quarta-feira, 13 de julho de 2016

Lord Woolton Pie (Torta de Legumes)


De vez em quando eu gosto de preparar uma torta de legumes para o almoço. Confesso que receitas práticas me têm salvado no dia-a-dia. Pensando nisso resolvi deixar aqui uma receitinha prática para torta de legumes.
Muitas pessoas têm sua própria interpretação desta receita, mas ela é quase sempre feita com vegetais misturados, um molho e uma cobertura, que poderia ser de massa, purê de batata ou, ainda, com batatas finamente fatiadas. A receita Oficial foi relatada no "The Times" em 26 de abril de 1941 é mostrado abaixo.




 Introduzida em Maio de 1941, continuou a ser motivo de riso durante toda a guerra. Mas Lord Woolton estava longe de ser motivo de riso: ministro da comida da Grã-Bretanha no período da parte inicial da Segunda Guerra  Mundial, seduziu e bajulou o público para que comessem  não apenas o que era chamado de Woolton Pie, um "naco Nacional '- mas que simbolizava um" naco da vitória.
Frederick James Marquis, Primeiro conde de Woolton, conhecido popularmente como Lord Woolton, ex-diretor de uma cadeia de lojas chamada Lewis (principalmente no Norte da Inglaterra) e ex-assistente social, foi nomeado Ministro da Alimentação, em abril de 1940. Sua posição pode ter sido sem glamour, mas era vital para o esforço de guerra. Sabe-se, no entanto que Woolton era extremamente popular com o público, mesmo quando cantando os louvores de rissoles, sem carne, bolos sem açúcar e chá sem folhas de chá (tudo por conta da guerra).

Lord Woolton
Muito do sucesso de Woolton foi devido a sua habilidade de negócios na elaboração de orçamentos com itens específicos - ele apenas racionava itens dos quais ele estava certo de que ele tinha o suficiente para encontrar por perto, em menores quantidades. Tinha senso de justiça e confiança com aqueles que estavam lutando com o seu próprio orçamento pessoal e esforço durante a guerra. Ele também acreditava que o público deveria ser educado e ajudou, não apenas instruído.



Ele fez isso por meio de uma campanha publicitária introduzindo 'Dr cenoura' e 'Batata Pete' ('Dr Carrot' and 'Potato Pete'), com 'Gert e Daisy' –artistas musicais Elsie e Doris Walters no " Kitchen Front 'na BBC rádio, nos 'Food Flashes' (curtas-metragens) nos cinemas e uma campanha publicitária maciça na imprensa.






 Aparentemente, até o final da guerra, o país estava apto e mais saudável do que nunca tinha sido – com a população mais magra e saudável do que é hoje. As pessoas comiam menos gordura, ovos, açúcar e carne, e comia mais legumes. Existem estudos que mostram que, apesar da escassez que a guerra sempre acarreta, muitas pessoas comeram uma dieta melhor durante o racionamento do que antes dos anos de guerra e isso teve um efeito significativo sobre a saúde da população - a mortalidade infantil diminuiu e expectativa de vida aumentou. Foi graças à alteração forçada na dieta e o racionamento de mercadorias e a quantidade de legumes frescos que as pessoas comiam, além da redução significativa no consumo de gorduras e açúcar que isso ocorreu.




Quem sabe essa seja uma boa história para inspirar o aumento de legumes na nossa refeição... a receita segue abaixo. No entanto, como trata-se de uma torta de legumes, torna-se bastante variáveis os ingredientes para serem utilizados ao longo da disponibilidade de ingredientes leguminosos ao longo dos anos.
Referências:

1.         Lord Woolton Pie: The official recipe", The Times , London, 26 April 1941, p. 2.
2.         "Woolton pie creator dies", The Times , London, 17 August 1966, p. 1.
3.         Fussell, Paul (1989), Wartime: Understanding and Behavior in the Second World War , p. 202.

LORD WOOLTON PIE 1
Para o recheio
500g de batata inglesa
900g de cenouras
250g de cogumelos
1 alho-porro pequeno
50g de manteiga
2 cebolas pequenas
Sal, pimenta, noz-moscada, salsa picada
1 folha de louro, 1 ramo pequeno de tomilho, salsa e aipo

Para a massa
220g de farinha
1/2 colher de chá de sal
1 colher de chá de fermento em pó
50 g de margarina
Um ovo para pincelar

Preparo: Junte a farinha de trigo com o sal e o fermento em pó. Derreta a manteiga e adicione na mistura de farinha e misture bem até ficar homogênea.  Deixar descansar na geladeira, adicione os cogumelos, eantes de abrir. Para o recheio:  Descasque e pique as batatas e cenouras, e leve para cozinhar até ficar macios (prefiro cozinhar  no vapor que não fica muito  molhado). Em seguida refogue com na manteiga  com 1 folha de louro, 1 ramo pequeno de tomilho, salsa e aipo, junteos cogumelos, o alho poro, tempere com sal, pimenta e um pouco de noz-moscada e a salsa fresca picada. Em seguida encha uma forma para torta com esse refogado e cubra com a massa, já aberta,  pincele com ovo batido e leve ao forno para assar até dourar.

LORD WOOLTON PIE 2
Ingredientes:
4 Batatas
1 Alho poró
1 Cebola
1 Cenoura
1/2 Batata doce
Salsa e cebolinha
Pimenta do reino
Noz Moscada
Farinha de trigo

Preparo: Cozinhar 3 das batatas para fazer o purê. Cozinhar o resto dos ingredientes, temperando com a pimenta a noz moscada e o sal.. Quando as batatas ficarem bem moles, basta fazer o purê e ir misturando a farinha de trigo para ajudar a massa a ficar mais firme. Não esquecer de temperar com sal. Quando achar que está no ponto certo, abrir a massa e montar a torta. Legumes e caldo por baixo e a massa só por cima. Cuidado para o caldo não subir. Aconteceu isso comigo e a massa não ficou tão crocante por cima. Quando pronta passar uma manteiguinha, margarina ou azeite mesmo por cima e levar ao forno. Quando a massa pegar cor a torta estará pronta.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Coca de San Juan para comemorar Litha (O Solstício de Verão): história ancestral para o mês junino


O solstício de verão nada mais é que o momento em que o Sol está em seu ápice, encontrando-se no seu ponto mais alto e de maior brilho. Esse momento era celebrado pelos antigos celtas e druidas – que o entendiam como “O meio de verão” – e representa além da abundância e plenitude no ano, fertilidade da Terra, e lhe deram o nome de Litha.


O Litha (pronuncia-se “líta”), é celebrado por volta de 22 de dezembro no hemisfério Sul e por volta de 22 de junho no hemisfério Norte, mas pode variar dependendo do calendário. Isso significa que pode ser realizado de 21 a 23 nos meses citados. Mas o certo é que este dia, é o dia mais longo do ano, e representa o declínio do Deus Sol. A partir deste dia, os dias vão ficando cada vez mais curtos, até chegarem ao ápice da escuridão no solstício de inverno. Por isso o solstício de verão era o marco que assinalava o início da metade escura do ano, ao contrário do solstício de inverno.


O solstício de verão é tanto um festival de fogo quanto um festival da água; o fogo sendo um aspecto do Deus e a água um aspecto da Deusa. O festival desenvolveu-se menos e tardiamente nos países celtas, pois estes não eram originalmente de orientação solar. Muitos dos costumes sobreviveram até os tempos modernos, como rolar colina abaixo uma roda pegando fogo. Como acontece em Beltane e em Samhaim, a fogueira é destituída de grande poder mágico. A Deusa e o Deus estão no êxtase de sua união e vemos a Natureza cheia de frutos e flores belos. É o ápice do amor passional entre ambos; a Deusa reina como a Rainha do Verão e o Deus aproveita seu auge, pois depois começará o seu declínio até renascer no inverno.
O momento do Litha relembra que o Sol está com seu poder no auge, mas a partir daí começa a decair, assim como ciclos na nossa vida onde Vida e morte fazem parte de todos os aspectos na Natureza e em nossas vidas.
Nesta festividade o fogo é um aspecto central do festival do solstício de verão, assim como é em Beltane. Mas o caldeirão também é usado neste sabá, cheio de água, para representar a abundância da Deusa, e também nos remeter ao caldeirão de Cerridwen – a deusa tríplice. Outros povos antigos também festejavam a abundância do verão com festivais semelhantes: Vestália (Roma), Dia dos Casais (Grécia), Festa de Epona (País de Gales), Thing-Tide (Escandinávia), Alban Heflin (tradição anglo-saxã) ou a Dança do Sol (nativos norte-americanos).
 È justamente pela existência dos solstícios que existem os trópicos de Câncer e Capricórnio: no solstício de verão no hemisfério Sul, os raios solares incidem perpendicularmente à terra na linha do Trópico de Capricórnio. No solstício de inverno, ocorre a mesma coisa no Trópico de Câncer. E por conta deles alguns costumes antigos resistiram ao tempo até nossos dias, como: na Europa, na américa hispânica e no Brasil as celebrações deste sabá (Litha) foram absorvidas pela festa cristã de São João, cujo nome originou-se da erva usada com fins curativos e mágicos, como proteção ou para proporcionar sonhos e presságios.


As homenagens aos seres da Natureza ou às divindades naturais também foram substituídas pelas populares e folclóricas festas juninas, com danças animadas e comida farta para agradecer pela boa colheita.
Antigamente, os casamentos eram celebrados em junho para garantir-se a fertilidade, sendo esta uma data muito propícia, embora diferente de Beltane, que era reservada aos ritos de fertilidade e ao Casamento Sagrado das divindades.
E, se estamos em junho, só pode significar uma coisa: muito sol, noites quentes e festas animadas para celebrar o Dia de São João – onde se comemora a noite mais curta no dia mais longo do ano.
Já tratei de algumas tradições juninas AQUI , AQUI e AQUI. Por isso, hoje resolvi tratar de um pouco mais de história e apresentar uma especialidade espanhola para esta época, onde as fogueiras de São João brilham na noite escura, e que para as antigas tradições significam o fornecimento da força do sol, que a partir de Litha começam a perder o poder, com os dias cada vez mais curtos e as noites mais longas.


A coca San Juan (Cuca de São João) é um dos doces catalães mais conhecidos do mundo e um dos pratos mais tradicionais do Mediterrâneo. A história de sua origem é pouco conhecida, e já traz no nome a influência de outras culturas: 'Coca' (em Occitano ‘Còca’) é termo de raízes holandesas; vem da palavra 'kok' da palavra 'Kuchen', que significa uma espécie de bolo. No entanto, explicações para esta relação não se encontram disponíveis pela internet nem nos livros.


Sabe-se que a Coca de San Juan é muito procurada nesta época do ano onde se consomem até 1,6 milhões desses doces na região espanhola da Catalunha. Como outros pratos típicos da Catalunha, a invenção da 'Coca' talvez tenha nascido da necessidade de aproveitar a massa restante da feitura de pães. Quem inventou o doce adicionando uma boa quantidade de açúcar na massa do pão – e posteriormente acrescentaram frutas e recheio de creme.





Os ingredientes básicos desta sobremesa são: farinha, açúcar, sal, fermento em pó, raspas de limão, manteiga, leite ou água (você decide, mas não ambos), frutas cristalizadas e castanhas ou pinolis.

Coca de San Juan
250g de farinha de trigo
100g de açúcar
100 g de manteiga.
2 ovos
20g de fermento para pão em pó.
½ xícara de leite ( ou de água)
½ casca de limão ralado
Pinolis (ou a castanha que preferir)
Frutas cristalizadas variadas
Preparo: Em uma tigela e adicione a farinha, o açúcar, os ovos, o sal, o fermento em pó, raspas de limão e manteiga. Misturar bem com as mãos até a misturar ficar homogênea, sem grumos e desgrudar das mãos. Isto feito, estique a massa no formato que desejar, mas a massa deve ter a espessura de um centímetro. Pincele com ovo batido, adicione pedaços de frutas cristalizadas por cima da massa e deixe descansar até dobrar de volume. Depois de crescida adicione as castanhas, ou qualquer tipo de nozes que você tiver, polvilhe com açúcar por cima e leve ao forno para assar por 20 minutos a 180 ° C.  Depois de assada, deixe esfriar para servir.

Obs.: caso deseje, abra a coca ao meio e recheie com creme de confeiteiro, polvilhe com açúcar e passe o maçarico por cima para formar um caramelo; depois, tampe com a parte de cima da massa e sirva.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Lagosta e Camarões a Newberg


Como vocês estão? Espero que bem. Estamos no mês de junho, mês maravilhoso para quem está no Nordeste brasileiro, pois é tempo das Festas Juninas, repletas de tradição e de muita comida boa. No entanto, como anos anteriores já tratei sobre essa temática este ano gostaria de falar de algo um pouco diferente e fiquei pensando no quê. Daí me veio a lembrança que no próximo domingo será o comemorado aqui no Brasil o Dia dos Namorados, e essa é uma data que sempre têm pessoas querendo impressionar os amados com comida.
Minha dificuldade foi achar algo fácil, que não desse errado no preparo e que fosse realmente gostoso, não só no sabor, mas na história. Pra minha sorte, lembrei de um prato muito famoso, e super fácil de fazer – e que, dependendo do bolso, pode ficar ainda mais sofisticado. Estou falando de lagosta a Newberg que ainda poder virar camarões a Newberg. Vamos entender essa história melhor.
Desde 1870, as estadias em Nova York do rico capitão do mar Ben Wenberg, que operava no comércio de frutas entre Nova York e Cuba, eram um sucesso – ele sempre poderia ser encontrado no famoso Dolmenico’s Restaurant (que àquela época localizava-se na 14th Street) onde Charles Delmonico era gerente.
Numa certa noite de 1876, Wenberg comentou com Charles sobre sua descoberta de uma nova maneira de cozinhar lagosta. Charles ficou intrigado e ordenou que os seguintes ingredientes ser trazido da cozinha para a mesa de Wenberg: Uma lagosta recentemente fervida, arrefecida; creme de leite fresco; manteiga sem sal, clarificada; conhaque francês; xerez espanhol; e o próprio Wenberg providencio ele mesmo o sexto ingrediente, um secreto e vermelho ingrediente, em pó, e deu-se o preparo. Quando Charles provou pronunciou que o ingrediente secreto era a pimenta caiena.



Com a ajuda do pessoal do Delmonico’s, Wenberg preparou o prato de lagosta. Wenberg destacou a carne da cauda de lagosta, cortada em pedaços finos, lisos, e arranjou-lhes em uma única camada em uma caçarola bem quente, com manteiga clarificada. A lagosta foi salteada brevemente, e, em seguida, foram adicionados um pouco de creme, um pouco de conhaque e xerez. A mistura foi deixada a ferver lentamente durante alguns minutos. Em seguida, o ingrediente secreto foi adicionado, e a lagosta foi servida. Charles e o pessoal do Delmonico’s e, provavelmente, alguns clientes, provaram o prato e concordaram que era delicioso.
Ranhofer estudou a receita e acrescentou seu toque refinado. O prato foi incluído ao menu como lagosta a la Wenberg, tornando-se rapidamente popular e muito solicitada pela demanda, especialmente pela clientela depois do teatro.



Alguns meses após Wenberg ter partilhado sua descoberta com Charles, os dois homens tiveram uma desavença sobre uma questão que ainda não foi descoberta, mas que acreditasse ter sido algo provavelmente trivial, e que culminou com Charles banindo Wenberg do Delmonico’s, e ainda ordenando que a lagosta a la Wenberg também saísse do menu.
No entanto, os Patronos, ilustres frequentadores do lugar e admiradores do prato passaram a exigir o retorno da iguaria. Por conta disso, Charles correu atrás de uma solução diabolicamente inteligente para resolver o problema. Charles simplesmente inverteu as letras W e N do nome de Wenberg, de modo que se tornou NEW (NOVO), e o prato passou a ser servido como lagosta a la Newberg.
Dentre as muitas pessoas conhecidas que patrocinavam o Delmonico’s estão Jenny Lind , que, comia ali depois de cada show com  Theodore Roosevelt , Mark Twain , Arthur Sullivan ,  Lillian Russell , Charles Dickens , Oscar Wilde , JP Morgan ,James Gordon Bennett, Jr. , Nikola Tesla , Edward VII , o então príncipe de Gales, e Napoleão III de França .
Algum tempo depois, Charles Ranhofer alterou a receita original para adicionar o seu próprio toque. Em seu livro, O epicurista, Ranhofer dá a seguinte receita para lagosta a la Newberg (que também foi chamado lagosta Delmonico’s).
Cozinhar seis lagostas cada uma pesando cerca de duas libras em água fervente com sal por vinte e cinco minutos. Doze libras de lagosta viva quando cozidas rendem de duas libras a duas libras e meia de carne. Quando fria retirar as carnes das caudas e cortar em fatias, colocá-las em um sautoir, cada peça, e adicione manteiga clarificada quente; tempere com sal e frite levemente em ambos os lados, sem corantes; humedecer a essa altura com boa nata crua; rapidamente reduzir à metade; e em seguida, adicione duas ou três colheres de vinho da Madeira; ferver o líquido mais uma vez somente, em seguida, remover e engrossar com um espessamento das gemas de ovos e creme. Cozinhar sem ferver, incorporando um pouco de pimenta vermelha e manteiga; em seguida, organizar as peças em um prato de legumes e despeje o molho por cima.


Já a versão com camarões apareceu nos restaurantes brasileiros no final da década de 1960 e início dos anos 1970. Depois foi sendo incorporado à culinária doméstica para os dias de festa ou visitas - assim como o Strogonoff e o Champignon à Provençal. Talvez o uso do camarão tenha sido uma escolha para baratear o custo da receita, mas o resultado é igualmente delicioso e permite que você tenha variações da mesma receita. Vale a pena experimentar e fazer essa receitinha pro seu amor.

Camarões a Newberg

1 kg de camarão
2 gemas de ovo
1 boa pitada de pimenta Cayena
75 ml vinho madeira ou porto
50 ml de conhaque
300ml de creme de leite fresco
2 colheres de sopa de manteiga clarificada
Sal à gosto
Pimenta do reino (opcional)
Preparo: Coloque a manteiga em uma frigideira grande no fogo alto e quando esta estiver quente adicione os camarões temperados com sal. Frite dos dois lados até que estejam corados. Adicione a pimenta cayena, o conhaque e flambe. Retire os camarões e reserve. Na mesma frigideira coloque a metade do creme de leite e deixe reduzir. Enquanto isso em uma tigela, bata as gemas junto com o restante do creme de leite até ficar uniforme. Retire a frigideira do fogo e junte esta mistura mexendo para não talhar. Retorne ao fogo, junte os camarões e o vinho e deixe reduzir sempre mexendo. Servir em seguida.

Obs.: perfeito para servir com vol-au-vents, com torradas ou com arroz branco com legumes salteados.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

A deliciosa Babka de Chocolate

Um delicioso pão judeu conhecido como Babka que se tornou emblema de imigrantes judeus que atravessaram Atlântico.



A babka é um pão de massa fermentada, recheada, torcida e assada em fôrma de pão (aquela retangular, tradicional para ‘pão de forma’). As raízes humildes da Babka refletem a história dos shtetls da Europa Oriental que viviam nos cortiços da Lower East Side início do século 20, e em outras partes do mundo.

Shtetl (em iídiche: שטעטל, no singular; שטעטלעך, shtetlech, no plural), é a denominação iídiche para "cidadezinha". Chama-se "shtetl" as povoações ou bairros de cidades com uma população predominantemente judaica, principalmente na Europa oriental, como por exemplo, na Polônia, Rússia ou Bielorrússia, antes da Segunda Guerra Mundial.

Há muitas teorias obscuras para a origem da babka. Umas dizem que trata-se de uma produção culinária descendente distante dos pães de comunhão consumidos nas regiões eslavas no período da Páscoa. Outras, indicam a possibilidade de ser uma alusão ao fato de que nas sociedades antigas do Norte da Europa a mulher era o sexo dominante. Esta última  teoria afirma que babkas, geralmente redonda, eram um símbolo de fertilidade. No entanto, existe outra explicação: Historiador e escritor de alimentos Lesley Chamberlain acredita que babka tenha origem italiana, trazida pela rainha Bona Sforza da Polônia no século  XVI, e tornou-se uma versão russificada do Panetone típico italiano.

Bona Sforza d'Aragona (Vigevano, 2 febbraio 1494 – Bari, 19 novembre 1557) rainha consorte da Polônia, granduquesa consorte da Lituania e duquesa sovrana de Bari.



Embora não se saiba, com precisão a origem do durgimento dessa produção culinária, tem-se certeza quando a sua etimologia: a palavra "babka": significa "pequena avó" em ucraniano, russo e em dialetos do Leste Europeu.  Sabe-se também que o termo babka foi adotado em vez de "babas" que significavam avós, nos shtetls da Europa Oriental.
Outra informação interessante que se tem é que, a babka poderia ser uma versão de pão feito com as sobras de massa de pão challah, sendo a babka uma inovação econômica e deliciosa.



A babka dos shtetls era bem diferente da babka que se conhece atualmente. Em vez de ser preenchida com chocolate ou canela, as primeiras babkas judaicas eram provavelmente cheias de amêndoas, nozes e outros tipos de castanhas, além de sementes como as de papoula.

Sem contar que o processo de transformação da amêndoa de cacau em chocolate, como se conhece na atualidade, só foi  inventado em 1879 pelo chocolatier suíço Rodolphe Lindt. Anteriormente, o chocolate foi consumido principalmente como bebida exótica (e caro). Assim, de onde é que vem a nossa babka de chocolate moderna?

Isso nos leva à segunda parte da história da babka - uma confecção muito apreciada pelos judeus de Nova York. Muitos judeus fugiram dos pogroms da Ucrânia e da Rússia e estabeleceu-se em Nova York, especificamente no Lower East Side.

Pogrom (em iídiche, פּאָגראָם,do russo погром) é um ataque violento maciço a pessoas, com a destruição simultânea do seu ambiente (casas, negócios, centros religiosos). Historicamente, o termo tem sido usado para denominar atos em massa de violência, espontânea ou premeditada, contra judeus, protestantes, eslavos e outras minorias étnicas da Europa, porém é aplicável a outros casos, a envolver países e povos do mundo inteiro.

Os imigrantes judeus trouxeram com eles ‘pedaços do shtetl’ sob a forma de receitas. Assim os judeus de Nova York, com novos ingredientes disponíveis, começaram a incrementar os pratos tradicionais – o que fez a babka de Chocolate surgir.



 A massa fermentada é enrolada com camadas de chocolate que depois de assada recebe uma  pincelada com xarope simples, que lhe confere brilho e ajuda  a mantê-la úmida  – há quem não pincele nada, e ela continuará gostosa do mesmo jeito. Abaixo deixo duas receitas deliciosas e fáceis de preparar.

Babka de Chocolate
Ingredientes:
100 ml de leite morno
5 g de fermento seco
1/4 xícara+ 1/3 xícara de açúcar
1 ovo
2 gemas pequenas
2 xicaras de farinha de trigo
1/3 colher (chá) sal
1.1/2 colher (sopa) + 1 colher (sopa)de margarina ou manteiga
400 g de gotinhas de chocolate ou raspas moídas com uma faca
Streusel:
56 g de manteiga em cubinhos
1 xic de açúcar mascavo
¾ xic de farinha de trigo (ou menos)

Preparo: Disponha o leite morno em um pequeno bowl. Polvilhe o fermento e uma pitada de açúcar sobre o leite. Deixe descansar até espumar, por cerca de 5 minutos. Em outra tigela, misture o ¼ xic açúcar, os ovos e as gemas. Adicione esta mistura à mistura do fermento e misture até combinar. Na tigela da batedeira, combine a farinha e o sal. Adicione a mistura de ovos e bata em velocidade baixa, até incorporar a farinha. Troque o batedor por um gancho de massas pesadas. Adicione a 1.1/2 colher (sopa) de manteiga e bata até a farinha e a manteiga estarem incorporadas e homogêneas, macias, cerca de 10 minutos. Jogue a massa em uma superfície levemente enfarinhada e amasse um pouco até ficar macia e lisa. Unte um bowl grande e coloque a massa. Cubra com um plástico filme e deixe descansar em um lugar morno até dobrar de tamanho, cerca de 1 hora. Misture o chocolate picado (400 grs), a canela, o restante do açúcar (1/3 xic). Usando duas facas ou pastry cutter, misture 1 colher (sopa)de manteiga ao chocolate , até combinar. Forre uma forma de pão com papel manteiga e unte generosamente com manteiga. Dê um soco na massa e transfira para uma superfície limpa. Deixe descansar por 5 minutos. Em uma superfície generosamente polvilhada, abra a massa até obter um quadrado de 40x40cm, com espessura de 3 mm. Pincele as bordas com os ovos reservados. Cubra com o recheio de chocolate deixando 0,5cm de borda. Enrole a massa firmemente. Pincele as bordas para vedar. Torça 5 ou 6 vezes e faça um trança simples. Disponha a massa na fôrma de pão, pincele a superfície com ovo e cubra com o streusel. Cubra com papel filme plástico e deixe descansar por 20 a 30 minutos. Asse em forno pré-aquecido a 180oc, rotacionando no meio do tempo, por cerca de 55 minutos. Remova do forno, transfira para uma grade e deixe esfriar por completo.

Babka de canela
Ingredientes (Para massa):
1 Pacote de fermento biológico fresco
6 Colheres de sopa de açúcar refinado
1/3 de xícara de água morna
2 1/2 xícaras de farinha de trigo
100g de manteiga em temperatura ambiente
2 ovos
Recheio:
100g de manteiga derretida
1 xícara de açúcar mascavo
2/3 de xícara de açúcar refinado
2 colheres de sopa de canela.


Preparo: Em um bowl pequeno misture o fermento, duas colheres de açúcar e a água morna, mexa e reserve até começar a espumar. Enquanto isso, em uma bancada despeje a farinha e faça um buraco no meio dela, jogue ali os ovos, o restante do açúcar, a manteiga, e a mistura do fermento, incorpore tudo aos poucos ate formar uma massa uniforme, sove-a por 10min, até ela ficar elástica. Deixe descansar por 1h. Em outro recipiente misture o açúcar mascavo, refinado e a canela, jogue a manteiga derretida até formar uma espécie de creme. Passado o tempo de descanso da massa, coloque-a sobre uma superfície enfarinhada e com a ajuda de rolo comece á abri-la. Ela tem que ficar bem fina, mas cuidado para não rasga-la. Em seguida despeje o recheio sobre ela e vá ajeitando com as costas de uma colher, ou com uma espátula para bolo, até toda massa ficar coberta de recheio, então comece a enrola-la delicadamente. Com a massa enrolada faça uma trança pelo meio, e desponha-a em uma assadeira untada e coberta por papel manteiga. Pincele com um ovo batido e salpique açúcar refinado, Leve ao forno em potencia mínima, deve assar por mais ou menos 1h/1h15min. 

terça-feira, 12 de abril de 2016

Loomi: o exótico limão negro da Pérsia


Eu adoro especiarias – pelas histórias, pelos cheiros, pelas cores, pela exoticidade e pelas maravilhas que resultam quando se misturam nas preparações culinárias. Então, hoje, tratarei de uma especiaria que é um “espantoso” tesouro da culinária persa, o Loomi – ou simplesmente, o limão negro persa, que é bastante usado nos Emirados Árabes, Iraque, Irã, Bahrein e Kuwait.


Um desavisado gastronômico, certamente, vai torcer o nariz quando olhar um loomi, com seu aspecto estranho e coloração escura, mas se nãos e permitir à aventura do paladar não poderá descobrir a complexidade e a sutileza do loomi – isso acontece muito quando os ocidentais se deparam com esta especiaria, pois o loomi é pouco conhecido no ocidente, uma pena.
Originalmente o loomi foi desenvolvido em Omã, país localizado ao sul do Irã, ao longo do Mar da Arábia, onde esses limões negros são ingrediente essencial para a culinária persa, sendo também utilizados na culinária indiana. São especiarias bastante comuns por lá, onde são facilmente encontrados em lojas de alimentos persas ou, se o aventureiro gastronômico for realmente “aventureiro”, poderá fazer seu próprio loomi.
Em toda a região do Golfo, eles são referidos como Amani limoo ou limes omanenses (noomi basra (Iraq); limoo amani (Iran); limoo (Oman)), por conta se deu lugar de origem, onde eles são chamados simplesmente loomi. Trata-se de uma especiaria de sabor cítrico e terroso, aroma exótico, obtida por meio da desidratação de determinadas espécies de limas e limões. O loomi é, tradicionalmente, utilizado no Oriente Médio para condimentar ensopados à base de carnes vermelhas, algumas receitas de arroz pilaf, além de peixes e frutos do mar. No caso de ensopados ou sopas, ele é usado inteiro e retirado ao final do cozimento. Já em receitas de arroz ou peixes, o limão negro é moído e salpicado a gosto durante o preparo. Quando é utilizado na forma de pó, é triturada apenas a parte interna do loomi. A casca é desprezada por ter um sabor amargo. . Uma boa vantagem para seu uso é que o loomi melhora a fragrância das do curry, açafrão, e outros compostos aromáticos, dando notas terrosas e ácidas nas misturas.



Dependendo do seu tempo de secagem, as cores dos limões negros variam: pode variar do bege, passando por nuances de marrom chegando até a cor de carvão vegetal – por isso o nome limão preto. Podem ser usados partidos em pedaços que, muitas vezes, são descartados antes de servir – os limões mais marrons são usados em  pratos coloridos mais leves, e  os mais negros, em  guisados com molhos mais densos. Porém encontra-se loomi em pó, que é delicioso quando polvilhado em frutos do mar ou lentilhas, ou usado para marinar todos os tipos de carnes. Apesar de que durante a moagem haja um desperdício dos óleos essenciais, pois são voláteis, isso limita a vida útil dessa especiaria que se bem armazenada pode durar até dois anos.



Nos mercados árabes, o loomi é vendido inteiro, geralmente, produzido de forma artesanal, ou em versões industrializadas, em pequenos potes, já triturado, como muitas especiarias que encontramos no Brasil.
O pulo do gato para fazer limão negro
·         Escolha limões pequenos e bem firmes. Lima-da-pérsia é a melhor opção, mas o loomi pode ser feito também com limão-tahiti ou galego. Limpe-os bem.
·         Ferva-os em água com bastante sal grosso por aproximadamente de 20 min. Além de reduzir o amargor da casca, a salmora irá desidratar os limões, evitando a formação de fungos e criando a coloração característica da especiaria.
·         Deixe esfriar e seque-os com papel toalha. Em seguida, coloque os limões em um local ventilado e ensolarado. Os limões podem ser levados para secar sobre uma grade ou pendurados. O processo de secagem leva alguns dias dependendo da umidade relativa do ar.
·         Em regiões muito úmidas, o processo de desidratação pode ser agilizado levando os limões (já cozidos na salmora) para secar ao forno. Nesse caso, é necessário colocá-los dentro de uma panela de barro e levá-la ao forno. O fogo deve estar o mais baixo possível. Depois de os limões reduzirem de tamanho pela metade, eles devem ser colocados ao sol para finalizar o processo.
Uma excelente opção para usar loomi nesses climas tropicais é iniciar o uso dele com uma fascinante bebida, maravilhosamente cítrica e deliciosamente perfumada, chamada de “Loomi Gelado”: feita com o “Loomi” triturado, fervido com cravo, canela e outras especiarias, adoçado com mel ou açúcar e em seguida servida com gelo e uma fatia de limão. Deliciosamente refrescante!

Que tal tentar fazer seu Loomi em casa? Segue uma receitinha prática para este fim e depois, algumas receitas que ficam deliciosas com Loomi.

Loomi Feito em casa
1 litro de água
2 a 5 limas, mas pode utilizar também o limão Haiti ou kaffir.
10 colheres de sopa de sal grosso
Preparo: Ferver a água com o sal grosso, colocar os limões e deixar cozinhar por 20 a 25 minutos. Retirar do fogo e escorrer. Deixar secar no sol por aproximadamente sete dias ou até que fique bem seco.
  
Batatas e Cogumelos com Molho de Loomi
1 kg - baby batatas, cortadas ao meio
4 xícaras - cogumelos frescos
2 cebolas grandes picadas
Sal a gosto
1 colher de chá - pimenta esmagados
5-6 colheres de sopa de loomi  em pó
1 copo de coentro fresco
Água
Óleo, conforme necessário

Preparo: aqueça o óleo. Adicione as cebolas e cogumelos. Frite até que os cogumelos ficarem bem refogados. Adicionar loomi em pó, sal a gosto, batatas e água suficiente para cozinhar as batatas. Cozinhe até que o molho é espesso. Adicione a pimenta e coentro picado. Servir como um prato com açafrão sabor arroz.

Tibsi Samak bi Loomi 
Aqui está uma receita simples peixe do Iraque usando loomi (limes secos). Se você não pode obter um porão de qualquer loomi, sinta-se livre para substitue com sumo de limão.
1 colher de sopa. sal
1 colher de chá. cominho
1 colher de chá. flocos de pimenta vermelha
4 libras. bacalhau ou pargo vermelho, filetes
4 colheres de sopa. azeite
1/2 cebola, finamente picada
3 loomi ou substituto 1 colher de sopa. limonada
2 dentes de alho grandes, purê
4 tomates grandes, picados
2 colheres de sopa. xarope de romã
punhado de coentro fresco, picado


Preparo: Preaqueça o forno a 350F. Combine sal, cominho, flocos de pimenta em uma tigela pequena e misture com o peixe para marinar. Unte uma assadeira com azeite, deite as cebolas fatiadas finamente  coloque o peixe por cima colocando o alho e o tomate por cima do peixe. Misture o xarope de romã com 1/2 colher de  água e despeje sobre o peixe e o coentro, asse por 55 minutes.Serve com arroz Basmati.