quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Espaguete à bolonhesa não existe na Bologna – mas, existe aqui! Primeira treta do ano.



Vou generalizar: o espaguete é o tipo de massa mais comum nas mesas brasileiras – embora a geometria das massas exista, e é fascinante, dispondo de dezenas de deliciosos cortes de massa, o espaguete é muito comum de se encontrar por aqui. Não saberia afirmar, de certo, qual a razão específica para isso. Talvez por ser um corte fácil para reproduzir, não sei. Mas descobrir esse ‘mistério’ não é o caso, afinal hoje podemos encontrar vários tipos de massa, fresca ou seca, nas gôndolas dos supermercados.
No entanto, desde pequeno, eu observo que quando as pessoas pretendem fazer “macarronada” é o espaguete o escolhido (lembrem-se, estou generalizando). Já vi macarronada preparada de inúmeras formas – umas misturas dão medo! Mas, geralmente, tem-se um molho de tomate, muitas vezes industrializado, misturado com carne moída – e o que mais o sujeito puder colocar dentro. Outra observação que trago, desde a infância, é que qualquer molho vermelho com carne moída tem sido batizado como “à bolonhesa” – isso sempre me deixou tenso!!!

SPAGHETTI ALLA BOLOGNESE
A prova disso é a facilidade de se encontrar espaguete à bolonhesa em muitos empreendimentos gastronômicos, seja no Brasil ou no Japão; cada um com seu “à bolonhesa” particular (e, continuando com a minha generalização, quando se parte a observar cuidadosamente a composição do que é servido como à bolonhesa, nota-se a mistura de carne com molho de tomates.  E, assim, parto dessa observação para construir a primeira treta do ano, digo: a discussão de hoje, que afirma que espaguete à bolonhesa não existe – pelo menos não, na Bolonha!
A fama e fatos históricos importantes acabam gerando sobrenomes para lugares em particular. Na Itália tem-se bons exemplos desse hábito: Florença, a bela; Veneza, a sereníssima; Roma, a cidade eterna. Mas Bologna desponta com três adjetivações: Bologne Dotta, Grassa e Rossa (Erudita, Gorda e Vermelha). Erudita pelo fato de ter uma universidade que recebe o título de universidade ocidental mais antiga do mundo. Gorda, para evidenciar a paixão dos bolonheses pela culinária; e, Rossa devido a cor avermelhada usada nas construções da cidade.


Bologna foi fundada no século VI a.C. pelos Etruscos que àquela época chamavam a cidade de Felsina. Foi graças a uma tribo galesa conhecida como os Boios, que presentes na cidade, ao invés de apenas dominar o território fundiu sua cultura com a dos etruscos e acabou mudando o nome do lugar para Baronia – até derivar para o atual nome. Por escolherem apoiar o lado ‘errado’ durante as guerras púnicas apoiando Cartago contra Roma, o general romano Cipião Africano derrota Aníbal na batalha de Zama, e a cidade cai sob os domínios romanos – e mesmo sob dominação romana a influência dos boios na região manteve o dialeto bolonhês.
A cidade prosperou durante o Império Romano chegando a ser a segunda cidade mais importante do império tendo vida social agitada pela existência dos vários banhos, templos, teatro e arena. Foi destruída por um incêndio durante o governo do imperador Claudio e reconstruída por Nero, posteriormente. Passou a pertencer ao Império Bizantino, com a queda do Império Romano, até o ano de 556 quando integra a Liga Lombarda até a dominação de Carlos Magno. Depois desse período a cidade volta a prosperar com a construção da universidade de Bolonha em 1088; anos mais tarde volta a integrar os aos Estados Pontífices até 1859, período interrompido durante invasão Napoleônica; foi lugar bastante bombardeado durante a segunda grande guerra e, com o final dela, virou reduto do comunismo e centro do socialismo italiano.


Quanto ao ragu à bolonhesa, ele é um molho de carne que, geralmente acompanha massas e polenta. O termo deriva do francês "ragôuter", que pode ser traduzido como "despertar o apetite".
Difícil estabelecer a origem do molho: há aqueles que afirmam que ele remonta aos tempos dos antigos romanos, e acreditam que a preparação deriva de uma espécie de ensopado. Durante as invasões bárbaras, a receita foi tomada pelos gauleses franceses, que o usavam como molho para espalhar em torradas de pães. Também na França, diz-se que o cozinheiro bolonhês de Louis XIV, teve a ideia de moer um guisado de carne e usá-lo para temperar macarrão – outro fato que pende para os franceses, no entanto, é o uso do termo ragu ser uma deformação da palavra francesa "ragout".


Há quem ainda conte uma outra versão para a invenção do molho colocando no centro um cozinheiro de Ímola, chamado Aberto Alvisi que, no final do século XVIII, estava a serviço dos bispos e cardeais: Diz-se de ter sido o primeiro a cozinhar um molho semelhante ao que hoje conhecemos (com lardo – um tipo de gordura de porco, manteiga, cebola, vitela ou lombo de porco, à vontade, e de servir sobre um prato de macarrão (este último, termo que no passado costumava se referir a todo tipo de macarrão comido seco).
Em todo caso, no início do século XIX, o molho de carne apareceu em alguns livros de culinária da Emília-Romanha e, desde então, tem sido sinônimo de um prato de festa. A primeira referência a uma receita para pasta com molho à bolonhesa aparece em um livro de receitas de Pellegrino Artusi publicado em 1891, duas décadas depois da unificação da Itália. Artusi foi o primeiro a incluir receitas de diferentes regiões italianas no livro "La scienza in cucina e l'arte di mangiare bane”.



Artusi que passou muito tempo em Bologna, escreveu que, como resultado do clima da região, a culinária da Bologna é um pouco rústica, mas certamente saudável e saborosa. Na receita de Artusi, que ele chama de ‘Maccheroni alla bolognese’, o molho é feito de filé de vitela magro acompanhado de pancetta (bacon italiano), manteiga, cebola e cenoura. As carnes e os legumes seriam finamente picados, cozinhados com manteiga até a carne ficar bem dourada (amarronzada seria o termo mais correto), para então ser coberta e cozidas com caldo de carne, Artusi também sugeriu a adição de cogumelos, além de meio copo de creme de leite ao molho quando estiver quase pronto, para obter um sabor mais suave. O molho seria servido com massa, juntamente com queijo parmesão.


Embora algumas coisas tenham mudado até chegar na receita moderna do ragú alla bolognese, onde encontramos a adição de vinho branco, leite e uma pequena quantidade de purê de tomate ou extrato de tomates. Contudo, deve-se salientar que o aspecto mais importante do ragu à bolonhesa tem ênfase na carne como ‘O’ ingrediente principal. Enquanto o tomate, de uma forma ou de outra, é apenas um ingrediente auxiliar.
Outro fator crucial, e que distancia o espaguete à bolonhesa daquela região, é o tipo de massa. Certamente, os italianos devem achar o ‘mundo’ louco quando usam espaguete com molhos densos e que merecem ser incorporados à massa.  Por lá, os pratos para este tipo de molho são feitos com tagliatelle, uma massa cortada em tiras de 8 mm de largura, típica da Emília Romanha, região italiana onde se encontra Bolonha. Prova disso são registros que seguem abaixo:
A primeira edição do "guia gastronômico da Itália" (“guida gastronomica d’Italia”), publicado pelo Touring Club italiano, publicado em 1931, nos fala sobre a gastronomia em Emilia e Romagna: 

"Esta rica gastronomia tem uma" pedra angular "que, apesar das inevitáveis variações locais, é o seu elemento característico: queremos dizer a massa, que é a massa caseira, uma especialidade soberana de Emilia e Romagna, com a qual preparar tagliatelle, lasanha e parpadelle (locução emiliana para pappardelle), tortellini de forma e cappelletti, tortelli e tortelloni. Sopas de colher com caldos suculentos, dos quais galinhas e perus são usados para espessar; variadamente temperado com molhos densos, molhos com molho de carne, intervenham com combinações refinadas de diferentes carnes, fígado de galinha, salame, de conservas de tomate (os tomates em conserva, é uma das grandes indústrias de alimentos da Emilia-Romanha, onde há cerca de 150 fábricas)."
Na página 205, o guia nos diz que: "Tagliatelle seco (taiadel sòtti) é a verdadeira especialidade bolonhesa, com molho de carne ou presunto. O ragu (ragout) é um tempero composto do refogado original de pancetta de porco magra com um pouco de cebola e aipo, carne de boi magra, cortado em cubos pequenos e esmagado, manteiga, pasta de tomate e um pouco de creme de leite – que você ainda pode enriquecer com miúdos de frango e trufas, ou mudar, substituindo a carne de porco por carne de vaca (braciola). O molho é derramado sobre o macarrão cozido e pulverizado com parmesão ralado.
La prima edizione della “guida gastronomica d’Italia” edita dal Touring Club Italiano edita nel 1931 ci racconta della gastronomia in Emilia e in Romagna: “Questa ricca gastronomia ha un «caposaldo» il quale, pur attraverso le inevitabili varianti locali, ne costituisce l’elemento caratteristico: vogliamo dire la sfoglia, cioè la pasta fatta in casa, specialità sovrana d’Emilia e di Romagna, con la quale si preparano tagliatelle, lasagne e parpadelle (locuzione emiliana per pappardelle) si foggiano tortellini e cappelletti, tortelli e tortelloni. Minestre da cucchiaio con brodi succulenti, di cui il più spesso polli e tacchini fanno le spese; minestre asciutte variamente condite con intingoli o con ragù, a confezionare i quali intervengono raffinate combinazioni di carni diverse, di fegatini, di salumi, di conserve di pomidoro (il pomidoro in conserva è una delle grandi industrie alimentari dell’Emilia, ove ne esistono circa 150 fabbriche).” A pagina 205 la guida ci racconta che “le tagliatelle asciutte (taiadèl sòtti) sono la vera specialità bolognese, al ragù o al prosciutto. Il ragù (ragoût) è un condimento composto, nella sua fattura originale, d’un soffritto lievemente rosolato di pancetta di maiale magra con poca cipolla e sedano, carne di bue magra (culaccio) tagliata a dadolini e pestata, burro, conserva di pomodoro, e poca panna di latte. Lo si può arricchire con rigaglie di pollo e con tartufi, o variare sostituendo al bue della carne di maiale (braciola). Il ragù si versa sulle tagliatelle lessate a giusta cottura, e lo segue una profusa irrorazione di parmigiano grattugiato.”
Continuando em nossa jornada de investigação, chega-se em julho de 1937, quando Frida, em sua coluna mensal “l’ABC della cucina”, na revista La Cucina Italiana, expõe a receita de tagliatelle alla bolognese:
"Senhorita Luisa Natale - Casarano. - Você me pergunta a receita autêntica de tagliatelle alla bolognese. Mas você pode fazer a massa? Tome cuidado para que, a menos que você tenha uma boa máquina de amassar e cortar, não é fácil fazer uma massa perfeita: uma prerrogativa que deve ser deixada para as mulheres Emilianas, senhoras da pastelaria e do rolo. A dose de farinha, em proporção ao número de ovos, não pode ser especificada porque nem todas as qualidades da farinha absorvem a mesma quantidade de ovo. Geralmente você pode calcular três lindos ovos frescos e 350 ou 400 gramas de farinha. Nem água nem sal. No caso, uma clara de ovo, sobre os três ovos inteiros. Tagliatelle com ragu? Ou tagliatelle com presunto? Folclore Petroniano, assim como outros. Vamos começar com o molho. Pique com a máquina 300 gr. de carne magra de vitela ou entre carne de vaca e carne de porco, ou vitela, desossada: e colocá-la no fogo em uma caçarola com 50 gr. de manteiga. Em seguida, mude para a máquina 100 gr. de barriga de porco, uma cebola, uma cenoura e uma costela de aipo. Coloque também essa mistura na caçarola. Quando as ervas estiverem douradas, mergulhe com metade da concha de caldo ou extrato de carne dissolvido na água: ferver um pouco, em seguida, adicione mais uma meia concha de sopa, sal, pimenta, uma colher de chá de molho tomate grosso, coloque uma tampa na caçarola e abaixe a tocha do gás para que o molho possa cozinhar lentamente. No caso, ao cozinhar, adicione um pouco de água quente, ou melhor, leite. Com leite, o molho adquire um sabor mais delicado. Para torná-lo ainda melhor, adicione alguns fígados de frango em pedaços pequenos e um pouco de presunto picado. Este molho, terminado com dois dedos de creme de leite, é suficiente para 6 pessoas.
O tagliatelle com presunto é muito mais simples e saboroso. Eles são cozidos, escorridos e temperados com um hectograma de presunto picado e aquecidos em uma caçarola em cem gramas de manteiga liquefeita em fogo muito baixo. Termine com bastante parmesão ralado. Este condimento serve para cinco ou 600 gramas de macarrão e, portanto, para 5 ou 6 pessoas " (Frida, “l’ABC della cucina” sulla rivista La Cucina Italiana, espone la ricetta delle tagliatelle alla bolognese (Taiadèl sòtti), 1937.)

“Signorina Luisa Natale – Casarano. – Lei mi chiede l’autentica ricetta delle tagliatelle alla bolognese. Ma la sfoglia la sa fare? Badi che, a meno di avere una buona macchinetta impastatrice e tagliatrice, non è facile fare una sfoglia perfetta: prerogativa che va lasciata alle donne Emiliane, signore della spianatoia e del matterello. La dose della farina, in proporzione al numero delle uova, non si può precisare in quanto che non tutte le qualità di farina assorbono la stessa quantità di uovo. In genere si possono calcolare tre belle uova fresche e 350 o 400 grammi di farina. Nè acqua, nè sale. Nel caso, un chiaro d’uovo, oltre le tre uova intere. Tagliatelle col ragù? O tagliatelle al prosciutto? Folklore petroniano tanto le une che le altre. Cominciamo dal ragù. Tritare con la macchinetta 300 gr. di carne magra di vitellone oppure fra carne di vitellone e di maiale, o di vitella, senz’osso: e metterla al fuoco in una cazzarola con 50 gr. di burro. Passare quindi alla macchinetta 100 gr. di pancetta di maiale, una cipolla, una carota e una costola di sedano. Mettere anche questo trito nella cazzarola.
Quando gli erbaggi son rosolati ossia color dell’oro, bagnare con un mezzo ramaiolo di brodo o di estratto di carne sciolto nell’acqua: far bollire un poco, quindi aggiungere un altro mezzo ramaiolo di brodo, sale, pepe, un cucchiaino di salsa densa di pomodoro, mettere un coperchio sulla cazzarola e abbassare la fiaccola del gas affinché il ragù possa cuocere pian piano. Nel caso, mentre cuoce, aggiungete un pochino di acqua calda, o meglio di latte. Col latte, il ragù acquista un gusto più delicato. Per renderlo ancora più fine aggiungere qualche fegatino di pollo a pezzettini e qualche dadino di prosciutto. Questa salsa, ultimata con due dita di panna di latte, è sufficiente per 6 persone.
Le tagliatelle al prosciutto sono molto più semplici per quanto gustose. Si lessano, si scolano e si condiscono con un ettogrammo di prosciutto tagliato a dadini e scaldato dentro una cazzarolina in cento grammi di burro liquefatto a fuoco debolissimo. Ultimare con abbondante parmigiano grattato. Questo condimento serve per cinque o 600 grammi di tagliatelle e perciò per 5 o 6 persone.”

O próprio termo “à bolonhesa” pode ser considerado como um dos mais usurpados da cozinha italiana. Principalmente quando é usado em molhos ‘duvidosos à base de muitos tomates’. Por conta disso, no ano de 2010, uma associação italiana de fazendeiros, para se defender de usurpadores deu início a uma campanha para ensinar cozinheiros pelo mundo a como preparar verdadeiro Ragù Alla Bolognese, o molho tradicional que deu origem ao que chamam de ‘à bolonhesa’ ao qual muita gente por aí produz achando que o seu  é o tradicional – só que não.



Um legítimo Ragù Alla Bolognese, dentre os ingredientes que o distingue, precisa levar pancetta, cenoura e vinho.  Mas, como todo país tem suas regiões, e nelas há modos de preparos diferenciados que acrescentam, retiram ou substituem ingredientes para realizar suas comidas típicas, para resolver a questão da tradição e originalidade do molho a Câmara do Comércio de Bologna patenteou a receita no ano de 1982.
Em 17 de outubro de 1982, uma receita para Ragù à bolonhesa foi apresentada pela Delegazione di Bologna dell’Accademia Italiana della Cucina na Câmara de Comércio de Bologna. A codificação veio quando o molho de carne já era cozido por séculos, mas precisava de um ordenamento na feitura provavelmente para protegê-lo de muitos outros molhos de carne como os também conhecidos molho alla napolitana e alla barese, só para citar alguns.
Abaixo segue trecho do documento oficial com a codificação da receita:

“Nel 1982, Domenica diciassette Ottobre alle ore tredici e quindici minuti, a Bologna, presso l’Hotel Royal Carlton via Montebello n.8 è stato stilato un verbale davanti al Dott. Aldo Vico di Bologna Presenti il prof Zangheri di Rimini, il dott Nuvoletti Conte Giovanni, il prof Cetrullo Carlo.
Il prof Cetrullo Carlo, nella anzidetta sua qualità, dichiara che la Delegazione Bolognese della Accademia della Cucina ha voluto, avviando indagini lunghe e laboriose, promuovendo e realizzando indagini di natura storica, sociale, d’ambiente, mercantile, turistica e folcroristica, nonchè indicendo pubblica consultazione a mezo del giornale quotidiano aperta ad ogni strato sociale dell’intera popolazione della città di Bologna

ACCERTARE
Onde tramandarla ai posteri, la ‘ricetta vera ed autentica’, classica e tradizionale del ‘Ragù Classico Bolognese’.
A tale scopo sulla scorta degli esiti delle indagini, degli studi, delle ricerche, dei risultati della pubblica consultazione di cui sopra si è detto
Che hanno tenuti ben presente
– le peculiari caratteristiche di questa salsa in rapporto alle abitudini ed alle possibilità agricolo-alimentari dei nostri predecessori;
– la qualità dei componenti, comuni ed economici, che erano reperibili nelle nostre zone;
– la qualità degli utensili, ed il conseguente metodo di cottura, di normale impiego nelle famiglie del passato;
– i ricordi, gli insegnamenti e le tradizioni dei nostri vecchi;
– il costante riferimento a rigorosi criteri di classicità e di fedeltà al passato la Delegazione Bolognese dell’Accademia Italiana della Cucina

SOLENNEMENTE DECRETA
Che la ricetta del ‘Ragù Classico Bolognese’, la cui fama, oltre ad essere universale, è secolare, tanto da perdersi nella Storia per sconfinare nella Leggenda, è la seguente:

Componenti e quantità
-Cartella di manzo g. 300
-Pancetta distesa g. 150
-Carota gialla g.50
-Costa di sedano g. 50
-Cipolla  g.30
-Salsa di pomodoro cucchiai 5
oppure estratto triplo g. 20
-Vino bianco secco bicchieri 1/2
-Latte intero bicchieri 1

Utensili necessari
-Tegame di terracotta circa 20 cm di diametro
-Cucchiaio di legno

Nota:
Questo è il taglio di manzo necessario per il ragù: la parte del diaframma del bovino che a Bologna viene denominata “cartella“.
E’ una taglio di carne molto saporito, succoso e tenero, perfetto per il ragù.
Di non facile reperibilità in quanto ogni animale ha solo qualche chilo di cartella, pertanto richiedetelo per tempo. 

Como se afirma no documento arquivado, a “La Delegazione Bolognese della Accademia della Cucina decidiu, a partir de comprimento e de investigações laboriosas, promovendo e realizando a natureza histórica das investigações, social, ambiental, comercial, turística e folclórica, e até mesmo o lançamento de consulta pública em jornal aberto a todas as camadas sociais da população da cidade de Bolonha, determinar registro para a posteridade, divulgando a 'receita verdadeiramente autêntica, clássica e tradicional do clássico Ragu à bolonhesa. 
Mas, por conta da codificação tardia, cada família bolonhesa tem sua própria receita para este tipo de molho de carne – isso  vai de encontro ao pensamento de alerta que faz Montanari em seus livros quando ele fala que (ele) desconfia de qualquer pretensão de criptografia, de normalização, de padronização: a receita 'real' para o molho, o 'verdadeiro' tipo e tamanho de macarrão, o "real"... Há muita ambiguidade nos adjetivos (o verdadeiro, o tradicional) que gostariam de marcar como falsa cada variação, cada invenção, cada desvio da regra. E lembra que a culinária é feita acima de toda a liberdade, com diferenças e variações. Mas, respeitando o sábio senhor Montanari, há registros indicando como é o tal molho, para evitar falsificações, e se não os quer seguir é uma opção, mas a receita codificada é um direcionamento – se não é feito como diz na codificação, é melhor dar outro nome, penso eu. (quem quiser ver mais sobre Montanari, indico esses livro: Montanari, M., Il riposo della polpetta e altre storie intorno al cibo, Bari 2010).

Inegavelmente, existem muitas variações para esse molho – feitos com os mesmos ingredientes e cozidos por horas. Mas o que precisa ser dito, é que a carne e seus sucos devem ser o principal ingrediente da receita. E se explica o motivo: entre os camponeses daquela época, na Emília-Romanha de séculos atrás, o molho era preparado com carne de vacas velhas que já não mais podiam trabalhar no campo. Por conta disso era preciso a carne passar por muitas horas de cozimento (5 ou 6), e ainda usar leite ou creme para quebrar as fibras da carne e lhe deixar com um toque adocicado. Para carnes macias e especiais de hoje esse tempo pode ser reduzido e muitas vezes não se precisa usar leite ou creme de leite.


Outra mudança considerável são as gorduras usada: originalmente a pancetta foi usada inicialmente, mais recentemente manteiga, azeite, óleo podem ser misturados com bacon.
A receita de Artusi, apresentada anteriormente como o primeiro registro sobre o molho à bolonhesa, não leva tomate em nenhuma hipótese. Este fato se explica quando se sabe que o tomate só foi aparecer naquelas mesas no final do século XVIII. Logo, os precursores do molho são precedentes a essa data, nasceram sem tomates e, mesmo quando adicionados, apenas o necessário para ativar cor e para não desequilibrar os sabores já conhecidos. No molho não há aromas de especiarias ou condimentos: sem folhas de louro, salsa, alecrim, alho ou pimenta ardidas ou de cheiro. Mesmo a noz-moscada não está incluída na versão codificada, embora muitas famílias emilianas a usem.
A receita está abaixo. Teste-a e veja o seu paladar o que mais lhe agradar. Felicidade em comer o alimento é sempre o que importa – mas, é sempre bom saber que existe um referencial, e que dele parte toda as transformações – pra bem ou pra mal.
E lembre-se: as receitas que apresento se destinam apenas a ilustrar os conceitos discutidos como mote para a postagem; e não como a melhor receita possível: a internet está cheia de excelentes blogs e sites de culinária onde é possível variar e testar novas receitas. O ponto é que as medidas e os aromas que você usa geralmente podem variar, mas os processos químicos e físicos não – eles matem a tradição, gostos e simbologias que resistem aos tempos.

RAGÙ CLÁSSICO BOLOGNESE: LA RICETTA DEPOSITATA
300 gramas de carne magra (da barriga, como fraldinha) grosseiramente picada
150 g de pancetta
 50 g de cenoura
50 g de aipo
30 g de cebola
5 colheres de molho de tomate
 ½ copo de vinho branco ou tinto, seco mas não espumante
½ copo de leite integral,
um pouco de caldo de carne,
azeite extra virgem ou manteiga
sal
pimenta do reino
Preparo: corte a pancetta em pequenos cubos e depois de picados leve para uma panela adicione 3 colheres de sopa de óleo ou 50 g de manteiga e frite levemente. Adicione os legumes e refogue bem, junte a carne e misture bem com até dourar bem, ficando na cor marrom. Adicione o vinho e misture delicadamente até que esteja completamente evaporado. Adicione os tomates passados ou descascados, cubra e deixe ferver lentamente por cerca de 2 horas, adicionando, quando necessário, um pouco de caldo, até o final adicionar o leite para retirar a acidez do tomate. Tempere com sal e pimenta.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Speculaas – os biscoitos de especiarias holandeses para o Natal


O Natal está aí... e logo virá o Ano Novo. Este foi um ano difícil para mim, mas com muitos aprendizados. Então, gostaria de hoje compartilhar algo que tivesse, além de informação, significado real para mim. 
Não foi difícil chegar no tema para esta postagem, pois reuni nela elementos que estão bastante presentes no meu cotidiano: as especiarias. Assim, hoje apresento nesta confraria os Speculaas, biscoitos de especiarias natalinos.





Você pode estar resmungando aí que: biscoitos, são apenas biscoitos. Que, muitas vezes não contam muito na história da gastronomia. Mas há aqueles que são mais radicais e acreditam que biscoitos não são considerados dignos o suficiente para serem apresentados nas mesas natalinas. É aí, onde eu entro para questionar: - será que os biscoitos realmente não são importantes, mesmo quando eles podem conter historias importantes de descobertas, inovações e trocas?
Há quem diga que Speculaas é uma resposta dos Holandeses e dos belgas ao gingerbread existente nas ilhas britânicas.


Ginger Bread by Anton Pieck (1895 - 1987)


Gingerbread
 No caso dos Speculaas, eles foram criados numa época onde os ingredientes que o compõem eram considerados luxuosos: manteiga, açúcar, farinha (de trigo ou amêndoa); e seus aromas: café, laranja, especiarias orientais como pimenta, canela, cravo, gengibre, cardamomo, noz-moscada.... Já pensou nisso sendo usado num simples biscoitinho?



Esse biscoito natalino pode ainda ser conhecido como spekulatius (em alemão), Speculoos (em francês), bolachas holandesas de moinho de vento (uma das formas do biscoito bastante conhecida na Holanda), biscoito de especiarias belgas, biscoitos Biscoff (biscuit + coffee - termo para Biscoito + Café. Pois passou a ser muito consumido acompanhado de café. Embora, se saiba que em Hasselt, na Bélgica, a tradição pedia que o biscoito fosse acompanhado de um gim muito fresco (um "drèpke"). Aliás, em Hasselt existe uma variedade local desse biscoito que foi licenciada desde 1870).



O nome Speculaas é frequentemente usado na Holanda e deriva do latim “speculum”, que significa espelho. Refere-se às imagens que são moldadas / “espelhadas” a partir dos carimbos de madeira usados para decorar e dar forma aos biscoitos. Outra explicação para o nome refere-se à palavra latina “speculator”, que significava ‘bispo’ (“aquele que vê tudo”) - e acabou sendo como referência a São Nicolau (O Papai Noel), que era o bispo de Mira. Mas, também outra origem advém do termo em holandês "Specerij", a palavra para especiaria, é outra possível origem.








Speculaas são biscoitos especiarados originários da Holanda. Mas existem diferentes variedades em diferentes partes da Europa: as speculaas holandesas são mais parecidas com bolos, as especulas belgas são biscoitos fortemente temperados. Espécies alemãs também são como biscoitos, porém menos temperados.





Para fazer Speculaas, é necessária uma mistura de especiarias chamada speculaaskruiden (speculaas spices) que devem conter, pelo menos, canela, cravo, gengibre, além de ter mais especiarias a gosto, como: pimenta preta (do reino), cardamomo, sementes de coentro, anis estrelado e noz-moscada. Aqui, te digo que o luxo da receita está no fato de que essas especiarias não eram comumente disponíveis até o século XVII, quando passaram a ser fornecidas pela “Companhia Holandesa das Índias Orientais” – você deve ter ouvido falar dessa Companhia nas aulas de história do Brasil...


Bandeira da Companhia Neerlandesa das Índias Orientais - em holandês,Vereenigde Oost-Indische Compagnie, com a sigla VOC.
Edifício principal da VOC em Amsterdam.
Historicamente, esses biscoitos eram servidos em 5 e 6 de dezembro para celebrar o Dia de São Nicolau; assim speculaas foram tradicionalmente criados na forma de São Nicolau, a fim de honrar a vida de São Nicolau.
São Nicolau é a figura que deu origem ao Papai Noel, no final do século III em Patara (uma antiga cidade da Turquia, na Ásia Menor) e faleceu num dia 6 de dezembro de 350. Embora ele tivesse uma rica experiência, ele realmente passou sua vida dando seu dinheiro e presentes para os pobres. Com a morte de São Nicolau, bispo de Mira, muitos ainda queriam honrar seu espírito de generosidade e bondade, então começaram a celebrar o dia 6 de dezembro como o Dia de São Nicolau.


São Nicolau

Como uma tradição na véspera de São Nicolau, na Holanda e na Bélgica, as crianças colocavam seus sapatos (há quem diga que eram apenas as meias) perto da chaminé de casa antes de irem para a cama, e as crianças bem-comportadas seriam recompensadas com speculaas em seus sapatos (ou meias – fico imaginando essa situação entre aqueles que tinham chulé rs). Hoje Speculaas não são apenas essenciais nas festividades de São Nicolau, mas tornaram-se populares durante toda época de Natal.

Speculaas não são biscoitos, mas joias de viagens...

Minha formação em turismo, minha dedicação e pesquisas sobre cultura gastronomia me permitem aqui fazer um parêntese nessa história para salientar a importância e a representatividade para mim que tem esse biscoito.
Boa parte dos insumos dessa preparação vieram da Ásia: noz-moscada, canela, gengibre, cravo, cardamomo. Logo, poderia ser um biscoito do outro lado desse Éden planetário. O sabor complexo, delicioso, que abre o paladar é resultado das Grandes Navegações, do enfrentamento de mares bravios, da resistência e do empenho de navegantes, desbravadores, de curiosos. Nada mais terreno, aparentemente, do que a textura arenosa de um biscoito esfarelando. Neste caso, no entanto, ainda diria que se trata de algo mais iodado, mais marítimo. 


Caixa de Speculaas
Por volta do século XVI, os principais portos do Norte europeu estavam amplamente abertos à Ásia e as empresas puderam cuidar das especiarias vindas de muitos lugares distantes, como do arquipélago Malulu (Ilhas Molucas, indonésia) entre outros lugares do Pacífico, e despejar suas cargas em Bruges e Amsterdã. Diante do preço exorbitante desses bens de luxo, as famosas especiarias, os chefs de confeitaria tiveram a feliz ideia de encontrar uma maneira de oferecer o sabor luxuoso das especiarias, limitando a quantidade utilizada.  


Foi graças a esse contexto, a essa ideia, que os speculaas surgiram para nos permitir sentir nas papilas gustativas os sabores curiosos e sedutores do Oriente – além de ser uma saída mais barato para as especiarias serem consumidas. 
Cabe lembrar que o açúcar para esse preparo não era o de beterraba, mas o açúcar mascavo, caribenho ou brasileiro, que chegava por mar à Europa. Isso me remete ao império do açúcar que já foi o Brasil, e sobre a importância do açúcar no desenvolvimento da doçaria nordestina (aliás, foi no Nordeste brasileiro que se concentrou o império do açúcar feito de cana). Àquela época, açúcar chegava a valer mais que ouro – mas seu valor maior se detinha no prazer em adoçar vidas e evoluir gostos e sabores ao longo do tempo.
Se você é do tipo que adora um biscoitinho para mergulhar em café, gesto banal no nordeste brasileiro (e em muitos outros lugares por aí), saiba que àquela época em que os speculaas foram inventados café diário era coisa de ricos, da elite – mas, com o tempo, a bebida também se popularizou.







Vejam a mistura que já temos no preparo desse biscoitinho singelos, mas que mais valia uma caixa de joias: as melhores farinhas vindas das planícies de Beauce, na França; o Açúcar de cana do Brasil; o cardamomo da Índia; a canela do antigo Ceilão (atual Sri Lanka); a noz-moscada e o cravo das ilhas Molucas, na indonésia; o gengibre da Ilha de Java, da Índia e da China; a pimenta-preta [pimenta do reino] da Índia; a baunilha do México e de Madagascar; o anis estrelado, do Vietnã e da China; e para acompanhar, café - planta nativa das altas terras da Etiópia, que tem hoje o Brasil é o maior produtor [2,7 milhões de tonelada em 2017], sendo seguido respectivamente pelo Vietnã, Colômbia, Indonésia e Etiópia. Depois que o cultivo do café se espalhou pelo mundo árabe (foi torrado pela primeira vez ainda na Pérsia), e ganhou o mundo.
Mistura maravilhosas de aromas e sabores feitas com temperos e especiarias de espécies distintas; ocasionados por encontros e conquistas mergulhadas em culturas diferentes e viagens para explorar tudo isso.  Não é à toa que quando se fala de Gastronomia se fala sobre mistura, sincretismo, reuniões, trocas, experiências, aprendizado, história, cultura... E isso é tudo o que forma a identidade de uma região, um povo. É também uma forma de amar aos outros. E é tudo isso que eu desejo a vocês, leitores amigos, para este Natal.






Que preparem este singelo, porém luxuoso biscoito; que ele lhe desperte o melhor, na boca e na vida, hoje e sempre. Boas Festas.
Obs: meu presentinho de Natal será, além da recita do biscoito, uma de créme bruleé de Speculaas que você vai querer comer sempre.
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Speculaas

1/2 xícara de manteiga sem sal em temperatura ambiente (115 g)
6 colheres de sopa de açúcar granulado branco (75 g)
3/4 de xícara de açúcar mascavado escuro (165 g)
1/4 de colher de chá de bicarbonato de sódio
1/2 colher de chá de sal
2 1/2 colher de chá de canela em pó
3/4 de colher de chá de noz moscada
3/4 de colher de chá de cravo moído
1/2 colher de chá de gengibre moído
1/4 de colher de chá de pimenta branca moída
1/4 de colher de chá de pimenta preta moída
1/4 de colher de chá de cardamomo moído
1 e 1/2 colher de chá de extrato de baunilha
1 ovo grande
1 e 3/4 de xícara de farinha de trigo (235 g)
Papel manteiga para assar.

Preparo: Forre uma assadeira com papel manteiga, reserve. Corte a manteiga em cubos e adiciona na batedeira com os açúcares, bicarbonato de sódio, sal e especiarias. Junte o ovo e o extrato de baunilha e bata mais um pouco até ficar homogêneo. Junte a farinha em seguida até incorporar bem. Coloque a massa em filme plástico e leve para a geladeira para descansar por 15 minutos. Depois disso abra a massa numa superfície enfarinhada na espessura de meia polegada daí você tem algumas opções para cortar: 1) se tiver um rolo decorado, use-o para marcar a massa; se tiver cortadores ou moldes para biscoito, use-os também; mas se não tiver nenhuma dessas opções, corte com a ajuda de uma faca em formato retangular que já fica ótimo. Com cuidado, coloque os biscoitos na assadeira e leve na geladeira por 30 minutos – isso é muito importante para o sucesso do seu biscoito. Quando faltar 10 minutos antes desses 30 minutos na geladeira acabarem, pré-aqueça o forno a 180 graus. Asse os biscoitos por 9-11 minutos ou até que eles tenham as bordas douradas. Deixe esfriar na assadeira por 10 minutos antes de mover os cookies para uma gradinha para secar em temperatura ambiente. Os biscoitos vão endurecer enquanto esfriam.

crème brulée au speculoos

1/2 litro de creme de leite fresco
90 g de açúcar
120 g de gemas
6 biscoitos speculaas quebrados grosseiramente
5 folhas de gelatina sem sabor
Uma colher de chá da mistura de especiarias (canela, cravo, noz moscada, pimenta preta, cardamomo)

Preparo: coloque as folhas de gelatina para hidratar em agua gelada. Ferva o creme com metade do açúcar e as especiarias. Adicione os speculoos e retire do fogo. Misture o resto do açúcar com as gemas até obter um creme branco suave. Adicione delicadamente a mistura de creme come speciarias e biscoito, misture bem e retorne a mistura ao fogo apenas para dar uma cozidinha nas gemas e engrossar um pouco (uns 2-3 minutos). Retire do fogo. Retire a gelatina da agua, esprema e misture ao creme ainda quente para dissolver. Coloque em forminhas e leve à geladeira para gelar. Desenforme ou sirva nas forminhas. Para finalizar colocar açúcar em cima do creme gelado e queimar com um maçarico, ou com as costas de uma colher bem quente.  Pode decorar com mais speculaas quebradinhos.

terça-feira, 20 de novembro de 2018

O almoço de Sua Alteza Real, o Príncipe George de Gales em homenagem a visita da Sua Majestade o Rei D. Manuel II, de Portugal.



O Menu data de 20 de novembro de 1909, referente a um almoço na Frogmore House, Windsor, organizado por Suas Altezas Reais o Príncipe e a Princesa de Gales (futuros Rei George V e Rainha Maria) em homenagem a uma visita da Sua Majestade o Rei D. Manuel II de Portugal.

Sua Majestade o Rei Manuel II de Portugal e Sua Alteza Real o Príncipe George de Gales, mais tarde rei da Grã-Bretanha e Imperador da Índia
Frogmore House, Windsor
No início daquela semana, o rei D. Manuel II, então com vinte e um anos, iniciou a sua visita ao Reino Unido como convidado do rei Eduardo VII e da sua esposa, a rainha Alexandra.
Neste dia, o monarca português foi levado para o Frogmore Estate, perto do Castelo de Windsor, para inspecionar o Mausoléu Real, onde a falecida Rainha Vitória e seu consorte, o príncipe Albert, foram enterrados. Depois, o grupo real fez este almoço na Frogmore House.
Mausoléu Real em Frogmore

Interior do Mausoléu Real

Efígies da rainha Vitória e do príncipe Albert no Mausoléu Real, em Frogmore.

Galinholas, perdizes e lagostas foram oferecidas ao rei de Portugal no almoço de 1909 oferecido pelo então príncipe de Gales em sua casa, a Frogmore House. O cardápio deste almoço foi gravado com a cifra pessoal do Príncipe de Gales e oferece aos visitantes seis preparações -  e concluindo duas sobremesas ornamentadas, uma delas fazendo referência ao Brasil.
 Os jardins da Frogmore House eram famosos por fornecer as frutas usadas em jantares e banquetes reais para convidados de grande importância. É, portanto, provável que a abundância de berries usadas em uma das sobremesas neste almoço foram 'cultivada em casa'.
Durante o passeio o rei de Portugal foi investido com a insígnia da Nobilíssima Ordem da Jarreteira por Eduardo VII.
Armas da ordem da Jarreteira - a mais antiga ordem de cavalaria da Inglaterra.
Insígnias da Ordem da Jarreteira. 
Apenas seis meses depois de receber o almoço, o príncipe e a princesa de Gales se tornaram o rei George V e a rainha Mary. 

Rei George V e Rainha Mary de Teck.
A imagem abaixo mostra Nove Soberanos em Windsor por ocasião do funeral do Rei Eduardo VII, momento fotografado em 20 de maio de 1910. De pé, da esquerda para a direita: o rei Haakon VII da Noruega, o czar Fernando dos Búlgaros, o rei Manuel II de Portugal e o Algarve, o cáiser Guilherme II da Alemanha e da Prússia, o rei Jorge I dos helenos e o rei Alberto I dos belgas. Sentados, da esquerda para a direita: o rei Alfonso XIII de Espanha, o rei Jorge V do Reino Unido e o rei Frederico VIII da Dinamarca.


O rei de Portugal convidado ilustre para o almoço real, no entanto, estaria reinando mais um ano antes de ser derrubado na revolução portuguesa de outubro de 1910.


MENU
Consommé à la Castellane
Galinhola (Woodcock) guarnecida com vegetais em cubos e em julienne de peito de galinhola assada

Petits Homards Soufflés
Pequenos soufflés de lagosta

Cotelettes d’Agneau à la Vicomtesse
Costeletas de borrego com molho viscondessa espesso feito com presunto, cogumelos e ovos

Perdreaux en casserole à la Forestière
Caçarola de perdizes que foram recheadas com morchella

Gateaux Mazarins à la Brésilienne
Bolo tipo babá embebido em kirsch e maraschino, servido com bananas e coberto com molho sabyaon feito de vinho branco, gema de ovo e açúcar

Mousselines Diplomate a la Montmorency
Pequenos bolos aromatizados com água de flor de laranjeira; preenchido com um puré de framboesas e morangos aromatizados com Curaçao; cercado por um anel de frutas frescas; e servido com um creme de caramelo e amêndoa, pistaches e um pouco de kirsch
Desse menu se apresenta abaixo a segunda preparação apresentada à mesa real.

Petits Homards Soufflés
400 g de carne de lagosta (ou carne de caranguejo)
1 cebola
1 ramo de cebolinha
50 ml de vinho branco seco
250 ml de leite
40 g de Farinha de Farinha Francine
50 g de manteiga
3 gemas
5 claras de ovos
Sal
Pimenta do reino
2 pitadas de 5 especiarias de sua preferência
Farinha de trigo e manteiga para passar nos ramequins

Preparo: inicialmente, prepare quatro ramequins pequenos passando manteiga generosamente em seu interior, e depois passe farinha de trigo. Isso feito, leve-os para a geladeira até a momento de usar. Em seguida, pré-aqueça o forno a 210 ° C. Corte a lagosta em pequenos cubos. Descasque a cebola, pique em cubinhos pequenos e refogue em uma frigideira por 2 minutos com 10 g de manteiga, adicione os cubos de lagosta, sal e pimenta e refogue por 1 minuto. Despeje o vinho branco na mistura e cozinhe por mais 1 minuto, em seguida, retire a panela do fogo e deixe esfriar para então jogar a cebolinha picada nessa mistura. Reserve e prepare o bechamel: derreta a manteiga restante em uma panela, adicione a farinha de trigo misturando bem por 2 minutos. Junte o leite na panela, deixe até ferver misturando bem até ficar bem cremoso. Retire a panela do fogo, acrescente as gemas uma a uma com a ajuda de um batedor e, em seguida, tempere com sal, pimenta e as especiarias de seu gosto. Junte o bechamel com a preparação de lagosta e reserve. Bata as claras em neve com uma pitada de sala até formar picos firmes, em seguida misture 1/3 das claras em neve na mistura com bechamel para incorporar suavemente – depois repita esse processo duas vezes até acabar as claras em neve e elas estiverem delicadamente misturadas. Encha os moldes que estavam na geladeira e leve ao forno por 19-20 minutos. Servir imediatamente.