sábado, 22 de março de 2014

Lestat virá jantar aqui

Depois de mais de uma década Lestat voltará a jantar comigo. E essa, realmente, é a mais deliciosa e sedutora notícia que eu poderia receber. A data já foi marcada: 28 de outubro 2014.
Confesso que é ótimo receber tão ilustre visita. Estar entre a nobreza, se comportar como tal – Noblesse oblige! O que é mais desafiador é apurar a criatividade para preparar um menu que agrade uma persona com hábitos alimentares, digamos, diferentes da maioria dos comensais comuns – pois sua dieta se restringe a sangue humano (Isso mesmo!).
No entanto, quando Lestat vem para jantar, ele saboreia o menu sem comer. Você deve estar se perguntando como isso pode ser possível. E eu lhes digo que isso é possível. Para ele, é como se fosse a mesma sensação que nós temos ao devorar um livro, absorver conhecimento; são reações que pulsam forte através das cores, aromas, textura... e a percepção de Lestat é mais delicada que o normal, é auspiciosa, preternatural! Ele pode sentir o sabor da minha comida sem precisar comer. E pode ir além disso...



Lestat sempre que vem, quando não está só, está acompanhando de mais alguém... e não há estranheza da minha parte se o (a) acompanhante for seu semelhante, ou não. Devo estar preparado com o melhor. Por que ele já provou do melhor por onde passou – e continua fazendo isso.
Ainda tenho uma garrafa de vinho que ele me presenteou no último encontro, provavelmente eu a abra nesta ocasião especial. Mas o que mais me agrada, de fato, é ver aqueles olhos cinza devorando os pratos como se fosse o zoom de uma câmera – é exatamente como diz a música do Chico Buarque: ... “olhos de comer fotografia”. Lestat tem esse olhar poderoso.



É sempre gentil, sedutor e traz agrados maravilhosos! E se chega cedo, prepara drinks que aprendeu em Santorini e Miami; Abre e serve o vinho, que ele mesmo trouxe, de reservas sempre especiais – vinho que ele gira na taça, sente o aroma e me oferta. E espera eu provar e dar o parecer para, em seguida, começar a inquisição sobre aromas e descrever o gosto dos vinhos de tempos atrás... muitas histórias surgiram com o vinho.
Da última vez que Lestat veio aqui, elaborei um cardápio tematizado, com muitas alusões ao sangue (tinha feito algumas bebidas com vinho; noutras acrescentei gelos de especiarias tingindo de vermelho; servi sopa de tomate e outras comidinhas que, quando não se apresentavam líquidas eram cremosas e até gelatinosas, mas sempre vermelhas). E comi tudo sozinho, ele sorveu todas as sensações que pode, mas foi delicado quando disse que, na próxima vez, não se importaria se eu preparasse algo menos “artificial”.
E eu estou apostando na dica que ele deu para que o menu do próximo jantar seja perfeito. O planejamento já comecei: fui buscar na França, torrão natal de meu comensal, a inspiração para os pratos que estou pensando em preparar.
Vejam o cardápio que penso em apresentar e me digam no que posso melhorar, ou introduzir de novidade:

O MENU

Potage

Frontange


Relevés

Mousse Chaude au Jambon (Mousse quente de presunto)


Hérissons (Ouriços de pera com queijo de ovelha)


Entreés

Anges & Démons á cheval

Já falamos sobre eles AQUI
Coquille Saint Jacque salade avec sauce aux fraises (Sala de vieira com molho de morango)


Digérer

Champagne Sorbet


Rôts

Magret de canard à la cannelle avec des figues grillées


Cailles en Sarcophage – codornas assadas com massa folhada

Já falamos sobre ela AQUI

Entremets

Beignets d'aubergines à l'indienne (Berinjela frita a indiana)


Fleur de citrouille farcies avec fromage (Flor de abóbora com queijos)


Dessert

Mousse de Pomme Cannelle (Mousse de fruta-do-conde)


Panacotta de rosas


Vins

Madère retour de l'Inde 1810

Xérès 1821

Mouton 1945


Château Yquem 1929

Champagne Roederer frappé



Frontange
4 xicaras de ervilhas frescas, cozidos em água e sal por alguns minutos e peneirada
3 xicaras caldo de galinha
sal a gosto
4 colheres de chá de manteiga (opcional)
4 colheres de chá de ervilhas frescas cozidas
1/4 de xicara de creme de leite fresco
1/2 xicara de manjericão de folha larga (basil) fatiado em tirinhas e refogado levemente em um colher de chá de manteiga por um minuto
cerefólio  para enfeite

Preparo: Adicione as 4 xicaras de ervilhas para o caldo de galinha e deixe ferver por um momento com sal, adicione a manteiga, retire do fogo, e bata no liquidificador até ficar um purê liso. Volte o purê para a panela e deixe ferver novamente. Para servir, adicione as erviljas restantes, o manjericão refogado, decore com, decore com folhas de cerefólio e pontos de creme de leite, servir.

Mousse Chaude au Jambon

1kg de presunto
1/2 litro de molho bechamel
200g de creme de leite
8 ovos inteiros e mais 4 gemas
100g de manteiga
molho de champignon para servir

Ingredientes bechamel
1/2 litro de leite
2 colheres de sopa de farinha de trigo
1 colher de manteiga

Ingredientes para o molho de champignons
2 colheres sopa de manteiga
2 colheres sopa de farinha de trigo
1 copo de caldo de carne
a agua dos champignons
sal e pimenta
2 colheres de vinho madeira
1 vidro pequeno de champignons fatiados

Preparo: Bechamel - derreter a manteiga, juntar a farinha, o sal e pimenta a gosto, e depois acrescentar o leite, deixar no fogo mexendo até engrossar. Mousse - ralar o presunto no ralo grosso (ou pedir pro açougueiro moer), em seguida passe o presunto no liquidificador, aos poucos, juntar o bechamel, os ovos e as gemas, o creme de leite e bater para incorporar. Despejar a mistura numa forma de domo (ou outra forma bonita que tenhas), untada e polvilhada com farinha de rosca. Assar em banho-maria por 40 minutos. Desenformar não muito quente e servir com o molho. Molho - derreter a manteiga, juntar a farinha, o caldo de carne, a agua dos champignons, o sal e a pimenta, o  vinho e os champignons cortados e deixar no fogo para reduzir.

Hérissons
2 grandes peras
50 g de melaço de cana
Queijo de ovelha cortado em palitos para a crosta e gelado
2 colheres de sopa de vinagre balsâmico
2 colheres de sopa de azeite de oliva
sal e pimenta
alguns tomates cereja e ramos de salsa para decorar

Preparo: coloque os palitos de queijo pra curtir no vinagre e reserve na geladeira. Corte as peras ao meio, retire as sementes e pele. Coloque em uma panela e cubra com água, adicione o melaço e cozinhe em fogo médio por cerca de 15 min – a pera deve estar consistente, então fique de olho no cozimento para ela não amolecer demais. Escorra e reserve o líquido e deixe as peras esfriarem. Volte o caldo ao fogo até reduzir e virar um caramelo líquido. Faça pequenas incisões nas peras para colocar os palitos espalhando por toda a pera. Deixe descansar em temperatura ambiente antes de servir. Na hora de servir misturar o azeite, sal e pimenta e colocar por cima, e organizar com tomate cereja e salsinha.

Salada de Vieira com molho de morango
Ingredientes
9 vieiras frescas e limpas
1 colher de sopa de farinha
50g de folhas variadas
100g de geleia de Morango
3 colheres de sopa de vinagre neutro
3 colheres de óleo de noz
Morangos frescos
Sal e pimenta
Azeite e vinagre

Preparo: Adicione a geleia, o vinagre e o óleo de noz em um pote limpo. Cubra-o e agite os ingredientes até que obtenha um molho. Adicione sal e pimenta a gosto. Corte as vieiras limpas em pedaços de ½ cm. Salpique sal e cubra-as com farinha. Frite rapidamente a um fogo alto, certificando de que elas não cozinhem. Adicione sal e pimenta a gosto na salada, borrife o azeite e o vinagre. Adicione os morangos frescos por cima. Distribua a salada em pratos e coloque os pedaços de Vieira ao lado. Enfeite a salada com o molho de morango.

Champagne Sorbet
2 copos de champanhe brut
1 e 1/3 copos de açúcar
2 colheres de sopa Suco de limão
1/2 xícara de água com gás

Preparo: Aqueça o champanhe, água com gás, suco de limão e açúcar em fogo médio até que o açúcar se dissolva. Retire a mistura do fogo e leve à geladeira por uma hora. Para produzir o sorbet, ou 1) siga as instruções da sua sorveteira (máquina) ou 2) congelar o sorvete por 2 horas, e depois disso bater a mistura gelada um processador de alimentos ou liquidificador a cada 20 minutos. Deixe o sorvete em seu freezer em até que atinja a consistência desejada e depois servir.  Faz cerca de 2 xícaras de sorvete.

Magret de canard à la cannelle avec des figues grillées

Ingredientes
2 peitos de pato;
4 figos frescos e ainda firmes;
3 colheres (sopa) de mel;
1 colher (café) de canela;
1 colher (chá) de noz-moscada;
50 g de manteiga;
Folhinhas de 4 a 5 raminhos de tomilho;
1 dose de vinho do Porto;
Sal e pimenta-do-reino a gosto;

Preparo: Tempere os peitos de pato (do lado da pele) com a canela, a noz-moscada e a pimenta-do-reino. Enrole em filme plástico e deixe descansar na geladeira enquanto apronta os figos. Corte os figos em dois. Coloque a manteiga numa frigideira. Ao derreter, junte o mel, uma pitada de sal e as folhinhas de tomilho. Coloque os figos com a parte aberta para baixo e deixe por 15 minutos, em fogo baixo. Após os 15 minutos, junte o vinho do Porto e aumente o fogo por 2 minutos. Retire os figos e reserve em um prato, conservando o molho na frigideira. Se preciso, deixe-o mais um pouco no fogo para adensar. Faça incisões em xis na pele do magret. Coloque-os em uma frigideira antiaderente, em fogo médio, com a pele para baixo (não é necessário colocar óleo). Deixe-os desse lado por 10 minutos, vire, tempere a carne com sal e pimenta a gosto, e deixe por mais 5-8 minutos. Retire os peitos de pato e conserve-os em local aquecido (no forno com a porta aberta, por exemplo), por alguns minutos. Isso é importante para a carne ficar mais macia. Enquanto isso, aqueça o molho de vinho do Porto e os figos. Em seguida, corte cada magret em tiras e arrume-os nos pratos. Despeje o molho na carne, ajeite os figos do lado e decore com ramos de tomilho. 

Berinjelas a indiana

2 berinjelas
1 dente de alho
2 raminhos de hortelã
1 ovo
1 iogurte grego
120 g de farinha de trigo
1 colher de chá de fermento em pó
300ml de agua gelada
óleo de amendoim para fritar
1 pitada de caril
1 pitada de cominho
1 pitada de pimenta
sal

Preparo: Descasque e amasse o alho, pique as folhas de hortelã. Em uma tigela, misture o iogurte grego com alho, hortelã picada, pimenta, sal e pimenta. Misture rapidamente e reservar. Peneire a farinha com o fermento sobre uma tigela. Adicione o ovo inteiro, caril, cominho e uma pitada de sal. Enquanto bater, despeje lentamente a agua gelada. A massa deve ser suave e fluida. corte a berinjela em fatias finas. Mergulhe-as na massa e , progressivamente , frite-as no óleo quente. Removê-los quando douradas . Escorra, seque em papel toalha, coloque sal e sirva com o molho de iogurte grego.

Fleur de citrouille farcies avec fromage
 4 flores de abóbora
½ Ricota Fresca processada
2 queijos Lunarella picados em cubos pequenos
1 pitada de noz moscada
1 xícara de queijo italiano Grana Padano ralado
Sal e pimenta do reino moída na hora a gosto
1 colher de azeite

Preparo: Temperar a ricota com sal, pimenta, azeite, ½ xícara do queijo ralado e colocar os pedaços da Lunarella. Dividir em 4 porções no formato de kibes e rechear as 4 flores, colocar em uma assadeira, polvilhar com o queijo ralado restante, levar ao forno máximo até que esteja bem quente, retirar, regar com pouco azeite e servir em seguida.

Mousse de Fruta-do-Conde

1 Lata de leite moça
1 Lata de creme de leite
50 g Gelatina, sem sabor
6 Claras em neve
10 Frutas do conde
2 Xícaras de creme de leite fresco
sementes de papoula pra decorar

Preparo: Abra as frutas do conde ao meio, com uma colher de sopa, separando a polpa e caroços; Passe por uma peneira para separar a polpa dos caroços e reserve a polpa; Por os caroços em um tabuleiro e separar os gomos dos caroços; Junte os gomos à polpa que estava reservada e este resultado chamaremos de “fruta do conde”; Dissolva a gelatina em meia xícara de água gelada e leve ao banho-maria; Coloque, no liquidificador, o leite condensado, o creme de leite, a metade da “fruta do conde” e a gelatina; Bater tudo por dois minutos e reservar o creme que se formou; Junte a este creme as claras em neve; Enformar numa forma grande ou em forminhas individuais e levar à geladeira por 4 horas; Desenforme e cubra com a outra metade das “fruta do conde” batida no liquidificador que foi reservada. decore com semente de papoula. Obs.: Se preferir use outra calda de sua preferencia.

Panacotta de rosas

500ml de creme de leite fresco
200ml ou 1 xícara de leite
1/2 pacote (ou 15g) de gelatina incolor em pó
1 xícara de açúcar
1 fava de baunilha
1/4 xícara de água de rosas
Pétalas de rosas comestíveis à gosto (opcional)


Preparo: Comece abrindo a fava de baunilha com uma faca pequena e bem afiada, faça um corte ao comprido dela, abrindo-a ao meio e raspe com a faca a pasta escura que fica no interior da fava. Coloque na panela o creme de leite, leite, açúcar e a baunilha - pasta e fava. Mexa até dissolver o açúcar. Leve ao fogo baixo, mexendo frequentemente, com o fogo bem baixo. A mistura fica no fogo até quase ferver. Mas atenção: NÃO PODE FERVER. Você vai saber o ponto porque a mistura vai fazer bastante fumacinha quando você estiver mexendo. Retire a mistura do fogo, deixe esfriar por dez minutos e adicione a gelatina já hidratada e a água de rosas e as pétalas de rosas. Mexa e separe em forminhas que você possa desenformar. Interessante untar as formas com um pouquinho de óleo de canola, girassol, que não são muito fortes, - se não tiver usar óleo de soja mesmo. Leve à geladeira por 3 horas. Na hora de servir, raspe os cantos da forminha pra soltar a panna cotta e vire-a no prato. É só colocar sua calda de preferência. 

terça-feira, 11 de março de 2014

Chapéus de Jóquei - coisas de poeta...

Hoje eu estou me sentindo aquele coelho branco de Alice no País das Maravilhas – tenho tanta coisa pra fazer, olho tanto pro relógio, corro pra lá e pra cá, e me perco... esbaforido. Mas eu lembrei dos olhos cor-de-rosa do coelho e percebi que isso tudo fazia a diferença...

Alice estava começando a ficar muito cansada de estar sentada ao lado da irmã na ribanceira, e de não ter nada que fazer; espiara uma ou duas vezes o livro que estava lendo, mas não tinha figuras nem diálogos, "e de que serve um livro", pensou Alice, "sem figuras nem diálogos?". Assim, refletia com seus botões (tanto quanto podia, porque o calor a fazia se sentir sonolenta e burra) se o prazer de fazer uma guirlanda de margaridas valeria o esforço de se levantar e colher as flores, quando de repente um Coelho Branco de olhos cor-de-rosa passou correndo por ela. Não havia nada de tão extraordinário nisso; nem Alice achou assim tão esquisito ouvir o Coelho dizer consigo mesmo: "Ai, ai! Ai, ai! Vou chegar atrasado demais!" (quando pensou sobre isso mais tarde, ocorreu-lhe que deveria ter ficado espantada, mas na hora tudo pareceu muito natural); mas quando viu o Coelho tirar um relógio do bolso do colete e olhar as horas, e depois sair em disparada, Alice se levantou num pulo, porque constatou subitamente que nunca tinha visto antes um coelho com bolso de colete, nem com relógio para tirar de lá, e, ardendo de curiosidade, correu pela campina atrás dele, ainda a tempo de vê-lo se meter a toda a pressa numa grande toca de coelho debaixo da cerca. (Trecho de Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll)

Acho que acabo me perdendo no País das Maravilhas também. Quando, outras vezes (ou muitas vezes ao longo dos dias [risos]), acabo parando no Covil dos Lotófagos (comedores de Lótus) – Pra quem não conhece os épicos episódios mitológicos gregos, os Lotófagos são uma tribo existente numa ilha perto do Norte de África, que comem essas plantas narcóticas, causando um sono pacífico aos habitantes da ilha, tirando-os da realidade, fazendo com que esqueçam do tempo e espaço.


Na Odisseia de Homero, (poema do oitavo século antes de Cristo (entre 701 e 800 a.C.) que conta as aventuras do guerreiro grego Ulisses (ou Odisseu) após a Guerra de Tróia.) Ulisses e os seus companheiros desembarcam na ilha dos lotófagos. Então são enviados três homens (1 arauto e 2 companhas) para investigar a ilha. Esses homens começam a fazer o que os nativos faziam: comer o fruto do lótus. Isto fez com que eles se esquecessem de abandonar a ilha. Finalmente, Ulisses conseguiu levar os 3 homens para o navio e os amarrou a seus assentos para que não voltassem à Ilha. A ingestão do lótus provocava a amnésia e este esquecimento é uma ambição antiga: abre a possibilidade de começar de novo, de renascer, de apagar o passado.

É nestes momentos “perdidos, esquecidos” que percebo as mudanças, seu peso, seus alívios e a necessidade de sair da zona de conforto para criar algo ainda melhor...

“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.” (Fernando Pessoa)

Não quero ficar à margem de mim. E por isso, já comprei um cavalo de fogo, selvagem, com seu estilo de vida cigano pra me servir de condução; como escudo e abrigo, coloquei uma dúzia de bons livros numa sacola e resgatei meu velho chapéu de jóquei, para dar charme na jornada. E vou por aí, vendo o novo, revitalizando o velho e descobrindo maravilhas que eu, antes nem sonhava que existia...


Antes, porém, o charme do meu chapéu é tamanho, que me fez lembrar uma guloseima, das primeiras feitas pelo poeta que adorava uma cozinha, Vinicius de Moraes (já falamos destes dotes do poeta aqui), desde a época em que, no quintal de Maria da Conceição de Mello Moraes (sua avó) o menino Vina pegava os ovos para inventar, junto com os irmãos e a avó paterna, os seus "chapéus de jóquei", bolinhas de gema e açúcar cobertas com calda de caramelo.



Acho que vou reproduzir esta ideia do Vinicius em quanto as aguas de março caem, e só depois seguir minha viagem...

Chapéus de Jóquei
(Receita original de Vinícius retirada do livro: Pois Sou um Bom Cozinheiro Daniela Narciso e Edith Gonçalves Companhia das Letras, 296 páginas)

7 gemas
5 colheres (sopa) de açúcar;
1/2 colher (sopa) de farinha de trigo;
1/2 colher (sopa) de manteiga;
1/4 de colher (sopa) de baunilha


Preparo: Passe as gemas na peneira e misture tudo, exceto a baunilha. Leve ao fogo médio e mexa sem parar. Fora do fogo, acrescente a baunilha até incorporá-la. Numa travessa untada, faça bolinhas com uma colher. Cubra com calda de caramelo e puxe a pala do chapéu com o cabo da colher

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Corn Dog – comida de rua de primeira


Quem gosta de comida de feira/rua aí? Não torça o nariz para responder, você poderá se surpreender com o que pode encontrar.
Nestes últimos meses tenho visto a mídia explodindo em matérias sobre comidas de rua e em feiras. Sempre apontam New York como a Meca da comida de rua – lá, existem milhares de opções que de tão boas, nem parecem comida de rua, e isso não é de hoje. Aqui no Brasil, também já podemos encontrar bons exemplos de comida de rua com qualidade. As feirinhas gastronômicas se propagam, aqui eu sempre vou a uma que fica na Praça da Gentilandia (Benfica), lá tem de tudo... ou pelo menos, quase tudo. Só poderia se sofisticar mais.
Quando eu era pequeno, eu adorava ir à feira com meu avô Mário, ele sempre me comprava coisas gostosas pra comer na feira. Me lembro muitíssimo bem do sabor dos salgadinhos que ele comprava pra mim, lembro também do bolo Manzape e de uns pequenos bolinhos feitos em latas de sardinhas (Risos). Mesmo quando eu não ia à feira com ele, eu poderia esperar em casa que quando meu avô retornasse ele trazia os salgadinhos pra mim e meu irmão, dois sacos grandes, e nós éramos felizes com aquilo – o salgadinho era simples: uma espécie de massa de pastei esticada bem fina, que era cortada em pequenos quadrados e fritos. Eles estufavam e viravam uma delícia crocante. Comia sempre estes salgadinho da feira até eu mudar de cidade... hoje, quando encontro os salgadinhos por aqui, em raros lugares, sempre me lembro do meu avô, e compro um pacotinho pra relembrar um cheiro e um gosto da minha infância.
Foi pensando nisso que hoje resolvi traze uma comida de feira pra apresentar à vocês. Mas não é qualquer comida de feira. Trata-se de uma da melhores, vinda dos EUA, e que já está fazendo a alegria de muitos brasileiros em São Paulo. Estou falando do CORN DOG, já ouviram falar?


O Corn Dog é uma comida típica das feiras estaduais ou daquelas barraquinhas de rua nos Estados Unidos, feito com uma simples salsicha e uma massa adocicada de milho. Lá as feiras estaduais são festivais anuais nas capitais de cada um dos 50 Estados americanos onde existem diversas receitas fritas, tendo o Corn Dog como um ícone.
Isso é fácil de se explicar: os americanos amam milho, amam comidas fritas e amam carne em um palito. E o Corn Dorg é uma mistura disso tudo. Aí não tem como resistir.
E esta moda está pegando no Brasil também. Sabemos que a venda de comida artesanal pelo país se encontra em todas as cidades, sempre tem alguém vendendo alguma comidinha em praças, em quermesses, nas ruas, nos mercados. E quando descobrem uma novidade, todo mundo sai preparando sua versão. O que me deixa mais incomodado neste caso, é que existem aquelas pessoas que realmente sabem o que fazem, tem receitas bacanas, originais. Mas, na maioria das vezes, encontramos pessoas que só querem ganhar dinheiro e preparam a comida de qualquer jeito e vendem como comida típica... e se você é conhecedor de comidas típicas você só tem raiva quando resolve comer o que te oferecem como típico em determinados lugares – para estes casos, queria juntar este povo mal informado em algum lugar para explicar o que é e qual a importância de uma comida típica; orientar sobre os cuidados com a higiene e sobre o contexto de criação de cada preparado... um dia ainda faço isso. Mas vamos voltar ao Corn Dog, se não vou me estressar (risos).


Ao que tudo indica foram os German-texans (alemães texanos) quem inventaram o corn dog (Os german-texans é uma categoria étnica pertencente a residentes do estado do Texas que reconhecem ascendência alemã e se auto identificam com o termo. Desde sua primeira imigração para o Texas na década de 1830, os alemães tenderam a se agrupar em enclaves étnicos. A maioria se estabeleceu em um amplo cinto, fragmentado em toda a parte centro-sul do Estado. Em 1990, cerca de três milhões de texanos consideravam-se , pelo menos, parte alemã. German-Texans alemães formam um sub- grupo de americanos alemães).
Sabe-se que foram os germânicos-texanos quem introduziram o corn dog nos EUA, como eles encontram resistência para as salsichas que costumavam fazer eles  inventaram esta forma de vender suas salsichas, inicialmente sem o palito.


Uma patente Norte Americana para Corn Dog foi proposta em 1927, sendo concedida em 1929, para um combinado mergulhado em massa, e cozido, e no artigo Segurar Apparatus, descreve corn dog, como qualquer tipo de alimentos fritos e empalado em uma vara.

Corno Dog é o nome mais conhecido para esta salsicha empanada com massa de milho, mas ele aind apode ser conhecido como: Pogo, dagwood dog, pluto pup, corny dog, dippy dog, cozy dog. E eu ainda descobri que este tipo de alimento pode, ainda, ser conhecido como wieners (termo cômico, em inglês, para Pênis – uma alusão ao espeto e seu conteudo), ou seja: presunto cozido , ovos cozidos , queijo, pêssegos cortados , abacaxis, bananas e outras frutas como cerejas, tâmaras, figos , morangos, etc , quando empalados em varas e mergulhado em massa, que inclui em seus ingredientes uma mistura de farinha e frito em um óleo vegetal.
Tem gente que pra deixa a preparação mais prática do que já é ainda inventou umas dicas legais: passar farinha nas salsichas deixas-as mais ásperas e assim a massa fixa-se melhor; e colocar a massa num copo alto permite que a salsicha fique coberta rapidamente e evita desperdício de massa. 




É grande o número de atuais vendedores de corn dog que estão reivindicando o crédito para a invenção e / ou divulgação do corn dog. Carl e Neil Fletcher fazem esta afirmação, quando contam que introduziram o seu " Corny Dogs " na Texas State Fair em algum momento entre 1938 e 1942. Enquanto vendedores da Pronto Pup dizem eu foram ele quem inventaram, durante a Minnesota State Fair de 1941. O Cozy Dog drive-in , em Springfield , Illinois, diz ter sido o primeiro a servir corn dogs em varas , em 16 de junho de 1946. Também em 1946 , Dave Barham abriu a primeira localização do Hot Dog on a Stick em Muscle Beach , Santa Monica, Califórnia.


A mais antiga referência que encontreis para corn dog, diz que eles se tornaram muito populares nos anos de 1940, mas teria aparecido a partir dos anos 1920 com a descrição de Krusty Korn Dog, e não eram fritos, mas feitos como waffles – até uma máquina para isso já existia, e continua existindo pra alegria daqueles que não podem comer frituras. Algumas formas ainda podem ser do tipo chapas para fogão, e ainda têm o formato de milho, pra deixar o preparado mais atrativo.




Independentemente de quem inventou a receita se espalhou e conquistou muitos adeptos. Eu, particularmente, gostei de fazer com salsichas baby, pra ficar com mais cara de aperitivo e, também, diminui a quantidade de açúcar da massa. Ficou ótimo e sugiro você experimentar fazer fara fugir do tradicional HOT DOG. E viva a comida de rua.

CORN DOG
1 xícara de farinha de milho
1 xícara de farinha de trigo
1/4 colher de chá. sal
Pimenta à gosto
1/4 xícara de açúcar
4 colher de chá fermento em pó
1 ovo
1 xícara de leite
Óleo para fritar
16 salsichas 
16 espetos de madeira

Preparo: Em uma tigela grande, misture a farinha de milho, farinha, sal, pimenta, açúcar e o fermento em pó. Adicione o leite e ovo na tigela e misture bem. Aqueça o óleo em uma panela grande. Enquanto o óleo está a aquecer, coloque espetos nas salsichas, e depois as passe na massa até que esteja completamente coberta. Fritar de 2 a 3 de cada vez, até dourar, cerca de 3 minutos. Depois de cozido escorra o excesso de óleo. Sirva.