço-lhes desculpa pela ausência, mas muitas coisas aconteceram... a “força das coisas” impediram-me de estar on line. Mas o importante é que estou de volta, para que possamos continuar nos divertindo com histórias deliciosas. Assim, desejo-lhe de antemão que os mais refinados aromas perfumem suas vidas e que a força do nosso conteúdo gastronômico transborde o seu paladar com delicadeza, lhes oferecendo não só o deleite da boa mesa, mas que possa lhe refestelar com mais cultura.
O ano de 2012 mal acabou e eu já entrei no ano novo cheio de pensamentos audaciosos, aos quais pretendo programar ações para pô-los em prática a partir de agora. Isso tem explicação: antes do ano de 2012 acabar eu já percebia de uma forma mágica o impacto da “Força das Coisas” sobre mim – nunca tinha parado para observar tão profundamente isso nos anos anteriores... Minha vida não tem sido fácil de certos anos pra cá – mas o lado bom de tudo o que aconteceu é que eu tenho aprendido muito com isso. Evoluí com certeza... A “Força das coisas” parece um feitiço: quando impregna em você é difícil de largar. E talvez precise de outro feitiço para te deixar leve, te deixar bem – de certo que a alquimia da gastronomia pode ajudar, pode servir como tratamento para o impacto da “força das coisas”.
Somente neste instante me dei por conta que a expressão que estou usando (“a força das coisas”) serviu também como mote e como titulo homônimo para a criação de uma obra literária a qual muito aprecio “A Força das Coisas”, que foi escrita por Simone de Beauvoir, mulher admirável pela inteligência, cheia de atitudes peculiares e que, dentre outras coisas acreditava que uma pessoa pode conhecer um país por seus sabores. 



A Força das Coisas é a terceira parte da trilogia de memórias escrita por Simone de Beauvoir (as duas primeiras partes são Memórias de Uma Moça Bem Comportada e A Força da Idade). Simone de Beauvoir escreveu ainda outro livro de memórias, cronologicamente posterior a esta trilogia, chamado A Cerimônia do Adeus, onde conta os últimos anos da vida de Sartre
Pensando em Simone a receitinha de hoje “Frango assado com molho Piri-Piri” não terá sua história explicada – acredito que ela seja melhor experienciada para que se perceba um dos muitos sentidos que “A Força das Coisas” possui.


Essa minha percepção mais ampla sobre a “força das coisas me faz acreditar que este ano será diferente! Embora muita gente sempre pensa nisso quando um ano novo chega. O que me faz ter esta certeza é o poder da “força das coisas” está me mostrando: as respostas do Universo estão chegando mais rapidamente; o magnetismo esta diferente; eu estou diferente – e logo, dentro de alguns meses estarei também mais velho, mais maduro, mais forte. Aliás, pensando na força e no peso da idade Simone de Beauvoir teceu um comentário ao qual muito me identifico que diz assim:

A impressão que eu tenho é de não ter envelhecido embora eu esteja instalada na velhice. O tempo é irrealizável. Provisoriamente, o tempo parou pra mim. Provisoriamente. Mas eu não ignoro as ameaças que o futuro encerra, como também não ignoro que é o meu passado que define a minha abertura para o futuro. O meu passado é a referência que me projeta e que eu devo ultrapassar. Portanto, ao meu passado eu devo o meu saber e a minha ignorância, as minhas necessidades, as minhas relações, a minha cultura e o meu corpo. Que espaço o meu passado deixa pra minha liberdade hoje? Não sou escrava dele. O que eu sempre quis foi comunicar da maneira mais direta o sabor da minha vida, unicamente o sabor da minha vida. Acho que eu consegui fazê-lo; vivi num mundo de homens guardando em mim o melhor da minha feminilidade. Não desejei nem desejo nada mais do que viver sem tempos mortos. - Trecho da Peça VIVER SEM TEMPOS MORTOS, inspirada na correspondência de Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre.

De inicio pode parecer um texto austero. Mas a doçura das emoções está gravada nas entrelinhas. A “força das coisas” está aí dentro, embutida, lustrando os sentimentos e dando muita carga (positiva ou negativa) as palavras. Por isso pare um instante, sinta a “força das coisas” na sua vida, veja a intensidade das emoções, descubra o que ela pode lhe oferecer, mude. Pois há sempre uma nova emoção a destilada, melhorada, que vai lhe fazer um bem enorme – é neste momento em que o divino aparece e deixa-lhe no êxtase, na graça, no gozo.



Simone de Beauvoir bem soube apreciar isso ao que me refiro no parágrafo anterior. Na sua vida ao Brasil pelos idos de 1960 ela vivenciou a “brasilidade” e deixou registradas as emoções que ela concretizou por aqui: Foi quando o existencialismo descobriu a saudade! Naquela ocasião Simone de Beauvoir veio ao Brasil acompanhada por Jean Paul Sartre e foram recebidos por Jorge Amado e Zélia Gattai que, durante um mês, apresentaram algumas das faces do Brasil para os olhos ilustres dos intelectuais franceses.
É sabido através da leitura dos escritos de Simone de Beauvoir que Jorge Amado conquistou ainda mais a simpatia de Simone quando resolveu apresentar para ela muitos dos sabores do Brasil. Diz-se que inicialmente ele apresentou iguarias bastante conhecidas nossas como suco de caju, cacau, maracujá, feijoada, feijão mulatinho, mandioca, batata-doce, carne seca, rapadura, caipirinhas e batidas variadas… E eu devo ressaltar que Jorge Amado comungava com a premissa de Simone quando ela dizia que uma Nação poderia ser conhecida pelos seus sabores; enquanto Sartre melindrava-se nestas ocasiões e evitava estas discursões porque era sensível a sabores fortes o que lhe deixava ‘confortável’.
A “força das coisas” é tão implacável que agora mesmo ela está agindo sobre mim. Está aguçando meu lado profissional de turismólogo (o que de fato sou por formação) se manifestar para descrever o roteiro que as personas desta história percorreram. Não posso fugir disso.


Foi durante seu período de exílio em Paris (entre 1948 e 1950) que Amado conheceu Simone e Sartre. De volta ao Brasil em 1960  Amado os convidou para conhecer estas terras que já havia sido motivo de tantas outras conversas nos tempos passados. Sabe-se que foi num avião com um trem de pouso que persistia em não funcionar, após uma viagem complicada e repleta de conexões turbulentas, os visitantes franceses chegaram na cidade do Recife. Talvez com esta situação estressante da longa jornada de voo as primeiras algumas emoções dos pensadores franceses ficaram evidentes: 1) o milagre do avião ter conseguido pousar com todos vivos; e 2) o sentimento de alívio de encontrar na imensidão de curiosos que os esperava no aeroporto, uma imagem familiar e hospitaleira – representada pela pessoa de Jorge Amado, que lhe esperava em meio a multidão). Estas duas constatações podem parecer banais, mas foram importantes para expressar as impressões iniciais de Simone quanto a sua chegada na “terra brasilis”. Prova disto é que pode ser encontrado nas memórias de Simone o seguinte comentário: “Compreendemos com satisfação que Amado, que viera especialmente para nos receber, iria servir-nos de guia pelo menos durante um mês”.
A viagem pelo Brasil começou a partir do aeroporto de Recife, e as emoções acabaram transformando os planos de Simone e Sartre – que vinham ao Brasil com propósitos políticos (eles queriam discutir dentre muitas outras coisas suas impressões sobre as realizações da Revolução em Cuba: e sobre os crimes que a França cometia para reprimir as forças que lutavam pela independência da Argélia). Porém a viagem tonou-se “menos austera e mais divertida” com a ideia que Jorge Amado teve de esquecer um pouco da política montando  com a ajuda de Zélia um roteiro de viagem onde a cultura brasileira esteve sempre em primeiro plano. Amado, de acordo com as memórias de Simone, tinha gosto pelas “coisinhas boas da vida”: as comidas, as paisagens, as conversas e o riso – e isso deu o tom da viagem.
O roteiro tinha de tudo: de visitas ao Candomblé, às praias de Copacabana e Ipanema, à Belo Horizonte e à. São Paulo – esta última, de acordo com Simone “não era bonita, mas transbordava de vida”. Nos mercados populares a variedade de aromas e mercadorias bem como  dos tipos humanos peculiares (como diria Simone: “espíritos mais maliciosos do que malignos”)  encantavam os olhos do casal francês. Ainda visitaram muitas igrejas, plantações de cacau e café nas fazendas nordestinas. Deslocaram-se ainda para Brasília e para o Rio de Janeiro. Tiveram encontros Juscelino Kubitschek e com Oscar Niemeyer. Estiveram também numa tribo indígena no Mato Grosso – neste evento, estiveram sem a companhia de Jorge Amado porque este não gostava de aviões, tendo ficado em Brasília enquanto os amigos e a esposa embarcavam num daqueles teco-tecos de antigamente.


Em Brasília, com a volta da viagem pela tribo indígena, os casai se separaram e Simone e Sartre seguiram rumo a Belém e Amazônia – recomendações de viagem feira por Claude Lévi-Strauss – e, então, ainda retornaria para sua segunda visita a Havana, em Cuba.
A partida foi comovente, “depois de seis semanas de tão bom relacionamento, era difícil imaginar que só os reveríamos muitos anos depois, ou talvez nunca mais”, registrou Simone em suas memórias. È neste instante que a “força das coisas” reaparece para mostrar que, depois de uma longa e jornada com os amigos brasileiros, tendo vivenciado o Brasil Continental com suas distintas fases, a separação dos casais naquele instante elucidou para Simone um aspecto peculiar da cultura brasileira que ela ainda desconhecia: a saudade.
A partir de então uma saga se constrói: a partir de Belém ou de Manaus, Simone e Sartre não podiam retornar imediatamente à França (provavelmente pela falta de voos para tais destinos) e a viagem rumo a capital cubana acabou repleta de problemas geridos pela burocracia.  O casal francês aparentemente dolorido pelos maus-tratos da solidão, do clima, da falta de companhia para conversas e passeios tentou, através de telegramas, entrar em contato com Amado e Zélia – mas sabe-se que os telegramas nunca chegaram. Somente semanas depois, na viagem rumo a Havana, desembarcaram novamente no Rio de Janeiro. Estava aparentemente exaustos, tristes e com a nuvem negra da preocupação pairando sobre suas cabeças. Até que avistaram o “Embaixador da Saudade e Obá de Xangô”, Jorge Amado, e a “força das coisas” trouxeram outros sentimentos que fizeram daquelas amizades mais sinceras, mais humanos, mais fortes, menos política.
Um momento emblemático, dentro os muitos que esta viagem representou foi registrado na imagem abaixo – e trouxe outro turbilhão de emoções:


Simone de Beauvoir, Jean-Paul Sartre, Zélia Gattai e Jorge Amado com Mãe Senhora, em Salvador, Bahia. Agosto, 1960. Foto: Fundação Casa de Jorge Amado.
A foto tirada em agosto de 1960 evidencia o cicerone comunista brasileiro (Amado) e sua esposa (Zélia) acompanhados dos existencialistas franceses (Simone e Sartre) na companhia de Mão Senhora. Mostra a imagem outra parcela das muitas faces que a “força das coisas” pode apresentar aos homens – neste caso, em particular, elucida o acolhimento dos existencialistas pelo candomblé. O que foi no mínimo interessante se considerarmos que Simone era católica por formação e Sartre um ateu convicto e, que depois da consulta espiritual saíram de lá, como  diretamente registou Simone: “Sartre era Oxalá, e eu, Oxum”. A profundidade que esta imagem traz mostra a capacidade que a “força das coisas” tem para transpor diferenças ideológicas e culturais e que puderam trazer uma libertação para a dominação do cotidiano.
Mas a “força das coisas” pode lhe ser perceptível por muitos meios: numa simples conversa com um desconhecido; na rua, mediante uma cena que você não esperava acontecer; no supermercado, numa briga; durante o amor, ou mesmo durante o ódio. O importante disso tudo é a necessidade de você perceber exatamente o que a “força das coisas” quer que você veja. Aí pode estar o seu rumo, menos complicado, mais direto e claro. As vezes poder um choque. Mas tudo passa. É questão de adaptabilidade – como tudo na vida.
Neste exato momento a “força das coisas” deve estar te espreitando. Estão te oferecendo meios para que ela seja vista e compreendida. Deve estar dizendo: - Ei, eu estou aqui. Está me vendo? Mas cabe a você se permitir ver.
Assim lhe ofereço esta receita simples de hoje. Na intenção de que a explosão de sabor lhe permita ver algo além...

Fonte: Simone de Beauvoir. A Força das Coisas. Tradução de Maria Helena Franco Martins. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2010.

Frango ao Molho Piri-Piri

Frango
4 sobrecoxas de frango, com pele e osso
1 pimentão vermelho
1 pimentão amarelo
6 ramos de tomilho
Molho Piri PIRI
½ cebola vermelha
2 dentes de alho
3 pimentas malagueta (ou quanto queira, se misturar pimentas fica mais gostoso)
1colher de sopa de páprica doce
1 limão
2 colheres de sopa de vinagre de vinho branco
1colher de sopa de  molho inglês
Um punhado de manjericão fresco

Preparo: Ligue o forno a 200C. Coloque uma frigideira antiaderente (ou grelha) grande em fogo alto. Coloque as sobrecoxas de frango em uma tábua de cortar, com a pele para baixo, e faça cortes na carne de forma que ela fique mais aberta e o osso possa aparecer. Regue a frigideira com um pouco de azeite e espere ficar quente, quando isso acontecer coloque o frango com a pele virada para baixo – deixe até dourar. Depois vire para dourar o outro lado. Não tempere com nada.  Com o frango dourado dos dois lados retire-o da frigideira e nela coloque os pimentões cortados em pedaços grandes e de um salteado nos pimentões.  Em seguida prepare o molho Piri Piri: Descasque e pique a cebola e coloque no liquidificador com 2 dentes de alho descascados. Adicione as pimentas, a páprica, as raspas do limão e o suco de ½ limão. Adicione o vinagre de vinho branco, o molho inglês, uma boa pitada de sal e pimenta, o manjericão e um meio copo de água. Bata até ficar homogêneo. Montagem: Despeje o molho piri piri em um refratário adicione os pedaços de frango, desta vez com a pele virada para cima – para que a carne entre em contato com o molho. Coloque os pimentões  pelos lados e distribua os ramos de tomilho por cima. Leve ao forno por uns 20 minutos.  Servir em seguida.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Epifania: A Taça da Felicidade



 Quando chega esta época do ano, normalmente, eu começo a voltar os olhos para o passado - pros dias do ano que se passaram e me permitem, agora, sentir orgulho da minha história.
Nessa época do ano muita gente faz essas retrospectivas, até as redes de televisão. E no fundo isso vale a pena, pra no final entender que o grande lance da vida é viver cada momento como se ele fosse o único; e que a única receita da felicidade é cuidar bem do que existe “aqui e agora”.


Obviamente que você, com certeza, vai se deparar com momentos que não foram doces. Mas todo mundo  é ciente de que a vida prega peças. Assim se compreende (geralmente depois) que seu sapato preferido fura no momento em que você mais precisa dele; que um guarda-chuva faz falta na sua vida – mas que você só lembra-se dele durante um temporal; que você precisa trocar a pilha do despertador, mas só lembra-se disso quando ele te atrasa porque a pilha acabou e você não comprou a nova... e eu poderia divagar sobre essas pequenas grandes coisas o resto desde post. Mas vejamos, teria realmente graça a vida sem esses momentos pra se gargalhar dela no futuro? Tem sentido ficar a pessoa estressada o tempo todo por coisas que ela mesma deveria ter feito e não fez?
Para mim o ano que esta acabando foi cheio de boas coisas, algumas realizações, muitas decisões. Mas também viera recheado com dificuldades, problemas nos mais variados âmbitos – alguns até poderiam ser chamados de desilusões. Mas isso é normal, felicidade não dura pra sempre. Ela tem que ser conquistada a cada momento.
Nessa exata ocasião eu vejo como eu esperei demais das coisas e das pessoas; da boa grana que não veio; daquele Ipad que eu queria e não deu; das amizades que se tornaram estranhas. Das coisas e sentimentos que acabaram. Normal.



Todo fim de ano eu escuto muita gente dizer que o “próximo ano vai ser diferente”. Pena que eu não vejo estas mudanças no povo -  que só repetem as mesmas coisas, as mesmas ações, as mesmas palavras, as mesmas idiotices... Os mesmos, sempre os mesmos. Acho que está na hora de mudarmos nossos olhares para sair da mesmice. O achismo, eu já parei de usar faz tempo. Próximo ano vou começar a acabar com a mesmice – aliás já comecei a fazer isso desde o mês passado...
Mas a gente não pode fugir da natureza humana, somos humanos cheios de imperfeições. Não podemos fugir dos agentes externos da vida – eles existem e estão contra nós (mania de perseguição?). Podemos falhar. Mas podemos acertar também. E já que a natureza do planeta, do destino ou de quem mais possa interferir nos meus planos exista, pra dificultar meu caminho, eu não vou acabar com meu dias por isso! Não vou acabar com meu bom humor! Não vou acabar com minha esperança! Vou buscar mais conhecimento e sabedoria pra enfrentar esse ”bicho papão” de frente.


Não importa a beleza ou o motivo; o que importa é sorrir :)
É com isso que eu venho hoje desejar pra vocês todos, amigos que me acompanharam neste ano, sabedoria – para que possamos transformar tudo que nos aconteceu, de bom ou ruim, em experiência válida para uma evolução que nos guia à felicidade.
Que tenhamos discernimento e calma para conseguirmos compreender e perdoar o desconhecido; o mal educado; o ignorante; o idiota, enfim todos estes que podem ser um responsável direto por um dia ruim.
Hoje ouvi uma frase que dizia assim: “Confia em Deus, mas amarra teu cabelo”. E eu estou começando a entender o sentido disso. Assim, se você pediu algo para Ele este ano e não aconteceu, com certeza, não era par ser o melhor na sua vida. Mas cuida desse desejo, pois ele poder estar diante de ti no futuro...
Eu bem sei que, às vezes, a falta do que queremos pode trazer dor e lágrimas. Normal, acontece com todo mundo. E quando isso acontecer pratique a generosidade, e você verá com as coisas mudam rapidinho.
E como bem disse William Shakespeare: “Não importa em quantos pedaços nosso coração está partido, o mundo não pára para que nós o consertemos”. Assim, quando você se encontrar numa situação de extrema complicação saiba que sempre existe uma saída – só temos que aprender a dominar o medo.
Que este Natal seja um marco pra nossas vidas; que percebamos a importância de nos compreender nas nossas fragilidades; que estejamos cientes das nossas ações e das reações que elas possam acarretar; que possamos ser melhor do que somos hoje, mas isso só depende de nós.
Que o Espírito do Natal cubra de bênçãos a todos nós. Que a felicidade nos venha do tamanho que nós desejarmos; que nossos olhares vejam além; que o mundo melhore.



E pra que esta prece esteja completa sugiro que você faça pro seu Natal (ou Ano Novo) esta Taça da Felicidade. Ela tem poderes mágicos!!! E você pode se surpreender com ela... Então se arrisque, sinta a mudança e se delicie.
Feliz Natal! Feliz Ano Novo! Feliz Vida Nova!!!


Taça da felicidade - montagem com pudins inteiros.


Taça da felicidade - montagem com pedaços cortados dos pudins.


TAÇA DA FELICIDADE

Pudim de Clara
1 xícara (chá) de açúcar
4 claras
8 colheres (sopa) de açúcar
Pudim de leite
1 lata de leite condensado
2 vezes a mesma medida de leite
4 ovos
1 colher (chá) de amido de milho
Pudim de Maracujá
1 lata de leite condensado
2 vezes a mesma medida de suco de maracujá
4 ovos
1 colher (chá) de amido de milho
Creme de Cupuaçu
500g de polpa de cupuaçu
2 latas de leite condensado
2 latas de creme de leite
4 colheres de açúcar
Creme de Maracujá
1 copo de suco de maracujá concentrado
1 lata de leite condensado
1 lata de creme de leite
Chantilly
1 litro de creme de leite fresco
12 colheres de açúcar de confeiteiro
1 colher (sopa) de gelatina em pó incolor e sem sabor
3 colheres (sopa) de água
doce de cupuaçu (pequena quantidade para enfeitar)
modo de preparo: Pudim de Clara Leve o açúcar ao fogo, mexendo sem parar até obter ponto de caramelo claro, deixando a calda bem lisa e uniforme. Forre com ela o fundo e os lados de uma fôrma para pudim. Deixe esfriar. Bata as claras em neve firme. Vá juntando o açúcar aos poucos, sem parar de bater, até o ponto de suspiro. Despeje na fôrma e leve ao forno bem baixo. Asse por 50 minutos a 1 hora. Tire do forno, espere esfriar e desenforme. Pudim de Leite Bata todos os ingredientes no liquidificador. Leve ao forno em banho-maria em forma caramelada, assando durante aproximadamente uma hora. Pudim de Maracujá Bata todos os ingredientes no liquidificador. Leve ao forno em banho-maria em forma caramelada, assando durante aproximadamente uma hora. Creme de Cupuaçu Bata todos os ingredientes no liquidificador. Leve à geladeira. Creme de Maracujá Bata todos os ingredientes no liquidificador. Leve à geladeira. Chantilly Leve para congelar a pá da batedeira e a cuba. Leve por algum tempo o creme de leite fresco ao freezer até ficar bem gelado. Hidrate a gelatina colocando o pó aos poucos sobre a água e vá mexendo em círculo. Dissolva em banho-maria. Apenas aqueça, não deixe ferver, para que a gelatina não perca seu efeito. Bata o creme de leite até ficar bicos firmes. Ainda com a batedeira ligada, vá acrescentando a gelatina e o açúcar aos poucos, e com cuidado, para que esse chantilly não se transforme em manteiga. Montagem Em uma taça grande coloque o creme de maracujá, pudim de leite, creme de cupuaçu, pudim de maracujá, pudim de leite, o chantilly e pequenas quantidades de doce do cupuaçu com enfeite. Sirva bem gelada. Decore com frutas e sirva.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Love me TENDER, Love me true...



Hoje estava navegando pelo Facebook quando recebi um feed vindo da Baronesa do Crato de Açúcar, ilustre consóror de honra efetiva desta confraria, que me encaminhava um link do blog de seu ducado (clique aqui para ler) falando de tender. A baronesa postou uma deliciosa receita e eu fiquei tentado a fazer o mesmo – e porque não o fazer?
Eu fiz (risos) e vocês vão conferir a baixo umas receitinhas deliciosas. Enquanto este post vai dedicado à baronesa, pela inspiração deliciosamente tentadora de preparar um TENDER.


 Curiosamente, existem algumas comidas, que por uma estranha tradição, sem nenhum motivo forte, ficam condenadas a degustações anuais, apenas para se manter fiel a tradições. Um destes casos típicos é o Tender.
Delicioso presunto defumado, que ironicamente tem este nome apenas no Brasil, já que em seu país de origem, Estados Unidos, é conhecido como Glazed Ham ou Presunto Caramelizado. Portanto, já vai aí uma dica. Não perca tempo procurando Tender ou Presunto Tender em livros de receita americanos.
O Tender é conhecido entre nós por conta de seu provável lançador no Brasil, o Frigorífico Wilson, que batizou presunto defumado "para o Natal" de TenderMade. E "por tradição", só se vende Tender na época do Natal. E o resto do ano? O que é bom para o Natal deve ser bom para a quarta-feira ou será que não? A forma de preparo que o consagrou para as festas é aquecido no forno, espetado com cravos e servido com damascos em calda, mas existem muitas outras maneiras de prepará-lo.


Trata-se de um presunto feito com o pernil traseiro do porco (como todos os presuntos devem ser), semi desossado, marinado por duas semanas (no método tradicional) em uma solução de água, sal, nitrato de sódio (salitre) e açúcar mascavo. Retirada desta solução, vai para a defumação lenta. Ou seja, defumação a baixa temperatura, aproximadamente de 70 graus Celsius, por longas horas.
Enquanto defuma, além de adquirir o aroma e as propriedades conservantes naturais da defumação, ainda passa por um processo de "cozimento" que o deixa pronto para consumo imediato.
Já que temos um produto tão nobre, por que não servi-lo durante todo o ano? Fatiado fininho, em sanduíches, com uma boa mostarda, tipo Dijon, por exemplo. Em fatias de 5 a 6 mm, pode ser grelhado e servido acompanhado de lentilhas. Também grelhado, para se servir com omelete ou ovos poché.


O o presunto do tipo tender foi inventado por Harry J. Hoenselaar, de Detroit, Michigan. Encontrei evidências de que a novidade do processo sugerindo pelo Mr. Hoesnselaar foi usada pela primeira vez em 1930. A US Patent & Trademark Office confirma seu pedido para patentear este novos processos  de corte/feitura deste tipo de presunto, inicialmente em 1944, mas o processo foi arquivado. A patente só foi concedida em 1952 com proteção até 1957. Anúncios colocados em jornais históricos dos EUA confirmam que o consumo do produto a nível nacional foi indo devagar na década de 1960 – e já existiam muitas empresas produtoras oferecendo produtos similares. Empreendedores experientes sabem quando uma coisa boa quando a veem.
 Enquanto trabalhava na Indústria de carnes em meados dos anos 1930, o fundador Harry J. Hoenselaar desenvolveu um processo de corte e cura (cozimento e defumação) de alta qualidade. E assim encontrou uma maneira mais conveniente para servir presunto - com uma máquina que o cortava o presunto num formato especial (dando-lhe o formato de bola. Hoenselaar construiu o primeiro protótipo dessa máquina de corte usando pedaços de madeira, um prato para torta de metal, uma faca de cozinha com punho de madeira e o motor de uma máquina de lavar velha. Ele aperfeiçoou o seu conceito ao longo dos anos e foi concedido patentes primeiro para a máquina de cortar e depois para o método.
O Tender pode ser definido como um presunto suíno, com corte especial que sofre o processo de cura. A  "Cura" é um antigo método de conservação de alimentos, envolvendo salga (salga) e defumação lenta. Métodos para este fim evoluíram desde os tempos antigos e atualmente temos meios que tornaram os presunto perfeitos. Diferentes regiões especializada em processos diferentes, dão a seus presuntos sabores únicos. Os presuntos comerciais da atualidade incluem geralmente aditivos químicos para aumentar a cor e prolongar a vida de prateleira.


E para justificar o trocadilho no  título do post, devo explicar que Love Me Tender é a trilha sonora do filme de mesmo nome que foi o primeiro filme no qual Elvis Presley estreou sua carreira cinematográfica. O álbum, em vez de ter sido lançado como um LP com a trilha sonora completa, foi lançado com apenas quatro canções, no formato de EP, como um single de sete polegadas em 45 rpm (compacto duplo), em novembro de 1956.


A canção "Love Me Tender" com certeza é uma das mais famosas de sua carreira, sendo lembrada até os dias de hoje. Na gravação da trilha sonora, Elvis não pode contar com sua banda tradicional, os "Blue Moon Boys", como os três (Elvis, Bill Black e Scotty Moore) se chamavam, pois o estúdio não tinha contrato com eles e sim com outros músicos do estúdio cinematográfico da Fox. Mesmo estando um pouco fora do ambiente que ele já tinha se adaptado desde 1954, Elvis, ao lado de Ken Darby, produziu "Love me Tender", dando-lhe um arranjo simples, porém, eficiente, sentimental e que foi considerado um momento de bom gosto.
A canção "Love Me Tender", foi lançada primeiramente em um compacto simples antes da trilha sonora do filme, com "Love me Tender" no lado A e "Any Way You Want Me" no lado B. Este single alcançou a primeira posição nas paradas de sucesso da Billboard, nos EUA.
Que tal escolher uma das receitas abaixo e prepara-la ao somd e Love me tender/


Tender ao Molho de Framboesa

1 unidade de tender bolinha
300 gr de framboesa congelada
150 ml de vinho tinto seco
1 cebola ralada
2 colheres (sopa) de mel
quanto baste de sal
quanto baste de pimenta-do-reino branca
2 colheres (sopa) de azeite

Prepare o molho: Passe no liquidificador a framboesa juntamente com o vinho tinto (separe algumas inteiras para decorar) até que fique homogêneo. Reserve. Em uma panela, aqueça o azeite e acrescente a cebola ralada. Quando ficar translúcida, acrescente as framboesas reservadas, o mel, sal e pimenta. Abaixe o fogo e deixe reduzir lentamente, para engrossar. Sirva o molho sobre as fatias de Tender, salpicado com algumas framboesas inteiras. O Tender é um produto já pronto para consumo, ou seja, necessita apenas de aquecimento. Opcionalmente pode-se fazê-lo regando o Tender com um pouco de vinho branco e pincelando geleia de sua preferência sobre o mesmo. Se ficar demasiadamente no forno, corre o risco de ficar seco.

Tricolori ao molho de romã e tender

1 pacote de Penne Tricolori
1 romã grande, com somente as sementes  (reserve algumas para decorar os pratos)
8 folhas de cebolinha verde  (picadas finamente)
4 ramos de salsinha, somente as folhas, (picadas finamente)
5 colheres (sopa) de Azeite Extra Virgem
1 xícara (chá) de suco de laranja
2 colheres (sopa) de suco de limão
5 colheres (sopa) de xarope de romã (grenadine)  (opcional)
1 colher (café) de sal
Pimenta a gosto

Preparo: Cozinhe o Penne Tricolori , conforme as instruções da embalagem. Escorra e envolva em fios de Azeite Extra Virgem . Reserve. Em uma panela meia , fogo médio, junte o Azeite Extra Virgem os gomos de romã, a cebolinha e salsinha. Refogue, sem parar de mexer, por 3 minutos. Acrescente o suco de laranja, o suco de limão, o xarope de romã, o sal e a pimenta. Deixe cozinhar, mexendo de vez em quando, por 3 minutos. Experimente e se necessário, corrija o sal. Retire do fogo. Sirva porções individuais de Penne Tricolori , regadas com o molho de romã e guarnecidas com duas fatias de tender assado e decoradas com as  semente de romã .

Tender Festivo

2 kg de tender semi-desossado
cravo-da-índia para decorar
3 colheres (sopa) de mostarda
3 copos de suco de abacaxi
5 colheres (sopa) de vinagre branco
3 colheres (sopa) de molho inglês
pedaços de abacaxi para decorar

Preparo: Risque a superfície do tender com a ponta de uma faca, formando losangos. Em cada cruzamento do losango, espete um cravo-da-índia. Acomode numa assadeira. Pegue uma tigela, misture a mostarda, o vinagre, o molho inglês e o suco do abacaxi. Despeje esta mistura sobre o tender e, em seguida, cubra-o com papel alumínio. Leve ao forno médio (200ºC), por cerca de 40 minutos. Retire o papel alumínio e deixe no forno por mais 30 minutos, para dourar, sempre regando com o molho que se formou na assadeira. Sirva o tender decorado com fatias de abacaxi ou a gosto.

Tender ao molho de vinho

1 tender de 1,2 kg
2 copos (americano) de vinho tinto
1 maço de hortelã
1 xícara (chá) de vinagre
1 colher (chá) de açúcar
1 colher (chá) de amido de milho
Sal e pimenta-do-reino a gosto
1 colher (chá) de grãos de mostarda e de coentro
2 colheres (sopa) de azeite
1 cebola bem picada
2 dentes de alho bem picados
1 pimenta dedo-de-moça
2 colheres (chá) de gengibre cortado em tiras bem finas
2 xícaras (chá) de coco fresco ralado
2 colheres (sopa) de açúcar demerara
1/2 xícara (chá) de água
Raspas e suco de 1 limão

Preparo: Retire a pele e coloque o tender em uma assadeira. Faça furos com um garfo, regue com o vinho e envolva-o em papel-alumínio. Leve ao forno quente por 40 minutos. Retire o papel e regue outra vez com o vinho até ficar macio e dourado. Retire e reserve. Corte uma boa porção de hortelã e coloque numa molheira. Ferva o vinagre com o açúcar e despeje sobre a erva. Desengordure o molho da assadeira e junte um pouco de água, raspando até dissolvê-lo. Coe e engrosse com o amido e tempere com o sal e a pimenta. Ponha na molheira e sirva. Prepare o chutney de coco: aqueça uma panela e junte a mostarda e o coentro. Mexa e deixe que pipoquem. Adicione o azeite, a cebola, o alho, a pimenta e o gengibre. Mexa e cozinhe até a cebola dourar. Ponha o coco, o açúcar e a água e mexa. Acrescente as raspas de limão e sirva.


quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

La natilla y los buñuelos: O duo natalino colombiano


Eu estou adorando minhas pesquisas sobre o Natal pelo mundo. Tanto que hoje haverá mais um post dedicado a este assunto. Desta vez o lugar de onde vem nossas delicias natalina está localizado na América do Sul, mais precisamente na Colômbia.
Esta postagem, inclusive será dedicada a Candido Prunes, um amigo a quem eu já devia a dedicação de um post pelas ajudas e informações formidáveis. Ele, estes dias, esteve em Bogotá, de onde trocamos alguns e-mails falando sobre comida bogotana. 
Daí veio a inspiração para o post  de hoje. Acontece que este homem já me deu outros motivos para outros futuros posts, é uma das minhas atuais fontes de inspiração, quase uma biblioteca humana, e que tem me instigado a continuar com uma pesquisa dificílima (por falta de fontes) - estamos tentando descobrir um mistério culinaríssimo: o menu servido no casamento do Imperador Primeiro do Brasil. Contudo o ano está acabando e até agora não conseguimos o que desejávamos e este assunto ficará para 2013. Mas este post será então dedicado a vocêm Cândido, como forma de agradecimento pelos papos sobre cultura gastronômica.
Mas vamos ao que interessa.,,
No Natal a gente quer sempre uma coisinha diferente pra oferecer nas festas e reuniões e a culinária de outros países é sempre uma boa inovação. E quando a gente encontra uma receita fácil e prática parece que o universo conspira para que a preparemos nesta ocasiões.  E justamente por isso que hoje trataremos da Natilla e dos Buñuelos – dois pratos típicos do Natal colombiano.



De acordo com informações documentadas no século XIV, os agarenos andaluzes preparavam hojuelas (espécie de filhós) com farinha de trigo, ovos e queijo, fritos em azeite e que depois eram envolvidas em mel ou melaço. Essa receita "sulamita" se infiltrou nos conventos e tornou-se cristã para ir para as mesas de Castilla (Castela) e depois para o Novo Mundo, com os escudos e os bacamartes dos conquistadores.
Como nos trópicos tudo era transformado, las hojuelas importadas chegaram na América e tornaram-se buñuelos de aire (bolinhos de ar) e trocaram o escasso e caro trigo por farinha de milho. O buñuelo não aparece sozinho, geralmente vem acompanhado de uma bebida, como amante infiel em busca de formar casal pro toda parte. Por vezes acompanha o kumis ou o vemos servido com café com leite. Mas no Natal os buñuelos se casam com a Natilla em um casamento que tem dado certo. 


Para quem não conhece e ficou querendo saber o que é Kumis, veja: Kumis é um leite de égua acidificado e fermentado, muito apreciado em toda a região da Ásia Central. Também é assim chamada quando preparada a partir do leite de camelo ou de mula. Há registros da existência da bebida desde o século V a.C., tendo sido mencionada pelo historiador Heródoto. O nome é derivado de uma tribo que habitava a região do rio Kuma, no sudoeste da atual Rússia, próximo ao Mar Cáspio. É uma bebida refrescante, que contém de 0,6 a 2,5% de álcool etílico e 0,7 a 1,8% de ácido lático. O preparo pode durar entre 3 e 21 dias. Por possuir uma propriedade efervescente, pode provocar a quebra do recipiente, tornando o kumis pouco adequado ao transporte entre longas distâncias. O Kumis pode ser encontrado hoje em quase todo o mundo.
Especialistas dizem que a natilla foi desenvolvida nos conventos espanhóis e franceses nos tempos medievais. Os frades além de rezar se dedicavam a boa comida, e combinaram leite açúcar e farinha de trigo o que resultou num creme nutritivo e fácil de preparar, que atingiu as mesas dos reis - e mais tarde ainda tornou-se melhor.


A natilla cruzou o Atlântico, tornou-se mais suave com o amido de milho, e sua cor ficou mais intensa quando se usou açúcar mascavo, ganhou  ainda um sabor sensual com os paus de canela e por estas terras tropicais se agregou aguardente para aromatizar.
A natilla e os buñuelos fazem parte da surpreendente cozinha sul americana; a natilla é mais recatada, se resigna a ser parte do dueto servido no natal ou como flan que acompanha a sobremesa da refeições caseiras do cotidiano, mas o buñuelo é exibido e cosmopolita, em Bogotá, por exemplo, fala de uma “Ruta del buñuelo”, onde os buñuelómanos desfrutam com preparações deste bolinho  de todos os tipos e para todos os bolsos.
O duo natilla e buñuelos  é tão famoso quanto a  Bolívar e Manuelita, ou Napoleão e Josefina, e não faz distinção de mesas, podem ser vistos nas carrocinhas de ruas e nos restaurantes finos, nas casa humildes ou nos palácios.
Em tempos não muito  longes toda a família participava na preparação desse delicioso, hoje tudo mudou, se vendem pacotes com misturas industrializadas.


Em alguns casos as receitas das avós que preparavam estas duas delícias, cujos segredos eram transmitidos de geração em geração, estão perdendo espaço para as misturas industrializadas, mas não perdeu-se o costume da troca de bandejas, que passa de casa em casa levando os sabores únicos e o toque especial do carinho de cada família impresso na natilla e no buñuelos que vai desfilando em cada prato.


Natilla Colombiana  (com leite condensado)

3 xícaras de leite integral
1 copo de amido de milho
1 xícara de leite de coco
½ xícara de coco ralado
2 paus de canela
1 lata de leite condensado
½ colher de chá de essência de baunilha
1/3 de xícara de açúcar ou a gosto
1 pitada de sal
1 colher de manteiga
Canela em pó a gosto

Preparo: Coloque uma xícara de leite em uma tigela pequena, adicione o amido de milho e mexa para dissolvê-lo. Coloque o leite de coco e coco ralado no liquidificador e bata até ficar homogêneo. Coloque o restante do leite e paus de canela em uma panela média e le a mistura ao fogo médio. Quando o leite estiver quente, mas não fervente, adicione a mistura de coco. Quando o leite começar a ferver, adicione o leite condensado, açúcar e sal. Mexa bem com uma colher de pau. Adicione a mistura de leite e amido de milho e continue mexendo constantemente. Adicione o extrato de baunilha. Reduza o fogo e continue mexendo até engrossar o Natilla, cerca de 2-4 minutos. Adicione a manteiga, misture e retire do fogo. Descarte os paus de canela. Coloque a mistura em uma travessa ou em taças individuais. Polvilhe canela em pó na parte superior e deixar arrefecer à temperatura ambiente durante pelo menos 1 hora. Leve à geladeira até a hora de servir.
DICA: substitua o leite condensado por açúcar mascavo e a natilla ganhara um toque mais rustico.

Buñuelos de viento.
 Ingredientes
200 gramas de farinha
50 gramas de manteiga
5 ovos, ½ litro de leite
1 copo pequeno de água
casca de um limão
açúcar misturado com canela a gosto
óleo e sal.

Preparo: Numa panela junte o leite e água, adicionar casca de limão e uma pitada de sal. Coloque a panela no fogo e quando levantar fervura adicione a farinha de uma vez e com fogo baixo, mexa bem. Aumente o fogo e continuem mexendo ate desgrudar do fundo da panela. Feito isto retire do fogo, e junte os ovos batidos anteriormente, misture pouco a pouco, mexendo sempre até obter uma massa homogênea, com a ajuda de uma colher faça bolinhos e frite-os em uma panela com bastante óleo quente até que fique dourado. Remova os bolinhos e coloque em um prato com papel toalha para absorver o excesso de óleo. Em seguida passe numa mistura de açúcar e canela. Obs.: A que goste de coemr sem a cobertura de canela e açúcar.