domingo, 4 de outubro de 2015

La Bête Noire – A besta negra


Antes de iniciar a leitura, eu peço que vá até o final desta postagem e dê o play na música, e só então volte para o começo do texto. Isso é fundamental para a experiência que eu quero lhes propor hoje. Se permita. Dê o play na música e volte.

Concentre-se. Inspire. Inspire o máximo de ar que for capaz de inspirar, pois a minha história só vai durar o tempo necessário para você segurar sua respiração. Por isso leia o mais rápido que puder.

A fome me despertou como seu chamado sobrenatural avisando que era o momento de eu resgatar minha força. Cada célula despertara gritando, emitiam um sinal de alerta para o prazer que viria. Lutar contra a fome é algo terrível.

O frio conspirava contra mim, me fazendo tremer. Foi quando senti a rajada fria do vendo cortando a minha pele. Mesmo assim, eu senti o aroma sedutor que vinha não de tão longe, do mesmo modo como eu sentia o cheiro do cedro trazido pelo vento que me açoitava. Naquele momento minhas entranhas se retorciam, faziam um barulho estranho e perfeitamente audível. Eu precisava urgente me alimentar.

Resistindo ao frio e as dores no estomago me pus em pé e, com a ajuda do interruptor, trouxe luz para a escuridão. A luz me doía os olhos. A boca seca expandia o hálito devastador. Os músculos se contraiam com o frio  e dificultava meu caminhar... uma agonia louca percorria cada veia - que emitam sinais de que secariam se eu não arranjasse logo uma vítima para me regozijar.

Um privilégio de poucos é deparar-se com uma fonte de energia sem ter muito trabalho para isso. Mas eu preciso sentir o corpo cheio de adrenalina para não fazer de minhas vítimas apenas mais uma. Por isso, retive meus pensamentos. Concentrei-me e , usando meus poderes, deslizei suavemente pelo caminho com os olhos brilhando. Fui em direção ao ponto exato para o ataque.

Confesso que ter reflexos felinos é uma arte para poucos – além de dar uma elegância ao caminhar, permite que quem possua este dom faça coisas inacreditáveis com o corpo, como dar um salto improvável sobre a vítima, daqueles que não deixa a presa escapar.

Minhas faculdades mentais cheias de artifícios me permitem ser ávido no ataque, e faz minha boca ávida roubar cada nutriente de minhas presas com uma rapidez incalculável, sugando cada fração de vida, de energia, com tanta habilidade que leva a presa em pouco tempo à exaustão.

Meu corpo é meu santuário. Sou soberano neste domínio. Inatingível e intrépido. Dominar todas as minhas habilidades antes era uma aflição. Fui obrigado a lutar contra minha própria integridade, mas no fim o essencial era a energia que aprendi a controlar e que me faz dar investidas certeiras, ter a liberdade do voo sem asas, de olhares penetrante como flechas – que rasgam a alma e queimam corações.

Perdi muito tempo divagando aqui. Talvez aí, tenha-se um defeito: eu amo os detalhes. Reavalio a nocividade de minha lâmina, sinto a dor voltar a percorrer meu corpo. A vítima parece atordoada está imóvel. Em uma distância fatal para ambos. 

Sinto uma pressão invadir meu corpo. A loucura se aproxima para me consumir. Não vejo mais nada depois do golpe certeiro, cirúrgico, da lâmina afiada que brilhou até voltar suja para mim.

A visão voltou-me com o aroma inebriante da vitória. Eu não podia mais esperar. Coloquei um pedaço daquilo na boca. Todos os meus sentidos explodiam em alegria enquanto o veneno me corria as veias até o cérebro para entrar na combustão do êxtase. Um sorrisinho maligno surge no canto de minha boca, enquanto eu abocanhava mais uma fatia daquela besta negra...



Olá, amigos. Espero que tenham gostado do conto que escrevi para estrear as postagens de outubro, mês de muitas celebrações, das quais mais gosto do Dia das bruxas. Para tanto resolvi trazer a receita de um bolo particularmente delicioso e de nome bastante apelativo e que cabe bem nesta data: La Bête Noire, a besta negra.



É um bolo sem farinha e que talvez leve esse nome em referência ao chocolate amargo utilizado no preparo que deixa o bolo negro e forte. Não consegui achar as origens desta preparação e por esse motivo resolvi criar um conto, para deixar o mistério no ar. Espero que sejam ousados e se permitam ser acompanhados pela besta negra!


La Bête Noire

Ingredientes para o bolo:
1 xícara de água;
3/4 de xícara de açúcar;
9 colheres de sopa [135g] de manteiga sem sal, em fatias;
510g de chocolate 56% cacau picado;
6 ovos.

Ingredientes para a ganache:
1 xícara de creme de leite fresco;
240g de chocolate 56% cacau picado.

Creme de leite fresco gelado batido em picos macios, frutas ácidas ou sorvete para acompanhar.

Prepare o bolo: Pré-aqueça o forno a 170 graus. Coloque uma chaleira de água para esquentar, para o banho-maria. Unte com manteiga uma fôrma redonda de 23cm de diâmetro e fundo removível. Cubra o fundo interno da fôrma com um disco de papel manteiga de mesmo diâmetro e unte-o também. Envolva a fôrma em 3 folhas de papel alumínio, externamente, uma sobre a outra, para que a água do banho-maria não entre pelo fundo removível. Reserve. Em uma panela pequena coloque a água e o açúcar. Leve ao fogo médio, mexendo apenas para o açúcar se dissolver. Deixe ferver por 5 minutos e retire do fogo. Em uma panela grande, derreta a manteiga em fogo baixo. Adicione o chocolate picado e misture bem até tudo derreter. Apague o fogo e junte a calda de açúcar, misturando até ficar homogêneo. Deixe esfriar. Junte os ovos, um a um, misturando bem com um fouet após cada adição. Passe a mistura para a fôrma preparada. Coloque a fôrma dentro de uma assadeira retangular grande, de laterais altas, e coloque dentro do forno. Complete a assadeira com água quente até metade da altura da fôrma de dentro. Asse por 50 minutos, até que o bolo firme mas o meio ainda se mantenha um pouco mole. Remova a forma do banho-maria e deixe que esfrie completamente.

Prepare a ganache: Coloque o chocolate picado em uma tigela. Aqueça o creme de leite fresco até quase ferver e despeje-o, quente, sobre o chocolate. Deixe descansar por uns minutos, então misture com delicadeza, até que a ganache fique uniforme e brilhante. Espalhe a mistura sobre o bolo frio, ainda na fôrma. Leve à geladeira por 2 horas. Desenforme depois de gelado, antes de servir.

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