segunda-feira, 11 de abril de 2011

A Colomba Pascal: As Pombas de Pavia (Itália)

Esses dias cheguei ao supermercado e me deparei com uma cena engraçadíssima: era cedinho, fui comprar pão para o café, e uma senhora estava parada diante da gôndola recheada com colombas pascais e, enquanto ela olhava para outra mulher que lhe acompanhava, disse a senhora: “menina, o povo anda louco, já estão vendendo estes bolos de natal!”. A outra mulher me vendo passar rindo do comentário, também riu da situação, puxou a senhorinha, e saíram.




Eu juro que não ri alto, até tentei conter meu riso pra não passar por mal educado. Mas foi difícil. E lá mesmo no supermercado eu sai dando início a analises daquele comentário procurando explicações variadas e criativas para o comentário daquela senhora. Até que parei, percebi que desinformação é algo comum, principalmente em conteúdos gastronômicos – muita gente não sabe o que come e, o pior, nem tem vontade de saber. O fato é que parei de analisar (julgar?) e achei melhor compartilhar o que eu aprendi sobre as Colombas Pascais, com vocês.
Mas as versões dessa história que estou preste a lhes compartilhar pode ser de pouco valor para alguns, mas exemplifica como o resultado de uma fantasia popular fervorosa e de uma tradição da qual ninguém sabe a origem, torna-se usual e significativa, acima de tudo por sua clara mensagem de paz, de perdão do qual, apesar do jogo da invenção - do lendário e do imaginário – ninguém pode escapar.
Fico tentado a escrever cientificamente algum texto sobre como os impactos e os significados da ‘comida e da culinária Festas’ (comidas de celebração?) para saber se: 1) os códigos e os antigos rituais alimentares foram perdidos?; 2) a mesa perdeu seu valor de comunicação simbólica; 3) há coisas ocultas e confinadas nos sentidos dessas preparações?... outras tanats perguntas estão surgindo – um dia me dou a esse luxo de parar e tentar respondê-las cientificamente. O fato é que, nos dias atuais, percebo qu e a maioria vê a comida como algo cada vez mais pertinente ao biólogo, higienista e nutricionista. Algo do passado, no entanto, mesmo que inconscientemente sobreviva: é um convite para procurar os fragmentos de uma civilização escondida em todos os pratos típicos, considerar os alimentos não apenas como coisas boas para comer, mas também coisas boas pata se "pensar, imaginar, fantasiar, se dedicar... mas vamos direto ao que interessa.


Na Itália, este delicioso pão/bolo de massa fermentada tradicionalmente fecha o almoço da Páscoa juntamente com ovos de chocolate. De fato, tanto o ovo quanto a pomba, desde os tempos antigos e por diferentes povos, receberam um forte valor simbólico: de paz, renascimento e amor.

Em italiano, a palavra colomba significa “pomba”. Que, na Páscoa, se reveste-te de simbolismo: nessa época em que se celebra a ressurreição de Cristo, esse pão/bolo em formato de pomba (a colomba pascal) representaria o Espírito Santo e a paz.
Seu sabor é suave e seu preparo é delicado. Sua receita contém mais manteiga e ovos, e pode receber cobertura de glacê, amêndoas ou ainda chocolate aromatizado, apresentando decorações requintadas.
A forma de pomba era utilizada muito frequentemente nos antigos sacrários onde se reservava a Eucaristia. O símbolo eucarístico se converteu logo no pão/bolo doce que costuma ser compartilhado, em alguns países europeus - especialmente na Itália, no café da manhã de Páscoa e da "Pasquetta", a segunda-feira de Páscoa – e de lá se espalhou pelo mundo.


De acordo com a Bíblia Sagrada, foi uma pomba com um ramo de oliveira no bico, que voltou para Noé após o dilúvio, para testemunhar a reconciliação entre Deus e o seu povo. Um sinal forte tão intimamente ligado ao significado que a Páscoa tem dentro da cultura dos países cristãos.
A primeira versão para a origem da Coloma Pascal tem com protagonistas doze meninas, um rei cruel, um velho sábio e desconhecido e um cavalo teimoso. E, claro, muita tenacidade e a consciência de trabalhar para o bem!

Nos tempos medievais, quando as invasões bárbaras e, especificamente, as lideradas pelo Rei Alboino vieram para a Itália com seus soldados para conquistar a cidade de Pavia, a conquista foi dura e acabou sendo muito longa.

Rei Alboino - Tela o assassinado do Rei dos Lombardos
Alboino, rei dos lombardos, baixou na Itália com suas hordas bárbaras atacando a cidade de Pavia, que na época se chamava Ticinum, mas não teve sucesso imediato na intenção de conquistá-lo pela resistência corajosa dos seus cidadãos. Por isso, ele a cercou na esperança de que a cidade se rendesse de fome. Após três anos de cerco, Pavia foi forçada a capitular.
No sábado sagrado do ano do Senhor, 572 d.C., Alboino entrou na cidade pela Porta San Giovanni, mas seu cavalo caiu de repente no chão e as esporas e o chicote do soberano não tinham valor. O povo de Pavia petrificou testemunhou a cena, temendo um aperto ainda maior do rei bárbaro, que jurara matar o povo culpado por se opor a ele com uma resistência tão longa e tenaz.
De repente, um velho todo enfarinhado, por estar preparando pães, pegou um pedaço de pão recém-assado nas mãos atravessou a multidão. O homem se aproximou do animal e entregou-lhe o pão. O animal levantou-se sem esforço e começou a comer feliz e calmamente com o que o velho lhe havia oferecido.
O velho então se virou para o rei, avisando-o de que, se perseverasse com a intenção de exterminar a população, o cavalo cairia novamente no chão e poderia não se levantar novamente. Depois dessas palavras, o homem desapareceu na multidão. Alboino, atingido, desistiu do massacre e Pavia foi salva.

Acontece que, na noite anterior aos rompimentos dos portões de Paiva, esse mesmo velho, um padeiro chamado Luiggi, sonhou que Alboino invadia sua cidade gerando muito sangue pelas ruas. Preocupado com o sonho, ao amanhecer, Luiggi fez a seguinte oração: - Divino Espírito Santo, me dê uma luz, para que esta desgraça não aconteça! E, de repente, uma pomba pousou na sua janela e disse: - Faça um doce em forma de pomba e ofereça (a quem seu coração mandar. Você saberá). Luggi obedeceu a esta visão. Desta maneira, no domingo de Páscoa, o padeiro preparou o quitute e para ser oferecido no episódio. E, sabe-se que o rei estava tomado por um forte desejo de vingança, estava decido por queimar a cidade inteira e exterminar os cidadãos. Mas primeiro ele decidiu aceitar os presentes que as pessoas lhe davam para poupar suas vidas. E isto lhe seria o seu “cavalo de Tróia”.

No dia seguinte, foi celebrada a Páscoa: o governante lombardo com seu séquito estava em frente à basílica de San Michele para receber a homenagem dos cidadãos mais influentes e, acima de tudo, conhecer os reféns que lhe seriam dados como garantia de lealdade. Entre os reféns, havia também doze jovens que iriam morar em sua corte.

Eis que, de repente, o velho padeiro do dia anterior voltou e dirigiu estas palavras ao rei: "Ofereço minha homenagem pessoal para este dia de Páscoa: é um símbolo de paz". E, enquanto falava, entregou ao cavalheiro bárbaro um bolo em forma de pomba. O padeiro vendo que o rei gostou do bolo, pediu que ele prometesse poupar os habitantes daquela cidade em honra das colombas - símbolo do espírito santo. O rei se deliciando, levou aquilo na brincadeira e prometeu o que o padeiro queria: Alboino aceitou a oferta de paz e prometeu respeitar para sempre as pombas que eram seus mensageiros. O velho agradeceu e desapareceu novamente.


Cidade de Pavia - Itália
Pouco tempo depois, o rei se aproximou das doze meninas de rara beleza que, tradicionalmente, teriam de entreter as noites do soberano, e começou a questioná-las para saber seu nome. A primeira respondeu dizendo eu seu nome era "Colomba"! E o mesmo acontece com todos as outras onze moças!
O rei prometeu publicamente que a igreja respeitaria o pacto de paz no cemitério da igreja e se viu obrigado, apesar de si mesmo, a libertar todas as moças que pudessem voltar para suas famílias. Esse estratagema salvou a dignidade das nobres meninas Pavese e a honra da cidade: a partir daquele dia em Pavia, no aniversário da Páscoa, um bolo em forma de pomba seria servido em todas as mesas.

E da Lombardia, especialmente de Pavia, esse doce costume se espalhou por toda parte. Era como se as pombas de Ticinum miraculosamente levassem a "voar" sobre as margens daquele rio esplêndido e calmo. E o "voo" delas continua hoje para o prazer de todos.



Mas existe uma segunda versão para a origem das Colombas pascais: a outra lenda, não menos famosa para origem desse pão/bolo, trata do ocorrido na Batalha de Legnano, em 1176, que foi vencida pela Liga do Comuns da Lombardia contra Frederico Barba-Roxa, imperador da Alemanha.
Diz a lenda que a conquista da batalha foi celebrada com estes bolos na forma de pombas. E que a ideia deste formato se deu pelo fato de que algumas aves desta espécie atingiram com cocô a cabeça de alguns dos vencedores enquanto eles descansavam antes da batalha, e a interpretação disso foi que eles seriam vitoriosos. Reza a lenda que a pessoa que comer a Colomba Pascal, no domingo de Páscoa, terá paz o ano inteiro.

A moderna indústria de confeitaria agora produz colombas de todos os tipos e para todos os gostos; os ritmos frenéticos da vida cotidiana permitem pouco espaço para a preparação caseira desta sobremesa, mas por que não tentar? 


Deixo duas receitas, incluindo uma versão para colomba salgada, feita com bacalhau, que é uma loucuraaaaaaaaaaaaa.

COLOMBA PASCAL

Massa
500g de farinha de trigo
100g de manteiga
100g de açúcar
5 gemas
40g de mel
1 colher de café de sal
40g de leite em pó
20g de fermento biológico
½ copo de água gelada
Essência de panetone ou de laranja
Recheio
130g de uvas-passas
180g de frutas cristalizadas
Cobertura
5 claras de ovos
250g de farinha de castanha de caju
200g de açúcar de confeiteiro

Preparo: Coloque o fermento em um pequeno recipiente e esfarele com as mãos. Adicione ao fermente duas colheres de farinha, quatro colheres de água e misture. Reserve essa pequena massa por 20 minutos, até que ela cresça. É essa massa que vai fazer com que a colomba fique macia e cresça. Na foto, confira a massa antes e depois de crescer. Em uma superfície de pedra ou bacia, junte a farinha de trigo, a massa de fermento (chamada de esponjinha, pelo aspecto de esponja), margarina, açúcar, sal, ovos, leite em pó e mel. Pessoas que já têm habilidade com o preparo de pães podem optar por fazer a colomba com as mãos. Ainda assim, a recomendação é usar uma batedeira, de preferência planetária. Bata a massa e vá acrescentando, enquanto bate, lentamente, a água. Cuidado para não colocar muita água e perder o ponto da massa. Neste momento, também devem ser acrescentadas duas colheres de sopa de essência de panetone ou de laranja. Quem está preparando a massa com as mãos, pode fazer a mistura dentro de uma bacia. Não se esqueça de sovar a massa por cerca de 20 minutos. A massa deve ser batida, com o acréscimo de pequenas quantidades de água, até chegar ao ponto de véu, ou seja, até que possa ser esticada, sem se romper, mas com aspecto de transparência. Ao chegar ao ponto da massa, acrescente as uvas-passas e as frutas cristalizadas e apenas mexa a mistura. Use óleo para desgrudar a massa da batedeira e coloque-a sobre uma superfície de pedra. Em uma superfície de pedra, boleie a massa e divida-a em partes, de acordo com o tamanho de colombas que pretende fazer. Separe formas de papel para colocar a massa. A massa designada para cada colomba deve ser cortada ao meio, e uma das metades deve ser dividida mais uma vez. Das três partes, uma maior e duas menores, sairá o formato de pomba. Já na forma, deixa a massa descansar de 30 a 50 minutos, para crescer. Lembre-se que no calor a massa cresce mais rápido. Enquanto a massa cresce, prepare a cobertura. Coloque em um recipiente a farinha de caju e metade do açúcar de confeiteiro. Em seguida, acrescente as claras, e misture. Coloque a cobertura sobre as colombas. Antes de levá-las ao forno, jogue castanha de caju ou nozes, e peneire a outra metade do açúcar de confeiteiro sobre a colomba. Leva a massa ao forno pré-aquecido, aos 180ºC, por 30 minutos.

COLOMBA TRUFADA

300 g de Cobertura de Chocolate Meio Amargo  picada
1 lata de creme de leite (300 g)
1 xícara (chá) de nozes picadas (150 g)
1 colomba pascal (com cerca de 750 g)
50 g de Cobertura de Chocolate Branco picada

Derreta a cobertura de chocolate meio amargo com o creme de leite no microondas em potência média por 2 minutos, mexendo na metade do tempo. Misture ½ xícara (chá) de nozes e reserve.  Retire a fôrma de papel da colomba e corte esta em três camadas. Coloque a base da colomba (primeira camada) na travessa em que será servida e cubra com 1/3 da ganache. Repita esse processo mais uma vez e finalize com a última camada de colomba. Espalhe a ganache restante nas laterais da colomba, formando uma fina camada e coloque por cima as nozes restantes. Leve à geladeira por 30 minutos a fim de que o recheio fique levemente firme. Derreta e tempere a cobertura de chocolate branco. Coloque em um cone de papel manteiga e faça riscos sobre a superfície da colomba. Deixe em geladeira até o momento de servir.

COLOMBA DE BACALHAU

1 copo iogurte natural
2 colheres (sopa) azeite
1 xícara (chá) vinho tinto seco
1 xícara (chá) água
1 colher (sopa) açúcar
1 colher (café) sal
2 envelopes fermento biológico seco instantâneo (22g)
½ kg farinha de trigo
FAROFA
2 colheres (sopa) farinha de trigo
2 colheres (sopa) farinha de rosca
2 colheres (sopa) parmesão ralado
50g manteiga gelada em cubinhos
RECHEIO
3 colheres (sopa) azeite
½ kg bacalhau em lascas demolhado
1 xícara (chá) azeitonas pretas sem caroço
1 xícara (chá) tomate seco picado
Comece pelo recheio: aqueça o azeite e doure o bacalhau. Desligue a panela, acrescente o restante dos ingredientes do recheio, misture e deixe na panela até esfriar. Para a massa coloque em uma vasilha o iogurte, o azeite, o vinho, a água, o açúcar, o sal, o fermento e misture. Acrescente, aos poucos, a farinha com um garfo até que não consiga mais. Então utilize as mãos e sove a massa até que acabe a farinha e esteja uma massa homogênea e lisa. Deixe descansar por 20 minutos coberta com um pano. Enquanto isso faça a farofa: coloque todos os em uma vasilha, misture bem com as mãos e reserve. Abra a massa com as mãos, coloque o recheio por cima, feche a massa e misture muito bem, de tal modo que o recheio se espalhe por toda a massa. Divida em duas, coloque cada uma nas formas descartáveis de colomba e polvilhe a farofa sobre elas. Deixe fermentar por mais 30 minutos e leve ao forno quente (200º) por aproximadamente 50 minutos ou até que esteja bem dourada. Tire do forno, fatie e sirva quente ou fria.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Os Pães de Coco Cearense e a Chag HaMatzot (Festa dos Pães Ázimos)

Aqui no  Ceará a Semana Santa tem uma peculiaridade: o Pão de Coco
Misturando religiosidade com um sabor típico do Nordeste, o pão de coco é quase que comparável, em vendas, aos ovos de chocolates. Dizem alguns, que ele tem o significado da repartição, da divisão que os cristãos devem cultivar dentro de cada um e relembrar a Santa Ceia do Cristo.

Mas será realmente este o significado? Talvez haja mais coisa nesta significância de pães na páscoa. E é sobre isso que hoje esta confraria irá tratar.
Na tentativa de achar alguma fundamentação teórica local para a presença do pão de coco nas mesas cearenses, no período da semana santa, percorri muita bibliografia e não achei nada concreto nem decisivo que me permitisse citar uma possível data que serviria de marco para o início desta tradição cearense.
O fato é que ela existe. Mas não se sabe quem, nem quando ou como, ela surgiu nestas terras alencarinas.
Contudo, é bem provável que a religiosidade do povo cearense deva ter buscado em antigos textos  bíblicos a inspiração para a tradição de comer e doar o pão de coco no período pascal.
Sabe-se que antes do Cristo já existia uma data comemorativa antiga que se chamava Chag HaMatzot (Festa dos Ázimos, ou dos  Pães Sem Fermento), e que ela vinha anexada á páscoa daquela época, como veremos a seguir.


A Páscoa é uma festa antiga, surgida no século 12 a.C Sendo originalmente uma celebração judaica onde se comemora, até hoje, a fuga da escravidão do Egito liderada por Moisés. Tornou-se uma celebração também cristã (com sentido diferente: o da ressurreição do Cristo) por conta de um pequeno detalhe: Jesus era judeu e como tal respeitava suas tradições (nem todas, é verdade).
E foi justamente na páscoa, quando Jesus estava à mesa com os apóstolos, repartindo o pão ázimo (sem fermento) que de acordo com a simbologia judaica, Ele introduziu um sentido único para os cristãos: ao repartir o pão e beber o vinho, Ele pediu que lembrassem d’Ele, especialmente dos seus ensinamentos.
"Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo. Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim, de modo algum terá fome, e quem crê em mim jamais terá sede." (João 6:32-35)
Foi aí também que Jesus disse para Judas:

"Cara, é hora de você mostrar serviço; Tá no tempo de você  fazer aquilo lá que  você já sabe o que é. Mas liga não, que só vão descobrir isso daqui a 1.940 anos”.

Tendo dito essas coisas, disse Jesus aos seus discípulos: -- Como vocês sabem, estamos a dois dias da Páscoa, e o Filho do homem será entregue para ser crucificado.
No primeiro dia da festa dos pães sem fermento, os discípulos dirigiram-se a Jesus e lhe perguntaram: "Onde queres que preparemos a refeição da Páscoa?"(Mateus 26.1-2, 17)
A pergunta dos discípulos ("Onde queres que preparemos a refeição da Páscoa?" – verso 17) mostra como eram comemoradas as festas judaicas anuais Chag HaMatzot (Festa dos Ázimos, ou dos  Pães Sem Fermento) e da Páscoa. Ambas são celebradas integradamente, embora nem sempre tenha sido assim.
Em certo sentido, a Festa dos Pães Ázimos passou a fazer parte da Festa da Páscoa, mesmo porque seus simbolismos são muito próximos. Ela surge como uma celebração para recordar a saída do povo hebreu do Egito em direção a Canaã. E citações sobre este tema são encontrados por toda  a bíblia; Levítico 23.6-8; Números 9.1-2; Números 28.16-25; Deuteronômio 16.1-8; Êxodo 12.31-32, 50-52; Números 9.4-5, 33.3; Hebreus 11.28; Josué 5 .10-11; 2Crônicas 30.1-27; 2Reis 23.21-22; 2Crônicas 35.1-18; Esdras 6.19-22.

Estas leituras (longas e necessárias) nos mostram claramente o lugar que a Páscoa ocupava na vida religiosa dos hebreus. Pelo que lemos no Antigo Testamento, ficamos sabendo que, junto com as Festas dos Tabernáculos (Cabanas) e do Pentecoste, a Páscoa com a Festa dos Pães Ázimos  era uma das três principais datas festivas dos hebreus.
É para ser celebrada no dia 15 do mês Nisan ou Abib (dia da lua cheia), o primeiro do calendário hebraico. Era compulsório para todo judeu que a morasse a 25km da cidade visitasse Jerusalém. Ao tempo de Jesus, entre 100 mil e 250 mil peregrinos, próximos e distantes, agrupados, se achegavam à cidade, onde se hospedavam sobretudo na casa de parentes ou acampavam nas colinas ao redor.
Não surpreende, portanto, que Jesus tenha participado de várias delas. Durante sua infância, sua família o levava à festa. Numa delas, estava com 12 anos (Lucas 2.41). Em outra, estava no início do seu ministério (João 2.13). Deve ter participado de outra (João 6.4), antes da última.
No tempo de Jesus, a festa dos pães ázimos era parte inseparável da Páscoa , e se iniciava com uma refeição a partir do pôr - do- sol da quinta-feira (já considerada sexta-feira no modo hebreu de marcar o dia).  Era uma festa familiar, em que não podiam faltar os seguintes ingredientes:


·         Ervas amargas (Maror) – para lembrar a amargura do deserto;
·         Ovo (Betsah) – que representa o sacrifício e o renascer de Israel
·         Salsa (Karpas)  - representando a fartura da Terra Prometida;
·         Uma mistura de nozes, vinho, canela, maçã ou tâmaras (Charosset) – representava o barro com o qual os israelitas faziam os tijolos no tempo da escravidão no Egito;
·         Água salgada  - não só representando o mar mas também para molhar o Maror ;
·         E um osso de cordeiro (Zeroah) – que representa o cordeiro sacrificado, cujo sangue foi colocado na soleira da porta, para que o anjo da morte não entre naquela casa, quando passar para matar os primogênitos do Egito;
·         Vinho para lembrar as promessas de Deus (Êxodo 6.6-8).

Tudo isso, foi seguido por Jesus e seus discípulos e já era uma prescrição de muitos séculos anteriores a eles.
A Páscoa era uma cerimônia do Templo, mas também das famílias. Possivelmente, os discípulos prepararam a refeição pascal com estes ingredientes. Pode ter havido algumas diferenças entre este cerimonial e o de Jesus. Pois as narrativas daquela noite não detalham a ingestão de cada um deles, que parece pressuposta, mas estão narrados os momentos da partilha e consagração do pão e do vinho, possivelmente pela relação com a Ceia em memória de Jesus Cristo.
Ao participarmos da celebração da Ceia de Jesus, precisamos ter em mente que, se a Páscoa hebraica é a recordação da travessia do povo do medo para a liberdade, do deserto para a terra fértil, a Páscoa cristã (com seus três elementos: paixão, morte e ressurreição) também recorda a nossa travessia da escravidão ao pecado à liberdade na graça, da insegurança no deserto para a segurança no colo de Deus. A Páscoa judaica é o poder de Deus em ação para libertar um povo. A Páscoa cristã é o poder de Deus em ação para libertar todos os que crêem em Jesus como o Messias que veio para salvar.


O Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, tendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Por semelhante modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha. (1 Coríntios 11.23-26)

Diante deste cenário, não seria difícil de entender como a tradição do  pão do coco cearense pode ser fundamentada na religiosidade local, onde a maioria católica faz suas reverencias a ressurreição do Cristo. O que poderia ter feito a tradição continuar viva ao longo dos anos.
 O fato é que uma tradição antiga chegou ao ocidente e nestas terras cearenses se modificou, juntou ingredientes locais que a partir de uma receita antiga  se transformou em um ícone de confraternização.
O pão de coco cearense merece mais estudos e eu mesmo devo estar continuando minhas pesquisas sobre o tema.

Matzáh de Frigideira

Adicionar legenda
 1 xícara de farinha de trigo
1/2 colher de chá de sal
Água morna

Numa tigela misture a farinha e o sal, adicione a água aos poucos, até obter uma massa elástica que desgrude das mãos. Deixe descansar por 15 minutos
Separe a massa em 4 bolinhas. Espalhe a massa com ajuda de um rolo até a espessura de um papel (polvilhe bastante farinha para a massa ficar sequinha)
Disponha a massa numa frigideira antiaderente, em fogo médio. Deixe dourar de um lado, vire e deixe dourar o outro. Recheie a gosto

Pão Ázimo 

500g de farinha de trigo
Água na temperatura ambiente
1 colher de sopa de açúcar
1 colher de sopa rasa de sal
1 xícara pequena de azeite ou óleo

Misture a farinha com todos os ingredientes. Ponha a água aos poucos e sove até obter uma massa homogênea. Coloque a massa num saco plástico e deixe-a descansar durante 15 minutos.  Retire pequenas porções da massa e estique com um rolo até que ela fique bem fininha, quase transparente. Mantenha a massa restante fechada no saco plástico para não ressecar. Pegue a massa esticada com a almofada que acompanha a forma e, segurando as laterais, estique novamente a massa para que ela fique arredondada. Ainda com a ajuda da almofada, coloque a massa na chapa aquecida. Com um garfo, faça bastante furinhos na massa para que não faça bolha. Use fogo baixo. Vire a massa várias vezes até que ela atinja o ponto desejado. O Pão Ázimo somente gruda na chapa se ela estiver muito quente. Deixe as beiras do pão tão fina quanto o restante da massa para que o pão não encolha e saia com um bom diâmetro. Em pouco tempo você domina e consegue tirar pães de ótima aparência.

Pão de Coco

1 kg de farinha de trigo
1 copo (americano) de óleo
2 ovos
1 xícara de açúcar
1/2 colher (sopa) de sal
3 copos (americanos) de leite morno
50 g de fermento biológico
200 g de coco ralado


Preparo: Dissolva o fermento com o açúcar e deixe descansar por 5 minutos, em seguida acrescente os ovos, e os ingredientes líquidos, junte os ingredientes secos e misture bem até desgrudar das mãos – acrescente mais farinha se necessário. Sove bem a massa para que ela fique lisinha e deixe descansar até dobrar de volume, umas 2-3 horas, amasse novamente, modele o formato do pão como desejar e deixe descansar por mais uma hora.  Assar até ficar dourado. 


domingo, 3 de abril de 2011

A deusa Eostre (Ostara): A causadora da tradição dos ovos de páscoa

Engraçado como as pessoas não conhecem direito as próprias tradições... E é mais engraçado ver como elas são mecanizadas nas datas comemorativas; fazendo coisas que dizem ser "das tradições", mas que nem sabem porque estão fazendo aquilo. E quando questionadas sobre o porquê das coisas que fazem, não conseguem explicar. Por este motivo, hoje resolvi esclarecer um pequeno detalhe, de grande importância, para o período que se aproxima: a Páscoa.
Não irei tratar aqui sobre a real origem da Páscoa. Pois a maioria das pessoas sabem que esta data, para os cristãos católicos ocidentais, trata-se da celebração pela ressurreição de Jesus Cristo. Com uma rica exibição de símbolos, serviços, música e outros rituais, o tempo pascal é considerado um dos mais importantes momentos do ano para a Igreja Católica – o Natal se configura com o primeiro lugar no nível de importância.
Hoje quero falar de como o OVO, um dos símbolos da páscoa, tornou-se ícone e como se deu a ligação dele com os coelhos – outro símbolo pascoal. Porém, para chegarmos aos famosos ovos de páscoa, antes, é preciso entender como o coelho entrou  nesta tradição, presenteando pessoas com ovos.


O COELHO

Entre os símbolos da Páscoa, o coelho é um dos mais conhecidos por todos, pois a Páscoa é uma festa que cai na primavera nos países de origem do hemisfério norte. E, desde os tempos mais antigos, lebres e coelhos serviram como símbolos da nova vida abundante na época da primavera devido a seus frequentes nascimentos múltiplos.
Sendo uma festa celebrada no primeiro domingo que ocorre após a primeira lua cheia (ou após o equinócio vernal), é associada à Lua e ao hábito noturno das lebres. No entanto, há várias explicações para essa associação entre a lebre, o coelho e a lua.
Uma das associações famosas é a de que a lebre é noturna, e uma parenta do coelho. A lebre era símbolo das aberturas de ciclos pelos egípcios, estando assim relacionada com a renovação e o renascimento, abrindo um novo ciclo.

Lebre

A lebre passou a ser representada pelo coelho, que popularmente se tornou um símbolo para a periodicidade. Pois a lebre, por ser selvagem, não tinha tanto contato no plano humano como tem o coelho.
O Coelhinho da Páscoa é, na verdade, uma lebre, animal também associada à deusa “Eostre”. O símbolo da deusa anglo-saxã da Primavera “Eostre”, era uma lebre. E ela foi adorada como símbolo na terra representando a deusa fértil na lua cheia e em comemoração a sua gravidez e o nascimento de sua prole. Eostre era representada por uma lebre e o ovo. Ambos, hoje, são símbolos do renascimento.
As religiões que tinham como base a crença na Grande Deusa reinaram até que as religiões abraâmicas (Islamismo, Cristianismo, Judaísmo) a suplantassem. Com a expansão do Cristianismo, a religião da Grande Mãe, pagã – que no sentido original da palavra refere-se a religião praticada nos campos; foi sendo destruída.
Durante a Idade Média , a Igreja Católica passou a considerar os rituais praticados na Antiga Religião como bruxaria, coisa do demônio, na tentativa de impor a crença num único Deus, poderoso, masculino e que punia e castigava aqueles que não obedeciam seus ritos e ensinamentos. A Igreja utilizou-se de guerra psicológica, torturas e campanhas militares para alcançar seus objetivos. Criou a Inquisição para perseguir e punir todos aqueles que não professassem a fé católica.


Muitas das crenças do paganismo foram incorporadas aos rituais cristãos, fossem por tentativas de manter vivos os antigos cultos pagãos, sem correr o risco de acabar na fogueira ou pela inteligência dos padres e sacerdotes que buscavam manter o rebanho dentro dos templos utilizando padrões e rituais com os quais as populações já estavam acostumadas, e sem contar que muitas igrejas ocupavam áreas que anteriormente eram templos pagãos.
Assim a Igreja, na sua busca de conquistar mais fiéis, uniu símbolos das religiões antigas ás suas crenças e a lebre da páscoa se tornou o coelhinho que nos traz ovos, até hoje. Mas, são raros aqueles que conhecem o significado advindo da religião antiga (que você, caro leitor, irá conhecer nas próximas linhas).

O OVO DE PÁSCOA


O ovo é considerado a mais perfeita embalagem natural. Em diversas culturas também simboliza o começo do universo.  O significado da palavra ovo está relacionado à origem, o princípio de tudo, e pode ser feita uma associação com a própria Páscoa, o ovo representa nascimento e vida.
Presentear pessoas com ovos é um costume de épocas remotas. Na Roma antiga, nas festas de primavera, as mulheres casadas vestiam-se de branco e carregavam o ovo que era dedicado aos seres protetores da agricultura.
Os hebreus na Páscoa comiam ovos cozidos. Os celtas ofereciam ovos pintados de vermelho, simbolizando o sangue derramado por Cristo. Chineses, há tempos atrás, distribuíam ovos coloridos entre amigos durante a primavera representando revigorar a vida.


Os pagãos (especialmente ucranianos) tinham o costume da “arte de decorar ovos”, chamado de “pisanka” (da imagem), que depois seria atribuído pelos cristãos de outra forma. Têm-se notícias que em alguns países os noivos davam um ao outro um ovo pintado simbolizando a perpetuação do amor. É no século XVIII que os cristãos acatam a ideia de pintar ovos nas cores da primavera. A própria Igreja Católica “doava” aos fiéis ovos bentos.
Estas culturas tinham o ovo como emblema do universo, a palavra da suprema divindade, o princípio da vida. Mas vários costumes associados à Páscoa não existiam até o século XV.
Acredita-se que os missionários e os cruzados trouxeram para a Europa Ocidental o costume de presentear com ovos. Na época medieval, eram pintados de vermelho para representar o sangue de Cristo. Os cristãos adotaram esta tradição e o ovo passou a ser o símbolo da tumba da qual Jesus ressuscitou.
Ovos de chocolate começaram a aparecer no século XVII. Ovos de plástico recheados de ovos de chocolate ou bombons surgiram na década de 60.


Mas como explicar um coelho trazendo ovos na páscoa, quando ele é um ser mamífero e por tanto, não ovíparo? A explicação desta questão é o principal foco desta postagem. E a resposta para esta indagação segue a seguir.


A maioria das tradições do feriado religioso da Páscoa está contida nos rituais pagãos, o que gerou grande variedade de lendas, ícones, símbolos e costumes, que passaram a fazer parte da celebração.
Séculos antes do nascimento de Cristo as tribos pagãs da Europa adoravam a bela deusa da primavera - EE-ah-tah, (ou, Eostre - Ostara). Festivais para celebrar o nascimento da primavera eram organizados em honra da entidade no final de março, tempo do equinócio de inverno no hemisfério norte.

Eostre
O nome Ostara, como também a Deusa é chamada, tem origem anglo-saxã provinda do advérbio ostar que expressa algo como “Sol nascente” ou “Sol que se eleva”. Muitos lugares na Alemanha foram consagrados a ela, como Austerkopp (um rio em Waldeck), Osterstube (uma caverna) e Astenburg.
Eostre/Ostara estava relacionada à aurora e posteriormente associada à luz crescente da Primavera, momento em que trazia alegria e bênçãos a Terra. Por ser uma Deusa um tanto obscura, muito do que se sabia sobre ela foi se perdido através dos tempos, e descrições, mitos e informaçõe sobre ela são escassos.
Seu nome e funções ainda têm relação com a Deusa grega Eos, Deusa do Amanhecer na mitologia grega. Alguns historiadores dizem que ela é meramente uma das várias formas de Frigg *deusa indo-européia – esposa de Odin), ou que seu nome seria um epíteto para representar Frigg em seu aspecto jovem e primaveril. Outros pesquisadores a associam à Astarte (Deusa Fenícia) e Ishtar (deusa Babilônica), devido às similaridades em seus respectivos festivais da Primavera.

Celebração de Ostara
A lenda abaixo explica como os “coelhos da páscoa puseram ovos”:

Diz a lenda que Eostre tinha uma especial afeição por crianças. Onde quer que ela fosse, elas a seguiam e a Deusa adorava cantar e entretê-las com sua magia. 
Um dia, Eostre estava sentada em um jardim com suas tão amadas crianças, quando um amável pássaro voou sobre elas e pousou na mão da Deusa. Ao dizer algumas palavras mágicas, o pássaro se transformou no animal favorito de Eostre, uma lebre. Isto maravilhou as crianças.

Com o passar dos meses, elas repararam que a lebre não estava feliz com a transformação, porque não mais podia cantar nem voar. As crianças pediram a Eostre que revertesse o encantamento. Ela tentou de todas as formas, mas não conseguiu desfazer o encanto. A magia já estava feita e nada poderia revertê-la.
Eostre decidiu esperar até que o inverno passasse, pois nesta época seu poder diminuía. Quem sabe quando a Primavera retornasse e ela fosse de novo restituída de seus poderes plenamente pudesse ao menos dar alguns momentos de alegria à lebre, transformando-a novamente em pássaro, nem que fosse por alguns momentos. A lebre assim permaneceu até que então a Primavera chegou.
 Nessa época os poderes de Eostre estavam em seu apogeu e ela pôde transformar a lebre em um pássaro novamente, durante algum tempo.


Agradecido, o pássaro botou ovos em homenagem a Eostre. Em celebração à sua liberdade e às crianças, que tinham pedido a Eostre que lhe concedesse sua forma original, o pássaro, transformado em lebre novamente, pintou os ovos e os distribuiu pelo mundo. Para lembrar às pessoas de seu ato tolo de interferir no livre-arbítrio de alguém, Eostre entalhou a figura de uma lebre na lua que pode ser vista até hoje por nós.
Eostre assumiu vários nomes diferentes como Eostra, Eostrae, Eastre, Estre e Austra. É considerada a Deusa da Fertilidade plena e da luz crescente da Primavera. Seus símbolos são a lebre ou o coelho e os ovos, todos representando a fertilidade e o início de uma nova vida. A lebre é muito conhecida por seu poder gerador e o ovo sempre esteve associado ao começo da vida.
Não são poucos os mitos que nos falam do ovo primordial, que teria sido chocado pela luz do Sol, dando assim vida a tudo o que existe. Eostre também é uma Deusa da Pureza, da Juventude e da Beleza. Era comum na época da Primavera recolher o orvalho para banhar-se ritualisticamente. Acreditava-se que orvalho colhido nessa época estava impregnado com as energias de purificação e juventude de Eostre, e por isso tinha a virtude de purificar e rejuvenescer.
Filólogos acreditam que a palavra Eostre evoluiu em inglês para Easter e em alemão para Ostern, que significam Páscoa. Outros associam a palavra Easter com o nascer do sol no Este.
A Páscoa já era celebrada pelos judeus antes mesmo do nascimento de Jesus, com outro sentido: o de liberdade, após anos de escravidão no Egito.
Para nossa civilização cristã, "Páscoa" tem origem hebraica (Pessach) e significa passagem, pois celebra o renascimento de Jesus Cristo e sua ascensão ao céu, dois dias depois da morte na cruz (sexta-feira santa).


Espero ter esclarecido bem o assunto. Espero que tenham gostado. E para agradecer a Deus pela dádiva da vida, com esta celebração da Páscoa que se aproxima; e lembrar da deusa Eostre através da  sua tradição que continua viva , deixo para vocês uma receita, antiga, que adoro fazer pra sobremesa do almoço de páscoa: os ninhos de páscoa.


Ninhos de Páscoa do Barão de Gourmandise

Ingredientes
Ninhos
260g de manteiga amolecida
100g de açúcar mascavo
2 ovos, separados
1 e meia colher de chá de baunilha
275g de farinha de trigo
175g de nozes picadas
Decoração
Chocolate derretido, branco ou ao leite
Mini ovos de chocolate ou  amendoins confeitados

Pré-aquecer o forno a 180 C. em seguida bater a manteiga o açúcar ate formar um creme. Junte as gemas em seguida misture a baunilha, acrescente a farinha misturando  bem. Bata as claras em neve e espalhe em um prato raso. Fazer a mesma coisa com as nozes picadas. Em seguida fazer bolas de massa coma  a ajuda de uma colher, depois passar as bolas nas claras e em seguida nas nozes. Coloque na assadeira distante 5cm de diferença uma da outra, fazer uma depressão com o polegar em cada bolinha  e assar por 12 a 15 minutos; depois de frios, derreter o chocolate e colocar um pouco em  cada cavidade dos biscoitos para grudar dois ou três ovinho em cada depressão. Deixe esfriar o suficiente para que o chocolate endureça e segure os ovos nos ninhos.