sábado, 25 de julho de 2015

SEMLA - um ícone gastronômico sueco


Comidas tradicionais sempre são bem-vindas para minha apreciação, principalmente aquelas que eu ainda não conheço. Por isso, hoje, este post fala sobre SEMLA, um pequeno pão feito de trigo, aromatizado com cardamomo e preenchidos com pasta de amêndoa e chantilly, um ícone gastronômico sueco.


Semla deriva do Latin” semilia”, termo usado para designar a mais fina farinha de trigo ou semolina. Embora a semla tenha surgido na Roma antiga, e tenha sido saboreada em quase toda a Europa, é na Escandinávia que a tradição se mantem, sendo a Suécia um dos principais países da região a manter a tradição, tendo inclusive uma academia dedicada a essa iguaria: a Svenska Semleakademin.


A semla é uma produção culinária típica da terça feira gorda, dia em que é quase obrigatório comer esse pão que também é conhecido como "fettisdagsbulle”, ou seja, bolinho ou pãozinho da terça feira gorda, que é encontrado todas as confeitarias, padarias e supermercados suecos. Os suecos mais tradicionais, para manter as tradições, gostam de comer semla em uma tigela de leite quente – essa combinação é popularmente conhecida como “hetvägg” (literalmente, parede quente). Porém, na atualidade, a semla (ou semlor, plural de semla) é acompanhada por chá ou café.




Inicialmente a tradição sueca instituía que a semla fosse comida na terça feira gorda, em tempos antigos, período onde o jejum era uma prática comum. Mais tarde, quando o interesse dos suecos pelo jejum diminuiu, tornou-se tradição comer semla toda terça feira durante um período de 7 semanas, nas quais o jejum era instituído.

Há quem diga que a semla, inicialmente, fora um pão achatado e sem nenhum tipo de recheio, sendo uma das poucas preparações que os suecos poderiam comer nos períodos de jejum. Para burlar esta prática as pessoas começaram a fazer buracos na semla para esconder algum tipo de guloseima dentro do pão.


Um fato histórico importante envolvendo semla ocorreu em 1771: Após um lauto jantar, composto de lagosta, caviar, chucrute, arenque defumado e champanhe, encerrado com 14 porções de sua sobremesa favorita “hetvägg”, o rei sueco Adolf Frederick morreu de indigestão no dia 12 de fevereiro de 1771. 


Esse acontecimento quase iniciou uma espécie da caça às bruxas em relação a semla, que foi considerada como uma das causas da morte do rei. As crianças suecas aprendem na escola, até hoje, que o reio Adolf é lembrado por como "o rei que comeu até morrer". Mas isso não impediu que ela se tornasse uma das iguarias mais populares da Suécia, sendo consumida principalmente de janeiro até a Páscoa. Esse pãozinho deve realmente ser gostoso e não é difícil de fazer. Confira a receita abaixo.

Semla (12-15 porções)

Pasta de amêndoa:
125g amêndoa sem casca e laminada
100ml leite
100ml açúcar de confeiteiro

Corbertura:
300ml chantilly
50ml leite
1 colher de chá de açúcar ou essência de baunilha

Semlor (Massa):
100g manteiga ou margarina sem sal
300ml leite
50g fermento biológico seco
1/2 colher de chá sal
100ml açúcar
1 ovo
Em torno de 1 litro (560g ou 4 xícaras de 250ml) de farinha 
1 colher de chá cardamomo
1 ovo extra para pincelar


Preparo pasta de amêndoa: Triturar o máximo possível as amêndoas até ficar uma farinha. Misturar com o açúcar e depois com o leite. Preparo cobertura: Misture tudo delicadamente e reserve. Preparo Massa: Pré-aquecer o forno à 250 C. Derreter a manteiga e despejar o leite. Aquecer até atingir 37C (quando colocar o dedo, tem que estar quente, mas não muito). Despejar o fermento em um bowl. Colocar o sal, o açúcar e o ovo. Colocar a mistura de manteiga e leite e misturar com uma colher de madeira. Colocar a farinha aos poucos e trabalhar a massa com as mãos até ficar lisa e branquinha. Deixar descansar por 30 minutos no bowl coberto com uma toalha. Sovar a massa mais um pouco, por uns 5 minutos. Dividir em pequenas bolinhas. Colocar em uma forma untada ou com papel manteiga. Deixar descansar de 10-20 minutos até crescer mais um pouco. Pincelar com um ovo rapidamente batido. Assar os pãezinhos de 10-15 minutos. Retirar do forno e deixar esfriar. Cortar as “tampinhas” deles. Retirar um pouco do miolo ou apenas amassar com os dedos formando um buraco. Rechear com a pasta de amêndoa. Colocar o chantilly por cima. Tampar e polvilhar açúcar de confeiteiro.  

Um comentário:

  1. Adorei ler, especialmente a história do rei.
    Os pães são muito apetitosos.

    ResponderExcluir