sábado, 9 de julho de 2022

Bebinca: Como uma freira e muitas sobras de gema de ovo criaram a 'rainha das sobremesas de Goa

Goa é um estado no oeste da Índia com um litoral que se entende pelo Mar Arábico. Sua longa história como colônia portuguesa antes de 1961 é evidente nas igrejas preservadas do século XVII e nas plantações de especiarias tropicais. Goa também é conhecida por suas praias, que vão de Baga e Palolem, muito procuradas, às praias de vilarejos pesqueiros tranquilos, como Agonda.

Mas, se você não conhece Goa eu tenho uma maneira de te levar a sentir o gosto daquele lugar: comendo uma fatia (com certeza, mais de uma) de Bebinca, um tradicional doce que, se servido com espuma de ghee encapsula a identidade cultural e histórica única daquele lugar delirando ao longo das sete camadas de brilho reluzente que essa sobremesa possui.

Saboroso resquício do passado colonial daquele Estado, Bebinca é tão única em Goa quanto as deliciosas ilustrações do cartunista Mario Miranda que retratam a vida dos goeses.

                                Mario Miranda e algumas de suas obras retratando a vida em Goa.             









E é por isso que não é surpresa que o ministro-chefe do estado, Pramod Sawant, tenha anunciado recentemte uma Indicação Geográfica (IG) para a sobremesa, além da manga Mankurad, feni ou femim, um aguardente de coco local, berinjela Taleigao, Saat Shireacho Bhendo (quiabo) e o saree Kunbi (indicações geográficas aliás, são alvo de alguns de alguns estudos acadêmicos meus, obviamente analisando o caso Brasileiro - e você poderá lê-los pelo meu blog em "Publicações do Barão").

Mas por baixo da deliciosa fatia de várias camadas de felicidade quente, muitas vezes servida com sorvete de baunilha, encontram-se histórias interessantes das aventuras culinárias de Goa.


alguns dos sabores que aparecem nas bebincas de Goa

Também conhecida como ‘bibik’, esta sobremesa de influência portuguesa é indiscutivelmente a iguaria doce mais popular de Goa. Faz aparições especiais em todas as ocasiões, seja um casamento, Natal ou qualquer outra festa. Isso de fato rendeu a Bebinca o apelido de 'Rainha das Sobremesas Goas'.

No entanto, sua origem ainda está envolta em mistério. Algumas lendas afirmam que, assim como outras confeitarias do convento (doces conventuais em português), a Bebinca também foi inventada por freiras portuguesas no século XVII. Mas o que se destaca é sua abordagem de cozimento sem desperdício.

Ao contrário da maioria dos alimentos assados que usam clara de ovo, aqui as gemas ganham destaque. Usar claras de ovos para engomar roupas era uma prática comum dos colonizadores que ainda prevalece em partes da Velha Goa. Como resultado disso, a maioria das pessoas, assim como as freiras portuguesas do Convento de Santa Mônica em Velha Goa, acabariam com sobras de gemas de ovos. Reza a lenda que a Bebinca veio para ser uma solução para sobras de gemas.

Convento e Igreja de Santa Mônica em Velha Goa

Estas histórias e um livro de destaque da historiadora Fátima da Silva Gracias, Cozinha de Goa: História e Tradição da Comida Goanense, afirma que uma dessas freiras do Convento de Santa Mônica se chamava Bebiana. Ela inventou um pudim de sete camadas usando as gemas restantes para simbolizar as sete colinas da cidade velha de Goa e Lisboa.



Este pudim foi então enviado aos padres, possivelmente os que moravam no Convento de Santo Agostinho – a Ordem a que pertencia Santa Mônica – que, embora impressionados, apontaram que sete camadas não eram suficientes para eles. Eles aconselharam Bebiana a aumentar o tamanho da sobremesa para acomodar pelo menos uma dúzia de camadas. Hoje, este pudim é conhecido como Bebinca em sua homenagem e possui de 7 a 16 camadas.

Não há nada como cortar as camadas de Bebinca para revelar as maravilhas de sabores complexos criados com ingredientes bastante simples.

O calor trancado dentro de cada camada, derretendo o sorvete de baunilha enquanto você dá uma mordida, é bastante espetacular e é resultado de quatro ingredientes principais – ovos, farinha de trigo (maida, farinhade trigo refinada), leite de coco e açúcar. Para realçar os sabores e criar as camadas em cascata, adiciona-se muito ghee e uma pitada de noz-moscada.

Mas o único ingrediente crítico ao assar Bebinca é a paciência. Um verdadeiro trabalho de amor, é preciso mantê-lo de lado por 4 a 12 horas para seguir religiosamente a receita. Faça as duas massas separadas (uma escura e uma clara), despeje uma camada fina de cada massa, unte com ghee derretida por cima, asse e repita, alternando entre as camadas escuras e claras. Em outras palavras, no caso de uma Bebinca de 16 camadas, você precisaria cuidadosamente fazer camadas, untar e assar cada camada de massa 16 vezes!

Tizal, uma faiança local para fazer bebinca - Goa Chitra Museum

Especialistas em alimentos dizem que os melhores resultados podem ser alcançados apenas seguindo o método tradicional de assar, que envolve o uso de um forno de barro especial chamado tizals. Ao contrário de outras sobremesas assadas, a Bebinca feita nessas panelas não é assada no fogo, mas colocando algumas cascas de coco queimando sobre a tampa. Um truque para quem cozinha no forno convencional é selecionar a configuração da fonte de calor que permite que o calor seja liberado por cima e não por baixo da Bebinca. Este método permite que o calor se espalhe uniformemente e ajuda o açúcar a caramelizar lentamente e criar um sabor mais arredondado com tons esfumaçados.

A joia da coroa de Goa, Bebinca, não é apenas sensacional na Índia, mas em todo o mundo. Os portugueses o levaram por suas colônias, de Goa ao Sri Lanka, África Oriental, Malásia, Indonésia, Filipinas até o Havaí e o Pacífico. A cada viagem, influenciou uma variação - seja o bibingka sem camadas nas Filipinas ou o bibikkan no Sri Lanka - apenas para ser imortalizado como uma das muitas maravilhas gastronômicas indianas.

Bebinca

200 g de farinha de trigo refinada (peneire bem)

12 gemas

450 gramas de açúcar

750 ml de leite de coco

1 colher de chá de caradamomo (ou noz-moscada em pó)

1/4 de colher de chá de sal

200 gramas de manteiga ghee

Preparo: misture bem as gemas. Junte o leite de como, o açúcar, o sal e misture bem. Junte a farinha e mexa até dissolver- cuidado para não deixar grupos de massa. Depois da massa listinha adicione o cardamomo em pó e misture bem. Passe a mistura por uma peneira para garantir que a massa fique sem grumos. Numa assadeira untada com ghee despeje 1 xícara de massa e leve pra assar até dourar levemente. Tire do forno pincele com ghee, junte mais uma xícara de massa e volte a assar. Repita o processo até a massa acabar. Vire a bebinca de cabeça para baixo e deixe esfriar antes de servir.

DICAS: se seu forno tiver a opção de calor também em cima, ligue.

Se desejar, também pode separar a madda em duas partes e numa delas acrescentar um pouco de caramelo pra deixar a mistura mais escura e assim deixar as camadas com mais destaque de cor.

O forno deve ser pré-aquecido antes e a temperatura na mais baixa que tiver. Por isso um pouco de paciência. 

domingo, 5 de junho de 2022

Platinum Pudding - o Pudim de Platina em comemoração aos 70 anos de reinado da rainha Elizabeth II

 

Uma sobremesa cremosa, com camadas de diferentes sabores e texturas, geladinha, é algo que agrada muita gente, não é? No Brasil, generalisticamente, elas são chamadas de cremes e pavês – quem nunca comeu um creme de abacaxi delicioso? Pois bem, nas terras da rainha, sobremesas em camadas tem nome próprio, são os Trifles, que podem sem encaixados na categoria de pudins – mas isso é uma discussão histórica séria que merece ser discutida noutra ocasião. Hoje, porém, eu vim apresentar para vocês o Platinum Pudding (pudim de Platina), que na realidade é um trifle que foi elaborado para um concurso de culinária britânico em homenagem aos setenta anos de reinado de Elizabeth II.



Basicamente, um Trifle é composto de três ou quatro camadas feitas com pão de ló geralmente embebidos em xerez ou outro vinho fortificado, acrescido de um creme e frutas frescas ou geleia, o que permite uma variedade imensa de combinações, algumas até renunciando inteiramente às frutas e usando outros ingredientes, como chocolate, castanhas, suspiros, café ou baunilha. Não basta—se isso, depois de montada recebe uma cobertura de mesa montada chantilly ou, mais tradicionalmente, syllabub (Já tratei dele no blog e você pode ler AQUI).

Um exemplo de Trifle

O nome trifle (significa em português algo como bagatela, ninharia) foi usado para outra sobremesa britânica conhecida como Fruit Fool ou Foole (tolo de frutas), no século XVI. Um Fruit Fool é uma sobremesa inglesa feitas com misturando purê de frutas cozidas (classicamente groselhas) com um creme doce – as receitas modernas de um Fruit Fool geralmente pulam o creme tradicional e usam chantilly e adicionam um agente aromatizante, como água de rosas.

Fruit Fool 

O termo Foole foi mencionado pela primeira vez como uma sobremesa em 1598, quando ainda era feito de creme de groselha, embora as origens do Foole de groselha possam remontar ao século XV. Alguns autores como Janie Hibler, (em seu “The Berry Bible, Harper Collins Publishers, 2000) acreditam que o o termo Foole deriva do verbo francês fouler que significa "esmagar" ou "pressionar" (no contexto de prensar uvas para vinho), mas essa derivação é descartada pelo Oxford English Dictionary como infundada e inconsistente com o início uso da palavra.

Seguindo o percurso histórico do Trifle, o primeiro uso do nome Trifle foi em uma receita para um creme espesso aromatizado com açúcar, gengibre e água de rosas, no livro de 1585 de Thomas Dawson de culinária inglesa The Good Huswifes Jewell. Assim, o Trifle evoluiu a partir do Fruit Fool, sendo que originalmente os dois nomes eram usados de forma intercambiável para ambas.

O uso de geleia foi registrado pela primeira vez como parte da receita de um Trifle em edições posteriores do livro do século XVIII de Hannah Glasse, The Art of Cookery. Em sua receita, ela instruiu o uso de Hartshorn ou de ossos de pés de bezerro como ingrediente base (para fornecer colágeno/gelatina) para a geleia.

Em virtude das comemorações do Jubileu de Platina da rainha Elizabeth II, muitos eventos foram programados, um deles foi um concurso de culinária para escolher o Pudim do Jubileu.

Assim, a Platinum Pudding Competition foi criada em 2021 pela Fortnum & Mason a partir de uma ideia do diplomata e escritor britânico de gastronomia, cultura e viagens Ameer Kotecha e do ex-diplomata e curador britânico Jason Kelly. A competição foi lançada em todo o Reino Unido em 10 de janeiro de 2022, quando a Ministra da Cultura, Nadine Dorries, disse: "o Concurso de Pudim de Platina é uma maneira maravilhosa de celebrar os 70 anos de reinado de Sua Majestade e sei que inspirará pessoas de todas as idades em todo o Reino Unido a cozinhar”

Concordando com a competição e promovendo-a, o Palácio de Buckinham se pronunciou oficialmente, e garantiu: “A receita vencedora será disponibilizada ao público e o pudim será saboreado nos Grandes Almoços do Jubileu durante o fim de semana do Jubileu, e pelas próximas gerações". A competição do "pudim de platina" segue a tradição de pratos relacionados à realeza, como o Frango da Coroação, inventado para a coroação da rainha em 1953 (já falei dele no blog, veja AQUI).

Entretanto, as inscrições da competição do pudim de platina aconteceram em 04 de fevereiro de 2022, com a primeira rodada de julgamento tendo sido feita pelos chefs da Fortnum & Mason, que escolheram cerca de 40 receitas que passariam para a segunda etapa da competição. Na segunda rodada, apenas cinco receitas foram escolhidas, que passaram para a terceira e última fase, quando os cinco finalistas tiveram que preparar a iguaria ao vivo na Fortnum & Mason. Os outros quatro finalistas foram: Passionfruit and thyme frangipane tart, Four Nations pudding, Rose falooda cake e Jubilee bundt cake. 

as receitas finalistas

Os cinco finalistas, criaram suas próprias receitas de pudim a partir do zero, enfrentaram um júri composto pela escritora de culinária e apresentadora de televisão inglesa Mary Berry, escritora de culinária, o pesquisador, autor e confeiteiro Dr. Rahul Mandal e o chef confeiteiro Matt Adlard – para citar apenas alguns.

A receita vencedora foi a (uma geleia de limão e laranja), anunciada em 12 de maio de 2022, pela BBC: a vencedora do concurso do Pudim do Jubileu de Platina foi Jemma Melvin, justamente com um Trifle composto de camadas de Swiss roll (rocambole), St Clements jelly (uma geleia de limão e laranja), Lemon custard (um creme de limão), Amaretti biscuit (biscoitos de amêndoa). Mandarin coulis (calda grossa de tangerina), Whipped cream (creme batido)

A vencedora e sua criação.

Jemma Melvin, de Southport em Merseyside, é uma redatora de 31 anos e se inspirou ambas as avós, uma das quais a ensinou a cozinhar e a outra adorava Trifle antes de ela falecer tristemente.

O Trifle criado por Jemma tem uma estreita ligação com a rainha, pois o posset de limão e os biscoitos amaretti foram servidos em sua recepção de casamento. Jemma entendeu aquele perfil de sabor que a rainha gostaria e depois o transformou num Trifle. Tendo perdido o príncipe Philip em 2021, certamente o pudim lembrará a rainha dos tempos felizes.

A receita vencedora em formato individual

Abaixo deixo a receita original, que eu traduzi para o português. Ela parece complicada, mas são processo fáceis. Caso queira verificar a receita original, em inglês, veja ela AQUI.

Se testar, depois me conte o que achou.

JEMMA’S LEMON SWISS ROLL AND AMARETTI TRIFLE

INGREDIENTES

Para os rolos suíços (rocamboles):

4 ovos grandes

100g de açúcar refinado, mais extra para polvilhar

100g de farinha de trigo com fermento, peneirada

Manteiga, para untar

Para o Curd de Limão:

4 gemas grandes de ovos

135g de açúcar granulado

85g de manteiga com sal, amolecida

Raspas de um limão

80m de suco de limão fresco

Para a geleia de São Clemente:

6 folhas de gelatina incolor

4 limões

3 laranjas

150g de açúcar refinado

Para o Creme:

425ml creme de leite fresco

3 gemas grandes de ovos (use 4 se forem pequenas)

25g1oz de açúcar de confeiteiro

1 colher de amido de milho

1 colher de chá de extrato de limão

Para os biscoitos Amaretti:

2 claras de ovos

170g de açúcar refinado

170g/ de amêndoas moídas

1 colher de sopa de amaretto (licor de amêndoas)

Manteiga ou óleo, para untar

Para o coulis grosso de Tangerina (mandarina)

397g tangerinas enlatadas ou da fruta sem casca e sem sementes

45g de açúcar refinado

16g de araruta (ou maisena, ou polvilho)

Suco de meio limão

Para a decoração de chocolate

50g casca de cítricos cristalizados

1 colher de sopa de açúcar cristalizado (se precisar)

200g de chocolate branco, quebrado em pedaços

Para montar:

600ml de creme de leite fresco 

PREPARO: Para fazer os rolos suíços, pré-aqueça o forno a 180C/ 160C. Unte e enfarinhe as 2 formas de rocambole com manteiga e papel manteiga. Em uma tigela grande, bata os ovos e o açúcar juntos com um batedor de mão elétrico por aproximadamente 5 minutos ou até ficar claro e pálido. Usando uma colher de metal, adicione delicadamente a farinha. Divida entre as duas formas e leve ao forno por 10-12 minutos ou até que as massas estejam levemente douradas e cozidas. Retire do forno. Polvilhe um pouco de açúcar refinado extra em dois panos de prato limpos, em seguida, vire as massas sobre os panos de prato açucarados. Retire o papel manteiga com cuidado, ainda quente, enrole os dois a partir da extremidade curta formando um rolo apertado usando o pano de prato pra ajudar a enrolar, Deixe esfriar.

Para fazer o curd de limão, coloque as gemas, açúcar, manteiga, raspas de limão e suco de limão em uma tigela de vidro sobre uma panela com água fervente (não deixe a tigela tocar a água). Bata até misturar bem, continuamente enquanto o curd cozinha até engrossar. Este deve demorar cerca de 15 minutos. Despeje em uma tigela limpa e reserve para esfriar.

Para fazer a geleia de São Clemente, molhe as folhas de gelatina em água fria por 5 minutos para amolecer. descasque 6 tiras da casca de um limão e 6 tiras da casca de uma laranja e coloque-as em uma panela com o açúcar e 400ml de água. Leve ao fogo médio, mexendo de vez em quando até que o açúcar se dissolva. Retire do fogo e descarte as cascas. Retire a gelatina da água apertando pra sair o máximo de água, coloque a gelatina na panela e mexa até dissolver bem, deixe esfriar. Esprema o limão e a laranja, então você terá 150ml de suco de limão e laranja, misture na panela com a gelatina, mexa na panela e coe a gelatina numa peneira fina em um jarro e leve à geladeira até esfriar, mas não endurecer.

Para fazer os biscoitos amaretti, pré-aqueça o forno a 180C. Em uma tigela grande, bata as claras até ficarem firmes. Misture o açúcar e as amêndoas delicadamente. Adicione o amaretto e envolva delicadamente até obter um

pasta lisa. Coloque um pouco de papel manteiga em uma assadeira e pincele levemente com manteiga ou óleo. Usando uma colher de chá, coloque pequenos montes de a mistura aproximadamente 2cm de distância, pois eles expandem durante o cozimento. Asse por aproximadamente 15-20 minutos ou até dourar. Retire do forno e reserve para esfriar.

Para fazer o coulis grosso de tangerina, se usar a de lata:  coe uma das duas latas de mandarinas (tangerinas), descarte o suco e coloque a fruta em uma panela com o açúcar e leve ao fogo brando até desmanchar (Se fizer com a frutas, tire as sementes e aquela parte branca para não amargar, você deve ficar apenas com as pagas de tangerina sem aquela pele branca – daí o processo é o mesmo Junte o açúcar e cozinhe até desmanchar bem) Retire do fogo. Em uma tigela pequena, misture a araruta (ou a maisena, ou o polvilho) com 2 colheres de sopa de água fria para fazer uma pasta, em seguida, adicione na mistura de tangerinas ainda quente. Adicione o suco de limão e misture bem antes de despejar e volte ao fogo para engrossar. Tire do fogo, Coe a outra lata de tangerinas, descarte o suco, e misture a fruta com o creme de tangerina cozido, misture e deixe esfriar. (faça o mesmo procedimento com o restante das frutas frescas).

Para fazer a decoração de chocolate, se as cascas cristalizadas estiverem úmidas, passe no açúcar para absorver qualquer umidade. Derreta o chocolate branco em uma tigela sobre uma panela de água fervendo suavemente. Despeje o chocolate branco sobre uma assadeira forrada com papel manteiga e espalhe as cascas de cítricos cristalizadas por cima. Deixe secar, em seguida, quebre o chocolate em fragmentos.

Para montar, desenrole os rolos suíços resfriados e espalhe o curd de limão. Enrole novamente e corte um em 2,5 cm fatias e coloque na vertical em torno da borda inferior da travessa de servir deixando o rocambole visível nas laterais. Cubra toda a lateral e o fundo com o rocambole. Despeje a geleia de São Clemente sobre a camada de rocambole e reserve na geladeira para endurecer completamente. Isso levará aproximadamente 3 horas. Depois de pronto, despeje sobre o creme em seguida, disponha uma única camada de biscoitos amaretti, mantendo uma poucos voltam para o topo. Despeje sobre o coulis de tangerina. Em uma tigela grande, bata o creme de leite até formar picos moles

em seguida, coloque isso sobre o coulis. Decore com a casca de chocolate

fragmentos.

Nota: abaixo deixo do vídeo com o preparo da receita pra descomplicar qualquer dúvida que vocês possam ter.

sexta-feira, 3 de junho de 2022

O Jubileu de Platina da rainha Elizabeth II e o frango da coroação (Coronation Chicken)


 Imagine você dedicar setenta anos de sua vida, abdicando dela, em função do cargo que ocupa. Hoje, foi assim que me peguei pensando quando liguei a TV e vi, em todos os canais, reportagens e mais reportagens sobre o Jubileu de Platina da Rainha Elizabeth II. Entre guerras, escândalos familiares, morte da princesa Diana e mais recentemente do Príncipe Philip, duque de Edimburgo, além de enfrentar a Covid19, a rainha completou setenta anos de reinado sustentando a monarquia britânica, sendo a segunda monarca da história recente com mais tempo no poder – ela só perde pra Luís XIV da França, que passou 73 anos no poder.


A Parada do Jubileu de Platina

Jubileu de Platina da rainha Elizabeth II, com membros da família real

PLATINUM JUBILEE MINIATURE SHORTBREAD TUBE - Essa encantadora lata/tubo de biscoitos foi um dos souvenires oficiais vendidos pelo Royal Collections Shop para celebrar o Jubileu de Platina de Sua Majestade a Rainha Elizabeth II em 2022, Apresentando o brasão real, que foi especialmente pintado para a ocasião e inclui os emblemas nacionais do Reino Unido, este delicioso tubo de biscoito em miniatura contém dez deliciosas rodelas de biscoito amanteigado, assadas nas Terras Altas da Escócia. Tamanho 13x5x5cm. Ao custo de £2.95

Obviamente que esse feito histórico não passaria desapercebido e foi celebrado com a pompa que merece, com celebrações não apenas na terra da rainha, mas em todos os países-membros da Commonwealth. Dentre os eventos programados pela monarquia para celebrar a data, as imagens do desfile de membros da família real e oficiais britânicos empolgou a população que se espremia nas ruas em frente ao castelo de para saudar a rainha.

A rainha e membros de sua família na coroação de 1953

O Convite do Príncipe Charles para a coroação da rainha, em 1953.

Para mim, entretanto, um momento mais simbólico foi quando nesta quinta-feira (02/06/2022), a Rainha Elizabeth II fez sua segunda aparição do dia e acendeu a luz principal que iluminou a "Árvore das Árvores" — representando o milhão de árvores plantadas no ano do Jubileu — em celebração aos seus 70 anos de reinado (momento que  você poderá ver AQUI).

A rainha ascendendo a àrvore das árvores.



Alguns dos souvenires comemorativos do Jubileu de Platina disponíveis para venda

Como ainda (por enquanto) não consegui nenhuma informação sobre os cardápios das celebrações internas nos palácios da rainha, hoje trago uma receita igualmente histórica envolvendo a monarca: o frango da coroação.

Curiosamente, analisando menus históricos, me dei conta de que frango preparando de algum modo aparece nos menus britânicos de jubileus reais: é como ocorreu no Jubilei de Prata de George V, em 1935, e no Jubileu de Ouro da rainha Elizabeth II, em 2002.

Mas, o que seria o frango da coroação?

O menu do Coronation Luncheon de 1953.

O Coronation Chicken foi criado pelo Le Cordon Bleu London para ser servido no Coronation Luncheon de 1953, e tornou-se um dos exemplos mais significativos do Le Cordon Bleu Londres.

Le Cordon Bleu, mundialmente conhecida pela melhor educação em culinária, é usada como referência de excelência na indústria desde o século XVI. Essa prestigiosa escola de culinária sempre se orgulhou de sua rede diversificada de alunos e foi Rosemary Hume, uma ex-estudante de Paris que abriu L'Ecole du Petit Cordon Bleu em Marylebone, Londres em 1933 - tornando Le Cordon Bleu London uma das mais antigas culinárias escolas no Reino Unido.

Vinte anos depois que a escola abriu suas portas, seu sucesso foi confirmado quando preparou o almoço de coroação para a rainha Elizabeth II em 2 janeiro de 1953, para o qual foi criada a receita Coronation Chicken.

Sir David Eccles, o Ministro das Obras, pediu exclusivamente a Rosemary Hume e seus alunos para realizar o almoço para os convidados de Sua Majestade, que eram principalmente representantes de outros países. Assim, as fundadoras Constance Spry e Rosemary Hume decidiram que um prato de frango frio coberto com um molho cremoso de curry seria "muito fácil de servir". 

Angela Wood estava no último período de um curso com duração de mais de um ano naquela escola de culinária quando foi convidada a desenvolver a receita do frango da coroação.

O prato desenvolvido por Angela Wood foi servido aos convidados da coroação da rainha Elizabeth II de todo o mundo


A receita original do molho do frango da coroação foi reproduzida no The Constance Spry Cookery Book em 1956.

Angela Wood estava no último período de um curso com duração de mais de um ano quando foi convidada a desenvolver a receita do frango da coroação

A maior parte do racionamento de guerra havia terminado, mas a disponibilidade de alimentos importados ainda era limitada e os ingredientes tinham que ser facilmente obtidos na Grã-Bretanha.

A Sra. Wood, que tinha acabado de completar 19 anos, e revelou que "Por um mês ou mais, esteve cozinhando um frango por dia e teve que alterar o equilíbrio dos temperos no molho para acertar. A receita elaborada foi cozida e servida pela equipe e alunos do Cordon Bleu alguns meses depois no banquete. Seu molho incluía especiarias moídas na hora, cebola picadinha, vinho tinto, purê de damasco, maionese e creme e "ainda é o melhor".

Assim, a escola teve a honra de estar envolvida nessa ocasião tão especial e serviu o banquete do Dia da Coroação para trezentas e cinquenta pessoas no Grande Salão da Escola de Westminster, em Londres, a maior festa que já aconteceu ali. Sir David Eccles tinha muita fé nas habilidades dos alunos e, sem problemas, o almoço foi servido às duas horas, com perfeição.

Outros convites para cozinhar para a realeza vieram do sucesso daquele evento. O prato original que foi servido pode ser encontrado no menu como Poulet Reine Elizabeth, que no mundo de hoje se traduz em Frango de Coroação.

Servir o Coronation Chicken para um número tão grande de pessoas com diferentes preferências poderia ter sido visto como um desafio. No entanto, através do frango cuidadosamente temperado e dos delicados sabores de nozes que percorrem o molho, foi marcado como um enorme sucesso.



Os ingredientes utilizados eram notáveis para a época, muitos deles apenas começando a se tornar disponíveis, enquanto a maior parte do país ainda estava sob as restrições do racionamento do pós-guerra. Uma versão um pouco mais desenvolvida da receita Coronation Chicken ainda é a favorita do país hoje e é servida como prato de almoço no Café Le Cordon Bleu London. Embora possa acompanha uma boa salada, fica perfeita para preparar um sanduiche delicioso.

 

Coronation Chicken (versão simples)

1 peito de frango defumado

2 cebolinhas, cortadas em fatias finas

2 g de carry suave

2 g açafrão moído

60g de maionese

15 g de crème fraîche

5g de ketchup de tomate

15 g de nappage de damasco (compota peneirada)

suco de 1 limão

folhas de coentro pequeno

2 pães de brioche

sal e pimenta

Guarnição, enfeite, adorno

Sirva com uma salada de sua preferência.

Preparo: Pique finamente o peito de frango e corte as cebolinhas finamente, em seguida, coloque em uma tigela grande. Polvilhe sobre o curry em pó e açafrão moído. Adicione a maionese, crème fraîche, ketchup de tomate, curry em pó, a geleia de damasco e suco de limão e mexa para combinar. Tempere com sal e pimenta. Pique grosseiramente as folhas de coentro. Adicione à mistura de frango e mexa para envolver no molho. sirva com brioche e salada.

domingo, 24 de abril de 2022

Dumb Cake (Bolo bobo): um bolo místico para atrair relacionamentos

 

Hoje em dia os aplicativos para relacionamento e paquera existem aos milhares na internet facilitando a vida de pessoas ‘solitárias’ pelo mundo. Foi pensando nisso que resolvi encontrar algo parecido em épocas onde a internet ainda não existia. E, entre crendices e simpatias, encontrei um bolo místico, que poderia ser considerado o Tinder do início do século XX. Trata-se do Dumb Cake (em português, bolo bobo, ou ainda, bolo idiota).

O cozimento do bolo mudo  - Impresso por W. Finden, c1843

Geralmente, bolos rituais podem ser rastreados na história, sendo preparados e servidos em muitas ocasiões especais. Não foi diferente com o Dumb cake, sempre preparado em dias auspiciosos (como a Véspera de São Marcos, 24 de abril; Véspera de Santa Inês, 20 de janeiro; Véspera solstício de verão e Halloween) com inúmeras cerimônias, destinados às solteironas, para descobrir seus futuros maridos. O nome pode derivar do inglês medieval 'doom' que significa “destino” ou “julgamento”.

Hoje, por acaso, é Véspera do dia de São Marcos (24 de abril), um dia desses que as crenças recomendam a feitura desse bolo. Uma chance para curiosos que desejam encontrar um amor e visualizar a imagem dessa pessoa depois do ritual de preparo do Dumb Cake.

De qualquer forma, os princípios básicos do ritual eram os mesmos: moças solteiras tinham que fazer uma espécie de bolo juntas em silêncio. Elas comeriam o bolo ou o dariam para outra garota comer, e naquela noite sonhariam com o homem com quem iriam se casar. Até onde conseguir pesquisar, não encontrei menções de homens fazendo parte dos ritual de preparação desse bolo – mas os curiosos podem tentar e depois me falem os resultados.

Comer bolo antes de dormir é uma coisa que seguramente eu mesmo poderia fazer. Entretanto quando se trata de bolo ritual existem exigências que devem ser seguidas. Neste caso, como os ingredientes do bolo são simples, nenhum faltaria. Mas, o que complicava era as versões do ritual que exigiam a presença de mais de uma pessoa para a feitura do bolo – algo que nos dias de hoje com famílias cada vez mais diminutas ainda pode ser complicado se não houver uma preparação prévia.

O Reverendo M.C.F. Morris, em seu 'Yorkshire Folk Talk' de 1892, conta que "O dia apropriado para fazer Dumb Cake era a véspera de Santa Agnes. Não sei quais eram todos os ingredientes do bolo, mas um dos principais era o sal. lembro-me de ter ouvido, há alguns anos, um velho habitante de um dos vales, sobre a composição deste bolo místico. parte no trabalho, acrescentando pequenas porções de seus componentes, mexendo a panela, etc. Durante todo o tempo de sua fabricação e consumo deve ser observado um estrito silêncio. Mesmo quando está sendo retirado do forno cada um dos os interessados devem auxiliar no trabalho. Quando feito, é colocado na mesa no meio da sala, e as quatro pessoas ficam nos quatro cantos da sala. Quando colocado na mesa, o bolo é dividido em porções iguais e colocado em quatro pratos ou vasos. O espírito do futuro marido de uma das quatro aparecia e saboreava no prato de sua futura noiva, sendo visível apenas para aquela cujo marido ele estava destinado a ser. Como preliminar para isso, todas as portas da casa tiveram que ser escancaradas. A hora tradicional para fazer a festa era meia-noite."

A maioria dos registros sugere um bolo muito simples. O 'Evening Telegraph' da quinta-feira, 21 de junho de 1928, diz; "Um 'bolo idiota' era uma mistura de água, farinha, açúcar e sal, e nenhum outro ingrediente, e o silêncio absoluto tinha que ser mantido durante toda a operação. A próxima condição era que dois o fizessem, dois o assassem, e dois deviam quebrá-lo."

Mas esse bolo também podia ter ingredientes notáveis...iria depender de quem o estivesse fazendo. É possível que o Dumb Cake seja um remanescente do antigo ritual xamânico ou 'druídico', onde as visões de futuros maridos eram ajudadas pela adição de ervas alucinógenas, como o visco. Uma possibilidade aumentada pelo fato de que o Dumb Cake está associado a outro conhecido ritual de solteirona que pedia para plantar cânhamo de Cannabis.

A Sacerdotisa Druida Trazendo Visco - De:. Christmas: Its Origin and Associations, 1902

Miss Arabella Whimsey recordada no 'Leeds Mercury' (quinta-feira, 29 de setembro de 1870); "Nunca esquecerei o que fiz na véspera do solstício de verão. Eu e minhas duas irmãs experimentamos o bolo bobo juntas: você deve saber, duas devem fazê-lo, duas assam, duas quebram e a terceira coloca em cada um dos bolos em seus travesseiros, mas você não deve falar uma palavra o tempo todo, então você sonhará com o homem que você vai ter. Foi o que fizemos; e com certeza eu não fiz nada a noite toda além de sonhar com o Sr. Blossom. Na mesma noite, exatamente às doze horas, semeei semente de cânhamo em nosso quintal e disse a mim mesmo: "Semente de cânhamo eu semeio, semente de cânhamo eu minto, e aquele que é meu verdadeiro amor vem atrás de mim e ceifa!" acredita em mim? Olhei para trás e o vi atrás de mim, tão claro quanto os olhos podiam vê-lo.

Isso poderia ser lamentável se você vivesse no período moderno, onde o ritual era apenas meio lembrado e os ingredientes amplamente esquecidos, como neste relatório de 1813.

Efeitos fatais de Dumb-Cake malfeito
Stamford Mercury - sexta-feira, 19 de fevereiro de 1813

Weather and Folk Lore of Peterborough and District (Tempo e folclore de Peterborough e Distrito), de Charles Dick (1911) descreve todo o ritual de maneira bem clara:

"Bolo bobo. Na véspera do solstício de verão, três meninas são obrigadas a fazer um bolo bobo. Duas devem fazer, duas assar, duas devem quebrá-lo e a terceira colocar um pedaço sob cada um de seus travesseiros. O silêncio estrito deve ser preservado. O seguinte são as instruções de como proceder: duas devem ir à despensa e juntas pegar os vários ingredientes. Primeiro elas pegam uma tigela, cada uma segurando e lavam e secam juntas. Depois cada uma pega uma colher de farinha, uma colher de água e um pouco de sal. Ao fazer o bolo, elas devem ficar em cima de algo que nunca pisaram antes. Devem misturar e enrolar. Depois, traçam uma linha no meio do bolo e cada menina corta suas iniciais cada uma no lado oposto os lados da linha que separam. Então as duas colocam no forno e assam. Duas tiram do forno, e quebram na linha e os dois pedaços são dados à terceira menina que coloca um pedaço debaixo de cada travesseiro e elas sonharão com o seu futuro. Nenhuma palavra deve ser dita e as duas garotas depois de dar as peças para a terceira garota têm que andar de costas para a cama e ir para a cama de costas. Uma palavra ou exclamação de qualquer uma das três garotas quebrará o encanto. Caso surja um vendaval e o vento pareça estar sussurrando no quarto, durante o cozimento ou na última parte da preparação, se olharem por cima do ombro esquerdo, verão seus futuros maridos. Em alguns distritos os pedaços de bolo são comidos na cama e não colocados debaixo dos travesseiros, mas nada deve ser bebido antes do café da manhã na manhã seguinte. Outra variação é que duas só fazem o bolo e passam pela mesma forma que o anterior, só que eles mesmos dividem, depois cada uma come sua porção e vai para a cama de costas como no primeiro caso e nada deve ser bebido ou uma palavra dita. Um peixe salgado seco cru, comido antes de ir para a cama em silêncio e andando para trás e indo para a cama da mesma maneira, faz com que o futuro marido apareça em um sonho com um copo de água na mão, se abstêm, ou um copo de cerveja se for abstêmio. ele não é um. Nada deve ser bebido antes do café da manhã. Uma velha disse que havia experimentado há mais de 40 anos e seu marido lhe trouxe um copo de cerveja e ele não era um abstêmio, mas o contrário".

A receita de 1911, do Weather and Folk Lore of Peterborough and District, de Charles Dick, parece apropriada para nossos dias: uma possibilidade para executar a receita completa (ainda que muito simples) requer o uso de apenas duas pessoas – na época, meninas, especificamente. Preste atenção, você deve fazer assim, seguindo o recomendado na descrição acima:

o bolo bobo da receita acima

Convide alguém para sua casa para fazer o bolo com você. Deixe claro que os dois devem ir para a cama depois que o bolo estivesse preparado e fosse comido – então faça-o perto da meia noite como o recomendado na tradição.

Comecem separando os ingredientes. Certifiquem-se para cada um estar pisando em cima de algo que nunca pisou antes (pode ser em cima de livros, de sacolas, sejam criativos). Então começa o preparo do bolo em silêncio. Juntos, limpem uma tigela e a sequem-na.  Cada um de coloca uma colher de farinha (ou seja, será duas colheres de farinha no total. Uma para cada pessoas; uma colher de água para cada um (duas no total) e uma pitada de sal na tigela e mistura-se até formar uma massa. Ambos devem amassar um pouco a massa e a moldá-la em um círculo. Em seguida, marca-se o centro com uma faca e adiciona-se as iniciais do nome de cada uma das pessoas que prepara o bolo. O bolo (embora sejamos honestos – era massa de pão mesmo) deve ser assado por 12 minutos enquanto as pessoas permanecem sem dizer uma palavra e tentando fazer o mínimo de barulho possível. Uma vez assado, as duas pessoas tiram o bolo juntos forno e, muito solenemente, o quebram ao meio. Cada um come a sua parte silêncio, então, andando para trás, vão para a cama, dormir.   Então é só esperar o resultado do sai seguindo, pois haverá visão em sonho.

Acontece que bolo pra mim é coisa séria. E seguramente existe muitas versões para bolos. E se você não deseja fazer um bolo bobo para descobrir um romance futuro, você pode ao menos ser criativo e fazer um bolo bobo novo usando a sua criatividade. A minha sugestão é de um bolo, diferente do bolo místico e cheio de ritual, mas que você pode fazer em casa substituindo e ou acrescentando ingrediente. Em inglês ele pode ter o nome de Dump Cake, bolo de despejo – no sentido de despejar tudo numa mesma tigela e já sair pronto. O que não deixa de ser um bolo bobo pela praticidade. Veja a receita e se surpreenda com a gostosura.


Dump cake

Ingredientes

1 lata de abacaxi em calda picado, drenado

1 vidro de cerejas em calda, ou dois vidros se preferir

1 pacote de mistura para bolo pronto sabor baunilha (mas você pode variar o sabor)

1 xícara de manteiga sem sal gelada

1/4 xícara de nozes picadas, como nozes, pistache ou amendoim, opcional

Preparo: Pré-aqueça o forno a 180 C.  Numa assadeira média retangular despeje o abacaxi picado uniformemente. Usando uma colher, espalhe uniformemente as cerejas em calda em cima do abacaxi. Polvilhe por cima toda a mistura para bolo uniformemente. Corte a manteiga gelada em fatias e coloque uniformemente sobre a mistura de bolo. Polvilhe nozes por cima da mistura com a manteiga. Asse por 1 hora. Este bolo pode ser servido quente com sorvete, ou frio.