quarta-feira, 6 de setembro de 2023

Lebkuchen - ou, como uma pegadinha literária convenceu a Alemanha de que o conto de ‘João e Maria’ era real

 

Caras amigas e amigos leitores, hoje é dia de celebrar o décimo terceiro aniversário deste blog. Aproveito para agradecer pela paciência, pela companhia, pelas interações com a página do blog no Facebook e pelo carinho que dispensam comigo, muito obrigado!

Para celebrar esse décimo terceiro aniversário procurei algo que representasse esses anos de pesquisa envolvendo culturas, alimentação e as vontades pessoais e me deparei com um caso que me fascinou desde pequeno, quando eu era apenas um ratinho de biblioteca e um devorador de guloseimas.

Eu confesso que quando era criança eu lia muito mais do que hoje – a de convir que a entrada na universidade acaba direcionando nossa leitura para a construção acadêmica e, de certa forma, acaba diminuindo as leituras de ‘amenidades’. Porém, eu, como bom rebelde, nunca consegui me desapegar delas.

Pois bem, na infância eu me dividia na leitura entre os livros para crianças – lia todos do Monteiro Lobato, todos os clássicos infantis, desde Esopo, Hans Christian Andersen e os Irmãos Grimm -, a Coleção Os Pensadores da Abril Cultural – com seus 56 volumes sobre filosofia -, livros de biografias e as enciclopédias Barsa e a Larousse. Além dos livros que eu ia descobrindo ao longo dessa jornada de crescimento.

Ocorre que na infância, as histórias de Monteiro Lobato e os personagens do Sítio do Pica Pau Amarelo e os contos dos irmãos Grimm e de Andersen sobressaiam. não por acaso, quando na escola resolvíamos participar de teatrinhos lá estavam eles. No meu caso, a primeira história que eu representei na escola foi “João e Maria” – claramente aceitei o papel pois iria ser reproduzida a casas de doces, e eu, que me encarregar de interpretar o João na História, me encarregaria de devorar aqueles doces.


Na medida em que fui crescendo, conhecendo novas línguas e atiçando, cada vez mais a minha veia de pesquisador, pude perceber que as histórias originais não eram tão lúdicas como os contos de fada, que foram alterados, contavam. Tampouco, vim aqui recontar a história original de Hasel e Gretel – esses, aliás, eram os nomes originais dos personagens que em português foram traduzidos como João e Maria. O caso aqui é lhe contar como uma história bem contada pode alterar o que sabemos dela, também pode ser perigoso. Mesmo assim, ainda rendem receitas que são tão antigas quanto a própria história.

Para aqueles que amam guloseimas, poucos contos de fadas são tão populares e amados quanto “Hänsel und Gretel” dos Irmãos Grimm. Publicado pela primeira vez em 1812, o conto foi interpretado, revisado e parodiado de inúmeras maneiras ao longo dos anos. Portanto, pode-se imaginar o furor que ocorreu em 1963, quando um escritor alemão afirmou ter descoberto a verdadeira história por trás deste conto de fadas.

De acordo com Die Wahrheit über Hänsel und Gretel (A verdade sobre João e Maria), os dois irmãos eram, na verdade, irmãos adultos e padeiros, que viviam na Alemanha em meados do século XVII. Eles assassinaram a bruxa, uma confeiteira engenhosa, para roubar sua receita secreta de lebkuchen, uma guloseima tradicional parecida com biscoitos de gengibre (os famosos gingerbread. Aqui no blog já tratei sobre a história dos Gingergread Man, aquele bonequinho de biscoito que aparece enfeitando as festas natalinas. VEJA AQUI). O livro era tão fascinante que publicou um fac-símile da receita em questão, além de fotos sensacionais de evidências arqueológicas.

Katharina Schraderin, “a bruxa padeira”, foi morta por sua receita de biscoito de especiarias. Fonte: HANS TRAXLER

The fatal gingerbread recipe. Fonte: HANS TRAXLER

‘A verdade sobre João e Maria’ causou alvoroço. A mídia pegou a história e a transformou em notícia nacional. “Livro da semana? Não, é o livro do ano, e talvez do século!” proclamou o tablóide da Alemanha Ocidental Abendzeitung em novembro de 1963. O jornal estatal da Alemanha Oriental Berliner Zeitung publicou a manchete “Hasel e Gretel – uma dupla de assassinos?” e perguntou se este poderia ser “um caso criminal do início da era capitalista”. A notícia espalhou-se rapidamente não só na Alemanha, mas também no estrangeiro. Editores estrangeiros, sentindo o cheiro de lucro, começaram a negociar os direitos de tradução. Grupos escolares, alguns da vizinha Dinamarca, viajaram para os bosques de Spessart, nos estados da Baviera e Hesse, para ver as fundações recém-descobertas da casa da bruxa.

Por mais intrigante que possa parecer ‘A verdade sobre João e Maria’, nada disso provou ser verdade. Na verdade, o livro acabou por ser uma falsificação literária inventada por Hans Traxler, um escritor de livros infantis e cartunista alemão, conhecido por seu senso de humor sarcástico. “1963 marcou o 100º aniversário da morte de Jacob Grimm”, diz Traxler, agora com 94 anos, que mora em Frankfurt, na Alemanha. “Portanto, foi natural vasculhar [o] baú de contos de fadas dos Irmãos Grimm e escolher o mais famoso, ‘João e Maria’”.

Um pedaço de pão de gengibre carbonizado (falso) encontrado nas fundações da casa da bruxa. Fonte: HANS TRAXLER

A farsa foi uma das maiores que existiam, feita em um nível muito sofisticado, enganando até mesmo muitos acadêmicos e estudiosos da área. No início de 1963, Traxler leu ‘Gods, Graves, and Scholars: The Story of Archaeology’, de C. W. Ceram, publicado em 1949, e que despertou a paixão pela arqueologia no imaginário do mundo do pós-guerra. Inspirado, Traxler escreveu o primeiro rascunho de seu próprio livro em cerca de uma semana. Depois, ele passou alguns dias fazendo pesquisas adicionais no Museu dos Irmãos Grimm em Kassel, Alemanha. O diretor do museu, Dr. Ludwig Denecke, continuou trazendo carrinhos de biblioteca com literatura histórica para Traxler, completamente alheio às suas verdadeiras intenções.

Hans Traxler diz que escreveu The Truth About Hansel and Gretel para sua própria diversão. 

O protagonista fictício de Traxler, Georg Ossegg, era professor e arqueólogo amador. Tal como o famoso arqueólogo alemão Heinrich Schliemann, que procurou a cidade de Tróia num esforço para provar a exatidão histórica da Ilíada de Homero, Ossegg estava obcecado em encontrar a casa da bruxa de “João e Maria”.

Em janeiro de 1945, escreveu Traxler, Ossegg evacuou junto com seus alunos para a pequena vila de Steinau an der Straße, no estado alemão de Hesse. Lá, Ossegg conheceu um fazendeiro local que se referia aos bosques próximos de Spessart como Hexenwald, ou “floresta das bruxas”, e cujo avô teria visto a casa de uma bruxa lá dentro. Ossegg queria investigar mais, mas com o fim da Segunda Guerra Mundial, ele retornou à sua cidade natal, Praga.

Hans Traxler, com pincel na mão, se apresenta como Georg Ossegg. 

Em 1962, Ossegg mudou-se mais uma vez para a floresta de Spessart e renovou sua investigação. Desta vez, decidiu ler o texto de “João e Maria” como um relato factual. Ele partiu em busca da clareira onde as crianças foram abandonadas pelos pais. Ele fez isso enchendo os bolsos de um menino de oito anos com pedrinhas e fazendo-o caminhar pela floresta, deixando-as cair no caminho. (No conto de fadas, João deixou cair pedras para encontrar o caminho de volta para fora da floresta.) Mas nenhuma clareira foi encontrada. Quando Ossegg repetiu o experimento, ele se viu em uma campina. Com base nos resultados do experimento, Ossegg concluiu que João e Maria não eram crianças, mas sim adultos.

Em seguida, Ossegg decidiu localizar a casa da bruxa. Após dois meses de busca, ele encontrou as ruínas da casa da bruxa e as fundações bem preservadas de quatro fornos. Dentro de um deles, ele descobriu um esqueleto feminino parcialmente carbonizado. Ossegg também procurou o pequeno estábulo onde Hansel foi aprisionado pela bruxa, mas não o encontrou. Ele encontrou dobradiças da porta da casa da bruxa, e uma delas foi quebrada à força. Então Ossegg concluiu que João e Maria invadiram a casa da bruxa, mataram-na e tentaram queimar seu corpo.

Supostamente, esses restos mortais parcialmente carbonizados da bruxa provaram que João e Maria primeiro mataram a bruxa e depois tentaram queimar seu corpo. 

Ossegg fez sua descoberta mais importante perto de uma das paredes da casa, onde desenterrou uma pequena caixa de lata que continha lebkuchen carbonizado, um monte de utensílios de cozinha e um pedaço de papel amassado, que acabou sendo uma receita de lebkuchen.

Ossegg então fez algumas análises linguísticas do diálogo da bruxa no conto dos Grimm e descobriu que seu dialeto era típico de Wernigerode, uma cidade no estado da Saxônia-Anhalt. Ele vasculhou os arquivos locais e encontrou o chamado Manuscrito de Wernigerode, um volume encadernado em pergaminho que descreve o julgamento de 1647 de uma certa Katharina Schraderin, “a bruxa padeira”.

Os utensílios de cozinha queimados da bruxa vieram da cozinha de bonecas da filha de Traxler. Ele teve que substituí-los mais tarde.

Schraderin inventou seu famoso lebkuchen enquanto trabalhava na cozinha da Abadia de Quedlinburg. Outro padeiro, chamado Hans Metzler, tentou se casar com Schraderin para conseguir a receita, mas ela recusou. O rejeitado Metzler, por sua vez, acusou Schraderin de bruxaria. Depois de ser absolvida, Schraderin fugiu para a floresta e ali construiu uma pequena casa. Mas Metzler, acompanhado por sua irmã mais nova, Gretel, localizou Schraderin e a matou. Os irmãos procuraram a receita secreta do gingerbread, mas encontraram apenas alguns lebkuchen. Metzler os levou consigo e tentou assar os seus próprios. Mais tarde, ele foi julgado por assassinato, mas absolvido depois que o juiz acreditou em sua história sobre a bruxa canibal. Mudou-se então para Nuremberg, onde popularizou o famoso lebkuchen da cidade.

Claro, nada disso era verdade. Mas o livro de 120 páginas continha mais de 40 fotos, desenhos e modelos, o que fazia a complicada história parecer bastante convincente. O próprio Traxler posou para Ossegg, vestido com uma capa de chuva estilo Colombo, chapéu de couro, óculos escuros, barba postiça e bigode. “O fotógrafo Peter von Tresckow e eu nos divertimos tanto tirando aquelas fotos que às vezes nos encontrávamos deitados no chão e rindo”, lembra Traxler.

Hans Traxler se apresenta como Georg Ossegg nas ruínas da casa da bruxa.

Traxler admite que falsificar o chamado manuscrito de Wernigerode exigiu muito esforço, mas ficou de bom humor ao ler o autor alemão do século XVII, Hans Jakob Christoffel von Grimmelshausen. “Aparentemente, escrevi o texto do manuscrito de Wernigerode tão bem que nem um único jornalista ou leitor duvidou dele. Estou um pouco orgulhoso disso hoje”, diz ele.

A verdade sobre o truque literário de Hans Traxler foi revelada no início de 1964. (Uma dica foi que Traxler copiou a receita lebkuchen de Schraderin de um livro de receitas da empresa de alimentos Dr. Oetker.) Mas algumas pessoas recusaram-se a aceitar que o livro era uma fraude elaborada. Nos meses seguintes à publicação, a editora recebeu milhares de cartas de leitores exigindo saber a verdade: tantas que tiveram que contratar três pessoas para respondê-las. Traxler e seus cúmplices ficaram maravilhados com as reações, mas nem todos acharam graça. Segundo a Der Spiegel, um leitor indignado apresentou uma queixa de fraude. A polícia interrogou Traxler, mas não apresentou queixa.

O “equipamento de datação por radiocarbono” usado para estudar o biscoito de especiarias.

Reimpresso inúmeras vezes ao longo dos anos, A verdade sobre João e Maria vendeu centenas de milhares de cópias. Em 1987, gerou uma adaptação cinematográfica de mesmo nome, estrelando o ator francês Jean-Pierre Léaud como Georg Ossegg e a cantora, performer e dona de clube de Berlim Ocidental, Romy Haag, como a bruxa. Embora ‘A verdade sobre João e Maria ‘ainda seja celebrado por imitar a moda intelectual de sua época, algumas pessoas ainda consideram a história de Traxler verdadeira. A reação fervorosa ao livro diz muito. As pessoas adoram uma boa história. Qualquer descoberta que prometa revelar uma verdade, segredo ou mistério oculto é atraente.

 Mas, e o lebkuchen?

Datado do século XIV em Nuremberg, Alemanha, Elisenlebkuchen resistiu ao teste do tempo como uma das guloseimas de Natal mais populares e amadas da Alemanha!

Os Lebkuchen remontam à Alemanha do século XIV, onde foram criados por monges católicos. Preparado nas padarias dos mosteiros, o Lebkuchen incluía mel, uma variedade de especiarias e nozes. Esses ingredientes não só tinham um significado religioso simbólico, mas também eram altamente valorizados por suas propriedades curativas. Esses monges espertos não apenas criaram um doce excepcionalmente delicioso, mas também encontraram um uso adicional para suas hóstias de comunhão: aumentaram o diâmetro e as usaram como base para a massa pegajosa do biscoito de especiaria – uma solução perfeita.

Um doce por excelência em toda a Alemanha durante a época de Natal, Lebkuchen é um dos mais populares e amados de todos os doces festivos alemães. Há uma variedade de Lebkuchen alemães, cada um distinguido por ligeiras alterações nos ingredientes e, mais especialmente, na quantidade de nozes utilizadas. Mas os mais valorizados de todos são os Nürnberger Elisenlebkuchen. O título é protegido regionalmente e apenas Lebkuchen produzido em Nuremberg pode ser vendido como tal. A característica distintiva dos Elisenlebkuchen é que não utilizam farinha e apresentam uma proporção muito elevada de nozes, especificamente uma combinação de amêndoas e avelãs. 

O ingrediente secreto: O LEBKUCHENGEWURZ?

Um ingrediente absolutamente crítico nestes Lebkuchen é o Lebkuchengewürz, ou seja, a mistura de especiarias que o biscoito leva para ter esse mesmo nome. Você não pode fazer isso sem Lebkuchengewürz. Não se você quiser que eles tenham gosto de Lebkuchen de verdade. Mas, como os Lebkuchengewürz é quase impossível de se encontrar pronto aqui no Brasil, a menos que você tenha a sorte de ter um supermercado alemão bem abastecido perto de você. Até a Amazon só tem algumas opções para escolher, mas, são caras e não tenho certeza de quão boa são. Desta forma, aqui fica uma receita caseira que faz a mágica acontecer.

Para você perceber da composição dessa mistura deixo abaixo a foto com todos os ingredientes dela, que são: canela, anis estrelado, gengibre, macis (a membrana que recobre a noz moscada), erva-doce, cardamomo, sementes de coentro, anis, cravo, pimenta da Jamaica, noz-moscada. 


Não existe uma mistura padrão definida para tempero do lebkuchen que seja usada em todos os lugares. As receitas diferem para cada especialidade de lebkuchen, a composição exata é um segredo bem guardado pelos Lebkuchenbäcker (padeiros de lebkuchen). Definitivamente existem preferências regionais. Por exemplo, a canela é frequentemente encontrada em grande proporção nas receitas alemãs, embora esteja completamente ausente ou seja usada com moderação nas receitas do Leste ou do Norte da Europa. Por outro lado, a pimenta só é encontrada linguisticamente lebkuchen alemão, enquanto na Europa Oriental é realmente usada em receitas regionais. Uma mistura de especiarias para biscoitos de especiarias usada no sul da Alemanha pode conter, por exemplo, canela, cravo, pimenta da Jamaica, coentro, gengibre, cardamomo e noz-moscada ou macis (a membrana que envolve a noz moscada). Uma possível mistura para biscoitos de especiarias basicamente contém anis, gengibre, pimenta e pimenta da Jamaica. Além das próprias especiarias, são frequentemente utilizados outros sabores, como casca de frutas cítricas (laranja, limão ou laranja amarga) ou água de flor, como água de flor de laranja ou rosa.

A receita do Lebkuchen é bastante fácil de fazer. É simplesmente uma questão de reunir todos os ingredientes que você precisa e o resto é muito fácil, veja só: 

Lebkuchen

5 ovos grandes

1 1/4 xícara de açúcar mascavo

1/4 xícara de mel

1 colher de chá de extrato de baunilha

2 xícaras de farinha de amêndoa

2 xícaras de farinha de avelã

1/4 colher de chá de sal

1/2 colher de chá de fermento em pó

3 colheres de chá da mistura Lebkuchengewürz

120g de casca de limão cristalizada

120g de casca de laranja cristalizada

1/4 xícara de farinha de trigo (para cobrir a casca cristalizada) (pode substituir sem glúten)

Folhas de hóstia ou papel de arroz

Amêndoas inteiras descascadas cortadas ao meio no sentido do comprimento

Para a cobertura de chocolate (opcional):

120g de chocolate amargo ou ao leite de qualidade

2 colheres de chá de óleo de coco ou óleo de sua preferência – não use manteiga

Modo de preparar a cobertura de chocolate: Coloque o chocolate e o óleo em uma tigela pequena e leve ao micro-ondas mexendo ocasionalmente, até derreter. Use imediatamente. Se a cobertura ficar firme, reaqueça no micro-ondas.

 Para a cobertura de açúcar:

1 xícara de açúcar de confeiteiro peneirado

3 colheres de sopa de água ou leite (use água para um esmalte transparente ou leite para um esmalte opaco; substitua o leite por um pouco de creme de leite para um esmalte ainda mais branco)

Modo de preparar a cobertura de açúcar: Coloque o açúcar e a água em uma tigela pequena e mexa até ficar homogêneo.

Preparo do Lebkuchen: Pré-aqueça o forno a 150 graus Celsius.

Misture o limão cristalizado e a casca da laranja com cerca de 1/4 de xícara de farinha de trigo para evitar que grudem e bata no processador de alimentos até ficar bem picado. Deixou de lado.

Em uma tigela grande, bata os ovos até formarem espuma. Adicione o açúcar, o mel e o extrato de baunilha e bata até incorporar.

Adicione as amêndoas e avelãs moídas, o sal, o fermento, o Lebkuchengewürz e as cascas de limão e laranja cristalizadas e mexa vigorosamente até incorporar bem. A mistura ficará úmida, mas se for muito fina para colocar na foçha de hóstia ou no pael de arroz, adicione um pouco mais de farinha de amêndoa ou avelã.

Coloque a mistura na folha de hóstia ou papel de arroz, colocando aos bocados alisando a parte superior e deixando apenas um pequeno espaço nas bordas. Coloque-os em uma assadeira forrada. Se preferir já corte círculos de papel arroz ou de folhas de hóstia na medida dos biscoitos que deseja.

Asse por 25-30 minutos. Retire a assadeira e deixe esfriar completamente.

Depois de esfriar, coloque uma gradinha depois de frios, você pode mergulhar metade na mistura de chocolate e a outra metade na cobertura de açúcar, deixando o excesso escorrer de volta para a tigela e coloque o Lebkuchen na gradinha. Disponha 3 amêndoas em cada Lebkuchen enquanto a cobertura ainda está úmida. Deixe o Lebkuchen secar completamente até que o esmalte endureça.

Mantenha armazenado em um recipiente hermético. Conserva-se durante várias semanas e o sabor melhora com o tempo.

 

sábado, 1 de julho de 2023

Adoreum: o recém-descoberto afresco de um tipo de pão achatado de Pompéia

 

Em 27 de junho, o Parque Arqueológico de Pompeia anunciou a descoberta de uma pintura de parede (afresco) em um bloco de casas no Regio IX representando uma natureza morta de comida e bebida com o que se parece muito com uma pizza. Nos últimos anos, o local começou a escavar áreas anteriormente inexploradas da outrora movimentada cidade que foi soterrada durante a erupção do Monte Vesúvio em 79 da Era Comum.

Um afresco descoberto recentemente de um pão achatado em Pompéia (Crédito: Abaca Press/Alamy)

Obviamente, sabemos que não se trata de uma pizza, pois tomates e muçarela nem existiam na Itália quando o afresco foi pintado há mais de 2.000 anos. No anúncio, o diretor Gabriel Zuchtriegel descreveu um afresco de natureza-morta lindamente preservado e observa que, na verdade, o pão do tipo achado presente no afresco é uma focaccia, plana e redonda, coberta com frutas e especiarias e o que pode ser um queijo de ervas conhecido como moretum. No afresco, a focaccia é apresentada em uma bandeja de prata ao lado de um kantharos de prata com vinho. Frutos secos e frescos também estão no tabuleiro, entre eles duas tâmaras, uma romã, um figo e uma guirlanda de medronheiros amarelos. Na ripa abaixo da bandeja: possivelmente um junco, usado para cortar ou furar os pedaços de frutas. (Plínio, o Velho, faz referência ao uso de juncos para cortar e perfurar alimentos macios).

A focaccia dura coberta com frutas pode não ter sido o auge das delícias daquela época, mas o fato de representar a comida em uma bandeja de prata representa o conceito grego de Xenia, hospitalidade oferecida a todos os visitantes, criando um vínculo poderoso e ritualizado de amizade entre anfitrião e hóspede. A oferta de comida era um elemento essencial, frequentemente captado na arte da Grécia e de Roma. Vitrúvio escreve sobre Xenia, como um conceito de hospitalidade e como obra de arte, no livro VI 7,4 de De Architectura:

“À direita e à esquerda, além disso, há pequenos conjuntos de habitações, cada um com sua própria porta, triclínio e quarto de dormir, de modo que, quando os hóspedes chegam, eles não precisam entrar no peristílio, mas são recebidos em quartos (hospitalia) apropriados à sua ocupação. Pois quando os gregos eram mais refinados e possuíam maior riqueza, eles forneceram uma mesa separada com triclinia e quartos para seus convidados. No dia da chegada, eram convidados para jantar, e depois recebiam aves, ovos, ervas, frutas e outros produtos do país. Por isso os pintores deram o nome de Xenia aos quadros que representam os presentes feitos aos convidados. Os chefes de família, portanto, vivendo nessas habitações, ficavam, por assim dizer, em casa, tendo a liberdade de fazer o que bem entendessem”.

Representações de Xenia eram motivos populares nas artes visuais romanas, particularmente no Quarto Estilo Pompeiiano (também conhecido como Estilo Intrincado) de pintura mural. Existem cerca de 300 murais de oferendas de comida conhecidas das cidades enterradas na erupção do Vesúvio em 79 d.C. (Pompeia, Herculano, Oplontis, etc.). Este exemplo é notável pela alta qualidade de sua execução.

Foi descoberto no átrio de uma casa no bloco Insula 10 do Regio IX. A casa com padaria anexa foi explorada pela primeira vez entre 1888 e 1891, mas apenas uma pequena parte dela. As escavações foram retomadas em janeiro deste ano com o objetivo de estabilizar as estruturas escavadas no século XIX e amplamente negligenciadas desde então.



Então, na medida em que a mídia soube da nova descoberta, uma frase rapidamente subiu ao topo das classificações de pesquisa do Google: "pizza romana antiga". Mas haveria evidências suficientes para confirmar que o pão achatado retratado no afresco de Pompeia é uma forma primitiva da amada comida napolitana? A resposta curta é "não", embora seja compreensível por que alguns podem inicialmente supor, depois de olhar para o afresco (veja a imagem abaixo), que esses pães achatados são semelhantes a pizza.

Na versão italiana do anúncio, Zuchtriegel lembra uma passagem da Eneida de Virgílio (Livro VII, versos 128-136), que detalha a colocação de frutas e outros alimentos em cima de pães (às vezes chamados de "bolos" na literatura grega e romana) que funcionam como "mesas" (mensae, em latim):

"Enéias, seus capitães e o lindo Lulo, sob a árvore copada se acolheram e se serviram de uma refeição: na relva colocaram bolos de trigo como base da comida (como o próprio Júpiter os inspirou) e acrescentam frutas silvestres a essas mesas de Ceres. Quando a comida pobre os levou a cerrar os dentes nos discos finos, o resto sendo comido, e para quebrar os fatídicos círculos de pão corajosamente com mãos e mandíbulas, não poupando os bolos esquartejados, Lulo, brincando, disse apenas: 'Ha! Estamos comendo as mesas também?'"

Como um arqueólogo da comida, que pesquisa e recria os pães e doces da Roma antiga, Zuchtriegel soube imediatamente que a imagem retratada no afresco desenterrado era uma descoberta muito importante. Por um lado, é a primeira representação pictórica de comida colocada em cima de um pão achatado circular em um cenário romano, corroborando referências literárias, como a Eneida, a essa prática no jantar romano antigo.

O afresco também ajuda a identificar um pão achatado retratado em um afresco de Pompéia anteriormente conhecido, o afresco da "distribuição de pão" do tablinum da Casa del Panettiere (Casa do Padeiro) e as duas imagens de pão em conjunto fornecem informações críticas sobre como esse tipo de pão era moldado à mão e por que assumiu a forma que assumiu.

Afresco do tablinum da Casa del Panettiere (esquerda e superior direita) e afresco recém-descoberto (canto inferior direito) (Crédito: Farrell Monaco e Abaca Press/Alamy)

No afresco da Casa do Padeiro, pequenos pães achatados circulares ficam no topo da prateleira do quiosque, e um anel é impresso na superfície do pão, criando uma calha e uma borda ligeiramente elevada. A calha provavelmente era usada para evitar que alimentos úmidos caíssem da superfície do pão enquanto as pessoas o comiam. Essa calha também pode estar presente embaixo da comida, dentro da borda do pão achatado representado no novo afresco, sugerindo que os dois pães provavelmente são do mesmo tipo.

Este pão incomum também está representado em outro cenário arqueológico perto de Pompéia: Paestum, uma antiga cidade grega que fazia parte das antigas colônias gregas, uma vez conhecida como Magna Grécia. No museu localizado no local, as versões em terracota deste pão são exibidas ao lado de vários alimentos que foram consumidos na área durante os séculos VI e V a.C.

Com três representações arqueológicas deste pão achatado e uma com frutas sobre ele, agora é mais fácil decifrar o que poderia ter sido conhecido pelos gregos e romanos do século I.

O gramático do século II, Ateneu de Naucratis, escreveu sobre um "bolo" grego fermentado chamado nastos, um bolo redondo e achatado classificado como placoûs ou placentae, os antigos termos gregos usados para descrever doces feitos de farinha, queijo, óleo e mel. Segundo Ateneu, esses bolos eram usados como oferendas de sacrifício e ele escreveu que eram cobertos com um coulis, ou purê de frutas, chamado caryca. Os falantes de italiano reconhecerão imediatamente a semelhança desta palavra com o verbo caricare: encher, que é exatamente para o que o nastos foi projetado: ser recheado com purê.

Para os antigos romanos, esse bolo com cobertura de coulis era conhecido por um nome diferente e era classificado como um tipo de Libum, o equivalente romano ao placoûs grego. O nome da versão romana de nastos pode ser lido na mesma passagem mencionada anteriormente na Eneida de Virgílio em seu texto original em latim: instituuntque dapes et adorea liba per herbam (colocam bolos de farinha na grama). Enéias e seus homens então carregam os bolos de trigo com frutas silvestres. Para os romanos, portanto, nastos era provavelmente conhecido como adoreum (plural, adorea).

No século I dC, o autor e filósofo romano Plínio, o Velho, escreveu na Historia Naturalis que os romanos faziam oferendas de adorea. Segundo o soldado e senador romano Catão, o Velho, a palavra era sinônimo de "glória". E o gramático do final do século IV e início do século V, Servius, nos diz que os bolos adorea (ou seja, pães achatados) eram feitos de trigo farro, popularmente conhecido como emmer (descascado), mel e óleo e são adequados para oferendas.

Com esta informação, é justo dizer que o pão achatado com cobertura de frutas retratado no novo afresco de Pompeia, e os pães achatados com anéis retratados no afresco da Casa do Padeiro – junto com as representações de terracota em Paestum – são adorea, não pizza! Afinal, o pão sírio no novo afresco é coberto e cercado por frutas; não carne, cogumelos ou vegetais.

Adoreum - receita de uma recriação moderna do pão achatado de Pompéia feita por Farrell Mônaco (Rende 6 pães)

Para a base do pão:

1kg (6¼ xícaras) de farinha de emmer (ou use espelta ou uma boa farinha de trigo para pão)

20g (4 colheres de chá) de sal

500g (2 xícaras) de água

35g (¼ xícara) de entrada de pão (ver Nota)

48g (¼ xícara) de azeite

48g (¼ xícara) de mel

Para os recheios sugeridos:

24 figos frescos

queijo ricota, opcional

6 damascos ou maçãs pequenas

12 tâmaras

12 ovos de codorna

240g (¾ xícara) de mel

Farinha adicional para polvilhar

Preparo: Para fazer a base, coloque a farinha e o sal em uma tigela grande. Em uma tigela separada, misture a água, o fermento, o azeite e o mel. Não mexa nem dissolva o fermento. Crie uma cavidade no centro da farinha. Despeje metade do líquido na cavidade e junte a farinha nele. À medida que a massa ficar desgrenhada, adicione o restante do líquido até que a massa comece a se unir. Se você escolheu uma variedade de farinha integral ou mais grossa e a massa não liga, adicione mais água, 1 colher de sopa de cada vez, até que ela fique homogênea. Se você optou por usar farinha "refinada" branca, lembre-se de que menos líquido agregado criará uma massa maleável. Cubra a massa e deixe descansar por 2 horas. Depois disso, retire a massa e sove por 10 minutos, cubra com um pano de prato úmido e deixe descansar novamente até dobrar de tamanho. Isso pode levar de 2 a 6 horas, dependendo da sua localização, da farinha que você usa e do calor e umidade da sua cozinha. Quando a massa dobrar de tamanho, corte 6 porções iguais da massa. Forme cada porção de massa em uma bola e coloque-a em uma superfície limpa ou em um pano de prato polvilhado com farinha. Depois de formadas todas as bolas de massa, cubra-as com um pano de prato úmido e deixe crescer por mais 2 horas. Pré-aqueça o forno a 190 C. Agora é hora de moldar o pão achatado (veja a foto abaixo para ter mais clareça). 



Em uma superfície polvilhada com farinha, pegue cada bola e alise-a com a palma da mão para comprimi-la ou enrole-a suavemente até que tenha cerca de 2 cm de altura. Com um pequeno copo de água por perto, mergulhe a ponta do dedo, polegar ou junta na água e crie a calha: este é um poço que vai correr ao redor do perímetro da rodada de massa. Seu dedo deve deslizar e não puxar a massa. Deixe-o tão largo quanto o seu dedo e certifique-se de pressionar firmemente a base da casca. Pressione a plataforma central da base para baixo com cuidado para que fique plana e nivelada com a borda da concha. Asse os pães por 20 a 25 minutos até dourar em uma pedra de pizza ou papel manteiga. Deixe esfriar.

Depois que esfriarem, é hora de preparar as coberturas. Você tem muita liberdade aqui! Para cada pão achatado: pegue 3 figos e amasse até formar uma pasta. Cubra a plataforma central do pão com a pasta. Você também pode adicionar um pouco de ricota à pasta de figo ou alisar algumas pequenas porções sobre ela. Corte algumas fatias de frutas macias, como damasco, tâmaras ou figo, e cubra a parte superior da pasta com as fatias de frutas. Sugiro tentar isso com um instrumento semelhante a um junco, como um espeto de madeira em vez de uma faca. Coloque 2 ovos de codorna cozidos entre as fatias de frutas e decore com uma maçã pequena ou damasco. Aqueça ⅛ xícara de mel e regue-o sobre a fruta, permitindo que a calha da casca do pão encha até a metade. Pare de colocar quando começar a transbordar. Sirva e aproveite!

Notas: Você pode combinar isso com alguns dos outros itens apresentados no afresco, como vinho tinto, castanhas e cidra. Outra adição que não é indicada como cobertura para nastos ou adoreum, mas que agradaria à paleta moderna, seria um pouco de queijo envelhecido esfarelado.

Ao provar esta pastelaria romana, lembre-se que não é o mesmo que uma galette moderna ou dinamarquesa: é um bolo de mel romano, simples e rústico, coberto com frutas da época. É também uma oportunidade para todos nós explorarmos as práticas culinárias da Roma antiga e a herança cultural de Pompéia com nossas mãos e nossas papilas gustativas. E que experiência maravilhosa é celebrar desta forma a recente descoberta desta forma primitiva de pastelaria, mesmo que o façamos à distância. Pode não ser pizza, mas adoreum é literalmente uma glória de se ver, e um lembrete de que os pães e doces que adoramos hoje chegaram às nossas mesas por milênios e de lugares que muitas vezes estão a oceanos de distância. E desta vez, de Pompeia.

Recomendação de leitura

Panis: The Story of Bread in Ancient Rome, de Farrel Monaco)

 

terça-feira, 13 de junho de 2023

O Doce do Santo e as Origens e Tradições do pão de Santo Antônio: do Pão dos Pobres à atual Caritas Antoniana.

Antes de chegar no pão de Santo Antônio, se faz necessário conhecer um pouco mais sobre essa figura tão popular e querida pelos devotos da Igreja católica pelo mundo.

O primeiro santo celebrado nas fogueiras do mês de junho é Santo Antônio, popularmente conhecido como o santo casamenteiro. Ele nasceu em Lisboa, Portugal, em 15 de agosto de 1195 e falece em Pádua, na Itália, em 13 de junho de 1231, data essa em que se comemora a sua festa no mês junino. Ele viveu virada do século XII para o século XIII, sendo batizado com o nome de Fernando, mas cujo sobrenome de família é incerto, embora seja comum referir-se a ele como da família Bulhões.

Inicialmente se juntou à Ordem dos Cónegos Regulares da Santa Cruz, que seguiam a Regra de Santo Agostinho, no Convento de São Vicente de Fora, em Lisboa, indo posteriormente para o Convento de Santa Cruz, em Coimbra, onde aprofundou os seus estudos religiosos através da leitura da Bíblia e da literatura patrística, científica e clássica. Em 1220, ingressou na Ordem dos Frades Menores (franciscanos) pela qual viajou muito, vivendo inicialmente em Portugal, depois na Itália e em França, retornando posteriormente à Itália, onde encerrou sua carreira. No ano de 1221 fez parte do Capítulo Geral da Ordem em Assis, convocado pelo fundador, Francisco de Assis. Posteriormente, quando a sua eloquência e cultura teológica se tornaram conhecidas, foi nomeado mestre de teologia em Bolonha, tendo, a seguir, pregado contra os albigenses e valdenses em diversas cidades do norte da Itália e no sul de França. Em seguida foi para Pádua, onde morreu aos 36 ou 40 anos.

Distinguindo-se em vida como teólogo, místico, asceta e sobretudo como notável orador e grande taumaturgo, sua grande fama de santidade levou-o a ser canonizado pela Igreja Católica apenas onze meses após a morte. Antônio é também tido como um dos intelectuais mais notáveis de Portugal do período pré-universitário. Tinha grande cultura, documentada pela coletânea de sermões que deixou, onde fica evidente que estava familiarizado tanto com a literatura religiosa como com diversos aspetos das ciências profanas, referenciando-se em autoridades clássicas como Plínio, o Velho, Cícero, Séneca, Boécio, Galeno e Aristóteles, entre muitas outras. O seu grande saber tornou-o uma das mais respeitadas figuras da Igreja Católica do seu tempo. Lecionou em universidades italianas e francesas e foi o primeiro Doutor da Igreja franciscano. São Boaventura disse que ele possuía a ciência dos anjos. Hoje é visto como um dos grandes santos do Catolicismo, recebendo larga veneração e sendo o centro de rico folclore.

Santo Antônio é o padroeiro principal da cidade de Lisboa (São Vicente é o padroeiro do Patriarcado de Lisboa), sendo também o padroeiro secundário de Portugal (a padroeira principal é Nossa Senhora da Conceição). É igualmente padroeiro da cidade italiana de Pádua.

Sobre os seus últimos dias: diz-se que, pouco depois da Páscoa de 1231 sentiu-se mal e deixou Pádua para dirigir-se ao eremitério de Camposanpiero, nos arredores da cidade. Outras versões dizem que terá sido hospedado pelo conde Tiso, devido ao estado de saúde precário. Percebendo que a morte estava próxima, pediu para ser levado de volta a Pádua, mas quando chegou o convento das Clarissas de Arcella, subúrbio de Pádua, ali morreu, a 13 de junho de 1231. As Clarissas reclamaram seu corpo, mas a multidão acabou por saber da sua morte e levou-o para ser sepultado na Igreja de Nossa Senhora em Pádua.

A sua fama de santidade era tamanha que, imediatamente após seu falecimento, o papa criou uma comissão para proceder à sua canonização. Foi canonizado no ano seguinte, em 30 de maio, pelo papa Gregório IX em cerimônia na Catedral de Espoleto, quando o novo santo foi elogiado em altos termos. A canonização em menos de um ano é um recorde na história da Igreja Católica. No seu processo, a Igreja considerou 53 relatos de milagres da época, coletados por meio de religiosos incumbidos de entrevistar populares em diversas regiões por onde andou Antônio em vida.

Os seus restos mortais repousam desde 1263 na Basílica de Santo Antônio de Pádua, construída em sua memória logo após a sua canonização. Quando a sua tumba foi aberta para iniciar o processo de transladação dos despojos, a sua língua foi encontrada incorrupta, e São Boaventura, presente no ato, disse que o milagre era prova de que sua pregação era inspirada por Deus. Em 1315 as suas relíquias foram transferidas para uma nova capela na basílica. Foi proclamado Doutor da Igreja pelo papa Pio XII em 16 de janeiro de 1946, com o título de Doctor Evangelicus (Doutor Evangélico), e é comemorado no dia 13 de junho.

Exposição dos restos mortais de Santo Antônio na Basílica de Pádua, em 2010.

Curiosamente, ele é patrono tanto do Exército Português como do Exército Brasileiro. Na cidade de Manatuto de Timor-Leste, Santo Antônio tem o posto de coronel, com uma grande imagem dedicada a ele que também é padroeiro da cidade.

Em 1668, em Portugal, o regente Dom Pedro ordenou que o santo fosse recrutado e assentasse praça como soldado raso no II Regimento de Infantaria em Lagos, sendo promovido sucessivamente a capitão e coronel. Durante as Guerras Napoleónicas, em 1810, Santo Antônio foi promovido ao posto de general, com a vitória portuguesa e a derrota do general Masséna, na Batalha do Buçaco, a sua imagem sempre acompanhava as tropas. Com o posto de tenente-coronel, a sua imagem foi levada pelo Regimento de Infantaria N.º 19 em Cascais à frente dos combates da Guerra Peninsular, recebendo depois uma condecoração.

Mas foi no Brasil onde Santo Antônio recebeu mais títulos, recebendo inclusive soldo em vários locais até depois de proclamada a república. A tradição brasileira surgiu em 1595 na guerra contra os franceses na Bahia, após a vitória atribuída a Santo Antônio, foi incorporado pela primeira vez ao Exército Português no posto de soldado raso, sentando praça no Regimento de Lagos, no reinado de Afonso VI. O ato incorria no pagamento de soldo equivalente pelo Tesouro Real, cujo valor se destinava a cobrir as despesas associadas ao culto e à festividade do primeiro santo do calendário junino.

No século XVII na ocasião das invasões holandesas e a batalha contra o reduto de Palmares, foi-lhe atribuído o posto de Tenente da Fortaleza do Buraco, a que o havia promovido o governador d. Lourenço de Almeida. No início do século XVIII, em razão de uma nova tentativa francesa de invadir o Brasil, em 1710 por Duclerc e em 1711 por Duguay-Trouin, as forças luso-brasileiras repeliram a nova invasão, motivo pelo qual Santo Antônio foi promovido ao posto de capitão, no mesmo dia da vitória, 18 de setembro de 1710, personificado na imagem existente no convento desta cidade e que fora colocado nos muros do convento, olhando para o sitio do combate.

                                             A tradição de Santo Antônio Militar

O governo paulista resolveu conceder a Santo António, em 1767, o posto de coronel das Tropas Auxiliares e Milícia da Capitania de São Paulo. A patente foi assignada pelo então donatário da capitania, d. Luiz Antônio de Souza. Em 1799 começou a receber o salário de Capitão pelo município de Ouro Negro até 1904. O Conde de Linhares, em Aviso de 18 de outubro de 1810, promoveu-o a major, e foi promovido a tenente-coronel por decreto de 26 de julho de 1814 de D. João VI, que mais tarde o condecorou com o grão-colar da Ordem de Cristo. Em Igarassu, foi nomeado oficialmente Protetor da Câmara de Vereadores.[40]

O soldo de Tenente-Coronel foi pago até abril de 1911. Os soldos foram pagos à Igreja até que Dantas Barreto, adepto do racionalismo positivista, lembrando que o Estado era laico, exigiu que Santo Antônio aparecesse para provar sua existência. Em 1924 este santo ainda integrava as Forças Armadas. Foi com um despacho do Presidente do Brasil, Artur Bernardes e do Ministro da Guerra, que Santo António, naquele ano, passou à reserva do Exército Brasileiro.

Santo Antônio é reverenciado pelos povos de língua portuguesa quase sempre como Santo António de Lisboa. Porém, é mais conhecido em outros países como Santo Antônio de Pádua, por ter vivido e falecido nessa cidade italiana porque, regra geral, os santos católicos são conhecidos pelo nome da cidade onde falecem, onde geralmente permanecem as suas relíquias, e não onde nascem, como é o caso.

E onde fica a tradição dos pães?

A tradição dos pãezinhos de Santo Antônio surgiu quando o santo padroeiro pegava os pãezinhos do convento e dava aos pobres e aos doentes que por sua vez alegavam ficar curados ao comê-los. Assim, surgiu a tradição de abençoar os pãezinhos na trezena de Santo Antônio e distribuí-los ao povo.

É um costume semanal que nas Igrejas onde há presença ou devoção franciscana, todas as terças-feiras ocorra a bênção dos pães. Até hoje, na devoção popular, os “pãezinhos de Santo Antônio” são colocados pelos fiéis nos sacos (vasilhas, latas) de farinha e de outros alimentos, com a fé de que nunca lhes faltará o que comer. Mais do que a origem do “Pão de Santo Antônio”, importa perceber toda a riqueza do seu simbolismo. Sem dúvida ele revela toda a riqueza da dimensão apostólica da vida do pai dos pobres.

O pão simboliza a vida. Simboliza a fraternidade. Quando se diz que falta o pão, dizemos que falta a comida, falta o alimento, falta o necessário para a vida. Por isso, Jesus ensina a pedir o pão de cada dia, em outras palavras, que Deus nos conceda a vida, para que possamos realizar a sua vontade, para que o seu Reino venha, e, assim, seu nome seja santificado. Pão sacia a fome física, mas sustenta o espírito. Cristo é o PÃO vivo descido do céu que veio para sustentar nossa vida, saciar nossa fome, nos alimentar com a Eucaristia, que é pão e vinho transformados em Corpo e Sangue, e nos alimentar com o Pão da Palavra.

O pão constitui um elemento inseparável de toda a devoção a Santo Antônio, independentemente de sua origem. A história do “Pão de Santo Antônio” remonta a um fato curioso que é assim narrado: “Antônio comovia-se tanto com a pobreza que, certa vez, distribuiu aos pobres todo o pão do convento em que vivia. O frade padeiro ficou em apuros, quando, na hora da refeição, percebeu que os frades não tinham o que comer: os pães tinham sido roubados”.

Atônito, foi contar ao santo o ocorrido. Este mandou que verificasse melhor o lugar em que os tinha deixado. O Irmão padeiro voltou estupefato e alegre: os cestos transbordavam de pão, tanto que foram distribuídos aos frades e aos pobres do convento.

Através de Santo Antônio. Nosso Senhor está convidando continuamente os cristãos a pensarem no bem do próximo, a amarem o próximo como a si mesmos e a darem uma atenção especial ao necessitado, ao pobre. Claro que não se trata apenas do pão de Santo Antônio, da esmola oferecida ao frade ou ao Convento, com as palavras: “para os seus pobres”.

Sim, o milagre do Pão de Santo Antônio continua até hoje em seus devotos. Ele nos ensina e nos ajuda a sermos mais cristãos. Nele manifesta-se a espiritualidade pascal, dos atos de amor, das ações de serviço ao próximo, da promoção do ser humano, para que tenha vida e a tenha em abundância.

A tradição de doar pães aos pobres tem origens muito antigas, ainda da época em que o santo era vivo. Mas a evolução dessa doação de pães pode ser percebida com o surgimento da Opera del Pane dei Poveri, a primeira instituição de caridade antoniana fundada em 1866 na Basílica de Sant'Antônio, em Pádua (Padova) Itália onde os frades distribuíam pão e outros bens de primeira necessidade, como madeira e roupas.

Ocorre que o desenvolvimento das sociedades e as mudanças ocorridas nelas, surge uma nova ideia de caridade, dirigida também às vítimas de graves catástrofes naturais ou de situações de crise social e política, pronta para se abrir para além das fronteiras italianas. A simples assistência é gradualmente substituída por um modelo de desenvolvimento. Surge a necessidade de criar uma realidade unitária que gere os numerosos projetos de caridade nascentes e que tenha um alcance nacional e internacional. Assim nasceu a Caritas Antoniana em meados da década de 1970, que inicialmente cuidou em intervir em favor das vítimas do terremoto de Friuli.

Desde então, milhares de projetos foram realizados, primeiro na Itália e depois, graças às redes de solidariedade criadas com os missionários, em todo o mundo. Os primeiros países a se envolverem no trabalho de caridade, solidariedade e desenvolvimento da Caritas Antoniana foram: África (Uganda, Gana), Ásia (Tailândia, Coreia, Índia, Filipinas), América latina e Polônia.

Mas é importante lembrar que toda essa história de pães de santo Antônio surgiu por ocasião de um milagre, conhecido como: o milagre de Tommasino.

Talvez nem todos saibam que na origem da história da Caritas Antoniana está um milagre de Santo António. O Pão dos Pobres, de fato, refere-se ao milagre da ressurreição do pequeno Tommasino, uma criança de 20 meses deixada sozinha para brincar e encontrada sem vida, afogada em uma banheira de água.

A mãe desesperada invoca a ajuda de Santo Antônio e na sua oração faz um voto: se obtiver a graça, doará aos pobres tanto pão quanto pesa a criança. Papa Pio E também para a tradicional distribuição do chamado “Pão de Santo António”, tudo começou com um milagre em que o protagonista era uma criança, o pequeno Tommasino.

 A história do milagre de Tommasino

 

Conta-se esse episódio a partir das palavras vivas da chamada lenda Rigaldina, escrita no final do século XIII pelo minorita Jean de Rigaud ou de Rigault, que narra os acontecimentos ligados ao santo de Pádua:

“Um bebê de vinte meses, chamado Tommasino, cujos pais moravam perto da igreja do Beato Antônio, em Pádua, foi abandonado descuidadamente pela mãe ao lado de um recipiente cheio de água. Ele começou a fazer brincadeiras infantis na água e talvez, vendo sua imagem refletida nela e querendo persegui-la, caiu no recipiente de cabeça para baixo e com os pés para cima. Como ele era pequeno e não conseguia se desembaraçar, logo se afogou nele. Depois de pouco tempo, a mãe terminou suas tarefas e, vendo ao longe os pés da criança emergindo daquele recipiente, ela entrou correndo, gritando alto e com voz chorosa, e puxou o pequeno para fora. Encontrou-o todo rígido e com frio, porque havia se afogado. Ao ver isso, gemendo de angústia, ele virou toda a vizinhança de cabeça para baixo com seus gemidos altos. Muitas pessoas correram para o local, inclusive alguns frades menores juntamente com operários, que naquele momento trabalhavam em alguns reparos na igreja do Beato Antônio. Quando viram que a criança estava certamente morta, partilhando o sofrimento e as lágrimas da mãe, retiraram-se como se estivessem feridos pela espada da dor. A mãe, porém, embora a angústia lhe dilacerasse o coração, começou a refletir sobre os estupendos milagres do beato Antônio e invocou a sua ajuda para reanimar o filho morto. Acrescentou também um voto: que daria aos pobres a quantidade de cereais (trigo) correspondente ao peso da criança, se o Beato Antônio o tivesse ressuscitado. Desde o pôr-do-sol até à meia-noite o pequeno ficou morto, a mãe continuou a invocar sem cessar a ajuda do Beato Antônio e a repetir assiduamente o seu voto, quando - que coisa maravilhosa de se dizer! – a criança morta recuperou a vida e a saúde plena”.

Com a volta milagrosamente à vida da criança nasce a tradição do “pondus pueri” (peso do menino), oração com a qual os pais, em troca da proteção dos filhos, prometiam a Santo António tanto pão quanto o peso das crianças.

Essa história fascinante demais está cheia de devoção ao santo e de informações “curiosas” para fazer um resumo. Graças a estas palavras da "Lenda Rigaldina" - que juntamente com "Vita prima" ou "Assidua", obra de um franciscano anônimo de 1232, escrita em conjugação com a canonização de Antônio – nos permite vislumbrar um corte transversal da vida do santo que permanece – é preciso dizer – depois de séculos, ainda “original”, visto que a figura de Antônio de Pádua, embora venerada por milhões de fiéis, ainda não é totalmente conhecida em detalhe. A devoção popular certamente se inspira na iconografia tradicional do santo, mas é interessante – nem um pouco – tentar entender “o que”, quais fatos, produziram esse imaginário. “Antonio e il pane” é precisamente um deles.

Outra tradição ainda relaciona a obra do pão dos pobres com uma senhora de Toulon , uma cidade na região da Provença, chamada Luísa Bouffier. A porta do seu armazém tinha enguiçado de tal modo que não havia outro remédio senão arrombar a porta. Fez, então, uma promessa ao santo: se conseguisse abrir a porta sem arrombá-la, doaria aos pobres uma quantia de pães. E deu certo. Daí por diante, as petições ao santo foram se multiplicando em diferentes necessidades. Toda vez que alguém era atendido, oferecia certa quantia de dinheiro para o pão dos pobres. A pequena mercearia de Luísa Bouffier tornou-se uma espécie de oratório ou centro social. A benéfica obra do “pão dos pobres” teve extraordinário desenvolvimento, com diferentes modalidades, e hoje é conhecida em toda parte.

De fato, todos os dias 13 de junho, tanto no Santuário de Pádua que envolve milhares de fiéis participantes nas celebrações que se sucedem a cada hora, como em cada igreja que leva o nome do santo português, o famoso "Pão de Santo António" é distribuído. segundo recomenda a tradição, ele deve ser recebido e comido somente no dia 13 de junho do ano seguinte, quando se receberá um pão novo para guardar e assim manter a tradição viva.

O segredo na duração do pão está na receita: ele é feito apenas com farinha, azeite e água, sem adição de fermento. o que lhe daria a alcunha de pão ázimo, sem fermento, essa particularidade deixa o resultado final mais seco e que, se bem acondicionado, pode durar muitos tempo em perfeito estado. aliás, pães e biscoitos feitos assim vieram com a colonização portuguesas nas caravelas - e também estiveram em outras aventuras marítimas pelo mundo, o curioso é que no nordeste brasileiro, essa tradição é bastante conhecida e mantida, entretanto no Ceará, na década de 80 e 90, tenho lembranças da minha mãe guardando um pequeno saquinho de algodão com um relicário contendo a imagem de santo Antônio - dentro do saquinho um pãozinho redondo, talvez do tamanho da moeda de um real de hoje. esse pãozinho foi guardado e realmente comido tempos depois, dividido entre nós, dizia-se que era pra ter boa saúde. mas também sabia de historia onde pessoas ralavam o pãozinho pra misturar com a comida ou até mesmo com a farinha pra fazer novos pães. mas com o passar dos anos, eu via mesmo era a distribuição de pães comuns, desses de padaria, por devotos do santo. a mãe da minha amiga Reginádila, sempre distribuía inúmeras quantidades de pães no dia do santo. 

Nas igrejas dedicadas ao santo de Lisboa e Pádua, pães comuns são doados. Entretanto, em Pádua, na Itália, existe ainda doce especial para a festa de santo Antônio, essa receita segue abaixo pra você incrementar a sua mesa junina e colocar ainda mais simbologia nela.

Dolci di Santo

1 rolo de massa folhada pronta (ou use a massa para tortas doces que você faz)

3 ovos

150g de açúcar

1 colher de sopa de mel

raspas de 1 laranja

raspas raladas de 1 limão

100g de farinha de trigo

50g de amido de milho ou fécula de batata

130g de manteiga

50g de amêndoas

4 colheres de sopa de geleia de damasco

Uvas passas e laranja cristalizada a gosto

Preparo: Derreta a manteiga e deixe esfriar. Bata os ovos com o açúcar por 8-10 minutos), adicione lentamente o mel, as raspas de laranja e limão e a manteiga fria derretida. Com uma espátula, incorpore também as farinhas e as amêndoas picadas. Montagem: Coloque a massa numa forma de bolo de 22/23 cm, criando assim uma borda bem alta. Espalhe uma camada de geleia, passas e laranja cristalizada picada. Despeje a mistura na massa por cima, feche os 4 cantos da massa folhada para dentro, tomando cuidado para não deixar afundar. Asse a 160-170° de 45 a 60 minutos, faça o teste do palito. Deixe esfriar para servir. Decore a gosto.

 

 

 


quarta-feira, 17 de maio de 2023

Le SCOFA, um bolo monástico para ser partilhado.

 

Há mais 70 anos, as carmelitas de Niort fazem um bolo com um nome engraçado: SCOFA. Originalmente, este bolo teria sido criado em Saint-Maixent em Deux-Sèvres por um chef de pastelaria, há cerca de setenta e três anos, na década de 1950. Esta receita teria sido transmitida às irmãs do Carmelo de Niort, que perpetuou esse conhecimento.

Elas compartilharam a receita com os beneditinos de Ligugé e suas irmãs dos Carmelos de Bayonne e Lisieux.

Durante muito tempo, a fama do bolo carmelita de Niort não foi além de Deux-Sèvres... Mas, desde que transmitiram a receita aos monges de Ligugé em 2002, esta deliciosa sobremesa tornou-se menos confidencial. Hoje, os carmelos de Bayonne e Lisieux também compartilham essa maravilha com ainda mais gourmets, ao mesmo tempo em que atendem às necessidades dos conventos! Porém, sem propaganda ou embalagens atraentes, basta o boca a boca para garantir a publicidade!

Uma sigla como receita

Mas por que esse acrônimo SCOFA como nome? Este é o início de um quebra-cabeça formado pelas iniciais dos ingredientes principais em língua francesa:  sucre, crème, oufs, farine, amandes (ou seja, açúcar, creme de leite, ovos, farinha, amêndoas). Para garantir a qualidade da receita usam a manteiga produzida em Poitou-Charentes. Já a amêndoa não deve ser moída: os frutos secos inteiros são triturados à mão, com paciência e sem pressa. Apesar disso, o bolo é muitas vezes imitado, mas nunca igualado!

Semelhante a um mil-folhas cremoso e crocante, o SCOFA fará você descobrir os segredos mais bem guardados de seu departamento, oferecendo-lhe uma variedade de sabores únicos e saborosos no paladar.




Se antes era apresentado na forma redonda, agora é feito na forma quadrada ou retangular para facilitar a embalagem. Está disponível  em Ligugé vários formatos que vão desde as fatias individuais aos bolos para 15 pessoas! E como representa apenas 300 calorias por 100g em vez das 500 de um doce clássico, porquê se privar disso?

As monjas, que fornecem a maior produção deste bolo, depois embalam-no em caixas de papel-cartão ou de plástico porque abastecem um determinado número de supermercados.

E como o SCOFA se conserva muito bem na geladeira durante quinze dias, não hesite, se estiver por Poitou, em parar e abastecer. Alguns gourmets chegam ao ponto de congelá-lo para que nunca falte quando improvisam um jantar! É mesmo um bolo para partilhar!




Abaixo deixo contatos para aqueles curiosos que amam viajar com motivação gastronômica:

Carmel du Mystère Pascal de Niort, 16 rue de Bellevue, 79000, Bessines

05 49 33 64 95

www.carmel.asso.fr

Abbaye Saint-Martin, place du révérend Père-Lambert à Ligugé.

05 49 55 21 12

www.abbaye-liguge.com

Mas, se você é um aventureiro na cozinha, eu não poderia deixar a receita faltar...

 

Le SCOFA

6 ovos (6 gemas para o creme e 5 claras para o biscuit);

125 g de amêndoa moída;

150 g de manteiga extrafina;

80 g de açúcar comum (disponibilize também para a decoração);

320 g de açúcar de confeiteiro;

70 g de farinha de trigo;

80 g de leite;

Preparo do creme de manteiga e caramelo: Para começar, bata as 6 gemas com 20 g de açúcar comum até obter uma mistura esbranquiçada. Depois, ferva 50 g de açúcar comum com 2 colheres de sopa de água durante alguns minutos antes de adicionar esta calda às gemas batidas e bata tudo até ficar tudo homogéneo. Reserve este primeiro preparado na geladeira e finalize fazendo um caramelo com 150 g de açúcar de confeiteiro e uma colher de sopa de água em fogo médio numa panela. Mexa sem parar e quando o caramelo estiver dourado, despeje em uma forma de silicone para deixar endurecer ao ar livre. Depois de resfriado e sólido, você pode quebrar esse caramelo em pedaços pequenos.

Preparação para o biscuit de amêndoa: Primeiro, pré-aqueça o forno a 140°C. De seguida bata 5 claras em neve formando picos bem firmes antes de incorporar 100 g de açúcar de confeiteiro. Numa tigela pode depois misturar as amêndoas moídas, o açúcar de confeiteiro, a farinha e o leite e depois juntar as claras em neve. em uma assadeira forrada com papel manteiga coloque a massa por cima ( você pode usar o bico de confeiteiro e fazer ondulações nela ou, simplesmente,  espalhar a massa que deverá assar por 35 minutos até que o biscoito fique levemente dourado. Em seguida, deixe esfriar até a temperatura ambiente.

Montagem: Bata o creme que deverá estar frio até ele ficar um creme liso misturando um pouco de manteiga amolecida. Depois disso, você pode adicionar o seu caramelo  triturado e misturar tudo delicadamente. Para finalizar, basta cortar o biscoito em duas partes iguais para espalhar o creme em uma das metades e cobrir tudo com a outra metade do biscoito. Deixe descansar por pelo menos 3 horas na geladeira e polvilhe com açúcar de confeiteiro na hora de servir.