quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Vzvar: bebida tradicional do Natal russo


Para quem gosta de bebidas diferentes a Kzvar é uma típica bebida russa, não alcoólica, bastante comum no Natal naquele país. Pelo sabor e qualidades nutricionais é incomparável e se tornou bastante popular, principalmente por ajudar a esquentar no intenso inverno russo, quando  é bebida quente – mas a bebida também pode ser apreciada fria.
Na Rússia, a primeira menção escrita à Vzvar refere-se ao ano de 989, quando o Príncipe Vladimir de Kiev chamou seus súditos ao cristianismo. Nos anais daquela ocasião estava escrito - "distribuía alimentos, mel e Vzvar para o povo”.


A palavra Vzvar é certamente de origem russa e significa "bebida amarga." No entanto, por uma questão de objetividade, observa-se que até oito mil anos atrás a Vzvar era algo semelhante à cerveja - bebida feita a partir de cevada, algo entre Vzvar moderno e cerveja - preparada pelos antigos egípcios. A Vzvar de frutas já era conhecida na antiga Babilônia, mas conseguiu se espalhar pela Mesopotâmia.
Figuras históricas famosas como Heródoto, Plínio, o Velho, e Hipócrates, deixaram descrições de bebidas muitos parecidas com Vzvar. Além disso, Hipócrates apontava propriedades curativas desse tipo de bebida.


Os primeiros tipos de Vzvar eram feitas de diferentes tipos de grãos: centeio, cevada, aveia, milheto. Receitas naquela época eram de cerca de mil: havia Vzvar com hortelã e uvas passas; Vzvar de centeio esmagado com malte de cevada; Vzvar do norte feitas a partir de farinha de centeio, farinha de musgo islandês e folhas de groselha preta; Vzvar branca, vermelha; Vzvar feitas de bolachas, gengibre, morangos, cerejas, peras, ameixas... Ou seja, existiam Vzvar diferentes cuja fórmula variava de acordo com as produções locais, clima, época do ano e de acordo com os gostos da família e anfitriões.


A partir da literatura é conhecida a habilidade de cozinhar deliciosas e, picantes Vzvar eslavas, de forma artesanal, e daí é difícil inumerar a quantidades de tipos de Vzvar existentes – principalmente porque cada morador pode ter sua propia receita em casa.
No século XIX, o povo russo não podia fazer nada sem Vzvar, que era usada antes, durante e depois do trabalho, antes e após as refeições. Vzvar era a bebida de cada dia.  Como foi amplamente espalhado a kvasovarenie na Rússia, como mostra o trabalho do médico LI Simonov, publicado em 1898, em que o autor escreveu: "... A produção de Vzvar é comum aqui: ela é cozida por camponeses, burguesa, comerciantes e fazendeiros, nos mosteiros e os quartéis, hospitais; existindo nas cidades instalações para o preparo e venda da Vzvar e os mestres Vzvar. Os médicos acreditam que o nosso Vzvar é bebida de higiene e benéfica não só para as pessoas saudáveis, mas também para os pacientes. Nos últimos anos, os médicos estão começando a prestar atenção à Vzvar russa e recomendá-la à Europa Ocidental. "


Vantagens da Vzvar estão relacionadas com a presença de substâncias aromáticas encontradas na bebida. E além delas, os efeitos benéficos da Vzvar no processo de digestão em seres humanos são explicados pela presença de bactérias de ácido láctico encontrado na bebida. Portanto a Vzvar provoca o mesmo efeito que os produtos lácteos: contém açúcares de fácil digestão, vitaminas e outras substâncias. Vzvar melhora o apetite, tem um alto poder calorífico. As bactérias da fermentação do ácido láctico enriquecem a bebida com vitaminas B, B2, PP, B e ácido láctico. Estas qualidades definem a aromática Vzvar que restaura a força e melhora o desempenho para grandes cargas de trabalho. O sabor da Vzvar é uma impressão indelével para estrangeiros que visitam a Rússia.



A Vzvar russa é sempre associada a várias crenças e superstições. Além de estar descrita em rituais mágicos – o que indica um compromisso especial para com a bebida. A Vzvar é preparada especialmente para celebrações especiais como casamentos e nascimentos de crianças. Como ferramentas mágicas e terapêuticas foram utilizadas Vzvar com sal após a preparação da bebida.



Independentemente da origem e do significado, se você gosta de ter algo “diferente” para servir aos convidados, que tal experimentar  o preparo desta  bebida?

Vzvar

4-5 maçãs ou / e peras secas
4-5 ameixas secas
2 colheres de sopa de cerejas secas
2 colheres de sopa de uvas  passas
5 xícaras de água
1/4 xícara de açúcar ou mel (a gosto)
Preparo: Lave os frutos secos em água morna. Coloque as frutas secas em uma panela, adicione a água e cozinhe em fogo baixo por 30 minutos. Adicione o açúcar e as passas, ferva por e 30 minutos, com panela tampada . Sirva quente ou  frio. Quando for servir escorrer as frutas. Para armazenar  deixar  com as frutas e fechar como  se fosse uma compota.

Obs.: há quem adicione especiarias nessa mistura durante o cozimento, então sugiro você utilizar as que mais gosta. Canela, cravo e gengibre caem muito bem. E quem sabe ir além e preparar uma gelatina com ela. Veja receita abaixo:

Gelatina de Vzvar
4 xícaras de vzvar frio
2 envelopes de gelatina incolor
Preparo: polvilhe a gelatina sobre 1 xícara da vzvar fria em uma panela, deixe descansar por 1 minuto. Leve ao fogo mexendo até a gelatina se dissolver completamente, junte as 3 xícaras restantes de vzvar e misture bem. Despeje em  taças e leve à geladeira até firmar.


quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Christmas cake - O Bolo de Frutas para o Natal


Eu confesso que, quando criança, eu não era muito fã de bolos com frutas, mas com o passar dos anos aprendi a gostar. Geralmente nesta época do ano aparecem frutas em muitas preparações culinárias natalinas e os bolos de Natal não são os mesmo sem elas. Algumas das receitas mais famosas já tratei AQUIAQUIAQUI e AQUI.. mas hoje quero me deter especialmente ao bolo de frutas que carregam a alcunha de bolos de Natal, para tentar entender sua história – e quem sabe sua evolução.


O que mais me agrada nesse tipo de bolo é poder utilizar na massa todo tipo de frutas, castanhas (todos os tipos de frutos secos) e especiarias exóticas que eu tenho no armário, e no final transformar tudo em um resultado maravilhoso, aromático. A tradição diz que os bolo de Natal, de frutas, devem ser feitos em novembro – sei de casos em famílias inglesas que já fazem com muito mais tempo de antecedência. O que deixa esses bolos conservados por este tempo todo é a adição de bebida alcoólica com que se rega o bolo de tempos em tempos – esse é o pulo do gato para se armazenar este tipo de bolo!
Toda essa história começou no século XIII, quando os britânicos incluíram frutas secas em seus pães, e depois nos bolos, que até aquele período não incluíam ovos na receitas. Embora se saiba que os frutos secos estejam presentes a muito tempo na alimentação humana, o bolo de Natal, geralmente é um bolo de frutas, conhecido como fruitcake, é uma preparação tradicionalmente inglesa.



O nome "fruit cake" pode ser rastreado até a Idade Média, sendo formado a partir de uma combinação de fructus Latina, e Frui ou Frug francês. Mas a referência mais antiga que pode ser encontrada sobre um bolo de frutas remonta à época romana. A receita incluía sementes de romã, pinhões, passas que eram misturadas em mosto de cevada. Mel, especiarias e frutas em conserva foram adicionados durante a Idade Média.
Em 1400 os britânicos começaram seu caso de amor com fruitcake quando conheceram as frutas secas do Mediterrâneo pela primeira vez. Já em 1647, o puritano Oliver Cromwell aprova a lei para toda a Inglaterra proibindo banquetes e festas Natalinas, e argumentando principalmente que os bolos de frutas eram considerados “ricamente pecaminosos” para a data religiosa. Quem era pego comemorando, era preso! A proibição caiu em 1660.



Em 1700, na Europa, um tipo cerimonial de fruitcake era cozido nas épocas de colheita e conservados para ser comido no próximo ano para comemorar o início da próxima safra, esperando que ele traria outra colheita bem sucedida.
Entre 1837 e 1901, os bolos de frutas eram extremamente populares. Um chá na Era Vitoriana não estaria completo sem bolos de frutas. Dizem, inclusive, que a rainha Victoria teria esperado um ano para comer um bolo de frutas que ela recebeu em seu aniversário porque gostaria de sentir a maturação do bolo, que lhe confere gosto melhor.
Uma antiga tradição inglesa conta que as convidadas solteiras de casamentos ingleses colocavam uma fatia do bolo de casamento, tradicionalmente um bolo de frutas, sob seu travesseiro à noite, então elas iriam sonhar com a pessoa que iriam se casar. Aliás, o bolo de frutas inglês se disseminou no Brasil por meio dos ingleses existentes em Recife, Pernambuco, que com sua confeitaria delicada evoluiu e deu origem a uma receita tradicional pernambucana para bolo de casamento.
Mais tarde se descobriu que ovos batidos ajudam o bolo a crescer, como na receita do Sr. Herbert M. Bower para Ripon Plum Cake or Christmas Cake (Bolo de Natal) incluído na coleção de 1939 Florence White's, intitulada Good Things in England (Coisas boas da Inglaterra) que contem nada menos que sete claras batidas em neve até formar picos bem duros. 




 Já Annie Bell usa bicarbonato de sódio como agente de crescimento para a massa na receita do 'The All Gold Christmas Cake', em seu livro Gorgeous Christmas –  adicionado a uma panela quente de manteiga derretida, suco de maçã, isso faria o bolo crescer espetacularmente.  



Enquanto o fermento em pó, usado como  agente de fermentação é atualmente mais utilizado em bolos, ele só passa a ser usado na receita do Victorian Christmas Cake que apareceu  na obra Christmas Collection escrita por Mary Berry; na receita da lendária confeiteira Claire Clark em Indulge, conhecido como as Dan Lepard's Black Christmas Cake; e mais recentemente no Christmas Cake de Nigella Lawson.



Embora existam muitas receitas diferentes lembra-se que um bom bolo de frutas deve: ser macio e ao mesmo tempo sólido– textura que só é conseguida quando se usa fermento em pó; deve ter um bom melado e frutas de boa qualidade, assim com os frutos secos.
 As receitas da Nigella e Annie Bell são para "bolos de frutas cozidos" - incluem alguns ingredientes que são cozidos durante a preparação do bolo para manter uma maior umidade no final da receita.




Este velho truque significa que não há necessidade de bater a manteiga e o açúcar vigorosamente para se obter um creme perfeito - o que economiza tempo; ou mesmo pré-mergulhar os frutos secos em bebidas alcoólicas, como sugerem as receitas de Mary Berry e Claire Clark para se ter um resultado final úcom eles sobre a umidade.
Mas quando se fala em mergulhar frutas em bebida, quais as opções tradicionais?
Marry, opta por xerez; Annie Bell usa suco de maçã; Nigella usa rum. Mas ainda há quem use uísque, conhaque, rum escuro, suco de laranja e até chá. Ou seja, o seu gosto é quem manda em que mergulhar (ou não) suas frutas. Para mim, o uísque combina bem, mas se quer deixar mais doce, o rum é uma boa opção.



Um bom dolo de frutas secas deve ter doçura na medida. Assim misturar farinha de amêndoa nas mistura e usar açúcar mascavo é a solução perfeita, além de usar um melado de qualidade – ou mel, caso não tenha melado. O doce desse bolo fica bem equilibrado com quando se mistura ameixas e damascos secos, tâmaras secas, cerejas cristalizadas, figos secos, uvas passas. Há também quem utiliza uma boa geleia de damasco, um pouco de chocolate, é a imaginação quem vai mandar.



E as especiarias fazem toda a diferença, pois um bolo de Natal perfeito deve ser picante e rico. Assim, deixo abaixo duas receitas deliciosas para bolo de Natal, uma com frutas e outra sem elas – mas a partir dessas receitas você pode criar a sua.

BOLO DE NATAL
350g de ameixas secas cortadas
250g de passas
125g de corinto (um tipo de uva)
175g de manteiga sem sal, amolecida
175g de açúcar mascavo
175ml de mel ou  melado (se tiver)
125ml de licor de café
Suco de 2 laranjas
2 colheres (sopa) de cacau em pó
3 ovos batidos
150g de farinha de trigo
75g de amêndoas
1/2 colher (chá) de fermento em pó
1/2 colher (chá) de bicarbonato de sódio
Decoração: enfeites comestíveis à gosto

Preparo: Preaqueça o forno a 150ºC. Coloque as frutas, manteiga, açúcar, mel, licor de café, suco de laranja, cacau em uma panela grande. Aqueça a mistura até que ela ferva, mexendo-a enquanto a manteiga derrete. Deixe a mistura ferver por dez minutos. Retire a panela do fogo e deixe repousar por 30 minutos. Após 30 minutos, a mistura vai ter esfriado. Adicione os ovos, a farinha, as amêndoas trituradas, o fermento em pó e o bicarbonato de sódio e misture bem com uma colher de pau ou espátula até que os ingredientes se misturem. Cuidadosamente, derrame a mistura do fruitcake na forma de bolo. Leve o bolo ao forno para assar durante uma hora e meia a duas horas, ou até o topo do bolo ficar firme. Tire do forno e espere o bolo esfriar para tirá-lo da forma. Decore à gosto.

BOLO QUENTE DE NATAL (SEM FRUTAS)
150g de farinha
100g de açúcar mascavo
1 colher (chá) de fermento em pó
2 colheres (chá) de gengibre em pó
2 colheres (chá) de mix de especiarias (cravo, canela, alcaravia e semente de coentro)
125ml de leite integral
60ml de óleo vegetal sem sabor
1 ovo
6 colheres (chá) de manteiga
500ml de água fervente
350ml de double cream
125ml de advocaat

Preparo: Em um recipiente, junte a farinha, o açúcar mascavo, uma colher de chá de gengibre, uma colher de chá de mix de especiarias e o fermento. Adicione o leite, o óleo e o ovo e misture. Despeje a massa em um tabuleiro untado e coloque por cima uma colher de chá de gengibre em pó e uma colhe de chá do mix de especiarias. Espalhe seis colheres de chá de manteiga pelo tabuleiro. Por fim, despeje a água fervente sobre tudo (vai parecer uma catástrofe, mas nãos e assuste, no fim tudo dará certo! Leve a mistura ao forno pré-aquecido a 220 ºC por 30 minutos.

sábado, 14 de novembro de 2015

Pudding du chômeur (Pudim dos Desempregados)


A criatividade humana sempre me anima. Tenho visto muitas produções dessa criatividade ultimamente, circulando pelas redes sociais. É bonito ver as pessoas criado. E o pensamento criativo gera uma energia fantásticas. Isso me empolga, principalmente quando as pessoas inovam e geram novidades para enfrentar períodos de crise. Pensando nisso fui buscar uma receita que surgiu um período difícil, como o que estamos vivendo, e ela será o tema de hoje. Apresento a vocês o Pudding du chômeur.


O Pudding du chômeur, que traduzido ao pé da letra significa pudim do desempregado, é uma sobremesa tradicional canadense, tipicamente da região de Quebec e Acadian, criada na época da Grande Depressão (1929), onde a crise econômica avassaladora obrigava as famílias a ter cautela nos gastos, com limitações, e usar produtos baratos. Isso afetou diretamente a cozinha, pois as famílias tinham que comer e cozinhar sobremesas com ingredientes mais baratos – motivo que desenvolveu a criatividade das pessoas na cozinha para superar a crise.


Existem algumas versões sobre a origem da sobremesa. As mais consideradas são as seguintes:
A primeira conta que esta sobremesa teria nasce com a Grande Depressão das mãos de Georgette Falardeau, mulher de Camilien Houde, então prefeito de Montreal. A Primeira dama daquela cidade teria imaginado este mimo para confortar, com uma boa dose de açúcar mascavo, as mulheres dos trabalhadores atingidos por demissões em massa. Daí o nome: pudim dos desempregados




A outra versão diz que a sobremesa foi criada por trabalhadores de uma fábrica, durante a Grande Depressão, quando as mulheres das cozinhas tinham que preparar as refeições com poucos ingredientes que dispunham que incluía manteiga, farinha, leite e ovos.


Durante a crise econômica, o caramelo que banha a massa era feito a partir de açúcar mascavo, pois o açúcar era mais barato. No entanto, mais tarde foi substituído pelo xarope de bordo (Maple Syrup). Esta sobremesa é considerada um dos elementos básicos da cozinha Quebec, sendo inspirada em técnicas culinárias francesas adaptadas ao novo contexto. O caramelo de açúcar mascavo substituído pelo xarope de bordo (Maple Syrup) ilustra perfeitamente a cozinha sincrética daquela província desde o início da colonização, os ingredientes indígenas combinados com técnicas de receitas tradicionais europeias.
O pudim dos desempregados é muitas vezes o centro das atenções nas mesas de Quebec até recentemente. E, embora um bolo/pudim caramelado aparece em muitas partes do mundo, estes é um "prazer que os canadenses - ou melhor, os quebequenses – mantem para eles".
Que tal preparar esse pudim criativo, prático e rápido de ser feito para adoçar também a sua vida? E deixo uma sugestão: aqui no Brasil, principalmente no Nordeste, temos  mais facilidade de encontrar mel de engenho (mel de cana de açúcar), quem sabe a ousadia permita você a preparar esse pudim com mel de engenho...

Pudding du chômeur (Com calda de açúcar mascavo)

2 xícaras de farinha
¾. Xícara de açúcar
4 colheres chá de fermento em pó
½ colher de chá de sal
4 colheres de sopa de manteiga derretida
1 xícara de leite
Calda: 2 xícaras de açúcar mascavo
2 xícaras de água
Essência de bordo
Preparo: junte a farinha, o fermento, o açúcar e o sal. Adicionar o leite e misturar bem, depois juntar a manteiga derretida. Colocar a massa em uma assadeira untada com manteiga e colocar a calda ainda quente por cima e levar ao forno pré-aquecido por 30 a 40 minutos.
Calda: juntar o açúcar, a agua e a essência e levar ao fogo por  uns 5 minutos até ferver.

Pudding du chômeur (com calda de maple Syrup)

2 copos (500 ml) de xarope de bordo
2 xícaras (500ml) de creme de leite fresco
160g (2/3 de xícara) de manteiga em temperatura ambiente
200g (1 xícara) de açúcar
2 ovos
280g (2 1/3 xícaras) de farinha
1 colher de chá de fermento em pó

Preparo: Pré-aqueça o forno a 425 ° F (210 ° C). Ferva o xarope de bordo e creme de leite em uma panela. Deixe ferver de 3 a 4 minutos, em seguida, retire do fogo. Bata a manteiga e o açúcar. Adicione os ovos e bata mais um pouco. Em outra tigela, peneire junto a farinha, o fermento e o sal. Misture os secos peneirados com a mistura anterior. Despeje a massa em uma forma untada. Cubra a preparação com xarope de bordo e leve ao forno por 20-30 minutos Esta receita deve ser comida quente.  

domingo, 1 de novembro de 2015

ETON MESS


Tem dias que a gente acorda desejando uma bela sobremesa para deixar a vida mais doce.  O ruim desse desejo é que, nem sempre, a gente tem coragem para fazer algo deliciosos, e comprar algo que nos agrade está cada vez mais difícil (seja pelo preço exorbitante ou pela qualidade que nem sempre está à altura do nosso desejo). Nessas horas é apelar para que milagres acontecem (risos). Eu acredito em milagres.
As vezes o milagre acontece quando menos se espera por eles. É o caso da postagem de hoje, que apresenta a Eton Mess.


Eton Mess é uma tradicional sobremesa britânica, que consiste de merengues, com deliciosos morangos frescos envolvidos em um creme macio. Mas existem outras versões com outros tipos de frutas.
A origem dessa sobremesa remonta a uma bagunça que foi um verdadeiro milagre culinário:
A Eton Mess (Mess, em inglês, significa confusão, bagunça) foi criada no famoso Colégio Inglês Eton, em Windsor, na Inglaterra. Era uma preparação tradicionalmente servido em uma celebração anual daquele colégio a cada 4 de junho. O Eton College foi fundado em 1440 pelo rei Henrique IV e tem uma longa lista de alunos ilustres, incluindo o primeiro-ministro David Cameron e o príncipe William.

Eton College

Esta sobremesa ficou especialmente conhecida pelo nome "Eton Mess" desde o século XIX. De acordo com o livro Dairy, de Robin Weir, a Eton Mess era servida no Eton College desde a década de 1930 e foi originalmente criada com os morangos ou bananas. As frutas eram misturadas com sorvete ou creme, e o meregue foi adicionado tempos depois, por um cozinheiro chamado Michael Smith.



Quanto ao nome da sobremesa a explicação é bem óbvia: nome Eton Mess foi tirado de duas partes; a primeira palavra Eton foi, obviamente, tomado de Eton College, onde a sobremesa originou. A palavra Mess (confusão/bagunça) refere-se a aparência do prato, que originalmente não é muito arrumada.



Há muitas lendas sobre a origem dessa receita, porém a mais comentada é que durante um jogo anual de cricket no Colégio Eton, um cachorro da raça Labrador sentou-se sobre a cesta de piquenique que continha uma pavlova de morango, e acabou esmagando-a. As crianças não se importaram e se deliciaram com a sobremesa, que então virou moda.
Para garantir o sucesso dessa sobremesa é fundamental ter ingredientes de boa qualidade; Logo, ter frutas orgânicas são sempre uma boa opção. Os suspiros você pode comprar numa padaria, caso não saiba preparar. E o creme para misturar pode ser o que você preferir. Mas aqui vai uma sugestão para você prepara sua Eton Mess.

Eton Mess

1 xícara de morangos lavados, secos e picados
1 colher de chá de extrato de baunilha
1 colher de sopa de aceto balsâmico
1 pitada de sal
3 colheres de sopa de açúcar refinado
1 Xicara de suspiros quebrados
1 xícara de creme de leite fresco bem gelado

Preparo: Separe todos os ingredientes. Coloque no congelador o creme de leite e a vasilha que você irá utilizar para bater o chantilly, em quanto isso prepare os morangos. Remova os cabinhos dos morangos, e lave-os um a um. Deixe os morangos sobre papel toalha para secarem. Pique os morangos em cubinhos (meça uma xícara), adicione uma colher de açúcar, o extrato de baunilha, o aceto balsâmico com uma pitada de sal. Misture e reserve. Quebre os suspiros e reserve. Separe as taças ou a travessa em que você irá montar a sobremesa. Faça o chantilly: junte o creme de leite com duas colheres de açúcar e bata na batedeira, até obter um creme consistente. Não bata por muito tempo, pois o creme pode virar manteiga. Para montar a sobremesa, faça camadas de chantilly, morangos e suspiros. Sirva em seguida.

Dicas: Você também pode fazer uma camada de banana em rodelas, e para a banana não escurecer é só pingar umas gotinhas de limão.
Se você quiser algo menos calórico pode trocar o chantilly por iogurte grego.
Faça essa sobremesa quase na hora de servir, pois os morangos soltam bastante agua, e você perderá a crocância dos suspiros.

Banana Eton Mess

4 bananas
150ml de creme de leite
150 ml crème de confeiteiro
Para o merengue:
3 claras
150g de açúcar
Meia colher de chá de vinagre de xerez
Para o molho:
100g macio açúcar mascavo
100g de manteiga
100ml de creme de leite
1 colher de sopa de rum
Servir:
150g de amêndoa, noz-pecã e passas

Preparo: Pré-aqueça o forno a 180ºC. Para o merengue: Bata as claras em neve até estarem firmes em seguida, junte o açúcar em colheradas, colocando uma colher de cada vez. Misture delicadamente no vinagre. Coloque em um saco de confeiteiro, e faça o formato que desejar em uma assadeira com papel manteiga. Leve ao forno para assar com uma colher de pau na prendendo na porta do forno, por cerca de 45 minutos Para o recheio: Bata o creme de confeiteiro e o creme de leite juntos; corte as bananas, misture metade com o creme e a outra metade com o molho. Para o molho: Coloque todos os ingredientes do molho em uma panela e deixe ferver até engrossar, deixe esfriar. Para servir coloque uma colherada da mistura cremosa em um copo de coquetel, em seguida, alguns merengues quebrados, um pouco de nozes e molho, repetir até terminar.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Baixaria acreana

Calma. Não vá pensando besteiras. Essa baixaria não é do tipo que ultimamente tem ganhado força nos noticiários dos telejornais. Trata-se apenas de uma expressão que ganhou força nas ruas do Acre - e há quem diga que essa baixaria é deliciosa...
A baixaria acreana é uma preparação culinária que se comia no mercado do Borque, naquele estado, tempos atrás, quando se saia das festas (baladas), mas que atualmente se encontra em todos os lugares podendo ser comido a qualquer hora. Por lá, todo mundo conhece e se fala dessa baixaria com naturalidade. 
Para o batismo deste prato existiram diversas baixarias, contadas com particularidade, nas ruas acreanas, vejamos algumas delas:


Pelos anos de 1970, período em que o Acre foi invadido subitamente pro vaqueiros e fazendeiros, certo dia, muito cedo, chega ao Mercado do Bosque, em Rio Branco, um desses vaqueiros capas de comer um boi em cada refeição e foi logo perguntando: ô Dona Maria, que tem para comer aí? A mulher respondeu que tinha o de sempre: mingau, pão de milho (cuscuz), tapioca, carne moída, café... enfim falou tudo o aquela dispunha. O Vaqueiro emendou: Pois me coloquei ai então pão de milho, carne moída e frita dois ovos. A Dona Maria para tornar o prato imenso, mas querendo deixa-lo bonitinho, acrescentou cheiro verde por cima e entregou ao vaqueiro que devorou tudo, e só depois perguntou: Então Dona Maria, quanto é que fica toda essa baixaria que comi? E desse episódio surge o nome para este prato típico da culinária acreana que tornou-se repetido no mercado do Bosque, ganhando fama e espalhando o nome pela população.


Outra versão conta que, o nome surgiu para separar uma briga depois que dois jornalistas debocharam de um grupo de pessoas que chegava de uma festa para tomar café no mercado. Eles já estavam bêbados, quando chegou umas senhoras de vestido longo e uns homens de fraque e gritaram: 'lá vem a baixaria', então para não virar uma confusão uma certa senhora chamada Toinha disse que baixaria era o prato que eles pediram.


Mas independente da baixaria que originou o prato, o nome pegou e foi popularizado nos anos 80 pelo jornalista Wilson Barros, que publicou algumas matérias comentando sobre a novidade no mercado.
Eu adoro cuscuz de muitas maneiras, mas confesso que não sou muito fã de carne moída, mas essa baixaria é algo interessante para se experimentar.

Baixaria acreana
Cuscuz:
200g Flocos de milho pré-cozidos
½ xícara (chá) de água
1 colher (sopa) de manteiga derretida
Sal a gosto
Carne moída:
: ½ kg musculo moído
1 colher (chá) rasa de sal
Pimenta-do-reino moída ½ colher (chá)
Pimenta-malagueta curtida a gosto
1 colher (chá) de Vinagre de vinho tinto
6 dentes de alhos picados
3 colheres (sopa) de óleo
3 tomates maduros, sem sementes e em cubos pequenos
1 cebola pequena, em cubos médios
Colorau: 1 colher (chá) de colorau
½ xícara (chá) de agua
6 ovos
Cebolinha picada a gosto

Preparo: Cuscuz: Hidrate os flocos de milho na água, deixe descansar por 15 minutos. Misture o sal e a manteiga derretida. Coloque numa cuscuzeira e leve ao fogo por 25 minutos. Reserve. carne moída: Tempere a carne moída com o sal, a pimenta-do-reino, a pimenta-malagueta, o vinagre e o alho. Incorpore a mistura com as mãos. Acerte o sal. Numa panela aqueça o óleo, junte a carne e refogue. Antes que o líquido liberado pela carne seque completamente, junte o tomate, a cebola e o colorau. Refogue mais 15 minutos. Acrescente água e cozinhe por mais 10 minutos. Finalização: Monte o prato com o cuscuz esfarelado, regado com um molhinho de carne moída. Coloque sobre a mistura um ovo frito na hora, com a gema mole, e salpique cebolinha.

domingo, 11 de outubro de 2015

Mãe-Benta – patrimônio da doçaria carioca

Quem já provou os bolinhos conhecidos por mãe-benta sabe que eles viciam. Embora estes bolinhos estejam sendo esquecidos ao longo dos anos, eles são fáceis de fazer, deliciosos e podem ser resgatados do ostracismo nas suas aventuras culinárias. Por isso, hoje o post desta confraria é dedicado a este bolinho peculiar, que sempre rende boas histórias, a começar pela origem do preparado.


Tantas vezes o padre Diogo Antônio Feijó, ministro da Justiça de 1831 a 1832 e regente do Império Brasileiro entre 1835 e 1837, era visto na Rua das Violas, hoje Teófilo Ottoni, no centro do Rio de Janeiro, indo para a casa do cônego Geraldo Leite Bastos, seu amigo pessoal, de vida religiosa, correligionários e irmão de Maçonaria. Nessas visitas, além de trocarem ideias políticas, bebiam café passado no coador, limonada bastante açucarada e se deleitavam com mãe-benta. As línguas maldosas diziam sempre que a gula era o pretexto para esses encontros.

Padre Feijó
Esses bolinhos, cuja receita é patrimônio da doçaria carioca, são pouco produzidos hoje, mas naquela época era uma espacialidade de Dona Benta Maria da Conceição Torres, mãe do cônego Bastos, e se tornou famosa ao ponto que o bolinho ganhou o nome de mãe-benta.
Uma receita simples a base de farinha de arroz, leite de coco ou coco ralado, manteiga, ovos e açúcar, o doce foi apelidado pelo cônego de Mãe-benta. No entanto, apesar dos registros afirmarem que foi a mãe do cônego que inventou a receita, ela na verdade pode ter feito uma variação de algum bolo já existente, variando ingredientes até porque no Brasil colonial e imperial existiam outros docinhos com o mesmo nome e ingrediente semelhantes, também vendidos em tabuleiros, mas ninguém superava a especialidade preparada pela mãe do cônego. 



Nem mesmo as freiras do Convento da Ajuda, primeiro mosteiro carioca para mulheres, construído ainda no século 18. As freiras daquele convento eram confeiteiras renomadas e, apesar de garantirem que seguiam a mesma receita, o povo achava muito diferente. O Convento da Ajuda era conhecido por preparar doces elogiadíssimos, antes do aparecimento de confeiteiros na cidade do Rio de janeiro.
"Não tinham aparecido o Canceller, o Guimarães, o Francioni, O Neves do lardo do Capim, a viúva Castagner do Braço de Ouro (Rua do Ourives), o Castelões, o Deroche, o Camarinha, o Justina da Rua da Cadeia etc." (Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade, Coleção Rio Quatro Séculos, v.5. Livraria José Olympio, Rio de Janeiro, 1965). "Nos copos d'água (merendas oferecidas aos amigos), doces que não viessem da Ajuda não tinham valor algum".

Convento da Ajuda no Rio de Janeiro, hoje demolido.
Assim, os deliciosos mães-bentas disputavam a preferência dos comensais com o bom-bocado, suspiro, canudo desfolhado, filós, baba de moça e pastel de santa clara. E por muito tempo sempre foi o mais prestigiado.
As negras escravas vendiam sob as ordens das sinhás, cantando: " Mãe-benta, me fia um bolo? / Não posso senhor tenente/ os bolos são de iaiá/ Não se fia a toda gente".
Apesar do nome, nada tem a ver com o doce conhecido como Nhá Benta, popularizado pela indústria paulistana Kopenhagen, lançado em 1950 como o nome inicial de Pão de açúcar, sendo este um combinado de wafer, chocolate, marshmallow e açúcar.


Os bolinhos mãe-benta no entanto, são feitos com dois ingredientes conhecidos a bastante tempo pelos brasileiros: o leite de coco e a farinha de arroz - o arroz é cultivado no Brasil desde 1584, na Bahia, e desde 1745, no Maranhão. Mas somente em 1766 Portugal autorizou a instalação da primeira descascadora de arroz, no Rio de Janeiro. E só a partir deste perigoso começou-se a introduzir receitas com arroz, dentre as mais populares está o arroz doce ou arroz de leite.



Mãe-benta acabou conquistando muitos fãs nacionais e internacionais: o presidente da república francesa Paul Doumer e o historiador italiano Guglielmo Ferrero, que o conheceram o início do século 20 ficaram encantados com o sabor. Mas, garanto que eles podem te conquistar também, veja como é fácil e se aventure na cozinha para preparar estas delícias.

Mãe-benta
Para 40 unidades
12 gemas
2 claras
2 e 3/4 de xícara de chá de açúcar
2 e 3/4 de xícara de chá de manteiga
2 e 1/2 de xícara de chá de farinha de arroz
xícara de chá de leite de coco
Manteiga para untar

Preparo: Bata muito bem as gemas com as claras e o açúcar, até dobrarem de volume, ficado esbranquiçadas. Coloque a manteiga e misture bem. Junte a farinha aos poucos e alterne com o leite de coco, misture até ficar homogêneo. Disponha a massa e formas de empadas previamente untadas (ou em forminhas de papel), e asse por cerca de 40 a 50 minutos (ou até dourar). Sirva ainda morno.

domingo, 4 de outubro de 2015

La Bête Noire – A besta negra


Antes de iniciar a leitura, eu peço que vá até o final desta postagem e dê o play na música, e só então volte para o começo do texto. Isso é fundamental para a experiência que eu quero lhes propor hoje. Se permita. Dê o play na música e volte.

Concentre-se. Inspire. Inspire o máximo de ar que for capaz de inspirar, pois a minha história só vai durar o tempo necessário para você segurar sua respiração. Por isso leia o mais rápido que puder.

A fome me despertou como seu chamado sobrenatural avisando que era o momento de eu resgatar minha força. Cada célula despertara gritando, emitiam um sinal de alerta para o prazer que viria. Lutar contra a fome é algo terrível.

O frio conspirava contra mim, me fazendo tremer. Foi quando senti a rajada fria do vendo cortando a minha pele. Mesmo assim, eu senti o aroma sedutor que vinha não de tão longe, do mesmo modo como eu sentia o cheiro do cedro trazido pelo vento que me açoitava. Naquele momento minhas entranhas se retorciam, faziam um barulho estranho e perfeitamente audível. Eu precisava urgente me alimentar.

Resistindo ao frio e as dores no estomago me pus em pé e, com a ajuda do interruptor, trouxe luz para a escuridão. A luz me doía os olhos. A boca seca expandia o hálito devastador. Os músculos se contraiam com o frio  e dificultava meu caminhar... uma agonia louca percorria cada veia - que emitam sinais de que secariam se eu não arranjasse logo uma vítima para me regozijar.

Um privilégio de poucos é deparar-se com uma fonte de energia sem ter muito trabalho para isso. Mas eu preciso sentir o corpo cheio de adrenalina para não fazer de minhas vítimas apenas mais uma. Por isso, retive meus pensamentos. Concentrei-me e , usando meus poderes, deslizei suavemente pelo caminho com os olhos brilhando. Fui em direção ao ponto exato para o ataque.

Confesso que ter reflexos felinos é uma arte para poucos – além de dar uma elegância ao caminhar, permite que quem possua este dom faça coisas inacreditáveis com o corpo, como dar um salto improvável sobre a vítima, daqueles que não deixa a presa escapar.

Minhas faculdades mentais cheias de artifícios me permitem ser ávido no ataque, e faz minha boca ávida roubar cada nutriente de minhas presas com uma rapidez incalculável, sugando cada fração de vida, de energia, com tanta habilidade que leva a presa em pouco tempo à exaustão.

Meu corpo é meu santuário. Sou soberano neste domínio. Inatingível e intrépido. Dominar todas as minhas habilidades antes era uma aflição. Fui obrigado a lutar contra minha própria integridade, mas no fim o essencial era a energia que aprendi a controlar e que me faz dar investidas certeiras, ter a liberdade do voo sem asas, de olhares penetrante como flechas – que rasgam a alma e queimam corações.

Perdi muito tempo divagando aqui. Talvez aí, tenha-se um defeito: eu amo os detalhes. Reavalio a nocividade de minha lâmina, sinto a dor voltar a percorrer meu corpo. A vítima parece atordoada está imóvel. Em uma distância fatal para ambos. 

Sinto uma pressão invadir meu corpo. A loucura se aproxima para me consumir. Não vejo mais nada depois do golpe certeiro, cirúrgico, da lâmina afiada que brilhou até voltar suja para mim.

A visão voltou-me com o aroma inebriante da vitória. Eu não podia mais esperar. Coloquei um pedaço daquilo na boca. Todos os meus sentidos explodiam em alegria enquanto o veneno me corria as veias até o cérebro para entrar na combustão do êxtase. Um sorrisinho maligno surge no canto de minha boca, enquanto eu abocanhava mais uma fatia daquela besta negra...



Olá, amigos. Espero que tenham gostado do conto que escrevi para estrear as postagens de outubro, mês de muitas celebrações, das quais mais gosto do Dia das bruxas. Para tanto resolvi trazer a receita de um bolo particularmente delicioso e de nome bastante apelativo e que cabe bem nesta data: La Bête Noire, a besta negra.



É um bolo sem farinha e que talvez leve esse nome em referência ao chocolate amargo utilizado no preparo que deixa o bolo negro e forte. Não consegui achar as origens desta preparação e por esse motivo resolvi criar um conto, para deixar o mistério no ar. Espero que sejam ousados e se permitam ser acompanhados pela besta negra!


La Bête Noire

Ingredientes para o bolo:
1 xícara de água;
3/4 de xícara de açúcar;
9 colheres de sopa [135g] de manteiga sem sal, em fatias;
510g de chocolate 56% cacau picado;
6 ovos.

Ingredientes para a ganache:
1 xícara de creme de leite fresco;
240g de chocolate 56% cacau picado.

Creme de leite fresco gelado batido em picos macios, frutas ácidas ou sorvete para acompanhar.

Prepare o bolo: Pré-aqueça o forno a 170 graus. Coloque uma chaleira de água para esquentar, para o banho-maria. Unte com manteiga uma fôrma redonda de 23cm de diâmetro e fundo removível. Cubra o fundo interno da fôrma com um disco de papel manteiga de mesmo diâmetro e unte-o também. Envolva a fôrma em 3 folhas de papel alumínio, externamente, uma sobre a outra, para que a água do banho-maria não entre pelo fundo removível. Reserve. Em uma panela pequena coloque a água e o açúcar. Leve ao fogo médio, mexendo apenas para o açúcar se dissolver. Deixe ferver por 5 minutos e retire do fogo. Em uma panela grande, derreta a manteiga em fogo baixo. Adicione o chocolate picado e misture bem até tudo derreter. Apague o fogo e junte a calda de açúcar, misturando até ficar homogêneo. Deixe esfriar. Junte os ovos, um a um, misturando bem com um fouet após cada adição. Passe a mistura para a fôrma preparada. Coloque a fôrma dentro de uma assadeira retangular grande, de laterais altas, e coloque dentro do forno. Complete a assadeira com água quente até metade da altura da fôrma de dentro. Asse por 50 minutos, até que o bolo firme mas o meio ainda se mantenha um pouco mole. Remova a forma do banho-maria e deixe que esfrie completamente.

Prepare a ganache: Coloque o chocolate picado em uma tigela. Aqueça o creme de leite fresco até quase ferver e despeje-o, quente, sobre o chocolate. Deixe descansar por uns minutos, então misture com delicadeza, até que a ganache fique uniforme e brilhante. Espalhe a mistura sobre o bolo frio, ainda na fôrma. Leve à geladeira por 2 horas. Desenforme depois de gelado, antes de servir.