terça-feira, 10 de dezembro de 2013

O Natal entre os estônios


Ultimamente eu tenho ficado vidrado numa cantora estoniana, Iiris (escutem a música dela no fim deste post). E quando eu gosto de algo, ou alguém, procuro me informar mais sobre este algo (ou alguém), saber sobre sua cultura, seus gostos, sua curiosidades. Isso me fascina. Desta forma, e movido pelo clima natalino, fui em busca de descobrir um pouco sobre o Natal entre os estonianos.



Tallinn, a capital da Estônia 
O Kadriorg, em Tallinn, um jardim inglês fundado por Pedro, o Grande. Lá, você encontrará o Palácio Kadriorg, construído em 1718 como um de seus palácios de verão. Ele fecha às segundas-feiras, exceto para excursões da Royal Caribbean Cruise Line.
castelo de Toompea, na parte alta da cidade velha. Datado da primeira metade do século XIII, o castelo passou por várias reconstruções e agora está em frente à casa rosada do Parlamento, construída em 1773.
Na língua Estônia, a palavra para designar o Natal é Jōulud. Por lá, o dia do nascimento de Cristo é assinalado por essa palavra, anterior à introdução do Cristianismo no mundo.
O Jōulud já era festejado na Estónia antes da chegada do Cristianismo naquelas terras, e para os estónios antigos era uma festa que se prolongava por 17 dias, onde eles festejavam o solstício de Inverno — o nascimento do Sol (é a partir do solstício de Inverno que os dias tronam-se mais longos, e o Sol erguer-se mais alto no céu).

O tradicional mercado de Natal de Tallinn



Durante o Jōulud os estonianos cometiam excessos no que diz respeito à alimentação e eram proibidos certos tipos de trabalhos, pois era considerado um tempo de descanso no meio do longo Inverno sombrio. Mas, o Jōulud foi sempre uma festa dedicada à família e era considerado um tempo de recolhimento.
Em épocas remotas, nenhum estranho entrava em casa durante o primeiro dia das festividades. Pior ainda, se fosse uma mulher, considerava-se o fato um mau presságio. A mesma crença era válida para a véspera de Ano Novo. Mas hoje, o Natal é uma mistura de tradicionalismo e de modernidade, uma fusão do profano com o religioso. As festas concentram-se sobretudo na Véspera de Natal, embora a época natalícia tenha início no Advento, quando as pessoas compram calendários de Natal e acendem velas.
Na Estônia, o Natal hoje é uma festa alegre, mas para viver principalmente entre a família e os amigos mais chegados (como na maior parte das sociedades que celebram esta data). Muitas vezes a noite de Natal é passada em casa dos avós ou parentes, para, na noite do dia 24 de Dezembro, ter com os entes queridos um jantar de Natal. Depois de ter ido à missa.



A figura do Papai Noel é presente naquela região por conta da proximidade com o lugar ao qual o censo comum, credita, como terra de origem do Papai Noel, a Lapônia, (Mas não vamos aqui discutir a origem do bom velhinho, mesmo porque ainda existem os que acreditam que ele vive no Polo Norte... e eu não mexo com crenças, nem com fantasias...)
Na noite de Natal, as famílias estonianas com crianças, costumam ter uma visita do Jõuluvana (Pai Natal, ou Papai Noel), que se desloca num trenó com as suas renas da Lapónia, Finlândia, para distribuir as prendas para os mais novos. As crianças com direito a prenda, têm de cantar ou recitar poemas, o mesmo aplica-se aos adultos. Para os mais indisciplinados, assim como para os pais, o Pai Natal traz uma vara, habitualmente sem uso.
Se por alguma razão o Pai Natal não chegar a todas as crianças, as prendas são levadas para debaixo da árvore de Natal pelos seus ajudantes, os pequenos Duendes. Cabe aos Duendes vigiar secretamente as crianças durante o ano todo e tomar as devidas notas, para o Papai Noel saber quem se portou bem ou mal.
No início do mês de Natal as crianças escrevem uma carta ao Pai Natal onde expressam o que gostariam de receber. A carta pode ser enviada por correio, para a Lapónia, ou deixada no peitoril da janela para os Duendes a entregarem ao Papai Noel. Também no peitoril, as crianças estonianas deixam cada noite de Dezembro as suas pantufas, para os Duendes colocarem prendinhas ou guloseimas dentro das pantufas. Este privilégio é destinado às crianças bem comportadas.
Durante o mês de Dezembro, as crianças aprendem as canções e poemas Natalinos, para na noite de Natal atuarem para o Papai Noel. Em Dezembro, decorrerão concertos e peças alegres em todas as escolas, creches e locais de trabalho dos pais, onde são distribuídas guloseimas e prendas para os mais novos.

Curiosidades:

A primeira Árvore de Natal público foi erguida na Praça do Município, em Tallinn, no ano remoto de 1441. A tradição de levar para casa uma árvore de Natal difundiu-se no país durante o século XIX. A árvore de Natal é um abeto verde. As primeiras decorações usadas na árvore de Natal eram brinquedos, doces, maçãs e, já mais tarde, velas.
A árvore de Natal mais famosa fica no centro de Tallinn, onde se realiza o mercado de Tallinn, famoso por sua feira natalina.


Tradições

Por que razão as pessoas os estonianos comiam (ainda há os que fazem isso) 7, 9, e mesmo 12 vezes, na Véspera de Natal?
Estes números eram mágicos, e a alimentação em excesso garantia fartura para o ano seguinte. Se os homens comessem sete vezes na Véspera de Natal dizia-se que no ano seguinte teriam a força de sete homens.

Por que razão a comida tinha de ficar em cima da mesa durante toda a noite?
Acreditava-se que os antepassados e outros espíritos apareciam em casa na noite de Natal, bem como na noite de Ano Novo e na Epifania.

Há 350 anos que existe na Estónia o costume de declarar a Paz de Natal
No dia 24 de Dezembro de cada ano, o Presidente da Estónia proclama a Paz de Natal e assiste a uma missa. Esta tradição iniciou-se no século XVII, por ordem da Rainha Cristina, da Suécia.


Pratos típicos

Uma ceia de Natal tipicamente estoniana
No Natal, é tradição os estonianos comerem carne de porco com chucrute, ou chucrute estônio (mulgikapsad), batatas cozidas, grelos de nabo e cabeça de porco, salsichas e chouriço de sangue, galantina de porco ou de vaca, salada de batatas com beterraba roxa e patês. Entre as sobremesas, os biscoitos de gengibre (piparkoogid) e o maçapão são os mais populares.
As bebidas mais apreciadas nesta época costumavam ser a cerveja e o hidromel fermentado em casa. A cerveja de hidromel fermentada no dia de S. Tomás tinha de durar até à Epifania. A fermentação da cerveja era trabalho dos homens, e tinha de ser começada a meio da noite, para que não lhe deitassem mau-olhado. A cerveja fazia-se com centeio, cevada, trigo e aveia. O malte de centeio era o ingrediente mais usado no fabrico da cerveja. Presentemente o vinho aquecido também se popularizou.

Abaixo você vai encontrar algumas iguarias tradicionais desta época para festejar o Natal à maneira dos estonianos.

Piparkoogid (biscoitos de gengibre)

250 gramas de mel ou de melaço
100 gramas de açúcar
50 gramas de manteiga
2 colheres de chá de mescla de especiarias (canela, cravinho, cardamomo, gengibre, noz-moscada),
um pouco de sal
1 ovo
300-500 gramas de farinha
2 colheres de chá de fermento em pó
Preparo: Ferve-se o melaço com o açúcar e a manteiga, sem nunca deixar de mexer. Juntam-se as especiarias e bate-se para arrefecer. Adiciona-se o ovo já batido e a farinha misturada com o fermento. Bater até conseguir uma massa sólida. Deixar repousar em lugar fresco. Enrolar a massa. Untar a grelha, enformar os bolos usando formas de biscoito (mais tipicamente a forma de estrela, coração, lua ou homenzinho) e colocá-los sobre a grelha para assar. Depois de prontos, os biscoitos podem ser decorados com o glacé colorido.

Patê de fígado

500 gramas de fígado de vitela
200 gramas de toucinho defumado
2 cebolas
2 cenouras
Pimenta, noz-moscada
1 copo de água
100 gramas de manteiga
Açúcar
Conhaque, aguardente ou rum
Preparo: Corta-se o toucinho e frita-se com os vegetais cortados às rodelas. Adiciona-se o fígado cortado em fatias e mexe-se até a mistura adquirir a cor castanha. Juntar a água e os temperos e deixar ferver até todos os ingredientes ficarem macios. Passar pelo passe-vite. Acrescentar a manteiga e bater. Colocar em tigelas e armazenar num local fresco.


Rosolje (Salada de batata com beterraba)

700 gramas de beterrabas cozidas
400 gramas de batatas cozidas
200 gramas de cenouras cozidas
1 arenque não muito salgado (pode ser salmão)
1 ou 2 pepinos em vinagre
200 gramas de carne de porco ou de vaca, assada.
2 a 3 ovos cozidos
6 dl de requeijão
Sal, conforme o paladar
½ colher de chá de mostarda
Um pouco de açúcar
Cebolinhas para enfeitar
Preparo: Salada para 10 a 12 pessoas. Esta salada contém uma abundante quantidade de beterraba roxa cozida, cujo sabor adocicado combina bem com o arenque salgado e os pepinos em vinagre. Descascar as batatas, as cenouras e as beterrabas; descascar as maçãs e tirar-lhes o caroço. Cortar o arenque às fatias, tirando a pele e até as espinhas mais pequenas. Cortar tudo (exceto os ovos), em cubos muito pequenos. Preparar um molho com o requeijão, a mostarda, o sal e o açúcar. Despejar os ingredientes dentro do molho e deixar tapado no frigorífico durante uma ou duas horas; tirar uma hora antes de servir à mesa. Pôr um monte de salada em cada prato, cobrir com os ovos cortados em rodelas muito finas e decorar com as cebolinhas cortadas.

 Sült (Galantina de porco ou de vaca)

2 a 2,5 quilos de carne de porco ou vitela com ossos e peles (podem acrescentar-se pezinhos de porco ou mão de vaca)
1 cebola amarela cortada com a casca (para dar cor)
1 cenoura, cortada
8 a 10 grãos de pimenta
6 grãos de pimenta da Jamaica
1 folha de louro
Sal
Preparo: Lavar a carne e metê-la numa caçarola com água fria. Deixar levantar fervura e ferver durante 1 ou 2 minutos; despejar a água e lavar a carne e a caçarola, de modo a que não fique espuma. Despejar água limpa a ferver sobre a carne e deixar em fogo brando, sem a tampa, até que a carne se desligue dos ossos (3 a 4 horas). Não ferver demasiado depressa, se não a galantina não ficará transparente. Tirar a gordura à medida em que ela for subindo à superfície, e acrescentar mais água a ferver, se necessário. Ao fim de uma ou duas horas, juntar a cenoura e a cebola, as especiarias e 2 a 3 colheres de chá de sal durante os últimos 10 minutos. Retirar a carne, deixar arrefecer e cortar em pedaços pequenos. Coar o caldo, pôr a carne e o caldo numa panela e adicionar uma boa dose de sal, porque o arrefecimento atenua o gosto. Ferver outra vez, deixar arrefecer durante alguns minutos e colocar em formas ou em pequenas tigelas, previamente passadas por água fria. Cobrir com folha de plástico ou de alumínio e guardar num local fresco. A galantina tanto se serve ao jantar, acompanhada com batatas quentes, como num buffet frio. Em qualquer dos casos acompanha-se com mostarda, vinagre suave ou rábanos em vinagre.

 Verivorst (Chouriço de sangue)

1,25 quilos de grãos de cevada com casca
750 gramas de carne (toucinho defumado)
200 gramas de cebolas
Sal, pimenta
Manjerona, orégano, cominho
½ litro de sangue
Cerca de 10 metros de tripas
Preparo: Meter as sêmolas lavadas em água quente salgada e ferver até fazer uma papa. Cortar o presunto em bocados pequenos e fritá-lo com rodelas de cebola até alourar, juntar aos grãos de cevada e ferver até obter uma papa. Depois de arrefecer, adicionar o sangue e os temperos. Encher as tripas com a mistura, mas não muito, porque o sangue e os grãos de cevada incham com a fervura. Atar as pontas das tripas com cordel macio. Meter os chouriços em água morna e fervê-los lentamente durante cerca de 30 minutos. Arrefecer rapidamente os chouriços e guardá-los em lugar fresco. Servem-se fritos ou assados no forno. Antes de fritar, mergulhar os chouriços em água quente. Serve-se com toucinho fumado frito, doce de arandos e mirtilos vermelhos ou salada de abóbora.

Uma tradição mais antiga era a preparação da chouriça branca, mais tarde substituída pelo chouriço de sangue. A chouriça branca leva os mesmos ingredientes, exceto o sangue.

 Mulgikapsad (Chucrute estônio)

1 quilo de chucrute
½ copo de grãos de cevada descascada
400-500 gramas de toucinho defumado
1 a 2 cebolas
Sal, açúcar
Água
Preparo: Meter o chucrute numa caçarola com a cevada e carne. Cobrir com água e estufar tapado. É importante que a água não ferva. Adicionar sal e açúcar. Cortar as cebolas em pequenos cubos e fritá-las num pouco de gordura ou de azeite. Em seguida, juntá-las ao chucrute. O chucrute estónio serve-se com carne de porco e batatas cozidas.

 Karask (Bolo torrado)

¼ de litro de leite fermentado
1 ovo
1 colher de chá de sal
1 colher de chá de açúcar
2 colheres de chá de azeite ou outra gordura
I colher de chá de cominho
1 copo de farinha de cevada
¾ de copo de farinha de trigo
1 colher de chá de fermento
Preparo: Bater o ovo com o sal e o açúcar, adicionar o leite fermentado, a gordura derretida, os cominhos e a farinha grossa com o fermento. Amassar até conseguir uma massa leve e macia. Colocar a massa numa forma untada com gordura e levar ao forno. Serve-se com manteiga, mel ou doce de arando.

 Maçapão

150 gramas de amêndoas
1 clara de ovo
150 gramas de açúcar em pó
Preparo: Pelar as amêndoas e moê-las tão fino quanto possível. Misturar as amêndoas moídas com a clara de ovo e mexer até obter uma massa uniforme, juntando o açúcar aos poucos. Bater a massa até esta atingir uma elasticidade consistente.

A massa usa-se na decoração de bolos e de doces. Segundo uma lenda, o maçapão foi criado acidentalmente em Raeapteek, uma botica de Tallinn, e recebeu o nome de Pão de Martinho. Atualmente, este doce é produzido pela Confeitaria Kalev.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Candy Cane – As bengalinhas de açúcar do Natal


Eis que chegou dezembro. E eu amo dezembro por vários motivos... o aromas e os sabores das festas e as decorações natalinas são dois deles. Falando em decoração, o post de hoje vem falando de um elemento decorativo para esta época, mas que também é comestível: The candy cane, ou simplesmente, as bengalinhas de natal.


Um dos mais frequentemente usados símbolos de Natal, as bengalinhas de doce, podem ser vistas em muitas decorações pelo mundo. Sua origem remonta há mais de 350 anos, quando os doceiros e baleiros profissionais (e até os amadores) se dedicaram na fabricação desses doces. Mas, inicialmente, eles não eram como os conhecemos hoje (na forma de uma bengala listrada), o doce original era em linha reta e totalmente de cor branca.



O nascimento do Candy Cane

Por volta do século XVII os europeus cristãos começaram a adotar o uso da árvores de natal como parte de suas celebrações de Natal. Eles faziam decorações especiais para suas árvores a partir de alimentos como biscoitos e doces açucarados (tipo pirulitos).




A primeira referência histórica de um candy cane (na forma que conhecemos hoje) remonta a 1670, quando o maestro da Catedral de Colônia, na Alemanha, dobrou os paus de açúcar (lembre-se, inicialmente o doce era uma linha reta branca, que parecia um pedacinho de pau coberto pela neve) para representar um cajado de pastor. Assim os bastões acabaram ganhando a forma de bengala, mas ainda eram brancos, e foram entregues às crianças durante os serviços das festas natalinas daquele lugar.


O costume dos clérigos de distribuir os bastões de doces durante o Natal se espalhou por toda a Europa e mais tarde veio para a América. Mas, ainda assim, os cajados continuaram brancos - às vezes os doceiros acrescentavam açúcar-rosa para decorar mais os doces. .
A primeira referência histórica para este tipo de doce na América remonta a 1847, quando um imigrante alemão chamado August Imgard decorou a árvore de Natal de sua casa em Wooster (Ohio) com estes cajados de açúcar.






O doce, suas cores e listras

Cerca de cinquenta anos mais tarde da chegada de August Imgard, os primeiros candy canes listrados em vermelho e branco apareceram. Ninguém sabe exatamente quem inventou as listras...
Os cartões de Natal antes do ano de 1900 mostravam apenas candy canes branquinhos, mas depois dos anos de 1900 os Cartões de Natal já mostravam estes doces listrados – nesta mesma época, os doceiros (e baleiros) fizeram os doces com sabor de hortelã (uns até os fabricavam com listras verdes) – e surgia assim o sabor tradicional do candy cane natalino.


O aparecimento do doce proporcionou a criação de uma lenda que dizia que um fabricante de doces de Indiana projetou o bastão de doces para contar a verdadeira história do Natal - uma história sobre uma virgem que deu à luz a um pastor que daria a Sua vida por ovelhas. 
Existem muitas lendas e crenças para identificar as bengalinhas de natal como elemento misterioso. Muitas delas retratam o doce como um símbolo secreto para o cristianismo - usado durante os momentos em que o Cristianismo estava vivendo momentos de opressão. Podemos encontrar outros tantos simbolismos no formato e cor das bengalinhas de açúcar. Alguns deles serão listados a seguir:

·         Para alguns, a doçura, nos lembra que somos alimentados com o Evangelho que nos conforta e avisa sobre nossa salvação e paz (Ef 1:13; 6:15);

·         Dizia-se que a o doce tinha a forma de um "J" para identificar Jesus, o “Bom Pastor” (A Bíblia frequentemente compara as ações do Messias às de um pastor em busca de suas ovelhas perdidas, alimentando-as, levando-as suavemente, e carregando-as no seu seio (Sl 23; Jo 10:1-18 , é 40:11, Jer 31:10; Miquéias 5:04, Hb 13:20). E também servia para representar as primeiras pessoas que ouviram falar do nascimento de Cristo: os pastores, que guardavam os seus rebanhos durante a noite da natividade (Lc 2:8-20);

·         Alguns dizem que o branco (dos primeiros bastões açucarados) representava a pureza de Jesus, o seu nascimento virginal (Mt 1:23; Lc 1:34-35). E a faixa vermelha, mais tarde acrescentada, representaria o amor de Deus.

·         As listras vermelhas e brancas representavam o sangue e a pureza de Cristo. As três listras vermelhas simbolizava a Santíssima Trindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo (Outros dizem que eles representam o sangue derramado no espancamento que Jesus recebeu pelas mãos dos soldados romanos).
 
·         A dureza do doce lembra-nos que Jesus é a nossa rocha de refúgio (Dt 32:4, 15, 18, 1 Sam 2:2; 2 Sam 22:32, 47; 23:3; Salmos 18:2, 31; 28 : 1; 92:15; 94:22; 95:1; Is 44:8). Em terras rochosas como as de Israel, muitas vezes as pessoas buscaram abrigo dos seus inimigos nas cavernas ou penhascos rochosos. Rochas também nos fazem lembrar da solidez das promessas de Cristo, que é uma pedra preciosa e firme do alicerce para a casa do Senhor, para aqueles que O seguem – e que pode ser uma "pedra de tropeço e rocha de escândalo" para aqueles que rejeitam o Seu dom da paz (1 Pe 2 :6-8). A dureza ainda representaria a fundação da Igreja;

·         E o sabor de menta representaria o uso de hissopo, uma erva referenciada no Antigo Testamento, que é semelhante a hortelã. Nos tempos do Antigo Testamento, o hissopo era associado com purificação e sacrifício. Durante as primeiras celebrações da Páscoa, um feixe de hissopo foi usado para manchar com o sangue de cordeiros pascais as fachadas das casas para que o anjo da morte poderia levar os ocupantes daquele lugar (Ex 12:22). Feixes de hissopo também foram usados para borrifar o sangue em adoradores e objetos de Mosaico em rituais de purificação (Ex 24:6-8; Lev 14:04, 49-52). Depois de seu caso com Bate-Seba, o rei Davi apelou para a misericórdia de Deus clamando: "Purifica-me com hissopo, e ficarei limpo; lava-me e ficarei mais alvo do que a neve" (Sl 51:7). Esse sabor de hortelã-pimenta (Peppermint) nos lembra que Jesus é o nosso Cordeiro Pascal (1 Co 5:7). Seu sangue nos purifica do pecado e destrói o poder da morte (Oséias 13:14, 1 Coríntios 15:54-57, Hb 2:14-15; Rev 20:06).
Hissopo (Hyssopus officinalis)
O candy cane tradicional tem 3 pequenas listras vermelhas, sua simbologia diz que serve para nos lembrar os golpes que Cristo levou dos soldados e a faixa maior, representaria o sangue derramado por Cristo a caminho do Calvário (Is 53:5; Mt 27:32-50).
Algumas pessoas dizem que as três listras pequenas honrar a Santíssima Trindade, enquanto a faixa maior nos lembra do único e verdadeiro Deus. Outros afirmam que as pequenas listras representam os nossos mini paixões ou sofrimentos e a grande faixa simboliza a paixão de Cristo. Os doces que se apresentam com faixa verde representem que Jesus é um presente de Deus para nós. (Verde é a cor da dádiva.)
Não há evidências históricas para fundamentar estas alegações, muito pelo contrário, mas estas são lindas interpretações, não acham? E foi justamente um padre católico, chamado Gregory Keller, quem inventou uma máquina para automatizar a produção das bengalinhas de açúcar durante a década de 1950 – o que foi uma maravilha, porque originalmente é um doce trabalhoso para ser feito.



Gregory Keller, inventor da Keller Machine, fez esta máquina que revolucionou a produção de candy cane a pedido de seu irmão. Em 1950, 22% da produção das bengalinhas produzidas na Bobs Candies, a fábrica de doces de seu irmão, se quebrava, e uma vez que isso acontecia os doces quebrados eram jogados fora. Assim, Bob McCormack, dono da Bobs Candies, pediu a seu irmão, o padre Gregory Keller, para tentar inventar uma máquina que não iria quebrar os doces.
Criativo, o padre Keller inventou a máquina Keller seis meses depois. A máquina torcia o doce suavemente em uma espiral e depois, ainda, cortarva o doce. Antes do surgimento da máquina de Keller, todo o procedimento era feito à mão. Com a ajuda do padre, Bob McCormack tornou-se, em 1956, o maior produtor de candy cane de hortelã do mundo, como proclamado pelo Albany Herald. A máquina aparentemente com um serviço simples, tornou o negócio da família em um sucesso de milhões de dólares.



Hoje em dia, quando chega o natal, é fácil encontrar estas bengalinhas nas lojas de doces, e nas lojas de decoração (mas neste caso, pelo menos no Brasil, os candy canes não são comestíveis).
Pensando na trabalheira que dá para fazer o doce (primeiro é feito uma calda de açúcar com glucose, ou xarope de milho [mel karo] depois é dividida, tingida e puxada até ficar cristalina, para depois ser moldada e ser colocada para secar), fui atrás de uma receita que fosse prática e servisse de “genérico” para aquelas pessoas que não encontrassem os candy canes na sua cidade (afinal o Brasil é continental) mas, que gostaria de dar uma up grade na decoração da árvore. Então encontrei uma receita fácil de fazer – não fica tão bonito como o doce original, mas é legal pra interagir com as crianças, que podem fazer o doce e enfeitar os pinheiros. E, de quebra, deixo um drinque interessante, que também faz alusão aos candy canes.

Candy Cane Punch

2 potes grandes de geleia de morango (cada um com 300g, ou mais)
2 litros de refrigerante lima-limão (Sprite ou soda limonada)
! pote de sorvete de hortelã
Candy Canes para decorar

Preparo: Em uma panela grande leve ao fogo a geleia com 1 litro de refrigerante e dissolva a geleira, deixe ferver, em seguida leve a mistura para gelar. Pouco antes de servir, coloque a mistura de geleia em uma poncheira, mistures com o litro de refrigerante restante e acrescente bolas do sorvete de hortelã delicadamente em cima do liquido. Decore com candy canes.  Rendimento: 3-1/2 litros.

Obs.: Para fazer o ponche com álcool, use os mesmos ingredientes da receita acima e adicione, antes de colocar o sorvete, 300ml de vodka e 180ml de peppermint schnapps, misture e depois acrescente o sorvete para servir.

Candy cane genérico

225g de açúcar de confeiteiro;
1 clara batida
Essência de menta
Corante verde e vermelho
Maisena para enrolar.


Preparo: Peneire o açúcar numa vasilha e junte a clara batida aos poucos, até formar uma pasta firme. Adicione a essência de menta a gosto e amasse suavemente. Divida a mistura em quatro partes iguais, deixe duas partes brancas e numa das restantes junte o corante verde ena outra, o vermelho. Embrulhe cada uma em papel filme até a hora de usar. Numa superfície polvilhada com maisena, faça rolinhos finos e compridos, de 6mm de largura, com cada massa. Trance um rolinho colorido junto com um rolinho branco. Então, enrole sobre a superfície enfarinhada até formar cordas listradas. Repita a mesma operação com os outros rolinhos. Corte-as no comprimento de 15 cm e coloque em assadeira forrada com papel manteiga. Deixe secar. 

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Crítico Gastronômico é o Car(v)alho!!!

Minhas conversas com a baronesa do Crato de Açúcar sempre são produtivas. Ontem à noite passamos horas conversando, ao telefone, e discutimos sobre quase tudo – falamos tanto que a ligação caiu (mas isso pode até parecer piada, considerando que as operadoras de telefonia móvel no Brasil andam deixando a desejar). Incluído neste “tudo” entrou um assunto instigante que me levou a querer escrever isto que vocês leem. Aliás, esta será mais uma das postagens desta confraria que dedico a baronesa do Crato de Açúcar – e o faço com prazer.
Estávamos conversando sobre as venturas e desventuras de se escrever críticas gastronômicas e chegamos à conclusão de que: se faz realmente necessário um conhecimento de causa, muitas outras experiências, para um sujeito ser um bom crítico gastronômico. 
Infelizmente, com a explosão que a gastronomia vem tendo na mídia, surgiram muitos “entendidos” sobre o assunto – e estes dizem que estão discutindo gastronomia. Mas, para aqueles que realmente entendem do assunto sabem, perfeitamente, que os “entendidos” estão falando é de culinária. Nessas horas, eu tenho vontade de gritar: Crítico gastronômico é o Car(v)alho!!! 





A gastronomia é ampla, abrange muita coisa... história, cultura, terroir e pode até fazer o sujeito transcender o alimento e as suas necessidades fisiológicas com a alimentação e com as bebidas. Já a culinária é restrita – é a técnica, os preparos, os ingredientes, os serviços e a apresentação do que, de fato, se come e se bebe. Mas existe regra pra se tornar um crítico gastronômico?
 Atire seus garfos e facas no chão aquele que nunca se imaginou degustando as iguarias que os críticos “gastronômicos” comentam em suas colunas, nas mais variadas mídias. Jogue seu guardanapo no chão aquele que, pelo menos uma vez na vida, não saiu de sua casa e foi visitar um empreendimento gastronômico, não importando o tipo, instigado por uma dessas sugestões críticas. Ser sugestionado não é o problema. O problema, se é que ele existe, talvez esteja na falta de conhecimento que essas pessoas que dizem escrevem sobre gastronomia possuem (ou não) e na forma como elas empregam suas impressões, na escrita, para se colocar abancados na mesa do Olimpo, ditando modas e gostos.
Este meu pensamento vai de encontro com o que Ruth Reichl (2001) defende na sua obra deliciosa, intitulada de “Conforte-me com maçãs- Amor, Aventura e os Prazeres da Mesa”, onde ela diz: “Você pode ser um crítico decente se tiver bons conhecimentos sobre cozinha, mas para ser realmente um bom crítico precisa ter conhecimentos sobre a vida”. Desta forma só me resta concluir que o ponto chave é experiência - ter e proporcionar (Ah, a Ruth Reichel, pra mim, é um dos raros exemplos de crítico gastronômico de qualidade. Saiba mais sobre ela AQUI)


Ruth Reichl


A frase de Reichl expressa perfeitamente a fusão da cena gastronômica mundial da atualidade, bem como identifica o perfil daqueles que se permitem trabalhar com ela: Há os que realmente discutem os sabores, seus afins, suas influencias, seus impactos [socioculturais, econômicos, religiosos, geográficos, etc.] chegando a uma quase filosofia do gosto - Brillat-Savarin deve ficar satisfeitos com críticos deste porte; Mas, também existem aqueles que apenas escrevem... (não vou nem me preocupar em adjetivar estes). Infelizmente, os críticos deste último tipo, são limitados, não conseguirão nunca ir de um extremo ao outro porque não se dão conta do que realmente trata a gastronomia; e veem seu ápice na análise de menus suntuosos, que custam os olhos da cara, nos lugares mais elitizados, e só...


Outros dois livros deliciosos da Reichl
Eu vivo defendendo (já escrevi isso nos meus artigos científicos) que os pesquisadores e os historiadores são tão responsáveis pela perca da literatura gastronômica - não me refiro aos textos de culinária-, quanto são responsáveis os administradores das mídias por colocar pessoas que tem uma “queda” pelo assunto para escrever sobre.
A história deixou a gastronomia de lado por achar que isso não era assunto de relevância, e preferiu escrever sobre cataclismos, guerras, política, corrida armamentista, armas nucleares, etc. E foi se despreocupando com as transformações que a alimentação veio causando no mundo... Por sorte, hoje em dia, os estudos culturais voltam seus olhos pra gastronomia, e produzem escritos que mostram a gastronomia como um elemento importante para uma nação; que ela pode registrar a identidade de um povo, sua cultura e seu patrimônio.
Os tratados gastronômicos da antiguidade clássica deram lugar a livros de receitas vazios, sem alma. Salvo, algumas publicações, como as de cunho cientifico e outras raras exceções, onde o autor embasado por uma boa pesquisa, pela sua noção de culinária e por sua experiência de vida no mundo gastronômico consegue escrever um texto com tanto tensão que a gente chega a perceber os aromas e os sabores só com a imaginação. Mas isso é raro!!!
Eu gostaria de aproveitar este espaço, e pedir uma coisas aos críticos gastronômicos (seja os bons ou os ruins): não se prendam aos modismos. É maçante, pro leitor, ler sobre as mesmas coisas - a gastronomia molecular já foi febre e atualmente a gastronomia funcional tem sido a princesinha dos olhos de vocês. Tudo bem. Mas não existe só isso no mundo gastronômico. Sem contar, e sem querer levar para o lado negativo nem da ofensa, que a grande maiorias dos senhores já não compreendem perfeitamente a amplidão da gastronomia; pra que querer mostrar que entendem de reações físico-químicas e ficar procurando adjetivos para dar as criações mirabolantes dos chefs, quando vocês não entendem daquele processo?
Tenho a nítida impressão de que está havendo uma massificação (vai ter aqueles que preferem ler popularização) do termo gastronomia sendo utilizado de forma errônea por pessoas que escrevem sobre culinária. E por mais que digam, por estas paragens brasileiras, que o Food Writer (é aquele que só escreve sobre a comida ou bebida que ele gosta) ainda é uma profissão pouco difundida por aqui, os textos que se encontram a disposição dos brasileiros só comprovam que os Food Writer existem aos montes por aqui, e ele acabam sendo considerado como crítico gastronômico (este pode ser compreendido friamente como um tipo de agitador cultural, que avalia menus, suas construções, composições e apresentação dos pratos, mesmo que ele não goste do que foi provado). A própria mídia digital é cheia de food writers, que criam canais a todo instante para dar suas impressões sobre a comida e seus afins.



A meu ver um crítico gastronômico de qualidade, não precisa ser um exímio jornalista – até aboliram o diploma para esta categoria no Brasil -, mas precisa sim, ter técnica na escrita, prática na cozinha e bom bocado (de preferência bem grande) de experiências de vida no mundo gastronômico, para que tudo isso possa lhe render histórias cheias de vida, com gosto de quero mais – e não um simples, recomendo ou não recomendo. 
Mas como pretensão e água benta cada um usa na quantidade que quer, lá vai: ao que me parece, os “críticos gastronômicos” querem mesmo é ter esta atividade como hobby, pra se deleitar seja lá com o que for. Até porque o que não for bom pode não virar matéria, ou  vira – e acaba com a reputação de um lugar, de um chefe, de uma região – pode até acabar com a vida dele também (risos – Eu sou tão dramático!!!). Não obstante existem ainda os casos daqueles que querem visibilidade instantânea e se juntam a um renomado chef pra escrever – espertinhos estes!
Já que a gastronomia teve um boom na última década, e com o surgimento de mais cursos sobre o assunto e os olhos dos empreendedores voltados para o filão gastronômico, seria demais pedir para os profissionais da “escrita gastronômica” estudarem um pouquinho? Digo isso porque eu encontro nas minhas leituras, termos e funções utilizados no mundo gastronômico sendo utilizados de forma incorreta por alguns críticos (tá, não quer estudar, compre, pelo menos, um bom dicionário de gastronomia). E o negócio só piora, quando resolvem falar de vinhos (tenho até medo de comentar...).



Se algum critico ler estas minhas considerações, vai me criticar – com certeza. Mas, pelo penos, eu ainda tenho uma coisinha pra oferecer aos leitores desta confraria: eu  tenho me enveredado pela culinária desde os 12 anos de idade; me interesso e me dedico aos estudos culturais da gastronomia na atividade turística; também faço “merdas’ na cozinha de vez em quando; não sou bilionário pra andar comendo nos mais caros restaurantes do mundo, mas sei o que é bom de fato (pela técnica, pelo gosto, pela apresentação, pelos ingredientes); gosto da inovação e da criatividade na cozinha moderna, mas não dispenso o charme, o glamour e o gosto oferecido a mim pela cozinha clássica; Hierarquias são apenas funções – um dia você está, no outro não; e eu vim ao mundo para fazer diferente (eu sei  tanto do que eu não gosto que me chega a doer. E eu não gosto de gente metida que não sabe se fundamentar pra falar de uma coisa que eu conheço, que eu vivencio). Desculpa aos incomodados (e acomodados)...
Depois deste desabafo, melhor eu ir pra cozinha preparar “qualquer” coisa pra comer , ao som de Roberto e Bethânia cantando desabafo ...

Janson's Temptation da Ruth Reicl

(retirado de The Gourmet Cookbook, 2004)
serve 5

Esta é uma daquelas receitas que era muito popular na década de sessenta e, em seguida, desapareceu. Mas a combinação de batatas com a riqueza do creme e o estalar de anchovas é bastante notável, e ultimamente eu tenho feito muito isso. É melhor com batatas avermelhadas.

5 batatas, em fatias finas
2 cebolas em fatias finas
1 lata de anchovas
1/2 barra de manteiga (=100g)
1 1/2 xícaras de Half and Half (é um produto norte-americano composto de metade de creme de leite e a outra metade de leite gordo. Você em casa, pode fazer o mesmo, misturando as quantidades desses ingredientes pela metade)

Preparo: Pré-aqueça o forno a 350 graus. Unte uma assadeira. Coloque metade das batatas, depois as cebolas, em seguida, as anchovas depois a outra metade das batatas. Coloque a manteiga aos pedaços por cima das batatas e leve ao forno por 10 minutos. Adicione metade do half and half e leve ao forno por mais 10 minutos. Adicione o restante do creme e leve ao forno por uma hora e meia mais.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

A origem Grega da Cheesecake


Hoje em dia as pessoas se dedicam muito pouco à cozinha. Sei, perfeitamente, que a correria do dia-a-dia ajudou nesse afastamento das pessoas com a cozinha, mas para mim acho que tem mais motivos para isso ocorrer... e a indústria, percebendo isso, desenvolveu inúmeros produtos para os “preguiçosos e sem-tempo”: purês instantâneos, cortes de carnes temperados e pré-cozidos, massas que só precisa aquecer, peças de carne “festiva” que só precisam ser assadas, etc. Não que eu não utilize alguns desses ao longo dos dias, mas não tem comparação com o sabor da comidinha caseira. 
Outro dia a preguiça me bateu, e fui comprar uma dessas sobremesas prontas de uma marca famosa no Brasil ... quando abri a caixa eu encontrei um aliem lá dentro – sim, porque aquilo era tudo, menos o doce que a embalagem mostrava que era. O gosto não era de todo ruim, mas foi caro pra chegar em casa, transportando o negócio com tanto cuidado pra encontrar aquela mistureba. Com este contexto eu vim valor hoje uma sobremesa rápida e prática, a Cheesecake.



A cheesecake – o bolo de queijo -, é uma dessas coisinhas que agrada todos os paladares, não é um doce pesado e é rápido de ser feito. E pode ser combinado com os recheios coberturas mais variados – pra não ter aquela desculpa de não fazer. Muita gente acha que ela é uma invenção norte-americana; Mas estão redondamente encanados...
Vasculhando os livros de história, descobri que o bolo de queijo pode ter sido uma criação da ilha grega de Samos. Esta conclusão é baseada em informações de antropólogos e físicos que fazendo suas pesquisa naquele lugar encontraram formas de queijo lá, datadas de 2000 a. C – certamente que o queijo e os produtos com queijo já eram conhecidos daquela região a muito mais tempo, milhares de anos antes disso.
No entanto, ainda na Grécia, que a cheesecake era considerada uma boa fonte de energia, e haveriam evidências de que ela era servida aos atletas durante os primeiros Jogos Olímpicos, na Ilha de Delos, em 776 a.C. A cheesecake também era velha conhecida das noivas e noivos gregos que a usavam como bolo de casamento. Naquele época a receita consistia em farinha de trigo, mel e queijo que eram misturados e formavam um bolo que era cozido - muito longe de as receitas disponíveis hoje!
Ao escritor grego Athenaeus é creditado a primeira receita do cheesecake grego em 230 a.C. A receita também era muito prática – uma libra de queijo suave e pastoso era batido numa panela de latão com mel e farinha de trigo da primavera – a massa era levado ao calor para se solidificar, e era servido frio.
Quando os romanos conquistaram a Grécia, a receita da cheesecake veio como um despojo de guerra. Eles ainda a modificaram incluindo queijo picado e ovos. Estes ingredientes misturados com farinha e mel eram misturados e assados em um tijolo quente – e também era servido quente.
Os romanos chamavam seu bolo de queijo " libuma " (ou libum) e servido em ocasiões especiais e para acalmar os deuses. Marcus Cato, um político romano, é creditado como gravar a receita da cheesecake romana mais antigo conhecido.



 Alan Davidson, autor do Oxford Companion to Food, escreveu que, a "cheesecake foi mencionado por Marcus Porcius Cato's na obra De re Rustica, por volta de 200 a.C., onde Cato vai descrevendo o preparo do libum, com resultados muito semelhantes as cheesecake moderna".
Como os romanos expandiram seu império, eles trouxeram receitas de bolo e espalhou pelo continente europeu. Assim, a Grã-Bretanha e Europa Oriental começaram a experimentar suas maneiras de fazer a sua própria receita de cheesecake. Em cada um dos países Europeus, as receitas começaram a tomar formas diferentes por conta das identidades culturais distintas, usavam ingredientes nativos de cada região.
Em 1545, o primeiro livro foi impresso. Ele descrevia a cheesecake como um alimento doce à base de farinha. Naquele tempo o chef Henry VIII deixou sua contribuição nesta mudança da receita original - o chef cortava queijo em pedaços muito pequenos e os embebia no leite por três horas. Então, ele batia a mistura ainda adicionou ovos, manteiga e açúcar.
Não era conhecido na América até o século XVIII, naquela época, os europeus começaram a usar ovos batidos em vez de levedura para fazer seus pães e bolos crescerem. Por não ter o sabor avassalador do fermento viram na cheesecake um deleite de sobremesa. Quando os europeus imigraram para a América, alguns trouxeram suas receitas junto.

Um ingrediente que deixou sua assinatura na Cheesecake

O ingrediente essencial da cheesecake é, obviamente, o queijo. Porém, vários são os tipos encontrados em receitas através dos tempos. O queijo cremoso (Cream cheese0, o queijo Francês Neufchâtel, o cottage e a ricota.


Cream Cheese
O queijo Neufchatel é similar ao Camembert - tem um formato de coração
No entanto o Cream Cheese acabou se tornando o mais famoso entre eles, e é o mais utilizado nos dias de hoje. Em 1872, William A. Lawrence, de Chester, NY, acidentalmente, desenvolveu um método de produção de fazer cream cheese na tentativa de tentar reproduzir um queijo francês chamado Neufchatel. William Lawrence distribuiu sua marca em embalagens de folha de 1880 sob o nome de Império Company. William Lawrence começou a distribuir o seu queijo cremoso em papel alumínio. Ele chamou seu queijo PHILADELPHIA Marca Cream Cheese, agora uma marca famosa. Sua empresa, a Cheese Company Empire of South Edmeston, New York, fabrica boa parte da produção do cream cheese mundial.



Em 1903, a Phoenix Cheese Company, de Nova York comprou o negócio e com isso a marca Philadelphia. Mais tarde a marca PHILADELPHIA Cream Cheese foi comprada pela Kraft Cheese Company em 1928. Kraft Foods ainda detém e produz PHILADELPHIA Cream Cheese hoje. James L. Kraft inventou o queijo pasteurizado, em 1912, e que levou ao desenvolvimento do Philadelphia cream cheese pasteurizado da marca, agora é o queijo mais popular usado para fazer cheesecake atualmente.



A cheesecake americano é normalmente constituída por uma base de bolacha, um recheio à base de queijo, creme e ovos, e uma cobertura de fruta. Este cheesecake é cozido no forno, no entanto existem inúmeras variações da receita, entre as quais as que são compostas por cremes, queijo e gelatina e não necessitam de forno.
Apesar de ter nascido na Grécia há muito tempo, a cheesecake só se popularizou nos anos 1970, quando era uma das sobremesas mais populares dos Estados Unidos, e principalmente, de Nova Iorque.
Existem milhares de receitas de cheesecake por aí. O que mais impressiona é a variedade de ingredientes que podem ser acrescentados à massa básica de queijo, à sua base crocante e à cobertura, sem que seja descaracterizado o sabor delicioso do queijo.

Quando as cheesecakes vão ao forno...

A receita mais tradicional que podemos encontrar, a mãe de todas as outras e o ponto de partida para nossas viagens criativas, é aquela que começa com o queijo cremoso misturado com açúcar e ovos, colocado sobre uma base de bolachas e levado ao forno; sendo então coberto por uma deliciosa geleia tão logo esfrie.
Entretanto, para que a mágica aconteça, existem alguns pontos importantes a serem observados e seguidos, que devem ser levados à risca para a perfeita execução da cheesecake, ou seja:
O queijo deve ser retirado da geladeira com pelo menos 1 hora de antecedência, para que sua textura fique bem macia, de fácil manuseio. Tente utilizar o melhor queijo que puder encontrar, pois ele é a alma da receita. Quando levar à batedeira, faça-o por pelo menos 10 minutos, a fim de homogeneizar o creme. Quanto mais macio e liso, melhor o resultado.
O forno é um outro capítulo importante. Como a estrutura do bolo é dada pelos ovos que são acrescentados à massa, uma temperatura muito alta de forno fará com que as proteínas das gemas e claras se coagulem muito rapidamente, fazendo com que a textura fique dura e granulada. O ideal é assá-lo em forno muito baixo e a seco (100°C), ou a 160°C em banho-maria. Se você tiver tempo, tente assar a 100°C. Vai demorar umas 4 horas, mas o resultado é surpreendente.
Não abra a porta do forno enquanto o bolo assa. O vapor criado pelos líquidos da massa e/ou do banho-maria vão escapar e a superfície do bolo vai rachar.
A sua cheesecake estará pronta quando parecer firme, porém ainda balançar ligeiramente no centro. Não deixe que fique totalmente firme no forno. Se isso acontecer, quando a cheesecake esfriar e contrair, vai rachar bem no meio.  A receita básica da cheesecake admite muita criatividade. A seguir, confira algumas dicas de como se podem criar variações deliciosas.

Cheesecake assado

1 lata de leite condensado
3 gemas peneiradas
2 xícaras (chá) de queijo minas amassado com um garfo (290 g) ou outro queijo mole
3 claras batidas em neve
200 g de goiabada derretida em ¼ de xícara (chá) de água

Preparo: Em um liquidificador, coloque 1 lata de leite condensado, 3 gemas peneiradas e 2 xícaras (chá) de queijo minas amassado e bata bem até formar uma mistura homogênea. Transfira a mistura para uma tigela, adicione 3 claras batidas em neve e misture delicadamente. Em uma fôrma redonda (20 cm de diâmetro X 7 cm de altura) untada e enfarinhada, coloque a massa de queijo feita acima e leve ao forno médio pré-aquecido a 180°C por +/- 40 minutos ou até dourar. Retire do forno e deixe esfriar.  Desenforme, cubra a torta cheesecake com 200 g de goiabada derretida em ¼ de xícara (chá) de água e sirva em seguida.

Cheesecake sem forno

12 gramas de gelatina
500 gramas de cream cheese
50 gramas de açúcar de confeiteiro
3 gramas de essência de baunilha
80 gramas de gemas
90 gramas de açúcar refinado
500 gramas de creme de leite batido
Cobertura:
A calda que preferir

Preparo: Numa tigela, hidrate a gelatina em 60 gramas de água e reserve. Bata na batedeira o cream cheese com o açúcar de confeiteiro e a baunilha até ficar homogêneo. Retire e reserve. Coloque as gemas numa outra tigela da batedeira. Numa panela, ferva o açúcar refinado com 80 gramas de água. Tão logo atinja a temperatura de 120°C, despeje sobre as gemas, com a batedeira em funcionamento. Deixe bater até esfriar. Incorpore a gelatina dissolvida às gemas e, em seguida, a mistura de cream cheese reservada e finalmente adicione o creme de leite batido e misture. Distribua nas fôrmas, cubra com a geleia de sua preferência e leve ao freezer. No momento de servir, regue com a calda que preferir.

Cheesecake de chocolate

250 gramas de bolacha maria
8 e ½ colheres (sopa) de manteiga
300 gramas de chocolate meio amargo
2 ovos
10 colheres (sopa) de açúcar
1 colher (chá) de essência de baunilha
500 gramas de ricota peneirada
Açúcar de confeiteiro
Morangos

Preparo: Passe os biscoitos no processador, até obter um pó. Acrescente a manteiga (reserve 1 colher de sopa) amolecida e bata até obter uma mistura homogênea. Distribua a mistura em uma fôrma de aro removível de 24 cm de diâmetro forrada com papel-manteiga e untado com a manteiga reservada e aperte a mistura com o dorso de uma colher para formar uma base bem compacta. Ligue o forno à temperatura média. Coloque o chocolate em pedaços para derreter em banho-maria. Em uma tigela, bata as gemas com o açúcar e a baunilha, junte a ricota e, aos poucos, o chocolate derretido, mexendo sempre. Por último, incorpore as claras, batidas em neve com sal, mexendo delicadamente. A seguir, despeje a mistura na fôrma. Leve ao forno médio por cerca de 1 hora, ou até que o recheio fique firme. Retire, deixe amornar e leve à geladeira, até ficar firme. No momento de servir, desenforme e polvilhe com o açúcar de confeiteiro. Decore com os morangos.

Cheesecake de limão

Massa:
150 gramas de biscoito maisena triturado
5 colheres (sopa) de manteiga derretida
Recheio
3 colheres (sopa) de suco de limão aquecido
2 colheres (chá) de gelatina em pó pó incolor e sem sabor ou 2 colheres (sopa) de gelatina diet sabor limão (10g)
2 xícaras (chá) de queijo branco light picado
1 pote (200 g) de iogurte desnatado
½ xícara (chá) de leite desnatado
3 colheres (sopa) de raspas de casca de limão
raspas de casca de limão para decorar

Preparo: coloque os biscoitos numa tigela, junte a manteiga e 3 colheres (sopa) de água. Misture bem até obter uma massa homogênea. A seguir, forre com a massa o fundo de 10 assadeiras, de 8 cm de diâmetro cada uma. Ou use uma assadeira de aro removível de 25 cm de diâmetro. Deixe na geladeira por 30 minutos, ou até ficar firme. Recheio: misture numa tigela pequena o suco de limão com a gelatina. Coloque no processador, junte o queijo, o iogurte e o leite e bata até ficar homogêneo. Misture as raspas de limão e espalhe sobre a massa gelada. Leve à geladeira por mais 2 horas, ou até o recheio ficar firme. Decore com raspas de limão.

Cheesecake de cappuccino

1 xícara (chá) de creme de leite
2 xícaras (chá) de leite
1 xícara (chá) de açúcar para o recheio, mais 2 colheres (sopa) para a cobertura
5 colheres (sopa) de margarina para a massa, mais 2 colheres (sopa) para a cobertura
2 colheres (sopa) de chocolate em pó
2 xícaras (chá) de bolacha maisena moída
gelatina em pó sem sabor e incolor
1 colher (chá) de canela em pó
4 colheres (sopa) de cappuccino
3 xícaras (chá) de ricota amassada

Preparo: misture em uma tigela os biscoitos, a margarina (reserve 1 colher de sopa) e a canela até obter uma massa úmida. Forre com a massa o fundo e as laterais de uma fôrma de aro removível com 21 cm de diâmetro untada com a margarina. Pressione bem com as pontas dos dedos e leve à geladeira por 30 minutos, ou até ficar firme. Recheio: Dissolva a gelatina de acordo com as instruções da embalagem e coloque no liquidificador. Junte o leite, o cappuccino, o açúcar, o creme de leite, a ricota e bata até obter uma mistura cremosa. Despeje sobre a massa e leve à geladeira por 3 horas, ou até o recheio endurecer. Cobertura: em uma panela, coloque a margarina, o chocolate, o açúcar e 2 colheres (sopa) de água. Assim que ferver, retire do fogo, deixe esfriar e regue a cheesecake.