sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Memórias gastronômicas de Frida Kahlo

Caros confrades, estimadas consórores, A vida não está fácil para ninguém e ponto. Ainda estou cá, me recuperando dos últimos acontecimentos desagradáveis que envolvem problemas de saúdes (meus e de outros membros da minha família), turbulências sucessivas quem aparecem para testar minha paciência e habilidades... E venho buscando força em tudo que possa me ajudar a olhar o lado positivo das dificuldades. Nessa caminhada encontrei uma “santa” nova pra me devotar.
Imaginem vocês que esta nova divindade, quando em vida, tinha uma natureza forte – como eu tenho –, passou por muitos problemas de saúde – como eu estou passando –, mas ela preferiu buscar um novo olhar sobre as circunstância e transformar a desgraça em beleza. E, apesar de tudo isso, ela ainda mantinha uma grande paixão pela gastronomia de seu pais. Alguém faz ideia de quem seja esta minha nova diva? Se não, vos revelarei agora: seu nome é Frida Kahlo – aquela mesmo, a da monocelha, ousada, de cores vibrantes, corajosa e que foi ter a gastronomia como oferenda à morte, para que a mantivesse viva.  Não entendeu nada? Então vamos lá...


Um pouco mais de Frida

Aos 15 anos Frida Kahlo superou uma das mais difíceis doenças de sua época, a póliomielite. Aos 18 anos, sofreu um acidente que a deixou na cama por um ano. E foi nesse período em que começou a produzir seus primeiros trabalhos, transformando-se em um dos ícones da pintura contemporânea. Casa-se aos 22 anos com Diego Rivera, em 1929, um casamento tumultuado, visto que ambos tinham temperamentos fortes e casos extraconjugais.





Kahlo, que era bissexual, teve um caso com Leon Trotski depois de separar-se de Diego. Rivera aceitava abertamente os relacionamentos de Kahlo com mulheres, mesmo eles sendo casados, mas não aceitava os casos da esposa com homens. Frida descobre que Rivera mantinha um relacionamento com sua irmã mais nova, Cristina, há muitos anos, o que a revoltou. Ela os flagrou na cama e, num ato de fúria, cortou todo o seu cabelo, que era bem longo, de frente ao espelho. Sua irmã teve seis filhos com seu ex-marido e Frida nunca a perdoou.
Frida Kahlo e Diego Rivera, Mexico 1933 -by Martin Munkácsi


Após essa outra tragédia de sua vida, separa-se dele e vive novos amores com homens e mulheres, mas em 1940 une-se novamente a Diego. O segundo casamento foi tão tempestuoso quanto o primeiro, marcado por brigas violentas. Ao voltar para o marido, Frida construiu uma casa igual à dele, ao lado da casa em que eles tinham vivido. Essa casa era ligada à outra por uma ponte, e eles viviam como marido e mulher, mas sem morar juntos. Encontravam-se na casa dela ou na dele, nas madrugadas.
Embora tenha engravidado mais de uma vez, Frida nunca teve filhos, pois o acidente que a perfurou comprometeu seu útero e deixou graves sequelas, que a impossibilitaram de levar uma gestação até o final, tendo tido diversos abortos.
Tentou diversas vezes o suicídio com facas e martelos.



Em 13 de julho de 1954, Frida Kahlo, que havia contraído uma forte pneumonia, foi encontrada morta. Seu atestado de óbito registra embolia pulmonar como a causa da morte. Mas não se descarta que ela tenha morrido de overdose, devido ao grande número de remédios que tomava, que pode ter sido acidental ou não. A última anotação em seu diário, que diz "Espero que minha partida seja feliz, e espero nunca mais regressar - Frida", permite a hipótese de suicídio.
Com base na autópsia de Frida, pesquisadores acreditam que ela pode ter sido envenenada por uma das amantes de seu marido.
Diego Rivera escreveu em sua auto-biografia que o dia da morte de Frida foi o mais trágico de sua vida.

Frida Gastronômica


Assim, depois de ter sofrido muito por conta da pólio, na infância, e de sofrer mais devido ao acidente de bonde, e por ter passado por muitas cirurgias que precisou fazer em função disso, Frida fez um pacto com a Chorona (Morte). Para manter-se viva, todos os anos, no Dia dos Finados, faria pratos variados, onde ela montaria montava verdadeiros altares, com fotos, imagens religiosas, velas, pães, fitas, caveirinhas de açúcar, entre outros objetos. Seu pacto extinguiu-se quando, aos 47 anos, morreu de pneumonia.



Este percurso turbulento fez Frida passar a anotar suas receitas favoritas num pequeno livro preto. Só não era um livro de receitas comum, desses que a gente encontra só receitas, no livro de Frida constava além de suas receitas, pensamentos, suas dores e seus amores. E até nome ele tinha: Livro da Erva Santa.



Esta ligação de Frida com a gastronomia é contada ainda em uma outra obra, O Segredo de Frida Kahlo, do mexicano Francisco Haghenbeck, que apresenta relatos sobre o tal Livro da Erva Santa, onde Frida anotou todas as receitas de sua vida, de pratos que preparou para Diego Rivera, o seu grande amor, calvário e ruína, para Trotski, e um sem-fim de artistas e revolucionários que frequentavam as festas louquíssimas em sua Casa Azul regadas a tequilas, sangritas, picos de gallo, quesos panela e antojitos.



O tal Livro da Erva Santa era quase que uma espécie de guarda-memória gastronômica de Frida: estava lá as as deliciosas receitas de sua ama de leite, as que a sua irmã Matilde preparava-lhe após o grave acidente de ônibus que sofreu, as italianas de sua grande amiga e amante Tina (cuja presença em sua vida foi de fundamental importância), até as que aprenderia mais tarde com a mais improvável das rivais, Lupe, primeira mulher de Diego, de personalidade forte e doida, que preferia sofrer acompanhando sempre a trajetória tórrida de amor incessante de Diego a não vê-lo e não tê-lo de jeito algum.



Mas aí eu comecei a me perguntar: porque alguém faria um livro sobre outro livro, quando na realidade poderiam publicar o primeiro, tal como ele foi escrito? Sei que os editores podem me dar várias respostas plausíveis para esta minha pergunta, meio idiota. Mas eu fui atrás de saber o que aconteceu...


A Famosa casa Azul de Frida
Acontece que, com a morte da artista muitos de seus pertences passaram a ter um “valor”. E o pequeno livro preto, O Livro da Erva santa, oo ser encontrado entre os objetos do museu localizado na calle de Londres, no bonito bairro de Coyoacán, converteu-se num valioso achado, que seria exibido pela primeira vez na monumental exposição em homenagem a Frida no Palácio de Belas Artes, por ocasião de seu aniversário de nascimento. Sua existência confirmava a paixão e o tempo que ela dedicava a erguer seus famosos altares dos mortos. Mas No dia em que a exposição foi aberta ao público, o livrinho desapareceu.



Por sorte, várias receitas foram resgatadas. Muito ligada à cultura e ao folclore do México, Frida tinha essa influência no vestir e nos pratos que gostava. A comida, aliás, era uma forma que buscava para manter sempre perto de si o marido, Diego Rivera, com quem teve um relacionamento tumultuado. Com ele, a pintora morou um tempo nos Estados Unidos, que se referia como “gringolândia”, e lá se encantou com a Torta de Maçã da Mommy Eve. Frida chegou a escrever sobre sua experiência na ‘gringolândia’: ‘Não gostei nada de comer no meio dos branquelos. Eu só queria um ovo mexido com sua pimentinha e uma pilhazinha de tortillas, mas não havia jeito, tinha que ficar quieta e engolir os insultos para desfrutar do mundo moderno’.
A paixão e sofrimento pelo marido era grande. Mesmo sabendo que ele teve seis filhos com a irmã dela, Cristina, a pintora depois de separar-se de Diego, volta com ele. Bissexual assumida, ela teve vários romances, mas era o marido que estava sempre em primeiro lugar: ‘Diego está na minha urina, na minha boca, no meu coração, na minha loucura, no meu sono, nas paisagens, na comida, no metal, na doença, na imaginação’. E sua bebida era a tequila: ‘Bebo para afogar as mágoas. Mas as danadas aprenderam a nadar´.


“A refeição de Trostsky e Breton”.

Assim Frida escreveu antes da receita de "A refeição de Trotsky e Breton:  
“O Piochitas (diminutivo de piochas, plaquinhas. Possível alusão aos óculos pequenos usado por Trotsky) gostava de ser surpreendido. Não havia muito para dizer, pois Diego me roubava a palavra, a mim e a qualquer um que estivesse perto de Trotsky, por isso eu só cozinhava, pois conseguia dizer mais com meus sabores sobre minha visão de um mundo do que poderia ter dito com palavras. Os dois desejávamos apenas isso: um mundo melhor. Quem é que não quer isso na vida…?”

Natália, Frida e Trotsky
Frida viveu intensamente seus desejos, embora tenha convivido com dores extremas por toda a vida (dores físicas e emocionais. Ela mesma costumava dizer que morreu duas vezes: a primeira no acidente de bonde e a segunda ao casar com Diego Rivera), Frida viveu fervorosamente os prazeres do sexo, da comida e da bebida. A dor, a morte, a traição, a pulsação, o desejo e o prazer foram parte do seu cotidiano. Seu tumultuado relacionamento com o artista Diego Rivera teve momentos de extrema felicidade, mas de brutal sofrimento também. Frida não costumava se importar com as rotineiras traições do marido com as gringas, como ela chamava. Ela mesma teve vários amantes – homens e mulheres ao longo da vida – no entanto, Frida nunca engoliu a traição de Rivera com sua irmã Cristina.  A vingança viria anos depois, justamente com Trostsky.
 “Ao vê-lo pela primeira vez, Frida achou-o arcaico, velho, passado de moda, entediante, chato, solene; um daqueles móveis que a gente herda da avó e encosta num canto do quarto. Apesar disso era um herói revolucionário. Todos os comunistas do mundo o admiravam; nenhum deles lhe oferecia asilo (…) Frida aceitou sem melindres.”

“Olhar amoroso” — Frida Kahlo aos 39 anos, em Nova York, captada pelo fotógrafo Nicholas Muray, seu amante como foram Trotski e Tina Modotti.
Assim, Trotsky e sua esposa Natália viveram por dois anos na Casa Azul. Diego pedira a ela que abrigasse os dois e Frida aceitou sem reservas a incumbência.  Rivera possuía uma admiração profunda por Trostsky, ele mesmo fez o intermédio com o presidente do México para conseguir asilo político. Em sua presença, segundo descrevia Frida, parecia um bobo concordando com tudo que Trotsky falava e tentando agradá-lo de todos os modos. “Talvez para competir com Diego, talvez pelo desejo de destacar-se, ou ela simples razão de que era capaz disso, decidira ganhar o apreço do homem a quem seu esposo mais admirava. Frida desejava que Trotsky se rendesse a ela e lhe permitisse executar sua vingança”. Assim foi feito. Frida começou a seduzir Trotsky justamente pelos sabores.  Segue abaixo trechos do livro que narram um desses momentos de deliciosa biscatagem.
“Cada bocado deste prato me faz pensar que a comida no México se rebelou contra os cânones europeus. Luta por sua autenticidade. Mas a insurreição é uma arte, e, como todas as artes, tem suas leis”, disse Trotsky numa manhã, ao encontrar Frida na cozinha. Para ajudá-lo a despertar, deleitaram-no com uma xícara de café de Olla. Ao vê-lo refeito, encostado ao batente da porta com um grande sorriso, Frida lançou-lhe um olhar avaliador, atraente e cheio de sensualidade. E depois voltou ao trabalho na cozinha, deixando o aguilão do desejo cravado em Trotsky. “Quais são as leis da cozinha, Frida?”, perguntou ele.
(…)
“São mais simples do que o senhor pensa. A primeira é que ninguém se mete na cozinha de uma mulher sem a autorização dela, é uma falta tão grave quanto deitar com o marido dela. Talvez até mais grave, começou Frida sentando ao lado dele. Na cozinha você pode ser ignorante, mesquinho ou descuidado, mas nunca as três coisas juntas, e por isso sempre tem alguém mexendo o arroz quando ferve, deixando de por algum ingrediente porque esqueceu de comprar, cozinhando ao mesmo tempo a massa e o molho, fritando a carne com mais óleo que o lago de Chapala, servindo feijão queimado.”
Em Trotsky foi se desenhando um sorriso que se ampliou numa gargalhada, e, sem querer, suas risadas se tornaram tão altas que fizeram com que o senhor Cui-cui-ri que andava ciscando restos de comida, saísse correndo dali.

(abaixo imagens de Frida, Diego e Trotsky)

(…)
“Tem algo de bruxa na senhora que encanta e deslumbra. Talvez esteja me envenenando com sua comida, pois desde que cheguei ao México estou vendo tudo de outro modo.” Frida jogou o corpo para trás, ao mesmo tempo que soltava fumaça de seu cigarro. No fundo da cozinha, Agustín Lara cantava no rádio “Solo tú”.
“Por acaso agora o verde do pasto faz você lembrar da melancolia, o sangue lhe lembra as cerejas e a felicidade contagiante de uma tarde lhe lembra um doce de mel?”, perguntou Frida.
“Isso mesmo, isso mesmo”, respondeu Trotsky com movimentos afirmativos, muito próprios dele. De professor, de encantador de palavras.
“Então, devo estar lhe passando alguma coisa minha com o sal, pois para viver essa vida é preciso temperá-la. O senhor já vê que estou doente, por isso acabo ficando tolerante, embora às vezes a vida seja danada além da conta, pois ou faz você sofrer ou faz você aprender. Para isso é que se coloca tomilho, pimenta, cravo e canela, para tirar o gosto ruim. Frida pegou-lhe a mão e ficou passando a almofada de seus dedos pelas rugas dos nós dos dedos dele. Se não veja, o senhor sem pátria e eu sem pata.”


Essa cena é uma descrição do começo do caso entre eles, mas a história evolui até Trotsky mandar cartas e mais cartas apaixonadas para Frida. Segundo ela descreveu, parecia um adolescente totalmente entregue. O problema é que quanto mais ele se jogava, mas Frida tinha certeza que precisava acabar com aquilo. Não lhe apetecia tanta melosidade, além disso, os seguranças de Trostsky e a própria esposa já começavam a observar o comportamento estranho do revolucionário. Sabendo que seria um escândalo que complicaria a situação de Trotsky, e já desinteressada, Frida o incentivou a mudar-se de casa. A passagem mais interessante dessa parte do livro é justamente a que narra o momento em que Diego percebe que Frida concretizou sua vingança. Quando Trotsky disse que iria embora, Diego se revoltou e fez muito barulho.
“Cale a boca, Diego”, murmurou Frida ao ouvido dele antes que continuasse com seu escândalo melodramático.
Diego ficou pasmo.
“Mas você não entende, Frida?” perguntou, irritado, quando se esconderam no quarto para discutir o assunto.
Frida não queria aumentar o problema. Acendeu um cigarro e atirou-lhe a verdade na cara como um pastelão:
“Quem não está entendendo é você. Deixe ele ir, vai ficar melhor comigo ausente da vida dele. Já fiz mais do que ele esperava.”
Diego compreendeu de repente tudo que acontecera debaixo do seu nariz.


Depois que li algumas boas histórias sobre Frida, percebi uma ligação entre nós; talvez a forma de lidar com as dificuldades e tentar transformar elas em coisas boas, converter em arte, e mostrar ao mundo – cada um à sua maneira, é claro. São histórias de superação, cheia de cores vibrantes e perfumadas com as doces lembranças gastronômicas – o que eu tenho demais.
Talvez eu resolva fazer meu próprio livro da Erva Santa. Talvez ele até já esteja escrito, por aqui, quem sabe...
Mas pra não deixar ninguém tão curiosos, deixo cá umas receitinhas, das que Frida bem gostava – e que são fáceis de preparar. Elas foram retiradas do livro “O Segredo de Frida Kahlo”, de Francisco Haghenbeck. Editora Planeta do Brasil – 2011; e para dar mais clima ao preparo deixo, abaixo das receitas, uma das músicas que Frida Kahlo mais gostava de ouvir.


Tamales de abóbora

Os tamales eram preparados pela Babá de Frida, uma mulher do estado de Oaxaca – local onde nasceu Benito Juaréz, considerado um dos grandes líderes da história do México.
Ingredientes:
1kg de abóboras pequenas
1kg de farinha de milho
3 chiles cuaresmeños (tipo de pimenta mexicana)
2 quesos de hebra (queijo similar à mozarela)
1/4 de xícara de banha de porco
palhas de milho
1 punhado grande de folhas de erva-de-santa-maria (apenas as folhas)
sal e bicarbonato de sódio
Preparo: Pique a abóbora, a pimenta, o queijo e a erva finamente; Prepare a massa com a banha – previamente dissolvida com um pouco de água e pitada e bicarbonato de sódio – e o sal; Coloque uma colher cheia de massa nas palhas de milho; espalhe e coloque uma colher de do picadinho de abóbora; Enrole e deixe cozer numa panela a vapor – leve ao fogo por 1h30; Quando começarem a soltar da palha é sinal de que estão cozidos.
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Arroz à Mexicana
Esta receita aparece no ponto em que, a artista fala sobre seu casamento com Diego Rivera. Para Frida, o casamento era um conjunto de “sonhos capitalistas para comprar um vestido hipocritamente branco” e fez questão de realizar sua cerimônia em meio ao povo.
Ingredientes:
1 xícara de arroz;
azeite de oliva;
caldo de frango;
1 cenoura cortada em cubos;
1 xícara de ervilha;
batatas em cubinhos;
2 tomates médios;
1 pedaço de cebola;
1 dente de alho;
sal.
Preparo: Deixe o arroz de molho por 10 minutos numa panela com água fervente; Escorra e deixe no sol por 15 minutos; Aqueça o azeite numa panela até que fique bem quente e depois frite o arroz com os legumes; Enquanto isso, triture o tomate, a cebola e o alho com um pouco de água; Junte o tomate moído e coado e tempero com sal; Quando o azeite começar a ferver sobre o molho de tomate, acrescente duas xícaras de caldo de frango; Tampe e cozinhe até que o líquido se consuma.


A refeição de Trotsky e Breton (Huachinango com coentro)

 1 huachinango de mais de 2kg limpo e sem escamas (esse é o nome de um peixe vermelho mexicano. Você aqui no Brasil poderá usar pargo, ariacó, cioba, etc.);
8 xícaras de coentro bem picado;
5 pimentas ao escabeche em fatias grossas (existe essa parada pronta nos supermercados, mas outro dia posso passar a receita caseira);
2 cebolas grandes em rodelas;
4 xícaras de azeite de oliva;
sal e pimenta.
Preparo: Faça 3 cortes no lombo do peixe para que o tempero penetre bem. Forre uma panela grande com metade do coentro picado, metade das pimentas e metade da cebola, cubra com metade do azeite e tempere com sal e pimenta. Sobre essa cama, coloque o peixe inteiro, cubra com uma camada igual à primeira, decorando com as pimentas, o coentro e a cebola, e despeje o resto do azeite. Leve ao forno preaquecido a 200º C por 40 minutos, banhando-o com o molho de vez em quando para que não resseque. Sirva na própria panela.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Que tal umas orelhas de gato?


Ontem, antes de dormir, pensei nos gatos que eu tive ao longo da vida... geralmente eram meu amigo fieis...e antes que alguém diga que os cães é que são assim (e eu também os tive), eu percebia a beleza e a liberdade de ser um gato. Eu os respeito - como respeito os cães e sua fidelidade estrema – e gosto deles.
Lembro-me que desde pequeno, eu sempre tive gatos por perto. Na pré-adolescência e adolescência, eles dormia comigo na minha cama. Quando tínhamos gata, elas e seus filhotes também dormiam comigo – e os cachorros menores também (risos) minha cama não era minha – só agora me dei conta disso. Mas eu adorava! Depois que sai de casa, na época da faculdade, fui morar com meu pai em outra cidade [meus pais são separados] e, mais uma vez, lá haviam gatos, siameses, umas pestinhas, que me divertiam...somente agora não tenho gatos (por acreditar que apartamentos não são adequados para eles) e mesmo assim, na faculdade ou na rua, sempre acho um gato que simpatiza comigo e vem pra ser afagado.


Quando eu morava na Serra da Ibiapaba, tínhamos em casa um gato genioso – era o que minha mãe dizia: Frédéric Eduard II, ou simplesmente Dudu, para os íntimos. Ele era uma loucura! Um gato filho de siamês com vira lata, robusto, caramelo e um espertalhão de marca maior – ele aprendeu uma técnica de subir em cima do fogão para abrir as panelas e retirar a carne que estava lá – isso tudo sem fazer barulho, ás vezes até a tampa da panela ele fechava. Parece mentira, mas pegamos ele no flagra muitas vezes, e outras tantas vezes minha mãe saía dando carreira no larapio. Pena eu não ter imagem dele.
Dudu, as vezes passava dias fora (namorando – era o que minha mãe e minha avó diziam) e quando retornava, morto de fome, vinha aos berros querendo comida; outras vezes chegava com as orelhas rasgadas (brigas com outros felinos). E ele era valente e arisco. A única pessoa da casa que conseguia pegar nele, era EU... saudades daquele felino.
Por conta deste saudosismo todo a receita de hoje é simples: Orelhas de Gato – pra homenagear o Dudu, aonde quer que ele esteja hoje... Não vou trazer a origem dela, pois trata-se apenas de um nome dado a um doce italiano, da época carnavalesca, identificado como crostoli – e que no brasil ainda pode ser chamado de: cueca virada, coscorão e como já mencionei, orelhas de gato.


Este doce teria se popularizado no Brasil a partir da chegada de imigrantes italianos ao país em fins do século XIX. Na Itália é conhecido como um "doce de carnaval" e possui vários nomes distintos, conforme a região do país, sendo os mais conhecidos grostoli, grostói e chiacchiere. Para entender mais sobre os doces de carnaval italianos já falamos sobre eles AQUI.
No Brasil é completamente ignorado o vínculo das orelhas de gato com o carnaval e o doce geralmente é confeccionado com base em receitas que buscam uma massa macia e roliça, muito embora receitas mais tradicionais tenham como objetivo produzir massas crocantes e finas. Costumam ser polvilhadas com açúcar e canela.


O Gato e a Espiritualidade

O tempo foi passando e eu fui morar em apartamento – e gatos não combinam com apartamentos (até eu mudar de ideia não vou privar os bichos da liberdade que eles tanto gostam).
Mas minha ligação com gatos é, digamos, mágica... Já, inclusive, me disseram que eu ando como eles – na época não entendi muito bem o que a pessoa quis dizer, mas levei como um elogio. 


Porém só fui entender melhor sobre os felinos quando li um livro delicioso, The Mythology of Cats: Feline Legend and Lore through the Ages – de Gerald Hausman, Loretta Hausman. A leitura me trouxe o esclarecimento e me permitiu fundamentar “coisas” sobre os gatos que, na prática eu já sabia – e outras suspeitava.
Foi tão boa a leitura que eu gostaria de dividir com vocês um pouco do conteúdo do livro.

“Quem não se relaciona bem com o próprio inconsciente não topa o gato.
Ele aparece, então, como ameaça, porque representa essa relação precária do homem com o (próprio) mistério. O gato não se relaciona com a aparência do homem. Ele vê além, por dentro e pelo avesso. Relaciona-se com a essência.
Se o gesto de carinho é medroso ou substitui inaceitáveis (mas existentes) impulsos secretos de agressão, o gato sabe. E se defende do afago. A relação dele é com o que está oculto, guardado e nem nós queremos, sabemos ou podemos ver. Por isso, quando surge nele um ato de entrega, de subida no colo ou manifestação de afeto, é algo muito verdadeiro, que não pode ser desdenhado. É um gesto de confiança que honra quem o recebe, pois significa um julgamento. O homem não sabe ver o gato, mas o gato sabe ver o homem.


Se há desarmonia real ou latente, o gato sente. Se há solidão, ele sabe e atenua como pode, ele que enfrenta a própria solidão de maneira muito mais valente que nós. Nada diz, não reclama. Afasta-se. Quem não o sabe "ler" pensa que "ele" não está ali. Presente ou ausente, ele ensina e manifesta algo. Perto ou longe, olhando ou fingindo não ver, ele está comunicando códigos que nem sempre (ou quase nunca) sabemos traduzir.
O gato vê mais e vê dentro e além de nós. Relaciona-se com fluídos, auras, fantasmas amigos e opressores. O gato é médium, bruxo, alquimista e parapsicólogo. É uma chance de meditação permanente a nosso lado, a ensinar paciência, atenção, silêncio e mistério.


O gato é um monge silencioso, meditativo e sábio monge, a nos devolver as perguntas medrosas esperando que encontremos o caminho na sua busca, em vez de o querer preparado, já conhecido e trilhado. O gato sempre responde com uma nova questão, remetendo-nos à pesquisa permanente do real, à busca incessante, à certeza de que cada segundo contém a possibilidade de criatividade e de novas inter-relações, infinitas, entre as coisas.
O gato é uma lição diária de afeto verdadeiro e fiel. Suas manifestações são íntimas e profundas. Exigem recolhimento, entrega, atenção. Desatentos não agradam os gatos. Bulhosos os irritam. Tudo o que precise de promoção ou explicação quer afirmação. Vive do verdadeiro e não se ilude com aparências. Ninguém em toda natureza aprendeu a bastar-se (até na higiene) a si mesmo como o gato!


Lição de sono e de musculação, o gato nos ensina todas as posições de respiração ioga. Ensina a dormir com entrega total e diluição recuperante no Cosmos. Ensina a espreguiçar-se com a massagem mais completa em todos os músculos, preparando-os para a ação imediata. Se os preparadores físicos aprendessem o aquecimento do gato, os jogadores reservas não levariam tanto tempo (quase 15 minutos) se aquecendo para entrar em campo.O gato sai do sono para o máximo de ação, tensão e elasticidade num segundo. Conhece o desempenho preciso e milimétrico de cada parte do seu corpo, a qual ama e preserva como a um templo.
Lição de saúde sexual e sensualidade. Lição de envolvimento amoroso com dedicação integral de vários dias. Lição de organização familiar e de definição de espaço próprio e território pessoal. Lição de anatomia, equilíbrio, desempenho muscular. Lição de salto. Lição de silêncio. Lição de descanso. Lição de introversão. Lição de contato com o mistério, com o escuro, com a sombra. Lição de religiosidade sem ícones. Lição de alimentação e requinte. Lição de bom gosto e senso de oportunidade. Lição de vida, enfim, a mais completa, diária, silenciosa, educada, sem cobranças, sem veemências, sem exigências.


O gato é uma chance de interiorização e sabedoria, posta pelo mistério à disposição do homem." O gato é um animal que tem muito quartzo na glândula pineal, é portanto um transmutador de energia e um animal útil para cura, pois capta a energia ruim do ambiente e transforma em energia boa, -- normalmente onde o gato deita com frequência, significa que não tem boa energia - caso o animal comece a deitar em alguma parte de nosso corpo de forma insistente, é sinal de que aquele órgão ou membro está doente ou prestes a adoecer, pois o bicho já percebeu a energia ruim no referido órgão e então ele escolhe deitar nesta parte do corpo para limpar a energia ruim que tem ali.
Observe que do mesmo jeito que o gato deita em determinado lugar, ele sai de repente, pois ele sente que já limpou a energia do local e não precisa mais dele. O amor do gato pelo dono é de desapego, pois enquanto precisa ele está por perto, quando não, ele se a afasta.


No Egito dos faraós, o gato era adorado na figura da deusa Bastet, representada comumente com corpo de mulher e cabeça de gata. Esta bela deusa era o símbolo da luz, do calor e da energia. Era também o símbolo da lua, e acreditava-se que tinha o poder de fertilizar a terra e os homens, curar doenças e conduzir as almas dos mortos. Nesta época, os gatos eram considerados guardiões do outro mundo, e eram comuns em muitos amuletos.
O gato imortal existe, em algum mundo intermediário entre a vida e a morte, observando e esperando, passivo até o momento em que o espírito humano se torna livre. Então, e somente então, ele irá liderar a alma até seu repouso final."

Deusa Bastet - a deusa gata do Egito
Durante grande parte da história egípcia, animais vivos associados a deuses foram criados nos templos, onde viviam com mimado luxo. Um crocodilo que representava o deus do Sol, da Terra e da Água descansava no tanque do templo Crocodilópolis. O íbis de Thot era guardado em Hermópolis. Uma gata que representava uma Deusa da alegria e do amor vivia preguiçosamente num templo em Bast. E, quando estes animais morriam eram mumificados  como seres humanos.


O culto dos animais e da natureza é comum às sociedades primitivas, nas quais o homem é dominado pelo mundo que o cerca e existe graças a ele. Mas, a medida que este homem adquire mais experiência e aprende a enfrentar a natureza, o respeito pelos mistérios naturais diminui ao mesmo tempo que aumenta a valorização das qualidades humanas. Neste momento, seus deuses passam por um processo de transição de conceitos zoomórficos para antropomórficos, abandonando a forma animal para assumir a forma humana. Foi exatamente o que ocorreu com os egípcios. Algum tempo antes do advento da Primeira Dinastia, o antromorfismo, concepção dos deuses sob forma humana, apareceu na religião egípcia.
Mas a tradição não morre com facilidade e os velhos conceitos religiosos não são substituídos da noite para o dia. Os egípcios incorporaram o antropomorfismo pouco a pouco, fundindo as três ideias da natureza, do animal e do homem. Uma das primeiras divindades que experimentaram esta fusão foi Sekhmet com sua cabeça de leoa.
No Templo de Luxor, cães e gatos viviam em paz. Mas os egípcios não olhavam para eles com olhar indiferente ou compassivo. "Estes seres", diziam eles, "são receptáculos da alma. Não têm necessidade de conhecer os espíritos porque eles são os espíritos."
Bastet é a Deusa gata de Bubastis (cidade do Delta do Nilo), era guardiã das casas, feroz defensora de seus filhos, representando o amor maternal. É também a Deusa de música e da dança, protetora de todos os gatos, mas inimiga das serpentes. Filha do Sol, encarna o aspecto pacífico da deusa Sekhmet.


Os egípcios parecem ter tido dificuldades para dissociar estas duas divindades e dizem que Bastet e Sekhmet são uma única pessoa com personalidades e características diferentes. A primeira é amável e sossegada, enquanto que a segunda é guerreira implacável. Quando Bastet se enfurecia transformava- se na terrível Sekhmet uma leoa que punha fogo pela garganta. Passada da cólera metamorfoseava- se novamente em gata, reassumindo sua docilidade.
Pelo seu aspecto colérico é associada a Sekhmet e, em virtude dessa identificação com a esposa de Ptah e ma~e artificial de Nefertum (o filho de Ptak e Sekhemet). Mahés, o deus da cabeça de leão, era também visto como seu filho. Em outra assimilação, é aproximada de Mut (Mut-Bastet), chegando a ser chamada de "Senhora de Icheru", título de Mut.
Em sua forma primitiva era representada como uma mulher com cabeça de leoa, que levava em uma das mãos a cruz ankl, símbolo da vida e na outra, um cetro. Mais tarde, adota a iconografia de uma gata. Esta gata aparece então, majestosamente erguida sobre suas patas traseiras e adornada com joias (brinco na orelha), ou como uma mulher com cabeça de gata.
Quando se apresenta na forma de gata, essa Deusa está ainda, conectada com a Lua. Quando representada na forma de leoa é associada à luz solar. Bastet também é conhecida como a "Senhora do Leste", enquanto que Sehkmet é a "Senhora do Oeste". Bastet é esposa e irmã do deus Sol e a alma da Isis. Bastet era sempre representada com uma ninhada de gatinhos a seus pés para simbolizar a fertilidade.
O gato, tão amado pelos egípcios, não era apenas um felino ardiloso e inteligente. É também a encarnação de Rá, de Hathor e de Bastet. O templo de Bastet mantinha gatos sagrados que eram embalsamados em grande cerimônia quando morriam. Todo aquele que matasse um gato no Egito recebia sentença de morte. Gatos pretos eram especialmente sagrados a Bastet, por isso é muito tê-los em casa. O símbolo do gato preto era utilizado pelos médicos egípcios para anunciar a sua capacidade de cura.
Pensava-se que os sacerdotes de Bastet tivessem criado o gato doméstico a partir do "cerval", felídeo africano conhecido no sul do Saara.
O sistro e o espelho de Hathor eram decorados com gatos. Este animal representava a lua (Pasht). O nome egípcio para o gato era "Mau". O gato foi domesticado logo no início e era muito valorizado por ser matador de cobras.

O sistro é uma espécie de chocalho
O gato está claramente associado à Grande Deusa e, portanto, ao ciclo Fecundidade- Fertilidade - Sexualidade – Água - Lua. Segundo Robert Graves, não é muito difícil imaginar porque os gatos são considerados particularmente sagrados em relação à deusa-Lua: "Os olhos dos gatos brilham à noite, eles se alimentam de camundongos (símbolos de epidemia); copulam abertamente e se deslocam sem ruído; são prolíficos, mas podem devorar seus próprios filhos; suas cores variam, como as da Lua, do branco ao vermelho e ao preto.
Bast é a mãe de todos os felinos identificada pelos gregos, com Ártemis ou Diana, também chamadas de mãe dos felinos. Ela pode ser honrada com a criação de um pequeno santuário em seu jardim, posicionando uma estátua de gato no centro dele. Para você pedir suas bênçãos, prepare um pequeno altar dentro de sua casa com fotos ou estátuas de gatos, pode ser qualquer tipo de felino. Coloque junto fotos de sua família e acrescente duas velas verdes em pontos distintos. Pronto, agora você estará com a proteção de Bastet.
No Império Novo, patenteia ainda a sua vertente de Deusa leonina da guerra, para conhecer, no período líbico, a sua fase de apogeu como divindade nacional, quando Bubastis, passou de capital do 18º sepat do Alto Egito a capital do Egito, durante as XXII e XXIII dinastias.
Chechonk I (924-889 a,C,) e vários outros representantes da XXII dinastia (líbica ou bubástica) auto-qualificaram- se de "filhos de Bastet", refeletindo a antroponímia do Egito líbio e sua crescente popularidade.
A Deusa Bastet acabou convertida em objeto de caça as bruxas na Idade Média devida a sua associação com as mulheres e com a Lua. É possível que o nexo de Bastet com os gatos fizera com que estes fossem perseguidos juntamente com as mulheres acusadas de bruxaria.


Acredita-se que a dança do ventre tenha sua origem há mais de 5 mil anos no Egito Antigo. Era praticada pelas altas sacerdotisas em rituais para a deusa Ísis. No Egito, a dança contava a história dos deuses, modo bem simples de transmiti-la para o povo. A dança substituía as cartas, sendo que cada movimento do corpo tinha um significado próprio.
Em meados de abril, as sacerdotisas de BASTET (deusa que representava os poderes benéficos do Sol) desciam o rio Nilo, anunciando as festividades em homenagem à Deusa. Para tanto usavam uma espécie de sino de metal, que mais tarde foi substituído pelos snujes (as castanholas árabes). Acreditava-se também que ao dançar com os snujes, a bailarina purificava o ambiente, espantando os maus espíritos.
Antigamente a cidade que abrigava o templo de Bastet se chamava de Per-Bastet,  "Casa de  melhores descrições: "Outros templos podem até serem maiores, mas nenhum dá tanto prazer de olhar". Ele fala do santuário situado no centro da cidade e rodeado de água por grandes canais que davam ao lugar o aspecto de uma ilha. Quando em seu interior, se elevava um bosque com árvores gigantescas, que circundavam o amplo tempo onde repousa a estátua da deusa.


A devoção zoolátrica dessa época reconhece o gato como uma manifestação da Deusa. Em Bubatis, além do templo da Deusa (escavado por E. Naville, entre 1887-1889), havia vastos cemitérios de gatos sagrados, onde se encontravam maravilhosos bronzes representando esses animais.
Heródoto, visivelmente fascinado com o culto por esta Deusa, explica suas cerimônias religiosas: "quando os egípcios comemoravam as festas em Bubatis, se comportavam da seguinte maneira: vão até o rio, homens e mulheres em grande número, que lá chegando se amontoam em embarcações... Ao chegar no santuário, honravam a Deusa com vários sacrifícios e bebiam então muito vinho. Segundo o povo desta região, chegavam a se reunir entre homens e mulheres mais de 70.000 pessoas. Estas festas são comemoradas até hoje no mês de abril. Cerca de 100 mil gatos mumificados eram enterrados em cada festival, em honra da felina "Virgem-Deusa" .
Segundo Claudinei Prietro, "o culto a Bastet já era praticado na primeira Dinastia. Ela era homenageada com longas procissões à luz de tochas e com mistérios sagrados, como Deusa da Magia e Tecelagem. Aquela que não nasceu, mas gerou a si mesma. Os egípcios celebravam o banquete de Bastet com música alegre, dança e bebida numa festa de alegria e prazer total, onde seus adoradores balançavam um sistro durante a celebração para homenageá-la. "
Símbolos: sistro, Lua, Sol, ankh, olho de Hórus.
Dia: Domingo
Cores: verde, laranja, dourado, amarelo.
Aroma: açafrão.

Orelhas de gato doce

3 ovos
100 ml de leite morno
50 g de fermento fresco
50 g de margarina
100 g de açúcar
500 g de farinha de trigo
1 pitada de sal
Açúcar e canela para polvilhar
Óleo para fritar   
Preparo: Dissolva o fermento no leite. Em uma outra tigela, misture a farinha, o açúcar, os ovos, a margarina, o sal e, por último, o leite com o fermento dissolvido. Cubra com um plástico, deixe descansar por cerca de 30 minutos até a massa dobrar de volume. Depois disso você deve abrir a massa e cortá-la em retângulos de 10 cm x 3,5 cm (os cortes em losangos deixam a massa com o formato das orelhas de gato), mais ou menos. Faça também um pequeno corte no centro do retângulo.
Crostoli no formato tradicional

Corte para orelhas de gato
 E aí peça para a criançada passar as extremidades por dentro do corte central. Aí é só deixar crescer novamente por 10 minutos e fritar em óleo bem quente (130º). Deixe esfriar e polvilhe com açúcar e canela a depois é só se deliciar.

Orelhas de gato salgadas
3 ovos
1 cebola grande picada
1 maço de cebola verde picada
1 copo de leite
1/2 copo de azeite
50g de fermento fresco
1 colher de sal
1 caldo knorr (sabor carne)
Farinha de trigo o quanto baste

Preparo: Bata no liquidificador todos os ingredientes, menos a farinha. Coloque numa vasilha e vá juntando a farinha aso poucos, amassando bem até ficar no ponto de esticar e cortar. Cubra com um plástico, deixe descansar por cerca de 30 minutos até a massa dobrar de volume. Depois disso você deve abrir a massa e cortá-la em retângulos de 10 cm x 3,5 cm, mais ou menos. Faça também um pequeno corte no centro do retângulo. E aí peça para a criançada passar as extremidades por dentro do corte central. Aí é só deixar crescer novamente por 10 minutos e fritar em óleo bem quente (130º). Deixe esfriar e polvilhe com açúcar e canela a depois é só se deliciar.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Gianduia - Entre o Bloqueio Continental, a Commedia Dell’Arte e o surgimento da Nutella


Já repararam a popularidade que a Nutella tem alcançado nos últimos anos? Os empreendimentos gastronômicos usam este ingrediente nas suas receitas como se tivessem acabado de descobrir a pólvora...colocam nutella em todas as receitas (bolos, tortas, crepes, sorvetes, mousse, etc.); E o nome desta marca de pasta com chocolate com avelã já é tão poderoso por aqui que as pessoas nem se ligam para o fato de que o nome para este tipo de mistura é, na realidade, Gianduia.
Quem gosta de chocolate sabe bem que o sabor gianduia é um dos que mais agrada – não é à toa que é um dos sabores mais procurados pela confeitaria mundial e que vem conquistando os paladares do mundo desde 1865 – quando data a sua invenção a partir da cidade de Turin, na Itália.



O termo gianduia é usado para denominar uma pasta doce que contém cerca de 70% de chocolate misturado a 30 % de pasta de avelã. Historiadores apontam que foi uma criação da dupla Paul Caffarel e Michele Prochet, donos da Caffarel – uma das clássicas fábricas de chocolate italianas. Quanto ao nome, ele representaria uma personagem de marionete que desfila nos carnavais de Piemonte – região italiana onde a avelã é muito comum.

Paul Caffarel
Michele prochet
Inicialmente a gianduia tinha função energética, mas com o passar do tempo ganhou status de doce refinado. E desde então, alguns confeiteiros usam o termo gianduia frequentemente para nomear qualquer combinação de chocolate com qualquer tipo de noz (avelã, amêndoas, nozes, castanhas, etc,).

Pra entender melhor...

Diz-se, que tradicionalmente a gianduia teve seu nome inspirado em um personagem da Commedia Dell’Arte, um movimento teatral tipicamente italiano. Segundo a tradição, Gianduja (com J) era um personagem piemontês sempre sorridente, que andava pela cidade carregando uma “duja”, que no dialeto piemontês significa “pote” ou “caneca”.


Como Reconhecer Gianduia

Antes de aprofundar ainda mais sobre o desenvolvimento da gianduia, aqui está um guia prático para você reconhecer os elementos mais comuns do vestuário e aparência do personagem Gianduia.



(1) chapéu de três pontas, muitas vezes com uma roseta tricolor , nas cores da Itália sobre a borda.
(2) Peruca com um rabinho.
(3), garrafa de vidro, ou jarro de vinho, muitas vezes identificado como Barbera.
(4) aparece frequentemente com sua esposa, Giacômëtta.
(5) casaco marrom.
(6) adornos e revestimentos em vermelho.
(7) colete amarelo.
(8) calções verde escuro.
(9) Meias vermelhas.
(10) Sapatos com fivela de metal.

O Gianduja representava o povo do Piemonte e Turim. A principal função da duja era armazenar vinho, mas existem aqueles que acreditam que o pote também tenha sido utilizado para guardar creme de avelã. Essa versão para nome da mistura é tão famosa que uma ilustração do personagem Gianduja chegou a aparecer nos primeiros anúncios de Nutella.
Assim, atribui-se a expressão Gianduia a uma corruptela do nome do personagem do teatro de marionetes de Turim, que John Mariani identifica como Giovanni della Doja (literalmente, o João da caneca/pote), com estreou em 1808. Outra versão, da região rival de Asti, sempre no Piemonte, apresenta que o nome viria de uma contenda entre camponeses, encenada sob a denominação “Casa di Giandoja”.

Gianduia and Giacômëtta (Dalsani, in Il Diavolo, No. 28, March 6, 1867)

 Porém, o fato, é que para alguns historiadores, a criação da gianduia veio com o consequência de um bloqueio imposto por Napoleão que, entre outras coisas, reduziu o acesso ao chocolate inglês, induzindo à mistura com a pasta de avelã, uma cultura que sempre dominou o cenário agrícola de Turim, para produzir e baratear o confeito. Da emergência surgiu a criatividade de confeiteiros como Paul Caffarel e Michele Prochet, que, segundo alguns escritos, seriam os criadores oficiais e os divulgadores da gianduia, através do bombom “gianduiotto” - hoje uma especialidade considerada como “prodotto tradizionale”.

Como usar os termos?

Gianduia - O nome próprio, refere-se a um personagem do século XIX (originalmente um boneco), que passou a simbolizar o povo de Piemonte e Turim.
O substantivo escrito com letras minúsculas, gianduia, é uma simplificação do termo do século XIX "chocolate de Gianduia" (cioccolato di Gianduia), tendo o seu nome do personagem Gianduia. Neste sentido, gianduia refere-se a uma pasta lisa feita com avelãs com massa de cacau.
Os substantivos minúsculos, gianduiotto (singular) e gianduiotti (plural), referem-se a pequenos lingotes de gianduia, embalados individualmente. No final do século XIX, estes também eram chamados de "pequenos chocolates de Gianduia" (Cioccolatini [di] gianduia).

gianduiotto

E a história diz o quê?

Piemonte é uma região sem litoral, no noroeste da Itália, fazendo fronteira com a França e a Suíça. Turim é capital da região de Piemonte, senta-se nas planícies ao longo do rio Pó. Os Alpes Cottian correm ao longo da fronteira franco-italiana e, no lado italiano (oeste e sudoeste de Turim), formam diversos vales, incluindo Val Pellice, Val Chisone, Val Germanasca e Val di Susa. O Langhe consiste de uma cadeia de montanhas íngremes que começam cerca de 35 km ao sudeste de Turim.


Mas pra que saber disso pra entender sobre a gianduia? Bem, além do seu mérito culinário, o surgimento da gianduia traz uma história real, raramente conhecida pelos chocólatras fora da Itália. E quando se vai pesquisar, se descobre várias versões para o surgimento da gianduia, mas que entram em conflito com a história italiana.
Uma mente informada deixa tudo com mais sentido, e eu sempre acredito ser interessante compreender o contexto de uma criação. Então, vamos começar: Em 21 de novembro de 1806, apenas um mês depois da esmagadora derrota do exército da Prússia em Jena e Auerstedt – o imperador da França e rei da Itália assinou o "Decreto de Berlim, onde Napoleão I instituiu o Bloqueio Continental, uma política comercial que muitos descrevem como a gênese da gianduia .


No Decreto de Berlim, Napoleão I ordenou o bloqueio das ilhas britânicas, a cessação do comércio e da correspondência com a Inglaterra, a prisão de súditos ingleses no território controlado pelo Império Francês ou seus aliados, e apreensão de bens de Inglês capturado. Napoleão pretendia atacar a Inglaterra economicamente.

A primeira (de 3) página do Decreto de Berlim
Os efeitos imediatos do decreto foram limitados. A marinha francesa permaneceu desfalcada após a Batalha de Trafalgar, em 1805, impedindo a aplicação do bloqueio naval. Historiadores como Mahan descreve este como "um momento em que o imperador não poderia manter um navio no mar, a não ser como um fugitivo das frotas onipresente de seu inimigo " (1). Execução por terra foi minada pela corrupção generalizada, mesmo entre alguns dos membros da família de Napoleão e subordinados de confiança (2).


Assim a Inglaterra rapidamente retaliou com uma série de atos, culminando com as Ordens no Conselho de 11 de novembro de 1807, declarando o Império Francês e seus aliados em um estado de bloqueio, estendendo-se as proibições de transporte neutro. A supremacia naval britânica fez isso mais do que um mero bloqueio fantasma. Imposição de restrições sobre a navegação neutra da Inglaterra aumentou as tensões com os Estados Unidos, contribuindo para a aprovação da Lei do embargo de 1807 dos Estados Unidos. Desta forma França, Inglaterra e América ampliaram a guerra econômica, resultando em diferentes graus de dificuldade para cada um, com a França e seus aliados levando a pior.

Virginio (Fischietto, No. 21, February 18, 1858
Com relação ao cacau, William Gervase Clarence-Smith descreve como "a maré da guerra penalizou o império francês e seus aliados ". A imposição de Bloqueio Continental de Napoleão, em 1806, marcou o início de uma fase curta, mas particularmente intensa de rompimento comercial [no comércio de cacau].
De Napoleão quebrou a via dos transportes neutros o que provocou um contra- bloqueio britânico, seguido por um embargo dos Estados Unidos em 1807. Napoleão também apreendeu o norte da Alemanha, anteriormente o principal canal para o cacau destinado para a Espanha. Os preços do cacau subiram rapidamente, e exorbitaram em Amsterdã.

Mata (Lampione (Florence), No. 1, March 1, 1862)
Comerciantes da Liga Hanseática reagiram a esta crise sem precedentes, adotando as cores dos dinamarqueses ou portugueses para trazer cacau hispano-americano para a Europa. Uma empresa de Hamburgo, financiada pela Holanda e registrada no enclave dinamarquês de Altona, enviou dois navios de grande porte para Cartagena em 1806, trazendo de volta o cacau e outros produtos tropicais. No entanto, a empresa, em seguida, suspendeu os pagamentos, por causa da falência da empresa holandesa. Navios de Hamburgo também carregavam cacau em Callao em 1807, destinado a Altona e Lisboa, mas pelo menos um foi apreendido por navios de guerra britânicos (3).
Mesmo antes do ato de Embargo de 1807, o transporte neutro ao norte da Itália começou a ser afetado. Em 14 de março de 1807 o navio americano de Vermont (Capitão Simeon Lyman) foi capturado por corsários franceses perto de Livorno (a porta então dominante para noroeste da Itália), com uma carga variada, incluindo o cacau, açúcar e canela. Apesar de uma decisão favorável do Conselho de Prêmio em Paris, o Conselho de Estado reverteu o tribunal de Prêmio em 30 de abril de 1808, resultando na perda da maior parte da carga para os captores (4) .


Dentro de um ano após o Decreto de Berlim, o fluxo de bens para a península do norte da Itália se apertou ainda mais. Genova foi efetivamente fechado ao comércio pela combinação de aplicação francês por terra e por mar bloqueio britânico.
Para reprimir o contrabando e a importação de produtos britânicos sob bandeiras neutras mais ao longo da costa, Napoleão enviou o General Miollis com um exército francês para a Etruria. Após a sua chegada em Livorno em 29 de agosto de 1807, Miollis mandava aprender ou sequestrar as embarcações neutras e de carga. Miollis exigia um resgate alto para liberar os navios e suas cargas.
Com isso uma delegação de cônsules neutros, comerciantes e representantes da câmara do porto de comércio visitaram Napoleão em Paris, com pedidos de clemência. Mas Napoleão apoiava Miollis, o que só elevava o resgate. (Quando o resgate era pago, Miollis então cobrava dos proprietários 45% do valor de sua propriedade, que ainda podiam sofrer o acréscimo de 8 % a mais, dependendo da simpatia do oficial) Doze navios americanos foram afetados pela aplicação de Miollis, realizada com cargas variadas, incluindo o cacau e o açúcar (5).
Em meados de 1808, as ações executadas por Miollis tinham praticamente destruido o comércio de Livorno. Os preços subiram de tal forma que Thomas Appleton, cônsul americano na cidade portuária, recomendou que seus compatriotas correm ao risco do contrabando. A escuna norte-americano John (Capitão James Clayton) foi tomada pelas autoridades francesas no porto em 19 de agosto de 1808 e, posteriormente, condenada, com uma carga de café do Sul-americano comprado por $ 53.000, que teria vendido a Livorno para mais de US $ 250.000 (6) .
A partir dos portos mais próximos ao Piemonte (Génova e Livorno) aos Estados Pontifícios e nordeste da Itália, a aplicação do Bloqueio Continental mostrou-se bastante perturbadora. Como Harrison coloca, " O comentário mais significativo, no entanto, sobre o funcionamento do Sistema Continental na Itália é o fato de que aqueles que realmente o experimentou - os cônsules nos portos famintos, e os comerciantes dos mercados ingleses saturados na vizinha Malta e Sicília, ficaram uniformemente impressionado com a sua eficácia "(7) .
Aumentos agressivos nas tarifas aduaneiras francesas, começando mesmo antes do decreto de Berlim, agravaram o problema. De 1802-3, as taxas aduaneiras francesas de cacau eram 50 e 75 francos por 100 quilogramas (para os produtos franceses e estrangeiros, respectivamente). Após a Pauta Aduaneira de 1805, as taxas de cacau aumentou para 95 e 120 francos. Decretos em fevereiro e março de 1806 levou as taxas de 175 e 200 francos (8 ). Fabricantes de chocolate e consumidores foram picados pela triplicação das taxas aduaneiras em um período tão curto.
A escassez levou os preços para cima dando origem a uma desenfreada quantidade de operações de contrabando, que eram bastante lucrativos. Napoleão respondeu à especulação de contrabandistas com mais taxa de aumentos para os principais produtos coloniais.
Sob o Trianon Tarifário de 5 de Agosto de 1810, a taxa para o cacau subiu para 1.000 francos por 100 quilogramas - vinte vezes a taxa de apenas sete anos antes. Para apertar ainda mais os parafusos, o decreto Fontainebleau (18 de outubro de 1810 ) reforçava as penas para os traficantes (por exemplo, dez anos de trabalhos forçados ou até a marca de ferro) e ordenou a queima pública de contrabando (9). Harrison observa que, no Piemonte, " muitas dessas queimadas eram relatadas naquele tempo " (10) .
É com esse pano de fundo de conflito internacional dramático que uma versão comum do mito de origem de gianduia se desenrola. Com a escassez de cacau e preços exorbitantes decorrentes do Sistema Continental, confeiteiros piemonteses engenhosos começaram a esticar seus suprimentos de cacau misturando com avelãs que eram abundantes na região.
Como o mito, a história é poderosa. Ela mostra a invenção estimulada pela necessidade. A confluência de forças históricas, culmina com o aparecimento da gianduia.
Enquanto o mito, demonstra o poder de indivíduos, aparentemente insignificante, para encontrar a solução em meio à guerra e privações. No entanto, a gianduia, um produto que é "apenas mais um produto"; E o mito mostra-se útil para os interesses de negócios pequenos, lojas de importação a para corporações multinacionais que o utilizam como um gancho de marketing.
A gianduia que nos chega aqui, no Brasil, e que dá origem a produtos como a Nutella, é preparada com chocolates e avelãs e diversas origens. Mas, se você for a região de Piemonte, vale a pena despertar por alguns minutos da histeria das trufas para experimentar os produtos originais, esses sim, preparados com a Nocciolla del Piemonte, aqui grafado como nome próprio, pois é protegido pela União Européia com o selo IGP. A reivindicação dos fabricantes italianos é o uso de um mínimo de 25% de avelãs na composição, o que garante o sabor característico do produto original.

E a tal da Nutella?

Pietro Ferrero, dono de uma padaria em Alba, no Langhe distrito de Piedmont, uma área conhecida pela produção de avelãs, vendeu um lote inicial de 300 kg (660 lb) de "Pasta Gianduja" em 1946. Este era originalmente um bloco sólido, mas Ferrero começou a vender uma versão cremosa em 1951 como "Supercrema".  Em 1963, o filho de Ferrero Michele Ferrero renova a Supercrema com a intenção de comercializá-la em toda a Europa. Sua composição foi modificada e passou a se chamar "Nutella". O primeiro pote de Nutella saiu da fábrica Ferrero em Alba em 20 de abril de 1964. O produto foi um sucesso imediato e continua a ser muito popular


Na França, o senador Yves Daudigny propôs um aumento de impostos sobre o óleo de palma a partir de € 100 a € 400 por tonelada métrica. Em 20%, o óleo de palma é um dos principais ingredientes do Nutella e o imposto foi apelidado de "o imposto de Nutella" nos meios de comunicação. 
Dia Mundial Nutella é 5 de fevereiro. Nutella é feita de açúcar, óleo de palma modificado, avelãs, cacau, leite em pó desnatado, soro em pó, lecitina, e vanilina. Inicialmente, o processo de fabricação de pasta de chocolate começa com a extração de cacau em pó a partir do grão de cacau. Estes grãos de cacau são colhidos a partir de árvores de cacau e são deixados para secar por cerca de dez dias e só depois vai para o processamento.  No caso de Nutella, a planta de processamento está situado na Itália pela Ferrero Company.


Normalmente cacau contêm cerca de 50% de manteiga de cacau, portanto, eles devem ser assado para reduzir o grão de cacau em uma forma líquida.  Este passo não é suficiente para ser transformado em uma pasta porque ela se solidifica à temperatura ambiente, e não seria fácil de passar em itens alimentares, tais como torradas. Após este processo inicial, a massa líquida é enviada para as prensas, que são usadas para apertar a pasta de cacau. Os produtos finais são discos redondos de Chocolate: cacau puro comprimido.
A manteiga de cacau extraído do grão de cacau é então transferida para outro local para que possa ser utilizado em outros produtos. O segundo processo envolve as avelãs. Uma vez que as avelãs chegaram na unidade de transformação, um controle de qualidade é emitido para inspecionar. A guilhotina é utilizada para cortar as nozes para inspecionar o interior.  Após este processo, as avelãs são limpas e assadas. Um segundo controle de qualidade é emitido por uma explosão controlada por computador, o que elimina as nozes ruins do lote.  Este processo é submetido para garantir que cada pote de Nutella seja uniforme em sua aparência e sabor.

Cerca de 50 avelãs podem ser encontradas em cada pote de Nutella, como alegado pela empresa.  O cacau em pó é então juntado com as avelãs junto com açúcar, baunilha, leite desnatado e é misturado em um grande tanque até que se torne uma pasta.  O óleo de palma modificado é então adicionado para ajudar a reter a fase sólida do Nutella à temperatura ambiente, o que substitui a manteiga encontrados em grãos de cacau. 
Além disso, soro de leite em pó é adicionado ao mix, pois atua como um ligante para a pasta. Soro de leite em pó é um aditivo geralmente utilizado para impedir a coagulação do produto porque estabiliza as emulsões de gordura. Da mesma forma que o pó de soro de leite, lecitina, que é uma forma de substância gordurosa encontrada em tecidos de animais e de plantas é usada para emulsificar uma vez que promove uma mistura homogeneizada de ingredientes diferentes, permitindo que a pasta possa ser espalhada. Ela também ajuda as propriedades lipófilas de cacau em pó, que, mais uma vez, mantém o produto longe de separação. Para o aspecto sabor, vanilina é adicionada para aumentar a doçura do chocolate. O produto final é, então, enviado para ser embalado.


Notas:
1.  Mahan, Alfred Thayer.  The Influence of Sea Power Upon the French Revolution and Empire, 1793-1812 (Volume II).  Little, Brown, and Company, 1898. P. 272.
2.  Chandler, David G.  The Campaigns of Napoleon.  Scribner, 1973. Pp. 511-2.
3.  Clarence-Smith, William Gervase.  Cocoa and Chocolate, 1765-1914.  Routledge, 2000.  Pp. 30, 49.
4.  Harrison, John Baugham.  The Continental System in Italy as Revealed by American Commerce.  University of Wisconsin, 1937.  Pp. 134-5.
5.  Ibid., 138-9.
6.  Ibid., 148.
7.  Ibid., 213.
8.  Heckscher, Eli Filip; Harald Westergaard (editor); Charles Scott Fearenside (translator).  The Continental System: An Economic Interpretation.  Clarendon Press, 1922.  P. 85.
9.  Ibid., 201-2.
10.  Harrison, 119.

Creme Gianduia para rechear tortas, bolos, chocolates
Ingredientes:

600g de creme de leite fresco.
60g de pasta de avelãs.
60g de chocolate meio amargo.
30g de cacau em pó.
70g de avelãs torradas e moídas.

Preparo: Derreta em banho-maria a pasta de avelãs, o chocolate e o cacau em pó peneirado. Retire do banho-maria e acrescente as avelãs moídas. Misture bem e deixe esfriar. Envolva o creme de leite fresco batido em ponto de chantilly médio. Utilize como recheio de tortas geladas.

Nutella caseira

Ingredientes:
1 xícara de avelãs
4 colheres de sopa de chocolate em pó (sem açúcar)
1 xícara de açúcar
¼ de colher de chá de baunilha
1 colher de sopa de óleo de nozes
4 colheres de sopa de leite integral (ou mais, se necessário).

Preparo: Coloque as avelãs, já descascadas, em uma assadeira forrada de papel alumínio, e leve ao forno baixo (180º) por aproximadamente 10 minutos. Deixe-as esfriar por 5 minutos e esfregue as avelãs entre as mãos, retirando toda a pele possível (não deixe esfriar demais, ou as peles não sairão e não tente fazer com elas quentes, pois a casca não ressecou ainda). Triture as avelãs por cerca de 10 minutos em um mixer ou processador. Vá limpando as pás e as paredes do recipiente para que o creme fique bem homogêneo. O creme puro de avelã fica bem consistente e em determinado momento você perceberá que ele não vai mais mudar, então aos poucos, adicione os ingredientes restantes (o chocolate, o açúcar, o óleo e a baunilha) e misture novamente. Quando tudo estiver bastante misturado adicione o leite, uma colher por vez e misture bem (ainda usando o mixer / processador). Caso a consistência ainda não esteja cremosa, adicione mais leite, sempre usando a colher como medida. Pronto! Sua Nutella feita em casa está pronta.