domingo, 14 de outubro de 2012

A Virgem Vermelha: Hildegart Rodríguez Carballeira


O tempo tem passado rápido!  - ou, pelo menos é esta a impressão que o comércio quer que nós tenhamos. Sim, porque antes mesmo de passar o dia das crianças, eu já via enfeites de natal sendo colocados à venda por aqui. Daqui algum tempo vai ser “Natal” todos os dias!
Este comentário tem um “Q” de indignação. Porque as pessoas não deixam mais o tempo fluir como ele deve, estão todas apresada, ansiosas, querendo que tudo ocorra logo. E quando as coisas ocorrem, os fatos passam num piscar de olhos; e já estão de olho em algo lá na frente... qual a graça disso? Eu acho legal se preparar pra datas comemorativas, mas não precisa ser tanto.
Não duvido nadinha que hoje a tarde, quando as portas dos shoppings abrirem, as placas, vitrines e demais parafernálias do marketing que estavam voltadas para o dia das crianças tenham sido trocadas por um monte de morcegos, bruxas e afins, já avisando que o halloween vem ai.

Depois do natal, o halloween é a comemoração que mais me agrada aos olhos. Isso se deve pela cultura que sustenta a festividade – por se tratar de uma comemoração advinda da religião antiga celta.



Nesse contexto resolvi começar a preparação para o dia das bruxas, testando algumas poções – digo receitas [risos] -, que possam incrementar a noite de 31 de outubro.
Eu bem sei que nas comemorações de halloween é típico se encontrar ponches ruins e mal feitos, sendo oferecidos por aí. Então pelo menos para ofertar uma bebidinha que preste, este post hoje trará, além da receita do drink chamado de SANGUE DE VIRGEM, trarei mais drinks interessantes e uma história de terror real, pra fazer a conversa da sua festa de halloween ganhar altos pontos no ibope do terror.
Infelizmente a história que vou contar não aconteceu no mês de outubro, mas do que importa a data do ocorrido quando  se trata de uma história macabra e real?

A época: 9 de JUNHO de 1932
O arquétipo: É o mito de Frankenstein que se converte em realidade.
O fato: Um brutal caso real que comoveu a toda a sociedade da época - A história de uma mãe que concebeu à mulher perfeita e seu trágico final.

Hildegart Rodríguez Carballeira foi uma menina prodígio, concebida por sua mãe como modelo de mulher do futuro. Aos três anos já escrevia, e aos oito falava seis idiomas. Licenciou-se em filosofia e letras, bem como em direito, e quando morreu estava estudando medicina.


Hildegart

Concebida como experiência científica, a menina não teve infância. Dedicou-se ao estudo constante, com dois temas prioritários: a filosofia racionalista e tudo que fosse relacionado com o sexo. Sua mãe pensava que essa era a única forma de não cair na armadilha que esteriliza o talento de muitas mulheres.
Separar a vida de Hildegart da de sua mãe, Aurora Rodriguez Carballeira, é praticamente impossível. É um caso no qual a realidade supera a ficção. Como se tratasse de uma personagem de alguma novela de Garcia Marquez,
Aurora urdiu um plano com toda uma riqueza de detalhes: daria à luz a uma menina que levaria a Espanha a uma nova ordem social. E como não tinha banco de sêmen na época, selecionou a dedo aquele que viria a ser o pai de Hildegart.



Uma menina, tal como ela queria, nasceu em 9 de dezembro de 1914 com o nome de "Hildegart", que segundo explicava sua mãe, significa "jardim da sabedoria".
Hildegart foi uma das pessoas mais ativas de seu tempo no movimento pela reforma sexual na Espanha, e esteve conectada com a vanguarda europeia nesse tema, tendo correspondência com Havelock Ellis, de quem era tradutora. Ademais, era uma solicitada palestrante. Manteve uma extensa correspondência com personalidades europeias da época, entre elas com H. G. Wells admirador de sua inteligência, a quem acompanhou extensamente quando visitou Madri e cuja pretensão de levá-la a Londres como secretária deu lugar às paranoicas conspirações de sua mãe.
Foi co-fundadora, com o Dr. Gregório Marañón e outros, da "União para a Reforma Sexual Espanhola". Este movimento considerava a vida sexual como positiva, defendia a emancipação da mulher, seu acesso à educação e a igualdade de direitos em geral, entre homens e mulheres. Nesta época, a Espanha, assim como a Alemanha, era um país com ideias muito avançadas em relação à igualdade entre os sexos e à sexualidade.



Paradoxalmente, os conhecimentos de Hildegart sobre a sexualidade eram teóricos. Sua mãe desprezava "o prazer carnal" e nunca permitiu que a filha tivesse intimidade alguma, nem amigos, nem oportunidade de passar algum tempo sozinha com um homem. Havelock Ellis chamava-a "a virgem vermelha", fazendo referência a suas tendências esquerdistas e as suas nulas experiências sexuais.
Mas o plano de Aurora não saiu como tinha previsto. Hildegart chegou à maioridade, e cada vez demandava mais autonomia e seguramente não lhe faltava vontade de experimentar a intimidade sexual sobre a qual tanto tinha escrito. Certa manhã, na cabeceira de sua cama, sua mãe disparou quatro tiros mortais à queima-roupa. Com 18 anos de idade morreu assassinada pela própria mãe em 9 de junho de 1933.


Velório de Hildegart
Assim, resulta surpreendente saber que as mulheres europeias dos anos 30 eram interessadas em sexologia, de que promoviam o amor livre e que a luta pela igualdade da mulher não é tão nova como parece.

Drink Sangue de Virgem

Bata rapidamente no mixer partes iguais de:
Xarope de groselha
Vodka
Gelo
Leite condensado




Se preferir decore uma taça com cobertura de morango para em seguida colocar a bebida. Sirva bem gelado!




Bloody Rum Punch

1 garrafa de 750 ml de rum Cristal Don Q
½ garrafa de vinho tinto
180 ml de suco de limão fresco
180 ml de licor triple sec.
180 ml de xarope de groselha simples
2 limões, cortados em rodas finas
2 laranjas vermelhas, cortadas em rodas finas



Preparo: Adicione todos os ingredientes em uma tigela de ponche grande e coloque na geladeira por pelo menos duas horas antes de servir. Sirva sobre o gelo em um copo soco.

Fonte: http://www.amoralacarte.com.br/?p=2305

Sombra Negra - Para uma dose:
1 gomo de limão
Açúcar granulado prateado (pode ser substituído por açúcar cristal branco, que dá o mesmo efeito)
1 dose de vodca preta Blavod ou vodca comum com 2 gotas de corante preto (comestível)

Preparo: Umedeça a borda da taça de Martini com o limão, cubra com o açúcar e leve à geladeira até a hora de servir. Coloque gelo até a metade de uma coqueteleira e misture com a vodca. Agite. Coe na taça refrigerada e sirva.

Beijo da Morte

Espumante ou Champanhe
Cereja Maraschino

Preparo: Encha uma taça de champanhe com o espumante gelado. Complete com a cereja.

Sweeney Todd - Para uma dose:
90 ml de suco de manga concentrado
5 gotas de corante vermelho (comestível)
1 dose de tequila
1 oz. suco fresco de lima
15 ml de Cointreau
30 ml de suco de cranberry
3 gotas de corante preto (comestível) (mais 3 ou 4 gotas)

Preparo: Derrame o suco de manga em um copo “long-drink; misture o corante vermelho. Coloque gelo até a metade de uma coqueteleira, junte a tequila, o suco de lima, o Cointreau, o suco de cranberry e 3 gotas do corante preto; agite. Coe a mistura de tequila para o copo, derramando bem devagar nas costas de uma colher para criar uma camada acima do suco de manga.


terça-feira, 9 de outubro de 2012

O Reuben sanduiche


Ultimamente eu tenho falado de sanduíches... acho-os interessantes, faço-os com umas combinações exóticas... gosto de inovar.
Na tentativa de postar algo sobre os sanduíches que colaborasse com o enriquecimento dos seus conhecimentos sobre o tema, caro (a) Leitor (a), fui investigar e acabei tendo uma surpresa: existe um sanduíche que, se não fosse pela falta de um “S”, teria o meu nome: Reuben Sanduíche – uma pena, porque o “S” no fim do meu nome dá todo um charme [risos] – de fato, gosto realmente do meu  nome (REUBENS - Lê-se róibens).



Engraçado que só este ano já tive uma surpresa parecida:  no último livro de Anne Rice, o personagem principal da trama, leva o meu nome, só que sem o  “S” (Reuben) - e o S faz toda a diferença rsrs. Dias antes do lançamento do livro  nos EUA, entrei em contato com a autora para comentar o caso, e recebi  e-mails seu com um comentário  gracioso ( como pode ser visto aqui).  Acho sempre  legal a interação e o poder que a internet tem dentre todos os outros meio de comunicação – mas esse é outro papo.
Quem leu a série de livro “A Mediadora”, da escritora estadunidense Meggin Patricia Cabot (mais conhecida pela abreviação Meg Cabot, ou pelo seu pseudônimo Jenny Carroll), lembra que Suze, a protagonista, tinha um padrasto chamado Andy, que era um excelente cozinheiro. Na trama, uma das refeições que o Andy preparou durante o livro é o sanduíche Reuben. Este sanduíche é tipicamente nova-iorquino, e Suze até comenta “Para um não nova-iorquino, até que o Andy fazia um Reuben razoável.”



Voltando aos sanduíches, mais precisamente ao Reubens Sanduíche, ele é uma mágica combinação de carne enlatada, chucrute, molho russo cremoso e queijo suíço – tudo isso envolvido por pão de centeio!
Quanto ao molho russo. devo confessar que este molho é algo que muito me agrada, sobretudo pra comer com salgadinhos. Embora hoje em dia se possa encontrar este molho nos supermercados, nada mais gostoso do que fazer o seu em casa – fica mais gostoso. Pode ser que isso se explique no amor – mas amor mesmo, não o SAZON.
Quanto a origem, existem algumas histórias que envolvem a criação do sanduíche Reuben:
   
1914 - Patricia B. Taylor, filha de Arnold Rúben (1883-1970), o fundador do Reuben's Restaurant and Delicatessen, lembra que o pai dela fez o primeiro sanduíche Reuben em 1914. Ela descreveu o incidente para Crag Claiborne de o New York Times em seu livro chamado  Craig Claibornes - The New York Times Food Encyclopedia:


O ano era 1914. Tarde da noite, uma senhora levando o ator Charlie Chaplin entrou no restaurante ( Reuben's Restaurant and Delicatessen) e disse: 'Rubem, faça-me um sanduíche, faça  uma combinação, eu estou com tanta fome que poderia comer um tijolo. "Ele pegou um pedaço de pão de centeio, corte duas fatias no viés e empilhou uma peça com fatias de presunto da Virgínia, peru assado e queijo suíço importado, que culminou com salada de repolho e um monte de molho russo especial de Rúben e a segunda fatia de pão. Ele serviu para a moça, que disse: 'Nossa, Rúben, este é o melhor sanduíche que eu já comi, você deveria chamá-lo de Seelos Annette Especial ". Ao que ele respondeu: " eu vou chamá-lo de Rúben Especial".

 


Em 1938, Arnold Rúben deu uma entrevista para as histórias de vida americano: Manuscritos do Projeto dos escritores federais, 1936-1940, Reuben e seu restaurante, dezembro 18,1938.Trechos da entrevista são os seguintes:

Eu vou falar sobre como eu tive a ideia de sanduíche. Eu tinha uma delicatessen na Broadway e um dia uma senhora entra, uma das damas de teatro, e ela estava meio pra baixo, eu acho, e ela me pergunta se tem alguma coisa para comer. Seu nome era Anna Selos. Bem, eu estava me sentindo bem, e resolvi fazer algo para ela. Bem, o que eu faço? Tomei um santo pão que eu usei para manter e agarrar a faca e, você sabe, pra fazer palhaçada, eu o cortei de viés. Então eu tom alguma carne assada, eu não me lembro de exatamente o que.  Então eu tomei um pouco de carne e queijo, e coloquei um pouco de tempero e outras coisas e eu fiz o sanduiche pra ela, era bem alto aquele sanduiche. Bem, a senhora só comeu, isso é tudo. Ela deve ria estar com muita fome. E quando terminou, ela disse, "Sr. Rúben, esses é o melhor sanduíche que eu já provei na minha vida. "Bem, a ideia vem a mim em um flash. Eu vou chamá-lo de sanduíche Anna Selos. Então, uma noite, ela traz alguns amigos, você sabe, as pessoas de palco e um homem de jornal, e esse cara, ele vai para a direita atrás do balcão e se faz um sanduíche, e então ele me diz por que não chamar o sanduíche como o nome de celebridades? Como o que aconteceu com a Anna Selos. Por que eu não chamá-lo de Anna sanduíche Selos? Bem, rapazes, em um flash, eu tenho a idéia. Pro diabo com Anna Selos! Eu vou chamá-lo de um especial Reuben.

1925 - Outra versão é Rúben Kulakofsky (1873-1960), dono de uma mercearia no atacado em Omaha, Nebraska, e co-proprietário do Mercado Central em Omaha 1900-1943, criou o sanduíche Reuben. Kulakofsky pertencia a um grupo de poker semanal e traziam seus próprios sanduíches com  aquilo que gostavam de comer e os dividia com os membros do poker. Um dos jogadores, Charles Schimmel, proprietário do Hotel Blackstone em Omaha, coloque o sanduíche Reuben no menu hotel.

1950 - George Leonard Herter, é cozinheiro e escreveu um livro de autênticas receitas históricas e Práticas, Volume II, e dá a sua conta sobre quem inventou o sanduíche de Reuben. Os escritos de Herter eram conhecidos pela sua mistura de lenda e história. NOTA: Não fui capaz de verificar as informações abaixo na minha pesquisa. Você é o juiz:

O sanduíche Reuben é, sem dúvida, uma das maiores contribuições de Nova York para o mundo de comer e é encontrado em restaurantes em todas as principais cidades da América do Norte. O sanduíche foi inventado por William Hamerly, um contador de Nova York e cozinheiro solteiro. Ele a chamou para Arnold Rúben, fundador do Restaurante Reuben em Nova York. Arnold Rúben tem feito um grande trabalho para instituições de caridade de Nova York. Ele, de fato, recebeu vários prêmios por seu trabalho de caridade. Hamberly chamou o sanduíche de Reuben, não porque ele fundou o Restaurante Rúben famoso, mas porque ele admirava suas obras de caridade. Como qualquer receita culinária realmente notável, o sanduíche Reuben se espalhou por toda América do Norte e até mesmo para a Europa em um tempo muito curto.


1956 - Snider Fern, chef do Restaurante Rose Bowl, em Omaha, foi nomeado vencedor do grande prêmio no concurso nacional de 1956 com a ideia do sanduíche promovido pela Associação Nacional de Restaurantes. O sanduíche Reuben obtido de forma quase imediata e teve fama nacional. Segundo a edição de setembro de 1956 da American Restaurant Magazine, em um artigo intitulado "Vencedores Sandwich nacionais:"

O Ruben, um sanduíche homem de tamanho saudável de corned beef, um tipo de carne enlatada preparada em salmoura e cozida lentamente em vinagre e temperos, chucrute e queijo suíço no pão de centeio e molho russo, é o superior da nação na opinião dos juízes do Concurso Nacional de Sanduíche. O Ruben foi apresentado por Snider Samambaia, chef do Restaurante Rose Bowl, em Omaha, Nebr.

O uso do corte de carne conhecido como corned beef, trata-se na maioria da vezes de peito ou 'fralda' bovinos inicialmente tratados em salmoura e posteriormente fervidos em vinagre em fogo lento. A origem do nome provém do processo de salga (ao que se acrescentam grãos de sal que em inglês se denominam corn). Assim, pode-se traduzir literalmente como carne com grãos. O corned beef é muito comum de ser encontrado já enlatado para comercialização (mas depois posso tratar especificamente desse preparo numa outra postagem - sempre melhor preparar do que comer os industriais).


Seja quem for o inventor, o Reuben é um sanduiche delicioso e bem diferente. Encontrado na maioria dos restaurantes e lanchonetes dos EUA, principalmente em Nova Iorque, onde a maioria das fontes dizem originar-se. Vale a pena testar fazer o seu em casa.

O Reuben Sanduíche
Recita para  um sanduíche
Ingredientes
1 colher de manteiga, em temperatura ambiente
2 fatias de pão de centeio, levemente tostado
1/2 xícara de queijo suíço, temperatura ambiente desfiado ou ralado grosso,
2 colheres de sopa de chucrute, espremido e escorrido, picado
1 colher de sopa de molho russo (veja abaixo)
½ lata de corned beef (um tipo de carne enlatada preparada em salmoura) cortada ou desfiada

Preparo: Aqueça uma frigideira antiaderente em fogo médio. Passe manteiga na parte de fora das duas fatias de pão, coloque uma das fatias na frigideira com a Mantega virado  pro fundo da frigideira espalhe por cima dela , nesta sequencia, metade do queijo, cubra o queijo com metade do chucrute, por cima deles metade do molho russo, a carne enlatada, o molho restante russa, chucrute, queijo e, finalmente, outra fatia de pão. Doure o sanduiche por cerca de 2-4 minutos de cada lado, até o queijo derreter.

Molho russo - faz 1 xícara

1/4 xícara de maionese
1/4 xícara de creme de leite
1/4 xícara de ketchup
1 colher de sopa de molho inglês
2 colheres de sopa de cebola ralada
1/2 limão, suco de
1/4 colher de chá de molho de pimenta
1/4 colher de chá de páprica
sal e pimenta a gosto

Preparo: misture tudo vigorosamente até incorporar todos os ingredientes e formar um molho rosa cremoso.


quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Croque-Monsieur: misto quente metido a besta, com sotaque francês!


Que atire a primeira pedra aquele que nunca comeu um misto quente, quando a preguiça não lhe permitiu preparar algo, ou devido a correria do dia-a-dia. Talvez, o misto quente, seja um dos sanduíches mais comidos no mundo todo – sobretudo, insisto, pelos preguiçosos!!!
Eu estava na cantina da faculdade antes de ontem, quando vi um cara pedir um misto quente e a moça da cantina respondeu que não tinha, mas que teria outros salgados mistos.  O cara não gostou da resposta e saiu dali. Fiquei pensando naquilo... Como uma cantina não teria o sanduíche mais fácil de preparar – depois do queijo quente? (risos).
Pensando nisso resolvi escrever o poste de hoje sobre um misto quente. Porém numa versão um tanto, digamos mais "fina" dele. Não por isso, teria que vir com o nome francês - para dar glamour ao sanduíche. Estou falando do Croque Monsieur.


Croque Monsieur é um prato típico de lanchonetes e bistrôs franceses: pão, queijo, presunto, molho branco, levado ao forno para gratinar...  é peça chave para aqueles que gostam de comida rápida (é ainda, o “oásis no deserto” para os preguiçosos). Sua versatilidade lhe permite figurar como prato principal - quando acompanhado por uma salada, ou como lanche - quando acompanhado de um café, suco ou refrigerante.
Sua origem traz controvérsias: apesar do nome francês, alguns acreditam que sua origem está na Inglaterra, onde se pode encontrar receitas antigas de um sanduíche chamado Welsh Rarebit - feito de queijo e levado ao forno. Basicamente o que se considera como Croque Monsieur é a versão francesa doesse sanduíche inglês, onde se acrescenta presunto.
A respeito do Welsh Rarebit, algumas histórias sugerem a origem do nome para este sanduiche feito com "coelho do País de Gales". Ele pode ser conhecido como: Rarebit ou Welsh rarebit ou ainda Welsh rabbit (o nome original data do século XVIII – como conta o Brewer's Dictionary of Phrase and Fable - o nome exato do prato é discutido, encontrando-se a designação "Welsh Rarebit" em livros de culinária recentes mas "Welsh rabbit" em livros mais antigos, embora a receita não contenha coelho. Seria uma "gozação" dos ingleses aos primos pobres gauleses, que comiam o sanduíche de queijo porque não tinham dinheiro para comprar carne de coelho. Vejamos a receita so  século XVIII para este tipo de sanduba:

Welsh Rarebit


2 colheres de sopa de manteiga
2 colheres de sopa de farinha
1 colher de chá de mostarda Dijon
1 colher de chá de molho inglês
½ colher de chá de pimenta do reino
60ml de porter (cerveja)
200g de queijo cheddar em fatias de pão
Preparo: Derreta a manteiga em uma panela e adicione a farinha. Cozinhar esta mistura durante cerca de dois minutos, garantindo que a farinha não queima. Adicione a mostarda, o molho inglês e a cerveja. Cozinhe por cerca de quatro minutos depois de começar a ferver adicionar o queijo ralado, pouco a pouco, para que este não se queime no fundo da panela. Enquanto o queijo está derretendo fatiar o pão e torrar de um lado na grelha. Quando o queijo estiver fundido ao molho, colocar sobre pão torrado recheando-o e acrescentar da mistura de queijo na parte superior do lado do pão cozidas. Coloque de volta na grelha até que o queijo ganhe cor de um marrom dourado.

Esta combinação de "ham and cheese" (Presunto e Queijo) está presente em quase todas as culturas gastronômicas ocidentais! que nada mais é de um misto quente metido a besta, com sotaque francês!
Mas para deixar esse post mais interessante, e criar caso com alguns historiadores, acontece que também se pode atribuir à Austrália, como sendo outro suposto lugar para o surgimento do croque-monsieur, quando se sabe que os primeiros aborígenes nômades daquele país já preparavam sanduíches com duas fatias de pão e recheio que seriam levados ao fogo. Esta preparação "torrada", então, apareceu na Indonésia e no Pacífico alguns séculos mais tarde.
A forma mais comum de se encontrar o Croque Monsieur é feita de pão quadrado (molde de pão de forma) só que feito de brioche, coberto com presunto e queijo gratinado. O croque monsieur foi proposto pela primeira vez em 1910 em um menu de café parisiense, localizado no Boulevard des Capucines.
Em 1919, o escritor Marcel Proust refere-se ao sanduíche no seu famoso livro "À l'ombre des jeunes filles en fleurs" (À Sombra das raparigas em flor), onde dizia assim:

Or, en sortant du concert, comme en revenant sur le chemin qui va vers l'hôtel, nous nous étions arrêtés, ma grand-mère et moi, pour échanger quelques mots avec Mme de Villeparisis qui nous annonçait qu'elle avait commandé pour nous à l'hôtel des "croque-monsieur" et des "œufs à la crème".


Traduzindo, mais ou menos, queria dizer isso: "Agora, fora do concerto, como retornar para o caminho que leva ao hotel, nós fomos parados, minha avó e eu para trocar algumas palavras com Madame de Villeparisis que nos disse que ela tinha encomendado para nós no hotel o "croque-monsieur" e " ovos ao creme". '
No entanto, a origem do significado é realmente desconhecida. Alguns gastrônomos e historiadores acreditam que a palavra "croque" serve para designar torradas embebidas em ovo. E que a origem do nome teria ocorrido durante um mal entendido ocorrido em cafés parisienses, onde na correia com muitos pedidos, um garçom ao entregar o prato, dise o termo  Senhor (monsieur) no fim de sua frase (Tipo assim: Le croque, monsieur. ) E foi entendido de outra forma pelo cliente, que achou que Monsieur fazia parte do nome do prato ( tipo assim: Le croque-monsieur). Perceberam a sutil diferença que batizou o prato?
Eu até poderia criar uma historia rápida para esta origem: imagine um Senhor (monsieur) típico francês, em um café parisiense. O homem metido à gourmet solicitaria uma inovação no seu croque, e pediu ao garçom que o seu viesse gratinado – o que lhe foi prontamente atendido (Mas, acho que isso seria realmente sonho. Porque a França é um dos lugares do mundo, se não o único, aonde o cliente não tem direito de reclamar. Não sei se essa impressão é só minha)
Mas o mundo não é feito só de homens, e as mulheres não poderiam ficar de fora desta prosa... e eis que surgiu o "croque madame", por sua vez, é visto coroado por um ovo frito (ou ovo à cavalo). Coisas da evolução, da globalização - e de quem mais se quiser por a culpa por isso. Desta forma surge o croque-monsieur enriquecido com bechamel molho ou Mornay, com salmão, abacaxi, banana...


Quem deseja exclusividade ainda pode comer um croque especial na Itália, no famoso Bar croque-monsieur Harry, em Veneza; ou Grã-Bretanha , para experimentar o gosto do “coelho galês ou Rarebit Welsh”, um croque monsieur galês. Não satisfeito com esses, Durante os anos 90, surgiu em todos os cafés da França o "Croque-Poilâne", um croque-monsieur feita com o famoso pão padeiro Lionel Poilân.

Maneiras diferentes de preparar um croque:

Croque en sauce: Não hesite em experimentar o seu habitual croque com molhos, como creme de leite fresco ou bechamel! 


Croque montagnard:, deixe-se ser tentado pelo gosto exótico da  carne de Grisons: mas cuidado, ela é particularmente salgado.


Croque de la mer : sai o presunto, entra uma fatia de salmão defumado com um toque de creme de leite e uma pitada de endro. Se você deseja um croque-madame de la mer, desta vez coloque ovas de peixe-lapa ou salmão.


Croque à l’italienne: Um parente próximo de "Panino" italiano, basta substituir o presunto por presunto de Parma ou mortadela, colocar um tomatinho e manjericão - tudo sobre uma fatia de pão italiano.


Croque hispanique : Assim como o anterior, é só substituir os produtos franceses pelos espanhóis e voila. Vamos ter croque feito com queso Serrano y Manchego!


Croque sucré: Com frutas da estação e um pouco de manteiga. Morango, kiwi, banana: deixe sua imaginação fazer o resto.



Croque Monsieur (2 porções)

4 Fatias de brioche ou pão de forma
4 colheres de sopa de  Molho Béchamel 
4 colheres de sopa de Queijo ementhal ralado (ou gouda ou gruyere)
4 fatias grossas de presunto royale
Vinagrete de mostarda (receita abaixo) para acompanhar uma salada de folhas

Preparo: Em refratários individuais, coloque uma fatia do pão, 1 colher de sopa do molho bechamel e 1 colher de sopa do queijo. Cubra com 2 fatias de presunto, 1 fatia de pão, 1 colher de sopa de molho bechamel e finalize com 1 colher de sopa de queijo.

vinagrete de mostarda
1 1/2 colheres de sopa de vinagre de vinho;
03 colheres de sopa de óleo ou azeite;
1/4 colher de chá de sal;
1/4 colher de chá de pimenta-do-reino;
1/4 colher de chá de mostarda.
Bata muito bem todos os ingredientes com um batedor ou garfo, até que o molho fique bem cremoso. Se quiser, use um fuê.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Ode à Cebola: Coisas de Neruda


Outubro chegou... Nem avisaram (risos)... Tenho de ser rápido e prático para aproveitar o tempo... Aproprio-me então, das palavras de Neruda para pincelar esta Confraria com poesia... não chorem, é apenas cebola!!!


Ode à Cebola

Cebola
Luminosa redoma
pétala a pétala
cresceu a tua formosura
escamas de cristal te acrescentaram
e no segredo da terra escura
se foi arredondando o teu ventre de orvalho.
Sob a terra
foi o milagre
e quando apareceu
o teu rude caule verde
e nasceram as tuas folhas como espadas na horta,
a terra acumulou o seu poderio
mostrando a tua nua transparência,
e como em Afrodite o mar remoto
duplicou a magnólia
levantando os seus seios,
a terra
assim te fez
cebola
clara como um planeta
a reluzir,
constelação constante,
redonda rosa de água,
sobre
a mesa
das gentes pobres.

Generosa
desfazes
o teu globo de frescura
na consumação
fervente da frigideira
e os estilhaços de cristal
no calor inflamado do azeite
transformam-se em frisadas plumas de ouro.

Também recordarei como fecunda
a tua influência, o amor, na salada
e parece que o céu contribui
dando-te fina forma de granizo
a celebrar a tua claridade picada
sobre os hemisférios de um tomate.
mas ao alcance
das mãos do povo
regada com azeite
polvilhada
com um pouco de sal,
matas a fome
do jornaleiro no seu duro caminho.
estrela dos pobres,
fada madrinha
envolvida em delicado
papel, sais do chão
eterna, intacta, pura
como semente de um astro
e ao cortar-te
a faca na cozinha
sobe a única
lágrima sem pena.
Fizeste-nos chorar sem nos afligir.

Eu tudo o que existe celebrei, cebola
Mas para mim és
mais formosa que uma ave
de penas radiosas
és para os meus olhos
globo celeste, taça de platina
baile imóvel
de nívea anémona

e vive a fragrância da Terra
na tua natureza cristalina.

(Pablo Neruda)


Torta de cebola

Massa
1/2 lata de creme de leite
1 ovo
5 colheres (sopa) de óleo de soja
5 colheres (sopa) de leite
1 colher (chá) de fermento químico em pó
1 colher (chá) de sal
14 colheres (sopa) de farinha de trigo
1 1/2 colher (chá) de glutamato monossódico
Recheio
1/2 xícara (chá) de bacon picado(s)
1/2 lata de creme de leite
500 gr de cebola em rodelas
100 gr de parmesão ralado(s)
2 unidade(s) de ovo
2 colher(es) (sopa) de margarina

Preparo: Massa - Misture todos os ingredientes, formando uma massa macia. Abra a massa em uma fôrma de aro removível de tamanho médio, sem untar Reserve. Recheio - Frite o bacon na margarina até dourar, então acrescente as cebolas e refogue até ficarem macias. Retire do fogo e junte os demais ingredientes, corrigindo o sal. Despeje sobre a massa e leve ao forno pré-aquecido até dourar.