segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Barmbrack de Halloween


O tempo tem passado tão rápido que, quando me dou por conta, o ano já está se indo... Uma coisa que me faz lembrar dessa pressa do tempo são os pães/bolo (como a colomba, o panetone, o pandoro, o bolo de reis) - eles sempre dão um indicativo das chegadas de celebrações importantes; estão avisando sobre o fim ou o começo de um ciclo novo. Vocês já perceberam isso?
Pra minha curiosidade ficar sossegada eu fui investigar sobre este assunto... E descobri que os pães/bolo também estão presentes no halloween. Sabiam disso? Pois é, encontrei o tradicional barmbrack do halloween irlandês, e gostaria de dividir um pouco sobre ele como vocês.


Barmbrack (do gaélico irlandês: bairin Breac), muitas vezes abreviado para brack, é um pão/bolo frutado - normalmente passas e cascas de frutas cítricas - que, literalmente, significa "pão manchado (ou salpicado)". Alguns livros sobre a tradição do halloween irlandês apontam que o Barmbrack é apresentado como o ícone gastronômico para esta data.
O Barmbrack de Halloween tem uma proximidade como o bolo de reis: tradicionalmente são escondidos nele alguns objetos que são cozidos junto com o pão e que será utilizado como uma espécie de jogo de sorte/adivinhação.


Dentro do pão/bolo alguns objetos eram enrolados em papel manteiga e escondidos entre a massa. Dentre os objetos mais comuns estão: a ervilha, um pedacinho de pau, um pedaço de pano, uma pequena moeda (originalmente um sixpence de prata), um anel e um dedal. Cada item, quando achado na fatia do pão/bolo, carrega um significado diferente: a ervilha, a pessoa não se casaria naquele ano; o pau, teria um casamento infeliz ou estaria continuamente em disputas; o pano, teria má sorte ou seria pobre; a moeda, que gozaria de boa fortuna, e o anel, quem, o acha-se iria se casar dentro de um ano. Mas, se você encontrar o dedal, então você nunca vai se casar! – garanto que este último seria uma farsa, porque acredito que não tenha tantos solteiros convictos por lá [risos].



Outros artigos que poderia ser encontrado ao brack seria uma medalha, geralmente da Virgem Maria para simbolizar o sacerdócio, principalmente para as mulheres. Porém, o uso da medalha não continuou até os dias de hoje. Os Barmbracks que são comercialmente produzidos para o mercado de Halloween atualmente, incluem apenas um anel de brinquedo.
Para se comer um brack como os antigos faziam é fácil: corta-se ele em fatias que são torradas com manteiga e servidas juntamente com uma xícara de chá. 


Que tal preparar um brack para este halloween?

Barmbrack
500 g de farinha de trigo
300 g de leite
60 g de manteiga
85 g de açúcar
30 g de fermento biológico
350 g de passas
60 g de cítricos confitados (opcional)
½ colher de chá rasa de canela
¼ colher de chá rasa de noz moscada
½ colher de chá rasa de sal
1 ovo
500 ml de chá preto forte para demolhar as passas

Preparo: Se começa a ´preparar o chá para colocar as passas de molho. Faz o chá e o coloca ainda quente sobre as passas – deixar ali por, pelo menos, duas horas. Para fazer a massa, misturar a farinha, o fermento o leite e o ovo, amassar bem. Fazer uma bola e colocar numa tigela ou boll untado com azeite para descansar até dobrar de volume. Depois acrescentar o açúcar, o sal, a canela, a noz moscada e misturar. Em seguida colocar a manteiga e misturar bem até obter uma massa lisa e elástica. Só então juntar as passas (que já devem ter sido escorridas) e os cítricos confitados, misturar para distribuir bem as passas; voltar a colocar a massa no boll azeitado e deixar dobrar de volume. Em seguida moldar os pães à gosto e levar para assar em assadeira untada em forno quente a 210º por 50 minutos (os primeiros 15 a 210º e o resto a 200º). 

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

As Brisas-do-Lis viraram Quindim...


Já repararam que toda coisa interessante, por ser interessante, acaba ganhando versões diferenciadas, mas representam a mesma coisa? Na gastronomia, por exemplo, as receitas clássicas sempre trazem consigo origens controversas sobre quem criou determinado prato e quando ele surgiu. Ao longo dos anos, por conta da falta de interesse da maioria dos estudiosos, que não se preocuparam com o registro das coisas que acontecem no dia-a-dia da cozinha, a gênese das criações culinárias vão se perdendo pelo tempo.
Quando a curiosidade bate e a gente quer saber quando e quem inventou determinada delícia acabamos nos deparando com raras informações detalhadas e muitas histórias com informações trocadas de receitas que se dizem originais, mas que de original só leva o nome...
Lembro que quando criei este blog o meu desejo maior era me aprofundar na história das comidas, na cultura gastronômica, tentando buscar o máximo de informações verídicas para deixar registrado, para a posteridade, o que os outros tem esquecido de registar – fazendo assim com que as delícias do meu dia-a-dia não se perdessem, nem se descaracterizassem.
Sou mesmo chato e fico puto quando vou num lugar e querem me vender gato por lebre. Vou contar rapidamente o que me ocorreu certa vez: estava eu com alguns amigos de trabalho, numa cafeteria reconhecida pelo censo comum desta cidade como sedo um lugar “fino”. Lá pedi um tiramisu, que me veio prontamente com a rapidez do atendimento do lugar – motivo este que muitos elogiavam. O fato é que quando a sobremesa chegou e eu dei a primeira colherada, senti a falta do mascarpone – elemento indispensável naquele doce. Imediatamente pedi pra falar com o gerente do lugar, que veio ás pressas pra saber sobre o ocorrido. Quando ele estava do meu lado perguntei-lhe se o doce era fabricado lá mesmo (ele disse que sim) e perguntei o que houve com o mascarpone, se estava em falta; porque aquilo que eu comia não era Tiramisu. Ele tentou se explicar, mas em vão. Disse que aquela era a receita da casa... Por fim, sugeri que ele trocassem o nome do doce que ele vendia no cardápio como sendo tiramissu, para que evitasse futuros outros constrangimentos e para que outras não fossem lesadas... Depois, pedi uma torta de banana (Será que ele seria capaz de trocar a fruta? – eu pensei). Comi, paguei a conta e nunca mais voltei lá. Tempos depois soube que o local havia fechado. É terrível quando a gente tem conhecimento de causa e tentam te vender gato por lebre. Mas essa história só vai servir para eu comentar hoje sobre um doce, que é uma “lebre brasileira” – estou falando do QUINDIM (Quem nunca ouviu falar nos quindins de iaiá?).


Quindim é um termo banto (grupo linguístico composto por vários idiomas de tribos africanas distintas presentes na região do antigo Congo), que significa dengo, encanto – sendo, assim, um tratamento carinhoso. Nas terras tupiniquins o quindim manteve o mesmo significado da sua origem africana.
Em 1940, Ari Barroso, escreveu a música "Os Quindins de Iaiá" onde o autor dá a mesma descrição para o doce e o tratamento carinhoso: "Só sei que Iaiá tem umas coisa/Que as outra Iaiá não têm/Os quindins de Iaiá." Aliás, a figura de Iaiá foi imortalizada por Walt Disney em um filme do Pato Donald com o Zé Carioca (ver vídeo no final deste post).



Iaiá era como os escravos da Casa Grande chamavam antigamente as moças, as meninas e até as senhoras da fazenda. Na época em que o Brasil era o maior produtor de açúcar do mundo a doçaria colonial brasileira surgia, sobretudo no nordeste brasileiro, para encantar os paladares mais apurados. As receitas dos brancos foram melhoradas pelas negras que incluíam ingredientes locais e especiarias de suas terras. E assim, a miscigenação das raças influenciou também a nossa gastronomia. Foi o caso do coco, que acabou se tornando mais um brasileirinho.
Acontece que na sua origem o coco é um elemento asiático que mais tarde foi levado para a África. No Brasil, os coqueiros vieram importados e acabaram servindo para decorar o litoral e os pomares dos jesuítas, principalmente em Pernambuco, a partir da cidade de Olinda. Em seguida, essas belas palmeiras passaram a decorar as grandes fazendas e casas de ilustres e também serviam como cercas vivas para as fazendas que ficavam à margem das praias – fato este que deu início ao esgotamento da mata nativa, com a derrubadas dos cajueiros que separavam a areia da mata virgem.



Com a escravidão no Brasil muitos africanos vieram parar aqui. Eles já conheciam e utilizavam o coco na sua alimentação, e quando reconheceram aquela palmeira e o seu fruto nas terras brasileiras, já sabiam o que poderiam fazer... eles então inovaram e acabaram misturando o coco com as farinhas dos índios e nos doces dos brancos europeus. Este fato fez surgir a característica do coco que a culinária afro-brasileira se utiliza até hoje, e que fez vir ao mundo maravilhas como a tapioca com coco, o arroz de coco, a cocada, a moqueca de peixe no leite de coco, e o quindim - que não era quindim, mas se transformou nele no instante em que foi adicionado coco a sua receita original.
O quindim na sua origem não leva coco e também não tem este nome. Era conhecido em Portugal, na região da Leiria, como Brisas-do-Lis - feitos à base de amêndoa, açúcar e ovos, sendo um ex libris da doçaria conventual portuguesa.



As brisas do Lis são bolos tradicionais de Leiria, onde sua origem está presente ali a muito tempo. Sabemos bem o porque, por exemplo, dos doces portugueses utilizarem muitas gemas (Os portugueses antigos utilizavam muito as claras de ovos para engomar os hábitos das freiras e as gemas que sobravam eram usadas em experimentações culinárias, tanto as doces quanto as salgadas).
O que se conta em Leiria é que as brisas do Lis foram inventadas pelas freiras do antigo convento de Santana, já demolido. A receita foi passada a uma senhora muito devota e assídua nas cerimônias realizadas no convento de Santana, que era proprietária do café Colonial. Este café ainda hoje existe, sendo o mais antigo e conhecido da cidade de Leiria. O segredo da confecção das brisas do Lis foi-se espalhando até aos dias de hoje por muitas pastelarias da cidade e, atualmente, são doces muito procurados tanto pelos leirienses como pelos turistas que visitam a cidade.



Com certeza, sua fabricação no Brasil só poderia ser feita enquanto as senhoras de famílias abastadas tivesse um estoque de amêndoas na dispensa – o que era caro. Assim, suspeitasse que a criatividade do ser humano foi a responsável pela criação do Quindim Brasileiro: as negras que já lidavam bem com o coco, na falta de amêndoas, incluíram coco ralado na base de gemas com açúcar e manteiga e eis que era nascido o quindim.
O quindim é o tipo de doce que não se pode comer muito, porque é enjoativo, mas é uma delícia se bem feito – e sem cheiro de ovo. O poeta Mario Quintana (1906-1994) era um grande admirador do Quindim dos sete pecados – que consumia ritualmente o doce com um café sem açúcar na lanchonete do jornal Correio do Povo, de Porto Alegre, era um dos pontos fracos do autor, como afirmavam os funcionários da lanchonete, que o apelidaram carinhosamente de "Mario Quindim".
Isso posto deixo abaixo “os gatos e as lebres” para que vocês possa escolher o melhor – eu, como sou formiga, fico com os dois!!!

Quindim (prático)
9 gemas
2 ovos
350 g de açúcar peneirado
250 g de coco ralado fresco
1 colher (sopa) e 1/2 de manteiga
Manteiga e açúcar para untar

Preparo: Coloque as gemas numa bacia e as bata por 1 minuto, acrescente o 2 ovos bata por aproximadamente 1 minuto também; Coloque o açúcar e a manteiga e bata ate ficar com consistência de gemada; Depois acrescente o coco ralado e bata apenas até ele se juntas a massa; Unte as forminhas com manteiga e açúcar, e coloque a massa; Pré-aqueça o fogo por 15 minutos na potência alta, depois coloque as forminhas na qual você colocou a massa no forno alto por 10 minutos; Depois mude para a potência média por mais 30 minutos, retire-as, deixe-as esfriar e desenforme-as.

Quindim dos sete pecados
15 gemas
500g de açúcar
1 xícara de coco fresco ralado
2 colheres de manteiga sem sal
Preparo: Fazer uma calda em ponto de fio com o açúcar e a água (500ml). Obtém-se o ponto de fio quando, ao retirar um pouco de calda com uma colher ou um garfo, se forma um fio fino que acompanha seus movimentos e faz até desenhos se derramado sobre uma superfície lisa. Tirar do fogo e acrescentar a manteiga, misturando bem. Esperar esfriar. Misturar o coco ralado e as gemas peneiradas, uma a uma, para que não fiquem com o cheiro forte de ovo. Untar as forminhas com a manteiga, polvilhar com açúcar e assar os quindins num tabuleiro em banho-maria até ficarem bem firmes. Só se deve desenformar depois de bem frios, colocando em forminhas de papel para servir.

Brisas-do-Lis
100 ml de água
100 g de amêndoa com casca
250 g de açúcar em pó
3 claras
6 gemas
Preparo: Escalde as amêndoas, pele-as e em seguida triture-as. Leve o açúcar ao fogo, misturado com a água, deixando ferver brandamente (3 minutos exatos). Retire a calda do fogo, adicione a amêndoa picada e deixe arrefecer. Junte as gemas e as claras, previamente mexidas, e envolva tudo até os ingredientes estarem bem ligados. Unte formas pequenas com margarina e encha-as com o preparado anterior, mas não completamente (deverá deixar cerca de 1 cm entre o preparado e o bordo da forma para que quando se inicie a cozedura, a massa não transborde). Colocar água quente num tabuleiro e coloque nele as formas. Leve a cozer em forno bastante quente até o preparado estar bem solidificado (20 a 25 minutos aprox.), o que se verifica fazendo pressão com os dedos. Retire do forno, deixe arrefecer, descole dos lados e desenforme. Coloque as brisas dentro de forminhas de papel frisado e sirva.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Montserrat - Um doce sabor para uma mulher deslumbrante!

Eu não escondo pra ninguém que sou formiga! Mas sou uma formiga com classe.  Assim sendo, eu estava na ânsia pra comer um bom doce, e me pus a rastrear na memória algo que eu ainda não tivesse preparado.
A resposta pra minha busca nem precisou me cansar a mente. Porque naquele momento eu estava ouvindo uma das músicas que mais gosto: How can I go on, na clássica interpretação em que Freddie Mercury & Montserrat Caballé cantaram na abertura das Olímpiadas de Barcelona, 1992. Pronto, já tinha daí o doce que eu faria. Como?



Sempre fui encantado pelo canto lírico – até já tinha cantando um pouco dele na época em que fiquei 4 anos em um coral da minha cidade - bons tempos... E para mim, depois de Maria Callas, Montserrat Caballé é a maior diva dessa área. Sempre ouvi muita coisa cantada por ela - interpretações singulares, como a da música citada anteriormente. O fato é que, no Brasil, muita gente também curte o trabalho dessa soprano espanhola, principalmente no sul.



E o pessoal do sul, curtem tanto que fizeram um doce para homenagear a Montserrat Caballé. Em 1998 essa grande diva lírica veio ao Brasil para algumas apresentações, numa dessas, em Pelotas, em 28 de março 1998, depois de sua apresentação num espaço público daquela cidade, Montserrat Caballé foi recepcionada na residência da Família Assumpção Gertrum – Villa Judith – onde lhe foi oferecido um jantar. Depois do jantar, doces finos de Pelotas foram presenteados à Montserrat Caballé, e um foi criado especialmente para ela, e lhe deram o nome de Montserrat – uma mistura de gemas, açúcar leite condensado e nozes. Os presentes no evento disseram que a cantora ficou imensamente lisonjeada com o carinho – e passaria a ser eternizada também através da fina doçaria pelotense.



A fama dos doces pelotenses já correu o Brasil todo, quiçá já os conhecem internacionalmente. São tão importantes que neste momento já consta em andamento no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN, a salvaguarda deste patrimônio imaterial, através do Inventário Nacional de Referências Culturais – visando documentar a tradição dos doces finos e a tradição dos doces coloniais, para fins de registro como patrimônio imaterial brasileiro. O INRC-Região Doceira de Pelotas e Pelotas Antiga encontra-se em fase de registro no Livro dos Lugares, estando sendo elaborado um documentário sobre os resultados da pesquisa.



Devo aqui congratular a atitude da Secretaria Municipal de Cultura da Prefeitura Municipal de Pelotas por ter se preocupado com a salvaguarda do patrimônio imaterial, neste caso de origem gastronômica, quando resolveu inscrever o projeto voltado ao inventário dos doces de Pelotas, pensando em preservar a arte doceira pelotense. Parabenizar ainda, ao pesquisadores do Laboratório de Ensino e Pesquisa em Antropologia e Arqueologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), que se dedicaram com suas contribuições acadêmica e tiveram a missão de executar o projeto, aplicando a metodologia do IPHAN, no escopo de registrar e identificar a arte doceira. 
Enquanto o documentário não sai, o jeito é preparar Monteserrast’s para me enfartar. Espero que vocês façam o mesmo.

Montserrat

30 gemas peneiradas
400g de açúcar
2 colheres (sopa) de manteiga
1 lata de leite condensado
250g de nozes moídas


Preparo: Para a massa de ovos, passe as gemas por uma peneira e junte o açúcar e a margarina. Leve ao fogo, mexendo até desgrudar do fundo da panela. Coloque em um prato untado com margarina e deixe esfriar. Para a massa de nozes, em uma panela coloque as nozes e o leite condensado e leve ao fogo, mexendo até desgrudar da panela. Passe para um prato untado com manteiga e deixe esfriar.Com a massa de ovos, faça docinhos no formato de croquetes. Reserve.Com a massa de nozes, faça umas trancinhas ou rolinhos de 10cm cada. Enrole cada trancinha, dando 2 voltas em cada docinho de ovos. Passe os docinhos em açúcar cristal.

sábado, 5 de outubro de 2013

Investigação: O caso das bruacas – ou “ureias de pau”


É tão chato quando a gente quer saber uma coisa e as fontes não aparecem... Ontem eu estava no facebook, e curti uma foto da Ana Maria, minha professora de sociologia - da época em que eu cursava o bacharelado em turismo. A Ana Então postou a foto abaixo e colocou na legenda o nome do preparado como sendo “ureias de pau”. 


Fiquei curioso pra descobrir do que se tratava, mas pela imagem já tinha uma suspeita... Era da BRUACA que ela estava falando (risos eternos). Bruaca no nordeste brasileiro significa mulher feia. Mas as bruacas, ou oreias de pau - como a Ana Maria as chama, de feias não tem nada – por isso a minha curiosidade só aumentou.
Aqui no Ceará muita gente conhece a bruaca, mas não pelo nome de “ureias de pau” – esta citação da Ana Maria foi a primeira vez que vi. A bruaca nada mais é do que uma espécie de panqueca doce, feita com a massa de bolo convencional – só que frita.
Instigado pela curiosidade, postei um comentário na página do facebook da Ana Maria pedindo que ela me dissesse a origem do preparado exposto na foto. A resposta veio rapidamente: Reubens a origem é difícil descobrir, é tradição aqui no sertão do RN, a receita temos, pois todos da família sabem fazer...
Como minha curiosidade não foi saciada, tentei buscar na literatura alguma coisa a respeito da bruaca/ ureia de pau. Mas não tive êxito. Este fato e o comentário da Ana Maria me preocupam porque se é, de fato, uma tradição, deveria ser preservada, e a sua origem faz-se necessário para o entendimento desta tradição.
Infelizmente, no Brasil, ainda não somos tão ligados com a preservação do patrimônio cultural imaterial gastronômico. O que é uma pena. A não preservação dos bens imateriais gastronômicos também podem levar à desconstrução de uma identidade.
Já escrevi aqui sobre outra quitanda nordestina, do sertão do Seridó, que está em extinção, o doce seco (Clique aqui para ler), e me assusta sempre que vejo o povo perdendo o interesse pelo que é seu.
Com as leituras escassa que pude fazer sobre a bruaca ou oreia de pau, acabei criando as minhas hipóteses sobre a possível origem da referida quitanda:

H1: Por ter sido um território invadido por franceses e holandeses, o Rio Grande do Norte seria o principal berço desta feitura nas terras brasileiras considerando o seguintes fato: A panqueca é uma especialidade francesa, onde é conhecida como crepe, e este habito alimentar pode ter se fincado no RN a partir do momento em que os franceses se espalharam por ali.

H2: a bruaca tem se assemelha com a panqueca americana, porém é servida sem calda. Esta semelhança também se explicaria com presença de norte-americanos que tbm habitaram aquela região tempos atrás.

H3: o nome oreia de pau seria uma alusão ao fungo conhecido com seu homônimo, orelha-de-pau (Polyporus sanguineus ou Pycnoporus sanguineus), também chamada urupê e pironga, é um fungo da família das poliporáceas

Orelhas de pau - fungos.


Obs.: Depois que o texto base desta postagem foi publicado, a Ana Maria me enviou a seguinte mensagem – e que traz consigo uma nova hipótese:  

Reubens li seu blog e mais uma curiosidade você precisa descobrir as nossas "Ureias de pau" não são feitas de farinha de trigo e sim com massa de milho ou flocos de milho, por isso que se diferencia da picanha e da panqueca que são feitas com farinha de trigo e ai penso que o processo cultural foi forte. H4 (hipótese da Ana Maria): Como no sertão sempre teve comida de milho, nem que fosse com milho seco para fazer o cuscuz e o mungunzá, acho que na falta da farinha de trigo colocaram o milho.


Assim, temos mais um motivo pra continuar investigando. Logo a Ana Maria me enviará a recita das ureias de pau que são feitas pela mãe dela, para que possamos experimentar a distinção das bruacas e ureias de pau.
Preparado deste tipo podem ser tão antigos no mundo que já não teriam uma precisão para sua existência. Na antiguidade uma massa semelhante a que pe usada hoje já era assada em pedra quente, e mais tarde passou a ser preparada em chapa redonda de ferro sobre o fogo.
Há indícios de que suas raízes estejam no pão indiano chapati e nas panquecas chinesas. Mas os primeiros registros de panquecas foram feitos no século I, pelo gastrônomo romano Apicius, autor do receituário De re coquinaria. Ali se descobre que já naquele tempo as panquecas eram feitas com a mistura de leite, água, ovos e um pouco de farinha. Entretanto, os italianos defendem que a especialidade nasceu quatro séculos mais tarde - sem ter água entre os ingredientes. Tal versão, religiosa, figura na Grande Enciclopedia Illustrata della Gastronomia (Selezione dal Reader's Digest, Milão, 2000).
No século V, peregrinos franceses compareceram em peso a Roma para a Festa della Canderola. Chegaram cansados e famintos, porém movidos pela fé. O papa Gelasio, empenhado em recebê-los bem, ordenou que a cozinha do palácio pontifício fosse abastecida com tantos ovos, sacos de farinha e litros de leite quanto fosse possível. As panquecas teriam nascido ali, ao acaso. Segundo essa história, os peregrinos saborearam a novidade e levaram a fórmula para a França.
E se minhas hipóteses se confirmarem, com estúdios contínuos, poderemos ter um típico elemento gastronômico de aculturação sendo amplamente difundido no nordeste brasileiro. Vou  continuar esta investigação, mas se alguém tiver alguma fonte confiável sobre este assunto, por favor, me envie. Afinal, como diz a música: Mistérios sempre há de pintar por aí...
Independente qual seja a origem, a verdade é que a bruaca ou ureias de pau é uma coisinha deliciosa pra se tomar com um cafezinho no fim de tarde.

Bruaca

2 xícaras de farinha de trigo com fermento
1 xícara de açúcar
2 ovos pequenos
1/2 xícara de leite
3 colheres de margarina
1 pitadinha de sal
Margarina pra fritar

Preparo: Coloque todos os ingredientes em uma tigela e mexa, até ficar um creme bem homogeneizado. Em fogo baixo, coloque uma colher de margarina em uma frigideira para derreter e adicione uma quantidade generosa da massa preparada. Deixe fritar, vire o outro lado para que frite também. Repita a operação até acabar a massa. Servir em seguida. 


Ureias de pau

2 ovos
1 xícara de leite
1 xícara de farinha de trigo
2 xícaras de fubá de milho
1 xícara de açúcar
1 pitada de sal

Preparo: Bata todos os ingredientes numa tigela grande com uma colher de pau. A massa deve ficar consistente. Aqueça bem uma frigideira e frite com pouquíssimo óleo em fogo baixo (cerca de um minuto cada lado). Verifique com um palito se a massa está cozida.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Somos queijo gorgonzola – mas podemos ser peras com gorgonzola e mel.


E de repente, não mais que de repente, aparecem leituras que me são tão interessantes, deliciosamente interessantes, que me inspiram gastronomicamente. É o caso do texto abaixo, que me levou a repensar a forma de olhar para a comida.



 “Somos queijo gorgonzola”
Estamos envelhecendo, estamos envelhecendo, estamos envelhecendo, só ouço isto. No táxi, no trânsito, no banco, só me chamam de senhora. E as amigas falam “estamos envelhecendo”, como quem diz “estamos apodrecendo”. Não estou achando envelhecer esse horror todo. Até agora. Mas a pressão é grande. Então, outro dia, divertidamente, fiz uma analogia.
O queijo Gorgonzola é um queijo que a maioria das pessoas que eu conheço gosta. Gosta na salada, no pão, com vinho tinto, vinho branco, é um queijo delicioso, de sabor e aroma peculiares, uma invenção italiana, tem status de iguaria com seu sabor sofisticadíssimo, incomparável, vende aos quilos nos supermercados do Leblon, é caro e é podre. É um queijo contaminado por fungos, só fica bom depois que mofa. É um queijo podre de chique. Para ficar gostoso tem que estar no ponto certo da deterioração da matéria. O que me possibilita afirmar que não é pelo fato de estar envelhecendo ou apodrecendo ou mofando que devo ser desvalorizada.
Saibam: vou envelhecer até o ponto certo, como o Gorgonzola. Se Deus quiser, morrerei no ponto G da deterioração da matéria. Estou me tornando uma iguaria. Com vinho tinto sou deliciosa. Aos 50 sou uma mulher para paladares sofisticados. Não sou mais um queijo Minas Frescal, não sou mais uma Ricota, não sou um queijo amarelo qualquer para um lanche sem compromisso. Não sou para qualquer um, nem para qualquer um dou bola, agora tenho status, sou um queijo Gorgonzola. (Maitê Proença)

Maitê Proença

No instante em que se pensa em agradar uma pessoa, o mesmo em agradar-se, o “clássico”, seja ele o que for, é a regra básica para não errar. Mas há quem prefira a ousadia, a inovação. Então, me permiti, inspirado pelas palavras da Maitê, a mostrar um pouco do gorgonzola que reside no meu eu. E assim, escrevi uma coisinha pra liberar um pouco do “mofo azul” do queijo que habita em mim. Para causar um clima com a leitura, sugiro que dê o play no vídeo abaixo, e só depois, quando a música estiver tocando, comece a ler o que eu escrevi abaixo. Permita-se entrar na brincadeira, livre-se de pré-conceitos. Vamos lá...




No princípio tudo era boca... vindo do caos originário da teogonia até chegar a fundição do eu psíquico... Uma pulsão gastronômica onde a oralidade se bifurca entre sexo e castidade.

O que comemos, então? Nada, provavelmente diria Lacan, como disse ao referir-se à anoréxica, em relação à qual acrescentou: ela embucha significante. Se a anoréxica nada come, a bulímica come tudo, todo o tempo. Uma e outra respondem, assim, a uma demanda materna. Uma não quer preencher-se, e a outra não quer esvaziar-se. O vazio e o cheio são dois fantasmas. Mas trata-se sempre do mesmo vazio, o que a mãe deixou ao esvaziar-se. (Lemoine-Luccioni, ?Las Mujeres Tienen Alma?,  Barcelona, Biblioteca de Psicoanálisis Editorial Argonauta, 1990, p. 24-25)

Cama e mesa sempre remetem uma união, onde os prazeres afloram e nos permite conhecer zonas erógenas que nos levam em instantes da gula a luxúria.
Toalha mesa vira colcha de cama... onde vibram as papilas gustativas como se estivesse num vendaval; explodem os sabores, misturam-se aromas e o êxtase aparece como uma possessão absoluta para dizer que está saciado , por enquanto.
A energia do que antes era o caos, se espalha liberando as fantasias deliciosas que estavam presas naquelas muralhas de carne e sangue – loucuras doces (umas até salgadas) flambadas com conhaque ou regadas ao vinho do Porto.
Na mesa ou na cama os ingredientes são os mesmo: carnes - gordas ou magras; especiarias indianas, africanas, asiáticas, mediterrâneas sul-americanas, exóticas, potentes, que foram escolhidas por suas histórias – ou simplesmente pela geografia da proximidade.
Na cama, como na mesa, precisamos de “temperamentos”. Mistura-se o que se quiser. E quando se quer, vê-se as retinas iluminadas de canibais lascivos que pretendem honrar a tradição de saborear a carne humana. Daí, é partir-se pra aventura de descobrir o estrangeiro que está no outro. Par tanto faz-se necessário aguçada percepção e conhecimento, sobre técnicas e preparo, sobretudo de aquecimento, todas apuradas. Exploração e devoração tornam-se cúmplices de “um comer junto”.
A regra básica neste caso diz: a refeição sempre estará esperando por você - na mesa ou na cama, e nelas a comida sempre pode ficar melhor. Podemos, sim, ser queijo gorgonzola, mas podemos nos tornar peras com gorgonzola e mel. Pra isso, basta estarmos prontos para os delírios gastronômicos. Faça sua mesa e e deixe a cama pronta - ou vice e versa. 
A minha cara de Pera com gorgonzola e mel. 
  
Pera com gorgonzola e mel

1kg de pera
500ml de água
1 colher de sopa de suco de limão
½ xícara de chá de mel
1/4 de xícara de chá de suco de laranja
½ xícara de chá de gorgonzola
1 colher de sopa de cream cheese

Preparo: lave bem as peras deixando os cabinhos, em seguida corte-as ao meio. Com auxílio de uma colher de chá retirar uma parte do miolo. Deixar a pera na água com suco de limão até finalizar a operação. Em uma vasilha colocar o mel e incorporar o suco de laranja até homogeneizar. Em uma fôrma colocar as peras com a pele para baixo e pincelar com a mistura de mel com o suco de laranja. Levar as peras ao forno pré-aquecido a 200ºC por 30 minutos. Desligar e deixar as peras murcharem no forno fechado por +/- 15 minutos. Em uma vasilha colocar o gorgonzola e o cream cheese. Misturar até homogeneizar. Retirar as peras do forno, pincelar novamente com mel e rechear com gorgonzola. Levar ao forno pré-aquecido 180ºC por mais 3 minutos. Seguir em seguida.



sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Comida de santo: caruru para Cosme e Damião


Hoje é dia de receber doces – e ainda não é o halloween. É dia de Cosme e Damião, santos conhecidos como protetores das crianças. E como eu ainda me considero uma criança [risos] não poderia deixar de falar deles nesta data.  E se você receber doces no dia de hoje faça um pedido e ele logo se realizará – pelo menos é o que dizem. 
Mas apesar de eu amar doces, hoje vou falar de salgado e, particularmente de um ingrediente que muita gente detesta: o quiabo, elemento base do Caruru - considerado um quitute dedicado a Cosme e Damião. Porem para entendermos melhor esta ligação, faz necessárias algumas explicações.


Popularmente conhecidos como os santos meninos, os gêmeos Cosme e Damião, na verdade, chamavam-se Acta e Passio e eram médicos árabes. Eles viveram em plena época do Império Romano e realizavam verdadeiros milagres, não cobrando pelas suas consultas. Toda essa fama dos irmãos incomodou o imperador Deocleciano, que mandou prender os dois que, depois de mortos, passaram a ser os padroeiros das crianças.


No Candomblé e na Umbanda, o dia de Cosme e Damião é 27 de setembro. Nessas crenças, eles são conhecidos como os orixás Ibejis. São filhos gêmeos de Xangô e Iansã. Os devotos e simpatizantes têm o costume de fazer caruru (uma comida típica da tradição afro-brasileira), chamado também de “Caruru dos Santos” e “Caruru dos sete meninos” que representam os sete irmãos (Cosme, Damião, Dou, Alabá, Crispim, Crispiniano e Talabi), e dar para as crianças.

Numa antiga lenda africana, dois príncipes gêmeos traziam sorte para o reino, resolvendo todo tipo de problema, pedindo em troca apenas doces, balas e brinquedos. Bastante bagunceiros, um deles se acidentou ao brincar numa cachoeira. O irmão que sobrou ficou tão triste que pediu para se encontrar com o outro no céu. Assim, Orunmilá atendeu o desejo do pequeno príncipe, deixando na terra duas imagens feita de barro, representando os meninos.




O caruru de Cosme e Damião está inserido nos cultos afro-brasileiros que celebram os santos gêmeos a 27 de setembro, um dia após os mesmos serem lembrados pela Igreja Católica. Os santos Acta e Passio, alguns dizem que eram originários da Síria e Armênia, pregavam o cristianismo, "curando as doenças em nome de Jesus Cristo e pelo seu poder". Passaram depois a ser conhecidos como Cosme (O Enfeitado) e Damião (O Popular). Foram perseguidos e mortos por Diocleciano (303), acabaram padroeiros de cirurgiões, físicos, farmacêuticos e faculdades de medicina em geral. Além de barbeiros e cabeleireiros.
Veremos a seguir que Cosme e Damião acabaram juntando crenças dos três povos que formaram a base da nação brasileira: índios, brancos e negros. A devoção em Cosme e Damião foi trazida pelos colonizadores portugueses, mas os escravos que aqui vieram, todos da África Ocidental (Angola, Costa do Marfim, Guiné, Congo), mantiveram os rituais religiosos e a fé nos deuses de sua terra distante. Inclusive nos orixás-meninos (Ibejís). Os africanos então aprenderam a sincretizar seus orixás com os santos católicos, cujos cultos lhes eram impostos.


Na festa manda a tradição distribuir brinquedos e doces com a criançada; porque, segundo se acredita, só assim serão atendidos os pedidos feitos aos Santos. Em muitos lugares, especialmente na Bahia, a celebração se faz sobretudo com mesa farta, servindo-se pratos preparados com azeite (de dendê, claro), usado sobretudo em peixes, mariscos e vegetais, próprios para dias de abstinência e jejum. Entre eles abará, acarajé, bobó de camarão, efó, frigideiras, maxixadas, moquecas, vatapá, xinxim de galinha; e, principalmente, o Caruru. Diz a tradição que primeiro caruru deve-se se servir a sete crianças (preferencialmente meninos) que o comem com as mãos, sentadas no chão.
O termo caruru vem de caá (folha) ruru (inchada), receita indígena feita originalmente apenas de ervas socadas com pimenta, no pilão. Os escravos africanos foram acrescentando novos ingredientes: amendoim, azeite de dendê, camarão seco, castanha de caju, cebola, gengibre, quiabo. E quanto mais quiabo tenha o caruru, mais importante é o prato. A receita foi depois levada de volta para África, em cada lugar recebendo nomes diferentes: calulu em Moçambique, Congo, Cabinda e São Tomé; funji de peixe, em Luanda; obbé em Nigéria e Daomé.

O caruru "completo" é servido em pratos de najé, acompanhado por xinxim de galinha, vatapá, arroz, milho branco, feijão fradinho, feijão preto, farofa, acarajé, abará, banana-da-terra frita, rapadura, inhame e pipoca.
A história da devoção a São Cosme e São Damião é antiga e atravessa continentes. Na Bahia, a fé nos santos irmãos ganhou importância principalmente pelo sincretismo com Ibeji, o orixá duplo dos nagôs, que representa os gêmeos. A mistura foi tão completa que ultrapassou a fronteira das religiões e classes: católicos e adeptos do candomblé, ricos e pobres oferecem a mesma comida sacrificial do candomblé às imagens dos santos cristãos. E mais, chega-se a fabricar imagens dos santos que incorporam uma terceira figura – Doú – uma corruptela de “idowu”, o nome dado, numa família nagô, àquele que nasce depois de um par de gêmeos. “Sempre tidos como muito traquinas, os idou deram origem ao ditado nagô: Exu lehin Ibeji – Exu vem depois dos Ibeji”.

Ibeji
Os santos são católicos, mas a forma de homenageá-los é africana. Os iorubás, em suas várias etnias, entendem o sacrifício, o ebó, como a forma essencial da sua comunicação com os orixás”. O caruru – dos Ibeji ou de São Cosme e São Damião “seria, então, mais do que uma oferenda, mas um sacrifício: o que na Bahia, o povo-de-santo chama de ‘obrigação’, que tem um preço e custa dinheiro. É como se desfazer de algo muito valioso.
Nas últimas décadas, tem sido feita frequentemente uma associação entre os santos católicos e os erês, que é um estado infantilizado do transe no candomblé. Por isso, inclui-se a distribuição de balas, doces e refrigerantes nas homenagens aos santos, especialmente no Rio de Janeiro. Mas são poucas as casas de candomblé que fazem obrigações para os Ibeji, geralmente discretas e não necessariamente em setembro. Outro detalhe é que não se tem notícias de filhos-de-santo de Ibeji na Bahia.

Pontos interessantes dessa história toda:


A fertilidade das iorubás, que tem inclusive motivado pesquisas médicas, provavelmente é um dos motivos da importância dos santos e orixás irmãos. A Nigéria, inclusive, é o país com o maior índice de nascimento de gêmeos no mundo inteiro.

No modo africano de homenagear os Ibeji e também outros orixás, o pedido de esmola para a preparação da comida é um ponto fundamental. A mesma tradição já existiu na Bahia, mas foi abandonada pela maioria das pessoas. Entretanto, ainda é possível encontrar quem mantenha esse costume, inclusive fora da Bahia.

Existem várias recomendações para quem faz o caruru, que cada um escolhe obedecer ou adaptar. Quem oferece o caruru deve cortar o primeiro quiabo e, depois de pronto, colocar a comida aos pés dos santos em vasilhas novas e fazer um pedido. A galinha do xinxim não pode ser comprada morta. Durante a festa não deve ser servida bebida alcoólica. E quem encontrar no prato um quiabo inteiro deve oferecer um caruru no próximo ano.

E se você se interessou por esta historia poderá descobrir mais com as indicações de leitura abaixo. E, apesar de eu não ser do candomblé ou da umbanda, não custa nada distribuir uns docinhos e nem preparar um caruru.

LIMA, Vivaldo da Costa. Cosme e Damião: o culto aos santos gêmeos no Brasil e na África. Salvador: Corrupio, 2005.
____. Oferendas e sacrifícios: uma abordagem antropológica. In: FORMIGLI, Ana Lúcia (Org). Parque Metropolitano de Pirajá: história, natureza e cultura. Salvador: Centro de Educação Ambiental São Bartolomeu/Editora do Parque, 1998, p. 57-65.
TAVARES, Odorico. Bahia: imagens da terra e do povo. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1951..


CARURU


Ingredientes
2 kg de quiabo
5 cebolas
300 gr de camarão seco
250 gr de amendoim
250 gr de castanha de caju
1 colher de chá de gengibre ralado
1 xícara de azeite de dendê
Sal


Preparo: Lave o quiabo, deixe escorrer e seque bem. Pique bem miúdo. Reserve. Passe as cebolas no processador. Reserve. Passe metade do camarão seco no processador. Reserve. Bata no liquidificador o amendoim e a castanha com meio copo de água. Reserve. Em uma panela coloque azeite de dendê. Refogue cebola e quiabo. Junte os camarões secos (os triturados e os inteiros). Depois, junte também gengibre, castanha e amendoim. Se necessário, coloque sal. Deixe no fogo, até engrossar e os caroços do quiabo estiverem meio rosados. Retire do fogo e sirva com arroz branco.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

A sagrada Ghee (manteiga clarificada)


A mitologia sempre esteve presente na minha vida – e se apresentava nas suas formas mais variadas. Desde criança, quando eu comecei a me interessar e pesquisar sobre o assunto eu já defendia (com unhas e dentes) o respeito por esta área do conhecimento humano. Sempre vi algumas pessoas desprezando o conteúdo mitológico, sempre o marginalizando, colocando-o como “coisa de todo ficcional e/ou criação mentirosa”. No entanto, eu via a mitologia como uma religião, a religião dos antigos, que foi sendo dominada por novas crenças, dizimada pela força e até pela guerra – e que, por estes mesmos motivos, já merecia meu respeito. Quem garante que daqui a algumas décadas as nossas religiões atuais não venham a configurar nos verbetes do dicionário como mitologia?
Pensando nesse assunto a receita de hoje vem totalmente impregnada de mitologia. Fui buscar na mitologia hindu, uma sobrevivente neste mundo louco, e que nos fornece ainda a matéria-prima sagrada para a confecção de muitos produtos gastronômicos e medicinais típicos daquele região: a Ghee, tema desta postagem.


Na Índia, a manteiga clarificada é chamada de ghee. É a substância mais preciosa fornecida pelo animal mais sagrado da Terra, a vaca. De acordo com a mitologia hindu, Prajapati, Senhor das Criaturas, cria a ghee pela fricção de suas mãos e, em seguida, derramou no fogo para gerar sua descendência; assim, simbolicamente, sempre que o ritual védico é realizado se observa alguém vertendo ghee no fogo, como uma encenação da criação. Ressalta-se aqui que manteiga, em mitologias de todo o mundo, é um símbolo de sêmen: sua agitação representa o ato sexual, e também a formação de uma criança no ventre de sua mãe.
Mas voltando ao que conta a mitologia, diz-se que mais tarde, depois daquele ato de Prajapati, durante o dilúvio, o elixir-de-mel da imortalidade chamado amrita se perdeu no oceano cósmico de leite. Os deuses e os demônios uniram forças para salvá-lo; dentre as ações que eles precisavam executar precisariam fazer a vaca sagrada Surabhi dar leite para a produção da ghee sagrada que teria a função de iniciar o ritual do fogo e transformar o terrível veneno de plantas em amrita; assim a árvore coral que perfuma o mundo apareceu, a deusa da beleza segurando uma flor de lótus, e finalmente o médico dos deuses passou cuidadosamente para a frente, carregando uma tigela de leite branco cheio de amrita.

Surabhi
A vaca sagrada Surabhi nessa história é de fundamental importância para para o equilíbrio das forças, para dar leite e fornecer a ghee ("manteiga clarificada") para o ritual dos sacrifícios de fogo – inicio das preparações sagradas para a continuação da produção do elixir sagrado. O Parva Anushasana. livro do épico narra que Surabhi nasceu do arroto do "criador" (Prajapati) depois que ele bebeu o Amrita que ressuscitou dos manthan Samudra. Além disso, Surabhi deu à luz a muitas vacas douradas chamadas vacas Kapila, que foram chamadas as mães do mundo.
De acordo com o Ramayana, Surabhi é a filha do sábio Kashyapa e sua esposa Krodhavasa, a filha de Daksha. Suas filhas Rohini e Gandharvi são as mães de gado e cavalos, respectivamente. Ainda assim, é Surabhi que é descrita como a mãe de todas as vacas no texto. No entanto, nos Puranas como Vishnu Purana e Bhagavata Purana, Surabhi é descrita como a filha de Daksha e a esposa de Kashyapa, como bem como a mãe de vacas e búfalos. O Matsya Purana observa duas descrições conflitantes de Surabhi. Em um capítulo, descreve Surabhi como a consorte de Brahma e sua união produziu a vaca Yogishvari, os onze Rudras, "animais inferiores", cabras, cisnes e "drogas de classe alta. Ela é, então, descrita como a mãe de vacas e quadrúpedes.O Harivamsa, um apêndice do Mahabharata, chama Surabhi a mãe da Amrita, dos brâmanes, das vacas e Rudras.


Na mitologia hindu, Surabhi pode apresentar nomes variados, dentre os quais Kamadhenu é um dos principais. Dentre suas características sua forma de vaca com busto de mulher e rabo de pavão é muito conhecida. Frequentemente é associada com o brâmane ("classe sacerdotal", incluindo os sábios), cuja riqueza ela simboliza. O leite de vaca e seus derivados, tais como ghee são partes integrantes de sacrifícios védicos de fogo, os quais são conduzidos por sacerdotes brâmanes. Além disso, a vaca também oferece proteção de luta para o brâmane, a deusa se torna um guerreiro, e gera a criação de exércitos para proteger seu mestre e ela mesma.

Amrita É a água da vida. O termo é conhecido nos Vedas, e parece se aplicar em várias coisas oferecidas em sacrifício, mas mais especialmente como Soma. Ele é também chamado de Nir-jara e Piyusha. Nos tempos remotos ele era água da vida produzida pela agitação do oceano por deuses e demônios, com algumas variações no Ramayana, o Maha-bharata e as puranas. É através deste liquido que os deuses, adquirem a imortalidade. A palavra significa literalmente "sem morte". É também um nome comum na Índia e Nepal, "Amrit"(masculino e "Amrita" (feminino). Os deuses, sentindo sua fraqueza, tendo sido derrotados por demônios, ou de acordo com as escrituras, sob a interdição de um santo sábio, pediram ajuda a Vishnu, implorando a ele que revelasse o vigor e a dadiva da imortalidade. A história é contada na Vishnu Purana tendo sido resumida como: Os deuses endereçaram o poderoso Vishnu -' aquele que conquistou por batalha os demônios malignos, Nós aclamamos o teu socorro, alma de todos; Piedade, e ao vosso poder nós nos entregamos!' Hari, o senhor, criador do mundo, Assim aos deuses imploramos, e o todo poderoso respondeu-' Sua força será restaurada, deuses de ye; Só façam o que eu mandar agora. Unam se em união pacífica com seus inimigos, colham todas as plantas e as ervas das mais diversas espécies de todo o lugar; as misturando em um mar de leitoso. levam Mandara, A montanha, com uma vara, e tornem Vasuki, A serpente em uma corda; no oceano juntem tudo para produzir a bebida- Fonte de toda força e imortalidade- então contem com minha ajuda; cuidarei para que seus inimigos ajudem em seu trabalho duro, mas não tomem parte da recompensa, nem bebam da fonte da imortalidade.'

Um dos hinos do Rg Veda (cerca de 1500 aC) é em louvor da ghee, e se destina a ser acompanhada de libações rituais da substância ouro no fogo. Estas são algumas das palavras:
This is the secret name of Butter:
"Tongue of the gods," "navel of immortality."
We will proclaim the name of Butter;
We will sustain it in this sacrifice by bowing low.
These waves of Butter flow like gazelles before the hunter...
Streams of Butter caress the burning wood.
Agni, the fire, loves them and is satisfied.

Nos versos acima a manteiga ghee é a fertilização das sementes, a língua dos deuses, um regenerador de riquezas, também representa a energia pura de oração comunitária e de inspiração para o misticismo e poesia.
Os hindus ritualmente ungem as estátuas de Vishnu e Krishna são ritualmente ungido com duas misturas intensamente sagradas de cinco substâncias, uma chamada pançamrita: leite, coalhada, ghee, mel e açúcar, e os outros ", os cinco produtos da vaca": leite, coalhada, manteiga, urina e o estrume. Ambos podem ser usados para purificar as pessoas que tenham cometido delitos temporariamente poluentes, ou como antídotos para venenos e doenças.
As lâmpadas que iluminam os lugares mais sagrados templos hindus tem pavios ardendo em ghee -como são as lâmpadas que estão diante das imagens de várias divindades, ou as que iluminam o grande Festival das Luzes em honra de Lakshmi e Rama.

Lamparinas de ghee
No que tange a gastronomia hindu a ghee tem presença fundamental em quase tudo que é produzido. Os hindus acreditam que não podem comer alimentos "inferiores", como arroz e lentilhas, por exemplo, que foram tocados por alguém de uma casta mais baixa do que sua. Mas os alimentos inferiores se preparados e cozidos em ghee instantaneamente se torna pakka, "completo" ou "superior", e assim se tornam comestíveis até mesmo por um brâmane. Um brâmane em viagem que não sabe quem tocou a comida disponível para ele, deve receber tudo o que ele ganhou de forma crua e ainda com casca, a menos que os vendedores de alimentos possam demonstrar que seus produtos são cozidos em ghee.


Ghee é muito procurada e consumida, por causa de seu status exaltado e sagrado. Em casamentos hindus os homens são esperados para competir uns com os outros para ver quem pode comer mais ghee: consumir um quilo ou mais é considerado uma prova de virilidade.A ocasião e as conotações sexuais de ghee transformam a competição em uma espécie de ritual de fertilidade.
Não é difícil preparar a ghee, você vai comprovar isso abaixo. E vai poder ter em casa um pouco dos alimentos sagrados para deixar seus preparos ainda mais cheios de simbologia e delicadeza.

A história completa do “batimento do oceano de leite”


Numa época remota, existia um grande Asceta, o Sábio Durvasa. Um dia, ele estava caminhando com uma guirlanda de flores na mão, que na Índia se chama "Santanaka" para oferecê-la a Indra. Indra que vinha na posição oposta cavalgando o elefante Airavata, passou pelo sábio e o ignorou. Indra fez com que Airavata pisasse e rasgasse a guirlanda de flores. Durvasa se encheu de ira e rogou uma praga em Indra:
"O orgulho da riqueza subiu à sua cabeça, Lakshmi irá te abandonar."
Então Indra, que havia percebido a loucura que tinha feito, se curvou perante Durvasa e pediu seu perdão. Durvasa disse: "Que Vishnu o faça feliz" e partiu.
Por causa da maldição de Durvasa, Lakshmi deixou Indra e desapareceu. Como Lakshmi, a deusa da prosperidade, poder e coragem, desapareceu, a vida dos Devas se tornou miserável. Os Assuras depois dessa oportunidade, invadiram o paraíso, derrotaram Indra e os Devas em uma guerra e ocuparam o paraíso. Indra perdeu seu reino e todo seu poder para os Assuras, e os Devas perderam sua imortalidade e seu valor.
Vários anos se passaram. O mestre de Indra, Brihaspati pensou num caminho para acabar com os problemas de Indra. Então ele foi juntamente com os Devas falar com Brahma, que os levou até Vishnu, de acordo com os desejos dos Devas. Então Vishnu disse: "Não tenham medo, eu lhes mostrarei uma maneira, o mar de leite precisa ser agitado. É certamente uma tarefa muito difícil, então façam amizade com os Assuras, e peçam sua ajuda. Usem a montanha Mandara como poste, e Vasuki, o rei das serpentes como corda. Eu irei ajudar na hora certa. Quando o oceano é agitado, o Amrita emerge das profundezas, bebam ele e sejam imortais, vocês ganharam força e poderão derrotar os Assuras. Quando o mar for agitado, Lakshmi que havia desaparecido, reaparecerá e derramará sua graça sobre vós".
Brihaspati foi muito inteligente. Ele foi ter com os Assuras, e com astucidade conseguiu fazer amizade com os mesmos. Então ele pediu que os ajudassem no Batimento do mar de Leite. Os Assuras aceitaram, porque secretamente queriam o Amrita para eles. Depois de conseguirem a ajuda dos Assuras, eles começaram a fazer oferendas ao Oceano de leite. Os Devas e os Assuras ofereceram toda sorte de ervas e plantas para o Oceano. Todos se juntaram para realizar a tarefa de adquirir o Monte Mandara. Eles alcançaram a planície onde o majestoso monte estava posto. Depois de grande trabalho de cavar, conseguiram desarraigar o monte da terra. Eles então tentaram carregar a montanha Mandara para o oceano, mas o peso da montanha era demais para eles, muitos morreram e muitos se machucaram. Pouco tempo depois Vishnu chegou e com um olhar ressuscitou todos os mortos e curou todos os feridos. Então ele mandou Garuda carregar o monte mandara para o oceano. Garuda carregou o monte Mandara nas suas costas até a beira-mar, então o imergiu no oceano de leite. Ele amarrou Vasuki o rei das cobras como corda no monte.


Os Assuras e os Devas ficaram cada um com uma ponta da serpente, então começaram a bater no oceano. O batimento continuou por um longo tempo sem que nada emergisse dele, até que o monte começava a deslizar para o fundo do oceano. Os Devas e os Assuras não poderiam continuar com o batimento sem o monte mandara. Até que eles foram abençoados com a Misericórdia de Vishnu. Vishnu, escutou o choro deles e veio logo ao resgate. Então ele tomou a forma de Kurma, seu Avatar com forma de tartaruga, colocou o monte nas costas e o levou de volta à superfície. Os Devas e os Assuras respiraram aliviados, pois agora poderiam continuar com o batimento do oceano. O Batimento do oceano de leite continuou com vigor. Então surgiu do fundo do oceano uma nuvem de fumaça que sufocava os Devas e os Assuras. Então eles começaram a clamar por socorro, pois estavam sem saber o motivo do sufocamento, até que descobriram que o Oceano tinha expelido o "Kalakuta", um veneno mortal. Todos estavam amedrontados diante da ferocidade do veneno. Os Devas oraram fervorosamente por Shiva e esperaram que ele poderia vir para ajudá-los, pois era uma substância que corroía tudo que tocava, e Shiva era o mais resistente dos Deuses. Shiva escutando o clamor dos Devas, rapidamente veio ao local, então, como foi pedido pelos Devas, Shiva concordou em beber o veneno. Shiva reteve o veneno em sua garganta, e salvou os Devas da destruição. O veneno era muito poderoso, tanto que fez com que a garganta de Shiva ficasse azul, por isso até hoje ele é chamado de "Neel-Kantha", que significa "aquele que tem a garganta azul". Depois que o veneno foi consumido por Shiva, os Devas e os Assuras continuaram mais uma vez com o Batimento do Oceano de leite. Passado algum tempo com o batimento do oceano, os Presentes Celestiais tomaram forma, o batimento trouxe à tona vários tesouros perdidos:
Sura (deus do vinho); Chandra (a lua); Apsaras (ninfas celestiais); Kaustabha (uma jóia preciosa para o corpo de Vishnu); Uchchaihshravas (o cavalo divino); Parijata (a árvore dos desejos); Kamadhenu (a vaca sagrada); Dhanvantari (o médico dos deuses) Airavata (o elefante de quatro trombas) Panchajanya (concha sagrada de Vishnu) Sharanga (o arco invencível)


Continuando com o batimento, no meio das ondas do oceano de leite, uma deusa angelical apareceu, ela estava sentada em cima de um lótus desabrochado com um colar de flores de lótus no pescoço e segurando um lótus na mão. Sua aparição foi a mais atraente de todas. Em sua face havia um sorriso brilhante, era a própria Lakshmi!
Os sábios começaram a entoar cânticos em honra de Lakshmi, enquanto as apsaras dançavam. Os elefantes esguichavam água sagrada nela, ela adquiriu o nome de Gajalakshmi. O rei do oceano apareceu em sua forma natural e revelou que Lakshmi era sua filha. O rei presenteou Lakshmi com jóias e roupas, dando-lhe uma guirlanda de flores de lótus. Quando todos os Devas olhavam surpresos, Lakshmi colocou a guirlanda no pescoço de Vishnu e, a partir daí, começou a habitar seu coração. Quando Lakshmi olhou para Indra ele logo adquiriu vigor e um brilho extraordinário.
Os Devas e os Assuras continuaram a bater no oceano, até que finalmente Dhanvantari emergiu do mar. Dhanvantari é o médico dos Devas. Ele carrega um pote sagrado nas mãos, esse pote continha o Amrita, néctar que garante imortalidade a quem bebesse. Quando os Assuras viram o que tinha acontecido, correram e tomaram o pote das mãos de Dhanvantari! Aqui começa a luta entre os Assuras e os Devas. Vishnu que via tudo, resolveu ajudar os Devas. Ele se disfarçou de Mohini. Mohini emergiu do oceano com beleza e graça. Ela chegou para os Assuras e perguntou:
"Porque vocês estão lutando?"
Eles responderam:
"Nós lutamos porque queremos o Amrita!"
Mohini sorrindo disse:
"Não briguem pelo Amrita! Se vocês aceitarem, eu mesmo sirvo ele pra vocês! Façam duas filas, uma de Devas e outra de Assuras!"
Os Assuras encantados aceitaram a proposta, assim como os Devas. Mohini, com seus truques, serviu veneno aos Assuras e Amrita aos Devas. Os Assuras encantados nem se tocaram do truque que havia sido usado. Os Devas beberam o Amrita e ganharam imortalidade, então começaram uma guerra com os Assuras, os quais foram derrotados facilmente.

Ghee

obtido (aprox.): 425 gramas
Tempo de preparo (aprox.): 25 minutos

500 gramas de manteiga sem sal
uma pitada de sal

Preparo: Leve a manteiga com o sal em uma panela ao fogo médio. Leve a manteiga com o sal em uma panela ao fogo médio. Reduza a temperatura quanto a manteiga derretida começar a borbulhar. Mantenha em fogo baixo, mexendo constantemente, por cerca de 15 minutos até que o resíduo fique levemente marrom e esteja bem aromático. Deixe descansar por 10 minutos. Coe e armazene em uma garrafa. Descarte o resíduo. Conserve em geladeira. DICA: O segredo para se fazer um ghee aromático é dourar cuidadosamente em fogo baixo mexendo constantemente. Quanto mais escuro o resíduo ficar, mais aromático o ghee será.

Bolo de ghee

2 xícaras de Farinha tipo Maida (ou farinha de trigo comum)
1 colher de chá de fermento em pó
1/4 colher de chá de bicarbonato de sódio
250 gramas de ghee
250gms de açúcar em pó
4 Ovos-4 nos (claras e gemas separadas)
½ xícara de leite
2 colheres de chá de açúcar
Essência de baunilha-1/2 colher de chá


Preparo: Em uma tigela peneire a farinha, o bicarbonato e o fermento. Em outra tigela, bata o açúcar e ghee em pó com uma batedeira em velocidade média até formar um creme. Em seguida, adicione as gemas uma de cada vez, batendo bem após cada inclusão. Com a batedeira em velocidade baixa, adicione alternadamente a farinha e o leite à mistura de Ghee, começando e terminando com a farinha. Em outra tigela bata as claras em neve, adicione aos poucos 2 colheres de chá de açúcar e a essência de baunilha e continue a bater até ficarem firmes. Depois misturar cuidadosamente com o creme já batido anteriormente. Levar para assar numa assadeira untada e polvilhada.