sexta-feira, 24 de junho de 2011

Bolo salgado caipira pra homenagear São João - O batista.

Capelinha de Melão é de São João
É de Cravo é de Rosa é de Manjericão
São João está dormindo
Não acorda não!
Acordai, acordai, acordai João!
Eu me lembro bem das festas de São João no interior... Tempo bom aquele onde eu me acabava nas quadrilhas, os vizinhos faziam fogueiras animadas e cheias de delicias para fazer a festa varar a noite toda.
Cheguei até a participar dos festivais de quadrilhas tão populares por estas bandas do país. Era hilário, aventureiro e muito divertido. Definitivamente não existe festa junina como as do nordeste. E tem mais: são sempre as do dia 24 de junho as mais animadas; não sei explicar o por que isso se dá assim. Vai ver São João é realmente muito popular.
São João além de ter sido o primeiro batista é considerado santo protetor das mulheres grávidas. João, segundo a Bíblia, era primo em segundo grau de Jesus, pois Isabel era prima de Maria. Foi João quem batizou Jesus nas águas do rio Jordão, rio que hoje faz a fronteira entre Israel e a Jordânia e entre esta e a Cisjordânia.
Encontramos a sua história narrada no evangelho de São Lucas, onde ele descreveu que havia, no tempo de Herodes, rei da Judéia, um sacerdote chamado Zacarias, da classe de Abias; a sua mulher pertencia à descendência de Aarão e se chamava Isabel. Eles viviam na aldeia de Ain-Karim e tinham parentesco com a Sagrada Família de Nazaré.

Foram escolhidos por Deus por sua fé inabalável, pureza de coração e o grande amor que dedicavam ao próximo. Isabel, apesar de sua santidade, era estéril: uma vergonha para uma mulher hebréia, que era prestigiada somente através da maternidade. Mas foi por sua esterilidade que ela se tornou uma grande personagem feminina na historia religiosa do Povo de Deus. Juntos, foram os protagonistas dos momentos que antecederam o mais incrível advento da historia da humanidade: a encarnação de Deus entre os seres humanos.
Estavam velhos, com idade avançada, e como não tinham filhos, julgavam essa graça impossível de ser alcançada. Foi quando o anjo do Senhor apareceu ao velho sacerdote Zacarias no templo e disse-lhe que sua mulher, Isabel, teria um filho que teria o nome de João, que significa "o Senhor faz graça". O menino seria repleto do Espírito Santo desde a gestação de sua mãe, reconduziria muitos dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus e seria precursor do Messias.
Zacarias, inicialmente, manteve-se incrédulo ante o anúncio celeste do nascimento de um filho pelo qual havia rezado com tanto ardor; para que pudesse crer, precisou de um sinal: ele ficou mudo até que João veio à luz do mundo. Na ocasião, sua voz voltou e ele entoou o salmo profético em que, repleto do Espírito Santo, profetizou a missão do filho.
Enquanto isso, devido à proximidade da maternidade, Isabel recolheu-se por cinco meses, para estar em união com Deus. Os dias ela dividia em três períodos: de silêncio, oração e meditação. E foi assim que Isabel, grávida de João e inspirada pelo Espírito Santo, anunciou à Virgem Maria, sua prima, quando esta a visitou: "Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre (Jesus)".
Maria em visita á Isabel
          Após o nascimento de João, Zacarias e Isabel recolheram-se à sombra da fama do filho, como convém aos que sabem ser o instrumento do Criador. Com humildade, alegraram-se e satisfizeram-se com a santidade da missão dada ao filho (João Batista), sendo fiéis a Deus até a morte."
Mas as tradições juninas (ou joaninas) se deram a partir da seguinte lenda: Isabel, mãe de São João era prima da Virgem Maria. São João não havia nascido ainda, mas era esperado. Isabel prometeu à Virgem avisá-la logo que criança nascesse. As duas casas não eram muito distantes, de modo que de uma se avistava a outra, com um pouco de esforço.
Numa noite bonita, de céu estrelado, São João nasceu. Para avisar a Virgem, Isabel mandou erguer, na porta de sua casa, um mastro e acendeu uma fogueira que o iluminava. Era o aviso combinado.
Mastro de São João
          A Virgem Maria correu logo a visitar a prima. Levou-lhe de presente uma capelinha, um feixe de folhas secas e folhas perfumadas para a caminha do recém-nascido”.
João Batista é descrito na Bíblia como pessoa solitária, um profeta de grande popularidade. Fez severas críticas à família real da época, a do rei Herodes Antipas, da Galiléia, pois o rei era amante da sua cunhada, Herodíades. Segundo o evangelho de São Marcos (cap. 6, vers. 17-28) Salomé, filha de Herodíades, dançou tão bonito diante de Herodes que este lhe prometeu o presente que quisesse. A mãe de Salomé aproveitou a oportunidade para se vingar: anunciou que o presente seria a cabeça de João Batista, que se encontrava preso. O “presente” foi trazido em uma bandeja de prata.
A imagem de São João Batista é geralmente apresentada como um menino com um carneiro no colo, já que segundo a Bíblia, ele anunciou a chegada cordeiro de Deus. Alguns símbolos são conhecidos por remeterem ao nascimento de São João, como a fogueira, o mastro, os fogos, a capelinha, a palha e o manjericão.
Dizem que São João adora uma festa, mas que é preciso muitos fogos e uma fogueira bem bonita para ele ficar feliz.

Existe ainda uma lenda que diz que os fogos de artifício soltados no dia 24 são "para acordar São João". A tradição acrescenta que ele adormece no seu dia, pois, se ficasse acordado vendo as fogueiras que são acesas em sua homenagem, não resistiria e desceria à terra. As fogueiras dedicadas a esse santo têm forma de uma pirâmide com a base arredondada.
O levantamento do mastro de São João se dá no anoitecer da véspera do dia 24. O mastro, composto por uma madeira resistente, roliça, uniforme e lisa, carrega uma bandeira que pode ter dois formatos, em triângulo com a imagem dos três santos, São João, Santo Antônio e São Pedro; ou em forma de caixa, com apenas a figura de São João do carneirinho. A bandeira é colocada no topo do mastro.
O responsável pelo mastro, que é chamado de "capitão" deve, juntamente com o "alferes da bandeira", responsável pela mesma, sair da véspera do dia em direção ao local onde será levantado o mastro. Conta a tradição que a bandeira deve ser colocada por uma criança que lembre as feições do santo. O levantamento é acompanhado pelos devotos e por um padre que realiza as orações e benze o mastro.
Outra tradição muito comum é a lavagem do santo, que é feita por seu padrinho, pessoa que está pagando por alguma graça alcançada. A lavagem geralmente é feita à meia-noite da véspera do dia 24 em um rio, riacho, lagoa ou córrego. O padrinho recebe da madrinha a imagem do santo e lava-o com uma cuia, caneca ou concha.
Depois da lavagem, o padrinho entrega a imagem à madrinha que a seca com uma toalha de linho. Durante a lavagem é comum lavar os pés, rosto e mãos dos santos com o intuito de proteção, porém, diz a tradição que se alguma pessoa olhar a imagem de São João refletida na água iluminada pelas velas da procissão, não estará vivo para a procissão do ano seguinte.
E para que a noite de hoje seja, além de divertida, gostosa, deixo a receita do bolo salgado caipira, encontrado por aqui nas quitandas mais requintadas. 

Bolo Salgado Caipira

Massa:
1 xícara (chá) de leite
1 tablete de margarina (100 g)
1 xícara (chá) de farinha de trigo
1 xícara (chá) de fubá
1 colher (chá) de sal
1 colher (sopa) de fermento em pó
1 ovo batido
Recheio:
1 colher (sopa) de margarina
1 peito médio de frango cortado em cubos pequenos
1 tomate, sem sementes, cortado em cubos pequenos
1 lata de ervilha escorrida
1 xícara (chá) de água fervente
1 colher (sopa) de cheiro-verde ou cebolinha picada
1 frasco de maionese (250 g)
Para untar e enfarinhar: azeite de oliva e fubá
Modo de preparo: Pre-aqueça o forno em temperatura média (180°C). Unte e enfarinhe uma assadeira pequena (28 x 18 cm) e reserve. Em uma panela pequena, aqueça o leite e junte a margarina. Misture e deixe esfriar. Em uma tigela grande, peneire juntos a farinha de trigo, o fubá, o sal e o fermento em pó. Acrescente o leite reservado e o ovo. Misture com uma colher até que a massa fique homogênea. Despeje a massa na assadeira reservada e leve ao forno por 30 minutos ou até que um palito, depois de espetado na massa, saia limpo. Retire do forno e deixe esfriar. Para o Recheio Em uma panela média, aqueça a margarina e refogue o frango por 5 minutos ou até dourar. Junte o tomate, a ervilha, a água e o cheiro-verde e cozinhe por 15 minutos ou até o frango ficar macio e o líquido secar. Reserve até esfriar. Acrescente a maionese e misture até formar um recheio cremoso. Montagem do bolo Desenforme o bolo e corte-o ao meio no sentido do lado maior. Espalhe o recheio sobre metade do bolo e cubra com a outra metade. Corte-o em cubos decore com uma folha de salsinha. Fica ainda mais bonito se os pedaços de bolo forem colocados em forminhas de papel frisado.

Um comentário:

  1. Renatinha e Lucas29 de junho de 2011 14:16

    Realmente não existe festa junina como no nordeste. Aliás, o nordeste é maravilhoso e lindo!! Ano passado fomos de férias passar esta data por aí e foi uma grata surpresa. Nos divertimos muito e comemos coisas deliciosas – amamos o mungunzá doce! De repente você posta a receita pra gente.

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