Ontem à noite, eu fiquei em
casa.
Pode parecer uma informação
pequena demais para começar uma história sobre Elton John, mas certas noites
começam justamente assim, sem anunciar que pretendem se transformar em memória.
O dia 7 de setembro tinha passado naquele estado peculiar dos feriados: um
movimento amortecido, uma cidade que parece retirar lentamente os próprios
ruídos, como se também precisasse descansar. Só o calor não descansara. O calor
permanecera feroz, grudado à pele, fazendo o ar parecer mais espesso, como se a
própria noite tivesse sido mergulhada em água morna antes de chegar.
Ainda assim, quando
escureceu, tudo ganhou outra qualidade.
Eu sabia que a noite seria
agradável porque Elton John estaria na televisão.
E existe uma diferença
enorme entre assistir a alguém e esperar alguém. Eu não estava simplesmente
esperando um show. Estava esperando uma visita. Uma dessas visitas impossíveis,
porque o visitante atravessaria a tela vindo de décadas diferentes da minha
vida, trazendo consigo versões de mim que eu nem sequer lembrava de ter deixado
pelo caminho.
Elton John havia se
aposentado dos palcos. Depois de uma carreira que já parecia pertencer à
própria história da música, ele encerrara sua despedida com a turnê Farewell
Yellow Brick Road (Adeus, Estrada de Tijolos Amarelos), iniciada em setembro de
2018 e concluída em julho de 2023. Foram 330 shows. Trezentos e trinta noites
em que um homem se despediu do palco repetidamente, como se uma despedida
pudesse ser ensaiada até encontrar sua forma definitiva.
Mas o Brasil ficara de fora.
E isso, para os brasileiros que cresceram ouvindo Elton John, tinha alguma
coisa de abandono. Ele sabia.
Quando seu agente lhe
perguntou o que achava de cantar no Rock in Rio em 2026, Elton respondeu
rapidamente que sim. E foi justamente esse sim que o trouxe de volta. Não um
retorno integral, não uma negação de sua aposentadoria, mas uma exceção. Uma
espécie de último gesto dirigido a um país que permanecera esperando.
Durante o show, ele próprio
explicou a razão. O Brasil era lindo, disse, mas também era um lugar cheio de
pessoas que amavam sua música. E talvez exista algo profundamente humano nessa
justificativa: depois de tantos anos, de tantos aeroportos, hotéis, camarins,
palcos e multidões, ele ainda reconhecia no amor do público uma dívida que
valia a pena pagar. Foi quase uma reparação histórica.
E então o piano começou.
Durante algum tempo, antes de Elton cantar, o instrumento ficou sozinho diante
de nós, acompanhado pela banda. E aquele longo solo inicial de piano não
parecia apenas uma introdução. Parecia uma porta se abrindo. Quando veio Funeral
for a Friend (Funeral para um Amigo), eu já não estava inteiramente naquela
sala.
Uma música pode fazer isso.
Pode deslocar uma pessoa sem que ela precise sair do lugar.
De repente, eu estava de
volta ao final de agosto de 1997.
As notícias chegavam com
aquela violência peculiar das tragédias que primeiro parecem impossíveis,
depois se tornam onipresentes. A princesa Diana tinha “falecido” — e mantenho
as aspas porque, até hoje, a palavra e as circunstâncias continuam alimentando
discussões. Mas certas controvérsias não alteram a experiência fundamental de
uma geração: em 31 de agosto de 1997, o mundo perdeu o rosto mais popular entre
as realezas vigentes. E o funeral foi marcado para 6 de setembro. O mesmo 6 de
setembro que, em 2010, faria nascer esta Confraria.
Gosto dessas coincidências
porque elas parecem pequenas quando acontecem, mas depois adquirem a estranha
autoridade das coisas que só podemos compreender retrospectivamente. Uma data
pode ser apenas uma data durante anos. Depois, sem pedir licença, ela passa a
carregar duas vidas dentro de si.
Naquele 6 de setembro de
1997, a televisão transformou a despedida de Diana em uma experiência doméstica
e planetária ao mesmo tempo. O mundo inteiro parecia caber dentro das salas de
estar. Pessoas que nunca haviam estado diante dela choravam diante de uma tela.
Pessoas discutiam os detalhes de sua morte, outras tentavam compreender o que
tinha acontecido, muitas simplesmente permaneciam em silêncio, consternadas,
como se a perda de alguém que nunca conheceram pudesse produzir uma espécie
legítima de luto.
E, dentro da catedral
inglesa, entre convidados ilustres, flores, silêncio e toda aquela solenidade
que as grandes despedidas possuem, chegou o momento de Elton John se despedir
de sua amiga.
Ele não escolheu
simplesmente cantar uma música. Ele pegou uma música que já carregava a memória
de outra morte, Candle in the Wind (Vela ao Vento), modificou seus versos e
transformou-a em Goodbye England's Rose (Adeus, Rosa da Inglaterra).
Foi como se a mesma melodia
tivesse envelhecido junto com o mundo e, naquela manhã, recebido um novo nome
para poder chorar uma nova mulher.
Eu estava diante da
televisão. E me arrepiei. Lágrimas quentes correram pelo rosto. Não eram
lágrimas abstratas, dessas que pertencem apenas à emoção de uma cerimônia. Eram
lágrimas físicas. Tinham temperatura. Desciam pela pele. Faziam o rosto ficar
úmido enquanto Elton cantava para uma mulher que o mundo inteiro chamava de
princesa e que, para ele, antes de qualquer título, era uma amiga.
Mas aquelas não foram as
primeiras lágrimas que Elton John me arrancou. Muito antes daquela catedral,
antes de Diana, antes de Goodbye England's Rose, existia Simba. Existia O Rei
Leão.
Em 1994, Elton John cantou
para a animação da Disney Can You Feel the Love Tonight (Você Pode Sentir o
Amor Esta Noite), composta com Tim Rice. A música ganhou o Oscar de Melhor
Canção Original em 1995 e, durante muito tempo, ficou gravada na memória de muita
gente como uma das mais bonitas já criadas para uma animação.
Mas existe algo ainda mais
extraordinário nesse episódio: dentro de uma mesma obra, três canções
associadas a Elton John chegaram à disputa do Oscar. Can You Feel the Love
Tonight (Você Pode Sentir o Amor Esta Noite), de Elton John e Tim Rice, venceu;
Circle of Life (O Ciclo da Vida) e Hakuna Matata também foram indicadas.
E Hakuna Matata continuou
vivendo depois do filme. Muita gente ainda canta. Eu também.
Só que meu Elton John
começou antes. Em 1989, eu o ouvia cantar Sacrifice (Sacrifício) naqueles
programas melosos que traduziam letras de músicas internacionais. Eram
programas que ensinavam uma geração a imaginar o que as músicas diziam, muitas
vezes antes mesmo de ela saber compreender o idioma.
E isso me interessa porque
existe uma espécie de magia — e também de perigo — em não entender uma língua.
Quando não compreendemos as palavras, a melodia passa a ocupar o território
inteiro do significado.
A música diz aquilo que
queremos que ela diga. Uma melodia triste pode virar uma declaração de amor.
Uma voz rouca pode parecer uma promessa. Um refrão pode assumir uma felicidade
que a letra jamais pretendeu oferecer. E muito provavelmente era isso que acontecia
com Sacrifice.
Nas rádios do interior, para
uma parte daquele público que não compreendia inglês, a música era tratada como
uma grande canção romântica.
Eu, porém, já entendia um
pouco. E aquilo me intrigava. Porque enquanto as pessoas ouviam romance, eu
ouvia uma história de casamento, tentação, culpa, desgaste e desejo. Diz a
letra assim: “Sacrifício É um gesto humano Quando as coisas dão errado Quando o
cheiro dela permanece E a tentação é forte Dentro dos limites De cada homem
casado Doce engano vem chamando E a negatividade pousa...”
Foi nesse momento que
comecei a compreender uma coisa que faria Elton John se tornar ainda mais
interessante para mim: uma música não precisava confirmar aquilo que sua
melodia sugeria. Ela podia contradizer o próprio encanto. Podia soar como amor
e falar de ruína. Podia acariciar o ouvido enquanto colocava diante de nós uma
verdade desconfortável. E justamente essa fricção entre sentimento e
literalidade que me aproximou dele.
As músicas de Elton John
pareciam possuir portas secretas. Por uma delas entrava o romance. Por outra, a
solidão. Por outra, o medo. Mais adiante apareciam o desejo, a culpa, o
fracasso, a amizade, o sacrifício, a fantasia, a velhice, a exuberância, a perda.
Nada precisava permanecer no lugar em que a primeira escuta o colocava.
Então veio Tiny Dancer
(Pequena Dançarina). E ali Elton John encontrou uma criança. A minha.
Eu ficava horas repetindo a
fita, imaginando uma pequena dançarina girando em sua roupa de balé, tão
pequena que poderia caber na palma da minha mão. Não sei de onde veio aquela
imagem. Talvez nenhuma criança saiba de onde vêm suas imagens mais preciosas.
Elas simplesmente aparecem, e durante algum tempo acreditamos que nasceram da
música quando, na verdade, talvez a música apenas tenha encontrado dentro de
nós um quarto que já estava esperando por ela.
Eu repetia a fita. E a
bailarina girava. Pequena. Leve. Quase impossível.
Depois veio Your Song (Sua
Canção), e o que me atingiu foi outra coisa: a honestidade. Elton não precisava
erguer uma arquitetura sofisticada para falar de amor. Bastavam algumas
palavras quase desajeitadas, uma confissão que parecia escapar antes que o autor
pudesse corrigi-la: “É um pouquinho engraçado esse sentimento aqui dentro Eu
não sou do tipo que consegue disfarçar facilmente Não tenho muito dinheiro,
mas, cara, se eu tivesse Eu compraria uma casa bem grande pra gente morar.”
Eu gostava disso.
Talvez ainda goste porque
existe uma dignidade especial nas pessoas que não tentam parecer maiores do que
são. Ele não tinha dinheiro para comprar a casa. Mas, se tivesse, compraria. E
pronto.
O amor, naquela canção, não
precisava de uma fortuna. Precisava de uma hipótese.
Depois, veio Bennie and the
Jets (Bennie e os Jets), e aí a minha imaginação simplesmente tomou conta de
tudo.
Minha versão preferia era a
que Elton John cantava ao lado de Cher, com aquele piano enorme, marcante, e as
duas vozes ocupando o espaço de uma maneira quase teatral, eu ouvia uma
história sobre uma banda que não existia — e justamente por não existir, podia
ser qualquer coisa.
Bennie era uma mulher. E os
Jets eram uma banda de glam rock futurista. Eu os imaginava vestidos de maneira
extravagante, cobertos de brilho, com uma aparência andrógina, botas prateadas,
uma atitude estranha, quase alienígena. Eles não pareciam pertencer ao mesmo
mundo das pessoas que os assistiam. Pareciam superiores ao público comum, como
se tivessem atravessado alguma fronteira secreta entre o presente e um futuro
extravagante.
Eu tinha uma imaginação
fértil. E aquela música sabia exatamente o que fazer com ela. A canção era de
1973. Eu nasci nos agitados anos 80.
Quando encontrei Bennie and
the Jets, portanto, o futuro imaginado por aquela música já tinha se
transformado em passado. Ainda assim, dentro da minha cabeça, continuava
futurista. O videoclipe só viria oficialmente em 2017, explorando um aspecto
circense dos personagens, mas preciso confessar uma pequena infidelidade ao
videoclipe: a minha versão era muito mais interessante.
Na minha cabeça, Bennie e os
Jets eram maiores, mais estranhos, mais brilhantes. E talvez seja isso que uma
grande música faça. Ela começa pertencendo ao artista e termina pertencendo à
memória de quem a escuta.
Certamente existem outras
canções icônicas de Elton John. Muitas. Mas essas são algumas das que ficaram
presas em mim de uma maneira diferente. São aquelas que eu canto, que eu ouço,
que escuto por acaso e fazem alguma coisa parar dentro de mim enquanto outra
começa: o impulso de cantarolar, de voltar a uma frase, de reencontrar uma
versão antiga de mim mesmo.
Gosto das versões antigas.
Ainda as tenho no player do celular. Não porque sejam necessariamente melhores,
mas porque carregam uma espécie de temperatura que as novas versões não
conseguem reproduzir. O arquivo digital pode ocupar quase nada na memória do
aparelho, mas dentro de nós uma música antiga nunca pesa tão pouco.
E então, ontem à noite,
sentado em casa, eu vi Elton John diante daquele piano. E foi impossível não
perceber o tempo.
Ele estava até discreto.
Terno amarelo-ovo. Camisa azul-caneta. Óculos da mesma cor. Para alguém que
construiu parte de sua imagem pública sobre o excesso, o brilho e a
extravagância, aquela contenção tinha uma beleza particular. Elton parecia
menos interessado em vestir o espetáculo do que em simplesmente habitá-lo. O
homem que tantas vezes transformara roupas, óculos, botas, pedras e cores em
uma espécie de linguagem própria agora parecia mais sereno, mais próximo de uma
pessoa que finalmente conhece o peso de tudo aquilo que já carregou.
Talvez eu tenha reconhecido
alguma coisa nele. Também tenho minhas quedas por roupas que brilham, por
adereços caros, por objetos que parecem pedir para ser vistos. Existe uma
pequena vaidade alegre nisso, uma vontade de não passar pelo mundo completamente
despercebido.
Mas a semelhança que mais me
divertiu foi outra. Os doces.
Elton John e eu temos uma
paixão pelos doces. A diferença é que, no meu caso, eu ainda posso comê-los sem
regras. Ele não.
E, de repente, olhando para
aquele homem diante do piano, pensei que talvez envelhecer seja também aprender
a conviver com as coisas que o corpo já não permite, enquanto a memória
continua oferecendo tudo.
Porque a memória não faz
dieta. Ela não se aposenta. Ela não sabe que uma turnê terminou. Ela
simplesmente toca uma música, abre uma porta e nos devolve, intactos, a uma
sala que já não existe, a uma televisão diante da qual choramos em 1997, a uma
criança que repetia uma fita ou a faixa de um CD para ver uma pequena dançarina
girar, a uma imaginação que inventou uma banda futurista antes mesmo de
conhecer o mundo que a inspirara.
E talvez seja por isso que
Elton John ainda consiga fazer aquilo que os grandes artistas fazem quando o
tempo já passou por seus corpos: ele não nos devolve apenas às suas canções.
Ele nos devolve a nós mesmos.
Quando terminei de pensar
nos doces e naquela pequena coincidência entre Elton John e eu, fiquei com a
impressão de que a comida talvez fosse uma das formas mais bonitas de chegar
até ele.
Não ao Elton dos palcos, nem
ao homem dos óculos extravagantes, dos ternos luminosos, do piano cercado por
milhares de pessoas, mas ao outro, àquele que existia antes de qualquer
multidão saber seu nome. Porque existe uma coisa curiosa na comida: ela consegue
atravessar a celebridade com uma facilidade que nenhuma biografia consegue.
Uma pessoa pode passar a
vida inteira sendo fotografada, entrevistada, observada e transformada em
personagem, mas basta perguntar o que ela comia quando criança para que, de
repente, o personagem recue e apareça alguém muito mais vulnerável, sentado diante
de uma mesa antiga, esperando o almoço.
Foi assim que comecei a
enxergar Elton de outra maneira. Passei a reconhece-lo mais por algumas partes
de entrevista que ele deu por aí...
Antes de ser Sir Elton John,
antes de ser o homem que poderia entrar em qualquer restaurante do mundo e
pedir praticamente qualquer coisa, ele era Reg Dwight, um menino crescendo na
Inglaterra do pós-guerra, dentro de uma realidade em que a comida ainda carregava
a marca da escassez.
Ele cresceu numa council
house, ao lado da mãe e da avó, enquanto o pai estava na Força Aérea, e aquela
casa simples conheceu os anos em que conseguir determinados alimentos não
dependia apenas de dinheiro, mas também daquilo que se encontrava, daquilo que
se podia cultivar e daquilo que se conseguia fazer durar. Bacon era uma coisa
difícil de obter; o suco de laranja podia chegar em uma garrafinha pequena, ser
diluído em água e repartido. A cozinha não era cenário. Era o centro da vida.
E quando Elton fala dessa
infância, o que me impressiona não é a pobreza da descrição, mas a ausência de
ressentimento. Ele não conta aquela história como quem enumera aquilo que lhe
faltou. Ao contrário, existe uma espécie de gratidão silenciosa na maneira como
se lembra da comida feita pela avó.
Ela sabia cozinhar qualquer
coisa e fazer aquilo parecer extraordinário. Os ingredientes eram simples, mas
o resultado nunca parecia pequeno. O que sobrava de uma refeição podia
transformar-se em outra coisa no dia seguinte. Nada precisava terminar quando a
travessa era retirada da mesa. A comida continuava. Mudava de forma. Encontrava
outra maneira de alimentar a família.
Talvez exista algo
profundamente maternal nessa ideia de aproveitar o que restou. Não deixar nada
morrer completamente.
Uma sobra que volta no dia
seguinte com outro nome, outro tempero, outra aparência, como se a cozinha
tivesse aprendido uma pequena lição sobre a própria existência: aquilo que
parece ter terminado ainda pode oferecer alguma coisa.
E então aparece a avó. Ela
surge na memória não como uma personagem secundária da infância de Elton, mas
como uma dessas figuras que acabam ocupando um espaço muito maior dentro de nós
do que percebemos enquanto somos crianças. Era ela quem tinha as mãos capazes
de transformar ingredientes básicos em comida que o menino considerava
maravilhosa. Era ela quem cultivava os vegetais. O jardim fazia parte daquela
economia doméstica porque comprar tudo simplesmente não era uma possibilidade
confortável. E, por isso, aos domingos, antes que o assado chegasse à mesa,
havia trabalho a fazer. Descascar batatas. Preparar os vegetais. E, sobretudo,
descascar as ervilhas.
Consigo imaginar essa cena
com uma nitidez que talvez a memória de Elton nem precise mais produzir.
A manhã de domingo. A
cozinha ocupada pelos pequenos ruídos domésticos. As ervilhas sendo retiradas
das vagens. As mãos trabalhando enquanto o almoço se aproxima. E um menino
observando aquilo sem saber que um dia lembraria daquele gesto com a ternura reservada
às coisas que só se tornam preciosas depois que desaparecem.
Porque uma criança não
pensa: “Estou vivendo uma memória.”
Uma criança simplesmente
vive. É o adulto que volta depois, muitos anos mais tarde, e percebe que aquele
domingo aparentemente insignificante guardava uma espécie de eternidade
doméstica.
Foi isso que me tocou quando
descobri que Elton ainda se lembrava de descascar ervilhas com a avó. Não era
apenas uma lembrança gastronômica. Era uma lembrança de pertencimento. O
domingo tinha sua comida, a comida tinha seu ritual, e o ritual reunia a família.
A mesa não era apenas o lugar onde se comia o assado; era o lugar para onde
todos voltavam. Por isso Elton sempre diz que o almoço de domingo era tão
importante para a família.
Hoje, quando pensamos nele,
é fácil imaginar hotéis, restaurantes, chefs, champanhe, mesas impecavelmente
montadas e pratos que custam mais do que muitas famílias gastariam em uma
semana inteira. Mas a memória gastronômica mais profunda daquele homem começa
muito antes de tudo isso, num jardim, numa cozinha simples, numa família que
precisava economizar e numa avó que fazia comida suficiente para que ninguém
sentisse que estava perdendo alguma coisa.
E ele mesmo diz isso de uma
maneira que considero especialmente bonita: apesar daqueles tempos difíceis,
nunca se lembra de ter passado fome ou de ter sentido que lhe faltava alguma
coisa. Essa frase muda tudo. Porque pobreza e privação não são necessariamente
a mesma coisa que ausência de amor.
Uma casa pode ser pequena e
ainda assim parecer enorme para uma criança que se sente protegida dentro dela.
Uma mesa pode ser simples e ainda assim guardar uma abundância que nenhum
restaurante consegue reproduzir.
Elton deve ter aprendido
isso muito cedo: o luxo de uma refeição não está necessariamente no que se
coloca no prato, mas naquilo que acontece ao redor dele.
E sua mãe também entra nessa
história com uma força que não pode ser esquecida. Ela trabalhava muito, em
diferentes lugares, e ainda assim voltava para casa e preparava o jantar. Era
uma mulher trabalhando duramente para sustentar a família e, ao mesmo tempo,
preservando aquele pequeno ritual de alimentar o filho. Elton cresceu vendo
essa combinação entre trabalho e cuidado, entre cansaço e comida preparada em
casa. Talvez seja por isso que a comida tenha permanecido tão profundamente
associada ao afeto.
Não era apenas alguém
colocando um prato diante dele. Era alguém dizendo, sem precisar dizer: você
voltou para casa, eu pensei em você, você precisa comer. E existe uma linguagem
mais antiga do que qualquer palavra para isso. Alimentar alguém é uma das primeiras
formas de amor que aprendemos a reconhecer.
Antes de sabermos o que
significa carinho, alguém nos alimenta. Antes de compreendermos a palavra
proteção, alguém verifica se estamos com fome. Antes de entendermos o que
significa lar, existe uma cozinha.
Por isso é tão revelador que
Elton, já adulto, já rico, já famoso, ainda tenha como comfort food uma coisa
tão simples. Quando perguntado sobre o que escolheria como comida de conforto,
não respondeu com o risoto extraordinário do Lago de Como, nem com alguma
preparação sofisticada de um restaurante famoso. Respondeu bacon. Um sanduíche
de bacon inglês, em pão integral, com manteiga, bacon bem crocante e com a
gordura retirada.
É quase engraçado pensar
nisso. O homem poderia mandar preparar praticamente qualquer coisa. E quer um
sanduíche. Um sanduíche de bacon.
Existe uma espécie de
verdade escondida nessa simplicidade: o luxo pode impressionar o adulto, mas o
conforto pertence às memórias mais antigas. Aquilo que chamamos de comida de
conforto raramente é aquilo que parece mais sofisticado; é aquilo que consegue
fazer alguma parte de nós baixar a guarda. Uma garfada pode nos devolver uma
casa. Um cheiro pode devolver uma pessoa. Um prato pode fazer uma cozinha
desaparecida reaparecer inteira.
Foi também na infância que
Elton descobriu que comer fora podia ser uma espécie de aventura. A primeira
lembrança de restaurante que guarda é a de um restaurante chinês em Harrow,
quando tinha aproximadamente oito ou nove anos. Naquele tempo, restaurantes
chineses começavam a despertar curiosidade e ainda eram relativamente raros na
região. Para ele, aquilo era uma experiência quase exótica. Vieram os brotos de
feijão, sabores diferentes, uma sensação de descoberta que transformava uma
simples refeição em acontecimento. É bonito imaginar a cena porque existe uma
criança dentro dela que ainda não conhece o mundo.
Para nós, hoje, comida
chinesa pode ser banal. Podemos pedir alguma coisa pelo telefone, pelo
aplicativo, receber uma embalagem na porta e continuar olhando para uma tela
enquanto comemos. Para aquele menino, porém, entrar naquele restaurante
significava atravessar uma fronteira. A comida era diferente, o ambiente era
diferente, a experiência era diferente.
Era o mundo chegando ao
prato. E talvez isso explique uma parte do Elton adulto que ainda viria. Porque
aquele menino que descobriu que uma refeição podia transportar alguém para
outro lugar se tornaria um homem capaz de viajar o mundo inteiro através da
comida. E foi assim que, décadas depois, a simplicidade da infância encontrou o
luxo.
No Lago de Como, na Itália,
durante um jantar na casa de Gianni Versace, Elton encontrou um risoto de
peixe-perca que o impressionou de maneira substancial. O prato, servido no
Villa d’Este, tornou-se uma de suas grandes obsessões gastronômicas. Gianni Versace
também gostava dele. Madonna também. Mas Elton não se contentou em descobrir
que gostava daquela comida. Quis saber por que ela era tão boa.
O risoto era preparado com
arroz carnaroli, peixe-perca e uma combinação delicada de ingredientes,
incluindo manteiga, vinho branco, sálvia e chalotas. O chef Luciano Parolari,
conhecido pela excelência em risotos, estava por trás daquela experiência. Elton
ficou tão encantado que enviou seu próprio cozinheiro para passar quinze dias
aprendendo com Parolari.
E essa imagem me parece
extraordinariamente eltoniana. Porque o garoto que aprendeu com a avó a
descascar ervilhas cresceu e passou a enviar seu chef para aprender os segredos
de um risoto italiano. No fundo, é a mesma criança. A diferença é que agora ela
pode atravessar um continente para descobrir como uma coisa deliciosa foi
feita.
Existe uma continuidade
quase secreta entre essas duas cozinhas. A cozinha da avó e a cozinha do Villa
d’Este parecem mundos impossíveis de aproximar, mas Elton os une pela mesma
curiosidade. O que importa não é apenas comer. É saber como algo chega a ser
tão bom.
Talvez por isso a comida
tenha conseguido permanecer tão poderosa dentro dele mesmo quando o palco
cresceu, a fortuna chegou e a vida adquiriu proporções que aquele menino jamais
poderia imaginar.
Mas a mesma relação com a
comida que podia ser ternura também carregaria uma parte muito mais escura. E é
impossível contar essa história sem atravessá-la. Porque durante anos Elton não
apenas amou comida. Ele sofreu com ela.
Entre os anos 1970 e 1990,
enquanto sua carreira explodia e sua vida pública se tornava cada vez mais
grandiosa, ele também enfrentava bulimia e um ciclo devastador envolvendo
álcool, cocaína e compulsão alimentar. Em 2010, ao falar com Piers Morgan, descreveu
um período em que podia passar dias acordado usando drogas e bebendo, depois
chegar a uma fome extrema, comer compulsivamente — entre outras coisas,
sanduíches de bacon e um pote inteiro de sorvete — e provocar o próprio vômito.
Quando recordava aquilo, dizia sentir vergonha e estremecer diante do que fazia
consigo mesmo.
A imagem é brutal justamente
porque envolve alimentos tão associados ao conforto.
O bacon que hoje aparece
como seu sanduíche favorito. O sorvete que continua sendo uma de suas maiores
tentações. As mesmas coisas que podem representar prazer também foram
incorporadas a um ciclo de compulsão e sofrimento. É como se a comida tivesse
deixado de ser uma porta para casa e se transformado, por algum tempo, numa
porta para fugir de si mesmo.
Em 1990, Elton entrou em
reabilitação em Chicago para tratar álcool, drogas e compulsão alimentar. Desde
então, permaneceu sóbrio. Mas existe uma
diferença terrível entre abandonar uma substância e abandonar a comida.
O álcool pode ser retirado
da vida. A cocaína pode ser retirada da vida. A comida precisa permanecer. É
preciso sentar novamente diante dela. É preciso comer novamente. É preciso
aprender a transformar aquilo que foi fonte de compulsão em uma parte possível
da vida cotidiana.
Essa é uma das razões pelas
quais a história gastronômica de Elton seja tão íntima. Não estamos falando
apenas de alguém que gosta de comer. Estamos falando de alguém que precisou
reconstruir sua relação com o ato de comer. E então chegamos ao presente.
O homem que um dia comeu
para esquecer hoje precisa escolher cuidadosamente o que coloca no prato.
Depois do diagnóstico de
diabetes tipo 2, sua relação com o açúcar tornou-se ainda mais restritiva. Ele
já explicou que pode comer uma maçã, um pouco de melão, desde que mantenha
cuidado com o nível de açúcar no sangue, mas também confessou aquilo que continua
desejando: chocolate e sorvete. Sobretudo sorvete.
É quase cruel. Porque não
existe nada de sofisticado no objeto do desejo. Não é caviar. Não é uma
sobremesa de um restaurante de três estrelas. É sorvete.
O homem que pode sentar à
mesa nos melhores lugares do mundo sente falta de uma coisa que uma criança
poderia pedir numa tarde quente.
Quando lhe perguntaram sobre
uma última refeição, ele levou essa lógica até o extremo. Se pudesse escolher
sem consequências, não queria uma sequência de pratos salgados. Queria aquilo
que não pode mais ter: sorvete, donuts, torta de maçã, crumble de ruibarbo e
outras sobremesas. Também mencionou frango frito, outra das comidas que
considera irresistíveis, especialmente associada ao Sul dos Estados Unidos,
onde, segundo ele, a comida é extraordinária.
É uma última refeição quase
infantil. E talvez por isso seja tão bonita.
Se alguém dissesse a Elton:
você pode escolher qualquer coisa, nada lhe fará mal, não haverá amanhã para se
preocupar, escolha tudo aquilo que seu corpo aprendeu a recusar, ele não
escolheria necessariamente o prato mais raro do planeta.
Escolheria doces. Como se a
liberdade, no fim, tivesse o sabor daquilo que nos foi negado. Mas existe outra
coisa que essa história revela sobre ele e que me parece ainda mais importante
do que suas preferências gastronômicas: Elton presta atenção em como as pessoas
são tratadas à mesa.
Ele já explicou que gosta de
frequentar determinados restaurantes porque gosta da equipe que trabalha neles.
E uma das coisas que mais detesta é ver pessoas de seu próprio meio tratando
garçons com arrogância ou crueldade.
Isso me parece uma qualidade
extraordinariamente reveladora. Porque existe uma espécie de verdade que só
aparece quando alguém trata uma pessoa que não pode lhe oferecer nada em troca.
O modo como alguém fala com um garçom pode dizer mais sobre seu caráter do que
a maneira como conversa com uma celebridade.
Elton sabe disso. Talvez
porque, em algum nível, continue sendo aquele menino que viu a mãe trabalhar
duro, que viu a avó cozinhar com ingredientes simples, que aprendeu que comida
não aparece magicamente sobre a mesa e que por trás de cada prato existe alguém
trabalhando.
E então a comida entra
também na história de amor.
Quando Elton conheceu David
Furnish, o jantar se tornou parte daquela aproximação desde o começo. Depois do
primeiro encontro, Elton ligou para David e o convidou para jantar em casa. A
ideia era pedir comida chinesa para viagem. Só existia um pequeno problema:
Elton ainda não sabia o que David gostava de comer.
Então fez o que alguém com
seu temperamento poderia fazer. Pediu tudo. Quando David chegou, encontrou
quatro caixas enormes de papelão sobre o balcão da cozinha. A mesa estava posta
para duas pessoas. Ele olhou para aquela quantidade absurda de comida e perguntou,
naturalmente, quem mais viria. Ninguém.
Elton simplesmente não sabia
do que David gostava e tinha pedido o cardápio inteiro. É uma das imagens mais
adoráveis que encontrei nessa história. Porque existe uma espécie de
generosidade desajeitada naquele gesto. Elton não conhecia ainda o gosto daquele
homem, então, em vez de escolher por ele, ofereceu tudo.
Escolha você. Experimente.
Veja do que gosta. A mesa está posta.
Talvez o amor também comece
assim, sem que ninguém perceba. Não com uma declaração. Não com uma promessa.
Mas com uma quantidade absurda de comida chinesa esperando sobre a bancada
porque alguém ainda não sabe exatamente como agradar você.
A conversa sobre comida que
Elton teve com Ruth Rogers aconteceu justamente em torno de uma mesa de
madeira, na casa dele e de David, em Berkshire. A entrevista deveria durar meia
hora e acabou se estendendo para cerca de uma hora. A própria equipe de Elton
se surpreendeu com a quantidade de lembranças que apareceu naquela conversa.
Ruth observou aquilo que, de certa forma, explica tudo: a comida tem uma
maneira particular de abrir a porta das memórias. E talvez seja por isso que eu tenha gostado
tanto de descobrir Elton através da comida.
Porque a comida não me
apresenta o homem que o mundo conhece. Ela me apresenta o menino. O menino que
tinha uma avó capaz de transformar ingredientes simples em coisas deliciosas. O
menino que descascava ervilhas aos domingos. O menino que descascava batatas
enquanto a casa se preparava para o almoço. O menino que via a mãe trabalhar e
ainda assim voltar para casa para preparar o jantar. O menino que tomou seu
primeiro copo de suco de laranja diluído sem imaginar que um dia poderia pedir
qualquer coisa a qualquer hora. O menino que entrou num restaurante chinês e
descobriu, maravilhado, que o mundo podia ter sabores diferentes.
E depois, muito mais tarde,
o homem que descobriu o risoto de peixe-perca no Lago de Como e mandou seu chef
aprender a fazê-lo. O homem que, antes do palco, come um pequeno bife com
legumes para não entrar em cena sentindo que vai desmaiar, transformando a
refeição numa espécie de ritual de preparação para a música. O homem que pode
jantar em lugares extraordinários, mas ainda encontra conforto num sanduíche de
bacon. O homem que pode comprar qualquer sobremesa do mundo e precisa se
afastar justamente delas. O homem que enfrentou a comida quando ela deixou de
ser prazer e se tornou sofrimento. O homem que, ainda assim, continua dizendo
que ama sorvete.
Talvez essa seja uma das
contradições mais bonitas de Elton John. Ele passou a vida inteira cercado de
excesso, mas suas lembranças mais profundas parecem nascer do simples.
Ervilhas, batatas, pão, um
pedaço de bacon, uma torta de maçã. Uma mesa. Uma avó. Uma mãe. Um homem
chegando para jantar. Quatro caixas de comida chinesa. Um piano esperando no
palco.
E talvez a mesa seja,
afinal, uma espécie de piano doméstico: também possui ritmo, também reúne
pessoas, também cria silêncio, também desperta memórias, também pode contar uma
vida inteira sem precisar dizer uma palavra.
Quando Elton fala de comida,
eu não escuto apenas o que ele gosta de comer. Escuto de onde ele veio. Escuto
a casa simples. Escuto a Inglaterra depois da guerra. Escuto a avó mexendo nas
panelas. Escuto as ervilhas caindo de uma vagem. Escuto uma mãe chegando do
trabalho e preparando o jantar. Escuto uma criança descobrindo um restaurante
chinês como quem descobre um continente.
E, muitos anos depois,
escuto o mesmo menino escondido dentro do homem que pode mandar seu chef para a
Itália aprender o segredo de um risoto, mas que, quando perguntado sobre
conforto, ainda volta para o bacon.
É possível que o mundo tenha
dado a Elton John quase tudo o que uma pessoa pode desejar: dinheiro, fama,
palco, prêmios, palácios, restaurantes, joais, obras de arte, viagens, ... e,
ainda assim, quando a memória decide falar mais alto do que o luxo, ela não o
leva para nenhuma dessas coisas. Leva-o para casa. Para a cozinha. Para a avó.
Para a mesa.
E talvez seja esse o lugar
onde Elton John continua sendo apenas Reg Dwight: um menino diante de um prato,
aprendendo sem saber que, às vezes, a coisa mais sofisticada que uma vida pode
guardar é simplesmente a lembrança de ter sido alimentado por alguém que nos
amava.
E então surge o nome que
torna essa história ainda mais especial: Luciano Parolari, o homem que durante
décadas comandou as cozinhas do Villa d’Este e ganhou entre os amantes do
risoto um título que parece quase uma provocação, mas que sua trajetória justificava
plenamente: o “King of Risotto”, o Rei do Risoto. Parolari não guardou sua
experiência apenas entre as paredes da cozinha; em 2005, publicou Tales of
Risotto, reunindo parte de seu conhecimento sobre um prato que se tornou sua
assinatura e que, ao longo da carreira, chegou às mesas de pessoas como James
Beard, Madonna e Gianni Versace.
É justamente nesse território, entre a tradição do lago, a cozinha de um dos hotéis mais célebres da Itália e as mãos de um chef que transformou risoto em uma espécie de arte pessoal, que Elton John encontrou aquele prato que o fez parar, provar novamente e querer descobrir como se chegava àquele sabor. E quando alguém como Elton John, acostumado a comer nos lugares mais extraordinários do planeta, se apaixona por uma comida a ponto de mandar seu próprio chef aprender seu preparo diretamente com o homem que a criou, já não estamos falando apenas de uma refeição. Estamos falando de uma memória que começou no paladar e se recusou a terminar ali.
Para 4 pessoas
320 g de arroz Carnaroli
450 g de filés de peixe-perca ( Perca
fluviatilis)
1 litro de caldo de vegetais suave,
mantido quente
2 chalotas médias, finamente picadas
100 ml de vinho branco seco
80 g de manteiga
2 colheres de sopa de farinha de trigo
8–10 folhas de sálvia
Sal
pimenta-do-reino ou branca, de
preferência moída na hora
Preparo: Comece pelo peixe. Seque muito bem os filés. Tempere-os delicadamente com sal e passe-os pela farinha, retirando o excesso. Reserve. Agora, repare a base. Em uma panela larga, derreta cerca de 30 g da manteiga em fogo baixo. Junte as chalotas e deixe que amoleçam lentamente, sem adquirir cor. O objetivo é que desapareçam no fundo aromático do risoto. Junte o arroz Carnaroli e mexa durante aproximadamente 1–2 minutos, envolvendo cada grão na manteiga. O arroz precisa aquecer e ganhar aquela pequena resistência inicial antes de receber o líquido. Acrescente o vinho branco seco e mexa até que ele seja absorvido. Não tenha pressa nessa etapa: o vinho deve deixar o arroz perfumado, não permanecer como líquido solto. Deposi, acrescente uma concha de caldo quente e mexa. Quando o arroz absorver boa parte do líquido, acrescente outra. Continue dessa maneira, sempre com o caldo quente e sem abandonar a panela. Em outra frigideira, derreta aproximadamente 25–30 g de manteiga. Coloque os filés enfarinhados e doure-os dos dois lados. A farinha deve criar uma película muito fina e dourada, não uma crosta pesada. Retire e mantenha aquecido. Termine o arroz. Depois de aproximadamente 15–18 minutos, comece a provar o arroz. O Carnaroli precisa permanecer al dente, enquanto o conjunto deve adquirir aquela textura cremosa e fluida característica de um bom risoto. Retire do fogo quando o arroz ainda tiver um pouco de movimento, porque continuará cozinhando com o próprio calor. Na frigideira da perca, ou numa pequena panela, derreta os 20–25 g de manteiga restantes. Acrescente as folhas de sálvia picadas e deixe perfumar por aproximadamente dois minutos. Fora do fogo, incorpore uma pequena quantidade de manteiga fria ao arroz e mexa vigorosamente. Ajuste sal e pimenta. Eu não acrescentaria parmesão: a receita publicada não o inclui, e isso permite que a delicadeza da perca permaneça no centro do prato. Coloque o risoto em um prato largo. Ele deve se espalhar naturalmente quando você movimentar o prato, em vez de permanecer como uma massa compacta. Disponha os filés dourados de perca por cima e regue delicadamente com a manteiga de sálvia.



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