segunda-feira, 1 de abril de 2013

Meu Abril Afrodisíaco!


Quando abril inicia, o meu reloginho interno vai disparando, pois é o mês do meu aniversário – e parece que o meu corpo e a minha mente sabem disso, ficam eufóricos e me aprontam algumas surpresas... Sou um taurino quase que tradicional, não fosse por já dominar algumas características que muitos estudiosos das ciências holísticas dedicam a nós taurinos (como teimosia, ciúmes, por exemplo).
Porém uma característica fundamental está, cada vez, mais enraizada, e duplamente impregnada em mim; Sou touro com ascendente em Touro e Lua em Câncer (isso não é uma informação muito adequada pra se colocar aqui, mas vem dela a inspiração ao post de hoje), e essa mistureba toda só servem pra dizer que eu sou TODO DE VÊNUS – indo e voltando. E as influências de Vênus são uma delícia! Isso não é atoa... Se repararmos bem as origens para todo este simbolismo, vamos encontrar muito amor, muita beleza, o pode de sedução, de atração, a lascívia, a luxúria e mais algumas coisas que você quiser incluir como artifícios de vênus. E não poderia deixar de esquecer os afrodisíacos, comentados como exóticos, e de cunho puramente místico para resplandecer a sexualidade...
Abril é o quarto mês do calendário gregoriano e tem 30 dias – disso todo mundo  sabe. Mas o seu nome deriva do Latim Aprilis, que significa abrir, numa referência à germinação das culturas. Outra hipótese sugere que Abril seja derivado de Aprus, o nome etrusco de Vénus, deusa do amor e da paixão. Outra versão é que se relaciona com Afrodite, nome grego da deusa Vênus, que teria nascido de uma espuma do mar que, em grego antigo, se dizia "abril".

O Nascimento de Vênus, de Sandro Botticelli, 1485.
Afrodite, segundo algumas versões de seu mito, teria nascido perto de Pafos, na ilha de Chipre, motivo pelo qual ela é chamada de "Cípria", especialmente nas obras poéticas de Safo. Seu principal centro de culto era exatamente em Pafos, onde uma deusa do desejo havia sido cultuada desde o início da Idade do Ferro na forma de Ishtar e Astarte. Outras versões do mito, no entanto, afirmam que a deusa teria nascido próximo à ilha de Citera (atual Kythira), pelo qual também recebia o nome de "Citereia". A ilha era um entreposto comercial e cultural entre Creta e o Peloponeso, portanto estas histórias podem ter preservado traços da migração do culto de Afrodite do Levante até a Grécia continental.
Na versão mais famosa do mito, seu nascimento teria sido a consequência de uma castração: Cronos teria cortado os órgãos genitais de Urano e arremessado-os para trás, dentro no mar. A espuma surgida da queda dos genitais na água, que alguns autores identificaram com o esperma do deus morto, teria dado origem a Afrodite, enquanto as Erínias teriam surgido a partir de suas gotas de sangue. Nas palavras de Hesíodo, "o pênis (...) aí muito boiou na planície, ao redor branca espuma da imortal carne ejaculava-se, dela uma virgem criou-se." Esta virgem se tornou Afrodite, flutuando até as margens sobre uma concha de vieira. Esta imagem, de uma "Vênus erguendo-se das águas do mar" (Vênus Anadiômene), já totalmente madura, foi uma das representações mais icônicas de Afrodite, celebrizada por uma pintura muito admirada de Apeles, já perdida, porém descrita na História Natural de Plínio, o Velho.
Em outra versão de sua origem, ela seria filha de Zeus e Dione, a deusa-mãe cujo oráculo situava-se em Dodona. A própria Afrodite é por vezes referida comop "Dione", que parece ter sido uma forma feminina de "Dios", o genitivo de Zeus em grego, e poderia apenas significar "a deusa", de maneira genérica. A própria Afrodite seria então uma equivalente de Réia, a mãe-terra, e que Homero teria deslocado para o Olimpo. Alguns estudiosos levantaram a hipótese de um panteão proto-indo-europeu, no qual a principal divindade masculina (Di-) representaria o céu e o trovão, e a principal divindade feminina (forma feminina de Di-) representaria a terra, ou o solo fértil. Depois que o culto a Zeus tomou o lugar do oráculo situado no bosque de carvalhos em Dodona, alguns poetas o teriam transformado em pai de Afrodite. Em algumas versões do mito, Afrodite seria filha de Zeus e Talassa (o mar).
Após destronar Cronos, Zeus ficou ressentido, pois, tão grande era o poder sedutor de Afrodite que ele e os demais deuses estavam brigando o tempo todo pelos encantos dela, enquanto esta os desprezava a todos, como se nada fosse. Como vingança e punição, Zeus fê-la casar-se com Hefesto, (segundo Homero, Afrodite e Hefesto se amavam, mas pela falta de atenção, Afrodite começou a trair o marido para melhor valorizá-la) que usou toda sua perícia para cobri-la com as melhores jóias do mundo, inclusive um cinto mágico do mais fino ouro, entrelaçado com filigranas mágicas. Isso não foi muito sábio de sua parte, uma vez que quando Afrodite usava esse cinto mágico, ninguém conseguia resistir a seus encantos.

O Casamento de Afrodite e Hefesto - Johann Georg Platzer.
Alguns de seus filhos são Hermafrodito (com Hermes), Anteros (com Ares, a versão mais aceita ou com Adônis, versão menos conhecida), Fobos, Deimos e Harmonia (com Ares), Himeneu, (com Apolo),Príapo (com Dionísio), Eryx (com Posídon) e Eneias (com Anquises)
Os diversos filhos de Afrodite mostram seu domínio sobre as mais diversas faces do amor e da paixão humana.
Afrodite sempre amou a alegria e o glamour, e nunca se satisfez em ser a esposa caseira do trabalhador Hefesto. Afrodite amou e foi amada por muitos deuses e mortais. Dentre seus amantes mortais, os mais famosos foram Anquises e Adônis, que também era apaixonado por Perséfone, que aliás, era sua rival, tanto pela disputa pelo amor de Adônis, tanto no que se diz respeito de beleza. Vale destacar que a deusa do amor não admitia que nenhuma outra mulher tivesse uma beleza comparável com a sua, punindo (somente) mortais que se atrevessem comparar a beleza com a sua, ou, em certos casos, quem possuísse tal beleza. Exemplos disso é Psiquê e Andrômeda.
Na mitologia grega, Afrodite era acompanhada pelas Cárites, ou Graças como eram também conhecidas. Seus nomes eram Aglae ("A Brilhante", "O Esplendor"), Tália ("A Verdejante") e Eufrosina ("Alegria da Alma").
Suas festas eram chamadas de afrodisíacas e eram celebradas por toda a Grécia, especialmente em Atenas e Corinto. Suas sacerdotisas representavam a deusa]. Seus símbolos incluem a murta, o golfinho, o pombo, o cisne, a rosa, a romã e a limeira. Entre seus protegidos contam-se os marinheiros e artesãos.


Com o passar do tempo, e com a substituição da religiosidade matrifocal pela patriarcal, Afrodite passou a ser vista como uma Deusa frívola e promíscua, como resultado de sua sexualidade liberal. Parte dessa condenação a seu comportamento veio do medo humano frente à natureza incontrolável dos aspectos regidos pela Deusa do Amor.
No templo de Corinto, praticava-se prostituição religiosa no templo da deusa. O sexo com as prostitutas, geralmente escravas, era considerado um meio de adoração e contato com a Deusa].
No final do século V a.C., os filósofos passaram a considerar Afrodite como duas deusas distintas, não individualizando seu culto: Afrodite Urânia, nascida da espuma do mar após Cronos castrar seu pai Urano, e Afrodite Pandemos (ou Pandemia), a Afrodite comum "de todos os povos", nascida de Zeus e Dione. Entre os neoplatônicos e, eventualmente, seus intérpretes cristãos, a Afrodite Urânia é vista como uma Afrodite celeste, representando o amor de corpo e alma, enquanto a Afrodite Pandemos está associada com o amor puramente físico. A representação da Afrodite Urânia, com um pé descansando sobre uma tartaruga, mais tarde foi tida como a descrição emblemática do amor conjugal, a imagem é creditada a Fídias, em uma escultura criselefantina feita para Elis, numa única citação de Pausânias.
Assim, de acordo com o personagem Pausânias no Banquete de Platão, Afrodite são duas deusas, uma mais velha a outra mais jovem. A mais velha, Urânia, é a "celeste" filha de Urano, e inspira o amor/Eros homossexual masculino (e, mais especificamente, os efebos), a jovem é chamada Pandemos, é a filha de Zeus e Dione, e dela emana todo o amor às mulheres. Pandemos é a Afrodite comum. O discurso de Pausânias distingue duas manifestações de Afrodite, representadas pelas duas histórias: Afrodite Urânia (Afrodite "celestial"), e Afrodite Pandemos (Afrodite "Comum").

Alimentos afrodisíacos


O termo afrodisíaco tem origem no grego aphrodisiakós, relativo ou pertencente à afrodisia, que restaura as forças geradoras, ou excita os apetites carnais. E, levando em consideração a leitura anterior advinda  da mitologia, verificamos que existiu uma deusa que provocava este apetite nos homens, Afrodite. Quando entendemos que os elementos afrodisíacos restauram as forças geradoras, voltamos ao que já aprendemos sobre elementos que possuem mais ou menos energia. Os que possuem mais, produzem a fraqueza ou a sonolência, os que possuem menos, produzem a força.  Isso quer dizer que, os alimentos que possuem mais energia em seus elementos, não são bons para quem quer ter um bom desempenho sexual. Já os que possuem menos energia em seu interior, tornam o sujeito pau para toda a obra.
Ao longo de toda a história da humanidade os indivíduos estiveram preocupados com o declínio da função sexual em consequência do processo de envelhecimento. Eles sempre procuraram em diversos produtos da natureza um “elixir da juventude” capaz de restabelecer o vigor dos impulsos sexuais. Esses produtos são conhecidos como “afrodisíacos”, que são substâncias utilizadas com o objetivo de aumentar o desejo e a capacidade de manter relações sexuais.
O Antigo Testamento, por exemplo, relata que Raquel serviu-se da planta mandrágora para facilitar uma gravidez. Os antigos hebreus acreditavam que o suco das raízes e dos frutos dessa erva tinha o poder de provocar excitação sexual e facilitar a concepção. Cientificamente conhecida como Mandragora officiarum, a mandrágora pertence à família das Solanáceas, que inclui outras espécies, como a batata, o tabaco, o tomate, o pimentão e vários tipos de pimenta. Dentre as substâncias ativas existentes na mandrágora, destacam-se a atropina e a escopolamina. Elas têm grande emprego medicinal, mas não propriamente com finalidades afrodisíacas.

Mandragora officiarum 
A atropina é utilizada para aliviar cólicas intestinais ou biliares e diminuir as secreções dos aparelhos digestivo e respiratório. A escopolamina tem basicamente os mesmos efeitos da atropina, mas difere desta pela sua ação sobre o sistema nervoso central. Enquanto a atropina provoca, em doses elevadas, agitação, nervosismo e, às vezes, alucinações e delírios, a escopolamina atua como depressor, causando cansaço e sonolência.
Cientificamente apenas se conseguiu comprovar que os extratos das raízes da mandrágora causam sonolência. Assim, caso se atribua algum efeito afrodisíaco a essa planta, ele se manifestaria de maneira indireta. Em outras palavras, o homem teria à sua disposição uma parceira sexual devidamente entorpecida pela substância ativa da mandrágora. Dessa maneira, ela se tornaria mais dócil e submissa.
A crença na eficácia da mandrágora como afrodisíaco não ia além da forma de sua raiz, semelhante a um pênis ereto. Segundo o imaginário humano, os efeitos medicinais de uma planta estavam relacionados com a semelhança entre suas formas e os órgãos do corpo humano. Existe em diversas culturas humanas um conjunto de associações simbólicas entre elementos da natureza e suas funcionalidades.
Poucas substâncias usadas como afrodisíacos provocam efetivo aumento do interesse sexual. As demais atuam exclusivamente por sugestionamento. Ou seja, quem as toma se convence a tal ponto da eficácia desses preparados que acredita realmente “sentir” seus efeitos. Tais pessoas não se dão conta de que, melhor do que qualquer recurso artificial, elas possuem dotes naturais capazes de proporcionar maior estímulo sexual: a imaginação e a fantasia.
Os alimentos que são considerados afrodisíacos podem ser divididos em três grupos: os mitológicos e exóticos, os estimulantes que são quimicamente comprovados e os que se associam ao sexo por seu formato. Os primeiros são aqueles que derivam de lendas, como o mel, que era conhecido como o néctar de Afrodite ou “manjar dos deuses”. 
Na Grécia, era muito usado em celebrações de casamento: a noiva consumia uma colher de mel, pois eles acreditavam que dessa forma só sairiam palavras doces de sua boca. Vem daí a origem do termo “lua-de-mel”. Entretanto, o mel também está na segunda categoria, graças à presença de vitaminas B e C e de minerais do pólen das flores, que podem estimular a produção de hormônios sexuais. 


Ainda na Grécia, o culto a deuses como Afrodite, tornava permitido às pessoas cederem aos prazeres do sexo. Eles costumavam realizar orgias em que o orgasmo era buscado em sua totalidade, com o uso de poções afrodisíacas para este fim. Alimentos como cebolas, trufas, peixes eram consumidos por homens e mulheres para estimular o apetite sexual. Perfumes, como o da violeta, eram passados nas zonas erógenas das cortesãs para que os homens aumentassem seu desejo sexual.
Os romanos também tinham suas receitas afrodisíacas, utilizando vísceras de animais para este fim. A diferença é que além de alimentos, eles tinham um apelo visual forte para estimular a sexualidade. Utilizavam aromas e flores para enfeitar os quartos, presenciavam cenas eróticas ao vivo em peças teatrais, o que é um grande estímulo, levando, consequentemente, ao aumento do desejo sexual.
O cristianismo trouxe a culpa e o pecado. O sexo já não era mais para o prazer, mas para a procriação. Estimular a sexualidade não era mais considerado um ritual religioso, pelo contrário, era mundano e proibido. Afrodisíacos eram considerados produtos mágicos, oriundos de bruxas e magos que trabalhavam contra a virtude.


Mas nem com todo este discurso os afrodisíacos foram esquecidos. Propriedades afrodisíacas ainda eram encontradas em alimentos e plantas, e a curiosidade permanecia grande. Era muito comum que a alimentos de origem exótica fosse creditada a propriedade de estimular a libido sexual. Ingleses, franceses, e outros povos de todos os continentes, tratavam de melhorar seu desempenho sexual com estas descobertas.
Para facilitar melhor a compreensão do que pode ou  não ser um afrodisíaco,  muitos estudiosos se debruçam até hoje para definir alimentos que possuem mais ou menos energia em relação ao homem. A conclusão mais generalista que chegaram sobre este assunto foi de que normalmente os elementos com muita caloria, possuem menos energia e os que possuem baixa caloria possuem mais energia. Assim, entre o doce e o salgado, por exemplo, você mesmo definirá a diferença. Abaixo segue a característica geral dos alimentos que possuem pouca quantidade de energia e assim são fontes de geração de força:

• As raízes (ex.: alho, cebola, mandioca, cenoura, beterraba, etc..).
• As plantas rasteiras de folhas finas ou pequenas (ex.: cebolinha.).
• As frutas rasteiras que possuem muitos caroços espalhados (ex.: melancia).
• As frutas aéreas que possuem muitos caroços espalhados (ex.: limão e laranja).
• A gordura animal ou vegetal.
• Carne de aves em sua maioria.
• Carne de peixe de escama.
• Cartilagem de peixe.

Para diferenciar veja agora alguns alimentos que normalmente possuem muita energia em suas células:

• As plantas rasteiras de folhas grandes (ex.: alface e couve).
• As frutas rasteiras com um caroço ou vários no lugar de um (ex.: melão.).
• As frutas aéreas com um só caroço ou vários no lugar de um (ex.: abacate).
• Carne de peixe de pele.
• Leite desnatado.
• Açúcar.

Nas duas definições acima podemos definir os exemplos práticos:
• Normalmente para os homens com pouca potência sexual são receitadas raízes.
• Para mulheres fracas após o parto são receitadas aves.
• Para pessoas doentes de várias doenças são receitados chás de algum capim.

Aspargos


Estes talos são um triunfo afrodisíaco. Receberam o estado de afrodisíaco pela primeira vez na Doutrina de Firmas (também conhecida como Lei dos Parecidos) no século XVI. A teoria diz que se uma coisa se parece com a outra, vai melhorar ou ajudar aquilo que se parece com ela. Ou seja, se a comida parece sexual, então vai ajudar a melhorar o sexo.
Os aspargos são ricos em potássio, fósforo, cálcio e vitamina E. "Para os casais que têm fome de amor, os aspargos são uma energia adicional, mantêm o sistema urinário e rins em bom funcionamento, e são uma dose natural de "vitamina do sexo" necessária para aumentar a produção de hormônios.




Massa com Aspargos e Parma

Ingredientes
500g de espaguete ou capelini
2 colheres de sopa de azeite de oliva
2 dentes de alho
1 cebola pequena fatiada
150g de presunto de parma, cortado em tiras
400g de aspargos, aparados e cortados em pedaços 2cm.
1 1/4 xícaras de creme de leite fresco
1/3 xícara de queijo parmesão ralado
sal e pimenta

Preparo: Cozinhe a massa conforme as instruções do pacote. Enquanto isso, aqueça o óleo em uma frigideira grande em fogo médio. Refogue a cebola e o alho por uns 5-7 minutos. Adicione o presunto de parma e os aspargos até que estes fiquem verdes e brilhantes, cerca de 3 minutos. Depois adicione o creme de leite, 1/3 xícara de queijo, sal e pimenta. Reduza o fogo para ferver e cozinhe até que o molho tenha engrossado, cerca de 4 minutos. Despeje o molho sobre o macarrão pronto e misture bem. Sirva com o restante do queijo parmesão.


Aspargos Grelhados com Presunto Parma

ingredientes
Aspargos frescos (4 unidades)
Azeite
Sal
Pimenta moída
Presunto Parma (4 fatias)
Pão Italiano

Preparo: Pegue 4 aspargos. Segure cada um pela base, entorte, ele vai se quebrar em algum lugar perto de onde você está segurando, é a parte dura, que deve ser jogada fora. Feito isso, é hora de descascá-los. Se tiver um descascador de legumes use, senão apare com uma faca tomando cuidado. Você vai chegar ao “miolo” do aspargo que tem cor verde bem claro. Tempere-os com azeite, sal e pimenta. Reserve. Aqueça uma frigideira ou grelha e coloque os aspargos para grelhar (1 minuto e meio de cada lado). Pegue 2 fatias de presunto Parma e enrole dois aspargos juntos, sem cobrir até a ponta. Corte algumas fatias de pão italiano. Delicie-se.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Um bolo à Baco


A mitologia, tão adorada por mim desde muito, hoje resolveu aparecer nos pensamentos para que eu tratasse do meu delírio dionisíaco por bolos. E fez mais que isso... Permitiu-me compreender os poderes de Baco com toda sua ebriedade. Permitiu-me o excesso da mistura de um bolo qu e ficou uma maravilha!
Devo esclarecer que Baco é o equivalente romano de Dionísio – o Deus Grego do vinho, da ebriedade, dos excessos (especialmente os sexuais), da loucura, da natureza e de mais algumas coisinhas... mas eu tenho eu começar pelo começo. Então vamos lá:
Sêmele quando estava grávida exigiu a Júpiter que se apresentasse na sua presença em toda a glória, para que ela pudesse ver o verdadeiro aspecto do pai do seu filho. O deus ainda tentou dissuadi-la, mas em vão. Quando finalmente apareceu em todo o seu esplendor, Sêmele, como mortal que era, não pôde suportar tal visão e caiu fulminada. Júpiter tomou então das cinzas o feto ainda no sexto mês e meteu-o dentro da barriga da sua própria perna, onde terminou a gestação.

A mais bela imagem de Zeus e Semele, de Moreau (1894–1895)
Ao tornar-se adulto, Baco apaixona-se pela cultura da vinha e descobre a arte de extrair o suco da fruta. Porém, a inveja de Juno levou-a a torná-lo louco a vagar por várias partes da Terra. Quando passa pela Frígia, a deusa Cíbele cura-o e o instrui nos seus ritos religiosos. Curado, ele atravessa a Ásia ensinando a cultura da vinha. Quis introduzir o seu culto na Grécia depois de voltar triunfalmente da sua expedição à Índia, mas encontrou oposição por alguns príncipes receosos do alvoroço por ele causado.
O rei Penteu proíbe os ritos do novo culto ao aproximar-se de Tebas, sua terra natal. Porém, quando Baco se aproxima, mulheres, crianças, velhos e jovens correm a dar-lhe boas vindas e participar de sua marcha triunfal. Penteu manda seus servos procurarem Baco e levá-lo até ele. Porém, estes só conseguem fazer prisioneiro um dos companheiros de Baco, que Penteu interroga querendo saber desses novos ritos. Este se apresenta como Acetes, um piloto, e conta que, certa vez velejando para Delos, ele e seus marinheiros tocaram na ilha de Dia e lá desembarcaram.
Na manhã seguinte os marinheiros encontraram um jovem de aparencia delicada adormecido, que julgaram ser um filho de um rei, e que conseguiriam uma boa quantia em seu resgate. Observando-o, Acetes percebe algo superior aos mortais no jovem e pensa se tratar de alguma divindade e pede perdão a ele pelos maus tratos. Porém seus companheiros, cegados pela cobiça, levam-no a bordo mesmo com a oposição de Acetes. Os marinheiros mentem dizendo que levariam Baco (pois era realmente ele) onde ele quisesse estar, e Baco responde dizendo que Naxos era sua terra natal e que se eles o levassem a até lá seriam bem recompensados. Eles prometem fazer isso e dizem a Acetes para levar o menino a Naxos. Porém, quando ele começa a manobrar em direção a Naxos ouve sussurros e vê sinais de que deveria levá-lo ao Egito para ser vendido como escravo, e se recusa a participar do ato de baixeza.

Baco, de Leonardo da Vinci, no Museu do Louvre.
Baco percebe a trama,em seguida olha para o mar entristecido, e de repente a nau pára no meio do mar como se fincada em terra. Assustados, os homens impelem seus remos e soltam mais as velas, tudo em vão. O cheiro agradável de vinho se alastra por toda a nau e percebe-se que vinhas crescem, carregadas de frutos sob o mastro e por toda a extensão docasco do navio e ouve-se sons melodiosos de flauta. Baco aparece com uma coroa de folhas de parra empunhando uma lança enfeitada de hera. Formas ágeis de animais selvagens brincam em torno de sua figura. 

O jovem Baco (1884) de William-Adolphe Bouguereau
Os marinheiros levados à loucura começam a se atirar para fora do barco e ao atingir a água seus corpos se achatavam e terminavam numa cauda retorcida. Os outros começam a ganhar membros de peixes, suas bocas alargam-se e narinas dilatam, escamas revestem-lhes todo o corpo e ganham nadadeiras em lugar dos braços. Toda a tripulação fôra transformada e dos 20 homens só restava Acetes, trêmulo de medo. Baco, porém, pede para que nada receie e navegue em direção a Naxos, onde encontra Ariadne e a toma como esposa. Cansado de ouvir aquela historia, Penteu manda aprisionar Acetes. E enquanto eram preparados os instrumentos de execução, as portas da prisão se abrem sozinhas e caem as cadeias que prendiam os membros de Acetes. Não se dando por vencido, Penteu se dirige ao local do culto encontrando sua própria mãe cega pelo deus, que ao ver Penteu manda as suas irmãs atacarem-no, dizendo ser um javali, o maior monstro que anda pelos bosques. Elas avançam, e ignorando as súplicas e pedidos de desculpa, matam-no. Assim é estabelecido na Grécia o culto de Baco. Certa vez, seu mestre e pai de criação, Sileno, perdeu-se e dias depois quando Midas o levou de volta e disse tê-lo encontrado perdido, Baco concedeu-lhe um pedido. Embora entristecido por ele não ter escolhido algo melhor, deu a ele o poder de transformar tudo o que tocasse em ouro. Depois, sendo ele uma divindade benévola, ouve as súplicas do mesmo para que tirasse dele esse poder.







A Bacanal de Peter Paul Rubens

Foi justamente a partir das influencias de Baco que surgiu a Bacanal (do latim bacchanale) é o nome que se dava, na Roma Antiga aos rituais religiosos em homenagem a Baco (ou Dionísio), deus do vinho, por ocasião das vindimas, em que havia um cerimonial sério e contrito, de início, seguido por uma comemoração pública e festiva.
As bacanais foram introduzidas em Roma e vindas do sul da península itálica através da Etrúria. Eram secretas e frequentadas somente por mulheres durante três dias no ano. Posteriormente, os homens foram admitidos nos rituais e as comemorações aconteciam cinco vezes por mês. Ao invadirem as ruas de Roma, dançando, soltando gritos estridentes e atraindo adeptos do sexo oposto em número crescente, os bacanais causaram tais desordens e escândalos.
Tito Lívio relata que a rápida propagação do culto no qual ocorriam as mais grotescas vulgaridades, bem como todo tipo de crimes e conspirações políticas nas suas sessões noturnas, levou em 186 a.C. à promulgação de um decreto pelo Senado - o chamado Senatus consultum de Bacchanalibus, inscrito numa placa de bronze descoberta na Apúlia, ao sul da península Itálica em 1640, atualmente no Kunsthistorisches Museum de Viena - pelo qual as bacanais foram proibidas em toda a Itália, exceto em certos casos especiais que deviam ser aprovados pelo Senado. Apesar do severo castigo infligido aos que descumprissem este decreto (Tito Lívio afirma que houve mais execuções do que encarceramentos), as bacanais sobreviveram no sul da Itália, muito depois da repressão.


Spaldin descreve uma bacanal feita "pelas mulheres que participavam dessas festas corriam pelas ruas e pelos campos, à noite, seminuas, cobertas com peles de tigre ou pantera, fixadas na cintura com festões de hera e pâmpanos. Empunhavam o Tirso, algumas com os cabelos soltos carregavam fachos. Aos gritos de Evoi! Evoi! (origem do grito carnavalesco Evoé!), em honra de Evan, epítetos de Baco, soavam as flautas e tambores juntamente com os címbalos e as castanholas presas às vestes. Dava-se às mulheres que participavam das Bacanais o nome de Menades, voz grega, que significa "furiosas". As fontes antigas descrevem que as bacantes, no seu delírio, cometiam toda sorte de excesso selvagem, luxurioso e desregrado.


Com todo este enunciado o mais correto seria não ser prudente com os excessos nos momentos de comer e beber. Mas este post de hoje é apenas uma simples recadinho para aqueles que gostam de harmonizar vinho com tudo – e vou colocar em texto grifado pra não correr o risco de alguém passar por ele despercebidamente:

Quando eu quero tomar vinho com uma sobremesa, eu sigo os instintos dionisíacos e fujo dos vinhos “tradicionais” que, geralmente, especialistas e afins oferecem como melhor harmonização para sobremesas. Eu em geral, costumo usar com sobremesas os vinhos de colheita tardia - chamados de Late Harvest., pois as uvas utilizadas no preparo destes vinhos ficam no pé por mais tempo, e ao que me parece deixam o vinho mais doce. Para mim, os vinhos tintos tradicionais não caem muito  bem com doces, mas são ótimos  para o preparo deles. O que já deixa a sobremesa com opções mais  exclusivas de vinho. E eu adoro uma exclusividade. Se alguém não concordar com isso- tudo bem O que importa é que eu estou me permitindo novas experiências...


E pra deixar esse papo ainda mais repleto pelos excessos, o negócio  é fazer uma sobremesa que mistura, chocolate com vinho. Quero ver o circo pegar fogo logo (risos). Provavelmente vai ter gente reclamando dessa mistura, ma so resultado final é surpreendente. E vale a pena testar. Baco te chama. Arrisque-se.



Bolo de chocolate e vinho

Ingredientes

240 g de manteiga;
240 g de açúcar;
4 ovos;
300 ml de vinho tinto
240 g de farinha de trigo peneirada;
1 pitada de noz-moscada;
1 pitada de canela em pó;
2 colheres (sopa) de cacau em pó;
1 colher (sopa) cheia de fermento químico;
130 g de chocolate amargo ralado.

Calda
100 ml de água;
60 g de açúcar;
250 ml de vinho tinto.

Preparo: Pique a manteiga e espere até que ela atinja a temperatura ambiente. leve-a à batedeira junto com o açúcar e misture até obter uma pasta lisa. Adicione os ovos e continue batendo para que a massa fique homogênea. Acrescente o vinho tinto, misturando levemente com um batedor manual. Junte a farinha peneirada e bata até obter uma massa lisa. Adicione as especiarias, o cacau e o fermento de uma vez só, batendo tudo à mão. E acrescente o chocolate ralado. Despeje a massa numa fôrma média de furo no meio e leve ao forno a 170 °c /180 °c por aproximadamente 1 hora. Atenção: seja religioso com a temperatura. Quando o bolo é alto e com furo no meio, ele demora mais tempo para assar, e o forno quente demais acaba queimando a parte de cima. Calda: Em uma panela, aqueça a água e o açúcar, misturando até ficar homogêneo. Desligue o fogo e adicione o vinho. Espere até atingir a temperatura ambiente. Jogue a calda no bolo ainda morno e deixe esfriar para servir.


terça-feira, 19 de março de 2013

A deliciosa Extravaganza romana


Sabe que eu estou, realmente, gostando desta visibilidade que o Papa Francisco I tem ganhado na mídia atualmente. Isso permite meu pensamento divagar nas ideias mais absurdas para uma postagem.
Uma dessas ideias absurda surgiu pensando nos escândalos sobre pode e homossexualidade no Vaticano. Essa história toda de homossexualidade n o Vaticano, é antiga. Tão antiga quanto a homossexualidade dos imperadores romanos. Mas a hipocrisia das pessoas não as permite admitir o fato - que existe no mundo desde os mais remotos tempos e que, inicialmente, era tido como uma virtude (daqueles que tinham o amor verdadeiro).
Isso me levou a tratar aqui, hoje, sobre um personagem imperial da história romana que misturava, ao mesmo tempo, poder, homossexualidade e paixão pela gastronomia exótica: o imperador Heliogábalo. 


Busto de Heliogábalo - Museu Capitolino
Antes, porém, de falar sobre este imperador, vamos dar um passeio pelos grandes excessos gastronômicos da história.


Banquete -mosaico romano
Sabemos que os romanos possuíam um termo para designar suas suntuosas reuniões gastronômicas – eles as chamavam de convivium. Aos romanos (olha eles aí de novo!) deve-se ainda a associação de banquete com todos os excessos, a começar pelos gastronômicos. Na Roma Antiga a gula era considerada normal, pois os romanos festeiros como eram, participavam às vezes de mais de uma festa por dia. Caso não se comesse a fartar-se seria considerada uma ofensa para o anfitrião. Assim, existia nas residências até mesmo a figura do vomitódromo: um lugar destinado ao vômito dos convivas que, para não ofender o anfitrião comiam, provocavam o vômito e comiam novamente. Isso era o usual naquela época.
Mas, mesmo os romanos com suas faustosas reuniões gastronômicas, vem da Mesopotâmia o maior banquete de todos os tempos. Preparado pelo soberano Asurbanipal II, que ocupou o trono entre 883 a.C. a 859 a.C. seu banquete durou dez dias e teve 69.574 convidados – como conta o historiador inglês Roy C. Strong em seu livro Feast, A History of Grand Eating, publicado no Brasil com o título Banquete - Uma História Ilustrada Culinária dos Costumes e da Fartura à Mesa (Jorge Zahar Editora, Rio de Janeiro, 2002).
A pretexto de comemorar a reformulação urbanística da antiga cidade de Kalah (no território do atual Iraque) e com a construção de seu novo palácio, Asurbanipal II ofertou aos convivas 10 mil peixes, 2 mil bois, 1.400 cabritos, mil carneiros e por aí afora, sem negligenciar a sede alheia. Foram 10 mil jarras de cerveja e igual quantidade de vinho. Talvez tenha faltado bebida, insuflando reclamações comezinhas. Fato é que, apesar dos esforços de Asurbanipal II, os romanos levaram a fama de maiores promotores de ceias ritualísticas, embora tenham assimilado a ideia dos gregos e estes dos egípcios.
Não há como negar que os césares e seus sucedâneos promoveram alguns dos mais extravagantes banquetes da história, sempre repletos de muita comida, da embriaguez do vinho, repletos de luxuria - para relaxar os entraves do superego. No romance Satyricon, Petrônio (27-66 d.C.) relata um jantar com acrobatas, atores declamando em grego e meninotes intrépidos, lavando os pés dos convivas. Luxúria? Pois a realidade ganhava da ficção.
O imperador Vitélio (15-69 d.C.), glutão compulsivo e devasso em tempo integral, chegou a devorar 1.200 ostras, ainda no hors d'ouvre.

Ele banqueteava-se três ou quatro vezes por dia, ou seja, de manha, ao meio dia, de tarde e â noite - a última refeição era principalmente uma bebedeira -, e sobrevivia a este ordálio tomando eméticos com frequência. O pior é que costumava convidar para esses banquetes nas casas de varias pessoas diferentes no mesmo dia, e eles nunca custavam a seus vários anfitriões menos q quatro mil peças de ouro casa. A festa mais famosa da série lhe foi oferecida pelo irmão, quando ele entrou em Roma; diz-se que foram servidos dois mil peixes maravilhosos e sete mil pássaros selvagens. No entanto, mesmo isto dificilmente se comparava em matéria de luxo a um único prato imenso que Vitélio dedicou à deusa Minerva e que chamou de "Escudo de Minerva, a protetora da cidade". A receita incluía fígado de lúcio, miolo de pavão, língua de flamingo e vesícula de lampreia; e os ingredientes, reunidos de todos os cantos do Império, das fronteiras de Pártia aos estreitos da Espanha, foram levados a Roma por capitães das trirremes. (STRONG,2002, p. 38-39)

Tigelino, comandante da guarda pretoriana, certa vez organizou um jantar para Nero (verão de 64) encenado no meio de um lago artificial onde os convidados reclinavam-se sobre tapetes e almofadas numa grande jangada rebocada por barcas enfeitadas de ouro e marfim e tripula por exoleti (‘meninos alegres’) escolhidos deliberadamente por suas habilidades lascivas. Não bastasse esta extravagancia, ele mandou povoar o bosque q cercava o lago com pássaros e animais exóticos, e na beira d'agua havia pavilhões e bordeis.
Nero, em 54, num banquete para comemorar seus 17 anos, tentou gracejar com Britânico, filho natural do imperador Tibério, pedindo-lhe que cantasse para as pessoas reunidas. Britânico, atendeu ao pedido escolhendo uma canção que falava de sua própria expulsão da casa do pai e do trono. Na festa seguinte Nero envenenou-o à mesa.
Provavelmente a reunião gastronômica mais estranha do império romano foi o banquete oferecido pelo imperador Dominicano, que escolheu  para isso o tema inferno.

Pediu-se as convidados que não se fizessem acompanhar pelo habitual escravo. ao lado de cada comensal havia uma pedra tumular como o nome do convidado. O banquete era iluminado por lâmpadas votivas, do tipo que se pendurava nos túmulos, e a comida, toda preta se assemelhava aos pratos sacrificiais oferecidos aos manes dos mortos e escoltados para casa por escravos desconhecidos: o que os fez suspeitar que haviam sido escolhidos para se tornarem as novas vitimas da sede de sangue do imperador. em vez disso, no entanto, foram chamados de volta para um segundo banquete, ao término do qual receberam presentes caros. (STRONG, 2002.p. 39-40)

 Heliogábalo (204-222 d.C.) era outro exagerado. O imperador romano pós-Cristo Sexto Vário Avito Bassiano (em latim Sextus Varius Avitus Bassianus), mas ao tornar-se imperador, adotou o nome de Marco Aurélio Antonino (em latim Marcus Aurelius Antoninus)., conhecido como Heliogábalo (204-222) {Apenas recebeu o cognome de Heliogábalo após a sua morte. Durante a sua juventude, serviu como sacerdote do deus El-Gabal (em latim Elagabalus) na cidade natal da família de sua mãe, Emesa.


Áureo romano representando Heliogábalo. A parte de trás diz Sanct Deo Soli Elagabal (Para o Santo Deus Sol Elagabal), e mostra uma quadriga dourada a carregar a pedra sagrada do templo de Emesa.
Foi um tirano na linha de Nero (37-68) e Calígula (12-41), e cometeu inúmeras extravagâncias à mesa. Em um dos muitos banquetes que promoveu, serviu aos seus seiscentos convidados: ervilhas misturadas com grãos de ouro, lentilhas com pedras preciosas, feijões enfeitados com âmbar e peixe com pérolas. Em outro, dizem ter criado um prato com seiscentas cabeças de avestruz.
Heliogábalo apreciava lírios, narcisos, rosas e violetas. Muitas vezes, de madrugada, após um régio banquete, uma chuva de pétalas de rosas e violetas caía sobre seus convidados. Alguns, já bêbados, morriam asfixiados. Deliciava-se com pétalas de violetas tostadas com rodelas de laranja e limão. Costumava mandar encher as banheiras públicas com água de rosas e, em seu palácio, algumas salas eram decoradas com tapetes de flores. Ao mesmo tempo em que distribuía absinthiatum, a famosa “fada verde” dos dias de hoje, ao povo, alimentava seus cães e leões com faisões, pavões e com fígados de ganso. Isto mesmo, foie gras.
Em seus banquetes, podiam-se esperar por pratos exóticos, vinho aos borbotões e o corolário de intermináveis bacanais, nos quais o imperador preferia a companhia dos mancebos. Nestas reuniões sabe-se que serviam-se pés de camelo, cristas de galo e línguas de rouxinóis. Certa feita, Heliogabalo fez chegar aos convivas um prato com mais de mil línguas de flamingos.

As Rosas de Heliogábalo

Heliogábalo costumava promover festas em que durante a madrugada uma chuva de pétalas de rosas e violetas caía sobre os convidados. Alguns, já bêbados, morriam asfixiados. Mas isso era uma extravagância do imperador. Este episódio ficou imortalizado na obra As Rosas de Heliogábalo (em inglês The Roses of Heliogabalus), pintura de Sir Lawrence Alma-Tadema (1836–1912), um artista holandês que viveu na Inglaterra. O quadro data de 1888, e atualmente faz parte de uma coleção privada.


As Rosas de Heliogábalo (1888), pelo acadêmico Anglo-Holandês Sir Lawrence Alma-Tadema.

A obra foi baseada num episódio inventado retirado da Historia Augusta, onde o imperador romano Heliogábalo (204-222) é retratado assistindo a uma tentativa de sufocar seus convidados com uma enorme quantidade de pétalas de rosa que caiam de um teto falso durante um jantar. No primeiro plano da pintura, o destaque são os convidados reclinados, cobertos com pétalas. Ao fundo, Heliogábalo é visível com um manto e uma coroa de ouro, junto com sua mãe Julia Soemia. Atrás deles, há um tocador de flauta (tíbia) e uma estátua de Dionísio.
Sabe-se que Heliogábalo, ainda mandava encher as banheiras públicas com água de rosas. Em seu palácio, algumas salas eram decoradas com tapetes de flores. Além das rosas, o imperador apreciava violetas e em sua cozinha preparava-se um manjar muito especial: pétalas de violetas tostadas com rodelas de laranja e limão. Foi Heliogábalo o inventor dos almofadões perfumados sobre os quais se deitavam seus convidados. Mas nem sempre ele os tratava com tanta gentileza.

Mais sobre heliogábalo
Heliogábalo nasceu em 203 d.C como Vário Avito Bassiano na família de Sexto Vário Marcelo e de Júlia Soémia Bassiana. O seu pai era inicialmente um membro da classe equestre, mas foi mais tarde elevado ao cargo de senador. A sua avó Julia Mesa era a viúva do Cônsul Júlio Avito, a irmã de Júlia Domna, e a cunhada do Imperador Septímio Severo. Júlia Soémia era uma prima do Imperador Caracala. Outros parentes incluíam a sua tia Júlia Avita Mamea e tio Marco Júlio Gessio Marciano e o filho deles, Alexandre Severo. A família de Heliogábalo tinha direitos hereditários ao sacerdócio do deus sol El-Gabal, sendo Heliogábalo o alto sacerdote em Emesa (atual Homs) na Síria.
A divindade El-Gabal foi inicialmente venerado em Emesa. O nome é latinizado da forma síria Ilāh hag-Gabal, El refere-se à divindade suprema Semítica, enquanto que Gabal significa montanha (comparar com o Hebraico גבל gevul e Árabe جبل jebel), o que resulta em Deus da Montanha é a manifestação divina de Emesa. O culto ao deus propagou-se a outras partes do Império Romano no século II, como por exemplo, uma consagração foi encontrada na distante Woerden (Países Baixos). O deus foi mais tarde importado e assimilado com o deus romano do Sol, conhecido como Sol Indiges em tempos republicanos, e mais tarde Sol Invictus durante os séculos II e III. Na Grécia, o nome do deus sol era Helios, e consequentemente, adotou-se Heliogábalo.


Heliogábalo, Sumo Sacerdote do Sol (1866), pelo decadente Inglês Simeon Solomon, a uma certa altura um amigo próximo de Algernon Charles Swinburne.
Posteriormente, diversos historiadores acreditam hostilmente que Heliogábalo mostrou desrespeito às tradições religiosas romanas e tabus sexuais. Heliogábalo substituiu o tradicional deus Júpiter no Panteão Romano pelo deus El-Gabal, e forçou membros importantes do governo de Roma a participarem em rituais que celebravam esta divindade, liderados por ele próprio. Casou-se cinco vezes, levando favores dos bajuladores masculinos que se pensava popularmente terem intenções de serem seus amantes, e diz-se que se prostituía no palácio imperial. Seu comportamento o distanciou da guarda pretoriana, do Senado e dos cidadãos.
Entre crescente oposição, Heliogábalo, com apenas 18 anos, foi assassinado e substituído pelo seu primo Alexandre Severo no dia11 de março de 222, numa conspiração feita pela sua avó, Júlia Mesa, e membros da guarda pretoriana.


Denário romano representando Heliogábalo. A parte de trás diz Fides Exercitus, ou A fidelidade do exército, mostrando a deusa romana Fides entre dois estandartes romanos. Muitas moedas cunhadas durante o reino de Heliog+abalo têm as inscrições Fides Exercitus ou Fides Militum, demonstrando a importância da lealdade do exército como a base do poder imperial.
Heliogábalo criou uma reputação entre os seus contemporâneos como um excêntrico, decadente, e zelota, o que foi provavelmente exagerado pelos seus sucessores e rivais políticos. Esta propaganda espalhou-se e, os historiadores no início da era moderna sujeitaram-o como um dos imperadores romanos com a pior reputação. Edward Gibbon, por exemplo, escreveu que Heliogábalo "abandonou a si mesmo para ter prazeres grosseiros e ser descontroladamente furioso." De acordo com B.G. Niebuhr, "o nome Heliogábalo está gravado na História acima de todos os outros" por causa de sua "vida inefavelmente repugnante". Os mais recentes historiadores têm tentado separar os fatos reais da ficção, preservando com maior cautela a visão deste personagem e seu reinado.
A orientação sexual e identidade de gênero de Heliogábalo são fonte de muito debate. Heliogábalo casou-se e divorciou-se de cinco mulheres, três das quais são conhecidas. A sua primeira esposa foi Júlia Cornélia Paula, a segunda foi a Vestal Júlia Aquila Severa, mas num ano, ele abandonou-a e casou com Annia Faustina, uma descendente de Marco Aurélio e viúva de um homem recentemente executado por Heliogábalo. Ele voltou para sua segunda esposa Severa no fim do ano. De acordo com Dião Cássio, a sua relação mais estável foi com o cocheiro de biga da sua quadriga, um cocheiro louro da Cária chamado Hierocles, a quem Heliogábalo se referia como o seu marido.


Denário romano representando Aquila Severa, a segunda esposa de Heliogábalo. O casamento causou um ultrágio público porque Aquila era uma Vestal, obrigada por lei romano a ser celibata por 30 anos.

A História Augusta diz que ele também se casou com um homem chamado Aurélio Zótico, um atleta de Esmirna, numa cerimônia pública em Roma. Dião Cássio diz que Heliogábalo pintava os olhos, depilava o seu cabelo e usava perucas antes de se prostituir em tavernas e bordéis, e até no palácio imperial:
Finalmente, ele reservou um quarto no palácio e lá cometeu as suas indecências, sempre nu à porta do quarto, como fazem as prostitutas, e abanando a cortina pendurada em anéis de ouro, enquanto numa voz doce e comovente se oferecia aos que passavam. Havia, obviamente, homens que tinham sido especialmente instruídos para desempenhar o seu papel. Para, assim como em outras questões também econômicas, ele tinha numerosos agentes que procuravam por aqueles que mais o agradavam para participar de suas vilezas. Ele poderia ter coletado o dinheiro de sua clientela e dado a si mesmo os seus ganhos; também poderia ter disputado com seus colegas essa indecente ocupação, argumentando que possuía mais amantes e mais dinheiro.
Herodiano comentou que Heliogábalo mimava a sua beleza natural ao usar demasiada maquilhagem. Foi descrito como sendo "encantado ao ser chamado a amante, a esposa, a rainha de Hierocles" e diz-se que ofereceu metade grandes somas de dinheiro ao médico que lhe pudesse dar genitais femininos. Subsequentemente, Heliogábalo tem sido frequentemente caracterizado por historiadores modernos como um transgênero, provavelmente transsexual, apesar de talvez não ser adequado aplicar termos tão culturalmente específicos a alguém que viveu há quase dois mil anos.
Em 221, as excentricidades de Heliogábalo, particularmente a sua relação com Hierocles, enfurecia cada vez mais os soldados da guarda pretoriana. Quando sua avó Júlia Mesa se apercebeu que o apoio popular ao imperador estava a enfraquecer rapidamente, ela decidiu que ele e a sua mãe, cujos tinham encorajados as práticas religiosas dele, tinham de ser substituídos.
Como alternativas, ela virou-se para a sua outra filha Júlia Avita Mamea e o filho desta, Severo Alexandre, com treze anos. Convencendo Heliogábalo a nomear o seu primo como herdeiro, a Alexandre foi dado o título de César e partilhou o consulado com o imperador nesse ano. Contudo, Heliogábalo reconsiderou isto quando começou a suspeitar que a Guarda Pretoriana favorecia o seu primo acima de si. Depois de falhados os vários atentados à vida de Alexandre, Heliogábalo despiu o seu primo dos seus títulos, revogou o seu título de cônsul e circulou a notícia de que Alexandre estava perto da morte para ver a reacção dos pretorianos. Um motim foi o resultado, e a guarda exigiu ver Heliogábalo e Alexandre no acampamento pretoriano.
O imperador obedeceu e no dia 11 de março de 222, apresentou o seu primo, com a sua mãe Júlia Soémia. Ao chegarem ao campo pretoriano, os soldados aclamaram Alexandre, ignorando Heliogábalo, que ordenou a prisão e execução de todos os que tinham tomado parte neste desrespeito contra ele. Em reposta, os pretorianos atacaram Heliogábalo e a sua mãe:
Ele tentou fugir, e teria escapado ao ser colocado numa arca, se não tivesse sido descoberto e assassinado, na idade de 18 anos. A sua mãe, que o abraçou e se agarrou a ele fortemente, pereceu com ele; as suas cabeças foram cortadas e os seus corpos, depois de serem despidos, foram primeiro arrastados pela cidade, e depois o corpo da mãe foi deixado num lugar qualquer, enquanto o dele foi atirado no rio.
A seguir à sua morte, muitas pessoas associadas à Heliogábalo foram mortas ou depostas, incluindo Hierocles e Comazão. Os seus editos religiosos foram revocados e a pedra de El-Gabal foi devolvida a Emesa. Mulheres foram banidas de atenderem reuniões no Senado, e damnatio memoriae—apagar uma pessoa de todos os recordes públicos— foi decretada para ele.

Agora, depois de tanto história, eu proponho uma extravagancia  que tal oferecer uma pequena reunião gastronômica para quatro amigos mais chegados, e preparar um menu “extravagante”? Posso ir além, e sugerir um prato delicioso que eu aprendi a preparar com o chef Claude Troisgro, a partir do sue programa "Que Marravilha!".

Risoto de abóbora e bacalhau com folha de ouro
Porção para 4 pessoas

Para a abóbora
400g de abóbora Bahia cortada em fatias sem sementes
2 colheres de azeite
Sal
Pimenta do reino (no moinho)
Para o bacalhau
800g de bacalhau imperial
300 ml de água
1 cabeça de alho
Tomilho
Alecrim
Para o risoto
1 colher de azeite
50g de cebola picada
Pimenta dedo-de-moça
450g de arroz arbóreo
100 ml de vinho branco seco
16 conchas de água do cozimento do bacalhau
Sal
Pimenta do reino no moinho
Para a finalização
Salsa picada
Azeite extravirgem
Folhas de ouro
220g de palmito pupunha fresco cortado em cubos
200g de requeijão cremoso
100g de parmesão ralado

Modo de preparo da abóbora: Tempere as duas fatias de abóbora com sal, pimenta e azeite. Enrole-as em papel alumínio. Asse por 40 minutos em forno a 180ºC. Quando o tempo acabar, amasse com um garfo, mas sem fazer purê. Modo de preparo do bacalhau: Três dias antes de preparar a receita, dessalgue o bacalhau, trocando a água de tempos em tempos. Encha uma panela com água e leve ao fogo. Quando ferver, corte a cabeça de alho ao meio, sem descascar, e jogue na água junto com o tomilho e o alecrim. Deixe ferver um pouco. Desligue o fogo e logo em seguida coloque as postas de bacalhau na panela. Tampe e deixe ele lá durante 20 minutos. Depois, retire o bacalhau da água, deixe esfriar e desfie o peixe. Modo de preparo do risoto:
Despeje azeite em uma panela e ponha a pimenta dedo-de-moça e a cebola. Mexa bem. Coloque o arroz e refogue por mais 2 minutos. Acrescente o vinho branco e deixe reduzir. Acrescente 4 conchas da água do bacalhau e reduza até secar, sem parar de mexer. Faça isso por cerca de 15 minutos. Despeje o risoto em uma travessa de vidro e deixe-o esfriar um pouco. Finalização: Ponha o risoto em uma panela. Acrescente mais algumas conchas da água de bacalhau até chegar ao ponto desejado (al dente cremoso). Mexa sempre. Adicione a abóbora amassada, o requeijão, o parmesão, o palmito, o bacalhau e a salsinha picada. Mexa e sirva. A consistência do arroz deve ficar cremosa. Decore com folhas de ouro comestíveis.