domingo, 30 de agosto de 2015

El Chupe de camarones: a rainha das sopas do Peru

Eu adoro sopas. E tem dias, que uma sopa é a única coisa que serve para me confortar. Muitas vezes, achamos que este tipo de preparação trata-se de, apenas, um grande misturado de ingredientes e esquecemos, muitas vezes, importantes historias por trás dos preparados, que influenciaram determinada cultura e carregam o prato com uma força inigualável. Pesando nisso, hoje resolvi falar de uma sopa (sei que vai ter gente que não gosta de sopa torcendo o nariz) que eu adoro: el chupe de camanones.


El Chupe é uma sopa típica de Arequipa, no sul peruano, el chupe de camarones é uma preparação das que mais gosto, daquela região: talvez, pelas cores, pela energia que me dá – mas, certamente, pelo delicioso sabor. El chupe nada mais é do que sopa de camarões, de origem mestiça, já que sua origem está enraizada com a chegada dos colonizadores espanhóis.

A receita da sopa nos faz lembrar à bisque de camarão, uma sopa francesa com manteiga, creme de leite e conhaque; e ao "chupi", um guisado que existia nestas terras desde tempos pré-hispânicos. O resultado, uma feliz e deliciosa descoberta, que veio com adaptações: obviamente, os Incas tinham suas sopas e ensopados, mas os espanhóis adicionaram outros ingredientes nessa mistura. Essa sopa começa a ter registro apenas no início do século 19, na região de Callao. No entanto os camarões de Arequipa, símbolo daquela região, deixou a receita ainda mais conhecida. Inicialmente, essa sopa era consumida em casa, nos fins de semana, mas pelos idos de 1950 a 1970 tornou-se popular nos restaurantes.


El chupe pode ser preparado com carne bovina, cordeiro, frango, peixe e camarão, batatas, cereais, legumes como abóbora e batata-doce, cozidos e acompanhado por uma pasta feita com alho, cebola, pimentão e especiarias - sua versão mais primitiva só incluía batatas, pimentões e ervas. Mas com a chegada dos espanhóis arroz, queijo, ovos e leite foram introduzidas. Para chupar você pode adicionar carne bovina, cordeiro, frango, peixe e camarão.

O termo chupe, deriva de um nome hispanizado de um antigo ritual peruano. Diz uma antiga lenda peruana que, quando os filhos dos chefes guerreiros atingiam a puberdade (entre 13 e 14 anos) eram submetidos a jejum como parte de treino de guerra. Durante 15 dias, os jovens não podia comer outras coisas que não fosses, bolos de farinha de milho, chicha (um refresco feito de milho roxo) ou água alimentos. E, culminando a proeza, donzelas eram escolhidas e aproximavam-se deles com as partes intimas untadas com uma substância feita a base de tomate, pimenta, cravo de defunto e outras ervas como muña, para que os rapazes chupassem. Esta cerimónia era chamada Chupe, pelo ato que o rapaz exercia, e significava que o jovem tinha deixado a inocência, ido para a realidade do prazer humanos, estando pronto para ser um guerreiro.


Felipe Mejía, autoridade no estudo da cozinha peruana, em seu livro "De cocina peruana, Exhortaciones", Afirma que o camarão foi um dos primeiros alimentos dos peruanos, sua carne delicada e saborosa era de uso exclusivo de reis incas. Se pescava a milhões de anos e para sua extração os antigos peruanos se valiam de uma espécie de rede chamada atarraya, assim como cesta de cana, chamadas izangas.



Os primeiros Chupes de Camarones receberam o nome quechua de Chuwa Masi, que significa "sopa amiga" ou "sopa companheira de festa".  Muitas pessoas dizem que não existe sopa peruana mais bonita que esta, mas sabe-se que não há região peruana que não tenha el Chupe, porque a preparação foi herdada da cozinha dos Incas, que saboreavam o preparado feito por Kery Awicha, a deusa da cozinha Inca, que tinha o encargo de "cozinhar para preencher a alma e depois o estômago."

Talvez, a culinária peruana me encante mais ainda, por ter sempre a mitologia para lhe dar misticismo. Não bastasse a imaginação reproduzindo uma cena da deusa inca da cozinha preparando el Chupe, mas há uma lenda que explicaria todo o encanto e sabor inigualável que tem a comida peruana. Fico sempre contente quando encontro preparações que, a partir dos saberes antepassados, as pessoas sempre buscaram o melhor – em todos os sentidos.

Em todas as mitologias conhecidas pela história existe sempre um mensageiro dos deuses. Esses personagens importantes do mundo mitológico têm certas características semelhantes: são seres geralmente amigáveis, simpáticos, bem desenvolvidos na sociabilização, extrovertidos, sensíveis, qualidades essas que em conjunto lhe permite ganhar a confiança de deuses e homens.

Na mitologia peruana não seria diferente. No entanto, aqui o mensageiro dos deuses não tem forma humana, mas de ave, mais exatamente um beija-flor (colibri), e tinha características similares aos demais mensageiros mitológicos: inteligência, simpatia, sociabilidade, mas o mensageiro dos deuses peruanos, Chiwake, tem ainda mais estilo, como pronunciarei com base em uma lenda extraída da tradição oral da região Sul peruana, exatamente de Nasca, e tem cerca de 2.500 anos de tradição.


Certa manhã de um rigoroso inverno, os deuses estavam reunidos formando o antigo Peru, decidiram atender aos pedidos dos homens que solicitavam maior quantidade e qualidade de alimentos. Os deuses enviaram com Chiwake, o mensageiro divino, um caldeirão mágico de onde sairiam as mais deliciosas sopas já conhecidas. 

Mas Chiwake era Travesso e brincalhão e acabou perdendo pelo caminho o tão afortunado presente. Com remorso pelo descuido, se apresentou ante os homens e lhes disse que os deuses queriam que ele mesmos preparasse seus alimentos e lhes ensinou como escolher cada ingrediente, como combinar sabores e aromas de mil maneira diferente e apresentá-los com elegância e harmonia. Desta maneira, os peruanos aprenderam a cozinhar com a mesma arte e tecnologia dos deuses. Isso explicaria por que a comida peruana tem tanto sabor, já que aprenderam o oficio com o representante divino, e assim, pode-se dizer, que cozinham como os deuses.

. Assim, se construiu a história peruana desde os tempos pré-Inca, com conceitos mágicos e religiosos que fizeram nascer as primeiras opiniões sobre as leis da natureza. Em todo o antigo Peru foram surgindo inúmeros deuses, os bons se unem a vida, a saúde, a alimentação, os maus a enfermidade e a fome. Começou-se a relacionar sistematicamente vida e morte com fenômenos naturais, por exemplo o dia e o calor são associados com a saúde e o positivo, e a noite e o frio com a enfermidade e o negativo.


Os deuses enviavam espíritos malignos para pegar os corpos designados por má conduta, geralmente por terem um juízo passional. Para contrariar esta energia negativa existiam os deuses que protegem a natureza, alimentam a evolução, alimentam e se encarregam de curar o corpo humano.

Alguns personagens muito importantes, ao longo da história têm sido os magos, feiticeiros, curandeiros e sacerdotes, com diferentes características, nomes e graus de aprendizagem - mas com um denominador comum, muito especial - eram os intermediários do divino na terra. Representam o veículo de comunicação entre a triste realidade do enfermo, do faminto, do amor não correspondido, da esperança de cura, da satisfação, mediante os poderes supremos que poderiam transformá-los a uma simples vontade.  Este esquema básico teve grande importância no âmbito social, político e econômico. Tais personalidades se encarregaram de concentrar em uma elite exclusiva de conhecimento e práticas referentes a atividades dedicadas a recuperação da saúde e da alimentação do corpo e da alma.


As cerimônias e ritos foram melhorados pela adição de simbolismo e protocolo, que misturam sonhos e realidade com a firme intenção propósito de ocultar, de maneira sistemática, as evidências naturais encontradas como causas, para enfatizar apenas os aspectos mágicos e religiosos, transformando-os em instrumentos de grande poder. Sempre a atitude humana sempre foi fundamental para enfrentar doença e desespero. Com o mesmo conceito e realidade, no mundo da gastronomia, atitude, personalidade, cultura e simpatia do chef influenciam na magia que envolve uma boa mesa, sem dúvida, o sabor, aroma, textura e cor são presentes dos eternos deuses do bem.

Bom, agora que a historinha foi contada, que tal preparar essa sopinha deliciosa. Garanto que você vai viciar. E, quando for ao Peru, não esqueça de provar el Chupe original.

Chupe de camarones

½ quilo de camarão
4 batatas inglesas
2 ovos
1 espiga de milho cortada em pedados
¼ xícara de favas ou de ervilhas
¼ xícara de arroz
1/2 xícara de leite
½ xícara de queijo (do seu gosto, mas queijo prato fica muito bom) em cubos ou ralado
1cebola
1 tomate
1 colher de chá de alho picado
2 colheres de sopa de pimenta-aji (uma pimenta tradicional peruana, mas coloque a que tiver)
¼ xícara de óleo ou azeite
1 colher de sopa de manteiga
Um raminho de Huacatay (uma erva tradicional peruana parecida com a hortelã, na falta use esta última), hortelã, orégano, salsa, pimenta do reino, sal a gosto.
4 xicaras de agua

Preparo: Lave os camarões, retire a casca (reserve as cascas), e os doure com a manteiga. Reserve. Prepare um refogado com cebola cortada em cubos, o alho, tomate, pimenta-aji e pimenta do reino. Incorporar as quatro xícaras de água e a casca do camarão e deixe ferver bem, em seguida, retire as cascas dos camarões. Adicione o milho, as favas ou ervilhas, as batatas picadas e o arroz. Depois de cozido, adicione os camarões, orégano e sal. Ferva até camarão mudar de cor (deve ficar rosado). Em seguida, escalfar os ovos (deixá-los mergulhados ou ir banhados com o caldo para que cozinhem), o queijo ralado ou em cubos e um raminho de huacatay (ou a hortelã) hortelã. Fora do fogo, removeu o ramo huacatay e adicione o leite. Sirva polvilhado salsa.

domingo, 9 de agosto de 2015

O Delicioso bolo de guerra da Cruz Vermelha (Red Cross War Cake)


Certamente a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) foi o grande divisor de águas desta era, a "guerra para acabar com todas as guerras" começou com o assassinato do arquiduque Ferdinando da Áustria e da Grã-Duquesa Sophie, na Sérvia em 1914. Os homens de infantaria dos EUA, conhecidos como "Doughboys", chegam na frente ocidental, no verão de 1917 - os Estados Unidos tinham indo fornecer aos aliados britânicos, franceses, belgas suprimentos alimentares para dois anos.
Os soldados norte-americanos eram muito bem provisionados em comparação com seus companheiros aliados, graças ao desenvolvimento de padarias de “campo” conseguiram oferecer comidas quentes e frescas no front. Pequenos, os carrinhos-vagão de comida, levavam para as trincheiras a comida quentinha preparada atrás das linhas de frente.
Infestados de ratos e outros animais nocivos, sujeitos a ataques com gás venenoso e bombardeios, cheias de frio e lama gordurosa, as trincheiras era experiência única e angustiante para o Doughboys, muitos deles acostumados com o ar fresco das fazendas nos Estados Unidos.


Trabalhadores da Cruz Vermelha e tropas Americanas na Primeira Guerra Mundial, na França, 1918. Crédito: Arquivo Nacional dos EUA.
A chegada de alimentos cozidos, junto com doces, produtos lácteos, pão fresco e macio foi muito apreciado mas incongruente no inferno conhecido como guerra de trincheira. Assim, tinham ainda outro desafio: manter os alimentos secos, limpos e longe de ratos. Outro problema conhecido era a segurança das linhas de abastecimento, que sempre foram alvos de bombas e outros tipos de sabotagens – isso sempre dificultou a alimentação de tropas. 


Nas trincheiras, cada soldado carregava provisões de emergência contendo 12 onças de carne enlatada ou bacon fresco, café moído, açúcar, tabaco e papel para cigarros (e mais tarde, cigarros pré-enrolados).
O Exército comprava carne enlatada francesa, rotulada de "Madagascar" e prontamente apelidado de "carne de macaco" pelos americanos em desgosto. As “Reservas de ração" foram projetadas para sustentar as tropas quando as linhas de abastecimento estivessem impedidas, ou quando eles estivessem muito longe dos depósitos de suprimentos.


Na França, os soldados eram alojados em relativa segurança antes e depois seu serviço nas trincheiras, tendo acesso confiável à alimentação – recebiam até mesmo pacotes de comida (dentre outras coisas) vindos de casa. Obviamente, alimentos enviados dos Estados Unidos tinham que permanecer comestível sem nenhum cuidado adicional, e mesmo quando estavam velhos ou desintegrados, qualquer alimento enviado por seus entes queridos sempre foi particularmente apreciado.
E foi no ambiente rude da Primeira Grande Guerra que uma aparição doce surgiu para alegrar o menu dos Doughboys: o bolo de guerra da Cruz vermelha.


Durante a Primeira Guerra Mundial a Cruz Vermelha realizou um trabalho humanitário que incidia não apenas no transporte e atendimento aos feridos nos campos de batalha. Os voluntários transportavam correspondências entre os soldados e suas famílias, levantava fundos para os hospitais que recebiam os feridos e inválidos, ajudavam a reunir famílias separadas pelo conflito e garantiam que a comida enviada pelas famílias chegasse aos soldados.



Uma das várias receitas divulgadas pela Cruz Vermelha Americana era a de um bolo que poderia chegar ao front ocidental ainda fresco. Sem leite ou ovos, e feito com gordura vegetal no lugar de manteiga, o bolo leva ainda frutas secas embebidas em rum ou suco de laranja, o que ajuda a manter a umidade dentro da massa por mais tempo.
A receita aqui apresentada é uma adaptação do historiados e chef Libby O’Connel a partir de publicações da Cruz Vermelha durante o período da Primeira Guerra. A receita foi testada por ele para o History Channel e por mim, e afirmo: trata-se de um bolo de fácil preparo e delicioso. Experiemente!

Red Cross War Cake

1 xícara de suco de laranja ou de rum
230g de uvas passas picadas deixadas de molho em suco de laranja ou rum por algumas horas ou por uma semana.
2 xícaras de açúcar mascavo
1 xícara de água quente
1 colher de sopa de banha ou gordura vegetal
1 colher de chá de sal
1 colher de chá de canela em pó
1 colher de chá de cravos em pó
100g de nozes picadas
1 colher de sopa de raspas finas da casca das laranjas
3 xícaras de farinha de trigo
1 colher de chá de bicarbonato de sódio (Ou fermento em pó)

Preparo: Deixe as uvas passas de molho na laranja ou no rum por algumas horas. Drene o suco. Aqueça o forno a cerca de 250ºC. Em uma panela larga, leve ao fogo a água, o açúcar, a gordura, o sal, a canela, o cravo, as nozes de sua escolha, as passas e as raspas de casca de laranja. Mexa constantemente até ferver e depois deixe cozinhar com a panela fechada por 5 minutos. Retire do forno e deixe esfriar. Em uma tijela larga ou bowl, peneire duas vezes a farinha de trigo com o fermento ou bicarbonato. Adicione o líquido cremoso da panela e misture bem. Você terá uma consistência parecida com a massa de um pão. Unte duas formas de pão generosamente, preencha até a metade com a massa e leve para assar por 45 min ou até o teste do palito. Para servir, pode-se polvilhar açúcar de confeiteiro por cima. Obs.: incluir 75g de cacau em pó na receita deixa tudo mais gostoso.

sábado, 25 de julho de 2015

SEMLA - um ícone gastronômico sueco


Comidas tradicionais sempre são bem-vindas para minha apreciação, principalmente aquelas que eu ainda não conheço. Por isso, hoje, este post fala sobre SEMLA, um pequeno pão feito de trigo, aromatizado com cardamomo e preenchidos com pasta de amêndoa e chantilly, um ícone gastronômico sueco.


Semla deriva do Latin” semilia”, termo usado para designar a mais fina farinha de trigo ou semolina. Embora a semla tenha surgido na Roma antiga, e tenha sido saboreada em quase toda a Europa, é na Escandinávia que a tradição se mantem, sendo a Suécia um dos principais países da região a manter a tradição, tendo inclusive uma academia dedicada a essa iguaria: a Svenska Semleakademin.



A semla é uma produção culinária típica da "terça-feira gorda", dia em que é quase obrigatório comer esse pãozinho que também é conhecido como "fettisdagsbulle” ou seja, bolinho ou pãozinho da terça-feira gorda, que é encontrado em todas as confeitarias, padarias e supermercados suecos. 

Os suecos mais tradicionais, para manter as tradições, gostam de comer semla em uma tigela de leite quente – essa combinação é popularmente conhecida como “hetvägg” (literalmente, parede quente). Porém, na atualidade, a semla (ou semlor, plural de semla) é acompanhada por chá ou café.




Inicialmente, a tradição sueca instituía que a semla fosse comida na terça-feira gorda, em tempos antigos, período onde o jejum era uma prática comum. Mais tarde, quando o interesse dos suecos pelo jejum diminuiu, tornou-se tradição comer semla toda terça-feira durante um período de 7 semanas, nas quais o jejum era instituído.

Há quem diga que a semla, inicialmente, fora um pão achatado e sem nenhum tipo de recheio, sendo uma das poucas preparações que os suecos poderiam comer nos períodos de jejum. Para burlar essa prática as pessoas começaram a fazer buracos na semla para esconder algum tipo de guloseima dentro do pão.


Um fato histórico importante envolvendo semla ocorreu em 1771: após um lauto banquete num jantar, composto de lagosta, caviar, chucrute, arenque defumado e regado a muito champanhe, e encerrado com 14 porções de sua sobremesa favorita “hetvägg” (semla com leite), o rei sueco Adolf Frederick morreu de indigestão no dia 12 de fevereiro de 1771. 

Esse acontecimento quase iniciou uma espécie da caça às bruxas em relação a semla, que foi considerada como uma das causas da morte do rei.
As crianças suecas aprendem na escola, até hoje, que o reio Adolf é lembrado por como "o rei que comeu até morrer". Mas isso não impediu que ela se tornasse uma das iguarias mais populares da Suécia, sendo consumida principalmente de janeiro até a Páscoa. Esse pãozinho deve realmente ser gostoso e não é difícil de fazer. Confira a receita abaixo.

Semla (12-15 porções)

Pasta de amêndoa:
125g amêndoa sem casca e laminada
100ml leite
100ml açúcar de confeiteiro

Corbertura:
300ml chantilly
50ml leite
1 colher de chá de açúcar ou essência de baunilha

Semlor (Massa):
100g manteiga ou margarina sem sal
300ml leite
50g fermento biológico seco
1/2 colher de chá sal
100ml açúcar
1 ovo
Em torno de 1 litro (560g ou 4 xícaras de 250ml) de farinha 
1 colher de chá cardamomo
1 ovo extra para pincelar


Preparo pasta de amêndoa: Triturar o máximo possível as amêndoas até ficar uma farinha. Misturar com o açúcar e depois com o leite. Preparo cobertura: Misture tudo delicadamente e reserve. Preparo Massa: Pré-aquecer o forno à 250 C. Derreter a manteiga e despejar o leite. Aquecer até atingir 37C (quando colocar o dedo, tem que estar quente, mas não muito). Despejar o fermento em um bowl. Colocar o sal, o açúcar e o ovo. Colocar a mistura de manteiga e leite e misturar com uma colher de madeira. Colocar a farinha aos poucos e trabalhar a massa com as mãos até ficar lisa e branquinha. Deixar descansar por 30 minutos no bowl coberto com uma toalha. Sovar a massa mais um pouco, por uns 5 minutos. Dividir em pequenas bolinhas. Colocar em uma forma untada ou com papel manteiga. Deixar descansar de 10-20 minutos até crescer mais um pouco. Pincelar com um ovo rapidamente batido. Assar os pãezinhos de 10-15 minutos. Retirar do forno e deixar esfriar. Cortar as “tampinhas” deles. Retirar um pouco do miolo ou apenas amassar com os dedos formando um buraco. Rechear com a pasta de amêndoa. Colocar o chantilly por cima. Tampar e polvilhar açúcar de confeiteiro.  

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Coleslaw - a salada de repolho


Faz um tempinho que não preparo salada de repolho, mas é uma das saladas que gosto – além de ser rápida e fácil. Queria postar uma receita para esta salada e, pesquisando sobre o tema, descobri que a velha salada de repolho tem nome: Coleslaw.



Descobri também que salada de repolho ou variações dela, com vinagre ou molhos a base de ovos, já eram consumidas na Antiga Roma. Daí se compreende o uso, na contemporaneidade, da maionese em detrimento de vinagre neste tipo de salada.
O termo "coleslaw" surgiu no século XVIII como uma anglicanização do termo "koolsla" Dutch ("Kool" em holandês rima com "cole") ou "koolsalade" que significa "salada de repolho". A Coleslaw consiste principalmente de repolho finamente picado e preparada como com um vinagrete. Preparada deste modo, a salada repolho pode ser conservada durante até quatro semanas se for armazenada em recipiente hermético. Outra versão comum desta salada é com o uso de maionese, temperada ou não.  
A mudança de "Koolsla" para "coleslaw" veio com imigrantes holandeses que vieram para a América. Como resultado, a salada de repolho em sua forma atual é amplamente considerada uma conquista da culinária americana, aparecendo primeiro na literatura americana em 1785.



A Coleslaw naturalmente evoluiu para não ser apenas mais uma salda de repolho com maionese. O livro de receitas de 1770, The Sensible Cook: Dutch Foodways in the Old and New World (O sensível cozinheiro: caminhos da alimentação holandesa no Antigo e no Novo Mundo), contém uma receita atribuída a uma autora holandesa, que misturou finas tiras de repolho com manteiga derretida, vinagre e azeite de oliva. A receita para salada de repolho, como é mais comumente preparado é bastante jovem e usa maionese, que também é uma preparação inventada em meados do século XVIII.





Há muitas variações da receita, que incluem a adição de outros ingredientes tais como repolho roxo, pimentas, cenouras raladas, cebolas, queijos, abacaxi, maçã ou misturada a algum molho para saladas tais como maionese ou creme. Uma variedade de temperos, tais como sementes de aipo, podem ser adicionados. O repolho pode vir em pedaços finamente picados, tiras finas ou pequenos quadrados.



Salada de repolho é geralmente comida como acompanhamento para frango frito e carnes grelhadas, e pode ser acompanhada por batatas fritas ou salada de batata como outro acompanhamento. A Coleslaw também pode ser usada como ingrediente para sanduíches de churrasco, hambúrgueres e cachorros-quentes, juntamente com pimenta e mostarda quente. Salada de repolho é usada em uma variante do sanduíche de Reuben (já falamos dele AQUI), para substituir o chucrute – neste caso o sanduíche é comumente chamado de Rachel para diferenciá-lo do Reuben.


A coleslaw pode ser feita com bourbon em vez de vinagre. Quando feita assim é chamada de Drunkslaw, e a receita pede ¼ de xícara de creme de leite, 1 xícara de maionese, 1 xícara de uísque, e uma libra de repolho cortado, cenouras raladas. Geralmente acompanha o churrasco do dia 4 de Julho.
Existe uma anedota contada nos EUA sobre a coleslaw, e ela diz o seguinte: um americano convenceu um amigo incrivelmente egoísta que salada de repolho era uma dieta de ação rápida, e que se ele comesse várias porções dela, ao longo do dia, iria perder cintura.  Mas para funcionar precisaria ser por uma bolada de £ 250 (risos).
A Coleslaw nunca vai ser o centro de uma refeição, mas nos últimos 200 anos, tem crescido e se tornado parte indispensável de piqueniques e churrascos nos EUA. No Brasil, os self-services são os lugares mais comuns para se encontrar este tipo de salada.

COLESLAW

60 g de maionese;
1/4 de xícara (chá) de vinagre de maçã
2 colheres (sopa) de cebola picada
2 colheres (sopa) de açúcar
1 colher (chá) de mostarda em pó
1/4 de colher (chá) de sementes de salsão
1 repolho médio finamente fatiado;
1 maçã verde
1 cenoura;
sal e pimenta-do-reino branca a gosto

Preparo: Rale a maçã e a cenoura em um ralador grosso. Coloque o repolho em uma tigela e junte a maçã, a cenoura e a cebola. Misture bem e reserve. Coloque a mostarda em pó, o açúcar e o vinagre em uma panela. Leve ao fogo até dissolver o açúcar, sem deixar ferver. Acrescente a mistura ao repolho e mexa para incorporar bem. Junte a maionese e tempere com as sementes de salsão e pimenta-do-reino; acerte o sal, se necessário. Misture novamente e reserve na geladeira por 12 horas antes de servir. Sirva como acompanhamento de grelhados ou em sanduíches.

Dica: acrescente meio pimentão verde cortado em tiras bem finas, se desejar.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Garrofetes del Papa Luna



É tão bom quando se tem a oportunidade de viajar e se envolver com as culturas de outras sociedades e descobrir, além da história e curiosidades sobre os lugares, a gastronomia. Essa semana fui incumbido de apresentar um trabalho em espanhol, para a Universidade, sobre Paradores espanhóis da região da Catalunha. E na minha busca, acabei encontrando na cidade de Tortosa o que eu precisava – e de quebra, o tema dessa postagem, que trata sobre os Garrofetes del Papa Luna.


Tortosa é um município da província de Terragona, comunidade autônoma da Catalunha, que tem um patrimônio arquitetônico e artístico com mais de dois mil anos de história e, por isso, uma parte cidade foi tombada por ser considerada conjunto histórico-artístico da humanidade. A cidade de Tortosa teve bastante expressão no período medieval e conserva monumentos daquela época até os dias de hoje, dentre os principais se destacam o castelo de Zuda e a Catedral gótica.
O Catelo de La Zuda ou a fortaleza árabe (este é o assunto do meu trabalho), também conhecido como Castelo de San Juan, foi construído por Abderramán III em 944, embora mais tarde passou para as mãos dos Templários e em 1294 foi convertido em palácio real. Erguido no alto de uma colina com vista para a cidade e grande parte do rio Ebro, preserva elementos importantes, como o muro com várias torres, incluindo a torre mestra, o pátio de armas O calabouço abobadado ou as masmorras. Atualmente, o castelo califal converteu-se em um Parador Nacional (Parador, na Espanha, significa que um prédio de relevância foi transformado em meio de hospedagem para atrair turismo). 

Castelo de la Zuda
 O catelo de la Zuda teve, dentre seus vizinhos ilustres, o antipapa Benedicto XIII (Bento Treze). Durante o Grande Cisma do Ocidente, e com o falecimento do Papa Clemente VII (1394) foi designado como Papa o cardeal Pedro de Luna, que reinou como Antipapa Bento XIII, mas também conhecido como "Papa Luna" que instalou a sede do seu pontificado no Castelo de Peníscola, próximo a Tortosa, entre 1411 e 1423. O castelo de Peníscola é outra obra Moura, e localiza-se na cidade e município de Peníscola, província de Castellón, na comunidade autónoma da Comunidade Valenciana, na Espanha, ao qual atraiu uma plêiade de artistas e artesãos que abrilhantaram o seu palácio no interior. O seu sucessor, o Antipapa Clemente VIII, também ocupou as dependências do castelo até à sua abdicação, em 1429.

Castelo de Peníscola
 Mas Voltando a Tortosa, reza a lenda que, nos últimos anos de vida, o papa Luna tinha uma saúde muito debilitada e estava com dificuldades para comer. Então foi solicitado aos confeiteiros e padeiros da região que elaborassem uma receita de algo que fosse fácil de tragar e rico em proteínas, vitaminas, etc. Então, um confeiteiro de Tortosa teve a ideia de criar um doce muito rápido de ser feito a base de gema, açúcar e farinha em forma de meia lua que se conhece com o nome de Garrofetes del Papa Luna. Desde então, o biscoito tornou-se popular e atualmente é uma das referências gastronômicas daquela região. A receita dos Garrofetes segue no fim desta postagem, mas para garantir uma produção bem feita deixo, abaixo, um vídeo ensinando a preparar o biscoito. Infelizmente não achei muitas receitas dessa preparação, e a única que encontrei não contém farinha - caso alguns de vocês, leitores, tenham uma receita que inclua farinha na massa, por favor, me encaminhe para eu incluir nessa postagem com os devidos créditos.

Antipapa Bento XIII





Não sei quanto a vocês, mas eu sempre trago à tona, quando se fala em antipapa, em coisas ruins, não sei explicar. Por isso cabe explicar que um Antipapa é uma pessoa que reclama o título de Papa, em oposição a um Papa legitimamente eleito, ou durante algum período no qual o título estava vago. Antipapa não é necessariamente sinal de doutrina contrária à fé ensinada pela Igreja. No passado, antipapas eram geralmente apoiados por uma facção significativa de cardeais e reinos.
Hipólito de Roma († 235) é considerado o primeiro antipapa, como ele protestou contra o Papa Calisto I e dirigiu um grupo distinto dentro da Igreja em Roma. Hipólito foi posteriormente reconciliado com o segundo sucessor de Calisto, o Papa Ponciano, quando ambos condenaram a ilha de Sardenha. Porém se realmente Hipólito declarou-se bispo de Roma permanece incerto, especialmente pelo fato de que esta afirmação não tem sido citada nos escritos atribuídos a ele. Hipólito foi posteriormente canonizado pela Igreja.
Eusébio de Cesareia cita um escritor anónimo que relata que Natálio no início do século III aceitou ser papa de um grupo de hereges em Roma, mas logo se arrependeu e implorou ao Papa Zeferino (199-217) para perdoá-lo e recebê-lo novamente em comunhão. Embora esta circunstância também seja incerta.
Novaciano († 258), no século III, certamente, alegou ser Papa, em oposição ao Papa Cornélio, e se Natálio e Hipólito foram excluídos por causa das incertezas em relação às suas reivindicações, Novaciano poderia ser considerado de fato o primeiro antipapa.
O período de mais numerosos antipapas foi durante as lutas entre os papas e os imperadores do Sacro Império Romano dos séculos XI e XII. Conforme afirma o historiador Leandro Rust, "nenhum outro período histórico é capaz de rivalizar com a Idade Média quando se trata de antipapas. Para pouco mais de cinco séculos (entre 999 e 1513) mais de 20 deles são identificados. A maior parte concentrada nos períodos de 1060-1180 e 1320-1440." Os imperadores frequentemente impuseram seus candidatos próprios para promover suas próprias causas.
O Grande Cisma do Ocidente - que começou em 1378, quando os cardeais franceses, afirmando que a eleição do Papa Urbano VI seria inválida, elegeram Clemente VII como papa - levaram a criação de dois antipapas, um em Avignon (Clemente VII fixou residência em Avignon, França), e Pisa. O último antipapa mencionado foi eleito na cidade de Pisa, Itália, como Alexandre V. Posteriormente, o Papa Martinho V foi eleito e aceito por toda a Igreja. A partir do Reforma Católica no século XVI cessou a existência de antipapas.

Garrofetes del Papa Luna

15 gemas de ovos
1 ovo
600 gr de açúcar
Essência de baunilha a gosto ou uma colher de sopa de açúcar abaunilhado

Preparo: colocar tudo em na batedeira e bater por 20 minutos, até virar uma gemada clara e espessa. (Isso pode ser feito à mão, mas demora mais). Depois de pronto, colocá-lo em saco de confeitar com bico liso e pingar em formas untada e enfarinhada.  Levar ao forno preaquecido a 150 graus até que estejam cozidos e sequinhos – o que é rápido. Então fique de olho no forno.